Educação Emocional: Conceitos e Aplicações
Educação Emocional: Conceitos e Aplicações
DE EDUCAÇÃO
PARA0
EMPREENDEDORISMO
DIREÇÃO
JACINTO JARDIM
JOSÉ EDUARDO FRANCO
gradiva
© IECCPMA/Gradiva Publicações, S.A.
3
1. edição Fevereiro de 2019
Depósito legal 451 653/2019
ISBN 978-989-616-877-3
gradiva
Editor GUILHERME VALENTE
Nota
Por indicação dos responsáveis da obra, o texto obedece
ao novo acordo ortográfico.
ensino: aprender a conhecer e aprender
a fazer, que investem no conhecimento
e nas habilidades executórias; aprender
a ser, que foca não só o desenvolvimen-
to da personalidade e da autonomia,
mas também a responsabilidade pes-
soal para explorar os talentos interiores
ao sujeito (algo inovador ao tempo); e
por último, aprender a conviver, assu-
mido pela Comissão Internacional para
a Educação do Século XXI como o pilar
mais relevante para obrigar a "com-
preender melhor o outro e o mundo:
a exigência de compreensão mútua,
de ajuda pacífica e de harmonia, valo-
res de que nosso mundo é tão carente"
(UNESCO,1996).
Por outro lado, temos os conceitos
recentes de salutogénese e sentido de
coerência, defendidos por Antonovsky
(1994), bem como o de capacitação ou
empoderamento (empowerment) e pró-
Educação Emocional -atividade no desenvolvimento pessoal
e comunitário-que Christoph Djours
•••••••••••••••••••••••••••••
viria a conceptualizar como noção de
o conceito de Edu cação Emocional emerge saúde (Veiga-Branco, 2004: 70). Assim,
como proposta alternativa ao paradigma estavam "criadas as escolas promotoras
clássico de educação e formação, que incide de saúde e com elas implantada a filb-
mais no que se conhece como o primado da
sofia conceptual do Processo Educativo
razão - através das metodologias e dos cur-
Salutogénico ... " (Veiga-Branco, 1999,
ricula dos programas acadêmicos - e não 2000a, 2000b; 2004: 71).
traz à consciência de professores e alunos Após a emergência de conceitos co-
as competências sociais, nomeadamente a mo "inteligência emocional" e "com-
autoconsciência e gestão emodonais a nível
petência emocional", os pensadores
infra e interpessoal.
em educação, refletindo, por um lado,
••••••••••••••••••••••••••••• sobre os ambientes sociais perturbado-
res que trouxeram para as escolas com-
J.E-Málaga (Berrocal & Extremera, 2005) Partindo dos resultados dos traba-
está a trabalhar há 15 anos; há ainda o lhos em competências emocionais em
projeto INTEMO na Andaluzia e, desde professores (Veiga-Branco, 2007, 2009)
2005, programas de aprendizagem emo- e considerando o modelo de Bisquerra
cional e social em Guipúzcoa e no País (2000), esta autora desenvolve, em Por-
Basco. tugai, o modelo de Educação Emocional
Em Portugal, há dois projetos a traba- em Saúde, como formação transversal
lhar na área da Educação Emocional: o e promotora de saúde, em estudantes
"Clube de Inteligência Emocional na Es- do ensino superior e em profissionais
cola - aprender a ser feliz", em Oliveira de saúde e educação, bem como uma
de Azeméis, e a PAIDE1A (Plataforma oferta formativa lúdica, a través de ima-
Aberta - Associação Internacional para gens d e expressões emocionais (Veiga-
o Desenvolvimento da Educação Emo- -Branco & Araüjo, 2011). Os resultados
cional), desde 2009, que vem desenvol- das formações permitiram verificar o
vendo formação para professores e téc- efeito moderador positivo das capa-
nicos de saúde e educação em Educação cidades da inteligência emocional nas
Emocional e competências emocionais. competências dos professores (Almei-
Veiga-Branco (2012) defende a for- da Correia & Veiga-Branco, 2011) e do
mação em Ed ucação Emocional como efeito promotor de emoções positivas
forma de potencializar as competên- (Almeida & Veiga-Branco, 2012) e que
cias técnicas e relacionais dos profis- contribuíam para o desenvolvimento
sionais em todas as áreas de trabalho, do sentimento de bem-estar (Correia &
nomeadamente em contextos de saúde Veiga-Branco, 2014), tendo identificado
e educação. algumas tipologias de atividades pro-
Esta autora foi desenvolvendo este motoras de emoções positivas nas pes-
constructo, de forma empírica e explo- soas (Correia-Almeida el ai., 2012), por
ratória, em contextos de formação de forma a promoverem a sua própria saú-
professores. Partiu das reflexões acer- de e sentimento de bem-estar subjetivo.
ca da dimensão de [oeus de controlo na
relação educativa e na aprendizagem
(Veiga-Branco, 1992, 1999) e conside-
rou a pertinência formativa dos pro- Para aprofundar
fessores em capacidades que fossem Almeida Correia, A , &: Vciga+Branco, A (2011) Teae/lI:r skills.
