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Saneamento Rural em Moçambique: Iniciativa Um Milhão

O documento apresenta a avaliação preliminar da componente de saneamento da 'Iniciativa Um Milhão' em Moçambique, destacando a implementação da abordagem CLTS para erradicar o fecalismo a céu aberto. A metodologia CATS, que combina o CLTS com um sistema de premiação, demonstrou resultados positivos na construção de latrinas e na promoção de práticas de higiene. Recomendações incluem capacitação descentralizada, desenvolvimento de modelos de latrinas acessíveis e maior envolvimento de departamentos governamentais para a expansão do programa.

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Saneamento Rural em Moçambique: Iniciativa Um Milhão

O documento apresenta a avaliação preliminar da componente de saneamento da 'Iniciativa Um Milhão' em Moçambique, destacando a implementação da abordagem CLTS para erradicar o fecalismo a céu aberto. A metodologia CATS, que combina o CLTS com um sistema de premiação, demonstrou resultados positivos na construção de latrinas e na promoção de práticas de higiene. Recomendações incluem capacitação descentralizada, desenvolvimento de modelos de latrinas acessíveis e maior envolvimento de departamentos governamentais para a expansão do programa.

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Documentação e Avaliação Preliminares

da
Componente Saneamento da
"Iniciativa Um Milhão"

Junho de 2009

Amaka Godfrey
[Link]@[Link]
Índice
Siglas e Acrónimos ................................................................................................................... ii

Sumário Executivo ................................................................................................................... iii

1 Contexto .............................................................................................................................. 1
1.1 Breve descrição do saneamento rural em Moçambique ............................................... 1

2 Introdução ........................................................................................................................... 3

PARTE 1: Resultados da Avaliação

3 Abordagens utilizadas na promoção de saneamento ..................................................... 4


3.1 PHAST e outras abordagens........................................................................................ 4
3.2 Abordagem CLTS/CATS .............................................................................................. 4
3.2.1Selecção das comunidades ........................................................................................ 4
3.2.2O despertar do CLTS e habilidades de facilitação....................................................... 5
3.3 Sistema de premiação CATS ....................................................................................... 6
3.3.1Definição de cobertura CATS ..................................................................................... 6
3.3.2Processo de avaliação ................................................................................................ 6
3.3.3O sistema de premiação ............................................................................................. 6
3.4 Síntese dos resultados ................................................................................................. 7
3.5 Análise dos custos da CATS ........................................................................................ 7

PARTE 2: Implicações da Pesquisa e Recomendações

4 Introdução ........................................................................................................................... 9
4.1 Capacitação para o CLTS ............................................................................................ 9
4.2 Selecção das comunidades........................................................................................ 11
4.3 Definição de cobertura ............................................................................................... 12
4.4 Provisão de latrinas melhoradas ................................................................................ 13
4.5 Expansão da CATS na "Iniciativa Um Milhão" ............................................................ 14
4.5.1Premiação ................................................................................................................ 14
4.5.2Processo de avaliação .............................................................................................. 17
4.5.3Implicações financeiras para a expansão da CATS .................................................. 18
4.6 Conclusões ................................................................................................................ 18

5 Bibliografia........................................................................................................................ 20

Anexo 1 ................................................................................................................................ 23
Anexo 2 ................................................................................................................................ 24
Anexo 3 ................................................................................................................................ 25
Anexo 4 ................................................................................................................................ 26
Anexo 5 ................................................................................................................................ 27
Anexo 6 ................................................................................................................................ 29
Anexo 7 ................................................................................................................................ 30
Anexo 8 ................................................................................................................................ 31
Anexo 9 ................................................................................................................................ 32
Anexo 10 .............................................................................................................................. 33

i
Siglas e Acrónimos

AD Administração Distrital
APR Avaliação Participativa Rural
CATS Abordagem Comunitária para Saneamento Total
CLTS Saneamento Total Liderado pela Comunidade
DAS Departamento de Água e Saneamento
DNA Direcção Nacional de Água
DPOPH Direcção Provincial de Obras Públicas e Habitação
GAS Grupo de Água e Saneamento
JMP Programa de Monitoria Conjunta (UNICEF e OMS)
OD Fecalismo a Céu Aberto
ODF Livre do Fecalismo a Céu Aberto
MOPH Ministério de Obras Públicas e Habitação
ONG Organização Não Governamental
PHAST Transformação Participativa de Higiene e Saneamento
PA Política de Águas

ii
Sumário Executivo
No contexto da parceria entre o Governo dos Países Baixos, o UNICEF e a República de
Moçambique, está a ser implementado o programa “Iniciativa Um Milhão”. O objectivo é de
apoiar os esforços do Governo de Moçambique para assegurar o abastecimento de água e
saneamento adequados e a adopção de melhores práticas de higiene por um milhão de
pessoas em 18 distritos rurais, dos quais situam-se 6 em Tete, 6 em Manica e 6 em Sofala.

As intervenções do programa na área de saneamento e a promoção de higiene eram para ser


executadas utilizando a metodologia PHAST (Transformação Participativa de Higiene e
Saneamento), por ONGs contratadas pelos Distritos. Devido à lentidão na obtenção dos
resultados desejados, foi decidido introduzir uma nova estratégia. A nova estratégia, conhecida
como CATS (Abordagem Comunitária para Saneamento Total), combina a abordagem CLTS
(Saneamento Total Liderado pela Comunidade), com um sistema de reconhecimento e prémios.
A abordagem CLTS leva as comunidades a fazer uma auto-análise da sua situação de
saneamento e desperta uma acção colectiva para eliminar o fecalismo a céu aberto, e construir
latrinas sem subsídios.

O sistema de prémios visa gratificar comunidades livres de fecalismo a céu aberto (ODF);
líderes comunitários, que distinguem-se na promoção do saneamento; Chefes de Posto onde
as comunidades vencedoras estão situadas; e as Administrações Distritais em cada Província
que têm o maior número de aldeias livres de fecalismo a céu aberto e o maior número de
latrinas. Os prémios para comunidades ODF incluem os seguintes: uma fonte de água ou uma
sala de aulas; um kit de higiene (balde, sabonete, espelho, certeza) para cada família; bicicletas
para os líderes da comunidade; um telemóvel para o Chefe de Posto; e computadores ou
fotocopiadoras para os Distritos.

A abordagem CLTS tem sido aplicada com sucesso em outros países e foi introduzida em
Moçambique em Agosto de 2008, com a formação de 74 pessoas, apoiada pela UNICEF. O
CLTS foi despertado em 173 comunidades durante os meses de Outubro e Novembro de 2008.
Das 159 comunidades que candidataram-se a serem reconhecidas como ODF em Dezembro
de 2008, 34 foram reconhecidos como ODF, com mais de 5.000 latrinas construídas e em uso.
No total, mais de 49.000 latrinas foram construídas como resultado do despertar do CLTS em
173 comunidades. Os resultados do CLTS têm sido muito impressionantes, considerando que
levou apenas 2 meses para alcançar ODF em 34 comunidades. As 34 comunidades foram
premiadas numa cerimónia pública com certificados de ODF e os respectivos prémios.

Uma avaliação realizada em Abril de 2009 mostrou que a maioria das comunidades ODF
lembraram-se claramente do processo do despertar do CLTS, especialmente a demonstração
da contaminação fecal de comida. As latrinas construídas nas comunidades ODF ainda
estavam em uso 4 meses após de reconhecidas como ODF, e as latrinas que desmoronaram
tinham sido reconstruídas. Isto indica claramente que os prémios não eram necessariamente a
motivação para tornar-se ODF, mas sim o despertar do CLTS, reforçada pelos líderes das
comunidades e o reconhecimento público dos seus sucessos.

Expansão do CLTS
O CLTS comprovou-se ser uma abordagem eficaz para erradicar o fecalismo a céu aberto e
aumentar o acesso a latrinas nas zonas rurais de Moçambique. Os requisitos para a expansão
do CLTS incluem o seguinte:

iii
 Capacitação descentralizada para o CLTS: Existe uma necessidade de desenvolver a
capacidade provincial e distrital para massificar o CLTS através da formação de “Master
Trainers” (Formadores-Mestre). Estes terão a responsabilidade de formar e acompanhar os
trabalhadores de campo para despertar o CLTS nas comunidades.

 Cobertura/Tecnologia: A maioria das latrinas construídas são latrinas tradicionais, feitas


exclusivamente de materiais locais. Latrinas tradicionais sem uma laje não são oficialmente
consideradas como latrinas melhoradas. No entanto, muitas famílias não são capazes de
suportar o custo de uma laje de betão (aprox. MT 450); além disso, são pesadas e difíceis
de transportar. Considerando que um dos objectivos principais de uma latrina é de impedir o
acesso de moscas aos dejectos humanos, uma latrina tradicional com uma tampa justa
poderá servir esta finalidade e, portanto, deve ser considerada uma latrina melhorada.
Observaram-se diversos desenhos inovadores locais para tampas justas para as latrinas
tradicionais existentes para impedir o acesso de moscas às covas.

 Provisão de latrinas melhoradas: 32 centros de demonstração foram estabelecidos nas 3


Províncias. Um total de 571 lajes foram produzidas desde 2007, das quais apenas 171
tinham sido vendidas até 31 de Dezembro de 2008. Os resultados indicam que estes
centros não são auto-sustentáveis sem apoio externo. Uma abordagem mais sustentável
para fornecer latrinas melhoradas seria de treinar artesãos a nível das comunidades e
permitir-lhes a operar independentemente. Eles poderiam ser apoiados por um catálogo
simples de opções para latrinas melhoradas a baixo custo e uma campanha de marketing
do saneamento.

 Participação dos departamentos governamentais: Embora os governos provinciais e


distritais estão totalmente envolvidos na implementação, o trabalho nas comunidades é
realizado pelas ONGs contratadas pelos Distritos e apoiadas pela UNICEF. Para expandir o
CLTS, existe uma necessidade de envolver os trabalhadores do governo. O papel dos
Departamentos de Saúde e da Educação será muito importante, uma vez que têm
(especialmente o Departamento de Saúde) o maior quadro de pessoal a nível das
comunidades. A expansão do CLTS exigirá, portanto, uma parceria multi-sectorial.

