CASO – ACIDENTE DE TRABALHO EM PERCURSO
Órgãos e Profissionais Envolvidos
INSS: Responsável pelo benefício de auxílio-doença e perícias.
Profissionais da Saúde: Médicos especializados, especialmente ortopedistas e
fisioterapeutas, para tratamento e recuperação do funcionário.
Médico do Trabalho: Realiza exames de retorno e readaptação, avaliando a
condição do funcionário ao final do afastamento.
Engenheiro de Segurança e Técnico de Segurança do Trabalho:
Responsáveis pela emissão da CAT, investigação do acidente, e implementação
de ações de segurança de trajeto.
Para lidar com o acidente de um funcionário que ocorreu a caminho da empresa, um
engenheiro de segurança do trabalho precisa seguir alguns passos específicos. O
procedimento a ser seguido inclui desde os primeiros passos na empresa até o
afastamento e o retorno ao trabalho. Veja a seguir o passo a passo detalhado:
1. Comunicação do Acidente à Empresa
Contato Imediato: Assim que a empresa é informada sobre o acidente, é
importante que o setor de Recursos Humanos (RH) ou o responsável de
segurança do trabalho registre o ocorrido.
Coleta de Informações: Recolher dados do acidente, como o horário, local,
condições do acidente e gravidade dos ferimentos, além de possíveis
testemunhas.
2. Emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)
Preenchimento da CAT: A empresa deve emitir a Comunicação de Acidente de
Trabalho (CAT), que formaliza a situação como um acidente de trajeto, tendo o
direito de afastamento regulamentado.
Prazo para Emissão: A CAT deve ser preenchida e enviada ao Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) em até um dia útil após o acidente, mesmo
que o funcionário já esteja hospitalizado.
Envio ao INSS e Arquivamento: A CAT é enviada ao INSS e deve ser
arquivada na empresa.
3. Encaminhamento Médico e Primeiros Socorros
Atendimento Médico Imediato: O funcionário deve ser levado ao hospital mais
próximo e, dependendo da gravidade, permanecer sob os cuidados médicos para
cirurgia e recuperação.
Solicitação de Laudos e Relatórios Médicos: A empresa deve solicitar
relatórios médicos que descrevam a gravidade do acidente, os tratamentos
necessários e a previsão de afastamento.
4. Contato com a Previdência Social e Solicitação de Afastamento
Para solicitar o auxílio-doença acidentário (B91) ao INSS, a empresa e o funcionário
têm responsabilidades distintas, mas devem agir de forma coordenada para que o
benefício seja concedido corretamente. Vou detalhar o processo:
1. Emissão da CAT pela Empresa:
o A empresa precisa registrar a CAT (Comunicação de Acidente de
Trabalho) e enviá-la ao INSS. Isso oficializa o acidente como sendo de
trajeto e permite que o funcionário tenha direito ao auxílio-doença
acidentário (B91).
2. Agendamento da Perícia Médica no INSS:
o Responsabilidade: Normalmente, a empresa ou o setor de Recursos
Humanos orienta o funcionário sobre a necessidade da perícia, mas o
próprio funcionário ou seu representante legal (caso esteja
impossibilitado) precisa agendar o exame.
o Como Agendar: O agendamento pode ser feito online pelo site ou
aplicativo "Meu INSS" ou pelo telefone 135. Em algumas situações, a
empresa pode apoiar o funcionário nesse processo, mas é o trabalhador
quem efetivamente realiza o agendamento.
3. Comparecimento à Perícia no INSS:
o No dia e horário agendados, o funcionário deve comparecer
pessoalmente à agência do INSS para realizar a perícia médica.
o É importante que o funcionário leve todos os documentos médicos, como
laudos, exames, e a CAT emitida pela empresa, para comprovar a
necessidade do afastamento.
4. Resultado da Perícia e Concessão do Benefício:
o Se o afastamento for autorizado pela perícia, o INSS concederá o auxílio-
doença acidentário (B91). Este benefício garante ao trabalhador a
remuneração durante o período de afastamento, a partir do 16º dia do
acidente (os primeiros 15 dias são pagos pela empresa).
5. Acompanhamento do Afastamento:
o Durante o afastamento, o funcionário poderá ser convocado para novas
perícias periódicas, especialmente em afastamentos mais longos. Para
esse acompanhamento, ele precisa seguir as orientações do INSS e
comparecer a todas as perícias agendadas.
Portanto, a empresa tem o papel de informar e orientar o trabalhador, mas a
responsabilidade de agendar e comparecer à perícia é do próprio funcionário.
5. Comunicação Interna e Acompanhamento
Registro Interno do Afastamento: O RH deve registrar o afastamento e manter
o acompanhamento mensal do caso junto ao INSS.
Acompanhamento Médico Periódico: Durante o período de afastamento, o
funcionário pode passar por novas perícias e avaliações médicas para verificar a
evolução da recuperação.
6. Afastamento e Estabilidade no Trabalho
Período de Estabilidade: Após o retorno, o funcionário tem direito a uma
estabilidade no emprego por 12 meses.
Manutenção do Benefício e Contribuições: Durante o afastamento, o INSS é
responsável pelo pagamento do salário (a partir do 16º dia), e a empresa mantém
as contribuições obrigatórias ao FGTS.
7. Retorno ao Trabalho e Readaptação
Exame de Retorno ao Trabalho: Após o término do afastamento, o funcionário
deve passar por um exame de retorno ao trabalho, realizado pelo médico do
trabalho da empresa.
Planejamento de Readaptação: Dependendo da recomendação médica, a
empresa pode precisar adaptar as atividades do funcionário, facilitando o retorno
e minimizando o risco de reincidência de problemas.
8. Análise e Investigação Interna
Investigação do Acidente de Trajeto: A área de segurança do trabalho pode
optar por investigar a causa do acidente e analisar medidas preventivas para
segurança no trajeto, especialmente em casos recorrentes.
Reforço de Orientações de Segurança no Trajeto: A empresa pode
implementar programas de conscientização para todos os funcionários,
incentivando o uso de equipamentos de proteção (como capacete), atenção à
legislação de trânsito, entre outros.
Este processo assegura que o trabalhador receba o atendimento necessário, mantenha
seus direitos garantidos e tenha um retorno ao trabalho seguro e com o apoio devido.