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Neuroanatomia

O documento é uma sebenta de neuroanatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, abordando a estrutura e desenvolvimento do sistema nervoso central, incluindo o córtex cerebral e suas células. Ele detalha a organização do córtex em camadas e os tipos de células nervosas presentes, além de discutir a vascularização e reflexos relacionados ao sistema nervoso. O conteúdo é voltado para estudantes de medicina e inclui informações essenciais sobre a anatomia e fisiologia do sistema nervoso.

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O documento é uma sebenta de neuroanatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, abordando a estrutura e desenvolvimento do sistema nervoso central, incluindo o córtex cerebral e suas células. Ele detalha a organização do córtex em camadas e os tipos de células nervosas presentes, além de discutir a vascularização e reflexos relacionados ao sistema nervoso. O conteúdo é voltado para estudantes de medicina e inclui informações essenciais sobre a anatomia e fisiologia do sistema nervoso.

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FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

F_C__N_
GOD!
Sebenta de Neuroanatomia
Volume 2
2013/2014

Autores:
Filipe Godinho
Maria Inês Alexandre
Sílvia Balhana
David Berhanu
1
ÍNDICE

INTRODUÇÃO AO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (Sílvia) ................................................................................... 3


DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO DO SISTEMA NERVOSO ..................................................................... 4
ESTRUTURA DO CÓRTEX CEREBRAL (Filipe)......................................................................................................... 5
CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO TELENCÉFALO (Filipe) .................................................................................... 10
CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO DIENCÉFALO (Filipe)........................................................................................ 36
AGRUPAMENTO E CLASSIFICAÇÃO DOS NÚCLEOS CINZENTOS CENTRAIS DO ENCÉFALO (Filipe) ..... 41
CONFIGURAÇÃO INTERNA DO DIENCÉFALO (Filipe) ......................................................................................... 43
CONFIGURAÇÃO INTERNA DO TELENCÉFALO (Filipe)...................................................................................... 62
TRONCO CEREBRAL (configuração externa) (Filipe) ................................................................................................ 78
TRONCO CEREBRAL (configuração interna) (Filipe) ................................................................................................. 84
CEREBELO (Filipe) ....................................................................................................................................................... 93
ÂNGULO PONTO-CEREBELOSO (Maria Inês)........................................................................................................ 102
MENINGES E CISTERNAS (Filipe) ........................................................................................................................... 105
VENTRÍCULOS (Maria Inês) ...................................................................................................................................... 118
LÍQUIDO CEFALO-RAQUIDIANO (Maria Inês) ...................................................................................................... 126
SISTEMA LÍMBICO (Filipe) ....................................................................................................................................... 130
FORMAÇÃO RETICULAR (Filipe)............................................................................................................................ 144
MEDULA ESPINHAL (David e Filipe) ....................................................................................................................... 150
VIAS ASCENDENTES OU DA SENSIBILIDADE (Filipe)....................................................................................... 165
VIAS DESCENDENTES (Filipe) ................................................................................................................................ 182
ARCO REFLEXO, REFLEXOS MEDULARES E REFLEXOS PATOLÓGICOS (Filipe) ....................................... 199
VASCULARIZAÇÃO DA MEDULA ESPINHAL (David e Filipe) .......................................................................... 211
LESÕES E SÍNDROMES MEDULARES (David e Filipe)......................................................................................... 216
VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DO ENCÉFALO (Filipe) .................................................................................... 227
VASCULARIZAÇÃO VENOSA DO ENCÉFALO (Filipe) ....................................................................................... 246
REFLEXOS VISUAIS (Filipe) ..................................................................................................................................... 258
OUVIDO (Filipe) .......................................................................................................................................................... 264
FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO (Filipe) ......................................................................................................................... 285
RESUMO DA MATÉRIA EM TABELAS (Sílvia) ..................................................................................................... 299
PERGUNTAS-TIPO DE NEUROANATOMIA (Sílvia) ............................................................................................. 304

2
INTRODUÇÃO AO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

 O encéfalo e a medula espinhal são os centros de integração da


informação. Estão suspensos em líquido cérebroespinal e são envolvidos
por meninges (da mais profunda para a mais superficial: pia-máter,
aracnóide-máter e a dura-máter), protegidas externamente por estruturas
ósseas.
 A medula espinhal encontra-se no canal vertebral, desde o seu limite
superior (forâmen magnum), até à região lombar, aproximadamente ao
nível da vértebra L1, onde termina pelo cone medular. Abaixo deste nível
encontramos a cauda equina, um conjunto de raízes nervosas envolvidas
por meninges e abaixo desta, o filum terminale, um prolongamento de
pia-máter, que se estende à região coccígea.
 O encéfalo encontra-se na cavidade craniana e comunica com a medula
espinhal através do forâmen magnum. É habitualmente dividido em três
grandes estruturas:

o ROMBOENCÉFALO: corresponde às estruturas mais posteriores e


inferiores do encéfalo. Engloba o bulbo raquidiano, que se continua
em baixo pela medula espinhal; a ponte/protuberância,
imediatamente acima do bulbo; e o cerebelo, posterior à ponte.
o MESENCÉFALO: conecta o romboencéfalo ao prosencéfalo sendo
constituído por muitos núcleos e tratos ascendentes e descendentes.
o PROSENCÉFALO: corresponde à região mais superior do encéfalo
englobando o diencéfalo, mediano e do qual fazem parte estruturas
como o tálamo e o hipotálamo; e o telencéfalo/ cérebro, que forma a
maior porção do encéfalo e que é dividido em dois grandes
hemisférios cerebrais.

3
DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO DO SISTEMA NERVOSO

 O desenvolvimento do SN depende de factores genéticos e ambientais.


 Durante a formação dum embrião surgem 3 camadas celulares primitivas: a endoderme,
que dá origem ao trato gastrointestinal, pulmões e fígado; a mesoderme, que permite a
formação de tecido conjuntivo, músculo e do sistema vascular; e a ectoderme,
responsável pela origem de tecidos epiteliais e nervosos.
 Por volta da 3ª semana de desenvolvimento a ectoderme começa a formar uma placa
neural que sofre alterações progressivas até culminar na formação do tubo neural. A
fusão deste inicia-se numa região mediana do embrião e estende-se tanto em direcção
cranial quanto caudal, deixando em aberto as extremidades do tubo (neuroporos anterior
e posterior). Aproximadamente aos 28 dias de gestação o encerramento do tubo estará
completo (antes de muitas mulheres saberem que estão grávidas).
 Simultaneamente à formação do tubo neural desenvolve-se outra estrutura, a crista neural
que dará origem a gânglios sensitivos e autónomos, a células da medula supra-renal, a
melanócitos e aos tecidos mesenquimatosos da cabeça e pescoço.
 A região do neuroporo anterior prolifera acabando por formar 3 vesículas
primitivas: o romboencéfalo, o mesencéfalo e o prosencéfalo. O resto do
tubo neural alonga-se para formar a medula espinhal.
 Apesar dos tecidos do SN dependerem essencialmente da ectoderme, a
mesoderme têm influência no seu desenvolvimento: um exemplo está no
BMP, factor de crescimento que inibe a formação do tubo neural. A
mesoderme é capaz de secretar outros factores que inibem o BMP,
permitindo a ocorrência da neurulação, fenómeno chamado de “indução
neural”.
 Os defeitos na formação do tubo neural são das anomalias congénitas mais
comuns, sublinhando a importância da administração de ácido fólico à grávida (essencial ao processo). Os anti-
convulsivantes podem inibir a síntese de folatos levando a defeitos no fecho do tubo neural.

4
ESTRUTURA DO CÓRTEX CEREBRAL

 O córtex cerebral atapeta toda a superfície do hemisfério cerebral, sendo formado por substância cinzenta
 O córtex contém aproximadamente 10 biliões de neurónios
 A área de superfície do córtex é aumentada devido aos sulcos e circunvoluções existentes
 A espessura do córtex varia entre 1,5 a 4,5 mm de espessura
 Consiste numa mistura de células nervosas, fibras nervosas, neuróglia e vasos sanguíneos

CÉLULAS NERVOSAS DO CÓRTEX CEREBRAL


 5 tipos de células identificadas:
o Células Piramidais
o Células Fusiformes
o Células Horizontais de Cajal
o Células de Martinotti
o Células Estreladas ou Granulares

Células Piramidais
 O seu nome deve-se à forma dos seus corpos
celulares
 Os corpos celulares medem entre 10 a 50 µm de
comprimento.
 Existem células piramidais “gigantes”, chamadas
de células de Betz, cujos corpos celulares medem
até 120 µm. Estas células são encontradas na
circunvolução frontal ascendente
 Do ápex (superior) de cada célula, uma dendrite
estende-se para cima em direcção à pia-máter,
dando ao longo do seu trajecto vários ramos
colaterais. Dos vértices basais também partem
dendrites. Cada dendrite possui numerosas
espinhas dendríticas, que sinapsam com axónios
de outros neurónios.
 O axónio tem origem na base (inferior) do corpo
celular e termina ou nas camadas corticais mais profundas, ou penetra na substância branca como fibra comissural,
de associação ou de projecção.

Células Estreladas ou Granulares


 Células pequenas, poligonais, cujo corpo celular mede cerca de 8 µm de diâmetro
 Apresentam múltiplas ramificações dendríticas e axónios curtos, que terminam nos neurónios vizinhos

Células Fusiformes
 O seu maior eixo é orientado na vertical
 Concentradas principalmente nas camadas corticais mais profundas
 Dendrites emergem dos 2 polos (superior e inferior) do corpo celular: as dendrites inferiores ramificam-se dentro da
mesma camada cortical; as dendrites superiores/superficiais ascendem até à superfície do córtex e ramificam-se nas
camadas superficiais
 O axónio tem origem no polo inferior do neurónio e penetra na substância branca como fibra comissural, de
projecção ou de associação

5
Células Horizontais de Cajal
 Células orientadas horizontalmente, pequenas e fusiformes
 Encontradas nas camadas do córtex mais superficiais
 Uma dendrite emerge de cada extremidade do corpo celular
 Um axónio corre paralelo à superfície do córtex, sinapsando com dendrites das células piramidais

Células de Martinotti
 Células nervosas pequenas e multipolares
 Presentes em todas as camadas do córtex cerebral
 Apresentam dendrites curtas
 O axónio dirige-se para a superfície do córtex, onde termina nas camadas mais superficiais. Ao longo do seu trajecto,
emite pequenos ramos colaterais.

CAMADAS DO CÓRTEX CEREBRAL


 O córtex cerebral quase sempre está organizado em 6 camadas, ordenadas de superficial para profundo:
o Camada Molecular
o Camada Granular Externa
o Camada Piramidal Externa
o Camada Granular Interna
o Camada Ganglionar ou Piramidal Interna
o Camada Multiforme de Células Polimórficas

Camada Molecular
 Camada mais superficial
 Consiste numa rede densa de fibras tangenciais,
derivadas das dendrites apicais das células
piramidais e fusiformes, dos axónios das células
estreladas, e das células de Martinotti.
 Fibras aferentes provenientes do tálamo e fibras de
associação também estão presentes nesta camada
 Espalhadas entre as fibras nervosas encontram-se
células horizontais de Cajal
 Local onde ocorre um grande número de sinapses
entre diferentes neurónios.

Camada Granular Externa


 Contém um grande número de células piramidais
pequenas e células estreladas
 As dendrites destas células terminam na camada molecular e os axónios penetram nas camadas mais profundas,
terminando aí ou avançando pela substância branca.

Camada Piramidal Externa


 Composta por células piramidais, cujos comprimentos dos corpos celulares aumentam com a profundidade na
camada.
 As dendrites apicais ascendem à camada molecular e os axónios penetram nas camadas mais profundas, entrando na
substância branca como fibras comissurais, de projecção ou de associação

Camada Granular Interna


 Composta por células estreladas
 Concentração elevada de fibras tangenciais, colectivamente conhecidas como banda de Baillarger Externa
6
Camada Ganglionar/Piramidal Interna
 Contém células piramidais de tamanho médio a grande, e células estreladas e de Martinotti
 Concentração elevada de fibras tangenciais, que formam a banda de Baillarger Interna
 No córtex motor (circunvolução frontal ascendente), as células piramidais, devido ao seu grande tamanho, são
denominadas células de Betz. Estas células contribuem apenas para 3% das fibras de projecção do tracto
corticoespinhal/piramidal

Camada Multiforme de Células Polimórficas


 Composta por células fusiforme e piramidais modificadas, cujo corpo celular é triangular a ovóide
 Presença de células de Martinotti
 Local de passagem de muitas fibras nervosas, que entram ou saem da substância branca

FIBRAS NERVOSAS DO CÓRTEX CEREBRAL


 Relativamente à mieloarquitectura, podemos identificar dois tipos de disposição das fibras no córtex cerebral:
o Fibras Radiais – perpendiculares à superfície do córtex
o Fibras Tangenciais ou Estrias – bandas de fibras que se dispõem dentro de uma camada do córtex

Fibras Radiais
 Dirigem-se em ângulos rectos em relação à superfície
cortical
 Incluem:
o Fibras aferentes comissurais, de projecção ou de
associação, que terminam no córtex;
o Os axónios das células piramidais e fusiformes que
deixam o córtex como fibras comissurais, de projecção ou
de associação, em direcção à substância branca do
hemisfério cerebral.

Fibras Tangenciais
 Dirigem-se paralelamente à superfície cortical
 Incluem:
o Ramos colaterais e terminais de fibras aferentes (maior
parte)
o Axónios de células horizontais de Cajal e células
estreladas
o Ramos colaterais das células piramidais e fusiformes
 Podemos identificar no córtex cerebral 3 estrias:
o Banda de Kaes-Bechterew – na camada molecular
o Banda de Baillarger Externa – situada na camada granular
interna (camada 4)
o Banda de Baillarger Interna – situada na camada
piramidal interna (camada 5)
 As bandas de Baillarger são particularmente desenvolvidas
em áreas sensoriais/sensitivas devido à grande concentração
das partes terminais das fibras talamocorticais
 No córtex visual, a banda de Baillarger externa é tão espessa
que pode ser vista a olho nu, sendo conhecida como a Estria
de Gennari. Devido a esta banda/estria, o córtex visual
próximo do sulco calcarino é referenciado como o córtex
estriado.
7
VARIAÇÕES NA ESTRUTURA CORTICAL
 Nem todas as áreas corticais possuem as 6 camadas corticais
descritas anteriormente. Assim, podemos dividir o córtex
cerebral em 3 áreas, de acordo com a citoarquitectura e
mieloarquitectura:
o Alocórtex (Paleocórtex + Arquicórtex)
o Isocórtex ou Neocórtex
o Mesocórtex

Alocórtex
 Caracteriza-se pela sua estrutura primitiva e elementária.
 Constituída pelo arquicórtex e pelo paleocórtex
 Composta por:
o Uma camada granular receptora e uma camada piramidal
efectora - arquicórtex
o Confusão das camadas celulares – paleocórtex
 O termo alocórtex foi utilizado durante muito tempo como sinónimo de córtex olfactivo.
 De facto, o cérebro dos vertebrados inferiores macrosmáticos (diz-se dos animais com o olfacto muito desenvolvido) é
dedicado quase exclusivamente ao olfacto e aos reflexos que este sentido desencadeia – trata-se portanto do
rinencéfalo.
 Pensava-se também que o alocórtex dos vertebrados superiores era também olfactivo, mas actualmente sabe-se que
no alocórtex se distinguem duas zonas:
o Formações paleocorticais (paleocórtex) – dedicadas ao sentido do olfacto
o Formações arquicorticais (arquicórtex) – sem relação com o olfacto
 Assim, o termo rinencéfalo nestes vertebrados não se aplica a todo o alocórtex, apenas designando o paleocórtex
 O arquicórtex constitui parte fundamental do cérebro nos vertebrados (superiores e inferiores), governando os
comportamentos e a vida instintiva. Portanto, a vida destes animais obedece a impulsos, que por sua vez suscitam
acções automáticas/involuntárias.
 Nos humanos, o alocórtex integra o Sistema Límbico e está disposto da seguinte maneira:
o Paleocórtex - constitui o aparelho olfactivo (bulbo olfactivo, pedúnculos, estrias, etc.)
o Arquicórtex - constitui o aparelho motor do comportamento genérico (hipocampo), dotado de uma certa
memória.

Neocórtex ou Isocórtex
 Neste córtex estão bem individualizadas a 6 camadas corticais
 Podemos distinguir 2 tipos de neocórtex:
o Córtex Homotípico – as 6 camadas mantêm as mesmas proporções entre si (não há uma maior que as outras).
Este isocórtex reveste as áreas corticais de associação (ver configuração externa do telencéfalo)
o Córtex Heterotípico – corresponde a zonas corticais de projecção. Aqui, podemos ainda subdividir o córtex
consoante as camadas do córtex predominantes:
 Tipo Granular – as camadas granulares (2 e 4) bem desenvolvidas, em detrimento das camadas piramidais (3 e
5). Assim, as camadas 2 a 5 fundem-se numa só camada composta predominantemente de células
granulares/estreladas (são estas células que recebem as fibras talamocorticais). Este tipo é encontrado na
circunvolução parietal ascendente, na circunvolução temporal superior e em partes da circunvolução
hipocâmpica
 Tipo Agranular – as camadas granulares (2 e 4) estão pouco desenvolvidas ou até ausentes. As camadas
piramidais (3 a 5) estão muito desenvolvidas. Este tipo é encontrado na circunvolução frontal ascendente e
noutras áreas do córtex frontal. Estas áreas dão origem a um grande número de fibras eferentes relacionadas
com as funções motoras.
 O neocórtex relaciona-se com a actividade consciente, voluntária, pessoal e propriamente psíquica.
 Comparado com os animais, o Homem apresenta este tipo de córtex muito mais desenvolvido.
8
Mesocórtex
 É um córtex do tipo misto
 Observamos ilhas de alocórtex rodeadas por mesocórtex
 Este tipo de córtex está presente na circunvolução do corpo caloso

MECANISMOS DE FUNCIONAMENTO DO CÓRTEX CEREBRAL


 Em termos funcionais, o córtex cerebral está organizado em unidades verticais ou colunas
o Por exemplo, no córtex sensitivo cada coluna está associada a uma função sensitiva específica - uma unidade
vertical para cada segmento do corpo.
o Estas colunas estendem-se ao longo das 6 camadas corticais até à substância branca
o Cada unidade possui fibras aferentes, interneurónios e fibras eferentes
o Cada unidade pode ser activada isoladamente, ou uma excitação de uma unidade funcional pode-se propagar para
outras unidades através dos axónios das células estreladas
o As células horizontais de Cajal permitem a activação de unidades verticais localizadas a uma distância
significativa da fibra aferente “excitadora”.
 Relativamente às camadas do córtex, podemos distinguí-las funcionalmente da seguinte maneira:
o Camada 2 e 4 (granulares externa e interna) – são os pisos de recepção. A camada granular externa recebe
informações de outras regiões do córtex cerebral. A camada granular interna recebe informações mais longíquas,
principalmente do tálamo (radiações talâmicas)
o Camadas 3 e 5 (piramidais externa e interna) – constituem os pisos de emissão. A camada piramidal externa
transmite mensagens intercorticais, enquanto a camada piramidal interna envia os seus impulsos para zonas
subcorticais, do tronco cerebral e da medula espinhal.
o Camada 1 (molecular) – assegura as conexões com as superfícies vizinhas
o Camada 6 (multiforme) – estabelece as relações interhemisféricas através das fibras comissurais

9
CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO TELENCÉFALO

 O Telencéfalo (ou Cérebro) é a porção mais volumosa do encéfalo


 Repousa, através da sua face inferior nos andares médio e anterior/superior da base do crânio
 Cobre superiormente o cerebelo, do qual está separado pela tenda do cerebelo
 A sua face súpero-externa, convexa, corresponde em toda a sua extensão à abóbada craniana
 Forma ovóide com uma extremidade posterior larga
 Diâmetros:
o Ântero-Posterior: 16 cm
o Transversal: 14 cm
o Vertical: 12 cm
 Peso médio: 1Kg (mulheres) a 1,1 Kg (homens)
 Dividido em 2 partes simétricas – os hemisférios – pela fenda interhemisférica
 Os hemisférios estão unidos entre si pelas grandes comissuras interhemisféricas – corpo caloso e o fórnix – e pelo
diencéfalo, situado por baixo das comissuras interhemisféricas
 Cada hemisfério é escavado por uma cavidade derivada do canal central: os ventrículos laterais
 Cada hemisfério apresenta, ao nível da união com
o diencéfalo, uma massa de substância cinzenta
volumosa denominada corpo estriado
 Cada hemisfério apresenta 3 faces: súpero-
externa, inferior e interna

Face Súpero-Externa
 Convexa
 Limites:
o Em cima pelo bordo superior do hemisfério
cerebral, bordeado pelo seio sagital superior
o Em baixo por um bordo marcadamente
chanfrado na união do seu ¼ anterior com os
¾ posteriores
 Corresponde em toda a sua extensão à abóbada
craniana

Face Interna
 Plana e Vertical
 Constituída por 2 partes:
o Superior: livre, desde o bordo superior do
hemisfério cerebral até ao corpo caloso.
Separada do hemisfério oposto pela fissura
longitudinal do cérebro/ fenda
interhemisférica, na qual se introduz uma
prega de dura-máter (foice do cérebro)
o Inferior ou umbral do hemisfério cerebral:
aderente, constituída por todos os órgãos
(corpo caloso, septo pelúcido, fórnix e
diencéfalo) que unem os hemisférios cerebrais
entre si

10
Face Inferior
 Limites:
o Externo: bordo inferior da face súpero-externa
o Interno: extremidades anterior e posterior da
fenda interhemisférica e, entre estas
extremidades, pelo diencéfalo e pedúnculos
cerebrais
 Dividida em 2 partes pelo rego de Sylvius/ sulco
lateral:
o Parte Anterior ou Orbitária: apoiada sobre a
parede superior da órbita. Constituída pelo bulbo
e tracto olfactivos, pedúnculos olfactivos e
substância/espaço perfurado anterior
o Parte Posterior ou Temporoccipital: deprimida
na sua parte média e interna, de tal maneira que
se orienta para baixo/dentro. Repousa sobre o
andar médio do crânio e sobre a tenda do
cerebelo.

FENDAS, REGOS E SULCOS


 A superfície dos hemisférios cerebrais é percorrida por numerosos sulcos e regos que delimitam os lobos cerebrais e
as circunvoluções cerebrais
 Os lobos estão separados entre si por sulcos principais ou regos
 Cada lobo apresenta um certo número de circunvoluções delimitadas por sulcos (secundários)
 Os limites traçados pelos sulcos podem ser imprecisos. Circunvoluções adjacentes que pertencem a um mesmo lobo
ou a 2 lobos contíguos podem estar unidas entre si por pregas anastomóticas/de comunicação.
 Existem também sulcos terciários (inconstantes) com origem nos diversos sulcos secundários.
 Nomenclatura utilizada:
o Fenda – separa hemisférios. Só há uma: fenda interhemisférica
o Regos (nomenclatura francesa) – separam lobos entre si, dentro do mesmo hemisfério
o Sulcos (nomenclatura francesa) – separam circunvoluções, dentro de cada lobo
o Sulcos (nomenclatura inglesa) – correspondem aos sulcos e regos da
nomenclatura francesa

Fenda de Bichat ou Fissura Transversa do Cérebro


 A fenda de Bichat, apesar de designada de “fenda”, não separa hemisférios
cerebrais.
 Depressão profunda escavada posteriormente e nos lados, entre, por um lado, os
hemisférios cerebrais e as grandes comissuras interhemisféricas, e por outro, o
diencéfalo e o mesencéfalo
 Forma de ferradura de cavalo com concavidade orientada para a frente
 A porção média está compreendida entre, por um lado, o esplénio
do corpo caloso e o fórnix, em cima, e pelo outro, os
colículos/tubérculos quadrigémios e o tecto do 3º ventrículo, em
baixo.
 As porções laterais, prolongamentos da porção média, são
constituídas por uma depressão que, de cada lado, separa a
circunvolução parahipocâmpica/temporal superior do pedúnculo
cerebral e do diencéfalo
 Nesta fenda penetra a pia-máter, para formar a tela coroideia do 3º
ventrículo e os plexos coroideus dos ventrículos laterais
11
Rego de Sylvius (Sulco Lateral)
 Começa sobre a face inferior do hemisfério, no ângulo externo da substância perfurada anterior.
 Desde esse ponto, dirige-se para fora, descrevendo uma curva côncava para trás, cruza o bordo inferior da face
súpero-externa e percorre esta face obliquamente para cima/trás, até à união dos 1/3 médio e 1/3 posterior dos
hemisfério cerebral.
 Ao nível da face súpero-externa este sulco origina 3 prolongamentos:
o Ramo anterior/horizontal – dirige-se para a frente, no lobo frontal, ao longo do bordo inferior da face súpero-
externa
o Ramo ascendente/posterior/vertical – nasce um pouco atrás do ramo anterior, dirige-se para cima/frente
o Ramo posterior – ramo terminal do Rego de Sylvius que se dirige para o lóbulo marginal.
 É um sulco muito profundo, cujo
fundo é ocupado por uma parte
extensa da superfície do hemisfério
cerebral – ínsula ou lobo da ínsula.

Rego de Rolando (Sulco Central)


 Começa um pouco atrás da parte
média da fenda interhemisférica
 Desce para baixo/frente sobre a face
súpero-externa do hemisfério
cerebral
 Termina um pouco superior ao rego
de Sylvius
 Descreve no seu trajecto 3 curvas
sucessivas:
o Curva Superior – convexa para a
frente
o Curva Média – convexa para trás
o Curva Inferior – convexa para a frente
 A extremidade superior deste sulco escava ligeiramente o bordo superior dos hemisfério cerebral e a porção
adjacente da sua face interna

Rego Parieto-Occipital
 Parte do bordo superior do hemisfério
cerebral, a 5 cm da extremidade posterior
do hemisfério
 Desde este ponto, percorre tanto a face
interna como a face súpero-externa:
o Rego perpendicular interno (face
interna) – dirige-se para a frente até à
extremidade posterior da
circunvolução do corpo caloso, onde
termina. Ao longo do seu trajecto,
cruza-se com o sulco calcarino
o Rego perpendicular externo ou sulco occipital transverso (face súpero-externa) – apresenta o mesmo trajecto que
o rego perpendicular interno. É pouco visível pois é obliterado por diversas pregas anastomóticas que unem as
circunvoluções parietais, temporais e occipitais. Apenas são visíveis as suas extremidades, presentes nos bordos
superior e inferior do hemisfério cerebral (a extremidade no bordo inferior chama-se incisura pré-occipital).

12
Rego Caloso-Marginal ou Sulco do Cíngulo
 Situado sobre a face interna do hemisfério cerebral
 Começa à frente e por baixo do joelho do corpo
caloso
 Tem um trajecto paralelo ao bordo superior do corpo
caloso, posicionando-se a igual distância entre este e
o bordo superior do hemisfério.
 Um pouco à frente da extremidade posterior
(esplénio) do corpo caloso, o sulco flecte-se para
cima e termina sobre o bordo superior do hemisfério
cerebral

Rego Subparietal
 Sulco simples e pouco marcado
 Tem origem no ponto em que o rego caloso-marginal se flecte para cima, um pouco à frente do esplénio do corpo
caloso
 Percorre um trajecto paralelo ao corpo caloso
 Termina no rego parieto-occipital (rego perpendicular interno)

LOBOS E CIRCUNVOLUÇÕES
 Distinguem-se em cada hemisfério 6 lobos com diferentes projecções nas 3 faces:
o Lobo Frontal – súpero-externa, interna e inferior
o Lobo Parietal – súpero-externa e interna
o Lobo Temporal – súpero-externa, interna e inferior
o Lobo Occipital – súpero-externa, interna e inferior
o Lobo da Ínsula – súpero-externa (no fundo do rego de Sylvius, coberta pelo lobo temporal)
o Lobo do Corpo Caloso – interna

Lobo Frontal
 Forma de pirâmide triangular:
o Face súpero-externa – limitada atrás pelo Rego de Rolando e pela porção
o Face Interna – à frente do Rego de Rolando e por cima do Rego Caloso-marginal
o Face Inferior/Orbitária – limitada atrás pelo segmento transversal do Rego de Sylvius
o Vértice – anterior, arredondado, corresponde ao pólo frontal
 Limites:
o Rego de Sylvius
o Rego de Rolando
o Rego Caloso-Marginal

13
Circunvoluções (4)
 Frontal Ascendente ou Pré-Central/Pré-Rolândica
o Face interna e súpero-externa
o Limitada atrás pelo Rego de Rolando e à frente pelo
sulco Pré-Rolândico/Pré-Central (sulco descontínuo)
o Continua-se com o lóbulo paracentral, na face interna,
e com a circunvolução parietal ascendente,
inferiormente e na face súpero-externa
 Frontal Superior ou 1ª Circunvolução Frontal
o Face interna, súpero-externa e inferior
o 2 segmentos:
 Segmento Superior/Dorsal – segue o bordo
superior do hemisfério cerebral, sendo identificado
quer na face interna, quer na face súpero-externa.
Limitado pelo sulco do cíngulo (face interna) e
pelo sulco frontal superior (face súpero-externa),
que se estende desde o sulco pré-central até à
extremidade anterior do lobo frontal. A sua
extremidade posterior forma o lóbulo paracentral.
Ao nível do polo frontal, continua-se com o
segmento inferior.
 Segmento Inferior/Orbitário – denominada de
circunvolução recta, ocupa na face inferior do lobo
frontal o espaço compreendido entre a fenda interhemisférica e o sulco olfactivo (no qual passa o tacto
olfactivo)
o Lóbulo Paracentral – nome atribuído à extremidade posterior do segmento superior/dorsal da circunvolução
frontal superior. Limitado à frente por um pequeno sulco paralelo ao segmento terminal do sulco do cíngulo.
Relaciona-se também com as extremidades superiores das circunvoluções pré-central e pós-central
 Frontal Média ou 2ª Circunvolução Frontal
o Face súpero-externa e inferior
o 2 segmentos:
 Segmento Superior (face súpero-externa) –
limitado em cima pelo sulco frontal superior, e
em baixo pelo sulco frontal inferior, que parte
do sulco pré-central e corre paralelo ao sulco
frontal superior.
 Segmento Inferior/Orbitário (face inferior) –
ocupa ¾ da face inferior do lobo frontal.
Limitado por dentro pelo sulco olfactivo, e por
fora pelo sulco orbitário externo. A superfície
deste segmento é percorrida por
anfractuosidades (sulcos orbitários) que no seu conjunto descrevem a forma de um H (sulco em H).
 Frontal Inferior ou 3ª Circunvolução Frontal
o Face súpero-externa e inferior
o Ocupa toda a porção do lobo frontal situada por baixo/fora da circunvolução frontal média
o Compreendida entre os sulcos frontal inferior e orbitário externo, por um lado, e o Rego de Sylvius, pelo outro.
o Os 2 prolongamentos do Rego de Sylvius dividem esta circunvolução em 3 partes:
 Porção Orbitária/Cabeça (face inferior e súpero-externa) – situada por baixo/dentro do ramo anterior do Rego
de Sylvius
 Porção Triangular/Cabo (face súpero-externa) – entre os ramos anterior e ascendente do Rego de Sylvius
 Porção Opercular/Pé (face súpero-externa) – atrás do ramo ascendente do Rego de Sylvius. Comunica em
cima com a circunvolução Frontal Ascendente.
14
Lobo Parietal
 Situado na porção média e superior da face súpero-externa do hemisfério cerebral
 Ocupa uma escassa extensão da face interna
 Limites:
o Rego de Rolando à frente
o Rego de Sylvius por baixo
o Rego Parieto-Occipital (Rego Perpendicular Externo) atrás
o Rego Subparietal por dentro (face interna)
 Apresenta 3 circunvoluções separadas entre si pelo sulco intraparietal
 Sulco Intraparietal (face súpero-externa) – dirige-se primeiro para cima/trás, paralelamente ao Rego de Rolando
(neste trajecto toma o nome de sulco Pós-Central/Pós-Rolândico); depois flete para trás e corre paralelamente ao
bordo superior do hemisfério cerebral, até ao lobo occipital

Circunvoluções (3)
 Parietal Ascendente ou Pós-
Central/Pós-Rolândica
o Face súpero-externa e interna
o Localizada atrás do Rego de
Rolando e à frente do Sulco Pós-
Central
o Esta circunvolução une-se à
circunvolução frontal ascendente por
meio de pregas anastomóticas,
localizadas em cada uma das
extremidades do Rego de Rolando:
 Inferiormente unem-se ao nível
da porção opercular da
circunvolução frontal inferior
 Superiormente unem-se ao nível
do lóbulo paracentral (face interna)
 Lóbulo Parietal Superior ou 1ª Circunvolução Parietal
o Face súpero-externa e interna
o Situado sobre o bordo superior do hemisfério
cerebral, atrás da circunvolução pós-central e
por cima do sulco intraparietal
o Invade a face interna do hemisfério cerebral,
onde forma o lóbulo quadrilátero (pré-cunea)
o O lóbulo quadrilátero é limitado à frente pela
extremidade posterior do rego caloso-marginal,
atrás pelo rego parieto-occipital (Rego
perpendicular interno), e por baixo pelo rego
subparietal
 Lóbulo Parietal Inferior ou 2ª Circunvolução
Parietal
o Face súpero-externa
o Situada por baixo do Lóbulo Parietal Superior e atrás da Circunvolução Parietal Ascendente
o Formado por 2 segmentos curvos em continuidade um com o outro:
 Anterior/Circunvolução Supramarginal/Lóbulo Marginal – contém na sua concavidade voltada para baixo a o
ramo posterior do Rego de Sylvius
 Posterior/Circunvolução Angular/Lóbulo Angular – contém na sua concavidade voltada para a frente a
extremidade posterior do sulco temporal superior

15
Lobo Occipital
 Ocupa a porção posterior do hemisfério cerebral
 Forma de pirâmide triangular:
o Vértice é o Polo Occipital e está orientado para trás
o Face Externa – corresponde a uma das fossas cerebrais da escama do osso occipital
o Face Interna – separada da face homóloga contralateral pela fenda interhemisférica
o Face Inferior – repousa sobre a tenda do cerebelo
 Limites:
o Rego Parieto-Occipital (rego perpendicular
interno), à frente, na face interna
o Rego Parieto-Occipital (sulco occipital
transverso), à frente, na face súpero-externa
(limite pouco visível, obliterado por várias
pregas anastomóticas)
o Na face inferior não existe nenhum limite bem
definido
 O lobo occipital é contínuo com o lobo temporal
nas faces súpero-externa e inferior, e com o lobo
parietal na face súpero-externa

Circunvoluções (6)
 Existem 6 circunvoluções occipitais, numeradas de cima para baixo, separadas entre si por 5 sulcos inominados. As
circunvoluções e os sulcos nascem no polo occipital e dirigem-se até à base do lobo occipital
 1ª Circunvolução Occipital
o Face súpero-externa
o Continua-se à frente com o lóbulo parietal superior
 2ª Circunvolução Occipital
o Face súpero-externa
o Continua-se com a circunvolução angular
 3ª Circunvolução Occipital
o Face súpero-externa
o Está unida por meio de pregas anastomóticas às circunvoluções temporais média e
inferior
 4ª Circunvolução Occipital
o Face inferior
o Continua-se com a 4ª circunvolução temporal, com a qual forma o
lóbulo/circunvolução Fusiforme
 5ª Circunvolução Occipital
o Face Inferior
o Continua-se com a 5ª circunvolução temporal, com a
qual forma o lóbulo/circunvolução Lingual
 6ª Circunvolução Occipital ou Lóbulo Cuneiforme
o Face interna
o Ocupa toda a face interna do lobo occipital
o Forma de cunha
o Limites:
 Rego Parieto-Occipital (rego perpendicular interno),
à frente/cima
 Sulco Calcarino por baixo. O sulco calcarino separa
a circunvolução lingual do lóbulo cuneiforme. Estende-se horizontalmente desde o polo occipital até à
extremidade posterior da circunvolução do corpo caloso, onde se une ao rego parieto-occipital.

16
Lobo Temporal
 Ocupa a porção média e inferior do hemisfério cerebral
 Apresenta 2 faces:
o Face súpero-externa
o Face inferior que repousa sobre a fossa temporo-esfenoidal, do andar médio da base do crânio
o Face interna
 Limites:
o Face súpero-externa: Rego de Sylvius, em cima e vestígios do Rego Parieto-Occipital (Rego Perpendicular
Externo/Sulco Occipital), atrás, separando-o do lobo occipital
o Face interna: segmento externo da Fenda de Bichat, por dentro, separando o lobo da parte média e
interhemisférica do cérebro
o Face inferior: Rego de Sylvius à frente, sendo que atrás não existe nenhum limite bem definido

Circunvoluções (5)
 As circunvoluções são numeradas numa direcção
de cima para baixo e de fora para dentro
 Todas as circunvoluções são limitadas à frente
pelo Rego de Sylvius
 Circunvolução Temporal Superior ou 1ª
Circunvolução Temporal
o Face súpero-externa
o Bordeada em cima pelo Rego de Sylvius (é o
seu limite superior)
o Limitada e baixo pelo sulco temporal superior,
que corre paralelo ao Rego de Sylvius
o Continua-se atrás com a com o lóbulo
marginal e o lóbulo angular (pertencentes ao
lóbulo parietal inferior)
o Denomina-se circunvolução temporal transversa à porção média da vertente superior da circunvolução temporal
superior compreendida entre 2 sulcos temporais transversos, que se orienta até ao lobo da ínsula. Ou seja, esta
circunvolução está no lábio inferior do Rego de Sylvius.
 Circunvolução Temporal Média ou 2ª Circunvolução Temporal
o Face súpero-externa
o Por baixo da circunvolução temporal superior, entre o sulco
temporal superior (limite superior) e o sulco temporal inferior
(limite inferior)
o Está unida atrás com o lóbulo angular e a 2ª e 3ª circunvoluções
occipitais
 Circunvolução Temporal Inferior ou 3ª Circunvolução Temporal
o Face súpero-externa e inferior
o Entre o sulco temporal inferior (limite superior) e o bordo inferior
do hemisfério cerebral (limite inferior)
o Segue o bordo inferior do hemisfério cerebral e invade a face
inferior do lobo temporal
o Unida à 3ª circunvolução occipital por meio de uma prega
anastomótica
 Circunvolução Temporo-Occipital Externa ou 4ª Circunvolução
Temporal
o Face inferior
o Ocupa a parte média da face inferior do lobo temporal
o Continua-se atrás com a 4ª circunvolução occipital, com a qual forma o lóbulo fusiforme

17
 Circunvolução Temporo-Occipital Interna ou 5ª Circunvolução Temporal ou Circunvolução
Parahipocâmpica
o Face inferior e interna
o É a circunvolução mais interna na face inferior do lobo temporal
o Separada da 4ª circunvolução temporal pelo sulco colateral, que se inicia próximo do polo occipital e dirige-se
para a frente. Este sulco pode ser contínuo com o sulco rinal, que separa a parte anterior da circunvolução
parahipocâmpica do resto do lobo temporal
o Continua-se atrás com a 5ª circunvolução temporal, com a qual forma o lóbulo lingual
o A extremidade anterior dobra-se para cima/trás em forma de gancho, formando o Uncus (polo temporal)
o Percorrida em toda a sua extensão pelo sulco do hipocampo (visível ao nível da face interna). Este sulco profundo
tem origem na região do esplénio do corpo caloso, onde se continua com o sulco do corpo caloso, dirigindo-se
depois em direcção ao polo temporal, onde termina, separando a circunvolução parahipocâmpica do uncus. No
fundo deste sulco, no lábio inferior, encontramos o hipocampo. No lábio superior encontra-se o corno temporal
do ventrículo lateral.

Ínsula ou Lobo da Ínsula


 Situado no fundo do Rego de Sylvius, sendo necessário
separar os 2 lábios para o visualizar
 Recoberto pelo lobo temporal
 Forma triangular:
o Vértice: é o polo da ínsula e orienta-se para baixo/frente.
Está separado do espaço perfurado anterior pela Prega
Falciforme ou Límen Insular (prega de córtex cerebral
ligeiramente arqueada, com concavidade orientada para a
frente e que se estende desde o lobo frontal até ao lobo
temporal
o Base: é horizontal, orientada para cima e separada dos
lobos adjacentes que a cobrem por um sulco que segue os
bordos e a base do triângulo – sulco circular da ínsula ou
sulco circunferencial de Reil (limite interno)
 Do pólo da ínsula partem 4 sulcos em direcção à base, limitando assim 5 circunvoluções.
 O 3º sulco/sulco central é o mais profundo e constante, dividindo a ínsula em 2 porções:
o Ínsula anterior: formada pelas 3 primeiras circunvoluções (1ª, 2ª e 3ª)
o Ínsula posterior: formada pelas 2 últimas circunvoluções (4ª e 5ª)

Lobo do Corpo Caloso ou Lobo Cingular


 Formada apenas por uma circunvolução – circunvolução cingular ou do corpo caloso
 Encontra-se na face interna dos hemisférios cerebrais
 Limites:
18
o Superiores: Rego Caloso-Marginal (à frente),
Rego Subparietal (atrás)
o Inferiores: Sulco do corpo caloso
 Ao nível do esplénio do corpo caloso, a extremidade
posterior da circunvolução do corpo caloso (azul)
continua-se com a circunvolução parahipocâmpica
(laranja), descrevendo um anel completo, fechado à
frente pelas raízes do pedúnculo olfactivo (verde).
Este anel denomina-se Circunvolução Límbica. (ver
Sistema Límbico)

ÁREAS CORTICAIS
Lobo Frontal

ÁREAS FUNCIONAIS

Pré-Central Área de Broca Campo Ocular Frontal

Área Pré-Motora
Área Motora Suplementar Área Pré-Frontal

Área Motora Primária

Área Pré-Central
 Localizada na circunvolução frontal ascendente, incluindo a
parede anterior do Rego de Rolando e as porções posteriores
das circunvoluções frontais superior, média e inferior
 Estende-se até ao bordo superior do hemisfério, até ao
lóbulo paracentral, inclusive
 Histologicamente:
o Quase ausência de células estreladas/granulares
o Proeminência de células piramidais
o Células Piramidais de Betz – concentradas na porção
superior da circunvolução frontal ascendente e no lóbulo
paracentral. O seu número diminui no sentido posterior
 anterior e no sentido superior  inferior.
o Córtex do tipo agranular (circunvolução frontal
ascendente)
 A maioria das fibras cortico-espinhais e cortico-
bulbares/cortico-nucleares tem origem nas pequenas células
piramidais nesta área.
 Apesar do número de células de Betz rondar os 30 000,
apenas contribui em 3% para as fibras cortico-espinhais
 Dividida em 2 regiões:
o Anterior – contém a área motora primária (B4)
o Posterior – contém a área pré-motora ou motora secundária (B6 e porções de B8, 44 e 45)

19
Área Motora Primária (B4)
 Ocupa a circunvolução frontal ascendente e o lóbulo paracentral
 Quando electricamente estimulada:
o Produz movimentos isolados no hemicorpo contralateral e contracção dos grupos musculares responsáveis por
movimentos específicos
o Movimentos bilaterais dos músculos extraoculares, músculos da porção superior da face, da língua, mandíbula,
laringe e faringe
 As áreas de movimento do corpo são representadas de forma invertida
na circunvolução frontal ascendente:
o Na face súpero-externa, de baixo para cima, temos:
 Estruturas responsáveis pela deglutição, língua, mandíbula,
lábios, laringe e pálpebra e sobrancelha
 Dedos das mãos, especialmente o 1º dedo, mão, punho, cotovelo
e ombro.
 Tronco
 Anca, joelho e tornozelo
o No lóbulo paracentral (face interna), de cima para baixo:
 Dedos dos pés
 Esfíncteres anal e vesical
 A disposição das estruturas corporais no córtex é representada por um
homúnculo motor. A área do córtex que controla um movimento
particular é proporcional à especificidade do movimento em questão e
não à quantidade de massa muscular envolvida nesse movimento.
Assim, a área destinada à mão, dedos da mão e face é maior do que a
destinada aos membros, por exemplo.
 Função:
o Permite a realização de movimentos individuais de diferentes partes do corpo (função efectora)
o Não é responsável por decidir quais os movimentos a efectuar
o Local final de conversão das decisões motoras em movimentos concretos
 Recebe aferências da área pré-motora, córtex somatoestésico, tálamo, cerebelo e núcleos basais

Área Pré-Motora ou Motora Secundária (B6)


 Ocupa a porção anterior da circunvolução frontal ascendente e as porções posteriores das circunvoluções frontais
superior, média e inferior.
 Área mais larga superiormente do que inferiormente, estreitando no sentido superior  inferior até se cingir à
porção anterior da circunvolução frontal ascendente
 Histologicamente, não apresenta células de Betz
 A estimulação eléctrica produz movimentos musculares semelhantes àqueles obtidos por estimulação da área motora
primária. Contudo, é necessária uma estimulação mais forte para se obter o mesmo grau de movimento
 Recebe aferências do córtex somatoestésico, tálamo e
núcleos basais.
 Função:
o Armazena programas/esquemas de actividade
motora, aprendidos em experiências passadas
o Aplicar os programas de motricidade quando são
adequados a novas situações
o Programa a actividade da área motora primária
o Área envolvida no controlo dos movimentos
posturais através das suas conexões com os núcleos
basais.

20
Área Motora Suplementar
 Situada na circunvolução frontal superior (segmento superior, face interna), à frente do lóbulo paracentral
 A estimulação desta área gera movimentos dos membros contralaterais, no entanto, é necessário um estímulo mais
forte comparativamente à área motora principal
 A remoção desta área não gera perda de movimento

Campo Ocular Frontal (partes das áreas B6, 8 e 9)


 Estende-se anteriormente, desde a área da circunvolução frontal ascendente correspondente à área motora facial até à
circunvolução frontal média
 A estimulação eléctrica desta área é responsável pelo movimento conjugado dos olhos, especialmente para o lado
contralateral
 Pensa-se que o trajecto das fibras nervosas
provenientes dos neurónios desta área passa pelos
colículos superiores. Os colículos superiores
estão ligados aos núcleos dos músculos
extraoculares através da formação reticular (feixe
longitudinal interno)
 Função:
o Controlo dos movimentos voluntários de
pesquisa dos olhos
o Independente dos estímulos visuais
 Estabelece relações com a área visual occipital
através de fibras de associação

Área de Broca ou da Motricidade da Fala (B44 e 45)


 Localizada na circunvolução frontal inferior, entre os ramos anterior e ascendente do Rego de Sylvius
 Esta área é importante no hemisfério dominante (normalmente o esquerdo). No hemisfério não dominante, esta área
não existe (em termos funcionais)
 Assim, a ablação desta região no hemisfério dominante resulta numa paralisia da fala. Por outro lado, a ablação da
mesma área no hemisfério não dominante não surte efeitos significativos no discurso
 Função:
o Relacionada com a formação das palavras faladas, activando as
regiões da área motora primária adjacente correspondentes aos
músculos da laringe, boca, língua, palato mole e músculos
respiratórios, que devem ser apropriadamente estimuladas.

Área Pré-Frontal (B9, 10, 11 e 12)


 Área extensa situada à frente da área pré-central.
 Inclui
o A maior parte das circunvoluções frontais superior, média e
inferior (face súpero-externa)
o A face inferior do lobo frontal (segmentos orbitários das
circunvoluções frontal superior e média)
o A maior parte da face interna da circunvolução frontal superior
o ½ anterior da circunvolução do corpo caloso
 Estabelece conexões recíprocas com:
o Outras áreas do córtex cerebral
o Tálamo
o Hipotálamo
o Corpo estriado

21
 A área pré-frontal pode ser dividida em 3 porções:
o Parte Mediana – relacionada com a iniciativa. Uma lesão nesta
área causa abolia (perda de iniciativa, vontade)
o Parte Órbito-Frontal ou Ventral – associada ao comportamento
social. Uma lesão nesta área causa desinibição das regras sociais
(respostas desadequadas)
o Parte Lateral – relacionada com o planeamento e execução de
acções. Uma lesão nesta área faz com que o doente não consiga
fazer a sopa, por exemplo, ou faz com que ele faça compras
exageradas com cartões de crédito
 As fibras fronto-ponto-cerebelosas também ligam esta área ao
cerebelo, através dos núcleos pônticos
 As fibras comissurais do fórceps minor e joelho do corpo caloso unem as duas áreas pré-frontais entre si.
 Função:
o Construção da personalidade
o Papel importante na profundidade dos sentimentos e percepção das emoções
o Influência na determinação da iniciativa e capacidade de julgamento

Lobo Parietal
 Áreas Funcionais:
o Área Somatoestésica Primária (B3, 1 e 2)
o Área Somatoestésica Secundária
o Área Somatoestésica de Associação (B5 e 7)

Área Somatoestésica Primária (B3, 1 e 2)


 Localizada na circunvolução parietal ascendente (face súpero-externa) e na porção posterior do lóbulo paracentral
(face interna)
 Histologicamente:
o A porção anterior da circunvolução parietal ascendente (B3), próxima do Rego de Rolando é do tipo heterotípica
granular, contendo apenas algumas células piramidais. A Banda de Baillarger Externa é espessa e evidente
o A porção posterior da circunvolução parietal ascendente (B1 e 2) possui menos células estreladas/granulares que
a porção anterior
 Esta área recebe fibras de projecção provenientes dos núcleos ventrais
póstero-externo e póstero-interno do tálamo
 O hemicorpo contralateral é representado de forma invertida em cada
área somatoestésica (homúnculo sensitivo):
o Na circunvolução parietal ascendente (face súpero-externa) temos, de
baixo para cima:
 Região faríngea, língua e mandíbula
 Face, dedos das mãos, mão, braço
 Tronco e coxa
o No lóbulo paracentral (face interna), temos de cima pra baixo:
 Perna e área do pé
 Regiões anal e genital
 A área do córtex somatoestésico destinada a uma parte do hemicorpo
está relacionada com a sua importância funcional e não com o seu
tamanho. Assim, a face, lábios e o 1º e 2º dedos da mão têm áreas somatoestésicas maiores.
 O tamanho da área cortical associada a cada parte do hemicorpo é directamente proporcional ao número de
receptores sensitivos presentes em cada parte do corpo.

22
 Apesar da maioria das sensações alcançarem o córtex a partir do hemicorpo contralateral, algumas sensações da
região da boca atingem o córtex homolateral, e aquelas provenientes da faringe, laringe e períneo atingem ambos os
córtices (fibras bilaterais)
 Ao entrar no córtex as fibras aferentes excitam neurónios na camada IV (granular interna), e a partir daí o impulso
propaga-se às restantes camadas. Da camada VI (multiforme de células polimórficas) vários axónios deixam o córtex
em direcção ao tálamo, bulbo e medula espinhal, providenciando mecanismos de feedback negativo (fibras
inibitórias que modulam a intensidade do estímulo aferente).
 Função:
o Recebe impulsos nervosos dos nervos periféricos e converte-os em informação passível de ser analisada pela área
somatoestésica de associação
 A porção anterior da circunvolução parietal
ascendente (B3) recebe várias fibras aferentes
provenientes de fusos neuromusculares,
órgãos tendinosos e receptores articulares.
Esta informação sensitiva é analisada nas
colunas verticais no córtex somatoestésico,
sendo depois passada para a área motora
primária, influenciando assim a actividade
muscular esquelética.

Área Somatoestésica Secundária


 Localizada no lábio superior do Rego de
Sylvius, ao nível do seu ramo posterior
 Muito mais pequena e menos importante do
que a área somatoestésica primária
 Representação das estruturas corporais:
o À frente a região da face
o Atrás a região das pernas
o O corpo é representado bilateralmente, com domínio do lado contralateral
 As conexões destas áreas são algo desconhecidas
 Muitos impulsos sensitivos provêm da área somatoestésica
primária e do tronco cerebral
 Os neurónios desta área respondem a estímulos cutâneos de
curta duração

Área Somatoestésica de Associação (B5 e 7)


 Localizada no lóbulo parietal superior, estendendo-se até à
sua porção na face interna do hemisfério
 Estabelece múltiplas conexões com outras regiões
sensoriais do córtex
 Função:
o Receber e integrar diferentes modalidades sensitivas –
visuais, somáticas…
o Permite reconhecer objectos com os olhos fechados,
apenas através do tacto
o Receber e interpretar informações sobre a forma e
tamanho do objecto e relacioná-las com experiências
sensoriais e sensitivas passadas

23
Lobo Occipital
 Áreas Funcionais:
o Área Visual Primária (B17)
o Área Visual Secundária (B18 e 19)
o Campo Ocular Occipital

Área Visual Primária (B17)


 Localizada nos lábios da porção posterior do sulco calcarino (face interna),
podendo-se estender até ao polo occipital e face súpero-externa do
hemisfério
 Reconhecido macroscopicamente pelo seu córtex fino e pela estria de
Gennari
 Microscopicamente, apresenta-se como um córtex heterotípico granular,
com poucas células piramidais
 Recebe aferências do corpo geniculado externo, com origem primária na
retina
 Cada córtex visual recebe fibras da porção temporal da retina homolateral
e da porção nasal da retina contralateral. Assim, o campo visual direito
(retina nasal esquerda + retina temporal direita) é representado no córtex
visual esquerdo e vice-versa
 Os quadrantes superiores da retina (que recebem a imagem do campo
visual inferior) são representados no lábio superior do sulco calcarino e
vice-versa
 Portanto, existe uma inversão cortical dupla do campo da visão
 A mácula lútea (área central da retina) é representada no córtex visual na
porção posterior da área B17, perto do polo occipital. Por outro lado, os impulsos provenientes das porções
periféricas da retina terminam em círculos concêntricos, à frente do polo occipital e na porção anterior da área B17.

Área Visual Secundária (B18 e 19)


 Localizada à volta da área visual primária, nas faces interna e súpero-externa do hemisfério cerebral
 Recebe aferências da área visual primária e de outras áreas corticais, e do tálamo
 Função:
o Relacionar a informação visual recebida pela área
visual primária com experiências visuais passadas,
permitindo ao indivíduo reconhecer e apreciar o
que está a ver.

Campo Ocular Occipital (B19)


 Localizado na área visual secundária
 A sua estimulação eléctrica produz um desvio
conjugado dos olhos, especialmente para o lado
contralateral
 Função:
o Associada aos reflexos visuais
o Relacionada com os movimentos dos olhos na perseguição involuntária dos objectos em movimento
 Cada campo ocular occipital está unido:
o Ao Campo Ocular Occipital contralateral;
o Aos Colículos Superiores;
o Ao Campo Ocular Frontal.

24
Lobo Temporal
 Áreas:
o Área Auditiva Primária (B41 e 42)
o Área Auditiva Secundária (B22)
o Área de Wernicke

Área Auditiva Primária (B41 e 42)


 Localizada na circunvolução temporal superior, no lábio inferior do Rego de Sylvius
 A área de Brodman 41 é heterotípica granular.
 A área de Brodman 42 é homotípica e é maioritariamente uma área de associação auditiva
 Recebe fibras de projecção provenientes do corpo geniculado interno, constituindo a radiação auditiva da cápsula
interna
 A porção anterior desta área é responsável pela recepção
dos sons de baixa frequência, enquanto a porção
posterior é responsável pelos sons de alta frequência

Área Auditiva Secundária (B22)


 Localizada atrás da área auditiva primária, na
circunvolução temporal superior, no lábio inferior do
Rego de Sylvius
 Recebe impulsos da área auditiva primária e do tálamo
 Função:
o Interpretação dos sons
o Associação das aferências auditivas com outra informação sensorial/sensitiva

Área de Wernicke (porção posterior de B22 e B42)


 Localizada no hemisfério dominante (geralmente o esquerdo), na
circunvolução temporal superior, com extensões para o ramo
posterior do Rego de Sylvius, até ao lóbulo marginal
 Ligada à área de Broca pelo feixe arqueado/longitudinal superior
(feixe de associação)
 Recebe fibras de:
o Córtex Visual (lobo occipital)
o Córtex Auditivo (lobo temporal)
 Função:
o Permite a compreensão da linguagem escrita e falada
o Permite a uma pessoa ler uma frase e dizê-la em voz alta
(através da associação da área de Wernicke com a área de
Broca)
o É uma área do córtex cerebral onde à uma reunião da informação visual e auditiva

Outras Áreas Corticais


Área Gustativa (B43)
 Localizada na extremidade inferior da circunvolução parietal
ascendente, no lábio superior do Rego de Sylvius, e na área adjacente
da ínsula
 Recebe impulsos provenientes do núcleo do tracto solitário que
ascendem até ao núcleo ventral póstero-interno, onde sinapsam com
neurónios, que enviam axónios para esta zona do córtex.
25
Área Vestibular
 Localizada perto da região da circunvolução parietal ascendente relacionada com as sensações da face. Opõe-se à
área auditiva, situada na circunvolução temporal superior
 Função:
o Apreciação da posição e dos movimentos da cabeça no espaço
o Através das suas conexões nervosas, influencia os movimentos dos
olhos e a contracção dos músculos do tronco e membros, de forma a
manter a postura corporal

Córtex Insular (B13 e 14)


 Área recoberta pelos 2 lábios do Rego de Sylvius, formando o seu
pavimento
 A porção posterior do córtex desta área é heterotípico granular e a
porção anterior é heterotípico agranular, continuando os tipos de córtex
das áreas somatoestésica primária e motora primária, respectivamente.
 Funções:
o Planeamento e coordenação dos movimentos articulares necessários
ao discurso
o Área associada às emoções e ao seu processamento

Área Olfactiva Primária (B28)


 Constitui a área pré-piriforme, o córtex periamigdalino e a metade córtico-
interna do corpo amigdalino, localizando-se no úncus, na circunvolução
parahipocâmpica.
 A área pré-piriforme está situada na transição entre a superfície inferior do
lobo frontal e a face interna do lobo temporal
 Recebe fibras nervosas provenientes da fita olfactiva externa, que transmitem
as sensações relacionadas com os cheiros e odores.
 Função:
o Recepção da informação olfactiva proveniente da fita olfactiva externa
o Envio dessa informação para o córtex olfactivo secundário

Área Entorrinal ou Área Olfactiva Secundária (B28 e 34)


 Constitui a área piriforme, localizada imediatamente atrás da área olfactiva primária, na face interna da
circunvolução parahipocâmpica.
 Esta área constitui um importante
intermediário entre o córtex e o hipocampo.
Desta área partem um conjunto de fibras que
constituem a principal aferência do
hipocampo (via/tracto perfurante)
 Função:
o Interpretação das sensações olfactivas,
provenientes do córtex olfactivo primário
o Centro de integração de diversas
informações (visuais, auditivas, olfactivas
e sensitivas), relacionando-as entre si
 Uma lesão nesta área pode ser responsável por
alucinações olfactivas.

26
Córtex de Associação
 As áreas sensitivas/sensoriais primárias apresentam um córtex heterotípico granular
 As áreas motoras primárias apresentam um córtex heterotípico agranular
 As restantes áreas corticais são homotípicas e foram classicamente designadas de áreas de associação, sem se saber
efectivamente o que associavam
 Actualmente, sabe-se que estas áreas apresentam múltiplas aferências e eferências e estão relacionadas com o
comportamento, discriminação de objectos e interpretação de experienciais sensoriais
 Existem 3 áreas de associação principais:
o Área Pré-Frontal – associa experiências que são
essenciais para a produção de ideias abstractas,
juízos, sentimentos e personalidade. Uma lesão
nesta área não resulta numa perda da inteligência,
mas sim numa diminuição das capacidades acima
referidas
o Área Temporal Anterior - armazena experiências
sensoriais passadas. Ao ser estimulada, o
indivíduo recorda sons ou objectos vistos
anteriormente
o Área Parietal Posterior – integra a informação
visual e somatoestésica (toque, pressão e
propriocepção), dando origem às noções de
forma, tamanho e textura. Está relacionada com a
capacidade de estereognosia (reconhecimento dos objectos através dos conceitos da forma, tamanho e textura).
Esta área permite também a construção consciente da nossa própria imagem corporal e da noção da posição do
nosso corpo em relação ao meio que nos rodeia (propriocepção).

DOMINÂNCIA CEREBRAL
 Anatomicamente, não existem diferenças entre os 2 hemisférios que determinem o domínio de um deles:
o As circunvoluções e fissuras existentes nos 2 hemisférios são praticamente idênticas.
o As vias nervosas que se projectam no córtex alcançam as mesmas áreas corticais em ambos os hemisférios e
através de um número idêntico de fibras.
o As comissuras cerebrais, especialmente o corpo caloso e a comissura branca anterior, providenciam uma via de
transmissão de informação entre os 2 hemisférios.
 O hemisfério esquerdo está associado ao estabelecimento de uma pessoa como sendo dextra ou canhota e à
capacidade de compreensão e produção de linguagem. Relaciona-se com a lógica e o raciocínio matemático.
 O hemisfério direito relaciona-se com as capacidades visuoespaciais: reconhecimento do espaço circundante e de
trajectos (memória topográfica), de estímulos visuais complexos (como a face humana) e da atenção hemiespacial
selectiva. Também se relaciona com a apreciação das artes (música, pintura…), aos aspectos emocionais do discurso,
a intuição e a imaginação.
 O termo dominância cerebral refere-se ao facto de que um dos hemisférios cerebrais ser o "dominante" em certas
funções. A diferença é predominantemente percebida na linguagem e nas habilidades manuais (dextro ou canhoto)
 Cerca de 96% da população adulta têm dominância da fala no hemisfério esquerdo.
 A área da fala no córtex adulto é maior no hemisfério esquerdo (dominante) do que no direito (não dominante).
Pensa-se que nos recém-nascidos os 2 hemisférios têm as mesmas capacidades.
 Yakolev e Rakic descobriram que havia maior número de fibras córtico-espinhais decussavam a partir da pirâmide
esquerda do que a partir da pirâmide direita. Isto significa que na maioria dos indivíduos haverá mais fibras córtico-
espinhais no corno anterior direito da medula espinhal, facto que pode explicar a dominância da mão direita na
maioria dos indivíduos. Assim, mais de 90% da população adulta é dextra e, portanto, apresenta o hemisfério
esquerdo como dominante (no que se refere a este parâmetro). Os canhotos podem ter dominância cerebral à direita
ou ausência de dominância cerebral, algo que ocorre nos ambidextros.

27
 A definição do hemisfério dominante é progressiva e só está concluída por volta dos 10 anos de idade. Este facto
explica porque, por exemplo, uma criança de 5 anos com uma lesão no hemisfério dominante consiga facilmente
transferir as funções desse hemisfério para o hemisfério saudável (tal já não ocorre num adulto). Da mesma maneira,
uma criança canhota consegue tornar-se dextra, mas um adulto já não.

Identificação da dominância dos hemisférios


Durante o exame, o paciente fica sentado à frente de uma tela onde se projectam palavras. Ao mesmo tempo, o paciente pode
pegar em objectos posicionados atrás da tela. Quando um paciente, após calosotomia (remoção do corpo caloso) vê, por pouco
tempo, a palavra “bola” no lado esquerdo da tela, ele reconhece-a no córtex visual direito (o tracto óptico não é afectado pela
comissurotomia). Em 96% das pessoas, a produção da fala localiza-se no hemisfério esquerdo. Portanto, o paciente não consegue
verbalizar a palavra projectada, já que a comunicação entre os hemisférios é interrompida. Mesmo assim, ele é capaz de selecionar
e pegar na bola, entre os outros objectos.
Hoje em dia supõe-se que a dominância hemisférica é resultado da evolução, quando as áreas cerebrais se desligaram das suas
funções específicas, (ex: produção da fala), de modo a ficarem mais livres para o desenvolvimento da nossa inteligência.
O corpo caloso permite que os 2 hemisférios (que parcialmente cumprem funções independentes) ainda possam comunicar entre
si, quando necessário. Devido à dominância hemisférica, o corpo caloso, nos humanos, é mais desenvolvido do que noutras
espécies animais.
A utilização de áreas corticais difere em homens e mulheres. Nos homens, por exemplo, somente um hemisfério é activado para a
solução de tarefas linguísticas, enquanto as mulheres activam ambos os hemisférios. Este facto também influencia a estrutura do
corpo caloso. Supõe-se, por exemplo, que em mulheres a compreensão e capacidade da fala são mais desenvolvidas do que nos
homens, uma vez que alguns estudos sugerem que no istmo do corpo caloso (porção do corpo mais afilada, na transição entre o
tronco/corpo e o esplénio) da mulher existem mais axónios do que no homem (uma região do istmo 25% maior).

SÍNDROME DO HEMISFÉRIO DIREITO (NÃO DOMINANTE) – NEGLET SYNDROME


 O hemisfério direito é o hemisfério dominante para as capacidades visuoespaciais: reconhecimento do espaço
circundante e de trajectos (memória topográfica), de estímulos visuais complexos (como a face humana) e da
atenção hemiespacial selectiva.
 A inatenção hemiespacial selectiva (IHS) ou neglect é um dos defeitos cognitivos mais típicos das lesões deste
hemisfério. O neglect caracteriza-se por uma incapacidade em atender, explorar e responder a estímulos presentes no
hemiespaço ou no hemicorpo contralateral.
 As lesões do hemisfério esquerdo raramente provocam neglect, uma vez que o hemisfério direito, sendo dominante
para essa função, consegue compensar o defeito de atenção selectiva resultante da lesão esquerda. Pelo contrário, nas
lesões do hemisfério direito, o doente pode manifestar uma total indiferença aos estímulos apresentados à sua
esquerda e explorar apenas os que se apresentam no hemiespaço direito, detectados e explorados pelo hemisfério
esquerdo.
 A IHS pode ter manifestações muito heterogéneas. Nas suas formas mais extremas, o doente apresenta um desvio
dos olhos e da cabeça para a direita e ignora qualquer estimulação oriunda do hemiespaço esquerdo (não responde se
o chamarem ou se lhe tocarem do seu lado esquerdo), chegando mesmo a negar ter qualquer defeito motor à
esquerda (anosognosia) ou a negar que a metade esquerda do corpo lhe pertence (hemiassomatognosia).
 No seu dia-a-dia, o doente pode ter manifestações de neglect pessoal (não barbeia a metade esquerda da cara ou
esquece-se de vestir a manga esquerda do casaco), neglect peripessoal (ignora os
alimentos da metade esquerda do seu prato ou choca contra móveis e objectos à sua
esquerda) ou no espaço distante (não explora a metade esquerda do local)
 Existem provas para pôr em evidência a presença de IHS. As mais utilizadas são as
provas de “barragem”, em que se pede ao doente para bissectar, com um traço, uma
série de linhas desenhadas ao acaso numa folha de papel. O doente com neglect
tenderá a ignorar algumas das linhas apresentadas à sua esquerda.
 O desenho espontâneo é ainda outro dos testes clássicos. Pede-se ao doente que
desenhe um estímulo simples e simétrico (uma flor, um relógio). O doente com neglect
poderá colocar todos os números ou os ponteiros do lado direito, negligenciando a
metade esquerda do mostrador.

28
LESÕES NO CÓRTEX CEREBRAL
 As lesões do córtex cerebral resultam de tumores, acidentes vasculares, intervenções cirúrgicas e traumatismos.
 O cérebro humano possui uma capacidade de reorganizar, após lesão, o córtex cerebral intacto, de maneira a que
alguma da actividade cerebral do córtex lesado seja recuperada.

Lobo Frontal
LESÕES
Córtex Motor
Campo Ocular
Área Motora Área Motora Área Pré-Frontal
Ambas Frontal
Primária Secundária
- Hemiplegia no - Dificuldade na execução de - Hemiplegia marcada - Lesões destrutivas - Tumores ou lesões traumáticas
hemicorpo contralateral, movimentos específicos, do hemicorpo num hemisfério: resultam na perda das capacidades
com distúrbio mais especialmente sequências de contralateral desvio dos 2 olhos de julgamento e iniciativa
evidente dos movimentos - Paralisia grave do para o lado da lesão e - Alterações emocionais, das quais
movimentos finos e - Alguma hemiplegia (não hemicorpo contralateral incapacidade me virar se destaca a euforia
específicos tão severa quanto numa - Apraxia grave os olhos para o lado - Perda da espontaneidade, com
- Hemiparesia do lesão da área motora - Espasmos musculares oposto; diminuição da fluência do discurso
hemicorpo contralateral primária) - Lesões irritativas e inactividade motora (apatia,
- Paralisia do hemicorpo - Espasticidade marcada num hemisfério: acinésia, abulia)
contralateral desvio periódico dos - Negligência das actividades
- Espasticidade ligeira 2 olhos para o lado diárias essenciais
- Ataque Epiléptico oposto da lesão - Relacionamento interpessoal
Jacksoniano - Os movimentos de reduzido e pobre
perseguição - Mudança de personalidade,
involuntários não são desinibição social, inconsequência,
afectados impulsividade, incapacidade de
depressão
- Não há perda marcada da
inteligência
- Esquizofrenia

Ataque Epiléptico Jacksoniano


 Deve-se a uma lesão irritativa da área motora primária (B4).
 A convulsão tem início na parte do hemicorpo contralateral representado na área motora primária que está irritada.
 Os ataques epilépticos podem ser restritos a uma parte do corpo (ex: face ou pé) ou podem envolver mais regiões,
dependendo da disseminação da irritação na área motora primária.

Espasticidade Muscular
 A área motora primária origina os tractos cortico-espinhais e cortico-nucleares.
 A área motora secundária dá origem aos tractos extrapiramidais (embora também contribua para o tracto cortico-
espinhal, embora em menor grau), que passam pelos núcleos basais e formação reticular.
 Os tractos cortico-espinhais e cortico-nucleares tendem a aumentar o tónus muscular, mas os tractos extrapiramidais
transmitem impulsos inibitórios que diminuem o tónus muscular.
 Assim, uma lesão:
o Na área motora primária resulta numa espasticidade leve
o Na área motora secundária leva à perda da acção inibitória sobre o tónus e, por isso, gera-se uma espasticidade
marcada
o Em ambas as áreas motoras resulta em espasmos musculares.

Área Pré-Frontal e a Esquizofrenia


 O córtex pré-frontal tem uma inervação dompaminérgica rica (via meso-cortical)
 Uma lesão nesta área tende a afectar esta via dopaminérgica, fenómeno que é responsável por alguns sintomas da
esquizofrenia (sintomas negativos)

29
Lobo Parietal
 Os centros inferiores do encéfalo, principalmente o tálamo, transportam uma parte dos sinais sensitivos até ao córtex
cerebral, para análise.

LESÕES
Área Somatoestésica
Área Somatoestésica Primária Área Somatoestésica de Associação
Secundária
- Distúrbios sensitivos contralaterais, mais severos nas - Lesões nesta área não - Astereognosia: incapacidade do paciente de
porções distais dos membros causam defeitos sensitivos associar e integrar os estímulos tácteis, de pressão e
- Hemianestesia contralateral reconhecíveis ou visíveis. propriocepção e logo, de reconhecer objectos
- A dor, tacto e sensações térmicas grosseiros/difusos através do toque
normalmente não se perdem, devido à função do - Interferência na apreciação da imagem corporal do
tálamo hemicorpo contralateral. A pessoa tende a não
- Incapacidade de avaliar graus de calor reconhecer o hemicorpo contralateral como seu (ex:
- Perda da discriminação táctil (discriminação de 2 esquece-se de fazer a barba na hemiface
pontos) contralateral)
- Incapacidade de julgar o peso dos objectos - Atopognosia: a pessoa não reconhece a região do
- Perda do tónus muscular pode dever-se a uma lesão corpo que está a ser estimulada
nesta área

Lobo Occipital
LESÕES
Área Visual Primária* Área Visual Secundária
- Vários tipos de lesões (isto é, de cegueira) consoante a área do córtex visual afectada: - Incapacidade de reconhecer objectos vistos no
- Quando todo o córtex visual primário de um hemisfério é lesado temos uma campo visual contralateral
hemianopsia homónima contralateral - Ilusões e alucinações visuais
- Quando a ½ superior de um córtex visual, acima do sulco calcarino é lesada, temos
uma quadrantanópsia homónima inferior contralateral
- Lesões no pólo occipital produzem um escotoma central hemianóptico
- As causas mais comuns das lesões desta área são problemas vasculares, tumores e
ferimentos de armas

* A fim de perceber melhor este tipo de lesões, ver lesões da via óptica, no final do capítulo de vias ascendentes/Sensibilidade

Lobo Temporal
LESÕES
Área Auditiva Primária Área Auditiva Secundária
- Uma lesão nesta área produz uma diminuição bilateral da audição, mas mais - Incapacidade de interpretar e reconhecer os sons ou
marcada no ouvido contralateral (isto porque cada corpo geniculado interno e, por música
isso, cada córtex auditivo, recebe fibras de ambos os ouvidos internos, embora mais - Agnosia verbal acústica (surdez para as palavras)
do lado contralateral) – surdez parcial bilateral
- Perda da capacidade de localizar a fonte/origem do som
- Uma lesão bilateral dos córtices auditivos gera surdez total

AFASIAS E PERTURBAÇÕES DO PROCESSO DA FALA

Definição e Caracterização das Perturbações da Fala


 Afasia – perturbação da produção e/ou compreensão da linguagem, secundária a uma lesão cerebral. Constitui uma
síndrome heterogénea que pode variar no tipo e intensidade. Enquanto nas afasias ligeiras os doentes apresentam
apenas alguma dificuldade em evocar as palavras que pretendem dizer (manifestada por pausas, hesitações ou
trocas), nas afasias mais graves os doentes podem ter o seu discurso reduzido a alguns sons, com incapacidade
completa para comunicar.
 As afasias podem ser classificadas quanto:
o Localização Anatómica da Lesão (área de Wernicke, de Broca…)
o Apresentação Clínica (Síndrome Major ou Minor)
o Gravidade da Incapacidade da Fala (Afasia Fluente, Não Fluente ou Global)
30
 Uma pessoa afásica manifesta igualmente dificuldades na capacidade de escrita (agrafia) e de leitura (alexia). Caso
isso não se verifique (fala mal mas escreve bem) então muito provavelmente estamos perante uma disartria.
 Disartria – não é uma perturbação da linguagem mas sim uma perturbação motora do discurso, da articulação verbal.
Resulta da falta de força, da alteração do tónus ou da coordenação dos músculos envolvidos na fala (músculos da
língua, do palato e da face). Caracteriza-se por uma dificuldade em produzir determinados sons (aquilo a que os
doentes chamam de “fala presa”, arrastada ou “empastada”), tornando o discurso pouco inteligível. Os doentes com
disartria não têm dificuldade em evocar os nomes, compreender ou construir frases e escrevem sem dificuldade, ao
contrário do que se sucede na afasia.
 Nos casos extremos de disartria, os doentes podem ficar incapazes de articular sons verbais (anartria), situação que
se encontra em lesões do tronco cerebral e em doenças neuromusculares avançadas, como nas doenças do neurónio
motor. A anartria associa-se com frequência a disfagia e disfonia.

Áreas da Fala – Base Anatómica


 A capacidade da linguagem está lateralizada no hemisfério cerebral esquerdo em 96% dos dextros e na maioria
(76%) dos canhotos. O hemisfério direito (enquanto hemisfério não dominante) tem uma capacidade muito limitada
para processar linguagem, restringindo-se à compreensão de palavras isoladas e aos aspectos emocionais do discurso
(a entoação e melodia do discurso são processadas pelo hemisfério direito, assim como as palavras de conteúdo
emocional).
 As áreas da linguagem encontram-se localizadas no hemisfério esquerdo/dominante. Aqui, a linguagem organiza-se
essencialmente à roda do rego de Sylvius, na parte póstero-inferior do lobo frontal (B44 e 45), parte posterior e
superior do lobo temporal (B42) e lobo parietal inferior (B39 e 40).
 Este núcleo operacional da linguagem está ligado a estruturas subcorticais e áreas acessórias, na sua vizinhança.
 Uma lesão em qualquer parte desta rede pode causar afasia
 A disartria, sendo um defeito motor e mais periférico da fala, pode resultar de lesões em diferentes localizações,
desde o córtex motor frontal direito ou esquerdo, tronco cerebral, cerebelo, placa motora ou nos próprios músculos
envolvidos na articulação.
 As lesões perissílvicas do hemisfério esquerdo provocam, com frequência, afasia e disartria em simultâneo.
 Existem várias regiões associadas à fala, cuja lesão/pera leva a sintomas clínicos típicos:
o Região de Wernicke – necessária para a compreensão da fala
o Região de Broca – necessária à produção da fala, estando relacionada com a programação dos movimentos da
fala
o Fascículo Arqueado – tracto profundo da substância branca que descreve um arco a partir da área de Wernicke
ate à área de Broca.
o Circunvolução Angular – área situada entre a área de Wernicke e o córtex visual, é importante na leitura e
funções não verbais da linguagem. Coordena as aferências dos córtices visual, auditivo e somatoestésico, e
influencia a região de Wernicke.
o Circunvolução Supramarginal – envolvida em funções visuais da linguagem
o Centro de Exner – área cortical supostamente relacionada com a escrita que se situa na circunvolução frontal
média, imediatamente à frente do córtex motor primário para a mão.

31
Avaliação da Linguagem
 Uma avaliação sumária da linguagem oral e a classificação das afasias compreendem a análise de 4 parâmetros
fundamentais:
o Fluência do Discurso
o Compreensão
o Nomeação
o Repetição
 A simples análise destes aspectos permite, em regra, diagnosticar os vários tipos de afasia. No entanto, para uma
melhor caracterização do défice de linguagem, deve ser efectuada a avaliação complementar da capacidade de escrita
e leitura.

Fluência do Discurso
 Por fluência designamos a facilidade em produzir discurso instantâneo.
 A fluência é analisada enquanto conversamos com o doente sobre a sua vida quotidiana e pode ser um dos aspectos
mais difíceis de avaliar na afasia (ex: doente mostra relutância em conversar, impossibilitando avaliação da
fluência).
 Podemos ter dois tipos de discurso nas afasias:
o Discurso Fluente – com débito normal ou elevado, produzido sem esforço e com ritmo e melodia normais.
Embora seja um discurso que “superficialmente” parece normal, se atendermos ao seu conteúdo, verificamos que
é pobre em ideias devido à falta de nomes (substantivos), ao uso de palavras incorrectas (parafasias ou
neologismos) e aos circunlóquios. Este tipo de discurso é
também denominado de jargon.
o Discurso Não Fluente - discurso de baixo débito, produzido com
esforço, constituído por frases curtas ou palavras isoladas. As
pausas são frequentes e longas e verifica-se uma perda da linha
melódica habitual. O discurso é telegráfico, mal articulado e
automático.
 Dividindo o hemisfério dominante através de um plano coronal que
passa pelo rego de rolando, verificamos que as lesões cerebrais
anteriores (pré-Rolândicas) provocam Afasias Não Fluentes (ex:
afasia de Broca), enquanto as lesões posteriores (temporoparietais ou pós-Rolândicas) associam-se a Afasias
Fluentes (ex: afasia de Wernicke).
 A gaguez é um defeito da fluência do discurso mas não é considerada uma afasia.

Compreensão
 O método mais simples de testar a compreensão consiste em dar ao doente ordens verbais simples (ex: “feche os
olhos”, “abra a boca”)
 No entanto, a incapacidade de obedecer a uma ordem, ainda que simples, não significa necessariamente que a
compreensão esteja comprometida. O doente pode não obedecer às ordens devido a uma apraxia. Neste caso devem
ser realizadas perguntas de resposta sim/não (ex: “Está a chover hoje?”)
 A análise da compreensão tem valor localizador anatómico. Se
dividirmos o hemisfério dominante através de um plano transversal que
passa pelo rego de Sylvius, podemos dizer que as lesões infrassílvicas
das áreas da linguagem alteram a capacidade de compreensão verbal,
enquanto nas lesões suprassílvicas a capacidade de compreensão se
mantém preservada.
 Enquanto a compreensão das palavras depende sobretudo do lobo
temporal, já a compreensão de frases mais completas requer a
participação do lobo frontal. Assim, os doentes afásicos com lesões frontais esquerdas (afasia de Broca, por
exemplo) podem ter dificuldades na compreensão do discurso, em tempo real, mesmo tendo um bom desempenho na
prova de compreensão de ordens simples.

32
Nomeação
 A capacidade de nomeação encontra-se perturbada, em maior ou menor número, em todos os afásicos.
 A dificuldade em nomear designa-se de anomia e constitui o aspecto mais característico da afasia.
 Estudos de imagem em indivíduos saudáveis mostram que, durante tarefas de nomeação, activamos uma rede
neuronal extensa na região perissílvica do hemisfério esquerdo. Assim, quer lesões suprassílvicas, quer infrassílvicas
podem causar anomia. Assim, a anomia é essencial no diagnóstico de afasia mas não tem valor localizador da lesão.
 A Afasia Anómica é o défice preponderante, com fluência, compreensão e repetição preservadas.
 Para conseguirmos dizer o nome de um objecto que estamos a ver (ex: chave), o nosso cérebro teve de cumprir
várias etapas:
o Análise Visual do estímulo com o seu reconhecimento e categorização (é um animal ou não? É um objecto ou
não? Qual é o gesto que se associa?)
o Acesso à informação léxico-semântica (o que é isto? Para que serve? Nome e significado)
o Tradução dessa informação em sons de discurso e representação da sequência correcta de sons (CHAVE)
 Quando estamos a nomear activamos uma importante parte do nosso hemisfério esquerdo (dominante), portanto
quando temos lesões em diferentes pontos do hemisfério dominante podemos ter dificuldades de nomeação – anomia
 Para avaliar a capacidade de nomeação, mostramos ao doente alguns objectos de uso corrente (moeda, caneta,
relógio, óculos), pedindo-lhe que diga o respectivo nome.
 A pessoa com afasia pode produzir diferentes respostas durante a prova de nomeação:
o Fazer pausas em que procura, sem conseguir evocar, as palavras pretendidas;
o Produzir estereótipos (por exemplo, tutu, tu, tututu…) de forma automática e involuntária
o Repetir palavras que dissera anteriormente – perseveração
o Usar termos genéricos (“aquela coisa”)
o Produzir circunlóquios, ou seja, descrever o objecto, dizer para que serve ou fazer outros comentários
apropriados, sem chegar, no entanto a dizer o nome
 O doente afásico pode ainda fazer substituições de sons ou troca de palavras, a que se chamam parafasias. Estas
podem ser literais (troca de um som, “relóvio” em vez de “relógio”), verbais (troca da palavra correcta por outra,
“caneta” em vez de “relógio”) ou neologísticas (produção de uma palavra que não faz parte do nosso léxico, “tijoco”
em vez de “relógio”).

Repetição
 A capacidade de repetição depende da integridade do feixe arqueado e de estruturas vizinhas do rego de Sylvius:
área de Wernicke, a ínsula, a região parietal inferior (envolvida na memória fonológica) e a área de Broca. Lesões no
hemisfério dominante que incluam uma destas estruturas provocam dificuldade na repetição
 A capacidade de repetição pode ser testada pedindo ao doente para repetir palavras curtas e familiares (casa, rato,
ponte), depois palavras mais longas (futebol, autocarro) e por fim frases (“Hoje está sol”; “O vento era muito forte”).
Adicionalmente, também pedimos ao doente para repetir pseudopalavras, isto é, sequência de sons pronunciáveis,
mas que não fazem parte do léxico da nossa língua (“malico”, “lovitalhe”…)
 Ao fazermos este exercício, estamos a testar as duas memórias usadas na repetição: a memória semântica e a
memória fonológica.
 Quando repetimos palavras conhecidas, utilizamos os nossos
conhecimentos prévios, baseando-nos no significado das palavras – a
nossa memória semântica. Pelo contrário, ao repetir pseudopalavras
baseamo-nos na memória fonológica – capacidade de reter por breves
momentos uma sequência exacta de sons sem sentido.
 Por vezes, apenas uma destas vias/memórias se encontra disfuncional,
sendo o doente capaz de repetir a palavra pela via alternativa.
 Afasia de Condução – a repetição constitui a principal dificuldade do
doente, encontrando-se as outras capacidades relativamente preservadas.
Embora o doente tenha uma ideia da palavra que deve repetir, apenas
consegue uma produção aproximada, fazendo erros na selecção e
sequenciação dos fonemas, resultando em múltiplas parafasias.

33
 Noutras síndromas afásicas, o doente pode ter grande dificuldade de linguagem, mas repete bem palavras ou frases,
por vezes até compulsivamente. São as afasias transcorticais, que resultam de lesões na periferia das áreas da
linguagem (por exemplo, nos enfartes das áreas de barragem entre territórios arteriais) ou de lesões subcorticais.
 Existem 3 tipos de afasias transcorticais:
o Afasia Transcortical Motora – resultante de uma lesão anterior/frontal
o Afasia Transcortical Sensitiva – resultante de uma lesão envolvendo as áreas de linguagem posteriores. Neste tipo
é comum haver ecolália – repetição sucessiva sem compreensão do que se diz (“discurso de papagaio”).
o Afasia Transcortical Mista – combinação das duas lesões

Classificação das Síndromes Afásicas


 Classificação quanto à sua localização anatómica:

AFASIAS PERISSÍLVICAS AFASIAS EXTRA-PERISSÍLVICAS


Afasia de Broca Afasia Anómica
Afasia de Wernicke Afasia Transcortical Sensorial
Afasia Global Afasia Transcortical Motora
Afasia de Condução Afasia Transcortical Mista

 Classificação quanto à fluência do discurso:

AFASIAS FLUENTES AFASIAS NÃO FLUENTES


Afasia de Wernicke Afasia Global
Afasia de Condução Afasia de Broca
Afasia Anómica Afasia Transcortical Motora
Afasia Transcortical Sensorial Afasia Transcortical Mista

SÍNDROME FLUÊNCIA DA LOCALIZAÇÃO DA LESÃO


COMPREENSÃO REPETIÇÃO NOMEAÇÃO
AFÁSICA LINGUAGEM (HEMISFÉRIO DOMINANTE)
Reduzida,
Laboriosa, com
Estereotipias, Porção opercular da circunvolução frontal
Afasia de Broca Desintegração
Conservada desintegração Perturbada
inferior, ínsula
fonética
fonética
Fluída, Logorreica Circunvolução temporal superior (área de
Afasia de Wernicke com jargon
Perturbada Parafasias Perturbada
Wernicke)
Vastas lesões supra e infrassilvicas, lesão
Afasia Global Nula Perturbada Perturbada Perturbada extensa dos lobos frontal, parietal e
temporal superior
Lesões temporais profundas, ao nível da
Afasia Anómica Fluída Conservada Conservada Perturbada circunvolução hipocâmpica e
parahipocâmpica
Fluida, Feixe arqueado, circunvolução
Afasia de Condução Autocorrecção
Conservada Parafasias Parafasias
supramarginal
Afasia Transcortical Reduzida, até mesmo
Conservada Conservada Falta da Palavra Área anterior e superior à área de Broca
Motora mutismo
Afasia Transcortical Conservada mas
Fluida Perturbada Parafasia Parte posterior à área de Wernicke
Sensorial com Ecolália
Afasia Transcortical Vastas lesões das áreas que circundam as
Reduzida Perturbada Conservada Perturbada
Mista áreas da linguagem

34
 Localização das áreas afectadas nas várias síndromes afásicas

35
CONFIGURAÇÃO EXTERNA DO DIENCÉFALO

 O diencéfalo pode ser dividido em 4 partes: tálamo, subtálamo, epitálamo e hipotálamo (ver configuração interna)
 Situa-se entre os 2 hemisférios cerebrais, à frente do mesencéfalo
 É atravessado por um canal central, o 3º ventrículo, o qual comunica anteriormente com os ventrículos laterais
através do buraco de Monro, e atrás com o 4º ventrículo por meio do Aqueduto de Sylvius
 O diencéfalo é uma estrutura mediana e simétrica em relação à linha média
 No estudo da sua configuração externa consideram-se:
o As paredes do 3º ventrículo
o A cavidade ventricular

Paredes do 3º Ventrículo

 O 3º ventrículo apresenta 5 paredes:


o Superior
o Anterior
o Póstero-Inferior
o 2 Externas

Paredes Externas
 Formadas pelos tálamos e regiões subtalâmicas. Cada tálamo está separado da região subtalâmica e do hipotálamo
pelo sulco hipotalâmico ou de Monro (sulco que se estende desde a extremidade superior do aqueduto de Sylvius até
ao buraco de Monro)

Tálamo
 Dois núcleos ovóides de substância cinzenta que formam a
maior parte do diencéfalo
 Constitui a porção superior das paredes externas do 3º
ventrículo

Configuração Exterior
 Corpos ovóides de extremidade posterior grossa
 3 cm comprimento (ântero-posterior), 2 cm altura e 1,5 cm
de espessura
 4 faces e 2 extremidades
 Face superior:
o Convexa, de forma triangular de vértice anterior
o Limitada externamente pelo sulco talamoestriado ou opto-estriado, que
separa o tálamo do núcleo caudado. Este sulco é percorrido pela veia
opto-estriada/talamoestriada e pela fita semi-circular (stria terminalis),
pertencente às vias olfactivas
o Limitada internamente pela habénula
o Percorrida pelo sulco coroideu, relacionado com os plexos coroideus
laterais, que divide a face em 2 segmentos:
 Interno – relacionado com a tela coroideia do 3º ventrículo e com o
fórnix através da fenda de Bichat. Internamente a este segmento está
a habénula e póstero-internamente está o trígono da habénula.
 Externo – coberto por epêndima, formando parte do pavimento do ventrículo lateral através da lâmina afixa
(lâmina derivada da pia-máter que no início do desenvolvimento embrionário recobri todo o segmento externo
da face superior do tálamo). Apresenta ainda à frente o tubérculo anterior do tálamo.

36
 Face inferior
o Relacionada com a região subtalâmica, com os núcleos infra-opto-
estriados e com as formações da calote/tegmentum do mesencéfalo
 Face externa
o Convexa
o Unida ao núcleo caudado, em cima;
o Unida ao segmento posterior da cápsula interna, em baixo, a qual separa o
tálamo do núcleo lenticular.
 Face interna
o Relacionada atrás com os colículos.
o Nos seus 2/3 anteriores forma a porção superior da parede externa do 3º
ventrículo, acima do sulco hipotalâmico e abaixo da habénula.
o Liga-se à face interna do tálamo contralateral pela comissura
intertalâmica/cinzenta, que atravessa na cavidade de 3º ventrículo
 Extremidade anterior
o Estreito e arredondado
o Parcialmente livre
o Limita atrás o Buraco de Monro (separa tálamo, atrás, das colunas do fórnix,
à frente)
 Extremidade posterior
o Mais grossa
o Constituída por uma dilatação – pulvinar
o Sobre a face inferior do pulvinar, o tálamo apresenta os corpos geniculados
interno e externo, unidos aos colículos do mesencéfalo pelos braços
conjuntivais.

Região Subtalâmica
 Região situada inferiormente ao tálamo, estando separado deste pelo sulco hipotalâmico
 Espécie de prolongamento superior do tegmentum do mesencéfalo
 Repousa sobre a extremidade superior dos pedúnculos cerebrais, que a este nível continua a porção sublenticular da
cápsula interna

Parede Superior ou Tecto


 Convexa da frente para trás e côncava transversalmente
 Relaciona-se em cima com o fórnix e o corpo caloso.
 Apresenta atrás, na sua união com a parede póstero-inferior, a
glândula pineal ou epífise:
o Dirige-se da frente para trás e repousa no sulco médio/ântero-
posterior, que separa os tubérculos quadrigémios
o O seu vértice é livre e olha para trás
o A base corresponde ao 3º ventrículo e é atravessada por um divertículo ventricular, o recesso pineal,
compreendido entre duas pregas (uma superior e outra inferior)
o A prega superior chama-se comissura habenular.
o A prega inferior é a comissura epitalâmica ou branca posterior e une a glândula pineal ao tecto do mesencéfalo (e
à extremidade superior do aqueduto de Sylvius)
 Das extremidades laterais da comissura habenular nascem 2 tractos brancos de denominados habénulas.
o Dirigem-se primeiro para fora e depois para a frente até às colunas do fórnix
o Continuam no tálamo ao longo da linha de separação das faces superior e externa do 3º ventrículo
 Anteriormente à glândula pineal pode observar-se na parede superior do 3º ventrículo a tela coroideia do 3º
ventrículo (camada de pia-máter)

37
 A tela coroideia do 3º ventrículo fixa-se de cada lado das habénulas. Anteriormente une-se às colunas do fórnix.
Posteriormente, reflecte-se sobre a parte média da face superior da glândula pineal para se continuar com o epitélio
ependimário que reveste a base da glândula pineal.
 A parte posterior da tela coroideia limita com a metade anterior da face superior da glândula pineal o recesso
suprapineal (divertículo do 3º ventrículo).

Parede Póstero-Inferior ou Pavimento


 Fortemente inclinada para a frente/baixo
 Começa, em cima/atrás, ao nível da base da epífise cerebral
 Abaixo da epífise encontra-se a abertura superior do Aqueduto de Sylvius, denominada anus
 Por baixo e à frente do anus, o pavimento do 3º ventrículo compreende uma lâmina de substância branca formada
pela extremidade anterior dos pedúnculos cerebrais (região interpeduncular, mais especificamente)
 À frente da substância branca peduncular, o pavimento do 3º ventrículo é constituído por uma lâmina fina de
substância cinzenta, que se estende até uma depressão da cavidade ventricular em forma de funil – infundíbulo ou
recesso infundibular.
 Do lado ventricular, esta parede é lisa e irregular, estando ligeiramente deprimida na linha média
 Do lado externo/visível, esta parede é muito irregular e apresenta, de trás para a frente:
o A fossa interpeduncular/espaço perfurado posterior, onde a parede ventricular adquire o nome de lâmina
perfurada posterior
o Corpos/Tubérculos mamilares – duas saliências piriformes formadas por uma massa cinzenta central/nuclear,
coberta por uma camada fina de substância branca
o Uma superfície convexa sobre a qual o pavimento ventricular é formado por uma lamela fina cinzenta – tuber
cinereum
o Quiasma óptico, que termina anteriormente o pavimento do 3º ventrículo

Hipotálamo ou Região Infundíbulo-Tuberiana


 Corresponde à parte interna da região subtalâmica, por baixo
do sulco hipotalâmico e do tálamo
 Parte do diencéfalo visível na superfície externa do encéfalo
 Forma o pavimento do 3º ventrículo e apresenta várias
estruturas visíveis na face inferior do encéfalo, nomeadamente
(de trás para a frente):
o Quiasma óptico e tractos ópticos
o Hipófise (neuro-hipófise)
o Infundíbulo
o Tuber cinereum
o Corpos/ Tubérculos mamilares
o Fossa Interpeduncular/Substância Perfurada Posterior
 Corresponde, então, na base do encéfalo, ao losango
optopeduncular (a azul), limitado à frente/fora pelo quiasma
óptico e tractos ópticos e atrás/fora pelos pedúnculos cerebrais.
 Relações:
o À frente com a área-pré-óptica,
o Atrás com o tegmentum do mesencéfalo, e com a raiz
aparente do nervo MOC
o Por fora/frente com a cápsula interna (porção sublenticular)
o Por fora/trás com o subtálamo
o Por cima com a lâmina terminalis, comissura branca anterior
e com o tálamo
 Apresenta no seu conteúdo um conjunto de formações de substância cinzenta periventriculares, que formam núcleos
– hipotálamo propriamente dito. Esta estrutura inclui os núcleos dos corpos mamilares.
38
Quiasma Óptico
 Lâmina de substância branca, quadrilátera, achatada de cima para baixo e
estendida transversalmente
 Mede 14 mm no sentido transversal, 5 mm ântero-posteriormente e 4 mm de
espessura.
 Relacionado atrás com o tuber cinereum e em cima com a lâmina
terminalis/supra-óptica
 Dos ângulos anteriores do quiasma chegam os nervos ópticos
 Dos ângulos posteriores nascem os tractos ópticos
 Cada nervo óptico transporta fibras das retinas nasal e temporal do globo ocular
do qual partem
 No quiasma óptico as fibras das retinas nasais cruzam-se entre si (enquanto as
temporais não cruzam)

Tractos Ópticos
 2 cordões brancos, achatados de cima para baixo
 Cada tracto óptico contém fibras da retina temporal homolateral e fibras da retina nasal contralateral
 Dirigem-se para trás/fora, contornam a face inferior do pedúnculo cerebral
 Terminam no tálamo ao nível do corpo geniculado externo.

Tuber Cinereum e Infundíbulo


 Ocupa o espaço compreendido entre os corpos mamilares (atrás) e o quiasma óptico (à frente)
 A porção posterior do tuber cinereum forma uma saliência irregular – eminência mediana
 A parte mais saliente do tuber cinereum prolonga-se para baixo/frente, através de um tubo cónico de substância
cinzenta denominado infundíbulo
 O infundíbulo mede 0,5 cm de comprimento e penetra através da sua extremidade inferior no orifício do diafragma
da sela turca, continuando-se com a hipófise.

