Como nasceu a
Quimbanda.
No começo de tudo, somente existia Nzambi. ele era o Um, o Eterno, detentor de
todas as mirongas (segredos, magias). Nzambi era cheio de energia e poder e estava
pronto para explodir a qualquer momento. Então, decidiu que era o momento de criar.
Em um piscar de olhos, ele fez de si mesmo milhões e milhões de pedaços de matéria
que se dispersaram, serpentenando, como um redemoinho, girando em sentido horário
em torno dele. Nzambi criou Ngombe, o Universo e toda a matéria visível.
Nzambi decidiu, então, criar um Ser capaz de atravessar o Espaço entre os
corpos materiais e, concentrando-se em um ponto fixo, trouxe à vida Exu-Aluvaiá, que
era homem e mulher ao mesmo tempo, uma manifestação da natureza de Nzambi.
E Nzambi deu sete dons a Exu-Aluvaiá dizendo:
1. Viajar livremente para lugares onde eu nem sempre estarei. Eu te dou as chaves
que abre as fronteiras entre os Espaços, entre a luz e a treva, entre o calor e o frio...
2. Eu te faço livre para escolher entre o bem e o mal...
3. E você terá o conhecimento de todas as coisas; será capaz de lembrar todas as
coisas que ver e ouvir deste momento em diante e vai enriquecer sua sabedoria pela sua
própria experiência e pela experiência dos outros...
4. Você terá a capacidade de ver através do tempo e conhecer o passado e o futuro de
todos os seres; mas não conhecerá seu próprio futuro...
6. Terá inteligência para entender todas as criaturas, as elevadas, as medianas e as
inferiores...
7. E eu te dou o poder de multiplicar a si mesmo, de criar seres similares a você
mesmo; eles serão inferiores a você em poder. Mas tenha cuidado com esse poder
porque uma vez que você se divida não mais poderá voltar a ser um novamente. Esse
mistério é somente meu.
(Fonte: Dos Ventos, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda. (Trad.
Ligia Cabús).
Consulta na
Quimbanda
Numa consulta com um Exu costuma-se ouvir, por vezes, palavrões e
gargalhadas já que esse é o modo deles trabalharem, com uma voz característica.
Portanto, é fácil a percepção de uma incorporação de um Exu num terreiro.
Isso no entanto pode ocorrer em terreiros menos evoluídos, onde os médiuns não
possuem muita evolução espiritual, já em um terreiro sério em que há o sério trabalho
de guardiões, existe a proteção contra espíritos malfeitores, obsessores e zombeteiros.
Os exus executam sua função de forma séria e objetiva sem muitos rodeios pois
estão em busca também da sua evolução. Daí, quanto maior a ajuda aos consulentes,
mais eles evoluem também.
Cuidam geralmente de casos relacionados a situações finaceiras, saúde,
emprego, e o afastamento de obsessores do passado que teimam em obsediar suas
vitímas encarnadas, fazendo com que aceitem as realidades da vida espiritual. Os
trabalhos feitos contra essas vitímas são analisados e geralmente resolvidos.
Buscam em comum a sua evolução espiritual, melhorando seu carma e pagando
as divídas do passado.
Os exus são soldados prontos a nos proteger e assegurar que espíritos malfeitores
não nos façam mal. Para eles não existe o bem ou o mal e sim somente a execução das
leis divinas.
