SISTEMA ENDÓCRINO: Introdução
O sistema endócrino tem um papel muito importante na regulação de vários
processos biológicos e as suas funções são realizadas através de substâncias
que são chamados de hormônios.
Os hormônios são moléculas reguladoras, como se fossem mensageiros
químicos que são liberados na corrente sanguínea e na sua maior parte são
produzidos por órgãos chamados glândulas endócrinas. Desta forma, a sua
maior parte porque no corpo também tem outros órgãos ou tecidos que
também possuem atividade endócrina, como os rins, o coração e até os
neurônios.
As glândulas endócrinas não possuem um ducto e os hormônios por ela
produzidos são liberados diretamente na corrente sanguínea. Esses
hormônios são liberados na corrente sanguínea e o sangue vai transportá-
los até as células-alvo que vão responder a esses hormônios de maneira
específica. É como se os hormônios mandassem mensagens para as células
para que elas saibam como elas devem agir em determinadas situações
específicas.
Os órgãos que tem a sua função controlada ou regulada por hormônios são
chamados de órgãos-alvo e as células desses órgãos que são chamadas de
células-alvo, precisam possuir receptores específicos para aquele tipo de
hormônio, como se o hormônio fosse uma chave e o receptor da célula
fosse uma fechadura que é especificamente para aquela chave, ou seja, para
aquele tipo de hormônio. E na maioria das vezes, o sistema endócrino não
age sozinho. Desta forma, ele age em conjunto com o sistema nervoso que
também tem a função de regular várias funções corpóreas. Porém, a
regulação exercida pelo sistema nervoso tem uma velocidade muito mais
rápida do que a regulação do sistema endócrino, já que a comunicação por
meio dos neurônios é realizada através de impulsos elétricos que são
rápidos. Enquanto, os hormônios precisam ser produzidos, cair na corrente
sanguínea e serem transportados através do sangue até as células-alvo.
Dentro das funções dos hormônios do corpo estão: a regulação do
metabolismo dos órgãos e o equilíbrio energético do corpo; os hormônios
também promovem o crescimento e o desenvolvimento; regulam a
composição química do ambiente interno do corpo e regulam processos de
reprodução, como a formação de espermatozoides e de óvulos. A estrutura
química dos hormônios pode variar bastante, mas todos eles podem ser
classificados em 3 grupos principais: o grupo das AMINAS, que são
hormônios derivados dos aminoácidos tirosina e triptofano; o grupo dos
PEPTÍDEOS, que são hormônios formados por longas cadeias de
aminoácidos e; o grupo dos ESTERÓIDES, que são hormônios derivados
do colesterol.
Diversos órgãos e tecidos possuem atividade endócrina, mas os principais
órgãos endócrinos que tem são: a glândula Pineal também chamada de
Epífise, o Hipotálamo e a Hipófise, a glândula Tireóide, o Timo, o
Pâncreas que é uma glândula mista, as glândulas Suprarrenais. Os Ovários,
nas mulheres e os Testículos, nos homens.
REVISANDO:
O sistema endócrino é o sistema responsável por regular diversas funções
corpóreas e faz isso através de substâncias chamadas hormônios.
Os hormônios vão agir de maneira específica em células-alvo, mostrando
para elas o que devem fazer em determinada situação.
A maior parte dos órgãos que produzem hormônios são chamados de
glândulas endócrinas. Essas glândulas secretam os hormônios diretamente
na corrente sanguínea.
A maior parte das vezes, o sistema endócrino não age sozinho, mas age em
conjunto com o sistema nervoso.
As funções dos hormônios no corpo são: regular o metabolismo dos e o
equilíbrio energético do corpo; promover o crescimento e
desenvolvimento; regular a composição química do meio interno do corpo;
regular processos relacionados à reprodução.
De acordo com a sua estrutura química, os hormônios podem ser
classificados em 3 grupos: o grupo das AMINAS, o grupo dos
PEPTIDEOS e o grupo dos ESTERÓIDES.
As principais glândulas endócrinas que tem no organismo são: a glândula
Pineal; o Hipotálamo e Hipófise; a Tireóide; o Timo, o Pâncreas; as
glândulas Supra-Renais; os Ovários e Testículos.
