Direito Civil: Personalidade e Capacidade
Direito Civil: Personalidade e Capacidade
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EXTENSIVO - 1ª FASE OAB
SUMÁRIO
Parte Geral - Pessoas .....................................................................................0Erro! Indicador não definido.
Pessoa Jurídica .......................................................................................................................................................... 07
Direito da Personalidade ...................................................................................................................................... 08
Parte Geral - Domicílio ........................................................................................................................................... 10
Bens................................................................................................................................................................................ 10
Teoria Geral do Negócio Jurídico ............................................................... Erro! Indicador não definido.
1. Vícios de Consentimento e Vícios Sociais .................................................... Erro! Indicador não definido.
Teoria Geral das Obrigações (Modalidades dar, fazer e não fazer)Erro! Indicador não definido.
1. Modalidades de Obrigações de Dar, Fazer e Não Fazer ............................. Erro! Indicador não definido.
2. Obrigações Alternativas/Divisíveis e Indivisíveis/Solidariedade ............... Erro! Indicador não definido.
3. Obrigações/Pagamento Direto e Indireto ...................................................... Erro! Indicador não definido.
Usucapião ............................................................................................................................................. 61
Alimentos .............................................................................................................................................. 68
Personalidade: a personalidade consiste na aptidão para ser sujeito de direito e contrair obrigações.
• Pessoas jurídicas
A personalidade da pessoa natural tem início a partir do nascimento com vida. Ao nascer, se o bebê
respirar, já é o suficiente para ter adquirido a personalidade.
A Teoria Natalista é a teoria adotada pelo Brasil, e não adota a Teoria do Mínimo.
São protegidos os direitos do embrião gerado em gestação no ventre da mãe. A lei não protege o embrião
in vitro (decisão reconhecida pelo STF).
Para ser considerado nascituro, depende do nascimento com vida. Os direitos ficam salvaguardados,
sob condição suspensiva, ou seja, nasceu com vida, adquire direitos.
• Morte real
• Morte presumida
➢ Sem declaração de ausência
➢ Com declaração de ausência
a) Morte Real:
Pressuposto: Quando se trata como morte real, há um corpo identificado, com o exato momento da morte.
Isso é relevante para a abertura da sucessão.
Momento: No Brasil, considera-se como morte real, a morte encefálica, diagnosticada. A partir daí cessará a
personalidade.
• Sem a decretação de ausência: Alguém em perigo de vida, de tal modo que a morte seja,
extremamente provável.
Exemplo: Desaparecido em campanha de guerra, feito prisioneiro, não encontrado até dois anos, após o
término da guerra.
O reconhecimento somente pode ser postulado judicialmente. O juiz determina a ausência, e uma data
aproximada de falecimento.
Fases:
➢ Quando o próprio ausente deixar designado um procurador, a probabilidade de ele estar vivo é
maior, portanto, o prazo será de 3 anos.
Exceção: Se o ausente tiver completado 80 anos e as últimas notícias que se tiverem dele, tiverem sido há 5
anos, o juiz poderá declarar a sucessão definitiva. O STJ reconhece que quando se aplica a exceção, vai direto
para a sucessão definitiva, não sendo necessário passar pela 3ª fase, da sucessão provisória.
Consiste no estado declarado, por decisão judicial da pessoa que se encontra em local incerto por longo
período.
Poderá ser indicado um curador dativo, nomeado pelo juiz, se o ausente não deixou representante ou
procurador a ação de 1 ano e se deixou 3 anos.
Nesta fase a posse dos bens será transmitida aos possíveis herdeiros.
Se não for o CADI (cônjuge, ascendente, descendente ou irmão), qualquer outro interessado dependerá
de caução.
Se for do CADI fica com 100% dos frutos se for outro interessado com 50%
Essa fase pode ser antecipada, se o ausente desaparecer com 80 anos ou mais, e a última notícia de
seu desaparecimento for de 5 anos.
É a capacidade de fato para o indivíduo exercer sozinho os seus direitos. Não se confunde com
capacidade de direito para titularizar direitos.
a) Plenamente capazes
Maior de 18 anos; pessoa com deficiência (Lei 13.146/2015, Art. 6º Estatuto da Pessoa com Deficiência).
b) Plenamente Incapazes
PESSOA JURÍDICA
É o ente constituído pelo ser humano ou pela lei, que possui da ordem jurídica, personalidade distinta
dos seus membros ou instituidores, tendo assim, uma individualidade própria para ser titular de direitos e
deveres (Art. 49 A, incluído no CC pela Lei 13.874/2019).
Art. 133 do CPC: permite a Desconsideração Inversa da Personalidade Jurídica (estender obrigações dos
membros para a PJ)
A administração da pessoa jurídica é exercida pelos administradores, nos limites previstos no Ato
Constitutivo ou Contrato Social dos seus poderes.
A administração coletiva das decisões se dá pela maioria dos presentes na assembleia, exceto quando
há previsão em contrário no Ato Constitutivo ou no Contrato Social.
Decai em 3 anos o direito de anular essas decisões, quando violarem o estatuto, a lei ou estiverem
viciadas (erro, dolo...).
a) Direito público: de direito interno - União, Estados, DF, Município, autarquias, inclusive
associações públicas, e demais entidades de caráter público criadas por lei).
b) Direito Público: de direito externo - Estados estrangeiros e todas as pessoas regidas pelo Direito
Internacional Público.
c) Direito Privado: Atenção - mudança com a lei 14.382/2022, associações civis, fundações
privadas, sociedades, organizações religiosas e partidos políticos.
O início da existência legal da pessoa jurídica de direito privado, começa com o registro do Ato
Constitutivo no órgão competente na Junta Comercial Estadual.
A existência legal da pessoa jurídica de direito público, começa com a lei que a criou.
DIREITO DA PERSONALIDADE
Art. 11 ao 21 do CC.
Surgem após as grandes Guerras Mundiais, onde a integridade do ser humano foi vilipendiada.
Exemplos: Direito à vida, à integridade, ao corpo vivo, ao corpo morto, às partes separadas do corpo (órgãos e
tecidos), ao nome, à imagem, à honra, à intimidade, à vida privada etc. (rol exemplificativo).
• Irrenunciáveis: Não podem ser objeto de renúncia em contratos. Não se admitem imposição de
limitação voluntária. Salvo casos com previsão legal.
I. Tutelas Jurisdicionais
• Ação Cautelar: Tem como objetivo impedir a lesão de um direito da personalidade (ação de
natureza preventiva).
• Ação Indenizatória: Tem como objetivo pleitear uma indenização pela lesão do direito da
personalidade.
É um direito da personalidade. Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo
(indisponível), quando importar na diminuição permanente da integridade física ou contrariar os bons
costumes.
Exemplo: Excessos de procedimentos que colocam a vida em perigo, passar dos limites (tatuagens, piercings,
língua de dragão, mutilações, gel estéticos, Ken humano etc.).
É válida, com o objetivo científico ou altruísta, a disposição gratuita do próprio corpo, no todo ou em
parte, para depois da morte.
Este ato pode não ter forma solene, imposta pela lei (instrumento particular, escritura pública,
documentos oficiais).
Ninguém pode ser constrangido a se submeter, com risco de vida, a tratamento médico ou intervenção
cirúrgica.
Obriga o médico a dar ao paciente, o direito de escolha do seu tratamento, ainda que opte pelo que lhe
dará menos tempo de vida (consentimento informado).
É possível fazer a Diretiva Antecipada de Vontade (DAV). É feita para antecipar um momento de
inconsciência, onde a pessoa indica o que não quer passar (testamento vital), há disposição muito semelhante
no art. 11 do EPD.
O art. 20 do CC, autoriza a pessoa a fazer o Requerimento Proibitivo, para proibir a transmissão de uma
palavra ou um escrito, publicação ou utilização da imagem de uma pessoa, desde que não tenha autorizado.
• Questões relacionadas à internet, onde se aplica o Marco Civil (lei 12.965/2014), exceto
conteúdo erótico.
Existem dois princípios recepcionados pelo Código Civil que norteiam as regras frente ao domicílio, são
eles:
Princípio da voluntariedade (liberdade de escolha): em regra, é a própria pessoa que escolhe o seu
domicílio;
Princípio da pluralidade de domicílios: uma mesma pessoa pode ter mais de um domicílio.
Formas de Domicílio:
i. Voluntário (artigo 70 e seguintes do Código Civil): é o local onde a pessoa natural estabelece residência,
com ânimo definitivo (intenção de permanência), o domicílio voluntário pode atingir ainda:
• A pessoa natural que tem mais de um domicílio residindo de forma alternada, com ânimo
definitivo, cabe a ela, a escolha do seu domicílio.