Prémios
A abordagem CATS tem o potencial de acelerar o acesso ao saneamento em comunidades
rurais dentro de um curto período de tempo, mas recomendam-se alterações ao sistema de
reconhecimento e premiação. A proposta de ter vários níveis de ODF (ODF, ODF+, e ODF++)
deveria ser limitado a dois níveis, para evitar complexidade e os custos potencialmente
elevados dos prémios. O custo de CATS para as 34 comunidades ODF em 2008 foi de
US$ 679.352. Para chegar a 1.000.000 pessoas com saneamento até 2012 usando a
abordagem actual da CATS, incluindo pontos de água como prémios, custaria mais de US$ 43
milhões (ver tabela 1).

iv
Tabela 1: Custo (em US$) da Expansão da CATS
Actividade Custo por Custo de 34 Custo de Custo de Custo de Custo de
comunidade coms (2008) 270 coms 360 coms 630 coms 1.294 coms
ODF (2009) (2010) (2011) (2012)
Custo de formação (em Moçambique) 2,775 94,343 749,194 998,926 0 0
Custo do despertar 515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877
Marketing 260 8,832 0 0 0 0
Avaliação 917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294
Subtotal (menos cerimónia de
reconhecimento e prémios) 4,466 151,841 1,135,660 1,514,213 901,752 1,852,171
Cerimónia de reconhecimento 1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570
Prémios (Distritos – 6 em 2008) 353 12,000 95,294 127,059 222,353 456,706
Prémios (Postos Admin – 16 em
2008) 71 2,400 19,059 25,412 44,471 91,341
Prémios (líderes comunitários – 34
em 2008) 200 6,800 54,000 72,000 126,000 258,800
Prémios (comunidades – 34 em
2008) 10,000 340,000 2,700,000 3,600,000 6,300,000 12,940,000
Prémios (famílias – 5.396 em 2008) 3,174 107,920 857,012 1,142,682 1,999,694 4,107,308
Subtotal reconhecimento e
prémios 15,057 511,937 4,065,383 5,420,511 9,485,894 19,483,725
Totais (incluindo cerimónia de
reconhecimento e prémios) 19,523 663,778 5,201,043 6,934,724 10,387,646 21,335,896
Nota: Exclui os custos da formação no exterior e marketing; sem formação após 2010

O actual sistema de reconhecimento e prémios não é sustentável e não pode ser expandido ao
país todo, daí a necessidade de modificações, para tornar o sistema mais eficiente e
sustentável. Sugeriram-se três opções:

Opção 1:
 Continuar a premiar as famílias com o kit de higiene.
 Abolir o prémio de uma sala de aula e dar prioridade às comunidades ODF para receber
uma fonte de água como parte da componente de abastecimento de água da "Iniciativa Um
Milhão".
 Aumentar o critério para premiar os líderes comunitários, à cobertura total com latrinas
melhoradas. Aumentar os critérios para premiar os Postos Administrativos e Distritos.

O custo da Opção 1 pode ser ligeiramente inferior ao custo acima mencionado, supondo-se que
menos líderes comunitários, Postos Administrativos e Distritos sejam capazes de alcançar os
critérios mais elevados de premiação. Esta opção não é recomendada, pois o custo é elevado e
potencialmente insustentável. O custo total estimado para esta opção é mais de US $ 43
milhões.

Opção 2:
 Abolir todos os prémios excepto os kits de higiene para as famílias.
 Envolver uma pessoa de perfil elevado durante a cerimónia de premiação para entregar os
certificados aos líderes comunitários, Chefes de Postos Administrativos e Distritos.

Esta opção também não é recomendada, pois vai custar mais de US$ 8 milhões para chegar a
1.000.000 pessoas em 2009-2012. Se forem mantidos os prémios para as famílias, haveria uma
necessidade de solicitar a assistência das indústrias de produtos de higiene e de saneamento

v
básico, como parte da sua responsabilidade social corporativa. O custo total estimado para esta
opção é mais de US$ 16 milhões, incluindo a cerimónia de premiação, em 2009-2012.

Opção 3:
 Abolir todos os prémios e fazer simplesmente uma cerimónia de reconhecimento das
comunidades ODF.

Esta opção é a mais eficiente e sustentável, e poderia ser expandida, mesmo ao país todo. A
cerimónia também pode ser modificada para reduzir a estimativa dos custos, que chega a um
total de mais de US $ 8 milhões de dólares para 2009 - 2012.

Resumo
O CLTS é um termo conhecido e utilizado em todo o mundo e, portanto, deverá também ser
utilizado em Moçambique, particularmente se os prémios para ODF forem abolidos. O CLTS
comprovou-se ser uma abordagem eficaz para acelerar e expandir o acesso a serviços de
saneamento nas zonas rurais de Moçambique. Isto exigirá:
 Capacitação descentralizada para CLTS;
 Modelos inovadores de latrinas melhoradas a baixo custo;
 Formação de artesãos baseados nas comunidades para construir latrinas melhoradas
independentemente;
 Envolvimento de outros Departamentos Governamentais, incluindo os Departamentos de
Saúde e Educação.

Por último e mais importante ainda, o sistema de reconhecimento e premiação precisa ser
modificado para torná-lo mais financeiramente suportável e sustentável.

vi
1 Contexto
No contexto da parceria entre o Governo dos Países Baixos, o UNICEF e a República de
Moçambique, está a ser implementado o programa “Iniciativa Um Milhão”. O objectivo é de
apoiar os esforços do Governo de Moçambique para assegurar o abastecimento de água e
saneamento adequados e a adopção de melhores práticas de higiene por um milhão de
pessoas em 18 distritos rurais, dos quais situam-se 6 em Tete, 6 em Manica e 6 em Sofala.

As intervenções do programa na área de saneamento e promoção de higiene foram concebidas


para serem implementadas utilizando a metodologia PHAST (Transformação Participativa de
Higiene e Saneamento). As ONGs que estão a implementar as actividades de Participação e
Educação Comunitária adoptaram também outras abordagens e as comunidades dos distritos-
alvo podem ter sido abrangidas adicionalmente pela campanha nacional de saneamento de
2008. Devido à lentidão na obtenção dos resultados desejados e o impacto limitado das
actividades de saneamento, foi decidido introduzir uma nova estratégia. O objectivo é de
acelerar a provisão do acesso ao saneamento adequado e melhorar as práticas de higiene para
1.000.000 de pessoas.

A nova estratégia conhecida como CATS (Abordagem Comunitária para Saneamento Total)
combina a abordagem CLTS (Saneamento Total Liderado pela Comunidade), com um sistema
de prémios. A abordagem CLTS leva as comunidades a fazer uma auto-análise da sua situação
de saneamento e desperta uma acção colectiva para eliminar o fecalismo a céu aberto, e
construir latrinas sem subsídios. O sistema de prémios visa gratificar comunidades livres de
fecalismo a céu aberto (ODF); líderes comunitários, que distinguem-se na promoção do
saneamento; Chefes de Posto onde as comunidades vencedoras estão situadas; e as
Administrações Distritais em cada Província que têm o maior número de aldeias livres de
fecalismo a céu aberto e o maior número de latrinas.

A abordagem CLTS tem sido implementada com sucesso noutros países, mas é uma nova
abordagem em Moçambique.

Este documento visa:


 Documentar os processos aplicados na promoção de saneamento, seja CLTS, CATS ou
uma combinação dos dois;
 Documentar os resultados preliminares das diferentes abordagens usadas;
 Desenvolver critérios para a definição de cobertura, tanto em termos de tecnologia e
número de latrinas, tendo em conta que em algumas culturas, uma cobertura adequada
pode implicar mais do que uma latrina por família, enquanto que em outras, latrinas
partilhadas podem ser eficazes;
 Efectuar uma breve análise dos custos, incluindo o trabalho tanto da mobilização, da
avaliação e do sistema de prémios.

1.1 Breve descrição do saneamento rural em Moçambique


A Política de Águas (PA), aprovada em 2007, afirma que o governo tem a responsabilidade de
definir os níveis mínimos de serviço e para regular e fiscalizar as actividades dos serviços de
abastecimento de água e saneamento. A PA recomenda uma participação total ou parcial dos
utentes nos custos de capital e o envolvimento dos utentes na planificação, selecção e gestão

1
dos serviços de água e saneamento, a fim de garantir a sustentabilidade. Enfatiza também a
participação da comunidade local e a participação do sector privado nos investimentos para a
produção, promoção e comercialização de saneamento rural. As directrizes da PA para o
saneamento peri-urbano e rural declaram o seguinte1:
 As necessidades básicas dos grupos de baixa renda devem ser satisfeitas;
 A participação dos utentes durante as fases de execução facilita a utilização adequada
das infra-estruturas com o objectivo de fornecer serviços de acordo com as
necessidades e a capacidade financeira dos utentes;
 A comunidade é total ou parcialmente responsável pelo investimento e o sector privado,
ONGs e outras organizações da sociedade civil também podem participar no
investimento;
 O governo vai desempenhar um papel orientado mais para a facilitação e não será
directamente envolvido na execução, mas irá sim apoiar a capacitação, facilitar a
execução, definir prioridades, assegurar a regulação, gerir informação e garantir um
ambiente favorável à participação dos intervenientes.
 O Departamento de Saneamento da Direcção Nacional de Águas (DNA), Ministério das
Obras Públicas e Habitação (MOPH) elaborou um Manual de Implementação do
Saneamento Rural constituído por 5 volumes; o Volume 1 apresenta a estratégia
institucional de implementação, e define as responsabilidades dos vários intervenientes;
o Volume II é o manual técnico que descreve as opções tecnológicas aceitáveis e o
Volume III é o manual social.

De acordo com o Manual Institucional de Implementação, a DNA, através do Departamento de


Saneamento, é o órgão central responsável pela gestão, planeamento e a coordenação das
actividades da componente saneamento. Entre outras responsabilidades constam a
mobilização de fundos e o financiamento de projectos de saneamento rural; e a promoção,
facilitação, coordenação e apoio a todas as actividades de Saneamento Rural, a nível nacional.

Os DPOPH/DAS são responsáveis pela coordenação e gestão das actividades de saneamento


rural a nível Provincial. Entre as outras responsabilidades deles constam a mobilização de
fundos para saneamento rural nas províncias; e a disseminação da Política Nacional, normas e
regulamentos em matéria de saúde, higiene e saneamento.

Ao nível distrital, a responsabilidade pela gestão do saneamento rural reside na Administração


Distrital (AD). Ao nível da comunidade, a família é proprietária da infra-estrutura de saneamento
em sua casa. É da responsabilidade da comunidade adquirir latrinas, quer por autoconstrução
ou pela contratação de trabalhadores qualificados existentes; e participar activamente nas
actividades locais e na selecção do nível de serviços de saneamento pretendido.