Hipófise
 Estrutura ímpar e mediana
 Faz parte da porção mediana do andar médio do crânio
 Ocupa a sela turca na sua totalidade, estando localizada no
interior de uma loca de dura-máter – loca hipofisária
 Esta loca tem como limites: em baixo, o seio esfenoidal;
lateralmente os seios cavernosos; e por cima o quiasma
óptico.
 Forma ovóide, estando suspensa do pavimento do 3º
ventrículo por uma haste formada pelo infundíbulo e a
eminência mediana.
 Constituído por 3 lobos:
o Lobo anterior ou adeno-hipófise – glandular, constituído
por tecido epitelial, com origem na ectoderme embrionária
o Lobo intermediário – muito reduzido no ser humano, um vestígio da bolsa de Rathke, formada pela ectoderme.
o Lobo posterior ou neuro-hipófise – mais pequeno que o lobo anterior, de natureza nervosa, com origem na
neuroectoderme.

Parede Anterior
 Aproximadamente vertical
 Constituídas pelas colunas do fórnix, que constituem o limite anterior dos buracos de Monro/interventriculares

39
 No ângulo de afastamento das 2 colunas do fórnix observa-se um cordão branco transversal, a comissura branca
anterior, a qual cruza as colunas do fórnix
 As colunas do fórnix e a comissura branca anterior delimitam um espaço triangular denominado fossa triangular ou
vulva
 Abaixo da comissura branca anterior, a parede anterior é simplesmente constituída por uma lamela cinzenta fina, a
lâmina terminalis ou supra-óptica
 A lâmina terminalis continua-se, acima da comissura branca anterior, com o rostrum/bico do corpo caloso e com o
septo pelúcido
 Dos lados, a lâmina terminalis confunde-se com o espaço perfurado anterior
 Por baixo, a lâmina terminalis une-se ao quiasma óptico e limita com ele um divertículo da cavidade ventricular,
aberto para cima/trás – recesso supra-óptico

Cavidade do 3º Ventrículo

 Forma de pirâmide quadrangular, apresentando:


o 2 paredes externas
o 1 parede anterior, vertical
o 1 parede póstero-inferior Já Descrito
o 1 base superior, ou tecto do ventrículo
o 1 vértice inferior, correspondente ao recesso infundibular
 A cavidade ventricular é atravessada pela comissura cinzenta/adesão intertalâmica
 Comunica de cada lado com os ventrículos laterais através do buraco de Monro/interventricular, o qual se situa na
porção ântero-superior da parede externa
 O Buraco de Monro é arredondado, com 6 a 8 mm de diâmetro, tendo como limites:
o Atrás, a extremidade anterior do tálamo
o À frente, a coluna do fórnix respectiva
o Em cima, a tela coroideia do 3º ventrículo, que adere aos plexos coroideus
 O 3º ventrículo projecta-se sobre a parte média da abóbada craniana, de tal maneira que uma linha vertical traçada ao
desde o ponto de intersecção entre a linha biauricular e a sutura sagital passa um pouco à frente do centro do
ventrículo.

40
AGRUPAMENTO E CLASSIFICAÇÃO DOS NÚCLEOS CINZENTOS CENTRAIS DO
ENCÉFALO

Núcleos Opto-Estriados Núcleos Infra-Opto-Estriados Órgãos Neuroglandulares


- Tálamo ou camada óptica - Núcleos sinápticos extrapiramidais: - Hipófise
- Corpo Estriado: - Zona incerta - Epífise Cerebral
- Núcleo Caudado - Corpo de Luys/Núcleo subtalâmico - Órgãos Ependimários do 3º ventrículo
- Putámen - Núcleo Rubro
- Globus Pallidus - Substância Nigra
- Núcleos Vegetativos (Hipotálamo)
- Núcleos Periféricos (Claustrum)
- Núcleos Rinoencefálicos:
- Tubérculos Mamilares
- Núcleo Amigdalino
- Telencéfalo - Diencéfalo - Mesencéfalo

Núcleos
basais

Corpo estriado Claustro Corpos Núcleo


amigdalinos Accumbens

Núcleos Basais – assim designados pela posição que ocupam em cada hemisfério cerebral

 Para termos uma ideia do conjunto das estruturas do cérebro, analisamos a sua estrutura em dois cortes, um corte
horizontal de Flechsig e um corte frontal de Charcot

Corte Horizontal de Flechsig

 Corte que passa pela porção mediana do diencéfalo, mostrando as


mais importantes estruturas cinzentas e brancas
 As cavidades ventriculares estão representadas pelo 3º ventrículo e
pelos ventrículos laterais, observando-se que nestes o corte passa pelos
cornos fontal e occipital
 Os núcleos cinzentos centrais vão dispor-se à volta das cavidades
ventriculares
o Na parede das cavidades:
 O tálamo reveste o 3º ventrículo
 O núcleo caudado encontra-se encostado ao ventrículo lateral
ao longo do seu trajecto
o Externamente às imediações dos ventrículos
 Núcleo lenticular em forma de pirâmide triangular
 O claustrum que se relaciona com o lobo da ínsula e se
encontra no fundo do rego de Sylvius

41
 A substância branca insinua-se entre os diferentes núcleos
o Cápsula Interna – entre o tálamo e o núcleo caudado (por dentro) e o núcleo lenticular (por fora)
o Cápsula Externa – separa o claustrum do núcleo lenticular
o Cápsula Extrema – separa o córtex da ínsula do claustrum
 A substância branca estende-se para além das cápsulas, alcançando a face profunda do córtex, para formar o centro
oval de Vieussens/ Flechsig
 O córtex, por fim, envolve completamente os hemisférios cerebrais até ao corpo caloso.

Corte Frontal de Charcot

 Corte que passa pelo diencéfalo ao nível dos corpos


mamilares, mostrando uma topografia diferente das mais
importantes estruturas cinzentas e brancas
 Os núcleos cinzentos centrais conservam as relações
recíprocas semelhantes, notando-se, contudo que por
debaixo do tálamo estão dispostos um certo número de
núcleos que constituem o hipotálamo, além dos núcleos
que constituem o subtálamo (corpo de Luys e zona incerta)
 O núcleo caudado, núcleo lenticular e claustrum estão
relacionados com o ventrículo lateral
 A substância branca apresenta a cápsula interna, externa e
extrema, e também e centro oval de Flechsig/Vieussens
 O córtex cerebral cobre os hemisférios cerebrais
 Observam-se ainda os cornos de Ammon/hipocampo.

42
CONFIGURAÇÃO INTERNA DO DIENCÉFALO

DIENCÉFALO

 Consiste no 3º ventrículo e todas as estruturas relacionadas com as suas


paredes
 Pode ser dividido em:
o Epitálamo
o Tálamo
o Subtálamo
o Hipotálamo
Linha de Separação Porção Estruturas Função
Glândula Pineal (Epífise)
Habénulas
Regulação do ritmo circadiano
Epitálamo Comissura habenular
Sulco diencefálico Conexão do sistema olfactivo com o TC
Estria medular do tálamo
dorsal Comissura epitalâmica (branca posterior)
Tractos sensitivos, sinapses e projecção no
córtex (excepto tracto olfactivo)
Tálamo (tálamo dorsal) Tálamo Envia aferências para os diversos núcleos
Sulco diencefálico motores
médio Participa na regulação da motricidade
Núcleo subtalâmico (corpo de Luys)
Subtálamo (tálamo ventral) Zona Incerta Zona motora somática do diencéfalo
Globus Pallidus
Quiasma óptico
Sulco diencefálico Tuber cinerium e Infundíbulo
ventral (sulco Parte da via óptica
Tracto óptico
hipotalâmico*) Hipotálamo Coordena o SNA com o sistema endócrino
Neuro-hipófise
Controlo do SNA
Corpos mamilares
Núcleos hipotalâmicos (hipotálamo)
*Sulco hipotalâmico – sulco localizado na parede externa do 3º ventrículo, que descreve uma curva de concavidade superior desde o extremo
superior do aqueduto de Sylvius até o buraco de Monro. Separa o tálamo do hipotálamo

Tálamo

 2 núcleos ovóides de substância cinzenta que formam a maior parte do diencéfalo


 Constitui porção superior das paredes externas do 3º ventrículo
 Região de grande importância, pois serve de ponto de passagem para todos os grandes sistemas sensitivos (excepto o
olfactivo)
 Funções do tálamo em estrita relação com o córtex cerebral
 Lesão talâmica pode originar grandes perdas nas funções cerebrais

Configuração Exterior
 Corpos ovóides de extremidade posterior grossa
 3 cm comprimento (ântero-posterior), 2 cm altura e 1,5 cm
de espessura
 4 faces e 2 extremidades
 Face superior:
o Convexa, de forma triangular de vértice anterior
o Limitada externamente pelo sulco talamoestriado ou opto-
estriado, que separa o tálamo do núcleo caudado. Este
sulco é percorrido pela veia opto-estriada/talamoestriada e
pela fita semicircular (stria terminalis), pertencente às vias
olfactivas
o Limitada internamente pela habénula

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o Percorrida pelo sulco coroideu, relacionado com os plexos coroideus
laterais, que divide a face em 2 segmentos:
 Interno – relacionado com a tela coroideia do 3º ventrículo e com o
fórnix através da fenda de Bichat. Internamente a este segmento está a
habénula e póstero-internamente está o trígono da habénula.
 Externo – coberto por epêndima, formando parte do pavimento do
ventrículo lateral através da lâmina afixa (lâmina derivada da pia-máter
que no início do desenvolvimento embrionário recobriu todo o
segmento externo da face superior do tálamo). Apresenta ainda à frente
o tubérculo anterior do tálamo.
 Face inferior
o Relacionada com a região subtalâmica, com os núcleos infra-opto-estriados e
com as formações da calote/tegmentum do mesencéfalo
 Face externa
o Convexa
o Unida ao núcleo caudado, em cima;
o Unida ao segmento posterior da cápsula interna, em baixo, a qual separa o
tálamo do núcleo lenticular.
 Face interna
o Relacionada atrás com os colículos.
o Nos seus 2/3 anteriores forma a porção superior da parede externa do 3º
ventrículo, acima do sulco hipotalâmico e abaixo da habénula.
o Liga-se à face interna do tálamo contralateral pela comissura
intertalâmica/cinzenta, que atravessa na cavidade de 3º ventrículo
 Extremidade anterior
o Estreito e arredondado
o Parcialmente livre
o Limita atrás o Buraco de Monro (separa tálamo, atrás, das colunas do fórnix, à
frente)
 Extremidade posterior
o Mais grossa
o Constituída por uma dilatação – pulvinar
o Sobre a face inferior do pulvinar, o tálamo apresenta os corpos geniculados
interno e externo, unidos aos colículos do mesencéfalo pelos braços conjuntivais.

Configuração Interna
 Tálamo encontra-se coberto nas faces superior e interna por uma
fina camada de substância branca – stratum zonale
 Coberto na sua superfície externa pela lâmina medular externa
(camada de substância branca).Esta lâmina individualiza o núcleo
reticular do tálamo, relativamente aos restantes núcleos)
 Matéria cinzenta do tálamo dividida em 2 metades por uma
lâmina vertical da substância branca – lâmina medular interna.
 Lâmina medular interna – consiste em fibras nervosas que
passam de um núcleo talâmico para outro. Ântero-superiormente
esta lâmina divide, formando um “Y” (visto de um corte
horizontal)
 Assim, o tálamo é subdividido em 3 partes principais:
o Parte anterior – entre os braços do “Y” da lâmina medular
interna, corresponde ao tubérculo anterior do tálamo. Contém os
núcleos anteriores

44
o Parte interna – por dentro da lâmina medular interna. Contém os núcleos internos
o Parte externa- por fora da lâmina medular interna. Contém os núcleos laterais e o pulvinar.
 Estas lâminas de substância branca só se observam nos ¾ anteriores do tálamo. O ¼ posterior forma um núcleo
posterior – pulvinar – que pertence à parte externa do tálamo.
 O tálamo não é uma estrutura homogénea. Cada parte do tálamo
contém grupos de núcleos talâmicos. Além disso, grupos
nucleares mais pequenos estão situados dentro das lâminas
medulares e nas superfícies externa e interna do tálamo
 O tálamo representa um conjunto de cerca de 120 regiões
nucleares que processam informações sensitivas. Podemos
categorizar estes núcleos em 2 tipos:
o Núcleos específicos – possuem conexão directa com as
regiões específicas do córtex cerebral, através das
radiações talâmicas. São designados de paliotálamo.
o Núcleos inespecíficos – não possuem qualquer ligação
directa com o córtex cerebral, mas sim com o TC, com
outros núcleos diencefálicos e com o corpo estriado. São chamados de troncotálamo.

Núcleos da Parte Anterior do Tálamo


 Contém os Núcleos Talâmicos Anteriores.
 Recebem o tracto mamilo-talâmico (feixe olfactivo de Vicq-d’Azyr),
proveniente dos núcleos mamilares
 Recebe conexões recíprocas com o hipotálamo e circunvolução do corpo
caloso
 Função associada com o sistema límbico, associada ao tom emocional e
mecanismos de memória recente.

Núcleos da Parte Interna do Tálamo


 Contém o Núcleo Dorsal Interno e outros núcleos mais pequenos
 Recebem aferências dos núcleos ventrais (parte interna) e dos núcleos Núcleos Anteriores e suas ligações (amarelo)
intralaminares, bem como do hipotálamo, mesencéfalo e do globus pallidus.
 A partir destes núcleos são emitidas eferências para o córtex pré-motor
e pré-frontal.
 A partir destas regiões do lobo frontal estendem-se aferências de volta
para estes núcleos.
 Estes núcleos são responsáveis pela integração de uma grande variedade
de informação sensorial (somática, visceral e olfactiva) e pela relação
desta informação com o estado emocional e os sentimentos subjectivos
do indivíduo
 A destruição das conexões que estes núcleos estabelecem com o lobo
frontal dá origem à síndrome do lobo frontal, caracterizada pela perda
da auto-representação (o paciente começa a contar piadas infantis e, em
outras ocasiões mostra-se desconfiado e mal-humorado)

Núcleos da Parte Lateral do Tálamo


 Subdivididos em 2 fileiras: dorsal e ventral Núcleos internos e suas ligações (lilás)
 Fileira dorsal = núcleo dorsal lateral + núcleo lateral posterior + Núcleos da fileira dorsal da parte externa (azul + verde)

pulvinar
o O Pulvinar representa o maior complexo nuclear talâmico. Recebe aferências de outras regiões talâmicas (núcleos
intralaminares, principalmente). As suas eferências terminam nas regiões de associação dos lobos parietal e
occipital, com as quais mantém conexões recíprocas

45
oOs Núcleos Lateral Dorsal e Lateral Posterior recebem as suas aferências de outros núcleos talâmicos (chamados
de núcleos de integração). As suas eferências terminam no lobo parietal, nomeadamente na área somatoestésica
secundária.
o Conexões ainda com o lobo temporal e circunvolução do corpo caloso (detalhes destas ligações pouco claros).
 Fileira Ventral: constituída pelos seguintes núcleos:
o Núcleo Ventral Anterior – conectado com a formação
reticular, a substância nigra, o corpo estriado e o córtex pré-
motor, assim como outros núcleos talâmicos. Disposto entre
o corpo estriado e as áreas motoras do córtex frontal, pensa-
se que este núcleo poderá influenciar a actividade do córtex
motor.
o Núcleo Ventral Lateral – conexões semelhantes às do
núcleo ventral anterior, tendo no entanto um maior input
proveniente do cerebelo (pelo pedúnculo cerebral superior)
e um menor input do núcleo rubro. Projecta as suas
eferências nas áreas motora e pré-motora, influenciando a
sua actividade. Uma lesão neste núcleo gera lesões no
sistema motor.
o Núcleo Ventral Intermédio – recebe aferências das vias
vestibulares. Essas aferências agem na coordenação do
movimento conjugado do olhar para o mesmo lado.
o Núcleo Ventral Póstero-Interno – recebe o lemnisco
trigeminal e as vias do paladar (vias ascendentes). As suas eferências tálamo-corticais passam pelo braço
posterior da cápsula interna e corona radiata, até às áreas somatoestésicas do córtex cerebral, na circunvolução
parietal ascendente.
o Núcleo Ventral Póstero-Lateral – recebe aferências das principais vias ascendentes (lemnisco interno e lemnisco
espinhal). As suas eferências tálamo-corticais passam pelo braço posterior da cápsula interna e corona radiata, até
às áreas somatoestésicas do córtex cerebral, na circunvolução parietal ascendente. A lesão deste núcleo causa um
distúrbio contralateral nas sensibilidades superficial e profunda, com deficiências na percepção da sensibilidade e
do peso dos membros (lesão do lemnisco interno). Lesões nesta região podem também causar graves sintomas
dolorosos (“dor talâmica”, por afecção da via espinho-talâmica lateral).

Outros Núcleos Talâmicos


 Núcleo Reticular – camada fina de células nervosas entre a
lâmina medular externa e o braço posterior da cápsula interna.
Recebe aferências do córtex cerebral e da formação reticular e
emite eferências para os outros núcleos talâmicos. Função pouco
compreendida, mas pode estar relacionada com os mecanismos
através dos quais o córtex cerebral regula a actividade talâmica.
 Corpo Geniculado Externo – dilatação situada abaixo do
pulvinar. Integra a via óptica (IV neurónio da via), recebendo as terminações axonais das células ganglionares da
retina. Consiste em 6 camadas de células nervosas. Cada corpo geniculado externo recebe informação do campo
visual contralateral. As fibras eferentes deste núcleo formam a radiação óptica, que se dirige para o córtex visual
(lobo occipital).
 Corpo Geniculado Interno – dilatação da extremidade posterior do tálamo, abaixo do pulvinar. Integra a via auditiva.
Recebe informação dos dois ouvidos (mas predominantemente contralateral), através dos lemniscos laterais, que
sinapsam com os colículos inferiores antes de alcançar este corpo, através dos braços conjuntivais inferiores. As
fibras eferentes formam a radiação auditiva, que se dirigem para o córtex auditivo (1ª circunvolução temporal/
circunvolução temporal superior).

Os corpos geniculados constituem o Metatálamo.

46
Núcleos Inespecíficos do Tálamo
 Além dos núcleos até agora falados (específicos), existem outros
que não estabelecem relações directas com o córtex cerebral
(núcleos independentes do córtex que possuem apenas efeito
cortical indirecto)
 Principais núcleos inespecíficos:
o Núcleos Intralaminares – pequenas colecções de células
nervosas situadas dentro da lâmina medular interna. Recebem
fibras da formação reticular, e dos lemniscos espinhal e
trigeminal. Enviam eferências para outros núcleos talâmicos
(que por sua vez comunicam com o córtex cerebral) e ao corpo Núcleos inespecíficos do tálamo, representados em 3 cortes
estriado. O maior núcleo identificado é o centromediano. Este coronais, de anterior para posterior.
núcleo recebe aferências do cerebelo, da formação reticular e
do pallidus interno. As suas eferências estendem-se para a cabeça do
núcleo caudado e o putámen. É um componente importante do sistema
reticular activador ascendente, um sistema indispensável para o estado de
vigília, que tem origem na formação reticular do TC.
o Núcleos Medianos – grupo de células nervosas adjacentes à parede
externa do 3º ventrículo, e na comissura intertalâmica. Recebem fibras
aferentes da formação reticular e dos tractos espinho-talâmicos. Funções
desconhecidas

Conexões do Tálamo
 Todos os núcleos talâmicos (excepto o reticular e os inespecíficos) enviam
axónios para partes específicas do córtex cerebral, o qual por sua vez envia Núcleo Centromediano (laranja)
fibras de volta para o tálamo (o núcleo reticular só recebe vias aferentes do
córtex, não dá fibras eferentes tálamo-corticais).
 O tálamo é um importante ponto de passagem de duas ansas axonais sensoriomotoras, envolvendo o cerebelo e os
núcleos basais:
o Ansa cerebelar-rubro-talâmico-cortico-ponto-cerebelar
o Ansa Cortico-estriato-pálido-talâmico-cortical
 Estas ansas são necessárias à realização de movimentos
voluntários normais.

Vias Aferentes
 Ponto de Sinapse de todas as vias sensitivas e sensoriais
(excepto a olfactiva).
 Vias divididas consoante o local de origem:
o Medula Espinhal
 Via neoespinho-talâmica  Tracto espinho
talâmico lateral  Lemnisco espinhal  Núcleo
ventral póstero-lateral (Via termo-álgica da dor
rápida, aguda e bem localizada).
 Via paleoespinho-talâmica  Tracto espinho-
reticular  Formação Reticular  Núcleos
intralaminares e medianos (Via termo-álgica da dor
crónica e difusa)
 Tracto espinho-talâmico anterior  Lemnisco Espinhal  Núcleo ventral póstero-lateral (Via da Pressão e do
Tacto Protopático).
 Feixes de Goll e Burdach  Núcleos de Goll e Burdach (bulbo)  Lemnisco Interno (Fita Mediana de Reil)
 Núcleo Ventral Póstero-Lateral (Via da propriocepção consciente, tacto epicrítico e sensibilidade
vibratória)
47
o Tronco Cerebral
 Lemnisco Trigeminal  Núcleo Ventral Póstero-Interno (Via da sensibilidade geral da cabeça).
 Vias Vestibulares Ascendentes  Feixe Longitudinal Interno  Núcleo Ventral Intermédio (Via do
Equilíbrio).
 Lemnisco Lateral  Colículos Inferiores  Corpo Geniculado Interno (Via da Audição)
 Formação Reticular (formação bulbo-protuberencial)  Tálamo (vários núcleos)
 Núcleo Rubro (formação reticular)  Tálamo (vários núcleos)
 Fibras do núcleo gustativo de Nageotte (Núcleo Tracto Solitário)  Núcleo ventral póstero-interno (Via
Gustativa)
 Núcleo Tracto Solitário (restantes)  Fibras feixe solitário  Núcleo ventral póstero-interno
o Cerebelo
 Núcleo Dentado  Via dento-rubro-talâmica (passa pelo pedúnculo cerebelar superior)  Núcleo Ventral
Póstero-Lateral (Constitui uma ligação com a Propriocepção Inconsciente)
o Diencéfalo
 Corpos mamilares  Tracto mamilo-talâmico (feixe olfactivo de Vicq-d’Azyr)  Núcleos Anteriores
(Sensações olfactivas, tom emocional, associado ao sistema límbico)
 Núcleos Hipotalâmicos  Feixe hipotálamo-talâmico (sensibilidade visceral)
 Globo Ocular (considerado prolongamento do diencéfalo)  Nervo óptico  Quiasma óptico  Tracto
óptico  Corpo Geniculado Lateral (Via óptica)
o Corpo Estriado
 Corpo estriado  Via estriato-talâmica (atravessa cápsula interna)  Núcleo dorsal interno
o Córtex Cerebral
 Córtex Cerebral  Via cortico-talâmica  Núcleo dorsal interno (e outros não específicos).

Vias Eferentes
 A partir dos núcleos do tálamo vão emergir as vias eferentes,
as quais escapam pelos diferentes segmentos da cápsula
interna.
 3 contingentes:
o Contingente menor – formam as fibras talâmicas
constitutivas do feixe central da calote/tegmentum, em
associação com as fibras com origem no núcleo rubro, e
dirigem-se para o complexo nuclear olivar.
o Contingente Subcortical
 Fibras tálamo-estriadas – para o globus pallidus.
Marcam o regresso ao corpo estriado da via aferente
estriato-talâmica
 Fibras tálamo-hipotalâmicas vegetativas
o Contingente Cortical – sai em leque pela Cápsula interna e corona radiata.
Formado pelas radiações/ pedúnculos tálamo-corticais:
 Pedúnculo anterior (ântero-externo)  Braço anterior da cápsula interna 
Sensibilidade dolorosa para o córtex frontal
 Pedúnculo súpero-externo ou superior  Braço posterior da cápsula interna 
Lobo parietal (áreas somatoestésicas - 3º neurónio das vias sensitivas)
 Pedúnculo Posterior ou radiações ópticas de Gratiolet  Segmento retro-lenticular da cápsula interna (por
fora do núcleo caudado)  Córtex visual no lobo occipital (3º neurónio da via óptica)
 Pedúnculos Inferiores:
 Ínfero-Externo (feixe tálamo-temporal de Arnold)  Segmento sub-lenticular da cápsula interna (entre o
núcleo lenticular, em cima, e a cauda do núcleo caudado, em baixo) Córtex temporal (sensações auditivas)
 Ínfero-Interno  Segmento sub-lenticular da cápsula interna (por dentro da cauda do núcleo caudado) 
Córtex rinencefálico (sensações olfactivas e vegetativas)

48
Núcleos Talâmicos Aferências Eferências Função
Anterior Tracto mamilotalâmico Circunvolução do corpo caloso Tom emocional
Circunvolução do corpo caloso Hipotálamo Mecanismos de memória recente
Hipotálamo
Dorsal Interno Córtex pré-frontal Córtex pré-frontal Integração de informação somática,
Hipotálamo Hipotálamo visceral e olfactiva
Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos Relação com os sentimentos e estados
subjectivos
Lateral Dorsal, Lateral Córtex Cerebral Córtex cerebral Desconhecida
Posterior e Pulvinar Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos
Ventral Anterior e Formação Reticular Formação Reticular Influencia actividade do córtex motor
Ventral Lateral Corpo Estriado Corpo Estriado
Cerebelo Cerebelo
Córtex pré-motor Córtex pré-motor
Outros núcleos talâmicos Outros núcleos talâmicos
Ventral Póstero-Interno Lemnisco Trigeminal Córtex Somatoestésico primário (B1, Torna a sensibilidade da cabeça
(VPM) Fibras Gustativas 2 e 3) consciente
Ventral Póstero-Lateral Lemnisco Interno Córtex Somatoestésico primário (B1, Torna a sensibilidade consciente
(VPL) Lemnisco Espinhal 2 e 3)
Intralaminares Formação reticular Córtex cerebral (via indirecta, através Influencia os níveis de consciência e
Tractos espinho-talâmicos de outros núcleos talâmicos) alerta
Tracto trigémino-talâmico Corpo Estriado
Medianos Formação Reticular Desconhecido Desconhecido
Reticular Córtex cerebral Outros núcleos talâmicos Intervém nos mecanismos que permitem
Formação Reticular o córtex cerebral controlar o tálamo
Corpo geniculado Colículos inferiores Radiação auditiva para circunvolução Audição
interno Lemniscos laterais dos 2 temporal superior
ouvidos (mais do contralateral)
Corpo geniculado Tracto óptico Radiação óptica para o córtex visual Informação visual do campo visual
externo (lobo occipital) contralateral

Representação Somatotrópica dos Núcleos do Tálamo


 O princípio da somatotropia dos núcleos específicos do tálamo é explicado com o exemplo do grupo nuclear ventral
lateral.
 As aferências para o tálamo provenientes da medula espinhal, TC e cerebelo apresentam um agrupamento
somatotrópico. Esta somatotropia mantém-se até ao córtex cerebral
 No núcleo ventral lateral terminam axónios provenientes do pedúnculo cerebelar superior. Informações sobre o
posicionamento corporal, coordenação e tónus muscular são conduzidas por esta via até ao córtex motor, que por sua
vez também apresenta uma organização somatotrópica
 No núcleo ventral lateral situam-se externamente os neurónios eferentes para a condução dos impulsos provenientes
dos membros e internamente os neurónios para a condução dos impulsos provenientes da cabeça
 Este núcleo faz relação directa com o núcleo ventral intermédio, que recebe as suas aferências dos núcleos
vestibulares.
 As grandes vias sensitivas, provenientes da medula espinhal terminam no núcleo ventral póstero-lateral, Já no núcleo
ventral póstero-interno termina o sistema sensitivo da cabeça proveniente do nervo trigémio. Aqui também prevalece
a somatotropia como princípio de organização.

Funções do Tálamo
 Uma grande variedade de informação sensorial de todos os tipos (excepto
olfacto) converge para o tálamo e presumivelmente é integrada através de
interconexões entre os seus núcleos. Daí a informação é distribuída a outras
partes do SNC.
 A visão está relacionada com o corpo geniculado externo
 A audição está relacionada com o corpo geniculado interno
 O paladar está relacionado com o núcleo lateral póstero-interno
 Os tactos superficial e profundo estão relacionados com os núcleos ventrais
póstero-lateral e póstero-interno (face)
 É provável que a informação olfactiva seja primeiramente integrada em níveis inferiores, juntamente com o paladar e
outras sensações, sendo depois direccionada para o tálamo a partir dos corpos amigdalóides e do hipocampo, através
dos tractos mamilotalâmicos.
49
 Anatomicamente e funcionalmente, o tálamo e o córtex cerebral estão intimamente relacionados. Se removermos o
córtex, o tálamo consegue apreciar sensações de forma grosseira. Contudo, o córtex cerebral é necessário para a
interpretação das sensações, baseada em experiências passadas. Por exemplo, um indivíduo com o córtex
somatoestésico danificado consegue apreciar a presença de um objecto quente na mão; contudo, este indivíduo não
consegue fazer a apreciação da forma, peso e temperatura exacta do objecto.
 Os núcleos ventral anterior e ventral lateral integram o circuito dos núcleos basais e, por isso, estão envolvidos na
realização de movimentos voluntários.
 O núcleo dorsal interno integra a via relacionada com os sentimentos, estados subjectivos e personalidade de um
indivíduo
 Os núcleos intralaminares (e os não específicos, no geral) estabelecem relações íntimas com a formação reticular,
recebendo grande parte da informação por esta fonte. A sua posição estratégica permite-lhes controlar o nível de
actividade geral do córtex cerebral. Estes núcleos são capazes de influenciar os níveis de consciência e de alerta de
um indivíduo.
 O tálamo é assim o local de integração das funções visceral, sensitiva e somática.

Lesões do Tálamo
 O tálamo pode ser invadido por tecido neoplásico, sofrer degeneração ou ser danificado por hemorragia ou por falta
de suprimento sanguíneo

Perda da sensibilidade
 Esta patologia resulta de trombose ou hemorragia de uma das artérias que nutrem o tálamo
 Lesões nos núcleos ventrais póstero-interno e póstero-lateral levam à perda de todas as formas de sensibilidade,
incluindo tacto protopático, propriocepção, sensibilidade vibratória e tacto epicrítico do hemicorpo contralateral
 O tálamo está centralmente localizado, perto de outras estruturas nervosas importantes. Assim, uma causa de lesão
talâmica pode também afectar estruturas vizinhas. Por exemplo, uma lesão vascular que afecte o tálamo pode
também envolver o mesencéfalo (resultando em coma) ou estender-se lateralmente até à cápsula interna (produzindo
défices motores e sensitivos extensos)

Alívio cirúrgico da dor por cauterização talâmica


 Os núcleos intralaminares estão envolvidos no transporte das sensações de dor crónica/difusa até ao córtex cerebral
 A cauterização destes núcleos tem possibilitado o alívio da dor severa e intratável, associadas a cancro.

“Dor talâmica”
 Pode ocorrer na sequência da recuperação de um enfarte talâmico
 Dor espontânea, normalmente excessiva, ocorre no lado oposto do corpo (hiperalgesia)
 Esta dor pode suscitada pelo toque leve ou o frio e tende a não responder eficazmente aos analgésicos mais potentes.

Movimentos involuntários anormais


 A coreioatetose com ataxia pode surgir de lesões vasculares do tálamo (não é certo se esta patologia se deve só a
uma lesão no tálamo, ou se também se associa a lesões de estruturas vizinhas, como o corpo estriado)
 A ataxia pode surgir devido à perda de apreciação dos movimentos musculo-articulares, causada por lesão talâmica
que afecte por exemplo os núcleos ventrais.

Mão talâmica
 A mão contralateral está disposta de forma anormal em pacientes com lesões talâmicas
 O punho está em pronação e flectido, as articulações metacarpofalângicas estão flectidas e as interfalângicas estão
em extensão
 Os dedos podem ser movidos activamente mas estes movimentos são lentos
 Esta patologia deve-se a alterações do tónus muscular nos diferentes grupos musculares.

50
Epitálamo

 Composto por:
o Glândula Pineal ou Epífise
o Habénulas com os núcleos habenulares
o Comissura habenular
o Estria medular do tálamo
o Comissura epitalâmica ou branca posterior

Glândula Pineal ou Epífise Cerebral


 Órgão neuro-glandular de forma cónica (“forma de pinha”)
 Localizado na fronteira entre o diencéfalo e o mesencéfalo (por cima/atrás do
mesencéfalo)
 Situado à entrada da fenda de Bichat, ao nível do debrum do corpo caloso
 Orientada da frente para trás, repousando sobre o sulco médio/ântero-posterior
dos tubérculos quadrigémios anteriores
 O seu vértice é livre e está orientado para trás
 A base corresponde ao 3º ventrículo (união da parede superior com póstero-inferior), está ocupada por um
divertículo ventricular – recesso pineal - compreendido entre 2 pregas (superior e inferior)
 A prega superior chama-se comissura habenular.
 A prega inferior é a comissura epitalâmica ou branca posterior e une a glândula pineal ao tecto do mesencéfalo (e à
extremidade superior do aqueduto de Sylvius)
 Anteriormente à glândula pineal pode observar-se na parede superior do 3º ventrículo a tela coroideia do 3º
ventrículo
 A tela coroideia do 3º ventrículo fixa-se de cada lado das habénulas. Anteriormente une-se às colunas do fórnix.
Posteriormente, reflecte-se sobre a parte média da face superior da glândula pineal para se continuar com o epitélio
ependimário que reveste a base da glândula pineal.
 A parte posterior da tela coroideia limita com a metade anterior da face superior da glândula pineal o recesso
suprapineal (divertículo do 3º ventrículo)

Composição
 Apresenta uma cápsula de tecido conjuntivo vascular
 Parênquima dividido incompletamente por septos de tecido
conjuntivo provenientes da cápsula
 Parênquima constituído por pinealócitos, células específicas
destinadas à secreção de melatonina, circundados por células
gliais
 A epífise não tem células nervosas mas recebe fibras simpáticas
adrenérgicas que derivam do gânglio superior cervical simpático e aferências retinais indirectas.
 Apresenta por vezes calcificações (acérvulos ou areia cerebral), sem valor patológico e que se acumula com a idade.

Função
 A actividade da glândula pineal exibe um ritmo circadiano influenciado pela luz
 Está mais activa durante a noite (escuridão)
 Via nervosa provável da retina até à epífise cerebral: Retina  Via retino-hipotalâmica  Núcleo Supraquiasmático
 Tegmentum mesencéfalo  Glândula pineal (para estimular as suas secreções). O último troço desta via
(tegmentum  glândula pineal) pode incluir tractos adicionais nomeadamente aferências reticulares, vias simpáticas
provenientes da porção torácica da medula espinhal, do gânglio cervical superior e de fibras nervosas pós-
ganglionares que viajam até à epífise cerebral através dos vasos sanguíneos

51
 Elevados níveis de melatonina e suas enzimas associadas são encontrados neste órgão. A melatonina é produzida
após estímulo noradrenérgico das terminações simpáticas da glândula pineal ou por estímulo das vias provenientes
da retina.
 A melatonina exerce um papel na regulação do ritmo circadiano e na regulação da actividade sexual sazonal. O nível
desta hormona atinge níveis mais elevados durante a escuridão e é mínimo durante o dia.
 Influencia a acção da hipófise, dos ilhéus de Langerhans, das paratiroideias, das glândulas adrenais e das gónadas
 A glândula pineal não possui barreira hematoencefálica
 O LCR (do 3º ventrículo) e o sangue são os principais meios que conduzem as secreções pineais aos órgãos-alvo
 A acção desta glândula é sobretudo inibitória e pode processar-se de 2 formas:
o Indirectamente – inibe a secreção de factores de libertação (“releasing factors”) pelo hipotálamo
o Directamente – inibe a produção de hormonas
 A perda/lesão da glândula pineal na infância pode levar à puberdade precoce (melatonina inibe actividade
esteroidogénica das gónadas, por inibição da produção de GnRH pelo núcleo arqueado do hipotálamo, o que por sua
vez inibe a libertação de FSH e LH pela hipófise).

Habénulas e Núcleos Habenulares


 Das extremidades laterais da comissura habenular nascem 2
tractos brancos de denominados habénulas.
 Dirigem-se primeiro para fora e depois para a frente até às
colunas do fórnix
 Continuam no tálamo ao longo da linha de separação das faces
superior e externa do 3º ventrículo
 Na região póstero-interna da face superior do tálamo observa-se
uma zona triangular branca denominada trígono habenular (2),
limitado internamente pela habénula, externamente pelo sulco da habénula e atrás pelo colículo superior
correspondente
 Cada trígono da habénula apresenta na sua porção posterior uma saliência determinada por um núcleo subjacente de
substância cinzenta – núcleo da habénula.
 As habénulas formam, com as suas regiões nucleares, um local de sinapses para os impulsos olfactivos aferentes.
 Após as sinapses nos núcleos habenulares, as eferências estendem-se para os núcleos salivatórios e motores
(músculos da mastigação) do TC.
 Os núcleos habenulares são o centro de integração das vias aferentes olfactivas, viscerais e somáticas

Aferências
 Impulsos aferentes provenientes da substância perfurada (área olfactiva), dos núcleos septais e da região pré-óptica
chegam aos núcleos habenulares por meio da estria medular do tálamo
 Algumas fibras da stria medularis cruzam a linha média para alcançar o núcleo habenular contralateral. Estas fibras
formam a comissura habenular
 Os núcleos habenulares recebem
adicionalmente impulsos do corpo amigdalino,
através da fita semicircular (stria terminalis)
 Outros impulsos aferentes provenientes da
formação hipocâmpica atingem estes núcleos
através do fórnix.

Eferências
 Tracto habenulotectal – termina na lâmina
superior do tecto, suprindo-a com impulsos
olfactivos
 Tracto habenulotegmental – termina no núcleo
tegmental posterior (formação reticular), onde
52
se continua com o feixe longitudinal posterior, com as conexões com os núcleos salivatórios e motores dos nervos
cranianos (responsável pelo facto do cheiro da comida causar fluxo salivar e secreção de suco gástrico)
 Tracto habenulopeduncular (retrorreflexo de Meynert) – termina no núcleo interpeduncular que, em seguida, faz
conexão com a substância reticular.
 Outras possíveis eferências com o tálamo

Comissura Habenular
 Constitui a prega superior do recesso pineal (por cima da glândula
pineal)
 Situada sobre o bordo posterior da tela coroideia do 3º ventrículo
 Permite a união dos dois núcleos habenulares
 Local de cruzamento de fibras aferentes contralaterais provenientes
da área pré-septal, região pré-óptica do hipotálamo. Estas fibras
integram a stria medularis

Comissura Epitalâmica ou Branca Posterior


 Constitui a prega inferior do recesso pineal (por baixo da glândula pineal)
 Situado na extremidade superior do Aqueduto de Sylvius
 Constituída pelas seguintes fibras:
o Fibras que unem os pulvinares entre si
o Fibras que unem o pulvinar de um lado com o colículo superior, corpo geniculado lateral e núcleos do nervo
MOC e troclear contralaterais
o Fibras que unem o núcleo pré-tectal de um lado com o núcleo vegetativo (Edinger-Westphal) do MOC
contralateral, para o reflexo fotomotor consensual
o Fibras do tegmentum mesencefálico que unem as substâncias nigras e os núcleos rubros.

Estria Medular do Tálamo


 Constitui um conjunto de fibras aferentes provenientes da área pré-septal, área pré-óptica e substância perfurada
anterior, que se dirigem para os núcleos habenulares
 Parte do seu trajecto (ao nível da face superior do diencéfalo) confunde-se com as habénulas epitalâmicas
 Esta estria também recebe algumas fibras provenientes da stria terminalis (fita semicircular), um conjunto de fibras
provenientes dos núcleos amigdalinos.

Subtálamo

 Região situada inferiormente ao tálamo, estando separada


deste pelo sulco diencefálico médio
 Espécie de prolongamento superior do tegmentum do
mesencéfalo
 Repousa sobre a extremidade superior dos pedúnculos
cerebrais, que a este nível continua a porção sublenticular
da cápsula interna

Elementos Constituintes da Região Subtalâmica


 Globus Pallidus – núcleo principal deslocado externamente
pela cápsula interna. Dividido pela lâmina medular interna
do núcleo lenticular num segmento interno e noutro
externo.
 Extremidade superior dos núcleos rubro
 Porção mais superior da substância nigra
53
 Várias massas de substância cinzenta, entre as quais se destacam, de cima para baixo:
o Zona incerta – lâmina de substância cinzenta. É uma espécie de prolongamento inferior dos núcleos
intralaminares do tálamo, apresentando funções semelhantes.
o Núcleo subtalâmico (corpo de Luys) – massa biconvexa intermédia, entre o globus pallidus e a substância nigra.
Parece ser o centro dos movimentos de balanço e da locomoção. Local de integração dos movimentos suaves de
diferentes partes do corpo
o Pequenas regiões nucleares, internamente à zona incerta e núcleo subtalâmico
 Diversos feixes de fibras que separam entre si as massas de substância cinzenta:
o Alça lenticular (fibras pallidofugais) – fibras que passam inferiormente ao núcleo subtalâmico, contornando-o, e
depois inflectem para cima em direcção ao tálamo
o Feixe lenticular (fibras pallidofugais) – constituída por fibras provenientes das lâminas medulares do núcleo
lenticular. Passa pelo subtálamo (campo H2 de Forel) e distribui-se até ao tálamo, zona incerta, núcleo rubro,
núcleo subtalâmico, substância nigra e núcleos vegetativos hipotalâmicos.
o Feixe talâmico – união dos feixe e alça lenticulares (campo H1 de Forel)
o Feixe subtalâmico/ pallidosubtalâmico (fibras pallidofugais) – dirige-se do globus pallidus até ao núcleo
subtalâmico
o Feixe pallidotegmental (fibras pallidofugais) – fibras que terminam no tegmentum inferior do mesencéfalo.
o Feixe mamilotegmental – une corpos mamilares ao núcleo tegmental posterior
o Lemnisco Interno – estas fibras passam por esta região para depois terminarem no núcleo ventral póstero-lateral
do tálamo.
o Feixe de fibras motoras do crus cerebri – feixe branco e largo que
ocupa a porção inferior da região subtalâmica, por baixo da
substância nigra. É um prolongamento superior do crus cerebri e
continua-se em cima com a cápsula interna.
 Fibras comissuras diencefálicas:
o Comissura subtalâmica posterior (Forel) – une as 2 regiões
subtalâmicas e atravessa a linha média posteriormente aos corpos
mamilares (a roxo)

Núcleos do Campo Perizonal de Forel


 Ao longo do seu trajecto, o feixe lenticular separa-se e subdivide-se, para atravessar as seguintes regiões:
o Núcleo do campo ventral/campo H1 de Forel – formado pelo feixe talâmico (ansa lenticular + feixe lenticular)
o Núcleo do campo dorsal/ campo H2 de Forel – constituído por grande parte do feixe lenticular, situadas entre a
zona incerta (por cima) e o núcleo subtalâmico (em baixo).
o Núcleo do campo interno/campo H de Forel – fibras que se dirigem ao núcleo rubro

Hipotálamo

 Corresponde à parte interna da região subtalâmica, por baixo


do sulco hipotalâmico e do tálamo
 Parte do diencéfalo visível na superfície externa do encéfalo
 Forma o pavimento do 3º ventrículo e apresenta várias
estruturas visíveis na face inferior do encéfalo,
nomeadamente (de trás para a frente):
o Quiasma óptico e tractos ópticos
o Hipófise (neuro-hipófise)
o Infundíbulo
o Tuber cinereum
o Corpos/ Tubérculos mamilares
o Fossa Interpeduncular/Substância Perfurada Posterior
 Corresponde, então, na base do encéfalo, ao losango optopeduncular (a azul), limitado à frente/fora pelo quiasma
óptico e tractos ópticos e atrás/fora pelos pedúnculos cerebrais.
54
 Relações:
o À frente com a área-pré-óptica,
o Atrás com o tegmentum do mesencéfalo, e com a raiz
aparente do nervo MOC
o Por fora/frente com a cápsula interna (porção
sublenticular)
o Por fora/trás com o subtálamo
o Por cima com a lâmina terminalis, comissura branca
anterior e com o tálamo
 Apresenta no seu conteúdo um conjunto de formações de
substância cinzenta periventriculares, que formam núcleos –
hipotálamo propriamente dito. Esta estrutura inclui os
núcleos dos corpos mamilares.

Hipotálamo Propriamente Dito


 Conjunto de pequenas células nervosas dispostas em grupos de
núcleos, muitos dos quais não se encontram bem definidos e
separados uns dos outros.
 Anteriormente ao hipotálamo, está a área pré-óptica que se
estende para além do quiasma óptico até à lâmina terminal e
comissura branca anterior.
 Apesar de não ter a mesma origem embriológica que o
hipotálamo (o hipotálamo é uma estrutura diencefálica enquanto
a área pré-óptica é uma estrutura proveniente das vesículas
telencefálicas), inclui-se no hipotálamo, por razões funcionais.
 Anatomicamente pode-se dividir o hipotálamo de duas formas:

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 A região interna está dividida da região externa pelas passagens do fórnix e do feixe mamilo-talâmico de Vicq
d’Azyr.
 Existe ainda uma terceira divisão possível, considerada mais complexa (ver Rouvière, Tomo 4, págs 311-314)
 No hipotálamo ainda se identifica uma região em relação íntima com as paredes do 3º ventrículo – zona
periventricular. Esta zona ascende ao longo das paredes do 3º ventrículo e relaciona-se em cima com a face interna
do tálamo, contribuindo para a formação da adesão intertalâmica.
 Abaixo do sulco hipotalâmico, esta zona contém os núcleos periventriculares
 A zona periventricular forma os órgãos ependimários, importantes componentes do aparelho secretor diencefálico
 Os corpos mamilares constituem um conjunto de vários núcleos
 Do núcleo mamilar interno parte o feixe mamilo-talâmico de Vicq d’Azyr, enquanto ao núcleo mamilar externo
chega a coluna do fórnix.
 Uma lesão bilateral dos corpos mamilares e dos seus núcleos ocorre na Síndrome de Korsakow, frequentemente
associada ao alcoolismo crónico (motivo: deficiência de vitamina B1) O distúrbio de memória gerado afecta
principalmente a memória recente, e as lacunas de memória podem ser preenchidas com acontecimentos irreais (o
paciente conta um episódio irreal, mas ele próprio não se apercebe que não é verdade). O achado neuropatológico é
uma hemorragia nos corpos mamilares.

Conexões Aferentes e Eferentes do Hipotálamo


 O hipotálamo recebe informação do resto do corpo através de
conexões nervosas, da corrente sanguínea e do LCR. Os núcleos
hipotalâmicos respondem e exercem a sua resposta pelas mesmas
vias
 O LCR pode servir de meio de condução entre as células
neurosecretoras do hipotálamo e outros locais distantes do
encéfalo.
 O hipotálamo posiciona-se no centro do sistema límbico e recebe
muitas fibras aferentes das vísceras, da membrana mucosa olfactiva, do córtex cerebral e do sistema límbico:
o Fibras aferentes somáticas e viscerais - ramos colaterais dos lemniscos interno e espinhal, do tracto solitário e da
formação reticular.
o Aferências visuais – fibras provenientes do quiasma óptico, para o núcleo
supraquiasmático (ex: vias retino-hipotalâmicas)
o Informações olfactivas – provenientes das áreas olfactivas; estendem-se
por meio do feixe telencefálico/ prosencefálico medial (via directa) até aos
núcleos pré-ópticos e tuberais laterais (hipotálamo lateral), ou por uma via
indirecta que liga o centro cortical hipocampal aos núcleos tuberais e
corpos mamilares (através das colunas do fórnix) O feixe telencefálico
medial é feixe de fibras ascendentes e descendentes que liga o córtex pré-
frontal e a área pré-septal ao hipotálamo lateral e às áreas límbicas do
mesencéfalo.
o Fibras cortico-hipotalâmicas – do córtex do lobo frontal directamente para o hipotálamo
o Fibras hipocampo-hipotalâmicas – do hipocampo até aos
corpos mamilares, através do fórnix. Possivelmente a
principal eferência do sistema límbico
o Fibras amigdalo-hipotalâmicas – do corpo amigdalino para o
hipotálamo através da stria terminalis/fita semicircular e por
uma via que passa no espaço sub-lenticular. Transporta
impulsos relacionados com a afectividade
o Fibras tálamo-hipotalâmicas – provenientes dos núcleos
dorsal interno e medianos do tálamo
o Fibras tegmentais – provenientes do mesencéfalo (formação
reticular).

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 As conexões eferentes do hipotálamo são também numerosas e complexas:
o Fibras descendentes para o tronco cerebral e medula espinhal –
influenciam os neurónios periféricos dos SNA. Descem através de uma
série de neurónios pertencentes à formação reticular. O hipotálamo está
ligado aos núcleos parassimpáticos do MOC, facial, glossofaríngeo e
vago através do feixe longitudinal posterior (de Schultz). Da mesma
forma as fibras reticulo-espinhais conectam o hipotálamo com as células
nervosas simpáticas com origem nos cornos laterais da medula espinhal
do segmento T1 a L2 e a porção sagrada parassimpática, ao nível do 2º,
3º e 4º segmentos sagrados da medula espinhal
o Tracto mamilo-talâmico (de Vicq d’Azyr) – origem no núcleo interno
dos dois corpos mamilares. Termina no núcleo anterior do tálamo. Este, por sua vez, apresenta uma ligação com a
circunvolução do corpo caloso
o Tracto mamilo-tegmental – dos corpos mamilares até às células da formação reticular no tegmentum
mesencefálico. Permitem a distribuição da informação visceral entre hipotálamo, núcleos dos nervos cranianos e
medula espinhal
o Tractos hipotálamo-hipofisários (supra-óptico hipofisal e tubero-infundibular)

Conexões do Hipotálamo com a Hipófise


 2 tipos de conexões:
o Fibras nervosas que viajam dos núcleos hipotalâmicos para a hipófise
o Sistema portal hipofisário (longo e curto) que conecta os sinusóides da
eminência mediana e infundíbulo com os plexos capilares do lobo anterior da
hipófise.

Tractos Hipotálamo-Hipofisários
 Tracto supra-óptico hipofisário
o As hormonas neuro-hipofisárias (oxitocina e vasopressina) não são sintetizadas
na neuro-hipófise, mas sim nos núcleos supra-ópticos e paraventriculares do hipotálamo.
o Alcançam a neuro-hipófise por meio de axónios que formam este tracto, onde as hormonas são transportadas
através de proteínas transportadoras – neurofisinas.
o São depois libertadas nas terminações axonais, na neuro-hipófise, quando necessárias.
o A oxitocina é produzida predominantemente pelos núcleos paraventriculares.
o A vasopressina (hormona antidiurética - ADH) é produzida essencialmente pelos núcleos supra-ópticos
o Assim, o núcleo supra-óptico funciona como um osmorregulador. Se a pressão osmótica do sangue é demasiado
alta, as células nervosas deste núcleo aumentam a sua produção de ADH, permitindo que mais água seja
reabsorvida pelos túbulos renais.
 Tracto tubero-infundibular
o A comunicação entre o hipotálamo e a adeno-hipófise faz-se por meio de
hormonas reguladoras transportadas pela corrente sanguínea
o As artérias hipofisárias superiores formam uma rede vascular no infundíbulo,
onde terminam os axónios de neurónios provenientes dos núcleos
hipotalâmicos
o Estes neurónios produzem e libertam as hormonas reguladoras paras esta rede
vascular
o O sangue recolhe essas hormonas, sendo que depois estas atravessam um
sistema porta-hipofisário, que lhes permite alcançar as células da adeno-hipófise e, assim, exercer o seu efeito
regulador.
o Os núcleos do hipotálamo associados à produção destas hormonas são o núcleo dorso-medial, ventro-medial,
arqueados/infundibulares e pré-ópticos
o Os neurónios do hipotálamo responsáveis pela produção destas hormonas reguladoras são influenciados por
fibras aferentes do hipotálamo e pelos mecanismos de feedback das hormonas hipofisárias.

57
Funções do Hipotálamo
Controlo das Funções Autónomas/Vegetativas
 Influência sobre o SNA, integrando os sistemas autónomo e neuroendócrino
 Intervém na homeostasia do organismo
 Considerado o centro nervoso superior para o controlo dos centros vegetativos inferiores, presentes no tronco
cerebral e medula espinhal
 A área pré-óptica e anterior do hipotálamo influenciam as respostas parassimpáticas (diminuição da pressão arterial,
da frequência cardíaca e da contracção da bexiga, aumento da motilidade gastrointestinal e da acidez do suco
gástrico, salivação e miose)
 As áreas lateral e posterior do hipotálamo associam-se às respostas simpáticas (aumento da pressão arterial,
frequência cardíaca, cessação dos movimentos peristálticos, midríase e hiperglicemia)

Controlo Endócrino
 Através da produção de hormonas reguladoras, os núcleos
hipotalâmicos exercem controlo sobre a produção de
hormonas ao nível da hipófise e nos mais diversos eixos
hipofisários.

Neurossecreção
 A secreção de vasopressina e oxitocina pelos núcleos supra-ópticos e paraventriculares está relacionada com esta
função

Regulação da Temperatura
 A porção anterior do hipotálamo controla os mecanismos que dissipam a perda de calor. Esta área associa-se à
dilatação dos vasos sanguíneos cutâneos e à sudorese, fenómenos que permitem a perda de calor
 A porção posterior do hipotálamo associa-se à vasoconstrição dos vasos cutâneos, inibição da sudorese e aos
“arrepios”, em que os músculos esqueléticos produzem calor

Regulação da Ingestão de Comida e da Sede


 O hipotálamo lateral associa-se à sensação de fome (chamado centro da fome). A destruição bilateral destes centros
resulta em anorexia, com consequente perda de peso
 O hipotálamo medial (núcleo ventro-medial) inibe a fome e associa-se à saciedade. A destruição bilateral destas
regiões produz uma vontade incontrolável de comer, causando obesidade extrema
 Existe também uma região no hipotálamo anterior e lateral responsável pela sede (centro da sede). Além disso, o
núcleo supra-óptico exerce um controlo preciso da osmolaridade através da secreção de vasopressina

Emoção e Comportamento
 Funções acometidas ao hipotálamo, sistema límbico e córtex pré-frontal.
 O hipotálamo é o centro integrador da informação aferente recebida de outras áreas do SNC para transpor em termos
físicos as emoções sentidas: pode aumentar a frequência cardíaca, a pressão arterial, causar secura da boca, rubor
cutâneo, sudorese ou causar uma massiva actividade peristáltica gastrointestinal.
 A estimulação dos núcleos do hipotálamo lateral está associada a um aumento da agressividade. Uma lesão nesta
zona associa-se a um estado de passividade.
 A estimulação do núcleo ventro-medial pode causar passividade, enquanto a sua lesão pode gerar agressividade.

Controlo do Ritmo Circadiano


 O hipotálamo controla muitos ritmos circadianos, nomeadamente a temperatura corporal e a actividade adenocortical
 O estado de sono e vigília, apesar de dependente das actividades do tálamo, sistema límbico e formação reticular,
também é controlado pelo hipotálamo
 Uma lesão no hipotálamo anterior interfere seriamente com o ritmo do sono

58
 O núcleo supraquiasmático, que recebe fibras aferentes da retina, parece desempenhar um papel importante no
controlo dos ritmos biológicos
 Os impulsos nervosos gerados em resposta a variações na intensidade luminosa são transmitidos através deste
núcleo, de modo a influenciar as actividades dos outros núcleos hipotalâmicos e de outros órgãos, nomeadamente a
glândula pineal.

Notas Clínicas
 As actividades do hipotálamo são modificadas por informação recebida através de vias aferentes provenientes de
diferentes partes do SNC (especialmente do sistema límbico e córtex pré-frontal) ou através dos níveis plasmáticos
de diversas hormonas

Patologias Clínicas Associadas com Lesões no Hipotálamo


 Obesidade – associada também a hipoplasia ou atrofia genital
 Caquexia – mais rara, é a perda de peso, atrofia muscular, fadiga, fraqueza e perda de apetite quando não intencional.
Caquexia severa é sugestiva de uma lesão na hipófise
 Distúrbios sexuais – em crianças a puberdade pode surgir mais tarde, ou em casos raros haver precocidade sexual.
Após a puberdade, o paciente com uma lesão hipotalâmica pode experimentar impotência sexual ou amenorreia.
 Hipertermia e Hipotermia – pode resultar de traumas da cabeça ou após uma cirurgia que envolva a região
hipotalâmica.
 Diabetes Insipidus – resulta de uma lesão no núcleo supra-óptico ou de uma interrupção da via nervosa para o lobo
posterior da hipófise. O doente urina grandes quantidades de urina, o que gera uma sede intensa. Esta condição deve
ser distinguida da diabetes mellitus, em que existe glicosúria.
 Distúrbios do sono (insónias e sonolência)
 Distúrbios emocionais – ataques inexplicáveis de riso, agressividade descontrolada, reacções depressivas e
perturbações maníacas.

Hipófise
 Estrutura ímpar e mediana
 Faz parte da porção mediana do andar médio do crânio
 Ocupa a sela turca na sua totalidade, estando localizada no
interior de uma loca de dura-máter – loca hipofisária
 Esta loca tem como limites: em baixo, o seio esfenoidal;
lateralmente os seios cavernosos; e por cima o quiasma
óptico.
 Forma ovóide, estando suspensa do pavimento do 3º
ventrículo por uma haste formada pelo infundíbulo e a
eminência mediana.
 Constituído por 3 lobos:
o Lobo anterior ou adeno-hipófise – glandular, constituído por tecido epitelial, com origem na ectoderme
embrionária
o Lobo intermediário – muito reduzido no ser humano, um vestígio da bolsa de Rathke, formada pela ectoderme.
o Lobo posterior ou neuro-hipófise – mais pequeno que o lobo anterior, de natureza nervosa, com origem na
neuroectoderme.
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 Cada um dos lobos vai apresentar um conjunto de células responsáveis pela produção de determinado tipo de
hormonas.
 No lobo anterior encontram-se células somatotrópicas (produzem GH), corticotrópicas (ACTH), gonadotrópicas
(FSH e LH), tireotrópicas (TSH) e lactotrópicas (PRL)
 No lobo posterior encontram-se os axónios de células nervosas e células de suporte, como os pituícitos. Estes estão
localizados no meio das fibras do feixe hipotálamo-hipofisário e são responsáveis pelo armazenamento das
hormonas oxitocina e vasopressina.

Vascularização, Conexões e Inervação


 A hipófise é irrigada por ramos provenientes das artérias carótidas
internas. Destas partem as artérias hipofisária superior e hipofisária
inferior
 O sangue venoso é drenado através de um sistema porta-hipofisário,
constituído por 2 subsistemas:
o Sistema porta longo – do plexo capilar da eminência mediana e
infundíbulo até ao plexo capilar da adeno-hipófise.
o Sistema porta curto – da porção inferior do plexo capilar da eminência
mediana e infundíbulo + ramos arteriais até ao plexo inferior
adenohipofisário.
 O plexo capilar da eminência mediana e infundíbulo recebe
as hormonas libertadas no lobo posterior, provenientes dos
núcleos paraventriculares e supra-ópticos.
 O plexo capilar adenohipofisário recebe as releasing ou
non-releasing hormones, provenientes dos núcleos dorso-
medial e ventro-medial, principalmente
 A hipófise estabelece uma importante ligação com o
hipotálamo através do feixe hipotálamo-hipofisário de
Roussy e Mosinger.
 A inervação da neuro-hipófise é feita pelos axónios dos núcleos paraventriculares e supra-ópticos
 A inervação da adeno-hipófise é feita através de uma rede simpática peri-arterial.

Aparelho Secretor Diencefálico


 As paredes do 3º ventrículo não são apenas o lugar onde se agrupam os centros e as vias neurovegetativas; é também
a região do SNC onde se realizam fenómenos de secreção muito importantes fisiologicamente
 Este aparelho secretor possui um papel neurotrófico, neurorregulador e psicorregulador
 As manifestações secretoras ao nível do diencéfalo podem ser agrupadas em 3 categorias: neurossecreção,
neurocrinia e ependimocrinia

Neurossecreção
 Certos neurónios da região hipotalâmica, em particular dos núcleos supra-ópticos e
paraventriculares, apresentam alguma actividade glandular
 Estes núcleos produzem uma neurossecreção, cujo produto percorre os axónios até à
neuro-hipófise
 O produto secretado conflui para a neuro-hipófise, sendo armazenado aí, antes de
passar para o sangue.
 Assim, as hormonas neuro-hipofisárias (oxitocina, vasopressina) não têm origem na
hipófise propriamente dita, mas sim no hipotálamo.
 Estes núcleos hipotalâmicos conseguem igualmente secretar hormonas (releasing e
non releasing factors), cujo trajecto transpõe a região do tuber cinereum. Estas substâncias estimulariam certas
actividades da adeno-hipófise, em particular a sua função corticotrópica.

60
 Descrevem-se também as vias de neurossecreção que seguem fibras dispersas até regiões tão distantes como a
glândula pineal, o mesencéfalo e o corpo amigdalino.

Neurocrinia
 Fenómeno de excreção para o interior do SNC, de produtos elaborados por órgãos glandulares ou secretores, como a
hipófise, a glândula pineal ou o epêndima.
 Termo neurocrinia opõe-se a hemocrinia, o modo de excreção habitual das glândulas endócrinas em que os produtos
são secretados para o sangue.
 A adeno-hipófise pode secretar para o SNC os seus produtos hormonais
 A glândula pineal e o epêndima são também capazes de enviar à distância os seus produtos até à habénula ou mesmo
até ao corpo amigdalino.
 Assim, a neurocrinia é um fenómeno inverso ao da neurossecreção, uma vez que parte de órgãos glandulares em
direcção ao SNC.

Ependimocrinia
 O epêndima do 3º ventrículo participa activamente nos fenómenos secretores do diencéfalo.
 Esta participação activa não se deve confundir com o papel passivo que desempenha o próprio epêndima no recesso
infundibular, isto no que se refere à substância colóide de origem
neuroglandular ou hipofisária. Neste caso, o epêndima apenas se dissocia
para deixar passar os produtos de secreção que são vertidos na cavidade
ventricular (fenómeno da hidroencefalocrinia de Collin)
 Alguns órgãos ependimários do 3º ventrículo desempenham um papel activo
nos fenómenos endócrinos encefálicos
 Estes órgãos ependimários ou glândulas neurócrinas do encéfalo são três:
o Órgão subcomissural (verde) – formado por epitélio ependimário da face
inferior/ventricular da comissura branca posterior
o Órgão subfornical (azul) – situado entra os buracos de Monro, por cima do
quiasma óptico, ao nível da parede anterior do 3º ventrículo
o Órgão paraventricular (vermelho) – porção de epêndima que recobre o núcleo paraventricular
 Estes órgãos estão, então, localizados à entrada e saída do 3º ventrículo e produzem uma substância colóide
 Também se identifica no 4º ventrículo, à frente do nódulo do cerebelo, um quarto órgão ependimário, denominado
de órgão subnodular.
 Fibra de Reissner – relacionada com o órgão subcomissural, fixando-se este órgão. Depois, atravessa o aqueduto de
Sylvius, o 4º ventrículo e o canal central da medula espinhal até à sua extremidade inferior (seio terminal). Pensa-se
que esta fita seja uma condensação da secreção do órgão subcomissural que se estira progressivamente, flutuando no
LCR. O seu papel não é passivo, participando na destoxificação e nas actividades enzimáticas do LCR que a rodeia.
 O epêndima não só apresenta uma superfície secretora como também uma superfície receptora sensitiva,
representando o lugar de elaboração e de propagação de estímulos. Assim se explicam todos os fenómenos clínicos
vegetativos (sonolência, diminuição da frequência cardíaca, vómitos, etc.) resultantes da hipertensão ventricular.

61
CONFIGURAÇÃO INTERNA DO TELENCÉFALO

 O telencéfalo é constituído por substância cinzenta (córtex cerebral + núcleos da base) e por substância branca
 Além disso, cada hemisfério é escavado por um espaço diverticular do canal central (ventrículos laterais).

Telencéfalo

Substância Cinzenta Substância Branca

Córtex Cerebral Núcleos da Base

Núcleo Accumbens Núcleo Caudado Núcleo Lenticular Corpo Amigdalino Claustrum

Corpo Estriado

Núcleos da Base

Corpo Estriado
 Situado externamente ao tálamo
 Quase completamente dividido pela cápsula interna em 2 núcleos:
o Núcleo Caudado
o Núcleo Lenticular

 Apresenta uma aparência estriada devido às fibras de substância cinzenta que


atravessam a cápsula interna para unir estes 2 núcleos (fibras opto-estriadas ou
inter-estriadas)

Núcleo Caudado
 Imediatamente externo ao tálamo, ao qual adere.
 Relaciona-se ao longo do seu trajecto com o ventrículo lateral
 Descreve, em torno do tálamo e da cápsula interna uma curva num plano para-sagital em forma de ferradura de
cavalo com concavidade anterior e com os seus dois extremos orientados para a frente (um superior e outro inferior).
 3 porções:
o Cabeça – porção ântero-superior mais dilatada, larga e
arredondada. Forma a parede externa do corno anterior
do ventrículo lateral respectivo. Contínua inferiormente
com o putamen do núcleo lentiforme. Logo acima desse
ponto de união, fibras de substância cinzenta passam
através da cápsula interna, dando à região uma aparência
estriada.
o Corpo – porção mais fina e comprida, continua com a
cabeça na região do buraco interventricular (de Monro).
Forma parte do pavimento do corpo do ventrículo lateral.
62
o Cauda – comprida e fina, continua o corpo do núcleo caudado ao nível da região da extremidade posterior do
tálamo. Segue o contorno do ventrículo lateral e continua para a frente, repousando sobre o tecto do corno
inferior do ventrículo lateral. Termina anteriormente no núcleo amigdalino.
 Os dois extremos da curva formada pelo núcleo caudado estão muito próximos entre si, até ao ponto em que esta
estrutura constitui um anel quase completo, apenas aberto em baixo/frente.
 No núcleo caudado descrevem-se 2 faces, 2 bordos e 2 extremidades

Face ventricular ou livre


 Convexa
 Relacionada com o ventrículo lateral e coberta apenas por epitélio ependimário.
 Pode dividir-se em 3 segmentos
o Segmento superior - constitui a parte anterior e externa do pavimento do corno frontal do ventrículo lateral. A
parte interna do pavimento do ventrículo é formada pelo tálamo;
o Segmento médio - corresponde à porção central do ventrículo lateral (trígono colateral ou carrefour)
o Segmento inferior - coberto por uma camada fina de substância branca, forma parte do tecto do corno temporal
do ventrículo lateral.

Face aderente
 Côncava
 Na cabeça e corpo do núcleo caudado relaciona-se com a cápsula interna.
 Na cauda está separada do núcleo lenticular por uma lâmina sublenticular de substância branca (porção sublenticular
da cápsula interna).

Bordo interno
 Apresenta relações diferentes nos 3 segmentos do núcleo caudado:
o Segmento superior – contorna por fora a face superior do tálamo. O
sulco talamoestriado/ opto-estriado, visível sobre o pavimento do
corno frontal do ventrículo lateral separa o tálamo do núcleo caudado.
Este sulco é atravessado por 3 estruturas sobrepostas, de superficial
para profundo: lâmina córnea, que forma parte de uma lâmina delgada
denominada lâmina afixa; a veia talamoestriada superior; a fita
semicircular/stria terminalis
o Segmento médio - relaciona-se com a extremidade posterior do
tálamo. É atravessado pela fita semicircular/stria terminalis
o Segmento inferior - também relacionado com a fita semicircular/ stria terminalis, que segue o bordo interno do
núcleo caudado em toda a sua extensão até ao corpo amigdalino.

Bordo externo
 Forma, na porção superior do núcleo, o limite superior da cápsula interna (localiza-se na união da cápsula interna e
da coroa radiata).

Extremidade ântero-superior
 Muito próximo à extremidade ântero-superior do núcleo caudado contralateral, estando apenas separados pelo septo
pelúcido.
 Relaciona-se, em cima, com a extremidade anterior do corno frontal do ventrículo lateral e, à frente, com a
substância branca do lóbulo frontal;
 Em baixo, torna-se quase superficial e determina, na área da substância perfurada anterior, uma eminência
denominada colículo do núcleo caudado.

Extremidade ântero-inferior
 Termina na extremidade anterior do corno temporal do ventrículo lateral, imediatamente atrás ao corpo amigdalino.

63
Núcleo Lenticular
 Massa de substância cinzenta com forma piramidal, cuja ampla
base convexa é externa e cuja extremidade afilada é interna.
 Localizado profundamente na substância branca do hemisfério
cerebral
 Relaciona-se por dentro com a cápsula interna, que a separa do
núcleo caudado e tálamo.
 Externamente relaciona-se com a cápsula externa, que a separa
do claustrum.
 Menos longo que o núcleo caudado, sendo ultrapassado por
este, quer à frente, quer atrás.
 Estende-se ao longo de 5 cm.
 Num corte coronal, tem forma triangular e apresenta 3 faces, 3 bordos e 2 extremidades:
o Face externa - separada do córtex da ínsula pela cápsula externa, claustrum e cápsula extrema.
o Face súpero-interna - corresponde, em toda a sua extensão, à cápsula interna. A extremidade anterior desta face
está ligada à cabeça do núcleo caudado por substância cinzenta
o Face inferior - olha para baixo e está separada do corno inferior do ventrículo lateral pela porção sublenticular
da cápsula interna e pela cauda do núcleo caudado.
o Bordos superior e inferior – convexos, vão da extremidade anterior à extremidade posterior do núcleo.
o Bordo interno - tem a forma de um ângulo obtuso saliente internamente que corresponde ao joelho da cápsula
interna.
o Extremidade posterior – livre
o Extremidade anterior – unida à extremidade anterior do núcleo caudado por uma lâmina de substância cinzenta.
A extremidade anterior do putamen está também unida à extremidade da cauda do núcleo caudado por uma
lâmina de substância cinzenta – pedúnculo do núcleo lentiforme

Configuração interior
 Dividido em 3 segmentos por 2 lâminas verticais
de substância branca: as lâminas medulares
externa e interna.
 Dos 3 segmentos, o externo é o mais volumoso e
apresenta-se mais escuro (cinzento) – putamen.
 Internamente a este, os segmentos intermédio e
interno formam o globus pallidus, uma porção
mais clara devido à existência de numerosas fibras
mielinizadas que atravessam esta porção.
 O globus pallidus existe apenas na parte média do núcleo lentiforme, estando saliente para dentro.
 Ao nível das extremidades anterior e posterior só observamos o putamen.

Claustrum
 Núcleo periférico
 Fina camada de substância cinzenta
 Estende-se verticalmente entre o córtex da ínsula e a face externa do núcleo lenticular.
 Separada do núcleo lenticular pela cápsula externa.
 Por fora do claustrum fica a cápsula extrema, que a separa do córtex (substância cinzenta) da ínsula.
 A função deste núcleo é desconhecida.

64
Núcleo Amigdalino
 Forma de amêndoa, daí o nome
 Integra o sistema límbico
 À frente/cima do vértice do corno inferior do ventrículo lateral
 À frente da cauda do núcleo caudado, com a qual se funde
 Estende-se, a partir da sua face interna até à porção inferior do
córtex do lobo temporal, perto do úncus.
 A fita semicircular/stria terminalis emerge da vertente posterior
deste núcleo
 4 núcleos agrupados em 2 grupos nucleares:
o Grupo cortico-interno (filogeneticamente mais antigo) – núcleo cortical +
núcleo central
o Grupo basolateral (filogeneticamente recente) – núcleo basal + núcleo lateral
 O córtex periamigdalóide e a metade cortico-interna do corpo amigdalino pertencem ao córtex olfactivo primário
 Portanto, o corpo amigdalino é visto como uma parte do córtex e como um núcleo da base imerso na substância
branca.
 Através das suas conexões pode influenciar a resposta do corpo a mudanças ambientais (por exemplo, perante o
medo, altera a frequência cardíaca, pressão arterial, respiração, etc.)

Núcleo Accumbens
 Colecção de neurónios presente no striatum ventral (núcleo accumbens +
tubérculo olfactivo formam o striatum ventral)
 Localizado onde a cabeça do núcleo caudado e a porção anterior do putamen se
unem, imediatamente por fora do septo pelucidum
 Considerado o centro do prazer, estando associando aos fenómenos de
recompensa e de adição de drogas. Parece desempenhar um papel igualmente
importante nos fenómenos do riso, agressividade, medo e efeito placebo.
 Recebe uma das vias dopaminérgicas do cérebro (via mesolímbica),
proveniente da área tegmental ventral (área situada/frente da substância nigra,
no tegmentum mesencefálico)

Aspectos Funcionais dos Núcleos da Base

 Em termos descritivos, o corpo estriado é constituído pelo núcleo caudado e pelo núcleo lenticular (putamen +
globus pallidus)
 Numa perspectiva funcional e embriológica divide-se o corpo estriado da seguinte forma:
o Neostriatum/ Striatum – núcleo caudado + putamen (com origem na vesícula telencefálica)
o Paleostriatum – globus pallidus (com origem na vesícula diencefálica, forma-se mais cedo)
 O striatum constitui o principal local receptor dos inputs para os núcleos da base
 O globus pallidus é o principal local de onde partem as eferências dos núcleos da base
 Os núcleos da base não recebem aferências directas da medula espinhal. Da mesma forma, também não enviam
eferências directas para a medula.
 As ligações dos núcleos da base com os diversos elementos do SNC podem esquematizadas através do chamado
“circuito motor” (ver página seguinte)
 O “circuito motor” tem sido considerado o mais importante na patogénese das doenças do movimento, incluindo a
Doença de Parkinson, distonia, hemibalismo e a coreia de Huntington.

65
CÓRTEX

2
D2 STRIATUM D1 TÁLAMO

6
3 3 4
5
SNr

GPe 5 TC

NÚCLEOS
GPi/SNr
SUBTALÂMICOS 7
7

A Substância Nigra (SN), para efeitos funcionais/fisiológicos, divide-se numa porção compacta (SNc) e numa reticulata (SNr) – com
funções semelhantes ao GPi. A pars compacta é formada por neurônios que contém melanina (o pigmento que lhe confere a cor negra), têm
como neurotransmissor dopamina e projetam-se para o striatum (fibras nigro-estriadas), podendo excitá-lo ou inibi-lo, dependendo do
receptor dos neurônios pós-sinápticos (D1 excita e D2 inibe). A pars reticulata é formada por neurónios inibitórios GABAérgicos, cujos
axónios têm grande número de colaterais que possibilitam um largo território de acção. Eles estendem-se ao striatum (fibras nigro-
estriadas), colículo superior (fibras nigro-tectais) e núcleo tegmental peduncular pontino (fibras nigro-pedúnculopontinas). Eles inibem
tonicamente as suas conexões-alvo e constituem uma importante influência sobre outros centros motores.
Legenda: GPe – globus pallidus externo; GPi – globus pallidus interno; TC – tronco cerebral

 Os núcleos da base, especificamente o corpo estriado, apresentam várias conexões aferentes e ferentes que permitem
estabelecer a ligação com diversas estruturas do SNC:

Fibras Aferentes do Striatum


Número Fibras Origem Destino Neurotransmissor
Todo o neocórtex (maioria
Complexo núcleo
1 Cortico-estriadas homolateral). Maior input
caudado + putamen
Glutamato (+)
sensório-motor
Núcleos intralaminares e Complexo núcleo
2 Tálamo-estriadas
dorsal interno caudado + putamen
-------
Substância Nigra Complexo núcleo
3 Nigro-estriadas
compacta caudado + putamen
Dopamina (+/-)
Troncocerebro- Tronco Cerebral (núcleo Complexo núcleo
4 estriadas dorsal da rafe) caudado + putamen
Serotonina (–)

Fibras Eferentes do Striatum


Número Fibras Origem Destino Neurotransmissor
Complexo núcleo caudado
5 Estriato-palidais
+ putamen
Globus Pallidus GABA (–)
Complexo núcleo caudado GABA, ACh e
6 Estriato-nigrais
+ putamen
Substância Nigra
Substância P (–)

Fibras Aferentes do Globus Pallidus


Número Fibras Origem Destino Neurotransmissor
Complexo núcleo caudado
5 Estriato-palidais
+ putamen
Globus Pallidus GABA (–)

 O globus pallidus recebe ainda fibras glutaminérgicas provenientes dos núcleos subtalâmicos, com um tónus
excitatório.

66
Fibras Eferentes do Globus Pallidus
Número Fibras Origem Destino Neurotransmissor
Alça lenticular* Tálamo
Região Subtalâmica
Feixe lenticular*
+ Tálamo
7 Pallido-fugais Fibras pallido- Globus Pallidus Tegmentum --------
tegmentais inferior do TC
Fibras pallido- Núcleos
subtalâmicas Subtalâmicos
*Alça lenticular + Feixe lenticular = Feixe talâmico (dirige-se para o tálamo)

 O tálamo influencia o córtex positivamente (e vice-


versa), no sentido de que este execute uma acção
 Contudo, o globus pallidus interno exerce uma influência
inibitória sobre o tálamo, impedindo que este exerça a
sua acção sobre o córtex (impede a execução da acção).
 Existem 3 vias associadas a este controlo/planeamento do
corpo estriado sobre a acção motora ao nível do córtex:
o Direct Pathway (GO): Córtex  Striatum  GPi 
Tálamo  Córtex. Esta via está relacionada com
neurónios espiculados do Striatum com respostas
dopaminérgicas excitatórias (D1). Quando esta via
está activa, favorece a realização da acção pelo córtex
cerebral.
o Indirect Pathway (NO GO): Córtex  Striatum 
GPe  GPi  Tálamo  Córtex. Esta via está
relacionada com neurónios espiculados do Striatum com possíveis respostas dopaminérgicas inibitórias (D2).
Quando esta via está activa, impede a realização da acção pelo córtex cerebral
o Hiperdirect Pathway (Global NO GO): Córtex  Núcleos Subtalâmicos  GPi  Tálamo  Córtex. Esta via,
mais directa que a anterior, também impede a realização de uma acção ao nível do córtex.
 O globus pallidus (GPe e GPi) apresenta-se tonicamente activo
 Em condições normais, isto é, quando não está a ocorrer o planeamento de uma acção, o GPe não inibe totalmente o
GPi (este fenómeno permite que nós, quando não estamos a pensar executar uma acção motora, estejamos quietos,
sem realizar movimentos involuntários)
 Quando o GPi é inibido, este não vai conseguir inibir o tálamo e, por sua vez, o tálamo vai influenciar positivamente
o córtex, no sentido da realização da acção.
 Quando o GPi não é inibido ou é estimulado, este vai inibir o tálamo e, por sua vez, o tálamo não vai influenciar
positivamente o córtex cerebral (a acção não se realiza).

Como é que os núcleos da base decidem qual a acção a ser realizada?


 Os neurónios dopaminérgicos da Substância Nigra compacta são considerados de acção mista, apresentando-se
tonicamente activos.
 Estes neurónios disparam mais potenciais de acção perante estados de recompensa/ excitação.
 Perante um castigo, estes neurónios diminuem a sua acção dopaminérgica
 O striatum apresenta dois tipos de receptores para estes neurónios dopaminérgicos da Substância Nigra:
o Receptores D1 – excitatórios, presentes nos neurónios da via directa
o Receptores D2 – inibitórios, presentes nos neurónios da via indirecta
 Perante uma acção recompensadora, há um aumento da dopamina no striatum que tende a favorecer a via directa
 Perante uma acção castigadora, os níveis de dopamina diminuem, levando a uma estimulação da via indirecta, que se
sobrepõem à via directa (a pessoa aprende a não executar aquela acção).
 Os níveis elevados de dopamina relacionam-se com as vias de reforço positivo e favorecem a via directa, isto é, a
execução da acção.

67
 Os níveis reduzidos de dopamina relacionam-se com as vias de reforço negativo, estimulando a via indirecta, isto é,
a não execução da acção
 Assim, os núcleos da base “aprendem” a seleccionar as melhores acções (fenómeno de aprendizagem), através deste
mecanismo de plasticidade neuronal.
 Os núcleos basais estão agrupados e comunicam com muitas regiões diferentes do sistema nervoso (córtex, tálamo,
tronco cerebral, subtálamo)
 O corpo estriado (striatum + globus pallidus) recebe informação aferente da maioria do córtex cerebral, tálamo,
subtálamo e tronco cerebral, incluindo a substância nigra. A informação é integrada dentro do corpo estriado e o
escoamento dos núcleos de base é canalizado através do globus pallidus, que influencia depois as actividades
motoras do córtex cerebral e de outros centros motores do tronco cerebral.
 Os núcleos da base são modulares das respostas motoras, funcionando como
“barragens” da informação motora. Ajudam a seleccionar a resposta óptima
num determinado contexto.
 Controlam os movimentos musculares, influenciando o córtex cerebral, e não
têm controlo directo nas vias descendentes para o tronco cerebral e medula
espinhal.
 Desta forma, os núcleos basais auxiliam na regulação dos movimentos
voluntários e na aprendizagem das capacidades motoras.
 Escrever as letras do alfabeto, desenhar um diagrama, passar uma bola de
futebol, usar as cordas vocais na fala ou no canto e usar os músculos dos
olhos quando se olha para um objecto são alguns dos exemplos onde os
núcleos de base influenciam as actividades motoras corticais adquiridas.
 A destruição do córtex cerebral motor primário impede o individuo de
realizar movimentos discretos finos das mãos e pés do lado oposto do corpo. Contudo, o individuo é ainda capaz de
realizar movimentos grossos dos membros contralaterais. Se o corpo estriado for danificado, a paralisia dos restantes
movimentos do lado oposto ocorre.
 Os núcleos de base não só influenciam a execução de um movimento particular mas também ajudam a preparar o
movimento. Isto pode ser alcançado controlando movimentos axiais do corpo e a posição das partes proximais dos
membros.
 A actividade em certos neurónios do globus pallidus aumenta antes da realização dos movimentos activos nos
músculos distais dos membros. Esta função preparatória permite ao tronco e membros se posicionarem no sítio certo
antes da parte motora primária do córtex cerebral activar os movimentos discretos nas mãos e pés.

Correlações Clínicas dos Núcleos da Base

 Os núcleos basais, em conexão com algumas áreas do córtex e do tálamo, gerem a programação e a execução do
movimento. Estes núcleos estabelecem ligações entre si por intermédio dos circuitos neuronais já explicados.
 A falência ou hiperactividade destes circuitos leva a perturbações do movimento, isto é, síndromas hipercinéticas,
hipocinéticas ou síndromas mistas:
o Distúrbios hipercinéticos – são aqueles em que existem movimentos involuntários, excessivos e anormais (ex:
coreias, atetose, hemibalismo, o tremor e a distonia)
o Distúrbios hipocinéticos – são os que se caracterizam pela diminuição de amplitude, velocidade ou frequência de
movimentos, como é o caso da doença de Parkinson.
o Distúrbios mistos – são aqueles em que existe em simultâneo movimentos excessivos/anormais e lentidão de
movimentos.
 O mesmo doente pode ter simultaneamente vários tipos de movimentos, tais como movimentos coreicos e tremor.
 O compromisso progressivo dos neurónios que constituem os núcleos basais origina doenças que se caracterizam por
alteração da capacidade motora, mas também perturbações vegetativas e cognitivas.

68
Coreia de Huntington
 Doença neurodegenerativa hereditária associada a uma a uma expansão do tripleto CAG (codifica o aminoácido
glutamina) na sequência de um gene que codifica a proteína huntingtina (braço curto cromossoma 4), cuja função se
desconhece.
 A transmissão é autossómica dominante, com uma penetrância total, pelo que o filho de um indivíduo doente tem
50% de probabilidade de vir a ter a doença.
 Esta doença tem uma prevalência estimada de entre 4-10 doentes por 100 000 habitantes. Afecta homens e mulheres
de forma equitativa
 Os sinais e sintomas da doença têm início habitualmente entre os 35 e os 50 anos e caracterizam-se pelo
aparecimento de movimentos involuntários do tipo coreico associados a alterações do comportamento e
alterações cognitivas de tipo demencial.
 As coreias caracterizam-se por movimentos irregulares/aberrantes, rápidos, bruscos e involuntários não repetitivos
que podem envolver a face, os membros e o tronco.
 Frequentemente, antes da valorização dos sinais motores e comportamentais existe uma fase prodrómica em que os
doentes apresentam sintomas subtis, descritos pela família como alteração da personalidade, defeito de memória
ligeiro, um comportamento desajeitado e movimentos de tipo coreico discretos.
 Posteriormente, os movimentos coreicos, inicialmente incorporados na execução de movimentos intencionais,
tornam-se progressivamente mais evidentes e mais incapacitantes, associando-se a uma alteração da marcha (tipo
“dançarino”), a movimentos involuntários das extremidades e espasmos faciais, a instabilidade postural e a quedas.
Com a progressão da doença, mais grupos musculares são afectados até o doente ficar imóvel e incapaz de falar ou
engolir.
 Entre os sintomas comportamentais encontram-se a irritabilidade, o delírio persecutório, o comportamento
obsessivo-compulsivo, a agitação, ansiedade e depressão.
 De igual forma, as alterações cognitivas de tipo demencial fazem parte das alterações cardinais da doença de
Huntington. Estas incluem alteração da memória e atenção, progredindo para um quadro demencial moderado a
severo.
 Há uma degeneração da via inibitória estriato-nigral, gerando uma
hiperactividade dos neurónios dopaminérgicos da Substância
Nigra, estimulando constantemente a via directa.
 Esta estimulação resulta nos movimentos anormais observados
nesta doença (devido à incapacidade de se inibir uma acção)
 Imagens de TC mostram os ventrículos laterais aumentados
devido à degeneração do núcleo caudado.

Coreia de Sydenham
 Doença infantil caracterizada por movimentos irregulares e rápidos dos membros, face e tronco
 Associada à febre reumática
 Os antigénios estreptocócicos apresentam estrutura semelhante às proteínas presentes nas membranas dos neurónios
do corpo estriado
 Os anticorpos do hospedeiro atacam não só as bactérias estreptocócicas mas também as membranas dos neurónios
dos núcleos da base.
 Isto resulta na produção de movimentos coreiformes
 Doença transitória, podendo-se obter recuperação total

Hemibalismo
 Tipo de movimento involuntário confinado a apenas uma metade do corpo
 Envolve a extremidades proximais da musculatura dos membros
 Membros com movimentos abruptos, amplos e involuntários em todas as direcções
 Pode ocorrer na sequência de um pequena lesão vascular (trombose, AVC) ao nível do núcleo subtalâmico
contralateral ou das suas conexões.

69
Doença de Parkinson (DP)
 Doença do movimento progressiva associada a uma degenerescência
neuronal de um grupo de células que constituem um núcleo de substância
nigra.
 O exame microscópico da substância nigra revela perda de células
dopaminérgicas e presença de corpos de Lewy – corpos redondos com
inclusões citoplasmáticas eosinófilas que têm uma palidez periférica em
forma de rim.
 A DP predomina na raça caucasiana, tem uma prevalência em Portugal de
1,5/1000 habitantes, sendo esta ligeiramente maior nos homens do que nas As áreas vermelhas indicam os níveis de
mulheres. dopamina

 Os sintomas parkinsónicos tendem a começar a partir dos 45-55 anos.


 A causa de DP continua desconhecida, no entanto algumas hipóteses têm sido levantadas:
o Predisposição genética – recentemente foram encontradas formas familiares (DP monogénica) atribuídas a
variadas mutações genéticas, nomeadamente na α-sinucleína (PARK1), na ubiquitina e noutras proteínas (PARK
2 a 17). Contudo, estas formas monogénicas são apenas um número reduzido comparado com o universo da DP
idiopática
o Factores ambientais – em 1982, um grupo de indivíduos que utilizava heroína sintética MPTP (1-metil 4-fenil
1,2,3,6-tetrahidropiridina) e que vieram a desenvolver um quadro de parkinsonismo. O MPTP foi identificado
como o agente causador. Esta molécula, no entanto, é muito semelhante à molécula do paraquat, um composto de
alguns herbicidas e pesticidas (de facto, posteriormente verificou-se que o maior número de casos de DP
ocorriam em zonas industriais e agrícolas onde as pessoas estavam expostas a toxinas industriais e herbicidas
sintéticos). O MPTP é captado pelos astrócitos do cérebro e é oxidado em MPP+; por sua vez, este é captado
pelos neurónios e, dentro da mitocôndria inibe o complexo I. A alteração do complexo I na substância nigra pode
contribuir para a produção de radicais livres e, desse modo, causar uma lesão oxidativa.
 Actualmente, pensa-se que não existe uma causa única para a DP, sendo que vários factores genéticos, ambientais e
xenobióticos combinados originam a doença.

Sinais e Sintomas do Parkinsonismo (inclui-se a DP)


 Os sintomas cardinais do parkinsonismo são a bradicinesia, o tremor de repouso, a rigidez e a instabilidade postural.
 Existe alguma discrepância na classificação da DP como distúrbio hipocinético ou misto: a DP caracteriza-se pela
presença de distúrbios hipocinéticos (bradicinesia, rigidez) e hipercinéticos (tremor de repouso). Contudo, o
principal sintoma da DP é a bradicinesia, ou seja, a sua componente hipocinética – daí resulta esta divergência na
classificação.
 Sinais e sintomas característicos:
o Bradicinesia – é a diminuição da velocidade e amplitude do movimento. Este é hoje considerado o sintoma
cardinal da DP, sem o qual não se considera estarmos perante uma síndroma parkinsónica.
o Tremor – o tremor típico da DP é o tremor de repouso, assim designado porque está presente quando o
indivíduo tem o segmento do corpo que apresenta tremor em repouso).Este tremor desaparece durante o sono. O
doente apresenta um tremor que geralmente começa nos membros superiores e mais raramente nos membros
inferiores. Nos estádios precoces da doença o tremor é inconstante e torna-se mais evidente nas situações de
stress físico e emocional.
o Rigidez – corresponde a aumento do tónus muscular, surgindo nas lesões extrapiramidais ( ver capítulo de vias
descendentes). É uma hipertonia que oferece à mobilização passiva uma resistência uniforme, que não varia com o
tipo de movimento efectuado, mas é mais evidente quando a velocidade de pesquisa do movimento é mais lenta.
Um fenómeno semiológico característico da síndrome parkinsónica é o sinal da roda dentada: quando se
imobiliza passivamente uma articulação encontra-se uma resistência intermitente e regular, como se fosse
devida aos dentes de uma roda. Se existir tremor, este sinal torna-se mais notável. Muitas vezes esta rigidez é
assimétrica e, neste caso, é um elemento importante no diagnóstico de DP. Uma manobra útil para intensificar a
rigidez do movimento consiste em pedir ao doente para contar dedos com uma das mãos, enquanto se pesquisa
a rigidez no membro oposto – sinal de Froement.

70
o Instabilidade Postural – revela-se pela dificuldade no equilíbrio e pela ocorrência de quedas frequentes. É um
sinal de agravamento na evolução da doença. O doente apresenta uma marcha parkinsónica: o doente levanta-se
inclinado e com os braços flectidos, caminha com pequenos passos e normalmente não consegue parar.
o Outros sinais podem fazer parte do quadro clínico:
 Amimia – falta de expressão facial que o doente apresenta (poker face)
 Seborreia, sialorreia, sudorese marcada, obstipação e disfunção do foro urinário – são sintomas
neurovegetativos que acompanham a doença, geralmente numa fase mais avançada.
 Depressão – presente em 30-50% dos casos
 Problemas do sono – desde insónia inicial (dificuldade em adormecer), insónia intermédia (dificuldade em
manter o sono, com despertares nocturnos) e sonolência diurna
 Defeito cognitivo – surge nas fases mais avançadas da DP.
 A DP e as outras síndromes parkinsónicas são patologias que afectam as vias extrapiramidais e como tal, os reflexos
abdominais estão normais, não há sinal de Babinski e os reflexos ósteo-tendinosos estão normais (uma vez que os
tractos piramidais estão normais). Não há perda da força muscular ou da sensibilidade.

Teoria proposta para a explicação da sintomatologia da DP


 A degenerescência dos neurónios da substância nigra resulta numa redução da libertação de dopamina para o
striatum, favorecendo a via indirecta – distúrbios hipocinéticos.
 Esta redução gera uma hipersensibilidade dos receptores de dopamina nos neurónios pós-sinápticos do striatum
(principalmente aqueles com os receptores D1, da via directa). Isto faz com que, quando há um pico de esforço dos
neurónios sobreviventes da substância nigra (para compensar a perda dos outros neurónios), a via directa seja
hiperestimulada, resultando nos distúrbios hipercinéticos (tremores).

Doença de Parkinson vs Parkinsonismo – Diagnóstico Diferencial


 Há dezenas de patologias que cursam com parkinsonismo (presença de sinais e sintomas parkinsónicos). A DP
corresponde à maioria dos casos (65%), e 25% são outras formas neurodegenerativas; e os restantes 10%
correspondem aos parkinsonismos iatrogénico/medicamentoso, traumático, pós-infeccioso, vascular, etc.
o Parkinson pós-encefalítico – devido a uma encefalite viral que lesa os núcleos da base
o Parkinson iatrogénico – associado principalmente ao uso de antipsicóticos “clássicos” , que bloqueiam os
receptores D2 no Striatum, gerando um quadro clínico semelhante à DP. Os sintomas podem aparecer ao fim de
dias, meses ou até anos após o início do tratamento, e podem persistir anos após a suspensão do fármaco. Outros
fármacos que podem causar parkinsonismo são os de análogos da meperidina (opiáceo), os inibidores dos canais
de cálcio (flunarizina, cinarizina, nimodipina) e alguns antiepilépticos (valproato de sódio). O envenenamento
por monóxido de carbono e manganês também pode dar sintomas parkinsónicos.
o Parkinson vascular – comum em doentes hipertensos.

Tratamento
 A doença de Parkinson pode ser tratada recorrendo a medidas que aumentem os níveis de dopamina no SNC. Assim,
a terapêutica da DP pode ser médica e/ou cirúrgica.
 A dopamina não consegue atravessar a barreira hemato-encefálica e, por isso, dá-se um percursor (Levo-dopa).
 A L-Dopa tem muitos efeitos colaterais, porque é metabolizada à periferia pela dopa-descarboxilase, sendo
transformada em dopamina ao nível dos vários órgãos. Pode causar náuseas, vómitos, hipotensão arterial severa, etc.
Assim, associou-se à L-Dopa um inibidor da dopa-descarboxilase (carbidopa ou benzerazida) que não atravessa a
barreira hematoencefálica e, por essa razão, para além de estarem controladas as acções colaterais, não está impedida
a transformação da L-Dopa em dopamina no SNC.
 O tratamento com L-Dopa está associado a três fenómenos:
o Wearing-off: é a sensação que o doente tem de que a toma anterior de L-Dopa deixou de fazer efeito. Está
relacionada com a vida média da L-Dopa e a disponibilidade que os neurónios têm de a transformar em
dopamina
o Delayed-on: a L-Dopa demora mais de 30 min desde a sua toma até o doente começar a sentir o seu efeito. Está
relacionada com a capacidade d esvaziamento gástrico e com a capacidade d e absorção.

71
o Movimentos Involuntários/ Discinesias: ocorrem em cerca de 50% dos doentes tratados com L-Dopa ao fim de
3 anos de tratamento, e em 90% ao fim de 5 anos. São movimentos coreicos, por vezes assimétricos, que podem
manifestar-se como esgares faciais, rotações do tronco, das extremidades ou do pescoço. Estes movimentos
podem ocorrer quando a dose máxima de L-Dopa foi absorvida (discinesias de pico de dose) ou podem aparecer
no intervalo entre as várias doses.
 Como terapêuticas médicas alternativas à L-Dopa podemos usar inibidores da COMT (entacapone) e da MAO B
(selegilina e rasagilina). Quer a MAO, quer a COMT são enzimas que intervêm no catabolismo da dopamina.
Também podem ser usados anticolinérgicos (melhoram a rigidez e o tremor, mas não resolvem a bradicinesia) e
antagonistas do glutamato (controlo das discinesias motoras)
 À medida que a doença progride e o tempo da terapêutica médica, a janela terapêutica estreita-se e a dose de L-Dopa
que controla os sintomas é sobreponível à que causa discinesias incomodativas e problemas comportamentais. Ou
seja, temos um aumento das flutuações motoras e um menor controlo dos sintomas motores com o aumento da
duração da terapêutica.
 Nesta altura, a doença é considerada medicamente intratável e é aqui que a terapêutica cirúrgica pode ter um lugar
importante. Esta pode consistir em:
o Transplantação de células da medula supra-renal, de neurónios fetais de mesencéfalo (substância nigra) e de
outras células com capacidade de diferenciação e produção de dopamina. Embora as células implantadas
possam crescer e estabelecer sinapses activas com os neurónios locais, não conduzem a melhoria clínica
significativa. Pelo contrário, são frequentes as complicações motoras associadas.
o Cirurgia Estereotáxica: esta pode ser lesional ou de estimulação (deep brain stimulation). A cirurgia lesional é
definitiva e não pode ser modulada, ao contrário da de estimulação, em que se coloca um eléctrodo que pode
estimular um alvo de diferentes modos. São consideradas terapêuticas estabelecidas a estimulação do núcleo
subtalâmico e do GPi no tratamento da DP avançada.

