Comunicação e Cognição Animal
Aula 1 – 21 de Setembro de 2020
Avaliação – 90% teste, 10% participação e presença nas aulas
Conceitos a saber: comunicação, cognição, evolução dos animais não humanos, selecção natural
e selecção sexual (associadas a comportamentos e capacidades cognitivas), representações
mentais (neurofisiologia e expressões comportamentais), mapas mentais, navegação e
migração, avaliação temporal e antecipação do futuro, resolução de problemas e pensamento,
processos de aprendizagem associativa, social, conceptual e o seu valor adaptativo, transmissão
cultural do comportamento e ensinamento dirigido, utilização e aperfeiçoamento de artefactos,
auto-reconhecimento nos animais não humanos, diferenças de personalidade em animais não
humanos – canais de comunicação química, tácteis, acústico, visual, potencialidades e
limitações, mensagens como comportamento social – sistemas de comunicação flexíveis +
conteúdo semântico, competências do tipo linguístico, teorias da mente na vida social dos
mamíferos.
Os humanos só usam a capacidade racional num milésimo do tempo.
As abelhas e os pombos são muito espertos.
Comportamento – aspectos observáveis, visíveis, da vida animal; os sistemas de comunicação
têm que ser observáveis; todos os processos observáveis pelos quais um animal repsonde a
alterações que detecta no seu estado interno ou no ambiente exterior (Skinner e Hebb);
O nosso cérebro pesa 1200/1250 gramas, que é uma pequena percentagem do pelo total do
nosso corpo.
Nós humanos sentimo-nos abissalmente diferente dos outros animais.
Os invertebrados têm um sistema nervoso naturalmente mais simples do que os vertebrados.
O Sistema Nervoso de um gafanhoto, um simples gafanhoto, é mais complexo do que qualquer
computador alguma vez criado.
Sistema Nervoso precisa de receptores sensoriais para captar informação: os órgãos centrais
(cérebro) regista e processa essa informação; os órgãos que implementam as decisões executam
respostas eficazes e adaptativas (são os órgãos efectores).
Aula 2 – 28 de Setembro de 2020
Os peixes vêem melhor que os homens, tal como as aves. A nossa visão é boa, bem desenvolvida,
mas estes animais vêem mais cores e, inclusive, vêem UV.
As serpentes conseguem ver a radiação infra-vermelho.
A percepção é essencial para a comunicação.
Comunicar é comportamento. – comportamento não exige consciência, só tem que ser
observável ou mensurável.
Fisiologia – ramo da biologia que estuda o funcionamento do organismo (metabolismo), ou seja,
órgãos, células, etc. é o estudo do conjunto de processos metabólicos que constituem o
funcionamento orgânico dos seres vivos.
Sistema Nervoso – neurónios + células da glia (protegem e alimentam os neurónios); trabalha
em sintonia com os sistemas endócrino e exócrino; sistema reprodutivo, sistema imunitário.
A maior parte das bactérias que estão nos intestinos não nos fazem mal, mas também não nos
dão muito. -> muitas das bactérias que temos são essenciais à nossa sobrevivência. Há bactérias
que influenciam o nosso pensamento e as nossas decisões.
Sistemas de comunicação – como são comportamento têm que ser observáveis.
Processos observáveis – a olho nu ou que sejam mensuráveis.
Os morcegos produzem ultra-sons, tal como os golfinhos. Esses comportamentos existem
apesar de não os vermos/ouvirmos/sentirmos, têm é que ser medidos.
Há estudos sobre a telepatia nos animais.
Behaviorismo – Skinner, Watson, Thorndike; impacto na psicologia do século XX; corrente
psicológica que recomenda o foco da investigação nos comportamentos e não em pensamentos
ou sentimentos, até porque estes resultam das mesmas variáveis que produzem os
comportamentos. -> desvaloriza a investigação cognitiva.
Às vezes a lógica adaptativa não é óbvia.
Os animais não fazem nada para “dar continuidade à espécie”, “os animais estão marimbando
para a sua espécie”. O que importa é a transmissão dos genes na sua descendência.
Aspectos fisiológicos + aspectos mentais -> são importantes, mas é mais importante ter em
conta aspectos biológicos (lógica adaptativa).
A lógica adaptativa está associada ao percurso evolutivo dos comportamentos. -> análise dos
estímulos que desencadeiam o comportamento; influências genéticas e experiências individuais
que afectam o desenvolvimento comportamental.
Tinbergen (1963) – etologia clássica.
Num ninho, há uma ave/uma cria que está a ser alimentada por um pássaro que não é o pai ou
a mãe. Assim, por que estará esse pássaro a alimentar a cria se ela não é sua? Porque é tio! É
importante para esse pássaro que as crias sobrevivam porque estão lá também os seus genes.
Infanticídio – os animais machos matam as crias de outros machos para que as fémeas estejam
disponíveis para copular com eles e, consequentemente, ter crias com os seus genes e não com
os genes dos outros machos.
Os animais não têm emoções? É óbvio que têm!
Gibões – primatas da Indonésia que têm afectos pelos filhos; a maior parte dos primatas não
apresenta qualquer tipo de preocupação pelas suas crias.
Melanie Klein – o seio materno.
Hoje em dia ainda há behaviorismo, mas não é na radicalidade inicial da época de Skinner
(“behaviorismo radical” – “Skinner deve dar voltas no túmulo de ouvir estes nomes…”).