O Manual Técnico de Saneamento Rural2 recomenda que a selecção das opções tecnológicas
de latrinas seja baseada numa combinação de critérios económicos, técnicos e sociais. O guião
sugere opções de latrinas que sejam acessíveis, estáveis, que não criem condições para a
criação de moscas e mosquitos, não produzam cheiro e possuam uma plataforma que possa
ser facilmente limpa. Ele recomenda a seguinte leque de opções de latrinas (ver Anexo 1):

1
Manual Institucional de Implementação do Saneamento Rural em Moçambique, Março de 2006
2
Manual Técnico de Saneamento Rural, Março de 2006

2
Latrinas tradicionais melhoradas - 2 opções
1. Latrinas melhoradas - 3 opções
2. Latrinas ventiladas - 1 opção
3. Latrinas com descarga manual - 2 opções
4. Latrinas ecológicas
5. Aqua privy

2 Introdução
Saneamento Total Liderado pela Comunidade (CLTS) é uma abordagem que utiliza
ferramentas participativas para despertar uma auto-análise pela comunidade dos seus
problemas de saneamento e a tomada de uma decisão conjunta de efectuar melhorias. A
UNICEF introduziu a CATS (Abordagem Comunitária do Saneamento Total), em Outubro de
2008, que é uma abordagem que combina o CLTS com um sistema de prémios. A comunidade
que elimina a fecalismo a céu aberto é reconhecida como „Livre de Fecalismo a Céu Aberto‟
(ODF), e recebe os prémios correspondentes. A CATS foi introduzida nos 18 distritos
seleccionados pela "Iniciativa Um Milhão" com um projecto de formação facilitado pelo Dr.
Kamal Khar. Um total de 74 pessoas foram treinadas, incluindo 2 supervisores de cada uma das
17 ONGs contratadas pelos distritos para a implementação do saneamento e da promoção de
higiene, representantes dos governos provinciais e distritais de Tete, Manica e Sofala, e alguns
funcionários do UNICEF. O treinamento compreendeu grupos de discussão e trabalho prático
no campo para despertar o CLTS em 12 comunidades.

Após a conclusão do treinamento, todos os supervisores das 17 ONGs participantes


organizaram treinamentos semelhantes para os seus animadores comunitários. Algumas das
ONGs organizaram a formação de activistas comunitários e líderes de opinião. World Vision
formou 22 activistas enquanto MADZI formou 36 líderes de opinião e activistas comunitários.
Durante os meses de Novembro e Dezembro de 2008, o CLTS foi despertado em 161
comunidades nos 18 distritos, perfazendo um total de 173.

Antes da introdução do CLTS, todas as ONGs utilizavam alguns instrumentos da metodologia


PHAST para a promoção de saneamento e higiene. Eles indicam que o CLTS tem mais impacto
e produz um resultado mais imediato que o PHAST. Eles acham que a metodologia PHAST é
muito morosa e que nunca foram capazes de implementar todo o processo numa comunidade.
As várias ONGs muitas vezes escolhiam os instrumentos com os quais se sentiam mais
confortáveis, e nenhuma chegou à fase de planeamento de acções para melhorar o
saneamento.

Na preparação deste documento, foram visitadas 13 comunidades em Sofala, Manica e Tete, e


entrevistados membros das comunidades e das ONGs. Realizaram-se reuniões e discussões
com funcionários do UNICEF, da unidade de Água, Saneamento e Higiene (WASH). O relatório
consiste em 2 partes: Parte 1 apresenta os resultados, e descreve o processo e o estado actual
da CATS; Parte 2 apresenta as implicações da pesquisa e recomendações para a expansão da
CATS.

3
PARTE 1: Resultados da Avaliação

3 Abordagens utilizadas na promoção de saneamento


3.1 PHAST e outras abordagens
Antes da introdução do CLTS/CATS, as ONGs usavam metodologias tais como PHAST, visitas
porta-a-porta e conversas sobre higiene, para promover o saneamento e higiene. As
constatações das visitas no terreno indicam que a maioria das ONGs não foram capazes de
implementar toda a metodologia PHAST, mas sim, que eles seleccionavam ferramentas que
sentiam que fossem as mais adequadas num determinado momento. Conversas sobre higiene
e visitas porta-a-porta foram usadas mais regularmente. De acordo com os animadores, o
método PHAST foi muito demorado e muitas vezes difícil de implementar por completo e
atempadamente na comunidade. Aparentemente, nenhuma das ONGs chegou à fase na
metodologia PHAST, do planeamento de acções. Todos os animadores e mesmo os
supervisores de campo preferem a abordagem CLTS porque tem menos ferramentas de
Avaliação Participativa Rural (APR), leva à imediata decisão colectiva da comunidade e pode
potencialmente produzir resultados visíveis mais rapidamente. No entanto, alguns animadores
continuam a usar conversas sobre higiene, ferramentas PHAST e visitas porta-a-porta, mesmo
após o despertar do CLTS na comunidade.

3.2 Abordagem CLTS/CATS


O CLTS/CATS aplica técnicas APR (mapa comunitário, caminhada transversal e demonstração
da transmissão feco-oral de doenças) para despertar mudanças conjuntas nas práticas de
saneamento. Na maioria das comunidades visitadas, o CLTS foi despertado pelos animadores,
apoiados por vezes pelos supervisores das ONGs que participaram do treinamento. Conforme
mencionado anteriormente, 12 comunidades foram despertadas durante o treinamento,
enquanto as restantes 161 foram despertadas em Novembro e Dezembro. Estes dois meses
coincidem com o chamado “período de fome" quando a disponibilidade de alimentos está
limitada, porque as culturas acabam de ser plantadas. Esta situação tem um impacto negativo
na aptidão física dos agregados familiares para construir latrinas.

3.2.1 Selecção das comunidades


Um aspecto importante do CLTS é o tamanho da comunidade alvo. A abordagem CLTS exige
a participação da maioria dos membros de uma comunidade. Normalmente, é difícil facilitar o
mapeamento comunitário e a caminhada transversal em grandes comunidades. Além disso, o
CLTS é novo para as ONGs, e pode ser mais fácil começar em comunidades menores.
Algumas das ONGs referiram que é difícil motivar a maioria dos membros da comunidade para
participar do "passeio de vergonha", o que enfatiza ainda mais a necessidade de iniciar o
despertar em comunidades pequenas. As condições favoráveis para despertar o CLTS incluem,
conforme o manual: assentamentos pequenos (bairros em vez da aldeias), remotos, de
cobertura limitada, e com uma liderança jovem e progressiva, entre outros. Esta opinião é
corroborada pelos resultados da avaliação, que mostra que mais de 85% das comunidades que
foram reconhecidas como ODF tinham menos de 1,200 habitantes (240 famílias) – ver figura 1
abaixo.

Existe alguma confusão na terminologia usada para os diferentes níveis administrativos nas
áreas rurais. Em alguns lugares existem bairros e células, em outros aldeias e comunidades. É

4
importante notar que os níveis mais baixos („células‟ e 'comunidades') foram mais favoráveis
para o CLTS que os 'bairros' e 'aldeias'.
Tamanhho da Comunidade vs. Sucesso em Tornar-se ODF
35 70%

30 60%
Número de Comunidades

25 50%

20 40%

15 30%

10 20%

5 10%

0 0%
0-150 151-300 301-600 601-1200 >1200
População da Comunidade

ODF Not ODF % ODF (eixo à direita)

Figura 1: Populações das comunidades ODF

3.2.2 O despertar do CLTS e habilidades de facilitação


A abordagem CLTS requer boas habilidades de facilitação, a fim de “captar o momento" quando
a comunidade inteira é despertada a tomar medidas a respeito da sua situação de saneamento.
Exige um facilitador com as habilidades “certas”, que alguns dos animadores ainda estão por
adquirir. Além disso, nenhum dos animadores participaram na formação inicial, e o CLTS é
também novo para os supervisores que os treinaram. A importância de ter o facilitador certo
para o CLTS foi evidente durante as visitas às comunidades. Nas comunidades onde o
despertar foi realizado de forma eficaz, os membros da comunidade foram capazes de recontar
o processo e o impacto que teve sobre toda a comunidade. Os resultados indicam que não
existe capacidade suficiente dentro das ONGs parceiras para despertar o CLTS eficazmente.
Apenas 2 pessoas (supervisores) de cada uma das 17 ONGs, participaram na formação sobre
CLTS organizada pelo UNICEF. Apesar de as ONGs voltarem e treinarem os seus animadores
para despertar o CLTS nas diversas comunidades, vai demorar até os animadores
desenvolvam suficientemente as suas capacidades para expandir o CLTS.

Um “momento de despertar" chave é a demonstração da contaminação fecal de alimentos.


Constatações das visitas às comunidades indicam que o tipo de alimento usado nesse
processo é muito importante. Nas comunidades onde os alimentos que são considerados
especiais (por exemplo, arroz com caril de carne) foram utilizados, o impacto parece ser maior
do que nas áreas onde os alimentos quotidianos (por exemplo, xima e vegetais) foram usados.
As constatações indicam que o CLTS despertou uma mudança colectiva nas práticas de
saneamento nas comunidades ODF. Os lideres comunitários também tiveram um papel crucial
na mobilização para a construção de latrinas após o despertar. Nota-se que alcançar o ODF em

5
qualquer comunidade requer a combinação de um despertar efectivo do CLTS e a presença de
um líder comunitário proactivo.

3.3 Sistema de premiação CATS


O sistema de premiação na CATS compreende 3 processos, a avaliação, a cerimónia de
premiação e prémios. Para que uma comunidade seja reconhecida como ODF, uma avaliação
multi-institucional liderada pelo UNICEF foi realizada em todas as 159 comunidades que se
candidataram para a adjudicação. A avaliação foi baseada numa amostra de 10% das famílias
usando os seguintes indicadores: 100% das famílias têm e usam latrinas, e a ausência de fezes
no ambiente.

3.3.1 Definição de cobertura CATS


Na abordagem CATS a cobertura foi definida em termos de tecnologia e de acesso. Os
indicadores de cobertura são a propriedade e uso de latrinas por 100% dos agregados
familiares numa comunidade, e a ausência de fezes no ambiente da comunidade. Nesta
abordagem a opção mínima aceitável é a latrina tradicional melhorada. A maioria das
comunidades visitadas tinham latrinas tradicionais melhoradas construídas com materiais
locais. Algumas famílias tinham mais que uma latrina, especialmente em famílias polígamas.
Também havia alguns casos onde um conjunto de famílias tinha mais que uma latrina, devido à
cultura que não permite a um homem usar a mesma latrina que a sua nora.