HIPÓFISE: Sistema Endócrino
A hipófise é uma glândula endócrina, que é chamada também de Pituitária
e está localizada na base do cérebro na região diencéfalo, ficando
conectada ao hipotálamo.
A hipófise é bem pequeninha e é muito importante, sendo uma das
principais glândulas endócrinas que tem no corpo porque ela controla a
função de várias outras glândulas endócrinas.
Os hormônios produzidos pela hipófise vão atuar controlando ou regulando
a função de outras glândulas endócrinas do corpo.
Funcionalmente e anatomicamente, ela é dividida em 2 lobos ou 2 giros: o
lobo anterior chamado também de adeno-hipófise e o lobo posterior
chamado de neuro-hipófise.
A adeno-hipófise ou giro anterior é constituída, principalmente de tecido
epitelial glandular. Já a neuro-hipófise, que é o giro posterior é constituída,
principalmente de tecido nervoso. Cada uma dessas partes da hipófise
produz hormônios específicos.
Os hormônios secretados pela adeno-hipófise são chamados de hormônios
TRÓFICOS. Trófico significa alimentar. E eles recebem esse termo porque
de forma geral, altas concentrações desses hormônios resultam no
crescimento ou na hipertrofia dos seus órgãos-alvo. Enquanto, baixas
concentrações desses hormônios resultam atrofia dos órgãos-alvo.
De maneira resumida, os hormônios da adeno-hipófise são: o hormônio do
Crescimento chamado também de GH ou Somatotropina, que de forma
geral, promove o crescimento de tecidos e órgãos; o hormônio Estimulante
da Tireóide, chamado também de SH ou Tireotropina, esse hormônio
estimula a glândula tireóide a secretar os seus próprios hormônios; o
hormônio Adenocorticotrópico, chamado também de ACTH ou
Corticotropina, esse hormônio vai estimular a glândula suprarrenal a
produzir/secretar glicocorticóides; o hormônio Folículo-estimulante
também chamado de FSH ou Foliculotropina, que estimula o crescimento
dos folículos ovarianos nas mulheres e a produção de células espermáticas
nos homens; o hormônio Luteinizante também chamado de LH ou
Luteotropina, que estimula a ovulação nas mulheres e nos homens estimula
a secreção de hormônios sexuais masculinos, como a testosterona; o
hormônio Prolactina ou PRL, que estimula a produção de leite pelas
glândulas mamárias nas mulheres gravidas, ajuda a regular o sistema
genital masculino e esse hormônio também tem uma ação nos rins,
ajudando a regular no equilíbrio hidroeletrolítico. Desta forma, todos esses
hormônios são produzidos pela ADENO-HIPÓFISE.
Os hormônios da neuro-hipófise são 2: o hormônio Antidiurético também
chamado de ADH ou Vasopressina, que atua diminuindo a diurese
(produção de urina pelos rins), ou seja, diminui a produção de urina pelos
rins, faz isso, aumentando a retenção de água/líquidos pelos rins. Dessa
maneira, mais água/líquido fica retida no corpo e menos água/líquido é
eliminada através da urina. Por regular a quantidade de líquidos no corpo,
esse hormônio auxilia no controle da pressão arterial e é muito comum
pacientes hipertensos usarem medicamentos diuréticos que tem ação
contrária do hormônio. Usando um diurético, o indivíduo vai eliminar mais
através da urina. Com isso, diminuindo a quantidade de líquidos no corpo,
o medicamento acaba ajudando a reduzir a pressão arterial porque quanto
menor a quantidade de água e de líquido dentro do sistema cardiovascular,
a tendência é a pressão diminuir. O segundo hormônio é a Ocitocina. A
ocitocina nas mulheres tem um papel importante porque estimula as
contrações uterinas durante o trabalho de parte e muitas vezes, injeções de
ocitocina são usadas para induzir o trabalho de parto. Além disso, ela
também estimula a ejeção do leite durante a amamentação e nos homens,
alguns estudos demonstraram o aumento dos níveis de ocitocina durante a
ejaculação. Pesquisas também mostram que a ocitocina está relacionada no
desenvolvimento da afeição entre as pessoas e do vínculo entre a mãe e o
bebê, sendo apelidada de hormônio do amor.