Os sentimentos e pensamentos são comportamentos? Não. Porquê? Porque não são
observáveis. Mas também nos interessa estudar os processos mentais, subjectivos, não
observáveis (área da psicologia).
O processamento interno da informação tem também necessariamente uma componente
fisiológica, mas podemos tentar estudar os seus aspectos mentais, interiores, subjectivos ->
propósito central da psicologia.
Aula 3 – 12 de Outubro de 2020
Cognição – processamento de informação através do sistema nervoso, especialmente os seus
aspectos mais complexos; processos neurais relativos à aquisição, retenção e utilização de
informação; capacidade de gerar e armazenar representações mentais do ambiente físico e
social, usando-as para reproduzir comportamentos ou para resolver problemas.
Dentro do nosso crânio fazemos uma coisa muito importante: representações mentais!
Diferentes capacidades cognitivas (as pessoas que trabalham/estudam em cognição animal
desenvolvem temas como):
- representações mentais (dependem do tipo de órgão dos sentidos mais bem
desenvolvidos no animal em questão – humanos/visão, cães/olfacto, etc.)
- memórias (memória declarativa, semântica, etc., também se estudam em animais não
humanos)
- aprendizagem (diferentes processos – experiência, modificação dos comportamentos
como resultado da experiência; depende a 100% da cognição).
- resolução de problemas
- mapas cognitivos
- avaliação temporal, antecipação do futuro
- pensamento, tomadas de decisão, aquisição de conceitos e regras abstractas
- utilização de instrumentos
- sistemas de comunicação flexíveis (semanticidade, por exemplo)
- uso da linguagem (compreensão, produção, numerosidade, em que a compreensão e
a produção são também estudadas em animais não humanos).
- comportamentos cooperativos (planear e implementar – caçadas em grupo, por
exemplo)
- interacções sociais mediadas por “teorias da mente” (o que é que os outros estarão a
fazer?/ o que é que os outros estarão a pensar?)
- formações de culturas ou tradições
- awareness: experiências de imagens mentais inter-relacionadas (incluir a própria
identidade nas representações mentais realizadas acerca dos outros -> saber que os outros
animais também têm auto-estima).
- auto-consciência e uso da representação do self.
Zhanna Reznikova – 1) estuda representações mentais em formigas, 2) as formigas trocam saliva
para saber se são da mesma espécie, 3) e mais, as formigas reconhecem-se individualmente!
Tetsuro Matsuzawa – estuda a memória nos chimpanzés (pesquisar: “working memorial
numeral in chimpanzes”) -> os chimpanzés têm capacidade de memória como nenhum outro
animal tem.
A inteligência dos animais não humanos, em tempos, foram tabu:
- ou porque se considerava simplesmente que os animais não humanos não têm
propriamente vida mental, e muito menos inteligência ou emoções (herança do dualismo
cartesiano).
- ou porque os fenómenos subjectivos (a existirem) eram considerados impossíveis de
investigar com rigor, e portanto só o comportamento importa (herança do behaviorismo).
Com o desenvolvimento da cognição humana e da comunicação simbólica (linguagem, crenças,
arte, culturas diferenciadas) os humanos interiorizavam a noção de uma diferença absoluta
entre a nossa vida mental e as vidas mentais dos outros animais. -> nós somos “o Homem” e os
outros são “os bichos”; os outros animais têm apenas um corpo material; os humanos também
têm corpo, mas somos diferentes porque “só nós” temos uma vida espiritual (dualismo
cartesiano) – há vida/outras dimensões depois da morte; estes tabus têm e devem ser
desmistificados mas com estudos que se baseiem na lógica e na racionalidade (crença é
diferente de evidência).
Aula 4 – 19 de Outubro de 2020
Para haver comunicação tem que haver percepção (do receptor) e comportamento (do emissor).
- por vezes temos que desenvolver instrumentos para explorar determinados
comportamentos que, sem eles, não seriam possíveis de estudar (por exemplo, são precisas
máquinas para estudar os ultra-sons dos golfinhos).
Há animais que têm excelentes capacidades de memória (chimpanzés).
A lei do efeito à luz da cognição significa aprendizagem por tentativa e erro ou condicionamento
operante (Skinner).
Os animais, cognitivamente, são capazes de codificar o tempo: antecipar e prever o futuro,
reconhecer algo do passado, etc.
Capacidade dos animais para utilizar e reutilizar os instrumentos.
Há sistemas de comunicação muito rígidos.
Importante: observação de comportamentos cooperativos (“como é que em conjunto atingimos
determinado objectivo?” – p.e.: caça).
Co-específicos – da mesma espécie.
Representação de si próprios – selfawareness (experiência “mirror recognition”); capacidade
para se visualizarem como seres individuais.
“O cão deve estar a pensar que…” era, em tempos, tabu.
- os cães passam por diferentes estados emocionais e reagem emocionalmente às
situações;
- antigamente é que era complicado estudar o “mental” dos animais não-humanos;
- se nos humanos há coisas muito difíceis de estudar, nos animais seria impensável
estudá-las;
“Não há vítimas a lamentar do desastre, apenas de perderam algumas cabeças de gado.”
- dualismo cartesiano!
- é importante haver uma viragem no pensamento
- os animais não são humanos, mas são animais!
