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Aspectos da Apelação Penal e Prazos

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Rebecca Moutinho Machado - [email protected] - IP: 177.70.163.

64
APELAÇÃO
ASPECTOS TEÓRICOS

* É o RECURSO utilizado para combater sentenças condenatória e absolutória, decisões


definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não previstos
no Capítulo anterior, e das decisões do Tribunal do Júri, quando presente qualquer das
hipóteses legais.

Atenção: Também será cabível na hipótese de rejeição da denúncia ou queixa-crime no


procedimento do JECRIM, e no caso de sentença homologatória de Transação Penal.

* Observe que a questão vai narrar que seu cliente terá sido acusado (contra ele foi oferecida
uma denúncia ou uma queixa-crime e houve recebimento), citado (pessoalmente ou por hora
certa) e apresentou Resposta à Acusação, houve Instrução Criminal e, ao final, foi proferida
uma Sentença (em regra, condenatória), havendo a intimação do seu cliente para se
manifestar.

* Esta peça, portanto, pressupõe que na história trazida pela banca tenha havido:
a) Oferecimento e Recebimento de denúncia ou queixa-crime;
b) Apresentação de Resposta à Acusação e Instrução Processual;
c) Sentença (em regra, condenatória);
d) Intimação do seu cliente para se manifestar.

* Peça de natureza facultativa, apresentada em estruturação dúplice. Assim, a Apelação


contém a chamada Folha de Interposição (ou Folha de Rosto) e a Peça das Razões.

* Fundamento legal:
a) Artigo 593 do CPP, com o inciso que for aplicável ao caso.
b) Artigo 76, §5º, da Lei 9.099/95, se for relacionada com a decisão que homologa Transação Penal no
Juizado Especial Criminal.
c)Artigo 82 da Lei 9.099/95, em se tratando de decisão que rejeita a denúncia ou queixa, bem como das
sentenças, no rito do JECRIM.

* Prazo:
Interposição: 5 dias, contados do 1º dia útil subsequente ao da intimação.
Razões: 8 dias, contados do 1º dia útil subsequente ao da intimação.
JECRIM: 10 dias, sendo que as razões já devem ir juntamente com a interposição.

Atenção: Trata-se de prazo processual, ou seja, a contagem é feita excluindo o dia do início e
incluindo o dia do final. Por fim, não se pode iniciar e nem finalizar a contagem em dia não
útil, devendo, neste caso, haver a prorrogação para o 1º dia útil subsequente.

* O que o (a) Advogado (a) pode pleitear na Apelação?


Depende. Pode ser que seja instado a apresentar Apelação nas seguintes condições:
a) Advogado de defesa (situação mais corriqueira na prova da OAB);
b) Assistente de acusação (em ação penal pública);
c) Advogado do querelante (em ação penal privada).

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* Advogado de defesa (situação mais corriqueira na prova da OAB)
Alegar preliminares, pleitear a Absolvição do acusado, bem como atacar a classificação do crime (visando
desclassificar para algum crime mais leve ou afastar alguma qualificadora do próprio tipo penal), adentrar
em eventual dosimetria da pena (lembre-se do critério trifásico), fixação do regime inicial de
cumprimento da pena e eventual substituição/suspensão da pena.

* Assistente de acusação (em ação penal pública) ou como Advogado do querelante (em ação
penal privada)
A condenação do acusado, bem como reconhecimento de agravantes, causas de aumento de pena e
desclassificação (visando piorar a situação).

* Assim, como regra e em suma, o (a) Advogado (a) pode:


- Arguir Preliminares, dentre as quais podemos citar:
a) Nulidades processuais; b) Prova ilícita; c) Causa extintiva da punibilidade; d) Ausência de oferta da
proposta de suspensão condicional do processo; e) Ausência de oferta de proposta de ANPP; f) Exceções.

- Pleitear a Absolvição, com base no Artigo 386 do CPP.

- Argumentar teses relacionadas a classificação do crime, (visando beneficiar a situação), adentrar em


eventual dosimetria da pena, fixação do regime inicial de cumprimento da pena e eventual
substituição/suspensão da pena.