3.3.2 Processo de avaliação


A avaliação do estado ODF foi conduzida por 3 equipas multi-sectoriais composta por técnicos
do MISAU, MEC, DNA, do Governo Provincial e do pessoal do WSP, UNICEF, SNV e OXFAM.
159 comunidades foram avaliadas em duas semanas utilizando entrevistas aos agregados e
observação. Um formulário padronizado de avaliação foi usado em todas as comunidades (ver
Anexo 2) e os resultados foram usados para completar 2 formulários que resumem os
resultados dos distritos com o maior número de comunidades livres de fecalismo a céu aberto e
o maior número de latrinas, respectivamente (ver Anexo 3). Exercícios de consciencialização
foram realizados nos 18 distritos para informar as comunidades sobre a premiação do estado
ODF. A maioria das comunidades visitadas indicaram que apenas ouviram falar do prémio
depois de terem iniciado a construção de latrinas, como resultado da demonstração realizada
em sua comunidade durante o despertar do CLTS e o seguimento pelos líderes comunitários.

3.3.3 O sistema de premiação


O sistema de premiação da CATS consistia numa cerimónia para anunciar as comunidades
ODF e os diversos prémios. Cada agregado familiar numa comunidade que foi declarada ODF
recebe um kit de higiene que consiste de um balde de 20L com tampa, uma barra de sabão, um
espelho, e uma pequena garrafa de solução para o tratamento água, enquanto a comunidade
recebe uma fonte de água ou uma sala de aulas. O líder da comunidade ODF recebe uma
bicicleta e o chefe do Posto Administrativo com comunidades ODF recebe um telemóvel. O
prémio final vai para o distrito com o maior número de comunidades ODF e latrinas. Em 2008,
34 comunidades em 6 distritos foram reconhecidas como ODF numa grande cerimónia com a
presença do Ministro, Directores Provinciais, Administradores Distritais, Líderes Comunitários e
outras comunidades que não receberam nenhum prémio. Não foi possível numa única
cerimónia apresentar os prémios a todos os membros das comunidades que ganharam, pois
estavam presentes mais de 5.000 famílias que receberam o kit de higiene. Cerimónias menores
foram organizadas para distribuir prémios aos membros das respectivas comunidades ODF.

6
3.4 Síntese dos resultados
O CLTS foi despertado em 173 comunidades de Novembro a Dezembro de 2008 e 159 dessas
comunidades candidataram-se à avaliação do seu estado ODF. Mais de 49.000 latrinas foram
construídas em todas as comunidades onde o CLTS foi despertado, com aproximadamente
250.000 beneficiários. O reconhecimento do estado ODF e os prémios foram entregues a 34
comunidades com um número estimado de 5.396 latrinas e mais de 26.000 beneficiários. No
entanto, não foi possível determinar quantas destas latrinas foram construídas após o despertar
do CLTS nestas comunidades. Um total de 73.000 latrinas foram construídas desde o início da
"Iniciativa Um Milhão", até ao final de Dezembro de 2008. Isto inclui latrinas que foram
construídas quando a PHAST e outras metodologias estavam a ser utilizadas para a promoção
de higiene e saneamento.

A Tabela 1 mostra um resumo dos resultados no saneamento até 30 Dezembro de 2008,


utilizando CLTS, PHAST e outros métodos. Os resultados detalhados no saneamento para as 3
províncias e 18 distritos, mostrando o número de latrinas, beneficiários e centros de
demonstração, apresentam-se no Anexo 4.

Tabela 1 Sumário dos resultados (CLTS/ PHAST)


Resultado Quantidade
No. de comunidades despertadas 173
No. de comunidades avaliadas para ODF 159
No. de comunidades ODF 34
No. de latrinas estimado nas comunidades ODF 5,396
População estimada das comunidades ODF 26,980
No. de latrinas nas comunidades com CLTS despertado 49,822
No. Estimado de beneficiários nas comunidades com CLTS despertado 249,110
No. total estimado de latrinas (CLTS/PHAST - 30 Dez 2008) 73,000
No total estimado de beneficiários 365,000

3.5 Análise dos custos da CATS


O resumo da análise dos custos da CATS é apresentado na Tabela 2, e abrange a formação, a
introdução da CATS pelas ONGs, a sensibilização para a premiação, a avaliação, a cerimónia
de premiação e os prémios. O custo de formação consiste na formação dentro do país, e na
formação na Zâmbia onde participaram membros do governo e algum pessoal do UNICEF. O
custo total da CATS em 2008 foi de US$ 679.352, o que inclui os custos de organização
($ 167.415), e de premiação ($ 511.937).

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Tabela 2 Resumo dos custos da CATS (US$)
Custo por Custo por 173 Custo por 34 Custo por Custo por latrina
actividade comunidades comunidades família nas nas coms ODF
Actividade despertadas ODF coms ODF
Custo de treinamento
(fora e dentro do país) 109,917 635 3,233 20.37 2.21
Custo de despertar 17,496 101 515 3.24 0.35
Marketing 8,832 51 260 1.64 0.18
Avaliação 31,170 180 917 5.78 0.63
Subtotal (menos cerimónia de
premiação e prémios) 167,415 968 4,924 31.03 3.36
Cerimónia de premiação 42,817 1,259 7.93 0.86
Prémios (Distrito) 12,000 353 2.22 0.24
Prémios (Chefe de Posto) 2,400 71 0.44 0.05
Prémios (líder comunitário) 6,800 200 1.26 0.14
Prémios (comunidade) 340,000 10,000 63.01 6.82
Prémios (famílias) 107,920 3,174 20.00 2.17
Subtotal (cerimónia de premiação
e prémios) 511,937 15,057 94.87 10.28
Custos Totais (incl. cerimónia de
premiação e prémios) 679,352 968 19,981 125.90 13.64

O custo do despertar é tomado como o custo das ONGs parceiras nos meses de Novembro e
Dezembro de 2008. A coluna 3 na Tabela 2 mostra o custo das respectivas actividades por
comunidade onde o CLTS foi introduzido (173). A coluna seguinte indica o custo total das
respectivas actividades dividido pelo número de comunidades ODF. O custo por latrina numa
comunidade CLTS é o custo das respectivas actividades dividido pelo número total de latrinas
nestas comunidades (49.822) e o custo por beneficiário é o custo das actividades dividido por
249.110. Mais que 75% dos custos estão associados com o reconhecimento e prémios.

8
PARTE 2: Implicações da Pesquisa e Recomendações

4 Introdução
Neste capítulo discutem-se as implicações dos resultados da pesquisa e fazem-se algumas
recomendações com potencial para expandir a escala da CATS. Apresentam-se 7 subsecções
abrangendo várias áreas chave que têm um impacto potencial sobre a expansão da CATS. Os
principais assuntos discutidos neste capítulo incluem a capacitação para o CLTS; a selecção de
comunidades para CLTS, a definição de cobertura e tecnologias; o fornecimento de latrinas
melhoradas, o sistema de premiação da CATS, a expansão da CATS na "Iniciativa Um Milhão"
e as implicações para a expansão da CATS ao nível nacional.

4.1 Capacitação para o CLTS


O impacto do despertar do CLTS em qualquer comunidade depende da eficácia da facilitação e
do empenho do líder da comunidade após o despertar. O CLTS é uma nova abordagem em
Moçambique e apenas 74 pessoas participaram da primeira formação organizada pelo UNICEF
em Agosto de 2008. Os resultados da pesquisa indicam que a maioria dos animadores que
despertaram o CLTS nas 173 comunidades eram animadores que não participaram na
formação inicial, mas que foram formados pelos seus supervisores. Considerando que estes
supervisores foram recentemente formados, eles podem não ter adquirido uma capacidade
suficiente para formar os seus subordinados. Expandir o CLTS no âmbito do programa
"Iniciativa Um Milhão" exige a descentralização da capacidade e um número suficiente de
pessoas com habilidades para facilitar o processo de despertar.

Recomendações:
1. Organizar seminários de reciclagem:
 As ONGs fizeram diversas inovações em relação à descentralização da capacitação
para CLTS. Todas as ONGs treinaram os seus animadores, mas apenas 2 estenderam
o treinamento para os seus activistas comunitários e líderes de opinião. Um workshop
de reciclagem irá facilitar o intercâmbio de experiências e aprendizagem de lições entre
as ONGs. É também importante assegurar que as novas ONGs que entram no projecto
frequentem este workshop de reciclagem.
 Organizar cursos de reciclagem para 2 animadores de cada uma das ONGs contratadas
mas incluir também 2 supervisores das ONGs recém-contratadas.

2. Descentralizar a capacitação para CLTS


 Com a finalidade de expandir o CLTS nas áreas do projecto e ao nível nacional, é
importante estabelecer um grupo de formadores a nível provincial, e de preferência a
nível distrital. Este grupo seria responsável pela formação dos facilitadores do CLTS e
realizaria o acompanhamento periódico do processo de CLTS a nível das comunidades.
 Identificar dois bons facilitadores dentro das ONGs que têm mostrado bom potencial
para se tornarem formadores e utilizá-los para facilitar a formação dos animadores e das
novas ONGs.
 Os grupos de formadores podem ser identificados entre as ONGs contratadas com base
no seu desempenho até agora. O consultor que facilitou a formação inicial, o Dr. Kamal
Khar identificou indivíduos com potencial para se tornarem formadores no seu relatório.

9
Poderá ser necessário convidá-lo para treinar estes formadores, e supervisionar
algumas sessões de treinamento facilitadas pelos formadores.
 Incentivar as ONGs a alargar a formação em CLTS ao nível da comunidade e a incluir
os respectivos activistas comunitários e líderes de opinião. Isto incentiva e capacita os
líderes de opinião para motivar os membros da comunidade a participar durante e
depois do despertar do CLTS.