Os animais têm vida mental! -> revolução na ciência e viragem do pensamento.
Darwin – o naturalista mais importante de todos os tempos; falou da psicologia do futuro, em
1859, n’A Origem das Espécies.
Modificação das características da espécie ao longo das gerações (numa palavra, “evolução”).
Mecanismo da selecção natural
- “origin of species” (1859)
- o que modifica a espécie é o sucesso reprodutivo
- 1) variação: existem diferenças (variantes) entre os indivíduos de uma população de
seres vivos; 2) hereditariedade: essas diferenças transmitem-se na reprodução, pelo menos em
parte, isto é, os organismos têm características mais próximas às dos seus progenitores do que
às características médias da população; 3) reprodução diferencial: o sucesso reprodutivo dos
indivíduos variantes na população não é uniforme, é desigual (e estas desigualdades, que são
observáveis, vão por si só produzir modificações nas populações ao longo das gerações, isto é,
geram processos evolutivos.
Outra pequena-grande evolução promovida por Darwin: “a diferença mental entre o homem e
os animais superiores, mesmo sendo enorme, é certamente uma diferença de grau e não de
género”.
Animais superiores – os mais parecidos com os “campeões do mundo”, os seres humanos.
Animais inferiores – os mais diferentes dos “campeões do mundo”.
A selecção natural permitiu a comunicação actual da civilização.
Temos um cérebro hoje em dia parecido ao cérebro que tínhamos há 200 mil anos. As grandes
diferenças ocorreram nos últimos 10 mil anos. -> o cérebro humano é muito complexo; 83 mil
milhões de neurónios (o cérebro juntamente com o encéfalo) não existe nada assim no universo.
Darwin, por haver parentesco entre espécies e continuidade mental, introduz métodos de
estudos que partem das comparações.
Os chimpanzés pigmeus ou os bonobos são os nossos “parentes” mais próximos.
Biólogos:
- “o sexo oposto” x
- “o outro sexo” V (os biólogos defendem que podem haver mais do que dois sexos)
Selecção Sexual – forma de selecção natural que resulta de preferências dos animais de um dos
sexos por determinadas características nos potenciais parceiros do outro sexo (e não de
características que conferem maiores probabilidades de sobrevivência); essas características são
frequentemente dispendiosas; características “caras” atraem o outro sexo.
Características actuais dos humanos: acredita-se que os humanos e as suas características sejam
resultado não tanto da selecção natural mas sim da selecção sexual.
Expressões faciais – são comportamento!
No tempo de Darwin não se sabia nada de nada sobre capacidades mentais. Se se soubesse, o
próprio Darwin poderia ter referido alguns desses aspectos.
Aula 5 – 25 de Outubro de 2020
Estudo da cognição animal teve início no início do século XIX.
A responsabilidade de provar algo é de quem propõe esse algo (ónus).
Darwin – não sabemos como nem onde surgiram os humanos porque é no continente africano
que estão as espécies mais parecidas a nós (e devemos ter origem tropical, tendo em mente a
época de reprodução); o naturalista apresenta o modelo adicional à selecção natural, o modelo
da selecção sexual (“as fémeas gostam”).
No paradigma científico evolucionista: ciência assuma responsabilidade para explicar aspectos
de realidade observável; os processos mentais são estudados enquanto fenómenos físicos,
naturais, comparáveis entre espécies diferentes, resultantes de processos evolutivos que
promovem a adaptação das populações aos seus desafios ambientais.
Fred Skinner – escreveu sobre Darwin e sobre o evolucionismo na psicologia. -> não há na
psicologia nenhum pensador que não seja evolucionista.
Behaviorismo – é também um tipo de pensamento evolucionista.
Sistema Nervoso – regular a relação do organismo com o ambiente exterior; gerar vida mental
e experiências internas. -> o funcionamento do sistema nervoso precisa de células e órgãos que
captem informação ambiental (os receptores sensoriais), precisa também de órgãos centrais
(ex.: cérebro) que registem e processem essa informação e órgãos que implementem decisões
executando respostas aficazes e adaptativas (os efectores – músculos, por exemplo).
É importante comparar o tamanho dos cérebros e, claro, comparar esses tamanhos com o
desenvolvimento cognitivo.
- especialmente nos mamíferos
- o cachalote é o mamífero com o cérebro mais pesado (cerca de 9 quilos); há animais
com o cérebro muito maior do que o nosso;
Quociente de encefalização: (compara o peso do cérebro, em gramas)/(compara o peso do
corpo, em quilos).
Neurónios do encéfalo humano: 86.000 milhões
Peso do encéfalo humano: 1508 gramas, mais ou menos (1kg e meio)
- a complexidade sináptica é fundamental e dita a performance e o desempenho
cognitivo de uma espécie.
Córtex – significa “casca”, a camada de fora.
Medula – significa “caroço”, a camada de dentro.
A medula das supra-renais segrega a adrenalina e a noradrenalina: hormonas que nos ajudam a
responder a stress imediato (“o urso vem a correr atrás de mim” -> a adrenalina desvia o sangue
para os músculos e para o cérebro e para o coração para eu fugir do urso).
O córtex das supra-renais segrega hormonas como os corticois (cortisol, corticosterona, por
exemplo): hormonas associadas ao stress prolongado (“estou desempregada e tenho que pagar
a renda”).
