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Manejo Comportamental em Mucocele Pediátrica

O documento relata um caso clínico de manejo do comportamento em um paciente pediátrico de 9 anos com mucocele. Técnicas de manejo não farmacológicas foram aplicadas para facilitar o tratamento cirúrgico, resultando em uma relação de confiança e redução da ansiedade do paciente. O sucesso do tratamento foi evidenciado pela cicatrização adequada e pela colaboração do paciente durante o procedimento.

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Manejo Comportamental em Mucocele Pediátrica

O documento relata um caso clínico de manejo do comportamento em um paciente pediátrico de 9 anos com mucocele. Técnicas de manejo não farmacológicas foram aplicadas para facilitar o tratamento cirúrgico, resultando em uma relação de confiança e redução da ansiedade do paciente. O sucesso do tratamento foi evidenciado pela cicatrização adequada e pela colaboração do paciente durante o procedimento.

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Centro Universitário Metropolitano de Maringá

ADRIELE VIEIRA CABEÇA


GABRIELA REGINA OLIVEIRA DE LIMA

MANEJO DO COMPORTAMENTO PARA TRATAMENTO DE MUCOCELE


EM PACIENTE PEDIÁTRICO: RELATO DE CASO CLÍNICO

Maringá, PR
2023
ADRIELE VIEIRA CABEÇA
GABRIELA REGINA OLIVEIRA DE LIMA

MANEJO DO COMPORTAMENTO PARA TRATAMENTO DE MUCOCELE


EM PACIENTE PEDIÁTRICO: RELATO DE CASO CLÍNICO

Projeto de Trabalho de Conclusão de


Curso (TCC) para o curso de
Odontologia do Centro Universitário
Metropolitano de Maringá
(UNIFAMMA).

Orientadora: Prof. Nayara Gonçalves


Emerenciano.

Maringá, PR
2023
AGRADECIMENTO

Adriele Vieira Cabeça

Agradeço primeiramente a Deus que permitiu que tudo isso acontecesse ao longo
de minha vida, e não somente nestes anos como universitária mas em todos os momentos,
me dando saúde e oportunidades para viver o propósito dele. É o maior mestre que alguém
pode conhecer.

Agradeço em especial a minha mãe Rose Vieira, heroína que me deu apoio e
incentivo, que não mediu esforços. Não foi fácil, a senhora sempre fez o seu melhor por
mim, sem seu apoio não seria possível. Quantas vezes me fortaleceu com palavras e
orações. Hoje eu posso vivenciar um dos meus sonhos em realidade, você é meu exemplo
e minha admiração. Essa vitória é nossa.

Agradeço à minha família, dando-me apoio ao longo da minha trajetória e


acreditando no meu progresso.

A minha dupla e amiga Gabriela Oliveira compartilhou todos esses momentos


comigo.

A coordenadora e orientadora Nayara Gonçalves Emerenciano, que fez total


diferença, tê-la como orientadora do trabalho de conclusão de curso (TCC), foi uma
honra, grata pelos ensinamentos compartilhados na minha formação dando todo suporte
necessário.

Sou extremamente grata a todos os meus professores que, com muita paciência e
dedicação me ensinaram no meu progresso acadêmico. A palavra que expressa a
admiração, respeito e carinho por meus professores é “agradecimento”.

Agradeço também à Universidade Unifamma e todo seu o corpo docente.

Grata por minha companheira de trabalho Dra. Patrícia Calori, pelos ensinamentos
na UBS e sempre me motivou no meu dia a dia.

Gratidão a todas as pessoas que contribuíram para o meu sucesso e para


meu crescimento pessoal. Sou o resultado da confiança e a força de cada um de
vocês, muito obrigado.

Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-
sucedidos. Provérbios 16:3.
AGRADECIMENTO

Gabriela Regina Oliveira de Lima

Primeiramente quero agradecer a Deus por ter me permitido chegar até aqui, em
meio à anos de pandemia, por ter me dado força para conseguir essa conquista, onde
jamais imaginei que iria ter essa capacidade. Aos meus pais, Patricia Regina que além de
mãe é uma amiga, obrigada por me ensinar a lutar pelos meus objetivos e sonhos desde
tão nova. Quero agradecer também meu pai, Marcos Aparecido por não deixar de desistir
dos meus sonhos, por ter me emprestado o carro durante alguns anos da graduação,
fazendo de tudo um pouco para me ajudar em qualquer situação. Obrigada por todo amor,
carinho e apoio, por acreditarem na minha capacidade de vencer essa etapa da vida, sem
vocês eu não teria chegado tão longe.