EmolioMI inlelligenre ski//s proJiIe. In 1II Intcmational Congress
positivamente moderadoras do desen- on Emo tional lnteiligeoce, Opa tija, &-10 de setembro de 201 1
volvimento. Partiu da questão: "sen- (p.67).
Almeida, A" Vciga-Branoo,A. (2012). Educação emocional como
do a componente emocional essencial ferrament~ propiciadora de emoções positivas. lnlermlliOllal
nas relações em geral (Damásio, 2000, foumal oi Devclopmenlal alld Educa/ional Psycology, 4 (I): 53-61.
Antonovsky, A. (1994) The sense of coherence: An hiSlorical am!
2003, 2010) e em especial na relação ruture perspcctive. In H . I. Mc:Cubbin, H . A. Thompson, A. L
pedagógica e a literacia emocional im- Thompson &: J. E. Fromer (00.), Sense of cohrnmce a/ld rtsilimcy:
Slress, coping and Ileal/h (pp. 3-20). Madison: University of
portante nos contextos relacionais da WlSConsin System.
aprendizagem (Coleman, 1995, 1999; Bcrroca!, P., &. Exlrt'mera , N . (2005). La inteligencia emocional
y la OOucaci6n de las emociones desde el mod elo de Mayer
Bisquerra, 2000), porque parecem estar y [Link] M. Teruel Melem & M. Fen\ández Domínguez
as emoções tão pouco representadas no (coord .), [Link] cari6n emlXiOlral. Revislll inlrrrmiVl'rsilarill de
fonna ción dei profesorado, 19 (3): 63-93.
panorama formativo? " (Veiga-Branco, Bis<Juerra, R. ( 1998). Educación emocional. Ellciclopedill mundial
2000b,2005). de la edUClfci61l (tomo 1) (pp. 356-384). Darcelona: Océano.
- - - - -----_.-.-_. ._-_... . .-
Educ aç ã o Em p le endedora 227
Bisquerra, R. (2000). Educación emocion~1 y biClle5/~r. Barcelona' Veiga-Branco, A (2004). Compe/ênôa emocional. Coimbra:
Praxis Quarteto.
Bisquerra, R (2003). Educación emocional y competencias Veiga-Branco, A. (2005). Competência emocional em
básicas para la vida. Rroistll de InveSligac!ón Educativa, 21 (1): profcssores- Um estudo em discursos do campo educativo.
7-43. Dissertação de Doutoramento, Universidade do Porto, Portugal.
Bisquerra, R. (2005). La educación emocional en la formación Veiga-Branco, A. (2007). Competência emocional em
dei profesorado. In M. Teruel Melem & M. Fernández professores. In A. A. Candeias, & L S. Almeida (coord.),
Domínguez, M. (coord), Revistll /nlerunivcrsitaria de Fonnacióll In/eligência humana: Investigação e aplicações (pp. 361-379).
dei Professorado, 19, 3: 95-114. Coimbra: Quarteto
Bisquerra, R,Á!varcz, M., & Castellá, J. (1998). La orientación Veiga-Branco, A. (2009). La inte/igenCÍa emocional en U/IQ
para la prevención y el desarroJlo humano. In R. Bisquerra orgarlización de eduClIciÓrz. In V Jomades Educació Emocional' La
(coord.), Modelos de orien/ación y inlervmci6n psicopedagógica [Link] Emocional a les Organitzacions, Barcelonil, 26-27
(pp. 281-300). Barcelona: Praxis de março de 2009 (pp. 1-6)
Clouder, C. (2008). EducociólI emocional y social. Amílisis Veiga-Branco, A, & Araújo, D. F. (2011). Las emociones tommr
illlcrllaciollll/. Santander: Fundación Marcelino Botín. la pu/abra. In VII Jornades d'Educació Emocional. L'Educació
Emocional en eis Mitjans de Comunicació, Barcelona, 7-8 de
Correia-Almeida, A., Veiga-Branco, A, & Nogueira, J. (2012). abril de 2011.