Os humanos têm o recorde neurónios.
As várias camadas do córtex têm diferentes números de neurónios. Há animais que não têm
todas as camadas e, por isso, têm menos neurónios. -> mas a histologia comparada (área que
estuda os tecidos dos organismos) diz que a arrumação das camadas corticais é independente
do número de neurónios.
Em biologia a palavra “raça” não quer dizer nada.
Quanto mais utilizarmos o cérebro, mais sinapses se formam e mais ele se vai desenvolver.
- fizeram-se experiências com os ratos em que se comparou o cérebro de um rato com
o cérebro de um rato que foi treinado para percorrer labirintos (e com outros exercícios de
capacidades cognitivas) e há diferenças nos dois cérebros.
Só nos finais do século XX é que evoluímos laboratorialmente para fazer este tipo de estudos,
nomeadamente nos ratos.
Aprendizagem – processo que promove uma reestruturação cognitiva; modificação do
comportamento como resultado da experiência; (outra aula) é a modificação do
comportamento como resultado da experiência; a aprendizgaem é o processo pelo qual o
comportamento de um organismo se torna mais vantajoso em relação às condições ambientais
como resultado da experiência; poe existir um período de tempo entre o processo de
aprendizagem e a sua manifestação comportamental é mais correcto definir a apresentação
como uma alteração na probabilidade de ocorrência de um determinado comportamento, como
resultado da experiência (“como resultado da experiência” é a parte importante quando se fala
sobre a aprendizagem).
2 de novembro de 2020
É um desafio estudar os animais não humanos porque a comunicação e a linguagem não são
humanos. -> dizer “linguagem humana” é redundante.
O chimpanzé é um primata.
O etólogo é o biólogo do comportamento.
Processos de aprendizagem: habituação, aprendizagem por associação (condicionamento
clássico/operante), insight learning, aprendizagem social (aprendizagem por
observação/imitação) e aprendizagem conceptual (através de conceitos e categorias).
Habituação – extinção mais ou menos permanente da resposta a um estímulo específico, que
resulta da exposição repetida a esse estímulo, sem que tenha ocorrido qualquer consequência
relevante.
Condicionamento clássico – aprendizagem por associação; foco no estímulo que leva a uma
resposta; a uma resposta que surge da associaçã entre 2 estímulos (no exemplo de Ivan Pavlov,
o cão reage ao som do sino, que por sua vez está associado ao 2º estímulo, o osso).
Condicionamento operante – aprendizagem por associação; Fred Skinner; o processo mental
descrito por Skinner no condicionamento operante é o mesmo que Lloyd Morgan descreveu na
aprendizagem por tentativa e erro e é o mesmo que Edward Thorndike descreveu na Lei do
Efeito; cognitivamente vai dar ao mesmo; conceitos: reforço positivo, reforço negativo (o castigo
funciona mal, a não ser que seja tão marcante que o animal/pessoa não esqueça) e reforço
condicionado.
Modelação – modificação do comportamento por aproximações sucessivas, cada uma das quais
é reforçada até ser atingido um determinado comportamento-alvo; conceito desenvolvido pelos
behavioristas.
“golfinho naif” -> é um golfinho não treinado. -> a modelação na aprendizagem dos golfinhos
naifs funciona, por exemplo:
- quer-se que o golfinho faça o salto mortal duplo
- primeiro passo: salto do golfinho + reforço
- segundo passo: salto mortal do golfinho + reforço maior
- terceiro passo: duplo mortal + reforço total (dar-lhe o balde todo com o peixe).
Insight learning – Kohler: psicologia Gestaltista, com chimpanzés; associação súbita de estímulos
e de aprendizagens anteriores na resolução de um problema; o problema é resolvido
mentalmente primeiro antes de se passar à prática (ex.: bananas penduradas no texto e várias
caixas espalhadas pelo chão; o chimpanzé pensou e representou as caixas empilhadas na sua
cabeça; pôs o que pensou em prática e chegou à resolução do problema).
Imitação – aprendizagem social; repetição dos padrões comportamentais observados noutros
sujeitos na mesma ocasião; só se trata de aprendizagem por imitação se o animal que imita
estiver a repetir um comportamento que lhe é novo.
Aprendizagem por observação – repetição de comportamentos observados noutros sujeitos
mas em ocasiões diferentes do momento em que se observou; exemplo da macaca Imo:
lembrou-se de lavar as batatas para não ter que comer as sementes; os restantes membros da
sua comunidade começaram a fazer o mesmo (e aqui a transmissão do comportamento não foi
por via genética); os restantes elementos da comunidade começaram a imitá-la (aprendizagem
por observação/imitação).
Trigueirões – são pássaros; há muitos no Alentejo e os seus cantos diferem do Alto para o Baixo
Alentejo.
Orcas – apresentam a coesão social mais intensa do mundo; os espectogramas (catálogos dos
sons dos animais) são muito idênticos; pensa-se que os chamamentos das orcas são transmitidos
de geração em geração por aprendizagem social.
9 de novembro de 2020
Tipos de aprendizagem: condicionamento clássico e operante.
- Clássico: Pavlov (o bio-cérebro associa 2 estímulos)
- Skinner: associação do comportamento do indivíduo e as suas consequências)
Thorndike – gatos
Skinner – pombos
As esponjas do mar não têm sistema nervoso porque não precisam. Não precisam de investir
em algo tão caro para a evolução. São felizes e reproduzem-se na mesma, que é o mais
importante na vida animal.