A minha avó Terezinha, por sempre tão preocupada, me ajudou em questões


financeiras, por todas as vezes que me emprestou o cartão para as compras de materiais.

A minha dupla dessa jornada, Adriele Vieira, que foi mais que uma amiga, uma
irmã, aprendemos juntas, brigamos, mas sempre levando em construtivas, dividimos
momentos de faculdade, momentos da vida pessoal, dividimos um sonho que está se
tornando realidade, foi um apoio das madrugadas de choro.

Aos professores, pelo auxilio e por contribuírem do seu conhecimento durante


esses anos de aprendizado para o meu crescimento e na minha formação. Em especial a
minha orientadora e coordenadora de curso Nayara Gonçalves, que é uma inspiração para
mim na área de Odontopediatria, pelo seu esforço, atenção, dedicação, seu auxílio foi
primordial para o desenvolvimento e construção desse trabalho de conclusão.

E por último aos pacientes, foram a base para o meu fortalecimento e


amadurecimento como profissional. Obrigado por ter confiado em minhas mãos.
SUMÁRIO

RESUMO ........................................................................................................................................ 6
ABSTRACT ...................................................................................................................................... 6
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 7
2. RELATO DE CASO CLÍNICO ..................................................................................................... 9
3. DISCUSSÃO .......................................................................................................................... 13
4. CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 15
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 16
MANEJO DO COMPORTAMENTO PARA TRATAMENTO DE MUCOCELE
EM PACIENTE PEDIÁTRICO: RELATO DE CASO CLÍNICO

BEHAVIOR MANAGEMENT FOR THE TREATMENT OF MUCOCELE IN A


PEDIATRIC PATIENT: CLINICAL CASE REPORT

Gabriela Regina Oliveira de Lima*; Adriele Vieira Cabeça**; Nayara Gonçalves


Emerenciano***

RESUMO
Na odontopediatria é de extrema importância o conhecimento e o domínio das
técnicas de manejo infantil durante o atendimento, com finalidade de tornar as crianças
mais adeptas ao tratamento. As técnicas utilizadas são: falar-mostrar-fazer, reforço
positivo, controle de voz, distração, comunicação verbal e não verbal, contenção física,
mão sobre a boca, sedação consciente, desprendimento familiar e estabilização protetora.
Esse trabalho tem como objetivo relatar o caso clínico de um paciente com 9 anos de
idade, sexo masculino, com comportamento não-colaborador e diagnostico sugestivo de
mucocele. Realizou-se manejo de comportamento pediátrico para o tratamento cirúrgico.
Conclui-se que, a utilização das técnicas de manejo é fundamental para a formação da
relação de confiança entre paciente com o profissional, redução do medo, traumas,
ansiedade possibilitando o atendimento.
Palavras chaves: manejo, odontopediatria, glândulas, mucocele.

ABSTRACT
In pediatric dentistry, knowledge and mastery of child management techniques during care are
extremely important, with the aim of making children more adept at treatment. The
techniques used are: tell-show-do, positive reinforcement, voice control, distraction, verbal and
non-verbal communication, physical restraint, hand over mouth, conscious sedation, family
detachment and protective stabilization. This work aims to report the clinical case of a 9-year-
old male patient, with non-cooperative behavior and a diagnosis suggestive of mucocele.
Pediatric behavior management was performed for surgical treatment. It is concluded that the
use of management techniques is fundamental for the formation of a trusting relationship
between the patient and the professional, reducing fear, trauma and anxiety, enabling care.

Key words: management, pediatric dentistry, glands, mucocele.

6
1. INTRODUÇÃO

A odontopediatria é a especialidade da odontologia que tem como função cuidar


da saúde bucal do bebê, da criança e do adolescente, atuando tanto na promoção de saúde
bucal com objetivos preventivos quanto em tratamentos curativos (BONECKER, 2015).
O grande desafio quando se diz respeito ao atendimento em odontopediatria é o fator
comportamental que devido às questões de ordem psicológica, relacionada ao
desenvolvimento emocional da criança, medo, traumas e ansiedade, podem tornar o
comportamento do paciente não colaborativo. Diante disto, o manejo do comportamento
infantil se torna um fator chave para o atendimento odontológico de crianças (ROBERTS
et al., 2010), visando construir uma relação de confiança, estabelecer comunicação e até
mesmo educar o paciente (COELHO et al, 2021; LIMA 2022).