* Nulidades – Artigo 564 do CPP


Nesse momento as de maior incidência estão concentradas no Artigo 564, I, II e III, alíneas “a” a “e”,
do CPP. Caso ali não se encontrem, serão enquadradas no artigo 564, IV, do CPP.
Atenção: No caso narrado na questão, muito provável que a nulidade decorra de algum ato relacionado
com a instrução processual ou sentença. Dentre as mais comuns, podemos citar: a) inversão da ordem
de oitiva das testemunhas; b) magistrado iniciando as perguntas quando da oitiva; c) supressão do
direito ao silêncio; d) valoração negativa do silêncio do réu na audiência; e) negativa do direito de
entrevista prévia e reservada entre réu e advogado; f) ausência de intimação do réu para a audiência,
g) expedição de precatória sem intimação das partes; h) ausência de representação; i) violação ao
princípio da correlação entre acusação e sentença; j) juntada de laudo pericial após os memoriais e
sentença proferida sem dar vista do laudo às partes, etc.

* Prova Ilícita – Artigos 5º, LVI, da CF, e 157 do CPP

* Causa Extintiva da Punibilidade – Artigo 107 do CPP


Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente; II - pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade de lei que não mais
considera o fato como criminoso; IV - pela prescrição, decadência ou perempção; V - pela renúncia do
direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI - pela retratação do agente, nos
casos em que a lei a admite; IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei. Obs: Peculato Culposo

* Ausência de oferta da proposta de Suspensão Condicional do Processo – Artigo 89 da Lei


9.099/95
Art. 89. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou não
por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por
dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por

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outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77
do Código Penal).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia,
poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições:
(...)

* Ausência de oferta da proposta de Acordo de Não Persecução Penal – ANPP – Artigo 28-A
do CPP
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e
circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima
inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde
que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições
ajustadas cumulativa e alternativamente(...)

* Exceções – Artigo 95 do CPP. SILIC


Suspeição (abarca o impedimento): Artigos 252 e 254 do CPP:
Incompetência do Juízo;
Litispendência (mesmo pedido e mesma causa de pedir sendo apurados em processo diverso);
Ilegitimidade de Parte;
Coisa Julgada.

MÉRITO PRINCIPAL
* Absolvição – Artigo 386 do CPP
O Artigo 386 do CPP possui 07 (sete) incisos, e é de fundamental importância precisar sob qual
supedâneo deve ser absolvido o réu.
Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:
I - estar provada a inexistência do fato;
O dispositivo refere-se à prova de que o fato narrado na inicial não ocorreu, ou seja, ataca-se o suporte
fático da acusação.

II - não haver prova da existência do fato;


Trata-se aqui de falta de prova da materialidade delitiva.
Obs: Não se confunde com o inciso I, pois lá temos certeza que o fato não aconteceu, enquanto aqui
temos dúvida acerca da sua ocorrência.

III - não constituir o fato infração penal;


Trata-se da hipótese de fato atípico. Não se questiona a existência material do fato, mas sim o seu
enquadramento legal. Ex: Princípio da Insignificância; Crime Impossível (art. 17 do CP); Erro de Tipo
Essencial Inevitável, Invencível ou Escusável (art. 20, caput, CP); Coação Física Irresistível; Falta de
Adequação Típica; Ausência de dolo/culpa; Iter Criminis (atos preparatórios).

IV – estar provado que o réu não concorreu para a infração penal;


Nessa hipótese, há prova cabal de que o acusado não concorreu para a ocorrência da infração penal.

V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;


Cuida de hipótese semelhante à anterior, mas nesse caso falta prova de ter o réu concorrido com a
infração.

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VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e
§ 1º do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência;
É o caso da presença das causas excludentes de ilicitude ou excludentes de culpabilidade, ou até mesmo
se houver razoável dúvida sobre a sua existência.

VII – não existir prova suficiente para a condenação.


Consagra o Princípio do In Dubio Pro Reo. Geralmente tem vez nas hipóteses em que:
a) A palavra da vítima é a única prova;
b) Quando o réu confessa na fase extrajudicial, se retratando na fase judicial e não havendo outras
provas.

