Incidência e Crédito Tributário Explicados
Incidência e Crédito Tributário Explicados
Obrigação Tributária
Obrigação é um termo de natureza civil, que remonta à ideia de uma relação de deveres entre
dois ou mais sujeitos. A doutrina civilista, por meio de seus vários mestres, conceitua a
obrigação como sendo “o vínculo jurídico entre duas partes, em virtude do qual uma delas
fica adstrita a satisfazer uma prestação patrimonial de interesse da outra, que pode exigi-la, se
não for cumprida espontaneamente, mediante agressão ao patrimônio do devedor”
É sinônimo da relação jurídica de índole economicamente apreciável, pode ser definida como
o vínculo abstrato que surge pela imputação normativa e, mediante o qual, uma pessoa,
chamada sujeito ativo - credor - tem o direito subjetivo de exigir do sujeito passivo o
cumprimento de prestação de cunho patrimonial ou não patrimonial.
Crédito Tributário
Conceito: vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito
ativo), pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo) o pagamento
do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)1. Crédito tributário é,
portanto, a própria obrigação tributária tornada líquida e certa e, consequentemente, exigível
como decorrência do lançamento.
Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.2
Conceito de fato jurídico: fato constituído em linguagem reputada competente pelo direito
positivo, capaz de produzir efeitos jurídicos.
Lançamento
Obs. não sendo satisfeito o crédito tributário pelo sujeito passivo, o Fisco procederá à
inscrição do crédito na Dívida Ativa, que nada mais é do que um banco de dados dos
devedores e, a partir de então, poderá promover uma execução fiscal contra o
contribuinte inadimplente ou o responsável tributário.
Não se deve confundir inscrição em dívida ativa com lançamento, visto que, para se proceder
à inscrição do crédito, o lançamento tem que estar consumado, ou seja, aquele ocorre em
momento posterior a este.
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São competentes para constituir o crédito tributário: autoridade administrativa e particular.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário
Norma veículo-introdutor que tem como finalidade introduzir uma norma individual
concreta, formalizando o crédito tributário
Além de ser o instrumento próprio para inserir regra no sistema, o veículo introdutor é
relevante para montar a hierarquia do sistema.
Além da norma que estipula a forma pela qual as disposições ingressam no sistema jurídico,
tem-se a norma que prescreve os contornos materiais do fato jurídico constituído (norma
introduzida)
Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos
seguintes casos
Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro,
quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa
informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação.
Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação
atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade
administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da
atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.
Exemplo: eu pago meu imposto de renda por autolançamento e a Administração tem até 5
anos para homologar a declaração de imposto de renda.
Súmula 436/STJ:
A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. (SÚMULA 436,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 13/05/2010)
Se é por meio do lançamento que se constitui o crédito tributário, então nada mais é do que a
aplicação da norma no mundo concreto, é a linguagem competente para demonstrar o crédito
tributário.
§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob
condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.
Ou seja,
a) o pagamento antecipado extingue o crédito tributário
b) a não homologação do pagamento antecipado desfaz os efeitos do ato, ou seja, a
extinção do crédito será desfeita
c) a condição do crédito tributário é resolutória, ou seja, depende da homologação da
Administração Pública.
d) neste período de 5 anos, a Administração pode cobrar uma diferença ou requerer
esclarecimentos.
Atuação do particular
O contribuinte também pode realizar o lançamento por arbitramento, de maneira indireta, mas
a Administração ainda tem o poder de homologar ou não os valores apresentados.
Alterabilidade do lançamento
Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em
virtude de:
I - impugnação do sujeito passivo;
II - recurso de ofício;
III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.
Ações fiscais não podem ser promovidas diante dos seguintes casos:
1. moratória: prorrogação de prazo de vencimento, o que não se confunde com a
novação do direito civil, pois no direito tributário o pagamento ainda tem que ser
realizado.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário
Moratória:
Art. 152. A moratória somente pode ser concedida:
I - em caráter geral:
a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se
refira;
b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou
dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência
federal e às obrigações de direito privado;
II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada
por lei nas condições do inciso anterior.
Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua
aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a
expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos.
Comentários acerca do 152, I, b: O artigo é constitucional e a União pode sim fazer isso.
Em uma situação de crise, o princípio da indelegabilidade tributária pode ser desconsiderado,
de tal modo que a supremacia do interesse público poderia passar por cima. Em situações de
crise, é necessário sopesar princípios.
A lei que concede a moratória ou parcelamento, em caráter geral, pode autorizar que
todos possam fazer isso ou é necessário a demonstração de quem pode fazer isso?
Seguro garantia não é a mesma coisa que depósito, pois ele e a fiança bancária são
modalidades que precisam de uma cautelar para suspender a exigibilidade.
Reclamações e recursos administrativos
Se sair do processo administrativo e for para a esfera judicial, se está desistindo do
procedimento administrativo (renúncia).
Se o objeto do processo é diferente mas discute o mesmo crédito, não ocorre renúncia.
● liminar em mandado de segurança4
● liminar ou tutela antecipada (pode ser preparatória ou incidental) em outros tipos de
ação (que não o mandado de segurança)
Se a exigibilidade está suspensa, não pode realizar a cobrança do crédito. Ou seja, não
pode promover execução fiscal se o processo está em repercussão geral.
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O mandado de segurança é um instrumento jurídico que visa proteger direitos líquidos e certos de pessoas
físicas ou jurídicas que tenham sido violados por autoridades públicas ou agentes de pessoas jurídicas.
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário
(AC 1810 QO, Relator(a): CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 16-10-2007,
DJe-134 DIVULG 30-10-2007 PUBLIC 31-10-2007 DJ 31-10-2007 PP-00093 EMENT
VOL-02296-01 PP-00045)
Súmula 634: não compete ao STF conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a
recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem.
Na execução fiscal, pode ser substituído o valor depositado por bens dados em garantia,
fazendo seu capital de giro voltar a circular para si.
O Supremo entende que a lista é taxativa, mas não inclui o seguro-garantia e fiança, por isso
gerou discussões.
● antecipação
● cautelar
● satisfativa
● cautelar-satisfativa
○ precisa ser contra a mesma fazenda pública (federal com federal, municipal
com municipal)
● Transação - art 171 CTN - acordo autorizado por lei, no qual as procuradorias fazem
com os contribuintes para acordar novas condições para o pagamento do tributo, que
podem envolver outros institutos do direito tributário, como a moratória.
○ também somente mediante lei
○ não é uma novação, só altera a forma de pagamento
○ Lei 13.988 de 2020
■ Transação pode ser feita de modo individual (somente para voce) ou
por adesão (quando a procuradoria lança aqueles programas para as
pessoas aderir e pagar de forma diferente, ai é para varias pessoas)
■ Transação serve como um acordo, se ele não é cumprido é extinto
■ ela é vedada em algumas hipóteses (esta na lei perdi o artigo)
● Remissão - Art 172 - perdão da dívida tributária (ato lícito)
○ Anistia é quando tem o perdão do ato ilícito
○ no Rio Grande do Sul teve remissão por conta da tragédia
○ Pode ter remissão só do crédito ou só da penalidade, assim como de ambas
● Conversão do depósito em renda - art 151 II - convertido em renda após transito em
julgado (perdi um pouco a explicação)
● Pagamento antecipado e a homologação - art 150 paragrafo 4 - geralmente é tácita,
tem a decadencia do direito do fisco de contestar aquele crédito
● Consignação em pagamento - art 164 paragrafo 2 - voce tem duvidas conto a um
crédito e voce pode depositar judicialmente no caso de recusa de pagamento ou
subordinação ou … os outros incisos.