• A pessoa natural que não possui residência habitual, tem como domicílio o local em que for
encontrado.
ii. Profissional: é o local onde a profissões é exercida, sendo exercida em dois ou mais lugares, será em
qualquer um deles, sendo observado a relação que lhe corresponder.
iii. 3. Necessário/Legal: são hipóteses de pessoas em que a lei estabelece onde será o seu respectivo
domicílio (artigo 76 do código Civil), a saber:
a. os incapazes têm como domicílio, o domicílio dos seus representantes;
b. o servidor tem como domicílio o local onde permanentemente exerce suas funções;
c. o militar tem, em regra, como domicílio o local que está servido, ocorre que sendo militar da
marinha ou da aeronáutica, o domicílio será a sede de comando que estiver imediatamente subordinado;
e. o preso tem como domicílio o local em que está cumprindo a sentença, ou seja, apenas tem
domicílio necessário o preso definitivo.
iv. Contratual: nos contratos escritos, os contraentes podem pré-estabelecer o domicílio em que
exercerão seus direitos e obrigações com origem naquele instrumento.
BENS
Conceito:
Bens são todas as coisas materiais ou não, que possuem algum valor econômico, podendo vir a ser objeto de
uma relação jurídica.
Para se considerar um bem como parte de uma relação jurídica, é preciso preencher alguns requisitos básicos:
• Idoneidade
a) Bens móveis: são todos aqueles que podem ser transportados através de movimentos forçados, sem
que sofra qualquer alteração da substância ou da destinação econômica-social ou por seus próprios movimentos.
Exemplo: eletrodomésticos; celular; roupas; livros; carros e vários outros.
b) Bens móveis por natureza: são todos aqueles que podem ser transportados naturalmente, por força
própria ou estranha. Exemplo: animais.
c) Bens móveis por determinação legal: são aqueles com fins legais, são os direitos reais sobre o objeto
móvel, assim como, os direitos pessoais patrimoniais e suas ações. Exemplo: o direito autoral sobre um objeto móvel;
desenhos industriais; obras artísticas.
d) Bens móveis por antecipação: são aqueles bens incorporados ao solo, mas tem o objetivo de
transformá-los em moveis. Pode-se dizer que, são os bens imóveis que surge uma vontade humana e que se mobiliza
em função de uma finalidade econômica.
e) Bens imóveis: são aqueles que não podem ser deslocados. Exemplos: apartamento; casas; túneis.
f) Bens imóveis por natureza: são aqueles que possuem o solo, a superfície, e os acessórios, além das
adjacências naturais. Exemplo: árvores, construções.
g) Bens imóveis por acessão intelectual: são todos aqueles imóveis devido à vontade intencionalmente
do proprietário de determinado bem. Exemplo: máquinas agrícolas; tratores; arados; animais ligados em determinada
fazenda - todos são colocados no imóvel por seu devido proprietário, para assim serem realizados os fins do desejo do
empreendedor.
h) Bens imóveis por determinação legal: são aqueles que não podem ser móvel ou imóvel, porém, para
de fins de segurança jurídica o legislador considerá-lo imóvel. Exemplo: usufruto; habitação e outros, o penhor agrícola
e as ações que o asseguram; direito a sucessão aberta.
i) Bens individuais ou singulares: são aqueles que, mesmo em conjunto são independentes dos demais
bens ali presentes. Exemplo, um carro, um boi. Apesar de não fazer parte de uma concessionária ou uma boiada,
podem ser vendidos separadamente, não são dependentes concessionária ou da boiada.
j) Bens coletivos ou universais: são aqueles que, mesmo sendo compostos por muitas coisas singulares,
se consideram em conjunto, assim formando um todo, formando uma unidade, assim passa a ter individualidade
própria. Exemplo: floresta; rebanho; uma biblioteca.
k) Bens fungíveis: são bens móveis que podem ser trocados; substituídos por outro bem da mesma
espécie; quantidade e qualidade. Exemplo: dinheiro, roupas.
l) Bens infungíveis ou não fungíveis: são aqueles insubstituíveis; que não podem ser trocadas, porque
são únicas. Um bem infungível não tornara um bem fungível, mas um bem fungível, poderá tornar-se infungível no
momento em que o mesmo se tonar único ou com poucos exemplares.
m) Bens divisíveis: são aqueles que podem ser divididos; repartidos.
n) Bens indivisíveis ou não divisíveis: são aqueles que não podem ser divididos; separados; fracionados,
sem que lhes ocorra uma alteração na sustância. Exemplo: animais.
o) Bens corpóreos e incorpóreos: os bens corpóreos são todos aqueles que tem existência material.
Exemplo: uma casa; um livro; um terreno; uma roupa. Já os bens incorpóreos são os que não possuem uma existência
real, são relativos aos direitos que as pessoas físicas ou jurídicas possuem sobre as coisas, apresentando valor
econômico.
p) Bens consumíveis e inconsumíveis ou não consumíveis: os bens consumíveis são os que não duram
eternamente; são aqueles bens que vão se destruindo conforme são utilizados pelos seus donos. Exemplo: alimentos;
bebidas. Já os bens inconsumíveis, são os que possuem natureza durável, que podem ser utilizados por um longo
prazo, porque não se destroem rapidamente.
a) Bens principais: são todos aqueles bens que não dependem de outro; são independentes.
b) Bens acessórios: são todos aqueles que a sua existência supõe a existência do principal. O acessório é
aquele que acompanha o principal em seu destino, quando um bem principal se extingue, logo, o bem acessório
também.
c) Frutos: são aquelas coisas produzidas em um determinado tempo, e se forem retirados não iram afetar
o valor da coisa em si. Como as frutas brotadas das árvores, os vegetais, as crias dos animais. É tudo aquilo que o bem
pode gerar e pode ser recolhido sem que afete o seu valor. O fruto tem sua origem dividida em: naturais e os industriais
(aqueles que são construídos pela mão do homem).
d) Produtos: são aqueles que se extraídos de algo diminui a sua quantidade. Assim percebemos que são
diferentes dos frutos, porque sua colheita não diminui o valor e nem a substância, nos produtos já se diminui.
e) Pertenças: são os bens móveis que não constituindo partes integrantes como os frutos, produtos e
benfeitorias, estão afetados por uma forma duradoura ao serviço ou ornamentação do outro.
f) Benfeitorias: as benfeitorias podem ser necessárias, quando são feitas para a conservação
(pagamentos de impostos; obras); úteis, quando servem para criar condições ao uso de algo; ou voluptuárias, quando
são utilizadas para fins de beleza, como jardins.
O Código Civil no art. 98 considera públicos como “os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público interno. Já os particulares são definidos por exclusão “todos os outros são particulares seja
qual for a pessoa a que pertencerem”.
Em outras palavras, são aqueles que pertencem às pessoas jurídicas de direito público; políticos, à União; aos
Estados e aos Municípios.
Os bens particulares, são os que pertencem a pessoas naturais ou jurídicas de direito privado.
Todo fato jurídico, produz efeitos? Não, basta que seja ATO para surgir efeitos.
Exemplo: A chuva é elemento natural, mas se a chuva causar inundações e perdas, se tornará um fato jurídico
c) Ordinários
d) Extraordinários
Exemplo: Antes da escolha, o devedor não poderá alegar, perda da coisa incerta nem por caso fortuito ou de
força maior (art. 246 do CC).
O devedor em mora não pode alegar, perda ou esquivar-se de sua obrigação, por caso fortuito ou força
maior, se já estava em mora, a menos que comprove que a situação seria a mesma se não estivesse em mora
(art. 399 do CC).
Ato Ilícito: é todo ato ao ordenamento jurídico, e não apenas a legislação, mas também a moral aos bons
costumes, e outros princípios do direito.
Abuso do direito: é um exercício excessivo de um direito, a ponto de violar, o direito de outra pessoa; abusivo
com intuito de prejudicar.
Ato Lícito: é todo ato que estiver de acordo com o ordenamento jurídico.
Ato Jurídico, strictu sensu: é a manifestação de vontade que produz efeitos impostos pela lei; o conteúdo e a
consequência são determinados pela lei.
Exemplo: Perfilhação, eu reconheço a paternidade, mas não quero pagar a pensão alimentícia. Não tem como
isso acontecer, pois está na lei.
Negócio Jurídico: a Lei é apenas o limite; é a manifestação de vontade que produz efeito desejado pelas partes,
dentro do limite legal.