O manejo comportamental representa um desafio para os cirurgiões-dentistas que


precisam estar familiarizados com uma variedade de técnicas para atender às
necessidades individuais dos pacientes e serem flexíveis na sua implementação (GIZANI
et al., 2022). Assim, o sucesso do tratamento de pacientes odontológicos pediátricos
depende de uma comunicação eficaz e do desenvolvimento personalizado, planos de
orientação comportamental relacionados às necessidades de tratamento, além do
envolvimento ativo dos pais (AAPD, 2022). A literatura divide as técnicas de controle de
comportamento infantil em farmacológicas e não farmacológicas. As não farmacológicas
abrange o falar-mostrar-fazer; controle de voz; comunicação verbal e não verbal; reforço
positivo; distração; presença/ausência do responsável e estabilização protetora/contenção
física. E as farmacológicas podem ser realizadas por meio da sedação consciente ou da
sedação inconsciente (CAMPOS, 2010).

O controle de comportamento não farmacológico tem por princípio adequar o


paciente ao ambiente odontológico realizando em um primeiro momento estratégias não
aversivas.

Contudo, nem sempre é possível por meio de técnicas não aversivas conseguir
com que o paciente coopere no atendimento, assim algumas vezes é necessário lançar
mão de técnicas aversivas, como por exemplo utilizar o controle de voz ou a contenção
física/estabilização protetora, indicado para pacientes que necessitam do tratamento
imediato, porém não tem comportamento colaborativo. Para a realização das técnicas

7
aversivas é imprescindível que os pais sejam orientados e assinem o termo de
consentimento livre e esclarecido (AAPD, 2022).

Entretanto, algumas crianças não respondem a essa abordagem por serem imaturas
ou por terem problemas de conduta (CAVALVANTE et al., 2011). Quando as técnicas
não farmacológicas de controle de comportamento não surtem efeito, podem ser utilizada
o controle farmacológico através da técnica de sedação consciente e a anestesia geral
(MARSILLAC, 2014; PIMENTEL et al., 2017).

Deve-se entender que a técnica de controle do comportamento só será


devidamente empregada a partir do momento que o profissional conseguir compreender
as individualidades do paciente associada a complexidade do tratamento, sabendo que se
o comportamento de uma criança no consultório odontológico não puder ser controlado,
será difícil, se não impossível, realizar qualquer atendimento odontológico necessário
(AAPD, 2022). Ainda, deve-se salientar que tratamentos que são simples quando
executados em adultos se tornam complexos em crianças devido à baixa maturidade
emocional que estas possuem para compreensão do que será realizado.

A excisão cirúrgica de mucocele é um exemplo de tratamento considerado de


baixa complexidade que é realizado frequentemente em consultórios odontológicos. A
mucocele é uma lesão benigna que ocorre na cavidade bucal, ocasionada pela ruptura dos
ductos excretores e comumente acomete crianças (DANELON et al., 2013; MEINERZ
et al., 2018). Seu tratamento pode ser feito por meio de biopsia excisional sendo a mais
comum, micromarsupialização e até mesmo a remoção com laser (OLIVEIRA et al.,
2018). Sabe-se que a excisão é uma estratégia efetiva que reduz as chances de recidiva
quando realizada da maneira adequada. Porém, previamente a realização de
procedimentos cirúrgicos em crianças deve-se levar em consideração os fatores
comportamentais.

Diante do exposto, o presente trabalho tem por objetivo relatar um caso clínico de
uma criança atendida na clínica odontológica do Centro Universitário de Maringá-
UNIFAMMA no qual realizou-se manejo de comportamento pediátrico para o tratamento
cirúrgico de mucocele.

