MORMO sua virulência); auxilia na
proteção a fatores
Doença zoonótica altamente
ambientais desfavoráveis.
contagiosa e fatal.
⌐ A bactéria é isolada a partir
Conhecida desde a
de amostras de sangue e
antiguidade.
secreções dos animais
Acomete principalmente infectados.
equídeos.
⌐ B. mallei crescem em
Burkholderia mallei → bacilo meios que contenham
gram-negativo, aeróbio, não sangue ou glicerol; colônias
esporulado e imóvel. de aspecto mucoide e
⌐ Transmitida principalmente brilhante; sensível a luz
pela água e alimentos solar, calor e desinfetantes
contaminados comuns; não sobrevive por
mais de seis semanas em
Quadros agudos são mais ambientes contaminados.
comuns em asininos e
muares e os quadros crônicos ⌐ Pode ser cultiva em ágar
nos equinos. sangue e MacConkey; na
presença de nitrogênio, ela
Diagnóstico sorológico → cresce como aeróbio e
fixação por complemente (FC) anaeróbio facultativo.
e ELISA.
EPIDEMIOLOGIA
⌐ Alta taxa de mortalidade
ETIOLOGIA em equídeos em diferentes
Burkholderia mallei regiões do mundo.
⌐ Cocobacilo aeróbico gram- ⌐ No Brasil, a doença
negativo, não móvel, não reemergiu em 1999
esporulada, extremidades (Pernambuco e Alagoas) –
arredondadas. prejuízos econômicos aos
criadores.
⌐ Microrganismo intracelular
⌐ Casos esporádicos em
obrigatório de mamíferos.
veterinários, cuidadores de
⌐ Possui uma cápsula de cavalos e funcionários de
lipopolissacarídeo matadouros.
(estrutura responsável pela
⌐ Muitas pessoas que tem oral, mucosas conjuntivas e
contato com cavalos feridas cutâneas.
apresentam a forma ⌐ A B. mallei é carreada por
inaparente da doença meio das secreções
(achados de autopsia de contaminadas, a partir das
nódulos) lesões pulmonares,
⌐ A B. mallei pode ser chegando as vias áreas
utilizada como arma (principal via de
biológica – grande potencial eliminação).
de contaminação sob a ⌐ Secreções nasais e
forma de aerossol. exsudatos da pele de
⌐ Principal fonte de infecção: animais contaminam
alimentos e água ferramentas utilizadas no
contaminados com manejo.
secreções oriundas de ⌐ Envolve os pulmões e trato
descarga nasal de animais respiratório superior
infectados. causando pneumonia ou
A via de excreção mais pleurite e exsudato nasal
importante é a secreção que carrega a bactéria.
nasal – ela é oriunda de ⌐ Animais com a mormo em
lesões pulmonares
forma crônica e portadores
crônicas que se rompem
assintomáticas são a
nos brônquios infectando
principal fonte de
as vias áreas superiores.
transmissão.
⌐ Hospedeiros primários:
⌐ Principal porta de entrada
cavalos, burros e mulas
do agente é a via digestiva,
⌐ Hospedeiros acidentais: também pode ocorrer pela
humanos via respiratória, genial e
cutânea.
⌐ Utensílios, água e
TRANSMISSÃO
alimentos contaminados
⌐ O mormo é transmitido veiculam o agente.
diretamente pela invasão
⌐ A infecção cutânea ocorre
bacteriana na via nasal,
através do uso de fômites e
arreios utilizados durante a
montaria e manejo em Produz lesões na faringe e
contato com as feridas dos septos nasais; mucosa com
animais; infecção por congestão e lesão
inalação é rara. granulomatosa ou nódulos
que podem ulcerar, com
⌐ Maior risco de transmissão -
exsudato mucopurulento com
condições de insalubridade
estrias de sangue.
e aglomeração dos
equídeos nas áreas onde O agente penetra na mucosa
ocorra a doença. intestinal – atinge os
linfonodos causando
Secreções transmitidas
inflamação – caem na
diretamente por meio do
circulação sanguínea –
contato de uma animal
chegam nos pulmões
sadio com um doente;
causando pneumonia.
indiretamente através
dos utensílios. Bacteremia (presença de
bactérias no sangue) na
Nos humanos – transmissão
forma crônica
por material contaminado,
Septicemia na forma
secreções respiratórias e
aguda.
infecções cutâneas.