Atetose
 Movimentos lentos, sinuoso e de contorção dos segmentos distais dos membros
 Doença devida à degenerescência do globus pallidus, com a quebra dos circuitos
que ligam os núcleos basais até ao córtex (através do tálamo)

Substância Branca Contorção dos dedos, fenómeno típico


de um individuo com atetose

 Vai separar o córtex dos núcleos cinzentos centrais


 Tem a forma de um leque de fibras, as quais vão começar a
partir dos espaços em torno dos núcleos cinzentos centrais
para, no final atingirem o córtex cerebral. Esta disposição tem
o nome de coroa radiada de Reil
 Podemos considerar a existência de 2 zonas:
o Região de Concentração – corresponde às cápsulas
interna, externa e extrema. Encontra-se entre os núcleos
cinzentos centrais, sendo o local onde as fibras brancas se
juntam para conseguirem atingir os andares inferiores.
o Região de dispersão – corresponde ao centro oval de
Vieussens, localizado entre o córtex e os núcleos
cinzentos centrais.
 As fibras brancas podem pertencer a vários sistemas funcionais:
o Fibras Comissurais – fibras inter-hemisféricas, correspondem a comissuras entre os 2 hemisférios (corpo caloso,
fórnix, comissura branca anterior e comissuras diencefálicas).
o Fibras de Associação – fibras que ligam várias regiões corticais dentro do mesmo hemisfério (intra-
hemisféricas). Podem ser curtas ou longas.
o Fibras de Projecção – meio de ligação entre o córtex, os núcleos cinzentos centrais, centros subcorticais
(medula, tronco cerebral, etc.) Podem ser fibras ascendentes /aferentes ou descendentes/eferentes.

72
Cápsulas
 Localizadas entre os núcleos cinzentos centrais
 Zonas de concentração
 Todas as fibras de projecção têm que passar por estas
cápsulas
 Três cápsulas:
o Cápsula Interna
o Cápsula Externa – entre o núcleo lenticular (por dentro) e
o claustrum (por fora)
o Cápsula Extrema – entre o claustrum (por dentro) e o
córtex da ínsula (por fora)

Cápsula Interna
 Relacionada externamente com o núcleo lenticular e internamente com o núcleo caudado (à frente) e o tálamo (atrás)
 Devido ao ângulo obtuso presente na face súpero-interna do núcleo lenticular, a cápsula interna vai ser dividida num
braço anterior, num joelho e num braço posterior
 No todo, a cápsula interna divide-se em 5 sectores:
o Braço anterior – entre a face ântero-interna do núcleo lenticular e a cabeça do núcleo caudado. Dá acesso ao
pedúnculo anterior (ântero-externo) do tálamo, a nível interno, e ao lobo frontal, por uma abertura anterior.
o Joelho – localizado no bordo interno do núcleo lenticular. Corresponde ao ângulo formado entre a cabeça do
núcleo caudado e o tálamo
o Braço posterior – entre a porção posterior da face súpero-interna do núcleo lenticular e a porção posterior do
tálamo
o Segmento retro-lenticular – posteriormente ao núcleo lenticular
o Segmento infra-lenticular – abaixo do núcleo lenticular, sobrepondo a zona infra-opto-estriada
 Os braços e o joelho da cápsula interna são atravessados pelas fibras inter-estriadas ou opto-estriadas, que ligam o
núcleo caudado ao núcleo lenticular.

Fibras da Cápsula Interna


 As fibras que atravessam a cápsula interna organizam-se da seguinte
forma:
PORÇÃO DA CÁPSULA FIBRAS
Plano externo: fibras fronto-ponto-cerebelosas
Braço Anterior
Plano interno: pedúnculo anterior do tálamo
Joelho Feixe geniculado (cortico-nuclear)
Plano externo – fibras cortico-espinhais e parieto-ponto-
Braço Posterior cerebelosas
Plano interno: pedúnculo superior do tálamo
Plano Superior: fibras temporo-ponto-cerebelosas de Turk-
Meynert e pedúnculo infero-externo de Arnold do tálamo
Porção Sublenticular
Plano inferior: pedúnculo ínfero-interno (feixe olfactivo de
Edinger)
Porção Radiações ópticas de Gratiolet (pedúnculo posterior do
Retrolenticular tálamo) e fibras occipito-ponto-cerebelosas

Correlações Clínicas
 A cápsula interna é atingida por distúrbios vasculares encefálicos
 A causa mais comum de hemorragia arterial é a ruptura das artérias que irrigam a cápsula interna, principalmente em
pacientes com pressão arterial elevada
 Devido à grande importância das fibras que atravessam a cápsula interna, mesmo uma hemorragia pequena pode
causar sintomas muito disseminados no lado contralateral (desde défices motores a sensórias/sensitivos)

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Centro Semioval e Centro Oval de Vieussens ou Coroa Radiada de Reil
 Correspondem à região de dispersão
 Contêm fibras de projecção, associação e comissurais
 O centro oval de Vieussens encontra-se inferiormente ao centro semioval,
uma vez que o segundo se situa ao nível da fenda inter-hemisférica.

Fibras de projecção ascendentes e descendentes:


 Feixe geniculado – nasce da base da circunvolução frontal ascendente (área
motora primária) e atinge o joelho da cápsula interna.
 Feixe cortico-espinhal – origem superior, comparativamente à do feixe
geniculado. As suas fibras vão para o braço posterior da cápsula interna.

Fibras comissurais:
 Atravessam o corpo caloso e dispersam-se de modo a atingir os diferentes lobos do cérebro.
 Estão incluídas as seguintes:
o Fórceps minor
o Fórceps major ver corpo caloso
o Fibras transversais

Fibras de associação
 Fibras intra-hemisféricas
 Podem ser longas (interlobulares) ou curtas (intralobulares)
 Fibras curtas – fibras arciformes ou em “U” ou próprias das
circunvoluções
 Fibras longas:
o Feixe Longitudinal Superior/ Arqueado – fibras de maior dimensão. Ligam o pólo frontal aos pólo occipital e
temporal, passando pelo rego de Sylvius, externamente em relação à insula. Feixe subcortical/superficial,
passando por cima do núcleo lenticular.
o Feixe Longitudinal Inferior – liga pólo occipital ao pólo temporal. Passa por fora das radiações ópticas e
atravessam a cápsula externa ou mesmo a cápsula extrema. Fibras mais profundas que o feixe longitudinal
superior.
o Feixe Unciforme – liga o lobo frontal (nomeadamente a área de
Broca) ao pólo temporal. Forma em torno da origem do rego de
Sylvius uma espécie de “ferradura de cavalo”
o Tapetum – fibras que formam o tecto e parede externa do corno
posterior do ventrículo lateral e a parede externa do corno inferior
do ventrículo lateral, que entrecruzam as fibras transversais do
corpo caloso. Ligam o pólo frontal aos pólos occipital e temporal
o Cingulum – feixe curvilíneo que repousa sobre a circunvolução do
corpo caloso. Liga os lobos frontal e parietal com a região
parahipocampal e córtex temporal adjacente.
o Feixe Occipitofrontal (superior) – liga o lobo frontal aos lobos
occipital e temporal. Situado profundamente no hemisfério cerebral,
relacionando-se com o bordo externo do núcleo caudado.

Fibras Comissurais
 Divididas em 2 grupos:
o Comissuras Inter-hemisféricas
 Corpo Caloso
 Fórnix ou Trígono Cerebral
 Comissura Branca Anterior
o Comissuras Diencefálicas
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Corpo Caloso
 Maior comissura do cérebro
 Lâmina grossa de substância branca que une os dois hemisférios,
constituindo uma espécie de ponte telencefálica
 Situado no fundo da fenda inter-hemisférica, por cima do diencéfalo
 Apresenta 4 regiões:
o Rostrum ou bico
o Joelho
o Corpo
o Debrum ou Esplénio
 A ordem de aparecimento das estruturas, em termos embriológicos é a
seguinte: joelho, corpo, debrum e rostrum
 2 faces e 2 extremidades:
o Face superior – convexa no sentido ântero-posterior, achatada transversalmente. Coberta pelo indisium
cinzento, um vestígio do córtex primitivo, o qual é percorrido por cordões de substância branca pertencentes ao
sistema rinencefálico.
o Face inferior – côncava no sentido ântero-posterior. Localizada entre os cornos frontais dos ventrículos laterais,
constituindo o tecto destes. Apresenta uma divisão na linha mediana, correspondente ao septo pellucidum. Atrás
(corpo posterior e esplénio), ao nível da linha média, une-se ao bordo posterior do trígono.
o Extremidade anterior – corresponde ao joelho. Na sua porção inferior, o joelho prolonga-se para baixo/trás,
formando uma lâmina afilada – rostrum. O rostrum localiza-se por cima da comissura branca anterior e
continua-se atrás com a extremidade superior da fita
semicircular/stria terminalis.
o Extremidade posterior – corresponde ao esplénio, tratando-
se da zona de maior espessura do corpo caloso. Forma o
lábio superior da fenda de Bichat.
 As fibras do corpo caloso dividem-se em 3 grupos:
o Forceps minor – do joelho aos lobos frontais
o Forceps major – do esplénio aos lobos occipitais
o Fibras transversais – passam pelo corpo do corpo caloso,
conferindo-lhe um aspecto radiado. Intersectam as fibras
de associação e de projecção à medida que se dirigem para
o córtex cerebral.

Fórnix ou Trígono Cerebral


 Lâmina de substância branca triangular, de base posterior e
vértice anterior
 Constitui o sistema eferente do hipocampo que se dirige para os
corpos mamilares
 Por baixo do corpo caloso e sobre a parede superior do 3º
ventrículo
 Unida ao corpo caloso, ao nível do corpo posterior e esplénio,
sendo que se separa deste à medida que se dirige para a frente,
formando um espaço ocupado na linha média pelas paredes e a cavidade do septo pellucidum
 Forma encurvada, apresentando 2 faces, 2 bordos, uma base e um vértice:
o Face superior – unida atrás ao corpo caloso, separando-se deste mais à frente. Contribui para a limitação das
paredes internas dos ventrículos laterais
o Face inferior – relacionada com a tela coroideia do 3º ventrículo e, por isso, com a parede superior do 3º
ventrículo
o Bordos laterais – relacionam-se com os ventrículos laterais
o Base – relaciona-se com o corpo caloso. Daqui emergem os pilares do fórnix

75
o Vértice – orientado para a frente. Daqui emergem as
colunas do fórnix.
 Pode-se considerar que o fórnix é constituído por 2 arcos de
circunferência ântero-posteriores, com concavidade virada
para baixo, unidos pela sua porção superior e média e cujas
extremidades se afastam formando as colunas (anteriores) e
os pilares (posteriores) do fórnix
o Colunas do Fórnix – origem no vértice do fórnix,
dirigem-se para a frente/baixo e depois para trás.
Contornam a extremidade anterior do tálamo,
contribuindo para a delimitação dos buracos de Monro. A
partir daqui, seguem um trajecto descendente. Quando
alcançam a comissura branca anterior, as fibras do fórnix
dividem-se:
 Fibras Pré-Comissurais (25%) – para os núcleos
septais, córtex pré-frontal, hipotálamo anterior e área
pré-óptica
 Fibras Pós-Comissurais (75%) – para os corpos
mamilares, principalmente.
o Pilares do Fórnix – origem na base do fórnix, dirigem-se
para trás/baixo/fora, contornando-se a extremidade
posterior do tálamo. Terminam no hipocampo
 Quanto às fibras do fórnix, é possível distinguir:
o Fibras Intra-Hemisféricas – unem o hipocampo ao corpo mamilar do mesmo hemisfério
o Fibras inter-hemisféricas (Comissura do Fórnix ou Lira d’Ammon) – permitem a comunicação entre as duas
formações hipocâmpicas.

Comissura Branca Anterior


 Comissura rinencefálica que liga os dois corpos
amigdalinos
 Relacionada com a parede anterior do terceiro ventrículo
 Cruza a face anterior das colunas anteriores do fórnix,
limitando com elas um espaço triangular – fossa triangular
ou vulva (espaço existente na parede anterior do 3º
ventrículo limitado por fora pelos pilares anteriores do
fórnix e por baixo, pela comissura branca anterior)
 Cruza a linha média, intersectando a lâmina terminal.
 Formada por 2 conjuntos de fibras:
o Fibras anteriores – curvam-se para a frente, de cada lado, em direcção à
substância perfurada anterior e tracto olfactivo de cada lado
o Fibras posteriores – curvam-se para trás, de cada lado, e contorna a face
inferior do núcleo lenticular, para alcançar os lobos temporais.

Comissuras Diencefálicas
 Comissura Supra-Óptica Dorsal ou Inter-Estriada de Meynert – atravessa a linha média ao nível da parede ventral do
tuber cinereum. Une as duas regiões sublenticulares.
 Comissura subtalâmica posterior (Forel) – une as 2 regiões subtalâmicas e atravessa a linha média posteriormente
aos corpos mamilares
 Feixes transversais do tuber cinereum – situados na sua porção inferior
 Comissura supra-óptica ventral de Gudden – utilizando a face posterior do quiasma óptico e tractos ópticos, une os
dois corpos geniculados internos, e possivelmente os colículos inferiores. Integra o sistema auditivo

76
 Comissura inter-retiniana – situada entre os 2 nervos ópticos, utilizando o quiasma óptico para fazer a ligação entre
as duas retinas.
 Comissura habenular – prega superior do recesso pineal (por cima da glândula pineal), situada sobre o bordo
posterior da tela coroideia do 3º ventrículo. Permite a união dos dois núcleos habenulares. Local de cruzamento de
fibras aferentes contralaterais provenientes da área pré-septal, região pré-óptica do hipotálamo. Estas fibras integram
a stria medularis.
 Comissura epitalâmica/branca posterior - prega inferior do recesso pineal (por baixo da glândula pineal), situada na
extremidade superior do Aqueduto de Sylvius.
Constituída pelas seguintes fibras:
o Fibras que unem os pulvinares entre si
o Fibras que unem o pulvinar de um lado com o
colículo superior, corpo geniculado lateral e
núcleos do nervo MOC e troclear contralaterais
o Fibras que unem o núcleo pré-tectal de um lado
com o núcleo vegetativo (Edinger-Westphal)
do MOC contralateral, para o reflexo fotomotor
consensual
o Fibras do tegmentum mesencefálico que unem
as substâncias nigras e os núcleos rubros.

Septo Pellucidum
 Septo mediano formado por 2 lâminas nervosas verticais
de substância branca e cinzenta, revestida por epêndima
 Vai da face inferior do corpo caloso até à face superior do
fórnix
 Lâminas delimitam entre elas uma cavidade virtual:
ventrículo do septo ou cavidade do septo pellucidum
 Única barreira que separa os dois cornos anteriores dos
ventrículos laterais
 Única barreira que separa as extremidades anteriores das
duas cabeças dos núcleos caudados
 Os núcleos colinérgicos no septo (substância cinzenta)
participam na organização da memória e estão ligados ao
hipocampo através do fórnix.
 Tem uma forma triangular, apresentando:
o 2 faces planas: constituem a parede interna do corno frontal do ventrículo lateral
o 1 bordo superior: convexo e unido à face inferior do corpo caloso
o 1 bordo ântero-inferior: convexo, encontra-se na face superior do joelho e rostrum do corpo caloso
o 1 bordo póstero-inferior: unido ao trígono/fórnix, tendo origem nas colunas do fórnix
o 1 ângulo inferior: entre as colunas do fórnix e o rostrum do corpo caloso
o 1 ângulo posterior: na junção do corpo caloso com o corpo do fórnix.

77
TRONCO CEREBRAL (configuração externa)

 Estrutura localizada entre a medula espinhal e o prosencéfalo


 Estrutura quase toda intracraniana (excepto porção inferior do
bulbo)
 Constituída por 3 porções:
o Bulbo Raquidiano ou Medula Oblonga
o Protuberância ou Ponte (de Varólio)
o Mesencéfalo

BULBO RAQUIDIANO OU MEDULA OBLONGA


 Estrutura do rombencéfalo, mais especificamente do mielencéfalo
 Forma cónica de base superior
 3 cm de comprimento
 Começa em baixo, na continuação da medula
espinhal, a partir da ½ superior do arco anterior do
atlas (C1)
 Depois atravessa o foramen magnum e termina na
porção média da goteira basilar, onde se continua com
a protuberância
 O diâmetro do bulbo aumenta de baixo para cima,
sendo que este aumento é maior no diâmetro
transversal do que no diâmetro ântero-posterior
 Apresenta no seu interior o canal ependimário bulbar.
Este canal, ao nível da ½ superior do bulbo, dilata para formar o IV ventrículo
 O Bulbo pode ser dividido em 2 segmentos:
o Segmento Inferior – dirige-se para cima/trás Formam entre si um ângulo de 160º
o Segmento Superior – dirige-se para cima/frente
 O segmento inferior apresenta a s seguintes relações:
o À frente - ligamentos occipito-atloideu anterior, occipito-odontoideu e occipito axoideu, e com o vértice da
apófise odontoideia (C2);
o Atrás - ligamento occipito-atloideu posterior
 O segmento superior apresenta as seguintes relações:
o À frente – goteira basilar do occipital
o Atrás/cima – cerebelo

Configuração Exterior
 O Bulbo apresenta 6 faces: uma anterior, uma posterior, duas laterais e
duas extremidades

Face Anterior
 Sulco Mediano Anterior – continua fissura média anterior da medula
 Pirâmides – de cada lado do sulco mediano anterior
 Decussação Piramidal – o sulco mediano anterior é cruzado, na sua
porção inferior, por feixes piramidais.
 Sulco Colateral Anterior – de onde saem 10 a 12 feixes radiculares do nervo grande hipoglosso (XII)
 Um pouco acima da decussação piramidal, o sulco mediano anterior é cruzado pelas fibras arqueadas ântero-
externas. As fibras arqueadas ântero-externas provêm do núcleo arqueado (prolongamento dos núcleos pontinos).
Dirigem-se para o cerebelo, através dos pedúnculos cerebelosos inferiores.

78
Faces Laterais
 Cordões Laterais – separados das pirâmides pelo sulco colateral
anterior
 Oliva Bulbar – saliência elíptica na porção superior dos cordões
laterais. Contém no seu interior o núcleo olivar inferior
 Sulco Colateral Posterior – separa os cordões laterais da face posterior
do bulbo. Deste sulco emergem, de baixo para cima, os feixes
radiculares dos XI, X e IX pares cranianos

Face Posterior
 Para propósitos de descrição, dividimos esta face em 2 metades: uma
superior e outra inferior
 Metade Inferior do Bulbo:
o Pedúnculos Cerebelares Inferiores – localizados atrás das olivas bulbares e do sulco colateral posterior
o Sulco Mediano Posterior – continua-se em baixo com o sulco mediano posterior da medula
o Feixe de Goll/Grácil – cordão posterior mais interno que termina em cima no tubérculo grácil
o Feixe de Burdarch/Cuneiforme – cordão posterior mais externo que termina em cima no tubérculo cuneatus
o Tubérculo Grácil – mais interno, contém no seu interior o núcleo gracillis (que recebe fibras do feixe de Goll)
o Tubérculo Cuneatus – mais externo que o anterior, contém no seu interior o núcleo cuneatus (que recebe fibras do
feixe de Burdarch)
o Sulco Paramediano/Intermédio Posterior – sulco que separa os dois tubérculos anteriores
 Metade Superior do Bulbo:
o Os cordões posteriores (externo e interno) dos dois lados afastam-se uns dos outros e convertem-se nos
pedúnculos cerebelosos inferiores. Este afastamento vai limitar um triângulo de base superior, ao nível do qual os
elementos nervosos situados atrás do canal central da medula espinhal desaparecem.
o Este triângulo constitui a metade inferior do IV ventrículo. A base deste triângulo é formada pelas estrias
acústicas ou medulares.
o Relativamente ao tecto da ½ inferior do IV ventrículo:
 O ventrículo é encerrado atrás por uma camada epitelial simples - Véu Medular Inferior (válvulas de Tarin).
 O véu medular inferior nos seus bordos é reforçado por uma lâmina nervosa de substância branca delgada – a
Ténia do IV ventrículo – e inferiormente é reforçado por uma camada de substância cinzenta – Óbex.
 Através da ténia do IV ventrículo, o véu medular inferior fixa-se, através dos seus bordos, aos pedúnculos
cerebelosos inferiores.
 A Tela Coroideia do IV ventrículo (camada de pia-máter) reforça atrás o véu medular inferior.
 A tela coroideia e o véu medular inferior são perfurados no seu vértice inferior (ângulo inferior do IV
ventrículo) pelo Buraco de Magendie ou Abertura Mediana, que faz comunicar a cavidade ventricular com o
espaço subaracnoideu

79
o Relativamente ao pavimento bulbar do IV ventrículo (fossa romboideia):
 Apresenta a forma de um triângulo cujo vértice é o ângulo inferior do IV ventrículo.
 Sulco Mediano – sulco longitudinal sobre a linha média
 Asa Branca Interna ou Trígono do Hipoglosso – eminência triangular de base superior. Relacionada com o
núcleo do nervo hipoglosso e com o núcleo intercalado.
 Trígono do Vago – localizado por baixo/fora ao trígono do hipoglosso. Corresponde ao núcleo dorsal do nervo
vago.
 Fóvea/Fosseta Inferior ou Fosseta da Asa Cinzenta – superfície deprimida de cinzenta, que se encontra no
vértice do trígono do nervo vago
 Asa Branca Externa ou Área Vestibular – eminência triangular branca mais externa, de base superior. Estende-
se por toda a porção externa do IV ventrículo, estendendo-se até à protuberância. Relacionada com os núcleos
vestibulares
 Os cordões que limitam lateralmente a porção bulbar do IV ventrículo dirigem-se para cima/fora: são os
pedúnculos cerebelosos inferiores. Estes pedúnculos parecem prolongar os cordões posteriores (no entanto,
são duas estruturas completamente diferentes).
 O sulco intermédio posterior, que separa os dois cordões posteriores de cada lado da face posterior do bulbo,
prolonga-se pelo respectivo pedúnculo cerebeloso inferior, dividindo-o em 2 feixes que parecem continuar os
feixes grácil e cuneiforme: o feixe mais interno (corpo justa-restiforme), que prolonga o feixe grácil; e o feixe
mais externo (corpo restiforme), que prolonga o feixe cuneiforme.

Extremidade Inferior ou Vértice


 Apresenta continuidade com a medula espinhal, sem evidência de qualquer linha de demarcação.
 Situada ao nível da ½ superior do arco anterior do atlas (C1).

Extremidade Superior ou Base


 Separado da protuberância pelos seguintes limites:
o Sulco Bulbo-Protuberencial - sulco presente nas faces anterior e laterais (local de emergência dos nervos VI, VII
e VIII)
o Foramen Cego – na extremidade superior do sulco mediano anterior, o sulco bulbo-protuberencial alarga em
forma de fosseta.
o Fossetas Supra-Olivares – por cima das olivas bulbares
o Fossetas Laterais – por cima dos cordões laterais, onde emergem os pares cranianos VII e VIII.
 O nervo MOE (VI) emerge do sulco bulbo-protuberencial, na face anterior, logo acima das pirâmides bulbares.

80
PROTUBERÂNCIA OU PONTE DE VARÓLIO
 Estrutura do rombencéfalo. Nasce da porção anterior do metencéfalo, recebendo a contribuição da porção alar do
mielencéfalo
 Localizada por cima do bulbo raquidiano, por baixo do mesencéfalo e à frente do cerebelo.
 Forma a metade superior do IV ventrículo
 Possui diversos núcleos de importantes pares cranianos (V, VI, VII e VIII pares)
 Serve como condutor para importantes vias ascendentes e descendentes (vias córtico-nuclear, córtico-pôntica,
córtico-espinhal…)
 3 cm de comprimento e 4cm de largura

Configuração Exterior
 A Protuberância apresenta 4 faces: uma anterior, duas
laterais e uma posterior

Face Anterior
 Constituída por uma estrutura volumosa, estriada
transversalmente e formada por fibras transversais.
 Convexa
 Separada do bulbo raquidiano pelo sulco bulbo-protuberencial (onde emergem, de dentro para fora, as raízes dos VI,
VII e VIII pares cranianos).
 Separada do mesencéfalo pelo sulco ponto-peduncular
 Apresenta sobre a linha média o sulco basilar, em relação com a artéria basilar. Os bordos deste sulco elevam-se
devido à passagem das vias cortico-espinhais.

Faces Laterais
 São a continuação da face anterior, que se curva de cada lado para
cima/trás para continuar-se com os pedúnculos cerebelosos
médios.
 No limite entre a face anterior e as faces laterais emergem as
raízes do V par craniano
 Os pedúnculos cerebelosos médios (PCM) diminuem de
espessura da frente para trás e ocupam apenas a porção ântero-
inferior das faces laterais da protuberância
 Por cima/atrás dos PCM observam-se os pedúnculos cerebelosos
superiores, oblíquos para cima/dentro. Estes pedúnculos estão
separados dos PCM pelo sulco interpeduncular, oblíquo para a
frente/cima e que se prolonga sobre a face lateral do mesencéfalo.

Face Posterior
 Apresenta lateralmente o a face posterior do pedúnculos cerebelosos superiores (PCS). Estes pedúnculos
aproximam-se de forma gradual um do outro, de baixo para cima, e reúnem-se na extremidade superior da
protuberância
 O espaço triangular que os PCS formam é preenchido por uma membrana nervosa delgada – véu medular superior
(válvula de Vieussens)
 O véu medular superior apresenta continuidade atrás com o cerebelo e lateralmente com os PCS
 Quando se retira o véu medular superior, podemos observar a ½ superior da fossa romboideia ou pavimento do IV
ventrículo.
 Metade superior do pavimento do IV ventrículo:
o Forma de triângulo com vértice superior, que se continua em baixo com o triângulo bulbar.

81
o Limitado lateralmente pelos pedúnculos cerebelosos médios e superiores
o Coberto pelo cerebelo e pelo véu medular superior
o Apresenta de dentro para fora:
 Sulco Mediano – continua o sulco
mediano posterior do bulbo
raquidiano
 Colículo Facial ou Eminência
Mediana de Teres – saliência
oval. Corresponde às fibras
nervosas do facial que contornam
o núcleo do MOE
 Sulco Limitante – sulco que
separa a eminência mediana
(formada pelo trígono do hipoglosso e colículo facial) da área vestibular.
 Fóvea/Fosseta Superior – depressão, situada no prolongamento do trígono do nervo vago. Relacionada com o
núcleo motor do trigémio
 Parte Superior da Área Vestibular – saliência que está unida em baixo com a área vestibular/asa branca
externa do triângulo bulbar.

MESENCÉFALO

 Provém da vesícula encefálica média


 Situa-se à frente/cima da protuberância, estando separado desta pelo sulco ponto-peduncular
 Continua-se em cima com o diencéfalo, mas sem limites precisos.
 Compreende os pedúnculos cerebrais, os colículos e as suas dependências
 É atravessado pelo Aqueduto de Sylvius/Central
 Orientado obliquamente para a frente/cima
 Limites (ver imagens abaixo):
o Inferior – sulco ponto-peduncular
o Superior – impreciso. De dentro para fora podemos delinear uma linha imaginária que passa, de dentro para fora
e da frente para trás, pelo limite superior da substância perfurada posterior, bordo interno dos pedúnculos
cerebrais, bordo superior dos pedúnculos cerebrais (tracto óptico), braços conjuntivais superiores, e por fim pelos
colículos superiores.

Configuração Exterior
 O mesencéfalo apresenta 4 faces: uma anterior, duas
laterais e uma posterior.

Face Anterior
 Pedúnculos Cerebrais – dois cordões volumosos brancos,
estriados paralelamente à sua direcção e convexos
transversalmente. Partem da extremidade superior da
protuberância, dirigem-se para cima/fora/frente e
terminam fundindo-se com a porção inferior do diencéfalo, superiormente ao tracto óptico.
 Fossa Interpeduncular – espaço situado entre os pedúnculos cerebrais
 Substância Perfurada Posterior – superfície deprimida que ocupa o fundo da fossa interpeduncular, triangular de base
superior. É uma lâmina de substância cinzenta perfurada por numerosos pequenos orifícios, atravessados por vasos
sanguíneos
 Sulco do Nervo Oculomotor – corresponde a um sulco ao longo do bordo interno dos pedúnculos cerebrais que os
separa da fossa interpeduncular. Deste sulco emergem os filetes radiculares do nervo MOC (III).

82
Face Posterior
 Tubérculos/Colículos Quadrigémios – quatro eminências redondas que formam a lâmina quadrigémia.
o 2 tubérculos anteriores/colículos superiores – ovóides
o 2 tubérculos posteriores/ colículos inferiores – hemisféricos e mais pequenos que os anteriores.
 Os colículos superiores estão separados dos inferiores por um sulco transverso ligeiramente côncavo para cima.
 Os colículos do lado direito estão separados dos colículos do lado esquerdo por um sulco médio ântero-posterior. Na
extremidade anterior desse sulco
repousa a glândula pineal. A
extremidade posterior do sulco ântero-
posterior dá inserção ao freio do véu
medular superior e corresponde ao
local de emergência das raízes dos
nervos troclear direito e esquerdo
 Cada colículo está unido ao tálamo
correspondente através de braços
conjuntivais:
o Braços Conjuntivais Superiores –
ligam os colículos superiores aos
corpos geniculados externos
(relacionados com a visão)
o Braços conjuntivais Inferiores – ligam os colículos inferiores aos corpos geniculados internos (relacionados com
a audição)
 Os braços conjuntivais do mesmo lado estão separados entre si por meio do sulco interbraquial, que prolonga para
fora/frente o sulco transverso dos colículos

Faces Laterais
 Sulco Lateral do Mesencéfalo – sulco oblíquo para
cima/fora, que discorre sobre a face lateral dos
pedúnculos cerebrais. É a continuação do sulco
interpeduncular que separa os pedúnculos cerebelosos
médios dos superiores, ao nível das faces laterais da
protuberância.
 Os pedúnculos cerebelosos superiores apresentam na
sua porção ântero-superior algumas estrias oblíquas
para cima/trás, formadas por fibras do lemnisco
lateral. Estas fibras tornam-se superficiais ao longo do
sulco lateral do mesencéfalo e dirigem-se para os
colículos inferiores e aos braços conjuntivais
inferiores, por baixo dos quais desaparecem. Esta
porção dos pedúnculos cerebelosos superiores, cuja
superfície está ocupada pelo lemnisco lateral,
denomina-se Trígono do Lemnisco Lateral.

83
TRONCO CEREBRAL (configuração interna)

TRANSIÇÃO MEDULA - BULBO

BULBO

 Constituído por substância cinzenta e branca


 Estrutura estudada a 4 níveis:
o Nível da decussação das pirâmides
o Nível da decussação dos lemniscos
o Nível das olivas
o Nível logo abaixo da protuberância

Nível da Decussação das Pirâmides


 Ao nível da ½ inferior do bulbo
 Decussação das Pirâmides (maior decussação motora) – na
parte superior do bulbo as fibras cortico-espinhais formam
as pirâmides; inferiormente, 80% das fibras cruzam a linha
média e continuam nos cordões laterais da medula como o
tracto cortico-espinhal lateral. As restantes 20 %
prosseguem no cordão anterior da medula como tracto
cortico-espinhal anterior.
 A decussação das pirâmides interrompe a substância
cinzenta do corno anterior da medula e em torno do canal ependimário.
 O feixe gracillis e o feixe cuneatus posicionam-se atrás da substância
cinzenta central.
 Os núcleos gracillis e cuneatus surgem como prolongamentos
posteriores da substância cinzenta central.
 A substância gelatinosa (corno posterior da medula) continua-se com o
extremo inferior do núcleo do tracto espinhal do trigémio.
 As fibras provenientes do tracto espinhal do trigémio posicionam-se entre o núcleo e a parede posterior do bulbo.

84
Nível da Decussação dos Lemniscos
 ½ inferior do bulbo, um pouco acima da decussação das
pirâmides e inferiormente ao 4º ventrículo
 Decussação dos Lemniscos Internos/Mediais (maior
decussação sensitiva) – toma lugar à frente da substância
cinzenta central e atrás das pirâmides.
 Os lemniscos internos/mediais são formados pelas fibras
arqueadas internas, provenientes dos núcleos gracillis e
cuneatus. Estas vão para a frente/fora, contornam a
substância cinzenta central e curvam para dentro, para a
linha média, onde decussam.
 O núcleo do tracto espinhal do nervo trigémio está por fora das
fibras arqueadas internas, e as suas fibras estão externamente ao
seu núcleo.
 Os tractos espinho-talâmicos anterior e lateral e o tracto
espinho-tectal ocupam um área externamente à decussação dos
lemniscos internos. Estão próximos entre si e são conhecidos
como o Lemnisco Espinhal.
 Os tractos espinho-cerebelares, vestíbulo-espinhais e rubro-
espinhais estão na região ântero-externa do bulbo.

Nível das Olivas Nota: a fossa romboideia é coberta ao nível do pavimento do


4º ventrículo por uma camada de substância cinzenta
 Porção inferior do 4º ventrículo (origens do nervo vago).
 Aumento de substância cinzenta devido à presença do
complexo nuclear olivar; núcleos dos nervos VIII, IX, X, XI e
XII; e o núcleo arqueado.

Complexo nuclear olivar


 O maior núcleo é o olivar inferior (bolsa amarrotada com
concavidade interna). Responsável pela oliva (no exterior);
 Núcleos olivares posterior/dorsal e interno/ventral
 As células do núcleo olivar inferior enviam fibras para dentro
que cruzam a linha média e se dirigem para o cerebelo
(pedúnculo inferior). Fibras aferentes alcançam este núcleo a
partir da medula (espinho-olivares), cerebelo e córtex cerebral.
A função deste núcleo associa-se com o movimento
voluntário.

Núcleos vestibulococleares
 Complexo Vestibular formado por 4 núcleos: interno (de
Schwalbe), externo (de Deiters), inferior (de Roller) e
superior (de Bechterew).
 Os núcleos vestibulares não se encontram todos ao mesmo
nível
 Os núcleos vestibulares fazem um abaulamento no
pavimento do 4º ventrículo – área vestibular.
 Núcleos Cocleares: um anterior situado à frente/fora do
pedúnculo cerebelar inferior; outro posterior, atrás do mesmo
pedúnculo e por fora do pavimento do 4º ventrículo.

85
Núcleo Ambíguo
 Consiste em grandes neurónios motores e está localizado na formação reticular. As fibras emergentes associam-se aos
nervos IX, X e porção cranial do XI e distribuem-se pelos músculos esqueléticos.
 São os núcleos motores do IX, X e porção cranial do XI pares cranianos.

Substância Cinzenta Central


 De dentro para fora: núcleo do hipoglosso, núcleo dorsal do vago, núcleo do tracto solitário, e núcleos vestibulares
interno e inferior.
 O núcleo ambíguo está localizado na formação reticular
 O núcleo arqueado parece ser um prolongamento inferior dos núcleos pônticos e está situado na superfície anterior das
pirâmides. Este núcleo recebe fibras do córtex cerebral e enviam fibras eferentes para o cerebelo através das fibras
arqueadas ântero-externas.

Substância Branca
 As pirâmides contêm as fibras cortico-espinhais e algumas fibras cortico-nucleares. Estão separadas pelo sulco
mediando anterior. As fibras cortico-nucleares distribuem-se pelos núcleos motores dos nervos cranianos situados no
bulbo.
 O lemnisco interno (fita de Reil) forma um tracto achatado transversalmente em cada lado da linha média, atrás das
pirâmides
 O feixe longitudinal interno forma um pequeno tracto de fibras situadas de cada lado da linha média, atrás do lemnisco
interno e do tracto tecto-espinhal e à frente do núcleo hipoglossal. Consiste em fibras ascendentes e descendentes que
ligam os núcleos cocleares e vestibulares com os núcleos oculomotores (III, IV e VI).
 O pedúnculo cerebelar inferior está localizado posteriormente e externamente ao bulbo. Contém a via espinho-
cerebelar inferior, via cuneocerebelar, fibras do núcleo olivar inferior e fibras vestíbulo-cerebelares.
 O tracto espinhal do nervo trigémio e o seu núcleo estão situados à frente/dentro do pedúnculo cerebelar inferior.
 O tracto espinho-cerebelar anterior está localizado perto da superfície da face lateral do bulbo, entre o núcleo olivar
inferior (à frente) e o tracto espinhal do trigémio (atrás)
 O lemnisco espinhal (tracto espinho-talâmico anterior + lateral + tracto espinho-tectal) está localizado profundamente
ao tracto espinho-cerebelar anterior.
 A formação reticular (mistura difusa de fibras nervosas e pequenos grupos de células nervosas) está situado
profundamente e atrás do núcleo olivar inferior.
 Os nervos IX, X e porção cranial do XI percorrem a formação reticular, dirigindo-se para a frente e para fora, entre os
núcleos olivares e o pedúnculo cerebelar inferior.
 As fibras do nervo XII dirigem-se para a frente/fora através da formação reticular (embora mais internamente que os
pares anteriores), entre as pirâmides e os núcleos olivares.

Nível logo abaixo da Protuberância


 Sem grandes alterações na distribuição da substância branca
e cinzenta
 O núcleo vestibular externo surge no lugar do núcleo
vestibular inferior.
 Os núcleos cocleares são visíveis nas superfícies anterior e
posterior do pedúnculo cerebelar inferior.

86
PROTUBERÂNCIA

 Dividida em 2 partes pelas fibras dispostas transversalmente do corpo trapezóide: tegmentum (posterior) e porção
basal (anterior)
 Estrutura estudada a 2 níveis:
o Nível da porção caudal, passando pelo colliculus facial (eminência mediana de Teres)
o Nível da porção craniana, passando pelos núcleos do trigémio.
o Nível do sulco ponto-peduncular

Corte transversal ao nível do sulco bulbo-


protuberencial (representação do nervo VIII)

Nível Caudal (colículo facial)


 O lemnisco interno sofre uma rotação quando passa do
bulbo para protuberância. Está na parte mais anterior do
tegmentum. É acompanhado pelo lemnisco espinhal e lateral
(via auditiva).
 O núcleo facial está atrás da porção externa do lemnisco
interno.
 As fibras do nervo facial (núcleo motor) dirigem-se para
trás/dentro e circundam o núcleo do nervo MOE de dentro
para fora, produzindo o colículo facial. Depois dirigem-se
para a frente/fora, entre o núcleo facial (dentro) e a
extremidade superior do núcleo do tracto espinhal do
trigémio (fora).
 O feixe longitudinal interno está profundamente ao pavimento do 4º ventrículo, de cada lado da linha média.
 O núcleo vestibular interno está por fora do núcleo do MOE e
está em relação próxima com o pedúnculo cerebelar inferior
(fibras vestíbulo-cerebelares). A porção superior do núcleo
vestibular externo e porção inferior do núcleo vestibular
superior encontram-se a este nível.
 Os núcleos cocleares encontram-se a este nível também.
 O núcleo espinhal do trigémio e o seu tracto estão à
frente/dentro do pedúnculo cerebelar inferior.
 O corpo trapezóide é constituído de fibras derivadas dos
núcleos cocleares e dos núcleos do corpo trapezóide (situados
um de cada lado do corpo trapezóide). São fibras transversas
que decussam a linha média para formar o lemnisco lateral
contralateral.

87
 A porção basilar da protuberância contém pequenos núcleos pônticos. As fibras cortico-pônticas do crus cerebri
terminam nestes núcleos. Os axónios destas células dão as fibras transversas da protuberância, que cruzam a linha
média e intersectam os tractos cortico-espinhal e cortico-nuclear, dividindo-os em pequenos feixes. As fibras
transversas entram no pedúnculo cerebelar médio e são distribuídas pelo hemisfério cerebelar (via principal de ligação
entre o córtex cerebral e o cerebelo).

Nível Cranial (núcleos do Trigémio)


 Este nível difere do anterior por conter os núcleos motor e sensitivo principal do trigémio.
 O núcleo motor do trigémio está profundamente à porção lateral do 4º ventrículo, dentro da formação reticular. As
fibras deste núcleo emergem na face anterior da protuberância.
 O núcleo sensitivo principal do trigémio está por fora do núcleo motor do trigémio; continua-se em baixo com o
núcleo do tracto espinhal do trigémio. As fibras aferentes que atingem este núcleo estão por fora das fibras do núcleo
motor do trigémio.
 O pedúnculo cerebelar superior está atrás/fora do núcleo motor do trigémio. Contém o tracto espinho-cerebelar
anterior.
 O corpo trapezóide e o lemnisco interno estão localizados na mesma posição comparativamente ao nível anterior
 Os lemnisco espinhal e lateral estão por fora do lemnisco interno.

Nível do Sulco Ponto-Peduncular


 A este nível observa-se o núcleo olivar superior (acessório) logo atrás dos lemniscos.
 Da formação reticular, destaca-se o tracto tegmental central (fibras longitudinais) e o locus cerúleus (núcleo rico em
fibras noradrenérgicas, de coloração azul).

88
MESENCÉFALO

 Dividido em 3 porções:
o Crus Cerebri ou Pé do Pedúnculo Cerebral (anterior)
o Tegmentum ou Calote do Pedúnculo Cerebral (média)
o Tectum (Lâminas Quadrigémias, posterior)
 Divisória entre porção anterior e média é a substância
Nigra
 Divisória entre porção média e posterior é o Aqueduto de
Sylvius.
 Aqueduto de Sylvius faz comunicação entre 3º e 4º
ventrículos. Revestido por epêndima e rodeada por
substância cinzenta central.
 Estrutura estudada a 2 níveis:
o Nível dos Tubérculos Quadrigémios Posteriores
o Nível dos Tubérculos Quadrigémios Anteriores.

Nível dos Tubérculos Quadrigémios Posteriores


 Colículos Inferiores (Tubérculos Posteriores) – grandes núcleos de substância cinzenta e integram a via auditiva.
Recebem muitas das fibras terminais do lemnisco lateral. Esta via continua pelos braços conjuntivais inferiores até ao
núcleo geniculado interno.
 Mais à frente está a substância cinzenta central que rodeia o
aqueduto de Sylvius. Esta contém:
o Núcleo Troclear – perto da linha média, logo atrás do feixe
longitudinal interno. As fibras que emergem deste núcleo
contornam a substância cinzenta central (dirigindo-se
primeiro para fora e depois para trás) e deixam o mesencéfalo
logo abaixo dos colículos inferiores. Estas fibras decussam
totalmente ao nível do véu medular superior
o Núcleo Mesencefálico do Trigémio – por fora do aqueduto de
Sylvius.
 Decussação dos pedúnculos cerebelosos superiores (Comissura
de Wernick W), na porção central da calote.
 Externamente a esta decussação está a formação reticular (mais pequena que na ponte ou bulbo)
 Lemnisco Interno (fita mediana de Reil) situado atrás da substância nigra
 Lemnisco Espinhal e Trigeminal externamente ao lemnisco interno
 Lemnisco Lateral (dirige-se para os colículos inferiores) por trás do lemnisco trigeminal
 Substância Nigra (locus niger) – grande núcleo motor, entre a calote e o pé dos pedúnculos cerebrais, presente em
todo o mesencéfalo. Neurónios multipolares com inclusões de grânulos de melanina. Interfere no tónus muscular e
liga-se ao córtex cerebral, medula espinhal, hipotálamo e
núcleos da base.
 Crus Cerebri - contém vias descendentes motoras:
o Fibras cortico-espinhais e cortico-nucleares (3/5 médios)
o Fibras têmporo-pônticas (externas)
o Fibras fronto-pônticas (internas).

89
Nível dos Tubérculos Quadrigémios Anteriores
 Colículos Superiores (tubérculos anteriores) – grandes núcleos de substância cinzenta que integram os reflexos
visuais. Estão ligados aos corpos geniculados externos pelos braços conjuntivais superiores. Recebem fibras aferentes
do nervo óptico, córtex visual e tracto espinho-tectal.
Fibras eferentes para as vias tecto-espinhal e tecto-
bulbar, responsáveis pelos reflexos dos movimentos dos
olhos, cabeça e pescoço, em resposta a estímulos visuais.
 Complexo Nuclear do Nervo MOC – constituído por
vários núcleos, incluindo:
o Núcleo Parassimpático do Nervo III (Edinger-
Westphal) – relaciona-se com o músculo ciliar e
esfíncter da pupila, provocando respostas reflexas à
luz e à acomodação.
o Núcleo de Perlia – centro da convergência dos olhos
(propriedade que varia com a distância dos objectos
em relação ao globo ocular).
o Núcleo Principal (Motor) do Nervo MOC (III) – na substância cinzenta central, perto da linha média, logo atrás do
feixe longitudinal interno. As suas fibras dirigem-se para a frente, passando através do núcleo rubro e emergem na
fossa interpeduncular.
 Os lemniscos interno, espinhal e trigeminal formam uma banda curva, situada atrás da substância nigra.
 Núcleo Rubro – massa redonda de substância cinzenta entre o aqueduto cerebral e a substância nigra. Cor vermelha
deve-se à sua vascularização e a sua pigmentação com ferro no citoplasma dos seus neurónios.
o Fibras aferentes: fibras cortico-espinhais, do pedúnculo cerebelar superior, dos núcleos lentiforme, subtalâmico e
hipotalâmicos, substância nigra e medula espinhal
o Fibras eferentes: tracto rubro-espinhal (estas fibras decussam logo após a sua saída do núcleo rubro – decussação
de Forel F) tracto rubro-reticular, fibras para o tálamo e fibras para a substância nigra.
 Formação Reticular – na calote, atrás/fora do núcleo rubro
 Crus Cerebri – contém os tractos cortico-espinhal, cortico-nuclear e cortico-pônticos distribuídos da mesma maneira
que no nível anterior
 Tracto Tecto-Espinhal – após a sua saída dos colículos superiores, estas fibras decussam imediatamente (decussação
de Meynert M)
 Núcleos Pré-Tectais – núcleos situados por cima/fora dos colículos superiores. Situados na Área Pré-Tectal (logo à
frente do tectum do mesencéfalo). A Área Pré-Tectal é uma estrutura do mesencéfalo constituída por sete núcleos pré-
tectais e compreende parte do sistema subcortical visual. Através de projeções recíprocas bilaterais para a retina, ela
está envolvida principalmente na mediação das respostas comportamentais às alterações agudas da luz ambiente, como
o reflexo fotomotor, o reflexo de acomodação e as alterações temporárias ao ritmo circadiano.

90
SINOPSE DAS VIAS ASCENDENTES E DESCENDENTES NO TRONCO CEREBRAL

Vias Descendentes
 Os tractos mais importantes originam-se no telencéfalo e
terminam, na sua maior parte, no tronco cerebral e, em
menor parte, na medula espinhal.
 Na medula espinhal termina o Tracto Cortico-Espinhal.
o Neste tracto projectam-se os axónios provenientes de
neurónios do córtex motor primário.
o Estes neurónios corticais terminam nos neurónios
motores α e γ, situados nos cornos anteriores da medula.
o A maior parte dos axónios do tracto cortico-espinhal
cruza para o lado oposto, na região da decussação das
pirâmides (bulbo).
 Algumas fibras provenientes do córtex motor dirigem-se
para os núcleos motores dos pares cranianos – Fibras
Córtico-Nucleares
 Relativamente às fibras cortico-nucleares, temos núcleos de
pares cranianos:
o Bilateralmente supridos: III, V, porção caudal do VII
(porção superior da face) e núcleo ambíguo (IX, X e
porção bulbar do XI)
o Apenas Contralateralmente supridos (cruzados): VI,
porção rostral do VII (porção inferior da face), XII
o Apenas Ipsilateralmente supridos (não cruzado): IV
 A inervação bilateral é importante, principalmente no
diagnóstico de lesões do nervo facial.
 O Feixe Longitudinal Mediano é um sistema de tractos
ascendentes e descendentes que conecta os núcleos do tronco
cerebral entre si, principalmente os núcleos III, IV, VI e VIII.

Vias Ascendentes

 O Tracto Espinho-Talâmico Lateral conduz impulsos sensitivos térmico-álgicos, da medula até ao tálamo
 Os tractos do cordão posterior da medula (Feixes Grácil e Feixe Cuneiforme) sinapsam com 2º neurónios presentes
nos núcleos grácil e cuneiforme, respectivamente. Daí saem axónios que formarão o Lemnisco Medial/Interno.
 O Lemnisco Espinhal resulta da união dos tractos espinho-talâmicos anterior e lateral e do tracto espinho-tectal.
 O Lemnisco Lateral contém axónios provenientes da via auditiva, que se projectam no colículo inferior.

91
 O cerebelo coordena os movimentos de precisão e o tónus muscular. Os tractos ascendentes (azul) e descendentes
(vermelho) conectam-se ao cerebelo pelos três pedúnculos cerebelosos (superior, médio e inferior)
o Pedúnculo Cerebeloso Superior – por ele passam a maior parte dos tractos eferentes provenientes dos núcleos do
cerebelo. O tracto espinho-cerebelar anterior é um dos tractos aferentes que passa por este pedúnculo
o Pedúnculo Cerebeloso Médio – por aqui passam somente tractos descendentes, provenientes do córtex cerebral.
Destes tractos destaca-se o tracto cortico-ponto-cerebeloso.
o Pedúnculo Cerebeloso Inferior – por aqui passam os tractos espinho-cerebelar inferior (via aferente, ascendente) e
olivo-cerebeloso (via aferente, descendente).

92
CEREBELO

 Estrutura do rombencéfalo
 10% do peso total do encéfalo mas contém mais de 50% dos neurónios
do encéfalo.
 Localização:
o Piso inferior do crânio, na fossa cerebral posterior (fossas
cerebelosas do occipital)
o Atrás do bulbo, e protuberância
o Por baixo dos hemisférios cerebrais e tenda do cerebelo (dura-
máter)
 Forma ovóide/borboleta, alongada transversalmente, achatado ant-post com constrição na porção mediana
 Participa na formação do tecto do 4º ventrículo
 Conecta-se com as outras estruturas do encéfalo através dos pedúnculos cerebelosos (superior, médio e inferior)
 3 faces: superior, inferior e anterior
o Face superior:
- Vérmis Superior – proeminência sobre a linha média;
- Hemisférios Cerebelosos – de cada lado do vérmis superior;
- Bordo Circunferencial do Cerebelo – separa a face superior das restantes. Apresenta 2 chanfraduras médias:
 Anterior – larga e pouco profunda, em relação com face posterior mesencéfalo;
 Posterior – mais estreita e profunda, de onde sobressai a folha (folium) do vérmis.
- Fissura primária – separa na face superior o lobo anterior do posterior.
- Fissura horizontal de Vicq d’Azyr
o Face Inferior:
- Valécula ou Grande Cissura Mediana do Cerebelo – depressão ântero-posterior, em cujo fundo está o vérmis
inferior do cerebelo.
- Hemisférios Cerebelosos – de cada lado do vérmis inferior, separados deste por 2 sulcos profundos.
- Fissura Retrotonsilar – separa a amígdala do restante lobo posterior
o Face anterior: orientada para baixo
- Ocupada por um prolongamento do fundo de saco do 4º ventrículo (Fastígio), em forma de losango, limitado por:
 Língula – extremo anterior do vérmis superior, em cima;
 Véu medular superior/ válvula de Vieussens – em cima, prolonga lateralmente a língula. É uma membrana
nervosa que recobre a ½ superior do prolongamento cerebeloso do 4º ventrículo;
 Nódulo – extremo anterior do vérmis inferior, em baixo;
 Véu medular inferior / válvulas de Tarin – em baixo, de cada lado do nódulo. Membrana nervosa, contígua com
a membrana tectória que forma a parede posterior da ½ inferior do 4º ventrículo. Estendem-se desde o nódulo,
onde se unem, até ao extremo interno dos flóculos;
 Pedúnculos Cerebelosos – nos lados, em cima;
 Amígdalas – dos lados, em baixo.
- Fissura horizontal de Vicq d’Azyr
- Fissura Úvulo-Nodular ou Póstero-Lateral – separa lobo floculo-nodular de lobo posterior.

93
 Divididos em 3 lobos principais:
o Anterior Fissura Primária
o Posterior/Médio
o Flóculo-Nodular Fissura úvulo-nodular ou póstero-lateral
 Lóbulos do cerebelo – divisão feita por sulcos de 1ª ordem sobre o vérmis e os hemisférios cerebelosos. Da válvula de
Vieussens às válvulas de Tarin (abre-se o cerebelo a partir das 2 extremidades laterais do fastígio, na face anterior e
obtém-se uma imagem planificada da estrutura cerebelosa):

Lobo Vérmis Hemisférios Sector Filogenético Vista Sentido


Língula Freio da Língula
Anterior Lóbulo Central Asa do Lóbulo Central Paleocerebelo
Cúlmen Lóbulo Quadrilátero Anterior Anterior 
Superior
Fissura Primária Posterior
Declive Lóbulo Quadrilátero Posterior
Follium Lóbulo Semilunar Superior
Lobo Tuberosidade Lóbulo Semilunar Inferior
Neocerebelo
Médio/Posterior - Lóbulo “Gracile”
Pirâmide* Lóbulo Digástrico
Ântero- Posterior 
Úvula* Amígdala
Inferior Anterior
Fissura Úvulo-Nodular
Lobo Flóculo-
Nódulo Flóculo Arqueocerebelo
Nodular
* Pertence ao paleocerebelo pois são formados ao mesmo tempo que os lóbulos do lobo anterior.

 Do ponto de vista funcional, de uma forma geral, os lóbulos vão apresentar-se integrados na função principal do lobo
ao qual pertencem.
 Divisões funcionais possíveis: embriológica e anatómica (Snell)

Divisão Anatómica
 3 zonas: mediana (vérmis), intermédia e lateral.
o Zona Mediana – controla os movimentos do grande eixo
corporal (pescoço, ombros, tórax, abdómen e ancas).
Associado aos núcleos fastigiais.
o Zona Intermédia – controlo dos movimentos dos membros,
sobretudo mãos e pés;
o Zona Lateral – planeamento de movimentos sequenciais do
corpo inteiro e determinação consciente dos erros dos
movimentos.

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Divisão Embriológica
 3 porções: arqueocerebelo, paleocerebelo e neocerebelo
o Arqueocerebelo – corresponde ao lobo flóculo-nodular. É o centro do equilíbrio, recebendo informação dos
núcleos vestibulares (feixe vestíbulo-cerebelar);
o Paleocerebelo – corresponde ao lobo anterior + Pirâmide e Úvula. Centro de tratamento da informação
proprioceptiva. Regula o tónus muscular e a postura. As vias aferentes são as da Sensibilidade Proprioceptiva
(feixes espinho-cerebelares posterior e anterior)
o Neocerebelo – lobo posterior, responsável pela coordenação de movimentos finos. Está em relação com o córtex
cerebral através da via cortico-ponto-cerebelosa (aferente) e do feixe dentato-rubro-talâmico-cortical (eferente).

Filogénese Morfologia Conexões Funções


Arqueocerebelo Lobo Floculo-nodular Aparelho vestibular (vestibulocerebelo) Manutenção do equilíbrio
Paleocerebelo Lobo Anterior Medula espinhal (espinhocerebelo) Manutenção do tónus muscular
Coordenação dos movimentos
Neocerebelo Lobo médio/posterior Córtex cerebral (cerebrocerebelo)
voluntários

Configuração Interna

 Massa de substância cinzenta periférica (o córtex) e massa de substância branca central onde, além de fibras
mielinizadas, estão alguns núcleos intercerebelosos cinzentos.

Substância Cinzenta
 Núcleos Cinzentos Centrais ou núcleos intracerebelosos + Córtex cerebeloso.

Núcleos Intracerebelosos
 4 massas de substância cinzenta envoltas na substância branca do cerebelo, de cada lado da linha média.
 Neurónios multipolares com dendrites simples. Os seus axónios passam pelos pedúnculos cerebelosos superior e
inferior.
 De fora para dentro:
o Núcleo Dentado ou da Oliva Cerebelosa – o maior núcleo. Forma de saco aberto para dentro. O interior do saco é
preenchido com substância cinzenta (fibras eferentes deste núcleo que forma grande parte do pedúnculo cerebelar
superior). Pertence ao Neocerebelo.
o Núcleo Emboliforme ou Dentado Acessório Externo – ovóide, cobrindo parcialmente o hilo do núcleo dentado.
Pertence ao Paleocerebelo.
o Núcleo Globoso ou Dentado Acessório Interno – conjunto de um ou mais grupos de células arredondados. Pertence
ao Paleocerebelo.
o Núcleo Fastigial (do Tecto) – no vérmis e perto do tecto do 4º ventrículo. Maior que o núcleo globoso. Pertence ao
Arqeuocerebelo.

95
Córtex Cerebeloso
 Folha pregueada que envolve o conteúdo do cerebelo, formada por inúmeras pregas/folia separadas por sulcos
transversais.
 Cada prega/folium apresenta na porção central substância branca revestida por substância cinzenta
 Um corte paramediano salienta inúmeras ramificações cerebelosas, tomando a estrutura o nome de Arbor Vitae
(árvore da vida).
 3 camadas:
o Camada Molecular (externa) – dois tipos de neurónios:
células estreladas (externamente), e células em cesto
(mais internas, de associação, podendo ser curtas ou
longas). Estes neurónios estão dispersos entre dendrites e
fibras paralelas ao longo eixo da prega/folia.
o Camada Ganglionar ou de Células de Purkinje –
neurónios Golgi tipo I dispostos numa única camada. As
dendrites penetram na camada molecular, desenvolvendo
ramificações cujas porções terminais estão cobertas por
espinhas dendríticas, as quais sinapsam com fibras
paralelas (axónios das células granulares). Os axónios das
células de Purkinje atravessam a camada granular,
penetram na substância branca (ganhando uma bainha
mielínica) e sinapsam com os núcleos intracerebelosos.
Alguns destes axónios sinapsam directamente com os
núcleos vestibulares. Ramos colaterais destes axónios sinapsam com as células em cesto e estreladas.
o Camada Granular (interna) – as células granulares apresentam 4 a 5 ramificações dendríticas que sinapsam
com fibras musgosas (input). Os axónios das células granulares penetram na camada molecular e aí bifurcam-se em
T. Os seus ramos de bifurcação (fibras paralelas) sinapsam com as espinhas dendríticas das células de Purkinje.
Também estão presentes células Golgi, que apresentam ramificações dendríticas para a camada molecular e cujos
axónios ramificados sinapsam com dendrites das células granulares.

Aspectos Funcionais das Células do Córtex Cerebeloso


 As células trepadeiras e musgosas são as principais vias aferentes para o córtex e exercem efeito excitatório sobre as
células de Purkinje
 As células trepadeiras são as fibras terminais dos tractos olivo-cerebelares. Estas sobem através das camadas do
córtex, passando pela camada granulosa e terminando na camada molecular, onde as suas fibras se enrolam em torno
das dendrites das células de Purkinje.
 Uma célula de Purkinje contacta apenas com uma
célula trepadeira, mas uma célula trepadeira pode
ligar-se a até 10 células de Purkinje.
 Alguns ramos também se ligam às células em cesto
e estreladas (interneurónios inibitórios) e aos
núcleos do cerebelo.
 As células musgosas são fibras terminais
provenientes dos tractos ponto-cerebelares, espinho-
cerebelares e vestíbulo-cerebelares. Apresentam
função excitatória e são muito ramificadas, sendo
que apenas uma célula consegue estimular milhares
de células de Purkinje. Ligam-se também às células
granulosas, a interneurónios inibitórios e aos
núcleos cerebelosos.
 As células estreladas, em cesto e Golgi são interneurónios inibitórios, limitando não só a área excitada, mas também
influenciando o grau de excitação das células de Purkinje produzidas pelas células trepadeiras e musgosas (função
inibitória sobre as células de Purkinje).
96
 Células de Purkinje são as unidades funcionais do córtex cerebeloso. Impulsos nervosos inibitórios flutuantes são
transmitidos pelas células de Purkinje até aos núcleos intracerebelosos, que por sua vez modificam a actividade
muscular através das áreas de controlo motor do tronco cerebral e córtex cerebral.
 Os núcleos cerebelosos recebem informação de duas vias:
o Vias inibitórias das células de Purkinje e dos núcleos vestibulares
o Vias excitatórias dos ramos das células trepadeiras e musgosas
 Assim uma aferência para o cerebelo envia informação excitatória para os núcleos (pelas células trepadeiras e
musgosas). Após um curto período de tempo recebem informação cortical processada inibitória das células de
Purkinje.
 Informação eferente (excitatória, normalmente) dos núcleos distribui-se pelo encéfalo e medula espinhal.
 No geral, este mecanismo permite uma sequência coordenada de movimentos. Se as células de Purkinje forem
constantemente inibidas pelos interneurónios, os impulsos provenientes dos núcleos do cerebelo são conduzidos,
levando a distúrbios do movimento.

Substância Branca
 Disposta em redor dos núcleos intracerebelosos, sob o córtex cerebeloso, prolongando-se pelos pedúnculos
cerebelosos
 3 grupos de fibras:
o Fibras intracerebelosas ou intrínsecas – fazem ligação entre os hemisférios e entre o hemisfério e o vérmis do mesmo
lado
o Fibras de projecção – aferentes e eferentes
 Fibras aferentes – constituem a maior parte da substância branca; atingem o córtex cerebeloso, perdendo a
bainha de mielina e terminado como fibras trepadeiras ou musgosas. Entram no cerebelo pelos pedúnculos
cerebelosos superior, médio e inferior.
 Fibras eferentes – constituídas por 2 neurónios: a célula de Purkinje + neurónio dos núcleos intracerebelosos.
As fibras dos núcleos dentado, emboliforme e globoso saem pelo PCS e as do núcleo fastigial pelo PCI.

Vias Aferentes
 3 origens distintas: córtex cerebral (CC), medula espinhal
(ME) e nervo vestibular (NV).
o Via cortico-ponto-cerebelar (CC) – origem nos lobos
frontal, parietal, temporal e occipital. Desce pela corona
radiata e cápsula interna, terminando nos núcleos pônticos.
Estes núcleos dão as fibras transversas da protuberância, que cruzam a linha média e entram no hemisfério
cerebelar contralateral pelos PCM.
o Via cortico-olivo-cerebelar (CC) – origem nos lobos frontal, parietal, temporal e occipital. Desce pela corona
radiata e cápsula interna e terminam bilateralmente nos núcleos olivares inferiores. Estes núcleos dão fibras que
cruzam a linha média e entram no córtex cerebelar contralateral pelos PCI, terminando como fibras trepadeiras.

97
o *Via cortico-reticulo-cerebelar (CC) – origem nas áreas somatoestésica e motora, principalmente. Descem e
terminam na formação reticular da protuberância e bulbo, bilateralmente. A formação reticular dá fibras que
entram no córtex cerebelar homolateral, através dos PCM e PCI.
o Via espinho-cerebelar anterior ou feixe cruzado de Gowers
(ME) – os axónios que entram na medula espinhal pelas
raízes posteriores terminam sinapsando com neurónios do
núcleo dorsalis. A maioria dos axónios cruza a linha média e
sobem pelo tracto espinho-cerebelar anterior contralateral; a
minoria sobe pelo mesmo tracto homolateral. As fibras
entram no cerebelo pelos PCS e terminam como fibras
musgosas no córtex cerebelar e núcleos cerebelosos. As
fibras que cruzaram a linha média na medula espinhal cruzam
agora no PCS. Esta via transporta informação dos músculos e
articulações dos membros superiores e inferiores,
provenientes de órgãos tendinosos, fusos neuromusculares e
receptores articulares.
o Via espinho-cerebelar posterior ou feixe directo de Flechig
(ME) – os axónios entram na medula pela raiz posterior,
sinapsando com o núcleo dorsalis. Os axónios destes
neurónios seguem pelo tracto espinho-cerebelar posterior
homolateral (coluna lateral) até ao bulbo. Entram no cerebelo
pelos PCI e terminam como fibras musgosas, dirigindo-se
para o córtex e núcleos cerebelosos. Esta via transporta
informação dos músculos e articulações dos membros superiores e inferiores, provenientes de órgãos tendinosos,
fusos neuromusculares e receptores articulares.
o Via cuneo-cerebelosa (ME) – origem no núcleo cuneatus do bulbo. Entram no hemisfério cerebelar pelos PCI,
terminando com fibras musgosas que se dirigem para o córtex e núcleos cerebelares. Esta via transporta
informação dos músculos e articulações do membro superior e pescoço.
o Via vestíbulo-cerebelar (NV) – o nervo vestibular recebe informação do ouvido interno sobre o movimento dos
canais semicirculares e sobre a posição relativamente à gravidade do utrículo e sáculo. Este nervo envia fibras
aferentes directas para o hemisfério cerebelar homolateral pelos PCI. Outras fibras passam primeiro pelos núcleos
vestibulares. Todas estas terminam como fibras musgosas no lobo floculo-nodular do cerebelo.
o Outras vias – pequenos feixes de fibras aferentes do núcleo rubro e tectum do mesencéfalo.

98
Vias Eferentes
 Têm início nas células de Purkinje que sinapsam com os
núcleos cerebelosos, de onde parte um axónio eferente.
 Algumas fibras não passam pelos núcleos
intracerebelosos, seguindo directamente para os núcleos
vestibulares externos (feixe cerebelo-vestibular directo),
pelo PCS.
o Via globoso-emboliforme-rubral (paleocerebelo) –
origem nos núcleos globoso e emboliforme, passam
pelo PCS e decussam na linha média, na decussação
do PCS (comissura de Wernick). Depois sinapsam
com neurónios do núcleo rubro e seguem pela via
rubro-espinhal que decussa próximo da sua origem
(decussação de Forel). Assim, esta via controla a
actividade motora do hemicorpo homolateral.
o Via dento-talâmica (neocerebelo) – origem no núcleo
dentado, passa pelo PCS, cruza a linha média
(comissura de Wernick) e sinapsa com os neurónios
do núcleo ventrolateral contralateral. Daqui, partem
neurónios para a área motora primária do córtex
cerebral. A partir do córtex inicia-se a via cortico-
espinhal. Assim, o nervo dentado influencia a actividade motora do hemicorpo homolateral.
o Via fastígio-vestibular (arqueocerebelo) – origem no núcleo fastigial, passa pelo PCI e termina nos núcleos
vestibulares externos de ambos os lados. Destes núcleos sai depois a via vestíbulo-espinhal. O núcleo fastigial exerce
uma influência facilitadora no tónus muscular homolateral dos músculos extensores.
o Via fastígio-reticular – origem no núcleo fastigial, passa pelo PCI, seguindo até à formação reticular, de onde parte a
via reticulo-espinhal.
o Outras vias - feixe cerebelo-tectal e feixe cerebelo-olivar.

Pedúnculos Cerebelosos

 Funções: suporte do cerebelo e comunicação com


outras estruturas do SNC
 PCS – ligam face anterior do cerebelo ao
mesencéfalo. Origem na porção superior da
valécula. Dirigem-se para cima, ladeando por fora
a ½ superior do 4º ventrículo. Atrás/cima dos
PCM. Maioritariamente formados por fibras
eferentes, provenientes dos núcleos dentado,
emboliforme e globoso.
 PCM – ligam face anterior do cerebelo à
protuberância. Origem na região póstero-lateral
da protuberância e prolongam-se até face anterior
do cerebelo. PCS e PCM separados entre si pelo sulco interpeduncular, que se prolonga até face lateral do
mesencéfalo. Não possui fibras eferentes.
 PCI – ligam face anterior do cerebelo ao bulbo. Origem na porção póstero-lateral da ½ superior do bulbo, afastando-se
à medida que sobem, limitando um espaço triangular de base superior que se alarga e se converte no 4º ventrículo.

99
Aspectos Funcionais do Cerebelo

 O cerebelo recebe informação aferente relacionada com o


movimento voluntário, do córtex e dos músculos, tendões e
articulações, relacionada com o equilíbrio, dos núcleos
vestibulares, e com a visão, dos núcleos tectais. Esta
informação chega ao cerebelo pelas fibras trepadeiras e
musgosas e converge nas células de Purkinje.
 Os axónios das células de Purkinje enviam axónios para os
núcleos intracerebelosos, exercendo um efeito inibitório sobre
estes.
 As eferências cerebelares dirigem-se para as origens das vias
descendentes/motoras, que influenciam a actividade motora a
nível medular (neurónios motores inferiores).
 Assim, o cerebelo não estabelece ligação directa com os
neurónios motores inferiores (α e γ) mas exerce influência sobre estes indirectamente, através do córtex e tronco
cerebrais.
 O cerebelo coordena a actividade muscular voluntária e reflexa, ao comparar continuamente a informação proveniente
das áreas motoras do córtex cerebral com a informação recebida da acção muscular.
 É capaz de enviar de volta a informação motora do córtex cerebral, de forma a inibir os músculos agonistas e
estimular os antagonistas, limitando assim a extensão do movimento voluntário.
 O cerebelo controla o tónus muscular e a postura. Permite que, por exemplo, a marcha se realize de forma coordenada
e suave com um mínimo de esforço.
 O cerebelo não é capaz de iniciar o movimento muscular.
 Uma lesão em um hemisfério cerebelar origina sinais e sintomas limitados ao hemicorpo homolateral.

Sinais e Sintomas de Doença Cerebelar


 É clássico considerar que o cerebelo é composto por:
o Arqueocerebelo – constituído pelo lóbulo flóculo-nodular, com conexões essencialmente vestibulares
o Paleocerebelo – constituído essencialmente pelo lobo anterior, recebe os feixes espinho-cerebelosos
o Neocerebelo – composto pelos lobos posteriores, recebe aferências corticais através dos núcleos pontinos e envia
eferências para o córtex através do núcleo rubro e do tálamo.
 O arqueocerebelo e o paleocerebelo são sobretudo responsáveis pelo equilíbrio estático axial, isto é, da marcha,
tronco, cabeça e movimentos oculares. O neocerebelo controla o “erro cortical” coordenando o equilíbrio cinético; da
sua lesão resulta ataxia apendicular (dos membros), homolateral à lesão.
 A lesão do cerebelo traduz-se em síndromes cerebelosas. Estas são compostas essencialmente por ataxia e hipotonia.
Estas perturbações são homolaterais em relação ao lado do cerebelo lesado.
 Sintomas e sinais de lesões agudas ≠ sintomas e sinais de lesões crónicas.
 Lesões agudas produzem sintomas repentinos e severos, mas os doentes conseguem recuperar completamente destas
lesões, isto porque outras áreas do SNC podem compensar a perda da função cerebelar. A hipotonia (perda de
resistência muscular à palpação ou ao movimento passivo, devido à perda da influência do cerebelo nos reflexos de
estiramento) é sobretudo evidente nas lesões agudas e nas crianças.
 Lesões crónicas (tumores de crescimento lento) produzem sintomas menos severos, uma vez que outras áreas do SNC
têm tempo para compensar a perda da função cerebelar. Contudo, estes sinais ficam sempre presentes.
 O sintoma fundamental das síndromes cerebelosas é a ataxia, ou seja, a incoordenação do movimento, na sua
sequenciação, intensidade, duração e ritmo. A ataxia tem várias expressões semiológicas:
o Mudanças Posturais – cabeça flectida e rodada, ombro homolateral descaído
o Marcha Atáxica Cerebelosa – também chamada de “ébrio”. É titubeante, insegura, sendo a amplitude e direcção de
cada passo irregular. Os pés estão afastados (marcha de base alargada) e os membros superiores em abdução para
proteger de uma queda. Verifica-se assinergia do tronco que não acompanha o movimento dos membros inferiores.
O doente oscila e parece cair a cada passo, o que acontece menos vezes do que seria previsível. Mudar de direcção
100
e descer escadas são tarefas particularmente difíceis. A perturbação da marcha não piora com o cerrar dos olhos (ao
contrário do que acontece com a marcha por lesão vestibular)
o Dismetria - perturbação da amplitude dos movimentos, devido a uma incapacidade de regular convenientemente a
extensão e precisão dos movimentos musculares. Situação visível sobretudo nos movimentos executados
rapidamente (provas dedo-nariz e calcanhar-joelho). Quando o movimento é mais ou menos extenso do que o
desejado, denominamos, respectivamente, hipermetria e hipometria.
o Adiadococinésia – perda da capacidade de executar movimentos alternados com regularidade e rapidez. Os
movimentos tornam-se lentos, irregulares e incompletos.
o Tremor Intencional – tremor de acção que aumenta de amplitude quando os movimentos são orientados
visualmente para um objectivo. É um tremor lento, irregular, de distribuição tanto proximal como distal. Os
músculos contraem-se irregular e fracamente. Este tremor é mais evidente durante a realização de tarefas que
requerem precisão (ex: abotoar uma camisa).
o Disartria – devido a ataxia dos músculos da laringe. A articulação das palavras é irregular e as sílabas são
separadas umas das outras. O discurso tende a ser explosivo com sílabas arrastadas.
o Assinergia – falta de coordenação entre partes do organismo que, em situações normais, actuam ou podem actuar
harmoniosamente, como é o exemplo da coordenação entre músculos flexores e extensores. Os vários grupos
musculares falham em trabalhar de forma harmoniosa na realização da tarefa/movimento, havendo uma
decomposição do movimento.
o Nistagmo – é um distúrbio no movimento ocular, sendo considerada a ataxia dos músculos oculares. É um
movimento rítmico oscilatório dos olhos que pode ser para ambos os lados (normalmente num plano horizontal)
com igual intensidade (pendular) ou mais rápido para uma direcção que para outra (irregular).
 As síndromes cerebelares também se caracterizam por distúrbios nos reflexos: os movimentos associados aos reflexos
ósteo-tendinosos prolongam-se por mais tempo que o normal (ex: reflexo rotuliano pendular). Normalmente, estes
movimentos são autolimitados pela acção dos reflexos de estiramento dos agonistas e antagonistas. Na doença
cerebelar há perda destes reflexos de estiramento.
 Nas lesões cerebelosas não existe paralisia, alterações da sensibilidade ou atrofias musculares.
 As síndromes cerebelosas mais frequentes podem-se agrupar em:
o Síndrome Vermiano Posterior – predomina o desequilíbrio axial, estático. Causado por um meduloblastoma do
vérmis, em crianças. O envolvimento do lobo floculo-nodular dá sintomas relacionados com o sistema vestibular
(perda de equilíbrio). O vérmis influencia as estruturas medianas do corpo (pescoço, tronco e ancas) e por isso há
uma tendência da criança cair para a frente/trás. Dificuldade em segurar a cabeça e em manter o tronco erecto,
havendo muitas oscilações e inclinações.
o Síndrome do Lobo Anterior – ocorre, por exemplo, por degenerescência ou alcoolismo, afecta principalmente os
membros inferiores, levando a que o doente, na estação de pé ou na marcha, tenha uma base de sustentação larga.
o Síndrome Hemisférica – causada por lesões vasculares, desmielinizantes ou neoplasias do adulto (astrocitoma,
metástases). Consta de ataxia dos movimentos dos membros, principalmente distais, envolvendo os músculos
homolaterais à lesão do hemisfério. Há a tendência para cair para os lados, sendo comum também haver disartria e
nistagmo. Lesões na parte lateral dos hemisférios geram atrasos no início dos movimentos e incapacidade de mover
todos os segmentos dos membros de forma coordenada (movem uma articulação de cada vez).
o Síndrome Pancerebelosa – os sinais de disfunção cerebelosa são bilaterais e afectam a marcha, o tronco e os
membros. Existe disartria e alterações dos movimentos oculares. São exemplos a ataxia aguda infantil pós-
infecciosa, a degenerescência cerebelosa paraneoplásica, os quadros cerebelosos secundários a perturbações
metabólicas (hipoglicemia, hipotiroidismo) ou a tóxicos (intoxicação aguda com álcool, benzodiazepinas ou
antiepilépticos)
 Doenças comuns envolvendo o cerebelo
o Alcoolismo – acção GABA sobre os neurónios cerebelares, inibindo acção do cerebelo.
o Agenesia congénita ou hipoplasia do cerebelo
o Trauma, infecções e tumores
o Esclerose múltipla
o Trombose das artérias cerebelares
o Envenenamento por metais pesados

101
ÂNGULO PONTO-CEREBELOSO

 O Ângulo Ponto-Cerebeloso (ou cisterna ponto-cerebelosa)


localiza-se no andar posterior da base do crânio, sob a tenda
do cerebelo e entre o tronco cerebral e o rochedo do
temporal.
 Corresponde a uma região paramediana situada entre o
pedúnculo cerebeloso médio, a protuberância e a porção
superior da face lateral do bulbo raquidiano – de um lado – e
a face anterior do cerebelo – do outro.
 É uma das regiões mais importantes da cavidade craniana,
do ponto de vista anatómico, cirúrgico e patológico;
 Tem a forma de um ângulo diedro aberto para fora em que o
vértice corresponde à fissura horizontal do cerebelo

Do Ponto de Vista Anatómico


 Contém a porção lateral da cisterna pontina.
 Esta região contém importantes estruturas vasculo-nervosas,
nomeadamente pares cranianos (ver secção “Conteúdo”)

Do Ponto de Vista Patológico


 Trata-se de uma região de “tumores do ângulo ponto-cerebeloso”, que
podem ser essencialmente tumores do VIII par craniano (schwannomas
vestibulares ou neurinoma cocleares), meningiomas e aracnoidites das
fossas cerebelosas.

Do Ponto de Vista Cirúrgico


 Corresponde a uma região de difícil acesso, dificultando as intervenções
cirúrgicas.

LIMITES
 À frente:
o Goteira Basilar (lâmina quadrilátera ou clivus) – assinalado a cor
de laranja na imagem
o Sutura Petro-Occipital (com o seio petroso inferior que se dirige
para o buraco lácero posterior) – assinalado a verde
o Face Póstero-Superior do Rochedo com o Orifício do Canal
Auditivo – o bordo superior do rochedo e o bordo superior da
lâmina quadrilátera formam uma linha que separa o ângulo ponto-
cerebeloso da sela turca e da fossa cerebral média (sobre esta linha
salientam-se duas chanfraduras que dão passagem ao V e VI pares
cranianos)
 Por dentro (azul claro):
o Linha convencional vertical à origem aparente do nervo trigémio;
ao nível do sulco bulbo-protuberancial, o ângulo compreende a
fossa lateral do bulbo.

102
 Em Baixo/Atrás
o Face anterior do cerebelo, lóbulo digástrico;
 Em Cima/Atrás:
o Face anterior do cerebelo, lóbulo quadrilátero;

CONTEÚDO
 O ângulo ponto-cerebeloso é ocupado por vários órgãos
vasculo-nervosos, que ocupam a cisterna do confluente lateral
ponto-cerebeloso.

Nervos
 Podem ser encontrados 4 grupos de nervos cranianos rodeados
por pia-máter, que emanam do tronco cerebral e vão contornar a
ângulo ponto-cerebeloso:
o Motor Ocular Externo (VI) - Origem no sulco bulbo
protuberancial; atravessa a porção mais interna do ângulo.
o Na parte superior da região, o Nervo Trigémio (V)
o Na parte externa, o Feixe Acústico-Facial (VII e VIII) – Tem
origem na fosseta lateral do bulbo, sendo o facial (VII) o mais
interno e o vestíbulo-coclear (VIII) o mais externo. Antes de
entrarem no canal auditivo interno sofrem uma torção, na qual
o facial passa a superior e o auditivo a inferior.
o Na parte inferior, o grupo de nervos que vai passar no buraco
lácero posterior - Glossofaríngeo (IX), Pneumogástrico (X) e
Espinhal (XI).
 O conjunto destes nervos forma na região 3 feixes:
o Feixe Superior – Trigémio e MOE, com direcção sagital
o Feixe Médio – Facial e Vestíbulo-Coclear, com direcção
oblíqua para o canal auditivo interno
o Feixe Inferior – Glossofaríngeo, Vago e Espinhal, em direcção
ao Buraco Lácero Posterior

103
Artérias
 As artérias desta região são ramos colaterais da artéria
vertebral ou do tronco basilar e encontram-se aplicadas
sobre o tronco cerebral e cerebelo. Podemos destacar 2
artérias importantes:
o Artéria Cerebelosa Superior - origem no tronco basilar;
distribui-se pela face superior do cerebelo);
o Artéria Auditiva Interna ou Labiríntica - origem no
tronco basilar, penetra no canal auditivo interno
juntamente com os nervos facial e vestíbulo-coclear

Veias
 Quanto às veias, podemos destacar as relações principalmente com o seio petroso inferior, mas também com o seio
petroso superior
 Existe uma veia importante nesta região denominada Veia Petrosa Superior (Dandy). Geralmente situada paralela e
superiormente à raiz do trigêmeo, desembocando no seio transverso, esta veia drena a parte lateral do hemisfério
cerebelar e da protuberância. A veia do recesso lateral do IV ventrículo normalmente contribui para a formação desta
veia.

104
MENINGES E CISTERNAS

Pia-máter
Crista Neural
Leptomeninge
(meninge fina)
Aracnoideia

Paquimeninge Dura-máter Mesoderme


(meninge espessa) paraxial

ENCÉFALO

Dura-máter

 Membrana fibrosa constituída por 2 camadas:


o Camada endosteal
o Camada meníngea
 Estas camadas estão intimamente unidas excepto ao longo de certas linhas onde formam os seios venosos do crânio
 Contém na sua espessura as artérias e veias meníngeas, suas ramificações, lagos sanguíneos e seios cranianos.

Camada endosteal
 Corresponde ao periósteo que cobre a superfície interior dos ossos do crânio
 Ao nível do forâmen magnum não se continua com a dura-máter
espinhal.
 Em torno das margens de todos os restantes buracos cranianos,
torna-se contínua com o periósteo da superfície exterior dos ossos
do crânio.
 Ao nível das suturas, mostra continuidade com os ligamentos
suturais.
 A união intima desta camada à superfície interior dos ossos do
crânio implica a inexistência de um espaço epidural no crânio
 A aderência da camada endosteal nos ossos da base do crânio é
diferente da nos ossos da calvária
 Ao nível da calvária a dura-máter pode desprender-se com
facilidade da superfície interior do osso. Só adere fortemente ao
nível das suturas. Esta região de desprendimento designa-se zona
despegável (Marchant), tendo os seguintes limites (ver imagem ao lado):
o Desde o bordo posterior da pequena asa do esfenóide (à frente) até
2 a 3 cm para fora da protuberância occipital interna (atrás)
o Desde alguns cm para fora da foice do cérebro (em cima) até uma
linha horizontal que passa no bordo superior do rochedo e por cima
do seio transverso (segmento horizontal do seio lateral), em baixo
 Na base do crânio, a dura-máter adere fortemente à parede óssea,
especialmente nas saliências endocranianas e nos orifícios que dão
passagem a nervos e vasos

105
Camada Meníngea (dura-máter propriamente dita)
 Membrana fibrosa, densa em íntima relação com o encéfalo.
 Continua-se ao nível do forâmen magnum com a dura-máter espinhal.
 Providencia folhetos tubulares para os nervos cranianos quando estes passam pelos buracos do crânio.
 Fora do crânio, a esta camada funde-se com o epineuro dos nervos.
 Emite para dentro da cavidade craniana prolongamentos que
separam as diferentes partes do encéfalo entre si, mantendo-as
sempre no mesmo sítio (função de suporte)
 Estes prolongamentos restringem os movimentos do encéfalo
associados a movimentos bruscos da cabeça.
 Prolongamentos da camada meníngea:
o Tenda do cerebelo ou tentório do cerebelo
o Foice do cérebro
o Foice do cerebelo
o Tenda da hipófise ou diafragma da sela turca
o Tenda do bulbo olfactivo

Tenda do Cerebelo
 Septo transversal que separa a face superior do cerebelo (eu recobre) e a face inferior dos lobos occipitais (que
repousam sobre este septo)
 Corresponde ao tecto da fossa craniana posterior
 A sua face superior dá inserção na linha média à foice do
cérebro
 A sua face inferior dá inserção à foice do cerebelo
 Limitada por 2 bordos (posterior e anterior)
o Bordo posterior ou grande circunferência (a preto)
 Convexo posteriormente,
 Desde uma apófise clinoideia posterior à outra, aderindo
à linha de separação entre as fossas cranianas média e
posterior.
 Insere-se de dentro/trás para fora/frente na protuberância
occipital interna, lábios do sulco do seio transverso,
bordo superior da porção petrosa do temporal e apófise
clinoideia posterior.
 Ao longo deste bordo encontram-se os seios transversos
(atrás) e os seios petrosos superiores (à frente)
 Ao nível da impressão do nervo trigémio (no bordo superior da porção petrosa do temporal, próximo do
vértice do rochedo), apresenta um orifício que dá passagem ao nervo trigémio. Este orifício dá acesso à
cavidade trigeminal (cavum de Meckel), local onde se encontra o gânglio de Gasser.
o Bordo anterior ou pequena circunferência (a vermelho)
 Côncavo anteriormente
 Limita com a extremidade anterior da porção basilar do occipital a
incisura/chanfradura tentorial/da tenda
 Este orifício é atravessado pelo mesencéfalo
 Insere-se à frente na apófise clinoideia anterior, de cada lado
 Cruza, por cima, o bordo posterior ao nível do vértice do rochedo
 Os 2 extremos dos bordos da tenda do cerebelo formam os 2 lados de um
triângulo (a roxo), cujo terceiro lado é uma linha que passa pelas 2
apófises clinoideias (a azul). Este espaço triangular está ocupado por uma
lâmina de dura-máter perfurada pelos nervos MOC e troclear.

106
 Dos 3 bordos deste triângulo partem expansões da dura-
máter que descem até à base do crânio e formam as
paredes externa, interna e posterior do seio cavernoso.
 A parede externa do seio cavernoso desdobra-se em 2
lâminas, contendo no seu interior os nervos MOC (III),
troclear (IV), oftálmico (V1) e maxilar superior (V2)
 A parede posterior do seio cavernoso é atravessada pelo
nervo MOE (VI).
 O seio cavernoso é atravessado pelo nervo MOE (VI),
artéria carótida interna (por dentro do MOE) e pelo plexo simpático peri-carotídeo.

Foice do cérebro
 Prolongamento sagital da dura-máter ântero-
posterior, ao longo da linha média, situada na
fissura longitudinal do cérebro
 Triangular, encurvada em forma de foice
 Faces – relacionam.se com a face interna dos
hemisférios cerebrais
 Base – é posterior e inclina-se para baixo/trás,
continuando-se com a tenda do cerebelo. O seio
recto localiza-se na união da foice do cérebro
com a tenda do cerebelo
 Vértice – insere-se na crista galli e prolonga-se
para a frente até ao buraco cego
 Bordo superior – convexo, desde o buraco cego até à protuberância occipital interna. A dura-máter desdobra-se aqui
para dar passagem ao seio longitudinal superior
 Bordo inferior – livre, côncavo, relacionado com o corpo caloso. Contem na sua espessura o seio longitudinal
inferior

Foice do cerebelo
 Lâmina vertical e média situada entre os 2
hemisférios cerebelosos
 Base – superior, une-se à tenda do cerebelo
 Vértice – bifurca-se em 2 partes, escavadas
pelos seios occipitais/marginais, as quais se
desvanecem nos bordos do forâmen magnum.
 Bordo posterior – adere à crista occipital
interna. Contém os seios occipitais (próximos
entre si ou fundidos)
 Bordo anterior – livre, em relação com o vérmis
do cerebelo.

Diafragma da sela turca


 Lâmina de dura-máter circular que se estende por cima da sela turca
 Fixada à frente pelo lábio posterior da goteira óptica e atrás ao bordo
superior da lâmina quadrilátera (esfenóide)
 Nos lados une-se à linha de união das paredes interna e superior do seio
cavernoso
 Recobre a hipófise, sendo perfurada no centro por um orifício que dá
passagem ao infundíbulo
 Contém na sua espessura os seios intercavernosos (anterior e posterior)

107
Tenda do bulbo olfactivo
 Prega de dura-máter inconstante
 Forma de meia-lua
 Estende-se desde a crista galli ao bordo interno das bossas orbitárias do osso frontal
 Por cima da extremidade anterior do bulbo olfactivo
 Pode estar ausente

Aracnoideia

 Membrana conjuntiva fina, impermeável


 Entre a dura-máter e a pia-máter
 Adere em toda a sua extensão à face interior da dura-máter, apresentando a mesma
configuração que esta
 Funde-se com o epineuro dos nervos nos buracos do crânio
 No caso do nervo óptico, a aracnoideia forma uma bainha para o nervo, que
se estende até à cavidade orbitária, fundindo-se com a esclerótica. (o mesmo
ocorre com as outras meninges). Existe espaço subaracnoideu no nervo
óptico O nervo óptico e o olho devem ser encarados como um
prolongamento do SNC, em vez de um nervo craniano periférico.
 Contém as granulações aracnoideias
 Separada da dura-máter pelo espaço subdural

Espaço Subdural
 Estreito, quase virtual
 Limitada por neurotélio que atapeta a superfície interior da dura-máter e a superfície exterior da aracnóideia
 Atravessado por veias e nervos provenientes do SNC, por artérias que se dirigem aos centros nervosos e por
trabéculas conjuntivas, provenientes das células que formam
esta camada, fazendo-as comunicar com as células da pia-
máter
 Vasos, nervos e trabéculas conjuntivas estão circundados por
neurotélio neste espaço, que une o endotélio da dura-máter ao
endotélio da aracnóideia
 Ocupado por um filme de fluido

Espaço Subaracnoideu ou Espaço Leptomeníngeo


 Todas as estruturas que passem de e para o encéfalo, através
dos buracos do crânio, têm que passar por este espaço
 Contém as artérias e veias cerebrais, assim como os nervos
cranianos
 Preenchido por líquido cefalorraquidiano
 O folheto visceral da aracnóideia (camada de células virada para o espaço subaracnoideu) estende-se
superficialmente à pia-máter
 Enquanto a pia-máter se insinua de forma precisa sobre as anfractuosidades e saliências do encéfalo, o folheto
visceral aracnoideu adere à dura-máter e passa sobre essas alterações de
relevo como se fosse uma ponte
 Assim, nesses locais formam-se dilatações dos espaços subaracnoideus,
maiores ou menores consoante a profundidade e extensão das depressões Cisternas,
do encéfalo Flumina Confluentes
Rivi ou Lagos de
 As cavidades mais amplas denominam-se cisternas; as cavidades mais Magendie
pequenas tomam o nome de flumina, rivi e rivuli. Rivuli
 Em determinados locais, como na fissura longitudinal do cérebro ou na
108
goteira basilar, o espaço subaracnoideu alarga-se e forma os canais subaracnoideus, mais alongados
 Algumas vezes estas cisternas estendem-se para formar lagunas ou confluentes de Magendie.
 Na convexidade do encéfalo não existe nenhuma cisterna
 Ao nível da base do encéfalo formam-se 3 cisternas no compartimento cerebral e 3 cisternas no compartimento
cerebeloso.

Cisterna Quiasmática
 À frente do quiasma óptico, entre este e o rostrum do corpo
caloso
 Continua-se lateralmente com a cisterna da fossa lateral do
cérebro, que recebe 3 grandes flumina:
o Flúmen central (ao longo do sulco central)
o Flúmen lateral (ao longo do sulco de Sylvius)
o Flúmen paralelo

Cisterna Interpeduncular
 Estende-se desde o quiasma óptico (à frente) até à protuberância
(atrás) 1- Flúmen Central
 Corresponde à fossa interpeduncular 2- Flúmen Lateral
3- Cisterna da fossa lateral do cérebro que recebe os flumina central e
 Contém uma parte do polígono do Willis lateral

 Atravessada pelo infundíbulo e nervo MOC 4- Flumina da face externa dos hemisférios cerebrais tributários do flúmen
central
 Comunica, por fora, com as cisternas das fossas laterais do 5- Espaço subaracnoideu medular
6- Cisterna cerebelosa superior
cérebro, e à frente com a cisterna quiasmática (forma com esta a 7- Cisterna magna
cisterna basal) 8- Flúmen vermiano que comunica com as cisterna cerebelosa superior e
interpeduncular
 Espaço profundo dividido por um septo transversal incompleto,
que une os 2 nervos MOC ao recesso infundibular (3º ventrículo), num compartimento anterior e noutro posterior.
 O compartimento posterior é ainda atravessado por um septo incompleto disposto horizontalmente, desde o recesso
infundibular até à bifurcação da artéria basilar, limitando um andar superficial (em baixo) e outro profundo (em

cima)

Cisterna Quadrigémia/ da Veia Cerebral Magna


 Situa-se acima dos colículos
 Forma de losango/ rombóide
o Ângulo inferior/posterior – corresponde ao
vérmis superior
o Ângulo superior/anterior – corresponde ao
esplénio do corpo caloso
o Ângulos Laterais – correspondem aos canais
subaracnoideus dos pedúnculos
 Contém a terminação das artérias cerebrais
posteriores e da veia cerebral magna.
 Para esta cisterna drenam a cisterna do corpo caloso
(posterior) e os canais da face interna dos
hemisférios cerebrais e da face superior do cerebelo

109
Cisterna Cerebelosa Superior
 Entre a tenda do cerebelo e o cerebelo
 Unido à frente com a cisterna ambiens (circunda as artérias cerebrais posterior e cerebelar superior) através da
cisterna/flúmen vermiano, um canal central/ médio situado sob o seio recto

Cisterna Cerebelosa Posterior, Cerebelobulbar ou Magna


 Por cima do bulbo e por baixo do cerebelo
 Maior cisterna do crânio
 Forma losangular/rombóide com:
o Ângulo superior – corresponde ao vérmis inferior
o Ângulo inferior – corresponde ao bulbo
o Ângulos laterais – relacionadas com as amígdalas cerebelosas
 Esta cisterna pode ser facilmente abordada mediante punção atlanto-occipital (feita só em casos excepcionais)

Cisterna Pontocerebelosa
 Ocupa a depressão compreendida entre a extremidade inferior do hemisfério cerebeloso e o bordo externo da
protuberância
 A parede interna desta cisterna corresponde ao pedúnculo cerebeloso médio
 A parede externa – corresponde à face póstero-superior da porção petrosa do temporal, ao nível do canal auditivo
interno
 Banha a saída dos nervos vestibulococlear (VIII) e facial (VII), e as raízes do nervo trigémio (V)

Outras Cisternas

Pia-Máter

 Meninge mais interna, também chamada de membrana nutritiva


 Membrana vascularizada constituída por células mesoteliais planas
 Dá seguimento à pia-máter espinhal
 Mais vascularizada e menos aderente que a pia-máter espinhal (separa-se facilmente do encéfalo)
 Reveste intimamente a face exterior do encéfalo, atapetando todas as suas anfractuosidades
 Funde-se com o epineuro dos pares cranianos
 As artérias cerebrais que entram na substância do encéfalo levam consigo uma bainha de pia-máter
 Forma as telas coroideias do tecto dos 3º e 4º ventrículos e funde-se com o epêndima para formar os plexos
coroideus nos ventrículos laterais e nos 3º e 4º ventrículos.

110
Vascularização e Inervação das Meninges

Dura-máter
 Artérias:
o Artérias meníngeas anteriores – ramos das
artérias etmoidais anteriores
o Artérias meníngeas médias e artérias
meníngeas acessórias – ramos das artérias
maxilares internas
o Artérias meníngeas posteriores – ramos das
artérias vertebrais e faríngeas ascendentes
o Ramos das artérias carótida interna, occipital,
faríngea ascendente, maxilar interna e
vertebrais
 Veias
o Drenam para os seios da dura-máter e veias meníngeas (dispõem-se externamente às artérias)
o Podem também drenar para as veias oftálmicas, à frente e para os plexos pterigoideu e veia maxilar interna, em
baixo.
o As veias meníngeas dispõem-se na camada endosteal da dura-máter
o A veia meníngea média drena para o plexo pterigoideu
o As veias meníngeas podem também drenar superiormente no seio longitudinal superior (anastomose entre
circulações intra e extracranianas)
 Nervos
o Filetes nervosos etmoidais do nervo nasal para o andar
anterior
o Ramos meníngeos dos 3 ramos do trigémio (V par) para o
andar médio (o ramo meníngeo recorrente, do nervo
oftálmico, destina-se à tenda do cerebelo)
o Filetes do nervo vago (X par)
o Ramos do nervo glossofaríngeo (IX par)
o Ramos meníngeos dos primeiros 3 nervos cervicais
o Ramos do tronco simpático

Aracnoideia e Espaço Subaracnoideu


 Artérias e Veias – irrigados por finas ramificações dos vasos
que percorrem este tecido (artérias e veias cerebrais e as suas ramificações)
 Nervos – inervados por plexos nervosos que acompanham os vasos

Pia-máter
 Artérias e Veias – pia-máter muito vascularizada, possuindo uma rede arterial (mais profunda) e uma rede venosa
(mais superficial). Ambas as redes formam-se por anastomoses entre as divisões das artérias que se dirigem para os
centros nervosos e entre as divisões das veias que provém destes centros.
 Nervos – inervada por plexos nervosos que acompanham os vasos

111
MEDULA ESPINHAL

Dura-máter

 Tubo fibroso, denso, que contém a medula espinhal, as raízes dos nervos espinhais e a cauda equina

Extremidade superior
 Continua-se com a camada meníngea da dura-máter craniana, através do forâmen magnum.
 As artérias vertebrais atravessam-na ao nível da articulação atlanto-occipital

Extremidade inferior
 Desce até ao extremo inferior da medula espinhal (L2) e envolve os elementos da cauda equina (raízes dos nervos
espinhais inferiores + filum terminale).
 Termina em fundo de saco ao nível de S2, contudo prolonga-se até à base do cóccix formando uma bainha que
rodeia o filum terminale – porção dural do filum, filum terminal externo ou ligamento coccígeo da medula.