REVISANDO:
A hipófise é uma glândula pequenininha situada na base do cérebro. É
dividida em 2 giros: o giro anterior ou adeno-hipófise e o giro posterior ou
neuro-hipófise.
Os hormônios da adeno-hipófise são: o Hormônio do Crescimento, GH ou
Somatotropina; o Hormônio Estimulante da Tireóide, TSH ou Tireotropina;
o Hormônio Adenocorticotrópico, ACTH ou Corticotropina; os Hormônios
Folículo-estimulante (FSH) e Luteinizante (LH); e o Hormônio Prolactina
ou PRL.
Já os hormônios da neuro-hipófise são: o Hormônio Antidurético, ADH ou
Vasopressina e a Ocitocina.
SUPRARRENAIS: Sistema Endócrino
As glândulas suprarrenais são 2 glândulas endócrinas que ficam localizadas
acima dos rins, nos polos superiores dos rins e são glândulas pequenas que
pesam cerca de 4-5 gramas cada uma.
Cada glândula possuem duas porções: uma porção mais externa ou mais
periférica que é chamada de córtex suprarrenal. Córtex vão ser sempre
estruturas que estão localizadas nas regiões mais externas/periféricas
órgãos. Porque a palavra “cortéx” significa “casca”. E as glândulas
suprarrenais também possuem outra porção, uma porção que é mais interna
e mais central e é chamada de medula suprarrenal. A palavra “medula”
também é usada em outras estruturas do corpo, como medula espinal e
medula óssea. Desta forma, a palavra “medula” significa “miolo”. Então,
todas as estruturas no corpo que são chamadas de medulas, são estruturas
que estão mais centrais. Então, tem a medula suprarrenal, que é a região
mais interna e mais central da glândula suprarrenal. Assim como, tem a
medula óssea que está localizada na parte interna dos ossos.
A medula e o córtex suprarrenal possuem funções diferentes e também
produzem hormônios diferentes. Enquanto, a medula suprarrenal produz
hormônios que são chamados de CATECOLAMINAS, que são a
adrenalina e a noradrenalina; o córtex suprarrenal produz hormônios
ESTERÓIDES também chamados de CORTICOESTERÓIDES.
Hormônios do córtex suprarrenal que são os hormônios corticoesteróides.
Dentro desses hormônios tem os MINERALOCORTICÓIDES, os
GLICOCORTICÓIDES e os ESTERÓIDES SEXUAIS. Todos são
produzidos pelo córtex suprrarenal.
O mineralocorticóide mais potente, secretado pelo córtex suprarrenal é a
ALDOTERONA. No geral, os mineralocorticoides estimulam os rins a
reter sódio e água no organismo e a eliminar/secretar potássio pela urina.
Essas funções ajudam a controlar a pressão arterial do organismo, já que
elas estão relacionadas com o controle de água/líquidos dentro do corpo e
regulam também o equilíbrio hidroeletrolítico. A aldosterona por sinal faz
parte de um sistema importante de controle da pressão arterial que tem no
organismo que é chamado sistema renina angiotensina aldosterona.
O principal glicocorticoide que o córtex suprarrenal produz é o
CORTISOL. A secreção do cortisol acontece quando o córtex suprarrenal é
estimulado por um outro hormônio produzido pela adeno-hipófise, o
hormônio chamado ACTH. O cortisol tem várias funções no corpo. Uma
delas é estimular a produção de glicose a partir de aminoácidos e de ácido
lático (GLICONEOGÊNESE – Síntese de glicose a partir de substâncias
não-carboidratos), colabora, então, para o aumento da concentração de
glicose no sangue e também promove a lipólise (Hidrólise de lipídios,
gerando ácidos graxos e sais) que é a quebra de gordura; também tem um
efeito anti-inflamatório e antialérgico e é por isso, que é usado de forma
exógena como um medicamento.
Já os esteróides sexuais secretados pelo córtex suprarrenal são androgênios
fracos que suplementam os esteróides sexuais secretados pelas gônadas.