3. O despertar do CLTS
 Considerando que o CLTS é novo para os animadores e que eles não frequentaram a
formação inicial, deverão ser apoiados pelos supervisores treinados durante o despertar
nalgumas comunidades, até que ganhem habilidades suficientes e a confiança para o
fazerem por si próprios.
 É importante notar que nem todos os animadores irão adquirir habilidades para o CLTS.
Os supervisores deverão identificar os animadores que têm um bom potencial e apoiá-
los a desenvolver mais as suas habilidades.
 O CLTS deve ser despertado somente por animadores e supervisores que têm a
necessária habilidade e atitude, e não apenas porque eles são responsáveis por uma
determinada comunidade.
 Alguns líderes naturais emergiram das 34 comunidades que foram reconhecidas como
ODF em 2008. Os líderes naturais não são apenas os líderes da comunidade, mas
membros normais da comunidade que demonstram paixão e foram campeões da
mudança nas suas comunidades. Estes líderes naturais devem ser usados como
recursos durante o despertar do CLTS nas comunidades vizinhas. Poderão não ser
necessários custos adicionais para usar estes recursos de base, conhecidos como
“consultores descalços”, pois muitas vezes as pessoas estão ansiosas para falar sobre
as suas proezas. Além disso, o impacto do processo do despertar será mais eficaz se os
líderes comunitários tiverem a oportunidade de trocar ideias com os líderes das
comunidades ODF.
 A época do ano quando desperta-se o CLTS nas comunidades pode potencialmente ter
um impacto sobre o resultado. Os resultados indicam que as comunidades são mais
susceptíveis de construir latrinas após das colheitas, quando há uma abundância de
alimentos. Muitas comunidades indicaram que foi mais difícil construir latrinas durante os
meses de Novembro e Dezembro, porque foi o período da fome, e também as chuvas
fazem com que as covas desmoronem.
 É importante que os alimentos considerados especiais pelas comunidades, como o caril
de carne bovina e arroz sejam utilizados durante o processo do despertar.

4. O papel de outras instituições governamentais


 Instituições governamentais como as da saúde e da educação podem desempenhar um
papel importante no despertar do CLTS nas comunidades rurais. Estas duas instituições
têm a maior rede de pessoal e extensionistas ao nível da base que poderiam ser
treinados para despertar o CLTS nas comunidades.
 Considerando o impacto potencial do saneamento na saúde, a Direcção de Saúde deve
ser plenamente envolvida em todos os aspectos da implementação. Na Direcção de
Educação, particularmente os professores são um grande património para a promoção
do saneamento e da higiene nas escolas.

10
 Um plano global deve ser feito para envolver os Ministérios da Saúde e da Educação
nas futuras actividades de capacitação para o CLTS. A expansão do CTLS à escala
nacional exigirá a maquinaria do governo aos níveis mais baixos, e não apenas as
ONGs.

4.2 Selecção das comunidades


A selecção das comunidades é um factor muito importante que afecta os resultados do
despertar do CLTS. O CLTS exige o envolvimento da maioria dos membros de qualquer
comunidade. Pequenas comunidades proporcionam um ambiente mais favorável para o CLTS e
produzem resultados mais rápidos. Os resultados da pesquisa indicam que mais que 90% das
34 comunidades que atingiram o estado ODF tinham menos que 300 famílias.

Recomendações
 Aconselhar as ONGs participantes a realizar um levantamento rápido em todas as
comunidades seleccionadas que forneça dados do número de famílias, número de
casas, tamanho da população, número e tipo de latrinas existentes. Isto providenciará a
informação básica da cobertura existente numa comunidade antes do despertar do
CLTS.
 Em 2008, várias ONGs seleccionaram diferentes tipos de comunidades, sejam aldeias
ou aldeolas. Aldeias são constituídas por pequenas comunidades ou células e os
resultados indicam que o trabalho a nível da comunidade produziu mais resultados que
o trabalho a nível da aldeia. Propõe-se que no ciclo 2009 sejam seleccionadas
comunidades, conforme ilustrado na Figura 2 abaixo.

Província

Distrito

P. Administrativo

Aldeia

comunidades comunidades comunidades comunidades

Figura 2 Guia para a selecção das comunidades

 Sempre que for possível, é melhor despertar o CLTS em todas as comunidades numa
aldeia, especialmente naquelas situadas próximas umas das outras. Isso incentiva a
concorrência e a troca de experiências dentro da aldeia e motiva as outras comunidades
da aldeia a tomar a iniciativa de melhorar a sua situação de saneamento.

11
 As ONGs devem ser incentivadas a seleccionar comunidades menores na faixa de 50 -
300 famílias. O alcance do sucesso é bom para aumentar o moral dos trabalhadores de
campo e pequenas comunidades proporcionam-lhes fundamentos mais fáceis de
aprender antes deles desenvolverem habilidades e experiência suficiente para enfrentar
a comunidades maiores e mais complexas.

4.3 Definição de cobertura


Existem 2 aspectos fundamentais para a definição de cobertura: tecnologia e acesso. A
tecnologia está relacionada às definições nacionais moçambicanas e do Programa de Monitoria
Conjunta (JMP) de latrinas aceitáveis. O acesso está relacionado com o número de latrinas por
família, dependendo do número de agregados familiares e dos aspectos culturais.

O manual técnico de saneamento rural sugere uma leque de opções de latrinas onde a opção
mais básica é a “latrina tradicional melhorada" e a mais sofisticada o “aqua privy” (ver Anexo 1).
A Política de Água indica que a utilização de materiais locais para a construção de latrinas nas
zonas rurais, deve ser maximizada para aumentar o nível de cobertura. No entanto, afirma
também que o nível mínimo de serviço de saneamento nas zonas rurais é a "latrina melhorada".
O tipo mais básico de latrina melhorada descrita no manual é a latrina tradicional com uma cova
e um sanplat ou laje de betão.

O relatório do JMP (2008) descreve como latrinas melhoradas, instalações que garantam a
separação higiénica de excretas humanas do contacto humano e incluem a latrina com cova e
laje. Em CLTS, a latrina tradicional sem laje é o nível mínimo aceitável de serviço, e a maioria
das latrinas nas comunidades ODF enquadram-se nesta categoria. Embora isto possa não estar
necessariamente em consonância com a política nacional e a definição do JMP, a latrina
tradicional existente ainda pode ser considerada como cobertura no caso de ter uma tampa
bem montada. O JMP também define uma escala de quatro níveis de saneamento, que começa
com o fecalismo a céu aberto e vai até instalações sanitárias melhoradas. Não é realista
esperar que as comunidades rurais que praticam o fecalismo a céu aberto saltem de repente
três passos para o saneamento melhorado. Além disso, embora a maioria das latrinas
construídas como resultado do CLTS sejam covas tradicionais sem laje, eles continuam a
garantir a separação das fezes do contacto humano. Elas são mais baratas e mais fáceis de
construir por todos os membros da comunidade, uma vez que não requerem cimento ou
habilidades especiais de construção. A maioria das famílias pertencem a grupos de baixa renda
e podem não ser capazes de arcar com os custos de uma laje. O transporte de lajes de cimento
(abóbada e sanplat) é também uma questão importante para a maioria das comunidades rurais.

A definição da cobertura em termos de acesso depende do local. Existem certos casos onde
mais de uma latrina por família é necessário. Estes incluem famílias polígamas com mais de um
"sub-lar" e famílias conjuntas onde os filhos adultos ainda vivem na mesma casa que os seus
pais. Latrinas partilhadas entre duas famílias que são independentes não devem ser contadas
na cobertura, especialmente se o número total de pessoas que usam a latrina for maior que 5.

Recomendações
1. Tecnologia
 As latrinas tradicionais podem ser contabilizadas como cobertura, apenas se tenham
uma tampa apertada e não permitam o acesso de moscas. Latrinas tradicionais são
comuns, porque todos os materiais de construção são acessíveis localmente.

12
Considerando que a maioria das casas são também construídas com materiais locais, é
ambicioso promover latrinas com componentes a base de cimento.
 O UNICEF e seus parceiros deverão trabalhar com as comunidades para desenvolver
tampas justas de baixo custo para as latrinas tradicionais. Existem já algumas inovações
em comunidades rurais, que podem ser modificadas e melhoradas.
 É importante salientar a necessidade de não ter moscas nas latrinas, uma vez que estas
transportam fezes para os alimentos. Isto encorajará as comunidades a garantir que as
suas latrinas têm tampas bem apertadas. O uso de cinzas e solo na cova também pode
reduzir a criação de moscas.
 Placas de plástico podem ser uma opção viável para as latrinas tradicionais existentes,
pois eles vêm com tampas justas. No entanto, tem de haver uma clarificação e,
eventualmente, um debate aberto em relação a sua aceitação, fora das situações de
emergência. Elas são de fácil transporte, podem ser mais baratas e os membros da
comunidade gostam.
 A percepção generalizada entre as comunidades é que uma latrina melhorada é uma
latrina com cova e uma laje com 1.2m e uma casota coberta. Pode ser útil desenvolver e
divulgar um catálogo com opções de latrinas melhoradas de baixo custo que podem ser
utilizado durante visitas "pós-despertar”.

2. Acesso
 Em geral, 1 latrina por agregado familiar não superior a 5 pessoas, deveria ser a norma
aceitável. No entanto, famílias polígamas devem ser incentivadas a construir latrinas
separadas para cada uma das esposas e seus filhos. Por exemplo, 1 homem com 3
esposas terá de construir 3 latrinas para facilitar o acesso de todos os membros da
família.
 Cada membro de uma família deve ter livre acesso à latrina; no entanto isto pode ser
impossível por motivos culturais. Nas áreas onde não é aceitável a nora compartilhar a
latrina com o sogro, a cobertura deve ser contabilizada apenas quando existem latrinas
que permitem o acesso a cada membro da família. Isso pode significar que uma família
com menos de 5 pessoas possa ser obrigada a ter mais que uma latrina.

4.4 Provisão de latrinas melhoradas


Aceitar as latrinas tradicionais com tampas justas no âmbito do CLTS não significa que as
comunidades não devem ser incentivadas a subir a escada para latrinas melhoradas com lajes.
A dificuldade enfrentada pela comunidade é a acessibilidade e transporte da laje de 1.2m de
diâmetro, que é largamente considerada uma componente essencial duma latrina melhorada.
Actualmente, estas lajes são produzidas e vendidas nos centros de demonstração apoiados
pelo UNICEF. Aos membros da comunidade é exigido o transporte destas grandes lajes a partir
desses centros para suas casas, o que muitas vezes é uma missão quase impossível. A
sustentabilidade dos actuais centros demonstração é questionável considerando que
actualmente são apoiados pelo UNICEF e não são auto-suficientes. Até agora, 32 centros de
demonstração foram criados e um total de 571 lajes produzidas desde 2007. Apenas 30% das
lajes foram vendidas até 30 de Dezembro 2008 (ver Anexo 4), o que representa apenas cerca
de 0,2% do número total de latrinas construídas.

Outra alternativa que tem sido ensaiada é que a ONG transporte os pedreiros dos centros de
demonstração para as comunidades que procuram lajes. Novamente, isto não é sustentável,

13
pois o pedreiro dependerá do transporte das ONGs para responder às demandas das
comunidades. A disponibilidade de transporte pode não corresponder ao período da demanda,
que muitas vezes é após a colheita quando as comunidades vendem os seus produtos
agrícolas.