Superfície externa
 Adere à parede anterior do canal vertebral ao nível das primeiras vértebras
cervicais
 Na restante extensão, está separada do canal vertebral pelo espaço epidural (ao
contrário do encéfalo, aqui este espaço não é virtual)
 Este espaço é mais reduzido à frente (dura-máter une-se ao ligamento
vertebral comum) e maior dos lados e atrás
 Espaço epidural é ocupado pelos plexos venosos intra-raquidianos e por tecido
adiposo (ver imagem página seguinte)
 As raízes dos nervos espinhais atravessam a dura-máter separadamente e esta
envia prolongamentos que envolvem as raízes, formando duas bainhas
acoladas mas distintas, que se fundem com o epineuro das raízes.

Superfície Interna
 Lisa
 Apresenta de cada lado os orifícios de entrada dos nervos espinhais na sua
bainha dural
 Está unida à pia-máter por tecido conjuntivo e pelos ligamentos
denticulados.

Aracnoideia

 Membrana impermeável que cobra a medula espinhal


 Entre a dura-máter e a pia-máter
 Separada da pia-máter pelo espaço subaracnoideu, repleto de LCR
 A aracnoideia continua-se ao nível do forâmen magnum com a aracnóideia
craniana
 Inferiormente termina no filum terminale ao nível do bordo inferior da vértebra S2
 Esta camada continua-se com as raízes nervosas espinhas, formando pequenas
extensões laterais do espaço subaracnoideu.
 Espaço subaracnoideu medular é atravessado por trabéculas de tecido conjuntivo e
pelos ligamentos denticulados.
 Este espaço confunde-se, em cima, com a cisterna magna e prolonga-se
inferiormente até ao extremo inferior do fundo de saco dural

112
 Região submedular – espaço subaracnoideu desde L2 até S2, inferiormente à medula espinhal. Esta é a região mais
apropriada para a punção lombar (entre L4 e L5, preferencialmente).

Pia-máter

 Membrana vascular, também chamada de membrana


nutritiva
 Reveste superfície exterior da medula espinhal, à qual
adere intimamente
 Dá origem a uma prega que cobre as paredes da fissura
mediana anterior.
 A pia-máter funde-se com o epineuro dos nervos
espinhais.
 Da sua superfície exterior partem prolongamentos que
unem a pia-máter à dura-máter:
o À frente e atrás são finos
o De cada lado da medula existe uma lâmina fibrosa para-frontal que se estende ao longo de toda a medula entre a
face exterior da pia-máter e a face interior da dura-máter – ligamento denticulado.

Ligamento denticulado
 Situado entre as raízes anteriores e as raízes posteriores dos nervos espinhais
 Une-se à pia-máter pelo seu bordo interno
 Une-se à dura-máter pelo seu bordo externo, dentado
o O vértice de cada dente insere-se na dura-máter no intervalo entre a emergência
de 2 nervos espinhais consecutivos
o No intervalo entre cada dente, o bordo externo é livre, está situado no espaço
subaracnoideu e descreve uma concavidade para fora (a porção média da
concavidade localiza-se ao nível da emergência de um nervo espinhal)
 Começa em cima a inserir-se na face interna da porção lateral do osso occipital,
atrás/baixo do orifício interno do canal condiliano anterior e acima/atrás do orifício
da dura-máter, atravessado pela artéria vertebral e 1º nervo cervical.
 Termina entre o 12º nervo torácico e o 1º nervo lombar.
 Este ligamento permite que a medula espinhal esteja ligada e suportada pela dura-
máter e aracnóideia.

Vascularização e Inervação das Meninges

 Artérias – ramos espinhais das artérias vertebrais, intercostais, lombares e sagradas média e laterais, que nascem
próximo do buraco intervertebral
 Veias – drenam para os plexos intrarraquidianos
 Nervos – ramos meníngeos dos nervos espinhais. Cada ramo meníngeo é formado por um ramo do gânglio
correspondente do tronco simpático e por um ramo do nervo espinhal. O ramo meníngeo entra para o canal
raquidiano pelo buraco intervertebral correspondente, passando à frente das raízes espinhais.

113
ASPECTOS FUNCIONAIS DAS MENINGES

 A dura-máter possui numerosas terminações nervosas sensíveis ao estiramento, o que produz a sensação de dor de
cabeça
 A estimulação das terminações nervosas do nervo trigémio acima do nível da tenda do cerebelo produz uma dor
numa área da pele do lado homolateral da estimulação.
 Estimulação das terminações durais abaixo do nível da tenda do cerebelo produz dor restrita à nuca e porção
posterior do escalpe, ao longo da distribuição do nervo grande occipital

Funções das Meninges


 Dura-máter – devido à sua rigidez, protege o tecido nervoso subjacente e os nervos cranianos, ao nível da sua
passagem pelos buracos do crânio. Providencia uma membrana protectora às raízes dos nervos espinhais. Através
dos seus prolongamentos da camada meníngea, limita os movimentos excessivos do encéfalo em relação ao crânio
 Aracnoideia – limita o espaço subaracnoideu, preenchido com LCR. Este líquido providencia flutuabilidade ao
encéfalo e protege o tecido nervoso de forças mecânicas aplicadas no crânio.
 Pia-máter – membrana vascular que nutre o encéfalo e medula espinhal.

Movimentos excessivos do encéfalo relativamente ao crânio e meninges podem causar lesões


cerebrais
 Nos movimentos laterais, a face externa de um hemisfério choca contra o crânio e a face interna do outro hemisfério
embate na foice do cérebro
 Nos movimentos verticais, as superfícies superiores dos hemisférios chocam com a abóbada craniana, a superfície
superior do corpo caloso embate no bordo afiado da foice do cérebro e a superfície superior do cerebelo embate na
tenda do cerebelo.
 Estes movimentos excessivos podem lesar os nervos cranianos, principalmente ao nível da sua passagem pelos
buracos do crânio
 As frágeis veias corticais (que drenam para os seios da dura-máter) podem ser laceradas, resultando em hemorragias
subdurais ou subaracnoideias
 As artérias tortuosas, com as suas paredes resistentes, são dificilmente danificadas.

114
Hemorragia Intracranianas e as Meninges

Hemorragia Epidural
 Resulta de lesões dos vasos meníngeos, em
especial o ramo anterior da artéria meníngea
média (devido a um traumatismo na porção
ântero-inferior do parietal, por exemplo)
 A hemorragia descola a dura-máter do periósteo,
aumenta a pressão intracraniana e o coágulo
sanguíneo crescente exerce pressão sobre as
estruturas adjacentes (no caso da lesão anterior,
será ao nível da circunvolução pré-central)
 Numa TC, forma-se uma acumulação hiperdensa
em forma de lente biconvexa (devido à aderência
da dura-máter ao periósteo), que comprime o
encéfalo e desloca as estruturas medianas
contralateralmente

Hemorragia Subdural
 Resulta da laceração das veias cerebrais superiores, no seu
ponto de confluência no seio sagital superior
 Pode ser causada por lesões traumáticas na região frontal ou
occipital, causando deslocamento sagital do encéfalo.
 Numa TC, o sangue acumula-se no espaço virtual entre a dura-
máter e a aracnóideia, formando uma colecção hiperdensa em
forma de crescente que se estende da frente para tás. Se a
hemorragia for grande, os sulcos cerebrais desaparecem e as
estruturas medianas (ventrículos) são deslocadas
contralateralmente. Hemorragia epidural Hemorragia subdural

Hemorragia Subaracnoideia
 Resulta da laceração de aneurismas congénitos do
círculo arterial cerebral, ou de um angioma
 Sintomas: cefaleias intensas, rigidez do pescoço e
perda de consciência
 Métodos de diagnóstico: TC (áreas hiperdensas ao
nível do espaço subaracnoideu) e punção lombar
com LCR hemorrágico.

Hemorragia Intracraniana no recém-nascido


 No parto, as compressões excessivas podem causar ruptura dos vasos e seios cranianos do bebé (ex: grande pressão
sagital pode causar separação da foice do cérebro e tenda do cerebelo, levando a uma hemorragia do seio recto, seio
sagital inferior e grande veia cerebral)
 Pode ocorrer também no “shaken baby syndrome”

Cefaleias
 As cefaleias podem ter múltiplas causas, variando desde simples intercorrências médicas (uma síndroma febril, por
exemplo) até patologia grave do sistema nervoso.
 São várias as estruturas que podem desencadear dor cefálica:
o Estruturas intracranianas: parede dos vasos cranianos, as meninges, os nervos cranianos (nevralgia do trigémio)

115
o Estruturas extracranianas: as primeiras raízes dos nervos cervicais, os globos oculares, os seios perinasais, dentes,
artérias extracranianas, ATM e estruturas osteoarticulares e músculos da coluna cervical.
 O tecido nervoso do encéfalo, não contendo terminações nervosas sensitivas, não desencadeia sensação de dor
quando é directamente estimulado. A dor deve-se à estimulação de receptores fora do encéfalo.
 De acordo com a sua causa, as cefaleias podem classificar-se em primárias e secundárias:
o Cefaleias Primárias: resultam de uma predisposição genética e/ou outros mecanismos apenas parcialmente
esclarecidos, não resultando de doença estrutural dentro ou fora do SNC. A enxaqueca é um tipo de cefaleia
primária
o Cefaleias Secundárias: são as cefaleias determinadas por doença, estrutural ou metabólica, dentro ou fora do
SNC. Entre estas encontram-se a cefaleia que acompanha uma síndroma febril, a cefaleia associada à sinusite ou
ao glaucoma, dores de cabeça devidas a infecção do SNC (meningite, encefalite) e as resultantes do abuso de
fármacos ou abstinência dos mesmos.

Cefaleias Meníngeas
 A dura-máter recebe inervação sensitiva do nervo trigémio e dos primeiros 3 nervos cervicais, essencialmente.
 A dura-máter acima da tenda do cerebelo recebe inervação do trigémio  a dor cefálica é sentida na fronte/testa e na
face.
 A dura-máter abaixo da tenda do cerebelo recebe fibras nervosas dos primeiros nervos cervicais  a dor cefálica é
referida ao nível da nuca
 Uma meningite provoca tanto dor na região frontal como na região posterior da cabeça e pescoço

Cefaleias causadas por tumores cerebrais:


 Os tumores podem provocar aumento da pressão intracraniana, causando fortes cefaleias, contínuas e progressivas
 Tumor acima da tenda do cerebelo  dor na região frontal da cabeça
 Tumor abaixo da tenda do cerebelo  cefaleia ao nível da nuca

Enxaqueca ou “Migraine”
 A enxaqueca é uma cefaleia episódica caracterizada por períodos de dor – as crises duram entre 4-72 horas,
separadas por intervalos livres sem dor
 Durante as crises a cefaleia é tipicamente pulsátil, unilateral (mudando de lado de crise para crise), intensa, agravada
pela actividade física mesmo ligeira (e/ou movimentos bruscos da cabeça) e acompanha-se de foto e fonofobia,
náuseas e/ou vómitos.
 Em cerca de 18% dos doentes, as crises de enxaqueca são antecedidas por sintomas neurológicos transitórios que
constituem a aura. A aura tem habitualmente uma duração inferior a 60 minutos, caso contrário denomina-se por
aura prolongada e deverá ser investigada (a aura também se associa a ataques epilépticos)
 Assim, a aura da enxaqueca inclui pelo menos um dos seguintes sintomas:
o Sintomas visuais inteiramente reversíveis, incluindo sinais positivos (escotomas cintilantes, brilhos, riscos) e/ou
negativos (perda de visão, amaurose). São os mais frequentes. Estes sintomas visuais parecem estar associados a
uma vasoconstrição simpática das artérias cerebrais que vascularizam o córtex visual
o Sintomas somatoestésicos inteiramente reversíveis, incluindo parestesias, “formigueiros” ou sensação de
“encortiçamento” (diminuição da sensibilidade táctil)
o Perturbações afásicas inteiramente reversíveis
 As crises de enxaqueca têm um marcado componente hereditário, determinando uma maior susceptibilidade (por
diminuição do limiar de excitabilidade) do SNC a determinados estímulos.
 Os factores que habitualmente servem de desencadeantes das crises são as variações hormonais (o período
menstrual), alterações do sono, calor, estímulos sensoriais (luz intensa, padrões visuais), jejum prolongado, esforço
físico, etc.
 As crises iniciam-se na infância ou no início da idade adulta e podem manter-se toda a vida, podendo também
melhorar com a menopausa ou o envelhecimento
 Na patogenia da enxaqueca intervêm factores centrais e periféricos. No início das crises existe uma activação do
tronco cerebral (substância cinzenta periaquedutal e núcleos aminérgicos). Existe estimulação do núcleo sensitivo do
trigémio. O trigémio é responsável pela inervação da parede dos vasos, e a sua estimulação leva à vasodilatação e
116
aumento da permeabilidade vascular, inflamação perivascular neurógena e libertação de neurotransmissores
nociceptivos, que por sua vez estimulam as terminações sensitivas do trigémio, provocando a sensação de dor.
 A terapêutica das crises de enxaqueca faz-se com analgésicos simples (paracetamol), AINEs (diclofenac, ibuprofeno,
naproxeno), triptanos ou o tartarato de ergotamina. Relativamente à terapêutica preventiva, recorre-se a β-
bloqueantes (propranolol, timolol), antidepressivos tricíclicos (amitriptilina) e a alguns antiepilépticos (divalproato
de sódio, topiramato).

Cefaleias Alcoólicas
 Devido ao efeito tóxico do álcool sobre as meninges.

Cefaleias devido a patologias dentárias, dos seios perinasais e globo ocular


 Infecções dentárias e sinusite  dor na pele da fronte/testa e face ao longo dos ramos do nervo trigémio
 O espasmo tónico do músculo ciliar do olho (usado para a acomodação do cristalino), aquando da tentativa de focar
objectos por longos períodos de tempo (ex: leitura) pode causar cefaleias orbitárias. Este fenómeno é mais comum
em pessoas que usam lentes para a correcção de presbiopia.
 Presbiopia – caracteriza-se por uma diminuição fisiológica do poder de acomodação do cristalino, devido à idade
(diminuição da elasticidade das fibras do cristalino). O cristalino endurece e perde a capacidade de focagem e
convergência (essencialmente para a vista ao perto). A presbiopia surge por volta dos 43-45 anos de idade, pelo que,
invariavelmente todas as pessoas irão precisar de usar óculos ao longo da vida. Os principais sinais e sintomas da
presbiopia são: incapacidade visual para perto, cefaleias e olhos cansados/dor.

117
VENTRÍCULOS

DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO

Ectoderme →Tubo neural→ Dilatação do canal ependimário


Prosencéfalo Telencéfalo – Ventrículos laterais
Diencéfalo – III ventrículo
Mesencéfalo – Aqueduto de Sylvius
Rombencéfalo – IV ventrículo
Canal ependimário (medula)
Ventrículo Terminal

VENTRÍCULOS LATERAIS

 Cavidades ependimárias dos hemisférios cerebrais.


 São 2, um de cada lado.
 Cada ventrículo constitui uma cavidade anfractuosa, disposta em torno do núcleo
caudado, tálamo e pedúnculo cerebral.
 Começa no lobo frontal, por cima do extremo ântero-superior do núcleo caudado,
3cm atrás do pólo frontal. Daqui, dirige-se para trás ao longo da face convexa
(interna) do núcleo caudado e da face superior do tálamo. Depois contorna de cima para baixo o pulvinar (extremo
posterior do tálamo), entra no lobo temporal passando por baixo do extremo superior do pedúnculo cerebral e da cauda
do núcleo caudado. Termina 2cm atrás do polo temporal.
 Descreve a forma de um C com concavidade para a frente, correspondendo à convexidade do núcleo caudado.

Constituição
 Corno anterior/frontal – por cima dos núcleos tálamo-estriados
 Corno inferior/temporal – por baixo destes núcleos e do extremo superior do pedúnculo cerebral
 Corno posterior/occipital – dirige-se para trás, até ao lobo
occipital
 Corpo – projecta-se ao longo do lobo parietal
 Carrefour ou trígono colateral – parte do ventrículo situada
atrás do tálamo e núcleo caudado, onde se unem os três cornos.
 Comunica com o III ventrículo pelo Buraco Interventricular
(de Monro), cujos limites são:
o Anterior – pilares anteriores do fórnix/trígono
o Posterior – extremidade anterior do tálamo
o Externo – joelho da cápsula interna
o Superior – tela coroideia do III ventrículo, que se continua
com o revestimento epitelial do ventrículo lateral (membrana
tectória). Este epitélio cobre a face inferior do plexo coroideu
no momento que passa por baixo do fórnix e por cima do
buraco interventricular.

118
Corpo
 Situado no lobo parietal
 Limites
o Posterior: Extremo posterior do tálamo e segmento descendente do núcleo
caudado.
o Interno: Septum pellucidum + corpo do fórnice
o Externo: Feixes do corpo caloso
o Superior/tecto: Face inferior do corpo caloso
o Inferior/pavimento: corpo do núcleo caudado + face superior (porção externa) do tálamo

Corno Anterior
 Lobo frontal; é o mais largo (maior à frente do que atrás).
 3 paredes:
o Superior: formada pela face inferior do corpo caloso;
o Inferior: constituída por 2 segmentos (anterior e posterior) separados pelo buraco de
Monro:
o Segmento anterior – cabeça do núcleo caudado (fora) e fibras do joelho do corpo caloso
(dentro)
o Segmento posterior – de fora para
dentro: corpo do núcleo caudado;
sulco tálamo-estriado (que contém a
lâmina afixa – espessamento da
membrana tectória –, a veia tálamo-
estriada e a stria terminalis/ fita
semicircular); segmento externo da
face superior do tálamo; plexo
coroideu lateral (ao nível do sulco
coroideu); metade externa do trígono.
o Interna: septum pellucidum (à frente)
e união do corpo caloso + fórnice
(atrás).

Corno Inferior
 Projecta-se no lobo temporal, abaixo do núcleo caudado.
 Relacionado internamente com fenda de Bichat
 Forma de meia-lua com concavidade virada para baixo e para dentro.
 2 paredes:
o Superior/abóbada – porção sublentiforme da cápsula interna (contém a cauda do núcleo
caudado e a fita semi-circular), que a separa da face inferior do núcleo lentiforme.
o Inferior – formada pelo hipocampo, fímbria do hipocampo e Eminência Colateral de
Meckel.

119
Corno Posterior
 Lobo occipital, dirige-se para trás.
 Termina 2 a 3 cm do pólo occipital.
 2 paredes:
o Súpero-externa: côncava, corresponde aos feixes do corpo caloso que formam o
tapetum, e às radiações ópticas.
o Ínfero-interna: elevada por 2 saliências sobrepostas.
 Superior – bulbo do corno occipital, formado pelo Forceps Major.
 Inferior – Esporão de Morand ou Calcar Avis (ver setas vermelhas na imagem) – no interior do ventrículo na
profunda depressão causada pelo sulco calcarino.

Trígono Colateral ou Carrefour


 Limites:
o À frente – extremidade posterior do tálamo e cauda do núcleo caudado;
o Por fora – Feixes do corpo caloso
o Por dentro – Lâmina epitelial que se continua em cima com aquela que une a ténia do fórnix ao tálamo sobre o
pavimento do corno frontal, e em baixo com a lâmina que se estende desde a fímbria do hipocampo até ao tecto do
corno temporal.

Plexos Coroideus dos Ventrículos Laterais


 Correspondem a franjas compostas por pia-máter e
cobertas por uma camada de células ependimárias.
Função: produzir LCR.
 Localizados por fora das ténias do fórnix, apoiando-se
sobre o sulco coroideu do tálamo (corno frontal);
constituem as extremidades laterais da tela coroideia do
III ventrículo.
 Prolongam-se para trás e para baixo, ao longo das partes externas da fenda de Bichat. Rodeiam depois a extremidade
posterior do tálamo, onde se espessam formando o glomus coroideu. Em seguida, dirigem-se para baixo e para a
frente, dispondo-se no fundo da fenda de Bichat, ao longo da parede interna do corno temporal.
 O plexo coroideu do ventrículo lateral, que sobressai na cavidade ventricular, está recoberto por uma lâmina epitelial
ependimária que se estende desde o tálamo até à ténia do fórnix (membrana tectória).
 A porção temporal dos plexos coroideus dos ventrículos laterais,
continua-se com a pia-máter da base do encéfalo.
 NOTA: Ténias do plexo coroideu – o plexo coroideu forma-se pela
projecção das alças vasculares do epêndima. Portanto, é fixado na parede
do respectivo ventrículo. Quando o plexo é removido, formam-se linhas
de ruptura, as ténias.

120
III Ventrículo
 Situa-se entre os 2 hemisférios cerebrais, à frente do mesencéfalo, entre os 2 tálamos.
 Comunica à frente com os ventrículos laterais pelo buraco de Monro e atrás com o IV ventrículo pelo Aqueduto de
Sylvius.
 Constituído por 5 paredes:

Paredes Laterais (2)


 Correspondem aos 2/3 anteriores da face interna dos tálamos e às estruturas
subtalâmicas inferiormente ao sulco de Monro ou hipotalâmico (desde a
extremidade anterior do Aqueduto de Sylvius até ao buraco de Monro).
 Das estruturas subtalâmicas destacam-se os núcleos internos do
hipotálamo.

Parede Superior
 Convexa da frente para trás e côncava transversalmente.
 Apresenta atrás, na sua união com a parede posterior, a glândula pineal. Esta repousa sobre o sulco médio que separa
os colículos superiores. A sua base é
atravessada por um divertículo ventricular, o
recessus pinealis, compreendido entre duas
pregas: comissura habenular (superior) e a
comissura branca posterior (inferior).
 À frente da epífise, a parede superior é formada
pela tela coroideia do III ventrículo, situada de
cada lado das habénulas, unindo-se
anteriormente às colunas do fórnix.
 A parte posterior da tela coroideia limita com a
metade anterior da face superior da glândula
pineal, o recesso suprapineal.

Parede Póstero-Inferior
 Inclinada para a frente e para baixo.
 Começa na base da epífise.
 Abaixo da epífise encontra-se a abertura do aqueduto de Sylvius. Abaixo e à frente desta abertura, o pavimento
compreende uma lâmina de substância branca formada pela extremidade anterior dos pedúnculos cerebrais (região
interpeduncular).
 À frente da substância branca interpeduncular, existe uma lâmina fina de substância cinzenta que se estende até ao
infundibulum.
 A face ventricular desta parede é lisa, regular e deprimida na linha média.
 A face inferior é muito irregular e apresenta, de trás para a frente:
o Espaço Perfurado Posterior (fossa interpeduncular), onde a parede ventricular adquire o nome de lâmina perfurada
posterior;
o Tubérculos mamilares (massa cinzenta central com uma fina camada branca superficial);
o Uma superfície convexa em que o pavimento ventricular é formado por uma lâmina delgada e cinzenta – tuber
cinerium.
o Quiasma óptico, à frente do tuber cinerium, do qual está suspensa a hipófise.

121
Parede Anterior
 Vertical.
 Em cima estão os pilares anteriores do trígono. Cada um deles limita com a
extremidade anterior do tálamo o buraco de Monro.
 No ângulo de afastamento dos 2 pilares observa-se a comissura branca
anterior, que cruza a face anterior dos pilares do trígono e limita com eles
um espaço triangular: vulva ou fossa triangular.
 Abaixo da comissura anterior, a parede é constituída por uma lamela
cinzenta (lâmina terminalis/ supra-óptica), a qual se continua acima da
comissura branca anterior com o bico do corpo caloso e o septum pellucidum. Esta lâmina confunde-se com o espaço
perfurado anterior, dos lados, e em baixo une-se ao quiasma óptico e limita com ele um divertículo – recesso óptico.

Cavidade do III ventrículo


 Forma de pirâmide quadrangular com 2 paredes externas, 1 parede anterior, 1 parede póstero-inferior, 1 parede
superior (base) e um vértice inferior (recesso infundibular).
 É atravessada pela comissura intertalâmica
 Comunica de cada lado com os ventrículos laterais pelo Buraco de Monro (parede externa, parte ântero-superior).

Tela coroideia e plexo coroideu do III ventrículo


 A tela coroideia do terceiro ventrículo é triangular. A base posterior corresponde à abertura transversal do segmento
médio da fissura transversa do cérebro; o vértice está em relação com o fórnix; os bordos laterais formam os plexos
dos ventrículos laterais. A tela coroideia do III ventrículo apresenta, de cada lado da linha média, os plexos coroideus
do III ventrículo, dois plexos que sobressaem no III ventrículo.
 Os plexos coroideus do III ventrículo estendem-se de posterior a anterior, desde a base até ao vértice da tela coroideia.
Neste ponto, os plexos flexionam-se lateralmente, um à direita e outro à esquerda, cruzam a face inferior das colunas
do fórnix e continuam-se com os plexos coroideus dos ventrículos laterais.

IV Ventrículo

 Dilatação do canal ependimário entre as diferentes partes do rombencéfalo: bulbo e protuberância (frente), e cerebelo
(atrás);
 Tem forma de tenda / losango, e contém LCR;
 Em cima continua-se com o aqueduto de Sylvius (através do qual comunica com o III ventrículo);
 Em baixo continua-se com o canal ependimário do bulbo, que se continua com o da medula;
 Atrás comunica com o espaço subaracnoideu através do buraco mediano de Magendie e dos buracos laterais de
Luschka;
 Nele distinguem-se 2 paredes (anterior e posterior), 4 bordos e 4 ângulos.

122
Parede Anterior ou Fossa Romboide ou Pavimento do IV Ventrículo
 Losângica; o seu eixo maior é vertical.
 O eixo menor é transversal e divide-a em duas partes triangulares: Superior ou Protuberancial e Inferior ou Bulbar;
 O sulco longitudinal que a atravessa do ângulo superior ao ângulo inferior é a Haste do Calamus Scriptorius. Deste
partem finos filamentos brancos: estrias acústicas ou estrias medulares, que se dirigem transversalmente para fora,
seguindo o limite entre os 2 triângulos. Contornam os pedúnculos cerebelosos inferiores, alcançando o núcleo coclear
posterior.
 De cada lado da Haste do Calamus Scriptorius, a configuração é diferente na parte bulbar (inf.) e protuberancial
(sup.):
 No triângulo bulbar observam-se de
dentro para fora:
o Asa branca interna ou trígono do
hipoglosso - saliência triangular de
base superior. É dividida por uma crista
vertical em duas vertentes:
 Interna / área medialis: relação
com o núcleo do hipoglosso
 Externa / área plumiformis:
corresponde ao núcleo intercalado
o Asa Cinzenta ou Fóvea inferior ou
Trígono do Pneumogástrico -
superfície deprimida, triangular de base
inferior, que corresponde ao núcleo
dorsal do pneumogástrico (X). Está
limitado inferiormente por um cordão branco, o funiculus separans. Este vai desde a extremidade inferior da asa
branca externa até à extremidade inferior do triângulo bulbar; limita com o segmento correspondente do pedúnculo
cerebeloso inferior a área postrema (corresponde à extremidade superior do núcleo de grácil ou de Goll)
o Asa Branca Externa ou área vestibular – Triangular, de base superior. Relaciona-se com os núcleos vestibulares.
 No triângulo protuberancial podemos observar, de
dentro para fora:
o Colículo facial – Saliência ovoide, alargada de
superior a inferior, cuja extremidade inferior
corresponde ao núcleo do nervo abducente (VI).
o Fóvea superior – no prolongamento da asa
cinzenta; relaciona-se com o núcleo motor ou
mastigador do trigémio (V).
o Parte superior da área vestibular – segue-se à
asa branca externa do triângulo bulbar.
o Locus ceruleus – zona escura, situada para fora
da parte superior da fóvea superior.
 Assim, no conjunto, podemos descrever na fossa
romboide duas eminências longitudinais, separadas
por uma depressão:
o Eminência interna ou funiculus teres- formado
em baixo pela asa branca interna e em cima pela
eminência teres
o Eminência externa – área vestibular

123
Parede Posterior ou Tecto
 Compreende três partes: superior, média e
inferior.
 Parte Média ou Cerebelosa - Formada pela face
anterior do cerebelo, compreendida entre a língula
em cima, o nódulo e o véu medular inferior
(válvulas de Tarin) e os pedúnculos cerebelosos
lateralmente.
 Parte Superior - Formada pelo véu medular
superior (válvula de Vieussens), lâmina nervosa
branca, que se estende entre os dois pedúnculos
cerebelosos superiores e recobre o triângulo
protuberancial do IV ventrículo. Tem forma
triangular, de base inferior.
o Base / Bordo inferior: continua-se com a
extremidade anterior do vérmis ou língula.
o Extremidade superior / Vértice: estende-se até
aos tubérculos quadrigémeos posteriores
(colículos inferiores). O freio do véu medular superior liga a extremidade superior deste véu ao sulco que separa os
tubérculos quadrigémeos posteriores. De cada lado do freio saem os nervos patéticos (IV).
o Face anterior / Ventricular: lisa e regular.
o Face dorsal / Posterior: estriada devido à relação com o cerebelo; constituída por uma camada superficial de
substância cinzenta e uma camada profunda de substância branca.
o O véu medular superior parece continuar o lóbulo mais anterior do vérmis (língula).
 Parte Inferior
o É formada pelo véu medular inferior que adere ao
folheto profundo da tela coroideia.
o Tela coroideia e plexo coroideu: A pia-máter recobre
directamente e em toda a extensão o sistema nervoso
central, enviando expensões para todas as depressões. A
tela coroideia do IV ventrículo resulta assim de uma
invaginação da pia-máter na anfractuosidade profunda
que separa a face inferior do cerebelo do tecto da parte
bulbar do IV ventrículo.
o A tela coroideia é triangular de base superior. É
formada por 2 folhetos: um folheto cerebeloso e outro
bulbar, que se continuam um com o outro no fundo da
depressão.
o À frente do folheto anterior ou bulbar da tela coroideia, encontram-se dois cordões
longitudinais, situados de cada lado da linha média, cobertos de vilosidades
vascularizadas : plexos coroideus medianos. A continuar os plexos coroideus
medianos, estão os plexos coroideus laterais. Estes dirigem-se para fora, ao longo da
linha de união dos 2 folhetos da tela coroideia, estendendo-se para lá dos ângulos
laterais do IV ventrículo. As porções livres dos plexos, que se estendem para o espaço
subaracnoideu através das aberturas laterais, são os cornos de abundância.
o No seu conjunto, os plexos coroideus do IV ventrículo formam um T cuja parte vertical é dupla.

124
Véu Medular Inferior ou Membrana Tectória
 Lâmina epitelial/ependimária coberta posteriormente por pia-máter, que atapeta a face profunda ou ventricular do
folheto anterior da tela coroideia. A sua forma é triangular. Continua-se pela base com o cerebelo, pelo seu vértice
com o canal ependimário da medula e pelos
bordos laterais com os pedúnculos cerebelosos
inferiores.
 Esta membrana é apenas epitelial na sua
porção central, sendo reforçada por lâminas
nervosas em baixo e nos lados:
o Óbex – lamela nervosa cinzenta que
reforça a membrana tectória ao nível do
ângulo inferior do IV ventrículo. É
triangular de base superior.
o Ténias do IV ventrículo – duas lâminas
brancas, localizadas superiormente ao
óbex, nas porções laterais.
o Enquanto a membrana é reforçada ao longo
dos pedúnculos cerebelosos inferiores e no
ângulo inferior do IV ventrículo por tecido
nervoso, na sua parte média é apenas epitelial, apresentando um orifício mediano, oval, situado nas proximidades
do ângulo inferior do IV ventrículo – Buraco de Magendie. Existem também os Buracos de Luschka – duas
aberturas em forma de fenda, ocupando os ângulos laterais da tela coroideia, ao nível da emergência dos plexos
coroideus laterais. Estes orifícios permitem a comunicação entre a cavidade do IV ventrículo e o espaço
subaracnoideu, possibilitando que o LCR flua do espaço ventricular para o espaço subaracnoideu.

Nota: Disposição de estruturas na parede inferior


do IV ventrículo. De anterior para posterior
podemos encontrar:
- Camada de células ependimárias
- Véu medular inferior
- Plexo coroideu

Bordos
 O IV ventrículo tem 4 bordos:
o Bordos inferiores (2) – correspondem à linha de
união da ténia do IV ventrículo ao pedúnculo
cerebeloso inferior.
o Bordos superiores (2) – formados pelo lado interno
dos pedúnculos cerebelosos superiores.

Ângulos
 Como o IV ventrículo não é mais que uma dilatação do canal ependimário:
o A extremidade inferior (ângulo inferior) comunica com o canal ependimário da medula;
o A extremidade superior (ângulo superior) continua-se com o aqueduto de Sylvius;
o Os ângulos laterais correspondem às extremidades dos recessos laterais.

125
LÍQUIDO CEFALO-RAQUIDIANO

Constituição
 É um fluido claro e incolor;
 Possui, em solução, sais inorgânicos, glicose e vestígios proteicos. As
poucas células que possui são linfócitos (0 a 3 por mm3).
 A pressão do líquor é mantida constante (60 a 150 mm de água), sendo o
seu volume total (espaço ventricular e subaracnoideu) cerca de 130mL.
A pressão é aumentada no esforço da defecação, tosse e compressão das
veias jugulares internas.

Localização
 Ventrículos do cérebro;
 Espaço subaracnoideu;
 Em torno do encéfalo e medula espinhal.

Funções
 O líquor banha a superfície interna e externa
do encéfalo e medula, funcionando como
uma “almofada” amortecedora entre o SNC e
os ossos que o rodeiam, protegendo-o de
choques mecânicos.
 A sua estreita relação com o tecido nervoso e
sangue permite-lhe funcionar como um
reservatório, intervindo na regulação do
conteúdo craniano. Por exemplo, se o volume
do cérebro ou sangue aumentarem, o volume
de líquor diminui.
 Como o líquor é um substrato fisiológico
ideal, participa na nutrição do tecido nervoso
e na remoção dos produtos do metabolismo
neuronal.
 É possível que as secreções da glândula pineal influenciem a actividade da glândula pituitária pela circulação no
líquor a nível do III ventrículo.
 Em resumo, as principais funções do líquor são:
o Amortecer e proteger o SNC de traumas
o Proporcionar estabilidade mecânica e suporte para o encéfalo
o Funcionar como reservatório e participar na regulação do conteúdo do crânio
o Participar na nutrição do SNC
o Remover metabolitos do SNC
o Funcionar como um meio de transporte das secreções da glândula pineal para a hipófise.

Formação
 Forma-se principalmente nos plexos coroideus dos vários ventrículos
(laterias, III e IV), que o segregam activamente, e também nas células
ependimárias e espaços perivasculares da superfície cerebral.
 Os plexos coroideus apresentam uma superfície pregueada, sendo cada
prega revestida por uma porção central de tecido conjuntivo coberta
por tecido epitelial cubóide ependimário. As células ependimárias
apresentam microvilosidades na superfície livre.

126
 Assim, o sangue dos capilares vai estar separado das
cavidades ventriculares por endotélio, membrana basal
e pelo epitélio de superfície. As células epiteliais são
fenestradas e permeáveis a grandes moléculas.
 Os plexos coroideus segregam activamente líquor e, ao
mesmo tempo, transportam activamente metabolitos do
sistema nervoso para o sangue. O transporte activo
também permite explicar o facto da concentração de
potássio, cálcio, magnésio, bicarbonato e glucose ser
mais baixa no LCR que no plasma sanguíneo.
 O LCR é produzido a um ritmo constante de 0,5mL
por minuto, num volume total de aproximadamente
150 ml, o que corresponde a um turnover de cerca de
5h.
 A produção de LCR não é regulada pela pressão e continua a ocorrer mesmo que haja obstrução no trajecto do
líquor.

Circulação
 A circulação do líquor tem início com a secreção nos plexos coroideus
dos ventrículos e na superfície do encéfalo.
 O fluido passa dos ventrículos laterais para o III ventrículo através dos
buracos de Monro.
 Passa depois para o IV ventrículo através do Aqueduto de Sylvius.
 A circulação é estimulada pelas pulsações arteriais dos plexos coroideus e
pelos cílios das células ependimárias que recobrem os ventrículos.
 Do IV ventrículo o líquor passa para o espaço subaracnoideu, através do
buraco Magendie e buracos de Luschka.
 O líquor move-se depois pelas cisternas cerebelo-medular e pontina,
passando pela Tenda do Cerebelo para alcançar a superfície cerebral
inferior.
 Depois move-se superiormente ao longo das faces laterais de
cada hemisfério cerebral.
 Algum líquor passa também para o espaço subaracnoideu que
envolve a medula e cauda equina. Aqui, o líquor está num
beco sem saída, e a sua circulação a partir deste ponto depende
totalmente das pulsações da artérias espinhais, dos
movimentos da coluna vertebral, respiração, tosse e mudanças
de posição.

Absorção
 Os principais locais de reabsorção de líquor são as
Vilosidades Aracnoideias, que se projectam no
interior dos seios venosos durais (principalmente
no seio longitudinal superior).
 As vilosidades aracnoideias tendem a agrupar-se
constituindo elevações denominadas de
Granulações de Pacchioni (aumentam em número e
tamanho com a idade e tendem a tornar-se
calcificadas em idades avançadas).
 Estruturalmente, cada vilosidade aracnoideia é um
divertículo do espaço subaracnoideu que transpõe a
127
camada meníngea da dura-máter.
 O divertículo aracnoideu é coberto por uma fina camada
celular, a qual é por sua vez coberta pelo endotélio dos seios
venosos.
 A absorção do líquor para os seios venosos ocorre quando a
pressão do líquor excede a pressão nos seios venosos.
 Nesse caso, o líquor passa através de finos túbulos
existentes no endotélio do seio venoso, directamente do
espaço subaracnoideu para o seio venoso.
 Se a pressão venosa aumentar e exceder a pressão do líquor,
os túbulos encerram impedindo o refluxo de sangue para o
espaço subaracnoideu.
 As vilosidades aracnoideias funcionam então como válvulas.
 Algum do líquor é provavelmente absorvido directamente para as veias do espaço subaracnoideu, enquanto outro
possivelmente escapa através dos vasos linfáticos perineurais dos nervos cranianos e espinhais.
 Como a produção do líquor nos plexos coroideus é constante, é a velocidade de absorção do líquor através das
vilosidades aracnoideias controla a pressão do líquor.

Correlações clínicas
Papiledema
 Quando ocorre um aumento de pressão no LCR, como por exemplo em caso de
tumores, as veias da retina são comprimidas, já que existe um prolongamento do
espaço subaracnoideu a envolver o nervo óptico e parte posterior do globo ocular.
 A congestão da veia retiniana promove edema do disco óptico de ambos os lados –
Papiledema.
 O papiledema persistente pode originar atrofia do nervo óptico e cegueira.

Hidrocefalia
 A hidrocefalia corresponde a um aumento anormal de volume do LCR
no crânio. Raramente a hidrocefalia ocorre sem aumento de pressão do
LCR
 Podemos classificar a hidrocefalia em 2 categorias:
o Hidrocefalia Não Comunicante – o aumento da pressão de LCR é
devido a um bloqueio num ponto entre a sua formação nos plexos e a
sua saída pelos forames do tecto do IV ventrículo.
o Hidrocefalia Comunicante – não há nenhuma obstrução. O LCR
atinge livremente o espaço subaracnoideu.
 Causas principais de hidrocefalia
o Excesso de formação de LCR – raro, podendo ocorrer em
casos de tumores nos plexos coroideus.
o Bloqueio na circulação de LCR – pode ser provocada por
um tumor. Como a produção de LCR é contínua, ocorre
distensão do ventrículo e atrofia do tecido neural adjacente.
A obstrução também pode ser congénita ou resultar de
inflamação.
o Diminuição da absorção de LCR – interferências na
absorção de LCR pelas granulações aracnóideias podem
ser causadas por exsudado inflamatório, trombose venosa
ou pressão nos seios venosos e ainda obstrução da veia
jugular interna.
128
Alteração da composição do LCR
 A examinação do LCR pode ser muito útil para fazer diagnóstico neurológico.
 A pressão aumentada do LCR pode ser medida, podendo significar: meningite, tumor, abcesso ou hematoma.
 Normalmente, o LCR é límpido e incolor. Quando o seu aspecto é turvo pode significar presença de leucócitos ou
excesso de proteínas.
 Enquanto a presença de leucócitos sugere inflamação, um aumento de proteínas pode estar presente na meningite
tuberculosa, poliomielite e também na esclerose múltipla, devido à elevação da γ-globulina.
 A presença de sangue não é normal no LCR. Esta pode significar hemorragia subaracnoideia, caso a coloração
provocada pelo sangue seja uniforme.
 Quando o LCR adquire uma coloração amarelada (xantocromia) pode dever-se à presença de oxihemoglobina,
presente algumas horas após uma hemorragia subaracnoideia.
 A diminuição dos níveis de glucose no LCR pode ocorrer numa meningite bacteriana, mas normalmente não ocorre
numa infecção viral.

129
SISTEMA LÍMBICO

 A palavra “límbico” significa margem


 O termo “sistema límbico” era usado para incluir um grupo de estruturas que se situavam numa zona marginal, entre
o córtex cerebral e o hipotálamo
 Actualmente o sistema límbico é caracterizado mais pelas suas funções, estando relacionado com muitas outras
estruturas além das estruturas marginais
 O sistema límbico é importante no controlo da emoção, do comportamento e nos mecanismos associados à
motivação. Também parece ser importante na memória

ESTRUTURAS ASSOCIADAS AO SISTEMA LÍMBICO


 O Sistema Límbico compreende regiões do Neocórtex, do Paleocórtex, do Arquicórtex e do Mesocórtex, assim como
núcleos subcorticais.
 Podemos identificar Estruturas Límbicas e Estruturas Relacionadas com o Sistema Límbico

ESTRUTURAS ESTRUTURAS
FUNÇÃO FUNÇÕES
LÍMBICAS RELACIONADAS
Hipotálamo Resposta Emocional
Circunvolução Límbica Comunicação com o Córtex
(corpos mamilares) Vegetativa
Formação Memória, Relação com o Tálamo Aferência Sensitivo-
Hipocâmpica Passado (núcleos límbico) Sensorial
Integração das Vias
Amígdala Integração da Informação Gânglio da Habénula Aferentes Olfactivas,
Viscerais e Somáticas
Áreas Límbicas do
Aparelho Olfactivo Aferência Directa Resposta Emocional
Mesencéfalo
Atenua Influência Afectiva na
Região Septal Áreas Límbicas Neocorticais Estado Psíquico Interior
Resposta Emocional

ESTRUTURAS LÍMBICAS

Circunvolução ou Córtex Límbico


 Ao nível do debrum/esplénio do corpo caloso, a
Circunvolução do Corpo Caloso une-se à
Circunvolução Para-Hipocâmpica e com esta forma em
torno das formações inter-hemisféricas um anel
completo, fechado à frente pelas Raízes/Estrias do
Pedúnculo Olfactivo
 Este anel completo denomina-se Circunvolução
Límbica ou Anel de Broca

CIRCUNVOLUÇÃO DO CORPO CALOSO


 Limites:
o Em baixo, o sulco do corpo caloso e a circunvolução intra-límbica
o Em cima/atrás, o sulco subparietal
o Em cima/frente, o rego caloso-marginal
o À frente/baixo, a região septal
 As fibras provenientes desta circunvolução designam-se de Cingulum.

130
CIRCUNVOLUÇÃO PARA-HIPOCÂMPICA OU 5ª CIRCUNVOLUÇÃO TEMPORAL
 Situada na face interna do lobo temporal
 Continua-se atrás com a 5ª circunvolução occipital, formando o lóbulo
lingual
 Limites:
o Em baixo/fora, o sulco rinal/colateral
o Em cima, limite externo da fenda de Bichat (a fenda de Bichat situa-se
internamente a esta circunvolução, sendo o seu limite interno os
pedúnculos cerebrais)
o Atrás/cima, a circunvolução do corpo caloso, com a qual continua
 A extremidade anterior desta circunvolução dobra-se para cima/trás, em
forma de gancho, formando o úncus. No interior do úncus encontra-se a
amígdala.
 A circunvolução para-hipocâmpica é atravessada longitudinalmente pelo
sulco do hipocampo, no fundo do qual se encontra o hipocampo (ventral).
Este sulco termina à frente na profundidade do úncus, e atrás junto ao
debrum/esplénio do corpo caloso, na bifurcação do fímbria e da
circunvolução dentada (formações hipocâmpicas que se encontram nesta
circunvolução)

Formação Hipocâmpica
 Estrutura do alocórtex (arquicórtex)
 A formação hipocâmpica descreve uma espécie de anel na face interna do hemisfério cerebral, pouco visível devido
à sua posição oculta, constituído por substância cinzenta e fibras/feixes.
 Pode ser dividida em 2 porções:
o Hipocampo Dorsal ou Circunvolução Intra-Límbica
o Hipocampo Ventral

HIPOCAMPO DORSAL OU CIRCUNVOLUÇÃO INTRA-LÍMBICA


 Tem um aspecto de uma risca/fio vestigial
 É constituído essencialmente por uma lâmina cinzenta fina, com
origem na área ou circunvolução subcalosa/paraterminal – Indusium
Griseum
 O indusium griseum, desde a sua origem, dirige-se para cima/trás,
recobrindo a face superior do corpo caloso
 Neste trajecto, faz-se acompanhar por 3 bandas – Tractos de Lancisi
o 1 Estria Longitudinal Mediana
o 2 Estrias Longitudinais Externas

131
 Os tractos de Lancisi são estruturas remanescentes de substância
branca do indusium griseum
 À frente, cada tracto de Lancisi contorna o joelho do corpo caloso,
dirigindo-se para baixo, e a partir daí passam a designar-se de
Pedúnculos do Corpo Caloso ou Circunvolução Paraterminal
 Ao nível do esplénio, o indusium griseum e os tractos de Lancisi
abandonam o corpo caloso, dirigem-se
para baixo e continuam-se com a
Circunvolução Fasciolar ou Fascíola
Cinéria
 A circunvolução fasciolar, por sua vez,
continua-se em baixo/frente com a
Circunvolução Dentada ou Corpo Tufado
(estrutura do Hipocampo Ventral)
 A circunvolução dentada confunde-se
anteriormente com a substância cinzenta
do úncus ao nível da sua porção interna
 A circunvolução paraterminal está unida à
circunvolução dentada ao nível do úncus
através de um feixe denominado Estria
Diagonal/Banda Diagonal/Fita Diagonal
de Broca, quando rodeia a substância
perfurada anterior, e Fita do Úncus de
Giacomini, ao nível da porção temporal.
 Portanto, a circunvolução intra-límbica é
constituída por:
o Indusium Griseum
o Tractos de Lancisi
o Pedúnculos do Corpo Caloso ou
Circunvolução Paraterminal
o Estria Diagonal de Broca e Fita de
Giacomini
o Circunvolução Dentada (estrutura comum ao
Hipocampo Ventral)
o Circunvolução Fasciolar
 O hipocampo dorsal entra em relação com a
estria olfactiva interna através da área
subcalosa.

132
Circunvolução Paraterminal (ou Circunvolução Subcalosa ou Pedúnculos do Corpo Caloso) - lâmina fina presente na
superfície interna do hemisfério cerebral, à frente da lâmina terminalis e atrás da área paraolfactiva/área subcalosa, e por
baixo do rostrum do corpo caloso. Esta circunvolução continua-se ao nível do joelho do corpo caloso com o indusium
griseum ou circunvolução supracalosa.

Área Subcalosa (ou área paraolfactiva de Broca) – pequeno campo triangular presente na face interna do hemisfério
cerebral, à frente da circunvolução paraterminal, da qual está separada pelo sulco paraolfactivo posterior. Relaciona-se em
baixo com o trígono olfactivo e em cima/frente com a circunvolução do corpo caloso. Está limitada à frente pelo sulco
paraolfactivo. Esta área relaciona-se também com a estria olfactiva interna

A Área Septal é constituída pela circunvolução paraterminal e pela área subcalosa (ver mais à frente)

HIPOCAMPO VENTRAL
 Encontra-se na profundidade do sulco do hipocampo,
na face interna da circunvolução para-hipocâmpica
 Está em relação íntima com o pavimento do corno
temporal/inferior do ventrículo lateral
 Prolonga-se para a frente até ao úncus.
 Constituído por 3 componentes:
o Corno de Ammon ou Hipocampo Propriamente Dito
o Circunvolução Dentada ou Corpo Tufado
o Subiculum

Corno de Ammon ou Hipocampo Propriamente Dito


 Elevação de substância cinzenta que se estende em todo
o comprimento pelo pavimento do corno temporal/inferior
do ventrículo lateral
 O lábio interno/inferior do sulco do hipocampo forma o
limite interno do hipocampo ventral. Este lábio é
constituído, de baixo para cima, por:
o Cordão de substância cinzenta que apresenta uma série
de abaulamentos sucessivos – Circunvolução Dentada
o Uma banda estreita de substância branca – Fímbria do
Hipocampo
 O Sulco Fimbriodentado separa a fímbria da
circunvolução dentada.
 O Corno de Ammon apresenta na extremidade anterior
uma expansão/dilatação que se designa Pés do
Hipocampo.

133
 A face ventricular do hipocampo, convexa e coberta
por epêndima, apresenta uma fina camada de
substância branca – o Alveus.
 O alveus é uma estrutura formada por fibras eferentes
do hipocampo que vão convergir internamente para
formar a Fímbria do Hipocampo.
 A fímbria do hipocampo está por cima/fora da
circunvolução dentada e por baixo da fissura
coroideia e do plexo coroideu do corno inferior do
ventrículo lateral. Continua-se atrás com o
Fórnix/Trígono.

Circunvolução Dentada ou Corpo Tufado


 Cordão de substância cinzenta disposto entre a fímbria
(que está em cima/fora) e a circunvolução para-
hipocâmpica (que está em baixo/dentro)
 Continua-se à frente com a substância cinzenta do
Úncus e com a Fita de Giacomini
 Atrás, dá origem à Fascíola Cinéria.

Subiculum
 Porção da circunvolução para-hipocâmpica que
constitui uma área de transição entre a região entorrinal
(córtex olfactivo secundário) e o próprio hipocampo.
 O subiculum é o elo de ligação entre o paleocórtex do
lóbulo olfactivo (área entorrinal) e o hipocampo ventral
 Sobre ele repousa a circunvolução dentada/corpo
tufado.

Estrutura Interna do Hipocampo Ventral


 O Hipocampo possui um alocórtex (arqueocórtex) com 3 camadas, em vez de um isocórtex/neocórtex com 6
camadas.
 Esta diferença deve-se a uma questão filogenética: o hipocampo é uma estrutura filogeneticamente mais antiga que o
neocórtex
 A estrutura cortical da circunvolução para-hipocâmpica
está disposta em 6 camadas. Contudo, à medida que o
córtex entra no Corno de Ammon, há uma transição
gradual de 6 para 3 camadas.
 Estas 3 camadas são as seguintes, de superficial para
profundo:
o Camada Molecular – fibras nervosas e pequenos
neurónios dispersos
o Camada Piramidal – composta por muitos neurónios
piramidais grandes
o Camada Polimórfica Interna – com uma estrutura
semelhante à camada polimórfica (VI) do córtex de
outras regiões.
 O Corpo Tufado também tem 3 camadas, mas a camada piramidal é substituída pela Camada Granular.
 A Camada Granular é constituída por células granulares ou estreladas redondas ou ovais densamente dispostas, que
dão origem a axónios que terminam nas dendrites das células piramidais do hipocampo. Alguns axónios juntam-se à
fímbria e entram no fórnix/trígono.

134
 Devido à densidade variável das células piramidais no
corno de ammon, podemos distinguir nesta estrutura as
regiões CA1 a CA3.
 Na região CA2 as células piramidais estão mais
compactadas, enquanto na região CA3 as células
piramidais estão mais dispersas.
 A região CA1 é também designada por “sector de
Sommer” e é a mais importante na neuropatologia: a
morte neuronal nesta região é o primeiro sinal concreto
de hipoxia cerebral.

Amígdalas
 Núcleos de substância cinzenta situados à frente/cima do
vértice do corno inferior do ventrículo lateral; e à frente da cauda do núcleo caudado, com a qual cada uma se funde.
 Estão situadas na face interna do lobo temporal, perto do úncus.
 4 núcleos agrupados em 2 grupos nucleares:
o Grupo Cortico-Interno (filogeneticamente mais antigo) –
núcleo cortical + núcleo central
o Grupo Basolateral (filogeneticamente recente) – núcleo
basal + núcleo lateral
 As amígdalas relacionam-se com as seguintes estruturas:
o Por dentro, com o córtex peri-amigdalino
o Por baixo, com a área entorrinal
o Por cima, com a região sub-lenticular
o Atrás, com o núcleo caudado e com o vértice do corno
inferior do ventrículo lateral.
 O córtex periamigdalóide e a metade cortico-interna do corpo amigdalino pertencem ao Córtex Olfactivo Primário
 Portanto, o corpo amigdalino é visto como uma parte do córtex (núcleo cortical) e como um núcleo da base imerso
na substância branca.
 As amígdalas têm a função de integração da informação com experiências passadas do indivíduo e com o seu estado
psíquico.
 Estão também relacionadas com várias funções autónomas, orientação, comportamento emocional, ingestão de
alimentos, expressão facial, excitação e actividade sexual.
 Através das suas conexões pode influenciar a resposta do corpo a mudanças ambientais (por exemplo, perante o
medo, altera a frequência cardíaca, pressão arterial, respiração, etc.).

Sistema Olfactivo
 As formações olfactivas macroscópicas situam-se na face inferior do lobo frontal.
 São constituídas por 4 componentes:
o Bulbo Olfactivo
o Pedúnculos Olfactivos
o Estrias ou Fitas Olfactivas
o Espaço Perfurado Anterior

BULBO OLFACTIVO
 Massas ovóides de substância cinzenta central que repousam
sobre a lâmina crivada do etmóide. Estão por baixo da face
orbitaria do lobo frontal
 Recebem os filetes olfactivos que provêm da mucosa
olfactiva

135
 Contêm no seu interior os corpos celulares das células mitrais, dispostos numa única camada. Estas células recebem
os impulsos dos filetes olfactivos, formando sinapses que formam pequenos glomérulos.
 Os axónios das células mitrais vão formar os pedúnculos olfactivos.

PEDÚNCULOS OLFACTIVOS
 Dos bulbos olfactivos partem 2 feixes de substância branca, situados nos sulcos olfactivos dos lobos frontais.
 Na extremidade posterior, estes feixes terminam e alargam-se para formar o Trígono Olfactivo. O trígono olfactivo
está à frente da substância perfurada anterior.

ESTRIAS OU FITAS OLFACTIVAS


 A partir do trígono partem 2 a 3 fitas olfactivas, cada uma alcançando um determinado território cortical:
o Estria Olfactiva Interna – curva-se para dentro e para cima e termina numa área situada à frente do rostrum do
corpo caloso que contém os núcleos septais
– a Área Septal. Algumas fibras desta
estria dirigem-se para o pedúnculo
olfactivo contralateral, através da
comissura branca anterior
o Estria Olfactiva Externa – dirige-se para
fora/trás, em direcção ao úncus, na
circunvolução para-hipocâmpica.
Terminam nos Córtices Pré-Piriforme e
Peri-Amigdalino (área olfactiva primária) e
na Área Entorrinal (área olfactiva
secundária)
o Estria Olfactiva Média (inconstante) – fita
coberta por substância cinzenta, daí
também se designar Estria Cinzenta.
Termina na substância perfurada anterior,
descrevendo um pequeno relevo – o
Tubérculo Olfactivo

SUBSTÂNCIA PERFURADA ANTERIOR


 Espaço quadrilátero de cor cinzenta, perfurado por vários ramos vasculares
 Limites:
o Atrás/dentro está o tracto óptico
o Atrás/fora está a circunvolução para-hipocâmpica e a extremidade interna do fundo do Rego de Sylvius
o À frente/fora está a estria olfactiva externa
o À frente/dentro está a estria olfactiva interna
 A substância perfurada anterior é atravessada, da frente/dentro para trás/fora, por um feixe de substância branca
inconstante – a Estria Diagonal de Broca. Este feixe faz a união entre a circunvolução para-hipocâmpica e a
circunvolução paraterminal.
 Na substância perfurada anterior termina a Estria Olfactiva Média ou Estria Cinzenta.

Centros Corticais do Sistema Olfactivo: Os axónios das células mitrais dirigem-se através dos pedúnculos e estrias olfactivas
para os centros corticais olfactivos. Estes centros são constituídos por:
 Área Sensorial – corresponde à área olfactiva primária (área pré-piriforme e córtex peri-amigdalino) e à área olfactiva
secundária (área entorrinal ou área piriforme). Ambas as áreas estão presentes no lobo temporal, perto do úncus.
 Área de Associação e de Centros Reflexos – corresponde à área septal e à substância perfurada anterior, sobre o lóbulo
frontal
O lóbulo piriforme e a área septal estão unidos ao território do arquicórtex do hipocampo e do corpo amigdalino. Estas
estruturas são centros de associação e de projecção e podem explicar como as vias olfactivas podem desencadear, por meio de
vias reflexas, mecanismos de natureza vegetativa (ex: cheiros que deixam “água na boca” ou cheiros que induzem náuseas).

136
Região Septal
 Constituída por 4 estruturas:
o Septo Pellucidum
Septum
o Septo Verum
o Área Septal
o Núcleos Septais

SEPTO PELLUCIDUM
 Dupla membrana vertical que separa os dois cornos
frontais dos ventrículos laterais e as cabeças dos
núcleos caudados
 Corresponde à porção dorsal/posterior do Septum.
 Esta dupla membrana delimita um espaço virtual denominado Ventrículo Septal ou Cavidade do Septo. Pode
ocorrer, em algumas situações, que esta dupla membrana possua um espaço entre elas, constituindo o V Ventrículo.
 Situa-se acima do fórnix e abaixo do corpo caloso
 Tem uma forma triangular, apresentando:
o 2 faces planas: constituem a parede interna do corno
frontal do ventrículo lateral
o 1 bordo superior: convexo e unido à face inferior do
corpo caloso
o 1 bordo ântero-inferior: convexo, encontra-se na face
superior do joelho e rostrum do corpo caloso
o 1 bordo póstero-inferior: unido ao trígono/fórnix,
tendo origem nas colunas do fórnix
o 1 ângulo inferior: entre as colunas do fórnix e o
rostrum do corpo caloso
o 1 ângulo posterior: na junção do corpo caloso com o corpo do fórnix.
 Esta dupla membrana é constituída por substância branca e cinzenta, revestida de ambos os lados por epêndima.
 Os núcleos colinérgicos no septo (substância cinzenta) participam na organização da memória e estão ligados ao
hipocampo através do fórnix.

SEPTO VERUM E ÁREA SEPTAL


 Estruturas semelhantes e quase
coincidentes.
 O Septo Verum corresponde à porção
ventral/anterior do Septum
 Situado à frente da lâmina terminalis,
dentro da circunvolução paraterminal.
 Relações:
o Atrás/cima, com o rostrum do
corpo caloso
o À frente, pela porção pré-
comissural do fórnix
o Em baixo, com a comissura branca
anterior e região pré-óptica
(hipotálamo)
o À frente/fora, com o núcleo
accumbens, um de cada hemisfério
 Este septo contém os núcleos septais
(internos e externos)

137
 A Região Septal é a porção do córtex cerebral, na
face interna do lobo frontal, correspondente à área
subcalosa e à circunvolução paraterminal
 Situada por baixo do joelho do corpo caloso e à
frente rostrum do corpo caloso e da lâmina terminalis
 Esta área também inclui o núcleo accumbens
(expansão do núcleo caudado)
 Em íntima relação com o septo verum e com as
estrias olfactivas internas (que terminam nesta área).

NÚCLEOS SEPTAIS
 Núcleos pouco desenvolvidos, presentes no septo
verum e na área septal
 Podemos distinguir 2 núcleos: um interno e outro
externo

ESTRUTURAS RELACIONADAS COM O SISTEMA LÍMBICO


Hipotálamo (Corpos Mamilares)
 Centro de integração da vida vegetativa
 Ligação na determinação somática de estados emocionais

Núcleos Límbicos do Tálamo


 Núcleo Anterior – relacionado com a produção de emoções e a
memória recente
 Núcleo Dorsal Interno – integração das informações sensitivo-
sensoriais e experiências passadas

Área Límbica do Mesencéfalo


 Formado por núcleos do tegmentum do mesencéfalo, que integram a formação reticular mesencefálica
o Núcleo Dorsal do Tegmentum de Gudden
o Núcleo Ventral do Tegmentum de Gudden
o Área Ventral de Tsai
o Núcleo Interpeduncular ou Núcleo Dopaminérgico A10

Núcleos Habenulares
 Na região póstero-interna da face superior do tálamo
observa-se uma zona triangular branca denominada trígono
habenular (2), limitado internamente pela habénula,
externamente pelo sulco da habénula e atrás pelo colículo
superior correspondente e pela glândula pineal.
 Cada trígono da habénula apresenta na sua porção posterior
uma saliência determinada por um núcleo subjacente de
substância cinzenta – núcleo da habénula.
 Os núcleos habenulares são o centro de integração das vias aferentes olfactivas, viscerais e somáticas. Estão ligados
ao sistema límbico pela habénula (stria medularis)

Áreas Límbicas do Neocórtex


 Córtex Pré-Frontal – relacionado com as emoções
 Córtex Parietal Posterior – integração de informações sensitivas

138
AFERÊNCIAS E EFERÊNCIAS DAS ESTRUTURAS LÍMBICAS

Comunica informação sensitivo-sensorial, proveniente dos núcleos


Tracto Tálamo-Cingular anteriores e dorsal interno do tálamo
Aferências
CÓRTEX
Áreas Límbicas do Influência cortical no Sistema Límbico, mediante a percepção consciente
LÍMBICO Neocórtex das emoções formadas e interpretação de estados psíquicos subjectivos
Cingulum Amígdala, Neocórtex Associativo (Parietal Posterior) e Hipocampo
Eferências Transmite informações de várias regiões corticais (visual, auditiva,
Tracto Perfurante somatoestésica) para o hipocampo
Principal aferência. Provém da área entorrinal (B28), na circunvolução
Tracto Perfurante para-hipocâmpica

Cingulum Proveniente da circunvolução do corpo caloso


Feixe Tegmental
Aferências Posterior; Feixe
Feixes que transmitem informações dos núcleos da formação reticular,
Prosencefálico Medial; presentes no mesencéfalo (límbico)
Feixe Longitudinal
HIPOCAMPO Posterior de Schultz
(VENTRAL) Hipocampo Dorsal (indusium griseum), Tálamo (núcleo anterior) e
Outras amígdalas (fibras adjacentes à substância branca do lobo temporal)
Fibras do Fórnix juntam-se a esta via que se dirige para os núcleos
(Stria Medularis) habenulares
Eferências
Neocórtex Associativo e
Áreas Límbicas Corticais
Permite receber e enviar impulsos da área septal, do hipocampo
Recíprocas Trígono ou Fórnix contralateral (Lira d’Ammon), dos corpos mamilares e do hipotálamo em
geral.
Fita Olfactiva Externa, Tálamo (núcleo dorsal interno), Hipotálamo, Área
Grupo Cortico- Medial Septal, Núcleos Mesencefálicos com função visceral
Aferências
Córtex de Associação visual e auditivo, Tálamo (núcleo dorsal interno),
Grupo Baso-Lateral Córtex Olfactivo, Núcleo Basal de Meynert e Córtex Pré-Frontal
Origem no grupo córtico-medial. Dirige-se para os núcleos septais,
Stria Terminalis núcleos da stria terminalis e núcleos habeulares (fibras que acompanham
AMÍGDALA stria medularis)
Eferências/ Via Amígdalofugal Origem no grupo baso-lateral. Liga as amígdalas com a porção anterior
Recíprocas Ventral ou Ansa do córtex do lobo temporal, núcleo dorsal interno do tálamo, hipotálamo,
Peduncular striatum ventral (núcleo accumbens), área pré-frontal e área septal
Comunicação entre as Amígdala esq  Stria Terminalis esq  Área Septal e Comissura
Amígdalas Branca Anterior  Stria Terminalis dta  Amígdala dta
Feixe Prosencefálico Liga o córtex pré-frontal, a região pré-septal, o hipotálamo e o
Medial mesencéfalo límbico (formação reticular)
Conexão com os núcleos habenulares. A partir destes depois a área septal
Stria Medularis
ÁREA relaciona-se com o mesencéfalo límbico
Recíprocas
SEPTAL Stria Terminalis e Ansa
Conexão com as amígdalas
Peduncular
Através de fibras pré-comissurais, a área septal conecta-se como
Fórnix ou Trígono hipocampo.

CORPOS MAMILARES
Os corpos mamilares recebem como principal aferência o fórnix (fibras pós-comissurais), estabelecendo uma
comunicação com o hipocampo ventral.
Relativamente às eferências, podemos destacar 2 feixes:
 Feixe Ascendente – é o Feixe Mamilo-Talâmico De Vicq d’Azyr. Dirige-se para o núcleo anterior do tálamo e
faz sinapse com neurónios cujos axónios se dirigem para circunvolução do corpo caloso
 Feixe Descendente – é o Feixe Mamilo-Tegmental de Gudden. Dirige-se para os núcleos reticulares
mesencefálicos e termina nos núcleos dos nervos cranianos.

139
PRINCIPAIS VIAS DE CONEXÃO NO SISTEMA LÍMBICO

FEIXE MAMILO-TALÂMICO DE VICQ D’AZYR


 Feixe que estabelece a conexão entre os corpos mamilares e o núcleo anterior do tálamo
 É o feixe ascendente eferente dos corpos mamilares
 Integra o Circuito de Papez (ver mais à frente)

STRIA TERMINALIS OU FITA SEMI-CIRCULAR


 É uma das vias de eferência da amígdala.
 Feixe com origem no grupo córtico-medial
 Desde a sua origem, acompanha a face interna do
núcleo caudado. Dirige-se primeiro para trás, contorna
a região posterior do tálamo de baixo para cima e
acaba dirigindo-se para a frente em direcção à região
septal.
 Alcança a região da comissura branca anterior onde se
ramifica para terminar nas seguintes estruturas:
o Núcleos Septais
o Hipotálamo
o Núcleos da Stria Terminalis
 Algumas fibras da stria terminalis juntam-se à stria
medularis para terminar nos núcleos da habénula.

140
FEIXE TELENCEFÁLICO/PROSENCEFÁLICO MEDIAL
 Feixe de fibras aferentes e eferentes que liga o córtex pré-frontal, área septal, núcleos hipotalâmicos e mesencéfalo
límbico.

ANSA PEDUNCULAR OU VIA AMÍGDALOFUGAL VENTRAL


 É uma das eferências da amígdala
 Feixe com origem no grupo basolateral
 Avança sobre a base do encéfalo, sobre o núcleo lenticular, adoptando um trajecto mais directo que a stria terminalis.
 Liga entre si a o córtex da região anterior do lobo temporal, o núcleo dorsal interno do tálamo, o hipotálamo, a área
septal, o striatum ventral (núcleo accumbens), a área pré-frontal, o núcleo basal de Meynert e a amígdala.

STRIA MEDULARIS OU VIA HABENULAR


 Conjunto de fibras nervosas com origem nos núcleos septais
 Esta via termina nos núcleos da habénula
 Durante o seu trajecto, esta via recebe ainda fibras provenientes da stria terminalis e do fórnix/trígono

FEIXE MAMILO-TEGMENTAR DE GUDDEN


 Associa nos dois sentidos os corpos mamilares ao tegmentum do mesencéfalo (núcleos tegmentais de Gudden)

FEIXE LONGITUDINAL DORSAL DE SHULTZ


 Nasce dos núcleos posteriores do hipotálamo e do núcleo interpeduncular
 As suas fibras agrupam-se num feixe, que se relaciona com o feixe longitudinal interno, no início por fora e depois
por cima deste.
 Fibras distribuem-se aos núcleos vegetativos dos nervos vago (X), glossofaríngeo (IX) e intermédio (VII),
assegurando o controlo vegetativo do conjunto do TC.

CINGULUM
 Conjunto de feixes que irradiam a partir da circunvolução do corpo caloso
 Permite a interconexão entre todos os elementos da circunvolução límbica (anel de Broca)

TRÍGONO OU FÓRNIX
 Lâmina de substância branca triangular, de base posterior e
vértice anterior
 Constitui o sistema eferente do hipocampo que se dirige
para os corpos mamilares
 Por baixo do corpo caloso e sobre a parede superior do 3º
ventrículo
 Unida ao corpo caloso, ao nível do corpo posterior e
esplénio, sendo que se separa deste à medida que se dirige
para a frente, formando um espaço ocupado na linha média
pelas paredes e a cavidade do septo pellucidum
 Forma encurvada, apresentando 2 faces, 2 bordos, uma base
e um vértice:
o Face superior – unida atrás ao corpo caloso, separando-se deste mais à frente. Contribui para a limitação das
paredes internas dos ventrículos laterais
o Face inferior – relacionada com a tela coroideia do 3º ventrículo e, por isso, com a parede superior do 3º
ventrículo
o Bordos laterais – relacionam-se com os ventrículos laterais
o Base – relaciona-se com o corpo caloso. Daqui emergem os pilares do fórnix
o Vértice – orientado para a frente. Daqui emergem as colunas do fórnix.

141
 Pode-se considerar que o fórnix é constituído por
2 arcos de circunferência ântero-posteriores, com
concavidade virada para baixo, unidos pela sua
porção superior e média e cujas extremidades se
afastam formando as colunas (anteriores) e os
pilares (posteriores) do fórnix
o Colunas do Fórnix – origem no vértice do
fórnix, dirigem-se para a frente/baixo e depois
para trás. Contornam a extremidade anterior
do tálamo, contribuindo para a delimitação
dos buracos de Monro. A partir daqui, seguem
um trajecto descendente. Quando alcançam a
comissura branca anterior, as fibras do fórnix
dividem-se:
 Fibras Pré-Comissurais (25%) – para os
núcleos septais, córtex pré-frontal,
hipotálamo anterior e área pré-óptica
 Fibras Pós-Comissurais (75%) – para os
corpos mamilares, principalmente.
o Pilares do Fórnix – origem na base do fórnix,
dirigem-se para trás/baixo/fora, contornando-
se a extremidade posterior do tálamo. Terminam na
fímbria do hipocampo.
 Quanto às fibras do fórnix, é possível distinguir:
o Fibras Intra-Hemisféricas – unem o hipocampo ao corpo
mamilar do mesmo hemisfério
o Fibras Inter-Hemisféricas (Comissura do Fórnix ou Lira
d’Ammon) – permitem a comunicação entre as duas
formações hipocâmpicas.

Circuito de Papez
 Segundo a Teoria de Papez, as estruturas do lobo límbico constituem o substrato neural da emoção e da memória.
 Esse mecanismo consiste num circuito fechado que une os componentes do sistema límbico.
 O circuito de Papez é constituído pelos seguintes tractos e componentes:

142
FUNÇÕES DO SISTEMA LÍMBICO E CORRELAÇÕES CLÍNICAS
 O Sistema Límbico é importante no controlo da emoção, dos comportamentos e da motivação
 Através do hipotálamo, que é o centro de escoamento do SNA e do controlo do sistema endócrino, o sistema límbico
influencia vários aspectos do comportamento e as sensações associadas às emoções (reacções de medo e raiva,
emoções associadas ao comportamento sexual…) e também influencia as respostas viscerais que se acompanham
dessas emoções.
 A estimulação de certas áreas do Sistema límbico pode gerar reacções de ansiedade, passividade total ou cólera.
 A Sistema Límbico também parece importante nos mecanismos de memória. De facto, o Hipocampo converte a
memória recente em memória a longo prazo.
 Uma lesão do hipocampo resulta na incapacidade do indivíduo armazenar memória a longo prazo – Amnésia
Anterógrada. Neste tipo de amnésia, a memória para acontecimentos anteriores à lesão não é afectada.
 Não há evidência de que o Sistema Límbico tenha uma função olfactiva.
 As variadas conexões aferentes e eferentes do Sistema Límbico fornecem vias para a integração e execução de
respostas homeostáticas efectivas a vários estímulos do ambiente (extrínsecos).

Esquizofrenia
 Os sintomas de esquizofrenia incluem distúrbios do pensamento crónicos, emoções abruptas e desconcertantes e
distanciamento emocional.
 Os delírios paranoides e as alucinações auditivas também são comuns.
 A investigação clínica demonstrou que se os receptores límbicos dopaminérgicos forem bloqueados por agentes
farmacológicos (ex: antipsicóticos), os sintomas mais graves da esquizofrenia são atenuados.
 Por exemplo, a fenotiazina bloqueia os receptores de dopamina no sistema límbico. Contudo, este fármaco também
tem efeitos adversos, nomeadamente as discinesias tardias devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos do
sistema extrapiramidal
 Apesar destas terapêuticas farmacológicas usadas na esquizofrenia, ainda não existe evidência directa de que a
produção excessiva de dopamina por certos neurónios contribui para a esquizofrenia.

Destruição do Complexo Amigdalino


 A destruição unilateral ou bilateral do núcleo amigdalino e do córtex peri-amigdalino em doentes com
comportamento agressivo resulta numa diminuição da agressividade, em instabilidade emocional, inquietação, em
hiperfagia e num estado de hipersexualidade. A memória não é afectada.
 Os macacos que foram submetidos a remoção bilateral dos lobos temporais apresentam-se com Síndrome de Kluver-
Bucy. Com esta síndrome, os macacos tornavam-se dóceis, sem evidência de agressividade e incapazes de
apreciarem os objectos com a visão. Apresentam ainda hiperfagia e hipersexualidade com procura quer de parceiros
masculinos, quer femininos
 Esta síndrome tem sido descrita em macacos, visto que humanos cuja área amigdalina foi destruída normalmente não
apresentam esta síndrome. Contudo, esta síndrome só é associada a humanos que tenham sofrido remoção de grande
parte de ambos os lobos temporais.
 As lesões estereotáxicas induzidas no complexo amigdalino em humanos reduzem a excitabilidade emocional e
normalizam o comportamento em doentes com distúrbios graves. Não existe perda de memória associada.

Disfunção do Lobo Temporal


 A epilepsia do lobo temporal pode ser precedida ou despoletada por um conjunto de experiências acústicas ou
olfactivas. As experiências olfactivas normalmente estão associadas comum odor desagradável
 Neste tipo de epilepsia, na fase pré-epiléptica o doente está normalmente confuso, ansioso e dócil e é capaz de
realizar movimentos complicados e/ou automáticos (ex: conduzir um carro). Contudo, após o ataque epiléptico, ele
pode não ter memória do que ocorreu anteriormente.

143
FORMAÇÃO RETICULAR

 Estende-se desde a medula espinhal até ao diencéfalo


 Ocupa grande parte do tegmentum do TC, dispondo-se entre os núcleos dos nervos cranianos e as vias ascendentes e
descendentes
 Deve o seu nome a uma densa rede de fibras transversais e longitudinais, contendo grupos nucleares
 Não transmite mensagens particulares (sensitivas, motoras ou vegetativas). Recebe numerosas informações, agrupa-
as e associa-as numa informação geral e difusa que proporciona ao SNC um “estado de fundo”, graças ao qual se
exercem as actividades mais precisas, executadas por outras estruturas nucleares.
 Coordena também funções isoladas, estando implicada na produção de mecanismos complexos, como a deglutição,
salivação, respiração, etc.
 Inclui o núcleo rubro, a substância nigra e os núcleos olivares inferiores.

Núcleos Reticulares
 Aglomerados celulares difusos, aonde se reconhece a seguinte organização, de fora para dentro:
o Núcleo reticular laterais;
o Núcleos reticulares centrais - formação reticular principal;
o Núcleo reticular paramediano;
o Núcleos reticulares medianos.

Núcleos Reticulares Centrais (núcleos tegmentais)


 Ocupam a maior parte do tegmentum do bulbo, protuberância e
mesencéfalo
 Atravessados pelo tracto tegmental central
 Divididos em núcleos secundários:
o Núcleo Reticular Central na ½ inferior do bulbo;
o Núcleo Gigantocelular na ½ superior do bulbo;
o Núcleos Reticulares Caudal e Oral da protuberância
o Núcleos Reticulares nos pedúnculos cerebrais
 Cada um destes núcleos divide-se numa porção externa e outra
interna
o Porção externa (sensorial) – apresenta dendrites transversais que
comunicam com os tractos espinho-talâmicos, lemnisco interno,
núcleo mesencefálico do trigémio, tracto solitário e núcleos
cocleares e vestibulares (ou seja, o conjunto sensitivo da medula
espinhal e TC);
o Porção interna (efectora) – mais volumosa. Comunica com a
parte externa/sensorial e origina os impulsos ascendentes e
descendentes que seguem as vias longitudinais da formação
reticular.
 Vias ascendentes – dirigem-se até mesencéfalo, formação reticular talâmica e núcleo centro-mediano do
tálamo, alcançando, através destas estruturas, o córtex cerebral e o hipotálamo. Os impulsos destes neurónios
seguem quer uma via polissináptica longitudinal (via curta), quer pelo tracto tegmental central (via longa).
Estas vias transportam impulsos difusos susceptíveis, quer de determinar reflexos ao nível do TC, através das
suas relações com os núcleos dos nervos cranianos vizinhos, quer activar os centros superiores talâmicos,
hipotalâmicos e corticais, colocando-os em estado de alerta/vigilância.
 Vias descendentes – estão na origem dos tractos reticulo-espinhais.
Via reticulo-espinal bulbar – decussa a linha média, exercendo uma acção inibidora sobre os neurónios
α e γ do corno anterior da medula.
Via reticulo-espinal protuberencial – tende a não decussar a linha média, facilitando a acção dos
neurónios α e γ do corno anterior da medula.

144
 Estes núcleos são influenciados pela acção do córtex cerebral (áreas
motoras e cingular) e do corpo estriado, dos quais recebe impulsos
descendentes pela via das fibras cortico-reticulares e estriato-
reticulares.

Núcleos Reticulares Lateral e Paramediano


 À volta dos núcleos reticulares centrais, ao nível do bulbo
 Núcleo Reticular lateral atrás da oliva
 Núcleo Reticular Paramediano por dentro do núcleo reticular
central (Gigantocelular);
 Asseguram a maior parte das relações da formação reticular com o
cerebelo, formando o circuito retículo-cerebelo-reticular (curto,
entre estes núcleos e o cerebelo). Existe ainda outro circuito
(circuito reticulo-cerebeloso-reticular longo) mantido através dos
núcleos reticulares centrais, no qual estão implicados também o
tracto tegmental central e a oliva.

Núcleos Reticulares Medianos


 Situados na linha média. São eles:
o Núcleos da Rafe (bulbo e protuberância)
o Núcleos da substância cinzenta central em torno do Aqueduto
de Sylvius (mesencefálicos)
o Núcleo Tegmental Posterior
 Estes núcleos recebem aferências do hipotálamo e do rinencéfalo
através do feixe telencefálico interno e estão unidos aos núcleos
vegetativos do TC.
 Desempenham um papel importante nos mecanismos
vegetativos do TC.

Substância Nigra
 Separa o tegmentum do mesencéfalo do crus cerebri.
 Situada no trajecto das vias extrapiramidais corticais e
subcorticais
 Os seus neurónios comunicam com a formação reticular
 Função ≈ à do globus pallidus: centro dos movimentos
associados que acompanham o movimento voluntário

Núcleo Rubro
 No tegmentum do mesencéfalo
 Composto por 2 porções
o Porção Magnocelular (paleorubro) – reduzida no Homem. Dá as fibras rubro-espinhais que, após a decussação de
Forel, descem pelo TC, terminando na medula cervical (via extrapiramidal subcortical), terminando nos centros
motores periféricos que encontra pelo caminho.
o Porção Parvocelular (neorrubro) – centro importante para as vias reflexas cerebelosas e estriadas que constituem a
parte essencial das vias extrapiramidais corticais. Envia fibras à formação reticular. Intervém na sinergia dos
diferentes movimentos do corpo, nos reflexos labirínticos e na postura (fenómenos automáticos ou
semiautomáticos)

145
Complexo Olivar
 O núcleo olivar inferior recebe a maior parte das suas aferências da formação reticular do TC através do tracto
tegmental central
 O núcleo olivar inferior (principal) e os olivares acessórios interno e posterior projectam as suas fibras eferentes
sobre o neocerebelo, que as reenvia ao núcleo rubro e aos núcleos estriados e, através destes, à formação reticular.
Forma-se então um circuito de retorno extrapiramidal no qual o núcleo olivar inferior é uma peça-chave.
 Este complexo está ainda relacionado com a medula espinhal através dos tractos olivo-espinhal e espinho-olivar.

Funções da Formação Reticular


 Coordenação dos núcleos dos nervos cranianos (centros da mastigação, da deglutição e da respiração);
 Relações e controlo do cerebelo (núcleos reticulares lateral e paramediano)
 Comunicação entre os centros hipotalâmicos ou rinencefálicos e o TC (núcleos da rafe e núcleos reticulares
mesencefálicos).
 Controlo do músculo esquelético – através dos tractos reticulo-espinhal bulbar e protuberencial, a formação reticular
pode influenciar a actividade dos neurónios motores α e γ, modulando o tónus muscular e a actividade reflexa. Está
também associada a fenómenos de inibição recíproca: por exemplo, quando os músculos flexores contraem, os
antagonistas extensores relaxam. A formação reticular, assistida pelo aparelho vestibular do ouvido interno e pelo
tracto vestíbulo-espinhal, desempenha um papel importante na manutenção do tónus dos músculos antigravíticos
quando estamos de pé. Os centros respiratórios do TC, que controlam os músculos da respiração consideram-se parte
da formação reticular. A formação reticular é importante no controlo dos músculos da mímica, quando associados a
emoções.
 Controlo da sensibilidade somática e visceral – a formação reticular pode influenciar todas as vias ascendentes que
passam pelo TC (de uma forma facilitadora, ou inibindo os seus impulsos). A formação reticular poderá ter um
papel-chave na modulação da dor.
 Controlo do SNA – o controlo do SNA pelo córtex cerebral, hipotálamo e outros núcleos subcorticais pode ser
ampliado pelos tractos reticulo-espinhais, os quais descem até às fibras simpáticas e parassimpáticas.
 Controlo do Sistema Nervoso Endócrino – controlo da formação reticular directo ou indirecto através de ligações aos
núcleos hipotalâmicos, influenciando a síntese/libertação de releasing ou release-inhibiting factors, controlando
assim a função hipofisária.
 Influência dos ritmos biológicos – através de múltiplas vias aferentes e eferentes de e para o hipotálamo.
 Vigília e Sono – a formação reticular constitui o centro activador do SNC, mantendo-o em estado de vigilância.
Contudo, também é a origem dos impulsos inibitórios que provocam o sono.
No mecanismo do sono estão implicados vários núcleos reticulares:
o Núcleos da rafe da protuberância e o núcleo reticular oral da protuberância inibem os mecanismos de despertar,
providenciado o sono não REM.
o Núcleos da refe do bulbo e o núcleo reticular caudal da protuberância exercem mais tarde a sua acção no decurso
do sono, activando os núcleos motores do globo ocular (sono REM).
o Locus ceruleus participa na produção dos sonhos que acompanham o sono REM.
Quando os impulsos dos núcleos anteriores esgotam os seus efeitos, os estímulos sensitivos são capazes de
determinar de novo um efeito activador que alcança o córtex cerebral por meio da formação reticular diencefálica,
permitindo que a pessoa desperte.
Portanto, a formação reticular não conduz impulsos específicos (mensagens sensitivas ou motoras). Conduz aos
centros sensitivos sinais de alerta ou de despertar, estabelece ligações com os centros vegetativos e finalmente regula
a actividades dos centros motores vizinhos ou subjacentes.

A formação reticular associa e combina as informações provenientes de todas as partes. Assim, o cerebelo, o corpo
estriado, o núcleo rubro, os núcleos do tecto do mesencéfalo, os núcleos vestibulares, o córtex cerebral e os colaterais
das grandes vias ascendentes e descendentes proporcionam as informações à formação reticular. Esta tradu-las numa
informação única para os centros de recepção e execução.

146
FEIXES DE ASSOCIAÇÃO DO TRONCO CEREBRAL

 O TC apresenta vias longitudinais próprias, cujo função é relacionar rapidamente entre si os diferentes núcleos do
TC que actuam sinergicamente ou que têm que responder aos incentivos reflexos entre um determinado núcleo
sensitivo e um núcleo motor.
 Feixes de associação do TC:
o Feixe Longitudinal Interno
o Feixe Longitudinal Posterior
o Feixe Mamilotegmental
o Tracto Tegmental Central
o Vias Vestibulares do TC

Feixe Longitudinal Interno/Mediano


 Composto por fibras ascendentes e
descendentes, homo e contralaterais
 Percorre a face anterior do Aqueduto de
Sylvius, a face anterior da fossa romboideia,
dirigindo-se até ao cordão anterior da
medula espinhal cervical.
 Transmite os impulsos provenientes de
diversas fontes até aos núcleos dos nervos
motores do globo ocular e do pescoço,
implicados nos movimentos oculares e
cefalogiros.
 Constituintes do feixe longitudinal interno:
o Fibras do núcleo da comissura posterior
e do núcleo intersticial situados nas
vizinhanças do diencéfalo. Levam aos
núcleos motores dos olhos estímulos
estriados e reticulares. Estas fibras
representam a componente extrapiramidal do feixe
o Fibras internucleares que associam os núcleos dos nervos III, IV, VI e XI. O núcleo do nervo MOE comunica
também com o núcleo do nervo MOC por um feixe intercalar.
o Fibras homo e contralaterais dos núcleos vestibulares. Asseguram a relação dos centros do equilíbrio com os
centros motores dos globos oculares, que são acompanhados dos movimentos da cabeça no espaço.
o Fibras provenientes de outros centros do TC, como dos núcleos do tecto do mesencéfalo e do núcleo do nervo
facial (VII). Estas fibras, apesar de diferentes, constituem uma via de associação de grande importância entre os
diversos centros funcionais que controlam os movimentos sinérgicos dos olhos.

Feixe Longitudinal Posterior de Shultz


 Nasce dos núcleos posteriores do hipotálamo e do núcleo interpeduncular
 As suas fibras agrupam-se num feixe, que se relaciona com o feixe longitudinal interno, no início por fora e depois
por cima deste.
 Fibras distribuem-se aos núcleos vegetativos dos nervos vago (X), glossofaríngeo (IX) e intermédio (VII),
assegurando o controlo vegetativo do conjunto do TC.

Feixe Mamilotegmental de Gudden


 Mais curto
 Origem nos corpos mamilares
 Assegura a realização dos reflexos olfactivos através da formação reticular (núcleo tegmental posterior)

147
Tracto Tegmental Central
 Atravessa o tegmento do TC de um extremo ao outro
 Representa a via longa dos núcleos reticulares centrais
 Constituído por fibras justapostas ascendentes e descendentes
o Fibras ascendentes – dirigem-se até ao diencéfalo,
dispersam-se na formação reticular talâmica e alcançam o
núcleo centromediano do tálamo. Assim, o destino destas
fibras é reticular. Por meio das formações talâmicas, estas
fibras activam o hipotálamo e o córtex cerebral. O tracto
tegmental central surge como um feixe activador da vida
consciente e dos centros vegetativos superiores.
o Fibras descendentes – origem nos núcleos lentiforme e
caudado, núcleo rubro e na formação reticular do TC.
Terminam no núcleo olivar inferior. Este núcleo envia as
suas fibras eferentes até ao córtex cerebeloso contralateral
através dos pedúnculos cerebelosos inferiores. O cerebelo devolve este impulso até ao tálamo e núcleo rubro
através dos pedúnculos cerebelosos superiores. Assim, o tracto tegmental central constitui a via dos impulsos
activadores do cerebelo.

Vias Vestibulares do TC
 Entre as fibras do feixe longitudinal interno
 Origem nos núcleos vestibulares interno,
superior e externo
 Dividem-se em fibras descendentes e
ascendentes
o Fibras descendentes – homo e contralaterais,
continuam-se até à medula espinhal cervical
(tracto vestíbulo-espinhal). Terminam nas
células motoras dos cornos anteriores da
medula espinhal.
o Fibras ascendentes – homo e contralaterais.
Integram o feixe longitudinal interno para
alcanças os núcleos dos nervos craniais
motores dos globos oculares. Importantes
para os reflexos oculo-cefalogiros de origem
labiríntica. Pensa-se que algumas destas
fibras atinjam o tálamo (núcleo centromediano), permitindo, juntamente com fibras descendentes do núcleo
lentiforme, a realização de reflexos posturais e oculogiros. Outras destas fibras poderão atingir o córtex cerebral
(frontal e temporal), dando assim consciência sobre a posição da cabeça no espaço.
 Existe ainda um feixe vestíbulo-cerebeloso, com origem nos núcleos vestibulares. Alcança o cerebelo através dos
pedúnculos cerebelosos inferiores (via cerebelosa do equilíbrio reflexo).

148
Uma função autónoma da formação reticular
consiste na regulação da respiração. Os neurónios
responsáveis dividem-se num grupo inspiratório
(vermelho) e um grupo expiratório (azul). O ritmo
da respiração é regulado pela acção de um grupo
de células da porção ventral/anterior, o complexo
pré-Botzinger. Quando se destroem partes dos
neurónios ritmogénicos deste complexo, ocorrem
distúrbios respiratórios até durante o estado de
vigília. Supõe-se que nos idosos uma perda de mais
de 60% destas células gere apneia do sono.

Vista posterior Corte transversal na altura


indicadas em a)

Uma outra função da formação reticular é a


regulação da circulação sanguínea. Os neurónios
responsáveis apresentam distribuição difusa
semelhante àquela dos neurónios do centro
respiratório. Ao estimular electricamente os
neurónios da formação reticular, identificamos
regiões cujos estímulos levam ao aumento da PA
(vermelho-escuro), enquanto estímulos noutras
regiões causam queda da PA (vermelho-claro,
centro de depressão).
Vista posterior Cortes transversais nas
alturas indicadas em a)

149
MEDULA ESPINHAL

Forma, Limites e Relações


 A medula espinhal é a porção do Sistema Nervoso Central (SNC) contida no
canal vertebral.
 Forma aproximadamente cilíndrica com cor esbranquiçada e cerca de 42-45cm
de comprimento.
 A medula espinhal não é regularmente cilíndrica. Apresenta dois espessamentos
ao longo do seu trajecto:
o Espessamento Cervical: estende-se desde a 4ª vertebra cervical até há 1ª
vertebra torácica, correspondendo aos segmentos medulares C3-T2. Dá
origem ao plexo braquial, responsável pela inervação dos membros
superiores.
o Espessamento Lombo-Sagrado: estende-se desde a 10ª vertebra torácica até
há 1ª vertebra lombar, correspondendo aos segmentos medulares L1-S3. Dá
origem ao plexo lombar e ao plexo sagrado. (Adiante será explicado o porque de se
chamar espessamento lombo-sagrado, apesar de este se encontrar, maioritariamente, ao nível
das vertebras torácicas).
 Ou seja, estes espessamentos correspondem à origem dos nervos espinhais
destinados aos membros superiores e inferiores.
 A medula é levemente aplanada ântero-posteriormente, com o seu diâmetro
transversal ligeiramente superior ao diâmetro ântero-posterior.
 A medula espinhal não segue o eixo do canal vertebral, embora tende a moldar-se às curvaturas da coluna vertebral.
Por outras palavras, a medula tende a seguir o caminho mais curto, não sendo por isso completamente rectilínea.
 Relativamente aos seus limites:
o Limite superior: a partir da ½ inferior do arco anterior do atlas (C1). É contínua com o bulbo raquidiano,
imediatamente abaixo da decussação das pirâmides.
o Limite inferior: entre o bordo inferior da primeira vertebra lombar e a segunda vértebra lombar, no adulto.
 Portanto, a medula espinhal ocupa, no adulto, aproximadamente os 2/3 superiores do canal vertebral.
 Abaixo do seu limite inferior, a medula torna-se estreita e termina numa extremidade cónica, denominada Cone
Medular. Do ápex deste cone, tem origem um prolongamento de pia-máter, o Filum Terminale, que se fixa na face
posterior do cóccix.
 A medula espinhal está separada das paredes ósseas do canal vertebral pelas meninges que envolvem a medula
espinhal, por tecido adiposo e pelos plexos venosos vertebrais internos (plexo venoso intra-raquidiano) que
preenchem o espaço compreendido entre a dura-máter e as paredes ósseas do canal.
 No espaço subaracnoideu encontra-se o líquido cefalorraquidiano, que também confere protecção à medula espinhal.

150
A Falsa Ascensão da Medula
 As relações que a extremidade inferior da medula espinhal apresenta com
a coluna vertebral modificam-se ao longo do desenvolvimento do ser
humano.
 Até ao 4º mês de vida intra-uterina a medula espinhal desce até à base do
cóccix. Aquando do nascimento, e durante a infância, a medula espinhal
relaciona-se com a vértebra L3. Na idade adulta, atinge a “ascensão”
final, colocando-se entre a vértebra L2 e o bordo inferior da vértebra L1.
 Estas diferenças são o resultado da desigualdade de desenvolvimento
longitudinal entre a colina vertebral e a medula espinhal.
 O crescimento longitudinal da coluna vertebral é mais rápido que o da
medula espinhal, de tal maneira que esta, que se encontra fixa A – 4º mês de vida intra-uterino (base do cóccix)
superiormente ao encéfalo (através do tronco cerebral), parece ascender B – Recém-Nascido e Criança (L3)
C – Adulto (L2-L1)
pelo canal vertebral à medida que o sujeito se desenvolve.
 Podemos, então, observar uma divergência crescente entre a posição da
coluna vertebral e da medula, em que o limite inferior da medula espinhal adopta posições cada vez mais altas
comparativamente à coluna vertebral. Por esta razão chamamos a esta ascensão Falsa Ascensão da Medula.
 Muito importante: quando vamos fazer uma punção lombar a uma criança devemos ter em conta esta diferença da
posição do limite inferior da medula. Idealmente, inserimos a agulha entre L3-L4/L4-L5.

Configuração Externa
 Fissura Média Anterior (1) – fissura longitudinal
profunda presente na face anterior da medula
espinhal, continua-se com sulco mediano anterior
do bulbo raquidiano.
 Sulco Médio Posterior (1) – sulco pouco profundo
ao longo de toda a face posterior da medula,
continua-se com o sulco mediano posterior do
bulbo raquidiano; é um sulco superficial que
corresponde ao bordo posterior de um septo que se
continua para o interior da substância branca: o
Septo Médio Posterior.
 Sulcos Colaterais Anteriores (2) – linhas descontínuas e irregulares que correspondem ao local de emergência das
raízes anteriores ou motoras dos nervos espinhais. Estes sulcos não são visíveis naturalmente: apenas retirando as
raízes dos nervos espinhais se pode observar estas linhas de implantação, paralelas à fissura média anterior.
 Sulcos Colaterais Posteriores (2) – linha vertical e regular correspondente ao local de emergência das raízes
posteriores ou sensitivas dos nervos espinhais. Tal como se verifica nos sulcos colaterais anteriores, estes sulcos só
são visíveis removendo as raízes dos nervos espinhais, cuja linha de implantação forma uma depressão contínua,
paralela ao sulco mediano posterior.
 De cada lado da fissura média anterior e do sulco médio posterior
emergem as raízes posteriores e anteriores dos nervos espinhais,
formados por vários filetes nervosos sobrepostos. No total,
existem 31 pares de nervos espinhais, fixos à medula pelas raízes
anteriores ou motoras e pelas raízes posteriores ou sensitivas.
 Se existem 31 pares de nervos espinhais, vamos ter obviamente
31 segmentos medulares: 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5
sagrados e 1 coccígeo.
 Em cada segmento medular entram, pela sua face dorsal, os
filamentos radiculares da raiz posterior, enquanto os filamentos
radiculares da raiz anterior saem pela face ventral. Ambos os filamentos formam, em seguidas as raízes posterior e
151
anterior. A raíz posterior contém um gânglio espinhal, contendo os corpos celulares dos neurónios que constituem a
raiz posterior.
 Ambas as raízes (anterior e posterior) reúnem-se no nervo espinhal, sendo que este vai então conter fibras sensitivas
(provenientes das raíz posterior) e motoras (provenientes das raíz anterior) – é um nervo misto. Logo após a união
das duas raízes, o nervo espinhal divide-se em vários ramos, sendo os mais importantes:
o Ramo Posterior – dirige-se para trás, passa entre as apófises transversas correspondentes e distribui-se pelos
tecidos moles situados atrás da coluna vertebral.
o Ramo Anterior – mais volumoso, continua a direcção do nervo espinhal e distribui-se nas partes laterais e
anteriores do corpo. Vai contribuir para a formação dos plexos nervosos (cervical, braquial, lombar e sagrado).
o Ramo Meníngeo/Recurrente do Nervo Espinhal – pode surgir antes da divisão do nervo espinhal em ramo
anterior e posterior, ou através do ramo anterior. Segue um trajecto recurrente, penetrando no canal vertebral
pelos buracos de conjugação e distribui-se pelos vasos do canal vertebral e pelas meniges.
 A fissura média anterior, o sulco médio posterior e os sulcos colaterais vão delimitar, de cada lado da linha média, 3
bandas ou longitudinais de substância branca – os cordões ou colunas de substância branca
o Cordão Anterior (2) – localizado entre a linha média e o sulco colateral anterior
o Cordão Lateral (2) – localizado entre o sulco colateral anterior e o sulco colateral posterior.
o Cordão Posterior (2) – localizado entre o sulco colateral posterior e o sulco médio posterior. Este cordão
apresenta na região cervical um sulco longitudinal, denominado Sulco Intermédio Posterior, que o divide em dois
fascículos: internamente o Fascículo Gracillis e externamente o Fascículo Cuneatus.

