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Estudo de Atualidades para Concursos

O documento aborda a importância do conhecimento de atualidades para candidatos a concursos públicos, destacando a necessidade de uma visão crítica e abrangente sobre eventos políticos, sociais e econômicos. Além disso, apresenta informações sobre o Brasil, incluindo sua geografia, demografia e sistema político, e discute as eleições de 2022, enfatizando a polarização e os desafios enfrentados pela democracia no país. O texto sugere estratégias para o estudo de atualidades, como o consumo de fontes confiáveis e a resolução de exames anteriores.

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catharinaliborio
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Estudo de Atualidades para Concursos

O documento aborda a importância do conhecimento de atualidades para candidatos a concursos públicos, destacando a necessidade de uma visão crítica e abrangente sobre eventos políticos, sociais e econômicos. Além disso, apresenta informações sobre o Brasil, incluindo sua geografia, demografia e sistema político, e discute as eleições de 2022, enfatizando a polarização e os desafios enfrentados pela democracia no país. O texto sugere estratégias para o estudo de atualidades, como o consumo de fontes confiáveis e a resolução de exames anteriores.

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ATUALIDADES

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INTRODUÇÃO

Questões de atualidades são comumente cobradas em concursos públicos, por isso, é importante que os
candidatos se preparem para responder a esse tipo de pergunta demonstrando que têm uma visão geral sobre o
que está acontecendo no mundo e os fatores e causas relacionados àqueles acontecimentos, ou seja, não basta
apenas conhecer a notícia, é preciso entender as motivações para o desenrolar daqueles fatos. Além disso, quem
domina o tema de atualidades para concurso tem maior capacidade de argumentação, consciência política e
social. Saber o que acontece ao seu redor é uma maneira de exercer sua cidadania.
A primeira dica para estudar atualidades é consumir informações relevantes a respeito do Brasil e do mundo. É
importante estar atento aos principais acontecimentos políticos, econômicos, sociais e culturais, tomando muito
cuidado com as fake news e buscar mais de uma referência sobre um mesmo assunto. Consulte diferentes portais
de notícias da mídia tradicional, faça leitura crítica das notícias, tente entender seu contexto e o que está por trás
dos fatos através de fontes confiáveis e oficiais estudando diferentes pontos de vista, independentemente do que
você entende como sendo o correto é importante conhecer a opinião contrária. O conhecimento só é construído
a partir dos conflitos de ideias. Ao estudar um assunto, enxergue a situação sob diferentes ângulos, assim você vai
conseguir ampliar o seu entendimento e compreensão.

Dicas específicas para estudar atualidades para concursos

 Separe um tempo específico para estudar atualidades.


 Encontre uma fonte de informação que seja confiável e oficial.
 Seja específico em seus estudos. Foque em temas que você sabe que são cobrados em concursos.
 Faça anotações das informações mais importantes.
 Resolva exames anteriores para praticar.
 Aproveite momentos em que realiza atividades diárias para acompanhar as notícias.

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Brasil: Território, fronteiras, população, IDH,

Figura 1 IBGE, 2023 (https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html)

 Extensão territorial: 8.510.345,538 km².


 Localização: América do Sul.
 Capital: Brasília.
 Climas: Predominantemente tropical, com zonas equatoriais e subtropicais.
 Tipo de governo: República federal presidencialista.
 Divisão administrativa: Composta por 26 estados e 1 distrito federal.
 Idioma oficial: português.
 Religiões: Católica: 50%; Evangélica: 31%; Espírita: 3%; Umbanda, candomblé e outras religiões de matriz
africana: 2%; Judaica: 0,3%; Sem religião: 10%; Outras: 2%; Ateus: 1%.
 Densidade demográfica: Aproximadamente 25,06 habitantes por quilômetro quadrado.
 Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,765.
 Moeda: Real (R$).
 Coeficiente de Gini: 0,518 (indicador de desigualdade de renda).
 Fuso horário: Distribuído em quatro fusos, variando de GMT-2 a GMT-5 horas1. (dados do IBGE, 2021).

O Brasil situado na América do Sul, com sua capital em Brasília, é o maior país da região. Sua geografia é
caracterizada por seis distintos padrões climáticos, com predominância do tropical, e apresenta um variado relevo
que engloba planaltos, planícies e depressões. O país abriga cinco importantes biomas: a Amazônia, o Cerrado, a
Caatinga, o Pantanal e a Mata Atlântica, cada um com sua rica biodiversidade2.
A população brasileira atualmente alcança a marca de 203.062.512 habitantes, com a maioria residindo em áreas
urbanas, a maior cidade do país é São Paulo, com uma população de 12,3 milhões de habitantes. O país
compartilha fronteiras com dez países na América do Sul, excluindo apenas o Chile e o Equador. Suas maiores
1
IBGE,2021
2
FUINI, Lucas Labigalini. Território e geografia no Brasil: uma revisão bibliográfica. Formação (Online), v. 1, n. 21, 2014.
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extensões de fronteira são com o Peru e a Bolívia, principalmente na região amazônica. Vale ressaltar que essas
dimensões fronteiriças permanecem inalteradas uma vez que os tratados com os países vizinhos foram ratificados
há muito tempo, e não têm surgido disputas territoriais com nações vizinhas.
Em 2022, o Brasil caiu no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU pelo segundo ano consecutivo,
passando para a 87ª posição mundial em 2021, comparado à 84ª posição em 2019 e à 86ª em 2020. Essa queda
reflete uma tendência global, com mais de 90% dos países regredindo em 2020 ou 2021, devido à crise sanitária e
problemas nos indicadores de desigualdade de renda e gênero, com a expectativa de vida das mulheres sendo
significativamente menor que a dos homens. Essa situação é atribuída também ao modelo econômico que
prioriza o rentismo e causa escassez, sustentado por fatores como o Sistema da Dívida, política monetária do
Banco Central, modelo tributário regressivo e atividades como exploração mineral e agronegócio 3.É a primeira vez
em 32 anos que o Brasil registra quedas consecutivas no IDH que avalia saúde, educação e padrão de vida, sendo
que valores mais próximos de 1 indicam uma situação melhor. Os países líderes são Suíça, Noruega, Islândia,
Hong Kong e Austrália, com média global de 0,732. O Brasil caiu de 0,758 para 0,754.

