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Incidência e Crédito Tributário Explicados

O documento aborda a obrigação tributária, que é a relação jurídica entre o contribuinte e o Estado, podendo ser principal ou acessória, e o crédito tributário, que é a obrigação tributária tornada líquida e exigível. O lançamento é o ato administrativo que constitui o crédito tributário, e sua formalização é essencial para a cobrança. Além disso, o texto discute a extinção do crédito tributário e as condições que suspendem sua exigibilidade.

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Incidência e Crédito Tributário Explicados

O documento aborda a obrigação tributária, que é a relação jurídica entre o contribuinte e o Estado, podendo ser principal ou acessória, e o crédito tributário, que é a obrigação tributária tornada líquida e exigível. O lançamento é o ato administrativo que constitui o crédito tributário, e sua formalização é essencial para a cobrança. Além disso, o texto discute a extinção do crédito tributário e as condições que suspendem sua exigibilidade.

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Incidência e Crédito Tributário

Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Obrigação Tributária

Obrigação é um termo de natureza civil, que remonta à ideia de uma relação de deveres entre
dois ou mais sujeitos. A doutrina civilista, por meio de seus vários mestres, conceitua a
obrigação como sendo “o vínculo jurídico entre duas partes, em virtude do qual uma delas
fica adstrita a satisfazer uma prestação patrimonial de interesse da outra, que pode exigi-la, se
não for cumprida espontaneamente, mediante agressão ao patrimônio do devedor”

Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.


§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
decorrente.
§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações,
positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos
tributos.
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação
principal relativamente à penalidade pecuniária.

Em suma, a obrigação é o vínculo jurídico, com arrimo exclusivo na legislação tributária,


entre o contribuinte e o Estado, pelo qual este pode exigir do particular uma prestação
positiva ou negativa.

É sinônimo da relação jurídica de índole economicamente apreciável, pode ser definida como
o vínculo abstrato que surge pela imputação normativa e, mediante o qual, uma pessoa,
chamada sujeito ativo - credor - tem o direito subjetivo de exigir do sujeito passivo o
cumprimento de prestação de cunho patrimonial ou não patrimonial.

Dever instrumental: é o dever de manter demonstrada que a obrigação principal ocorreu


como estabelecido pela Lei.

Crédito Tributário
Conceito: vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito
ativo), pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo) o pagamento
do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)1. Crédito tributário é,
portanto, a própria obrigação tributária tornada líquida e certa e, consequentemente, exigível
como decorrência do lançamento.

Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.2

Conceito de evento: acontecimento no mundo fenomênico captado pelos sentidos


Conceito de fato: relato de um evento pela linguagem social
1
MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 29ª ed. São Paulo: Editora Malheiros, 2008, p. 172.
2
Se o crédito tributário é um componente da obrigação tributária, ele nasce junto dela.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Conceito de fato jurídico: fato constituído em linguagem reputada competente pelo direito
positivo, capaz de produzir efeitos jurídicos.

Fases do crédito tributário:

1. Existência é a aplicação da Regra Matriz de Incidência Tributária, ou seja, a


constituição do crédito com a notificação da lavratura do lançamento ou com a
publicidade da norma individual emitida pelo sujeito passivo.
2. Exigibilidade é a possibilidade de o sujeito ativo exercer seu direito subjetivo de
cobrar o tributo após o vencimento da prestação tributária.
3. Exequibilidade ocorre quando o débito é inscrito em dívida ativa e com a
formalização do título executivo (CDA), tornando-se o crédito suscetível de execução
fiscal.

A representação documental da relação jurídico-tributária pode se dar de várias maneiras - o


fisco ou o contribuinte “formalizam” este vínculo com o nascimento da obrigação.

Lançamento

Conceito: é o processo de determinação do sujeito passivo e apuração da dívida tributária,


como é lançamento, também, a norma individual e concreta posta no sistema com a
expedição do “ato de lançamento”. É o termo utilizado pelo CTN para denominar o ato
administrativo através do qual a autoridade administrativa verifica a ocorrência do fato
gerador, define o montante, identifica o sujeito3 e constitui o crédito tributário. Ele tem
natureza constitutiva do crédito e declaratória da obrigação (porque a obrigação existe antes
do lançamento e independe dele)

Obs. não sendo satisfeito o crédito tributário pelo sujeito passivo, o Fisco procederá à
inscrição do crédito na Dívida Ativa, que nada mais é do que um banco de dados dos
devedores e, a partir de então, poderá promover uma execução fiscal contra o
contribuinte inadimplente ou o responsável tributário.

Lançamento v. Dívida Ativa

Não se deve confundir inscrição em dívida ativa com lançamento, visto que, para se proceder
à inscrição do crédito, o lançamento tem que estar consumado, ou seja, aquele ocorre em
momento posterior a este.

O contribuinte que se encontra obrigado, segundo a forma prevista na legislação a formalizar


o crédito tributário, subsume o evento tributário à regra-matriz de incidência e determina o
quantum debeatur. Definido o montante do tributo, efetua o pagamento, que pressupõe a
formalização do crédito.

3
São competentes para constituir o crédito tributário: autoridade administrativa e particular.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Formalização do crédito tributário

Formalizar o crédito tributário é verter em linguagem jurídica componente o fato e a


respectiva relação tributária, objetivando o sujeito ativo, o sujeito passivo e o objeto da
prestação, no bojo de uma norma individual e concreta.
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito
tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a
verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria
tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso,
propor a aplicação da penalidade cabível.

Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob


pena de responsabilidade funcional.

Nascimento do crédito tributário


Existem 2 correntes:
1. crédito tributário nasce com o fato gerador
2. crédito tributário nasce com o lançamento

Lançamento do Crédito Tributário no CTN


Compreendido como:
● procedimento administrativo

● ato derradeiro da série em que se consagra o procedimento administrativo

● norma geral e concreta, produto daquele ato administrativo derradeiro;

Norma veículo-introdutor que tem como finalidade introduzir uma norma individual
concreta, formalizando o crédito tributário

Decorre da aplicação de uma norma de competência, a qual prevê o sujeito e o procedimento


para inserção da norma

Além de ser o instrumento próprio para inserir regra no sistema, o veículo introdutor é
relevante para montar a hierarquia do sistema.