O medo é a emoção mais primitiva do reino animal.
Aprendizagem social – por imitação (se for imediatamente repetida após a observação do
comportamento) ou aprendizagem por observação (se o comportamento só for repetido algum
tempo depois). -> os animais naifs modificam o seu comportamento ao verem os animais
demonstradores.
Período neolítico – surgiu a agricultura e a pastorização.
Como se demonstra a transmissão cultural de comportamentos? -> através de observações
comportamentais detalhadas da própria aprendizagem social por imitação ou mesmo por
ensino com demonstração (teaching) ou, quando possível, experiências de transferências de
juvenis entre populações.
Um chimpanzé bebé ao colo de um chimpanzé mais velho, de barba branca -> por que é que
dizemos que é a mãe, mesmo tendo barba branca? Porque os machos chimpanzés não têm
cuidados com as suas crias , só as mães, as fémeas é que têm.
Teaching – avaliação do estado mental dos aprendizes (é um dos aspectos mais interessantes,
os tutores percebem em que fase da aprendizagem é que estão as suas crias/filhotes).
Elephas maximus – elefante asiático
Orcinus orca – membro da família dos golfinhos
O “hi five” é um comportamento comum em algumas famílias de chimpanzés.
Aprendizagem conceptual – conceitos são categorias mentais para estímulos (objectos, eventos
ou ideias) que apresentam características comuns; pensar no exemplo da taça de fruta, em que
as várias peças de fruta dentro da taça fazem com que essa taça se chame “a taça da fruta”.
23 de novembro de 2020
Teaching – ensino directo; em termos de aprendizagem é algo um pouco mais sério (aqui o tutor
investe tempo para ensinar).
Em teaching, o tutor vigia os aprendizes passo-a-passo, monitoriza o estado mental dos
aprendizes e garante que o aprendiz adquiriu a competência necessária.
Nos mamíferos é muito raro os machos ensinarem os filhos.
A cognição pode proporcionar estados de sofrimento nos animais, bem como proporcionar-lhes
bem-estar.
Aprendizagem conceptual – processo de aprendizagem menos explorado em animais não-
humanos.
A que chamamos de comunicação?
Comunicação – transmissão de informação entre um emissor e um receptor, em que o emissor
modifica o comportamento do receptor, influenciando-o; na comunicação, um indivíduo (o
emissor) usa estruturas ou comportamentos especializados (os sinais) com a função de
modificar o comportamento de outros (receptores); communicare, do latim, significa “to share”;
é a actividade propositada de troca de informação entre dois ou mais intervinientes com o fim
de transmitir/receber os significados pretendidos; a comunicação envolve: comportamentos,
percepção, processos fisiológicos, processos cognitivos (processamento cognitivo), processos
evolutivos (condições de transmissão no meio diferem muito); há quem defenda que
comunicação é, até certo ponto, a mesma coisa que manipulação (manipulação do
comportamento do outro); a comunicação é uma corrida ao armamento; os sistemas de
comunicação, como são comportamento, têm que ser observáveis; comunicação simbólica:
linguagem, crenças, arte, culturas diferenciada, etc.; para haver comunicação tem que haver
percepção (do receptor) e comportamento (do emissor); toda a comunicação é manipulação;
Antropocêntrico – a humanidade deve permanecer no centro do entendimento dos humanos;
antropo – homens, centrismo – centro.
Grou-coroado – das planícies africanas; actividades de cortejamento (ou corte); selecção sexual;
outra forma de comunicação.
Aspectos da vida animal em que os sinais de comunicação podem ser mais importantes:
- busca de alimento (foraging) ou obtenção/guarda de outros recursos;
- defesa contra predadores;
- reprodução: cortejamento, acasalamento, cuidados parentais, competição intra-
sexual.
Em biologia há o emissor, o receptor e ainda os “eavesdropping” (/bisbilhoteiros).
Há espécies em que determinados animais usam as suas capacidades para fingir. -> aves que
fingem ter a asa partida (para afastar os predadores dos seus ninhos) ou os machos que fingem
estar magoados (para quando os outros machos se aproximam ele poder atacá-los).
Os animais não se preocupam com a reprodução da espécie, preocupam-se com a sua própria
reprodução! -> o pior que pode acontecer a um macho não é a fémea morrer ou só ter um filho,
por exemplo, o pior que lhes pode acontecer, aos machos, é a fémea engravidar de um outro
macho porque isso está a pôr em causa a sua própria reprodução (por outras palavras, os seus
próprios genes).
9 de dezembro de 2020
Como saber se foi processo por aprendizagem social ou genética?
Um determinado investigador acha que numa espécie há uma determinada capacidade
conitiva? . Por que é que a validação dessa capacidade está no onus da manifestação e não na
sua negação? -> porque se baseiam muitas vezes antropomorficamente e sem rigot; e o que
deve acontecer é os cognitivistas provarem isso.