Recomendações
 A provisão de latrinas melhoradas deve ser feita pelo sector privado/informal, para que
seja sustentável. O UNICEF poderá facilitá-lo apoiando a formação de artesãos (pelo
menos 2 de cada aldeia) para assegurar que as comunidades tenham acesso fácil a
fornecedores qualificados.
 Os artesãos devem ser capacitados em aspectos genéricos da construção de latrinas,
que lhes permitam modificar latrinas para se adequar às preferências dos utentes.
Devem também ser fornecidas as ferramentas básicas para a construção de latrinas
após a sua formação.
 Os artesãos formados devem ser deixados a trabalhar como privados, sem interferência,
mas devem ser apoiados com as ferramentas necessárias e na criação de demanda.
 Supervisores, animadores e activistas devem estar envolvidos na formação, pois
proporciona-lhes o conhecimento para explicar as opções para os membros da
comunidade. Um simples catálogo de latrinas será útil tanto para difundir informações
sobre opções de latrina bem como para apoiar os membros das comunidades a fazerem
suas escolhas.
 É importante que o estabelecimento de mais centros de demonstração e as suas
funções sejam cuidadosamente analisadas. Algumas das questões a considerar:
 Por quanto tempo é que o UNICEF continuará a pagar as ajudas de custo e
materiais de construção para os centros?
 Quanto mais tempo vai levar até os centros se tornem independente e haja demanda
suficiente de latrinas para manter os artesãos interessados?
 Será que vai ser mais viável e sustentável usar os actuais pedreiros como
formadores de artesãos de base e, sempre que possível, fazer os treinamentos nos
centros?
 O programa deveria considerar ainda a introdução de aspectos de marketing do
saneamento para o CLTS, particularmente em relação à provisão de opções de latrinas
melhoradas.

4.5 Expansão da CATS na "Iniciativa Um Milhão"


4.5.1 Premiação
A CATS, conforme explicado anteriormente, é simplesmente a combinação de CLTS com um
sistema de premiação das comunidades, Postos Administrativos e Distritos. Actualmente as
comunidades que atinjam o estado ODF são reconhecidas numa cerimónia e recebem
certificados e placas ODF. Distribuem-se também prémios a todos os membros duma
comunidade ODF, e ao Posto Administrativo e ao Distrito onde as comunidades estão
localizadas. Existem algumas dúvidas pela parte de vários grupos se as comunidades estejam
realmente ODF ou se construíssem as latrinas por causa dos prémios (ver figura 3). Os
resultados indicam que a maioria das comunidades tomaram decisões colectivas para melhorar
a sua situação de saneamento como resultado da demonstração de contaminação fecal de
alimentos durante o despertar de CLTS. Um aspecto muito revelador é que as latrinas

14
continuam a ser usadas e mantidas (latrinas desmoronadas foram reconstruídas) 4 meses após
as premiações. Os factores fundamentais que contribuíram para o sucesso do CLTS foram a
existência de bons facilitadores e líderes comunitários proactivos.

Figura 3 Prémios que acompanham a premiação ODF

Uma questão chave nas mentes de muitos é se o sistema de premiação é uma abordagem
sustentável dentro e fora da “Iniciativa Um Milhão”. A resposta a esta pergunta é sim, mas com
algumas mudanças no nível de premiação. É importante diferenciar o reconhecimento dos
prémios. Uma pessoa pode ser reconhecida por ter realizada uma conquista, mas não tem
necessariamente de receber um valor ou prémio.

Reconhecer o estado ODF duma comunidade num fórum aberto lhes confere um sentimento de
realização e incentiva a sustentabilidade do estado ODF. As comunidades premiadas estão
interessadas em manter o seu prestígio perante as comunidades vizinhas e assegurar que as
latrinas sejam sustentadas e utilizadas por todos. Os prémios ligados à premiação incluem um
kit de higiene para todos os membros de uma comunidade ODF, uma fonte de água ou uma
sala de aulas para a comunidade, uma bicicleta para o líder comunitário, um telemóvel para o
chefe do Posto Administrativo e um computador ou máquina de fotocópias para o Distrito com o
maior número de comunidades ODF na província (Figura 3). A premiação incentiva a
participação dos níveis inferiores de governo e dá prioridade ao saneamento nas suas agendas.

O programa contempla a introdução de 3 níveis para o sistema de premiação para o ano 2009,
ODF, ODF+ e ODF++. Cada um destes níveis terá vários prémios ligados a ele (ver Anexo 5). A
implicação é que as pessoas acima do nível da comunidade, acabam por receber mais prémios
que as próprias comunidades que têm trabalhado para atingir o estado ODF. Por exemplo, o
Chefe do Posto Administrativo pode receber mais de um telefone celular e o mesmo pode
acontecer para o Distrito. Os actuais níveis de prémios para o estado ODF têm fortes

15
implicações financeiras a respeito da expansão, que aumentarão se forem estabelecidos mais
níveis de prémios para os novos níveis de ODF.

A questão dos prémios deve ser considerada cuidadosamente para garantir que seja
sustentável no âmbito da "Iniciativa Um Milhão" e também replicável fora do projecto. No
entanto, alterar os actuais níveis de prémios ligados à premiação do ODF vai exigir criatividade
para assegurar que as expectativas e entusiasmo não sejam diminuídos.

Recomendações:
1. Níveis de prémios:
 Reconhecer comunidades ODF numa cerimónia pública de premiação pode jogar um
papel em garantir a sustentabilidade do uso da latrina; contudo, a questão da cobertura
em termos de opções tecnológicas deve ser considerada. Desenvolver uma tampa
barata e eficaz para as latrinas tradicionais facilitará a redefinição da cobertura no
processo de avaliação.
 A premiação deve ser limitada a 2 níveis para reduzir a complexidade do processo de
avaliação. A premiação do ODF+ incentivará também as comunidades a subir na escala
de saneamento e as aldeias a atingir o estado ODF.
 Os critérios para ODF+ poderiam ser mais exigentes incluindo cobertura por latrinas
melhoradas, numa comunidade ou cobertura por latrinas tradicionais numa aldeia.

2. Prémios:
Sugestões para a alteração dos prémios são apresentadas a seguir:

Opção de Prémios 1
 Prémios aos Agregados Familiares (kits de higiene) são importantes para melhorar as
práticas de higiene e só custam US$ 20 por agregado familiar. É possível que sejam
sustentáveis e replicáveis, especialmente se originarem do sector comercial no âmbito
da responsabilidade social corporativa.
 Prémio à comunidade de uma fonte de água ou sala de aulas deve ser dada grande
atenção devido às implicações financeiras. Pode ser aconselhável abolir a opção da sala
de aulas, uma vez que não está directamente relacionada com o programa. O prémio de
uma fonte de água, dentro da "Iniciativa Um Milhão", poderá ser sustentável se as
comunidades ODF sejam seleccionadas para a componente abastecimento de água do
programa. Isto concorda com a estratégia de saneamento na Política Nacional de
Águas, que declara que as comunidades que tenham sido contempladas com uma fonte
de água potável devem ter saneamento adequado a nível dos agregados familiares. Se
as fontes de água para comunidades ODF sejam adicionais àquelas das comunidades
seleccionadas para a componente do abastecimento de água, o peso financeiro torna-se
enorme e insustentável, mesmo dentro da "Iniciativa Um Milhão".
 A selecção das comunidades ODF para beneficiarem da componente do
abastecimento de água do programa teria implicações para a selecção das
comunidades para o despertar do CLTS. Faria com que mais que uma comunidade
dentro de uma aldeia teria que tornar-se ODF, para que receba o prémio em
conformidade com o critério de 500 pessoas por fonte de água. Por exemplo, uma
comunidade de 30-50 famílias que alcance o estado ODF não tem pessoas
suficientes para ser qualificada para receber uma fonte de água. Uma comunidade

16
vizinha com o mesmo tamanho teria que tornar-se ODF para que as duas
comunidades em conjunto obtenham uma fonte de água.
 Prémio ao líder da comunidade: Embora os líderes comunitários desempenham um
papel importante na motivação das suas comunidades, pode ser o suficiente reconhecê-
los na cerimónia pública e dar-lhes um kit de higiene como qualquer outro membro da
comunidade. Os critérios para o prémio de uma bicicleta serão apenas para os líderes
das comunidades que alcancem a cobertura total por latrinas melhoradas (incluindo
latrinas com tampa justa).
 Prémios ao Chefe do Posto Administrativo: Os critérios para o Chefe do Posto
Administrativo também deve ser elevados ao nível de uma aldeia inteira com pequenas
comunidades ser declarada ODF. Isto irá limitar a possibilidade de um Chefe de Posto
receber muitos prémios por pouco ou nenhum trabalho.
 Prémios ao Distrito: Os critérios para os prémios ao Distrito também devem ser mais
exigentes, premiando apenas aqueles que têm o maior número de aldeias (não
comunidades) que tenham sido declaradas ODF baseadas na cobertura por latrinas
tradicionais. Haveria uma segunda opção para os distritos com maior número de aldeias
ODF+ (cobertura com latrinas melhoradas).

Opção de Prémios 2
 A Opção 2 seria de abolir todos os prémios excepto os kits de higiene para os
agregados familiares e emitir certificados para os Lideres Comunitários, Chefes do Posto
e Distritos que atingirem os critérios da Opção 1. Isto exigiria a participação de uma
celebridade de elevado perfil público para a emissão dos certificados na cerimónia de
premiação.

Opção de Prémios 3
 Esta opção teria somente a cerimónia de premiação com a emissão de certificados, tal
como descrita acima, mas sem os prémios a nível da comunidade. Esta seria uma
abordagem sustentável que pode ser expandida à escala nacional.

4.5.2 Processo de avaliação


O método de avaliação utilizado em 2008 envolveu a formação de equipas multi-sectoriais e
levou 2 semanas para avaliar as 159 comunidades.

Recomendações:
 A avaliação de 2009 pode ser conduzida duma forma semelhante, mas incluir os líderes
da comunidade na avaliação dos seus homólogos. Isto começará a introduzir-lhes a
ideia de se tornarem plenamente envolvidos no processo de avaliação ao nível da
comunidade.
 As ONGs também podem ser envolvidas na avaliação das comunidades onde outras
ONGs despertaram o CLTS. Isto irá não apenas garantir um processo equitativo e
transparente, mas também oferecer oportunidades de aprendizagem cruzada.
 A avaliação de 2009 deve também proporcionar a oportunidade de desenvolver um novo
processo e formulários simples que irão permitir a participação da comunidade e/ou dos
líderes de opinião.