● atividade material do sujeito passivo de calcular o montante do tributo devido;

● norma individual e concreta expedida pelo contribuinte;

Além da norma que estipula a forma pela qual as disposições ingressam no sistema jurídico,
tem-se a norma que prescreve os contornos materiais do fato jurídico constituído (norma
introduzida)

Norma que prescreve os contornos materiais do fato jurídico constituído


Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

É a norma que efetivamente constitui o crédito tributário

É resultado da aplicação da Regra Matriz de Incidência Tributária

Antecedente: descreve um fato jurídico tributário, é o dever ser

Consequente: prescreve a relação jurídica, composta pelos sujeitos ativo e passivo em


torno do objeto da prestação, consistente na obrigação de pagar quantia identificada pela
conjugação da base de cálculo da alíquota.

Estrutura do ato administrativo de lançamento


● motivo
● agente componente
● forma
● conteúdo
● finalidade
● motivação

Espécies de lançamento (critério de lançamento)


1. Lançamento de ofício: a atividade de lançar cabe exclusivamente ao Fisco

Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos
seguintes casos

2. Lançamento misto ou por declaração: a atividade de lançar e apurar o tributo resulta


de uma atividade conjunto de ambos (fisco e contribuinte)

Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro,
quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa
informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.

3. Lançamento por homologação (autolançamento): encargo de lançar atribuído


exclusivamente ao sujeito passivo

Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação
atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade
administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da
atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.

Prazo para homologação da administração: 5 anos


A condição do crédito tributário é resolutória, ou seja, depende da homologação da
administração pública. Neste período de 5 anos, a administração pode cobrar uma diferença
ou requerer esclarecimentos.
Atuação do particular: (i) dever jurídico de declarar os fatos; (ii) dever jurídico de
quantificar o tributo; (iii) dever jurídico de antecipar o pagamento.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Atuação da administração pública: (i) dever de fiscalizar o cumprimento dos deveres


instrumentais e o pagamento do tributo (controle de legalidade); (ii) homologação expressa:
ato administrativo que atesta a extinção do crédito tributário, inserindo norma no sistema
impeditiva de novo lançamento.

Exemplo: eu pago meu imposto de renda por autolançamento e a Administração tem até 5
anos para homologar a declaração de imposto de renda.

Súmula 436/STJ:
A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. (SÚMULA 436,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 13/05/2010)

Se é por meio do lançamento que se constitui o crédito tributário, então nada mais é do que a
aplicação da norma no mundo concreto, é a linguagem competente para demonstrar o crédito
tributário.

O pagamento antecipado extingue o crédito tributário e a não homologação do pagamento


antecipado desfaz os efeitos do ato, ou seja, a extinção do crédito tributário será desfeita.

Art. 150, §1º:

§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob
condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.

Ou seja,
a) o pagamento antecipado extingue o crédito tributário
b) a não homologação do pagamento antecipado desfaz os efeitos do ato, ou seja, a
extinção do crédito será desfeita
c) a condição do crédito tributário é resolutória, ou seja, depende da homologação da
Administração Pública.
d) neste período de 5 anos, a Administração pode cobrar uma diferença ou requerer
esclarecimentos.

Atuação do particular

● dever jurídico de declarar os fatos


● dever jurídico de quantificar o tributo
● dever jurídico de antecipar o pagamento

Atuação da Administração Pública


● dever de fiscalizar o cumprimento dos deveres instrumentais e o pagamento do tributo
(controle de legalidade)
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Homologação expressa: ato administrativo que atesta a extinção do crédito tributário,


inserindo norma no sistema impeditiva de novo lançamento (150, caput)

Homologação tácita: é fato decadencial (156)

Extinção do crédito tributário

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:


I - o pagamento;
II - a compensação;
III - a transação;
IV - remissão;
V - a prescrição e a decadência;
VI - a conversão de depósito em renda;
VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto
no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;
IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita
administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;
X - a decisão judicial passada em julgado.
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em
lei.
Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do
crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o
disposto nos artigos 144 e 149.

Decadência: inércia do Fisco de cobrar.

4. Lançamento por Arbitramento (aferição indireta)


Conceito: quando o cálculo do tributo tenha por base valor ou preço de bens, direitos,
serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele
valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações, os
esclarecimentos, ou os documentos expedidos pelo Sujeito passivo ou por terceiro legalmente
obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou
judicial. (art. 148)

O contribuinte também pode realizar o lançamento por arbitramento, de maneira indireta, mas
a Administração ainda tem o poder de homologar ou não os valores apresentados.

(slides) Lançamento por arbitramento:


● espécie de lançamento de ofício
● é ato administrativo de apuração da base de cálculo a partir de elementos indicativos
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

● pressuposto: ilícito - autorizado quando inexistem documentos ou declarações do


contribuinte aptas e idôneas a apurar o fato gerador do tributo, sua base de cálculo e
respectivo pagamento
● fundamento de validade: supremacia do interesse público sobre o interesse privado

Aplicação da norma no lançamento (art. 144, § 1)

§ 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da


obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização,
ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito
maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir
responsabilidade tributária a terceiros.

Alterabilidade do lançamento

Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em
virtude de:
I - impugnação do sujeito passivo;
II - recurso de ofício;
III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.

Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:


I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário
administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.
V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação
judicial;
VI – o parcelamento.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações
acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela
consequentes.

Na realidade, o que é suspenso é a possibilidade de exigir o crédito tributário, não o crédito


em si. No caso, o crédito permanece.

Ações fiscais não podem ser promovidas diante dos seguintes casos:
1. moratória: prorrogação de prazo de vencimento, o que não se confunde com a
novação do direito civil, pois no direito tributário o pagamento ainda tem que ser
realizado.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

2. parcelamento: é a moratória só que parcelada, a prorrogação ocorre da mesma forma.

Moratória:
Art. 152. A moratória somente pode ser concedida:
I - em caráter geral:
a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se
refira;
b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou
dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência
federal e às obrigações de direito privado;
II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada
por lei nas condições do inciso anterior.
Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua
aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a
expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos.