Relação entre os Segmentos Medulares e a Coluna Vertebral no Adulto


 A medula espinhal está dividida em 31 segmentos medulares: 8 cervicais, 12
dorsais, 5 lombares, 5 sagrados e 1 coccígeo.
 Existem entre 33-34 vértebras: 7 cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sagradas
(soldadas entre si) e 4-5 coccígeas (soldadas entre si). Ao contrário das restantes
vértebras, as vértebras coccígeas não contribuem para a formação do canal
vertebral.
 Cada segmento medular dá origem a 1 par de nervos espinhais. Estes nervos vão
abandonar o canal vertebral pelos buracos de conjugação (entre duas vertebras
adjacentes).
 A medula espinhal termina ao nível de L1-L2. Então como é que existem
segmentos medulares lombares e sagrados?
 Devido à falsa ascensão da medula, cada segmento medular não está ao mesmo
nível da vértebra correspondente. Ou seja, o segmento medular T3 não se
relaciona com a vértebra T3.
 Os segmentos lombares e sagrados da medula espinhal estão localizados entre a
10ª vértebra dorsal e a 1ª vértebra lombar. É por este motivo que o espessamento
inferior da medula se denomina de espessamento lombo-sagrado (e não
espessamento torácico) pois este está localizado nos segmentos medulares
lombares e sagrados, apesar de não se encontrar ao nível dessas vértebras.
 Em baixo, apresenta-se uma tabela que faz um paralelo entre a posição dos
segmentos medulares e a posição das vértebras:

152
 Apesar de haver esta disparidade entre a posição do segmento medular e a respectiva vértebra com o mesmo número,
o nervo espinhal desse segmento acaba por sair da coluna vertebral perto da vértebra respectiva.
 Por exemplo, os nervos espinhais lombares e sagrados têm origem no respectivo segmento da medula espinhal (ao
nível das vértebras torácicas), no entanto, como o buraco de conjugação destas vértebras se encontra
consideravelmente abaixo do nível a que os nervos têm origem, estes vão se dirigir
para baixo, dentro do canal vertebral, até atingirem o buraco de conjugação
correspondente.
 Na coluna cervical temos 8 pares de nervos cervicais e apenas 7 vértebras. Isto
verifica-se porque o primeiro par de nervos espinhais abandona o SNC no espaço
entre o osso occipital e a primeira vértebra cervical.
 Por sua vez, os restantes nervos espinhais dos segmentos cervicais saem do canal
vertebral acima da vértebra com o mesmo número (ex. raiz C3 sai entre as
vértebras C2 e C3). Desta forma o nervo C8 estará entre as vértebras C7 e T1.
 A partir de T1, todos os restantes nervos espinhais passam a transpor o buraco de
conjugação abaixo da vértebra com o mesmo nome (ex. raiz do segmento T9 entre
as vértebras T9 e T10; raiz L5 entre as vértebras L5 e S1).
 Inferiormente a L1-L2 (terminação da medula espinhal no cone medular)
encontramos exclusivamente raízes posteriores/sensitivas e anteriores/motoras dos
nervos espinhais, cujo conjunto de fibras nervosas é chamado de Cauda Equina.

Configuração Interna
 A medula é constituída por Substância Branca e Substância Cinzenta. No entanto, ao contrário do que se observa na
maioria do SNC, em que existe um córtex constituído por substância cinzenta a revestir uma massa de substância
branca central, a medula espinhal apresenta, perifericamente, a substância branca, que rodeia a substância cinzenta,
no centro.
 Um corte transversal da medula espinhal que passe em qualquer nível mostra, sobre a linha média, a fissura média
anterior e o sulco médio posterior – Este último é muito
superficial e continua-se para o interior da medula com o
septo médio posterior.
 A fissura média anterior estende-se em profundidade
sobre o 1/3 anterior da medula. O septo médio posterior
ocupa a ½ posterior da medula.
 A fissura média anterior e o septo médio posterior
dividem a medula espinhal em duas metades simétricas,
que se encontram apenas unidas sobre a linha média por
uma estreita lâmina de substância nervosa denominada de
comissura medular.
 A comissura medular é constituída por substância cinzenta e branca:
o Substância cinzenta: forma a comissura cinzenta e ocupa a parte posterior da comissura medular. Toca
posteriormente o bordo anterior do septo médio posterior
o Substância branca: forma a comissura branca anterior, à frente da comissura cinzenta. Toca à frente o bordo
posterior da fissura média anterior.
 A comissura cinzenta está perfurada no centro pelo canal ependimário ou central da medula espinhal. Este canal
divide a comissura em duas partes: a comissura cinzenta anterior e a comissura cinzenta posterior.
 O canal ependimário ou central está presente ao longo de toda a medula espinhal. Está situado no centro da
comissura cinzenta. Continua-se superiormente com o canal central da ½ inferior do bulbo raquidiano (tronco
cerebral) e superior a este abre-se no 4º ventrículo. Na extremidade inferior do cone terminal dilata-se para formar o
ventrículo terminal da medula espinhal, que termina, em baixo, na raiz do filum terminale.
 O canal central contém líquido cefalorraquidiano (LCR) e apresenta um epitélio ciliado colunar, o epêndima
 Nas imediações do canal ependimário, a substância cinzenta apresenta uma transparência característica – Substância
Intermédia/Gelatinosa Central.
153
 A proporção da substância branca vs substância cinzenta varia consoante as regiões da medula espinhal:
o Medula Cervical: equilíbrio entre a substância cinzenta e branca
o Medula Torácica: substância cinzenta pouco desenvolvida, predominando a substância branca
o Medula Lombar: substância cinzenta desenvolvida, sendo a substância branca muito importante
o Medula Sagrada: substância cinzenta desenvolvida, existindo pouca substância branca.
 A quantidade de substância cinzenta, em cada segmento, está relacionada com a quantidade de fibras musculares
inervadas a esse nível. Portanto as suas maiores dimensões estão localizadas nos espessamentos cervical e lombo-
sagrado da medula, uma vez que a este nível têm origem os nervos responsáveis pela inervação dos músculos dos
membros superior e inferior, respectivamente.

SUBSTÂNCIA CINZENTA
 Constituída por corpos celulares e dendrites dos neurónios, conexões
sinápticas, neuroglia e vasos sanguíneos.
 Tem a forma de um “H”.
 Possui duas estruturas laterais unidas entre si por uma lâmina transversal
denominada Comissura Cinzenta.
 Cada estrutura lateral é constituída por um Corno Anterior, um Corno
Posterior e uma Coluna Intermédia/Corno Lateral.

Cornos Anteriores e Núcleos


 São largos, volumosos e responsáveis pela inervação motora.
 No corno anterior distinguem-se duas partes: uma anterior (cabeça) e outra posterior (base).
 Constituído essencialmente por 2 tipos de neurónios motores:
o A maioria das células nervosas são grandes e multipolares e os seus axónios vão sair pelas raízes
anteriores/motoras do nervo espinhal como neurónios alfa eferentes (Aα), responsáveis pela inervação dos
músculos esqueléticos.
o As restantes células nervosas de menores dimensões também são células multipolares e os seus axónios saem
pelas raízes anteriores dos nervos espinhais como neurónios gama eferentes (Aγ). Estes neurónios vão ser
responsáveis pela inervação dos fusos neuromusculares e fibras musculares intrafusais.
 Os cornos anteriores estão separados da superfície medular por uma camada de substância branca espessa.
 Os corpos neuronais motores presentes nos cornos anteriores estão presentes em toda a substância cinzenta
respectiva, mas estes distribuem-se desigualmente, formando concentrações de corpos celulares, que podem ser
organizados em núcleos. Estes núcleos estendem-se em colunas mais ou menos contínuas ao longo da medula
espinhal.

154
 Assim, as células nervosas do corno anterior podem ser divididas em 3 grupos ou colunas:
o Grupo Interno – presente na maioria dos segmentos medulares, responsável pela inervação da musculatura
esquelética do pescoço e tronco, incluindo a musculatura intercostal e abdominal. Constituído por um núcleo
ântero-medial e um núcleo póstero-medial (divisão sem relevância funcional).
o Grupo Central – grupo de menores dimensões, presente apenas em alguns segmentos cervicais e lombo-sagrados.
Na porção cervical, algumas destas células formam núcleos específicos:
 Núcleo Frénico – segmentos C3-C5, responsável pela inervação do diafragma.
 Núcleo Acessório – segmentos C1-C5/C6; inervam o trapézio e esternocleidomastoideu. Os axónios deste
núcleo constituem a porção espinhal do nervo acessório (XI par craniano).
Na porção lombo-sagrada identifica-se um núcleo:
 Núcleo Lombo-Sagrado – segmentos L2-S1, constituído por células nervosas cujos axónios apresentam uma
distribuição desconhecida.
o Grupo Lateral – presente nos segmentos cervical e lombo-sagrado (corresponde aos espessamentos da medula).
Responsável pela inervação da musculatura esquelética dos membros superiores e inferiores, respectivamente.
Podemos subdividir este grupo em 3 núcleos:
 Núcleo Ântero-Lateral – responsável pela inervação da musculatura proximal dos membros (braço e coxa)
 Núcleo Póstero-Lateral – responsável pela inervação da musculatura do antebraço e mão (membros
superiores) e perna e pé (membro inferior)
 Núcleo Retropóstero-Lateral – responsável pela inervação dos músculos dos dedos

 Assim, podemos estabelecer uma organização somatotrópica do corno anterior:


o Nas colunas nucleares do grupo interno encontram-se neurónios motores dos músculos proximais
o Nas colunas nucleares do grupo lateral encontram-se os neurónios motores dos músculos distais
o Na zona mais anterior do corno anterior situam-se os grupos nucleares para os músculos extensores
o Na zona mais posterior do corno anterior estão os núcleos dos músculos flexores
Princípio da Organização das Colunas Celulares no Corno Anterior da Medula Espinhal
No corno anterior da medula espinhal, cada músculo possui regiões nucleares definidas em forma
de coluna. Considerando que alguns músculos maiores, tendo em conta uma igual densidade de
inervação, necessitam de maior quantidade de neurónios do que os músculos menores, as colunas
nucleares desses músculos projectam-se ao longo de vários segmentos.
Músculos cujos neurónios motores se localizam totalmente na altura de um único
segmento/metâmero são considerados músculos ideais para avaliação segmentar da medula
espinhal ao nível desse segmento. O conhecimento destes músculos é de grande importância
clínica. A maioria destes músculos localiza-se no tronco.
Ao contrário do tronco (divisão e inervação segmentares), os músculos dos membros tendem a
apresentar uma inervação polissegmentar, devido a fenómenos de migração destes ditos músculos
durante a embriogénese, que levam consigo a inervação., podendo até levar à “mistura” de vários
segmentos da medula espinhal – daí a denominação de polissegmentar. Isto ocorre mais
comumente com os músculos mais volumosos.
Portanto, um músculo é sempre inervado por uma única coluna nuclear, mas pode ser inervado ao
longo de vários segmentos da medula espinhal.

155
Cornos Posteriores e Núcleos
 São estreitos, afilados e sensitivos.
 Recebem informação sensitiva através de neurónios sensitivos periféricos
que terminam nos cornos posteriores.
 No corno posterior distinguimos 3 partes: uma anterior (base) unida à base
do corno anterior; uma posterior (cabeça) e uma intermédia (colo ou
pescoço).
 Os cornos posteriores estão separados da superfície medular por uma fina
camada de substância branca correspondente à zona de entrada das raízes
posteriores, ao nível dos sulcos colaterais posteriores – é o Tracto/Feixe
Póstero-Lateral ou Zona Marginal de Lissauer
 Ao contrário dos neurónios motores multipolares, que possuem os seus corpos celulares e dendrites nos cornos
anteriores e emitem axónios para a periferia, os neurónios sensitivos são unipolares, ou seja, o corpo celular possui
um único prolongamento que se divide em dois ramos:
o Ramo periférico: recebe informação de estruturas periféricas
o Ramo central: transmite essa informação ao SNC.
 Os corpos celulares dos neurónios sensitivos encontram-se localizados nos Gânglios Espinhais das Raízes
Posteriores. Ou seja, ao contrário do que acontece comos corpos celulares os neurónios motores do corno anterior, os
corpos celulares dos neurónios sensitivos não se localizam na medula espinhal.
 Os corpos celulares que existem nos cornos posteriores da medula não pertencem aos neurónios sensitivos, mas sim
a neurónios do SNC (chamados 2os neurónios ou interneurónios), que vão conduzir a informação sensitiva ao
encéfalo. Estes corpos celulares também estão organizados em grupos/núcleos.
 Podemos reconhecer vários grupos/núcleos no corno posterior:
o Grupo da Substância Gelatinosa de Rolando – situado na cabeça do corno posterior, ao longo de toda a medula
espinhal. Composta na sua maioria por neurónios Golgi tipo II. Recebe fibras aferentes das vias térmico-álgica
(relacionada com sensação de dor e temperatura), principalmente. Recebe também sinais provenientes de fibras
descendentes dos níveis supramedulares, que modulam a informação sensitiva (dolorosa) recebida por este núcleo
de células. Segundo Snell, este núcleo também recebe aferências do tacto protopático (relacionado com sensação
táctil não discriminativa).
o Núcleo Marginal de Waldeyer (ou Estrato Zonal de Waldeyer) – núcleo formado por neurónios de associação,
situado na camada superficial do ápex do corno posterior, limitando posteriormente a substância gelatinosa de
Rolando.
o Núcleo Proprius (ou Próprio do Pescoço do Corno Posterior) – situado à frente da substância gelatinosa (na base)
e ao longo de toda a medula. A função deste núcleo é controversa entre os vários autores:
 Snell refere que este núcleo recebe fibras aferentes colaterais relacionadas com a via da propriocepção
consciente (relacionada com a informação músculo-articular para a movimentação corporal), tacto
epicrítico (relacionada com a sensação de discriminação táctil de 2 pontos) e sensibilidade vibratória
(relacionada com a sensação vibratória);
 Rouvière e outros autores associam este núcleo a impulsos exteroceptivos, mais precisamente ao tacto
protopático (relacionado com sensação táctil não discriminativa).
o Núcleo Dorsalis (Dorsal de Stilling, da Coluna de Clarke ou Torácico Posterior) – situado na base do corno
posterior, nos segmentos medulares torácicos e lombares (C8-L3/L4). Recebe fibras aferentes das vias da
propriocepção inconsciente do tronco – relacionada com a informação de fusos neuromusculares, órgãos
tendinosos e receptores articulares para a coordenação e manutenção do tónus muscular. Neste núcleo
encontramos os 2os neurónios da via proprioceptiva inconsciente, cujo axónio originará o feixe espinho-cerebelar
directo de Fleschig.
o Núcleos de Bechterew (2) – núcleos situados na base do corno posterior, apenas ao nível das duas extremidades
da medula espinhal (porção sagrada e porção cervical). Representam os centros da propriocepção inconsciente
dos membros. Neste núcleo encontramos os 2os neurónios da via proprioceptiva inconsciente, cujo axónio
originará o feixe espinho-cerebelar cruzado de Gowers.
o Núcleo Aferente Visceral – identificado por Snell, situado lateralmente ao núcleo dorsalis, estende-se desde T1
até L3. Associada à recepção de informação aferente visceral (via da sensibilidade visceral)

156
Coluna Intermédia/Cornos Laterais e Núcleos
 Entre o corno anterior e o corno posterior, lateralmente à comissura cinzenta encontramos a coluna intermédia.
 Nos segmentos torácicos e lombares superiores (C8 – L2/L3) esta coluna está mais desenvolvida, ao ponto de formar
uma saliência de cada lado da linha média – os Cornos Laterais.
 Esta coluna intermédia (ou corno lateral) também apresenta as suas células nervosas organizadas em grupos/núcleos,
dos quais se destacam:
o Grupo Intermédio Lateral – presente nos segmentos da medula onde estão presentes os cornos laterais (C8-
L2/L3) e na porção sagrada (S3-cone medular) da medula espinhal. Relacionado com o Sistema Nervoso
Autónomo Simpático, correspondendo ao local de origem das fibras simpáticas pré-ganglionares. Deste núcleo
foram isoladas pequenas áreas específicas pela inervação simpática de uma determinada região:
 C8-T2 – centro da porção simpática craniofacial, contendo especialmente o centro dilatador da íris e o centro
acelerador cardíaco
 T3-T5 – centro bronco-pulmonar
 T6-L2 – centro dos nervos esplâncnicos abdominais e
pélvicos
 C8-L2 – centros pilomotores, sudoríparos e vasomotores
o Grupo Intermédio Medial ou de Cajal – localização e função
semelhantes ao grupo intermédio lateral.
o Grupo Parassimpático Sagrado – situado entre S1-S4, na
porção interna da coluna intermédia (a este nível já não
existe corno lateral). Relacionado com o Sistema Nervoso
Autónomo Parassimpático, dando origem às fibras pré-
ganglionares parassimpáticas.

157
LAMINAÇÃO DA SUBSTÂNCIA CINZENTA – LÂMINAS DE REXED
 Actualmente, o conceito de grupos celulares funcionais da medula espinhal tende a ser substituído pela noção mais
precisa de lâminas espinhais – são as lâminas de Rexed
 Esta forma de classificação divide a substância cinzenta em 10 lâminas transversais, com uma ordenação geral de
posterior  anterior, a saber:
o Lâmina I – contém a terminação das fibras do corno posterior e o núcleo marginal
de Waldeyer
o Lâmina II – contém a substância gelatinosa de Rolando
o Lâmina III e IV – contêm o núcleo proprius
o Lâmina V – apresenta núcleos reticulares e é um ponto de passagem das vias
motoras cortico-espinhais, que se dirigem para os núcleos motores do corno anterior
o Lâmina VI – contém neurónios de associação (interneurónios), o núcleo intermédio
medial
o Lâmina VII – contém o núcleo dorsalis e o núcleo intermédio lateral. Lâmina mais
desenvolvida na porção torácica da medula espinhal.
o Lâmina VIII – terminação das vias extrapiramidais. Lâmina mais desenvolvida nas porções cervical e lombar da
medula espinhal.
o Lâmina IX – contém os núcleos motores dos vários grupos do corno anterior, com os seus neurónios motores alfa
e gama.
o Lâmina X – contém a substância cinzenta periependimária
 Esta laminação citoarquitectónica detalhada é bastante útil para os investigadores mas de baixa relevância para os
neurologistas clínicos.
 O local onde terminam os axónios sensitivos, provenientes dos gânglios espinhais, é muitas vezes indicado nas
lâminas de Rexed.

TOPOGRAFIA FUNCIONAL DA SUBSTÂNCIA CINZENTA


 O corno posterior é constituído pelos centros sensitivos. O corno anterior
contém os centros motores.
 Podemos dividir a substância cinzenta posterior em 3 subcentros:
o Centro dos impulsos exteroceptivos – situado na cabeça do corno
posterior. Relacionado com o núcleo marginal de Waldeyer, a
substância gelatinosa de Rolando e o núcleo proprius
o Centro dos impulsos proprioceptivos – situado no colo/pescoço do corno
posterior. Relacionado com o núcleo dorsalis e os núcleos de Bechterew
o Centro dos impulsos interoceptivos – corresponde à porção justa-ependimária da base do corno posterior.
Recebem informações sensitivas de todo o território visceral
 Relativamente à restante substância cinzenta medular (cornos anteriores e coluna intermédia/cornos laterais),
dividimo-la em 2 subcentros:
o Centro Visceromotor – contêm os neurónios pré-ganglionares simpáticos e parassimpáticos, situados na coluna
intermédia/cornos laterias. Destinam-se à inervação do músculo liso, músculo cardíaco e glândulas diversas.
o Centro Somatomotor – contêm os neurónios motores somáticos, destinados à inervação dos músculos estriados
esqueléticos. Correspondem aos vários grupos/núcleos dos cornos anteriores da substância cinzenta.
 Portanto, os centros vegetativos ou autónomos encontram-se agrupados em torno do canal central e nas bases dos
cornos anterior e posterior, sendo constituídos por um centro interoceptivo e um centro visceromotor.

CLASSIFICAÇÃO DOS NEURÓNIOS MEDULARES


 Os elementos mais importantes da substância cinzenta da medula são os seus neurónios, que têm sido classificados
de várias maneiras.
 A classificação mais adequada baseia-se, com algumas modificações, na classificação proposta por Cajal e está
esquematizada abaixo:

158
Viscerais
Radiculares α
Neurónios de Axónio Longo Somáticos
γ
(Golgi tipo I)
Projecção
Cordonais
Associação
Neurónios de Axónio Curto
Neurónios Internunciais (ex. Células de Renshaw)
(Golgi tipo II)

Neurónios Radiculares
 Os neurónios radiculares recebem este nome porque o seu axónio, muito longo, sai da medula para constituir a raiz
anterior da medula.
 Não esquecer que os neurónios da raiz posterior não se encontram na medula, mas sim nos gânglios espinhais das
raízes posteriores!
 Existem dois tipos de neurónios radiculares: os viscerais e os somáticos. A sua divisão relaciona-se com o tipo de
estruturas que inervam.
 Os neurónios radiculares viscerais são neurónios pré-ganglionares do sistema nervoso autónomo, cujos corpos se
localizam na substância cinzenta intermédia/cornos laterais. Destinam-se à inervação de músculos lisos, cardíacos ou
glândulas.
 Os neurónios radiculares somáticos destinam-se à inervação de músculos estriados esqueléticos e têm o seu corpo
localizado no corno anterior. São também denominados de neurónios motores inferiores (ver capítulo vias
descendentes).Costuma-se distinguir na medula dois tipos de neurónios radiculares somáticos:~
o Neurónios α – corpos nucleares grandes e axónio, bastante grosso, destinado à inervação de fibras musculares que
contribuem efectivamente para a contracção dos músculos (fibras extrafusais). Cada neurónio alfa, juntamente
com as fibras musculares que inerva, constitui uma unidade motora.
o Neurónios γ – são menores e possuem axónios mais finos (fibras eferentes gama), responsáveis pela inervação
motora das fibras intrafusais.

Neurónios Cordonais
 Neurónios cordonais são aqueles cujos axónios ganham a substância branca da medula, onde tomam direcção
ascendente ou descendente, passando a constituir a fibras que formam os cordões da medula
 Os neurónios cordonais de projecção possuem um axónio ascendente longo, que termina fora da medula, nos centros
supra-espinhais (tálamo, cerebelo, etc.), integrando as vias ascendentes da medula.
 Os neurónios cordonais de associação possuem um axónio que, ao passar para a substância branca, se bifurca num
ramo ascendente e outro descendente, ambos terminando dentro da própria medula. Os axónios destes neurónios
integram as fibras de associação/feixes intersegmentares da medula (ver mais adiante).
 Os neurónios cordonais de associação constituem um mecanismo de integração de segmentos medulares, situados a
níveis diferentes, permitindo a realização de reflexos intersegmentares na medula.

159
 Os axónios destes neurónios cordonais de associação podem
permanecer no mesmo lado da medula espinhal (neurónios
tautómeros), podem decussar a medula e passar para o lado
contralateral (neurónios heterómeros) ou podem utilizar ambos
os lados da medula (neurónios hecaterómeros)
 As fibras nervosas formadas por estes neurónios dispõem-se em
torno da substância cinzenta, onde formam os chamados
fascículos próprios (ver vias intersegmentares neste capítulo), existentes
nos 3 cordões da medula.

Neurónios Internunciais – Golgi tipo I


 Devido ao seu pequeno tamanho, o neurónio destes axónios
permanece sempre na substância cinzenta da medula.
 Os seus prolongamentos ramificam-se próximo do corpo celular
e estabelecem conexão entre fibras aferentes, que penetram pelas
raízes dorsais, e os neurónios motores, interpondo-se assim, em
vários reflexos medulares.
 Além disto, muitas fibras que chegam à medula trazendo impulsos do encéfalo terminam em neurónios internunciais,
que têm assim um importante papel na fisiologia medular
 Um tipo especial de neurónio internuncial encontrado na medula é a célula de Renshaw, localizada nos cornos
anteriores da medula (ver capítulo vias descendentes).

SUBSTÂNCIA BRANCA
 Constituída por axónios, neuroglia e vasos sanguíneos,
correspondendo à zona de condução de impulsos.
 A cor branca deriva da abundância de fibras nervosas
mielinizadas.
 Organiza-se a substância branca em três estruturas, de cada lado
da linha média:
o Cordão/Funículo Anterior (2) – compreendido entre a fissura
média anterior e o local de emergência das raízes anteriores
dos nervos espinhais; une-se ao cordão anterior do lado oposto
através da comissura branca anterior.
o Cordão/Funículo Lateral (2) – compreendido entre as emergências das raízes anteriores e das raízes posteriores
dos nervos espinhais.
o Cordão/Funículo Posterior (2) – compreendido entre a emergência das raízes posteriores dos nervos espinhais e o
septo mediano posterior.

Classificação das Fibras que constituem a Substância Branca


 A substância branca é formada por axónios, que provêm de vários neurónios, nomeadamente dos corpos celulares da
substância cinzenta medular, de corpos celulares de centros supra-espinhais (córtex, cerebelo, etc.) e de corpos
celulares dos corpos celulares dos gânglios espinhais (que entram na medula pela raiz posterior)
 Assim, podemos dividir a substância branca em 3 tipos de fibras nervosas:
o Fibras Radiculares – fibras provenientes dos neurónios radiculares da substância cinzenta da medula (neurónios
somáticos e viscerais) e dos neurónios sensitivos, presentes nos gânglios espinhais. Estas fibras formam o nervo
espinhal e podem dividir-se em raízes anteriores e raízes posteriores.
o Fibras de Associação – provenientes dos neurónios cordonais de associação. São fibras localizadas apenas na
medula espinhal. Constituem as vias intersegmentares.
o Fibras de Projecção – provenientes dos neurónios cordonais de projecção. São fibras nervosas que ligam a
medula espinhal ao encéfalo e vice-versa. Constituem as vias ascendentes e descendentes da medula.

160
 A partir dos diferentes tipos de fibras, os circuitos nervosos vão-se organizar em feixes, consoante o tipo de
informação que transportam. Podemos identificar os feixes ascendentes ou sensitivos, os feixes descendentes ou
motores e os feixes intersegmentares.

Vias Ascendentes ou da Sensibilidade


 Os Neurónios Sensitivos situados nos gânglios da
raiz posterior enviam um prolongamento para a
periferia, constituindo uma fibra do nervo espinhal, e
um prolongamento central, que alcança o corno
cinzento posterior através das raízes posteriores dos
nervos espinhais. Estes neurónios vão terminar em
fibras nervosas que vão formar as Vias Ascendentes.
 Estas vias conduzem informação aferente da medula
até aos centros nervosos superiores, podendo esta
informação tornar-se consciente ou não. São
responsáveis pela comunicação entre a medula e o
encéfalo.
 No cordão anterior observa-se uma via ascendente:
o Via Espinho-Talâmica Anterior – localizada imediatamente à frente do corno cinzento anterior; responsável pela
sensibilidade táctil protopática (não discriminativa, grosseira).
 No cordão lateral observam-se várias vias ascendentes:
o Via Espinho-Talâmica Lateral – localizada profundamente às vias espinho-cerebelosas; responsável pela
sensibilidade térmico-álgica (sensações de frio e calor e sensação de dor).
o Via Espinho-Cerebelosa Anterior (Feixe de Gowers) – localizada na periferia do cordão lateral, externamente à
via espinho-talâmica lateral; responsável pela transmissão de informação proprioceptiva inconsciente ao cerebelo,
para a coordenação e manutenção do tónus muscular.
o Via Espinho-Cerebelosa Posterior (Feixe de Flechsig) – localizada na periferia do cordão lateral, posteriormente à
via espinho-cerebelosa anterior; responsável pela transmissão de informação proprioceptiva inconsciente ao
cerebelo, para a coordenação e manutenção do tónus muscular.
o Via Espinho-Tectal – localizada entre as vias espinho-talâmica anterior e espinho-talâmica lateral; transmite
informação responsável pelos reflexos espinhovisuais.
o Via Espinho-Reticular – esta via ascende, ao longo da medula, no meio das fibras da via espinho-talâmica lateral;
associada aos níveis de consciência e dor crónica.
o Via Espinho-Olivar – localizada na junção dos cordões anteriores e laterais; informação sobre órgãos cutâneos e
proprioceptivos ao cerebelo.
 O cordão posterior forma, todo ele, uma via ascendente, responsável pela sensibilidade vibratória e táctil epicrítica
(discriminação táctil fina, precisa), e pela transmissão de informação músculo-articular para a movimentação
corporal. Esta via pode ser dividida em dois feixes:
o Feixe Gracillis (de Goll) – localizado na porção interna do cordão posterior.
o Feixe Cuneatus (de Burdach) – localizado na porção externa do cordão posterior.

Corte Transversal da Medula


Espinhal: Representação da
disposição das vias medulares
ascendentes (vermelho) e
descendentes (azul)

161
Vias Descendentes ou Motoras
 Os neurónios motores situados no corno anterior
da medula enviam axónios para inervar a
musculatura esquelética, através das raízes
anteriores dos nervos espinhais. Estes neurónios
motores (neurónios Aα e Aγ) são designados de
Neurónios Motores Inferiores.
 As Vias Descendentes consistem em fibras
nervosas que descem ao longo da substância
branca da medula, provenientes dos centros
nervosos superiores, e que vão terminar nos
neurónios motores inferiores. Estes neurónios
são conhecidos como Neurónios Motores
Superiores e vão influenciar a actividade motora.
 No cordão anterior observam-se várias vias
descendentes:
o Via Cortico-Espinhal Anterior (Feixe
Piramidal Directo) – localizada ao longo da
fissura média anterior; responsável pela
motilidade voluntária.
o Via Vestíbulo-Espinhal – localizada na periferia do cordão anterior, anteriormente à via espinho-talâmica
anterior; responsável pelo controlo do equilíbrio, facilitando a actividade dos músculos extensores (anti-
gravíticos).
o Via Tecto-Espinhal – localizada entre as vias cortico-espinhal anterior e vestíbulo-espinhal; relacionada com a
resposta a estímulos visuais (rotação da cabeça em resposta a um estimulo visual).
o Via Reticulo-Espinhal Protuberancial – dispersa ao longo do cordão branco anterior; facilita a acção dos
neurónios motores inferiores α e γ.
 No cordão lateral observam-se:
o Via Cortico-Espinhal Lateral (Feixe Piramidal Cruzado) – localizada junto à face externa do corno cinzento
posterior; responsável pela motilidade voluntária.
o Via Rubro-Espinhal – localizada imediatamente à frente e internamente à via cortico-espinhal lateral; facilita a
actividade dos músculos flexores e inibe os músculos anti-gravíticos.
o Via Reticulo-Espinhal Bulbar – acompanha a via cortico-espinhal lateral; acção inibitória sobre os neurónios
motores α e γ.
o Via Olivo-Espinhal – tem-se dúvidas da existência desta via; influenciaria a actividade dos neurónios motores do
corno anterior da medula.
o Fibras Vegetativas Descendentes – localizadas no cordão lateral, provavelmente acompanhando as vias reticulo-
espinhais; participam no controlo da actividade autonómica.
 O cordão posterior não possui vias descendentes com um papel significativo na inervação motora.

Vias Intersegmentares
 Vias localizadas apenas no interior da medula espinhal, cuja função é estabelecer a ligação entre os neurónios de
diferentes níveis segmentares. Estas vias nunca chegam a sair da medula espinhal.
 São constituídas pelas fibras dos neurónios cordonais de associação, essencialmente.
 Adicionalmente, destas vias também podem fazer parte os ramos ascendentes e descendentes, provenientes da
bifurcação dos neurónios sensitivos (protoneurónios), que ocorre quando estes entram na medula espinhal pelas
raízes posteriores. Contudo, dos ramos ascendentes só incluímos aqueles que não saem da medula espinhal.
 Não existe nenhum neurónio sensitivo cujo axónio, ao entrar não medula espinhal, não se bifurque num ramo
ascendente e noutro descendente.

162
 Já os neurónios cordonais de associação possuem um axónio que,
ao passar para a substância branca, se bifurca num ramo
ascendente e outro descendente, ambos terminando dentro da
própria medula. Ambos os ramos percorrem um trajecto que não
ultrapassa 4 a 5 segmentos medulares
 As vias intersegmentares constituem um mecanismo de
integração de segmentos medulares, situados a níveis diferentes,
permitindo a realização de reflexos intersegmentares na medula.
 Os axónios dos neurónios cordonais de associação podem
permanecer no mesmo lado da medula espinhal (neurónios
tautómeros), podem decussar a medula e passar para o lado
contralateral (neurónios heterómeros) ou podem utilizar ambos
os lados da medula (neurónios hecaterómeros)
 As fibras nervosas formadas por estes neurónios dispõem-se em
torno da substância cinzenta, onde formam os chamados
fascículos/feixes próprios existentes nos 3 cordões da medula.

 As vias intersegmentares podem ser divididas em 2 conjuntos:


o Vias Intersegmentares Curtas – fibras ascendentes e
descendentes localizados próximo da substância
cinzenta. Dão origem ao Feixe/Fascículo Próprio
Anterior, no cordão anterior e ao Feixe/Fascículo
Próprio Lateral, no cordão lateral.
o Vias Intersegmentares Longas – feixes mais longos
que os anteriores, localizados essencialmente no
cordão posterior. São divididos em feixes
ascendentes e feixes descendentes:
 Feixes Ascendentes – formam o Feixe Próprio
Posterior de Pierre-Marie, localizado na região
corno-comissural, na porção posterior do corno
cinzento posterior. À semelhança com as vias
intersegmentares curtas, este feixe encontra-se
muito próximo da substância cinzenta.
 Feixes Descendentes – localizados na substância
branca do corno posterior. São normalmente
subdivididos em vários feixes, conforme o nível
medular em que se encontram:
 Feixe Interfascicular/Semilunar ou Feixe em
Vírgula de Schultze: presente na região
cervical e torácica superior, nos cordões

163
posteriores, de cada lado da linha média.
 Feixe Interfascicular ou Fita Periférica de Hoche: na região torácica inferior, na porção média do cordão
posterior.
 Feixe Septomarginal ou Feixe Oval de Flechsig: na região lombar, também na porção média do cordão
posterior.
 Feixe Semilunar ou Fita Triangular de Gombault e Philippe: na região sagrada e do cone medular, no
sulco mediano posterior.

*Feixe Interfascicular ou em Vírgula de Schultze não representado nesta imagem

RESUMO DA MEDULA ESPINHAL

164
VIAS ASCENDENTES OU DA SENSIBILIDADE

Epicrítica
Táctil
Protopática
Exteroceptiva Térmica
Nociceptiva
Álgica
Sensorial
4 TIPOS DE Relacionada com os 5 sentidos
SENSIBILIDADE Consciente
(córtex cerebral)
Proprioceptiva
Profunda Inconsciente
(cerebelo)
Vibratória
Interoceptiva/Visceral

As vias inconscientes apresentam 2 neurónios (I e II). Já nas vias conscientes existem normalmente três.

VIA TÉRMICO-ÁLGICA
 Os receptores para a temperatura e dor são terminações livres
 Os impulsos da dor são transmitidos por fibras A-δ de condução rápida e por fibras C de condução lenta. As
primeiras estão relacionadas com a dor aguda e bem localizada e as fibras C associam-se à dor crónica e em
queimadura. As sensações de frio e calor também viajam por estas fibras.
 2 vias principais: uma filogeneticamente recente, neoespinhotalâmica (via espinho-talâmica lateral) e outra mais
antiga, paleoespinhotalâmica (via espinho-reticulo-talâmica)

Via Neoespinho-talâmica
 Via clássica da dor, envolve o Tracto Espinho-Talâmico Lateral
 Composta por 3 neurónios.
 Trajecto:
o Neurónio I – nos gânglios espinhais situados nas raízes dorsais. Prolongamento periférico liga-se aos receptores;
prolongamento central penetra na medula pela raiz posterior, bifurca-se num ramo curto descendente e num ramo
longo ascendente (estes ramos prolongam-se por 1 a 2 segmentos medulares).
o Ambos os ramos formam o feixe póstero-lateral de Lissauer e terminam no corno posterior, fazendo sinapse com
os neurónios II. Neurotransmissor: neuropéptido (substância P)
o Neurónio II – no corno posterior, na lâmina II de Rexed (substância gelatinosa de Rolando). Axónios cruzam a
linha média pela comissura branca (e
cinzenta) e seguem pelo Tracto Espinho-
Talâmico Lateral (cordão lateral).
o À medida que o tracto espinho-talâmico
lateral sobe na medula, novas fibras são
adicionadas na sua porção ântero-interna.
Assim, nos segmentos cervicais da medula,
as fibras sagradas são laterais e as cervicais
são internas. As fibras da Tº são mais
posteriores que as da dor.
o No bulbo, o feixe espinho-talâmico lateral
une-se ao feixe espinho-talâmico anterior e
espinho-tectal, formando o Lemnisco
Espinhal.
o O lemnisco espinhal continua-se pela
protuberância e mesencéfalo (no tegmetum,
externamente ao lemnisco interno).
o Estes neurónios terminam no tálamo,
sinapsando com neurónio III.
165
o Neurónio III – no tálamo (núcleo ventral póstero-
lateral). Os seus axónios formam radiações talâmicas
que, pela cápsula interna (braço posterior) e corona
radiata, chegam à área somatoestésica primária do
córtex cerebral (circunvolução parietal ascendente – B
3, 2 e 1).
 Algumas radiações talâmicas da Tº e dor terminam no
córtex somatoestésico secundário, onde a representação das
partes do corpo é bilateral.
 Via Somatotrópica (a representação das diferentes partes do corpo pode ser identificada nos seus núcleos e tractos
assim como na área de projecção cortical)
 Responsável pela dor rápida, aguda e bem localizada na superfície do corpo (dor em pontada). A dor rápida está
associada a estímulos mecânicos e térmicos.

Via Paleoespinho-Talâmica
 Cadeia de neurónios de maior número
 Neurónio I – gânglios espinhais, entram na medula do mesmo modo
 Neurónio II – na coluna posterior (lâmina V de Rexed). Axónios dirigem-se ao cordão lateral homo e contralateral
para formar o trato espinho-reticular. Este sobe na medula junto ao feixe espinho-talâmico lateral e termina
sinapsando com neurónios III em vários níveis da formação reticular
 Neurónios III – na formação reticular, dão origem às fibras reticulo-talâmicas que terminam nos núcleos
intralaminares do tálamo (neurónios IV). No entanto, é provável que o número de neurónios reticulares envolvidos
seja maior. Os núcleos intralaminares projectam os seus axónios para territórios muito amplos do córtex cerebral. É
provável, contudo, que essas projecções estejam mais relacionadas com a activação cortical e a vigília do que com a
sensação de dor, uma vez que estas já se tornam conscientes ao nível do tálamo.
 Não tem organização somatotrópica
 Dor pouco localizada, profunda, crónica, lenta, dor em queimadura.

Tipos de Dor Somática


 2 tipos de dor: rápida (sentida após 0,1s) e lenta
(sentida após 1 s)
 Dor rápida resulta de estímulos mecânicos ou
térmicos; dor lenta resulta de estímulos mecânicos,
térmicos e químicos.
 Substâncias envolvidas nas excitações nas
terminações nervosas livres: serotonina,
bradicinina, ácido láctico, iões K+. O limiar de
estimulação pode ser diminuído por
prostaglandinas e substância P.
 Dor rápida conduzida por fibras Aδ; dor lenta conduzida por fibras C. Neurotransmissor libertados por estas fibras:
glutamato e substância P (fibras C).
 Locais do cérebro associados à recepção e informação de estímulos nociceptivos: córtex insular (interpretação do
estímulo nos órgãos internos, para evocar uma resposta simpática), sistema límbico e circunvoluções do corpo caloso
(aspecto emocional da dor) e parietal ascendente (interpretação da dor em comparação com experiências passadas).
 Nas cordotomias ântero-laterais (tratamento dor) os dois tipos de dor são abolidos, pois são seccionadas tanto as
fibras espinho-talâmicas laterais como as espinho-reticulares. Contudo, para a abolição das dores profundas de
origem visceral, são necessárias cordotomias bilaterais visando lesar também as fibras paleoespinho-talâmicas
homolaterais.
 A lesão do núcleo ventral póstero-lateral resulta na perda da dor superficial/rápida, mas deixa intacta a dor crónica.
Esta é abolida com a lesão dos núcleos intralaminares.

166
Regulação da Dor (Gating Theory)
 A penetração dos impulsos dolorosos no SNC é regulada por circuitos
nervosos existentes na substância gelatinosa (corno posterior), que age
como um portão. Este portão é controlado por fibras descendentes
supra-espinhais e pelos próprios impulsos nervosos que entram pelas
fibras das raízes dorsais.
 Os impulsos nervosos conduzidos pelas fibras Aβ
(mielinizadas/grossas) antagonizam os impulsos das fibras da dor. Os
ramos colaterais das fibras grossas tácteis dos feixes grácil e
cuneiforme inibem a transmissão de impulsos dolorosos. Na

estimulação eléctrica transcutânea, a estimulação das fibras tácteis de nervos


periféricos ou do cordão posterior da medula impede a propagação dos estímulos
dolorosos (explica o alívio da dor ao esfregar um membro doloroso).
 Sistema Analgésico Supra-Espinhal – a estimulação de áreas do TC (área
periventricular do diencéfalo, substância cinzenta periaquedutal (PAG) do
mesencéfalo e núcleo magno da rafe) pode diminuir/bloquear as sensações de dor.
 Existe uma via que liga a substância cinzenta periaquedutal (PAG) ao núcleo
magno da rafe, de onde partem fibras serotoninérgicas que percorrem o tracto
espinhal do trigémio e o feixe póstero-lateral de Lissauer da medula e terminam
em interneurónios encefalinérgicos no núcleo do tracto espinal e na substância
gelatinosa. Estes neurónios inibem a sinapse entre os neurónios I e II da via da dor
através da libertação de encefalinas e endorfinas.
 As conexões aferentes da PAG são numerosas e incluem fibras das vias da dor.
Então, os próprios estímulos nociceptivos que sobem pelas vias espinho-talâmicas podem inibir a entrada de
impulsos dolorosos no SNC. Entende-se assim o que
acontece na acupunctura, em que a introdução de uma
agulha numa parte do corpo pode aliviar um ponto doloroso
muito distante.

VIA DA PRESSÃO E DO TACTO PROTOPÁTICO


 Tacto Protopático – não discriminativo, mais grosseiro,
menos preciso e viaja mais lentamente
 Receptores: corpúsculos de Ruffini e de Meissner e
ramificações axonais em torno dos folículos pilosos (só
tacto).
 Neurónio I ou protoneurónio – no gânglio espinhal nas
raízes posteriores.
o Prolongamento periférico liga-se ao receptor.
o Prolongamento central penetra na medula pela raiz
posterior e origina ramos ascendentes de descendentes
que se deslocam 1 ou 2 segmentos da medula,
constituindo o feixe póstero-lateral de Lissauer.
 Na cabeça do corno posterior (substância gelatinosa) o
axónio do protoneurónio sinapsa com o neurónio II ou
deutoneurónio.
 O axónio do deutoneurónio cruza muito obliquamente para o lado oposto, pela comissura branca e cinzenta anterior
e sobe pelo cordão ântero-lateral contralateral, formando o Feixe Espinho-Talâmico Anterior.

167
 À medida que o feixe sobe na medula, novas fibras
surgem na sua porção interna.
 No bulbo, junta-se ao feixe espinho-talâmico lateral e
feixe espinho-tectal, formando o Lemnisco Espinhal.
Ao conjunto dos feixes espinho-talâmicos (anterior e
lateral) chama-se Feixe Em Crescente de Dejerine.
 O deutoneurónio sinapsa com o neurónio III ou
teleneurónio, presente no núcleo ventral póstero-
lateral do tálamo. Aqui o impulso nervoso torna-se
consciente.
 Axónios do teleneurónio atravessam braço posterior
da cápsula interna e corona radiata, terminando na
área somatoestésica primária.
 Lesão desta via resulta na perda da sensibilidade táctil
e não discriminativa do lado oposto e 2 a 3 segmentos
abaixo do nível da lesão.

VIA DA PROPRIOCEPÇÃO CONSCIENTE, TACTO EPICRÍTICO E SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA


 Responsável pela discriminação táctil (mais fina, mais
precisa), pela informação musculo-articular para a
movimentação corporal (propriocepção) e pelas
sensações vibratórias.
 O tacto epicrítico e a propriocepção consciente
permitem ao indivíduo a discriminação de dois pontos e
o reconhecimento da forma e tamanho dos objectos
colocados na mão (estereognosia)
 Via formada por fibras de condução rápida
 Receptores do tacto: corpúsculos de Ruffini e Meissner
e ramificações dos axónios em torno dos folículos
pilosos.
 Receptores da propriocepção: fusos neuromusculares e
órgãos tendinosos de Golgi.
 Receptores da sensibilidade vibratória: corpúsculos de
Vater-Paccini.
 O corpo celular do neurónio
I/protoneurónio situa-se no gânglio das
raízes posteriores, por onde o axónio entra
na medula e passa directamente para o
cordão posterior do mesmo lado.
 No cordão posterior, o axónio origina
fibras descendentes e ascendentes:
o Fibras descendentes – passam um
número variável de segmentos, dando
ramos colaterais que sinapsam com
células do corno posterior,
interneurónios e com células do corno
anterior. Estes ramos estão envolvidos
nos reflexos intersegmentares.
o Fibras ascendentes – podem também
sinapsar com células do corno
posterior, interneurónios e células do
168
corno anterior. Podem distribuir-se por numerosos segmentos
medulares. Também envolvidas nos reflexos intersegmentares.
 Muitos dos ramos ascendentes viajam para cima ao longo do cordão
posterior, integrando 2 feixes:
o Feixe Gracillis (de Goll) – mais interno e mais fino. Presente em
toda a extensão da medula. Contém fibras sagradas, lombares e dos
6 últimos nervos torácicos (T7-Cc1).
o Feixe Cuneatus (de Burdach) – mais externo, apenas nos segmentos
cervical e torácico superior. Contém fibras cervicais e dos primeiros
6 nervos torácicos (C1-T6).

 Fibras destes feixes sobem homolateralmente e terminam sinapsando com os


neurónios II/deutoneurónios dos núcleos gracillis e cuneatus, no bulbo.
 Os axónios dos deutoneurónios cruzam a linha média imediatamente acima dos
núcleos grácil e cuneiforme, formando nesse local as Fibras Arqueadas Internas
– decussação sensitiva
 Depois, ascendem num só feixe através do bulbo, protuberância e mesencéfalo,
formando o Lemnisco Interno ou Fita Mediana de Reil.
 No Núcleo Ventral Póstero-Lateral do tálamo, os deutoneurónios sinapsam com
os neurónios III/teleneurónios.
 Os teleneurónios passam pelo braço posterior da cápsula interna e corona
radiata, terminando na área somatoestésica primária.
 Os impulsos que seguem por esta via tornam-se conscientes exclusivamente a
nível cortical.

169
VIAS DA PROPRIOCEPÇÃO INCONSCIENTE (CEREBELO – 2 NEURÓNIOS) – 3 VIAS
Via Espinho-Cerebelar Posterior (Directo de Fleschig)
 Axónios de neurónios I (gânglios raízes posteriores)
entram na medula pela raiz posterior, penetram no corno
posterior e terminam sinapsando com neurónios
II/deutoneurónios presentes na base do corno posterior –
núcleo dorsalis (Coluna de Clarke).
 Os axónios dos neurónios II entram na porção póstero-
externa do cordão lateral do mesmo lado e sobem pelo
Tracto Espinho-Cerebelar Posterior até ao bulbo.
 No bulbo, o tracto junta-se ao pedúnculo cerebelar
inferior e termina no córtex do cerebelo.
 Núcleo Dorsalis vai desde C8 até L2/3. Os axónios dos
segmentos sagrados e lombares sobem pelo cordão
posterior até L3, onde entram no núcleo dorsal.
 As fibras espinho-cerebelares posteriores recebem
informação dos fusos neuromusculares, órgãos
tendinosos e receptores nas articulações do tronco e
membros inferiores, referente ao tónus dos músculos e
movimentos dos músculos e articulações. Esta
informação é usada pelo cerebelo na coordenação e
manutenção da postura.

Via Espinho-Cerebelar Anterior (Cruzado de Gowers)


 Axónios do neurónio I dos gânglios das raízes
posteriores sinapsam com neurónios II presentes nos
núcleos de Bechterew, na base do corno posterior.
 A maioria dos axónios dos neurónios II decussa e sobe
no Tracto Espinho-Cerebelar Anterior contralateral; a
minoria sobe pelo tracto espinho-cerebelar anterior do
mesmo lado
 As fibras, após subirem pelo bulbo e protuberância,
entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar superior e
terminam no córtex cerebelar.
 As fibras que decussaram inicialmente na medula,
cruzam novamente dentro do cerebelo.
 Esta via transporta informação das junções
neuromusculares, órgãos tendinosos e receptores
articulares do tronco e membros superior e inferior.
Além disso, também transporta informações sobre a
pele e fáscia superficialis.

Via Cuneocerebelar
 Muitas fibras do feixe cuneatus dos segmentos cervicais e torácico superior, após terminarem no neurónio
II/deutoneurónio do núcleo cuneiforme acessório do bulbo, são redireccionadas e entram no cerebelo através do
pedúnculo cerebelar inferior.
 Estas fibras são conhecidas como Fibras Arqueadas Póstero-Externas.
 Enviam impulsos proprioceptivos do pescoço e membros superiores.

170
OUTRAS VIAS
Via Espinho-Tectal
 Os axónios dos protoneurónios entram pela raiz
posterior da medula e viajam até à substância cinzenta
onde sinapsam com deutoneurónios de localização
desconhecida.
 Os axónios dos deutoneurónios cruzam a linha média
na medula e sobem pelo tracto espinho-tectal (porção
anterior do cordão lateral).
 Após passarem bulbo e protuberância, sinapsam com
neurónios dos colículos superiores
 Via dá informação aferente para os reflexos
espinhovisuais e providencia o movimento dos olhos e
pescoço através da origem do estímulo.

Via Espinho-Reticular
 Os axónios dos protoneurónios entram na raiz
posterior da medula e sinapsam com deutoneurónios
na substância cinzenta.
 Axónios dos deutoneurónios sobem na medula no
tracto espinho-reticular (cordão lateral, misturado com
fibras do tracto espinho-talâmico lateral)
 A maioria das fibras não cruza e termina sinapsando
com neurónios da formação reticular no bulbo,
protuberância e mesencéfalo.
 Via aferente da formação reticular, associada com os
níveis de consciência e dor crónica.

Via Espinho-Olivar
 Os axónios dos protoneurónios terminam em deutoneurónios desconhecidos, no corno posterior
 Os axónios dos deutoneurónios cruzam a linha média na medula e sobem no tracto espinho-olivar, na junção dos
cordões anterior e lateral.
 Sinapsam com teleneurónios no núcleo olivar inferior no bulbo.
 Axónios dos teleneurónios cruzam a linha média e entram no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar inferior
 Esta via dá informação sobre órgãos cutâneos e proprioceptivos ao cerebelo.

171
SINOPSE DOS TRACTOS ASCENDENTES EXTEROCEPTIVOS E DA SENSIBILIDADE PROFUNDA

VIAS DA SENSIBILIDADE VISCERAL

 O receptor visceral é a terminação livre ou o corpúsculo de Vater


Paccini na cápsula de algumas vísceras.
 O trajecto periférico dos impulsos viscerais (dolorosos e de
estiramento) faz-se através de fibras viscerais aferentes que percorrem
os nervos simpáticos e parassimpáticos.
 Os impulsos de dor visceral seguem por nervos simpáticos, excepto no
caso das vísceras pélvicas, (parte sagrada do parassimpático). O nervo
vago tem pouca importância na condução de estímulos dolorosos
viscerais.
 Os impulsos que seguem por nervos simpáticos (nervos esplâncnicos)
passam pelo tronco simpático, ganham os nervos espinhais pelo ramo

172
comunicante branco, passam pelo gânglio
espinhal, onde estão os neurónios I, e
penetram na medula pelo prolongamento
central destes neurónios.
 Prolongamento central sinapsa com
neurónios II/deutoneurónios dos cornos
posteriores (núcleo aferente visceral) e
laterais.
 Axónios dos neurónios II/deutoneurónios
juntam-se aos tractos espinho-talâmicos
(homo e contralaterais), e sobem na medula,
terminando num neurónio III/teleneurónio
no núcleo ventral póstero-lateral do tálamo.
 O destino final do teleneurónio é possivelmente a área somatoestésica primária.
 As causas de dor visceral são a isquemia, danos químicos, espasmo muscular e distensão.

VIAS TRIGEMINAIS (2 VIAS: EXTEROCEPTIVA E PROPRIOCEPTIVA)


 A sensibilidade somática geral da cabeça penetra no TC pelos nervos V, VII, IX e X. O mais importante é o trigémio
(V) – os outros apenas inervam pequeno território no pavilhão auditivo e meato acústico externo.

Via Trigeminal Exteroceptiva


 Neurónio I – estão nos gânglios sensitivos anexos aos nervos V, VII, IX e X:
o Gânglio de Gasser (V)
o Gânglio geniculado (VII)
o Gânglio superior do glossofaríngeo (IX)
o Gânglio superior do Vago (X)
 Neurónios pseudo-unipolares. Os axónios centrais entram
no tronco cerebral, sinapsando com os neurónios II.
 Neurónio II – localizados no núcleo do tracto espinhal ou
no núcleo sensitivo principal do trigémio.
 Todos os prolongamentos centrais dos neurónios I dos
nervos VII, IX e X terminam no núcleo do tracto espinhal
do V nervo.
 Os prolongamentos centrais do V par podem terminar em:
o Núcleo sensitivo principal – impulsos do tacto
discriminativo (epicrítico);
o Núcleo do tracto espinhal – impulsos de Tº e dor;
o Ambos (bifurcação) – impulso do tacto protopático e
pressão.
 Os axónios dos neurónios II situados no núcleo do tracto
espinhal e no núcleo sensitivo principal cruzam para o lado
oposto, na sua maioria, constituindo o lemnisco trigeminal,
cujas fibras sinapsam com os neurónios III.
 O lemnisco trigeminal apresenta uma divisão dorsal e outra
ventral
o Lemnisco trigeminal dorsal – predominantemente
homolateral e origina-se no núcleo sensitivo principal
o Lemnisco trigeminal ventral – contralateral, origina-se
do núcleo do tracto espinhal e incorpora-se no lemnisco
interno na parte mais cranial da ponte.

173
 Neurónio III – no núcleo ventral póstero-lateral do tálamo. Dão fibras que, como radiações talâmicas, passam pela
cápsula interna e corona radiata, terminando na porção inferior da circunvolução parietal ascendente (área
somatoestésica primária).

Via Trigeminal Proprioceptiva


 Os neurónios I estão no núcleo do tracto mesencefálico, são pseudo-unipolares
 O seu prolongamento periférico liga-se a fusos neuromusculares situados na musculatura mastigadora, da mímica e
da língua. Liga-se também a receptores na ATM e nos dentes, os quais dão informação sobre a posição da mandíbula
e força da mordedura.
 A maioria dos prolongamentos centrais sinapsa com neurónios do núcleo motor do V, formando arcos reflexos
mandibulares. Alguns destes prolongamentos levam impulsos proprioceptivos inconscientes ao cerebelo. Outra parte
sinapsa no núcleo sensitivo principal (neurónio II), de onde os impulsos proprioceptivos conscientes, através do
lemnisco trigeminal, vão ao tálamo e córtex.

Componente Sensitiva do Nervo Trigémio (V)


As sensações de dor, temperatura e tactos epicrítico e protopático da pele e mucosas da face são conduzidas através de fibras
nervosas cujos corpos celulares se encontram no gânglio de Gasser (ou gânglio trigeminal sensitivo). Os prolongamentos
periféricos destas células formam a raiz sensitiva do nervo trigémio
Cerca de metade das fibras nervosas dividem-se em ramos ascendentes e descendentes, ao entrarem no tronco cerebral. A outra
metade dirige-se para cima ou para baixo, sem se dividirem. Os ramos ascendentes terminam no núcleo sensitivo principal e os
ramos descendentes terminam no núcleo espinhal do trigémio
Relativamente às fibras que terminam no núcleo espinhal do trigémio, estas apresentam a seguinte distribuição:
 As fibras sensitivas da divisão oftálmica do trigémio (V1) terminam na porção inferior do núcleo espinhal do trigémio.
 As fibras da divisão maxilar (V2) terminam na porção média do núcleo espinhal.
 Já as fibras da divisão mandibular (V3) terminam na porção superior do núcleo espinhal

SENSIBILIDADE SENSORIAL

Via Gustativa
 Receptores: papilas gustativas da língua e
epiglote
 2/3 anteriores da língua – trajecto pelos nervos
lingual e corda do tímpano até nervo intermédio
(VII)
 1/3 posterior da língua – nervos glossofaríngeo
(IX) e vago (X).
 Neurónios I – nos gânglios geniculado (VII),
inferior do IX e inferior do X. Prolongamentos
centrais penetram no TC sinapsando com
neurónios II, presentes no núcleo do tracto
solitário.
 O núcleo do tracto solitário pode ser dividido em
duas componentes:
o Porção 1/3 superior e interna – corresponde
ao núcleo gustativo de Nageotte. Esta porção
recebe apenas as fibras nervosas relacionadas
com o paladar provenientes dos vários nervos
cranianos (VII, IX e X), ou seja, esta porção relaciona-se com a via gustativa
o Porção 2/3 inferior e externa – corresponde ao núcleo do tracto solitário propriamente dito. Recebe fibras
nervosas relacionadas com o barorreflexo (par IX) e com a sensibilidade geral visceral (IX e X).

174
 Neurónios II – no núcleo gustativo de Nageotte (porção superior do núcleo do tracto solitário). Dão fibras solitário-
talâmicas que sinapsam neurónios III, homo e contralaterais.
 Neurónios III – no tálamo (núcleo ventral póstero-interno). Dão axónios que alcançam a área gustativa do córtex
cerebral (parte inferior da circunvolução parietal ascendente – B43), adjacente à parte da área somatoestésica para a
língua.
 Algumas fibras dos neurónios II, em vez de sinapsarem com os neurónios III do tálamo, estabelecem ligações com
os núcleos hipotalâmicos e mesencefálicos.

Via Olfactiva
 Receptores: cílios das vesículas olfactivas
(pequenas dilatações do prolongamento
periférico da célula olfactiva).
 Neurónios I – células olfactivas, neurónios
bipolares na mucosa olfactiva.
Prolongamentos periféricos muito curtos e
prolongamentos centrais, amielínicos,
agrupam-se em feixes/filamentos que no
conjunto formam o nervo olfactivo. Estes
filamentos atravessam a lâmina crivosa do
etmóide e terminam no bulbo olfactivo,
onde sinapsam com os neurónios II;
 Neurónios II – células mitrais cujas
dendrites ramificadas sinapsam com
prolongamentos centrais de neurónios I (formam glomérulos olfactivos). Os axónios mielínicos seguem pelo tracto
olfactivo e alcançam as fitas olfactivas externa e interna.
 Os impulsos olfactivos conscientes seguem pela fita externa e terminam na área cortical de projecção da
sensibilidade olfactiva (parte anterior do úncus e da circunvolução para-hipocampal).
 Os impulsos que seguem pela fita externa funcionam como
fibras eferentes para o bulbo olfactivo contralateral (células
granulares).
 As formações integrantes da via olfactiva constituem o
rinencéfalo/encéfalo olfactivo.
 O sistema límbico recebe impulsos originados em quase todos
os receptores, incluindo nos olfactivos. Esta ligação Sistema
Olfacto - Sistema Límbico relaciona-se com fenómenos reflexos
e reacções comportamentais em resposta a impulsos olfactivos
inconscientes
 Peculiaridades da via olfactiva
o Só 2 neurónios
o Neurónio I numa mucosa em vez de um gânglio
o Falta um relé (interruptor) talâmico
o A área cortical de projecção é do tipo alocórtex e não isocórtex, como nas outras vias
o Totalmente homolateral

Via Auditiva
 Receptores: órgão espiral do Corti, na cóclea do ouvido interno;
 Neurónios I – nos gânglios espirais de Corti, situados na cóclea. Neurónios bipolares com prolongamentos
periféricos pequenos que contactam com as células ciliadas (órgão espiral do Corti).
 Prolongamentos centrais dos neurónios I formam porção coclear do Nervo Vestíbulo-Coclear e terminam na ponte,
fazendo sinapse com neurónios II.

175
 Neurónios II – nos núcleos cocleares dorsal (posterior) e ventral (anterior). Os axónios destes núcleos decussam as
linha média da protuberância em 2 regiões:
o Região Anterior – os axónios, provenientes principalmente do núcleo coclear anterior, decussam a linha média,
constituindo o corpo trapezoide. Contornam o núcleo olivar superior e inflectem-se para formar o lemnisco lateral
contralateral.
o Região Posterior – os axónios, provenientes principalmente do núcleo coclear posterior, decussam a linha média,
logo profundamente à fossa romboide, formando, no pavimento do 4º ventrículo, um conjunto de estrias – as
estrias acústicas ou medulares. Em seguida, inflectem-se para sinapsar com os núcleos da formação reticular.
Formam a via cócleo-reticular.
 Existe ainda um número variável de fibras que não decussam, penetrando no lemnisco lateral homolateral
 Neurónio III – no colículo inferior. Seus axónios dirigem-se para o corpo geniculado interno, pelas vias conjuntivais
inferiores.
 Neurónios IV – no corpo geniculado interno. Os seus axónios formam a radiação auditiva que, passando pela cápsula
interna, chega à área auditiva (B41 e 42), situada na circunvolução temporal superior.
 Muitos impulsos auditivos seguem trajecto mais complicado que esta via de 4 neurónios, fazendo extra-sinapses no
núcleo posterior do corpo trapezóide, no núcleo olivar superior e no núcleo do lemnisco lateral homolaterais ou
contralaterais.
 Organização tonotrópica (impulsos de sons com tons de determinada frequência seguem caminhos específicos e são
projectados em áreas do córtex específicas)
 Via possui 2 peculiaridades:
o Os impulsos nervosos provenientes de cada ouvido são transmitidos para as vias auditivas (lemniscos laterais), ao
longo dos dois lados do tronco cerebral. Embora cada lemnisco lateral possua mais fibras nervosas do ouvido
contralateral, possui igualmente um número significativo de fibras homolaterais. Assim cada área auditiva recebe
impulsos homo e contralaterais, sendo impossível perder a audição por lesão numa só área auditiva;
o Possui grande número de núcleos relés (interruptores) – colículo inferior, núcleo geniculado interno, etc. Assim,
enquanto nas outras vias o nº de neurónios é 3, na via auditiva este número é de 4 ou mais.

176
Vias Vestibulares Conscientes e Inconscientes
 Receptores proprioceptivos: cristas dos canais
semicirculares e as máculas do utrículo e do sáculo
(porção vestibular do ouvido interno).
 Neurónios I – células bipolares localizadas no gânglio
vestibular (de Scarpa). Prolongamentos periféricos
pequenos; prolongamentos centrais maiores constituem
a porção vestibular do nervo vestíbulo-coclear. Fibras
sinapsam com neurónios II;
 Neurónios II – nos núcleos vestibulares. São 4:
o Núcleo Vestibular Superior (de Bechterew)
o Núcleo Vestibular Externo (de Deiters)
o Núcleo Vestibular Interno (de Schwalbe)
o Núcleo Vestibular Inferior (de Roller)
 Os núcleos vestibulares não se encontram todos ao
mesmo nível, estendendo-se desde a porção superior do bulbo até à protuberância.
 A partir daqui consideram-se 2 trajectos:
o Via Inconsciente – axónios dos neurónios II formam o feixe vestíbulo-cerebelar, que se dirige para o
arqueocerebelo, passando pela parte interna do pedúnculo cerebelar inferior (corpo juxta-restiforme). Algumas
fibras vão directamente ao cerebelo sem sinapsar nos núcleos vestibulares;
o Via Consciente – pouco conhecida. Sabe-se da existência de um relé (interruptor talâmico). A localização da área
vestibular no córtex restringe-se ao lobo parietal (próximo do território da área somatoestésica correspondente à
face) e/ou ao lobo temporal, perto da área auditiva.

177
Via Óptica
 Os receptores visuais e os neurónios I, II e III estão na retina
 A retina forma-se da evaginação do diencéfalo primitivo (vesícula óptica), que por introflexão se transforma no
cálice óptico, com parede dupla. A parede externa origina a camada pigmentar da retina; a parede interna origina a
camada nervosa da retina, onde estão os 3 primeiros neurónios da retina.
 Na parte posterior da retina, no eixo visual de cada olho, está a mácula lútea, no centro da qual há uma depressão –
fóvea central. A mácula é a zona onde a visão é mais distinta e a percepção das cores é melhor.
 Na retina identificam-se 10 camadas, da mais superficial
para a mais profunda:
o Camada Pigmentar da Retina – não faz parte da
camada nervosa da retina, mas antes da camada
pigmentar
o Camada dos Cones e Bastonetes – contem os
segmentos externos e internos dos cones e bastonetes.
o Membrana Limitante Externa – contém o limite apical
das células de Muller
o Camada Nuclear Externa – contém os corpos celulares
dos cones e bastonetes
o Camada Plexiforme Externa – contém os
prolongamentos dos cones e bastonetes e das células
bipolares
o Camada Nuclear Interna – contém os corpos nucleares
das células bipolares
o Camada Plexiforme Interna – contém os
prolongamentos das células bipolares e ganglionares,
através dos quais estas duas células comunicam entre si.
o Camada Ganglionar – contém os corpos celulares das células ganglionares
o Camada de Fibras do Nervo Óptico – contém os prolongamentos das células ganglionares que formam o nervo
óptico
o Membrana Limitante Interna – composta pela lâmina basal das células de
Muller.
 Se considerarmos apenas a disposição dos neurónios na retina, dividimo-la em 3
camadas, de fora para dentro: células fotossensíveis ou fotorreceptoras (I), células
bipolares (II) e células ganglionares (III)
 Células fotossensíveis  células bipolares  células ganglionares, cujos axónios
formam o nervo óptico. Os prolongamentos periféricos das células fotossensíveis
são os receptores da visão, cones ou bastonetes.
 As células fotossensíveis são de 2 tipos: células de cone e células de bastonete. Os
raios luminosos devem atravessar as suas 9 camadas internas para atingir os
fotorreceptores.
 A excitação dos cones ou bastonetes pela luz dá origem a impulsos nervosos que
caminham em direcção oposta à seguida pelo raio luminoso (de trás para a frente).
 Os bastonetes são adaptados para a visão com pouca luz; os cones são adaptados
para visão com muita luz e para a visão a cores. O número de bastonetes é 20 vezes
maior que o de cones.
 Nas partes periféricas da retina predominam os bastonetes. O número de cones
aumenta com a aproximação à mácula. Na fóvea existem só cones.
 Partes periféricas – vários bastonetes ligam-se a uma célula bipolar e várias células bipolares sinapsam com uma
célula ganglionar (uma fibra de nervo óptico pode relacionar-se com 100 receptores).

178
 Mácula – nº de cones = nº células bipolares = nº células ganglionares. Para cada cone existe uma só fibra no nervo
óptico. Este facto explica a grande acuidade visual da mácula e, apesar desta ser uma região pequena, contribui
maioritariamente para a formação do nervo óptico, tendo grande representação cortical.
 Os axónios das células ganglionares são no início desmielinizados e percorrem a superfície interna da retina,
convergindo para o disco ou papila óptica (parede posterior retina, por dentro da mácula)
 Na papila óptica, os axónios das células ganglionares atravessam as túnicas média e externa do olho (placa crivosa
da esclerótica) e a partir daí tornam-se mielinizados, formando o nervo óptico.
 Ao nível da papila óptica não existem fotorreceptores – ponto cego da retina. Aqui também penetram os vasos da
retina.
 Os nervos ópticos dos dois lados convergem para formar
o quiasma óptico. As fibras nasais (retina nasal) cruzam
para o outro lado, enquanto as fibras temporais (retina
temporal) seguem do mesmo lado.
 Cada tracto óptico contém fibras temporais da retina
homolaterais e fibras nasais da retina contralaterais, isto
é, os impulsos nervosos originados nas metades
homónimas das retinas dos dois olhos serão conduzidos
aos corpos geniculados laterais e ao córtex do mesmo
lado
 Portanto, o córtex visual direito percebe os objectos
situados à esquerda de uma linha vertical que separa os
campos visuais (nasal e temporal) e vice-versa.
 A partir do tracto óptico podem surgir 4 tipos de fibras:
o Fibras retino-hipotalâmicas – destacam-se do
quiasma óptico e vão para o núcleo supraquiasmático.
Regulam os ritmos biológicos;
o Fibras retino-tectais – vão para o colículo superior,
através do braço conjuntival; relacionadas com
reflexos dos movimentos dos olhos e pálpebras desencadeados por impulsos visuais (piscar).
o Fibras retino-pré-tectais – vão para a área pré-tectal através do braço conjuntival do colículo superior;
relacionadas com reflexo fotomotor directo e consensual.
o Fibras retino-geniculadas – as mais importantes, relacionadas com a visão. Terminam sinapsando com os
neurónios IV, presentes no corpo geniculado externo.
 Os axónios dos neurónios IV formam a radiação óptica (tracto geniculo-calcarino) e terminam na área visual (B17),
nos lábios do sulco calcarino. 2 tipos de fibras:
o Fibras dorsais – percurso quase rectilíneo para trás, em direcção ao lobo occipital
o Fibras ventrais – dirigem-se para a frente, em direcção ao pólo temporal, encurvam-se a seguir e voltam para trás,
até ao lobo occipital, onde terminam. Forma-se, então, uma alça temporal de Meyer, relacionada com o corno
inferior do ventrículo lateral.
 Há correspondência entre partes da retina e partes do corpo geniculado externo, da radiação óptica e da área visual.
Na radiação óptica, as fibras correspondentes às partes superiores da retina ocupam posição mais alta e projectam-se
no lábio superior do sulco calcarino; as fibras correspondentes às partes inferiores da retina ocupam posição mais
baixa e projectam-se no lábio inferior; as fibras que levam impulsos da mácula ocupam posição intermediária e
projectam-se na parte posterior do sulco calcarino.
 Existe, portanto, uma somatotropia perfeita em toda a via óptica.

179
Lesões na Via Óptica
 O distúrbio básico do campo visual é o escotoma –
falha dentro do campo visual, ou seja, cegueira
duma parte desse campo.
 Quadrantanópsia – escotoma que atinge um
quadrante de um campo visual.
 Hemianopsia – escotoma que atinge metade do
campo visual. Pode ser homónima (há lesão do
mesmo lado do campo visual em cada olho) ou
heterónima (lados diferentes dos campos visuais).
 Existe, portanto, uma somatotropia perfeita em
toda a via óptica.
 Lesão A – lesão do nervo óptico – cegueira
completa do olho correspondente (ex: traumatismo
ou glaucoma)
 Lesão B – lesão da parte mediana do quiasma
óptico – hemianopsia heterónima bitemporal, em
consequência da interrupção das fibras das retinas
nasais que cruzam a este nível (ex: tumores na
hipófise que comprimem o quiasma).
 Lesão C – lesão da parte externa do quiasma
óptico – hemianopsia nasal do olho
correspondente, devido a interrupção das fibras
provenientes da retina temporal desse olho (ex:
aneurismas da Carótida Int. que comprimem o
quiasma). Se a lesão é bilateral ocorre hemianopsia heterónima binasal.
 Lesão D – lesão do tracto óptico – hemianopsia homónima esquerda, neste caso, por lesão do tracto óptico direito.
Há interrupção das fibras provenientes da retina temporal direita e da retina nasal esquerda (ex: traumatismo ou
tumores que comprimem o tracto óptico). Lesões no corpo geniculado externo dão lesões semelhantes. Reflexo
fotomotor directo não existe porque fibras retino-pré-tectais também são interrompidas.
 Lesão E – lesão na radiação óptica – quadrantanópsia homónima superior esquerda. São interrompidas as fibras
oriundas da metade inferior das retinas nasal esquerda e temporal direita. Tipo de lesão que resulta do
comprometimento das fibras da alça temporal de Meyer, em certos casos de tumor no pólo temporal. Existe reflexo
fotomotor normal pois fibras retino-pré-tectais não estão lesionadas.
 Lesão F – lesão na radiação óptica – hemianopsia homónima esquerda. Há uma interrupção das fibras provenientes
da retina temporal direita e da retina nasal esquerda. Aqui também o reflexo fotomotor é normal. São lesões raras.
 Lesões no córtex visual (B17) – as lesões completas do córtex visual de um hemisfério dão lesões semelhantes a
lesões completas das radiações ópticas desse lado (hemianopsias homónimas). Contudo, são mais comuns as lesões
parciais. Uma lesão do lábio inferior do sulco calcarino direito resulta numa quadrantanópsia homónima superior
esquerda. A visão macular é normalmente poupada em lesões parciais (devido a grande representação cortical da
mácula). Quando no pólo occipital, somente as áreas corticais que representam a mácula estão lesadas (num dos
lados), resulta num escotoma central homónimo hemianóptico.

CONTROLO DA TRANSMISSÃO DAS INFORMAÇÕES SENSORIAIS


 Feito através de vias eferentes reguladoras da sensibilidade
 No nervo óptico (II) e na retina existem fibras eferentes originárias da formação reticular.
 No nervo vestíbulo-coclear (VIII) encontramos fibras descendentes provenientes do córtex auditivo e de outros
núcleos que integram a via auditiva. Estas fibras bilaterais terminam nas células nervosas a diferentes níveis da via
auditiva e também nas células ciliadas do órgão de Corti. Pensa-se que estas fibras providenciam um mecanismo de
feedback que inibe a recepção de sons e, além disso, tenham um papel importante na nitidez dos sons, suprimindo
alguns sinais e amplificando outros.
180
 A presença destas vias explica a capacidade que temos de seleccionar, entre as diversas informações sensoriais que
nos chegam num momento, aquelas mais relevantes e que despertam a nossa atenção
 Na dependência destas vias estão os fenómenos de atenção selectiva e habituação a estímulos apresentados
continuamente.
 A habituação deve-se a um mecanismo de inibição dos impulsos sensoriais pouco relevantes e que não atraem a
nossa atenção.
 O controlo da sensibilidade pelo SNC manifesta-se geralmente por inibição e as vias responsáveis pelo processo
originam-se no córtex cerebral e na formação reticular, principalmente.

181
VIAS DESCENDENTES

VIAS DESCENDENTES

 Os neurónios motores situados no corno anterior da medula enviam axónios para inervar o músculo esquelético,
através das raízes anteriores dos nervos espinhais. Estes neurónios motores são designados de Neurónios Motores
Inferiores.
 Os neurónios motores inferiores são constantemente bombardeados por impulsos nervosos provenientes do bulbo,
protuberância, mesencéfalo, córtex cerebral e mesmo das fibras nervosas sensitivas das raízes posteriores da medula.
 As fibras nervosas que descem ao longo da substância branca da medula, provenientes de diversos centros nervosos
supra-espinhais, agrupam-se em diversos conjuntos de fibras que no seu conjunto se denominam Tractos
Descendentes. Estes neurónios supra-espinhais e os seus tractos também são referidos de Neurónios Motores
Superiores.

Organização Anatómica das Vias Descendentes


 De um modo geral, o controlo da actividade
muscular pelo córtex cerebral (e por outros centros
superiores) é feito através de uma série de
neurónios.
 As vias descendentes do córtex cerebral são
normalmente constituídas por 3 neurónios
o Neurónio de 1ª ordem – tem o seu corpo celular
no córtex cerebral. É o neurónio motor superior.
O seu axónio desce pelo encéfalo, decussa (ou
não) a linha média e sinapsa com o 2º neurónio.
o Neurónio de 2ª ordem - é um interneurónio curto,
situado no corno anterior da medula espinhal.
Sinapsa com o 3º neurónio
o Neurónio de 3ª ordem – é o neurónio motor
inferior. O corpo celular está presenta no corno
anterior da medula e emite o seu axónio, através
da raiz anterior da medula e dos nervos
espinhais, para inervar o respectivo órgão efector
(músculo esquelético)
 Em algumas situações, o axónio do 1º neurónio
termina directamente no neurónio de 3ª ordem,
dispensando o interneurónio.

Tipos de Motilidade
 Existem 2 tipos de motilidade:
o Voluntária/Consciente – consequência de uma decisão consciente, a nível cortical, que determina a contracção de
músculos isolados ou de grupos musculares
o Involuntária/Inconsciente – independente da vontade. Pode ser ainda subdividida em 4 subtipos:
 Reflexa – resposta sem intervenção voluntária (ex: arcos reflexos)
 Automática – movimentos executados repetidamente até que deixam de ser controlados pela vontade (ex:
mastigação)
 Associada – movimentos executados ao mesmo tempo que o movimento voluntário para assegurar o equilíbrio
 Estática – assegura o tónus muscular para manter a postura corporal. É importante no equilíbrio.

182
Classificação das Vias Descendentes

Vias Oculomotoras
Estas vias constituem um sistema com uma autonomia funcional bem demarcada por possuir um carácter que pode ser
voluntário ou reflexo, somático ou vegetativo.
Podemos distinguir 2 vias:
 Via Oculo-Cefalogira – movimentos conjugados da cabeça e dos olhos, fazendo parte das vias de motricidade somática.
Está associada aos músculos extrínsecos do olho e rotadores do pescoço
 Vias da Motricidade Intrínseca – relacionadas com os reflexos de acomodação do cristalino e da íris.
Estas vias vão contribuir para a formação dos vários reflexos visuais ( ver capítulo respectivo)

Vias Cortico-Espinhais ou Piramidais


Origem Histológica
 As fibras originam-se nos axónios das células piramidais (células de Betz), situadas na camada V do córtex cerebral.

Origem Funcional
 As fibras das vias cortico-espinhais provêm de 3 sítios:
o Área Motora Primária (B4) – 1/3 das fibras
o Área Motora Secundária ou Pré-Motora (B6) – 1/3 das fibras
o Circunvolução Parietal Ascendente (B3, 1 e 2) – 1/3 das fibras
 As fibras da circunvolução parietal ascendente não apresentam
actividade motora mas influenciam o “input” sensitivo para o
sistema nervoso.
 A estimulação eléctrica de diferentes partes da circunvolução
frontal ascendente produz movimentos em diferentes partes do
hemicorpo contralateral.
 A representação caricatural dessas partes do corpo humano na área do
córtex denomina-se Homúnculo (neste caso, motor).
 O homúnculo é uma imagem distorcida e invertida do corpo, com as
várias partes a terem um tamanho proporcional à área do córtex
dedicada ao seu controlo.
 A região do córtex que controla a face está localizada inferiormente e a
que controla o membro inferior está localizada superiormente e na
superfície interna do hemisfério (nota: a região cortical destinada à face
contribui para a formação das fibras cortico-nucleares – ver mais a frente).
 A maioria das fibras cortico-espinhais é mielinizada e de condução
relativamente lenta.

183
Trajecto
 Do córtex cerebral, as fibras convergem para a Corona Radiata (centro
oval de Vieussens).
 De seguida passam pelo Braço Posterior da Cápsula Interna. As fibras
destinadas às porções cervicais estão mais próximas do joelho enquanto as
que inervam o membro inferior são mais posteriores.
 A via continua depois, descendo até ao Mesencéfalo, por onde passa nos
3/5 médios do Crus Cerebri. As fibras cervicais são mais internas
enquanto as do membro inferior são mais externas.
 A via que até aqui formava uma unidade compacta, ao alcançar a
protuberância vai dividir-se em vários feixes devido à presença dos feixes
ponto-cerebelares transversos. Formam-se então os Feixes Cortico-
Espinhais.
 No bulbo, as fibras cortico-espinhais voltam a convergir, para formar as
Pirâmides Bulbares.
 O início da divergência das fibras cortico-espinhais e a reunião das
mesmas indicam os limites superior e inferior precisos da protuberância
 Na porção inferior do bulbo, as fibras cortico-espinhais que constituem as
pirâmides vão-se dividir e assumir posições diferentes ao longo do seu
trajecto descendente na medula espinhal:
o 80% das fibras formam a decussação das pirâmides, formando a Via
Cortico-Espinhal Lateral ou Feixe Piramidal Cruzado. Esta via vai
caminhar no cordão lateral contralateral da medula, dirigindo-se aos
sucessivos andares da medula e terminando no corno anterior de todos
os segmentos medulares
o 20% das fibras não decussam, continuando o seu trajecto. Formam a Via Cortico-Espinhal Anterior ou Feixe
Piramidal Directo, que vai caminhar na fissura mediana anterior do cordão anterior homolateral da medula.
Dirigem-se aos sucessivos andares da medula, terminando no corno anterior contralateral dos segmentos
medulares cervical e torácico superior. Ou seja, só cruzam a linha média, através da comissura branca, ao nível
do andar da medula ao qual se destinam.

 A maior parte das fibras cortico-espinhais sinapsam com interneurónios (neurónios de 2ª ordem), que por sua vez
sinapsam com os neurónios motores α e alguns γ. Apenas as maiores fibras cortico-espinhais sinapsam directamente
com o 3º neurónio.
 As vias cortico-espinhais não constituem a único tracto para os movimentos voluntários. De, facto, muitos dos
movimentos voluntários básicos e simples são mediados por outros tractos.
 As vias cortico-espinhais conferem rapidez e agilidade aos movimentos voluntários e, por isso, são usadas para a
realização de movimentos rápidos e precisos.

184
Ramos Colaterais das Vias Cortico-Espinhais
 Temos a assinalar 2 tipos de ramos:
o Ramos que retornam ao córtex cerebral para inibir a actividade em
zonas adjacentes ao córtex estimulado. Estes ramos têm origem na
porção inicial das vias.
o Ramos para os núcleos caudado, lentiforme, rubro, olivar, e para a
formação reticular. Estes ramos são importantes para manter as
regiões subcorticais informadas acerca da actividade motora cortical,
para que possam reagir, se necessário, e enviar os seus próprios
impulsos nervosos para os neurónios motores α e γ, através das vias
extrapiramidais.

Via Cortico-Nuclear ou Feixe Geniculado


 Algumas fibras provenientes do córtex motor dirigem-se para os núcleos motores dos pares cranianos – Fibras
Córtico-Nucleares
 A via cortico-nuclear transporta as decisões efectoras de
actos voluntários para os núcleos motores dos pares
cranianos.
 As fibras desta via têm origem no 1/3 inferior da
circunvolução frontal ascendente (córtex motor
correspondente à face e pescoço)
 Desde a sua origem, as fibras atravessam a Corona
Radiata até à Cápsula Interna. Aqui, as fibras passam à
frente das vias cortico-espinhais, posicionando-se ao nível
do joelho da cápsula. Daí as fibras cortico-nucleares se
designarem também de Feixe Geniculado
 Em seguida, as fibras dirigem-se para baixo/dentro e
atravessam o mesencéfalo, pelo Crus Cerebri,
internamente às fibras cortico-espinhais
 As fibras cortico-nucleares têm um trajecto semelhante às
fibras cortico-espinhais até à porção inferior do bulbo, onde terminam.
 Na porção superior do tronco cerebral, o feixe geniculado divide-se em 2 grupos de fibras:
o Fibras Cortico-Nucleares Propriamente Ditas –
destinam-se aos núcleos motores do trigémio (V), do
facial (VII), ao núcleo do tracto solitário (IX e X), ao
núcleo ambíguo (IX, X e porção craniana do XI) e ao
núcleo do hipoglosso;
o Via Aberrante de Déjerine – dirige-se aos núcleos dos
nervos MOC (III), troclear (IV) e MOE (VI),
relacionando-se com a motricidade do globo ocular. Esta
via também se destina ao núcleo medular do nervo
espinhal a fim de garantir a motricidade da cabeça sobre
o tronco. A via aberrante de Déjerine é importante para
os movimentos oculo-cefalogiros
 Relativamente às fibras cortico-nucleares, temos núcleos de
pares cranianos:
o Bilateralmente supridos: III, V, porção caudal do VII
(porção superior da face) e núcleo ambíguo (IX, X e
porção bulbar do XI)
o Apenas Contralateralmente supridos (cruzados): VI, porção rostral do VII (porção inferior da face), XII
o Apenas Ipsilateralmente supridos (não cruzado): IV

185
Vias Reticulo-Espinhais
 A formação reticular é um sistema difuso que se estende ao longo de todo o tronco cerebral. É constituída por uma
rede de neurónios e fibras nervosas conectadas com os núcleos basais e do cerebelo.
 Identificam-se 2 vias distintas:
o Via Reticulo-Espinhal Protuberancial – neurónios provenientes da formação reticular da protuberância enviam
axónios que descem ao longo do cordão anterior da medula
espinhal, acompanhando a via cortico-espinhal anterior.
Entram no corno anterior da medula. Ao longo do seu
trajecto, a maioria dos feixes não cruza a linha média.
Apresentam uma acção facilitadora sobre os neurónios
motores inferiores α e γ
o Via Reticulo-Espinhal Bulbar – neurónios provenientes do
bulbo, emitem axónios que caminham no cordão lateral da
medula*, acompanhando o feixe cortico-espinhal lateral.
Terminam no corno anterior da medula. Estes neurónios
podem ou não decussar a linha média. Esta via tem uma
acção inibidora sobre os neurónios motores inferiores α e γ.

 Portanto, as fibras reticulo-espinhais influenciam os movimentos voluntários e a actividade reflexa


 As fibras reticulo-espinhais parecem também incluir as fibras vegetativas descendentes
 As vias reticulo-espinhais constituem uma via através da qual o hipotálamo controla o SNA.

Via Tecto-Espinhal
 Constituída pelos axónios provenientes dos neurónios dos colículos
superiores (mesencéfalo)
 Após a sua origem, a maioria das fibras decussa a linha média
(decussação de Meynert)
 Depois, a fibras desta via caminham no tronco cerebral próximas do
feixe longitudinal interno.
 Na medula, as fibras descem através do cordão anterior da medula,
perto da fissura mediana anterior.
 Terminam no corno anterior dos segmentos cervicais da medula
espinhal, sinapsando com interneurónios.
 Esta via está relacionada com movimentos posturais reflexos, em
resposta a estímulos visuais (devido à relação das vias ópticas com
os colículos superiores)

186
Via Rubro-Espinhal
 O Núcleo Rubro está situado no tegmentum do mesencéfalo, ao
nível dos colículos superiores.
 Os axónios dos neurónios deste núcleo cruzam a linha média ao
nível do núcleo (decussação de Forel)
 Descem juntamente com o feixe reticulo-espinhal bulbar, pelo
cordão lateral da medula
 Os neurónios do núcleo rubro recebem impulsos aferentes do
córtex cerebral e cerebelo. Assim, pensa-se que a via rubo-
espinhal seja uma importante via indirecta através da qual o
córtex cerebral e o cerebelo influenciam a actividade dos
neurónios motores α e γ, na medula.
 A via rubro-espinhal facilita a actividade dos músculos flexores e
inibe a acção dos músculos extensores ou anti-gravíticos.

Via Vestíbulo-Espinhal
 Os axónios desta via têm origem nos neurónios do núcleo
vestibular externo (de Deiters), que se localiza na transição
entre o bulbo e a protuberância, profundamente ao
pavimento do IV ventrículo
 O núcleo vestibular externo recebe fibras aferentes do
ouvido interno (através do nervo vestibular), e do cerebelo.
 As fibras desta via são directas, ou seja, não cruzam a linha
média durante todo o seu trajecto bulbar e medular.
 Descem no cordão anterior da medula espinhal
 As fibras terminam sinapsando com interneurónios
presentes no corno anterior da medula
 O ouvido interno e o cerebelo, através da via vestíbulo-
espinhal, facilitam a actividade dos músculos extensores e
inibem a actividade dos músculos flexores, em associação
coma manutenção do equilíbrio
 Portanto, esta via está envolvida nos movimentos posturais
reflexos em resposta a estímulos vestibulares, influenciando
a actividade dos neurónios motores inferiores α e γ.

187
Via Olivo-Espinhal
 Pensava-se que esta via tinha origem no núcleo olivar inferior
 Os axónios dos neurónios deste núcleo desceriam pelo cordão
lateral da medula, para influenciar a actividade dos neurónios
motores no corno anterior da medula.
 Hoje tem-se dúvidas acerca da existência desta via…

Fibras Vegetativas Descendentes


 Os centros superiores do SNC associados ao controlo da actividade autonómica estão situados no córtex cerebral,
hipotálamo, amígdalas e formação reticular
 A individualização de feixes concretos não tem sido fácil. Contudo, a investigação de lesões da medula espinhal leva
a aferir que as fibras descendentes vegetativas acompanham as vias reticulo-espinhais.
 As fibras dos neurónios destes centros superiores cruzam a linha média ao nível do tronco cerebral, descem na
medula ao longo do cordão lateral
 Terminam com a sinapse nas células motoras autonómicas presentes nos cordões laterais dos segmentos medulares
torácico e lombar superior (componente simpática), e sagrada média (componente parassimpática).
 Actualmente já se conseguiram definir 2 tractos autonómicos descendentes distintos:
o Tracto Simpático Central Descendente – para a
vasoconstrição e secreção de suor. Está em relação
com a via cortico-espinhal lateral e apresenta a
mesma somatotropia (feixes do membro superior
mais internos e feixes para o membro inferior mais
externos)
o Tractos Periependimais – contêm fibras ascendentes
e descendentes. Estendem-se, em ambos os lados do
canal central da medula espinhal ao hipotálamo.
Estão envolvidos na micção, defecação e funções
genitais.

188
Sinopse dos Tractos Descendentes

189
190
CÉLULAS DE RENSHAW E INIBIÇÃO DOS NEURÓNIOS MOTORES INFERIORES

 Um tipo especial de neurónio de axónio curto


encontrado na medula é a célula de Renshaw,
localizada na porção medial do corno anterior
 Os impulsos nervosos provenientes da célula de
Renshaw inibem os neurónios motores inferiores
 Admite-se que os axónios dos neurónios motores
inferiores, antes de deixarem a medula, emitem
ramos colaterais ao longo da sua passagem pela
substância branca medular.
 Um destes ramos colaterais é um ramo recorrente
e sinapsa com uma célula de Renshaw. Esta, por
sua vez, faz sinapse com o próprio neurónio
motor inferior que emitiu o colateral
 Assim, os impulsos nervosos que saem pelos
neurónios motores são capazes de inibir o próprio neurónio através do ramo recorrente e da célula de Renshaw.
Estamos, portanto, perante um mecanismo de feedback negativo que evita um excesso de estímulo do neurónio
motor α (inibição recorrente)
 A célula de Renshaw estimulada liberta glicina, um neurotransmissor inibitório.
 A importância funcional das células de Renshaw é evidenciada de maneira significativa no tétano. A toxina tetânica
inibe a libertação de glicina pelas células de Renshaw. A ausência de inibição dos neurónios motores α leva a
contracções tetânicas (contracção permanente muscular).
 A acção da glicina é inibida pela estricnina (alcalóide usado como raticida). Este facto explica as fortes convulsões
que se observam em casos de envenenamento por estricnina, por cessação completa da acção inibitória das células de
Renshaw sobre os neurónios motores inferiores.

Correlações Clínicas das Vias Descendentes

NOTA IMPORTANTE
As funções atribuídas aos feixes piramidais e extrapiramidais são diferentes dependendo do autor que se
estuda. Da mesma forma, se as funções são diferentes as correlações clínicas também vão variar em caso de
lesão de um determinado feixe (ex: piramidal).
Existem duas grandes facções: uma considerada mais antiga, abordada pela nossa faculdade e por
bibliografia de professores da nossa faculdade (Ducla Soares, Miller Guerra); e outra considerada mais recente,
apoiada pelo Snell e Prometheus. Considerando a importância de ambas as facções, em seguida apresentam-se
as duas versões com as respectivas diferenças.
Aconselhamos que tentem saber junto dos vossos professores qual a “nómina” que devem estudar.
Contudo, muito provavelmente a nómina antiga (apoiada pela faculdade) será usada para o exame teórico.

TÓNUS MUSCULAR (Ducla Soares, Miller Guerra)


 O tónus muscular (ou postural) é um reflexo proprioceptivo destinado a manter a postura corporal. A contracção
moderada e permanente do músculo esquelético com a inervação normal é o que fisiologicamente se compreende por
tónus.
 O mecanismo neurofisiológico é muito complexo e ainda não está totalmente compreendido. Depende de numerosos
estímulos tonigenos que são regulados pelos centros nervosos
 Como todos os reflexos, o tónus é mentido e regulado reflexamente. Possui órgãos receptores específicos (fusos
musculares), centros e órgãos efectores (fibras musculares).

191
 A avaliação do tónus muscular pode ser feita por dois processos: a palpação dos músculos e a mobilização passiva:
o A palpação dos músculos permite deduzir as suas propriedades físicas (consistência, relevo, facilidade de
deformação), contudo é um processo muito grosseiro
o A mobilização passiva é um processo mais preciso e praticamente o único que fornece elementos de importância
clínica. Por este meio, afastam-se os pontos de inserção do músculo, o qual desenvolve uma tensão moderada e
uniforme – é a esta resistência que encontramos durante o movimento que se chama tónus.
 Em certas condições patológicas o tónus pode aumentar ou diminuir. No primeiro caso temos hipertonia e no último
temos hipotonia.

Hipertonia
 Há três espécies de hipertonia diferentes: espasticidade, rigidez e paratonia
 A ESPASTICIDADE observa-se nas lesões piramidais.
 Semiologicamente consiste no seguinte: pouco depois de iniciarmos o movimento (por exemplo, a extensão do
antebraço) a resistência aumenta rapidamente, cedendo pouco depois (às vezes bruscamente). Se a certa altura
interrompemos o movimento, repete-se o mesmo fenómeno que, por fazer lembrar o sucede ao fechar uma navalha
de mola, é conhecido em semiologia por “reflexo da navalha de mola”
 A espasticidade observa-se melhor quando o movimento é rápido, podendo atenuar-se ou desaparecer se o
movimento é efectuado lentamente. Esta é mais aparente na extensão do que na flexão dos segmentos corporais
 A espasticidade tem uma acção electiva: é mais evidente nos músculos cuja acção se opõe à gravidade (músculos
antigravídicos). Nos membros superiores incide principalmente nos flexores do antebraço e nos adutores do braço;
nos membros inferiores predomina nos músculos extensores.
 Deste facto resulta a postura habitual dos membros nas afecções piramidais, cujo tipo é a hemiplegia com braço em
adução e flexão, punho e dedos flectidos, extensão da coxa e perna e pé em dorsiflexão. Os músculos do tronco e, de
um modo geral, os axiais, não são atingidos pela espasticidade, a não ser em grau moderado quando as lesões
piramidais são bilaterais
 A RIGIDEZ surge nas afecções extrapiramidais (doença de Parkinson e síndromes parkinsónicas)
 É uma hipertonia que oferece à mobilização passiva uma resistência uniforme que não varia com o tipo de
movimento efectuado. Costuma-se comparar a resistência encontrada ao dobrar-se um tubo de chumbo ou um
pedaço de cera mole, sem nenhuma semelhança com o fenómeno da navalha de mola
 Ao contrário da espasticidade, a rigidez interessa por igual todos os músculos esqueléticos (flexores e extensores dos
membros e do tronco). Além disso, torna-se mais nítida quando o movimento é executado com lentidão.
 A postura é também diferente: o doente tem tendência para flectir moderadamente o pescoço, o tronco e os
membros.
 Um fenómeno semiológico característico da síndrome parkinsónica é o sinal de roda dentada. Consiste no seguinte:
quando se mobiliza passivamente uma articulação encontra-se uma resistência intermitente, regular, como se fosse
devida aos dentes de uma roda. Se existe tremor, o sinal torna-se mais notável.
 A PARATONIA é a resistência oposta automaticamente pelo doente ao movimento efectuado pelo observador quando
este pesquisa o tónus. Surge em doenças do sistema extrapiramidal, demências, encefalopatias, coma superficial, uso
de tranquilizantes e em perturbações de conversão.