Os reinos da
Quimbanda
A denominação "Exu", acrescida de títulos identificadores, refere-se a espíritos tanto
masculinos quanto femininos; estes últimos, mulheres desencarnadas, são as famosas
pombas-giras. Na Quimbanda também existe uma hierarquia de Exus com seus
respectivos Reinos, chefes e subordinados aos quais relacionam-se atribuições mais ou
menos específicas. São 7 reinos Reinos; cada Reino possui 9 povos, num total de 63
povos de Exu. São eles:
1. Reino das Encruzilhadas
Chefiado por Exu Rei das Sete Encruzilhadas e Pombagira Rainha das Sete
Encruzilhadas, governa todas as passagens dos Exus que ali trabalham. Sua função
principal é abrir os caminhos para os outros Guias chegarem e também para os filhos e
fregueses. Os seguintes povos pertence a este reino:
Povo da Encruzilhada da Rua - Chefe Exu Tranca-Ruas,
Povo da Encruzilhada da Lira - Chefe Exu Sete Encruzilhadas,
Povo da Encruzilhada da Lomba - Chefe Exu das Almas,
Povo da Encruzilhada dos Trilhos- Chefe Exu Marabô,
Povo da Encruzilhada da Mata - Chefe Exu Tiriri,
Povo da Encruzilhada da Kalunga - Chefe Exu Veludo,
Povo da Encruzilhada da Praça - Chefe Exu Morcego,
Povo da Encruzilhada do Espaço - Chefe Exu Sete Gargalhadas,
Povo da Encruzilhada da Praia - Chefe Exu Mirim,
2. Reino dos Cruzeiros
Chefiado pelo Exu Rei dos Sete Cruzeiros e Pombagira Rainha dos Sete Cruzeiros,
governa todas as passagens dos Exus que trabalham nos cruzeiros (não confundir com
encruzilhada). Os seguintes povos pertencem a este reino:
Povo do Cruzeiro da Rua - Chefe Exu Tranca Tudo,
Povo do Cruzeiro da Praza - Chefe Exu Kirombó,
Povo do Cruzeiro da Lira - Chefe Exu Sete Cruzeiros,
Povo do Cruzeiro da Mata - Chefe Exu Mangueira,
Povo do Cruzeiro da Calunga - Chefe Exu Kaminaloá,
Povo do Cruzeiro das Almas - Chefe Exu Sete Cruzes,
Povo do Cruzeiro do Espaço - Chefe Exu 7 Portas,
Povo do Cruzeiro da Praia - Chefe Exu Meia Noite,
Povo do Cruzeiro do Mar - Chefe Exu Calunga (Calunga grande),
3. Reino das Matas
Chefiado pelo Exu Rei das Matas e Pombagira Rainha das Matas. Governa todos os
Exus que trabalham nas matas ou locais que tenham árvores a exceção do Cemitério,
que pertence a outro reino. São os povos deste reino:
Povo das Árvores - Chefe Exu Quebra Galho,
Povo dos Parques - Chefe Exu das Sombras,
Povo da Mata da Praia - Chefe Exu das Matas,
Povo das Campinas - Chefe Exu das Campinas,
Povo das Serranias - Chefe Exu da Serra Negra,
Povo das Minas - Chefe Exu Sete Pedras,
Povo das Cobras - Chefe Exu Sete Cobras,
Povo das Flores - Chefe Exu do Cheiro,
Povo da Sementeira - Chefe Exu Arranca Tôco,
4. Reino da Calunga Pequena (Cemitério)
Governado pelo Exu Rei das Sete Calungas ou Calungas e Pombagira Rainha das
Sete Calungas. Esses Exus também são chamados pelo nome de Rei e Rainha dos
Cemitérios. Geralmente quando se diz "calunga" nas giras de Quimbanda é para nomear
ao cemitério. Trabalham neste reino todos os Exu que moram dentro dos cemitérios.