○ duvida do sujeito ativo do tributo que voce precisa pagar ou se ele se recusa a
receber, pode recorrer judicialmente, chamando os sujeitos ativos e
depositando o valor para que eles discutam
○ se são duas dividas e uma é maior, precisa depositar a de maior valor
● Decisão administrativa irreformavel - inc IX - no âmbito administrativo decisão que
reconhece inexistencia do credito tributário exigido (favoravel ao contribuinte)
○ nao pode ser caso de decisão judicial (ela é irreformavel) pois é nessa esfera
que é competente, a adm publica falou que a adm publica ta errada, a adm
publica vai recorrer de si mesma? não, então é irreformavel
● Decisão judicial passada em julgado - coisa julgada extingue o crédito tributpario em
qualquer tipo de ação.
● Doação em pagamento em bens imóveis - pode quitar divida com bens imóveis
(dação em pagamento)
● Decadencia e prescrição -
○ decadencia - art 173 - fato juridico que faz perecer um direito pelo seu não
exercício, é extinção do direito ativo de constituir aquele crédito
■ fazenda tem 5 anos para efetuar o lançamento, depois nao pode mais
■ começa a contar no primeiro dia do exercicio seguinte que o
lançamento poderia ter sido efetuado; ou
Resumo D. Tributário - Incidência e Crédito Tributário
Isenção
A isenção deve ser prevista em lei específica (previsão infraconstitucional), mesmo quando
prevista em contrato.
A lei isentiva especifica as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a
que se aplica, bem como, se for o caso, o prazo de sua duração.
Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que
especifique as condições e requisitos exigidos para sua concessão, os tributos a que se aplica
e, sendo o caso, o prazo para sua duração.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade
tributante, em função de condições a ela peculiares.
Súmula 544, STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser
livremente suprimidas.
Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo5 e em função de determinadas
condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto
no inciso III, do art. 1046.
Ou seja, quando a isenção for concedida por prazo determinado, a sua revogação é vedada,
enquanto quando concedida por prazo indeterminado, ela pode ser revogada ou modificada
por lei de acordo com o acima.
Tipos de isenção
b) Temporária ou permanente: pode ser limitada por um período ou durar enquanto a lei
estiver em vigor
c) Uma vez posta, na lei da pessoa competência para tributar, a norma de isenção atuará
na norma de tributação, reduzindo-lhe o campo de incidência → Misabel Derzi
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por
despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova
do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou
contrato para sua concessão.
§1º Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste
artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os
seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de
promover a continuidade do reconhecimento da isenção.
§2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível,
o disposto no art. 155.
Anistia
I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem
essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por
terceiro em benefício daquele;
I - em caráter geral;
II - limitadamente:
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Perdão da dívida tributária, do tributo
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou
cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.
Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso,
por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça
prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para
sua concessão.
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,
aplicando-se, quando cabível, o disposto no art. 155.
Tipos de Anistia
Anistia Fiscal: perdão da falta cometida pelo infrator de deveres tributários. Perdão da
penalidade imposta por ter infringido mandamento legal.
I. o pagamento
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
II. a compensação
III. a transação
IV. a remissão
V. a prescrição e a decadência
Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre
a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos
144 e 149.
Pagamento
De acordo com o artigo 3º do CTN, o pagamento deve ser feito em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir; cheque ou vale postal ou em estampilhas, papel selado ou por processo
mecânico.
Se a lei não dispuser de forma diversa, o pagamento deverá ser efetuado em 30 dias a partir
da notificação de ciência do sujeito passivo.
Se não pago no vencimento, será acrescido de juros de mora, sem prejuízo de penalidades
cabíveis.
Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco)
anos, contados:
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
I - nas hipótese dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;
(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005)
II - na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão
administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado,
revogado ou rescindido a decisão condenatória.
Compensação
Ocorre quando o contribuinte tem um crédito junto ao fisco que pode ser utilizado para abater
o valor do tributo devido.
Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou suja estipulação em
cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários
com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda
Pública.
Súmula 212, STJ: a compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação
cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória.