Emociones y sailld: Actividades propiciadoras de emociolles positivas.
Veiga-Branco, A. (2012). Educação emocional, um contributo
In Atas vm Jomadcs d'Educació Emocional: Emocions i Salut,
para a gerontologia. In F. Pereira (coord.), Teoria e prtÍlica da
Barcelona, 22 e 23 de março de 2012.
gerorllologi~ - Um guia para cuidadores de idosos (pp. 275-286).
Correia, A., & Veiga-Branco, M. A R. (2014). COlllribuciólI de la Viseu: Psicosoma.
jomwcióll en edHcaci611 emocivrllll para e/ bimes/ar de los profesores.
In I Congress Internacional d'Educació Emocional Psicologia
Positiva i Benestar e X Jornades d'Educació Emocional,
Maria Augusta Veiga Branco
Barcelona, 4-6 de ilbri! de 2014 (pp. 329-342).
Damásio, A. (2000). O smtimen/o de si. O corpo, a emoção e a
llrurobiologia da COllsciêncill. Mem Martins: Europa-América.
Damásio, A. (2003). Ao Olcolllro de Espinosa. As emoções sociais e a
lIeurobio/agia do senlir. Mem Martins: Europa-América.
Damásio, A. (2010). O livro da consciência. A construção do cérebro
conscienlt-. Mem Martins: Europa-América.
DejOU1"5, C. (1986). Por um novo conceito de saúde. Revista
Brasileira de Saúde Ocupacional, 14, 54: 7-11.
Durlay, J-, Weissberg, R., & Pachan, M. (2010). A meta-analysis
of after-scholl programs that seek to promote personal and
social skil1s in children and adolescents. Americon !ouma[ of
Communily PsycllO[Ogy, 45: 294-309.
Ferm'índez-Abascal, E. C., & PaJmero, F. (1999). Emociolles e
sa[ud. Barcelona: Ariel.
Coleman, D. (1995). InteligênCÍlI emociollal. Lisboa: Círculo de
Leitores.
Goleman, D. (1999). Trabalhar cum illteligêllcia emociOlla/. Lisboa:
Temas e Debates
Soler, M. O. (2005). Diseito, desarrollo y evaluación de un
programa de educación emocional en un centro educativo. In
M . P. Temel Melem & M. R Fernández Domínguez (coord.),
Educació" Emocional. Revis/a Interuniversi/ur;a de Fo,mac!ólI dei
Professorado, 19 (3): 137-152.
UNESCO (1996). Educação: Um tesouro a descobrir. Relalório
para a UNESCO da Comissão /nlernaciollal sobre Educação para o
Século XXI. Brasil: Faber CastelL
Veiga-Branco, M. A. (1992). Psicologia da educação. A relação
~ducativa não S~ desenvolve de um modo aleatório nem de
acordo com a vontade exclusiva do fonnador. Nursing: 51-53.
Veiga-Branco, A. (1999). Coml>etência emociolllll do profeSSiJr:
Dos cons/ru/os te6ricos à Tt'fllidade percepcio/IQda. Dissertação
de Mestrado, Unive1"5idade de Trás-os-Montes e Alto Douro,
Portugal.
Veiga-Branco, M. A (2(XX1a). Competência emocional do
professor. Revista Galego--Portugue5a de PsiCOpt'liagoxia e EdllcaciÓl1,
4(6):311-313.
Veiga-Branco, M. A (2ooob). Do paradigma fomlativo
relacional... ao paradigma desenvolvimentista salutogénico.
através da relação educativa. Revisla Galego--Portuguesa de
Psicopedagoxill e EduCIICWI1, 4 (6): 36--40.
íNDICE GERAL DAS ENTRADAS
r
764 fn d ice Ge ral da, Entrada,
Crowdfunding EcosMachico
Joana Lima ... 178 Rafael Fonseca . · 221
Cuidados Individualizados Ecossistemas Digitais
Manuela Teixeira 179 de Aprendizagem em Rede
Domingos Caeiro
Cultura Empreendedora
e José António Moreira 222
Jacinto Jardim 181
Educação Emocional
Currículo Criativo
Annabela Rita .