HIPERTONIA
Critérios Espasticidade Rigidez
Sistema Afectado Piramidal Extrapiramidal
Localização Músculos da raiz dos membros,
Músculos Antigravídicos
predominante do tronco e do pescoço
Flexão dos membros superiores e
Postura extensão dos inferiores
Semiflectida
Força Muscular Diminuída ou abolida Conservada
Reflexos Tendinosos Exagerados Normais
Rigidez
Sinais Concomitantes Reflexo da navalha de mola
Sinal da roda dentada

192
Hipotonia
 Diz-se que há hipotonia quando a resistência aos movimentos passivos está diminuída e a amplitude dos movimentos
articulares está aumentada. Assim, podemos levar, sem ter de vencer resistência apreciável, o joelho ao contacto do
abdómen ou até ao contacto com o mento.
 Quando a hipotonia é muito acentuada, podemos obter atitudes acrobáticas (geralmente a diminuição do tónus não
alcança este extremo)
 Um processo de pesquisar a hipotonia consiste em levantar passivamente uma extremidade e abandoná-la depois. O
membro hipotónico retoma a posição inicial, como se fosse um objecto inerte, caindo pesadamente.
 Nas crianças e nos indivíduos de constituição asténica existe uma hipotonia fisiológica.
 A hipotonia é um sinal banal de lesões do 2º neurónio (poliomielite, polinevrites, etc.), das afecções agudas do
cerebelo, das miopatias e distrofias musculares, das lesões das raízes posteriores (tabes dorsalis), das lesões dos
cordões posteriores da medula e da coreia aguda de Sydenham.

TÓNUS MUSCULAR (Snell)


 O tónus muscular é um estado contínuo de contracção parcial de
um músculo, dependente da integridade de um arco reflexo
monossináptico (arco reflexo miotático).
 Os órgãos receptores são os fusos musculares. O neurónio
aferente entra na medula espinhal através das raízes posteriores e
sinapsa com um neurónio eferente presente no corno anterior da
medula. O neurónio eferente inerva as fibras musculares através
de um nervo periférico.
 O tónus muscular é abolido se qualquer componente deste arco
reflexo ficar lesado: neurónio sensitivo, raiz posterior, segmento
medular respectivo, 2º neurónio motor, placa neuromuscular,
órgão efector)
 O tónus muscular normal exibe uma certa resistência ou elasticidade quando o músculo é passivamente estirado. O
tónus muscular normal depende da integridade do arco reflexo monossináptico descrito e do controlo deste arco
imposto por impulsos provenientes de níveis supra-espinhais, conduzidos através das vias descendentes.
 Relativamente à influência dos feixes descendentes, as vias piramidais normalmente tendem a aumentar o tónus
muscular, enquanto as vias extrapiramidais inibem o tónus muscular.

Hipertonia
 A hipertonia (espasticidade ou rigidez) existe quando o tónus muscular está aumentado.
 Ocorre quando estamos perante lesões que envolvem as vias extrapiramidais. A afecção das vias piramidais não
contribui para o aumento do tónus.
 A hipertonia pode também ocorrer ao nível de um segmento medular, sendo devida a uma excitação local do arco
reflexo de estiramento por irritação sensitiva (ex: contracturas musculares, espasmos musculares dos músculos do
dorso devido a uma hérnia discal ou espasmo dos músculos abdominais devido a uma peritonite).

Hipotonia
 A hipotonia existe quando o tónus muscular está diminuído ou ausente.
 Um músculo sem tónus (atónico/hipotónico) parece mole à palpação e atrofia rapidamente
 A hipotonia ocorre quando o arco reflexo monossináptico é interrompido. Também ocorre na doença cerebelosa
aguda como resultado da diminuição da influência do cerebelo sobre os neurónios motores γ.

193
LESÕES DAS VIAS DESCENDENTES (1º NEURÓNIO E VIAS EXTRAPIRAMIDAIS) E DO 2º
NEURÓNIO (Ducla Soares, Miller Guerra)
 As lesões do 1º NEURÓNIO (VIAS PIRAMIDAIS) têm expressões semiológicas diferentes, consoante essa lesão seja
aguda ou crónica, mas mantendo como denominadores comuns:
o A existência de paresia (falta de força incompleta) ou de paralisia ou plegia (falta de força completa)
o A abolição ou enfraquecimento dos reflexos cutâneos
o A presença de sinais piramidais (sinal de Babinski, Oppenheim, etc.)
o A falta de força atinge os movimentos voluntários, poupando os outros tipos (movimentos reflexos e
automáticos)
 Nas lesões agudas (por exemplo, AVC) os segmentos atingidos estão hipotónicos, os reflexos tendinosos fracos ou
abolidos. Do mesmo lado os reflexos cutâneos encontram-se diminuídos ou abolidos e podem surgir sinais
piramidais
 Nas lesões crónicas as paresias tornam-se espásticas (fenómeno de navalha de mola), os reflexos tendinosos estão
vivos, os reflexos cutâneos continuam diminuídos ou abolidos e existem sinais piramidais.
 Nas lesões de 1º neurónio, a atrofia dos segmentos paréticos é escassa, excepto se devida a desuso. Podem surgir
sincinesias – flexão do cotovelo paralisado quando o doente boceja, movimentos em espelho do lado paralisado
imitando os do membro são, sobretudo quando estes são feitos contra resistência.
 O tipo de paresia ou de paralisia depende do local onde a via piramidal é lesada (ver adiante).
 A função principal do SISTEMA EXTRAPIRAMIDAL diz respeito à regulação da postura corporal, por meio de reflexos
e de reacções tónicas, cujos centros residem principalmente no tronco cerebral e nos núcleos cinzentos da base do
cérebro.
 As manifestações das doenças extrapiramidais são numerosas, todavia podem reduzir-se a duas fundamentais:
o Perturbações do tónus muscular: hipotonia ou hipertonia (rigidez)
o Movimentos involuntários: tremor, coreia, atetose
 Estas manifestações reúnem-se e combinam-se em vários graus e proporções, constituindo as síndromes
extrapiramidais:
o Síndromes Parkinsónicas – rigidez e tremor
o Síndromes Coreicas – hipotonia e movimentos involuntários
o Atetose – movimentos involuntários lentos
 As lesões do 2º NEURÓNIO (neurónio motor inferior) provocam:
o Abolição de todos os movimentos (voluntários, automáticos e reflexos)
o Diminuição do tónus muscular – hipotonia
o Abolição dos reflexos tendinosos
o Atrofias musculares
o Fasciculações

LESÕES MOTORAS SEGUNDO DUCLA SOARES E MILLER GUERRA


1º NEURÓNIO (VIAS PIRAMIDAIS) 2º NEURÓNIO VIAS EXTRAPIRAMIDAIS
Abolição de todos os movimentos
Abolição dos movimentos (voluntários, automáticos, reflexos)
voluntários Perturbações do tónus muscular:
Paralisia Flácida
hipotonia ou hipertonia (rigidez)
Hipertonia (espasticidade) Hipotonia

Exagero reflexos tendinosos Abolição reflexos tendinosos


Movimentos involuntários:
Abolição reflexos cutâneos Abolição reflexos cutâneos
tremor, coreia, atetose
Sinais Piramidais (Babinski) Atrofias Musculares

194
LESÕES DAS VIAS DESCENDENTES (1º NEURÓNIO E VIAS EXTRAPIRAMIDAIS) E DO 2º
NEURÓNIO (Snell, Prometheus)
 As vias cortico-espinhais são responsáveis pela motricidade voluntária, sendo especialmente responsáveis pela
inervação de músculos responsáveis por movimentos de elevada complexidade, como aqueles presentes nas porções
distais dos membros
 As vias extrapiramidais desempenham um papel importante nos movimentos simples e grosseiros. Adicionalmente,
são responsáveis pelo ajuste do tónus muscular, de maneira a que movimentos rápidos e facilitados das articulações
possam ocorrer sem dificuldade.
 As lesões das VIAS PIRAMIDAIS produzem os seguintes achados clínicos:
o Perda da capacidade de realizar movimentos voluntários, principalmente os movimentos de elevada precisão (o
doente ainda consegue executar movimentos grosseiros)
o Sinais Piramidais (sinal de Babinski, por exemplo)
o Abolição dos reflexos cutâneos (abdominais, cremasteriano, etc.)
 A lesão das VIAS EXTRAPIRAMIDAIS associa-se aos seguintes sinais clínicos:
o Paralisia severa com pouca ou nenhuma atrofia muscular (excepto se devida ao desuso)
o Hipertonia espástica – o membro inferior é mantido em extensão e o membro superior é mantido em flexão
o Exagero dos reflexos osteo-tendinosos e clonus pode estar presente nos músculos flexores dos dedos, no
quadricípede femoral e nos gémeos
o Sinal da” navalha de mola”, típico da hipertonia espástica
 A lesão do 2º NEURÓNIO pode dever-se a trauma, infecção (poliomielite), doenças vasculares, doenças degenerativas
e neoplasmas. Estas destroem o corpo celular do neurónio no corno anterior da medula, ou o seu axónio na raiz
anterior da medula. Os principais sinais clínicos associados a lesão do 2º neurónio são os seguintes:
o Paralisia Flácida – flácida devido à hipotonia presente
o Atrofia dos músculos inervados por esse nervo
o Abolição dos reflexos ósteo-tendinosos e abdominais
o Fasciculações musculares
o Contractura Muscular – ocorre nos músculos antagonistas cuja acção não é mais oposta pelo músculo paralisado
o Reacção de degeneração – os músculos normalmente inervados respondem à estimulação com a aplicação de uma
corrente alterna (farádica) e a contracção continua enquanto a corrente passa pelo nervo. Pelo contrário, a
corrente directa ou galvânica causa contracção muscular apenas quando a corrente é iniciada ou terminada.
Quando o 2º neurónio é seccionado, o músculo deixará de responder à corrente farádica ao fim de 7 dias da
secção do nervo, apesar de ainda responder à corrente galvânica. Após 10 dias a resposta à corrente directa
também cessa. Estas alterações na resposta muscular à estimulação eléctrica são conhecidas como reacção de
degeneração.

LESÕES MOTORAS SEGUNDO SNELL


1º NEURÓNIO (VIAS PIRAMIDAIS) 2º NEURÓNIO VIAS EXTRAPIRAMIDAIS
Abolição dos movimentos voluntários Abolição de todos os movimentos
Paralisia Severa
de elevada precisão (voluntários, automáticos, reflexos)
(sem atrofia muscular)
(movimentos grosseiros não afectados)
Ligeira Hipotonia Hipotonia Hipertonia espástica
(≈ Paralisia Flácida) (Paralisia Flácida) (sinal da navalha de mola)
Abolição reflexos tendinosos e
Abolição reflexos cutâneos
cutâneos Exagero dos reflexos ósteo-
tendinosos e clonus
Sinais Piramidais (Babinski) Atrofias Musculares

195
LESÃO TOPOGRÁFICA DAS VIAS DA MOTRICIDADE VOLUNTÁRIA (Ducla Soares, Miller Guerra)
 As lesões do 1º neurónio dão origem a paralisias extensas de segmentos do corpo. Segundo a localização
denominam-se do seguinte modo:
o Hemiplegia – atinge um lado do corpo e inclui um membro superior, um lado do tronco e um membro inferior,
todos do mesmo lado. Podemos ter uma hemiplegia direita ou esquerda.
o Monoplegia – paralisia que se limita a apenas um membro (monoplegia braquial, crural) ou a alguns grupos
musculares (monoplegia facial, lingual). As monoplegias podem associar-se (ex. monoplegia braquiofacial). A
monoplegia dos membros pode limitar-se ou predominar francamente nos segmentos distais (monoplegia da mão,
do pé)
o Diplegia – refere-se a uma paralisia de dois membros correspondentes (ex: dois membros superiores ou dois
membros inferiores)
o Paraplegia – paralisia que atinge apenas os dois membros inferiores
o Tetraplegia ou Quadriplegia – paralisia que atinge os quatro membros superiores
 As monoplegias são devidas a lesões da própria área motora ou do trajecto dos axónios até à cápsula interna. A partir
da cápsula interna, as lesões piramidais traduzem-se geralmente por uma hemiplegia, mesmo quando a região lesada
tem pequenas dimensões
 As paralisias do neurónio cortical são muitas vezes incompletas (paresias)
 Portanto, o tipo de paresia ou paralisia depende do local onde a via piramidal é lesada:
o Córtex Cerebral – uma lesão envolvendo parte do homúnculo motor produz uma paresia contralateral limitada
aos movimentos de um membro ou apenas de alguns grupos musculares – monoplegia. A monoplegia pode ser
braquial ou crural ou mais limitada – facial, mão, pé, etc. As monoplegias podem associar-se. Por vezes, a
patologia com esta localização desencadeia crises epilépticas motoras focais, localizadas ou com a marcha
(jacksonianas)
o Entre Área Motora e a Cápsula Interna – a lesão dos axónios entre estas estruturas traduz-se por monoparesia ou
hemiparesia desproporcionada, isto é, predominando em determinados segmentos: hemiparesia de predomínio
braquiofacial (no AVC no território da cerebral média) ou de predomínio crural (AVC no território da cerebral
anterior)
o Cápsula Interna – devido ao facto das fibras da via piramidal destinadas aos diversos segmentos corporais
passarem todas juntas na cápsula interna, a lesão traduz-se por uma falta de força do hemicorpo oposto –
hemiparesia ou hemiplegia – atingindo por igual a face e os membros superior e inferior (a hemiparesia é
proporcionada). Devido à proximidade, na mesma cápsula interna, das vias da sensibilidade e da via óptica,
também existe, por vezes, uma hemianestesia e uma hemianopsia homónimas à paresia.
o Tronco Cerebral – à medida que desce, a via piramidal vai inervando vários pares cranianos. Uma lesão a este
nível tende a lesar o 2º neurónio/núcleo dos pares cranianos e a via piramidal. Deste modo, do lado lesado vai
haver uma paralisia homolateral de um par craniano e uma hemiparesia contralateral – Síndroma Alterna.
Consoante o nível lesado do tronco cerebral, vamos ter várias síndromes alternas:
 Se a lesão se encontra no pé do pedúnculo cerebral, existe hemiparesia do lado oposto à lesão e paralisia
ocular do mesmo lado, por terem sido atingidas as fibras do III par – síndrome alterna superior de Weber
ou paralisia peduncular
 Se está lesada a calote do pedúnculo cerebral existe uma paresia homolateral do III par e,
contralateralmente, além de hemiparesia existe tremor por lesão do núcleo rubro e hemianestesia quando o
processo se estende ao lemnisco espinhal – síndrome de Benedikt
 Outra lesão do mesencéfalo pode originar paresia homolateral do III par com ataxia contralateral –
síndrome de Claude
 A paralisia homo ou bilateral do III par e a ataxia contralateral caracterizam a síndrome de Nothnagel
 Quando a lesão se situa na face anterior da protuberância pode haver hemiparesia contralateral à lesão e
paralisia do facial, atingindo toda a face homolateral, por lesão do núcleo do facial – síndrome
protuberancial ou alterna inferior de Millard-Gubler
 Na face posterior da protuberância, se a lesão é inferior, existe uma hemiparesia contralateral, uma
paralisia periférica da hemiface homolateral e uma afecção dos movimentos conjugados horizontais do
olhar, por lesão da formação reticular paramediana pôntica (responsável pelo olhar conjugado para o

196
mesmo lado). Esta perturbação do olhar pode ainda estar associada a paresia do VI par craniano – síndrome
de Foville.
 Quando a lesão se situa na calote da protuberância temos uma ataxia e tremor intencional homolaterais
(lesão dos feixe espinho-cerebeloso anterior e do pedúnculo cerebeloso médio) e paralisia dos músculos
mastigadores e hipoestesia da face homolaterais (lesão do V par). Temos ainda uma hemiparesia
contralateral e hemianestesia contralateral (lesão do lemnisco espinhal) – síndrome de Raymond-Cestan
 No bulbo, quando a lesão é interna, existe uma paresia homolateral da língua (XII par), uma hemiparesia
contralateral e uma hipoestesia postural e vibratória contralaterais (lesão do lemnisco interno) – síndrome
bulbar interna de Dejerine
 Na face lateral do bulbo, uma lesão aqui também produz uma síndrome alterna, conquanto não produz uma
hemiparesia contralateral. Aqui temos hipoestesia térmica e dolorosa da face homolateral (núcleo espinhal
do trigémio), nistagmo e pulsão ipsiversiva (núcleos vestibulares), paralisia dos músculos homolaterais do
palato, faringe e cordas vocais, com voz bitonal e disfagia (IX e X pares), síndrome de Claude-Bernard-
Horner homolateral (fibras simpáticas descendentes) e sinais atáxicos cerebelares homolaterais. Temos
também uma analgesia e termanestesia do hemicorpo contralateral por lesão do lemnisco espinhal ou feixe
espinho-talâmico lateral – síndrome bulbar externa de Wallenberg
 Na parte superior do bulbo, a paresia homolateral do palato mole e da corda vocal (X par) alterna com a
hipoestesia do hemicorpo contralateral (feixe espinho-talâmico lateral ou lemnisco espinhal) caracteriza a
síndrome de Avellis

o Decussação da via piramidal – quando as fibras que inervam o membro superior já se cruzaram e as destinadas ao
membro inferior ainda não o fizeram existe monoparesia braquial homolateral e monoparesia crural contralateral
– hemiparesia em cruz ou cruciata. Ou seja, ao nível da decussação das pirâmides, as primeiras fibras a decussar
são as dos membros superiores, e as últimas serão as destinadas aos membros inferiores.
o Lesões da Medula Cervical – provocam falta de força nos quatro membros – tetraparesia/tetraplegia ou
quadriparesia/quadriplegia
o Lesão da Medula Torácica ou Lombar Superior – a falta de força limita-se aos membros inferiores –
paraparésia/paraplegia

LESÃO TOPOGRÁFICA DAS VIAS DA MOTRICIDADE VOLUNTÁRIA (Snell, Prometheus)


1. Lesão Próxima do Córtex – paralisia da musculatura inervada pela área cortical lesada. Uma vez que a face e a mão
são representadas em grandes áreas do córtex motor, paralisias braquiofaciais conjuntas são frequentes. A paralisia é
contralateral e incompleta (paresia), já que as fibras extrapiramidais não são lesadas. A afecção exclusiva das vias
piramidais associa-se a uma diminuição do tónus, gerando uma paresia flácida. Quando a lesão afecta
concomitantemente das fibras extrapiramidais, gera-se uma paralisia completa (plegia) e espástica.
2. Lesão ao Nível da Cápsula Interna – hemiplegia espástica crónica contralateral (paralisia completa), uma vez que as
fibras motoras extrapiramidais também são lesadas, além das vias piramidais. De facto, estas juntam-se às fibras do
tracto piramidal antes de atingirem a cápsula interna.

197
3. Lesão ao Nível dos Pedúnculos Cerebrais –
hemiparesia espástica contralateral (afecção
das via piramidais e extrapiramidais)
4. Lesão ao Nível da Protuberância –
dependendo do tamanho da lesão ocorre
hemiparesia contralateral ou paresia
bilateral. Uma vez que as fibras do tracto
piramidal se dispõem de forma mais
dispersa na protuberância do que na cápsula
interna, a lesão tende a não afectar todas as
fibras. As fibras para o nervo facial e nervo
hipoglosso situam-se mais posteriormente e
muitas vezes não são afectadas. Pode haver
lesão dos núcleos do V e VI pares.
5. Lesão ao Nível das Pirâmides Bulbares –
hemiparesia contralateral flácida, já que as
fibras extrapiramidais (por exemplo, feixes
rubro-espinhal e tecto-espinhal) estão
situadas mais posteriormente do que as
fibras da via piramidal e, por isso, não são
afectadas em caso de lesão isolada de uma
das pirâmides bulbares.
6, 7. Lesão ao Nível da Medula Espinhal – a
lesão ao nível da medula cervical leva a
hemiplegia espástica homolateral, visto que
as fibras dos sistemas piramidal e
extrapiramidal (a maioria) já cruzaram a
linha média ao nível do tronco cerebral. A
lesão ao nível da medula torácica causa paralisia homolateral espástica do membro inferior.
8. Lesão ao Nível do 3º Neurónio Motor – se os axónios dos neurónios motores α são lesados gera-se uma paralisia
flácida das regiões musculares inervadas apenas por esses neurónios.

198
ARCO REFLEXO, REFLEXOS MEDULARES E REFLEXOS PATOLÓGICOS

Arco Reflexo
 Um reflexo é uma resposta involuntária, não premeditada e não aprendida a um determinado estímulo.
 A via que medeia um determinado reflexo constitui o seu arco reflexo
 Um arco reflexo é constituído por:
o Órgão receptor/sensitivo do estímulo
o Neurónio aferente
o Uma ou mais sinapses numa estação de integração (medula espinhal)
o Neurónio eferente
o Órgão efector
 Nos mamíferos, a conexão entre os neurónios aferentes e eferentes somáticos ocorre geralmente no SNC (medula
espinhal). Os neurónios aferentes atingem o SNC através das raízes dorsais/posteriores ou dos nervos cranianos, e
têm os seus corpos celulares nos gânglios das raízes posteriores ou nos gânglios dos nervos cranianos. Os neurónios
eferentes saem do SNC através das raízes anteriores da medula ou dos nervos cranianos motores correspondentes.
 O arco reflexo mais simples é constituído por
uma única sinapse entre um neurónio aferente e
um eferente. Estes arcos são monossinápticos.
Os reflexos miotáticos/de estiramento (os ditos
reflexos osteo-tendinosos) são exemplos de
reflexos monossinápticos.
 Os arcos reflexos com um ou mais
interneurónios intercalados entre os neurónios
aferente e eferente são polissinápticos. Como
exemplos de reflexos polissinápticos podemos Exemplo de um arco reflexo monossináptico, à esquerda (reflexo miotático) e
referir os reflexos de protecção (reflexo flexor, de um arco reflexo polissináptico, à direita (reflexo flexor)
reflexo corneano, reflexo da tosse), os reflexos
nutricionais (reflexo da deglutição), os reflexos locomotores, os reflexos cutâneos e inúmeros reflexos vegetativos
(na circulação, na respiração, etc.).
 O tónus muscular e a postura corporal também são determinados por arcos reflexos.
 As fibras aferentes dos arcos reflexos, em geral, são de grande diâmetro e de condução rápida. Isto possibilita que o
arco reflexo esteja associado a uma resposta efectora rápida, perante um determinado estímulo. Adicionalmente,
quanto menos sinapses houver no arco reflexo, mais rápida é a resposta efectora.
 Qualquer lesão que interrompa o arco reflexo ocasiona a abolição do respectivo reflexo. Assim, a lesão do nervo
sensitivo, do gânglio espinhal, das raízes, do corno posterior, dos interneurónios, do neurónio motor, da fibra
eferente, da própria terminação nervosa (placa motora) ou do músculo, determina a abolição do reflexo em questão.
 Os reflexos medulares são muito valiosos no diagnóstico clínico, já que permitem avaliara integridade das vias
aferentes e eferentes, bem como a excitabilidade geral da medula espinhal.

Reflexos Músculo-Esqueléticos
 A medula espinhal ocupa o nível mais inferior na hierarquia do sistema motor, sendo responsável pela génese de
movimentos reflexos e rítmicos, os quais estão sob o controlo dos feixes descendentes do córtex e do tronco
cerebral.
 Inúmeras actividades subconscientes dependem de reflexos simples desencadeados pela activação de receptores
sensitivos. As vias descendentes podem, por sua vez, produzir movimentos através da modificação da actividade
destes circuitos.
 Os principais reflexos relacionados com o músculo estriado esquelético são o reflexo miotático ou de estiramento
(monossináptico), o reflexo tendinoso ou miotático inverso (polissináptico) e o reflexo flexor ou de retirada
(polissináptico).

199
ÓRGÃOS RECEPTORES RESPONSÁVEIS PELOS REFLEXOS MEDULARES MÚSCULO-ESQULÉTICOS
 O controlo adequado da função muscular requer não apenas a excitação do músculo pelos neurónios motores
anteriores da medula espinhal, mas também um feedback contínuo da informação sensitiva de cada músculo.
 Os músculos esqueléticos e os seus tendões possuem uma grande variedade de receptores. Dois deles
particularmente importantes para o controlo motor são os fusos neuromusculares (muscular spindles) e os órgãos
tendinosos de Golgi (Golgi tendon organ)

Fuso Muscular
 Estruturas encapsuladas, distribuídas pelo músculo, entre as fibras
musculares contrácteis (extrafusais)
 Contêm 3 componentes principais:
o Um grupo de 3-12 fibras musculares intrafusais especializadas
o Axónios sensitivos (Ia e II)
o Axónios motores (γ)
 As fibras musculares especializadas do fuso são denominadas
intrafusais, em oposição às fibras musculares normais, denominadas
extrafusais
 As fibras intrafusais são mais pequenas e não contribuem de forma
significativa para a contracção muscular. A região central de cada
uma dessas fibras não possui filamentos de actina e miosina,
funcionando antes como um receptor sensitivo. Apenas as regiões
polares contraem activamente.
 A densidade de fusos musculares é proporcional à complexidade de movimentos executados pelo músculo.
 Existem dois tipos de fibras intrafusais:
o Fibras com saco nuclear – são cerca de 1-3 por cada fuso muscular. São fibras nas quais muitos núcleos da fibra
muscular estão reunidos em “sacos” expandidos na região central da fibra muscular.
o Fibras com cadeia nuclear – são cerca de 3-9 fibras por cada fuso. Estas fibras têm os seus núcleos alinhados em
cadeia, ao longo de toda a fibra.
 Na região central do fuso muscular são encontrados dois tipos de terminações sensitivas:
o Terminações ou receptores primários: no centro da área
receptora, uma fibra nervosa aferente de grandes
dimensões envolve a parte central de cada fibra intrafusal,
formando a chamada terminação ou receptor
primário/anuloespiral.
o Terminações ou receptores secundários: um fibra nervosa
de menores dimensões inerva a região receptora em um ou
ambos os lados da terminação primária
 Relativamente à inervação destes fusos musculares, existem
algumas peculiaridades:
o A inervação motora é feita por neurónios motores gama
(γ). Estes terminam nas regiões polares dos fusos, onde estão localizados os elementos contrácteis.
o A inervação sensitiva é feita por dois tipos de neurónios:
 Neurónios Ia – fibra nervosa de condução rápida, associada com os receptores primários. Cada fuso muscular
contém apenas um neurónio Ia (este depois é que se ramifica para formar os vários receptores primários). As
aferências deste neurónio têm origem, quer em fibras com cadeia nuclear, quer em fibras com saco nuclear
 Neurónios II - fibra nervosa de menores dimensões, relacionada com os receptores secundários. Cada fuso
muscular pode conter mais do que um neurónio II. As aferências deste neurónio têm origem nas fibras
musculares com cadeia nuclear.
 Os fusos musculares enviam informações para o SNC sobre o comprimento do músculo ou a velocidade de mudança
de comprimento.
 Os fusos musculares integram os reflexos miotáticos

200
Órgãos Tendinosos de Golgi
 Estrutura encapsulada localizada na junção músculo-tendinosa, onde
as fibras de colagénio do tendão se juntam às extremidades das fibras
musculares extrafusais
 Constituído por feixes de colagénio divididos em pequenos fascículos.
 Cada órgão tendinoso de Golgi é inervado por um axónio sensitivo do
grupo Ib, que perde a sua bainha de mielina após atravessar a cápsula,
e se ramifica em numerosas terminações, as quais se entrelaçam à
volta dos fascículos de colagénio.
 Os órgãos tendinosos de Golgi informam instantaneamente o sistema
nervoso central sobre o grau de tensão de cada pequeno segmento de
cada músculo.
 Os órgãos tendinosos de Golgi integram o reflexo miotático inverso.

Diferenças Funcionais entre os Fusos Musculares e os Órgãos


Tendinosos de Golgi
 Os fusos musculares e os órgãos tendinosos de Golgi transmitem tipos
diferentes de informação
 Quando um músculo é estirado, os aferentes dos fusos musculares
aumentam significativamente a sua frequência de despolarização,
enquanto os órgãos tendinosos apresentam um aumento pequeno e inconsistente.
 Por outro lado, quando o músculo contrai, como resultado da estimulação de neurónios motores α, a frequência de
despolarização dos órgãos tendinosos aumenta de forma marcada, enquanto a dos fusos musculares diminui ou
mesmo desaparece.
 Esta diferença de resposta resulta das diferentes relações anatómicas dos dois tipos de receptores. Os fusos
musculares estão dispostos em paralelo com as fibras extrafusais, enquanto os órgãos tendinosos de Golgi estão
dispostos em série.
 Desta forma, os órgãos tendinosos de Golgi respondem melhor à contracção do que ao estiramento muscular. Os
fusos musculares, pelo contrário, diminuem a sua frequência de despolarização quando o músculo contrai porque, à
medida que as fibras extrafusais encurtam, as fibras intrafusais também encurtam.

201
REFLEXO MIOTÁTICO OU DE ESTIRAMENTO (REFLEXOS ÓSTEO-TENDINOSOS)
 Os reflexos miotáticos consistem em contracções musculares que ocorrem quando o músculo é estirado. O receptor
responsável por este reflexo é o fuso muscular
 O arco reflexo é composto por uma fibra aferente Ia proveniente de um fuso muscular. Na medula espinhal, a fibra
ramifica-se e atinge a substância cinzenta medular. Algumas ramificações estabelecem sinapse directamente com os
neurónios motores α que inervam o músculo e seus sinergistas.
 Este reflexo é, por conseguinte, monossináptico.
 O reflexo miotático pode ser dividido em 2 componentes: componente dinâmica e componente tónica/estática
 O reflexo miotático dinâmico é provocado por um
estiramento rápido do músculo. Este estiramento origina
um sinal potente transmitido pelas terminações
aferentes primárias, o qual por sua vez origina uma
contracção reflexa brusca do mesmo músculo de origem
do sinal. Esta componente pode ser observada, por
exemplo, na percussão do tendão rotuliano com um
martelo de reflexos: a resposta observada é a contracção
brusca do quadricípede crural e a extensão da perna.
 O reflexo miotático tónico caracteriza-se por uma
contracção tónica mais fraca e de maior duração, desencadeada por um estiramento passivo do músculo. O arco
reflexo é semelhante ao arco reflexo do reflexo miotático dinâmico, no entanto, as fibras aferentes são do tipo Ia e II.
 Esta componente contribui para o tónus muscular: quando um indivíduo está de pé, as articulações do membro
inferior mantêm uma determinada posição para impedir a queda. Uma extensão ou flexão ligeiras dão origem a um
reflexo miotático tónico que activa os músculos necessários para se oporem ao movimento, permitindo a
manutenção da postura. Os neurónios motores γ, apesar de não terem uma influência directa no reflexo miotático,
são importantes na manutenção do tónus muscular.

 Estudos electrofisiológicos revelaram que após a transmissão monossináptica ao neurónio eferente, outras
transmissões eléctricas são registadas de forma assíncrona. Isto acontece porque as fibras aferentes, ao entrarem na
medula, normalmente ramificam-se, sinapsando também com interneurónios, que por sua vez sinapsam com
neurónios eferentes. Assim, estes circuitos neuronais adicionais prolongam o “bombardeamento” dos neurónios
efectores, após a estimulação inicial do neurónio aferente ter terminado.
 Outras ramificações da fibra aferente Ia do fuso muscular estabelecem sinapse com interneurónios inibitórios que,
por sua vez, terminam em neurónios motores α dos músculos antagonistas, provocando a sua inibição. Desta forma,
o estiramento muscular dá origem a um reflexo que consiste na contracção dos músculos agonistas e no relaxamento
dos músculos antagonistas – fenómeno de inervação recíproca (abordado adiante).
 A presença de interneurónios também permite que o estímulo aferente se propague aos neurónios dos segmentos
medulares adjacentes.

202
Avaliação dos Reflexos Ósteo-Tendinosos
 A avaliação dos reflexos osteo-tendinosos é uma componente fundamental da avaliação neurológica do doente
 Conhecem-se dezenas de reflexos ósteo-tendinosos, mas habitualmente só se pesquisam os seguintes:
o Reflexo Radial – para explorar este reflexo coloca-se o doente sentado, com
o antebraço flectido em ângulo reco sobre o braço; com a mão esquerda
sustemos o antebraço em ligeira pronação. A percussão faz-se na apófise
estiloideia do rádio. A resposta consiste na flexão do antebraço, resultante
da contracção do longo supinador e, às vezes, do bicípite. O centro do
reflexo radial está nos segmentos medulares C5-C6. Em alguns casos, há
também contracção moderada dos flexores dos dedos. A abolição da flexão
do antebraço, acompanhada do exagero da flexão dos dedos denomina-se
inversão do reflexo radial e indica uma lesão dos segmentos medulares C5 e
C6.
o Reflexo Bicipital – a posição do doente é a mesma da pesquisa do reflexo
radial. Com a mão esquerda abraçamos o cotovelo do doente de modo a que
o polegar comprima levemente o tendão do bicípite; com o martelo
percutimos o nosso próprio polegar. A resposta é a flexão do antebraço. O
centro deste reflexo está nos segmentos medulares C5-C6.
o Reflexo Tricipital – o doente deve ter o antebraço em semiflexão e
completamente relaxado. O reflexo consiste na extensão do antebraço
quando se percute exactamente o tendão do tricípite. O centro do reflexo
tricipital está nos segmentos medulares C6, C7 e C8. A percussão faz-se
com cuidado, localizando por palpação o tendão, que é muito curto.
Percutindo mais acima caímos sobre o músculo e excitamos mecanicamente
o tricípite; percutindo mais abaixo caímos já no olecrânio e podemos então
obter o reflexo olecraniano ósseo, isto é, a flexão do antebraço sobre o
braço. Este último reflexo, cujo centro está no segmento medular C5,
aparece quase exclusivamente quando há híper-reflexia (ou seja, é um
reflexo patológico)
o Reflexo Rotuliano ou Patelar – o doente está sentado com os pés assentes
no chão, fazendo a perna com a coxa um ângulo ligeiramente obtuso. O
lugar de eleição para a percussão é o tendão rotuliano, entre a rótula e a
inserção tibial. Colocando a mão em cima do quadricípede apreciamos a
intensidade com que o músculo se contrai. A resposta é a extensão da perna
sobre a coxa. O centro medular deste reflexo está nos segmentos L2, L3 e
L4.
o Reflexo Aquiliano – obtém-se pela percussão do tendão de Aquiles. A
resposta é a contracção dos músculos posteriores da perna, de que resulta a
extensão plantar do pé. O centro medular está em S1 e S2. O reflexo
aquiliano pesquisa-se com o doente ajoelhado, com as costas voltadas para
nós, numa cadeira almofadada, de modo a que os pés fiquem livres, fora da
cadeira. Se o doente não se pode erguer do leito, cruzamos-lhe as pernas e
imprimimos à ponta do pé uma leve flexão dorsal com a nossa mão livre;
percutimos o tendão e apreciamos a força com que se faz a contracção
muscular.

 As vias cortico-espinhais (vias piramidais) são consideradas inibitórias dos arcos reflexos motores. Assim, uma lesão
das vias piramidais resulta num estado de híper-reflexia, ou seja, num exagero dos reflexos ósteo-tendinosos –
estamos perante um reflexo patologicamente vivo.
 Um reflexo ósteo-tendinoso patologicamente vivo apresenta um limiar baixo, uma elevada amplitude e energia do
movimento, um aumento da zona reflexogenea, uma resposta/reflexo policinética (clonus) e uma irradiação do
reflexo a outros grupos musculares.

203
REFLEXO MIOTÁTICO INVERSO
 Os receptores do reflexo miotático inverso são os órgãos tendinosos de Golgi
 As fibras aferentes Ib ramificam-se quando entram na medula espinhal e terminam em interneurónios, antes do
estímulo alcançar o neurónio eferente. É, portanto, um reflexo polissináptico.
 Os interneurónios podem ser inibitórios, inibindo os
neurónios motores α dos músculos agonistas; ou
excitatórios, activando os neurónios motores α dos
músculos antagonistas. Assim, a organização deste
reflexo é inversa à do reflexo miotático.
 O órgão tendinoso de Golgi é sensível à
força/contracção que o músculo desenvolve. Quando
os órgãos tendinosos de Golgi de um tendão muscular
são estimulados por um aumento da tensão deste, os
sinais são transmitidos para a medula espinhal,
produzindo um reflexo inibitório que previne o
desenvolvimento de uma tensão excessiva do músculo.
 Quando a tensão no músculo se torna extrema o efeito
inibitório do órgão tendinoso de Golgi previne o rompimento do músculo ou a separação do tendão dos seus
ligamentos ao osso, causando um relaxamento instantâneo de todo o músculo.
 Da mesma forma, se durante a posição supina, o músculo quadricípede (por exemplo) diminuir a força desenvolvida
(por fadiga, por exemplo) a força exercida sobre o tendão rotuliano também diminui. Isto diminui a actividade dos
órgãos tendinosos de Golgi. Como estes receptores normalmente inibem os neurónios motores α que inervam o
próprio quadricipede, esta redução da actividade dos receptores conduz a um aumento da excitabilidade desses
neurónios motores α e a um aumento da força.
 Outra função importante deste reflexo miotático inverso (e dos órgãos tendinosos de Golgi) é equalizar a força
desenvolvida pelas diversas fibras musculares. Aquelas fibras que desenvolvem demasiada tensão são inibidas pelo
reflexo, enquanto as que desenvolvem menos força são mais activadas pela ausência de inibição reflexa.

REFLEXO FLEXOR E REFLEXOS DE RETIRADA


 No animal espinhal ou descerebrado quase todos os tipos de estímulos
sensitivos cutâneos de um membro provavelmente causarão a contracção dos
músculos flexores daquele membro, com a retirada do membro do objecto
estimulador. Este é chamado de reflexo flexor.
 O reflexo flexor, na sua forma clássica, é provocado mais fortemente pela
estimulação das terminações nociceptivas, tais como uma alfinetada, calor,
ferimento; por esta razão ele também é chamado de reflexo nociceptivo, ou
simplesmente de reflexo à dor. A estimulação dos receptores para o tacto
pode também provocar um reflexo flexor mais fraco e menos prolongado.
 Se alguma parte do corpo, excepto os membros, é estimulada dolorosamente
essa parte, de modo semelhante, será retirada do estímulo, mas o reflexo
pode não se restringir aos músculos flexores, embora seja basicamente o
mesmo tipo de reflexo. Portanto, os vários padrões desses reflexos em
diferentes áreas do corpo são chamados de reflexos de retirada. Portanto, o
reflexo flexor é um reflexo de retirada.
 Fazendo uma analogia, a flexão dos membros em resposta a um estímulo
doloroso corresponde à contracção da parede abdominal e torácica quando é
aplicado um estímulo doloroso nos dermátomos correspondentes às paredes
Reflexo Flexor, Reflexo Extensor
torácica e abdominal, respectivamente. Quer numa situação quer noutra, Cruzado e Inibição Recíproca
estamos perante reflexos de retirada.

204
 As vias que provocam o reflexo flexor não passam directamente para os neurónios motores anteriores, mas passam
primeiro pelo conjunto de interneurónios da medula espinhal e somente secundariamente para os neurónios motores.
Estamos, portanto, perante um arco reflexo polissináptico.
 Os aferentes do reflexo flexor incluem fibras do tipo II e III, provenientes da pele, articulações e músculos; e do tipo
II, provenientes de terminações secundárias dos fusos musculares. As fibras aferentes provocam a activação de:
o Interneurónios excitatórios que, por sua vez, activam neurónios motores α que inervam os músculos flexores do
membro homolateral – reflexo flexor propriamente dito
o Interneurónios inibitórios que inibem a activação de neurónios motores α que inervam os músculos extensores
(antagonistas) do membro homolateral – circuito de inibição recíproca
o Interneurónios que provocam um padrão de contracção oposto no membro contralateral (contracção dos músculos
extensores e relaxamento dos músculos flexores) – reflexo extensor cruzado
o Circuitos neuronais que permitem a manutenção da contracção muscular depois do estímulo terminar – fenómeno
de afterdischarge
 Os interneurónios destas vias recebem aferências de diversos tipos de fibras aferentes (nociceptivas, do tacto) e de
vias descendentes
 O reflexo flexor medeia essencialmente a fuga a um estímulo (reflexo flexor propriamente dito), providenciando ao
mesmo tempo meios de manutenção da postura e do equilíbrio
durante essa fuga (reflexo extensor cruzado).
 O reflexo flexor surge alguns milissegundos após a estimulação
nóxica. Ao fim de alguns segundos a resposta vai diminuindo,
devido a um fenómeno de fadiga. Após a cessação do estímulo o
retorno à linha basal não se faz tão depressa como seria de esperar –
isto é devido ao fenómeno de afterdischarge.
 A duração do afterdischarge depende da intensidade do estímulo.
Assim, estímulos mais fortes provocam também uma resposta mais
prolongada, mantendo o membro afastado do estímulo doloroso
durante mais tempo.

REFLEXO EXTENSOR CRUZADO E LEI DA INERVAÇÃO RECÍPROCA


 Os reflexos músculo-esqueléticos são regidos pela Lei da Inervação
Recíproca. Esta refere que no mesmo membro não poderá haver
contracção simultânea de músculos flexores e extensores. Assim, as
fibras dos nervos aferentes responsáveis pelo reflexo de flexão
muscular de um membro enviam ramos inibitórios para os
neurónios motores responsáveis pela extensão do mesmo membro,
e vice-versa.
 Os reflexos espinhais (principalmente os reflexos flexores)
apresentam ainda outra propriedade: a evocação de um reflexo num
lado do corpo gera o efeito oposto no membro contralateral –
Reflexo Extensor Cruzado. Por exemplo, após estimulação de um
arco reflexo que causa a flexão do membro homolateral, há uma
extensão do membro contralateral
 Aproximadamente 0,2 a 0,5 segundos após um estímulo provocar
um reflexo flexor num membro, ocorre o reflexo extensor cruzado
no membro contralateral. Uma vez que o reflexo extensor cruzado
geralmente não se inicia antes dos 200 a 500 milissegundos após o
início do estímulo doloroso inicial, certamente muitos
interneurónios estão envolvidos no circuito entre os neurónios
aferentes e os neurónios motores do lado oposto da medula,
responsáveis pela extensão cruzada.

205
 Após a remoção do estímulo doloroso, o reflexo extensor cruzado tem um período mais longo de afterdischarge do
que o reflexo flexor. Novamente, presume-se que essa pós-descarga seja o resultado de circuitos reverberantes entre
interneurónios.
 As figuras acima mostram a maior latência do reflexo extensor cruzado, comparativamente ao reflexo flexor, assim
como o maior período de afterdischarge após a cessação do estímulo doloroso.

INFLUÊNCIAS SUPRA-ESPINHAIS SOBRE OS REFLEXOS MEDULARES MÚSCULO-ESQUELÉTICOS


 Na medula espinhal, os impulsos aferentes produzem respostas reflexas simples. Estas respostas contudo, são
moduladas ou influenciadas pelos centros superiores. Quando há uma secção do eixo nervoso, as regiões abaixo da
secção são separadas e libertam-se do controlo dos centros superiores.
 Os arcos reflexos espinhais relacionados com a actividade motora são bastante influenciados pelos centros
superiores do SNC. Estas influências são mediadas pelos vários feixes descendentes (piramidais e extrapiramidais)
 As vias piramidais são consideradas inibitórias dos arcos reflexos motores. Assim, uma lesão das vias piramidais
resulta num estado de híper-reflexia.
 Em todos os vertebrados, à secção da medula espinhal segue-se um período de choque medular que se caracteriza
por paralisia flácida, depressão profunda de todos os reflexos espinhais, perda da função autonómica e perda de
todas as aferências sensitivas abaixo do nível de secção.
 Durante este período, o potencial de repouso da membrana dos neurónios espinhais é cerca de 2-6 mV inferior ao
normal (hiperpolarização).
 A duração do período de choque medular é proporcional ao grau de encefalização da função motora das várias
espécies. Enquanto nos cães e nos gatos dura apenas 1 a 2 horas, nos seres humanos geralmente dura cerca de 24
horas, podendo prolongar-se até às 4 semanas)
 Após o choque medular há uma recuperação das respostas reflexas motoras que curiosamente se tornam
hiperactivas/exageradas – estado de híper-reflexia. Esta híper-reflexia pode ser explicada pelo desenvolvimento da
hipersensibilidade de desnervação e pela perda da influência das vias descendentes, nomeadamente as vias
piramidais, que são consideradas inibitórias dos arcos reflexos motores.
 A hiperactividade afecta todos os reflexos motores (miotáticos, flexores, etc.). Desta forma, em doentes tetraplégicos
crónicos, o limiar destes reflexos é especialmente baixo. Mesmo estímulos nóxicos mínimos podem originar a flexão
prolongada de uma extremidade e padrões de flexão/extensão nos outros três membros.
 A hiperactividade dos reflexos miotáticos é responsável não só por um aumento do tónus muscular (com
espasticidade), mas também pelo clónus (contracção alternada do agonista e dos antagonista após a flexão passiva
rápida da articulação). O aumento do tónus muscular também vai ser devido à hiper-reactividade dos neurónios
motores γ sobre os fusos musculares, na sequência da ausência da influência inibitória dos tractos descendentes
sobre estes neurónios.
 O choque medular (com seccionamento da medula a nível lombar) pode progredir para 2 tipos de paraplegia:
o Paraplegia em extensão – domínio do tónus muscular dos músculos extensores sobre os músculos flexores. Esta
condição pode dever-se ao seccionamento incompleto dos tractos descendentes, com a persistência da via
vestíbulo-espinhal.

206
o Paraplegia em flexão – nas situações em que toda a medula é seccionada e existe uma ausência completa da
influência dos tractos descendentes. Nesta situação as respostas reflexas são naturalmente flexoras (devido à
hiperactividade dos reflexos flexores) e o tónus dos músculos extensores está diminuído.

Reflexos Cutâneos
 Os reflexos cutâneos também dependem da integridade de um arco reflexo.
 Contudo, ao contrário dos reflexos motores, os reflexos cutâneos envolvem um maior número de neurónios. O arco
reflexo provavelmente compreende os cinco neurónios seguintes:
o 1º neurónio - o estímulo sensitivo recolhido na pele é levado pelo nervo sensitivo até à medula e daí até ao bulbo
onde sinapsa com o 2º neurónio.
o 2º neurónio – desde os núcleos de Goll e Burdach até ao tálamo
o 3º neurónio – do tálamo até à circunvolução parietal ascendente, no córtex parietal. Estes 3 primeiros neurónios
integram a via ascendente do tacto epicrítico, propriocepção consciente e sensibilidade vibratória
o 4º neurónio – desde o córtex parietal o impulso é transmitido às células piramidais, donde parte o impulso motor
pela via piramidal até às células dos cornos anteriores da medula
o 5º neurónio – é o neurónio motor α, presente nos cornos anteriores da medula. Este dirige-se até ao músculo
 Relativamente à patologia destes reflexos, esta não se comporta da mesma maneira que os reflexos motores (ex:
miotáticos). Enquanto os reflexos ósteo-tendinosos estão exagerados nas lesões do 1º neurónio e abolidos ou
enfraquecidos nas lesões do 2ºneurónio, os reflexos cutâneos estão sempre fracos ou abolidos em qualquer um
daqueles casos
 Os reflexos cutâneos com maior importância semiológica são os reflexos abdominais, o reflexo cremasteriano e,
especialmente, o reflexo plantar.
 Em baixo apresentam-se os vários reflexos cutâneos:
o Reflexos Abdominais – procuram-se riscando a parede do abdómen com um objecto de ponta romba (tampa da
caneta, espátula, cabo do martelo de reflexos), de fora para dentro ou de dentro para fora. A resposta é a
contracção dos músculos abdominais subjacentes com desvio do umbigo para o lado
estimulado. Os reflexos abdominais procuram em três alturas:
 Reflexo Abdominal Inferior (T11-T12) – seguindo uma linha paralela à prega da
virilha
 Reflexo Abdominal Médio (T9-T10) – transversalmente, à altura do umbigo
 Reflexo Abdominal Superior (T6, T7 e T8) – paralelamente ao rebordo costal e
um pouco abaixo dele.
A abolição dos reflexos abdominais é um sintoma precoce de lesão da via piramidal. Os
reflexos abdominais são difíceis de provocar nos indivíduos obesos ou que tenham sido
submetidos a cirurgia abdominal, nas multíparas e nas crianças com menos de um ano
o Reflexo Cremasteriano – avalia os segmentos medulares L1-L2. Procura-se com o
doente deitado, riscando a face interna da coxa, de cima para baixo. A resposta é a
contracção do cremáster com ascensão do testículo ipsilateral à coxa estimulada (não
confundir com o reflexo escrotal que consta de um enrugamento das bolsas). Este
reflexo não é constante nem sempre igual nos dois lados. Apresenta-se muito vivo na
criança (podem até ser desencadeados ao longo da linha branca) mas decresce com o
avançar da idade. É por isso que este reflexo não tem o mesmo valor semiológico que os restantes.
o Reflexo Plantar – é um reflexo bem definido, cujas vias passam na medula na
altura de L5, S1 e S2. Procura-se com o doente deitado, passando a ponta do
martelo de reflexos, de trás para diante, do calcanhar para os dedos, ao longo
do bordo externo do pé. A resposta é a flexão de todos os dedos do pé. Por
vezes não se consegue produzir este reflexo porque o pé está frio (aquecendo-
o, aparece o reflexo)
o Reflexo Anal – a estimulação da zona cutânea perianal provoca a contracção
do esfíncter externo do ânus. Avalia os segmentos medulares S4-S5
o Reflexo Bulbo-cavernoso – beliscando a pele da face dorsal do pénis obtém-se a contracção do bulbo-cavernoso,
a qual se pode sentir aplicando a mão no períneo. Avalia o segmento medular S3.
207
Reflexos Patológicos
 Denominam-se como reflexos patológicos em Semiologia certos reflexos que só aparecem quando está lesada a via
piramidal. Por conseguinte, estes reflexos também podem ser chamados de sinais da via piramidal
 O principal reflexo patológico é o sinal de Babinski, no entanto existem muitos outros reflexos tradutores de lesão
nas vias piramidais. Em seguida são apresentados vários reflexos patológicos

Sinal de Babinski e Sinais Equivalentes


 O sinal de Babinski (ou reflexo cutâneo-plantar extensor) procura-se da mesma forma que o reflexo plantar, ou seja,
riscando com um objecto rombo (cabo do martelo de reflexos) a planta do pé, de preferência o bordo externo,
partindo do calcanhar para os dedos.
 A resposta patológica consiste na extensão do 1º dedo, movimento que é
lento e tónico (“extensão solene”). Os últimos quatro dedos podem
acompanhar a extensão do 1º dedo, ficarem imóveis ou flectirem-se
 O sinal de Babinski, o sinal mais importante na Neurologia, indica que há
uma lesão da via piramidal, por pequena que seja, desde o córtex até S2.
 Nos recém-nascidos, e até aos 2 anos de idade, a excitação da planta do pé
determina uma resposta semelhante ao sinal de Babinski, no entanto esta
não é patológica. A partir dos 2 anos, surge um reflexo plantar normal,
caso contrário estaremos perante um reflexo patológico.
 O sinal de Babinski é o mais frequente sinal piramidal patológico. Se ele existe, não é necessário pesquisar nenhum
outro. Contudo, em certos casos pode faltar ou ser duvidoso e então recorre a outros reflexos, como o sinal de
Oppenheim (ver adiante).
 Na realização do reflexo plantar têm também valor patológico assimetrias das respostas à estimulação plantar, como
por exemplo, a flexão dos dedos de um lado e ausência de resposta do outro, ou uma resposta unilateral com os
dedos do pé a abrirem-se em leque. Nenhuma destas eventualidades se designa por sinal de Babinski, termo que
designa exclusivamente a extensão do 1º dedo em resposta à estimulação plantar do respectivo pé.
 Existem reflexos patológicos com o mesmo significado do sinal do Babinski, quer para o membro inferior, quer para
o membro superior.
 Reflexos patológicos do membro superior:
o Sinal de Hoffmann – o médico segura com uma das mãos a mão do doente em
dorsiflexão, com os dedos flectidos. Agarra-se a 2º falange do 3º dedo do doente com
os 3º e 2º dedos e, com uma sacudidela brusca do polegar, dobra-se a 3ª falange,
apertando-lhe a unha, a qual se larga subitamente. Se o sinal é positivo, há flexão e
adução do 1º dedo e por vezes de todos os dedos. Se o sinal é positivo, indica lesão
das vias piramidais, pelo menos até C8.
o Sinal de Tromner – variante do precedente em que o observador percute com os seus
dedos a face palmar das 3ª falanges dos 2º e 3º dedos do doente
o Sinal de Wartenberg – o doente engancha os dedos semiflectidos da sua mão na do observador, em igual postura.
Habitualmente o polegar estende-se, sendo a resposta patológica em caso contrário.

208
 Reflexos patológicos do membro inferior: aqui dividimos em sinais cuja resposta patológica consiste na extensão do
1º dedo e sinais cuja resposta patológica consiste na flexão plantar dos dedos do pé.
o Sinais cuja resposta patológica é a extensão do 1º dedo do pé:
 Sinal de Egas Moniz – fazendo deslizar o bordo externo do pé no leito
 Sinal de Gordon – fazendo-se pressão na massa dos gémeos
 Sinal de Schaeffer – fazendo-se pressão no tendão de Aquiles
 Sinal de Chaddock – estimulação com um objecto rombo do bordo externo do pé
 Sinal de Gonda – efectuando a flexão forçada do 4º dedo do pé, largando-o em seguida
 Sinal de Bing – picando a base do 5º dedo do pé

Sinal de Rossolimo

o Sinais cuja resposta patológica é a flexão plantar dos dedos do pé:


 Sinal de Rossolimo – percussão da face plantar dos dedos do pé com os dedos da nossa mão
 Sinal de Mendel-Betchtrew – percussão do dorso do pé na região do cubóide

Sinal de Oppenheim
 Procura-se carregando com o polegar e indicador e correndo-os com força
ao longo da face interna da tíbia, de cima para baixo, parando a excitação
na passagem do terço médio para o terço inferior da perna
 A resposta patológica consiste na flexão dorsal do pé devido à contracção
do tibial anterior.

Sinal dos Encurtadores do Membro Inferior ou da Tripla Retirada


 É um sinal de automatismo medular, frequente nas paralisias espásticas
 Procura-se flectindo com força os dedos do pé (excepto o 1º dedo)
 Obtém-se o encurtamento do membro pela contracção dos extensores do pé, flexores da perna e da coxa
 O movimento tem um certo tempo de latência, é involuntário e lento, características que o distinguem do reflexo à
dor (reflexo flexor). É, pois, diferente do sinal de Babinski, embora tenha o mesmo significado.

Reflexo de Preensão Forçada (grasp reflex) e Reacção Magnética (groping)


 No reflexo da preensão forçada, ocorre preensão dos dedos do observador quando este estimula com eles a face
palmar da mão do doente, na região entre o 1º e 2º dedos. Esta preensão aumenta por vezes quando o observador
tenta retirar os dedos
 Na reacção magnética, ocorre um reflexo de preensão desencadeado pela mera visualização por parte do doente da
mão do observador, sem que esta toque a palma da mão do doente

209
Reflexo Palmomentoniano e Reflexo Policomentoniano
 No reflexo palmomentoniano (de Marinesco e Radovici) ocorre a contracção dos músculos da borda do mento
quando se risca com a unha ou um objecto rombo a palma da mão do doente, da base do polegar até ao carpo
 O reflexo policomentoniano consiste numa resposta idêntica ao precedente, desencadeado pelo apertar breve, entre o
nosso polegar e indicador, a unha do 3º dedo da mão do doente, depois de largada bruscamente.

Reflexos Tónicos do Pescoço de Magnus e Kjein


 Os reflexos tónicos do pescoço são reflexos primitivos, desaparecendo pelos 2-4 meses de idade.
 Após os 6 meses de idade, a presença deste reflexo é considerada patológica, representando uma lesão do tronco
cerebral
 Com o doente em decúbito dorsal, roda-se-lhe a cabeça para um dos lados, mantendo essa posição cerca de 5
segundos. Os membros do lado para o qual se efectuou a rotação estendem-se (o doente olha para os membros
estendidos), enquanto os membros do lado contrário flectem-se.

210
VASCULARIZAÇÃO DA MEDULA ESPINHAL

Artérias da Medula Espinhal


 Na vascularização arterial da medula espinhal distinguem-
se dois sistemas arteriais:
o Sistema Longitudinal – constituído pela artéria
espinhal anterior e por um par de artérias espinhais
posteriores
o Sistema Transversal/Horizontal – formado por anéis
arteriais, provenientes artérias segmentares.
 As artérias que percorrem a medula longitudinalmente são
“reforçadas” por ramos medulares das artérias segmentares
com origem fora da coluna vertebral e que assistem a
vascularização da medula, anastomosando-se na superfície
da medula com as artérias espinhais.

SISTEMA LONGITUDINAL
Artéria Espinhal Anterior
 Formada pela anastomose de um ramo colateral de
cada uma das artérias vertebrais, no interior da
cavidade craniana.
 Esta artéria desce ao longo da face anterior do bulbo
raquidiano (sulco mediano anterior) e da medula
espinhal, ao longo da fissura média anterior.
 Fornece ramos transversais perfurantes, que penetram
na medula espinhal e irrigam os 2/3 anteriores da
medula (cornos anteriores e cordões anteriores e
laterais), ao nível do 1/3 superior da medula.
 Nos segmentos torácicos superiores e inferiores, a
artéria espinhal anterior torna-se muito estreita e pouco desenvolvida. Uma oclusão das artérias segmentares, a este
nível (que compensam o a artéria espinhal anterior subdesenvolvida) deixa os quatro primeiros segmentos medulares
torácicos e o primeiro segmento medular lombar particularmente sujeitos a
necrose isquémica.
 Obstruções da artéria espinhal anterior causam lesão nos cornos anteriores e
das raízes anteriores do mesmo segmento: a consequência é uma paralisia
flácida dos músculos que são supridos por esses segmentos. Quando as vias
priamidais, situadas nos cordões laterais, também são afectadas, gera-se uma
paralisia espástica bilateral, abaixo do nível da lesão (ver síndromes medulares).

Artérias Espinhais Posteriores (2)


 Têm origem nas artérias vertebrais, directamente, ou nas artérias cerebelosas
póstero-inferiores (PICA), indirectamente.
 Cada artéria posiciona-se na face posterior da medula, descendo na região das
raízes posteriores dos nervos espinhais (sulcos colaterais posteriores).
 Fornece 2 ramos transversais que penetram na medula:
o Ramo Anterior – anteriormente à raiz posterior dos nervos espinhais.
o Ramo Posterior – posteriormente à raiz posterior dos nervos espinhais.
 As artérias espinhais posteriores são responsáveis pela irrigação do 1/3
posterior da medula espinhal (cornos posteriores e cordões posteriores), ao
nível do 1/3 superior da medula.

211
 As artérias espinhais posteriores são estreitas e menos desenvolvidas na região torácica superior e os primeiros 3
segmentos medulares torácicos são particularmente mais sensíveis a isquemia, caso haja uma oclusão das artérias
segmentares (que compensam o subdesenvolvimento das artérias espinhais posteriores).
 A obstrução de uma artéria espinhal posterior, na altura de um ou vários segmentos, afecta os cornos posteriores e os
cordões posteriores, gerando os seguintes sinais clínicos:
o Perda de todas as formas de sensibilidade ao nível da lesão (isquemia das raízes posteriores ao nível da lesão) na
metade homolateral dos respectivos dermátomos
o Hipotonia dos músculos inervados ao nível da lesão (por interrupção do arco reflexo monossináptico), na metade
dos respectivos miótomos, sem paralisia associada
o Perda da sensibilidade proprioceptiva consciente, tacto epicrítico e vibração homolateral, abaixo do nível da lesão
o Se as vias piramidais forem afectadas, pode haver uma hemiparesia espástica homolateral, abaixo do nível da
lesão
 A obstrução concomitante das duas artérias espinhais posteriores resulta em:
o Perda de todas as formas de sensibilidade ao nível da lesão nos respectivos dermátomos
o Hipotonia dos músculos inervados ao nível da lesão, nos respectivos miótomos, sem paralisia associada
o Perda da sensibilidade proprioceptiva consciente, tacto epicrítico e vibração bilateral, abaixo do nível da lesão
o Se as vias piramidais forem afectadas, pode haver paresia espástica bilateral, abaixo do nível da lesão.

SISTEMA TRANSVERSAL – ARTÉRIAS SEGMENTARES


 As artérias segmentares têm origens diferentes consoante o nível
medular em que nos encontramos:
o Na região cervical estas originam-se das artérias vertebrais, através
das artérias cervicais profundas.
o Na porção torácica, as artérias segmentares são das artérias
intercostais posteriores, ramos colaterais da aorta torácica.
o A nível lombar, os ramos segmentares têm origem a partir das
artérias lombares, colaterais parietais da aorta abdominal.
 Uma vez que a medula espinhal é composta por 31 segmentos, durante
o desenvolvimento formam-se inicialmente 31 artérias segmentares de
cada lado. Entretanto, a maior parte sofre uma regressão durante o
desenvolvimento intra-uterino, deixando em média somente 6 ramos
anteriores e 12 ramos posteriores, em alturas de segmento
individualmente diferentes.
 A artéria segmentar mais calibrosa é a Artéria Radicular Magna ou
Artéria de Adamkiewicz. Esta artéria tem grande relevância funcional (ver abaixo).

212
 As artérias segmentares dão origem a um ramo dorsal, que por sua vez dá origem a uma artéria espinhal, que entra
no canal vertebral. Ao alcançar a medula, os ramos espinhais dão origem a um ramo anterior e um ramo posterior:
o Artéria Radicular Anterior – acompanha a raiz anterior do
nervo espinhal.
o Artéria Radicular Posterior – acompanha a raiz posterior do
nervo espinhal.
 Estes dois ramos contribuem para a formação de um anel vascular
em forma de cinto, chamado de vasocoroa. Pequenas artérias
penetram na medula a partir da vasocoroa, permitindo suprir as
estruturas mais profundas na medula espinhal.
 As artérias radiculares conectam-se com o anel vascular, em torno
da medula espinhal. Contudo, em alguns segmentos, a conexão
com a artéria espinhal anterior é mais frequente, enquanto noutros
aparece uma conexão com as artérias espinhais posteriores.
 Devido às ricas anastomoses, as artérias que suprem as artérias que suprem as artérias espinhais (ramos tanto da
aorta como da artéria vertebral) não são artéria terminais. Esta situação de suprimento é distinta daquela das artérias
terminais proximais no encéfalo.
 Distúrbios do suprimento sanguíneo na região dos vasos medulares são, portanto, muito mais raros do que na região
dos vasos cerebrais (constituem apenas 5% de todos os distúrbios de suprimento sanguíneo do SNC).
 As artérias radiculares estendem-se horizontalmente e ramificam-se em forma de “T” para suprir as artérias
espinhais que se dispõem longitudinalmente. Portanto, existe uma via ascendente e outra via descendente. Quando
um fluxo sanguíneo descendente, proveniente de uma artéria
radicular mais superior, encontra um fluxo sanguíneo
ascendente, proveniente de uma artéria inferior, forma-se nesta
região um “divisor de águas”, ou seja, uma área crítica com
grande risco de isquemia.
 Na medula torácica superior existe um ponto crítico de enfarte
isquémico, no limite entre a artéria subclávia e a aorta torácica.

Artéria Radicular Magna ou Artéria de Adamkiewicz


 Artéria unilateral, com origem nos segmentos torácicos
inferiores, normalmente ao nível de T8 (T9-T12).
 Pode ter origem directamente na aorta e, na maioria das
pessoas, entra no canal vertebral pelo lado esquerdo,
conectando-se com a artéria espinhal anterior.
 A artéria de Adamkiewicz é muito importante para a
vascularização arterial da medula, porque é responsável pela
irrigação dos 2/3 inferiores da medula espinhal
 O comprometimento desta artéria resulta em consequências
patológicas, com alteração das funções motora (paraplegia),
sensitiva (perda de sensibilidade) e vegetativa (perda do
controlo voluntário dos esfíncteres).

213
Veias da Medula Espinhal
 A drenagem venosa da medula espinhal compreende três
sistemas principais:
o Plexo venoso na pia-máter
o Plexo venoso vertebral interno ou intra-raquidiano de
Batson
o Plexo venoso vertebral externo ou extra-raquidiano

Plexo Venoso da Pia-Máter


 Este plexo venoso apresenta uma organização semelhante ao
sistema arterial que supre a medula espinhal.
 Em geral, as veias da medula têm um trajecto semelhante ao
das artérias.
 Tal como na vascularização arterial, na drenagem venosa temos
um sistema longitudinal e um sistema transversal/horizontal
 Relativamente ao sistema longitudinal, a drenagem venosa
faz-se a partir da medula espinhal, por meio de plexos venosos
para apenas duas veias longitudinais:
o Veia Espinhal Anterior – forma na sua porção cranial
anastomoses com as veias do tronco cerebral e termina
inferiormente no filum terminale. Responsável pela
drenagem do ¼ anterior da medula
o Veia Espinhal Posterior – de maior calibre, une-se na região cervical às veias radiculares e termina no cone
terminal. Responsável pela drenagem venosa dos ¾ posteriores da medula.
 No que toca ao sistema transversal, as veias radiculares permitem a conexão entre o plexo venoso da pia-máter e o
plexo venoso vertebral interno. As veias radiculares existem apenas em determinados segmentos típicos, que podem
variar entre indivíduos.
 Os dois sistemas estão conectados entre si através de vários anéis venosos.
 Diferentemente das veias radiculares, as veias no interior da medula espinhal não possuem válvulas. Portanto, a
medula espinhal corre riscos, em caso de retenção venosa devido ao aumento da pressão. Este aumento da pressão
intramedular pode levar à formação de uma fístula arteriovenosa típica, uma conexão entre uma artéria e uma veia da
medula espinhal.
 A pressão arterial é maior do que a pressão venosa e, portanto, o sangue arterial é desviado para as veias da medula
espinhal. Quando a capacidade de drenagem das veias internas da medula for adequada, a fístula não apresenta
sintomas. Quando a capacidade de drenagem se torna insuficiente, durante o aumento da fístula, a medula espinhal
reage sensivelmente ao aumento de pressão que não pode ser compensado. O resultado são distúrbios da marcha, da
sensibilidade ou paralisias espásticas
 Quando não tratada, esta fístula arteriovenosa leva à lesão
transversal total (ver síndrome da secção transversal da medula).
A terapêutica de eleição consiste na remoção cirúrgica da fístula.

Plexo Venoso Vertebral Interno, ou Intra-Raquidiano de Batson


 Como já foi referido, as veias radiculares anteriores e posteriores
vão drenar para o Plexo Venoso Vertebral Interno.
 Este plexo localiza-se no tecido adiposo do espaço epidural e
envolve internamente o canal vertebral.
 O plexo intra-raquidiano é constituído por:
o Cerca de 4 Veias Longitudinais (2 anteriores e 2 posteriores)
que se estendem desde o occipital até ao cóccix
o Veias Transversais que unem as veias longitudinais
anteriores e posteriores

214
o Veias de Conjugação que unem as veias do plexo intra-raquidiano
às do plexo venoso vertebral externo. Destas destacam-se as veias
intervertebrais e a veia basivertebral.
 As veias longitudinais e transversais anteriores formam o Plexo
Venoso Vertebral Interno Anterior e as veias longitudinais e
transversais posteriores formam o Plexo Venoso Vertebral Interno
Posterior.

Plexo Venoso Vertebral Externo ou Extra-Raquidiano


 O plexo venoso vertebral externo recebe as veias de conjugação,
provenientes do plexo venoso vertebral interno.
 O Plexo Venoso Vertebral Externo apresenta a mesma organização
que o vertebral interno, mas está localizado exteriormente ao canal
vertebral.
 Os Plexos Venosos Vertebrais Interno e Externo sobem ao longo da
coluna vertebral, fazendo a drenagem venosa da medula espinhal.
 Na região da medula cervical, o sangue drena para a veia vertebral,
que desemboca na veia cava superior.
 Na região da medula torácica e lombar, o sangue drena para as veias
intercostais, tributárias da veia cava superior, através dos sistemas
ázigos e hemiázigos

215
LESÕES E SÍNDROMES MEDULARES

 O estudo das lesões medulares é um campo consideravelmente extenso e uma análise detalhada requer alguns
conhecimentos de neurofisiologia.
 Portanto, neste capítulo apenas será feito um resumo breve e sintético de algumas considerações mais importantes a
ter quando se fala em lesões medulares e quais os principais síndromes que afectam a medula espinhal e as suas
características, anatomicamente falando.
 As lesões medulares podem ter várias etiologias, desde traumática a metabólica

Síndrome do Choque Medular


Síndrome da Secção Completa da Medula Espinhal
Síndrome de Brown-Séquard
Síndrome do Cordão Central
Destrutiva/Traumática Síndrome do Cone Medular
Síndrome da Cauda Equina
Síndrome dos Cordões Posteriores
Síndrome do Cordão Ântero-lateral
Síndrome do Cordão Anterior da Medula (oclusão da artéria espinhal anterior)
Fístula Arteriovenosa Dural
Vascular Malformação Arteriovenosa
Angioma Cavernoso
Poliomielite
Síndrome Cordonal Posterior (Tabes Dorsalis)
Síndrome do Gânglio Espinhal (Herpes Zoster)
Infecciosa Empiema Subdural
Abcesso Intramedular
Espondilodiscite (tuberculose)
ETIOLOGIA Lesões Extradurais (metástases e tumores ósseos primitivos) – 55%
Lesões Intradurais Extramedulares (meningioma, neurinoma, metástases,
Tumoral lipoma) – 40%
Lesões Intradurais Intramedulares (astrocitoma, ependimoma) – 5%
Hérnias Discais
Osteofitose da Coluna Vertebral
Degenerativa Espondilolistese
Espondilose Cervical
Metabólica Síndrome da Esclerose Combinada por défice de vitamina B12
Esclerose Múltipla
Neurológicas Esclerose Lateral Amiotrófica
Espondilite Anquilosante
Sistémicas/Reumáticas Artrite Reumatóide
Siringomielia
Malformação de Chiari
Malformativa/Congénita Síndrome da Medula Ancorada
Espinha Bífida
Ataxia Hereditária de Friedreich

 Como se pode observar, existem inúmeras causas possíveis de causar lesão medular, com as respectivas
manifestações clínicas associadas. Contudo, por agora, basta saber as características das etiologias sombreadas a
cinzento.

Bases Anátomo-fisiológicas das Lesões Medulares


 A medula espinhal é formada por substância cinzenta central e
substância branca periférica.
 Dentro da substância branca, nos cordões posteriores correm os
feixes da sensibilidade profunda, nos laterais os feixes espinho-
cerebelosos e o feixe piramidal e nos anteriores os feixes espinho-
talâmicos (isto dito de uma forma grosseira).
 A organização dos feixes é diferente nos cordões posteriores e nos
laterais e anteriores. Nos cordões posteriores as fibras, à medida que vão entrando, empurram as fibras dos
segmentos inferiores para dentro. Assim, as fibras sagradas são mais medianas, enquanto as cervicais são mais
externas.

216
 Nos cordões anteriores e laterais (feixes piramidais e espinho-talâmicos), a organização é inversa: as fibras sagradas
são mais superficiais enquanto as cervicais dispõem-se num plano mias profundo.

Sinais e Sintomas das Lesões Medulares


 Interferências na função motora – quando falamos em lesões neuronais motoras distinguem-se duas situações
distintas:
o Lesão do Neurónio Motor Inferior – afecta os corpos celulares nos cornos cinzentos anteriores e/ou seus
prolongamentos axonais periféricos; resulta em paralisia muscular completa ou parcial, com perda de tónus
muscular (hipotonia) e reflexos espinhais (hiporreflexia) e atrofia muscular.
o Lesão do Neurónio Motor Superior – afecta as vias descendentes motoras, entre as quais os tractos cortico-
espinhais. Resulta em fraqueza muscular e perda da capacidade motora voluntária, no entanto, ao contrário de
uma lesão motora periférica, existe aumento do tónus muscular (hipertonia) com espasticidade e hiperreflexia
osteo-tendinosa abaixo do nível da lesão.
 Interferências na função sensitiva – um dos sinais clínicos presentes pode ser perda sensorial, que varia conforme as
vias sensitivas afectadas:
o Lesão no Cordão Posterior – perda da sensibilidade proprioceptiva consciente, vibratória e de discriminação
táctil, do mesmo lado e abaixo do nível da lesão.
o Lesão no Cordão Lateral – perda da sensação de dor e temperatura, do lado oposto e abaixo do nível da lesão.
o Lesão no Cordão Anterior – perda da sensibilidade táctil não discriminativa, do lado oposto e abaixo do nível da
lesão.
 Portanto, as lesões medulares provocam:
o Alteração da força, se os feixes piramidais e/ou extrapiramidais forem lesados, ao nível da lesão e abaixo do nível
da lesão. Geralmente temos ao nível da lesão uma paralisia flácida (por afecção do 2º neurónio) e abaixo da lesão
temos uma paralisia espástica (por lesão dos feixes piramidais)
o Alterações da sensibilidade, descrito geralmente como uma linha ou banda de hipersensibilidade (correspondente
ao nível da lesão medular), abaixo da qual há uma perda da sensibilidade. Consoante os feixes afectados,
podemos ter anestesia (cordões posteriores) ou analgesia/termanestesia (feixe espinho-talâmico lateral)
o Alterações esfincterianas e da esfera sexual. A incontinência ou retenção urinárias (e menos habitualmente a
rectal), bem como as alterações da potência sexual devem-se ao envolvimento das fibras medulares
vegetativas/autonómicas.
 Em seguida, apresentam-se as várias síndromes medulares, com as suas características clínicas.

Síndromes Clínicas da Medula Espinhal


SÍNDROME DO CHOQUE MEDULAR
 Condição clínica, que se segue a uma lesão aguda grave da medula espinhal, em que todas as funções medulares
abaixo do nível da lesão estão deprimidas ou ausentes.
 A síndrome do choque medular caracteriza-se por:
o Paralisia Flácida completa abaixo do nível da lesão
o Perda de todas as qualidades sensitivas abaixo do nível da lesão
o Depressão dos reflexos medulares devido à remoção dos estímulos das vias motoras descendentes
(hiperpolarização dos neurónios motores do corno anterior).
o Perda da defecação e da micção
o Distúrbios na secreção sudorípara e da termorregulação
o Descida substancial da pressão arterial (hipotensão grave), principalmente quando a lesão medular ocorre em
segmentos superiores da medula. Deve-se à perda do tónus vasoconstritor das fibras simpáticas descendentes.
 Normalmente, o choque medular tem uma duração inferior a 24 horas, no entanto pode, por vezes, persistir de 1 a 4
semanas.
 À medida que o choque medular diminui, os neurónios recuperam a sua capacidade excitatória e os efeitos das lesões
nos neurónios motores superiores (vias descendentes) aparecem, nomeadamente, a presença de espasticidade e
hiperreflexia, abaixo do nível da lesão.

217
 Adicionalmente, há uma recuperação da pressão arterial para valores aproximadamente normais. Contudo, a
regulação precisa da pressão arterial dependente do reflexo baroreceptor é abolida, sendo por isso comuns as
variações significativas dos seus valores.
 O esvaziamento da bexiga e do recto voltam a funcionar, embora apenas de forma reflexa, independente da vontade.
O controlo voluntário é abolido, assim como a potência sexual.
 Pode-se determinar a presença de choque medular testando a actividade do reflexo do esfíncter anal (segmentos S2-
S4). A ausência deste reflexo é indicadora da existência de síndrome de choque medular. Uma lesão medular nos
segmentos sagrados S2-S4 anula a validade deste teste, uma vez que haverá lesão do nervo responsável por este
reflexo.
 De uma forma geral, as lesões agudas da medula espinhal são catastróficas, associadas a uma ausência de qualquer
tipo de regeneração das fibras nervosas afectadas ou recuperação da função neuronal, ficando o individuo com uma
lesão permanente. No caso do choque medular, o indivíduo não recupera totalmente as funções da medula, ficando
com uma lesão permanente.
 O tratamento destas lesões agudas centra-se apenas no realinhamento e estabilização da coluna vertebral ou
descompressão da medula espinhal. Durante o processo de recuperação, realiza-se também fisioterapia na tentativa
de optimizar a função neurológica não afectada pela lesão.
 Após o desaparecimento do choque medular, é possível identificar o tipo de trauma que a medula sofreu, através da
análise dos respectivos sinais clínicos (ver síndromas seguintes).

SÍNDROME DE SECÇÃO COMPLETA DA MEDULA ESPINHAL


 Perda de toda a sensibilidade e motricidade voluntária abaixo do nível da
lesão.
 Pode resultar de deslocação de uma fractura da coluna vertebral, de um
ferida por uma arma branca ou arma de fogo ou por um tumor em expansão.
 As seguintes características clínicas podem ser observadas após o período
de choque medular:
o Paralisia Flácida Bilateral dos Neurónios Motores Inferiores e Atrofia
Muscular ao nível do segmento da lesão – lesão dos cornos cinzentos
anteriores e das raízes dos nervos espinhais.
o Paralisia Espástica Bilateral abaixo do nível da lesão – lesão das vias descendentes motoras. O sinal de Babinski
está presente e, dependendo do nível da lesão, temos abolição bilateral dos reflexos cutâneos abdominais e
cremasteriano.
o Perda do Controlo Voluntário sobre a Micção e Defecação – lesão das fibras vegetativas descendentes.
o Perda Bilateral de todas as formas de Sensibilidade abaixo do nível da lesão – lesão das vias ascendentes do
cordão branco posterior, das vias espinho-cerebelosas e das vias espinho-talâmicas anterior e lateral. Uma vez
que as vias espinho-talâmicas cruzam a linha média muito obliquamente (ver capitulo “Vias Ascendentes ou da
Sensibilidade”), a perda da sensibilidade térmico-álgica e táctil protopática apenas ocorre 2 ou 3 segmentos abaixo
da lesão.
 A deslocação completa de uma fractura da coluna vertebral abaixo de L1 (limite inferior da medula) não acarreta
lesão medular e as lesões neurológicas estão restritas à cauda equina – ver síndrome da cauda equina.

SÍNDROME DO CORDÃO ANTERIOR DA MEDULA ESPINHAL


 Pode resultar de deslocação de uma fractura da coluna vertebral, de
lesão da artéria espinhal anterior ou dos seus ramos de origem, ou por
uma hérnia do disco intervertebral.
 As seguintes características clínicas podem ser observadas após o
período de choque medular:
o Paralisia Flácida Bilateral dos Neurónios Motores Inferiores e
Atrofia Muscular ao nível do segmento da lesão – lesão dos cornos
cinzentos anteriores e das raízes dos nervos espinhais.
o Paralisia Espástica Bilateral abaixo do nível da lesão – lesão das

218
vias descendentes motoras. A extensão da lesão depende do tamanho da área afectada, se não houver lesão total
das vias cortico-espinhais laterais, a paralisia é incompleta (paresia).
o Perda Bilateral da Sensibilidade Térmico-Álgica e Táctil Protopática 2 ou 3 Segmentos abaixo do nível da lesão –
lesão das vias espinho-talâmicas anterior e lateral.
o Preservação da Sensibilidade Táctil Epicrítica, Vibratória e Proprioceptiva – ausência de lesão nas vias sensitivas
nos cordões brancos posteriores.

SÍNDROME DO CORDÃO CENTRAL DA MEDULA ESPINHAL


 Resulta, normalmente, da hiperextensão da região cervical da medula
espinhal: compressão da medula, anteriormente, pelos corpos vertebrais
e, posteriormente, pelos ligamentos amarelos, causando dano na região
central da medula.
 Os exames imagiológicos parecem normais, uma vez que não existe
fractura nem luxação.
 As seguintes características clínicas podem ser observadas após o
período de choque medular:
o Paralisia Flácida Bilateral dos Neurónios Motores Inferiores e Atrofia Muscular ao nível do segmento da lesão –
lesão dos cornos cinzentos anteriores e das raízes dos nervos espinhais.
o Paralisia Espástica Bilateral abaixo do nível da lesão – lesão das vias descendentes motoras, com excepção das
vias da região sagrada. As fibras inferiores são menos afectadas que as fibras superiores, uma vez que as fibras
descendentes nas vias cortico-espinhais apresentam organização somatotrópica, com as fibras cervicais mais
internas e as vias sagradas mais externas.
o Perda Bilateral da Sensibilidade Térmico-Álgica e Táctil Protopática 2 ou 3 Segmentos abaixo do nível da lesão –
lesão das vias espinho-talâmicas anterior e lateral; as fibras sagradas são menos afectadas (sacral sparing),
porque, à semelhança do que acontece nas vias cortico-espinhais, as vias espinho-talâmicas também apresentam
organização somatotrópica com as fibras cervicais no centro e as fibras sagradas na periferia e,
consequentemente, menos afectadas.
 A ausência de afecção das fibras sagradas pode ser posta em evidência pela presença de um bom tónus do esfíncter
anal ou pela capacidade do doente mover ligeiramente os dedos dos pés.

SÍNDROME DE BROWN-SÉQUARD DA MEDULA ESPINHAL


 Pode resultar de deslocação de uma fractura de deslocamento da
coluna vertebral, de um ataque com uma arma branca ou arma de fogo
ou por um tumor em expansão.
 Distingue-se hemisecção completa e incompleta, sendo a última muito
mais frequente.
 As seguintes características clínicas podem ser observadas após o
período de choque medular:
o Paralisia Flácida Homolateral dos Neurónios Motores Inferiores e
Atrofia Muscular ao nível do segmento da lesão – lesão dos cornos
cinzentos anteriores e das raízes dos nervos espinhais.
o Perda de todas as modalidades sensitivas Homolateral ao nível
do segmento da lesão – lesão da raiz posterior dos nervos
espinhais.
o Paralisia Espástica Homolateral abaixo do nível da lesão – lesão
das vias descendentes motoras.
o Perda Homolateral da Sensibilidade Táctil Epicrítica, Vibratória
e Proprioceptiva abaixo do nível da lesão – lesão das vias da
sensibilidade no cordão branco posterior.
o Perda Contralateral da Sensibilidade Térmico-Álgica 2 ou 3
Segmentos abaixo do nível da lesão – lesão da via espinho-
talâmica lateral.
219
o Perda Contralateral Incompleta da Sensibilidade Táctil Protopática 2 ou 3 Segmentos abaixo do nível da lesão –
lesão da via espinho-talâmica anterior. A perda táctil é incompleta porque a sensibilidade táctil epicrítica
contralateral, nas vias ascendentes do cordão posterior, está intacta.

SÍNDROME DO CORDÃO ÂNTERO-LATERAL


 Esta síndrome deve-se frequentemente a compressões medulares por hérnias discais ou tumores intradurais
extramedulares
 Os principais sinais clínicos são os seguintes:
o Paralisia Flácida Homolateral dos Neurónios Motores Inferiores e Atrofia Muscular ao nível do segmento da
lesão – lesão dos cornos cinzentos anteriores e das raízes dos nervos espinhais ao nível da compressão
o Paralisia Espástica Homolateral abaixo do nível da compressão – lesão das vias descendentes motoras.
o Perda Contralateral da Sensibilidade Térmico-Álgica 2 ou 3 Segmentos abaixo do nível da compressão – lesão da
via espinho-talâmica lateral.
o Perda Contralateral Incompleta da Sensibilidade Táctil Protopática 2 ou 3 Segmentos abaixo do nível da
compressão – lesão da via espinho-talâmica anterior. A perda táctil é incompleta porque a sensibilidade táctil
epicrítica contralateral, nas vias ascendentes do cordão posterior, está intacta.

SÍNDROME DOS CORDÕES POSTERIORES

 A lesão dos feixes posteriores está associada a perda da propriocepção consciente, da sensibilidade vibratória e do
tacto epicrítico. Estas perdas ocorrem abaixo do local da lesão, isto é, no caso de T8, na região inferior do tronco e
dos membros inferiores.
 Portanto, existe abolição da sensibilidade profunda abaixo do nível da lesão com conservação da sensibilidade
superficial (tacto protopático) Esta associação foi descrita pela primeira vez na tabes dorsalis, pelo que este tipo de
dissociação entre as sensibilidades superficial e profunda se designa dissociação tabética. Mais abaixo é abordada
com mais detalhe a tabes dorsalis.
 Quando os membros inferiores são afectados a ausência de sentido de propriocepção causa uma insegurança da
marcha (ataxia). Quando o braço é afectado ocorre somente um distúrbio da sensibilidade.
 Devido à alteração da sensibilidade postural, os centros superiores não são informados da posição em que se
encontram as superfícies articulares, nem da força muscular necessária para executar os movimentos de marcha, não
os podendo graduar
 Devido à ausência de feedback para o sistema motor, a coordenação dos diferentes grupos musculares é
impossibilitada (assinergia)

220
 A ataxia é o resultado da perda de informação sobre a posição do corpo, necessária para a execução de movimentos
coordenados. Daqui resulta que o doente, ao tentar andar, o pé levanta-se demais e é atirado para o solo em vez de
nele pousar normalmente. O tronco inclina-se para um lado e para o outro e os braços tentam remediar o
desequilíbrio resultante da atitude imperfeita dos pés: é a marcha atáxica tabética ou espinhal.
 A ataxia agrava-se com o fecho dos olhos (de olhos abertos, esta ausência de informação proprioceptiva é
parcialmente compensada pela visão). Os tabéticos têm dificuldade em andar às escuras ou com os olhos fechados.
 A ataxia sensitiva/espinhal distingue-se da ataxia cerebelar pelo facto de que, no caso do cerebelo, não pode ser
compensada pela visão

SÍNDROME DO CONE MEDULAR


 De início súbito e bilateral, deve-se geralmente a tumores.
 As dores no períneo e nas coxas não são habituais nem intensas.
 A paraparésia é simétrica, pouco pronunciada
 Existe uma hipoestesia nos dermátomos lombares e sagrados, “em sela”
 Há alterações esfincterianas precoces e marcadas, bem como atingimento da esfera sexual.
 Os reflexos ósteo-tendinosos aquilianos estão sempre
abolidos

SÍNDROME DA CAUDA EQUINA


 A deslocação completa de uma fractura da coluna
vertebral abaixo de L1-L2 (limite inferior da medula)
não acarreta lesão medular e as lesões neurológicas
estão restritas à cauda equina.
 De início unilateral e gradual
 As dores de tipo radicular e no trajecto sagrado são
intensas.
 A paraparésia é assimétrica e flácida (afecção apenas dos 2º neurónios motores). As vias descendentes não estão
lesadas, logo não há espasticidade nem hiperreflexia. É comum a existência de atrofia dos músculos cujas fibras
nervosas são lesadas
 Há alterações da sensibilidade “em sela”
 O envolvimento esfincteriano e da esfera sexual são menos marcados
 Os reflexos ósteo-tendinosos rotulianos e aquiliano podem estar abolidos.

SÍNDROME DA SUBSTÂNCIA CINZENTA (SIRINGOMIELIA)


 A síndrome da substância cinzenta origina-se de lesões (tumores
intramedulares) ou de doenças conhecidas, como é o caso da Siringomielia.
 A Siringomielia resulta de uma anomalia no desenvolvimento e formação do
canal central da medula, afectando maioritariamente a região cervical da
medula espinhal e o tronco cerebral.
 Todos os feixes que cruzam a linha média da medula são lesados (feixes
espinho-talâmicos anteriores e laterais). Assim, os principais sinais e sintomas
são os seguintes (para uma lesão na medula cervical):
o Perda Bilateral da Sensibilidade Térmico-Álgica nos Dermátomos relacionados com os segmentos da lesão
medular – lesão da via espinho-talâmica lateral na sua decussação nas comissuras branca anterior, dando à lesão a
forma de um xaile.
o Preservação da Sensibilidade Táctil Epicrítica, Vibratória e Proprioceptiva – ausência de lesão nas vias sensitivas
nos cordões brancos posteriores.
o Fraqueza Homolateral ou Bilateral dos Neurónios Motores Inferiores e Atrofia Muscular – em casos de lesões de
maiores dimensões, ocorre lesão dos cornos cinzentos anteriores (neurónios motores α), causando fraqueza
muscular visível nos pequenos músculos da mão. À medida que a lesão se expande para os segmentos cervicais

221
inferiores e torácicos superiores, esta destrói os cornos cinzentos anteriores destes segmentos e observa-se atrofia
dos músculos do braço e espádua.
o Paralisia Espástica Bilateral – no caso de lesões ainda maiores, ocorre lesão das vias descendentes motoras, que
causa paralisia espástica de ambas as pernas. Este fenómeno resulta da expansão lateral da patologia de forma a
alcançar as vias descendentes motoras nos cordões laterais;
o Síndrome de Horner – não está obrigatoriamente presente. Resulta da expansão da
patologia com interrupção das fibras descendentes autonómicas nos tractos
retículo-espinhais bulbares (cordão lateral).

SÍNDROME DOS CORNOS ANTERIORES (POLIOMIELITE)


 A lesão dos neurónios motores do corno anterior causa paralisias ipsilaterais, neste caso (exemplo da imagem) nas
mãos e na musculatura do antebraço já que a lesão ocorre ao nível de C7-C8.
 A paralisia é flácida devido à perda do neurónio motor inferior α que supre a musculatura.
 Músculos maiores não são supridos por um único neurónio motor proveniente de um único segmento. Portanto, a
lesão de um único segmento leva somente à fraqueza muscular (paresia) e não à paralisia completa (plegia) do grupo
muscular afectado.
 Quando os cornos laterias também
são atingidos há adicionalmente
distúrbios da secreção sudorípara e
da vasomotricidade, já que nos
cornos laterais se situam os corpos
de neurónios simpáticos
responsáveis por essas funções.
 Esta síndrome ocorre em casos de
paralisia infantil e de atrofias musculares espinhais – estas últimas são doenças hereditárias raras e de progressão
lenta.
 Existe uma doença infecciosa viral aguda que destrói também os neurónios
motores dos cornos anteriores da medula e os núcleos motores dos nervos
cranianos - poliomielite. Contudo, graças à imunização, assistiu-se a uma
redução acentuada da incidência de poliomielite.
 Após a destruição dos neurónios motores inferiores, persiste uma paralisia
flácida e uma atrofia dos músculos inervados pelas fibras destruídas.
 Os músculos dos membros inferiores são geralmente mais afectados que os
músculos dos membros superiores.
 Na poliomielite severa, o mecanismo da respiração pode ser ameaçado devido à progressão da paralisia para os
músculos intercostais e diafragma
 Os músculos da face, laringe e língua também ficam frequentemente paralisados
 A melhoria da condição clínica normalmente começa ao fim da 1ª semana, à medida que o edema na medula
afectada desaparece e a função dos neurónios que não foram destruídos regressa ao normal.

222
ESCLEROSE MÚLTIPLA
 A esclerose múltipla é uma doença comum confinada ao SNC, que causa inflamação e desmielinização dos axónios,
com perda de bainhas de mielina, culminando na quebra do isolamento dos axónios e na diminuição da velocidade
de condução de potenciais de acção, que se agrava até, eventualmente, serem bloqueados.
 É uma doença de jovens adultos (35 - 45 anos) cuja etiologia se desconhece. A auto-imunidade, mecanismos
infecciosos e as causas hereditárias poderão desempenhar um papel importante na sua etiologia.
 Tem sido sugerido que uma perda da integridade da barreira hemato-encefálica num indivíduo geneticamente
predisposto para a doença possa ser responsável pela doença. Esta perda de integridade poderia resultar na invasão
de alguns agentes infecciosos no SNC, permitindo a entrada de leucócitos cuja acção imunitária resultaria num
estado inflamatório e de desmielinização (devido ao reconhecimento por parte dos leucócitos de proteínas
específicas das bandas de mielina dos neurónios do SNC, com consequente mecanismo de auto-imunidade
desencadeado)
 A esclerose múltipla é uma patologia crónica com exacerbações e remissões de sinais e sintomas clínicos, que
devido desmielinização das vias ascendentes e descendentes são múltiplos. Os mais comuns são:
o Fraqueza Muscular dos Membros – lesão dos cornos cinzentos anteriores.
o Ataxia – lesão das vias espinho-cerebelosas, comprometendo a sensibilidade proprioceptiva inconsciente.
o Paralisia Espástica – lesão das vias descendentes motoras.
 Em doentes com uma forma progressiva de esclerose múltipla (caracterizada por ausência de períodos de remissão
da doença) mostrou-se que, para além de dano nas bainhas de mielina, existe dano nos axónios. Estas evidências
sugerem que a esclerose múltipla não é apenas uma doença desmielinizante, mas também uma patologia axonal.

SÍNDROME DE LESÃO COMBINADA DOS CORNOS ANTERIORES E DO FEIXE PIRAMIDAL (ESCLEROSE


LATERAL AMIOTRÓFICA OU SÍNDROME DE LOU GEHRIG)
 A ELA é uma patologia progressiva crónica e fatal, de etiologia desconhecida
 Manifesta-se sob a forma de uma síndrome de lesão combinada dos cornos
anteriores e do feixe piramidal.
 Ou seja, está associada a uma degeneração progressiva dos neurónios motores das
vias cortico-espinhais dos cornos cinzentos anteriores da medula.
 É uma doença raramente de etiologia familiar, sendo herdada em apenas 10% dos
casos.
 A doença começa a manifestar-se a partir da meia-idade e é inevitavelmente fatal ao fim de 2-6 anos.
 A lesão característica desta síndrome resulta de uma combinação de paralisias flácida e espástica. A lesão dos cornos
anteriores (2º neurónio) causa uma paralisia flácida enquanto a lesão dos feixes piramidais (1º neurónio) causa uma
paralisia espástica
 O grau de lesão dos dois tipos de neurónios pode variar, causando nas lesões nos cornos anteriores ao nível de C7-
C8 uma paralisia flácida no antebraço e na mão, com atrofia muscular e fasciculações associadas, enquanto a lesão
da via piramidal ao nível de T5 causa uma paresia/plegia espástica da musculatura abdominal e do membro inferior
(os segmentos medulares foram dados como meros exemplos).
 É preciso perceber que quando o 2º neurónio no corno anterior da medula é lesado (paralisia flácida), uma lesão da
via piramidal ao nível do mesmo segmento (paralisia espástica) não se manifesta a esse nível (apenas abaixo da
lesão). Ou seja, os sinais e sintomas resultantes das lesões dos neurónios motores inferiores sobrepõem-se às lesões
dos neurónios motores superiores
 No estágio final, quando os núcleos motores dos nervos cranianos também são afectados ocorrem distúrbios da
deglutição e da fala (paralisia bulbar). Os doentes tendem a morrer por paralisia dos músculos respiratórios.

223
SÍNDROME DA ESCLEROSE COMBINADA (MIELOSE FUNICULAR)
 A lesão do cordão posterior leva à perda do sentido de posição/propriocepção, da sensação de vibração e do tacto
epicrítico.
 Além disso, a lesão adicional das vias piramidais leva a uma paralisia espástica abaixo do segmento afectado (neste
exemplo, abaixo de T6, logo dos membros inferiores e da musculatura abdominal).
 Esta lesão dos feixes, com danos cervico-torácicos ocorre caracteristicamente na mielose funicular (por deficiência
de vitamina B12). Uma doença associada a défice de vitamina B12 é anemia perniciosa, uma anemia megaloblástica.
 A anemia perniciosa é uma doença auto-imune que resulta na perda da função das células gástricas parietais, que
produzem o factor intrínseco gástrico que é fundamental para absorção da vitamina B12. A anemia perniciosa pode
resultar de factores hereditários. (distúrbio autossómico recessivo) ou ser causada por uma atrofia gástrica com
destruição das células parietais. É uma doença comum em pós-operatório de cirurgia bariátrica, na gastrite auto-
imune e em doentes com úlcera péptica extensa.
 A mielose funicular afecta primeiramente os tractos posteriores e, em seguida, as vias piramidais. Esta doença causa
a degeneração das bainhas de mielina.

SÍNDROME DA LESÃO COMBINADA DOS CORDÕES POSTERIORES, FEIXES ESPINHO-CEREBELOSOS E FEIXE


PIRAMIDAL (ATAXIA DE FRIEDREICH)
 Nesta lesão ocorre, primeiramente uma degeneração dos neurónios nos gânglios espinhais que transmitem as
informações sobre o sentido consciente da posição (a sua perda leva a ataxia e assinergia), a sensação de vibração e o
tacto discriminativo, causando atrofia dos tractos posteriores.
 As sensações de dor e de temperatura, que continuam a ser transmitidas pelo tracto espinho-talâmico lateral, não são
afectadas.
 Somente a perda sensitiva da propriocepção consciente já causa uma ataxia sensitiva por ausência de feedback para o
sistema motor.
 Como os feixes espinho-cerebelosos também podem ser afectados (propriocepção inconsciente), a ataxia causada
pela dupla perda manifesta-se de forma mais grave e assume o papel de sintoma principal da doença.
 A perda adicional dos feixes piramidais causa paralisias espásticas.
 Esta síndrome é típica da ataxia hereditária de Friedreich. O gene correspondente a esta doença hereditária foi
localizado no cromossoma 19.