Muito grave – morte em Presença de nódulos firmes
3 semanas sem que são formados pela
tratamento infiltração de neutrófilos,
Febre, pneumonia com hemácias e fibrina formando
necrose nos brônquios, uma área necrótica.
lesões pustulosas e Patologia clínica – redução de
abscessos hemoglobina sérica, baixa
contagem de eritrócitos e
hematócrito, moderada
leucocitose e neutrofilia.
Aspecto chave da patogênese
PATOGÊNESE – a bactéria invade e se
A bactéria penetra no multiplica dentro da célula,
organismo por meio das onde fica protegida do
mucosas do trato digestivo, sistema imunológico do
feridas ou mucosas dos olhos hospedeiro e da ação de
e nariz. antibióticos. Dentro da célula,
a bactéria produz vacúolos e Forma crônica:
atingem as células vizinhas Tosse, epistaxe
através de ligações da sua (sangramento nasal) e
membrana promovendo dispneia
pontes que interligam uma Lesões no septo nasal já
célula a outra. em úlceras que depois que
cicatrizam formam
cicatrizes em forma de
SINTOMAS
estrela
Doença de pele, vasos Descarga nasal purulenta
linfáticos e trato respiratório Animais crônicos
de equídeos. apresentam grande
Curso clínico agudo – asininos variedade de sinais clínicos
e muares (morte dentre 4 a 7 que dependem da via de
dias) infecção: secreção nasal
purulenta, lesões
Curso clínico crônico –
pulmonares e nódulos em
equinos
fígado e baço.
Forma aguda: Nódulos na pele que
Febre alta (por causa da drenam secreção purulenta
infecção) com amarelada – frequente em
emagrecimento doentes
Ulceração do septo nasal
com descarga
Pode assumir três formas
mucopurulenta que pode
distintas (podendo ser só uma
evoluir pra hemorrágica
ou as três ao mesmo tempo)
Sinais clínicos mais
dependendo da localização da
comuns: febre, corrimento
lesão primária:
nasal, lesões cutâneas que
progridem para úlceras na Nasal - necrose dos
mucosa nasal, nódulos na nódulos, ulcerações na
pele e extremidades dos mucosa de laringe e
membros e abdômen traqueia
Broncopneumonia (tosse e Pulmonar – pode ficar
febre alta) – lesões inaparente por longos
pulmonares discretas períodos; hipertermia,
tosse, perda de peso,
dispneia, lesões Teste de triagem – FC e
pulmonares; essa forma é a ELISA
manifestação clinica mais Complementar – Western
importante em equinos blotting, maleinização e
com formação de nódulos PCR
no pulmão Animais reagentes com sinais
Cutânea - pequenos clínicos – imediatamente
nódulos superficiais que sacrificados.
drenam líquido oleoso A propriedade fica em
regime de saneamento,
sendo liberada depois da
No sistema linfático – grandes
realização de dois testes
nódulos firmes com secreção
consecutivos no plantel.
purulenta amarela e edemas.
Pode causar anemia grave Estudos recentes
por causa da queda da demonstram a
atividade eritropoiética na susceptibilidade da B. mallei
medula óssea. a antibióticos testados “in
vitro”, porém não havendo
Em humanos - aumento dos
sucesso na erradicação do
gânglios linfáticos, nódulos no
agente do organismo dos
trato respiratório que ulceram
animais quando desafiado em
emagrecimento, perda da
laboratório.
capacidade respiratória,
inúmeros abcessos O uso da doxiciclina
subcutâneos, pneumonia, também demonstrou boa
broncopneumonia; descarga atividade in vitro conta a B.
nasal, lesões no pulmão mallei, além da
(crônico). ceftazidima, ciprofloxacina
e piperciclina.
Não há vacina.
TRATAMENTO,
PREVENÇÃO E CONTROLE Prevenção – teste dos
equídeos, eliminação dos
Diagnóstico – teste de fixação
animais reagentes
do complemento realizado
Incineração ou enterro dos
em laboratório oficial ou
cadáveres; desinfecção das
credenciado.
instalações e fômites.