Brasil política

O Brasil adota o sistema República Federativa Presidencialista, em que o país é formado pela associação
de unidades territoriais com autonomia política, incluindo Estados, o Distrito Federal e Municípios. Essas unidades
se unem e se representam nacionalmente por meio da União, que é a entidade jurídico-política que representa a
unidade nacional e possui a exclusividade da soberania nas relações internacionais4.
O Estado brasileiro é dividido em três poderes distintos: Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um deles
é liderado, respectivamente, pelo Presidente da República, pelo Congresso Nacional (composto por senadores e
deputados federais) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Presidente da República, desde janeiro de 2023 é Luiz Inácio Lula da Silva, desempenha funções que
incluem a nomeação e exoneração de ministros de Estado, bem como a direção superior da administração
federal, pode emitir medidas provisórias, decretos e vetar parcial ou totalmente projetos de lei, além de
comandar as Forças Armadas.
O sistema político brasileiro é conhecido como "presidencialismo de coalizão" 5, resultado de um arranjo
institucional específico que combina características como hiperpresidencialismo, multipartidarismo, eleições
parlamentares proporcionais com lista aberta e federalismo, essa combinação é frequentemente apontada como
problemática. O "presidencialismo de coalizão" sustenta a necessidade de coalizões políticas na formação da
aliança, formação do governo e na governança para garantir a governabilidade. No entanto, esse sistema é mais
do que apenas uma estrutura institucional; é também uma ideologia que muitas vezes esconde aspectos
negativos, como o clientelismo e o patrimonialismo, presentes no setor público brasileiro.
As coalizões frequentemente tornam o Executivo refém do Legislativo, uma vez que a governabilidade
depende da manutenção dessas alianças ao longo do mandato e isso pode levar a decisões governamentais que
atendem a interesses políticos e regionais contraditórios, prejudicando a coesão e a coerência nas políticas
públicas em casos de quebra de alianças ou divergências internas na base de coalizão. Isso tem historicamente

3
https://brasil.un.org/pt-br/198320-idh-relat%C3%B3rio-indica-recuo-no-desenvolvimento-humano-em-90-dos-pa
%C3%ADses
4
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm
5
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/38/edicao-1/presidencialismo
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favorecido a continuidade desse clientelismo e patrimonialismo no setor público brasileiro. Em resumo, o
"presidencialismo de coalizão" no Brasil é uma realidade institucional e uma ideologia que, embora tenha
contribuído para a estabilidade política, apresenta desafios significativos relacionados à corrupção e à falta de
coerência nas políticas públicas. Isso indica a necessidade de uma análise crítica e a busca por soluções que
promovam uma governança mais eficaz e transparente.
O Poder Legislativo6 tem a responsabilidade de criar leis e avaliar as propostas feitas pelo Presidente, todo
projeto de lei deve passar primeiro, pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado. O sistema político-eleitoral
brasileiro ainda é marcado pela fragmentação partidária. Após as eleições de 2022, 19 partidos tem
representação na Câmara dos Deputados que é composta por 513 parlamentares, chamados de representantes
do povo. A composição busca representar proporcionalmente a população de cada unidade da Federação. Já o
Senado Federal, a outra casa do Congresso Nacional, possui 81 senadores, sendo três por cada unidade da
Federação. Artur Lira (PP-AL) é o Presidente da Câmara dos Deputados e ocupa a segunda posição na linha de
sucessão presidencial. O Senado Federal é presidido por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que também é o Presidente
do Congresso Nacional.
O tamanho das bancadas no Congresso tem impacto direto no financiamento dos partidos políticos, a
maior parte dos recursos do Fundo Partidário é distribuída com base na votação para deputados federais.
Bancadas maiores também recebem mais recursos do fundo especial destinado ao financiamento das campanhas
eleitorais e mais tempo de televisão. No Senado, o Partido Liberal (PL) possui a maior bancada, com 14 das 27
vagas, é a primeira vez desde a redemocratização em que o MDB não detém a maior bancada.
Por fim, o Poder Judiciário78 é responsável por interpretar as leis e julgar cidadãos que não as cumpriram.
A mais alta instância do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), é composta por juízes nomeados pelo
presidente e aprovados pelo Senado, o plenário do STF é formado por 11 ministros escolhidos pelo presidente da
República entre cidadãos com idade entre 35 e 70 anos de notório saber jurídico e reputação ilibada. A escolha
dos ministros é submetida ao Senado, onde deve ser aprovada por maioria absoluta, antes de serem nomeados
pelo chefe do Executivo. Somente brasileiros natos podem ocupar as cadeiras do STF, e o mandato termina
apenas com a aposentadoria compulsória aos 75 anos de idade. O STF é o guardião da Constituição Federal,
sendo responsável por resguardar a autoridade da norma constitucional em todo o país e dar a palavra final na
interpretação dos princípios e regras estabelecidos na Constituição.
A independência e harmonia entre os Poderes são fundamentais para o Estado de Direito, e o STF
desempenha um papel central nesse equilíbrio. É crucial que cada Poder respeite as capacidades institucionais e
atribuições dos outros, garantindo o controle recíproco e contribuindo para a prevalência da democracia, por
meio de autocontenção, diálogo institucional e segurança jurídica.

