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Diagnóstico de Mastocitoma em Cães

O documento aborda o diagnóstico citológico de mastocitomas em cães, destacando a importância da citopatologia na diferenciação entre neoplasias benignas e malignas. Os mastocitomas são os tumores cutâneos mais comuns em cães, com alta taxa de mortalidade, e sua classificação depende de critérios histológicos e citológicos. O exame citopatológico é uma ferramenta eficaz para o diagnóstico e prognóstico, apesar de algumas limitações na avaliação da invasão tumoral.

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O documento aborda o diagnóstico citológico de mastocitomas em cães, destacando a importância da citopatologia na diferenciação entre neoplasias benignas e malignas. Os mastocitomas são os tumores cutâneos mais comuns em cães, com alta taxa de mortalidade, e sua classificação depende de critérios histológicos e citológicos. O exame citopatológico é uma ferramenta eficaz para o diagnóstico e prognóstico, apesar de algumas limitações na avaliação da invasão tumoral.

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Unilago – União dos Grandes Lagos SJRP

Faculdade de Medicina Veterinária

Maiara Furlaneto Queiroz

DIAGNÓSTICO CITOLÓGICO DE MASTOCITOMA EM CÃES

Revisão de Literatura

São Jose do Rio Preto

2024

1
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Mastocitoma Canino...........................................................................................................
6
Figura 2 – Mastocitoma em região prepucial/inguinal, com envolvimento de membro pélvico em um
cão sem raça definida.............................................................................................................................7
Figura 3 – Imagens 1, 2 e 3 correspondem ao mastocitoma visualizado na citopatologia. Imagens 4, 5
e 6 correspondem ao mastocitoma através da histopatologia. Imagens 1 e 4 – Mastocitoma com baixa
celularidade. Imagens 2 e 5 – Mastocitoma com moderada celularidade. Imagens 3 e 6 – Mastocitoma
com intensa celularidade (Objetiva de 100x)...........................................................................................8

2
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 4
2 MASTOCITOMA.............................................................................................................. 5
3 SINAIS CLINICOS............................................................................................................ 6
4 DIAGNOSTICO CITOLÓGICO..................................................................................... 8
5 CLASSIFICAÇÃO CITOLÓGICA DO GRAU DE MALIGNIDADE DE
MASTOCITOMAS............................................................................................................ 9
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 10
7 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 11

3
1 INTRODUÇÃO

Atualmente, tumores como os mastocitomas são as lesões cutâneas mais comuns em


animais da espécie canina e em animais domésticos. Esses tumores têm aumentado
significativamente nos últimos anos, tornando-se a principal causa de mortalidade entre os
cães (WITHROW, 2007).
Esta condição tem origem na derme e representa aproximadamente um terço dos
tumores que afetam a espécie canina (THAMM & VAIL, 2007), correspondendo a uma
porcentagem de 11 a 27% das neoplasias malignas em cães (VAIL, 1996). A escolha do
tratamento depende da avaliação das condições físicas do paciente, além de fatores clínicos,
classificação histológica ou graduação do tumor (PATNAIK et al., 1984). Nos cães, os
tumores relacionados aos mastócitos ocorrem com mais frequência na região posterior do
corpo, especialmente na bolsa escrotal e no flanco. Esses tumores surgem como saliências
cutâneas com cerca de 2 a 5 cm de diâmetro e 1 a 3 cm de altura, frequentemente associados a
prurido, edema, eritema e úlceras na área tumoral, devido à liberação de histamina pelas
células neoplásicas (SIMÕES et al., 1994). De acordo com o estudo de NEVES et al. (2012),
os nódulos são mais frequentemente localizados nos membros posteriores.
O mastocitoma é o tumor cutâneo que mais acomete os cães. A citopatologia é um
exame que tem por finalidade diferir processos infecciosos de processos neoplásicos.
O exame citopatológico e sua análise celular são cruciais para definir diagnósticos,
determinar o prognóstico e orientar a terapêutica, além de distinguir entre processos
inflamatórios e neoplásicos. Em casos de neoplasias, é possível classificá-las como benignas
ou malignas. Estudos demonstram que a citopatologia possui alta sensibilidade e
especificidade na diferenciação de neoplasias (Masserdotti, 2006; Rodríguez et al., 2009;
Laufer et al., 2010; Braz et al., 2016).