Funções dos hormônios da medula suprarrenal. A medula suprarrenal
secreta hormônios chamadas de catecolaminas, que são os hormônios
adrenalina e noradrenalina. Os efeitos desses hormônios são semelhantes
aos efeitos do sistema nervoso simpático. Os efeitos do sistema nervoso
simpático são aqueles efeitos de luta ou fuga. A medula suprarrenal é
inervada por neurônios simpáticos e as ações da adrenalina e da
noradrenalina incluem: o aumento de glicemia e de ácidos graxos no
sangue; o aumento da frequência cardíaca e do débito cardíaco; a
vasodilatação das coronárias e o aumento da frequência respiratória.
Esses hormônios, então, adrenalina, noradrenalina e o cortisol são
hormônios que estão relacionados são produzidos no organismo em
situações de stress.
REVISANDO:
As glândulas suprarrenais são 2 glândulas pequenas, que estão localizadas
acima dos rins. Elas são divididas em 2 partes: uma porção mais externa
chamada de córtex suprarrenal e uma porção mais central chamada de
medula suprarrenal.
Os hormônios produzidos pelo córtex suprarrenal são os corticoesteróides.
Os principais corticoesteróides produzidos são: os mineralocorticóides, os
glicocorticoides e os esteróides sexuais.
A medula suprarrenal produz os hormônios catecolaminas, que são a
adrenalina e a noradrenalina.
TIREÓIDE e PARATIREÓIDES: Sistema Endócrino
A tireóide é uma glândula endócrina que está localizada abaixo laringe.
A glândula tireóide tem 2 lados que são chamados de giros ou lobos. Cada
um desses giros fica posicionado de um lado da traquéia e no meio são
unidos por uma parte mais central chamada ISTMO.
Os hormônios produzidos pela tireóide são: a TIROXINA ou T4 e a
TRIIODOTIRONINA ou T3 e a CALCITONINA.
T3 e T4: eles possuem iodo na sua composição.
Para a tireóide produzir os seus hormônios, ela precisa de IODO e também
usa alguns aminoácidos específicos chamados de TIROSINAS.
No T3, então, que é a TRIIODOTIRONINA, existem 3 moléculas de iodo
ligadas a uma tirosina. Já no T4 (TETRAIODOTIRONINA), existem 4
moléculas de iodo ligadas à tirosina.
A secreção desses hormônios, o T3 e o T4 para a corrente sanguínea
acontece quando a tireóide é estimulada por um outro hormônio produzido
pela hipófise, o hormônio TSH que é o Hormônio Estimulante da Tireóide.
A importância do iodo e do TSH para o bom funcionamento da tireóide é
que se a tireóide não tem iodo suficiente para produzir os seus hormônios, a
produção de TSH aumenta. Isso porque a hipófise percebe que a tireóide
não está produzindo os seus hormônios em quantidades adequadas. E com
isso, acaba aumentando a produção de TSH para que ela consiga estimular
a tireóide a funcionar, sendo chamada de RETROALIMENTAÇÃO
NEGATIVA. Porém, o TSH tem um efeito trófico sobre a glândula
tireóide, que acaba provocando um aumento (hipertrofia) da glândula. Com
os níveis aumentados de TSH, a tireóide acaba crescendo demais causando
uma condição chamada de BÓCIO, mas especificamente BÓCIO
ENDEMICO POR DEFICIÊNCIA DE IODO.
Funções dos hormônios T3 e T4:
O T3 e T4 são hormônios que de forma geral, atuam aumentando o
metabolismo basal das células. São capazes através da ativação de genes de
estimular a síntese proteica, promover a maturação do sistema nervoso e
aumentar a taxa de respiração celular na maior parte dos tecidos do corpo.
As principais alterações que encontra na tireóide são: o hipotireoidismo,
que é quando ela funciona de menos; e o hipertireoidismo, que é quando
ela funciona de mais.
De maneira resumida, no hipotireoidismo – a produção de hormônios
tireoidianos é insuficiente. Quando um indivíduo produz pouca quantidade
de hormônios da tireoide, isso acaba diminuindo a taxa metabólica basal,
podendo levar ao ganho de peso, fadiga, letargia, maior sensação de frio,
formação de edema na face e extremidades, dentre alguns outros sintomas.