8
2. RELATO DE CASO CLÍNICO

Paciente M.H.C.M., 9 anos de idade, sexo masculino, compareceu a Clínica de


Odontologia do Centro Universitário Metropolitano de Maringá - UNIFAMMA em abril
de 2022 para uma avalição. No exame clínico intra-bucal indentificou-se uma lesão
situada na mucosa do lábio inferior do lado esquerdo, com o tamanho aproximado de 10
milímetros, com coloração semelhante a mucosa, de tamanho considerável e móvel a
palpação (Figura 1 e 2). A mãe relatou que a lesão tinha um tempo de evolução de
aproximadamente 6 meses e que o paciente não reclamava de dor ou incômodo, além
disso não havia interferência na fala ou mastigação, a mesma já havia levado a criança
em outra clínica odontológica, mas não prosseguiram com o tratamento devido
dificuldade no manejo do comportamento do paciente.

Após a responsável assinar o termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo


1) executou-se a avaliação clínica e plano de tratamento. Mediante as características
clínicas, o diagnóstico sugestivo foi de mucocele. O plano de tratamento incluiu
inicialmente, o manejo do paciente realizando o domínio emocional e o desprendimento
familiar (Figura 3 e 4), seguindo com uma técnica de micromarsupialização com fio de
seda, para redução da lesão e também auxiliar na cooperação do paciente (Figura 5). Essa
técnica consiste em se passar um fio de sutura no interior da mucocele na tentativa de
induzir um reparo (epitelização). Ao executar o procedimento utilizou anestésico tópico,
e exerceu-se a técnica de manejo falar-mostrar-fazer, explicando o que iria ser feito e a
comunicação verbal, substituindo nomes de instrumentos e objetos, como exemplo o
nome “anestésico” por “pomada”.

No retorno de 14 dias, foi possível observar a lesão com uma regressão


significativa, ainda com todos os fios foi feito somente a higiene da lesão sob os fios.
Com 30 dias paciente fez o retorno novamente, com lesão murcha e com tamanho e
aspecto agradável, optou-se remover os fios de sutura (Figura 6) e seguir com a biopsia
excisional das glândulas evolvidas para remoção total da lesão, para isto efetuou-se a
anestesia local infiltrativa com lidocaína 2%, com a utilização da capa protetora infantil
de carpule para distração, aplicando ao redor da região com cuidado para não deformá-
la pois dificultaria o procedimento, a incisão foi realizada com lâmina 15 (Figura 7), e
após a remoção da lesão foi realizado sutura simples com fio de seda (Figura 8) e enviado

9
o material para exame histopatológico (Figura 9). Durante o procedimento executou a
técnica de distração utilizando massinha de modelar fazendo com que o paciente se
distraía com as mãos, perdendo o foco do procedimento que estava sendo realizado. Após
o procedimento a mãe foi orientada sobre os cuidados com a região e foi prescrito o uso
de analgésico em caso de dor. Finalizou-se o procedimento com o reforço positivo
entregando uma medalha e parabenizando pelo comportamento (Figura 10). Com 14 dias
de pós cirúrgico, paciente retornou para remoção da sutura e mais uma vez foi utilizado
a técnica do reforço positivo com elogios e entrega de um kit de higiene bucal. Essas
técnicas de manejo foram primordiais para o tratamento da lesão, já que era um paciente
de difícil manejo devido os traumas que apresentava, e o mesmo já teria ido em outro
profissional porém não foi iniciado nenhum tipo de tratamento devido ao comportamento.
A cicatrização da região foi observada após 30 dias da remoção da sutura e expectativa
de sucesso (Figura 11).

O diagnóstico do exame histopatológico definido foi de mucocele, fibroma:


mucosa escamosa com área de denso infiltrado inflamatório mononuclear, incluindo
macrófagos contendo muco além de células gigantes do tipo corpo estranho (Anexo 2).

Figura 1 Figura 2

10
Figura 3 Figura 4

Figura 5 Figura 6

Figura 7 Figura 8

11
Figura 9

Figura 10

Figura 11

12
3. DISCUSSÃO

A partir das revisões de artigos, podemos afirmar que atualmente o


tratamento odontológico pediátrico exige a necessidade de uma abordagem
utilizando as técnicas de manejo, com o intuito de diminuir comportamentos
indesejados. Sendo importante a empatia do profissional com a criança e com os
pais, para a construção de um vínculo afetivo.