Sistemas de Comunicação:
- toda a comunicação é manipulação
- conceito de comunicação – baseado na comunicação humana; e outro comum à comunicação
humana e não-humana;
- canais de comunicação, as propriedades dos mesmos;
- sinais e pistas;
- emissores, sinais, transmissão, ruído, receptores e eavesdroppers (ou “bisbilhoteiros”, em
português, que intersectam sinais de comunicação que não são para eles mas que lhes dão jeito)
- funções da comunicação/manipulação;
- sinais “honestos” e sinais enganosos;
- expressão de emoções e semanticidade dos sinais;
Os sinais emitidos pelos animais têm um valor semântico.
Pistas – um animal a coxear é uma simples pista; algo que pode dar a entender ao outro alguma
coisa; uma pista é qualquer característica associada ao emissor (anatómica, comportamental,
artificial, etc.) que possa ser usada para inferir alguma qualidade, estado ou intenção; são
intencionais por definição, tanto podem beneficiar como prejudicar a imagem e os interesses
do emissor; as pistas não têm intenção comunicativa e podem mesmo ser prejudiciais para o
emissor.
Sinais – resultam da evolução de pistas especializadas; chama-se sinais as pistas que resultam
de uma evilução biológica (selecção natural) ou de uma intenção comunicativa e a sua função
específica é modificar o comportamento, as percepções ou crenças do receptor; são emitidos
com a função de beneficiar o emissor, podendo eventualmente beneficiar também o receptor
(ou não); um sinal de um emissor pode ser recebido como pista por um receptor não-intencional
que intercepte a comunicação (eavesdropping); vantagens do sinal: alcance longo, podem
alcançar grandes distâncias.
A comunicação na perspectiva da ecologia comportamental:- o interesse do emissor é
influenciar o comportamento do receptor; são seleccionados os sinais que melhor executam
essa função de manipulação.
- como é do interesse dos emissores produzir dinais, mesmo exagerados ou falsos, que induzam
determinadas reacções favoráveis para eles, é do interesse e é importante para os recptores
distinguir sinais honestos dos sinais falsos/nganosos (“deceptive signals”); seão seleccionadas
capacidades de discriminação nos receptores de modo a que só respondam a sinais bem~eficos
para eles.
- “the evolution of communication is na arms race of manipulators against mind-
readers” (Darwin Krebs, 1878).
Os sintomas de comunicação estão preparados para evitar serem intersectados por
bisbilhotadores.
Canais físicos disponíveis para comunicação
- principais canais para a comunicação: qu~imicos (olfactivo e gustativo), fótico ou
electromagnético (visual) e mecânicos (acústico/auditivos, táctil e sísmico.
Canal da comunicação mecânico sísmico – há animais que comunicam fazendo vibrar o seu
substracto, por exemplo, aves fazem vibrar os ramos onde passam para transmitir um tipo de
mensagem.
Mensagens através de odores têm que ser mensagens simples: “sou da espécie x e estou
disponível para acasalar”.
Vantagens do sinal: alcance longo, podem alcançar grandes distâncias.
Propriedades dos sinais químicos
- difusão lenta;
- duração prolongada;
- simplese estereotipados;
- podem alcançar grandes distâncias;
- origem do sinal difícil de localizar;
- propagação afectada por turbulências, correntes e ventos.
Propriedades dos sinais visuais
- têm propagação instantânea
- podem ser direccionais
- podem possuir elevado conteúdo informativo
- dependem da iluminação (excepção: bioliuminescência)
- são limitados pela densidade do meio
- são limitados pelas partículas no ambiente (nevoeiro, turbidez).
Propriedades dos sinais acústicos
- velocidade de propagação elevada;
- alcance considerável (mas ariável);
- alguns são faciomente localizáveis;
- efémeros e moduláveis (podem conter muita informação);
- podem ser usados na exploração do meio;
- a sua propagação é limitada pelo ruído e sofrem atenuação e degradação;
14 de Dezembro de 2020
Existem vários canais de comunicação com diferentes propriedades e é importante ter em conta
as propriedades físicas desses canais.
O sinal que o receptor interpreta não é necessariamente igual à mensagem emitida pelo
emissor.
- é preciso interpretação cognitiva do sinal
- ocorrem factores como a filtração periférica e a filtração central;
Interessante a estudar: quais as propriedades ecológicas (e biológicas) da comunicação?
A comunicação existe para beneficiar os emissores/existe para influenciar/manipular o receptor
em benefício do emissor, sendo que o receptor também pode ter benefícios.
Há situações em que se pode transmitir e detectar mensagens falsas.
Sinais de comunicação podem ser expressão de emoções? Se sim…
- quais emoções?
- quando é que essas emoções surgem?
“Aquele cão está coxo, está magoado” ou “aquela senhora parece estar doente” -> são
interepretações de pistas (é diferente de comunicação!).
Para haver comunicação têm que haver sinais especializados.
Os sinais têm funções mais específicas.
Quando um animal quer influenciar os seus co-específicos emitem sinais específicos.
As pistas não têm intenção comunicativa. -> podem mesmo ser prejudiciais paras o emissor.
Para ser acto de comunicação têm que haver estruturas anatómicas envolvidas ou sinais
específicos.
Tipos diferentes de comportamento: libertação de feromonas; movimentos/gestos físicos e/ou
visíveis (caranguejo levantar as tenazes para dizer que aquele alimento é seu).
Nota: os canais das feromonas são diferentes dos canais do caranguejo.