Súmula 213, STJ: o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do
direito à compensação tributária
Transação
Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da
obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em
determinação de litígio e consequente extinção de crédito tributário.
Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada
caso.
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Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações
extinguem-se, até onde se compensarem.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Lei nº 13.988/2020
Art. 1 º Esta Lei estabelece os requisitos e as condições para que a União, as suas autarquias e
fundações, e os devedores ou as partes adversas realizem transação resolutiva de litígio
relativo à cobrança de créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária.
III - no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais, cujas
inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal, e aos créditos
cuja cobrança seja competência da Procuradoria-Geral da União, nos termos de ato do
Advogado-Geral da União e sem prejuízo do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997
III – no que couber, à dívida ativa das autarquias e das fundações públicas federais cujas
inscrição, cobrança e representação incumbam à Procuradoria-Geral Federal ou à
Procuradoria-Geral do Banco Central e aos créditos cuja cobrança seja competência da
Procuradoria-Geral da União, nos termos de ato do Advogado-Geral da União e sem prejuízo
do disposto na Lei nº 9.469, de 10 de julho de 1997. (Redação dada pela Lei nº 14.689, de
2023)
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Remissão
Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho
fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido,
aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Consignação em pagamento
Quando houver dúvida sobre quem deve receber o pagamento ou sobre o valor correto do
tributo, o contribuinte pode realizar um depósito judicial (consignação), que, sendo aceito,
extingue o crédito9.
Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito
passivo, nos casos:
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico
sobre um mesmo fato gerador.
É a decisão que reconhece a inexistência do crédito tributário exigido, aquela que reconhece a
procedência do pedido do sujeito passivo.
CPC, Art. 502. Denomina-se coisa julgada10 material a autoridade que torna imutável e
indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.
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A.I.: a conversão de depósito em renda é uma forma de pagamento após decisão judicial sobre uma dívida
tributária, enquanto a consignação em pagamento é um método para efetuar o pagamento quando o credor não
aceita o pagamento.
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De acordo com o art. 5º, XXXVI, CF, coisa julgada tem efeito absoluto.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Entrega de bens do sujeito passivo para a quitação de débitos tributários a partir de lei
autorizadora.
Considerando que o pagamento sempre será em dinheiro, faz-se avaliação do bem para fins
de imputação na dívida do contribuinte.
Decadência e Prescrição
Decadência
“A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo
seu não-exercício durante certo lapso de tempo. Para que as relações jurídicas não
permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula certo período a fim de que os
titulares de direitos subjetivos realizem os atos necessários à sua preservação, e perante a
inércia manifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência do direito,
decretando-lhe a extinção. Só se observa o efeito extintivo da obrigação tributária, porém
quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação da obrigação
tributária. (...) A fazenda dispõe de cinco anos para efetuar o ato jurídico administrativo de
lançamento. Não o praticando, nesse período, decai o direito de celebrá-lo” (Paulo de Barros
Carvalho – Curso de Direito Tributário ...)
Conceito para Regina Helena: extinção de um direito material pelo seu não exercício
durante determinado lapso temporal, fixado em lei. Portanto, pressupõe a inércia do titular do
direito em exercê-lo.
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5
(cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado;
II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o
lançamento anteriormente efetuado.
Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o
decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do
crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória
indispensável ao lançamento.
Obs. Em caso de lançamento por homologação, o prazo também será de 5 anos contados da
ocorrência do fato gerador, caso a lei não fixar prazo para homologação.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Prescrição
Conceito: instituto associado à ideia de perda do direito de ação ante o seu não exercício, por
certo período de tempo.
Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados
da data da sua constituição definitiva.
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp
nº 118, de 2005)
II - pelo protesto judicial ou extrajudicial; (Redação dada pela Lei Complementar nº 208,
de 2024)
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do
débito pelo devedor.