É muito comum na prática odontopediatrica, deparar-se com


comportamentos indesejáveis. Com base no artigo relacionado a técnicas de
manejo comportamental não farmacológicas em odontopediatria, a autora cita que
“diante das diversas técnicas apresentadas, as técnicas de distração e do elogio
como reforço são as mais utilizadas em consultórios odontológicos, apresentando
excelentes resultados” (LIMA et al., 2022). A distração contribui para que a
criança coopere, desviando atenção com histórias, brinquedos e até mesmo
tornando o ambiente lúdico e agradável, se possível não estar paramentado com
roupas brancas com intuito de exteriorização dos medos que a criança venha a ter
(BARROS; GOES, 2017; COELHO et al 2021; SANT’ANNA 2020).

Já em um artigo de resultado de pesquisa realizado com os pais, foram


aplicadas as técnicas durante o atendimento, e o estudo foi realizado com
avaliação de 38 responsáveis, as crianças com faixa etária 0 a 12 anos de idade. O
teste exato apontou que entre o grau de aceitação, a técnica falar-mostrar-fazer e
reforço positivo foram os mais aceitos pelos pais, e o objetivo das técnicas é
familiarizar a criança ao consultório odontológico (SIMÕES et al., 2016).

Nem sempre é possível por meio de técnicas não aversivas conseguir com
que o paciente coopere no atendimento, assim algumas vezes é necessário lançar
mão de técnicas aversivas, como por exemplo utilizar o controle de voz, que
consiste na alteração do tom e ritmo vocal, refletindo na expressão facial,
passando uma ideia de “quem manda aqui sou eu”, e utilizando frases verbais de
acordo com a idade de cada paciente (ALBUQUERQUE et al., 2010;
SANT’ANNA, 2020; SINGH, 2014).

13
Contudo, crianças com problemas de comportamento no consultório
precisam de contenção física, técnica que requer o auxílio de uma outra pessoa
para imobilizar o paciente, evitando movimentos bruscos do mesmo, ou a
utilização de técnicas medicamentosas para que consigam receber atendimento,
diante de uma situação de medo e estresse (AAPD, 2015). Para a realização das
técnicas aversivas é imprescindível que os pais sejam orientados e assinem o
termo de consentimento livre e esclarecido (AAPD, 2022).

A técnica de manejo infantil em que a mãe segura à criança foi a mais


frequentemente utilizada no dia a dia clínico da odontopediatria (OLIVEIRA et
al., 2019), porém estudos mostram que esta técnica é pouco aceitável pelos
responsáveis, (SIMÕES et al., 2016) e quando o paciente não colabora com o
tratamento odontológico, apresentam agressividade e excesso de movimentação
dificultando o atendimento, o profissional pode julgar necessário utilizar a técnica.
Resultados mais favoráveis foram observados na técnica de sedação consciente,
indicada para pacientes extremamente ansiosos, controle de traumas e medo. A
vantagem de sedar paciente tem sido utilizado em odontologia com um excelente
histórico de segurança tranquilizando o paciente de forma rápida e segura
(LADEWIG et al., 2016; GAUJAC et al., 2017). Já a anestesia geral é indicada
em casos extremos, pois é realizada em Centro Cirúrgico (PIMENTEL et al.,
2017).

Entretanto, é necessário que o profissional conheça todos benefícios e


malefícios de cada técnica afim de realizar tratamento odontológico satisfatório
(ARNEZ et al., 2011).
No caso em questão, não foi necessário a contenção física e a técnica da
sedação consciente, devido à idade e o diálogo que foi realizado entre o
profissional e o paciente. De primeiro momento após realizarmos as técnicas de
manejo, optou-se por seguir com um procedimento minimamente invasivo, para
que o paciente pudesse pegar confiança e reduzir o medo.
Apesar de todos os avanços tecnológicos vividos até hoje, muitas crianças
ainda possuem um sentimento negativo ao tratamento odontológico. No artigo de
pesquisa essa aversão pode estar relacionada com alguns fatores como:
experiências antigas; barulho da broca; a relação e o modo que o profissional

14
recebe a criança no consultório; até familiares depositando comentários negativos
sobre os tratamentos, gerando insegurança e medo (GÓES et al., 2010).
No procedimento, o desprendimento familiar contribuiu muito com o
procedimento, já que foi observado um mau comportamento com a presença dos
pais e por essa razão, optamos por realizar o procedimento com a ausência do
mesmo, para que o paciente pudesse ficar mais seguro durante o procedimento,
deixando-o corajoso, uma vez que com a presença dos pais ou responsável a
criança tende a ter um comportamento não cooperativo com o intuito de chamar
atenção. No presente caso foi aplicado a comunicação, promovendo confiança e
redução do medo e da ansiedade, desenvolvendo relação no atendimento com
qualidade.
Após todos os procedimentos de manejo paciente, o retornou para retirada
dos pontos com um comportamento cooperativo e satisfatório, sem presença de
recidivas da lesão, além de relatar um pós-operatório tranquilo, sem edema, sem
dor ou qualquer outra queixa. Ainda conseguimos manter os retornos preventivos
do paciente, mantendo a preservação da sua saúde bucal e sua boa relação com o
ambiente odontológico.