Já o hipertireoidismo, acontece quando a tireóide produz seus hormônios
em quantidades muito elevadas, isso leva ao aumento da taxa metabólica
basal e o indivíduo pode ter perda de peso, irritabilidade, problemas para
dormir, intolerância ao calor, aumento da pressão arterial, dentre outros
sintomas.
As alterações da tireóide podem ser causadas por um defeito direto na
glândula tireóide ou por alterações na secreção do TSH. E é por isso, que
quando os médicos pedem as dosagens hormonais para verificar o
funcionamento da tireóide, eles pedem não só as dosagens dos hormônios
da tireóide, como também do TSH.
O último da tireóide é a CALCITONINA, que vai atuar ajudando a
controlar os níveis de cálcio no sangue. A atuação da calcitonina vai ser
diminuir os níveis de cálcio no sangue quando isso for necessário para o
organismo. Para isso, a calcitonina diminui a reabsorção óssea, inibindo os
osteoclastos, fazendo com que o cálcio fique no osso. Ela atua também
sobre os rins, diminuindo a reabsorção de cálcio pelos rins, fazendo com
que ele seja mais eliminado através da urina.
A calcitonina vai atuar em equilíbrio com outro hormônio produzido por
uma outra glândula que está associada à tireóide, que são as glândulas
paratireoides.
As paratireoides são glândulas endócrinas bem pequenininhas, que ficam
fixadas na face posterior da tireóide. Geralmente, existem 4 paratireóides,
mas a quantidade pode variar de indivíduo para indivíduo.
O único hormônio produzido pelas paratireoides é o PARATORMÔNIO ou
PTH, hormônio importantíssimo também para o controle dos níveis de
cálcio no sangue junto com a calcitonina. Porém, os paratormônios vão ter
efeitos opostos aos efeitos da calcitonina e eles vão atuar se equilibrando.
Como a calcitonina atua diminuindo os níveis de cálcio no sangue, a ação
do paratormônio vai ser aumentar os níveis de cálcio no sangue. Para isso,
os paratormônios vão atuar nos ossos e nos rins. Nos ossos, ele vai
estimular a degradação da hidroxiapatita e a liberação de cálcio do osso
para sangue. Nos rins, ele estimula a reabsorção de cálcio, fazendo com que
o cálcio fique mais no sangue e seja menos eliminado através da urina.
REVISANDO:
A tireóide é uma glândula endócrina, localizada logo abaixo da laringe. Ela
possui 2 lobos laterais, unidos por uma parte central chamada Istmo.
Os hormônios produzidos pela tireóide são: o T3, T4 e a Calcitonina. Para
produzir o T3 e o T4, a tireóide precisa de iodo e de tirosina. Esses
hormônios vão ser secretados na corrente sanguínea quando a tireóide for
estimulada pelo TSH, um outro hormônio produzido pela hipófise.
De forma geral, a função do T3 e do T4 é aumentar o metabolismo basal
das células.
Algumas alterações podem acontecer na tireóide, como o bócio, que é o
aumento da glândula causada pelo aumento da produção do TSH; o
hipotireoidismo, que é quando produz os seus hormônios de forma
insuficiente ou o hipertireoidismo, que é quando produz seus hormônios em
quantidades muito elevadas. Já a calcitonina, é um hormônio também
produzido pela tireóide e que tem a função de diminuir a quantidade de
cálcio no sangue. Ela atua de forma equilibrada com o paratormônio, que é
um hormônio produzido pelas glândulas paratireoides. O paratormônio vai
ter funções opostas à calcitonina, aumentando a quantidade de cálcio no
sangue.
PÂNCREAS: Sistema Endócrino
O pâncreas é um órgão alongado, que fica localizado na cavidade
abdominal. Ele chega a medir cerca de 15-25 centímetros, fica localizado
atrás do estômago. Do lado esquerdo do pâncreas, fica o baço. E do lado
direito do pâncreas, tem o duodeno, que é a primeira porção do intestino
delgado.
O pâncreas é um órgão que fica anexado duodeno. Anatomicamente, o
pâncreas é dividido em 3 partes ou 3 porções: a cabeça, que é a
extremidade do lado direito e que encaixada na curva do duodeno; o corpo,
que é a parte mais intermediária; e a cauda, que é a parte um pouco mais
fina e que fica do lado esquerdo, na extremidade esquerda perto do baço.