Eleições de 2022

O processo eleitoral de 2022 se destacou como um dos mais intensos e complexos das últimas décadas,
especialmente devido aos abusos de poder, à disseminação de desinformação e a violação das regras do jogo

6
https://www2.camara.leg.br/a-camara/documentos-e-pesquisa/arquivo/sites-tematicos/a-camara-eleicoes/arquivos/a-
organizacao-politica-brasileira
7
https://portal.stf.jus.br/ostf/
8
https://www.oab.org.br/noticia/59930/stf-o-guardiao-da-constituicao-na-ultima-instancia-do-judiciario#:~:text=
%E2%80%9CO%20STF%20%C3%A9%20o%20guardi%C3%A3o,regras%20estabelecidos%20na%20Carta%20Magna.
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democrático. Essas eleições foram apontadas como uma das mais significativas e cruciais na história do país, não
apenas devido ao grande número de eleitores envolvidos, mas também devido a preocupações profundas que as
cercaram9. A fim de garantir sua confiabilidade, as Eleições Gerais de 2022 contaram com a presença de Missões
de Observação Eleitoral, tanto nacionais quanto internacionais, que destacaram o reconhecimento dos resultados
da eleição e elogiaram a integridade, credibilidade e organização do processo eleitoral brasileiro em todas as suas
fases. Essas observações garantiram o fortalecimento da democracia no Brasil10.
O Brasil registrou o maior eleitorado da história, com 156 milhões de cidadãos aptos a votar. A discussão
sobre as eleições foi marcada por preocupações fundamentais, incluindo apelos em defesa da democracia,
convocações para protestos populares e até mesmo ameaças de natureza golpista. Esse contexto fez com que a
eleição nacional em outubro fosse vista, não apenas como uma escolha entre diferentes opções de liderança, mas
também como uma garantia de que o próprio sistema democrático fosse preservado 1112. Elas se tornaram um
exemplo notável da soberania popular, o direito dos eleitores de confirmar ou revogar o mandato de seus
governantes, com dois principais candidatos na disputa presidencial: Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos
Trabalhadores (PT), e Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal (PL).
Em termos gerais, o debate público em torno das eleições presidenciais de 2022 se concentrou na
disseminação de desinformação e nas mobilizações antidemocráticas que questionaram abertamente a
transparência do processo eleitoral, houve diversas ações e declarações que ameaçaram as principais instituições
da democracia, como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. O presidente Jair Bolsonaro e seus
apoiadores levantaram questões sobre o sistema de votação eletrônica e a forma como os resultados eleitorais
são computados, deixando claro que o presidente em exercício poderia não aceitar os resultados das eleições,
semelhante ao que ocorreu com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump em 2020, caso ele fosse
derrotado em sua busca pela reeleição1314.
Através de uma retórica crítica em relação à esquerda e fundamentado em um projeto conservador que
visava preservar valores tradicionais, como a família, a pátria e a propriedade, Bolsonaro conseguiu conquistar o
apoio de grupo de eleitores que compartilham seus princípios e ideias e da utilização de sentimento antipetista.
O bolsonarismo, enquanto movimento político é multifacetado, incluindo a oposição a avanços sociais
progressistas em questões relacionadas aos direitos de gênero e à comunidade LGBTQIA+, a defesa de políticas
rigorosas de combate ao crime e à corrupção, e a crítica a políticas sociais que buscam reduzir as desigualdades
por meio de ações afirmativas.
Em um contexto de alta polarização, em que paradoxalmente a instabilidade decorrente de uma contínua
erosão institucional, coexiste com a sensação de retorno a comportamentos e reações associados à direita no
Brasil e na América Latina como a diminuição da intervenção do Estado na economia, expressa na promoção de
privatizações, e a ideia de que os indivíduos são responsáveis pelo seu próprio sucesso pessoal. Isso não implica
que os eleitores bolsonaristas adotem com a mesma intensidade todas essas posturas, o bolsonarismo não pode
ser reduzido a uma única dimensão subjacente. Trata-se de um fenômeno que atrai diversos grupos de eleitores