MÉRITO SUBSIDIÁRIO OU SECUNDÁRIO


Além das teses principais de mérito, muito frequente a presença de outras teses de mérito, mas
que, diferentemente da anterior, não busca afastar o crime, e sim melhorar a situação da pena que o
acusado venha a pegar, caso seja condenado. Assim sendo, seguindo uma ordem lógica, devemos:
1º) Verificar se há a possibilidade de desclassificação para outro crime mais benéfico, ou de afastar
qualificadora.
2º) Fixação da pena base no patamar mínimo, caso não existam circunstâncias judiciais desfavoráveis a
serem consideradas (1ª fase da dosimetria – Artigo 59 do CP);
3º) Pleitear que sejam reconhecidas atenuantes de pena, conforme artigo 65 do CP;
4º) Pleitear que se afastem agravantes de pena, conforme artigo 61 do CP;
5º) Pleitear que sejam reconhecidas causas de diminuição de pena;
6º) Pleitear que sejam afastadas causas de aumento de pena;
7º) Verificar a possibilidade de se reconhecer o Concurso Formal Próprio ou Crime Continuado em vez
de, respectivamente, Concurso Formal Impróprio ou Concurso Material.

Obviamente que a observância dos itens anteriores pode influenciar no montante final de uma possível
pena, motivo pelo qual devemos observar também:
8º) Regime Inicial de Cumprimento da Pena. Artigo 33 do CP.

Após verificar a pena e o regime, é possível analisar a possibilidade de:


9º) Substituição da Pena Privativa de Liberdade (PPP) por Pena Restritiva de Direitos (PRD). Artigo 44
do CP.
ou
10º) Suspensão Condicional da Pena. Art. 77 do CP.

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ESTRUTURAÇÃO DA PEÇA

PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO
* Endereçamento:
A Petição de Interposição será endereçada para o mesmo juiz (vara) que determinou a intimação da
sentença.

* Processo nº:
(Somente inserir o número se houver previsão no enunciado da questão).

* Preâmbulo/Introdução:
Somente haverá o preâmbulo na petição de interposição, no qual a qualificação será resumida (Nome,
já qualificado nos autos...). É necessária a apresentação por Advogado. Fundamento da peça. Nome da
peça (Que poderá ser no próprio texto corrido ou pulando uma linha)

* Tempestividade
Toda peça processual que possui prazo específico previsto em lei para ser apresentada.

* Fechamento
Local, Data (salvo se a questão trouxer informação de que quer a peça apresentada em data x).

Advogado
OAB

PETIÇÃO DE RAZÕES RECURSAIS


* Endereçamento
A Petição de Razões será endereçada para o 2º grau, para o Tribunal que irá julgar o recurso.

* Preâmbulo/Introdução
a) Processo nº;
b) Recorrente;
c) Recorrido;
d) Nome da Peça;
e) Cumprimentos.

* Dos Fatos (Breviário Fático/Síntese Fática)


Não se estenda, pois não há pontuação nesse tópico. Utiliza sua capacidade de síntese.

* Do Direito
Inicialmente, é indispensável trabalhar sempre com a utilização de subtópicos, de forma a tornar mais
harmoniosa a exposição dos argumentos e a leitura.
Nesse ponto, a formatação das teses abordará:
a) Preliminar;
b) Mérito Principal (teses relacionadas ao pleito de Absolvição)
c) Mérito Subsidiário/Secundário (discutindo aspectos relacionados a uma possível desclassificação ou
afastamento de qualificadora, processo de dosimetria da pena, regime inicial de cumprimento da pena e
possíveis benefícios).

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* Do Pedido
Em regra, cada tópico do direito corresponderá a um pedido, de modo que podemos ter pleitos
relacionados a nulidade processual, ilicitude da prova e extinção da punibilidade.
Caso haja alguma das situações do art. 386 do CPP, você vai pedir a Absolvição (não é Sumária).
Ademais, não esqueça dos possíveis pleitos relacionados a desclassificação ou afastamento de
qualificadora, ao processo de dosimetria da pena, regime inicial de cumprimento da pena e possíveis
benefícios.

* Fechamento
Não se fala em produção de provas aqui nessa etapa.
Local, Data (salvo se a questão trouxer informação de que quer a peça apresentada em data x).

Advogado
OAB

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MODELO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DA COMARCA DE .../...