EFICÁCIA
Outros
EXISTÊNCIA Partes ou agentes:
precisam de
capacidade
Agente Objeto: precisa ser
Objeto lícito, possível,
Forma determinado ou
Vontade determinável
Vontade: precisa ser
livre, haver
consentimento
Forma: tem de ser
adequada, prescrita ou
não proibida por lei
I - agente capaz;
• Vontade: Livre, consciente, não eivada de vícios de vontade (erro, dolo, coação, lesão e estado de perigo)
Nos vícios sociais, quem é o prejudicado é sempre o terceiro, quem não participa do negócio jurídico,
como por exemplo, na fraude contra credores.
Consequências do erro para o negócio jurídico: anulável (anulabilidade); ação anulatória, prazo decadencial
de 4 anos contados a partir do dia da celebração do negócio jurídico.
Classificação do Erro:
Erro substancial: o aspecto relevante é anulável (ex.: material do relógio - achou que era ouro e não era).
Erro acidental: o aspecto não determinado do negócio jurídico não será anulável (ex.: embrulho do relógio –
achou que era madeira e era de plástico).
b) Dolo – Art. 145 do CC: É o induzimento malicioso a erro. “Quem erra, erra sozinho”, no dolo, a
pessoa é induzida a errar.
“Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este
for a sua causa.”
Consequências do Dolo para o negócio jurídico: anulável (anulabilidade); ação anulatória, prazo decadencial
de 4 anos contados a partir do dia da celebração do negócio jurídico.
Classificação do Dolo:
Dolo negativo: é aquele que ocorre por omissão/conduta omissiva, é necessário que a pessoa tenha a
informação que foi omitida, e é anulável.
Dolo recíproco/bilateral: é aquele que ambos os contratantes agem com dolo e se enganam, permanece válido.
O negócio jurídico não será anulável. O dolo de um, compensa o dolo do outro.
c) Coação – Art. 151 do CC: é a pressão ou ameaça para que uma pessoa realize um negócio
jurídico. A ameaça deve ser séria (real) grave, causar fundado temor de dano e iminente. Pode recair sobre um
bem ou sobre uma pessoa.
Consequências para o negócio jurídico: é anulável; ação anulatória; prazo decadencial de 4 anos a contar
do dia que cessar a coação.
d) Estado de perigo – Art. 156 do CC: consiste na celebração de um negócio jurídico com
onerosidade excessiva, pois o contratante prejudicado precisava salvar a si próprio, um familiar ou um amigo
íntimo de uma situação de perigo de morte ou grave dano moral conhecida do outro contratante.
Requisito Objetivo: onerosidade excessiva; quem analisará será o juiz e vai considerar o momento da
celebração do negócio jurídico, o que ocorrer depois não tem relevância.
Requisitos subjetivos:
• A situação de perigo.
Consequências para o negócio jurídico: anulabilidade; ação anulatória; prazo de 4 anos a contar da data da
celebração do negócio jurídico.
e) Lesão – Art. 157 do CC: consiste na celebração de um negócio jurídico com onerosidade
excessiva, pois o contratante prejudicado se encontrava em situação de premente necessidade ou
inexperiência.
Requisito subjetivo: premente necessidade (de contratar) ou inexperiência (social, negocial, jurídica, técnica
etc.)
Atenção! para que o negócio jurídico seja anulado não é necessário provar que a outra parte sabia.
Consequências: anulabilidade; ação anulatória; prazo de 4 anos a contar da data da celebração do negócio
jurídico.
f) Fraude contra Credores – Art. 158 do CC: consiste na atuação maliciosa do devedor insolvente,
ou na iminência de assim se tornar, que se desfaz de seu patrimônio procurando não responder pelas
obrigações anteriormente assumidas. Ato de alienação ou doação com o objetivo de não pagar.
Requisitos:
• Anterioridade da dívida/obrigação;
• Conluio fraudulento ou ciência da fraude – este último requisito só precisa ser provado quando
o negócio jurídico for oneroso (compra e venda). Quando gratuito (doação), esse requisito é dispensado.
Consequências: anulabilidade; ação Pauliana; prazo de 4 anos contados a partir da data da celebração do
negócio jurídico.
g) Simulação – Art. 167 do CC: no CC /16 era uma espécie de vício do negócio jurídico. No
CC/2002, o legislador mudou a matéria de capítulo (invalidade do negócio jurídico). Deixou de ser vício e passou
a ser causa de nulidade do negócio jurídico.
Conceito: é um negócio jurídico falso; a vontade interna (intenção) é uma e vontade externa (manifestada) é
outra.
Simulação relativa: nem tudo é mentira, logo nem tudo é nulo (princípio da conservação do negócio jurídico).
Consequências: o negócio jurídico será NULO (nulidade), ação declaratória de nulidade imprescritível.
O credor tem o dever de facilitar, colaborar com a obrigação por parte do devedor.
Resolução Contratual: se pagou, adimpliu substancialmente com o contrato. Sempre que o devedor adimplir
substancialmente com sua obrigação, o credor não poderá resolver o contrato.
Conforme previsão do art. 313, CC, o credor não pode ser obrigado a aceitar prestação diversa daquela
compactuada mesmo que mais valiosa.
Houve culpa?
Se a impossibilidade ocorreu:
O direito sabe que é muito mais difícil a posição de devedor, por isso sempre que possível, favorecerá o
devedor.
Exceção: art. 237, § único do CC, havendo 2 ou mais lugares a escolher, a escolha caberá ao credor.
Se ressuscita a primeira obrigação, diante da evicção da coisa dada em pagamento – Art. 359 e 447 do
CC.
1) Obrigação de Dar
a) No Brasil, o contrato não transfere propriedade, bens móveis entrega da coisa e o bem imóvel
com o registro.
c) Se o devedor não teve culpa na perda do bem, não pagará perdas e danos nem devolverá o
equivalente.
OBS: art. 279 do CC: se a obrigação for solidaria e houver culpa, todos devem restituir o equivalente, mas
apenas o culpado responderá por perdas e danos.
Venda de Carro:
Exemplo: uma BMW de R$ 100.000,00 para entregar, o comprador pagou antes e o devedor ficou de fazer a
tradição, (de levar), mas no caminho foi assaltado e levaram o carro. O vendedor teve culpa? Não, não terá que
pagar por perdas e danos ao comprador. Mas como o carro já havia sido pego, terá que restituir o valor pago.
Distração:
Exemplo: Um carro de R$ 100.000,00 recebi pelo carro e ao ir entregar no local combinado, bati em um poste.
tive culpa? Sim, então terei que devolver o equivalente e perdas e danos - Art. 402 do CC.
Enchente:
Exemplo: Vendi o carro, entreguei, mas o comprador pede para deixar guardado até o dia seguinte na garagem.
Durante a noite acontece uma enchente e alaga tudo, inclusive o carro que estava na garagem, que havia sido
vendido também. Houve Culpa? Não, foi uma enchente, quem fica com o prejuízo é o dono, pois havia sido feita
a tradição.
OBS: art. 237, § único do CC – A e B, fazem negócio de venda de uma vaca, e a vaca está prenha. Até a tradição
os bezerros serão do vendedor, após a tradição serão do comprador.
Coisa incerta é aquela indeterminável, porém ao menos pelo gênero ou pela quantidade.
“Genus no perit” – o gênero não perece, art. 246 do CC, antes da concentração, não o devedor alegar a
perda da coisa.
4) Obrigação de Fazer
O devedor é secundário, por isso no caso de mora na obrigação de fazer fungível, no caso de mora o
credor poderá pedir para o juiz que terceiro execute ou em caso de urgência o próprio credor pode fazer e ser
ressarcido.
O devedor foi escolhido por exclusividade, poderá cominar uma multa diária.
O devedor não SE abstém, de fazer algo que a lei ou contrato ele faria. Art. 250 e 251 do CC.
“Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa
do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou
a não praticar.”
a) Obrigações alternativas
É a obrigação que comporta duas ou mais prestações das quais somente uma será escolhida, para
pagamento ao credor e liberação do devedor.
Regras da escolha:
Não pode o devedor obrigar o credor, a receber parte em uma prestação e parte em outra. Art. 252, §1º
do CC.
No caso de coisa incerta, vai haver o momento da escolha, que, em regra, compete ao devedor.
• Obrigação Divisível
É aquela que pode ser fracionada entre os vários sujeitos e como regra se divide por igual, entre os
sujeitos credores ou devedores, de acordo com o brocardo concurso partes fiunt.