· . .. . . . 184
Maria Augusta Veiga Branco. · 224
Educação Empreendedora
Jacques Fernandes d a Silva . . · 227
Design Thinking Educação no Tempo Livre
Teresa Paiva 187
Marcelino de Sousa Lopes · 232
Dignidade Humana Educação para a Saúde
José Eduardo Franco · 188 Maria He lena Sardinha Borges. · 234
Dinãmicas de Grupo Educação para
S6nia Alexandre Galinha . 191 OEmpreendedarismo Social
Jacinto Jardim · 237
Direção de Serviços
de Educação Artística e Multimédia Educação pela Arte
Natalina Cristóvão . 194 Filomena Ermida da Ponte. · 241
1
766 Jndice Gera l das Entradas
Felicidade
Paulo Alves. 350
Hamburgueria Insular
Ferramentas Digitais
Filipa Luís Brasil . 388
para a Investigação
António Pedro Costa 354 História do Empreendedorismo
José Eduardo Franco. 389
Finanças Empresariais
Luís Pedro Krug Pacheco . · 356 Honestidade
Ramiro Marques . 391
Financiamento
José Paulo Rainho e Eva Andrade. 359 Hospitalidade
José Eduardo Franco. 392
Florescimento Humano
Helder Miguel Fernandes. 362
Formação Empreendedora
363 IAPMEI
Irene Martins.
Susana Mourato Alves-Jesus. 393
Franchising
364 Idadismo
Luísa Cagica Carvalho
Maria Manuela Jacob Cebola. 394
Fundação da Juventude
365 Idear
Ricardo Carvalho
Naira Libermann. 396
Fundação Lapa do Lobo
Identificação Digital
Rui Fonte. 366
Vitor Vaz da Silva . 397
Incubadora Regional
Geração Móvel de Inovação Social
367 Liliana Ribeiro 398
Adelina Moura.
Indicadores de Empreendedorismo
Gestão
369 José António Porfírio 400
Mare Jacquinet .
Gestão de Projetos Iniciativa de Inovação
Adérito Gomes Barbosa, e Empreendedorismo Social
Filipe Almeida . 403
Mahomed Nazir Ibraimo e Martins
dos Santos Vilanculos Laita . 373 Inovação Aberta
João Leitão 404
Gestão do Conhecimento
António Eduardo Martins Inovação Disruptiva
e Mare Jacquinet . 378 Ana Clara Cândido 406
Gestão do Tempo Inovação Social
Anabela Sousa Pereira. . . 380 Marlene Amorim. .409
Ind ic:e Geral das Entradas
768
Marketing
Jesuítas .492
Carlos Melo Brito
José Eduardo Franco. 443
Marketing Digital
Justiça Econômica e Social 495
Jorge Remondes
José Renato Gonçalves. 448
Massive Open Online Course
Glória Bastos. . 497
Kaizen
. 457
Meditação
Mário Negas
Alexandra Gomes
Kauffman Foundation e Raquel Ala dos Reis . 499
Tiago Carrilho 459
Mentoring
Cláudia Ribeiro. 500
Lean Management
Mobile-Iearning
Marc Jacquinet . 461
Acácio Sanches . 503
l eitura
463 Mobilidade Social
Joana Cruz
Dayse Neri de Souza . 506
liderança
Arménio Rego e Moda
465 Nuno Oliveira Marques. 508
Miguel Pina e Cunha
liderança Diferenciada Modelo 4is
Fernando Magalhães 472 João M. S. Carvalho 514
Jo d iel:' Gera l das Entradas 769
1
770 (ndi ce Gera l das Entradas
Serviço Social
Universidade Empreendedora
Ana Teixeira e Cláudia Moura 693
Anabela Dinis. 732
SmartTV Utopia
Hugo Almeida. · . 694
José Eduardo Franco. · 737
Sobredotação
Alberto Rocha e Filomena Ermida Valo res
da Ponte. 695 Ramiro Marques. 739
Solidariedade Valores Empreendedores
José Agostinho de Figueiredo Sousa. 696 na História Universal
Solvabilidade Cristina Trindade. 741
José António Porfírio Vendas
e Bernardo Figueiredo. 699 Ana Teresa Penim
e João Alberto Catalão. 746
Spin-Offs
Marco Fernandes. . 700 Voluntariado
Maria Celina de Sousa Rebelo
Startup Capital
Lopes Pires . 749
Marc Jacquinet . · . 701
Sucesso Organizacional
Website
Eduardo Leite, Amélia Ferreira-da-Silva
Filipa Pimentel. · 752
e Orlando Lima Rua. 704
_r