4. CONCLUSÃO

Conclui-se que a utilização das técnicas de manejo é um método eficiente


para obter a colaboração da criança durante o atendimento odontológico, desde
que o profissional tenha o conhecimento de cada fase de desenvolvimento para
empregar a técnica mais adequada de acordo com sua necessidade. Com isso, o
medo, traumas e ansiedade são reduzidos, permitindo um vínculo de confiança
entre o paciente-profissional-família.

15
REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, Camila et al. Principais técnicas de controle de comportamento em


Odontopediatria, 2010.
LIMA, Andressa et al. Técnicas de manejo comportamental não farmacológicas em
odontopediatria, 2022.
COELHO, Victor; COELHO, Lucas; COSTA. Técnicas de manejo em odontopediatria:
uma revisão narrativa da literatura, 2021.
Barros, M. L. T. Q; Goes, A. R. O. Ansiedade e Dor na Consulta de Odontopediatria: da
Compreensão à Intervenção. In: Moraes, A. A. B.; Gustavo, S. R. Psicologia da saúde em
odontologia: saúde e comportamento, 2017.
American Academy of Pediatric Dentistry (AAPD). Guideline on Behavior Guidance for
the Pediatric Dental Patient. Pediatr Dent 2015.
CAVALCANTE, Leticia et al. Sedação consciente: um recurso coadjuvante no
atendimento odontológico de crianças não cooperativas. Portal de Revistas em
Odontologia, 2011.
MARSILLA, Mirian. Controle da Dor, do Medo e da Ansiedade em Odontopediatria. 1.
ed. Santos, 2014.
DANELON, Marcelle et al. Diagnóstico e tratamento de mucocele em odontopediatria:
relato de caso. Archives of Health Investigation, 2(5, 2013.
SANT’ANNA, Rafaela et al. Aspectos éticos e legais das técnicas de manejo de
comportamento em odontopediatria: uma revisão narrativa da literatura, 2020.
Bonecker M. Odontopediatria marcando presença. Revista de Associação de Cirurgiões
Dentistas APCD, 2020.
GAUJAC, Cristiano et al. Sedação consciente em Odontologia, 2017.
OLIVEIRA, Bruno; HENRIQUE, Douglas; CRUZ. Mucocele oral provocada por
mordida acidental: relato de caso, 2019.
MEINERZ, Ernesto et al. Mucocele-Revisão de Literatura, 2018.
Pimentel T.P, Silveira A.C.A, Gomes M.P. Controle Comportamental em Odontopediatria
com o Auxílio de Fármacos. Revisão Literatura, 2017.
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11. ed. London: Europen Archives Of Paediatric Dentistry, 2010.
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Odontológica Infantil –Passo a Passo, 2010.
GÓES, M. P. S; DOMINGUES, M. C; COUTO, G. B. L; BARREIRA, A. K. Ansiedade,
medo e sinais vitais dos pacientes infantis. Odontol. Clín. -Cient. (Online) v. 9, n.1,
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16
OLIVEIRA, A. C. B. Fatores relacionados ao uso de diferentes métodos de contenção em
pacientes portadores de necessidades especiais, Cienc Odontol Bras, v. 7, n. 3, 52-9, Belo
Horizonte – MG, jul. /set., 2004.
Ladewig V.M, Ladewig S.F, Silva M.G,Bosco.G. Sedação Consciente com Óxido Nitroso
na Clínica Odontologia -Artigo de Revisão2016
Anesz M.F,Anerz M.M,Queiroz A.M,Stuani M.B,Silva F.W.Sedação Conciente :Recurso
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Simões F.X,Macedo T.G,Coqueiro R.S,Pithon M.M. Percepção dos pais sobre técnicas
de manejo comportamental utilizadas em odontopediatria.

17
Anexo 1

18
19
Anexo 2

20

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