• Obrigação Indivisível
Quando ela não pode ser fracionada por razões naturais ou por força de convenção. Ainda, por acordo
de vontade ou natural/física, critério financeiro, econômico ou utilitarista.
Se a utilidade da coisa, ao ser divisível perde a qualidade, a perda não terá como utilizar.
Consequências da indivisibilidade:
Pluralidade de devedores – cada um será obrigado pela dívida toda. E o devedor que pagou, se sub-roga
no direito do credor para cobrar os demais, art. 259 do CC, terá o direito de regresso.
“Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for
divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.
Pluralidades de credores – poderá cada um deles exigir a dívida inteira, o pagamento, entretanto tem
que se dar a todos conjuntamente ou a só um desde que se mostre autorizado.
c) Solidariedade
Modalidade de solidariedade:
• Solidariedade Ativa
Dois ou mais credores podem exigir ou receber a dívida toda. Não preciso pagar conjuntamente, o
devedor tem liberdade para pagar o credor que ele quiser, não precisa pagar a todos nem o com autorização.
Essa liberdade fica limitada, até quando qualquer dos credores propõe ação de cobrança, aí a dívida
terá que ser paga a esse que propôs a ação.
Pode ser feito o pagamento fora dos autos, mas o mais seguro é pagar nos autos.
• Solidariedade passiva
Ocorre quando dois ou mais devedores, que estão obrigados, pela dívida toda.
A propositura de ação por parte de um credor contra um devedor solidário, nunca importará em renúncia
a solidariedade.
Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, ele responderá pela integralidade
do débito a aquele que pagar a dívida.
É permitido ao credor, sem renunciar a seu crédito; renunciar a solidariedade em favor de um, de alguns
ou de todos os devedores. Art. 282 do CC.
Obrigações:
a) Pagamento direto
Quem pode cumprir o pagamento, “solvens”: o devedor ou o terceiro interessado e o terceiro não
interessado.
Pagamento pelo terceiro interessado: é aquele que efetiva ou potencialmente experimenta os efeitos do
inadimplemento.
Exemplo: O fiador.
Qual o efeito jurídico, sub-rogação (substituição)? O terceiro interessado paga no lugar do devedor paga,
subsidiário.
Efeito sub-rogação: nos direitos do credor, passa a ser o credor do devedor de quem fez o pagamento.
O terceiro não interessado pode ser feito em nome próprio ou em nome do devedor. Mas se for feito no
nome do devedor não tem direito à regresso.
Exceção: não autorizado ou desconhecimento pelo devedor e ele tivesse condição de pagar e o terceiro pagar,
não tem direito ao reembolso.
O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.
Despesas com o pagamento e quitação não havendo previsão presume-se a cargo do devedor.
b) Lugar do Pagamento
Exceção: domicílio do credor obrigação portable, se for convencionado, previsto em lei e em razão da natureza
ou das circunstâncias.
c) Momento do Pagamento
Regra: Não havendo previsão, poderá o credor de exigir o pagamento imediato, art. 331 do CC.
Art. 333: ao credor assistirá o direito de cobrar a dívida antes de vencido o prazo estipulado no contrato ou
marcado: no caso de falência do devedor, ou de concurso de credores bem hipotecado por outro credor.
d) Pagamento Indireto
• Indireto (artigos 334 até 388 Código Civil): que é o cumprimento da prestação de forma diversa
da pactuada, podendo ser:
a) Consignação em pagamento (artigos 334 a 345 do Código Civil e 539 a 549 do Código de
Processo Civil trazendo o procedimento especial a ser adotado): depositar o objeto da prestação em juízo ou
não, em razão de uma impossibilidade por parte do credor;
I - Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida
forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto
ou de acesso perigoso ou difícil;
I. Requisitos subjetivos:
A consignatória será dirigida contra o credor capaz de exigir o seu cumprimento, incluindo representante
legal ou mandatário;
O pagamento em consignação será feito por pessoa capaz de pagar, isto é, pelo próprio devedor, pelo
seu representante legal ou mandatário, ou por terceiro interessado ou não em nome do devedor.
Quanto ao objeto: o adimplemento implica em entregar ao credor exatamente aquilo que foi pactuado e na
quantidade avençada, abrangendo ainda a totalidade da prestação devida, incluindo os frutos, juros e
despesas.
Quanto ao tempo: deve ser feito no tempo fixado, contudo, estando em mora, a consignação poderá ser feita
com a inclusão dos encargos da mora, não podendo o credor já ter ingressado com demanda para receber o
adimplemento da obrigação.
b) Sub-rogação;
c) Imputação do pagamento;
d) Dação;
e) Novação;
f) Compensação;
g) Confusão;
h) Remissão.
Consignação em pagamento:
Culpa do credor: não for buscar e não mandar buscar no lugar, condições devidas.
Sub-rogação:
Convencional: art. 347 do CC, credor recebe de terceiro interessado e expressamente transfere os direitos – 3º
empresta a quantia ao devedor sob condição de ficar sub-rogado.
Imputação:
Apontar, especificar, indicar, qual dívida está sendo paga.
Dação em pagamento:
• Cumprimento do pagamento com prestação diversa.
• Pode ou não aceitar.
Requisitos:
• Quando a dívida estiver vencida.
• Consentimento do credor.
Novação:
As partes podem pactuar pagamento; extinção da dívida anterior com novo contrato.
Efeitos:
• Extinção da obrigação primitiva, a primeira obrigação.
• Extingue as garantias (novação sem consentimento do fiador).
Compensação:
Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credores e devedores uma da outra, as duas obrigações
extinguem-se, até onde se compensem.
Exceção: fiador.
Confusão:
Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor.
RESPONSABILIDADE CIVIL
• Obrigatórios essenciais:
▪ Conduta voluntária;
▪ Nexo;
▪ Dano prejuízo.
• Eventual/acidental:
▪ Culpa;
Dano Moral/extrapatrimonial:
Dano moral social ou dano à honra, pessoa jurídica pode sofrer dano moral objetivo.
Outros danos:
▪ Dano estético (dano que resulta do enfeiamento, lesão visível ou não, independe do local, exige
dano permanente não possível a irreverção). Súmula 387, STJ, que prevê o dano estético.
Culpa eventual:
É genérica em sentido estrito; violação do dever de cuidado, negligência, imprudência na
responsabilidade civil, deixar de cuidar, pode reduzir a indenização.
Regra: subjetiva.
Hipóteses de casos expressos previstos em lei, teoria do risco, quando a atividade normalmente pelo
autor do dano implicar por sua natureza, risco para direitos de outrem.
Por ato de terceiro: alguém responde por danos causados por terceiro, art.932 do CC.
Responsabilidade objetiva por ato de terceiro: art. 932 e 933 do CC – pais pelos filhos menores, mesmo que
emancipados, por curador, pelos pupilos, e curatelados, empregador por seus empregados.
Ruína de prédios, e das coisas, exemplos: vasos, latas e outros objetos a responsabilidade é objetiva, pelos
danos causados, responde pelos danos.
O juiz pode reduzir o valor da indenização, se ver a proporcionalidade entre culpa e valor da indenização.
Se o inadimplemento foi com ou sem culpa da parte - se foi sem culpa, é inadimplemento involuntário
ou fortuito, se causado pela parte, será o inadimplemento voluntário, culposo.
Art. 205 – A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não fixar prazo menor.
Prazo geral subsidiário, quando se aplica, quando prescricional e a lei não fixar o prazo menor.
A decadência também está diretamente ligada ao decurso do tempo. Ocorre que nos casos de
decadência, o que o sujeito perde é o direito material, caso não o utilize dentro de determinado prazo.
Em outras palavras, o indivíduo tem o direito, mas como não formalizou o pedido para sua realização
dentro de determinado período de tempo, o direito caduca.
Os prazos de decadência podem ter origem na lei ou em acordos entre as partes envolvidas, sendo que
os referidos prazos estão dispostos em diversas partes do Código Civil.
CONTRATOS
Acontecimento capaz de gerar algo que consta na norma, em sentido amplo, estrito; definidos em lei e
negócio jurídicos, que consistem em atos humanos e pessoas jurídicas, através de decisões e efeitos que
aquele negócio vai gerar, sendo esses unilaterais ou bilaterais ou plurilaterais (conceito de contratos). Ou fatos
jurídicos em sentido estrito sem intervenção humana.
Contratos bilateral ou plurilateral: exigem sempre acordo de duas ou mais vontades, requisitos validade dos
negócios, agente capaz, comportamentos que são reconhecidos atos a gerar – art. 117 e 104.