17
4.5.3 Implicações financeiras para a expansão da CATS
Esta secção apresenta um resumo das implicações financeiras da CATS dentro da "Iniciativa
Um Milhão", se os actuais sistemas de premiação forem mantidos. Apresenta também as
diferentes implicações financeiras para os outros cenários de premiação.

A Tabela 2 apresenta uma análise detalhada dos custos de CATS em 2008. O custo estimado
do estabelecimento da CATS em 2008 foi de US$ 167.415, enquanto estima-se o custo da
premiação em US$ 511.937, perfazendo um total de US$ 679.352. Isto é equivalente a menos
que US$ 3 por beneficiário para prover o acesso a uma latrina, nas 173 comunidades onde o
CLTS foi despertado, e US$ 14 por latrina. O custo para o saneamento nas 34 comunidades
ODF é de cerca de US$ 13.629 por comunidade, que inclui o custo da fonte de água como
prémio.

O objectivo principal da componente do saneamento da "Iniciativa Um Milhão" é de facilitar o


acesso ao saneamento para 1 milhão de pessoas. Resumem-se seis cenários diferentes e as
implicações de cada um na Tabela 3. Estes cenários mostram o custo da expansão da CATS
para atingir um milhão de pessoas com o saneamento até 2012. Estas estimativas incluem
também o custo de proporcionar acesso a água potável nestas comunidades. Os custos são
apresentados em pormenor nas Anexos 6 a 10.

Tabela 3: Cenários e Implicações Financeiras da Expansão (US$)


Cenário por 34 270 360 630 1294
comun. comun. comun. comun. comun. comun.
ODF (2008) (2009) (2010) (2011) (2012)
Cenário 1: Excluindo custos de
treinamento no exterior e marketing 19,523 663,778 5,201,043 6,934,724 10,387,646 21,335,896
Cenário 2: Prémios só para as
famílias e líderes comunitários 9,099 309,378 2,386,690 3,182,253 3,820,823 7,847,849
Cenário 3: Prémios só para as
famílias e comunidades 18,899 642,578 5,032,690 6,710,253 9,994,823 20,529,049
Cenário 4: Excluindo prémios do
Distrito e do Posto 19,099 649,378 5,086,690 6,782,253 10,120,823 20,787,849
Cenário 5: Prémios só para as
famílias 8,899 302,578 2,332,690 3,110,253 3,694,823 7,589,049
Cenário 6: Apenas cerimónia de
reconhecimento, sem prémios 5,725 194,658 1,475,678 1,967,571 1,695,129 3,481,740

4.6 Conclusões
A CATS é uma abordagem participativa para facilitar a auto-análise comunitária da sua situação
de saneamento e despertar uma decisão colectiva para melhorá-la. A CATS, que combina o
CLTS com um sistema de premiação provou ser mais eficaz que o PHAST e deve portanto
continuar a ser usada para a promoção de saneamento na “Iniciativa Um Milhão”. Contudo, as
ONGs necessitarão de mais treinamento e apoio para garantir que o CLTS seja despertado
efectivamente nas comunidades seleccionadas. O desenvolvimento de „formadores mestres‟ ao
nível provincial e distrital irá reduzir a dependência no apoio externo e facilitará a expansão do
CLTS em escala nacional

O tipo de comunidades seleccionadas e a calendarização do despertar do CLTS têm um


impacto no resultado. Comunidades menores são mais favoráveis que grandes aldeias, onde é
mais difícil despertar o CLTS. O despertar do CLTS não deve coincidir com a época da

18
sementeira, e de preferência deve ser levado a cabo logo após a época da colheita, quando as
famílias têm comida e dinheiro para comprar latrinas melhoradas se o desejarem.

A questão de ser a premiação ou o despertar do CLTS o motivo principal para que as


comunidades tornem-se ODF continuará a ser debatida; porém, a pesquisa mostra claramente
que o CLTS despertou mudanças no comportamento dos membros das comunidades. Alguns
indicadores positivos incluem o uso contínuo das latrinas quatro meses depois da premiação, e
a reconstrução das latrinas que desmoronaram. É importante também notar que os líderes
comunitários são actores chave para alcançar os resultados desejados depois do despertar.

O sistema de premiação na CATS precisa ser alinhado com as outras componentes da


“Iniciativa Um Milhão”. O prémio comunitário da sala de aulas deverá ser abolida, uma vez que
a construção deste tipo de infra-estrutura não faz parte do programa.

A questão do mínimo nível tecnológico aceitável para uma latrina deve continuar a ser debatida.
Uma latrina tradicional com uma casota permanente e uma tampa justa satisfaz o objectivo de
uma latrina melhorada e deve portanto ser contabilizada como tal. Assim, o desenvolvimento de
tampas justas para as latrinas tradicionais torna-se importante.

A CATS com modificações no sistema de premiações é uma abordagem eficaz para a


promoção do saneamento dentro da “Iniciativa Um Milhão” e pode também ser expandida à
escala nacional.

19
5 Bibliografia
Boletim da República (2003), Suplemento, Publicação Oficial da República de Moçambique,
Segunda-Feira, 19 de Maio de 2003, Série Número 20.

Direcção Nacional de Águas (2006), „Directrizes Técnicos para o Saneamento Rural’, WAPCOS
em associação com SULABH International Institute of Technical Research and Training para
Ministério das Obras Públicas e Habitação.

Direcção Nacional de Águas (2006), „Manual Institucional para implementação do Saneamento


Rural em Moçambique’, WAPCOS em associação com SULABH International Institute of
Technical Research and Training para Ministério das Obras Públicas e Habitação.

Diogo, L.D. (2005), Regulamento da Lei dos Órgãos Locais Do Estado; Decreto N0 /2005, de
Abril. A Primeira Ministra, República de Moçambique.

Governo de Moçambique (2007), Política de Águas.

Kar, K. (2008), „Community Led Total Sanitation in Mozambique. First hands-on training
workshop on CLTS’, A draft report for UNICEF Mozambique.

Kar, K. and Chambers, R. (2008), Handbook on Community-Led Total Sanitation’, Institute of


Development Studies and Plan International, UK.

Kar, K. and Chambers, R. (2008), Manual de Saneamento Total Liderado pela Comunidades,
Institute of Development Studies and Plan International, UK.

The Project Management Team (1995), ‘Low Cost Sanitation, Mozambique’; Project Terminal
Report, Moz/91/014’, Prepared for the Government of Mozambique by the Project Management
on behalf of United Nations Development Programme.

WaterAid (undated), Moçambique: Where the Water Sector Struggles to Implement Projects and
Programmes which are Sustainable’ WaterAid: National Water Sector Assessment.

World Health Organisation and United Nations Children‟s Fund (2008), ‘Progress on Drinking
Water and Sanitation; Special Focus on Sanitation’, WHO, Geneva and UNICEF, New York.

World Health Organisation and United Nations Children‟s Fund (2006), ‘Meeting the MGD
Drinking Water and Sanitation Target; The Urban and Rural Challenge of the Decade’, WHO,
Geneva and UNICEF, New York.

20
Anexo 1
Directrizes Técnicos para o Saneamento Rural
Tecnologia Modelo Fossa Plataforma e laje
Latrinas tradicionais Fossa circular de pequeno diâmetro de 0,8 Plataforma de madeira com laje de tampa de betão (60 x
melhoradas (1) SW-1a metro e 2 a 4m profundidade. 60).
Latrinas tradicionais Fossa rectangular com cerca de 0,6m de Plataforma de madeira com laje de tampa de betão (60 x
melhoradas (2) SW-1b largura e 1,5 metro de comprimento. 60).
Latrinas fossa melhoradas Fossa de 1,0m e profundidades de 2 a 4m.
(1) SW -2a Reboco a parte superior da fossa. Laje de domo (1.2m dia.) com tampa
Latrinas fossa melhoradas Fossa de 1,0m e profundidades de 2 a 4m. Laje de domo (1.2m dia.) com tampa e um furo adicional
(2) SW-2b Reboco a parte superior da fossa. para colocação do tubo de ventilação.
Fossa de infiltração circular de 1,0m e
Latrinas fossa melhoradas profundidade de 2 a 4m. Reboco a parte
(3) SW-2c superior da fossa. Laje de domo (1.2m dia.) com a sanita e o sifão com tampa.
Duas (2) fossas rectangulares de dimensão
interna de 1,0m x 1,0m e profundidades de 2 a
4m. Construída separadas pela parede divisora Lajes rectangulares de betão reforçado de 1200mm x
Latrina de fossa dupla duma camada de bloco/tijolo rebocada de 600mm (2 números com latrina e furo de ventilação) e
ventilada (VP) SW -3a cimento. Reboco a parte superior da fossa. 1200mm x 250mm (2 números).
Duas fossas de infiltração circulares de 1,0m e
Latrinas com autoclismo profundidades de 2 a 4m. Tampa de troncos de Laje rectangular de betão reforçado com e sanita com sifão
manual de fossa dupla SW-4a boa qualidade amarrados com cordas. e vedante de água. O dreno será construído com tijolos.
Duas fossas de infiltração circulares de 1,0m e
profundidades de 2 a 4m, rebocada com
tijolos/blocos de cimento ou pedra em cimento Laje rectangular de betão reforçado com e sanita com sifão
Latrina de fossa dupla SW-4b ou argamassa de betão. e vedante de água. O dreno será construído com tijolos.
Abóbadas rectangulares; duas fossas
rectangulares de 1,0m x 1,0m construídas Uma laje rectangular de betão reforçado com buraco de
separadamente através duma parede divisória latrina de latrina modificado para providenciar a diversão da
duma camada de blocos de cimento / reboco de urina para fora da abóbada e construída com sitio para
tijolos. A abóbada deverá ser mantida bem pousar os pés. Lajes desmontáveis de 1200mm x 600mm (2
0
Latrina de adubos apertada contra água e não deverá entrar urina n com latrina e furo de ventilação) e 1200mm x 250mm
0
(Eco-san) SW-5 ou água na abóbada. (2 n ).
A capacidade da Aqua Privy para uma família
deve ser uma profundidade de água de 1,5m, A bacia deve ser feita de cimento de acordo com medida de
sendo 1m o mínimo. A base da latrina é feita de laje, enquanto que tubo de descarga pode ser PVC/cimento.
betão e o soalho deve ter uma inclinação de A laje de betão de cimento armado com barras como 6mm
Aqua privy (retrete de água) SW-6 cerca de 100mm em direcção á saída. de diâmetro.