Comentários acerca do 152, I, b: O artigo é constitucional e a União pode sim fazer isso.
Em uma situação de crise, o princípio da indelegabilidade tributária pode ser desconsiderado,
de tal modo que a supremacia do interesse público poderia passar por cima. Em situações de
crise, é necessário sopesar princípios.

A lei que concede a moratória ou parcelamento, em caráter geral, pode autorizar que
todos possam fazer isso ou é necessário a demonstração de quem pode fazer isso?

Se for caráter individual é necessário que a autoridade administrativa competente veja e


conceda para que autorize de acordo com o previsto em lei. Se deixar de cumprir, de ofício a
autoridade adm. pode revogar seu benefício, por isso ela não é considerada um direito
adquirido.

Parcelamento (Art. 155, CTN):

Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei


específica.
§ 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a
incidência de juros e multas.
§ 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à
moratória.
§ 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do
devedor em recuperação judicial.
§ 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação
das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não
podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal
específica.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

Depósito do Montante Integral

Seguro garantia não é a mesma coisa que depósito, pois ele e a fiança bancária são
modalidades que precisam de uma cautelar para suspender a exigibilidade.
Reclamações e recursos administrativos
Se sair do processo administrativo e for para a esfera judicial, se está desistindo do
procedimento administrativo (renúncia).
Se o objeto do processo é diferente mas discute o mesmo crédito, não ocorre renúncia.
● liminar em mandado de segurança4
● liminar ou tutela antecipada (pode ser preparatória ou incidental) em outros tipos de
ação (que não o mandado de segurança)

E quando o processo está em repercussão geral ou tema repetitivo?

R: Competência excepcional do STF para apreciar medida cautelar.

Se a exigibilidade está suspensa, não pode realizar a cobrança do crédito. Ou seja, não
pode promover execução fiscal se o processo está em repercussão geral.

E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE AINDA NÃO SOFREU JUÍZO DE


ADMISSIBILIDADE - ACÓRDÃO DO TRIBUNAL RECORRIDO QUE VERSA
MATÉRIA IDÊNTICA À VEICULADA EM CAUSAS JÁ PREPARADAS PARA SEREM
JULGADAS PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL -
RETARDAMENTO, PELA PRESIDÊNCIA DO TRIBUNAL RECORRIDO, DA
FORMULAÇÃO DO JUÍZO (POSITIVO OU NEGATIVO) DE ADMISSIBILIDADE DO
APELO EXTREMO - POTENCIALIDADE DANOSA RESULTANTE DESSA OMISSÃO
PROCESSUAL, AGRAVADA PELA INÉRCIA NO EXAME DO PEDIDO DE TUTELA
DE URGÊNCIA - CARACTERIZAÇÃO DE DANO POTENCIAL APTO A
COMPROMETER, DE MODO GRAVE, A SITUAÇÃO JURÍDICA DA EMPRESA
CONTRIBUINTE - POSSIBILIDADE, AINDA, DE FRUSTRAÇÃO DOS FINS
INERENTES AO PROCESSO CAUTELAR - HIPÓTESE EXCEPCIONAL QUE
JUSTIFICA, NO CASO, O EXERCÍCIO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DO
PODER GERAL DE CAUTELA - SITUAÇÃO EXTRAORDINÁRIA QUE AUTORIZA A
NÃO-INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 634 E 635 DO STF - FUNÇÃO JURÍDICA DA
TUTELA CAUTELAR - INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO CAUTELAR
(BINÔMIO NECESSIDADE/UTILIDADE) - RELAÇÃO DE COMPLEMENTARIDADE
ENTRE O INSTITUTO DA TUTELA CAUTELAR E O PRINCÍPIO DA EFETIVIDADE
DO PROCESSO - DOUTRINA - SITUAÇÃO QUE ENSEJA A OUTORGA
EXCEPCIONAL DO PROVIMENTO CAUTELAR, CONSIDERADA A
SINGULARIDADE DO CASO - SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DO ACÓRDÃO OBJETO
DO APELO EXTREMO - MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA PELO RELATOR -
DECISÃO REFERENDADA.

4
O mandado de segurança é um instrumento jurídico que visa proteger direitos líquidos e certos de pessoas
físicas ou jurídicas que tenham sido violados por autoridades públicas ou agentes de pessoas jurídicas.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

(AC 1810 QO, Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 16-10-2007,
DJe-134 DIVULG 30-10-2007 PUBLIC 31-10-2007 DJ 31-10-2007 PP-00093 EMENT
VOL-02296-01 PP-00045)

Súmula 634: não compete ao STF conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a
recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem.

E em caso de seguro-garantia e fiança para execução fiscal (Portaria 164/2014)?

Na execução fiscal, pode ser substituído o valor depositado por bens dados em garantia,
fazendo seu capital de giro voltar a circular para si.

A lista do artigo 151 é taxativa?

O Supremo entende que a lista é taxativa, mas não inclui o seguro-garantia e fiança, por isso
gerou discussões.

Medidas judiciais (causas de exigibilidade):

● concessão de medida liminar em mandado de segurança


● concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação
judicial

Natureza jurídica das liminares:

● antecipação
● cautelar
● satisfativa
● cautelar-satisfativa

Extinção do crédito tributário


Art. 156 → 11 modalidades de extinção do crédito tributário
a) pagamento
Pode ser realizado em moeda ou cujo valor nela possa se exprimir e deve ser feito, em regra,
em até 30 dias;
Efetuado em domicílio do sujeito passivo
Se a lei não dispuser de forma diversa, deverá ser efetuado em 30 dias

Variações da modalidade de pagamento

● Conversão de depósito em renda


● Pagamento antecipado e homologação do lançamento - voce faz o pagamento e a
fazenda homologa
● Consignação em pagamento - geralmente quando tem dúvida do sujeito ativo que
voce tem que pagar o tributo (vai entrar mais na frente pra falar disso)
● Compensação - Art 170 CTN - quando dois sujeitos são credores e devedores ao
mesmo tempo, há a exitnção das dividas em comum (somente se a lei autorizar)
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