O pâncreas é uma glândula mista, isso significa que ele tem tanto uma
função endócrina quanto uma função exócrina.
Exocrinamente, o pâncreas produz o suco pancreático, que é produzido
pelos ácinos pancreáticos. Os ácinos pancreáticos são grupos de células que
destinadas a produzir o suco pancreático. E esse suco pancreático vai ser
encaminhado depois para dentro do duodeno, para auxiliar nos processos
digestivos. Já a porção endócrina do pâncreas, produz 2 hormônios: a
insulina e o glucagon. Essa porção endócrina do pâncreas é formada por
aglomerados de células que são chamadas de ILHOTAS DE
LANGERHANS ou PANCREÁTICAS.
As Ilhotas de Langerhans são encontradas em maior quantidade no corpo e
na cauda do pâncreas. Dentro desse grupo de células, as Ilhotas, são
encontrados 2 tipos principais de células: as células alfa e as células beta.
Cada uma dessas células vai produzir um hormônio diferente.
As células alfa vão secretar o hormônio glucagon. Já as células beta, vão
secretar o hormônio insulina. Esses 2 hormônios possuem funções opostas
e eles vão atuar controlando os níveis de glicose no sangue que é chamada
de glicemia. O glucagon é secretado pelas células alfa em resposta à
diminuição da glicemia. Então, quando o nível de glicose diminui, a
secreção de glucagon aumenta. Então, para aumentar a glicemia, o
glucagon estimula o fígado a quebrar o glicogênio que estava armazenado
nele e liberar essa glicose na corrente sanguínea. Um processo que é
chamado GLICOGENÓLISE. Além disso, o glucagon também estimula a
lipólise e a liberação de ácidos graxos para a corrente sanguínea também.
Essas ações do glucagon ajudam a manter a homeostasia do corpo em
períodos de jejum, quando a glicemia diminui.
Já a insulina é secretada pelas células beta pancreática quando existe um
aumento de glicemia. Então, quando tem muita glicose no sangue, a
insulina vai promover a entrada dessa glicose para as células. A insulina
também estimula o armazenamento da glicose em forma de glicogênio e de
gordura.
Esses hormônios vão atuando, então, regulando a glicemia de acordo com a
necessidade do organismo. Por ex., quando se passa longos períodos em
jejum, a glicemia, quantidade de glicose no sangue diminui. Isso porque o
corpo e as células estão funcionando e estão gastando energia, mas não está
repondo essa energia através da alimentação. Nessas situações, a secreção
de glucagon, então, aumenta e de insulina diminui para que consiga manter
a glicemia em níveis aceitáveis.
Agora em uma outra situação, quando acaba de fazer uma refeição, por ex.,
a glicose que vem dos carboidratos que ingeriu, aumenta a glicemia. Nessa
situação, a secreção de insulina aumenta e a secreção de glucagon, diminui.
A insulina é importante nesses casos porque ela vai garantir a entrada de
glicose para dentro das células que é aonde ela vai ser utilizada para
produzir energia (ATP) e parte dessa glicose vai ser armazenada.
Se a glicose sai do sangue e entra nas células, isso faz com que a glicemia
diminua e fique dentro de limites aceitáveis.
O corpo possui todo esse controle de glicemia através de hormônios porque
existem níveis ideais de glicemia. Se a quantidade de glicose no sangue
aumentar muito ou diminuir muito, isso pode causar prejuízos ao
organismo. E a doença mais comum, caracterizada por um distúrbio na
glicemia é o DIABETES.
Diabetes é o excesso de glicose no sangue. Isso pode levar a várias
complicações. O tipo mais comum de diabetes é o DIABETES
MELLITUS, que pode classificado em: diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.
O diabetes mellitus tipo 1 acontece porque as células beta pancreáticas não
produzem insulina ou porque elas produzem insulina, mas de forma
insuficiente. Sem insulina, a glicose não consegue entrar dentro das células,
portanto, a glicemia aumenta. Indivíduos que tem diabetes tipo 1 precisam
de injeções de insulina, já que o seu próprio pâncreas não produz. Por isso,
esse tipo de diabetes é chamado de insulino-dependente.