Tipos de Canais Canais Canais mecânicos Canais Químicos
Fóticos/Electromagn (canais acústicos ou (canais olfactivos
éticos (canais visuais; canais táctil ou ou canais
Propriedades são canais visíveis) sísmico; que se gustativos; sabor
dos sinais ouvem ou sentem) ou cheiro)
Velocidade de Instantânea Muito rápida Lenta
propagação
Alcance Curto ou nulo Curto a longo Curto
Direccionalidade Muito elevada Elevada ou baixa Baixa
Potencial complexidade Elevada Elevada Baixa ou
moderada
O ónus (peso/responsabilidade) da prova está nos cognitivistas/no lado/nas mãos dos
cognitivistas. -> os investigadores podem “sugerir”/defender que hajam outras explicações,
MAS têm que demonstrar!
- se as explicações explicam o comportamento, utilizo qual – o reflexo ou o pensamento?
- reflexo automático pode explicar um comportamento; da mesma forma, uma memória
(pensamento) também pode explicar um comportamento;
- qual das duas explicações utilizo? A explicação mais simples! = (termo mais chique que
o professor diz querer ler no nosso exame) temos que escolher a hipótese mais parcimoniosa.
Os investigadores podem defender que a melhor explicação nem sempre é a mais simples (ex.
reflexos) e podem haver outras explicações mas têm que se demonstrar!
Valor semântico na comuicação acústica nos animais
- serão os sinais de comunicação em todos os animais não-humanos apenas gritos de
expressão de estados fisiológicos internos e reacções inconscientes a estímulos? -> Groans of
Pain (GOP é uma visão mais antiga).
- ou partilharão algumas das propriedades da linguagem humana? -> semântica (os
macacos produzem diferentes gritos conforme o tipo de predador).
21 de Dezembro de 2020
O que mais interessa aos cognitivistas nos sistemas de comunicação animal:
- a dimensão e a complexidade formal (grandeza matemática: nº de elementos diferentes no
repertório animal) dos reertórios de sinais;
- a existência de regras semânticas ou sintátitcas na produção de sinais -> é importante partir
sempre da hipótese nula (h0): o animal é burro e não sabe nada;
- capacidade de manipulação cognitiva de sinais simbólicos arbitrários -> há animais com grande
capacidade para decifrar sinais arbitrários, mas não os sinais simbólicos (ex.: cães);
- a variação geográfica nos repertórios que possa ser associada a processos de aprendizagem
social;
- flexibilidade no uso de sinais e sensibilidade ao contexto por parte dos animais, que podem
revelar ou sugerir uma compreensão global das situações e uma intencionalidade consciente
nas emissões;
- o conhecimento de processos neurofisiológicos (imagiologia) correlacionamdos com as
práticas comunicativas observadas;
As águias costumamapanhar os macacos bebés – andam de olho nos juvenis e quanto têm
oprtunidade apanham-nos;
- quando os macacos emitem o “leopard alarm”, os restantes animais da espécie defendem-se
indo para cima duma árvore;
- a mesma coisa quando fazem o “snake alarm” e escondem-se em arbustos mais densos onde
as cobras não vão;
- e outras estratégias para águias e assim sucessivamente;
- os alarmes soam de acordo com a ameaça/predador e fazem-se com vocalizações;
A questão dos referentes simbólicos e das regras gramaticais:
- diversos programas de investigação têm procurado averiguar até que ponto os animais
de diversoas espécies (sobretudo mamímerfos e aves) têm a capacidade de memorizar e
manipular símbolos abstractos, arbitrários e de compreender e utilizar variações na estrutura
de frases linguísticas (competências gramaticais);
- espécies favoritas: chimpanzés-comuns, bonobos, gorilas, golfinhos, papagaios-
cinzentos-africanos, cães, etc.
Propriedades da linguagem humana:
- utilização do canal vocal/auditivo
- transmissão omnidirecional e recepção direcional
- dissipação rápida
- alternância de papéis entre emissores e receptores;
- feedback complecto
- especialização
- semanticidade
- arbitrariedade
- descontinuidade (discretness)
- afastamento
- abertura ou produtvidade
- tradição
- dupla articulação (duality of paternity)
- falsidade
- reflectividade
- possibilidade de ser aprendidade
Chimpanzés e gorilas já aprenderam linguagem gestual americana. -> os símios e outros macacos
não conseguem aprender a falar porque as suas laringes se encontram muito mais abaixo na
garganta e os sons/vocalizações variam consoante isso.
Por que é que o token paa a linguagem artificial não pode ser um rectângulo castanho? -> porque
não tinha arbitrariedade! queremos saber se os animais conseguem usar símbolos arbitrários->
um rectângulo castanho remete para um pedaço de chocolate! não há arbitrariedade porque
estamos a lembrar o macaco precisamente daquilo que queremos que ele responda.
Os papagaios não só vocalizam palavras que aprendem como aprendem mesmo a falar, o que
implica compreensão.
- entendem perguntas, por exemplo:
“What is blue?” – e o papagaio pega no carrinho azul.
- cognição numérica e numerosidade:
“Alex, how many rocks?”
- “two.”
“Alex, how many keys?”
- “three.”
“Alex, how many corks?”
- “two.”
- o Alex foi o único animal de sempre, não-humano, que fez uma pergunta a um humano:
“What colour is this?” (perguntou à Irene quando se viu ao espelho)
- “grey, Alex.” (e foi aqui que o Alex aprendeu o que é a cor cinzenta).