Princípio do Consensualismo:
• O vínculo contratual se forma no instante em que ocorre o acordo de vontade dos contratantes.
Exceções: nos contratos formais solenes, como os de imóveis, escrito e por escritura pública.
Princípio da Relatividade:
• Só geram direitos e obrigações aos próprios contratantes e seus sucessores, não vinculam
terceiro.
• Contrato de Estipulação a favor de terceiro - seguro de vida (beneficiário) contratos com eficácia
real, aqueles que devem ser respeitados por terceiros, ainda que não tenham sido os celebrantes.
• Exceção: art. 576, CC e art. 8º, Lei do Inquilinato, contrato de locação por prazo determinado
contiver cláusula de vigência e for levado a registro, será obrigatória a observância dele por quem vier adquirir o
imóvel alugado.
• Boa-fé do contrato faz lei entre as partes, não se admite única vontade direito de arrependimento
em qualquer contrato, art. 49, CDC.
• Art. 421 e 421, CC: liberdade econômica, não haver intervenção, somente a intervenção mínima
do estado, somente de forma excepcionais.
• Padrão de conduta que se impõe aos contratantes afins de que atuem com respeito a
honestidade, cuidado, cooperação e lealdade.
• Funções interpretativa – os contratos devem ser interpretados que as partes estão de boa-fé.
• Função de controle, proíbe o abuso de direitos, nenhum direito deve ser de forma abusiva.
• Exemplos de abuso.
• Não pode exigir que o outro cumpra, o que não foi cumprido.
2. Contratos em espécies
Elementos essenciais:
Preço: oneroso, deve ser em dinheiro, pois se não teremos contrato de troca ou permuta, art. 533, CC.
Ver: Art. 486 e 487 do CC, que permite fixação do preço a taxa do mercado ou de bolsa, índices ou parâmetros
determináveis.
Pode ser o preço fixado em moeda estrangeira? Sim, podem, mas o pagamento não (deverá ocorrer em
moeda nacional).
O preço poderá ser determinado por terceiro, por avaliação, porém, não pode ser deixado ao arbítrio
exclusivo de uma das partes, (cláusula pague o que quiser).
Vontade: o contrato deve estar isento de vício (erro, dolo, coação etc.).
Pactos adjetos a compra e venda: cláusulas especiais só podem inserir na compra e venda.
Cláusula em que o vendedor se reserva o direito de reaver, em certo prazo, de no máximo 3 anos, o
imóvel alienado, restituindo ao comprador o preço, mas as despesas por ele realizado, inclusive as empregadas
no melhoramento do imóvel, como as benfeitorias necessárias.
Cláusula de direito de recompra do imóvel, venda sobre condição resolutiva, se o vendedor no prazo de
3 anos o comprador não tem o que fazer.
O direito da cláusula é intransmissível Inter vivos, mas se o transmite aos herdeiros do vendedor.
Cláusula determina que o comprador de bem móvel ou imóvel fica obrigado a oferecê-lo ao vendedor
quando desejar vender ou fazer dação em pagamento.
Cláusula onde se estipula que o bem móvel e infungível continua sendo de propriedade do vendedor,
até que o preço seja quitado.
“Art. 523. Não pode ser objeto de venda com reserva de domínio a
coisa insuscetível de caracterização perfeita, para estremá-la de
outras congêneres. Na dúvida, decide-se a favor do terceiro
adquirente de boa-fé.”
v. Contrato de Empréstimos
Trata-se de empréstimo gratuito de bem infungível (aquele que não pode ser substituído por outro de
mesma espécie, qualidade e quantidade), móvel ou imóvel, no qual o comodante transfere a posse direta ao
comodatário por prazo determinado.
Sujeitos:
É o empréstimo de bem fúngivel que se torna infúngivel por disposição contratual. Utilizado
normalmente para enfeites e ornamentação.
OBS.: A culpa a ser analisada é um concreto, ou seja, pela pessoa e não pela população
comum.
As despesas de conservação são do comodatário (luz, água, troca de lâmpada, dentre outros);
Havendo risco de perecimento, o bem emprestado deve ser salvado antes dos pertencentes ao
comodatário, sob pena de responsabilidade, ainda que por caso fortuito ou força maior.
Exemplo: na hipótese da minha casa pegar fogo e eu tenho a chance de entrar nela para salvar um bem, este
deve ser o objeto do comodato.
Para a retomada do bem não devolvido, cabe ação de reintegração de posse no caso de bem imóvel e
busca e apreensão no caso de bem móvel.
Exemplo: dinheiro.
Mútuo Feneratício:
Trata-se do empréstimo de dinheiro, poderá ser oneroso, tratando de uma exceção à regra (dependente
de previsão contratual quanto ao montante de juros, pois o artigo 581 do Código Civil estabelece presunção de
que são devidos juros, mas as partes devem estabelecer quórum, não podendo haver abusividade).
ATENÇÃO! as instituições financeiras não estão abarcadas pela Lei da Usura que prevê o máximo de juros que
pode ser cobrado, segundo a Súmula 596 do STF.
Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse
legítimo do segurado, relativo à pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
Elementos:
• Prêmio: é a contribuição periódica, determinada e moderada, fixada pelas partes - pago pelo
segurado em troca do risco assumido pela seguradora.
• Risco: é um evento futuro e incerto de acontecer, que tem a capacidade de causar prejuízos e
prejudicar os interesses do segurado.
• Indenização: é a importância a título de compensação e reparação que é paga pela seguradora
ao segurado, como forma de recompor o prejuízo econômico sofrido e decorrente do risco assumido no
contrato. Para isso, é preciso comprovar a ocorrência do fato e a prova do dano.
Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo
devedor, caso este não a cumpra.
Considera-se como objeto de todo contrato de fiança é a dívida que se quer garantir.
O contrato somente terá efeito quando a obrigação principal se tornar exigível, admitindo, o legislador,
que se possa estipular a garantia fidejussória em face de débito futuro, embora, neste caso, o fiador não seja
demandado senão depois que se fizer certa e líquida a obrigação do principal devedor.
Espécies:
Extinção: a fiança poderá ser extinta por todas as causas que extinguem os contratos em geral, assim como por
atos praticados pelo credor, conforme disposição do artigo 838, do CC.
“Art. 727. Se, por não haver prazo determinado, o dono do negócio
dispensar o corretor, e o negócio se realizar posteriormente, como
fruto da sua mediação, a corretagem lhe será devida; igual solução
se adotará se o negócio se realizar após a decorrência do prazo
contratual, mas por efeito dos trabalhos do corretor.”
Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de
serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios,
conforme as instruções recebidas.
Partes:
Observação – Cláusula de exclusividade: garante ao corretor que seja privativo dele a intermediação do imóvel,
ou seja, não poderá ser contratado outros corretores.
Atenção! a profissão de corretor de imóveis é regulada através da Lei nº 6.530/78. Inclusive, o artigo 729 prevê
que os preceitos nele constantes não excluem a aplicação de outras normas da legislação especial.
É o vício ou defeito oculto da coisa que a torna impropria ao uso que se destina ou lhe reduz o valor
consideravelmente o valor, de modo que o NJ não teria sido celebrado se o adquirente tivesse ciência dele.
Requisitos:
o O negócio jurídico, deve ser comutativo e oneroso (compra e venda), doação onerosa com encargo.
Atenção! A doação pura, não pode reclamar (“cavalo dado não se olha os dentes”).
Exemplo: Quem comprou não sabia, embora o conhecimento do defeito por parte do alienante para
caraterização para o vício redibitório, caso presente o adquirente poderá reclamar além do vício, pedido de
perdas e danos, agiu com culpa, com intenção de prejudicar.
Exemplo: Comprou um carro com 160 mil km rodados e o motor fundiu, é desgaste natural do bem, não seria
se o carro zero fundisse o motor com 5 mil km.
Opções do adquirente:
Podendo ser acumulado pedido de indenização de pardas e danos, caso prove que a outra parte tinha
ciência do vício.
É sempre a perda da coisa por força da decisão judicial ou ato administrativo, fundado em motivo
jurídico anterior, que confere o bem a outrem.
Exemplo: Comprou um carro roubado foi parado em uma blitz e o carro foi apreendido e voltará para o dono, foi
por um ato administrativo.
A pessoa que sofrer a evicção, o evicto poderá exercer direito de regresso em face do alienante.
Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que
pagou:
II - À indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da
evicção;
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se
evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela
evicção.
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se está se der, tem direito o
evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não
o assumiu.
Princípio da elasticidade: é possível transferir o direito real e certos atributos do direito de propriedade.