9
RENNÓ, Lucio. Bolsonarismo e as eleições de 2022. Estudos Avançados, v. 36, p. 147-163, 2022.
10
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Novembro/missoes-de-observacao-ajd-afirma-em-relatorio-que-
eleicoes-2022-celebraram-a-democracia
11
TRAVEZANI, Elora; NATALINO, Plínio. Eleições 2022: nostálgico futuro. Revista Pet Economia UFES, v. 2, n. 2, p. 47-50, 2022.
12
Democracia e eleições no Brasil: para onde vamos? / organizadoras Magna Inácio, Vanessa Elias de Oliveira. - 1. ed. - São
Paulo: Hucitec, 2022.
13
Op cit
14
https://jornal.usp.br/radio-usp/eleicoes-de-2022-colocam-em-risco-a-sobrevivencia-da-democracia-e-a-soberania-dos-
eleitores/
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que anteriormente não se alinhavam organicamente a um movimento coeso, mas que agora o fazem, o
bolsonarismo reuniu públicos que antes estavam dispersos. Deve-se destacar que não se trata exclusivamente de
uma reação emocional de ressentimento ou de um grupo de eleitores iludidos por desinformação, parece ser um
fenômeno mais estruturado. Bolsonaro é um líder populista que combina a defesa de uma agenda política com
posições conservadoras e de direita sobre questões sociais15.
A campanha de Luís Inácio Lula da Silva buscou ter por base uma frente ampla, incluindo Geraldo Alckmin,
um antigo adversário político que agora era candidato à vice-presidência. Lula conseguiu conquistar o apoio de
aliados importantes, que iam além dos nomes esperados da esquerda. O candidato do PT conseguiu mobilizar
amplo apoio de diversos setores sociais, incluindo a classe de baixa renda, mulheres de diversas áreas
profissionais, artistas, celebridades, parte da classe empresarial, política e financeira", Lula quebrou barreiras
ideológicas ao conquistar o apoio de figuras consideradas de centro-direita. Ele recebeu apoio até mesmo de ex-
opositores, como Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Joaquim Barbosa
(ex-STF), entre outros.
Na reta final do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, ele lançou uma nova "carta aos
brasileiros" intitulada "Carta para o Brasil de Amanhã". Nesse documento, foram enumeradas propostas para um
novo governo sob a liderança de Lula.
"O primeiro conjunto de medidas de nosso governo será destinado a tirar 33 milhões de pessoas da fome
e resgatar mais de 100 milhões de brasileiros da pobreza", enfatizou a "Carta" em seus parágrafos iniciais. "A
democracia só será verdadeira quando toda a população tiver acesso a uma vida digna, sem exclusões", definiu o
documento. O que une essa frente ampla reunida em torno de Lula está resumido no tripé "responsabilidade
fiscal, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável", que representa a promessa de seu governo,
conforme registrado no documento. A política fiscal "responsável", de acordo com o texto, deve cumprir
"compromissos plurianuais, compatíveis com o enfrentamento da emergência social que vivemos e com a
necessidade de reativar o investimento público e privado para tirar o país da estagnação"16.
As eleições de 2022 apresentaram características altamente distintivas, foi a primeira vez em que um
presidente buscando a reeleição enfrentou um ex-presidente. Promoveu-se comparação dos legados deixados
por ambos os governantes e uma disputa sobre as preferências em relação às políticas públicas adotadas. Os
eleitores avaliaram o desempenho de cada governo e as justificativas apresentadas, tornando esta eleição
predominantemente retrospectiva, com foco no julgamento do que foi realizado e das conquistas de cada
administração, em vez de discussões prospectivas sobre o futuro do país. Num cenário altamente polarizado, o
espaço para discutir propostas políticas ficou em segundo plano e a atenção concentrou-se nas implicações para
as filiações ideológicas dos eleitores. A polarização ampliou a diferenciação e o distanciamento entre os campos
políticos, resultando em uma maior homogeneização interna17.
Nesse contexto, as preferências sobre temas políticos e questões ideológicas ganharam importância para
além das avaliações exclusivamente econômicas. Além disso, as eleições de 2022 ocorreram em um ambiente
pós-pandemia, com as profundas consequências dessa tragédia mundial fortemente sentidas no Brasil. Por fim, e
mais significativamente, as eleições de 2022 se realizaram em um contexto de crescente questionamento da
ordem democrática no país, tanto por parte de segmentos da população quanto pelo próprio Presidente em
exercício à época. O autoritarismo passou a ser uma característica associada ao bolsonarismo, manifestando-se
através do questionamento do sistema de votação baseado nas urnas eletrônicas e tentativas, sem sucesso, de
15
RENNÓ, Lucio. Bolsonarismo e as eleições de 2022. Estudos Avançados, v. 36, p. 147-163, 2022.
16
https://pt.org.br/wp-content/uploads/2022/10/amanhacc83-v1-1.pdf
17
RENNÓ, Lucio. Bolsonarismo e as eleições de 2022. Estudos Avançados, v. 36, p. 147-163, 2022
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modificar as regras institucionais para introduzir a impressão do voto. O processo também foi marcado por
repetidas alegações sobre a integridade da contagem dos votos, sua suscetibilidade à manipulação e a suposta
impossibilidade de verificar o processo ou recontar os votos, o que incentivou suspeitas e a deslegitimação do
sistema, especialmente quando os resultados não foram favoráveis ao presidente em exercício 18.