23
Anexo 2
FICHA A: Avaliação da Aldeia
Nome da Aldeia: ……………………………….. População Total: ………………….
Posto Administrativo: …………………………… No. Total de famílias: ………….
Distrito: ……………………………………….. Total da amostra (10% famílias): …

Família A B C
Valor O valor de
Total esperado A e o valor
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 cruzes para ganhar esperado

Observação das famílias No. Sim/Não


Este dado Não ponha
Existe uma latrina tradicional? x x x não importa nada
Este dado Não ponha
Existe uma latrina melhorada? não importa nada
Total 1+2 (não precisa de colocar cruzes nesta
coluna, registe apenas os números totais no fim -100% da
da coluna) - - - - - - - - - - - amostra -
Pelo menos
50% da
A latrina está em uso? amostra
Entrevista com Adultos
Pelo menos
50% da
Você usa latrina? amostra
Você fez coco no mato nos ultimas 3 dias? 0
Você viu alguém a fazer coco no mato nos
últimas 3 dias? 0
Observação das aldeias
Em quantos sítios existem sinais de fezes ao céu
aberto? 0

Nome do líder: ……………………………………………………………………….. A aldeia declarada livre do fecalismo a céu aberto?


Assinatura e carimbo do líder comunitário:...................................................................... Sim: .................. Não: ..................
Membros da equipa da avaliação:.................................................................................
Data da avaliação: ..............................................................

24
Anexo 3
Ficha B: Resumo da Província
0
1 Premio: Distrito com mais população LFCA (livre de fecalismo a céu aberto)
Distrito 1 Distrito 2 Distrito 3 Distrito 4 Distrito 5 Distrito 6
Nomes das Nomes das Nomes das Nomes das Nomes das Nomes das
aldeias aldeias aldeias aldeias aldeias aldeias
declaradas declaradas declaradas declaradas declaradas declaradas
LFCA LFCA LFCA LFCA LFCA LFCA
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
Total de aldeias Total de aldeias Total de aldeias Total de aldeias Total de aldeias Total de aldeias
Total LFCA LFCA LFCA LFCA LFCA LFCA
Ganha o distrito com o numero aldeias LFCA mais alto

2ndo Premio: Distrito com mais latrinas construídas em 2008


Distrito 1 Distrito 2 Distrito 3 Distrito 4 Distrito 5 Distrito 6
No. novas No. novas No. novas No. novas No. novas No. novas
latrinas latrinas latrinas latrinas latrinas latrinas
(trad.+melh.) (trad.+melh.) (trad.+melh.) (trad.+melh.) (trad.+melh.) (trad.+melh.)

Nome, Nome, Nome, Nome, Nome, Nome,


assinatura e assinatura e assinatura e assinatura e assinatura e assinatura e
carimbo do carimbo do carimbo do carimbo do carimbo do carimbo do
administrador administrador administrador administrador administrador administrador
Ganha o distrito com o numero novas latrinas mais alto

Nome da província: ………………………………………………………………


Membros das equipa da avaliação: ………………………………………….
Data da avaliação final: ……………………………………………………
Assinatura e carimbo do Director provincial do DPPOH: ……………………………………………..

25
Anexo 4
Resultados: Componente de Saneamento do Projecto Iniciativa Um Milhão
No. de latrinas construídas Com. Despertas
Província Distrito Centro Demonstração (30.12.08) (CLTS)
Esta. Fabri. Vendida Não- Func.
Func. Melhor. Tradic. Benefic. Desperta Premi.
Angônia 1 46 40 0 1 40 11,739 58,735 6 5
Changara 0 57 15 0 0 2,382 5,496 29,862 7 1
Tsangano 1 18 0 0 1 0 2,898 14,490 8 2
Tete
Chifunde 1 18 0 0 1 103 1,915 9,678 5 0
Maravia 1 11 1 0 1 0 119 595 29 3
Zumbo 0
Total Tete 4 150 56 0 4 2,525 22,167 113,360 55 11
Gondola 2 21 5 1 1 10,560 52,800 25 9
Sussundenga 3 76 27 2 1 16,460 82,300 11
Guro 3 72 27 1 2 27 2,947 14,762 10
Manica
Manica 2 14 2 4,621 23,105 19 3
Machaze 3 22 2,950 14,750 6
Mossurize 3 16 2,389 11,945 9 5
Total Manica 16 221 59 4 6 27 39,927 199,662 80 17
Dondo 4 80 10 0 4 58 1,478 7,448 10 0
Muanza 1 18 0 0 1 6 120 606 0 0
Nhamatanda 2 74 44 0 2 350 3,222 16,460 7 1
Sofala Gorongosa 0 0 0 0 0 50 1,900 9,550 7 2
Maringue 1 2 0 0 1 50 1,250 6,300 9 1
Chemba 0 0 0 0 0 254 900 4,754 0 0
Buzi 4 26 0 0 4 250 2,044 10,470 5 2
Total Sofala 12 200 54 0 12 1,018 10,914 55,588 38 6
TOTAL UM MILHÃO 32 571 169 4 22 3,570 73,008 368,610 173 34

26
Anexo 5
Níveis de Prémios (ODF) Propostos

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27
Prêmios progressivo para ODF+ /ODF++
ODF ODF + ODF + +
Districts

Posts

Traditional
leaders

28
Anexo 6
Implicações – expansão da CATS (cenário 2 – prémios de família e líder comunidade)

Actividade Custo em USD ($)


Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por
comunidade 34 com. 270 com. 360 com. 630 com. 1,294 com.
ODF (2008) (2009) (2010) (2011) (2012)
Custo de treinamento (dentro
do país) 2,775 94,343 749,194 998,926 1,748,120 3,590,584
Custo de despertar 515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877
Marketing 260 8,832 70,136 93,515 163,652 336,136
Avaliação 917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294
Sub total (menos cerimónia
de premiação & prémios) 4,466 151,841 1,205,796 1,607,728 2,813,524 5,778,890
Cerimónia de premiação 1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570
Prémios (líder comunitário - 34) 200 6800 54,000 72,000 106,000 258,800
Prémios (famílias-5396) 20 107920 215,840 323,760 431,680 539,600
Sub total cerimónia de
premiação & prémios 1,479 157,537 609,858 849,118 1,331,056 2,427,970
Custos Totais (mais
cerimónia de premiação &
prémios) 5,945 309,378 1,815,655 2,456,846 4,144,581 8,206,859

29
Anexo 7
Implicações – expansão da CATS (cenário 3 – prémios de família & comunidade)
Actividade
Custo em USD ($)

Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por
comunidade 34 com. 270 com. 360 com. 630 com. 1,294 com.
ODF (2008) (2009) (2010) (2011) (2012)
Custo de treinamento (dentro 2,775 94,343 749,194 998,926 0 0
do país)
515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877
Custo de despertar
260 8,832 0 0 0 0
Marketing
917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294
Avaliação
Sub total (menos cerimónia
4,466 151,841 1,135,660 1,514,213 901,752 1,852,171
de premiação & prémios)
1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570
Cerimónia de premiação
10,000 340,000 2,700,000 3,600,000 6,300,000 12,940,000
Prémios comunitário
3,174 107,920 857,012 1,142,682 1,999,694 4,107,308
Prémios (famílias-5396)
Sub total cerimónia de
14,433 490,737 3,897,030 5,196,040 9,093,070 18,676,878
premiação & prémios
Custos Totais (mais
cerimónia de premiação & 18,899 642,578 5,032,690 6,710,253 9,994,823 20,529,049
prémios)

30
Anexo 8
Implicações – expansão da CATS (cenário 4 – excluindo os prémios de distritos e Postos Administrativos)
Actividade
Custo em USD ($)

Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por
comunidade 34 com. 270 com. 360 com. 630 com. 1,294 com.
ODF (2008) (2009) (2010) (2011) (2012)
2,775 94,343 749,194 998,926 0 0
Custo de treinamento (dentro do país)
515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877
Custo de despertar
260 8,832 0 0 0 0
Marketing
917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294
Avaliação
Sub total (menos cerimónia de
premiação & prémios) 4,466 151,841 1,135,660 1,514,213 901,752 1,852,171
1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570
Cerimónia de premiação
200 6,800 54,000 72,000 126,000 258,800
Prémios (líder comunitário - 34)
10,000 340,000 2,700,000 3,600,000 6,300,000 12,940,000
Prémios comunitário
3,174 107,920 857,012 1,142,682 1,999,694 4,107,308
Prémios (famílias-5396)
Sub total cerimónia de premiação 14,633 497,537 3,951,030 5,268,040 9,219,070 18,935,678
& prémios
Custos Totais (mais cerimónia de 19,099 649,378 5,086,690 6,782,253 10,120,823 20,787,849
premiação & prémios)

31
Anexo 9
Implicações – expansão da CATS (cenário 5 – prémios de família)

Actividade Custo em USD ($)

Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por
comunidade 34 com. 270 com. 360 com. 630 com. 1,294 com.
ODF (2008) (2009) (2010) (2011) (2012)
Custo de treinamento
2,775 94,343 749,194 998,926 0 0
(dentro do país)
515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877
Custo de despertar
260 8,832 0 0 0 0
Marketing
917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294
Avaliação
Sub total (menos
cerimónia de premiação
& prémios) 4,466 151,841 1,135,660 1,514,213 901,752 1,852,171
Cerimónia de premiação 1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570
Prémios (famílias-5396) 3,174 107,920 857,012 1,142,682 1,999,694 4,107,308

Sub total cerimónia de


4,433 150,737 1,197,030 1,596,040 2,793,070 5,736,878
premiação & prémios
Custos Totais (mais
cerimónia de premiação
8,899 302,578 2,332,690 3,110,253 3,694,823 7,589,049
& prémios)

32
Anexo 10
Implicações – expansão da CATS (cenário 6 – somente cerimónia de premiação, sem prémios)

Actividade Custo em USD ($)

Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por Custo por
comunidade comunidade comunidade comunidade comunidade comunidade
ODF ODF ODF ODF ODF ODF
Custo de treinamento (dentro do
país) 2,775 94,343 749,194 998,926 0 0

Custo de despertar 515 17,496 138,939 185,252 324,191 665,877

Marketing 260 8,832 0 0 0 0

Avaliação 917 31,170 247,526 330,035 577,562 1,186,294

Sub total (menos cerimónia de


premiação & prémios)
4,466 151,841 1,135,660 1,514,213 901,752 1,852,171
Cerimónia de premiação 1,259 42,817 340,018 453,358 793,376 1,629,570

Custos Totais (mais cerimónia


de premiação) 5,725 194,658 1,475,678 1,967,571 1,695,129 3,481,740

33

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