Pertencem a este reino:
Povo das Portas da Kalunga.- Chefe Exu Porteira,
Povo das Tumbas.- Chefe Exu Sete Tumbas,
Povo das Catacumbas.- Chefe Exu Sete Catacumbas,
Povo dos Fornos.- Chefe Exu da Brasa,
Povo das Caveiras.- Chefe Exu Caveira,
Povo da Mata da Kalunga.- Chefe Exu Kalunga (conhecido também como Exu
dos Cemitérios),
Povo da Lomba da Kalunga.- Chefe Exu Corcunda,
Povo das Covas - Chefe Exu Sete Covas,
Povo das Mirongas e Trevas - Chefe Exu Capa Preta (conhecido também como
Exu Mironga),
5. Reino das Almas
Chefiado por Exu Rei das Almas, Omulu e Pombagira Rainha das Almas ou Rei e
Rainha da Lomba, Governam todos os Exus que trabalham em locais altos. Os Exus
deste reino também trabalham em hospitais, morgues, etc.. São deste reino:
Povo das Almas da Lomba - Chefe Exu 7 Lombas,
Povo das Almas do Cativeiro- Chefe Exu Pemba,
Povo das Almas do Velório- Chefe Exu Marabá,
Povo das Almas dos Hospitais - Chefe Exu Curadô,
Povo das Almas da Praia - Chefe Exu Giramundo,
Povo das Almas das Igrejas e Templos .- Chefe Exu Nove Luzes,
Povo das Almas do Mato - Chefe Exu 7 Montanhas,
Povo das Almas da Kalunga - Chefe Exu Tatá Caveira,
Povo das Almas do Oriente - Chefe Exu 7 Poeiras,
6. Reino da Lira
Os chefes deste reino são muito mais conhecidos por seus nomes sincréticos: Exu
Lúcifer e Maria Padilha. Seus nomes quimbanda: Exu Rei das Sete Liras e Rainha do
Candomblé (ou Rainha das Marias). Os apelidos referem-se à sua afinidade com a
dança, a música e a arte (lira e candomblé). Dentro do reino da Lira, que também às
vezes é chamado "reino do candomblé" não pelo culto africano aos orixás, mas por ser
essa palavra, "Lira", relacionada de dança e música ritual. Trabalham aqui todos os
Exus que têm afinidade com a arte, a música, poesia, boemia, artes ciganas,
malandragem, etc.. Pertencem a este reino:
Povo dos Infernos - Chefiado por Exu dos Infernos,
Povo dos Cabarés - Chefiado por Exu do Cabaré,
Povo da Lira - Chefiado por Exu Sete Liras,
Povo dos Ciganos - Chefiado por Exu Cigano,
Povo do Oriente - Chefiado por Exu Pagão,
Povo dos Malandros - Chefiado por Exu Zé Pelintra,
Povo do Lixo - Chefiado por Exu Ganga,
Povo do Luar - Chefiado por Exu Malé,
Povo do Comércio - Chefiado por Exu Chama Dinheiro,
* Lira é, também, uma cidade africana, que fica nas fronteiras orientais do Reino
Baganda, atualmente, região de Kampala, capital de Uganda - África. Esta referência
parece ser mais precisa no que se refere à denominação Reino da Lira.
7. Reino da Praia
Governado por Exu Rei da Praia e Rainha da Praia. Inclui todos os Exus que
trabalham nas praias, perto das águas ou dentro delas, salgadas ou doces. São seus
povos:
Povo dos Rios - Chefiado por Exu dos Rios,
Povo das Cachoeiras - Chefiado por Exu das Cachoeiras,
Povo da Pedreira - Chefiado por Exu da Pedra Preta,
Povo do Marinheiros - Chefiado por Exu Marinheiro,
Povo do Mar - Chefiado por Exu Maré,
Povo do Lodo - Chefiado por Exu do Lodo,
Povo dos Baianos - Chefiado por Exu Baiano,
Povo dos Ventos - Chefiado por Exu dos Ventos,
Povo da Ilha.- Chefiado por Exu do Côco,
Os sete reinos referem-se aos sete caminhos que uma pessoa deve percorrer ao longo
de sua vida, sete vivências que são experimentadas, sete metas a serem cumpridas:
1. Desenvolvimento da Espiritualidade;
2. A relação com as coisas materiais;
3. O nascimento das crianças, os filhos, a reprodução;
4. A riqueza, a prosperidade e a saúde;
5. O trabalho físico em todos os seus aspectos;
6. O prazer em geral;
7. O amor em todas as suas manifestações.
Um pouco de
Quimbanda
O principal ritual da Quimbanda consiste na invocação de espíritos. Sessões, que na
Umbanda são Giras de crianças, caboclos [as], pretos e pretas velhos, na Quimbanda são
Giras de Exus. Os quimbandeiros trabalham exclusivamente com estas entidades que
pertencem ao domínio astral daquele primeiro Exu criado por Nzambi na origem do
Universo manifestado.