224
TABES DORSALIS
 A tabes dorsalis é causada pela sífilis. Esta bactéria causa uma destruição
selectiva das fibras nervosas ao nível de entrada das raízes posteriores na
medula espinhal, especialmente nos segmentos medulares torácicos
inferiores e lombossagrados.
 Os principais sintomas e sinais desta doença são os seguintes:
o Dor forte aguda tipo “facada” nos membros inferiores, muitas vezes
severa
o Parestesia e sensação de “formigueiro” nos membros inferiores
o Hiperestesia da pele para o toque, calor e frio
o Anestesia da pele de partes do tronco e membros inferiores
o Perda da noção de enchimento da bexiga
o Perda da capacidade de propriocepção, principalmente dos membros inferiores
o Analgesia para dores profundas, nomeadamente quando os músculos são comprimidos forçadamente ou quando o
tendão de Aquiles é comprimido com vigor
o Analgesia em algumas partes do corpo, nomeadamente um lado do nariz ou o bordo cubital do braço, a parede
torácica inter-mamária ou o bordo externo da perna
o Ataxia dos membros inferiores devido à perda da sensibilidade proprioceptiva dos membros inferiores – marcha
atáxica tabética
o Hipotonia como resultado da perda da informação proprioceptiva proveniente dos fusos musculares e dos órgãos
tendinosos de Golgi
o Hiporreflexia devido à degeneração da via aferente do arco reflexo miotático (os reflexos aquiliano e rotuliano
são perdidos nas fases iniciais da doença).

SÍNDROME DO GÂNGLIO DA RAIZ POSTERIOR (HERPES ZOSTER)


 Como parte integral da raiz posterior, os gânglios espinhais
transmitem informações sensitivas (local onde se encontra o
1º neurónio sensitivo de todas a vias ascendentes)
 Quando apenas um gânglio espinhal é lesado (por exemplo,
em consequência de uma infecção viral por herpes zoster),
somente a sua área de inervação sensitiva (dermátomo) será
a sede de dores e de parestesias
 Uma vez que os dermátomos se sobrepõem, dermátomos
vizinhos podem suprir a função do segmento afectado nas
regiões de seus limites
 Portanto, a região de perda absoluta de sensibilidade – a
chamada região autónoma do dermátomo – pode ser
pequena.

Compressão Crónica da Medula Espinhal


 Além das lesões agudas existem também alterações crónicas, designadas de Compressão Crónica da Medula
Espinhal. Podemos separar as causas de compressão em extradurais e intradurais:
o Causas Extradurais – hérnias do disco intervertebral, infecção vertebral (tuberculose) e tumores vertebrais
primários ou secundários. Existem ainda depósitos leucémicos e abcessos extradurais que também podem causar
compressão medular.
o Causas Intradurais – separados ainda em causas extramedulares e intramedulares; as duas causas extramedulares
mais comuns são meningiomas e fibromas neuronais (tumores extramedulares) e as causas intramedulares
incluem tumores primários, entre os quais gliomas.
 As causas extradurais e intradurais de compressão interferem com a normal anatomia e fisiologia da medula
espinhal, resultando no aparecimento de sinais clínicos e sintomas. As funções anatómicas e fisiológicas podem ser
alteradas de diversas maneiras:
o Compressão das Artérias Espinhais – isquemia da medula e degeneração das células nervosas.
225
o Compressão das Veias Espinhais – edema da medula e afecta com a função dos neurónios.
o Compressão da Substância Cinzenta ou Substância Branca e das Raízes dos Nervos Espinhais – interferência na
condução nervosa; obstrução do LCR, alteração da sua composição abaixo do nível da lesão.
 O principal sintoma da compressão crónica da medula é a dor:
o Dor local, na região da vértebra envolvida.
o Dor irradiada, sentida ao longo da distribuição das raízes dos nervos espinhais.

Determinação da Altura de uma Lesão Espinhal

226
VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL DO ENCÉFALO

 2 Sistemas Arteriais:
o Sistema da Carótida Interna
o Sistema Vertebro-Basilar

SISTEMA DA CARÓTIDA INTERNA


 A ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA é um dos ramos terminais da artéria carótida comum
 Estende-se desde um plano que passa 1 cm acima do bordo superior da cartilagem tiroideia até à base do cérebro
 Dividida em 4 segmentos: Cervical, Intrapetroso, Cavernoso e Cerebral
 Ao nível da sua origem, a artéria está mais externa à carótida externa.
 No pescoço (segmento cervical), a artéria vai-se tornando mais profunda à medida que atravessa o espaço maxilo-
faríngeo. Relaciona-se neste trajecto com a veia jugular interna (por fora), com o nervo vago (atrás/fora), com a
faringe (por dentro) e com a parótida (atrás)
 No canal carotídeo (segmento intrapetroso), a
artéria está rodeada por osso e relaciona-se com o
plexo venoso carotídeo, com origem no seio
cavernoso, e com o plexo simpático pericarotídeo.
 No seio cavernoso (segmento cavernoso), a artéria
apresenta uma configuração em “S” itálico,
formando o sifão carotídeo de Egas Moniz.
Relaciona-se em baixo/fora com o nervo MOE, e
por fora, de cima para baixo, com os nervos MOC,
troclear, oftálmico e maxilar superior. Saem do seio pela sua
extremidade anterior
 Na porção cerebral (segmento cerebral), a artéria passa por
dentro da apófise clinoideia anterior e a este nível origina a artéria
oftálmica. Dirige-se depois para trás/fora, cruza o flanco externo
do nervo óptico (II)/quiasma óptico e termina dando origem aos
seus ramos terminais. Ao longo deste trajecto, a artéria encontra-
se no espaço subaracnoideu.
 As partes intracranianas da artéria carótida interna (segmentos
cavernoso e cerebral) são subdivididas em cinco segmentos (C1-
C5), de acordo com as características clínicas:
o C1-C2 do segmento cerebral formam a porção supraclinoideia,
situada atrás da apófise clinoideia anterior e à frente da
pequena asa do esfenóide
o C3-C5 da parte cavernosa formam a porção infraclinoideia
 Os segmentos C2-C4 pertencem ao sifão carotídeo de Egas
Moniz.

Ramos Colaterais da Carótida Interna


 O segmento cervical da carótida interna não origina ramos colaterais.

227
 No segmento intrapetroso, a artéria carótida interna dá origem à artéria
carótico-timpânica. Esta vasculariza a cavidade timpânica, anastomosando-
se com ramos da artéria estilo-mastoideia e das artérias timpânicas (ver ouvido)
 No segmento cerebral, a artéria dá 4 colaterais:
o Artéria Oftálmica – o ramo mais importante. Origina-se ao nível da
apófise clinoideia anterior e destina-se ao globo ocular e seus anexos.
Entra na cavidade orbitária pelo canal óptico, juntamente com o nervo
óptico (II)
o Artéria Hipotalâmica – tem origem quando a artéria cruza o flanco
externo do nervo óptico/quiasma óptico. Passa por cima do quiasma antes
de alcançar o hipotálamo
o Artérias Hipofisária Superior e Hipofisária Inferior – têm origem ao
mesmo nível que a artéria hipotalâmica. Passam por baixo do quiasma
óptico antes de alcançarem a hipófise

Ramos Terminais da Carótida Interna


 Após cruzar o flanco externo do nervo óptico, a artéria carótida interna dá origem a 4 ramos terminais:
o Artéria cerebral anterior – dirige-se para frente/dentro, passando por cima do nervo óptico. À frente do quiasma
óptico, estes vasos estão unidos pela artéria comunicante anterior
o Artéria comunicante posterior – dirige-se para trás/dentro, passando por baixo dos tractos ópticos. Anastomosa-se
com a porção proximal da artéria cerebral posterior homolateral (proveniente da artéria basilar).
o Artéria cerebral média – ramo terminal de maior calibre. Dirige-se para o Rego de Sylvius
o Artéria coroideia anterior – vasculariza os plexos coroideus dos ventrículos laterais

Circulo Arterial do Cérebro ou Polígono de Willis


 O Polígono de Willis rodeia o quiasma óptico e a região
interpeduncular
 É formado pelos ramos terminais das artérias carótidas internas
e da artéria basilar (sistema vertebro-basilar)
 Artérias que formam o polígono de Willis:
o Artérias cerebrais anteriores (2) – ramos terminais das
carótidas internas.
o Artéria comunicante anterior – ramo que une as duas
artérias cerebrais anteriores, à frente do quiasma óptico
o Artérias comunicantes posteriores (2) – ramos terminais das
carótidas internas.
o Artérias cerebrais posteriores (2) – ramos provenientes da bifurcação da artéria basilar, ao nível do bordo superior
da protuberância terminal da artéria basilar. Passam à frente/cima das raízes dos nervos MOC (III).

228
 O Polígono de Willis funciona como um
igualizador do fluxo sanguíneo nas diversas
regiões do encéfalo, mas geralmente existem
poucas trocas de sangue entre as porções
direita e esquerda do polígono de Willis
devido à igualização de pressões.
 A aterosclerose (comum em pessoas idosas)
pode levar a estenoses ou à obstrução
completa das artérias cerebrais. As estenoses
localizam-se frequentemente nas bifurcações.
Uma estenose isolada da carótida interna
pode ser compensada pelo Polígono de
Willis, ocorrendo uma redistribuição do fluxo sanguíneo das outras artérias não estenosadas (carótida interna
contralateral e artéria basilar). No entanto, quando ocorrem estenoses simultâneas em vários locais, o Polígono de
Willis não pode compensar o suprimento deficiente, levando a distúrbios do suprimento sanguíneo no encéfalo
(isquemia cerebral)
 Contudo, as artérias comunicantes geralmente formam anastomoses funcionais inadequadas, o que leva a uma
elevada incidência de perturbações do fluxo sanguíneo quando há ma oclusão unilateral ou compressão da artéria
carótida interna, principalmente nos idosos.
 O Polígono de Willis é um local comum de ocorrência de aneurismas saculares
cerebrais. Os locais mais comuns de ocorrência de aneurismas são:
o Artéria comunicante anterior (30-35%)
o Origem da artéria comunicante posterior (20%)
o Porção cavernosa da artéria carótida interna (20%)
o Bifurcação da artéria cerebral média (20%)
o Vários locais do sistema vertebro-basilar (ex: bifurcação da artéria basilar)
 A turbulência do fluxo sanguíneo e os defeitos congénitos da parede dos vasos
são os dois grandes factores relacionados com o desenvolvimento de
aneurismas.
 A ruptura destes aneurismas resulta numa hemorragia subaracnoideia, podendo
gerar graves problemas neurológicos.

Artérias do Prosencéfalo (Telencéfalo + Diencéfalo)


 As artérias do prosencéfalo provêm do Polígono de Willis e das diferentes artérias cerebrais (anterior, média e
posterior).
 Estas artérias dividem-se em 3 categorias:
o Artérias Corticais, Circunferenciais ou das Circunvoluções
o Artérias Centrais ou dos Núcleos Basais
o Artérias Coroideias

Artérias Corticais, Circunferenciais ou das Circunvoluções


 Provêm das artérias cerebrais anterior, média e posterior.
 Estas artérias ramificam-se sobre os hemisférios cerebrais e estas ramificações situam-se no espaço subaracnoideu.
 Depois as artérias penetram na pia-máter, onde se anastomosam umas com as outras para formar a rede arterial da
pia-máter
 Desta rede arterial partem as artérias das circunvoluções.
 As artérias das circunvoluções dividem-se:
o Ramos curtos – terminam na substância cinzenta cortical
o Ramos longos – prolongam-se à substância branca central, mas nunca penetram nos corpos estriados.

229
 Devido às anastomoses dos ramos corticais de maior calibre, a oclusão de um destes vasos é compensada pela
circulação da rede arterial da pia-máter (mas normalmente esta compensação é insuficiente para evitar danos
cerebrais)
 A maioria das oclusões vasculares ocorre nas artérias antes destas penetrarem na substância do cérebro.
 Em seguida, falaremos dos ramos corticais da artéria cerebral anterior, artéria cerebral média e artéria cerebral
posterior

RAMOS CORTICAIS DA ARTÉRIA CEREBRAL ANTERIOR (ACA)


 A ACA é um ramo terminal da carótida interna, cuja sua origem se localiza por fora do quiasma óptico e do nervo
óptico
 Dirige-se para a frente/dentro, passando por cima do nervo óptico e aproxima-se da artéria homónima, com a qual
comunica através da artéria comunicante anterior
 Entra na comissura inter-hemisférica, contorna o
joelho do corpo caloso e continua-se para trás, ao
longo da face superior do corpo caloso
 A ACA divide-se em 2 segmentos:
o Segmento A1 – pré- comunicante, proximal à
artéria comunicante anterior
o Segmento A2 – pós-comunicante, distal à artéria
comunicante anterior
 Relativamente aos ramos corticais, estes provêm dos
seguintes ramos da ACA:
o Artéria Frontobasal/Orbitofrontal Interna –
anastomosa-se com a artéria frontobasal externa
da artéria cerebral média. Irriga as faces interna e
orbital do lobo frontal
o Artéria Frontopolar – tem origem ao nível em qua a
ACA se curva para contornar o joelho do corpo caloso.
Os ramos desta artéria irrigam as porções internas do
lobo frontal, alcançando também a convexidade do
hemisfério
A2
o Artéria Calosomarginal – ramo de maior calibre da
ACA. Passa por cima da circunvolução do corpo A1
caloso. Irriga o lóbulo paracentral e a circunvolução do
corpo caloso
o Artéria Pericalosa – ramo terminal da ACA. Dirige-se
para trás, percorrendo a face superior do corpo caloso.
Irriga a face interna do lobo parietal e a região pré-
cuneal (lóbulo quadrilátero)

Irrigação da Artéria Cerebral Anterior e Correlações Clínicas


 A ACA é responsável pela irrigação das seguintes áreas (a
rosa):
o Face interna dos lobos frontal
o Face inferior/orbitária do lobo frontal
o Corpo caloso
o Circunvolução do corpo caloso
o Face interna do lobo parietal até ao lóbulo quadrilátero
o Porção mais superior da face súpero-externa (convexa)
do hemisfério cerebral

230
 O território da ACA abrange o córtex pré-frontal, a porção
interna do córtex motor (lobo frontal), e a porção interna do
córtex somatoestésico (lobo parietal)
 Assim, uma obstrução da ACA pode afectar as seguintes
áreas funcionais do córtex:
o Área Motora Primária – hemiparesia ou mesmo
hemiplegia do membro inferior contralateral.
Espasticidade leve
o Área Motora Secundária (Pré-motora) – espasticidade
marcada, dificuldade em realizar movimentos finos,
alguma hemiplegia.
o Área Pré-Frontal - perda das capacidades de julgamento e
iniciativa, alterações emocionais (euforia), perda da
espontaneidade, com diminuição da fluência do discurso e
inactividade motora (apatia, acinesia, abulia), negligência
das actividades diárias essenciais, mudança de
personalidade, desinibição social, impulsividade,
esquizofrenia.
o Área Somatoestésica Primária – perda da sensibilidade
discriminativa e proprioceptiva do membro inferior
contralateral (as sensibilidades térmico-álgica e luminosa
permanecem inalteradas)
o Área Somatoestésica de Associação – astereognosia e
atopognosia contralaterais

RAMOS CORTICAIS DA ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA (ACM)


 A ACM é um ramo terminal da carótida interna
com origem atrás da ACA
 É o vaso de maior calibre das artérias cerebrais
 Dirige-se para fora, para entrar no Rego de
Sylvius, entre o lobo temporal e o lobo da
ínsula
 O trajecto dos ramos da ACM na região da
ínsula é de grande importância na interpretação
de angiografias cerebrais. Na região da ínsula, M2
5 a 8 ramos da ACM estão localizados no que
se chama o Triângulo de Sylvian. M1
 O Triângulo de Sylvian apresenta os seguintes
limites:
o O ponto de Sylvian (vértice) é estabelecido
angiograficamente pelo ramo mais posterior
da ACM que emerge do Rego de Sylvius
o O bordo inferior é formado pelos ramos
mais inferiores da ACM
o O bordo superior é formado por ramos da
ACM que mudaram a sua direcção
 A ACM divide-se em 2 segmentos:
o Segmento M1 – porção horizontal da ACM
o Segmento M2 – porção insular, dentro do Rego de Sylvius

231
 Relativamente aos ramos corticais, estes provêm
dos seguintes ramos da ACM:
o Artéria Frontobasal/Órbitofrontal Externa –
anastomosa-se com a artéria órbitofrontal
interna (ACA)
o Artéria Pré-Frontal – irriga o córtex pré-
frontal
o Artéria Pré-Rolândica ou Pré-Central
o Artéria Rolândica ou Central
o Artéria Parietal Anterior ou Pós-Rolândica
o Artéria Parietal Posterior – irriga o córtex
somatoestésico de associação
o Ramos Temporais (Polar, Anterior, Médio e
Posterior) – anastomosam-se com os ramos temporais da artéria cerebral posterior
o Artéria da Circunvolução Angular – é o ramo terminal da ACM e destina-se à circunvolução angular
 As artérias Pré-Rolândica, Rolândica e Pós-Rolândica são responsáveis pela irrigação do córtex sensório-motor

Irrigação da Artéria Cerebral Média e Correlações Clínicas


 A ACM é responsável pela irrigação das seguintes áreas (a verde):
o Porção externa da Circunvolução Orbitária
o Circunvoluções frontais média e inferior
o Circunvoluções frontal e parietal ascendentes
o 1ª e 2ª circunvoluções parietais
o 1ª e 2ª circunvoluções temporais
o Pólo Temporal
o Córtex da Ínsula
 O território da ACM abrange as áreas motora e pré-motora, a área
somatoestésica primária, córtex de associação (área pré-frontal,
área temporal anterior e área parietal posterior), as área de
projecção auditiva (primária e secundária), entre outros.
 Assim, uma obstrução da ACM pode afectar as seguintes áreas
funcionais do córtex:
o Área Motora Primária – hemiparesia ou mesmo hemiplegia do
membro superior e hemiface contralaterais. Espasticidade leve
o Área Motora Secundária (Pré-motora) – espasticidade
marcada, dificuldade em realizar movimentos finos, alguma
hemiplegia.
o Área Pré-Frontal - perda das capacidades de julgamento e
iniciativa, alterações emocionais (euforia), perda da
espontaneidade, com diminuição da fluência do discurso e
inactividade motora (apatia, acinesia, abulia), negligência das
actividades diárias essenciais, mudança de personalidade,
desinibição social, impulsividade, esquizofrenia.
o Área de Broca – afasia expressiva de Broca (afasia não fluente)
o Área Somatoestésica Primária – perda da sensibilidade
discriminativa e proprioceptiva do membro superior e hemiface
contralaterais (as sensibilidades térmico-álgica e luminosa
permanecem inalteradas)
o Área Somatoestésica de Associação – astereognosia e
atopognosia contralaterais
o Área Auditiva Primária – surdez parcial (oclusão unilateral da
ACM) ou surdez total (oclusão bilateral da ACM)

232
o Área Auditiva Secundária – agnosia verbal acústica (perda da capacidade de reconhecer e interpretar sons)
o Área de Wernicke – alexia, agrafia e afasia de Wernicke (afasia fluente: o discurso é fluente mas existe uma
incompreensão total do discurso falado).

RAMOS CORTICAIS DA ARTÉRIA CEREBRAL POSTERIOR (ACP)


 A ACP é formada pela bifurcação da artéria
basilar
 Desde a sua origem na fossa interpeduncular,
dirige-se para fora, recebe a anastomose da
artéria comunicante posterior e depois dirige-se
para trás contornando os pedúnculos cerebrais
(mesencéfalo)
 A ACP adquire inicialmente um trajecto
infratentorial (por baixo da tenda do cerebelo) e
depois torna-se supratentorial, dirigindo-se para
as faces interna e inferior dos lobos temporal e
occipital.
 A ACP tem 4 segmentos:
o Segmento P1 – porção da artéria desde a sua
origem até à anastomose da artéria
comunicante posterior
o Segmento P2 – porção entre a artéria
comunicante posterior e os ramos temporais
anteriores
o Segmento P3 – até à emergência da artéria
occipital externa (ramo temporal posterior)
o Segmento P4 – corresponde à artéria
occipital interna
 Relativamente aos ramos corticais, estes
provêm dos seguintes ramos da ACP:
o Ramo Temporal Anterior - irriga a face
inferior do lobo temporal e anastomosa-se
com os ramos temporais anteriores da
ACM
o Ramo Temporal Posterior (artéria occipital
externa) - irriga os lóbulos fusiforme e
lingual
o Artéria Dorsal do Corpo Caloso – anastomosa-se com a artéria pericalosa (ACA)
o Artéria Occipital Interna – divide-se numa artéria parieto-occipital e numa artéria calcarina. Esta última irriga o
córtex visual.

Irrigação da Artéria Cerebral Média e Correlações Clínicas


 A ACP é responsável pela irrigação das seguintes áreas (a azul):
o Porções da circunvolução temporal inferior
o Face inferior do lobo temporal, excepto o pólo temporal
o Face interna e inferior do lobo occipital, incluindo o pólo occipital

233
o Porções do lobo parietal superior
o Tronco cerebral (mesencéfalo) – ver mais a frente
o Plexos Coroideus do III ventrículo e ventrículos
laterais
 O território da ACP abrange as áreas visuais primária e
secundária
 Assim, uma obstrução da ACM pode afectar as seguintes
áreas funcionais do córtex:
o Área Visual Primária – hemianopsia homónima
contralateral
o Área Visual Secundária – agnosia visual.

Artérias Centrais ou dos Núcleos Basais


 Nascem das porções proximais das grandes artérias cerebrais e das artérias comunicantes
 Irrigam o diencéfalo, gânglios da base e cápsula interna
 Distinguimos 3 grupos principais, que compõem um total de 5 grupos de artérias.

ARTÉRIAS ÂNTERO-INTERNAS
 Origem nas artérias cerebrais anteriores e na artéria comunicante
anterior. Alguns ramos provêm da porção terminal da carótida
interna
 Penetram na porção mais interna da substância perfurada anterior
 Irrigam o hipotálamo anterior (incluindo a área pré-óptica e supra-
óptica) e a extremidade anterior do corpo estriado

ARTÉRIAS ÂNTERO-EXTERNAS OU ESTRIADAS


 Origem nas porções proximais da ACM e, menos comumente, da ACA.
 Penetram na substância perfurada anterior (artérias mais internas)
 Irrigam os gânglios da base e a cápsula interna
 Destas artérias destacam-se:
o Artérias Lenticuloestriadas – derivadas da ACM.
Irrigam o striatum, excepto porções mais posteriores do
putamen e cauda do núcleo caudado; porção externa do
globus pallidus, e braço anterior e porções dorsais do
braço posterior da cápsula interna.
o Artéria Estriada Interna (de Heubner) – derivada da
ACA, irriga a porção ântero-interna da cabeça do
núcleo caudado e as porções adjacentes do putamen e
da cápsula interna.

234
ARTÉRIAS MÉDIAS
 São finas arteríolas que nascem da artéria comunicante posterior
 Distribuem-se pelo pavimento do III ventrículo, quiasma óptico, tuber
cinereum, corpos mamilares, nos tractos ópticos ena parte ínfero-interna do 1/3
anterior do tálamo.

ARTÉRIAS PÓSTERO-INTERNAS
 Origem na porção proximal da ACP, nas artérias comunicantes posteriores e
nalguns ramos da carótida interna.
 Penetram na substância perfurada posterior
 Distinguem-se 2 grupos:
o Grupo Anterior – irriga a hipófise,
o infundíbulo e a região tuberal do
hipotálamo. Deste grupo fazem
parte as artérias talamoperfurantes
(provenientes da artéria
comunicante posterior), que se
distribuem pela porção ântero-
interna do tálamo
o Grupo Posterior – irriga a região
mamilar do hipotálamo, o
subtálamo, o núcleo interno do
tálamo e a região interna do
mesencéfalo (tegmentum e
pedúnculo cerebral)

ARTÉRIAS PÓSTERO-EXTERNAS
 Origem na ACP, a partir do segmento P2 (inclusive)
 Deste grupo destacam-se as artérias talamogeniculadas (ramos colaterais da ACP)
 Irrigam os 2/3 posteriores da face inferior do tálamo (corpos geniculados, pulvinar e núcleos ventrais)
 A oclusão destas artérias resulta no Síndrome Talâmico de Dejerine e Roussy – inclui vários níveis de perda motora
e sensitiva, dor e hiperpatia (percepção excessiva da dor por estimulações mínimas – dor exacerbada pelo frio ou
beliscões) na face contralateral, corpo ou extremidades.

Artérias Coroideias
 3 artérias:
o Artéria coroideia anterior,
o Artéria coroideia póstero-externa
o Artéria coroideia póstero-interna

ARTÉRIA COROIDEIA ANTERIOR


 Ramo terminal da Carótida Interna, embora às vezes possa surgir como colateral da ACM
 Apresenta um longo trajecto subaracnoideu
 Desde a sua origem dirige-se para trás, atravessando o tracto óptico, e depois dirige-se para trás/fora e penetra na
parte anterior da fenda transversa do cérebro.
 Penetra no prolongamento/corno temporal do ventrículo lateral, através da fissura coroideia - estreita fenda situada
na parte interna dos ventrículos laterais, em formato de "C", entre o fórnix e o tálamo e onde o plexo coroideu se
adere. O facto de não haver tecido nervoso entre o epêndima e a pia-máter ao longo deste acidente anatômico torna-o
uma importante via no acesso aos ventrículos e cisternas cerebrais (ver imagem no fim da página).

235
 A artéria entra na fissura coroideia num ponto que é identificado radiologicamente como o ponto coroideu.
 No ventrículo lateral, a artéria prolonga-se até à proximidade do buraco de Monro
 Irriga as seguintes estruturas (amarelo):
o Plexo coroideu do ventrículo lateral homolateral
o Paredes do ventrículo lateral homolateral
o Tálamo (porção ântero-externa), incluindo os
corpos geniculados externos
o Porção posterior do putamen e porções do
globus pallidus
o Porção anterior da cauda do núcleo caudado
o Porção ântero-interna do braço posterior e
porção retrolenticular da cápsula interna
o Formação hipocâmpica
o Porções do complexo nuclear amigdaloide
o Porção interna dos Pedúnculos Cerebrais do Mesencéfalo
 A artéria coroideia anterior é considerada um vaso muito susceptível de sofrer trombose devido ao seu longo trajecto
subaracnoideu e ao seu pequeno calibre

ARTÉRIA COROIDEIA PÓSTERO-INTERNA


 Ramo colateral da porção proximal da ACP
 Contorna por fora os pedúnculos cerebrais
 Entra na fenda transversa do cérebro, dirigindo-se
para cima para o plexo coroideu do III ventrículo
 Fornece ramos para o tectum, plexo coroideu do
III ventrículo e para as faces superior e interna do
tálamo

ARTÉRIA COROIDEIA PÓSTERO-EXTERNA


 Ramo colateral da ACP
 Desde a sua origem dirige-se para fora para entrar
na fissura coroideia
 Irriga o plexo coroideu do ventrículo lateral homolateral
 Alguns ramos anastomosam-se com ramos da artéria coroideia
anterior

236
Vascularização por Estruturas

“Sum-up” dos Ramos das Artérias Cerebrais


ARTÉRIAS CEREBRAIS
Anterior Média Posterior

- Artéria Estriada Interna (Recorrente de - Artérias Lenticuloestriadas - Artéria Coroideia Póstero-Interna


Heubner) - Artéria Frontobasal/ Órbitofrontal Externa - Artérias Talamogeniculadas
- Artéria Frontobasal/ Órbitofrontal - Artéria Pré-Frontal - Artéria Coroideia Póstero-Externa
Interna - Artéria Pré-Rolândica ou Pré-Central - Ramos Temporais (anterior e
- Artéria Frontopolar - Artéria Rolândica ou Central posterior/artéria occipital externa)
- Artéria Calosomarginal - Artéria Pós-Rolândica ou Parietal Anterior - Artéria Dorsal do Corpo Caloso
- Artéria Pericalosa (T) - Artéria Parietal Posterior - Artéria Occipital Interna (T)
- Ramos Temporais (Polar, Anterior, Médio e
Posterior)
- Artéria da Circunvolução Angular (T)

SISTEMA VERTEBRO-BASILAR

 A ARTÉRIA VERTEBRAL é um dos ramos colaterais pré-escalénicos da artéria subclávia.


 Desde a sua origem, a artéria dirige-se para cima, atravessa o buraco intervertebral/de conjugação entre C7 e C6
 Ascende pelos os buracos transversos das apófises transversas de C6 a C1.
 Ao alcançar o buraco transverso do áxis, a artéria dirige-se ao buraco transverso do atlas, descrevendo uma curva
com concavidade interna.
 Após atravessar o buraco transverso nas massas laterais do atlas, a artéria vertebral forma uma segunda curva com
concavidade para a frente.
 No decorrer da segunda curva, a artéria perfura o ligamento occipito-atlantoideu posterior.
 Depois a artéria entra no andar posterior do crânio pelo foramen magnum, perfura a dura-máter e a aracnóideia para
se colocar no espaço subaracnoideu

237
 Dentro do crânio, a artéria vertebral dirige-se para
cima/frente, relacionando-se ao longo deste trajecto com a
porção ântero-externa do bulbo raquidiano.
 Quando alcança o sulco bulboprotuberancial, a artéria
vertebral une-se com a sua homóloga para formar a artéria
basilar
 A ARTÉRIA BASILAR está situada no sulco basilar da
protuberância (atrás) e também no sulco basilar do osso
occipital (à frente).

 Sobe ao longo da linha média, dirigindo-se para a frente/cima até à extremidade superior da protuberância, onde se
bifurca nas duas artérias cerebrais posteriores, que contribuem para a formação do Polígono de Willis.

Ramos Colaterais da Artéria Vertebral


 Durante o seu trajecto cervical, a artéria vertebral origina os seguintes ramos:
o Artérias Musculares – vascularizam os músculos escalenos anteriores
o Artérias Espinhais – atravessam os buracos intervertebrais/de conjugação e vascularizam a medula espinhal
 No seu trajecto intracraniano, a artéria
vertebral fornece os seguintes colaterais:
o Ramos Meníngeo Anterior e Posterior –
vascularizam o osso e a dura-máter do
andar posterior do crânio
o Artéria Cerebelar Póstero-Inferior (PICA)
– o maior ramo colateral da artéria
vertebral, percorre o espaço entre o bulbo e
o cerebelo. Irriga a porção inferior do
cerebelo, os núcleos intracerebelosos, o
bulbo e o plexo coroideu do IV ventrículo.
o Ramos Bulbares – pequenos ramos que se
distribuem pelo bulbo.
o Artéria Espinhal Posterior (2) – pode
também surgir da PICA. Posiciona-se na
face posterior da medula, ao nível das
raízes posteriores da medula espinhal.
Irriga o 1/3 posterior da medula espinhal.
o Artéria Espinhal Anterior (1) – formada

238
por um ramo de cada uma das artérias vertebrais, perto da fusão destas na artéria basilar. Esta artéria desce ao
longo da face anterior do bulbo raquidiano (sulco mediano anterior) e da medula espinhal (fissura média
anterior). Irriga os 2/3 anteriores da medula espinhal.

Ramos Colaterais da Artéria Basilar


 Artéria Cerebelar Ântero-Inferior (AICA)
– dirige-se para trás/fora. Irriga a porção
anterior e inferior do cerebelo. Dá ainda
alguns ramos que suprimem a
protuberância e a porção superior do
bulbo
 Artéria Labiríntica ou Acústica Interna –
acompanha os nervos facial e vestíbulo-
coclear até ao meato do ouvido interno.
Suprime a estruturas do ouvido interno
 Artérias Protuberanciais/Pontinas – vários
pequenos vasos que penetram na
substância nervosa da protuberância
 Artéria Cerebelar Superior – origem perto
da bifurcação da artéria basilar. Contorna
os pedúnculos cerebrais, dirigindo-se para trás. Irriga a porção superior do cerebelo. Também suprime a
protuberância, a glândula pineal (epífise) e o veio medular superior.

Artérias do Rombencéfalo
 Para fins de descrição, falaremos da vascularização de cada um
dos constituintes do Rombencéfalo:
o Vascularização do Bulbo Raquidiano
o Vascularização da Protuberância
o Vascularização do Cerebelo

VASCULARIZAÇÃO DO BULBO RAQUIDIANO


 O bulbo é vascularizado pelas seguintes artérias:
o Artéria Espinhal Anterior
o Artérias Espinhais Posteriores
o PICA
o Ramos Bulbares da Artéria Vertebral

 Existe uma grande variação na extensão das áreas irrigadas


por estes vasos devido em parte à variação da origem dos
ramos contributivos da artéria espinhal anterior e à variação
do nível em que as artérias vertebrais se fundem na artéria
basilar.
 Uma ou mais artérias podem estar ausentes e as suas áreas
de irrigação são substituídas por um vaso que irrigue um
território adjacente.

239
Artéria Espinhal Anterior
 Origina vários ramos (longos e curtos) que irrigam a região paramediana do bulbo, até ao pavimento do IV
ventrículo:
o Pirâmides
o Lemnisco Medial
o Tracto Tectoespinhal
o Feixe Longitudinal Mediano
o Núcleo do Grande Hipoglosso (XII)
o Porções do Núcleo do Tracto Solitário
o Núcleo Olivar Acessório Interno
o Núcleo Arqueado
 Uma oclusão desta artéria gera uma Síndrome Bulbar
Interna de Dejerine, caracterizada pelos seguintes
sintomas:
o Hemiparesia contralateral (tractos piramidais)
o Perturbação das sensibilidades proprioceptiva e discriminativa contralaterais (lemnisco medial)
o Paralisia homolateral dos músculos da língua com desvio desta para o lado paralisado, aquando da sua protusão
(nervo hipoglosso)

Artérias Espinhais Posteriores


 Origina ramos perfurantes que irrigam as seguintes estruturas:
o Feixes de Goll e Burdach e respectivos núcleos
o Porção superior e posterior do Pedúnculo Cerebeloso Inferior
o Porções do Núcleo do Tracto Solitário
o Núcleo Dorsal do Pneumogástrico (X)
o Porções do Núcleo Espinhal do Trigémio (V)
 Existem numerosas anastomoses entre os ramos da artéria espinhal posterior e a PICA. Quando a artéria espinhal
posterior de um lado é pequena (ou não existe), o seu território é irrigado pela PICA ( nas imagens está exemplificada
esta situação).

Artéria Cerebelar Póstero-Inferior (PICA)


 Origina ramos perfurantes que irrigam a região bulbar
externa:
o Vias Espinhotalâmicas
o Núcleo Espinhal do Trigémio (V) e Tracto Espinhal
o Fibras que emergem do Núcleo Ambíguo
o Núcleo Dorsal do Pneumogástrico (X)
o Pedúnculo Cerebeloso Inferior
o Núcleos Vestibulares
o Fibras Descendentes Vegetativas (Simpáticas)
 Uma oclusão desta artéria gera uma Síndrome Bulbar Externa
de Wallenberg, caracterizada pelos seguintes sintomas:
o Disfagia e disartria devido à paralisia dos músculos
homolaterais da laringe, faringe e do véu do paladar
(núcleo ambíguo)
o Analgesia e termanestesia da hemiface homolateral
(núcleo espinhal e tracto espinhal do trigémio)
o Vertigens, náuseas, vómitos e nistagmo (núcleos vestibulares)
o Síndrome de Horner homolateral (fibras descendentes simpáticas)
o Sinais cerebelares homolaterais – ataxia da marcha (cerebelo ou pedúnculo cerebeloso inferior
o Perda da sensibilidade térmico-álgica do hemicorpo contralateral (lemnisco espinhal ou tracto espinhotalâmico)

240
Ramos Bulbares da Artéria Vertebral
 Série de ramos que penetram no bulbo e que se relacionam com as raízes dos nervos Glossofaríngeo (IX),
Pneumogástrico (X) e Espinhal (XI).
 2 tipos de ramos:
o Ramos Curtos ou Paramedianos – irrigam as mesmas estruturas que a artéria espinhal anterior
o Ramos Longos ou Laterais – irrigam a região entre o complexo olivar inferior e o pedúnculo cerebeloso inferior.
Os seus ramos podem estender-se até ao pavimento do IV ventrículo.

VASCULARIZAÇÃO DA PROTUBERÂNCIA
 A protuberância é vascularizada pelas seguintes artérias:
o Artérias Paramedianas
o Artérias Curtas Circunferenciais Artérias
o Artérias Longas Circunferenciais Pontinas

Artérias Paramedianas
 Derivam do flanco posterior da artéria basilar
 Irrigam a região pôntica média:
o Núcleos Pônticos
o Feixes Cortico-pônticos
o Feixes Cortico-espinhais
o Feixes Cortico-bulbares
 Uma oclusão destas artérias, de um dos lados, produz lesões na porção basilar da protuberância correspondente, que
resulta numa hemiparesia/hemiplegia contralateral e dano nas raízes dos nervos cranianos (facial, MOE e vestíbulo-
coclear)

Artérias Curtas Circunferenciais


 Irrigam as porções adjacentes ântero-externas da
protuberância:
o Feixes Cortico-Espinhais mais externos
o Lemnisco Medial
o Núcleos Pônticos (mais externos)
o Fibras Ponto-Cerebelosas
o Parte dos núcleos e fibras dos nervos Trigémio (V) e
Facial (VII)
 Uma oclusão destas artérias de um dos lados resulta em
distúrbios autonómicos e cerebelosos homolaterais e
alterações da sensibilidade do hemicorpo contralateral

Artérias Longas Circunferenciais


 Desde a sua origem, contornam a face anterior da protuberância, dirigindo-se para trás/fora.
 Anastomosam-se com ramos das Artérias Cerebelosa Ântero-Inferior (AICA) e Cerebelosa Superior
 As artérias que se anastomosam com a AICA irrigam a porção posterior do tegmentum da protuberância
 As artérias que se anastomosam com a artéria cerebelosa superior, irrigam as seguintes estruturas:
o Núcleos dos nervos MOE e Vestíbulo-Coclear
o Núcleo Espinhal do Trigémio (V)
o Feixe Longitudinal Mediano
o Lemnisco Medial
o Pedúnculo Cerebeloso Superior
o Formação Reticular

241
 Uma oclusão destas artérias e de outras artérias que
irrigam o tegmentum da protuberância, de um dos lados,
afecta os núcleos dos nervos cranianos homolaterais
(MOE, facial, vestíbulo-coclear), paresia do movimento
conjugado dos olhos (afecção do feixe longitudinal
mediano), miose pupilar (afecção das fibras vegetativas
simpáticas), ausência de reflexo fotomotor e reflexo de
Babinski bilateral.

Correlação Clínica na Protuberância


 A síndrome clínica mais relevante e comum que envolve a
protuberância é a Síndrome de Millard-Gubler
 Os sintomas resultam da afecção de várias estruturas da
protuberância, incluindo os nervos MOE e facial e os
feixes cortico-espinhais
 Assim, esta síndrome caracteriza-se pelos seguintes sintomas:
o Estrabismo convergente e diplopia (nervo MOE)
o Paralisia periférica flácida dos músculos da mímica da hemiface homolateral e perda do reflexo da córnea (nervo
facial)
o Hemiparesia ou hemiplegia do hemicorpo contralateral, principalmente das extremidades (feixes cortico-
espinhais)
 Estamos então perante uma hemiplegia alterna ou cruzada, isto porque a paralisia dos músculos da face é
homolateral ao local da lesão enquanto a hemiplegia do hemicorpo abaixo do pescoço é contralateral ao local da
lesão.

VASCULARIZAÇÃO DO CEREBELO
 Cada hemisfério é irrigado por 3 artérias:
o Artéria Cerebelosa Póstero-Inferior (PICA)
o Artéria Cerebelosa Ântero-Inferior (AICA)
o Artéria Cerebelosa Superior
 As artérias cerebelosas anastomosam-se entre si na superfície do
cerebelo, na espessura do pia-máter, formando uma rede arterial.

Artéria Cerebelosa Póstero-Inferior (PICA)


 Origem na Artéria Vertebral
 Desde a sua origem, percorre o espaço entre o bulbo e
o cerebelo, contornando a face externa do bulbo
raquidiano.
 Ao alcançar a face inferior do cerebelo divide-se em 2
ramos:
o Ramo Interno – dá um ramo para o plexo coroideu
do IV ventrículo e outro para o vérmis inferior
o Ramo externo – dirige-se para a amígdala
 A PICA irriga as seguintes estruturas:
o Porção inferior do cerebelo, nomeadamente a face
ínfero-externa do hemisfério cerebeloso (amígdala)
e o vérmis inferior (úvula e nódulo)
o Núcleos intracerebelosos (ramos perfurantes),
o Bulbo Raquidiano
o Plexo coroideu do IV ventrículo.
 A oclusão da PICA gera a Síndrome Bulbar Externa (ver vascularização do bulbo)

242
Artéria Cerebelosa Ântero-Inferior (AICA)
 Origem na Artéria Basilar
 Dirige-se para fora/trás, contornando a face
externa da extremidade inferior da
protuberância
 Atinge o ângulo ponto-cerebeloso, onde se
relaciona com os nervos facial (VII) e
vestíbulo-coclear (VIII).
 Atinge o cerebelo, passa por cima do
flóculo e termina na porção anterior e
inferior do cerebelo.
 A AICA irriga as seguintes estruturas:
o Pirâmide e Tuberosidade (vérmis
inferior)
o Flóculo e porções da face inferior do
hemisfério cerebeloso
o Porções do núcleo dentado e da substância branca adjacente (ramos perfurantes)
o Plexo coroideu do IV ventrículo (ramos curtos)
o Protuberância e porção superior do bulbo
 Correlações Clínicas:
o Os ramos desta artéria irrigam frequentemente tumores e malformações arteriovenosas no ângulo ponto-
cerebeloso
o A artéria labiríntica/ auditiva interna muito frequentemente nasce da AICA. Assim, uma oclusão da AICA produz
náuseas, vómitos, surdez, paralisia facial e distúrbios cerebelosos homolaterais.

Artéria Cerebelosa Superior


 Origem na Artéria Basilar perto da sua bifurcação.
 Contorna os pedúnculos cerebrais, perto da junção ponto-mesencefálica dirigindo-se para trás.
 Neste trajecto, passa por baixo do nervo MOC (III) e por cima dos nervos troclear (IV) e trigémio (V).
 Na sua porção inicial a artéria é
supratentorial, atravessando depois a tenda
do cerebelo, tornando-se infratentorial.
 Termina atingindo a face superior do
cerebelo.
 Fornece 3 tipos de ramos:
o Ramos Pré-Cerebelosos – irrigam os
tubérculos quadrigémios.
o Ramos Perfurantes – penetram nas
porções laterais do tegmentum do
mesencéfalo e pedúnculos cerebelosos
superior e médio
o Ramos Corticais (na imagem) –
provenientes de 3 ramos: ramo
vermiano superior, ramo marginal ou
da fissura horizontal, e ramos para o
hemisfério cerebelar.

243
 A artéria cerebelosa superior irriga as seguintes estruturas (a azul):
o Face Superior do Cerebelo (vérmis superior e hemisférios cerebelosos)
o Núcleos Intracerebelosos
o Pedúnculos Cerebelosos Superior e Médio
o Veio Medular Superior
o Porção superior do plexo coroideu do IV ventrículo
o Glândula Pineal
o Tegmentum do Mesencéfalo
o Tegmentum da Protuberância

Artérias do Mesencéfalo
 O Mesencéfalo é irrigado por ramos das seguintes artérias:
o Artéria Cerebral Posterior
o Artéria Cerebelosa Superior
o Artéria Coroideia Anterior
o Artéria Comunicante Posterior
 Os ramos provenientes destas artérias encontram-se agrupados em 3 grupos:
o Artérias
o Artérias Curtas Circunferenciais
o Artérias Longas Circunferenciais

Artérias Paramedianas
 Origem nos ramos das artérias cerebral posterior e
coroideia anterior
 Formam um plexo na fossa interpeduncular
 Penetram no tronco cerebral através da substância
perfurada posterior
 Irrigam as seguintes estruturas:
o Complexo nuclear do nervo MOC
o Feixe Longitudinal Mediano
o Núcleo Rubro
o Porção interna da substância Nigra e dos Pedúnculos Cerebrais

Artérias Curtas Circunferenciais


 Origem no plexo interpeduncular e nas artérias cerebral
posterior, comunicante posterior e cerebelosa superior.
 Irrigam as seguintes estruturas:
o Porções centrais e externas dos Pedúnculos
Cerebrais
o Substância Nigra
o Porções externas do tegmentum do Mesencéfalo

Artérias Longas Circunferenciais


 Provenientes de ramos da Artéria Cerebral Posterior
 Destas artérias destaca-se a Artéria Quadrigeminal ou Colicular, que irriga os tubérculos quadrigémios
 Irrigam as seguintes estruturas:
o Tubérculos Quadrigémios
o Substância Cinzenta Periaquedutal
o Núcleo Mesencefálico do Trigémio (V)

244
Correlações Clínicas no Mesencéfalo
 Síndroma de Weber – geralmente devida a uma oclusão de um ramo da ACP que
suprime o mesencéfalo. Esta oclusão gera necrose do tecido em torno do nervo
MOC e dos Pedúnculos Cerebrais. Assim, esta síndrome caracteriza-se pelos
seguintes sintomas:
o Oftalmoplegia homolateral: estrabismo convergente por paralisia do músculo
recto interno; ptose da pálpebra superior; midríase; e ausência de reflexo
fotomotor e de acomodação.
o Paralisia do quadrante inferior contralateral da face
o Paralisia dos músculos da língua contralaterais
o Paralisia dos músculos da perna e braço contralaterais
 Síndroma de Benedikt – síndroma semelhante ao anterior, mas a necrose envolve
o lemnisco interno e o núcleo rubro, produzindo uma hemianestesia do hemicorpo
contralateral e movimentos involuntários dos membros contralaterais.

245
VASCULARIZAÇÃO VENOSA DO ENCÉFALO

 As veias do encéfalo, de um modo geral, não acompanham as artérias, sendo as primeiras de maior calibre
 De uma forma geral, as veias do encéfalo drenam para os seios da dura-máter, de onde o sangue converge para as
veias jugulares internas.
 Assim, as veias jugulares interna recebem praticamente todo o sangue venoso encefálico.
 Principais características das veias do encéfalo:
o As paredes das veias são muito finas e praticamente desprovidas de tecido muscular, ou seja, de camada média.
o Não apresentam válvulas
o No geral, o seu trajecto é independente do das artérias (ou seja, as veias não correm paralelamente às artérias)
o Anastomosam-se amplamente entre si
 As veias do encéfalo emergem do encéfalo e dispõem-se ao longo do espaço subaracnoideu.
 Ao drenarem para os seios da dura-máter, as veias penetram a aracnóideia e a dura-máter até alcançarem o
respectivo seio venoso.

REVISÃO DOS SEIOS DA DURA-MÁTER


 Os seios da dura-máter são estruturas venosas com
parede tensa, que recebem o sangue proveniente das
veias do encéfalo, das órbitas e da calvária, e o
conduzem em seguida para as duas veias jugulares
internas.
 São ductos venosos que se encontram na espessura da
dura-máter
 Têm uma forma prismática ou cilíndrica, sendo a sua
parede constituída por 2 túnicas: camada interna formada por endotélio; e camada externa formada pela dura-máter.
 São estruturas avalvulares, permitindo que a circulação venosa se faça indiferentemente, mas sempre no sentido dos
seios de maior pressão para os de menor pressão.
 Em alguns pontos (principalmente no seio sagital superior), os seios apresentam saculações – lacunas laterais. Estas
são cavidades areolares situadas na espessura da dura-máter, regulando a circulação venosa do encéfalo.
 As lacunas laterais apresentam as granulações aracnóideias, locais onde ocorre a reabsorção de líquor para o sistema
venoso.
 Os seios venosos recebem o sangue das veias do encéfalo. Imediatamente antes da sua desembocadura nos seios da
dura-máter, as veias deixam o espaço
subaracnoideu e projectam-se, por uma curta
distância, no espaço subdural. Este trajecto curto
das veias é chamado de veias em ponte.
 As veias em ponte têm importância clínica porque
podem-se romper, em caso de traumatismo
cranioencefálico, e causar hematomas subdurais
(ver meninges e cisternas).
 Além do sangue das veias do encéfalo, os seios
recebem também as veias meníngeas e as veias
diploicas (proveniente do díploe dos ossos do
crânio)
 Os seios da dura-máter ligam-se também às veias
extracranianas através de pequenas veias
emissárias que passam através de pequenos
forames no crânio. Destas veias destacam-se as
veias emissárias parietais (2), mastoideias (2),
condilares (2) e occipital (1).
 Os seios da dura-máter distribuem-se em 2 grupos:
246
Grupo Superior ou da Calvária Craniana Grupo Inferior ou da Base Craniana
Seios Cavernosos
Seio Sagital Superior
Seios Intercavernosos Anterior e Posterior
Seio Sagital Inferior
Seios Esfeno-parietais (Breschet)
Seio Recto
Seios Petro-Escamosos (English)
Seios Occipitais
Seio Occipital Transverso
Seios Transversos
Seios Petrosos Superiores
Seios Sigmoideus
Seios Petrosos Inferiores

Grupo Superior ou da Calvária Craniana


 Conjunto de seios que confluem directa ou indirectamente para a confluência de seios (Herófilo), que se encontra
situada logo à frente da protuberância occipital interna

Seio Sagital Superior


 Seio ímpar e mediano
 Ocupa a margem convexa da foice do cérebro
 Origina-se na veia do forame cego (Sperino), ao nível da crista galli, estendendo-se desde esta veia até à confluência
de seios (Herófilo)
 No decurso do seu trajecto recebe as veias cerebrais superficiais súpero-externas e súpero-internas dos hemisférios
cerebrais, as veias meníngeas médias e veias diploicas
 Existem duas importantes veias anastomóticas relacionadas com o seio sagital superior:
o Veia Anastomótica Superior de Trolard – estende-se desde o seio sagital superior à veia cerebral superficial
média (ver mais à frente)
o Veia Emissária Parietal de Santorini – estabelece a anastomose entre o seio sagital superior e as regiões
extracranianas através do forame parietal.

Seio Sagital Inferior


 Seio ímpar e mediano
 Ocupa a metade posterior do bordo inferior da foice do cérebro
 Termina na extremidade anterior do seio recto
 Durante e seu trajecto recebe as veias do corpo caloso, veias da circunvolução do corpo caloso e veias da foice do
cérebro

247
Seio Recto
 Seio ímpar e mediano
 Situado na base da foice do cérebro, na continuação do seio sagital inferior.
 Termina na confluência dos seios (Herófilo)
 Durante o seu trajecto recebe a veia cerebral magna (Galeno), veias Basilares de Rosenthal e veia Cerebelosa
Superior

Seios Occipitais
 Seios pares, pouco desenvolvidos
 Estendem-se desde a confluência dos seios até ao forâmen magnum, onde se anastomosam com o seio transverso
 Constituídos por duas porções:
o Anterior – horizontal, com início no buraco lácero posterior (forame jugular), contorna a porção póstero-externa
do forâmen magnum
o Mediana – continua-se ao nível da foice do cerebelo, em relação com a crista occipital interna, mantendo-se os
dois seios separados ou fundidos. Terminam na confluência dos seios
 Durante o seu trajecto recebem veias diploicas, veias meníngeas (posteriores) e veias cerebelosas.

Seios Transversos/Laterais e Sigmoideus


 O seio transverso é um seio par, estende-se desde a confluência dos seios até alcançar a base do rochedo, onde se
une com o seio sigmoideu. Percorre o sulco do seio transverso do occipital.
 O seio sigmoideu é um seio par, constituído por 2 segmentos:
o Segmento Mastoideu – com obliquidade para a frente/dentro, apresentando na face endocraniana da apófise
mastoideia um sulco onde se encontra o seio sigmoideu
o Segmento Jugular – oblíquo para a frente/cima/dentro, relaciona-se com a face interna da parte lateral do
occipital. Alcança o buraco lácero posterior, onde se inicia a veia jugular interna
 Os seios transversos e sigmoideus recebem durante o seu trajecto as veias cerebrais superficiais póstero-inferiores, as
veias cerebelosas posteriores, o seio petroso superior (só o seio sigmoideu), as veias do aqueduto do vestíbulo e a
veia anastomótica inferior de Labbé (só o seio
sigmoideu).
 O seio sigmoideu estabelece uma importante
anastomose com as veias occipitais e as veias da nuca,
por intermédio da veia emissária mastoideia.

248
Grupo Inferior ou da Base Craniana
 Este grupo tem como centro os seios cavernosos, onde chegam seios aferentes e de onde partem seios eferentes.

Seios Cavernosos
 Seios pares, simétricos e volumosos, alongados da frente para trás
 Situados de cada lado da sela turca (esfenóide).
 Estendem-se da parte mais larga da fenda esfeno-maxilar (à frente) até ao vértice do rochedo (atrás)
 Cada seio apresenta no seu interior, a artéria carótida interna, o plexo simpático pericarotídeo e o nervo MOE (VI)
 Na parede externa do seio encontram-se, de
cima para baixo:
o Nervo MOC (III)
o Nervo Troclear (IV)
o Nervo Oftálmico (V1)
o Nervo Maxilar Superior (V2)
 O gânglio de Gasser/Trigeminal, através do
seu bordo interno, apresenta também
relações com o seio cavernoso.
 O seio cavernoso recebe a veia oftálmica,
que resulta da união das veias oftálmicas superior e inferior. Alternativamente pode receber individualmente cada
uma das veias. O seio cavernoso também recebe a veia anastomótica superior de Trolárd
 As principais eferências do seio cavernoso são os seios petrosos superiores e inferiores.

Seios Intercavernosos Anterior e Posterior


 Situados à frente e atrás da sela turca
 O seio intercavernoso anterior relaciona-se com o sulco do quiasma óptico
 O seio intercavernoso posterior relaciona-se com o bordo superior da lâmina quadrilátera do esfenóide
 Os dois seios vão abrir-se nos seios cavernosos

Seios Esfeno-Parietais (Breschet)


 Seios pares
 Originam-se no seio sagital superior, dirigem-se até ao bordo posterior da pequena asa do esfenóide, onde terminam
nos seios cavernosos
 Durante o seu trajecto, recebem veias diploicas, veias meníngeas e veias cerebrais superficiais.

249
Seio Occipital Transverso ou Plexo Basilar
 Seio ímpar e mediano
 Situado na lâmina quadrilátera do esfenóide e na goteira basilar (lâmina quadrilátera + goteira basilar = ladeira de
Blumenbach)
 Estabelece anastomose entre os seios cavernosos e a origem dos seios petrosos superior e inferior
 Constituído por 2 porções:
o Plexo de Littré – porção transversa e sinuosa
o Plexo Basilar (Virchow) – porção posterior e plexiforme

Seios Petrosos Superiores


 Seios pares
 Originam-se no seio cavernoso/seio occipital transverso
 Terminam no seio sigmoideu, depois de percorrerem o
bordo superior da parte petrosa do rochedo
 Durante o seu trajecto recebem as veias cerebrais
superficiais médias, as veias pônticas, a veia labiríntica e
a veia anastomótica superior de Trolárd.

Seios Petrosos Inferiores


 Seios pares
 Originam-se no seio cavernoso ou no seio occipital
transverso
 Cada seio situa-se numa goteira ao nível da sutura petro-
occipital, com direcção para trás/fora
 Atravessam verticalmente o buraco lácero posterior, terminando no bulbo superior da veia jugular interna
 Durante o seu trajecto, recebem veias cerebelosas, veias pônticas, veias bulbares e a veia labiríntica.

Seios Petro-Escamosos (English)


 Seios pares, inconstantes
 Percorrem a fissura petro-escamosa (união das porções petrosa e escamosa do occipital)
 Cada seio abre-se no seio transverso respectivo.

250
VEIAS DO PROSENCÉFALO
 Podemos dividir as veias do encéfalo em 3 grupos:
o Veias Cerebrais Superficiais – drenam o sangue do córtex cerebral (veias corticais) e da substância branca
subcortical (veias medulares/longas).
o Veias Cerebrais Profundas – drenam o sangue dos plexos coroideus, regiões paraventriculares, diencéfalo,
gânglios da base e substância branca profunda.
o Veias Cerebrais da Base – é um sistema de veias individualizado na base do encéfalo, que drena o sangue, tanto
de regiões superficiais como de regiões profundas do prosencéfalo.
 Todas as veias do encéfalo drenam no final para os seios da dura-máter.
 As veias cerebrais profundas estabelecem comunicação com as veias cerebrais superficiais através de vários canais
anastomóticos.

Veias Cerebrais Superficiais


 Deste grupo destacamos as seguintes veias:
o Veias Cerebrais Superiores ou Ascendentes
o Veias Cerebrais Inferiores ou Descendentes
o Veia Cerebral Média Superficial

Veias Cerebrais Superiores ou Ascendentes


 Recebem o sangue venoso da porção superior da face súpero-
externa, da face interna e do pólo frontal do encéfalo.
 Dividem-se em 4 sistemas:
o Sistema Frontal – 2 a 8 pequenas veias
o Sistema Central – veias medianas e grossas
o Sistema Parieto-Occipital – o mais importante
o Sistema Occipital – 1 a 2 pequenas veias
 Todas estas veias drenam para o seio longitudinal superior.
 As veias do sistema central podem também anastomosar-se com a veia cerebral média superficial, com o seio
esfenoparietal ou com o seio cavernoso (este último através da veia anastomótica superior de Trolard).
 Algumas veias da face interna drenam para o seio longitudinal inferior.

Veias Cerebrais Inferiores ou Descendentes


 Recebem o sangue da porção inferior do encéfalo, nomeadamente
do córtex do lobo occipital e de uma porção do lobo temporal.
 As veias da face súpero-externa drenam para os seios transversos
(principalmente), esfenoparietais, cavernosos e petrosos
superiores.
 As veias da face interna dirigem-se para o seio longitudinal
inferior e para a veia cerebral magna.
 As veias da face inferior drenam no seio longitudinal superior
(veias mais anteriores), nos seios transversos e petrosos superiores
(veias mais posteriores) e nas veias basais (veias mais internas).

251
Veia Cerebral Média Superficial
 Recebe o sangue de pequenas veias ao longo da porção média da face súpero-externa, nas imediações do Rego de
Sylvius
 Percorre o Rego de Sylvius, dirigindo-se para a
frente/baixo
 Drena no seio cavernoso ou no seio esfeno-parietal
respectivo.
 A veia cerebral superficial média está relacionada
com duas veias anastomóticas importantes:
o Veia Anastomótica Superior de Trolard –
comunica a veia cerebral superficial média com o
seio longitudinal superior
o Veia Anastomótica Inferior de Labbé – comunica
a veia cerebral superficial média com o seio
transverso respectivo.

Outras veias superficiais


 Veias da superfície tentorial do hemisfério (tenda do cerebelo) – drenam para os seios transversos e petrosos
superiores.
 Veias do lobo temporal anterior e da região interpeduncular – drenam para os seios cavernosos e esfeno-parietais
 Veias da região orbitária – veias acessórias às veias oftálmicas. Drenam para os seios longitudinais superior e
inferior.

Veias Cerebrais Profundas


 Deste grupo de veias destaca-se as veias cerebrais
internas e os seus aferentes.
 A veia basilar e as suas dependências também podem ser
integradas neste grupo, embora a veia basilar receba
sangue quer de regiões superficiais, quer de regiões
profundas.

Veia Cerebral Interna


 São 2 troncos venosos que recolhem o sangue venoso dos
núcleos basais e das paredes ventriculares
 Veias com origem na extremidade anterior da tela
coroideia do III ventrículo, ao nível do buraco de Monro
 Resultam da união de 3 vasos:
o Veia Talamoestriada (Superior)
o Veia Anterior do Septo Pellucidum
o Veia Coroideia Superior
 Desde a sua origem, a veia dirige-se para trás,
percorrendo o espaço compreendido entre os 2 folhetos
de pia-máter da tela coroideia do III ventrículo (ou seja, a
veia está contida na Fenda de Bichat ou Fissura
Transversa do Cérebro).
 Relaciona-se em cima com o ventrículo lateral
respectivo, e em baixo com o tecto do III ventrículo.
 Ao longo do seu trajecto recebe vários aferentes:
o Veias do Tálamo
o Veias do Hipocampo
o Veias do Fórnix

252
o Veia Epitalâmica – pequena veia que drena a parte dorsal do diencéfalo. Drena para a veia cerebral interna
próxima da formação da veia cerebral magna.
o Veia Externa do Ventrículo Lateral – recolhe o sangue de pequenas veias que se originam no plexo coroideu e na
substância branca da circunvolução para-hipocâmpica, perto do corno temporal. Depois, a veia dirige-se para
dentro/cima, relacionando com a porção posterior do tálamo. Termina na veia cerebral interna, perto da união
com a veia cerebral magna.
o Veia Interna do Ventrículo Lateral – drena o sangue da substância branca nas imediações do corno occipital. Daí
dirige-se para a frente/dentro, terminando ou na veia externa do ventrículo lateral, ou directamente na veia
cerebral interna.
 As veias cerebrais internas terminam unindo-se ao nível do esplénio do corpo caloso, e contribuem para a formação
da Veia Cerebral Magna.

RAMOS DE ORIGEM DA VEIA CEREBRAL INTERNA


- Percorre o sulco talamoestriado ou opto-estriado, entre o tálamo e o núcleo caudado
Veia Talamoestriada - Tem origem na veia posterior do núcleo caudado
(Superior) - Recebe durante o seu trajecto as veias transversas do núcleo caudado e as veias estriadas
superiores e a veia anterior do núcleo caudado.
Veia Anterior do
- Drena o septo pellucidum e porções anteriores do corpo caloso
Septo Pellucidum
- Origem ao nível do corno inferior/temporal do ventrículo lateral
Veia Coroideia - Percorre o bordo externo do plexo coroideu do ventrículo lateral
Superior - Drena o sangue proveniente de porções do plexo coroideu do ventrículo lateral e das regiões
hipocâmpicas adjacentes

253
Veias Cerebrais da Base
 Drenam o sangue proveniente tanto das veias cerebrais superficiais, quanto das veias profundas
 Apresentam uma forma análoga ao círculo arterial – anel venoso da base do encéfalo
 Este anel venoso é formado principalmente por 2 troncos venosos: as veias basais de Rosenthal.

Veias Basais de Rosenthal


 Cada veia é formada pela confluência, à frente
da substância perfurada anterior e ao nível da
face interna do lobo temporal, de 2 vasos:
o Veia Cerebral Anterior – veia satélite da
artéria cerebral anterior. Drena o sangue da
superfície orbitária do lobo frontal,
porções anteriores do corpo caloso e
circunvolução do corpo caloso. Portanto, é
considerada uma veia superficial
o Veia Cerebral Média Profunda – situada
no fundo do Rego de Sylvius, ou seja,
acompanha o trajecto da veia cerebral
média superficial. Drena o sangue do lobo
da ínsula e do córtex opercular adjacente. É, portanto, uma veia superficial.
 A veia basilar dirige-se depois para trás, contornando os pedúnculos cerebrais. O tracto óptico serve como estrutura-
guia para a veia basilar.
 As veias basilares terminam ao nível da face posterior do mesencéfalo, terminando ambos na confluência venosa
posterior, que depois vai dar origem à veia cerebral magna.
 As veias cerebrais anteriores anastomosam-se
à frente do quiasma óptico, através de um
ramo transversal – ramo comunicante anterior.
 As veias basais estão também unidas por uma
veia comunicante posterior que se estende
transversalmente, por cima/frente da
protuberância – veia interpeduncular.
 As veias basais recolhem o sangue da parede
inferior do III ventrículo, da parte inferior dos
corpos estriados, da extremidade posterior do
tálamo, dos corpos geniculados e da parte
ínfero-interna do lobo temporal.
 Ao longo do seu trajecto, as veias basilares
recebem os seguintes colaterais:
o Veias Talamoestriadas Inferiores
o Veias do Hipotálamo
o Veia Coroideia Inferior - drena o plexo coroideu do corno inferior
o Veia Mesencefálica Posterior
o Veia Mesencefálica Externa
o Veia Ponto-Mesencefálica
 O conjunto de veias cerebrais anteriores +
veia comunicante anterior + veias basais +
veia comunicante posterior/interpeduncular
forma um círculo venoso na base do
cérebro, em parte sobreponível ao Polígono
de Willis.

254
Veia Cerebral Magna ou Grande Veia Cerebral de Galeno
 A veia cerebral magna é um grande tronco
venoso, situado atrás do mesencéfalo e dos
seus colículos, por baixo do esplénio do
corpo caloso e por cima do cerebelo.
 Resulta da confluência de várias veias
cerebrais:
o Veias Cerebrais Internas
o Veias Basais de Rosenthal
o Veias Occipitais Internas – drenam as
faces interna e inferior dos lobos
occipitais
o Veia Calosa Posterior – drena o sangue
do esplénio do corpo caloso e faces
internas adjacentes do cérebro.
o Veia Cerebelosa Superior (inconstante)

 A veia cerebral magna torna-se depois supratentorial, e termina no seio recto

Anastomoses entre os 3 Sistemas de Veias do Prosencéfalo

 As veias cerebrais superficiais conectam-se, por meio das anastomoses mostradas na figura em baixo, com as veias
cerebrais profundas e as veias da base.
 Nas regiões limitantes entre as 3 áreas de suprimento há a possibilidade de inversão do fluxo sanguíneo.

255
VEIAS DO TRONCO CEREBRAL
Bulbo Raquidiano
 Na região posterior do bulbo, as veias posteriores são de maior calibre que as anteriores e drenam o sangue de
regiões mais profundas.
 As veias do bulbo formam na sua superfície uma rede venosa (pia-máter) que drena para regiões diferentes,
consoante a porção do bulbo:
o Porção superior – redes venosas da protuberância e
daqui para a porção mastoideia dos seios transversos
ou para os seios petrosos superiores e inferiores.
o Porção inferior – plexos venosos vertebrais (veias
espinhais anterior e posterior).
o Porções laterais – plexos venosos do nervo hipoglosso
– veia condilar (buraco condiliano anterior)
 No bulbo podemos identificar algumas veias principais,
nomeadamente:
o Veia Ântero-Mediana do Bulbo
o Veia Póstero-Mediana do Bulbo
o Veias Transversas do Bulbo
o Veia Caudal do Pedúnculo Cerebeloso (Inferior)

Protuberância
 O sangue desta estrutura drena para uma rede venosa
pontina.
 O conteúdo desta rede drena na veia comunicante
posterior/veia interpeduncular, nas veias cerebelosas, nos
seios petrosos superior e inferior ou no seio transverso
 Na protuberância podemos destacar algumas veias
importantes:
o Veia do Recesso Lateral (Luscka) do IV ventrículo
o Veia Ântero-Mediana da Protuberância – dirige-se para
cima, dando origem à veia ponto-mesencefálica
o Veias Transversas da Protuberância
o Veia Petrosa Superior (Dandy) - geralmente situada
paralela e superiormente à raiz do trigêmeo,
desembocando no seio transverso. Esta veia drena a parte
lateral do hemisfério cerebelar e da protuberância. A veia
do recesso lateral do IV ventrículo normalmente
contribui para a formação desta veia.

Mesencéfalo
 As veias do mesencéfalo provêm de uma rede venosa arterial formada na superfície desta estrutura
 Destas veias destacamos as seguintes:
o Veia Mesencefálica Posterior – termina na veia basal de Rosenthal
o Veia Mesencefálica Externa – termina na veia basal de Rosenthal
o Veia Ponto-Mesencefálica – termina na veia comunicante posterior/veia interpeduncular
 Portanto, o sangue proveniente do mesencéfalo drena para as veias basais de Rosenthal que, por sua vez drenam para
a veia cerebral magna.

256
VEIAS DO CEREBELO
 As veias do cerebelo têm um trajecto semelhante ao das artérias.
 Podemos dividir as veias do cerebelo essencialmente em 2 grandes grupos:
o Veias Medianas Superior e Inferior – drenam a região do vérmis superior e inferior
o Veias Laterais Superiores ou Inferiores – drenam os hemisférios cerebelosos
 Em cada grupo de veias, podemos dividi-las ainda em veias anteriores e veias posteriores
 Assim distinguimos as seguintes veias:
o Veia do Vérmis Superior – drena para a veia cerebral magna
o Veia do Vérmis Inferior – drena para os seios recto e transversos
o Veias Laterais Superiores e Inferiores – drenam o sangue dos hemisférios cerebelosos e terminam nos seios
petrosos superiores ou nos seios transversos
o Veias Medianas Superiores e Inferiores – drenam o vérmis, regiões paravernianas e núcleos profundos do
cerebelo. Terminam nos seios transversos.

257
REFLEXOS VISUAIS

VIAS NÃO GENICULADAS DO TRACTO ÓPTICO

 Os reflexos visuais estão relacionados com a porção não geniculada da via óptica.
 Cerca de 10% dos axónios do nervo óptico não terminam em neurónios no corpo geniculado externo.
 As informações provenientes desta via não alcançam a consciência, mas exercem um papel importante na regulação
inconsciente de diversos processos ligados à visão, bem como nos reflexos (por exemplo, a via aferente do reflexo
fotomotor)
 Os axónios da porção não geniculada terminam nas seguintes regiões:
o Colículo Superior – transmitem informações
necessárias para a fixação de objectos em
movimento por meio de movimentos
inconscientes da cabeça e dos olhos (sistema
retino-tectal)
o Área Pré-Tectal – aferências para os
reflexos pupilares e de acomodação (sistema
retino-pré-tectal).
o Núcleo Supraquiasmático (Hipotálamo) –
influência sobre o ritmo circadiano
o Núcleos Terminais do Tracto Óptico
(Tegmentum do Mesencéfalo) Núcleos
Vestibulares – aferências para o nistagmo optocinético (movimentos fisiológicos rápidos do olho durante o olhar
para objectos em movimentos rápidos)
o Pulvinar do Tálamo – relacionado com o córtex visual de associação (por intermédio de sinapses com neurónios do
colículo superior) para a oculomotricidade.
o Núcleo Parvocelular da Formação Reticular – relacionados com a função do despertar

CLASSIFICAÇÃO DOS REFLEXOS VISUAIS

Reflexo Fotomotor
Reflexo da Acomodação e de Convergência*
Reflexos Visuais Reflexo da Córnea
propriamente ditos
Reflexo Pupilar-Epidérmico
Reflexo Vestíbulo-Ocular
“Visual Body Reflexes”
Movimentos Voluntários Movimentos Cortico-Oculo-Cefalogiros
* O reflexo de acomodação e convergência pode ser feito voluntariamente/conscientemente e quando isso acontece, deixa de ser reflexo e passa
a ser um movimento voluntário

REFLEXOS VISUAIS PROPRIAMENTE DITOS

Reflexo Fotomotor
 O reflexo fotomotor possibilita que o olho se possa adaptar a diferentes graus de luminosidade
 A incidência de luz no olho gera a contracção das pupilas dos dois olhos (protecção dos fotorreceptores na retina). Em
caso de diminuição da intensidade da luz, as pupilas dilatam.
 Esta adaptação ocorre de forma inconsciente.
 A incidência de luz gera contracção da pupila do olho no qual a luz é incidida (Reflexo Fotomotor Directo) e na pupila
do olho oposto (Reflexo Fotomotor Consensual)

258
 Ramo Aferente do Reflexo Fotomotor:
o Os primeiros 3 neurónios (1º- cones e bastonetes; 2º -
células bipolares; 3º - células ganglionares) do tracto
aferente situam-se na retina.
o Os axónios das células ganglionares formam o nervo
óptico.
o Os axónios responsáveis por este reflexo acompanham
as raízes mais internas do nervo óptico e terminam na
área pré-tectal.
o Após a formação de sinapses no núcleo pré-tectal, os
axónios dos 4º neurónios seguem até às regiões
nucleares parassimpáticas (núcleos de Eddinger-
Westphal) de ambos os lados do nervo MOC.
o As fibras que cruzam a linha média para suprir o
núcleo de Eddinger-Westphal contralateral cruzam a
linha média perto do Aqueduto de Sylvius, ao nível da
comissura branca posterior.
o A inervação dos dois lados permite o reflexo
fotomotor consensual
 Ramo Eferente do Reflexo Fotomotor:
o Os 5º neurónios, situados no núcleo de Eddinger-Westphal (neurónios parassimpáticos centrais), enviam os seus
axónios para o gânglio ciliar
o No gânglio ciliar ocorre a formação de sinapses com os 6º neurónios (neurónios parassimpáticos periféricos), cujos
axónios constituem os nervos ciliares curtos.
o Os nervos ciliares curtos continuam até ao músculo esfíncter da pupila, possibilitando a sua contracção.
 Neste reflexo avaliamos:
o Reflexo Fotomotor Directo – incidimos luz sobre um dos olhos e avaliamos a contracção da pupila desse mesmo
olho
o Reflexo Fotomotor Consensual – incidimos luz sobre um dos olhos e avaliamos a contracção da pupila do olho
contralateral
 Correlações Clínicas importantes:
o Lesão Unilateral do Nervo Óptico ou de qualquer outra Aferência – a incidência de luz no olho afectado não gera
reflexo fotomotor directo ou consensual. Por outro lado, a incidência de luz no olho não afectado gera reflexos
fotomotores directo e consensual normais.
o Lesão Unilateral do Núcleo Parassimpático (Eddinger-Westphal) ou do Gânglio Ciliar – a porção eferente do
reflexo está lesada e por isso, os reflexos fotomotores (directo e consensual) no olho afectado por essa lesão não
existem.
o Lesão da Radiação Óptica ou do Córtex Visual – os reflexos fotomotores estão intactos, uma vez que estes são
transmitidos pela porção não geniculada da via óptica.

Reflexo da Acomodação e da Convergência


 Quando um objecto se aproxima dos olhos, os eixos ópticos de ambos têm que convergir e, ao mesmo tempo, o
cristalino tem que modificar a sua curvatura, de forma a alterar o foco da visão para “visão ao perto” (acomodação do
cristalino)
 Os processos de convergência e acomodação podem ser subdivididos em 3 processos parciais:
o Convergência – os dois músculos rectos internos movimentam medialmente os eixos dos olhos, garantindo que os
raios oriundos do objecto que se aproxima sejam projectados sempre na fóvea central.
o Acomodação – o cristalino espessa/arredonda, garantindo uma imagem sempre nítida do objecto na retina. O
cristalino é mantido achatado pela tensão das fibras zonulares/lenticulares, fixadas no músculo ciliar. Quando o
músculo ciliar se contrai na acomodação, estas fibras são relaxadas e o cristalino pode ceder à sua própria tensão e
sofrer um arredondamento.
o Contracção da Pupila – para aumentar a nitidez visual, o músculo esfíncter da pupila faz miose.
259
 A convergência e a acomodação podem ocorrer conscientemente (fixação de um objecto próximo) ou
inconscientemente (fixação de um veículo que se aproxima)
 Descrição das vias do reflexo de convergência e acomodação:
o A maioria dos axónios do 3º neurónio da via óptica segue pelo
nervo óptico, por meio do corpo geniculado lateral, onde faz
sinapse com o 4º neurónio.
o Os axónios dos 4º neurónios dirigem-se até ao córtex visual
primário (B17).
o Após a formação de outras sinapses com interneurónios, os
axónios seguem finalmente para a área visual secundária (B18 e
19) e daqui para a área pré-tectal.
o Na área pré-tectal ocorre outra formação de sinapses, e os
axónios destes neurónios terminam no núcleo de Perlia
o O Núcleo de Perlia situa-se entre os dois núcleos de Eddinger-
Westphal. Neste núcleo localizam-se 2 tipos de neurónios
funcionalmente diferentes:
 Um tipo faz sinapses com o núcleo motor somático do
MOC, para o movimento de convergência. Depois, do
núcleo motor do MOC partem axónios para os músculos rectos internos.
 O outro tipo faz sinapses com os neurónios responsáveis para a acomodação e a contracção da pupila, através
dos núcleos acessórios e viscerais do MOC (ex: núcleo de Eddinger-Westphal).
o Relativamente ao último tipo de sinapses, dos núcleos acessórios do MOC sairão axónios pré-ganglionares
parassimpáticos (neurónios parassimpáticos centrais) que seguem até ao gânglio ciliar, onde fazem sinapses com os
neurónios parassimpáticos periféricos.
o Do gânglio ciliar vão também partir 2 tipos de neurónios:
 Neurónios para o músculo ciliar – acomodação do cristalino
 Neurónios para o músculo esfíncter da pupila – miose
o Nota: quando este reflexo é inconsciente (fixação de um veículo que se aproxima), normalmente não há
processamento cortical da informação, ou seja, os neurónios do corpo geniculado externo dirigem-se directamente
para os núcleos pré-tectais.
 Correlações Clínicas importantes:
o No estágio avançado da infecção por Treponema pallidum (Sífilis), o reflexo fotomotor (músculo esfíncter da
pupila) é interrompido, enquanto os reflexos de acomodação (músculo ciliar) e de convergência permanecem
intactos. Esta combinação é chamada de Pupila de Argyll-Robertson.

Reflexo da Córnea
 A estimulação da córnea (ex: tocar
levemente na córnea com uma zaragatoa)
gera a contracção do músculo orbicular dos
olhos, levando as pálpebras a fechar.
 Os impulsos aferentes da córnea viajam
através da divisão oftálmica do nervo
trigémio (V1) e dirigem-se até ao núcleo
sensitivo do trigémio, presente na
protuberância.
 Interneurónios permitem a conexão entre os
neurónios do núcleo sensitivo do trigémio e
os núcleos motores do facial de ambos os
lados. Estes interneurónios constituem tractos do feixe longitudinal medial

260
 A partir do núcleo motor do facial surgem axónios que inervam o
músculo orbicular dos olhos e vão induzir a sua contracção,
levando a pálpebra superior a fechar.
 Assim, também neste reflexo temos dois tipos:
o Reflexo Directo – a estimulação da córnea de um lado gera a
contracção do músculo orbicular do mesmo lado
o Reflexo consensual – a estimulação da córnea de um lado gera
a contracção do músculo orbicular contralateral.

Reflexo Pupilar-Epidérmico
 A estimulação dolorosa da pele (ex: beliscão) gera a midríase pupilar
 As fibras sensitivas aferentes sinapsam com os neurónios eferentes simpáticos pré-ganglionares ao nível dos cornos
laterais da medula
 A seguir, estes neurónios pré-ganglionares, através dos ramos comunicantes brancos, passam para o tronco simpático.
 Do tronco simpático torácico, as fibras ascendem até ao gânglio simpático cervical superior (situado uns centímetros
abaixo do buraco lácero posterior). Neste gânglio, as fibras simpáticas pré-ganglionares sinapsam com os neurónios
simpáticos pós-ganglionares.
 As fibras pós-ganglionares integram depois o plexo simpático pericarotídeo e acompanham a artéria carótida interna.
 Ao nível da apófise clinoideia anterior, o plexo simpático pericarotídeo dá origem aos ramos ciliares longos, que se
dirigem para o músculo dilatador da pupila, permitindo a sua midríase.

Reflexo Vestíbulo-Ocular
 Permite estabilizar/fixar a imagem na retina durante movimentos com a cabeça, ao produzir um movimento dos olhos
no sentido oposto ao do movimento da cabeça. Por exemplo, quando a cabeça gira para a esquerda, os olhos rodam
para a direita, e vice-versa.
 Este reflexo é válido para qualquer movimento da cabeça, em
qualquer plano (horizontal, vertical, rotacional, etc.)
 Este reflexo é obtido graças às relações entre o aparelho
vestibular e os núcleos oculomotores.
 Os impulsos surgem inicialmente no aparelho vestibular, na
sequência de um movimento de rotação (canais semicirculares)
ou de um movimento vertical (sáculo) ou horizontal (utrículo).
 A partir daqui, os impulsos dirigem-se para os neurónios do
Gânglio de Scarpa.
 Do gânglio de Scarpa surgem fibras nervosas que sinapsam
com os neurónios dos núcleos vestibulares, presentes na
protuberância.
 Dos núcleos vestibulares surgem fibras nervosas que cruzam a
linha média em direcção ao núcleo do MOE contralateral
 Do núcleo MOE surgem fibras nervosas que se distribuem por
2 trajectos nervosos:
o Um dirige-se directamente para o músculo recto externo
o O outro dirige-se para o núcleo do MOC contralateral, Quando a cabeça roda no sentido horário, geram-se
através do feixe longitudinal mediano impulsos excitatórios no canal semicircular direito e
impulsos inibitórios no canal semicircular esquerdo. Estes
 As fibras que se dirigem para o núcleo do MOC contralateral
impulsos seguem as vias do reflexo vestíbulo-ocular e
sinapsam depois com neurónios motores, cujas fibras integram resultam na activação no recto externo do olho esquerdo e
o nervo MOC e se dirigem para os músculos rectos respectivos, do recto interno do olho direito, possibilitando a rotação
em particular para o recto interno dos olhos no sentido anti-horário

261
 Correlações Clínicas Importantes:
o Quando se injecta água fria no meato acústico em pessoas saudáveis, ocorre um nistagmo para o lado oposto
o A perda completa deste reflexo num doente em coma está associada a um péssimo prognóstico, pois este reflexo é
a prova mais fidedigna da função do tronco cerebral.

“Visual Body Reflexes”


 Estes reflexos estão presentes nas seguintes situações:
o Movimentos de exploração automáticos dos olhos e da cabeça
que são feitos quando estamos a ler um livro
o Movimento automático dos olhos, cabeça e pescoço em
direcção ao estímulo visual
o Fechar os olhos de forma a protegermo-nos de um estímulo
visual
o Elevação do braço de forma a proteger os olhos após um
estímulo visual
 O arco reflexo é constituído pelos seguintes elementos:
o Os impulsos visuais provenientes da retina seguem, através dos
axónios dos nervos ganglionares (3º neurónio), o nervo óptico,
quiasma, óptico e tractos ópticos. Estas fibras terminam nos Colículos Superiores.
o Nos colículos superiores, as fibras sinapsam com neurónios que vão integrar 2 vias:
 Via Tecto-Bulbar/Tecto-Nuclear – em direcção aos núcleos oculomotores e porção cefálica do XI par, presentes
no tronco cerebral
 Via Tecto-Espinhal – via descendentes para os neurónios α presentes nos cornos anteriores da medula.

MOVIMENTOS VOLUNTÁRIOS

Áreas e Via Córtico-Oculo-Cefalogiras


 A via córtico-oculo-cefalogira vai formar um conjunto funcional que assegura:
o Os movimentos conjugados dos dois olhos, cujos eixos devem permanecer paralelos para a visão binocular
o Os movimentos de rotação da cabeça, para permitir uma visão que ultrapasse as possibilidades da rotação dos olhos
 Assim, esta via vai associar os seguintes núcleos:
o Núcleos Oculomotores (III, IV e VI) – responsáveis pela inervação dos músculos extraoculares
o Núcleo (medular) do Espinhal (XI) – responsável pela inervação trapézio e do esternocleidomastoideu.
o Nervo Vestíbulo-Coclear (VIII) – dá informações sobre a posição da cabeça no espaço.
 Ao estudar os feixes de associação do tronco cerebral, vimos como o mecanismo de sinergia dos 2 globos oculares
estava assegurado pelo feixe longitudinal mediano, que une os diversos núcleos oculomotores.
 Os movimentos voluntários dos olhos supõem necessariamente um controlo a partir do córtex cerebral, isto é,
pressupõe um controlo consciente.
 A área cortical atribuída a esta função localiza-se na circunvolução frontal média – Campo Ocular Frontal (B6, 8 e 9)
 O Campo Ocular Frontal regula essencialmente o núcleo do nervo MOE (VI) contralateral, através de fibras nervosas
que integram a Via Aberrante de Dejerine

As fibras cortico-nucleares constituem o Feixe Geniculado e destinam-se aos núcleos motores dos pares cranianos
presentes no tronco cerebral. Na porção superior do tronco cerebral, o feixe geniculado divide-se em 2 grupos de fibras:
 Fibras Cortico-Nucleares propriamente ditas – destinam-se aos núcleos motores do trigémio (V), do facial (VII), ao
núcleo do tracto solitário (IX e X), ao núcleo ambíguo (IX, X e porção craniana do XI) e ao núcleo do hipoglosso;
 Via Aberrante de Déjerine – dirige-se aos núcleos dos nervos MOC (III), troclear (IV) e MOE (VI), relacionando-se
com a motricidade do globo ocular. Esta via também se destina ao núcleo medular do nervo espinhal a fim de
garantir a motricidade da cabeça sobre o tronco. A via aberrante de Déjerine é importante para os movimentos
oculo-cefalogiros

262
 Por sua vez, o núcleo do MOE (contralateral ao Campo Ocular Frontal activado) envia fibras, por intermédio do feixe
longitudinal mediano, para os núcleos MOC (III) e espinhais (XI) ipsilaterais ao hemicórtex do Campo Ocular Frontal
activado. Vários autores propõem a existência de um Feixe Intercalar que, ao seguir o feixe longitudinal mediano,
permite a conexão entre o núcleo do VI par com o núcleo contralateral do III par.
 Isto vai resultar no desvio da cabeça e do globo ocular para o mesmo lado, sendo esse lado o contralateral ao
hemicórtex que coordenou este processo oculo-cefalogiro.
 Portanto, o Campo Ocular Frontal do hemisfério esquerdo é dextrogiro voluntário, enquanto o do hemisfério direito é
levogiro voluntário
 Além do Campo Ocular Frontal existe outra área oculogira – Campo Ocular Occipital (B19)
 O Campo Ocular Occipital está sob a influência directa dos centros visuais próximos do sulco calcarino. Apresenta
uma função motora semi-voluntária e reflexa, estando relacionada com os movimentos de perseguição.
 Os movimentos oculares dependentes do Campo Ocular Occipital dependem da atenção que dedicamos ao que
estamos a ver, estando relacionados comos centros gnósticos da visão.
 O Campo Ocular Occipital está relacionado com o Campo Ocular Frontal através do Feixe Occipitofrontal (superior)

CONCLUSÃO:
 O Tronco Cerebral regula os automatismos/reflexos da visão
 O Campo Ocular Frontal regula os movimentos oculares voluntários numa determinada direcção
 O Campo Ocular Occipital participa num mecanismo que associa a gnosia visual e os movimentos oculares (podemos
considerar um patamar intermédio entre os dois anteriores)

COORDENAÇÃO DO MOVIMENTO OCULAR

 Ao olhar para um objecto que surge subitamente, movimentamos a


fóvea central dos nossos olhos de acordo com a direcção do objecto
 Estes movimentos rápidos e precisos, de natureza balística, são
designados de movimentos sacádicos dos olhos – são pré-
programados e não podem se modificados durante a sua trajectória
 Os núcleos de todos os nervos oculomotores participam na execução
dos movimentos sacádicos. Estes núcleos estão conectados entre si
por meio do feixe longitudinal mediano
 Uma vez que praticamente todos os músculos oculares e os
respectivos núcleos do nervos oculomotores participam nestes
movimentos complexos dos olhos, a sua actividade tem que ser coordenada de
forma supranuclear
 Por exemplo, para olhar para a direita, tem que ocorrer as seguintes acções:
o Olho direito – o recto externo direito (VI) contrai e o recto interno direito (III)
relaxa
o Olho esquerdo – o recto externo esquerdo (VI) relaxa e o recto interno
esquerdo (III) contrai
 Estes movimentos de ambos os olhos designam-se Movimentos Conjugados dos
Olhos.
 A coordenação destes movimentos ocorre em vários centros – Núcleos Pré-
Motores:
o A programação de movimentos horizontais do olho ocorre na região nuclear da
Formação Reticular Pontina Paramediana (PPRF)
o Os movimentos oculares verticais são programados no Núcleo Intersticial Rostral do Feixe Longitudinal Mediano
(riFLM)
o Os sinais para o tónus de manutenção da nova posição dos olhos originam-se no Núcleo Prepósito do Nervo
Hipoglosso

263
OUVIDO

 3 partes:
o Ouvido Externo (amarelo)
o Ouvido Médio (azul)
o Ouvido Interno (verde)

OUVIDO EXTERNO

 2 segmentos:
o Pavilhão auricular ou aurícula
o Canal auditivo externo ou meato acústico externo

Pavilhão Auricular

 Lâmina pregueada sobre si própria em vários sentidos


 Forma oval
 Pavilhão acústico destinado a recolher as ondas sonoras e dirigi-las para o meato acústico externo
 Situado nas porções laterais da cabeça, atrás da ATM e região parotídea, à frente da região mastoideia e abaixo da
região temporal
 Unido à parede externa da cabeça pela parte média do seu 1/3 anterior. Livre na restante extensão
 Parte livra forma com parede craniana o ângulo cefalo-auricular.

Configuração Externa
 2 faces (externa e interna) e uma circunferência
 Face externa:
o Concha – escavação profunda no fundo da qual de encontra
o canal auditivo externo
o Hélix – saliência mais excêntrica. Começa por uma crista
(raiz do hélix), acompanha a ½ superior da circunferência
do pavilhão e termina na parte superior do lóbulo do
pavilhão.
o Antihélix – saliência concêntrica ao hélix. Divide-se em cima em 2 ramos que limitam a fosseta da antihélix,
fosseta navicular ou fossa triangular
o Goteira Escafóide – entre o hélix e a antihélix
o Tragus – opérculo situado na porção anterior do pavilhão, abaixo da hélix. Projecta-se para a frente/fora do orifício
do canal auditivo externo. Tem um vértice livre, arredondado ou bituberculado
o Antitrágus – opérculo situado atrás do trágus, do qual está separado pela chanfradura da concha
o Lóbulo da orelha – prega de pele simples semicircular abaixo do trágus, da chanfradura da concha e do antitrágus.
 Face interna – dividida em 2 partes:
o Parte anterior/aderente – corresponde ao orifício do canal auditivo externo e à porção mastoideia do osso temporal
o Parte posterior/livre – percorrida por saliências e depressões que reproduzem as depressões e saliências na face
externa.
 Circunferência – formada pelas seguintes estruturas:
o Hélix em cima e atrás
o Bordo livre do lóbulo da orelha, por baixo
o Trágus, à frente

264
Estrutura
 Constituído por:
o Fibrocartilagem
o Ligamentos
o Músculos
o Revestimento Cutâneo

Revestimento cutâneo
 Pele aderente à cartilagem na face externa do pavilhão
 Pele móvel sobre a face interna
 Continua-se atrás com pele da região mastoideia

Cartilagem
 Lâmina flexível e elástica que ocupa toda a extensão do pavilhão, excepto o lóbulo, responsável pelas depressões e
saliências deste.
 Não é irrigada (só o pericôndrio envolvente o é), o que torna as
infecções da cartilagem muito graves.
 Características particulares:
o Apófise/ espinha do hélix – saliência implantada no hélix, próxima
do bordo superior do trágus (A)
o Cauda do hélix – expansão separada da extremidade inferior da A
antihélix por uma chanfradura profunda (B)
o Pontículo – crista na face interna da concha (C)

Ligamentos B
 Extrínsecos: unem pavilhão ao osso temporal
o Lig. Anterior – da espinha do hélix à apófise zigomática
o Lig. Posterior – do pontículo da concha à base da apófise
mastoideia
 Intrínsecos: unem saliências do pavilhão
o Lig. que une o trágus ao hélix (face externa)
o Lig. que une o antitrágus ao hélix (face externa)
o Lig. que une a convexidade da concha à convexidade da fossa
triangular (face interna)
C
o Lig. que une a convexidade da concha à goteira do hélix (face
interna)

Músculos
 Extrínsecos (inserem-se todos na face interna)
o Auricular anterior – da espinha do hélix à aponevrose epicraniana
o Auricular superior – da fossa triangular à aponevrose epicraniana
o Auricular posterior – da convexidade da concha à apófise mastoideia
 Intrínsecos – unem porções diferentes de cartilagem ou esta à pele do pavilhão
o Grande músculo do hélix – parte anterior do hélix (face externa)
o Pequeno músculo do hélix – ao longo do bordo livre da raiz do hélix
o Músculo do trágus – na face externa do trágus
o Músculo do antitrágus – do antitrágus à extremidade inferior do antihélix (face externa)
o Músculo transverso do pavilhão – na fosseta do antihélix (face interna)
o Músculo oblíquo do pavilhão – na goteira do hélix (bordo livre da face interna).

265
Vascularização
 Artérias
o Artéria Temporal Superficial – ramo terminal da carótida externa, irriga
trágus, lóbulo, concha e parte anterior do hélix (1/3 anterior da face externa)
o Artéria Auricular Posterior – ramo colateral da carótida externa. Ramifica-se
sobre toda a extensão da face interna do pavilhão e emite ramos perfurantes
para os 2/3 posteriores da face externa
 Veias – 3 territórios diferentes:
o Porção anterior – drena para veia temporal superficial
o Porção posterior – drena para veias auriculares posteriores e veia emissária
mastoideia
o Porção inferior – drena para a veia jugular externa
 Linfáticos: 3 territórios:
o Anterior – compreende o trágus, a parte anterior do hélix, da fossa
triangular e concha. Drena para os gânglios parotídeos pré-auriculares
o Posterior – compreende parte posterior do hélix, o antihélix, a parte
posterior da concha e toda a face interna do pavilhão auricular. Drena
para os gânglios mastoideus, parotídeos inferiores e laterais profundos
do pescoço
o Inferior – formado pelo lóbulo, antitrágus e parte inferior da concha.
Drena para os gânglios parotídeos inferiores.

Inervação
 Inervação motora – nervo facial (VII)
o Ramo auricular posterior – 2º ramos dos colaterais extrapetrosos do
facial, anastomosa-se com o ramo auricular do plexo cervical superficial
e inerva os músculos auriculares (e também o músculo do estribo).
 Inervação sensitiva – mais complexa, com 5 origens:
o Nervo aurículo-temporal – ramo terminal do tronco terminal posterior do
maxilar inferior, do trigémio. Fornece ramos à parte anterior do hélix e
do trágus (verde)
o Ramo auricular do plexo cervical superficial – inerva ¾ póstero-
inferiores do pavilhão, excepto a concha e o meato acústico externo
(amarelo).
o Ramo auricular do vago (X) – parte do gânglio superior do vago,
caminha sobre a face ântero-externa da fossa jugular e penetra no ostium
introitus, sendo direccionado às trompas de Falópio. Inerva o meato
acústico externo e a concha (laranja).
o Ramos sensitivos do nervo glossofaríngeo (IX) – inervam a mesma região
inervada pelo vago, isto é, a pele do meato acústico externo e a concha
(laranja).
o Ramos do nervo facial (VII) – a sua área de inervação não é claramente
definida (azul)

Nota: a inervação pelo nervo vago do meato acústico externo explica porque a
limpeza mecânica do meato (através da introdução de um funil auricular) pode
causar tosse e náuseas

266
Canal Auditivo Externo

 Desde a concha à membrana do tímpano


 2,5 cm comprimento no adulto. Na criança tem dimensões mais reduzidas
 Oblíquo de cima/fora/trás para baixo/dentro/frente.
 Descreve sinuosidades horizontais e verticais
 Movendo o trágus para a frente e o pavilhão para cima/trás facilita-se o
exame de otoscopia.
 Parede inferior do canal mais comprida que a superior
 Calibre do canal diminui de fora para dentro nos primeiros ¾ externos. A
partir daí, o calibre volta a aumentar.
 Ou seja, na união dos ¾ externos com o ¼ interno temos o istmo do canal
 Ouvido de Mergulhador – patologia comum em indivíduos que passam muito tempo debaixo de água em que há um
espessamento do canal ósseo, numa tentativa de provocar menos irritação no tímpano, o que pode gerar uma
obstrução do canal.

Forma e Relações
 4 paredes (anterior, posterior, superior e inferior) e duas extremidades (externa e interna)

Parede Anterior
 Relacionada com ATM
 Existe um estreito prolongamento da parótida, na ranhura que separa a ATM da parede anterior do canal
 Acima desse prolongamento parotídeo a parede anterior está separada da ATM apenas por uma lâmina fina de tecido
adiposo
 O contacto é tão estreito entre a ATM e o canal que o côndilo da mandíbula comprime a parte fibrocartilaginosa da
parede anterior, produzindo uma reentrância que desaparece quando se separam.

Parede Posterior
 Relacionada com parte mastoideia do osso temporal
 Um septo ósseo de espessura variável separa o canal auditivo externo das células mastoideias
 A parte profunda da parede posterior do canal contacta com o 3º segmento da trompa de Falópio (canal facial) e com
o nervo facial intrapetroso

Parede Superior
 Relacionada com o andar médio da base do crânio
 Separado da cavidade craniana pela porção horizontal da escama do temporal
 Esta parede é muitas vezes perfurada por cavidades pneumáticas ou esponjosas, em comunicação com a cavidade
timpânica

Parede Inferior
 Relacionada com a parótida
 Inclinada para baixo
 Forma com a membrana do tímpano um ângulo: seio do canal auditivo externo

Extremidade Externa
 Limite entre o canal auditivo externo e o pavilhão

Extremidade Interna
 Talhada em bísel, segundo um plano oblíquo para fora/baixo/frente, fechada pela membrana do tímpano.