O proprietário pode passar o direito da coisa à outra pessoa, em parte somente em usar e gozar da coisa,
por exemplo no caso de usufruto.
Classificação:
O proprietário concede direito sobre a superfície por prazo determinado, direito de plantar ou construir
sobre a superfície, a concessão pode ser onerosa ou gratuita.
O direito de superfície poderá ser sucedido? O proprietário pode vender? O prazo determinado terminou a
quem pertencerá o imóvel construído na superfície concedida?
Quem terá direito ao imóvel construído? O acessório segue o principal, o dono do imóvel é do imóvel e ficará
com a construção, independentemente não terá que indenizar, salvo estipulação em contrato no direito de
superfície. Art. 1.395 do CC.
Pode ser sobre bens móveis, imóveis e bens incorpóreos (direitos autorais).
Características:
Sempre temporário, pode estabelecer prazo, termo, condição e se extingue com a morte do
usufrutuário.
Em favor de pessoa jurídica, poderá ser concedido o usufruto, qual o prazo, de conceção e se não existir
prazo se extinguirá máximo de 30 anos, da data do exercício.
Não pode ser alienado pelo usufrutuário, mas pode ser cedido, alugado.
Extinção do usufruto:
A renúncia, o não uso do bem, destruição da coisa, por prazo, termo e morte.
Pode ser concedido a uma ou mais pessoas. Se um dos dois falecer não acresce aos demais, pode
cobrar aluguel, pela parte do falecido que o sobrevivente continua a usar, os 100% do bem.
Direito de acrescer: quando o usufruto for concedido para duas ou mais pessoas, consequência extingue a
parte do falecido, não acresce a do outro, salvo estipulado.
Caso de destruição da coisa, casa desabou extingue o usufruto, mas se caso reconstrua, o usufruto
continua, depende se for por parte do proprietário constitui o direito do usufrutuário, não restabelece, mas se
for por seguro, o direito restabelece.
O proprietário da superfície concede a superfície inferior ou superior, laje unidades autônomas, por
prazo definitivo.
Posse
Poder de fato sobre a coisa. Juridicamente falando, possuidor é aquele que tem de fato parcial ou
integralmente algum dos poderes do proprietário.
Desdobramento da posse:
• Contato posse indireta - aquele que tem contato indireto. Exemplo: locador.
OBS.: O possuidor direto que está na coisa, pode proteger inclusive contra o indireto, o locatário proteger contra
o locador.
Exemplo: O locatário não está pagando o aluguel, mas o locador que é o dono do imóvel, entra troca a fechadura
e o locatário é esbulhado. Em tese, deveria ser uma ação de despejo e não o fez, então o locatário poderá entrar
com a ação possessória contra o locador.
Posse e detenção:
Casos de detenção:
c) Atos de violência ou clandestinidade (às escuras), enquanto essas não cessarem – art. 1208,
última parte.
Espécies de Posse:
Quando não tiver os vícios opostos no art. 1.200, será posse justa.
Relação de quebra de confiança, é a precariedade, retenção de algo que deveria ser devolvido.
Exemplo: O locador pede ao locatário que saia e o locatário não quer sair, e quando chega o prazo, não devolve,
quebra a confiança e virá precarista.
A pegou a coisa de clandestinidade e B compra a posse clandestina e após algum tempo, B vende à C
que de boa-fé não sabia da clandestinidade.
Frutos:
Indenização:
De boa-fé só responde pelos danos, provar culpa, se houver culpa de forma subjetiva.
Benfeitorias:
• Turbação: difícil de exercer a posse, o exercício da posse difícil - ação de manutenção de posse.
USUCAPIÃO
É uma forma de aquisição originária da propriedade ou de outros direitos reais, mediante o exercício
prolongado da posse e o cumprimento de certos requisitos.
Exemplo: O imóvel tinha uma hipoteca, e se surgir a usucapião, vem puro nem onerado, o novo direito sobre a
propriedade desse bem, faz com que se extingue o proprietário anterior e a hipoteca que gravava ele.
De 2 a 5 anos, usucapião do abandono conjugal do lar família, por exemplo será de 2 anos.
Locatários, comandatários, caseiros (mero detentor, fâmulo da posse) não podem usucapir pois não
tem a intenção de ser dono.
• Posse mansa e pacífica (não contestada por quem de direito Proprietário do bem)
• Justo título e Boa fé, são exigidos na usucapião ordinária, todas as demais modalidades
dispensam este requisito, presunção absoluta de justo título e boa fé.
Modalidades:
a) Usucapião ordinária: art. 1.242 do CC, que deverá apresentar contrato de compra e venda com
justo título e boa-fé por dez anos.
b) Usucapião extraordinária: dispensa o justo título e boa-fé, art. 1.238: aquele que por 15 anos
adquirir a propriedade sem interrupção, sem oposição, será reduzido para 5 anos se o possuidor houver
estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo.
c) Usucapião Especial Urbana: art. 1.240 do C.C, possuidor de imóvel de área urbana de até 250
m2, por 5 anos ininterruptos, para a família sem oposição, utilizando desde que não seja proprietário de outro
imóvel urbano ou rural.
d) Usucapião Especial Rural: art. 1.239 também, tem limite de metragem, 5 anos ininterruptos,
não superior a 50 hectares
e) Usucapião Especial urbana por abandono do Lar, art. 1240-A, aquele que exercer por 2 anos
ininterruptamente, sem oposição, posse direta até 250 m2, cuja propriedade dívida com ex-cônjuge ou
companheiro que abandonou o lar, utilizando para moradia ou de sua família adquirir-lhe à domínio integral,
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
GARANTIAS REAIS
As garantias reais são aquelas que garantem o cumprimento de determinada obrigação por meio de
bens móveis ou imóveis. Em outras palavras, trata-se de é um acordo de segurança entre o credor e o devedor.
O penhor consiste na garantia real atrelado à coisa móvel- um bem móvel é transferido do devedor para
o credor como garantia do pagamento.
Assim, até que a quitação seja realizada pelo devedor, o bem fica com o credor. O bem dado em garantia
pode ser do devedor ou de terceiro.
Exemplo: Se uma pessoa quiser tomar um empréstimo e não possuir nenhum imóvel como forma de garantia,
é possível entregar suas joias para garantir a operação. Esse é o penhor de joias. Porém, ainda existe o penhor
rural, industrial e de veículos.
Obs.: Ainda que as espécies de penhor sigam a mesma lógica, eles possuem prazos
diferentes.
O penhor é um direito real acessório de garantia, uma vez que está vinculado à uma dívida que é o
principal.
É indivisível, pois a garantia perdurará até a liquidação total do débito e o contrato é solene, porque se
faz por instrumento público ou particular.
Espécies:
• Legal: Independe do acordo de vontades, mas se sujeita à homologação judicial e visa proteger
certas pessoas, como hospedeiros, fornecedores de alimentos e locadores.
É feita através de um contrato acessório que dependente de um contrato principal. Por exemplo, o
empréstimo, é um contrato principal e, quem empresta, pega em garantia hipotecária um imóvel (contrato
acessório).
O objeto da hipoteca são, em regra, os bens imóveis e os respectivos acessórios que, em razão do princípio da
gravitação jurídica, seguem o principal.
Segundo o art. 1.473 do Código Civil, também podem ser objeto de hipoteca:
i. Convencional: é aquela que nasce da manifestação de vontade por meio de um contrato. O contrato de
hipoteca, para ser registrado, deve apresentar o valor da dívida, o número de parcelas, o valor de cada parcela,
os juros e demais encargos.
ii. Legal: é imposta pelo ordenamento jurídico, independente da vontade das partes (art. 1.489 do CC).
iii. Judicial: é aquela que surge em virtude do registro de sentença condenatória ao pagamento de valores
ou bens.
A anticrese consiste no direito real de garantia estabelecido em favor do credor e com a finalidade de
compensar a dívida do devedor, por meio do qual este entrega os frutos e rendimentos provenientes do imóvel.
Isso quer dizer que o credor retém a posse do bem e retira dos frutos deste o valor necessário para a
quitação de seu crédito.
O bem dado em anticrese pode ser hipotecado. Porém, raramente o credor aceita a hipoteca de bem já
gravado por anticrese. Além disso, traz ao credor a dificuldade de ter, ele mesmo, que colher os frutos para a
satisfação do seu crédito.
A anticrese é indivisível, uma vez que na hipótese de imóvel pertencente a dois ou mais proprietários,
estes não poderão dá-lo em garantia, a não ser em caso de comum acordo. Neste caso, aplica-se a regra geral
que rege os direitos reais de garantia.