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO ... JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA


COMARCA DE .../...
(Infrações de menor potencial ofensivo)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA ... VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE
.../... (Crimes de competência da Justiça Federal)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO ... JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL FEDERAL DA
SEÇÃO JUDICIÁRIA DE .../... (infração de menor potencial ofensivo)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ... VARA CRIMINAL DO JÚRI DA COMARCA DE
.../...
(Crime doloso contra a vida)

José, já qualificado nos autos, vem, perante Vossa Excelência, por intermédio do seu Advogado
(procuração anexa), com fulcro no art. 593, I, do CPP, interpor
Apelação
Requer seja recebido, processado e remetido à Superior Instância para julgamento, juntamente
com as razões recursais.

I – Tempestividade
O presente recurso de apelação é tempestivo, pois interposto no prazo de 5 dias, conforme art.
593, caput, do CPP.

Pede deferimento.
Local, Data.

Advogado
OAB

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO...

Processo:
Recorrente:
Recorrido:

Razões de Apelação
Colenda Turma

I – Dos Fatos
Resumo dos fatos.

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II – Do Direito
II.1 – Das Preliminares
a) Da Violação ao Princípio da Correlação
Conforme se observa, o Ministério Público denunciou o acusado pelo crime do art. 171, caput, do
CP, sendo que na sentença o juiz condenou pelo crime do art. 155, §2º, II, do CP. Ocorre que o juiz não
poderia ter condenado diretamente pelo furto qualificado pela fraude, já que deveria aplicar o instituto
da emendatio libelli, nos termos do art. 383 do CPP, pois, sem modificar a descrição fática, deu nova
definição jurídica, de modo que houve violação ao princípio da correlação entre acusação e sentença.
Assim sendo, deve ser reconhecida nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP.

b) Da Nulidade Processual
Conforme se observa, foi expedida carta precatória para a oitiva de uma testemunha arrolada
pela acusação, não havendo a intimação da defesa. Ocorre que, nos termos do art. 222, caput, do CPP,
as partes devem ser intimadas da expedição da carta precatória para o juízo deprecado, o que não
ocorreu, de modo que restou prejudicado o exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do
art. 5º, LV, da CF.
Assim sendo, deve ser reconhecida a nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP.

c) Da Nulidade Processual
Conforme se observa, na audiência de instrução e julgamento, o próprio magistrado iniciou a
inquirição das partes. Ocorre que, nos termos do art. 212 do CPP, as perguntas serão formuladas
diretamente pelas partes, podendo o juiz, sobre pontos não esclarecidos, complementar a inquirição.
Ademais, restou prejudicado o exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do art. 5º, LV,
da CF.
Assim sendo, deve ser reconhecida a nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP.

II. 2 – Do Mérito
a) Do Erro de Proibição Inevitável
Conforme se observa, em virtude da doença rara que acomete seu filho, o acusado se adquiriu
certa quantidade de cannabis para fins medicinais, supondo ser lícito. Ocorre que, é perceptível que o
acusado agiu amparado sob a causa de isenção de pena do erro de proibição inevitável, causa excludente
de culpabilidade, nos termos do art. 21, caput, do CP, já que faltou ao agente potencial consciência da
ilicitude do fato, pois imaginou que poderia ter drogas em sua posse para fins medicinais.
Assim sendo, deve o agente ser absolvido, nos termos do art. 386, VI, do CPP.

b) Pena Base
Caso Vossa Excelência não acolha a tese anterior, vem a defesa pugnar pela aplicação da pena
base no mínimo legal. Conforme se observa, o magistrado aumentou a pena base em 04 meses,
apontando a existência de inquérito policial em andamento. Ocorre que não merece prosperar essa
argumentação, tendo em vista que inquéritos policiais em andamento não servem para valoração
negativa, nos termos da Súmula 444 do STJ. Ademais, houve violação ao princípio da presunção de
inocência, já que, nos termos do art. 5º, LVII, da CF, até o trânsito em julgado da sentença condenatória,
a pessoa é presumidamente inocente.
Assim sendo, a pena base deve ser fixada no mínimo legal, a teor do art. 59 do CP.

c) Do Afastamento da Agravante
Em sua sentença, decidiu o juiz por reconhecer a agravante da reincidência, prevista no art. 61,
I, do CP, tendo em vista que o réu tem uma condenação transitada em julgado pela prática de uma

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contravenção penal. Ocorre que a condenação anterior transitada em julgado, no presente caso, não é
apta a gerar reincidência, já que não se amolda as previsões dos art. 63 do CP, e 7º da Lei de
Contravenções Penais.
Assim sendo, deve ser afastada a incidência da agravante prevista no art. 61, I, do CP.