Essa ação de cobrança deve ser ajuizada pela Fazenda Pública, em até 5 anos da adequada
notificação do sujeito passivo acerca do pagamento do tributo.
A contagem do prazo tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito,
expressão que o legislador utiliza para referir-se ao ato de lançamento regularmente
comunicado ao devedor
A decadência consiste em um prazo legal extintivo do direito, pelo seu simples decurso e
fixado quando a norma deu nascimento a esse direito. Portanto, o direito nasce com prazo
fixado para ser gozado; se tal não acontece, ele se exaure, automaticamente, no seu termo
final. Decadência é prazo extintivo de direito subjetivo em razão da inércia de seu titular em
exercê-lo no tempo assinalado, é a perda do direito do Fisco de constituir o crédito tributário.
A jurisprudência e a doutrina têm reconhecido que tanto a prescrição quanto a decadência são
institutos de direito material, pois fulminam o direito de lançar ou de receber crédito
tributário por força da inércia, importando a extinção de um direito. Não por não por outra
razão, as duas figuras são colocadas, pelo Código Tributário Nacional, entre as formas de
extinção do crédito tributário, visto que a decadência extingue o direito de constituir o crédito
tributário (ato em potência) e a prescrição, o próprio crédito tributário (ato confirmado).
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
O rol das garantias do crédito tributário tem caráter extensivo, sendo disposto no Art. 183:
Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não
exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das
características do tributo a que se refiram.
Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza
deste nem a da obrigação tributária a que corresponda.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sôbre determinados bens, que sejam
previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das
rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida,
inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade,
seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e
rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis11.
Fraude contra credores (arts. 158 a 165 do CC): transmissão gratuita de bens, remissão de
dívidas ou celebração de contratos onerosos;
Fraude à execução (art. 792, CPC): é mais grave do que a fraude contra credores, pois
envolve a ofenda à função jurisdicional, além da fraude contra o credor
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados,
pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita. (Redação dada
pela Lcp nº 118, de 2005)
Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem
apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz
determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão,
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de
transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas
atribuições, façam cumprir a ordem judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível,
devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores
que excederem esse limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
§ 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo
enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja
indisponibilidade houverem promovido. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
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O Fisco pode requerer a penhora de bens do devedor durante o processo de execução fiscal para garantir a
satisfação do crédito
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Preferência ou privilégio
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo
de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do
acidente de trabalho. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da
legislação do trabalho; e (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados. (Incluído pela Lcp nº 118,
de 2005)
isto é, o crédito tributário tem prioridade sobre quaisquer outros créditos, inclusive
trabalhistas e de garantia real, exceto em relação a créditos decorrentes de acidentes de
trabalho. Essa prioridade aplica-se tanto na execução fiscal quanto na falência ou insolvência
do devedor.
A.I.:
O privilégio geral do crédito tributário, conforme disposto no artigo 186 do Código Tributário
Nacional (CTN), estabelece que os créditos tributários têm preferência sobre qualquer outro
tipo de crédito, independentemente de sua natureza ou do tempo de sua constituição. Isso
significa que, em situações de insolvência ou falência do devedor, o Fisco deve ser pago antes
dos demais credores, exceto aqueles com garantias específicas, como os créditos decorrentes
da legislação trabalhista ou de acidente de trabalho, que têm prioridade em relação ao crédito
tributário.
No parágrafo único do artigo, também são feitas algumas especificações em caso de falência:
o crédito tributário não tem preferência sobre créditos extraconcursais, que surgem após a
decretação da falência, e sobre quantias que podem ser restituídas nos termos da lei
falimentar.
Além disso, o crédito tributário não prefere créditos garantidos por bens, mas apenas até o
limite do valor do bem que está gravado. As multas tributárias, por sua vez, têm preferência
apenas sobre créditos subordinados, ou seja, aqueles que estão em uma posição inferior na
ordem de pagamento.
Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) (Vide ADPF 357)
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
A.I.