○ precisa ser contra a mesma fazenda pública (federal com federal, municipal
com municipal)
● Transação - art 171 CTN - acordo autorizado por lei, no qual as procuradorias fazem
com os contribuintes para acordar novas condições para o pagamento do tributo, que
podem envolver outros institutos do direito tributário, como a moratória.
○ também somente mediante lei
○ não é uma novação, só altera a forma de pagamento
○ Lei 13.988 de 2020
■ Transação pode ser feita de modo individual (somente para voce) ou
por adesão (quando a procuradoria lança aqueles programas para as
pessoas aderir e pagar de forma diferente, ai é para varias pessoas)
■ Transação serve como um acordo, se ele não é cumprido é extinto
■ ela é vedada em algumas hipóteses (esta na lei perdi o artigo)
● Remissão - Art 172 - perdão da dívida tributária (ato lícito)
○ Anistia é quando tem o perdão do ato ilícito
○ no Rio Grande do Sul teve remissão por conta da tragédia
○ Pode ter remissão só do crédito ou só da penalidade, assim como de ambas
● Conversão do depósito em renda - art 151 II - convertido em renda após transito em
julgado (perdi um pouco a explicação)
● Pagamento antecipado e a homologação - art 150 paragrafo 4 - geralmente é tácita,
tem a decadencia do direito do fisco de contestar aquele crédito
● Consignação em pagamento - art 164 paragrafo 2 - voce tem duvidas conto a um
crédito e voce pode depositar judicialmente no caso de recusa de pagamento ou
subordinação ou … os outros incisos.
○ duvida do sujeito ativo do tributo que voce precisa pagar ou se ele se recusa a
receber, pode recorrer judicialmente, chamando os sujeitos ativos e
depositando o valor para que eles discutam
○ se são duas dividas e uma é maior, precisa depositar a de maior valor
● Decisão administrativa irreformavel - inc IX - no âmbito administrativo decisão que
reconhece inexistencia do credito tributário exigido (favoravel ao contribuinte)
○ nao pode ser caso de decisão judicial (ela é irreformavel) pois é nessa esfera
que é competente, a adm publica falou que a adm publica ta errada, a adm
publica vai recorrer de si mesma? não, então é irreformavel
● Decisão judicial passada em julgado - coisa julgada extingue o crédito tributpario em
qualquer tipo de ação.
● Doação em pagamento em bens imóveis - pode quitar divida com bens imóveis
(dação em pagamento)
● Decadencia e prescrição -
○ decadencia - art 173 - fato juridico que faz perecer um direito pelo seu não
exercício, é extinção do direito ativo de constituir aquele crédito
■ fazenda tem 5 anos para efetuar o lançamento, depois nao pode mais
■ começa a contar no primeiro dia do exercicio seguinte que o
lançamento poderia ter sido efetuado; ou
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário

■ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado vicio


formal
■ muda conforme o tipo de lançamento, se nao fixar é 5 anos, se não
houver dolo
● sem fraude - 153 paragrafo 4 - 5 anos do dia do tributo (fato
gerador)
● com fraude - 173 inc I - 5 anos do 1 dia do exercicio seguinte -
essa é a regra
■ to entendendo porra nenhuma começaram a me confundir nesses
lançamentos por homologação etc
■ Conclusão: instalada a relação jurídica e permanecendo o fisco inerte,
nao procedendo o lançamento, a decadencia fará desaparecer o direito
subjetivo de exigir a prestação tributáriae, portanto, o dpebito do
sujeito passifo fica extinto, sem laço obrigacional.
○ prescrição - extinção do direito de ação (direito de exigir)
■ art 174 - prescreve em 5 anos contado da data de sua constituição
definitiva
Extinção e exclusão do crédito tributário
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Na “suspensão” do crédito tributário, um dos requisitos para a propositura da execução fiscal


está comprometido:

Código Tributário Nacional


Art. 175. Excluem o crédito tributário:
I. a isenção
II. a anistia
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações
acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela
consequente.

Isenção

A isenção é uma forma de exclusão do crédito tributário que considera o plano


socioeconômico da realidade social, onde se observa que o poder de tributar do estado pode
onerar demasiadamente um setor, uma atividade, uma região, ou mesmo uma classe de
contribuintes. Ex. isenção de IPTU para imóveis com fins sociais.

A isenção deve ser prevista em lei específica (previsão infraconstitucional), mesmo quando
prevista em contrato.

A lei isentiva especifica as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a
que se aplica, bem como, se for o caso, o prazo de sua duração.

No caso da isenção, um dos elementos da RMIT está mutilado, impedindo o nascimento da


obrigação.

Artigo 176/179, CTN

Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que
especifique as condições e requisitos exigidos para sua concessão, os tributos a que se aplica
e, sendo o caso, o prazo para sua duração.

1
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade
tributante, em função de condições a ela peculiares.

Súmula 544, STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser
livremente suprimidas.

Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:

I. às taxas e às contribuições de melhoria;

II. aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.

Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo5 e em função de determinadas
condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto
no inciso III, do art. 1046.

Ou seja, quando a isenção for concedida por prazo determinado, a sua revogação é vedada,
enquanto quando concedida por prazo indeterminado, ela pode ser revogada ou modificada
por lei de acordo com o acima.

Tipos de isenção

a) Total ou parcial: pode reduzir a carga tributária ou eliminar a obrigação de


pagamento.

b) Temporária ou permanente: pode ser limitada por um período ou durar enquanto a lei
estiver em vigor

c) Condicional ou incondicional: pode depender do cumprimento de requisitos


específicos ou ser automática

Teorias sobre isenção

a) Isenção como hipótese de não-incidência legalmente qualificadas → José Souto


Maior e Alfredo Becker

b) Isenção como favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento do tributo →


Rubens Gomes de Souza

c) Uma vez posta, na lei da pessoa competência para tributar, a norma de isenção atuará
na norma de tributação, reduzindo-lhe o campo de incidência → Misabel Derzi

d) Favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento do tributo devido → Rubens


Gomes de Souza
5
Neste caso, não pode ser revogada (slide 10)
6
Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os
dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III - que extinguem ou reduzem
isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo
178.

2
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Para Paulo de Barros Carvalho:

● isenção é norma de estrutura

● não há cronologia, isto é, o crédito não surge para depois desaparecer

● Um dos critérios da RMIT está mutilado parcialmente

Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por
despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova
do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou
contrato para sua concessão.

§1º Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste
artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os
seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de
promover a continuidade do reconhecimento da isenção.