d) Do Reconhecimento da Minorante do Erro de Proibição Evitável


Caso Vossa Excelência entenda que não se trata de erro de proibição inevitável, causa de isenção
de pena, deve ser observada a causa de diminuição de pena do erro de proibição evitável, conforme art.
21, caput, do CP, devendo haver a redução da pena na fração de 1/3.

e) Do Reconhecimento da Minorante do Tráfico Privilegiado


Conforme se observa, o acusado é primário, portador de bons antecedentes, não se dedica a
atividades criminosas e nem integra organização criminosa. Assim, deve ser reconhecida a aplicação da
causa de diminuição de pena prevista no art. 33, §4º, da Lei 11.343/06, devendo ser diminuída a pena
na fração máxima de 2/3.

f) Do Afastamento da Majorante
Constata-se, de acordo com a narrativa, que o magistrado reconheceu, por analogia, a causa de
aumento de pena do art. 40, V, da Lei 11.343/06. Ocorre que tal majorante somente se aplica se restar
caracterizado o tráfico entre Estados da federação, e não entre municípios do mesmo Estado, de modo
que a analogia feita pelo magistrado é prejudicial ao réu, não se admitindo, no direito penal, analogia in
malam partem. Assim, deve ser afastada a incidência da majorante do art. 40, V, da Lei 11.343/06.

g) Do Regime Inicial de Cumprimento da Pena


Tendo em vista a possível pena a ser aplicada, em caso de condenação, nota-se que o regime
inicial compatível é o aberto, nos termos do art. 33, §2º, c, do CP. Não merece prosperar o argumento
de que se trata de réu reincidente, conforme já exposto anteriormente, e nem a tese de que crime
hediondo ou equiparado deve ter seu regime inicial necessariamente fechado, já que tal dispositivo foi
entendido como inconstitucional pelo próprio STF, por ferir o princípio da individualização da pena, nos
termos do art. 5º, XLVI, da CF.

h) Da Substituição da PPL por PRD


Verifica-se, pela possível pena a ser aplicada, e pelas condições do acusado, que há o
preenchimento dos requisitos para a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos,
conforme art. 44 do CP, já que se a pena a ser aplicada é menor que 04 anos e o acusado não é
reincidente.
Em que pese o art. 44 da Lei 11.343/06 vedar expressamente a conversão de PPL em PRD, o STF
entendeu que tal vedação é inconstitucional, por violar o princípio da individualização da pena, nos termos
do art. 5º, XLVI, da CF.

III – Dos Pedidos


Diante do exposto, pugna a Defesa pelo recebimento, conhecimento e provimento do presente
recurso, requerendo:
a) Seja reconhecida a nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP, tendo em vista a violação
ao princípio da correlação;
b) Seja reconhecida a nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP, tendo em vista a ausência
de intimação da expedição da carta precatória;

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c) Seja reconhecida a nulidade processual, nos termos do art. 564, IV, do CPP, em virtude de o
magistrado ter iniciado a inquirição das partes;
d) Seja o apelante Absolvido, nos termos do art. 386, VI, do CPP, eis que presente a causa de exclusão
da culpabilidade do erro de proibição inevitável;
e) Caso não acolha o pedido anterior, pugna pela fixação da pena base no mínimo legal, nos termos do
art. 59 do CP;
f) Seja afastada a agravante da reincidência, conforme art. 61, I, do CP;
g) Seja reconhecida a causa de diminuição de pena do erro de proibição evitável, reduzindo a pena em
1/3, conforme art. 21, caput, do CP;
h) Seja reconhecida a causa de diminuição de pena prevista no art. 33, §4º, da Lei 11.343/06, em seu
grau máximo de 2/3;
i) Seja afastada a incidência da majorante prevista no art. 40, V, da Lei 11.343/06, em virtude proibição
da analgia in malam partem;
j) Seja fixado o regime inicial aberto para o cumprimento da pena, nos termos do Art. 33, §2º, c, do
Código Penal;
l) Seja substituída a PPL pela PRD, em observância ao que prevê o Art. 44 do CP.

Pede Deferimento.
Local, 15/05/2017.

Advogado
OAB

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