Pós eleições

Jair Messias Bolsonaro tornou-se o primeiro presidente brasileiro a não conquistar a reeleição e manteve-
se em silêncio na noite em que foi derrotado pelo candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto isso, vários
aliados do presidente expressaram suas opiniões sobre o resultado da eleição, demonstrando apoio a Bolsonaro e
prometendo se opor ao novo governo. Lula venceu a eleição com 50,9% dos votos (60.345.999), enquanto
Bolsonaro obteve 49,1% (58.206.354)19.
Após o encerramento da eleição presidencial em 30 de outubro, uma série de manifestações e atos
considerados golpistas, começaram a ocorrer em todo o país. Esses eventos foram organizados e financiados por
grupos de extrema-direita, compostos por pessoas que não aceitaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas
eleições e que pediam por um golpe militar para impedir sua permanência como presidente do Brasil.
Uma dessas manifestações se configurou com o fechamento de rodovias em pelo menos 23 estados e no
Distrito Federal por caminhoneiros apoiadores de Bolsonaro que começaram horas após o anúncio oficial da
vitória do candidato petista, foram registrados 338 pontos de protesto em diversos estados. Na madrugada de
terça-feira, 1º de novembro, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão
individual do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou à Polícia Rodoviária Federal (PRF) e às polícias militares
estaduais que desbloqueassem as rodovias. No entanto, na manhã seguinte, ainda havia trechos bloqueados 20. A
maioria dos bloqueios era total, impedindo a passagem de qualquer veículo nas vias, eles ocorreram
principalmente em estradas federais e essas ações resultaram em graves consequências como escassez de
produtos essenciais como alimentos, combustíveis e medicamentos, restrições à liberdade de locomoção,
cancelamento de voos, atos de vandalismo e violência, além de incidentes como atropelamentos, agressões e
mortes. Santa Catarina foi o estado com o maior número de bloqueios. Os protestos nas estradas perderam força
em 3 de novembro, mas passaram a ser realizados em frente a quartéis militares. Desde o desfecho das eleições,
apoiadores de Jair Bolsonaro têm se concentrado nas proximidades de instalações das Forças Armadas do Brasil,
como quartéis e tiros de guerra, em atos e vigílias em protesto contra a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse
movimento se espalhou por todo o país e não apresentava líderes nacionais definidos, clamava-se por uma
intervenção das Forças Armadas para anular o resultado das eleições e impedir a posse de Lula destituir ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF) e assegurar a permanência de Bolsonaro no poder. No entanto, juristas
alertam que tais medidas poderiam desencadear uma ruptura do Estado Democrático de Direito 21.

18
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/11/22/pl-apresenta-relatorio-e-pede-invalidacao-de-votos-sem-
apresentar-provas-de-fraude-tse-ordena-que-partido-se-manifeste-tambem-sobre-o-1o-turno.ghtml
19
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2022/Outubro/100-das-secoes-totalizadas-confira-como-ficou-o-quadro-
eleitoral-apos-o-2o-turno
20
https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/10/31/caminhoneiros-fecham-rodovias-contra-resultado-das-
urnas-apos-derrota-de-bolsonaro.ghtml
21
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64042482
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Os acampamentos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) começaram a ganhar força em
novembro de 2022, diante dos quartéis do Exército em vários estados do Brasil, em rejeição ao resultado das
urnas que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A maioria dos manifestantes era composta por idosos de classe média, vestidos com camisas amarelas e
envoltos na bandeira brasileira. Suas demandas eram variadas, incluindo a oposição ao que chamavam de
"sistema", que definiam como um conjunto de "pessoas, partidos políticos, empresários, mídia, juízes e
promotores" que, segundo eles, estariam buscando controlar a sociedade em detrimento dos cidadãos comuns:
"O sistema é muito maior do que todos nós imaginamos", afirmavam, em um discurso semelhante ao utilizado
por Donald Trump e Jair Bolsonaro em suas campanhas vitoriosas para as presidências dos EUA e do Brasil.22
Outros afirmavam estar convencidos de que havia uma grande conspiração para ocultar a verdade, eles
alegavam que as urnas eletrônicas teriam sido fraudadas para garantir a vitória de Lula e argumentavam que as
Forças Armadas não tiveram acesso ao "código fonte", a linguagem de programação que governa o
funcionamento das urnas. No entanto, o TSE afirmou que o código-fonte estava disponível desde outubro de
2021 e que as regras de acesso ao código visam proteger o sistema de votação. Além disso, outras entidades que
fiscalizaram a eleição, como a Polícia Federal, universidades públicas e o Ministério Público Federal que não
encontraram evidências de fraude no processo eleitoral 23. Os bolsonaristas que permaneceram acampados em
frente aos quartéis, mesmo após quase dois meses do segundo turno das eleições, pressionavam Bolsonaro para
tomar alguma medida e orientar os manifestantes. Eles citavam vídeos compartilhados em aplicativos de
mensagens bolsonaristas no WhatsApp e Telegram como fonte principal de informações e argumentação.
Diversos episódios violentos ocorreram dentro dos acampamentos bolsonaristas, mas dois merecem
atenção especial os ataques no dia da diplomação do Presidente Lula e a tentativa de atentado a bomba no
aeroporto, ambos em Brasília.
As ruas do centro de Brasília se converteram em um verdadeiro campo de batalha na noite da segunda-
feira (12/12), com incêndios em carros e ônibus, explosões, disparos de armas de fogo, explosões de bombas, e
um rastro de destruição deixado por manifestantes bolsonaristas. De acordo com informações dos bombeiros do
Distrito Federal, sete veículos foram incendiados, incluindo quatro ônibus completamente consumidos pelas
chamas e um parcialmente danificado. Estes atos de vandalismo surgiram como resposta à prisão de um ativista
acusado de promover atividades antidemocráticas, levando os manifestantes a incendiarem ônibus e carros, bem
como a tentarem invadir o prédio da Polícia Federal. Estes eventos colocaram à prova a eficácia das forças de
segurança no Distrito Federal24.
Durante os distúrbios, não houve prisões efetuadas pelas forças de segurança. Os protestos ocorreram no
mesmo dia em que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi diplomado pelo Tribunal Superior
Eleitoral, e se intensificaram após a prisão do líder bolsonarista José Acácio Tserere Xavante. De acordo com a
Procuradoria-Geral da República (PGR), o cacique indígena se aproveitou de sua posição de líder do Povo Xavante
para instigar seus seguidores a ameaçar o presidente eleito Lula, bem como os ministros do Supremo Tribunal
Federal, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. A PGR alegou que a manifestação, em princípio criminosa e
antidemocrática, tinha claramente a intenção de instigar a população a tentar, com o uso de violência ou ameaças