4
2 MASTOCITOMA
Mastocitomas são identificados pela proliferação excessiva de mastócitos neoplásicos
(JONES et al., 1997), que têm origem na derme (GOLDSCHMIDT & HENDRICK, 2002).
Eles representam um grupo de processos caracterizados pelo aumento de mastócitos na pele e
em outros órgãos e sistemas. A pele é o local mais comumente afetado em pacientes com
qualquer forma de mastocitoma (ROMÁN, 2005), e existem várias denominações para os
tumores que envolvem mastócitos: tumor de células mastocitárias, mastocitoma ou sarcoma
mastocitário (HOSPITAL VETERINÁRIO DO PORTO, 2003).
O mastocitoma é um tumor de células redondas que apresenta uma morfologia
característica, com semelhança entre a citopatologia e a histopatologia (Braz et al., 2016). No
entanto, apesar dessa similaridade, não há uma padronização citopatológica para diferenciar o
grau de malignidade do mastocitoma. Portanto, a classificação dos mastocitomas através do
exame citológico permanece subjetiva (Pedraza et al., 2011).

5
3 SINAIS CLINICOS
A aparência clínica do mastocitoma pode variar consideravelmente e se assemelhar a
várias lesões cutâneas, tanto de origem neoplásica quanto não neoplásica. Por esse motivo,
muitos autores o denominam "o grande imitador" (MERLO, 2000). Em geral, a aparência
clínica de um mastocitoma não permite determinar seu grau de malignidade ou prever sua
evolução. Alguns tumores podem permanecer estáveis por meses ou anos antes de iniciarem
um processo de crescimento. Em outras situações, eles podem se comportar de maneira
agressiva desde o início (OGILVIE & MOORE, 1995).
Os mastocitomas na pele geralmente se manifestam como nódulos avermelhados na
derme, não encapsulados e variando em tamanho de um a 30 cm de diâmetro
(GOLDSCHMIDT & SHOFER, 2002; GOLDSCHMIDT & HENDRICH, 2002). Raramente,
os mastocitomas podem se apresentar de forma disseminada e afetar órgãos como baço,
fígado, pulmão e linfonodos (POLLACK et al., 1991). Esses tumores têm maior incidência na
parte posterior do corpo do animal, com flanco e escroto sendo os locais mais comuns. Eles
são percebidos como saliências, e devido à liberação de histamina pelas células neoplásicas,
são frequentemente associados a prurido, eritema e úlceras (JONES et al., 1997). Os
mastocitomas cutâneos podem aparecer de duas formas: como uma massa bem delimitada,
elevada e firme, podendo ou não ser avermelhada. Os bordos dessa massa podem se
assemelhar a uma bolha, e o centro pode ser amarelado ou ulcerado. Esta forma nodular é
mais comum nos membros posteriores, abdômen, tórax e membros anteriores, enquanto a
cabeça, o pescoço, o escroto, o períneo e a cauda são menos frequentemente afetados
(GOLDSCHMIDT & SHOFER, 1992; MADEWELL, 2001; GOLDSCHMIDT &
HENDRICH, 2002).

Figura 1. Mastocitoma Canino

Fonte: Franziska G., Veterinária

6
Figura 2. Mastocitoma em região prepucial/inguinal, com envolvimento de membro pélvico em um
cão sem raça definida.

Fonte: Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP

7
4 DIAGNOSTICO CITOLOGICO

Os mastocitomas são frequentemente diagnosticados por citologia aspirativa com


agulha fina (CAAF), uma vez que seus grânulos são facilmente visualizados ao microscópio.
A citologia aspirativa com agulha fina (CAAF) trata-se de um método seguro que
permite o diagnóstico do mastocitoma canino. No entanto, a histopatologia fazse imperativa
para a determinação do grau histopatológico da neoplasia e, consequentemente, para o
delineamento adequado do tratamento, possibilitando o aumento da sobrevida. A frequência
dos graus histopatológicos do mastocitoma canino se dá de forma semelhante, porém tende a
decrescer do grau I ao III. Mastocitomas de grau elevado estão associados à menor sobrevida
(FURLANI et al., 2008).
Independentemente da classificação utilizada, o exame histopatológico tem influência
direta na conduta terapêutica, que, por sua vez, depende do grau de diferenciação, intensidade
de proliferação e envolvimento das margens cirúrgicas (LONDON & THAMM, 2013).