§2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível,
o disposto no art. 155.

Anistia

Conceito: remissão7 de multas e penalidades tributárias, normalmente relacionada a infrações


cometidas, e não à própria obrigação tributária.

Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência


da lei que a concede, não se aplicando:

I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem
essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por
terceiro em benefício daquele;

II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou


mais pessoas naturais ou jurídicas.

Art. 181. A anistia pode ser concedida:

I - em caráter geral;

II - limitadamente:

a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo;

b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante,


conjugadas ou não com penalidades de outra natureza;

7
Perdão da dívida tributária, do tributo

3
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a


ela peculiares;

d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou
cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.

Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso,
por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça
prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para
sua concessão.

Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,
aplicando-se, quando cabível, o disposto no art. 155.

Tipos de Anistia

a) Total o parcial: todas ou apenas parte das penalidades são perdoadas

b) Abrangência: a anistia pode ser aplicável a apenas infrações específicas ou a todas as


infrações cometidas em determinado período de tempo.

Anistia Fiscal: perdão da falta cometida pelo infrator de deveres tributários. Perdão da
penalidade imposta por ter infringido mandamento legal.

EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

A extinção do crédito tributário ocorre quando um débito fiscal é considerado quitado ou


implacável, encerrando a obrigação do contribuinte perante o fisco. O CTN estabelece as
modalidades de extinção do crédito tributário nos artigos 156 a 174.

Ou seja, ocorre quando um dos elementos abaixo desaparece:

Art. 156. Extinguem o crédito tributário:

I. o pagamento

4
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

II. a compensação

III. a transação

IV. a remissão

V. a prescrição e a decadência

VI. a conversão de depósito em renda

VII. o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no


art. 150 e seus §1º e 4º.

VIII. a consignação em pagamento, nos termos do disposto no §2º do art. 164;

IX. a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita


administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;

X. a decisão judicial passada em julgado;

XI. a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei

Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre
a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos
144 e 149.

Pagamento

De acordo com o artigo 3º do CTN, o pagamento deve ser feito em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir; cheque ou vale postal ou em estampilhas, papel selado ou por processo
mecânico.

O pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento:

a) quando parcial, das prestações em que se decomponha

b) quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos

Se a lei não dispuser de forma diversa, o pagamento deverá ser efetuado em 30 dias a partir
da notificação de ciência do sujeito passivo.

Se não pago no vencimento, será acrescido de juros de mora, sem prejuízo de penalidades
cabíveis.

Se pago indevidamente, é passível de restituição, mas esse direito se extingue em 5 anos.

Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco)
anos, contados:

5
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

I - nas hipótese dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;
(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005)

II - na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão
administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado,
revogado ou rescindido a decisão condenatória.

Compensação

Conceito: é o desaparecimento do vínculo na medida em que se compensarem.

Ocorre quando o contribuinte tem um crédito junto ao fisco que pode ser utilizado para abater
o valor do tributo devido.

A compensação depende de requisitos legais, sendo permitida apenas quando expressamente


autorizada pela lei8.

Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou suja estipulação em
cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários
com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda
Pública.

Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de


contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão
judicial.

Súmula 212, STJ: a compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação
cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória.

Súmula 213, STJ: o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do
direito à compensação tributária

Transação

Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da
obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em
determinação de litígio e consequente extinção de crédito tributário.

Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada
caso.

É um instrumento que permite a negociação entre o Fisco e o contribuinte para resolver


litígios fiscais, podendo envolver a concessão de descontos, parcelamentos ou outras
condições que facilitem o pagamento de tributos devidos.

8
Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações
extinguem-se, até onde se compensarem.

6
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Lei nº 13.988/2020

Transação resolutiva de litígio relativo à cobrança de créditos da Fazenda Pública, de


natureza tributária ou não tributária.

Art. 1 º Esta Lei estabelece os requisitos e as condições para que a União, as suas autarquias e
fundações, e os devedores ou as partes adversas realizem transação resolutiva de litígio
relativo à cobrança de créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária.

§ 1º A União, em juízo de oportunidade e conveniência, poderá celebrar transação em


quaisquer das modalidades de que trata esta Lei, sempre que, motivadamente, entender que a
medida atende ao interesse público.

§ 4º Aplica-se o disposto nesta Lei:

I - aos créditos tributários sob a administração da Secretaria Especial da Receita Federal do


Brasil do Ministério da Economia; (Redação dada pela Lei nº 14.375, de 2022)

II - à dívida ativa e aos tributos da União, cujas inscrição, cobrança e representação


incumbam à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, nos termos do art. 12 da Lei
Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e

III - no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais, cujas
inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal, e aos créditos
cuja cobrança seja competência da Procuradoria-Geral da União, nos termos de ato do
Advogado-Geral da União e sem prejuízo do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997

III – no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais cujas
inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal ou à
Procuradoria-Geral do Banco Central e aos créditos cuja cobrança seja competência da
Procuradoria-Geral da União, nos termos de ato do Advogado-Geral da União e sem prejuízo
do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997. (Redação dada pela Lei nº 14.689, de
2023)

Modalidades de transação (art. 2º)

a) por proposta individual: situações em que o contribuinte e a administração tributária


negociam diretamente termos específicos da transação, considerando as
particularidades do caso.
b) por adesão: o contribuinte aceita os termos de uma proposta previamente definida pela
administração tributária, sem a possibilidade de modificá-la. É uma forma mais
padronizada, onde as condições já estão estabelecidas e o contribuinte apenas decide
se quer ou não aderir.
c) por adesão nos demais casos de contencioso judicial ou administrativo tributário:
contribuintes que estão em disputa judicial ou administrativa possam aderir a um
acordo estabelecido pela administração tributária.

7
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

d) por adesão, no contencioso tributário de pequeno valor: se aplica especificamente a


disputas fiscais de pequeno valor, que geralmente envolvem um montante reduzido
em questão. A ideia é simplificar o processo de negociação e resolução, incentivando
a regularização tributária e reduzindo o ônus tanto para o contribuinte quanto para a
administração pública.

Remissão

Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho
fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:

I - à situação econômica do sujeito passivo;

II - ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato;

III - à diminuta importância do crédito tributário;

IV - a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou


materiais do caso;

V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante.

Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155.

Conceito: é o perdão da dívida tributária mediante o ato lícito do pagamento do tributo. No


caso da remissão, há o desaparecimento do direito subjetivo e correlato dever jurídico.

A remissão é hipótese de extinção do crédito, ou seja, o crédito já nasceu e está sendo


discutido; a anistia, por sua vez, é hipótese de exclusão do crédito, ou seja, o crédito ainda
não nasceu e, por alguma circunstância, ele é impedido de nascer.

Conversão do depósito em renda

Conceito: é uma modalidade de extinção que transforma um depósito judicial ou


administrativo em renda, quando a decisão é contrária ao depositante.

Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: II - o depósito do seu montante


integral;

No processo judicial, só é convertido em renda o depósito após o trânsito em julgado da


decisão favorável ao Fisco

No processo administrativo, só será convertido em renda o depósito após o julgamento


final, favorável ao Fisco, se o sujeito passivo não recorrer ao judiciário

8
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Pagamento antecipado e homologação de pagamento

Conceito: pagamento antecipado e homologado dos tributos sujeitos a lançamento por


homologação (expressa ou tácita) nos termos do art. 150, §4º.

Ex. impostos apurados por estimativa com posterior homologação do lançamento,


extinguindo o crédito.

Consignação em pagamento

Quando houver dúvida sobre quem deve receber o pagamento ou sobre o valor correto do
tributo, o contribuinte pode realizar um depósito judicial (consignação), que, sendo aceito,
extingue o crédito9.

Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito
passivo, nos casos:

I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de


penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;

II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem


fundamento legal;

III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico
sobre um mesmo fato gerador.

§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar.

§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância


consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em
parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis.

Decisão administrativa irreformável

É a decisão que reconhece a inexistência do crédito tributário exigido, aquela que reconhece a
procedência do pedido do sujeito passivo.

Decisão judicial passada em julgado

A coisa julgada, quando favorável ao sujeito passivo, extingue o crédito tributário em


qualquer tipo de ação.

CPC, Art. 502. Denomina-se coisa julgada10 material a autoridade que torna imutável e
indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.

9
A.I.: a conversão de depósito em renda é uma forma de pagamento após decisão judicial sobre uma dívida
tributária, enquanto a consignação em pagamento é um método para efetuar o pagamento quando o credor não
aceita o pagamento.
10
De acordo com o art. 5º, XXXVI, CF, coisa julgada tem efeito absoluto.

9
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Dação em pagamento de bens imóveis

Entrega de bens do sujeito passivo para a quitação de débitos tributários a partir de lei
autorizadora.

Considerando que o pagamento sempre será em dinheiro, faz-se avaliação do bem para fins
de imputação na dívida do contribuinte.

Decadência e Prescrição

Decadência

“A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo
seu não-exercício durante certo lapso de tempo. Para que as relações jurídicas não
permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula certo período a fim de que os
titulares de direitos subjetivos realizem os atos necessários à sua preservação, e perante a
inércia manifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência do direito,
decretando-lhe a extinção. Só se observa o efeito extintivo da obrigação tributária, porém
quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação
tributária. (...) A fazenda dispõe de cinco anos para efetuar o ato jurídico administrativo de
lançamento. Não o praticando, nesse período, decai o direito de celebrá-lo” (Paulo de Barros
Carvalho – Curso de Direito Tributário ...)

Conceito para Regina Helena: extinção de um direito material pelo seu não exercício
durante determinado lapso temporal, fixado em lei. Portanto, pressupõe a inércia do titular do
direito em exercê-lo.

Prazo decadencial em lançamentos de ofício e misto

Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5
(cinco) anos, contados:

I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado;

II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o
lançamento anteriormente efetuado.

Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o
decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do
crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória
indispensável ao lançamento.

Obs. Em caso de lançamento por homologação, o prazo também será de 5 anos contados da
ocorrência do fato gerador, caso a lei não fixar prazo para homologação.

10
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Prescrição

Conceito: instituto associado à ideia de perda do direito de ação ante o seu não exercício, por
certo período de tempo.

Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados
da data da sua constituição definitiva.

Parágrafo único. A prescrição se interrompe:

I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp
nº 118, de 2005)

II - pelo protesto judicial ou extrajudicial; (Redação dada pela Lei Complementar nº 208,
de 2024)

III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;

IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do
débito pelo devedor.

Essa ação de cobrança deve ser ajuizada pela Fazenda Pública, em até 5 anos da adequada
notificação do sujeito passivo acerca do pagamento do tributo.

A contagem do prazo tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito,
expressão que o legislador utiliza para referir-se ao ato de lançamento regularmente
comunicado ao devedor

Diferença entre prescrição e decadência

A decadência consiste em um prazo legal extintivo do direito, pelo seu simples decurso e
fixado quando a norma deu nascimento a esse direito. Portanto, o direito nasce com prazo
fixado para ser gozado; se tal não acontece, ele se exaure, automaticamente, no seu termo
final. Decadência é prazo extintivo de direito subjetivo em razão da inércia de seu titular em
exercê-lo no tempo assinalado, é a perda do direito do Fisco de constituir o crédito tributário.

Enquanto isso, a prescrição é a perda do direito do Fisco de cobrar judicialmente o crédito


tributário.

A jurisprudência e a doutrina têm reconhecido que tanto a prescrição quanto a decadência são
institutos de direito material, pois fulminam o direito de lançar ou de receber crédito
tributário por força da inércia, importando a extinção de um direito. Não por não por outra
razão, as duas figuras são colocadas, pelo Código Tributário Nacional, entre as formas de
extinção do crédito tributário, visto que a decadência extingue o direito de constituir o crédito
tributário (ato em potência) e a prescrição, o próprio crédito tributário (ato confirmado).

Norma individual e concreta do contribuinte: Situações possíveis

11
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

a. Contribuinte transmitiu a declaração, mas não efetuou o pagamento: Abre-se o


prazo prescricional para a administração, porque o crédito já foi constituído pelo
contribuinte, não havendo de se falar em decadência;
b. Contribuinte transmitiu a declaração, mas recolheu a menor: Abre-se também o
prazo prescricional para a administração cobrar apenas a diferença;
c. Contribuinte não transmitiu a declaração: Não houve a constituição do crédito
tributário. A administração deverá efetuar o lançamento, sujeitando-se ao prazo
decadencial (art. 173, do CTN).

GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

Garantias: instrumentos assecuratórios do direito do Estado de exigir tributos;

Privilégios: posição de superioridade do crédito tributário. Obediência ao princípio da


supremacia do interesse público sobre o particular.

O rol das garantias do crédito tributário tem caráter extensivo, sendo disposto no Art. 183:

Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não
exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das
características do tributo a que se refiram.

Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza
deste nem a da obrigação tributária a que corresponda.

Portanto, o preceito deixa patente a importância do princípio da legalidade tributária, além de


ressaltar que o rol estatuído pelo CTN não é obstativo de outras tantas que a lei institua de
modo expresso.

12
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Posição favorecida do crédito tributário

Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sôbre determinados bens, que sejam
previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das
rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida,
inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade,
seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e
rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis11.

Conceito: é a posição favorecida de que desfruta o crédito tributário em relação a créditos de


outra natureza, pois que o patrimônio total do sujeito passivo, incluindo-se aqueles gravados
por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, respondem pelos créditos
tributários.

Fraude contra credores e à execução

Fraude contra credores (arts. 158 a 165 do CC): transmissão gratuita de bens, remissão de
dívidas ou celebração de contratos onerosos;

Fraude à execução (art. 792, CPC): é mais grave do que a fraude contra credores, pois
envolve a ofenda à função jurisdicional, além da fraude contra o credor

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu


começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário
regularmente inscrito como dívida ativa.(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados,
pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. (Redação dada
pela Lcp nº 118, de 2005)

Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem
apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz
determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão,
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de
transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas
atribuições, façam cumprir a ordem judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível,
devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores
que excederem esse limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo
enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja
indisponibilidade houverem promovido. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

11
O Fisco pode requerer a penhora de bens do devedor durante o processo de execução fiscal para garantir a
satisfação do crédito

13
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Preferência ou privilégio

Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo
de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do
acidente de trabalho. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)

Parágrafo único. Na falência: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

I – o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias passíveis


de restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite
do valor do bem gravado; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da
legislação do trabalho; e (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados. (Incluído pela Lcp nº 118,
de 2005)

isto é, o crédito tributário tem prioridade sobre quaisquer outros créditos, inclusive
trabalhistas e de garantia real, exceto em relação a créditos decorrentes de acidentes de
trabalho. Essa prioridade aplica-se tanto na execução fiscal quanto na falência ou insolvência
do devedor.

A.I.:

O privilégio geral do crédito tributário, conforme disposto no artigo 186 do Código Tributário
Nacional (CTN), estabelece que os créditos tributários têm preferência sobre qualquer outro
tipo de crédito, independentemente de sua natureza ou do tempo de sua constituição. Isso
significa que, em situações de insolvência ou falência do devedor, o Fisco deve ser pago antes
dos demais credores, exceto aqueles com garantias específicas, como os créditos decorrentes
da legislação trabalhista ou de acidente de trabalho, que têm prioridade em relação ao crédito
tributário.

No parágrafo único do artigo, também são feitas algumas especificações em caso de falência:
o crédito tributário não tem preferência sobre créditos extraconcursais, que surgem após a
decretação da falência, e sobre quantias que podem ser restituídas nos termos da lei
falimentar.

Além disso, o crédito tributário não prefere créditos garantidos por bens, mas apenas até o
limite do valor do bem que está gravado. As multas tributárias, por sua vez, têm preferência
apenas sobre créditos subordinados, ou seja, aqueles que estão em uma posição inferior na
ordem de pagamento.

Não subordinação à Concordata e Recuperação Judicial

Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) (Vide ADPF 357)

14
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

Parágrafo único. O concurso de preferência sòmente se verifica entre pessoas jurídicas


de direito público, na seguinte ordem: (Vide ADPF 357)

I - União; (Vide ADPF 357)

II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata; (Vide ADPF


357)

III - Municípios, conjuntamente e pró rata.

A.I.

O artigo 187 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o crédito tributário não se
subordina aos processos de concordata e recuperação judicial do devedor, devendo ser pago
integralmente, independentemente dos termos acordados entre outros credores.

Essa disposição visa garantir que a arrecadação tributária não seja afetada por negociações
envolvendo dívidas privadas. Além disso, o crédito tributário não está sujeito à habilitação
nos juízos universais, o que significa que não precisa passar por um processo de
reconhecimento no contexto da recuperação judicial.

Isso simplifica o tratamento do crédito tributário e assegura à Fazenda Pública o direito de


executá-lo por meio de uma ação própria, conhecida como Execução Fiscal, conforme a Lei
6.830/80. Dessa forma, a Fazenda pode cobrar a dívida tributária diretamente, sem depender
do resultado da recuperação judicial ou da concordata do devedor.

Ex: João, proprietário de uma pequena empresa de móveis, entra com um pedido de
recuperação judicial para reorganizar suas dívidas com credores, como fornecedores e
bancos. No entanto, ele também deve impostos ao governo, que, segundo o artigo 187 do
Código Tributário Nacional, devem ser pagos integralmente, independentemente de acordos
com outros credores. Se João não pagar esses impostos, a Fazenda Pública pode cobrar a
dívida diretamente por meio de uma ação de Execução Fiscal. Assim, o artigo 187 assegura
que os tributos têm prioridade sobre outras dívidas, protegendo a arrecadação pública.

A crítica ao "concurso de preferência" em relação ao artigo 187 do Código Tributário


Nacional refere-se à preocupação de que a imposição de uma hierarquia entre os créditos
tributários de diferentes entes federativos, como União, Estados e Municípios, possa ferir os
princípios federativo e da autonomia municipal.

O princípio federativo diz respeito à divisão de competências e responsabilidades entre os


níveis de governo, assegurando que cada ente tenha a capacidade de arrecadar tributos e
gerenciar suas finanças de forma independente.

A autonomia municipal, por sua vez, garante que os municípios possam instituir seus
próprios tributos e gerir suas receitas, permitindo que as políticas públicas atendam às
necessidades locais.