22
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64042482
23
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/acampamentos-bolsonaristas-sao-desmontados-em-varios-estados-apos-ordem-de-
moraes/#:~:text=As%20bases%20dos%20acampamentos%20de,Lula%20da%20Silva%20(PT).
24
https://www.metropoles.com/brasil/clima-de-guerra-a-20-dias-da-posse-de-lula-eleva-tensao-em-brasilia
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graves, subverter o Estado Democrático de Direito, impedindo assim a posse do presidente e vice-presidente
eleitos. Esta alegação embasou o pedido de prisão do cacique Xavante25.
Na decisão que resultou na prisão de Tserere Xavante, o ministro Alexandre de Moraes foi enfático ao
afirmar que a restrição da liberdade do investigado, por meio da prisão temporária, era a única medida capaz de
garantir a integridade da investigação. A confusão teve início quando os bolsonaristas tentaram invadir a sede da
Polícia Federal, na Asa Norte de Brasília, após a prisão do indígena, que foi determinada pelo presidente do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes26.
Durante a cerimônia de diplomação de Lula no TSE, Alexandre de Moraes fez um discurso incisivo contra
setores da sociedade e da política que persistiram em questionar o processo eleitoral e atacar o Judiciário. Ele
afirmou que as instituições funcionaram para responsabilizar e impedir os planos daqueles que tentaram
estabelecer "um regime de exceção" no país. O presidente do TSE enfatizou que a diplomação representava o
reconhecimento da lisura do processo eleitoral e da legitimidade política da escolha feita pela maioria através do
voto popular. Para garantir a segurança, a Secretaria de Segurança Pública do DF fechou a Praça dos Três Poderes
e reforçou a vigilância no hotel onde o presidente eleito estava hospedado 27.
Já a tentativa de atentado a bomba no Aeroporto de Brasília se deu em 24 de dezembro de 2022, quando
um artefato explosivo foi encontrado em uma caixa na via que dá acesso ao Aeroporto de Brasília. George
Washington de Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues planejaram um atentado terrorista utilizando
um caminhão de combustível28.
A motivação por trás dessa tentativa de explosão era de natureza política. Os perpetradores confessaram
ter montado o artefato explosivo com a intenção de causar caos e chamar a atenção para o movimento em que
estavam envolvidos, eles afirmaram que o plano foi elaborado "com os manifestantes do QG do Exército para
provocar a intervenção das Forças Armadas e a decretação de estado de sítio para impedir a instauração do
comunismo no Brasil"29. A Polícia Militar foi alertada depois que um motorista de um caminhão-tanque notou um
objeto suspeito na carroceria de seu veículo, que estava estacionado nas proximidades do Aeroporto
Internacional de Brasília. A área foi imediatamente isolada, e horas depois, o material foi identificado como
explosivo e desativado pela polícia. Naquela noite, a Polícia Civil prendeu o suspeito George Washington de
Oliveira Sousa, de 54 anos, que é gerente de um posto de gasolina em Xinguara, no Pará. Ele estava acampado em
Brasília, em frente ao Quartel-General do Exército, onde se reuniam bolsonaristas radicais com intenções
golpistas.30
O juiz Osvaldo Tovani condenou o empresário George Washington de Oliveira Sousa a uma pena de nove
anos e quatro meses de prisão, enquanto Alan Diego dos Santos Rodrigues foi condenado a cinco anos e quatro
meses. As acusações englobam crimes de explosão, incêndio criminoso e posse ilegal de arma de fogo. Na
decisão, o magistrado considerou que George Washington havia premeditado o crime e constatou que os dois