Na Quimbanda, assim como na Umbanda e no Candomblé, não se admite a
possibilidade de comunicação direta entre Deus e os homens. Somente os espíritos
invocados pelos Tatás, Babás, Ngangas, enfim, sacerdotes/xamãs, somente esses
espíritos podem intermediar o contato entre o físico e o metafísico, o visível e o
invisível. Assim, todo sacerdote Quimbanda é um medium que incorpora Exus, os
executores dos trabalhos que interferem na realidade, na vida das pessoas, seja para o
bem ou para o mal.
Na estrutura interna, a quimbanda e a umbanda são muito parecidas, sendo que a
quimbanda conservou o aspecto mais original da religião africana e voltou-se mais para
os mitos de terror do folclore pagão e ameríndio, e também não procurou adaptar-se a
mitologia do catolicismo. A natureza especifica da quimbanda e muito ambígua, pois há
casos de pratica de quimbanda em terreidos de umbanda, por pequenos grupos.
Varias são as definições de quimbanda ou Kimbanda. Tem sua fonte de origem no
quimbundo, que é uma mistura de dialetos africanos, criado pelo governo para ser
ensinado nas escolas das colônias portuguesas, afim de que todos os angoleses se
entendessem entre si nas religiões tribais de Angola e Moçambique. Quim ou Kim, no
dialeto angolês quer dizer, médico ou grão-Sacerdote dos cultos Bantos. Banda quer
dizer lugar e/ou cidade.
Também conhecida pelos leigos como macumba, é uma ramificação da umbanda que
pratica a magia negra. Embora cultuem as mesmas entidades, se sirvam das mesmas
indumentárias, e tenham em seus terreiros semelhanças muito marcantes tais como a
presença de gongá repleto de imagens, no caso da quimbanda (casa de quimbanda) as
imagens são somente de exus e pomba giras e na umbanda tem imagens dos santos
católicos simbolizando os orixás, caboclos e pretos velhos, existem entre as duas
religiões diferenças fundamentais e decisivas. Uma delas é que na Quimbanda são
realizados despachos e/ou trabalhos espirituais com animais como galos e galinhas por
exemplo, e ingredientes da umbanda e do candomblé. Estes despachos costumam-se
realizar à noite em locais como encruzilhadas e cemitérios, e outros lugares onde o pai
de santo achar necessário coloca-lo.
Outra prática bastante freqüente que também se encontra presente no vodu haitiano
sob o nome de paket é o envultamento. Este, diz respeito à construção de um boneco de
pano ou qualquer outro material, desde que pertencente à pessoa a quem quer se
prejudicar, e a seguir alfinetes ou pregos são utilizados para transpassar o corpo da
imagem.
Os quimbandeiros têm como ponto principal de seu culto a invocação de Exus que
na Quimbanda são considerados espíritos das trevas, uns já em estado de evolução, e
outros, denominados quiumbas, espíritos atrasadíssimos e que por isso também são
chamados obsessores. Existem muitos Exus conhecidos como:
João Caveira,
Exu Veludo,
Tranca Rua.
7 encruzilhadas.
Marabô;
Existem de igual forma, Exus femininos, como é o caso de:
Maria Padilha,
Maria Mulambo,
Maria Quiteria
Maria Navalha
Maria Tranca ruas
Maria Tata
7 Encruza
7 Encruzilhadas
7 saias,
Dama da Noite,
Pomba Gira Cigana,
Pomba Gira Rainha
Pomba Girada Calunga
Pomba Gira do Cruzeiro
Pomba Gira dos 7 Cruzeiros
Pomba Gira das Almas
Pomba Gira Quitéria
Pomba Gira Menina
Pomba Gira Menina da Praia
Pomba Gira Mirongueira
entre outras.
Uma das praticas mais conhecidas da Quimbanda e a gira dos exus, cerimonia
realizada, via de regra à noite, na qual diversos exus incorporam nos médiuns e passam
a dançar, beber, fumar, utilizando de sua indumentárias como capas, punhais, turbantes,
saias e etc utilizando-se de uma linguagem bastante grosseira.