267
Estrutura

 2 porções:
o Porção fibrocartilaginosa (1/3 externo)
o Porção óssea (2/3 internos)
 Recoberta em toda a sua extensão por um prolongamento da pele do pavilhão.

Porção Fibrocartilaginosa
 Formada pela justaposição de 2 goteiras
o Goteira inferior – cartilaginosa, côncava em cima
o Goteira superior – fibrosa, côncava em baixo
 As duas goteiras reúnem-se pelos bordos (anterior e posterior)
 Goteira Cartilaginosa
o Continua a lâmina cartilaginosa do trágus
o Une-se ao osso timpânico, por dentro
o Apresenta na face anterior duas fissuras, uma externa e outra A
interna, formadas por uma lâmina fibrosa (cisuras de Duverney A
ou Santorini) – A. Estas aumentam a flexibilidade da cartilagem
do pavilhão e da amplitude dos movimentos que se podem
imprimir à porção cartilaginosa do canal auditivo externo.
 Goteira Fibrosa
o Continua-se por fora com a cartilagem do pavilhão
o Insere-se por dentro na porção óssea.

Porção Óssea
 Lâmina horizontal da parte escamosa do osso temporal (em cima)
 Goteira do osso timpânico (à frente, em baixo e atrás)

Pele do Canal Auditivo Externo


 Prolongamento da pele do pavilhão que adere fortemente à parede osteo-fibro-cartilaginosa
 Existência de pêlos na ½ externa do canal
 Glândulas sebáceas e ceruminosas na ½ externa do canal, que produzem cera, com função bactericida e mantendo
um pH ácido do meio

Vasos e Nervos
 Artérias
o Porção fibrocartilaginosa – mesmas origens que as artérias do pavilhão (artéria temporal superficial e auricular
posterior)
o Porção óssea – irrigada pela artéria timpânica, ramo da artéria maxilar interna, que penetra pelo canal auditivo
externo pela sutura de Glausser ou petro-tímpano-escamosa.
 Veias
o Porção anterior – drena para a veia temporal superficial e veia maxilar interna
o Porção posterior – drena para as veias auriculares posteriores
 Linfáticos
o Região Anterior – drena para gânglios parotídeos pré-auriculares
o Região Inferior – drena para os gânglios parotídeos e laterais profundos do pescoço
o Região Posterior – drena para gânglios mastoideus e laterais profundos do pescoço
 Nervos
o Porção adjacente ao pavilhão – ramo auricular do plexo cervical superficial
o Restante porção – nervo aurículo-temporal e ramo sensitivo do canal auditivo externo (nervo facial, 5º ramo
colateral intrapetroso).

268
OUVIDO MÉDIO

 Cavidade que contém ar


 Formada por 3 partes:
o Caixa do tímpano / cavidade timpânica, onde estão os
ossículos do ouvido
o Trompa de Eustáquio / Auditiva
o Cavidades Mastoideias – divertículos que se desenvolvem na
porção mastoideia do osso temporal.

Caixa do Tímpano

 Cavidade entre o canal auditivo externo e o ouvido interno


 Atravessada, de fora para dentro por uma cadeia de ossículos articulados entre si
 Ossículos postos em movimento por aparelho muscular especial
 Paredes da caixa do tímpano e órgãos que a atravessam são revestidos por uma mucosa que comunica com a da
rinofaringe, através da trompa de Eustáquio
 A mucosa que vem pela trompa de Eustáquio até à caixa do tímpano é ciliada e mantém a humidade.
 Descrição feita com base nas seguintes estruturas:
o Membrana do tímpano
o Ossículos
o Mucosa
o Paredes da caixa do tímpano
o Andares da caixa do tímpano
o Vasos e Nervos

Membrana do Tímpano
 Membrana fibrosa, elástica, muito resistente que separa o canal auditivo
externo (ouvido externo) da cavidade timpânica (ouvido médio)
 Insere-se em baixo, à frente e atrás numa ranhura semicircular – sulcus
timpanicus ou sulco timpânico – contida na extremidade interna da goteira
formada pelo osso timpânico. Ao longo deste sulco insere-se uma fita anular
fibrosa - debrum anular de Gerlach ou anel fibrocartilaginoso da membrana do
tímpano.
 Em cima, a membrana do tímpano liga-se à porção escamosa do osso temporal.
 A parte superior da membrana é menos resistente que a restante que se insere no sulco timpânico, sendo denominada
membrana flácida de Schrapnell ou pars flácida da membrana do tímpano.
 Por oposição, a restante porção da membrana do tímpano designa-se pars tensa
 A pars flácida está separada da pars tensa por 2 espessamentos fibrosos, um anterior e outro posterior –
pregas/ligamentos tímpano-maleolares
 Estas pregas seguem-se ao debrum anular de Gerlach e estendem-se desde as extremidades anterior e posterior da
goteira timpânica até ao vértice da apófise lateral do martelo (ver ossículos do ouvido)

Face Externa
 Côncava, com o vértice da concavidade (umbigo da membrana do tímpano) situado um pouco abaixo/atrás do centro
da membrana
 Estruturas observáveis no otoscópio:
o Pars Flácida – forma triangular, vértice superior, limitada em baixo pelas pregas tímpano-maleolares
o Apófise externa do martelo – pequena saliência cónica branca sobre a qual terminam as pregas tímpano-
maleolares
o Saliência do cabo do martelo – saliência linear formada pelo martelo, com orientação oblíqua para baixo/trás
269
o Cone luminoso – reflexo luminoso triangular, situado na porção ântero-inferior da membrana, devido à reflexão
da luz na própria membrana.
 Para termos descritivos, faz-se uma divisão topográfica da
membrana do tímpano, segundo duas linhas:
o Uma linha oblíqua para baixo/trás, que segue o cabo do
martelo
o Outra linha perpendicular à anterior que passa pelo umbigo
 4 quadrantes:
o I – Supra-umbilical anterior – prega tímpano-maleolar
anterior
o II – Infra-umbilical anterior – cone luminoso
o III – Infra-umbilical posterior – onde se pratica a paracentese
do tímpano (drenagem de fluido), para não interferir com as estruturas dos quadrantes supra-umbilicais.
o IV – Supra-umbilical posterior – corresponde aos ossículos e à corda do tímpano

Face interna
 Convexa
 Estruturas identificáveis:
o Debrum anular de Gerlach
o Cabo do martelo - na espessura da membrana,
em relevo sobre a cavidade timpânica
o Bolsa de Prussak ou recesso superior da
membrana do tímpano – depressão
correspondente à pars flácida.
o Bolsas de Troltsch anterior e posterior – 2
pregas mucosas situadas abaixo da bolsa de
Prussak, inclinadas para dentro/baixo que correspondem às pregas tímpano-maleolares anterior e posterior na
face externa. Nestas bolsas caminha a corda do tímpano, sendo que na bolsa anterior também caminha o
ligamento anterior do martelo e a apófise anterior do martelo, ambos por baixo da corda do tímpano.
o Recessos anterior e posterior da membrana timpânica – 2 depressões situadas abaixo das bolsas de Troltsch,
separadas entre si pelo cabo do martelo. Correspondem à pars tensa

Estrutura
 4 camadas, de fora para dentro
o Pele do canal auditivo externo
o Camada média fibrosa (colagénio), formada por 2 lâminas
 Lâmina externa é composta de fibras radiadas que convergem do sulco timpânico ao cabo do martelo
 Lâmina interna é formada por fibras circulares que se fixam igualmente sobre o cabo do martelo ou passam
por dentro do mesmo
o Mucosa da caixa do tímpano
 A camada fibrosa opõe-se à flexão excessiva da membrana, equilibrando a acção da mesma
 A pars flácida não tem camada fibrosa, o que explica a grande laxidez e falta de resistência.

Anatomia Funcional do Tímpano


 Elemento essencial do aparelho transmissor de sons
 A cadeia de ossículos é movida pela tensão e ligeiras alterações na forma do tímpano
 Deforma-se sobre a acção das variações de pressão aérea e com os movimentos do cabo do martelo, conservando
sempre uma certa rigidez.

270
Ossículos do Ouvido
 Cadeia de 3 ossículos articulados entre si
 De fora para dentro
o Martelo
o Bigorna
o Estribo
 As ondas sonoras provocam um deslocamento da membrana do tímpano e da cadeia de ossículos, provocando um
fluxo nos líquidos no caracol, uma vez que o estribo está ligado ao caracol.

Martelo (malleus)
 Ossículo mais comprido
 5 porções:
o Cabeça – porção mais superior. Apresenta atrás a superfície
articular (com a bigorna)
o Colo – porção média do osso. Relaciona-se com a pars
flácida da membrana do tímpano
o Manúbrio ou Cabo do Martelo – porção inferior do martelo.
Termina numa extremidade em forma de espátula, Vista Anterior
Vista Posterior
correspondente ao umbigo da membrana do tímpano
o Apófise Lateral/Curta – destaca-se da face externa do colo, dirige-se para fora. Determina na face externa da
membrana do tímpano, uma pequena saliência na qual terminam os ligamentos tímpano-maleolares.
o Apófise Anterior/Longa/de Raw – destaca-se da face anterior do colo, dirigindo-se para a frente, continuando-se
com o ligamento anterior do martelo.

Bigorna (Incus)
 Atrás do martelo
 3 porções:
o Corpo – apresenta na face anterior a superfície articular com o
martelo
o Ramo superior, posterior, horizontal ou curto – forma de cone
aplanado, dirige-se para trás. A extremidade posterior ou Vista interna Vista externa
vértice apoia-se na chanfradura localizada no ângulo inferior do
orifício anterior do aditus ad antrum
o Ramo inferior, vertical ou longo – desce verticalmente para dentro/trás.
Apresenta na extremidade inferior o apófise lenticular (estribo)

Estribo (stapes)
 Internamente à bigorna
 Da apófise lenticular à janela do vestíbulo (janela oval)
 4 porções Vista superior (e)
o Cabeça – apresenta externamente a cavidade glenoideia,
superfície articular para a apófise lenticular da bigorna
o Base ou platina – lâmina fina e irregularmente oval com um
bordo superior convexo e um bordo inferior rectilíneo. Não se
ajusta exactamente à janela oval
o Ramo anterior - curto e recto
o Ramo posterior - longo e curvilíneo

Vista súpero-interna
271
Conexões dos Ossículos
 Articulação incudo-maleolar
o Entre o martelo e a bigorna
o Efipiartrose
o Superfícies articulares:
 Porção posterior da cabeça do martelo
 Face anterior do corpo da bigorna
 Revestidas por cartilagem hialina
 Adaptam-se por meio de um menisco interarticular, ligado à cápsula articular
o Meios de união: cápsula articular
o Membrana sinovial reveste profundamente a cápsula articular

 Articulação incudo-estapédica
o Entre a bigorna e o estribo
o Enartrose
o Superfícies articulares:
 Apófise lenticular da bigorna
 Cavidade glenoideia da cabeça do estribo
o Meios de união: cápsula articular
o Membrana sinovial reveste profundamente a cápsula articular

Ligações entre os ossículos e a caixa do tímpano


 Martelo
o Relações com a membrana do tímpano (cabo
do martelo)
o Lig. Superior/Suspensor do Martelo – do
vértice da cabeça do martelo até parede
superior da caixa do tímpano.
o Lig. Externo – da porção infero-externa da
cabeça do martelo até ao bordo inferior do
muro do recesso epitalâmico
o Lig. Anterior – da apófise anterior do
martelo, atravessa fissura petro-timpânica até
espinha do esfenóide
 Bigorna
o Lig. Superior – do corpo da bigorna até ao tegmen timpani
o Lig. Inferior – da extremidade do ramo curto da bigorna até ao ângulo inferior do orifício de entrada do aditus ad
antrum
 Estribo
o Lig. Anular do Estribo – ocupa o espaço anular entre a platina do estribo e a
fosseta da janela do vestíbulo

Músculos motores dos ossículos


 Músculo tensor do tímpano ou músculo do martelo
o Localizado no canal do músculo tensor do tímpano (parede interna da caixa
do tímpano)
o Fibras originam-se na cartilagem da trompa de Eustáquio, na goteira
formada pela união do rochedo do temporal e da grande asa do esfenóide, na
espinha do esfenóide e nas paredes do canal do músculo tensor do tímpano
o Músculo reflecte-se no processo cocleariforme e dirige-se para fora,
atravessando a caixa do tímpano, terminando num tendão.
o Insere-se na extremidade superior do cabo do martelo

272
o Acção: tensora da membrana do tímpano. Move o cabo do martelo para dentro, o que faz com que cabeça do
martelo e corpo da bigorna se dirijam para fora e o ramo inferior da bigorna e o estribo se dirijam para dentro em
direcção ao vestíbulo do ouvido interno. Portanto, aumenta a pressão do líquido contido no vestíbulo.

 Músculo do estribo (estapédico)


o Localizado no canal do músculo do estribo ou canal da eminência piramidal (parede posterior da caixa do
tímpano)
o Fibras originam-se nas paredes do canal
o Músculo percorre o canal, saindo pelo orifício da eminência piramidal
o Músculo insere-se na cabeça do estribo (posteriormente)
o Acção: Atrai o estribo para trás e para fora (diminui a pressão do líquido labiríntico), fazendo com que o ramo
inferior da bigorna se desloque para fora e, consequentemente, o corpo da bigorna e a cabeça do martelo se
dirijam para dentro. O cabo do martelo de desloca-se para dentro, diminuindo a tensão da membrana do tímpano.
 Músculo tensor do tímpano e do estribo têm acções antagonistas:
o Contracção do músculo tensor do tímpano – “apaga” os ruídos violentos (protector do nervo auditivo contra
ruídos intensos
 Aumenta tensão da membrana do tímpano  vibra com mais dificuldade
 Aumenta pressão do líquido labiríntico  recebe choques menos violentos
o Contracção do músculo do estribo - aumenta percepção do ouvido aos ruídos mais débeis (“músculo que escuta”)
 Diminui tensão da membrana do tímpano  vibra com mais facilidade
 Diminui pressão do líquido labiríntico  recebe todas as vibrações

Mucosa do Tímpano
 Continua a mucosa faríngea, através da trompa auditiva
 Reflecte-se sobre os ossículos, ligamentos e tendões que atravessam
a caixa timpânica
 Reveste as paredes da caixa timpânica, incluindo:
o Células das paredes
o Paredes da entrada do aditus ad antrum
o Paredes do antro mastoideu
o Células pneumáticas

Paredes da Caixa do Tímpano


 6 paredes: superior, inferior, anterior, posterior, externa e interna

Parede Anterior ou Tubo-Carotídea


 Orifício posterior ou timpânico da trompa de Eustáquio
 Saliência do canal do músculo do martelo – acima do orifício da trompa
 Porção carotídea da parede anterior – abaixo do orifício tubárico, formada por uma poção óssea fina que separa a
caixa do tímpano do canal carotídeo. Esta lâmina é cruzada por pequenos orifícios que permitem a passagem do
nervo carótido-timpânico e das vénulas que vão da mucosa timpânica ao plexo venoso pericarotídeo.
 Orifício do canal anterior da corda do tímpano – porção supero-externa da parede, permite a saída da corda do
tímpano da cavidade timpânica. É o orifício posterior/profundo do canal da corda do tímpano.

273
Vista interna Vista externa

Parede Externa, Timpânica ou Membranosa


 Constituída em grande parte pela membrana do tímpano, que está encastrada num quadro ósseo que completa a
parede lateral

Parede Interna ou Labiríntica


 Relacionada com o ouvido interno
 Promontório – na parte central da
parede, em contacto por dentro
com a 1ª volta do caracol
 Orifício superior do canal de
Jacobson/ ostium cranial do
canalículo timpânico – abaixo do
promontório no limite entre esta
parede e a posterior. Daí parte
uma goteira que se ramifica sobre
o promontório
 O canal e as goteiras permitem a
passagem do nervo de Jacobson
(IX par) e seus ramos terminais. O
nervo é responsável pela sensibilidade da trompa de Eustáquio e da caixa do tímpano. Tem origem no gânglio de
Andersh e dá 2 ramos posteriores para a mucosa da fossa oval e redonda; 2 ramos anteriores para a mucosa da
trompa e plexo carotídeo; e 2 ramos superiores para os nervos petrosos profundos
 Fossa Oval/ Fosseta da janela do vestíbulo – depressão situada atrás/cima do promontório, no fundo da qual se
encontra a janela oval/ do vestíbulo (permite aceder ao ouvido interno), coberta pela platina do estapédio e ligamento
anular.
 Fossa da janela redonda/ fosseta da janela da cóclea – abaixo/atrás do promontório, no fundo da qual está a janela
redonda, janela da cóclea ou tímpano secundário. A saliência do promontório esconde grande parte desta janela. É
fechada pela membrana secundária do tímpano, que responde à extremidade inferior da rampa timpânica do caracol
(cavidade subvestibular)
 Seio timpânico – atrás do promontório, entre as janelas do vestíbulo e da cóclea
 Ponticulus Promontorii – crista óssea que separa a fossa oval do seio timpânico
 Cubiculum Promontorii – crista óssea que separa o seio timpânico da fossa da janela redonda
 Saliência da 2ª porção do canal facial – localizada acima/atrás da fossa da janela redonda, oblíqua para trás/baixo
 Saliência do canal semicircular horizontal/lateral – lisa, atrás/acima da saliência do nervo facial, estando separada
desta por uma pequena depressão.
 Canal do Músculo do Martelo – canal ósseo situado à frente/acima da fossa oval. Termina acima da fossa oval por
uma lâmina óssea estreita com forma de colher – bico de colher ou apófise colheriforme.

274
Parede Superior, Craniana ou Tegmentária
 Designada de tegmen timpani
 Lâmina óssea fina, formada externamente pela escama e internamente pela porção petrosa do osso temporal
 Porções externa e interna unidas na parte média da parede pela sutura petro-escamosa superior, a qual forma uma
saliência na parede – crista petro-escamosa superior
 Separa a cavidade timpânica da craniana, estabelecendo-se conexões entre estas cavidades através de finos
canalículos vasculares que atravessam a parede, ao longo da sutura petro-escamosa superior
 Quando existe uma deiscência da parede óssea desta parede, ou quando as peças ósseas desta parede não se
encontram bem suturadas (acontece muito em crianças) a mucosa da parede entra em contacto directo com a dura-
máter da cavidade craniana  causa importante das complicações meníngeas e encefálicas decorrentes de otites
médias.

Parede inferior ou Jugular (pavimento da caixa do tímpano)


 Corresponde ao recesso hipotimpânico
 Forma de goteira, situado num plano inferior ao
do meato acústico externo, o que facilita a
retenção de pus, decorrente das inflamações da
cavidade timpânica
 Irregular, escavada por pequenos divertículos
que se podem converter em verdadeiras
cavidades celulares (células timpânicas)
 Relaciona-se em baixo com a fossa jugular e
com o golfo jugular
 Em geral, a parede é fina, estando o golgo da
jugular muito próximo da mucosa timpânica.

Parede Posterior ou Mastoideia


 Apresenta em cima um orifício triangular que dá acesso ao
aditus ad antrum (género de “hall de entrada”) e, através
deste para o antro mastoideu
 Pirâmide ou eminência piramidal – situada abaixo do
aditus ad antrum e à frente do seio timpânico (face
interna). Apresenta um orifício no seu vértice – orifício do
canal do músculo do estribo – ao nível do ponticulus
promontorii. Por este orifício passa o tendão do músculo
respectivo.
 Local de inserção do ligamento inferior da bigorna – no
ângulo inferior do orifício de entrada do aditus ad antrum
 Orifício do canal posterior da corda do tímpano – fenda
vertical, por fora da eminência piramidal, por onde passa a
corda do tímpano
 Abaixo da eminência piramidal, a parede posterior é rugosa e preenchida por depressões
 Na espessura da parede passam 2 canais ósseos, um situado anteriormente ao outro
o Canal do músculo do estribo ou da eminência piramidal – mais anterior, curto
o Segmento vertical do canal do facial – mais posterior

275
Andares da Cavidade Timpânica
 3 compartimentos principais:
o Recesso epitimpânico, ático ou abóbada – acima da membrana do
tímpano
o Mesotímpano ou cavidade propriamente dita – ao nível da
membrana do tímpano
o Recesso hipotimpânico – por baixo da membrana timpânica.

Recesso Epitimpânico
 Separado do mesotímpano pelo ligamento lateral do martelo, ramo
curto da bigorna e tendão do músculo do martelo
 Continua-se atrás com a entrada do aditus ad antrum (ligação às
células mastoideias)
 Contém cabeça do martelo, corpo da bigorna e ligamentos que os unem à parede superior da caixa timpânica
 Subdividido em 2 compartimentos secundários:
o Externo – parede externa do recesso + pars flácida do tímpano, por fora; cabeça do martelo + corpo da bigorna +
ligamentos superiores destes ossículos, por dentro. Termina em baixo na bolsa de Prussak.
o Interno – da parede interna do recesso, por dentro, até aos limites internos do compartimento externo.
Mesotímpano
 Corresponde externamente à membrana do tímpano, excepto pars flácida

Recesso hipotimpânico
 Depressão abaixo do nível da membrana do tímpano, cujo fundo é a parede inferior da caixa do tímpano
 Conectado à trompa de Eustáquio

Vascularização e Inervação da caixa do tímpano

Artérias

276
Veias
 Veias drenam para veia jugular externa, plexo
pterigoideu, veia jugular interna, veias meníngeas e
seio petroso superior.

Linfáticos
 Drenagem para gânglios linfáticos cervicais laterais
profundos, parotídeos, mastoideus e retrofaríngeos.

Nervos
 Inervação motora:
o Músculo do martelo – ramo do nervo mandibular (V
par)
o Músculo do estribo – filete nervoso do nervo facial
(VII par)
 Inervação sensitiva
o Nervo timpânico ou de Jacobson – ramo do IX par, também dá sensibilidade à trompa de Eustáquio
 Inervação vegetativa
o Ramo carótido-timpânico do plexo carotídeo interno.

Trompa de Eustáquio

 Canal ósteo-fibro-cartilaginoso que comunica cavidade timpânica à rinofaringe


 Permite a entrada de ar em cada movimento de deglutição, igualando a pressão de cada lado da membrana do
tímpano
 À frente da cavidade timpânica
 Dirige-se da cavidade timpânica para a frente/dentro/baixo
 4 cm de comprimento, em média

 2 segmentos:
o Ósseo – 1/3 posterior
o Fibrocartilaginoso – 2/3 anteriores
 Segmentos separados pelo istmo – ponto de menor
calibre da trompa
 Orifício faríngeo – ponto de maior calibre da trompa

Orifícios
 Orifício timpânico posterior – na parede anterior da
cavidade timpânica, abaixo do canal do músculo do
martelo (tensor do tímpano)
 Orifício faríngeo – na parede externa da nasofaringe
 Forma triangular de base inferior, com 2 bordos:
o Anterior – prolonga-se para o véu do palato, formando a
prega salpingopalatina
o Posterior – mais proeminente, prolonga-se para a face
externa da nasofaringe formando a prega salpingofaríngea
o Base – rodeada pelo músculo elevador do véu do palato,
formando uma prega: o rodete do elevador. Esta prega está
separada da prega salpingopalatina pelo sulco
salpingopalatino e da prega salpingofaríngea pelo sulco
salpingofaríngeo.

277
Constituição
Parede óssea (1/3 posterior)
 Canal ósseo formado:
o Internamente, por um escavado na face ântero-externa da porção petrosa do temporal, à frente da cavidade
timpânica e por baixo do canal do músculo do martelo
o Externamente pela apófise tubárica da porção timpânica do osso temporal

Parede Fibrocartilaginosa (2/3 anteriores)


 Formada por:
o Lâmina cartilaginosa em forma de canal aberto inferiormente
o Lâmina membranosa que se estende de um bordo ao outro da lâmina cartilaginosa
 Relativamente à lâmina cartilaginosa ou cartilagem tubárica:
o Forma as paredes superior e póstero-interna do canal da trompa
o O seu vértice posterior une-se ao orifício anterior do canal ósseo
o A sua base anterior forma o bordo posterior do orifício faríngeo
o O bordo inferior corresponde ao limite inferior da parede póstero-interna
o O bordo superior ou lâmina externa da cartilagem da trompa auditiva forma a abóbada da trompa
o Apresenta numerosas fissuras preenchidas por tecido fibroso denso, que facilitam a dilatação da trompa por acção
dos músculos do véu do palato
 Relativamente à lâmina fibrosa/membranosa
o Estende-se entre os bordos da porção cartilaginosa
o Forma paredes anterior e inferior da trompa

Mucosa Tubárica
 Reveste superfície interna da trompa
 Continua-se com a mucosa da nasofaringe (à frente) e a mucosa timpânica (atrás)
 Vai engrossando, da porção óssea ao orifício faríngeo
 No orifício faríngeo apresenta a amígdala tubárica

Aparelho Motor da Trompa de Eustáquio


 Músculos envolvidos: elevador do véu do palato
(peristafilino interno) e tensor do véu do palato
(peristafilino externo)
 Quando estão em repouso, a trompa está fechada
 Quando se contraem, a trompa abre-se à custa da porção
fibrocartilaginosa
 Elevador do véu do palato  dilatador do orifício
faríngeo
o Inserção: face inferior do rochedo do temporal, extremidade anterior da parte óssea da trompa
o Trajecto: percorre face inferior da trompa
o Termina no véu do palato, quando atinge o orifício
faríngeo
o Acção: levanta o piso fibroso (face inferior da
trompa) e abre o orifício faríngeo
 Tensor do véu do palato  dilatador da trompa
o Inserção: fosseta escafoideia, bordo interno da
grande asa do esfenóide + 1/3 superior da porção
fibrosa da trompa auditiva
o Termina no gancho da apófise pterigoideia
(continua-se depois com um tendão que se

278
confunde com a lâmina fibrosa do véu do palato)
o Acção: separa a parede ântero-externa da póstero-interna do canal fibrocartilaginoso, por deslocamento da parede
ântero-externa, dilatando ao canal fibrocartilaginoso da trompa
 As acções deste músculo permitem a passagem de ar da nasofaringe para a caixa timpânica, algo que acontece, por
exemplo na deglutição.

Vasos e Nervos da Trompa de Eustáquio

Artérias Veias Linfáticos Nervos


Porção Porção
Porção óssea Gânglios Porção óssea
fibrocartilagínea fibrocartilagínea
Retrofaríngeos,
Ramos da Faríngea Tributárias do plexo Nervo
Parotídeos profundos e Nervo de
Artéria Tubária Ascendente (CE), pterigoideu esfenopalatino
Cervicais laterais Jacobson (IX
(Carótida Interna) Esfenopalatina (MI) e (V par, maxilar
profundos par)
da Vidiana (MI) superior)

Células Mastoideias

 Cavidades pneumáticas, divertículos escavados na cavidade timpânica, na espessura da porção mastoideia do


temporal
 Função: tornar o crânio mais leve
 3 porções, da frente para trás:
o Entrada do antro (aditus ad antrum)
o Antro mastoideu
o Células mastoideias propriamente ditas

Aditus Ad Antrum ou Entrada do Antro


 Canal ósseo estreito e curto, com forma de prisma triangular
 Prolongamento posterior do recesso epitimpânico
 Comunica cavidade timpânica com antro mastoideu
 3 paredes:
o Superior ou craniana – continuação do tegmen timpani e mais
especificamente da crista petro-escamosa superior
o Interna – apresenta uma saliência arredondada correspondente ao
canal semicircular externo
o Externa – apresenta numerosas depressões, algumas em
comunicação com as células mastoideias
 As paredes interna e externa convergem em baixo para formar um
ângulo diedro aberto para cima (bordo inferior)

Antro Mastoideu
 Célula mastoideia volumosa, constante
 Comunica com recesso epitimpânico através do aditus ad
antrum
 6 paredes:
o Superior – prolonga para trás o recesso epitimpânico e
o tegmen timpani e a crista petro-escamosa superior
o Inferior – localiza-se inferiormente ao bordo inferior
da entrada do antro
o Anterior – em cima apresenta o orifício posterior da
entrada do antro; em baixo separa-se da cavidade
timpânica por uma parede óssea percorrida pelo 3º

279
segmento do canal facial (segmento mastoideu – do joelho ao buraco estilo-mastoideu)
o Posterior – relaciona-se com o seio sigmóide (seio da dura-máter)
o Interna – corresponde à porção da face póstero-superior da porção petrosa, situada imediatamente à frente do
segmento mastoideu ou descendente do seio sigmóide
o Externa – relacionada com a porção mastoideia do temporal. Face abordada para abrir a cavidade do antro
mastoideu

Células Mastoideias Propriamente Ditas


 Desde o 7º mês de vida fetal a cavidade do antro mastoideu emite à volta pequenos divertículos que são esboços das
células mastoideias
 As células matoideias emitem divertículos secundários que se ramificam, de modo que toda a porção matoideia do
temporal é invadida por cavidades pneumáticas em comunicação com o antro mastoideu – células mastoideias
 Número e dimensões das células variam
 Segundo o grau de pneumatização as mastóides são divididas em mastóides pneumáticas, pneumático-diplóicas ou
diplóicas/compactas
 As células mastoideias propagam-se para a escama do temporal (células escamosas) e para a porção petrosa (células
petrosas)
 As cavidades mastoideias comunicam directamente com a cavidade craniana pelo canal petro-mastoideu.
 Canal petro-mastoideu:
o Inicia-se na face póstero-superior do rochedo, na fossa sub-arcuata
o Dirige-se para trás/fora
o Termina no antro mastoideu
o Contém um prolongamento da dura-máter e alguns vasos sanguíneos, daí a sua importância na propagação de
infecções das cavidades mastoideias à dura-máter e encéfalo
 Células mastoideias classificam-se consoante sua localização relativamente ao antro mastoideu. Assim temos
células:
o Superiores – na parede superior do antro
o Inferiores – desenvolvem-se no vértice da apófise mastoideia
o Anteriores – na parede anterior do antro
o Posteriores – posteriormente ao antro, podendo relacionar-se com o seio sigmóide
o Externas – localizam-se atrás do canal auditivo externo entre o antro mastoideu e a superfície externa da porção
mastoideia do temporal. Identifica-se uma célula maior que as outras – Célula de Lanoir
o Internas – no rochedo, podendo atingir o seu vértice e relacionar com o nervo MOE (VI par)

OUVIDO INTERNO

 Localizado na parte petrosa do temporal, por dentro da caixa timpânica


 Constituído por:
o Labirinto ósseo – composto por cavidades ósseas em comunicação
o Labirinto membranoso – composto por cavidades membranosas contidas
no labirinto óssea

Labirinto Ósseo

 3 partes:
o Vestíbulo – parte média
o Canais semicirculares – parte póstero-superior
o Caracol ou cóclea – parte anterior

280
Vestíbulo
 Cavidade ovóide aplanada transversalmente com 6 paredes:
o Externa – relacionada com a caixa do tímpano. Apresenta a janela oval, com a qual se relaciona com a palatina do
estribo
o Interna – em relação com ½ posterior do canal auditivo interno Apresenta 3 depressões:
 Fossa semi-ovóide ou elíptica (ântero-superior)
 Fossa hemisférica (ântero-inferior), separada da ovóide pela crista do vestíbulo
 Fossa coclear (póstero-inferior), atrás da hemisférica
Todas as fossas dão passagem a filetes de origem do nervo auditivo.
Para cima da fossa coclear e atrás da fossa semi-ovóide está o orifício
do Aqueduto do Vestíbulo, circundado por uma depressão – goteira
sulquiforme
o Anterior – relacionada em cima com a 1ª porção do canal do facial (ver
imagem página seguinte), e em baixo com a parte superior do caracol. Na
porção inferior comunica com a rampa vestibular do caracol
o Superior - tem os orifícios dos canais semicirculares
o Posterior – tem os orifícios dos canais semicirculares
o Inferior ou piso do vestíbulo – formado por uma lâmina que está na
origem da lâmina espiral do caracol, fixa no seu bordo interno à parede
interna do vestíbulo. Pelo seu bordo externo livre, a cavidade
vestibular comunica com a cavidade subvestibular subjacente
 Aqueduto do Vestíbulo (ver imagem página seguinte) – canal ósseo que une o
vestíbulo à cavidade craniana. Tem início na parede interna do vestíbulo
(extremidade superior da goteira sulquiforme), vai para trás/dentro/baixo
e abre-se na face póstero-superior do rochedo, atrás do orifício do canal
auditivo interno. Contém o canal endolinfático

Canais Semicirculares
 3 Tubos cilíndricos que se abrem no vestíbulo através das suas 2
extremidades
 Dos seus 2 orifícios, um é dilatado (orifício ampulhar) e outro não
(orifício não ampulhar)
o Canal semicircular anterior – é vertical, perpendicular ao grande
eixo do rochedo e convexo para cima. Determina a formação da
eminência arcuata na face ântero-superior do rochedo. Orifício
ampulhar termina na parte anterior da face superior do vestíbulo.
Orifício não ampulhar termina por dentro do ampulhar, na face
superior, juntamente com orifício não ampulhar do canal
semicircular posterior.
o Canal semicircular posterior – vertical, paralelo ao grande eixo do
rochedo e convexo para trás/fora. Orifício não ampulhar junta-se ao
orifício não ampulhar do canal semicircular anterior. Orifício
ampulhar termina na parte inferior da parede posterior do vestíbulo.
o Canal semicircular externo ou horizontal – horizontal, convexo para fora/trás. Sobressai na parede interna do aditus
ad antrum. Orifício não ampulhar na parede posterior do vestíbulo. Orifício ampulhar por cima/atrás da janela
oval, na parede superior do vestíbulo.

281
Cóclea ou Caracol
 Canal ósseo enrolado em torno de um eixo cónico
denominado columela ou modíolo, orientado obliquamente
para a frente/fora.
 À frente do vestíbulo e da 1ª porção do canal do facial, por
dentro do promontório, por fora/frente do orifício do canal
auditivo interno
 A sua base corresponde ao fundo do canal auditivo interno
 O seu vértice corresponde ao promontório.
 Formado por um tubo ósseo (lâmina dos contornos) que dá
2,5 voltas em torno da columela e termina na cúpula do
caracol (helicotrema)
 O seu calibre está parcialmente dividido em 2 pela lâmina
espiral óssea, que divide o caracol em 2 rampas:
o Rampa vestibular – superior, comunica com o vestíbulo
o Rampa timpânica – inferior, comunica com a cavidade
subvestibular, a qual por sua vez comunica com a caixa
timpânica através da janela redonda.
 A base da columela é côncava e perfurada por numerosas
aberturas que formam uma linha em espiral ao longo do bordo
aderente da lâmina – canal espiral de Rosenthal, escavado na
columela. Deste canal partem pequenos canalículos que
penetram pelo bordo aderente da lâmina espiral, abrindo-se no
seu bordo livre, na cavidade da cóclea.
 Aqueduto do caracol – canalículo ósseo que vai da cóclea ao
bordo posterior do rochedo, por onde passa o ducto/espaço
perilinfático e uma vénula. Tem origem na rampa timpânica
(num orifício localizado pouco à frente da janela redonda) e termina no fundo da fosseta petrosa, escavada no bordo
posterior do rochedo.

Canal Auditivo Interno


 Canal ósseo percorrido pelo nervo vestibulococlear, nervo facial e
intermediário de Wrisberg
 Orifício situado na face póstero-superior do rochedo
 Canal dirige-se para trás/fora
 O seu fundo corresponde:
o À frente à base da columela
o Atrás à face interna do vestíbulo
 Dividido em 4 andares por uma crista falciforme (horizontal) e por
uma crista vertical
o Fosseta ântero-superior/facial – nervo facial e intermediário de
Wrisberg
o Fosseta ântero-inferior/coclear – ocupada pela base
infundibuliforme da columela, perfurada de orifícios para passagem
de ramos do nervo coclear
o Fosseta póstero-superior/ utricular – corresponde ao vestíbulo
(utrículo). Tem orifícios de passagem de filamentos do nervo vestibular
o Fosseta póstero-inferior/sacular – corresponde ao vestíbulo (sáculo), com orifícios de passagem do nervo
vestibular. Atrás, tem o forâmen singular de Morgani, que dá passagem a ramos nervosos provenientes da ampola
do canal semicircular posterior (ramo que vai integrar nervo vestibular).

282
Labirinto Membranoso

 Composto de cavidades membranosas, contidas no labirinto ósseo


 Deste labirinto nascem vias nervosas acústicas e vestibulares
 Cavidades preenchidas por endolinfa
 Não ocupa totalmente as cavidades do labirinto ósseo
 Espaço perilinfático – espaço que separa a parede membranar da parede óssea. Preenchido por perilinfa (líquido
análogo à endolinfa)
 3 porções:
o Vestíbulo
o Canais semicirculares
o Cóclea

Vestíbulo Membranoso
 Composto por 2 vesículas, contidas no vestíbulo ósseo
o Superior – Utrículo (alongado)  corresponde à fosseta
semi-ovóide/elíptica
o Inferior – Sáculo (arredondado)  corresponde à fosseta
hemisférica
 No resto da superfície, o utrículo e o sáculo estão separados
da parede óssea pelo espaço perilinfático
 Da parede interna das vesículas nascem fibras utriculares e
saculares do nervo vestibular que atravessam os orifícios da
fosseta semi-ovóide e hemisférica para atingir o canal
auditivo interno.
 Canal endolinfático (a vermelho) – das paredes internas do
utrículo e do sáculo nascem 2 canais que se reúnem no canal endolinfático, que penetra no aqueduto do vestíbulo e
termina na dura-máter, no fundo de saco endolinfático (imagem seguinte mostra orientação espacial devida do canal).

Canais Semicirculares Membranosos


 Mesma configuração que os canais semicirculares ósseos, nos quais estão
contidos
 Ocupam só uma porção da cavidade óssea, aderindo ao bordo convexo do
canal ósseo
 O resto da superfície contém o espaço perilinfático
 Da parede interna das ampolas dos canais nascem fibras nervosas que
atingem o canal auditivo interno através dos orifícios da fosseta semi-
ovóide.
 As fibras provenientes do canal semicircular posterior atravessam a parede
vestibular óssea e atingem o fundo do canal auditivo interno pelo foramen
singular de Morgani.

283
Cóclea Membranosa – Canal/Ducto Coclear
 Tubo prismático triangular que ocupa o espaço entre o bordo livre da lâmina espiral e a porção correspondente da
lâmina dos contornos, completando assim o septo formado pela lâmina espiral, entre as duas rampas da cóclea.
 3 paredes:
o Externa/ Lig. Espiral – aplicado sobre a lâmina dos
contornos
o Superior/membrana de Reissner – relacionada com a
rampa do vestíbulo
o Inferior ou membrana basilar – no prolongamento da
lâmina espiral. O canal coclear relaciona-se através
desta parede com a rampa timpânica. Suporta o órgão
de Corti, de onde têm origem as fibras da porção
coclear do nervo auditivo.
 O canal coclear prolonga-se para trás sobre o pavilhão
do vestíbulo (face inferior), para além da lâmina espiral
e termina em fundo de saco – porção vestibular do
canal coclear.
 A porção vestibular da cóclea está unida ao sáculo pelo
canalis reuniens de Henson (ou ducto de união) – ver
imagem acima.

 Todas as cavidades do labirinto membranoso comunicam entre elas por intermédio dos canalículos de origem do
canal endolinfático e do canalis reuniens. Todas estas cavidades são preenchidas por endolinfa
 Espaços perilinfáticos
o Preenchidos por perilinfa
o Septados irregularmente por trabéculas ósseas que unem as paredes membranosas ao periósteo (excepto na cóclea)
o Na cóclea as 2 rampas (timpânica e vestibular) são espaços perilinfáticos livres em toda a sua extensão

Vasos e Nervos do Ouvido Interno

Artérias
 Artéria auditiva interna/labiríntica, ramo do tronco
basilar. Esta artéria penetra no canal auditivo interno com
o nervo vestibulococlear, nervo facial e intermediário de
Wrisberg. No fundo do canal divide-se em 2 ramos:
o Ramo Vestibular – vestíbulo e canais semicirculares
o Ramo coclear – cóclea

Veias
 Veia Auditiva Interna / Labiríntica – drena para seio
petroso superior, seio petroso inferior, seio transverso ou
seio occipital transverso
 Veia do Aqueduto Vestibular – drena para o seio petroso superior ou para o seio transverso.
 Veia do Aqueduto do Caracol – une-se à veia jugular interna

Nervos
 O ouvido interno é o local de origem do nervo auditivo

284
FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO

Membrana Timpânica e o Sistema Ossicular

A Condução Sonora da Membrana Timpânica para a Cóclea


 A membrana timpânica e os ossículos (martelo, bigorna e estribo), estruturas
do ouvido médio, conduzem o som desde o ouvido externo até à cóclea (ouvido
interno)
 Fixado à membrana timpânica está o cabo do martelo
 O martelo está ligado à bigorna pela articulação incudo-maleolar, de modo que,
sempre que o martelo se move, a bigorna também se move com ele.
 A bigorna está unida ao estribo pela articulação incudo-estapédica
 A platina do estribo posiciona-se contra o labirinto membranoso da cóclea, na abertura da janela oval
 A membrana do tímpano encontra-se tensa, o que permite que as vibrações do som em qualquer parte da
membrana sejam transmitidas aos ossículos
 A articulação da bigorna com o estribo faz com que este empurre para a frente a janela oval e o líquido coclear no
outro lado da janela, cada vez que a membrana timpânica se move para dentro, e que puxe de volta o liquido
sempre que o martelo se movimenta para fora.

“Equalização de Impedâncias” pelo Sistema Ossicular através da amplificação das ondas sonoras
 A amplitude de movimento da placa do estribo tem apenas ¾ da amplitude do cabo do martelo. Portanto, o sistema
ossicular não aumenta a distância de movimento do estribo
 Em lugar disso, o sistema aumenta a força de movimento em cerca de 1,3 vezes
 A área da membrana timpânica é de 55 mm2 e a do estribo é de 3,2 mm2 (17 vezes menor que do tímpano)
 Assim, obtém-se uma força total exercida sobre o líquido da cóclea cerca de 22 vezes maior (17 x 1,3 ≈ 22), em
relação à força exercida pelas ondas sonoras contra a membrana timpânica
 Este aumento de força necessário justifica-se pela maior inércia do líquido coclear, em relação ao ar
 Portanto, a membrana timpânica e o sistema ossicular permitem a equalização das impedâncias entre as ondas
sonoras no ar e as vibrações sonoras no líquido da cóclea
 Na ausência do sistema ossicular e da membrana timpânica as ondas sonoras ainda podem percorrer directamente
através do ar do ouvido médio e entrar na cóclea, na janela oval. Contudo, a sensibilidade para a audição fica 15 a
20 decibéis menor do que para a transmissão ossicular – equivalente a uma diminuição para um nível de voz quase
imperceptível.

Atenuação do Som por Contracção dos Músculos Tensor do Tímpano e Estapédico


 Quando os sons intensos são transmitidos para o SNC, ocorre um reflexo, depois
de um período de latência de 40-80 ms, causando a contracção do músculo
estapédico e, em menor grau, do músculo tensor do tímpano.
 Músculo Tensor do Tímpano – puxa o cabo do martelo para dentro, aumentando
a tensão da membrana timpânica
 Músculo Estapédico – puxa o estribo para fora, diminuindo a pressão do líquido
labiríntico
 As acções destes 2 músculos são opostas, aumentando a rigidez do sistema
ossicular e, assim, reduzindo grandemente a condução ossicular do som com
baixa frequência, principalmente abaixo dos 1000 Hz (reduzindo a sua intensidade entre 30 a 40 decibéis)
 Este mecanismo de atenuação apresenta 3 funções:
o Proteger a cóclea de vibrações prejudiciais causadas por sons muito intensos
o Mascarar sons com baixa frequência em ambientes com som intenso. Isto geralmente remove o “ruído de
fundo” e permite que a pessoa se concentre em sons superiores a 1000 Hz, onde é transmitida a maior parte da
informação pertinente à comunicação verbal.

285
o Diminuir a sensibilidade auditiva à sua própria voz – este efeito é activado pelos sinais nervosos colaterais
transmitidos a estes músculos ao mesmo tempo que o cérebro activa o mecanismo de voz

Transmissão do Som através do Osso


 A cóclea está inserida numa cavidade óssea no osso temporal – labirinto ósseo.
 Assim, as vibrações do crânio inteiro podem causar vibrações na endolinfa da própria cóclea.
 No entanto, a energia que alcança o ouvido interno através do osso não é suficiente para causar audição através da
condução óssea.

Cóclea
Anatomia Funcional da Cóclea
 A cóclea é composta de 3 compartimentos:
o Rampa vestibular
o Rampa média ou canal coclear (cóclea
membranosa)
o Rampa timpânica
 Rampa vestibular separada do canal coclear pela
membrana vestibular de Reissner
 Canal coclear separado da rampa timpânica pela
membrana basilar
 Na superfície da membrana basilar situa-se o órgão
de Corti, que contém uma série de células ciliadas,
electromecanicamente sensíveis. Estas são os
órgãos receptores finais que geram impulsos
nervosos em resposta às vibrações sonoras
 Membrana de Reissner - é tão fina e facilmente móvel que não obstrui a passagem de vibrações sonoras da rampa
vestibular para o canal coclear. A sua única função é manter no canal coclear um tipo de líquido especial, essencial
para a função normal das células ciliadas do órgão de Corti.
 As vibrações sonoras entram na rampa vestibular vindas da base do estribo,
que cobre a janela oval
 As vibrações do estribo para dentro provocam o movimento de fluido para a
frente, na rampa vestibular e canal coclear, enquanto o movimento do
estribo para fora faz o fluido voltar para trás
 Quando o estribo movimenta a membrana da janela oval para dentro, a membrana da janela redonda tem de se
mover para fora e vice-versa.

Membrana Basilar e Ressonância na Cóclea


 Membrana Basilar – fibrosa, constituída por fibras basilares que se estendem do centro ósseo da cóclea (columela),
atapetam a lâmina espiral óssea, até à lâmina dos contornos. São fibras elásticas e rijas, estando aderentes à
columela e livres na sua terminação distal (perto da lâmina dos contornos), pelo que podem vibrar
 O comprimento das fibras basilares aumenta da base para o helicotrema. Já o diâmetro e a rigidez das fibras
diminuem da base para o helicotrema
 Ponto de ressonância da onda – cada onda que entra pela cóclea, através do movimento da platina do estribo
sobre a janela oval, é relativamente fraca, mas torna-se mais forte quando chega à parte da membrana basilar que
tem frequência de ressonância igual à respectiva frequência do som. Nesse ponto, a membrana basilar pode vibrar
com tamanha facilidade que a onda se dissipa aí (a partir desse ponto, a onda deixa de se propagar)
 Assim, o ponto de ressonância de alta frequência da membrana basilar ocorre perto da base, onde as fibras
basilares são mais curtas e rígidas; o ponto de ressonância de baixa frequência ocorre perto do helicotrema,
onde as fibras são mais longas e flexíveis.

286
Transmissão de Ondas Sonoras na Cóclea – “Propagação das Ondas”

Padrão de Vibração da Membrana Basilar para Diferentes Frequências Sonoras


 Uma onda sonora de alta frequência tem um trajecto apenas por uma curta distância ao
longo da membrana basilar, antes que alcance o seu ponto de ressonância
 Uma onda sonora com frequência média percorre cerca de meio caminho ao longo da
cóclea até ao seu ponto de ressonância
 Uma onda sonora de baixa frequência percorre a distância inteira ao longo da membrana
 Outra característica da propagação ondulatória é que as ondas percorrem a membrana
basilar mais rapidamente na sua porção inicial, mas tornam-se progressivamente mais
lentas quando se aproximam do helicotrema. Isto deve-se ao alto
coeficiente de elasticidade das fibras basilares perto da janela
oval e à sua diminuição, à medida que nos dirigimos para o
helicotrema.
 Esta transmissão inicial rápida permite que os sons agudos
cheguem longe o suficiente na cóclea para se propagarem e se
separarem na membrana basilar, permitindo uma maior
discriminação entre 2 sons agudos com frequências similares.

Padrão de Amplitude da Vibração da Membrana Basilar para


Diferentes Frequências
 Com base na figura ao lado, observa-se o seguinte:
o A amplitude máxima para o som a 8000 Hz ocorre perto da base da
cóclea
o A amplitude máxima para frequências inferiores a 200 Hz está na
extremidade da membrana basilar, perto do helicotrema, onde a rampa
vestibular se abre na rampa timpânica
 O principal método de discriminação das frequências sonoras baseia-se no
“lugar” de estimulação máxima das fibras nervosas do órgão de Corti, que se situa na membrana basilar.

Função do Órgão de Corti


 Órgão receptor que gera impulsos nervosos em resposta à vibração da
membrana basilar
 Situado na superfície das fibras basilares e da membrana basilar
 Constituído por 2 tipos de células ciliadas receptoras:
o Células Ciliadas Internas – disposta numa fileira única ao longo da
cóclea, em número de 3500
o Células Ciliadas Externas – dispostas em 3 a 4 fileiras, em número
de 12000
 As bases e lados das células ciliadas fazem sinapse com uma rede de
terminações nervosas da cóclea.
 As fibras nervosas estimuladas pelas células ciliadas dirigem-se até ao
gânglio espiral de Corti, que se situa na columela da cóclea
 As células nervosas do gânglio espiral enviam prolongamentos centrais para formar o nervo coclear, que depois se
dirige para o sulco bulboprotuberancial.

Excitação das Células Ciliadas e das Fibras Nervosas Auditivas


 Os estereocílios projectam-se na porção apical das células ciliadas e tocam no revestimento em gel da superfície da
membrana tectorial, a qual está acima dos estereocílios, no canal coclear
 Em cada célula ciliada, os estereocílios tornam-se cada vez mais longos na porção mais afastada da columela

287
 A curvatura dos estereocílios numa direcção despolariza as células ciliadas, e a curvatura na direcção oposta
hiperpolariza-las.
 Sempre que os estereocílios se movem na direcção da despolarização, abrem-se 200-300 canais condutores de
catiões que permitem o influxo de grande quantidade de K+, do canal coclear para dentro dos estereocílios, levando
à despolarização da membrana das células ciliadas
 As células ciliadas fixam-se numa estrutura rígida composta por uma placa plana – lâmina reticular – sustentada
por bastões de Corti triangulares, que se fixam às fibras basilares
 As fibras basilares, bastões de Corti e lâmina reticular movimentam-se
como uma unidade rígida:
o O movimento para cima da fibra basilar (na direcção da rampa
vestibular) provoca uma rotação da lâmina reticular para
cima/dentro, em direcção à columela/modíolo. Este movimento
gera a despolarização das células ciliadas.
o O movimento da fibra basilar para baixo (em direcção à rampa
timpânica) faz com que a lâmina reticular sofra uma distorção para
baixo/fora, levando à hiperpolarização das células ciliadas.
 O movimento das fibras basilares para cima e para baixo gera então um potencial receptor alternante da célula
ciliada. Isto, por sua vez, estimula as terminações do nervo coclear que fazem sinapse com as bases das células
ciliadas
 Acredita-se que um neurotransmissor de acção rápida seja libertado pelas células ciliadas nestas sinapses durante a
despolarização (possivelmente o glutamato)

Os sinais auditivos são transmitidos principalmente pelas células ciliadas internas


 Embora haja mais células ciliadas externas, cerca de 90% das fibras nervosas auditivas são estimuladas pelas
células ciliadas internas
 Contudo, se as células ciliadas externas forem lesadas, ocorrerá grande perda auditiva
 Por conseguinte, tem sido proposto o papel importante das células ciliadas externas no controlo da sensibilidade
das células ciliadas internas para diferentes tons – fenómeno designado de “afinação do sistema receptor” (teoria
suportada pela existência de fibras nervosas retrógradas que se dirigem do tronco cerebral para as células ciliadas
externas).

Potencial Endococlear
 É um fenómeno eléctrico
 O canal coclear/rampa média é preenchido com endolinfa, enquanto a perilinfa é o líquido presente nas rampas
vestibular e timpânica
 As rampas vestibular e timpânica comunicam directamente com o espaço subaracnoideu, de modo a que a
composição da perilinfa é semelhante à do LCR
 A endolinfa é um líquido secretado pela estria vascular (área muito vascularizada na parede externa do canal
coclear), contendo uma concentração elevada de K+ e baixa de Na+ (o oposto do conteúdo perilinfático).
 Existe um potencial eléctrico de +80 milivolts entre a endolinfa e a perilinfa, com positividade no interior do canal
coclear – este é o potencial endococlear
 As extremidades apicais das células ciliadas, contendo os estereocílios, projectam-se através da lâmina reticular e
são banhadas pela endolinfa do canal coclear, enquanto a perilinfa banha os corpos das células ciliadas.
 Além disto, as células ciliadas têm um potencial intracelular negativo de -70 milivolts, relativamente à perilinfa, e
de -150 milivolts em relação à endolinfa, onde se encontram os estereocílios
 Acredita-se que este alto potencial eléctrico ao nível dos estereocílios sensibilize a célula, aumentando a sua
capacidade de responder ao som mais discreto.

288
Determinação da Frequência do Som – o Princípio do “Lugar”
 Como já foi referido, existe uma organização espacial na transmissão de diferentes frequências dentro da cóclea
(sons mais agudos activam membrana basilar mais proximal e sons mais graves activam a membrana mais perto do
helicotrema)
 Além disso, verifica-se uma organização espacial das fibras nervosas na via coclear em todo o trajecto da cóclea ao
córtex cerebral. Neurónios cerebrais específicos são activados por frequências sonoras específicas.
 Portanto, o principal método para detectar diferentes frequências sonoras é determinar as posições ao longo da
membrana basilar que são mais estimuladas – “princípio do lugar” para a determinação da frequência sonora.
 Contudo, observa-se que a extremidade distal da membrana basilar do helicotrema é estimulada por todas as
frequências inferiores a 200 Hz, até aos 20 Hz, algo que não é explicado pelo “princípio do lugar”
 Postula-se que estas frequências baixas sejam discriminadas pelo chamado disparo em surto ou princípio da
frequência. Sons com baixa frequência (20 - 1500Hz) podem causar surtos de impulsos nervosos sincronizados
nas mesmas frequências, e estes surtos são transmitidos até aos núcleos cocleares, que conseguem distinguir estas
diferentes frequências de surtos.

Determinação da Intensidade
 Determinada por 3 modos:
o À medida que o som se torna mais intenso, a amplitude de vibração da membrana basilar e das células ciliadas
também aumenta, resultando numa maior frequência de excitação das terminações nervosas
o À medida que a amplitude de vibração aumenta, faz com que cada vez mais células ciliadas nas margens da porção
ressonante da membrana basilar sejam estimuladas, causando assim uma somação espacial dos impulsos
o As células ciliadas externas não se tornam significativamente estimuladas até que a vibração da membrana basilar
chegue a uma determinada intensidade (a estimulação destas células ocorre para sons mais intensos)

Detecção de Alteações de Intensidade – A Lei da Potência


 Lei da Potência: a sensação sonora interpretada muda em proporção à raiz cúbica da intensidade real do som
 Por exemplo, se entre o som mais suave e o ruído mais intenso corresponder a um aumento de 1 trilião de vezes
(1012) da energia do som, o nosso ouvido interpretará como uma alteração de 10 000 vezes.
 Deste modo, a escala de intensidade é bastante “comprimida” pelos mecanismos de percepção sonora do sistema
auditivo. Isto permite interpretar diferenças de intensidade sonoras numa faixa muito ampla, mas dificulta a
distinção de 2 sons com intensidades muito semelhantes.

Unidade da Intensidade Sonora – o Decibel


 As intensidades sonoras são expressas em termos de logaritmo das suas intensidades reais
 Um aumento de 10 vezes da energia sonora corresponde a 1 bel. Já 1 decibel (0,1 bel) corresponde a um aumento
da energia sonora de 1,26 vezes
 O sistema auditivo mal pode distinguir uma alteração de 1 decibel na intensidade sonora.

Limiar para a Audição em Diferentes Frequências e Faixa de Frequências da Audição


 As frequências sonoras que uma pessoa jovem pode ouvir
ficam entre os 20 Hz e os 20000 Hz.
 Contudo, a faixa sonora também depende da intensidade do
som. Se a intensidade for de 20 dB, a faixa sonora será de
200 Hz até aos 10000 Hz
 Assim, a nossa capacidade de ouvir não é igual para todas as
frequências
 O nosso limiar de sensação sonora é de 0 dB
 A nossa maior capacidade de ouvir anda à volta dos 4000 Hz
 O limiar de sensação desagradável ronda os 120 dB e é igual
para todas as frequências. A partir desta intensidade
deparamo-nos com um som desagradável e doloroso.
289
Mecanismos Auditivos Centrais
Vias Nervosas Auditivas
 As fibras nervosas do gânglio espiral de Corti entram nos núcleos cocleares
anterior e posterior, situados na parte superior do bulbo. Neste ponto, todas as
fibras sinapsam com neurónios de 2ª ordem
 As fibras dos 2º neurónios decussam predominantemente para o lado oposto
do tronco cerebral para terminar no núcleo olivar superior. Algumas fibras
também se projectam para o núcleo olivar superior homolateral
 Do núcleo olivar superior, a via auditiva sobe pelo lemnisco lateral
 Algumas da fibras terminam no núcleo do lemnisco lateral, mas a maioria
ascendem directamente até ao colículo inferior, onde quase todas as fibras
fazem sinapse
 Do colículo inferior, a via passa para o núcleo geniculado interno, onde todas
as fibras fazem sinapse
 Finalmente, a via prossegue até ao córtex auditivo, na circunvolução temporal
superior
 4 particularidades desta via:
o Sinais de ambos os ouvidos são transmitidos para cada um dos lemniscos
laterais, com uma maior predominância de fibras contralaterais
o Em pelo menos 3 lugares no tronco cerebral ocorre cruzamento entre as 2
vias:
 No corpo trapezoide (à frente) e através da estria acústica (atrás), ao
nível da parte superior do bulbo
 Na comissura entre os dois lemniscos laterais
 Na comissura que une os 2 colículos inferiores
o Muitas fibras colaterais dos tractos auditivos entram directamente no
sistema reticular activador do tronco cerebral, activando o SNC em
resposta a sons intensos. Outros colaterais vão ao vérmis do cerebelo, que também é activado instantaneamente
no decurso de um ruído súbito
o Um alto grau de orientação espacial é mantido nos tratos de fibras da cóclea em todo o trajecto até ao córtex. De
facto, há 3 padrões espaciais para o término das diferentes frequências sonoras nos núcleos cocleares; 2 padrões
nos colículos inferiores; 1 padrão preciso para frequências de som distintas no córtex auditivo; e pelo menos 5
outros padrões precisos no córtex auditivo e áreas de associação auditiva.

Frequências de Descargas em Diferentes Níveis nas Vias Auditivas


 A frequência de descarga das fibras nervosas que entram nos núcleos cocleares, provenientes dos órgãos espirais
de Corti, é determinada principalmente pela intensidade do som.
 Para sons até 4000 Hz, os impulsos do nervo auditivo costumam ser sincronizados com as ondas sonoras. Nos
tratos auditivos do tronco cerebral, as descargas geralmente já não são sincronizadas com a frequência sonora,
excepto para sons < 200 Hz
 Acima dos colículos inferiores, a sincronização para qualquer som é perdida.
 Portanto, os sinais sonoros não são transmitidos inalterados directamente do ouvido até aos níveis superiores.
As informações dos sinais sonoros começam a se dissecadas logo a níveis não superiores, como aos nível dos
núcleos cocleares.

290
Função do Córtex Cerebral na Audição
 Córtex auditivo situado na circunvolução temporal superior, estendendo-se
também sobre o córtex insular e porção externa do opérculo parietal
 O córtex auditivo primário é excitado directamente por projecções do corpo
geniculado interno
 As áreas de associação auditiva (córtex auditivo secundário) são excitadas
secundariamente por impulsos do córtex auditivo primário, bem como por
algumas projecções das áreas de associação talâmicas adjacentes ao corpo
geniculado interno.

Percepção das Frequências sonoras no Córtex auditivo Primário


 Pelo menos 6 mapas tonotrópicos (os tais padrões) foram encontrados no córtex
auditivo primário e nas áreas de associação auditivas.
 Na maioria, os sons com baixa frequência estão localizados anteriormente e os sons de alta frequência estão
localizados posteriormente. Contudo, isto não se verifica em todos os mapas tonotrópicos
 Esta variedade de mapas tonotrópicos pode ser explicada pelo facto de cada uma das áreas separadas dissecar
alguma característica específica dos sons: um mapa pode discriminar as próprias frequências sonoras; outro pode
ser usado para detectar a direcção de onde vem o som; outro pode detectar inícios súbitos de sons; e outro detectar
modulações especiais, distinguindo ruídos de sons de frequências puras, etc.
 A faixa de frequências à qual cada neurónio responde no córtex auditivo é muito mais estreita do que nos núcleos
cocleares.
 A membrana basilar perto da base da cóclea é estimulada por sons de
todas as frequências (embora com maior intensidade para sons
agudos), e nos núcleos cocleares encontra-se esta mesma gama de
representação sonora. Contudo, no momento em que a excitação chega
ao córtex cerebral, a maioria dos neurónios responsivos ao som
responde a apenas uma faixa estreita de frequências – assiste-se a uma focalização da resposta a frequências
 Esta focalização pode dever-se a um fenómeno de inibição lateral, semelhante ao ocorrente na via visual. A
estimulação da cóclea numa determinada frequência inibe frequências sonoras em ambos os lados desta frequência
primária. Isto é causado por fibras colaterais que se ramificam da via primária de sinais e exercem influências
inibitórias sobre as vias adjacentes.
 Muitos dos neurónios no córtex auditivo (em especial no córtex de associação) não respondem apenas a
frequências sonoras específicas, tendo também a capacidade de “associar” diferentes frequências sonoras entre si
ou informações sonoras a informações de outras áreas sensoriais do córtex.

Discriminação de “Padrões” Sonoros pelo Córtex Auditivo


 A remoção bilateral completa do córtex auditivo não impede um gato ou macaco de detectar sons ou de reagir de
maneira crua a estes. Contudo, tende a abolir a capacidade do animal de discriminar diferentes tons sonoros e
especialmente padrões/sequências de sons.
 A destruição dos córtices auditivos primários no ser humano reduz bastante a sensibilidade auditiva (surdez
bilateral)
 A destruição apenas de um córtex apenas reduz discretamente a audição contralateral (não há surdez devido ao
elevado nº de fibras que decussam). Contudo, esta lesão afecta a capacidade de localizar uma fonte de som, pois
são necessários sinais comparativos em ambos os córtices para a função de localização
 As lesões que afectam as áreas de associação auditivas não afectam a capacidade da pessoa ouvir e diferenciar sons
ou até interpretar pelo menos padrões simples de som. Contudo, esta revela-se incapaz de interpretar o significado
do som ouvido (agnosia auditiva)
 Lesões na parte posterior da circunvolução temporal superior que afectam a área de Wernicke costumam tornar
impossível interpretar os significados das palavras faladas, embora a pessoa as escute bem e possa repeti-las.

291
Determinação da Direcção da qual vem o Som
 Uma pessoa determina a direcção horizontal da qual vem o som por 2 mecanismos:
o A diferença entre as intensidades de som nos dois ouvidos: mecanismo eficaz para sons com frequências
mais altas
o O intervalo de tempo entre a entrada do som num ouvido e a sua entrada no ouvido contralateral:
mecanismo eficaz para sons < 3000 Hz, discriminando melhor a direcção do som comparativamente ao
mecanismo da intensidade
 Os dois mecanismos não podem dizer se o som está a ser emanado da parte da frente ou de trás da pessoa, ou se
por cima ou por baixo. Esta discriminação é dada principalmente pelos pavilhões auditivos das duas orelhas. A
forma do pavilhão auditivo muda a qualidade do som que entra no ouvido, dependendo da direcção de onde vem o
som.

Mecanismos Neuronais para Detectar a Direcção do Som


 Os córtices auditivos são fundamentais para a detecção da direcção do som
 Contudo, este mecanismo tem início logo ao nível dos núcleos olivares superiores
 O núcleo olivar superior divide-se em 2 partes:
o Porção externa – especializada na detecção da diferença de intensidades do som que chega aos 2 ouvidos e no
envio de um sinal apropriado ao córtex auditivo para a estimativa da direcção
o Porção interna
 Especializada na detecção do intervalo de tempo entre sinais acústicos que entram nos 2 ouvidos.
 Contém grande nº de neurónios que têm 2 dendrites principais: uma projecta-se para a direita, recebendo o
sinal acústico do ouvido direito; a outra projecta-se para a esquerda, captando o sinal acústico do ouvido
esquerdo
 A intensidade de excitação de cada neurónio é sensível a um determinado intervalo de tempo: os neurónios
próximo de um bordo do núcleo respondem de maneira máxima a intervalos de tempo curtos (ex: som vindo
de frente); os neurónios do bordo oposto respondem a intervalos de tempo longos (ex: som vindo de um dos
lados).
 Assim desenvolve-se um padrão espacial de estimulação neuronal. Esta orientação espacial é transmitida ao
córtex auditivo, onde a direcção do som é determinada pelo local de neurónios estimulados de maneira
máxima.

Sinais Centrífugos do SNC para os Centros Auditivos Inferiores


 Existem vias retrógradas em cada nível do sistema nervoso auditivo (do córtex à cóclea). A via final é
principalmente do núcleo olivar superior às células ciliadas do órgão de Corti
 Estas vias são inibitórias, reduzindo a sensibilidade sonora em 15 a 20 dB
 Este mecanismo permite a uma pessoa dirigir a sua atenção para sons particulares, rejeitando outros sons.

Anormalidades da Audição

Tipos de surdez
 2 tipos de surdez:
o Surdez de condução – causada por comprometimento das estruturas físicas do ouvido (tímpano, ossículos…),
que conduzem o próprio som à cóclea
o Surdez nervosa – causada por um comprometimento da cóclea ou do nervo auditivo
 Se a cóclea ou o nervo auditivo forem destruídos, a pessoa fica permanentemente surda
 Se o sistema tímpano-ossicular tiver sido destruído ou estiver anquilosado (por fibrose ou calcificação), as ondas
sonoras ainda poderão ser conduzidas à cóclea por meio de condução óssea de um gerador de sons aplicado ao
crânio sobre o ouvido.

292
Audiómetro
 Constituído por um fone de ouvido conectado a um oscilador electrónico capaz de emitir sons puros de baixas e
altas frequências (testa-se assim a condução aérea)
 O instrumento é calibrado para que o som com nível de intensidade zero em cada frequência seja a intensidade que
mal possa ser ouvida pelo ouvido normal
 Se a intensidade de um som com uma determinada frequência tiver de ser aumentada para 30 dB acima do normal
(0) antes de ser ouvida, diz-se que a pessoa tem uma perda auditiva de 30 dB naquela frequência.
 Normalmente testam-se 8 a 10 frequências, cobrindo o espectro auditivo, e a perda auditiva é determinada para
cada uma dessas frequências.
 O audiograma mostra a perda auditiva em cada uma das frequências testadas
 O audiómetro é também equipado com um vibrador mecânico para testar a condução óssea da apófise mastoideia
do crânio para a cóclea (testa-se assim a condução óssea)

Audiograma na Surdez Nervosa


 Há uma perda parcial a total da capacidade de ouvir o som testado por condução
aérea e condução óssea
 A figura ao lado representa um audiograma retratando uma surdez nervosa
parcial, principalmente para altas frequências. Tal surdez pode ser causada por
uma lesão na base da cóclea. Este tipo de surdez é muito comum em pessoas
idosas.
 Outros padrões de surdez nervosa:
o Surdez para sons graves devido a exposição excessiva e prolongada a sons
muito intensos (os sons com baixa frequência geralmente são mais intensos e
mais prejudiciais ao órgão de Corti)
o Surdez para todas as frequências, causada por sensibilidade do órgão de Cotri a drogas (alguns antibióticos
como a estreptomicina, canamicina e cloranfenicol)

Audiograma para surdez de condução Óssea do Ouvido Médio


 Causado normalmente por fibrose no ouvido médio após infecção repetida
ou por fibrose que ocorre na otosclerose (doença hereditária)
 As ondas sonoras não podem ser transmitidas facilmente através da
membrana timpânica à janela oval
 Na figura ao lado está representada um audiograma de uma surdez por
condução óssea. A condução óssea é normal mas a condução aérea (através
do sistema ossicular) está muito diminuída em todas as frequências,
principalmente nas frequências baixas.
 Alguns casos deste tipo de surdez podem dever-se ao facto da placa do
estribo ficar “anquilosada” por hipercrescimento ósseo até aos bordos da
janela oval. Neste caso, a pessoa torna-se totalmente surda para a condução aérea (ossicular), mas pode readquirir
audição quase normal pela remoção cirúrgica do estribo e substituição por uma prótese.

293
FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO

Sensações Vestibulares e Manutenção do Equilíbrio

Sistema Vestibular
 Constituído pelos canais semicirculares, utrículo e sáculo.
 Parte integrante do mecanismo de equilíbrio

“Máculas” – Órgãos Sensoriais do Utrículo e do Sáculo para Detectar a Orientação da Cabeça com Respeito à
Gravidade
 A mácula do utrículo situa-se principalmente no plano horizontal, na superfície inferior do utrículo, e
desempenha um papel importante em determinar a orientação da cabeça quando esta fica em posição erecta.
 A mácula do sáculo está localizada principalmente no plano vertical e sinaliza a orientação da cabeça quando o
indivíduo está deitado.
 Cada mácula é coberta por uma camada gelatinosa, na qual ficam imersos inúmeros pequenos cristais de CaCO 3,
chamados estatocónias.
 Na mácula encontram-se também milhares de
células ciliadas, projectando os seus cílios para
cima na camada gelatinosa. As bases e lados
destas células fazem sinapse com as
terminações sensoriais do nervo vestibular.
 As estatocónias calcificadas têm uma gravidade
específica 2 a 3 vezes acima da gravidade
específica do líquido e tecidos circunjacentes.
 Devido ao seu alto peso específico, as
estatocónias traccionam a massa gelatinosa
durante a aceleração linear, provocando o
deslocamento dos cílios. Dependendo da orientação dos cílios nos diferentes campos, os movimentos levam à
despolarização ou hiperpolarização das células ciliadas.

Sensibilidade Direccional das Células ciliadas – Quinocílio


 Cada célula ciliada tem 50 a 70 estereocílios e um grande cílio – o quinocílio
 O quinocílio está localizado de um lado e os estereocílios tornam-se cada vez mais pequenos em direcção ao lado
oposto.
 A ponta de cada estereocílio está unida ao próximo estereocílio mais longo, até ao quinocílio, inclusive, por meio de
filamentos.
 Assim, quando os estereocilios se curvam na direcção do quinocílio, os filamentos puxam os estereocílios,
afastando-os do corpo celular. Este fenómeno faz abrir várias centenas de canais catiónicos na membrana celular,
gerando um influxo de catiões para dentro da célula, permitindo a sua despolarização.
 Pelo contrário, a deformação do conjunto de estereocílios na direcção oposta reduz a tensão nas fixações levando ao
encerramento dos canais catiónicos, favorecendo a repolarização/hiperpolarização da célula receptora.
 Em condições normais de repouso, as fibras nervosas que saem das células ciliadas transmitem continuamente
impulsos nervosos a uma taxa de 100 por segundo.
 Aquando da despolarização, ocorre um aumento significativo da taxa de impulsos. Pelo contrário, a deformação
dos cílios para longe do quinocílio diminui o nº de impulsos, podendo até inibi-los completamente
(hiperpolarização)
 Em cada mácula, cada uma das células ciliadas é orientada numa direcção diferente para que algumas delas sejam
estimuladas quando se deformam para trás, enquanto outras são estimuladas quando se deformam para um lado, e
por aí adiante.
 Portanto, ocorre um padrão diferente de excitação nas fibras nervosas maculares para cada orientação da cabeça no
espaço. É este “padrão” que notifica o SNC sobre a orientação da cabeça.
294
Canais Semicirculares
 São 3: um anterior, um posterior e um lateral/horizontal,
dispostos em ângulos rectos entre si, de modo a
representarem os 3 planos no espaço.
 Cada canal semicircular apresenta uma dilatação numa
das extremidades chamada ampola
 Os canais e as respectivas ampolas estão preenchidos por
endolinfa.
 Em cada ampola existe uma pequena crista ampular. Na
parte superior desta crista há uma massa de tecido
gelatinoso frouxo, a cúpula.
 Quando a cabeça de um indivíduo começa a girar em
qualquer direcção, a inércia da endolinfa gera aumento do desvio da cúpula
 Na cúpula projectam-se centenas de cílios das cerca de 7000 células ciliadas localizadas em cada crista ampular. Os
quinocílios destas células são todos orientados na mesma direcção (ao contrário das células da mácula). As células
ciliadas e os seus cílios apresentam conformação idêntica à das células ciliadas da mácula.
 A deformação da cúpula na direcção do quinocílio causa despolarização das células ciliadas
 A deformação da cúpula na direcção oposta hiperpolariza as células ciliadas
 A partir das células ciliadas são enviados sinais apropriados por meio do nervo vestibular, a fim de notificar o SNC
sobre a mudança de rotação da cabeça e da velocidade de mudança em cada um dos 3 planos

Transformação dos estímulos nas células sensoriais do vestíbulo


As células da mácula e da crista ampular possuem, na sua superfície
apical, um longo quinocílio e cerca de 80 estereocílios de
comprimento variável e com arranjo em escada. Durante o repouso,
os cílios apresentam-se rectilíneos. No caso de desvio dos cílios na
direcção do quinocílio, a célula sensorial despolariza e a frequência
de potenciais de acção aumenta (à direita). No caso de desvio na
direcção oposta à do quinocílio, a célula hiperpolariza e a
frequência de impulsos diminui (à esquerda). Dessa forma, o polo
basal da célula ciliada liberta o glutamato e regula a activação do
neurónio aferente (a despolarização aumenta libertação de Glu e a
hiperpolarização inibe a sua libertação).

Função do Utrículo e do Sáculo na Manutenção do Equilíbrio Estático


 O sistema do utrículo e do sáculo funciona de maneira eficaz para manter o equilíbrio quando a cabeça está em
posição quase vertical

Detecção da Aceleração Linear pelas Máculas do Utrículo e do Sáculo


 As máculas operam para manter o equilíbrio durante a aceleração linear exactamente da mesma maneira que
operam durante o equilíbrio estático
 Contudo, as máculas não operam para a detecção da velocidade linear
 Quando os corredores começam a correr, precisam de se inclinar para a frente para impedir uma queda para trás
devido à aceleração inicial (há uma intervenção das máculas), mas uma vez atingida a velocidade de corrida, a
inclinação do seu corpo para a frente serve somente para manter o equilíbrio devido à resistência do ar (neste caso,
não são as máculas que o fazem inclinar-se para a frente, mas a pressão do ar que actua sobre os receptores de
pressão na pele, o que induz ajustes do equilíbrio, a fim de impedir quedas).

295
Detecção da rotação da Cabeça pelos Canais Semicirculares
 Quando a cabeça subitamente começa a girar em qualquer direcção (a chamada aceleração angular), a endolinfa
nos canais, devido à sua inércia, tende a continuar estacionária enquanto os canais giram. Isto causa um fluxo
relativo do líquido nos canais na direcção oposta à da rotação da cabeça.
 O gráfico ao lado mostra um sinal de descarga típico de uma
célula ciliada na crista ampular quando um animal é rodado por
40 segundos
o Mesmo quando a cúpula está na sua posição de repouso, a
célula ciliada emite uma descarga tónica de 100 impulsos
por segundo
o Quando o animal começa a rodar, as células ciliadas
deformam-se para um lado, e a frequência de descargas
aumenta
o Com a rotação contínua, o excesso de descarga da célula
ciliada gradualmente retorna de volta ao nível de repouso
durante os segundos seguintes.
 A razão para esta adaptação do receptor é que, durante os
primeiros segundos de rotação, a inércia da endolinfa leva a que esta permanece estacionária nos canais. Isto, em
combinação com o movimento dos canais rápido gera uma deformação maior da cúpula e, consequentemente uma
maior despolarização da célula ciliada.
 Segundos depois, vencida a resistência inercial ao fluxo do líquido no canal semicircular, a endolinfa começa a rodar
tão rapidamente quanto o próprio canal, o que faz com que a cúpula retorne lentamente à sua posição inicial de
repouso, diminuindo o nº de impulsos da célula ciliada
 Quando a rotação para subitamente, têm lugar os efeitos completamente opostos: a endolinfa continua a girar,
enquanto o canal semicircular pára. Neste momento, a cúpula deforma-se para o lado oposto, fazendo com que
ocorra uma hiperpolarização da célula, inibindo os impulsos por esta enviados
 Depois de alguns segundos, a endolinfa para de se movimentar e a cúpula retorna à sua posição de repouso,
permitindo assim que a descarga das células ciliadas retorne ao seu nível normal (100 impulsos por segundo)
 Deste modo, o canal semicircular transmite um sinal de polaridade quendo a cabeça começa a girar e de
polaridade oposta quando ele para de girar.

Função “Preditiva” do Sistema de Canais Semicirculares na Manutenção do Equilíbrio


 Os canais semicirculares detectam se a cabeça do indivíduo está a começar ou a parar de girar numa direcção ou
noutra.
 Não intervêm na manutenção do equilíbrio estático ou do equilíbrio durante movimentos direcionais ou rotacionais
constantes
 Ainda assim, a perda de função destes canais faz com que o indivíduo tenha pouco equilíbrio quando tenta realizar
movimentos corporais com mudanças intrincadas rápidas.
 Exemplo: uma pessoa está a correr para a frente rapidamente e depois vira-se subitamente para um lado. Ela sairá do
equilíbrio uma fracção de segundo mais tarde a menos que sejam feitas correcções apropriadas antecipadamente. Os
canais semicirculares intervêm nessas correcções, tendo uma função preditora se o desequilíbrio vai ocorrer ou não
e, assim, faz com que os centros do equilíbrio realizem ajustes preventivos antecipatórios apropriados
 A remoção dos lobos floculo-nodulares do cerebelo impede a detecção normal de sinais dos canais semicirculares,
mas tem pouco efeito em detectar sinais maculares. O cerebelo serve como órgão preditivo para movimentos
corporais mais rápidos, bem como para aqueles relacionados com o equilíbrio.

296
Coordenação dos canais semicirculares contralaterais durante
a rotação da cabeça
A rotação da cabeça para a direita (seta vermelha) produz um
fluxo de endolinfa para a esquerda devido à inércia (seta azul
contínua). O arranjo dos estereocílio permite o estímulo contrário
dos órgãos vestibulares direito e esquerdo. No lado direito ocorre
o desvio dos estereocílios no sentido do quinocílio (seta
pontilhada), levando a um aumento da despolarização. No lado
esquerdo o desvio é no sentido oposto ao do quinocílio (seta
pontilhada), ocorrendo uma diminuição da frequência dos
impulsos. Este arranjo aumenta o contraste do estímulo e,
portanto, permite a melhor percepção do estímulo.

Mecanismos Vestibulares para Estabilizar os Olhos


 Cada vez que a cabeça é rodada subitamente, sinais dos canais semicirculares fazem com que os olhos rodem numa
direcção igual e de sentido oposto ao da rotação da cabeça.
 Este mecanismo resulta de reflexos transmitidos pelos núcleos vestibulares e pelo feixe longitudinal medial aos
núcleos oculomotores.
 Este mecanismo permite então estabilizar a direcção do olhar, ou fixar um objecto por tempo suficiente

Outros Factores Relacionados ao Equilíbrio

Proprioceptores do Pescoço
 O sistema vestibular detecta apenas a orientação e o movimento da cabeça
 As informações sobre a orientação da cabeça em relação ao pescoço são transmitidas por proprioreceptores do
pescoço (ex: receptores articulares do pescoço) e do corpo directamente aos núcleos vestibulares e reticulares no
tronco cerebral, e indirectamente através do cerebelo.

Informações Proprioceptivas e Exteroceptivas de outras Partes do Corpo


 As informações proprioceptivas de outras partes do corpo, que não o pescoço, também são importantes na
manutenção do equilíbrio
 Por exemplo, as sensações de pressão das plantas dos pés dizem à pessoa se o peso está igualmente distribuído entre
os dois pés ou se o peso nos pés está direcionado mais para a frente ou para trás.
 Informações exteroceptivas são também necessárias para a manutenção do equilíbrio quando uma pessoa está a
correr. A pressão do ar contra a parte da frente do corpo envia uma informação que depois se traduz na inclinação do
corpo para a frente, a fim de fazer frente à resistência do ar sobre o corpo.

A Importância das Informações Visuais na Manutenção do Equilíbrio


 Após a destruição do aparelho vestibular ou até após a perda da maior parte das informações proprioceptivas do
corpo, um indivíduo ainda pode usar os mecanismos visuais de maneira eficaz para manter o equilíbrio
 Algumas pessoas com destruição bilateral do aparelho vestibular têm equilíbrio quase normal enquanto os seus olhos
estão abertos e todos os movimentos são realizados lentamente
 Contudo, quando o movimento é rápido ou os olhos estão fechados, o equilíbrio é imediatamente perdido.

Conexões Neuronais do Sistema Vestibular com o SNC


 A maior parte das fibras nervosas vestibulares termina no tronco cerebral, nos núcleos vestibulares, localizados na
junção bulboprotuberancial.
 Algumas fibras passam directamente aos núcleos reticulares do tronco cerebral, aos núcleos fastigiais cerebelares e
lobos flóculo-nodular e uvular, sem sinapsar com os núcleos vestibulares

297
 As fibras que terminam nos núcleos vestibulares fazem sinapse
com neurónios de 2ª ordem, os quais também enviam fibras para
o cerebelo, tratos vestíbulo-espinhais, feixe longitudinal medial
e outras áreas do tronco cerebral (núcleos reticulares)
 A via primária para os reflexos do equilíbrio começa nos nervos
vestibulares, passando depois para os núcleos vestibulares e
cerebelo. A seguir, são enviados sinais para os núcleos
reticulares do tronco cerebral, bem como para a medula espinhal
através dos tractos vestíbulo-espinhais e reticulo-espinhais.
Os sinais para a medula controlam a inter-relação entre a
facilitação e inibição dos muitos músculos antigravíticos, deste
modo controlando automaticamente o equilíbrio
 Nota: o tracto vestíbulo-espinhai facilita a acção dos músculos
extensores e antigravíticos, em detrimento dos flexores. O tracto rubro-espinhal desempenha função contrária ao do
tracto vestíbulo-espinhal.
 Os lobos floculo-nodulares do cerebelo estão associados a sinais de equilíbrio dinâmico dos canais semicirculares.
Uma lesão nesta região do cerebelo ou nos canais semicirculares gera uma perda de equilíbrio dinâmico durante
alterações rápidas da direcção do movimento, mas não perturba o equilíbrio sob condições estáticas (acredita-se que
a úvula cerebelar desempenhe um papel no equilíbrio estático)
 Sinais transmitidos cranialmente para o tronco cerebral e sinais provenientes dos núcleos vestibulares e do cerebelo,
por meio do feixe longitudinal mediano, causam movimentos correctivos dos olhos cada vez que a cabeça gira, de
modo que os olhos continuam fixados num objecto visual específico
 Os sinais também ascendem, através do feixe longitudinal mediano ou outros tractos reticulares, até ao córtex
cerebral, terminando no centro cortical primário para o equilíbrio, localizado no lobo parietal, profundamente
no rego de Sylvius, e no lábio superior do rego de Sylvius, em oposição à área auditiva. Estes sinais dão
informações sobre as condições de equilíbrio do corpo.

298
RESUMO DA MATÉRIA EM TABELAS

299
300
301
302
303
PERGUNTAS-TIPO DE NEUROANATOMIA

1. Quais são os limites do buraco de Monro?


Anteriormente os pilares anteriores do fórnix; posteriormente a extremidade anterior do tálamo e superiormente a
membrana tectória;

2. Caracterização do liquor, funções e tipo de circulação:


o O liquor ou líquido cérebroespinal é fluído, incolor e límpido, ocupando o espaço subaracnoídeo e as
cavidades ventriculares. Possui sais inorgânicos, glicose (correspondente a 60% da glicémia) e poucos
vestígios proteicos. Apresenta normalmente entre 0 a 4 leucócitos por mm³ e uma pressão de 5 a 20 cm de
água obtida por punção lombar (L4-L5), com o doente em decúbito lateral. O seu volume ronda os 130 ml e o
seu turnover dura cerca de 5 horas. Funciona como uma almofada (suporte) entre o SNC e os ossos que o
rodeiam, protegendo o parênquima de choques mecânicos e dando-lhe suporte e estabilidade; Participa na
regulação do conteúdo da cavidade craniana e é o substrato nutritivo das células nervosas; Contribui para a
eliminação de produtos do metabolismo neuronal e permite que as secreções da glândula pineal actuem sobre
outras estruturas.
o Forma-se principalmente nos plexos coroideus dos ventrículos mas também nos espaços perivasculares da
superfície cerebral (em muito pouca quantidade). Estes plexos são constituídos por artérias que provém da
carótida interna e da cerebral posterior, por um folheto duplo de pia-máter e por células ependimárias. É
produzido activamente.
o A circulação no sistema ventricular ocorre dos ventrículos laterais para o III ventrículo através do buraco de
Monro; do III ventrículo para o IV ventrículo através do aqueduto de Sylvius; e do IV ventrículo para o espaço
subaracnoídeo pelos buracos de Magendie e de Luschka. Este trajecto é estimulado pela pulsação das artérias
e por cílios localizados nas células ependimárias. Quando atinge o espaço subaracnoídeo o líquor pode
ascender em direcção às cisternas ou descer, envolvendo a medula e a cauda equina. O trajecto termina nas
granulações aracnóideias, principalmente aquelas localizadas no seio longitudinal superior, que permitem a
absorção do líquor para o sistema venoso por transporem a dura-máter.
o O volume de líquor só é regulado pela sua taxa de absorção visto que a taxa de produção é constante. A taxa
de absorção depende da pressão venosa.

3. Onde entram os plexos coroideus nos ventrículos laterais e qual a sua origem?
A artéria coroideia anterior, ramo da carótida interna, junta-se à artéria coroideia póstero-externa, ramo da cerebral
posterior, ao nível da fenda de Bichat. Passam para o ventrículo lateral pela fissura entre o fórnix e a face superior
do tálamo num ponto identificado radiologicamente como ponto coroideu. Forma-se então o plexo que segue pelo
sulco coroideu na face superior do tálamo, contorna o pulvinar e termina no corno inferior; ou então caminha ao
longo da face interna dos ventrículos laterais, entrando no buraco de Monro e continuando-se com o plexo coroideu
do III ventrículo. Este por sua vez recebe posteriormente a artéria coroideia póstero-interna, também ramo da
cerebral posterior, que continua posteriormente o plexo. Os cornos anteriores e posteriores não possuem plexo
coroideu.
A drenagem venosa do III e IV ventrículo é feita para as veias coroideias que, juntando-se às veias opto-estriadas e
às veias septais formam as veias cerebrais internas. A estas juntam-se as veias epitalâmicas e as veias ventriculares
laterais formando um tronco. Este tronco junta-se ainda às veias basais de Rosenthal formando a grande veia
cerebral que se une ao seio longitudinal inferior para formar o seio recto.

4. Como se distingue uma paralisia facial central de uma periférica?


Como a porção do nervo facial que controla os músculos da região superior da face recebe fibras cortico-nucleares
dos 2 hemisférios e a porção inferior da face recebe apenas fibras do hemisfério contra lateral, uma lesão no
neurónio superior (que ocorre em paralisias centrais, por exemplo, como consequência de um AVC) num dos
hemisférios, vai afectar apenas a porção inferior da face contra lateral, acarretando um desvio da comissura labial
para cima, no lado contrário ao da lesão (por perda da enervação dos músculos orbiculares inferiores, dominando
os superiores).

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Já uma lesão num neurónio inferior/ paralisia facial periférica induz uma hemiparesia da face homolateral no lado
lesado, com o epicanto descaído e comissura labial desviada para baixo. Nestes doentes as expressões emocionais
estão geralmente afectadas porém, na paralisia central são normalmente preservadas porque o tracto que conduz
estas informações é distinto (provém da substância reticular e tem influência do sistema límbico).

5. Como distinguir afasia de expressão e afasia de compreensão?


A área de Wernicke e a área de Broca são responsáveis pela linguagem e são unidas pelo fascículo longitudinal
superior ou feixe arqueado. Lesões destas áreas dão origem a distúrbios denominados de afasias:
- Afasia motora, de expressão ou não fluente de Broca: o doente é capaz de compreender a linguagem falada ou
escrita mas tem dificuldade em expressar-se de forma adequada;
- Afasia sensitiva, de compreensão ou fluente de Wernicke: a compreensão da linguagem falada e escrita é muito
deficiente. Há expressão mas muito perturbada e sem sentido;

6. O que é a dominância cerebral?


O uso predominante de uma mão, a percepção, a linguagem e o discurso são funções controladas pelo hemisfério
dominante. O hemisfério não dominante é especializado na percepção espacial, reconhecimento de faces, músicas e
interpretações abstractas. A dominância de um dos hemisférios é definida até aos 10 anos de idade. Teoricamente,
diz-se que o hemisfério dominante contém as áreas de Wernicke e de Broca e coincide, na grande maioria das
vezes, com o lado contra lateral ao da mão dominante.

7. Qual a diferença entre o feixe longitudinal mediano e a fita longitudinal posterior?


O tronco cerebral apresenta vias de associação próprias cuja função é relacionar rapidamente entre si os diferentes
núcleos do TC que actuam sinergicamente ou que têm de responder a reflexos. Estes 2 feixes são vias de
associação do TC.
O feixe longitudinal mediano percorre a face anterior do aqueduto de Sylvius e do IV ventrículo, terminando ao
nível do cordão anterior da medula cervical. Interliga principalmente os núcleos dos nervos oculomotores, o VIII e
o XI par craniano, estando implicado na sinergia dos movimentos oculares e nos reflexos oculocefalogiros.
Também recebe aferências da via espinho-tectal e do aparelho vestibular. Possui fibras ascendentes e descendentes,
homo e contra laterais. Lesões neste feixe desconectam os movimentos horizontais dos olhos.
O feixe longitudinal posterior (também chamado de longitudinal dorsal de Schultz) nasce nos núcleos posteriores
do hipotálamo e as suas fibras agrupam-se junto do feixe longitudinal medial. Estas fibras vão se distribuir aos
núcleos vegetativos do facial, vago e glossofaríngeo, assegurando uma via através da qual o hipotálamo exerce o
controlo vegetativo do TC.

8. Quais são os núcleos parassimpáticos do tronco cerebral?


O núcleo de Edinger-Westphall pertence ao III par craniano e encontra-se posteriormente ao núcleo motor ocular
comum principal. As suas fibras pré-sinápticas acompanham o trajecto do nervo e sinapsam no gânglio ciliar ou
oftálmico. Aqui, as fibras pós-ganglionares surgem e juntam-se aos nervos ciliares de forma a terminar no músculo
constritor da pupila (fibras circulares), permitindo a miose parassimpática;
O núcleo lacrimal pertence ao VII par craniano. Deste surgem fibras pré-sinápticas que caminham junto com o
nervo intermediário de Wrisberg até ao gânglio geniculado onde contribuem para a formação do nervo vidiano que
segue até ao gânglio pterigo-palatino. Neste gânglio surgem as fibras pós-sinápticas que se anastomosam com o
nervo lacrimal e atingem a respectiva glândula;
O núcleo salivatório superior também pertence ao VII par. As fibras pré-ganglionares que nele têm origem seguem
até ao gânglio submaxilar e neste sinapsam atingindo depois o nervo lingual para chegar às glândulas submaxilares
e sublinguais.
O núcleo salivatório inferior pertence ao IX par craniano. As fibras pré-ganglionares atingem o gânglio óptico,
sinapsam e as pós-ganglionares seguem pelo nervo aurículo-temporal até à parótida;
O núcleo dorsal do vago pertence ao X par e dá fibras que sinapsam em gânglios das vísceras do tórax e do
abdómen.

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9. Quais as barreiras do SNC?
Entre o sangue e o líquor estabelece-se uma barreira hemo-liquórica, localizada nos plexos coroideus,
principalmente no epitélio ependimário; Entre o líquor e o tecido nervoso uma barreira líquor-encefálica, que é a
mais fraca e mais facilmente trespassada; e entre o sangue e o tecido nervoso uma barreira hemato-encefálica, a
mais forte e menos permeável, presente em todo o SNC (excepto na glândula pineal, área postrema, neuro-hipófise
e plexos coroideus que não possuem barreira hemato-encefálica);

10. Como se explica que tenhamos 7 vértebras cervicais e 8 nervos nesta região?
Existem 8 pares de nervos raquidianos cervicais mas somente 7 vértebras: o primeiro par, ou seja C1, emerge entre
a 1ª vértebra cervical e o osso occipital. Todos os outros nervos cervicais emergem pelo buraco de conjugação
imediatamente acima da vértebra correspondente, exceptuando C8 que emerge acima da vértebra T1. A partir deste
nível, todos os nervos espinhais emergem sempre de cada lado abaixo da vértebra correspondente.
Esta situação pode ser explicada pela forma como se desenvolve o esqueleto axial do embrião: deriva da
mesoderme, que origina lateralmente ao tubo neural os somitos; estes por sua vez organizam-se para formar as
vértebras e a porção basilar do osso occipital; como o desenvolvimento do tubo neural vai ocorrendo
concomitantemente, os nervos raquidianos são formados no espaço entre as vértebras em formação; Só numa fase
mais posterior é que o osso occipital de funde à abóbada craniana, permanecendo o 1º nervo raquidiano entre este e
o atlas.

11. O que é a falsa ascensão da medula?


O limite inferior da medula espinhal é diferente no feto e no adulto. Isto acontece porque o ritmo de crescimento
dos ossos do esqueleto axial é superior ao da medula espinhal e portanto ao longo do desenvolvimento há uma
“ascensão relativa” dos segmentos medulares face aos segmentos ósseos. A ascensão é falsa porque na verdade é o
canal vertebral que cresce. Assim, a medula espinhal termina aproximadamente na vértebra L5 no feto, L3 na
criança e L1 no adulto.

12. Quais os reflexos que têm origem no tronco cerebral?


Existem muitas conexões entre os neurónios sensitivos dos nervos cranianos e os neurónios motores. As fibras para
estas conexões podem passar através da substância reticular ou através do feixe longitudinal medial.
O reflexo mandibular depende exclusivamente do trigémeo: a informação proprioceptiva dos fusos
neuromusculares dos órgãos de Golgi caminha pelo nervo maxilar inferior até ao núcleo mesencefálico do
trigémeo. Axónios que deste surgem fazem sinapse com o núcleo motor do trigémeo que por sua vez origina
impulsos eferentes que determinam a contracção dos músculos mastigadores (reflexo miotático simples > envolve
apenas 2 neurónios: o do núcleo do trato mesencefálico e o do núcleo motor). Em condições normais este reflexo
mantém a boca fechada contrariando a acção da gravidade. Pode ser pesquisado percutindo o mento de cima para
baixo com a boca entreaberta;
O reflexo corneano pode ser obtido tocando, por exemplo, com algodão, a córnea, o que determina o fechar das 2
pálpebras. O impulso aferente passa sucessivamente pelo ramo oftálmico do trigémeo, gânglio de Gasser, raiz
sensitiva do trigémeo e chega ao núcleo sensitivo principal. Fibras deste núcleo caminham para os núcleos faciais
de ambos os lados. Assim, uma lesão num dos trigémeos abole a resposta reflexa de ambos os lados quando se toca
a córnea do lado da lesão. Já a lesão no nervo facial abole a resposta reflexa do lado lesado. O reflexo corneano
constitui um mecanismo de protecção do olho (a abolição do reflexo é geralmente seguida de ulcerações da
córnea).
O reflexo lacrimal é semelhante mas segue do nervo sensitivo do V par para o nervo lacrimal do VII par.
O reflexo fotomotor é estimulado por um feixe de luz: o impulso nervoso é originado na retina, conduzido pelo
nervo óptico, quiasma e fita óptica até ao colículo superior, terminando em neurónios do núcleo pré-tectal. Deste
saem fibras para o núcleo de Edinger-Westphall homo e contra lateral, que caminham com o MOC até ao gânglio
ciliar, determinando a contracção de ambas as pupilas (reflexo fotomotor directo e cruzado). O reflexo de
acomodação do cristalino segue um trajecto semelhante mas atinge o núcleo tectal e deste segue para o núcleo de
Perlia, donde saem fibras que acompanham o MOC até ao músculo ciliar, determinando a alteração da curvatura do
cristalino para uma melhor visão ao perto.

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