25
https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2022/12/5058663-brasilia-e-atacada-por-atos-extremistas-cometidos-
por-bolsonaristas.html
26
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/12/pm-fecha-praca-dos-3-poderes-apos-vandalismo-de-bolsonaristas-e-
reforca-vigilancia-em-hotel-de-lula.shtml
27
https://veja.abril.com.br/coluna/radar/na-diplomacao-de-lula-moraes-critica-covardes-ataques-ao-judiciario
28
https://exame.com/brasil/bolsonaristas-sao-condenados-a-prisao-por-tentativa-de-atentado-a-bomba-no-aeroporto-do-
df/
29
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/12/25/justica-decreta-prisao-preventiva-de-bolsonarista-que-planejou-
atentado-terrorista-nos-arredores-do-aeroporto-de-brasilia.ghtml
30
Op cit
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acusados se conheceram no acampamento formado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente ao
quartel do Exército em Brasília31.
De forma geral, os manifestantes acampados buscavam forçar uma suposta "intervenção militar
constitucional" e, com frequência, portavam cartazes que exigem a reinstalação do AI-5. Ao longo desse processo,
destacaram-se advogados de renome, como Ives Gandra Martins, que tentam fundamentar teoricamente essa
ideia, alegando interpretar o artigo 142 da Constituição da República. O caput do artigo 142 tem a seguinte
redação: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições
nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema
do presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.
O texto menciona que as Forças Armadas têm atribuições claras: a) a defesa da pátria; b) a garantia dos
poderes constitucionais; e c) a manutenção da lei e da ordem. Para compreender adequadamente o artigo 142 da
Constituição da República, é necessário considerar outros dispositivos constitucionais e o contexto histórico-
institucional em que a Constituição foi elaborada.
A Constituição de 1988 não concebeu as Forças Armadas como um poder independente, mas as
incorporou como parte da estrutura burocrática da administração pública, subordinada ao Poder Executivo com o
presidente da República atuando como seu "comandante supremo". A ideia de um "poder moderador" não
encontra compatibilidade com a estrutura funcional definida pelos constituintes. Os poderes constitucionais são
"independentes" e a relação entre eles deve buscar a "harmonia". Considerar as Forças Armadas como um "poder
moderador" implicaria considerar o Poder Executivo, chefiado pelo presidente da República, como um
superpoder, uma vez que ele comanda as Forças Armadas. Tal interpretação não parece razoável, uma vez que é
imperativo que os detentores das armas, sujeitos a limites claros, não detenham um poder que a Constituição
claramente não lhes conferiu32.
Conflitos entre os Poderes da República são comuns, pois eles frequentemente se deparam com questões
controversas, como a declaração de inconstitucionalidade de normas ou o veto presidencial a projetos de lei.
Portanto, no século XVIII, foi desenvolvida a Teoria da Separação de Poderes e o sistema de freios e contrapesos,
que envolve o controle de um poder sobre o outro para evitar abusos. Uma visão heterodoxa do artigo 142
sugere a possibilidade de as Forças Armadas atuarem como moderadoras de conflitos entre os Poderes da
República, oferecendo uma intervenção constitucional para resolver disputas e isso gerou debate na sociedade,
discursos políticos e na doutrina.
No entanto, essa visão não encontra respaldo na lei, especialmente quando se considera a interpretação
gramatical, que não prevê tal poder nas palavras da Constituição, na manutenção da separação de poderes e na
necessidade do sistema de freios e contrapesos para garantir a harmonia e a independência entre os poderes.
Ainda fica claro que, após um período de ditadura militar não havia base histórica e interesse social para conceder
amplos poderes de intervenção às Forças Armadas, os regimes democráticos confiam na atuação de forças
políticas civis para garantir a participação de diversos atores nas decisões públicas.
Portanto, não é viável atribuir um poder tão significativo a um grupo sobre as instituições fundamentais
de um sistema democrático, especialmente em um sistema democrático jovem que busca manter a conciliação de

31
https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-05/justica-condena-acusados-atentado-bomba-brasilia
32
DE ARAÚJO, Marcelo Labanca Corrêa et al. O ARTIGO 142 DA CONSTITUIÇÃO E OS MALABARISMOS CONSTITUCIONAIS.
DEMOCRACIA, p. 128.
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diversos movimentos e interesses. Consequentemente, não se deve interpretar a possibilidade levantada de um
"Poder Moderador" nas mãos das Forças Armadas como compatível com a Constituição33.