Já no diabetes tipo 2, o pâncreas funciona normalmente produzindo
insulina. Só que essa insulina não consegue exercer a sua função de
maneira adequada, sendo chamada de resistência a insulina. Isso pode
acontecer por diversos motivos, mas uma causa comum é o excesso de
gordura, a obesidade. Esse tipo de diabetes mellitus tipo 2 é o mais comum
e acontece em praticamente 90% dos casos de diabetes e está associado aos
maus hábitos de vida, como sedentarismo, obesidade, má alimentação.
Como a princípio, o pâncreas do indivíduo funciona normalmente, esse
diabetes é chamado também de não-insulino dependente. Mas conforme a
doença progrida, o indivíduo pode chegar a precisar de injeções de insulina
também.
Sintomas e características de cada diabetes:
O diabetes tipo 1 geralmente é detectado na infância e apresenta sintomas,
como poliúria (quer fazer muito xixi); polidpsia (que sente muita sede);
perda de peso não intencional, cansaço, dentre alguns outros sintomas. Já o
diabetes tipo 2, geralmente é uma doença silenciosa.
De forma geral, essas complicações incluem: a nefropatia, que é o
comprometimento dos rins; a retinopatia, que pode levar à cegueira; a
neuropatia, que afeta a sensibilidade principalmente de extremidades;
complicações vasculares e problemas na cicatrização. Por esse tipo de
diabetes não ter sintomas e ser o mais comum e está relacionado com maus
hábitos de vida, é muito importante realizar os exames de rotina para
verificar também a glicemia. Isso porque se o diabetes for detectado de
forma precoce e o indivíduo tratar de forma correta, não vai ter essas
complicações e vai conseguir viver normalmente.
REVISANDO:
O pâncreas é um órgão que está localizado na cavidade abdominal atrás do
estômago. Ele é uma glândula mista porque possui uma função endócrina e
uma função exócrina. Sua função exócrina é garantida pelos ácinos
pancreáticos, que produzem o suco pancreático que é encaminhado para o
duodeno. Já a sua função endócrina é garantida pelas Ilhotas de Langerhans
ou pancreáticas. As células que formam as ilhotas se dividem em células
alfa e células beta. As células alfa produzem o glucagon, um hormônio que
aumenta a glicemia, principalmente estimulando a quebra do glicogênio no
fígado. Já as células beta produzem a insulina, um hormônio que diminui a
glicemia promovendo a entrada da glicose para as células. Esses 2
hormônios atuam se equilibrando para que os níveis de glicose no sangue
permaneçam ideais.
Uma das principais doenças relacionadas à glicemia é o diabetes, que é
causado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue e pode levar a
complicações. Os principais tipos de diabetes que tem são: o diabetes
mellitus tipo 1, que também é chamado de insulino-dependente e,
geralmente é detectado na infância e o diabetes mellitus tipo 2, que é uma
doença silenciosa e está relacionado aos maus hábitos de vida. As
complicações do diabetes estão entre as maiores causas de mortalidade no
mundo.
DIABETES | Parte 1 | Definição, tipos e fisiopatologia
O diabetes mellitus é um conjunto de desordens metabólicas, cuja principal
característica é a hiperglicemia, que é o excesso de glicose no sangue.
Um dos principais hormônios responsáveis por esse controle é um
hormônio chamado insulina. A insulina é produzida em células específicas
no pâncreas chamadas células beta pancreáticas. Quando a glicose no
sangue aumenta, por ex., após a refeição e ingere algum tipo de
carboidrato, a produção da insulina também aumenta. Por que isso é
importante?
Porque a insulina é o hormônio responsável por permitir a entrada da
glicose dentro das células. Quando ingere algum carboidrato, ele vai ser
absorvido em forma de glicose e vai passar do sistema digestório para o
sangue e vai ficar circulante no sangue. Essa glicose precisa entrar nas
células para ela conseguir ser usada como fonte de energia. Mas como a
glicose é uma molécula grande, não consegue atravessar a membrana
celular. Então, ela precisa de uma proteína que atua como se fosse canal na
membrana celular e que vai se abrir permitindo a entrada da glicose do
sangue para dentro da célula. Só