DIREITO DE FAMÍLIA
Casamento Civil:
Conceito: União civil entre duas pessoas com objetivo de estabelecer plena comunhão devida.
Do mesmo ou do sexo diferentes, o STF reconheceu em 2011 e o CNJ regulamentou a questão baixando
provimento, para registro em cartórios.
Habilitação:
Com 16 anos ou 17 anos, precisa do consentimento dos pais, poderá pedir para o juiz, na recusa dos
pais.
Situações em que o casamento é proibido: se celebrado será considerado nulo, e a ação cabível será a ação
declaratória de nulidade e esta ação é imprescritível.
Não confundir: hipóteses de casamento nulo e anulável (art. 1550 do CC), ação anulatória,
decadencial.
O casamento não será proibido; poderá sofrer uma sanção, celebrado com a imposição do regime da
separação obrigatória de bens.
OBS.1: As partes podem solicitar ao juiz, a não aplicação da sanção, provando inexistência de confusão
matrimonial ou de sangue.
OBS.2: Poderão proceder com a alteração do regime de bens, após o prazo, sendo que a causa não existe mais.
Dissolução do casamento:
Antes da EC 66/2010, tinha prazo para separação de 2 anos (separação de fato) e 1 ano de separação
jurídica ou 1 ano de separação de corpos.
Hoje não há requisitos, basta a vontade de um dos cônjuges, e não se discute culpa - é um direito
potestativo puro, bastando a vontade de uma das partes.
Entretanto o procedimento de separação não foi extinto, pela Emenda Constitucional é uma opção para
quem quiser utilizar.
União Estável:
Relação pública (conhecido pela sociedade), continua (estável) e duradoura (não tem prazo mínimo)
entre duas pessoas, com o objetivo de estabelecer plena comunhão de vida.
Coabitação e procriação, não precisa morar juntos e ter filhos, o juiz irá analisar, mas não são requisitos.
O que separa um namoro (tem um sonho de união) da união estável (já estão colocando em prática).
ALIMENTOS
Os alimentos consistem no direito a qualquer necessidade básica que o ser humano possui para
sobreviver – o conceito não se resume a “comida”.
Assim, para o Direito Civil, tudo aquilo que é indispensável para o desenvolvimento da pessoa, é
considerado “alimentos”.
a) Obrigação de Alimentar
“São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes nem pode prover, pelo
seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclama pode fornecê-los, sem desfalque do
necessário ao seu sustento”.
O artigo preceitua que os alimentos devem ser arcados por aqueles que possuem condições para pagar
alimentos, devendo ser considerada a necessidade do alimentando.
Obs.: Deve sempre haver um equilíbrio na relação da condição financeira de quem paga e a necessidade de
quem recebe. Lembrando que a Ação de Alimentos nunca produz coisa julgada, portanto, quanto a necessidade
do alimentado ou a situação financeira do alimentante se alterarem, pode-se instaurar a Ação Revisional de
Alimentos.
• Parentes: art. 1.694 - os parentes, os cônjuges ou companheiros podem pedir uns aos outros
alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender
as necessidades de sua educação.
• Casos de homicídio: art. 948, II - prestação de alimentos a quem o morto os devia, levando-se
em consideração a duração provável da vida da vítima.
• Ofensa física: art. 950 - em caso de ofensa física, a vítima tem sua capacidade funcional
diminuída.
c) Classificação
d) Características
• Pessoal e intransferível
• Irrenunciável
• Impenhoráveis
• Imprescritível
• Periodicidade no pagamento
f) Alimentos Gravídicos
A Lei n° 11.804/08, disciplina acerca do direito de prestar alimentos para a mulher gestante e para o nascituro.
Consistes sobretudo e, valores compatíveis para cobrir as despesas no período de gravidez, da concepção ao
parto, e até mesmo as referentes à alimentação, assistência médica etc.
Na aplicação da Lei de Alimentos, serão utilizados subsidiariamente o Código de Processo Civil e a Lei de
Alimentos (Lei nº 5.478/68).
PODER FAMILIAR
O poder familiar consiste na responsabilidade e na autoridade legal de tomar decisões a respeito de ações da
vida pública dos filhos menores de idade, que não podem ser seguramente exercidos por estes em função da idade
jovem.
“Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que
consiste em, quanto aos filhos:
É um direito no sentido de ser uma capacidade a ser exercida em nome dos filhos, mas é um dever no sentido
de não ser opcional.
O poder familiar se encerra no desenvolvimento da maioridade, que ocorre ao se completar 18 anos de idade,
ou na emancipação dos filhos.
Há, ainda, os casos de destituição do poder familiar, que acontecem por decisão judicial.
Nos termos legais, as condições de retirada judicial do poder familiar são previstas no artigo 1.638 do CC:
“Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
A emancipação constitui o ato em que se antecipa a capacidade civil. Assim, a emancipação rompe
antecipadamente com o poder familiar.
A sucessão pode ocorrer por determinação legal ou por vontade das partes.
Sucessão legítima ou ab intestato: é aquela que decorre da lei, que enuncia a ordem da vocação hereditária e
presume a vontade do autor da herança.
Sucessão testamentária: tem origem em ato de última vontade do morto, trata-se de mecanismo que prestigia
o exercício da autonomia privada.
Atenção! A sucessão é regida pela Lei vigente ao tempo de abertura, que se dá com a morte. Nesta ocasião é
que ocorre a transmissão da herança, por meio da saisine (art. 1784 da CC) pelo qual o direito sucessório se
incorpora ao patrimônio dos sucessores que passam a ter direito adquirido e imune a retroatividade de lei
posterior.
OBS.: Se o falecido deixar cotas de uma sociedade aos seus herdeiros, todos eles em condomínio serão
detentores das ações, possuindo legitimidade para postular a extinção (dissolução) da sociedade familiar – STJ
Informativo 315 Resp. 650.821/AM.
Legítimos: Descendentes, Ascendentes, Cônjuge /companheiro, colateral até 4º grau, herdam por lei.
Herdeiros Necessários têm a proteção da legitima, composta pela metade do falecido autor da herança (art.
1789 e 1846 do CC) Descendentes, Ascendentes, Cônjuge/Companheiro.
Aceitação e Renúncia
O herdeiro é obrigado a receber o patrimônio, ou poderá escolher qual bem quer ficar?
Não, a herança é um patrimônio, antes da partilha é um complexo entre obrigações e deveres, não pode
dividi-lo, por força de lei.
Ninguém é obrigado a ser herdeiro contra sua vontade, porém não se pode renunciar ou aceitar parte da
herança (art. 1808 do CC).
Expressa: Feita por declaração escrita do herdeiro, por meio de instrumento público ou particular.
OBS.: Não confundir com o Art. 1.805 §1º do CC, atos oficiosos, conservatórios e administração temporária não
configuram aceitação tácita.
Presumida: art. 1807 do CC. O interessado, passados 20 dias da abertura da sucessão, pode solicitar ao juiz
que determine prazo não maior que 30 dias para que o herdeiro se manifeste se aceitará ou não a herança.
Renúncia à herança:
Deve ser expressa por termo judicial ou instrumento público (art. 1.806 do CC).
Renúncia Abdicativa: (art. 1.805, §2º do CC) o herdeiro diz simplesmente que não quer a herança, havendo
cessão pura e simples a todos os herdeiros, o quinhão do que renunciou volta para o monte e será igualmente
repartido entre todos.
Renúncia Translativa: se renuncia em favor de alguém, ocorre quando o herdeiro cede seus direitos em favor
de determinada pessoa, nesse caso, como há um negócio jurídico de transmissão, incidirá ITCMD.
Sucessão Legítima:
Direito de representação – Alguém representa aquele que deveria suceder. Só existe na sucessão
legítima, nunca na testamentária, o que pode ocorrer na testamentária é a substituição se prevista pelo
testador.
OBS.: Conforme previsão do art. 1.851 do CC, para que ocorra a representação, aquele que receberia a herança
deve estar impossibilitado (pré-morte, deserdação ou indignidade).
Avó (viva)
Piccelli + 04.04.2022
O exemplo não tem descendentes, passa para ascendentes, dentro de uma classe os de graus mais
próximos excluem os de grau mais remotos, a herança será da mãe e não da avó.
A regra é que os descendentes representarão. Todavia, pode acontecer de representar o filho do irmão
chamado sobrinho em concorrência com o outro irmão (art. 1.853 do CC).
Bisavó+
Avó+
Pai + mãe+
Vivos somente um irmão e um sobrinho, que irão concorrer conforme o art. 1.853 do CC., representando
o irmão com o sobrinho 50% para cada um deles.