4 de Janeiro de 2020
Experiência: investigador ensionou uma cadelinha a associar palavras em inglês a determinados
objectos (com border colis e brinquedos).
Vários tipos de animais têm sido observados a utilizar objectos. -> os pica-paus, por exemplo,
pegam em pequenos raminhos e usam o bico para com esses ramos tirar larvas dos troncos e
comê-las; as lontras, outro exemplo, pegam em pedras para bater em conchas, abri-las e comer
o molusco (e mais! as lontras guardam a pedra dum dia para o outro no sovaco para quando
voltarem a precisar da pedra).
Há aves que usam iscos para capturar presas e também há aves que usam o trânsito dos carros
para partir nozes! -> ou seja, usam a presença humana.
Aprendizagem produz comportamento, alterações no comportamento.
Há processos de aprendizagem mais interessantes para perceber a utilização de instrumentos
do ponto de vista cognitivo: aprendizagem por imitação (dentro da aprendizagem social) e o
insight learning (quando há acumulação de insights e o animal entende que se utilizar
determinado instrumento consegue alcançar determinado objectivo).
Corvo -> com o bico tem um arame para apanhar o balde com “guloseimas”; percebe que tem
que dobrar o arame para conseguir apanhar o balde -> aprendizagem por tentativa e erro
(condicionamento operante), mas mais do que isso trata-se da resolução de um problema!
Os humanos são os únicos animais que modificam instrumentos? Não! Há vários animais que já
foram observados a modificar os objectos (chimpanzés que usam pauzinhos para capturar
térmitas, por exemplo).
Self-awareness e consciência:
- consideradas as mais sofisticadas das capacidades mentais; as mais humanas, mais
espirituais, etc.
- associadas ao conceito de subjectividade, o “eu e o outro”, o ser com a percepção da
sua individualidade separada do resto do universo, finito, único, com continuidade no tempo,
sujeito de prazer, de dor, etc.
- funções biológicas (!) de alguns animais, mais difíceis de compreender como
fenómenos puramente materiais, isto é, como resultado de simples processos electroquímicos
nos neurónios.
Darwin: “…the difference in mind between man and the higher animals, great as it is, certainly
is one of degree and not of kind.”
*citação* -> professor: “quem é que disse isto?” -> aluno: “Charles Darwin”. -> o aluno não é
“telepata, ele não adivinhou o que o professor estava a prensar mas, em vez disso, fez uma coisa
que em Psicologia se chama Teoria da Mente, ou seja, o aluno pensou alguma coisa como “o
professor citou alguém e perguntou quem tinha dito aquilo, o professor quer que eu diga quem
é a pessoa e o professor está a pensar numa pessoa específica, como o professor já me falou
dessa pessoa, então o aluno inferiu que a pessoa que o professor tem em mente é Charles
Darwin.
Teoria da Mente (segundo Reznikova):
- a capacidade para elaborar inferências acerca do conhecimento e estado mental dos
outros animais/indivíduos.
- predições sofisticadas acerca das acções e motivações dos outros.
- se um animal mostrar que “compreende” a perspectiva do outro, então revela possuir
os conceitos mentais de “si próprio” (self) e do outro.
Os chimpanzés compreendem se vale ou não a pena solicitar comida a um humano, consoante
o seu estado interno de informação. -> se o chimpanzé estiver a olhar para uma pessoa, darem
comida a essa pessoa e se realizarem duas situações diferentes: a experimentadora come a
comida 1) de frente para o chimpanzé ou 2) de costas para o chimpanzé, o primata vai pedir
comida à experimentadora da situação 1 porque se baseia nas expressões faciais.
- o mesmo acontece se duas pessoas forem dar comida a um elefante; se a pessoa 1
tiver a comida na mão e a pessoa 2 tiver a comida na mão mas a cabeça tapada, o elefante pede
comida à pessoa 1, porque sabe que a pessoa a está a ver e consegue aferir coisas de acordo
com as expressões faciais da pessoa.
Acasalamentos ocultos e outras formas de engano (exemplo):
Mirror self-recognition: os humanos, a partir dos 18 meses de idade, mais ou menos,
reconhecem uma representação externa de si próprios. -> enquanto uma criança dorme
desenha-se uma pinta no nariz; quando a criança acorda e se vê ao espelho reconhece que
aquela criança que tem a pinta no nariz é ela própria. -> penamento: “está aqui uma imagem à
minha frente que não é uma imagem qualquer, é uma representação externa de mim próprio”.
- os chimpanzés compreendem o que estão a ver quando se observam ao espelho? Sim,
mas primeiro assustam-se; os golfinhos também se reconhecem ao espelho e os elefantes
também, tal como porcos, a pega-europeia (ave), tigres, cavalos, gorilas, etc.; os gatos por
exemplo não se reconhecem ao espelho, pensam que estão a ver alguma coisa ou então outro
gato;
Macaca koko – gorila que pediu um gato para lhe fazer companhia (e tratou-o sempre muito
bem).
Macaca Imo – lavava as batatas.
Exemplos de perguntas que podem sair em exame:
Outras possíveis questões de exame:
- quais os processos de aprendizagem mais interessantes à luz do behaviorismo, por
exemplo?
- quais são os canais de comuniação? Quais são os canais mais adequados para a
comuniação simples? E quando é preciso comunicar muito conteúdo?