Figura 3. - Imagens 1, 2 e 3 correspondem ao mastocitoma visualizado na citopatologia.


Imagens 4, 5 e 6 correspondem ao mastocitoma através da histopatologia. Imagens 1 e 4 –
Mastocitoma com baixa celularidade. Imagens 2 e 5 – Mastocitoma com moderada celularidade.
Imagens 3 e 6 – Mastocitoma com intensa celularidade (Objetiva de 100x)

Fonte: Classificação citológica do grau de malignidade de mastocitomas em cães

8
5 CLASSIFICAÇÃO CITOLÓGICA DO GRAU DE MALIGNIDADE DE
MASTOCITOMAS

Os critérios gerais de malignidade avaliam características como macrocitose e


anisocitose, pleomorfismo celular, bi/multinucleação, figuras de mitose, alterações em
cromatina, nucléolos evidentes, multinucleolose, quantidade de grânulos citoplasmáticos e
aumento da relação núcleo:citoplasma, são alguns exemplos a serem avaliados (Strefezzi et
al., 2010, Bürger et al., 2015, Rosolem et al., 2013). Em casos que o número de critérios de
malignidade seja superior a três, considera-se uma neoplasia maligna (Lima et al., 2013, Braz
et al., 2016).
As análises de diversas características histológicas formam a base do sistema de
graduação proposto por Patnaik et al. (1984) para classificar mastocitomas em cães. No
entanto, essa classificação pode ser influenciada significativamente pela interpretação
subjetiva dos patologistas (Torres Neto et al., 2010). Para resolver essa divergência, Pedraza
et al. (2011) enfatizaram a importância de realizar estudos que correlacionem exames
citológicos e histológicos, a fim de estabelecer um sistema de classificação citológica
uniforme para essas neoplasias.
Um dos critérios de malignidade mais importantes nos mastocitomas é a quantidade de
grânulos presentes nas células. Quanto menos granulação uma célula possui, mais
indiferenciada ela é, sendo este um marcante critério a ser avaliado (Braz et al., 2016). Entre
as lâminas avaliadas, foi observado uma forte concordância entre os exames citopatológicos e
histopatológicos, especialmente em relação à avaliação da quantidade de granulação celular,
apresentando uma concordância de 100% entre os testes, conforme demonstrado na Figura 3.

9
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O exame citopatológico é considerado uma ferramenta eficaz para o diagnóstico do


mastocitoma e sua classificação em formas benignas e malignas. Embora tenha algumas
limitações, especialmente na avaliação da invasão tumoral e da arquitetura celular adjacente
ao tumor, a citopatologia destaca os critérios de malignidade e a morfologia celular,
fornecendo informações valiosas para o prognóstico do paciente e orientação terapêutica.

10
7 REFERÊNCIAS

Braz, P. H., Brum, K. B., Souza, A. I. & Abdo, M. A. 2016. Comparação entre a citopatologia
por biopsia com agulha fina e a histopatologia no diagnóstico das neoplasias cutâneas e
subcutâneas de cães. Pesquisa Veterinária Brasileira, 36, 197-203.

FURLANI, J. M. et al. Mastocitoma canino: estudo retrospectivo. Ciência Animal Brasileira,


v. 9, n. 1, p. 242-250, jan./mar., 2008.

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MEUTEN, D.J. (Ed.). Tumors in domestic animals. 4.ed. Ames: Iowa State. Cap.3, p.105-
109, 2002.

HOSPITAL VETERINÁRIO DO PORTO. Mastocitoma/Oncologia. Disponível em: Acesso


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NEVES, C. C.; BRACCIALI, C. S.; HATAKA, A.; FELICIANO, M. A. R. Revista Científica


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WITHROW, S. J. Whi Worry About Cancer in Pet Animals? In: WITHROW, S.J., MAC
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