• Descendentes
• Ascendentes
• Cônjuge/companheiro
• Colateral até 4º grau
Dentro de uma classe, a existência dos parentes de grau mais próximo, exclui a de grau mais remoto
(observando o direito de representação do art. 1.836 §1º do CC).
Exemplo: Sou casado por regime de comunhão de bens, receberá por meação.
Atenção 1: A depender do regime de bens o cônjuge poderá concorrer com ascendentes ou descendentes, mas
nunca com os colaterais.
Atenção 2: O cônjuge não concorre no regime de comunhão universal de bens, separação obrigatória (art. 1.641
do CC) ou comunhão parcial, se houver bens particulares.
Sucessão de Descendente:
• Há representação.
• Quem herda por representação, recebe por estirpe e não por cabeça.
• Se todos os descendentes forem do mesmo grau, nesse caso, receberão por cabeça e não por
estirpe. (art. 1835 do CC).
Exemplo1:
Mãe
Piccelli +-------------irmão
Filho+ filho +
Neto3 Neto 1 Neto 2
Exemplo2:
Mãe
Piccelli +-------------irmão
Filho+ filho +
Neto3 Neto 1 Neto 2+
Bisneto 1, Bisneto 2
Nesse exemplo 1, tem dois irmãos pré-mortos e três netos vivos, todos do mesmo grau, ficariam com
1/3 cada um deles, divisão por cabeça.
No caso do exemplo 2 se um desses netos fosse pré-morto, a parte dele seria dividido para os bisnetos
havendo 2 bisnetos, divide 1/3 para os netos vivos e o 1/3 do neto morto, que seria dividido em duas partes para
os bisnetos, como são de graus diferentes não recebem por cabeça e sim por estirpe.
Sucessão de Ascendente:
• Não há representação.
• Se pai e mãe são pré-mortos, traça-se a linha do Art. 1836, §2º do CC.
50% 50%
Bisavô
Avô avó avô avó
Pai + mãe+
Eu+
Bisavô
Avô avó avô avó
O cônjuge não herdará se estiver divorciado, separado judicialmente ou extrajudicialmente ou ainda separado
de fato a mais de 2 anos.
Atenção! Conforme art. 1830 do CC, a menos que esteja separado de fato a 2 anos e prove que a convivência
se tornou impossível sem culpa dele.
Não confundir sucessão com meação. A meação vem primeiro, com a observância do regime de bens,
conferindo o patrimônio a quem é devido, após a meação, deve ser aplicada a sucessão que é a divisão de bens
(patrimônio) do falecido.
• 1º lugar: descendentes concorrendo com o terceiro lugar, a depender do regime de bens, não
havendo descendentes partimos para o segundo lugar;
• 2º lugar: ascendentes, concorrendo com o terceiro lugar, independente do regime de bens, não
havendo ascendentes, a integralidade irá para o terceiro lugar, sem concorrência:
ATENÇÃO! O cônjuge pode concorrer com os descendentes, a depender do regime de bens (artigo 1829 do
Código Civil). Assim, ele não irá concorrer nos regimes da comunhão universal de bens, na separação
obrigatória e na comunhão parcial de bens, em não havendo bens particulares, mas irá concorrer nos regimes
da comunhão parcial de bens, em havendo bens particulares (concorrendo apenas nos particulares),
separação convencional.
• a título singular: quando herda uma coisa certa, sendo chamado de terceiro legatário.
Capacidade Testamentária
Se divide em:
• ativa (artigos 1857 e 1860): traz a informação de quem pode fazer testamento, sendo todos
aqueles com mais de 16 anos, independentemente de autorização ou assistência e todos aqueles (maiores de
16 anos) com discernimento;
A capacidade deve estar presente no momento de testar, sendo que a incapacidade superveniente não
invalida o testamento.
• passiva: quem pode ser herdeiro testamentário. Todos os herdeiros legítimos (aqueles que
herdam por lei) tem capacidade para ser herdeiro testamentário, mas nem todos os testamentários podem ser
legítimos.
Os herdeiros legítimos podem ser as pessoas já nascidas e ainda vivas e o nascituro, os herdeiros
testamentários podem ser as pessoas já nascidas e ainda vivas, o nascituro, filiação eventual (filho de pessoa
indicada pelo testador), pessoa jurídica e pessoa jurídica na forma de fundação.
OBS.: Quanto a filiação eventual, o Código Civil estabelece o prazo de 2 anos da abertura da sucessão (morte)
para a concepção da prole indicada.
Conteúdo Do Testamento:
O testamento pode conter questões patrimoniais ou não, sendo por exemplo, instrumento idôneo para
reconhecimento de paternidade, nomeação de tutor dos filhos em caso de falecimento, deserdação (hipóteses
previstas expressamente em lei).
Aquele que possui herdeiros necessários (descendentes; ascendentes e cônjuge), pode dispor de
apenas 50% do patrimônio.
Principais delas:
Se divide em:
a. testamento público: é aquele lavrado perante o tabelião na presença de duas testemunhas (não
podem ser os herdeiros testamentários).
OBS.1: Surdo pode fazer testamento público se ele souber ler, e a leitura será feita por pessoa por ele designada.
OBS.2: Para o cego, é exigido que seja por meio de testamento público e deve ser lido duas vezes, uma pelo
tabelião e a outra por uma das testemunhas.
b. testamento cerrado, secreto, místico: ele apenas será aberto com a morte do testador, é
entregue fechado para o tabelião na presença de duas testemunhas (que não sabem o conteúdo do testamento,
apenas conhece que houve a feitura do testamento).
2. especiais ou extraordinárias: são assim designados, pois podem ser feitos a bordo do navio,
aeronave, em campanha, perante a autoridade competente, sendo necessária duas testemunhas, se dividem
em:
a. Marítimo;
b. Aeronáutico;
c. Militar.
Conceito: É a lei que regula a utilização da internet no Brasil, criando uma moldura de direitos e deveres para
os usuários e para os provedores da rede, com base nos direitos e liberdades constitucionais.
Provedores:
Conexão: São os responsáveis por estabelecer os meios para o acesso do usuário à internet ou de qualquer
modalidade - banda larga, banda fixa ou banda larga móvel 3G,4G, 5G etc.
Aplicação: São os responsáveis pelas informações ou conteúdos, pelas páginas e funcionalidades que podem
ser acessadas, à internet facebook, youtube etc.
Princípios Básicos:
Trata-se de um princípio de arquitetura de rede que endereça aos provedores de acesso, o dever de trará
os pacotes de dados que trafegam em suas redes de forma isonômica, não os discriminando em razão de seus
conteúdos ou origem.
Art. 13: Cabe ao administrador de sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão, sob
sigilo em ambiente controlado e de segurança pelo prazo de 1 ano
Liberdade de expressão: Art. 220, §2º, CF: é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e
artística.
Responsabilidade por danos decorrentes gerados decorrentes de conteúdos gerados por terceiros:
Art. 18 Marco da Internet – O provedor de conexão à internet não será responsabilizado civilmente por
danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros.
Art. 19 e §1º – Com o intuito de assegurar a liberdade, somente poderá ser responsabilizado civilmente
quando houver uma ordem judicial específica, por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros,
serviços e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo como infringir, ressalvando as
disposições legais em contrário, sob pena de nulidade.
Art. 20 – Deve haver o contraditório para que ocorra o disposto no art. 19.
Art. 21 – Vingança pornográfica, fotos e vídeos íntimos, conteúdo sexual não será necessária a
autorização judicial, somente notificação pelo participante ou seu representante legal, no limite de seus limites
técnicos e seus serviços.
LGPD 13.709/18:
Dado pessoal é informações relacionadas a pessoa natural identificada ou identificável.
Dados pessoal sensível: dados pessoais sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião
política, filiação políticas, doenças.
Art. 11: O tratamento de dados pessoais sensíveis, quando o titular autoriza para a finalidade específica, o
provedor deve destacar com clareza qual será o tratamento de dados.
Princípio da finalidade:
Quem adquire tem que realizar o tratamento, a finalidade que motivou e justificou sua coleta, ou seja,
quem informa os dados, tem o direito de saber previamente e em detalhes o que será feito com as informações.
Princípio da Adequação:
Provedor só poderá utilizar os dados para aquela finalidade.
Necessidade:
Limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades, com abrangência
dos dados pertinentes.
Livre acesso:
Garantia aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a duração do tratamento, o que
tem de dados armazenados.
Consentimento:
Manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus
dados.