15
D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário

A crítica surge quando se argumenta que a aplicação do artigo 187 e a prioridade do crédito
tributário da União, por exemplo, podem prejudicar os municípios, uma vez que a
arrecadação da União poderia ter preferência sobre os tributos devidos a esses entes locais.

Essa situação é vista como uma ofensa aos princípios de autonomia municipal e federativa,
pois poderia comprometer a capacidade financeira dos municípios de manter serviços
essenciais.

Assim, a crítica ao concurso de preferência destaca a necessidade de um equilíbrio que


respeite a autonomia de cada ente federativo, assegurando que todos possam arrecadar e
utilizar os recursos necessários para cumprir suas funções, sem que um nível de governo
prejudique o outro.

Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 357

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a preferência da União em


relação a estados, municípios e Distrito Federal na cobrança judicial de créditos da
dívida ativa não foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. A maioria do
colegiado seguiu o entendimento da relatora, ministra Cármen Lúcia, que propôs a invalidade
de dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966) e da Lei de Execuções
Fiscais (Lei 6.830/1980), além do cancelamento da Súmula 563, editada pelo Supremo em
1976.

O governo do Distrito Federal, autor da Arguição de Descumprimento de Preceito


Fundamental (ADPF) 357, alegava que as normas impugnadas prejudicavam a recuperação
da dívida ativa e as contas dos governos locais. O concurso de preferência, segundo o
executivo distrital, violava, ainda, o pacto federativo. Por essa razão, requereu a declaração
de sua não recepção pela Constituição atual.

Regime dos créditos tributários na falência

Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos
no curso do processo de falência. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 1º Contestado o crédito tributário, o juiz remeterá as partes ao processo competente,


mandando reservar bens suficientes à extinção total do crédito e seus acrescidos, se a massa
não puder efetuar a garantia da instância por outra forma, ouvido, quanto à natureza e valor
dos bens reservados, o representante da Fazenda Pública interessada.

§ 2º O disposto neste artigo aplica-se aos processos de concordata.

O dispositivo qualifica os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos no


curso do processo da falência como extraconcursais, garantindo-lhes posição preferencial em
relação aos créditos tributários relativos a fatos anteriores à decretação da falência, que se
incluem entre os créditos concursais (v. Lei 11.101/2005 – suprimiu o instituto da concordata)

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Resumo Giovanna:

Arts. 191-193 - Esses artigos destacam a exigência de comprovação de quitação de tributos


em diferentes situações. O art. 191 trata da necessidade de provar o pagamento de todos os
tributos para extinguir as obrigações do falido. O art. 191-A exige a comprovação da quitação
tributária para conceder a recuperação judicial. O art. 192 proíbe sentenças de partilha ou
adjudicação sem a comprovação de quitação dos tributos relacionados aos bens do espólio ou
suas rendas. Já o art. 193 proíbe a administração pública e suas autarquias de celebrarem
contratos ou aceitarem propostas em concorrências públicas sem que o contratante ou
proponente apresente a quitação de todos os tributos devidos à Fazenda Pública, relacionados
à atividade contratada. Tudo leva à garantia e preeminência do crédito tributário: princípio da
supremacia do interesse público ao particular.

Arts. 194/200 – Administração Tributária: Os artigos abordam a regulamentação das


competências e poderes das autoridades administrativas em matéria tributária, incluindo
fiscalização e cooperação entre entidades. O art. 194 define que a legislação tributária
regulará essas competências para pessoas físicas e jurídicas, inclusive aquelas com imunidade
ou isenção. O art. 195 assegura que não há disposições que limitem a inspeção de
mercadorias e documentos tributários. Já o art. 196 exige a documentação do início de
diligências de fiscalização, com prazo para conclusão. O art. 197 impõe a obrigação de
fornecer informações à autoridade administrativa, com exceção de dados protegidos por
sigilo profissional. O art. 198 proíbe a divulgação de informações fiscais sem autorização
legal, exceto em casos de requisição judicial ou administrativa, desde que devidamente
formalizados. O art. 199 prevê assistência mútua entre entes federativos para fiscalização e
troca de informações, inclusive com entidades estrangeiras, enquanto o art. 200 autoriza o uso
da força pública para garantir a execução de medidas tributárias.

Arts. 201/204 – Dívida tributária: Os artigos abordam a dívida ativa tributária e seus
procedimentos de inscrição e cobrança. O art. 201 define a dívida ativa como o crédito
tributário inscrito na repartição administrativa competente após o vencimento do prazo legal
para pagamento, sem que os juros de mora afetem sua liquidez. O art. 202 exige que o termo
de inscrição inclua informações detalhadas, como o nome do devedor, quantia devida, origem
do crédito, data de inscrição e número do processo administrativo, quando houver. O art. 203
estabelece que a falta ou erro em algum desses requisitos torna a inscrição nula, podendo ser
corrigida até a decisão de primeira instância, com nova defesa permitida ao devedor. O art.
204 confere à dívida ativa inscrita presunção de certeza e liquidez, funcionando como prova
pré-constituída, embora essa presunção possa ser contestada por prova inequívoca.

Arts. 205/210 - Certidões negativas: Os artigos tratam das certidões de quitação de tributos e
prazos relacionados. O art. 205 permite que a lei exija uma certidão negativa como prova de
quitação de tributo, expedida mediante requerimento com informações detalhadas, e
estabelece um prazo de 10 dias para sua emissão. O art. 206 atribui os mesmos efeitos da
certidão negativa à certidão positiva com efeitos de negativa, quando há créditos não
vencidos, penhora efetivada ou suspensão de exigibilidade. O art. 207 dispensa a prova de
quitação tributária em casos necessários para evitar a caducidade de direitos, mas os

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envolvidos são responsáveis por eventuais tributos devidos, exceto por infrações pessoais. O
art. 208 responsabiliza pessoalmente o funcionário que expedir certidão negativa com dolo ou
erro contra a Fazenda Pública, incluindo juros e responsabilidade criminal. O art. 209
esclarece que o termo "Fazenda Pública" refere-se às esferas federal, estadual, distrital e
municipal. Por fim, o art. 210 define que os prazos são contínuos, excluindo o dia de início e
incluindo o de vencimento.

MAPA MENTAL

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