O artigo 187 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o crédito tributário não se
subordina aos processos de concordata e recuperação judicial do devedor, devendo ser pago
integralmente, independentemente dos termos acordados entre outros credores.
Essa disposição visa garantir que a arrecadação tributária não seja afetada por negociações
envolvendo dívidas privadas. Além disso, o crédito tributário não está sujeito à habilitação
nos juízos universais, o que significa que não precisa passar por um processo de
reconhecimento no contexto da recuperação judicial.
Ex: João, proprietário de uma pequena empresa de móveis, entra com um pedido de
recuperação judicial para reorganizar suas dívidas com credores, como fornecedores e
bancos. No entanto, ele também deve impostos ao governo, que, segundo o artigo 187 do
Código Tributário Nacional, devem ser pagos integralmente, independentemente de acordos
com outros credores. Se João não pagar esses impostos, a Fazenda Pública pode cobrar a
dívida diretamente por meio de uma ação de Execução Fiscal. Assim, o artigo 187 assegura
que os tributos têm prioridade sobre outras dívidas, protegendo a arrecadação pública.
A autonomia municipal, por sua vez, garante que os municípios possam instituir seus
próprios tributos e gerir suas receitas, permitindo que as políticas públicas atendam às
necessidades locais.
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
A crítica surge quando se argumenta que a aplicação do artigo 187 e a prioridade do crédito
tributário da União, por exemplo, podem prejudicar os municípios, uma vez que a
arrecadação da União poderia ter preferência sobre os tributos devidos a esses entes locais.
Essa situação é vista como uma ofensa aos princípios de autonomia municipal e federativa,
pois poderia comprometer a capacidade financeira dos municípios de manter serviços
essenciais.
Art. 188. São extraconcursais os créditos tributários decorrentes de fatos geradores ocorridos
no curso do processo de falência. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
Resumo Giovanna:
Arts. 201/204 – Dívida tributária: Os artigos abordam a dívida ativa tributária e seus
procedimentos de inscrição e cobrança. O art. 201 define a dívida ativa como o crédito
tributário inscrito na repartição administrativa competente após o vencimento do prazo legal
para pagamento, sem que os juros de mora afetem sua liquidez. O art. 202 exige que o termo
de inscrição inclua informações detalhadas, como o nome do devedor, quantia devida, origem
do crédito, data de inscrição e número do processo administrativo, quando houver. O art. 203
estabelece que a falta ou erro em algum desses requisitos torna a inscrição nula, podendo ser
corrigida até a decisão de primeira instância, com nova defesa permitida ao devedor. O art.
204 confere à dívida ativa inscrita presunção de certeza e liquidez, funcionando como prova
pré-constituída, embora essa presunção possa ser contestada por prova inequívoca.
Arts. 205/210 - Certidões negativas: Os artigos tratam das certidões de quitação de tributos e
prazos relacionados. O art. 205 permite que a lei exija uma certidão negativa como prova de
quitação de tributo, expedida mediante requerimento com informações detalhadas, e
estabelece um prazo de 10 dias para sua emissão. O art. 206 atribui os mesmos efeitos da
certidão negativa à certidão positiva com efeitos de negativa, quando há créditos não
vencidos, penhora efetivada ou suspensão de exigibilidade. O art. 207 dispensa a prova de
quitação tributária em casos necessários para evitar a caducidade de direitos, mas os
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D. Tributário - Extinção e Exclusão do Crédito Tributário
envolvidos são responsáveis por eventuais tributos devidos, exceto por infrações pessoais. O
art. 208 responsabiliza pessoalmente o funcionário que expedir certidão negativa com dolo ou
erro contra a Fazenda Pública, incluindo juros e responsabilidade criminal. O art. 209
esclarece que o termo "Fazenda Pública" refere-se às esferas federal, estadual, distrital e
municipal. Por fim, o art. 210 define que os prazos são contínuos, excluindo o dia de início e
incluindo o de vencimento.
MAPA MENTAL
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