Ataques de 08 de janeiro

Os eventos ocorridos em Brasília em 8 de janeiro de 2023 foram uma série de atos de vandalismo, invasões e
destruições do patrimônio público, perpetrados por uma multidão de extremistas bolsonaristas. Essa multidão
invadiu os edifícios do governo federal na capital brasileira com o objetivo de fomentar um golpe militar contra o
governo de Luiz Inácio Lula da Silva e restaurar Jair Bolsonaro à presidência do Brasil.
Por volta das 13h, horário de Brasília, cerca de 4 mil bolsonaristas radicais partiram do Quartel-General do
Exército e marcharam em direção à Praça dos Três Poderes, entrando em confronto com a Polícia Militar do
Distrito Federal (PMDF) na Esplanada dos Ministérios. Antes das 15h, essa multidão conseguiu superar a barreira
de segurança estabelecida pelas forças da ordem, ocupando a rampa e o terraço do Palácio do Congresso
Nacional. Além disso, parte do grupo invadiu e causou danos ao Congresso, ao Palácio do Planalto e ao Supremo
Tribunal Federal. É importante mencionar que tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto Jair Bolsonaro
não estavam em Brasília no momento das invasões. O Supremo Tribunal Federal classificou esses eventos como
atos de terrorismo. Essa situação colocou novamente o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de
Moraes, no centro das decisões políticas. No próprio domingo, Moraes tomou medidas como afastar o
governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), decretar a prisão preventiva do ex-ministro da Justiça do
governo Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública de Brasília, Anderson Torres, além de implementar
medidas como a identificação pessoal de milhares de indivíduos, bloqueio de contas bancárias, apreensão de
ônibus ligados aos ataques e investigação do financiamento das ações dos manifestantes na capital.
Os incidentes também tiveram impacto no novo governo, que, em menos de um mês após as eleições, já
enfrenta desafios significativos. Além de responsabilizar os envolvidos, o presidente Lula precisa lidar com uma
pequena crise envolvendo os Ministérios da Defesa e Justiça e Segurança Pública. José Múcio vem sendo alvo de
críticas políticas por não ter tomado medidas mais enérgicas em relação aos acampamentos em Brasília e em
outros estados. Além disso, especialistas observam os desdobramentos legais no Supremo Tribunal Federal em
relação à conduta dos responsáveis pela segurança do Distrito Federal, de Ibaneis Rocha e de Jair Bolsonaro, que
podem ser associados e responsabilizados pelos movimentos antidemocráticos.
As mídias sociais também desempenharam um papel importante na explicação dos acontecimentos desse
dia, amplificando a desinformação. Muitas pessoas foram a Brasília acreditando que poderiam reverter o
resultado das eleições. Durante mais de um ano, mensagens nas redes sociais disseminaram a falsa ideia de que
as urnas eletrônicas não eram seguras e que a Constituição permitiria uma intervenção militar em circunstâncias
excepcionais para restaurar a ordem. No entanto, constitucionalistas enfatizaram repetidamente que o artigo 142
da Constituição não autoriza uma intervenção militar. O Supremo Tribunal Federal, inclusive, emitiu uma liminar

33
LEONEL, Michael. É Condizente a Interpretação das Forças Armadas como Moderadora dos Poderes na República
Brasileira? Uma Análise Hermenêutica sobre o Artigo 142 da Constituição Brasileira. 2022.
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em 2020 declarando que os militares não têm a prerrogativa de exercer a função de poder moderador em um
cenário de conflito entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
No domingo à tarde, os manifestantes golpistas partiram do Quartel-General, onde alguns deles
acamparam por semanas durante os protestos eleitorais de 2022, exigindo um golpe militar. Eles conseguiram
romper as barreiras policiais e confrontaram os policiais armados, alguns policiais não tomaram medidas contra
os vândalos e mostraram condescendência com os invasores e a multidão invadiu áreas restritas, subindo a
rampa do Congresso Nacional e penetrando nos prédios do Congresso, Palácio do Planalto (sede do Poder
Executivo) e Supremo Tribunal Federal (STF). Os manifestantes protestavam contra a eleição de Lula, pediam uma
intervenção militar, o fechamento do Congresso, a prisão de Lula e o retorno de Bolsonaro ao poder.
Os danos ao patrimônio resultantes dos ataques de 8 de janeiro em Brasília foram extensos e afetaram as
sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. Uma série de espaços
importantes nos três prédios invadidos foi amplamente danificada e saqueada, incluindo o Salão Nobre e o
Plenário do STF, bem como os salões Verde, Azul e Negro do Congresso, além do saguão, do Salão Nobre e do
gabinete da Primeira-Dama no Palácio do Planalto. Outras áreas, como corredores, salas e gabinetes, também
sofreram vandalismo, resultando em danos substanciais a móveis, equipamentos e diversos objetos. Vários
espaços foram completamente destruídos.
Em 11 de janeiro de 2023, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relatou que 1.418 pessoas haviam sido
detidas devido aos ataques e encaminhadas ao Complexo Penitenciário da Papuda e à penitenciária feminina da
Colmeia. Dentre os detidos, 222 foram presos na Praça dos Três Poderes, enquanto 1.196 estavam no
acampamento montado no Quartel-General do Exército. Por razões humanitárias, 599 pessoas foram liberadas
sem a necessidade de depor, incluindo idosos, pessoas em situação de rua, com problemas de saúde e mães com
crianças. O STF criou uma força-tarefa para conduzir audiências, que serão realizadas por juízes federais e do
Tribunal de Justiça do Distrito Federal e encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes, que decidirá sobre a
manutenção das prisões. Antes disso, a Defensoria Pública da União (DPU) defendeu a libertação de pessoas
consideradas extremamente vulneráveis e a substituição da prisão por medidas cautelares, como proibição de
sair dos estados de origem, de frequentar quartéis e instalações militares, de utilizar redes sociais e de manter
contato com outros manifestantes que não sejam parentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticando a
falta de ação de alguns setores do governo do Distrito Federal, decretou intervenção federal no Distrito Federal,
que vigorará até 31 de janeiro de 2023, com base em fundamentos constitucionais para restaurar a ordem
pública.

Inelegibilidade de Jair Bolsonaro

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou, por maioria de votos (5 a 2), a inelegibilidade do
ex-presidente Jair Bolsonaro por oito anos, contados a partir das Eleições de 2022. A decisão se baseou no
reconhecimento da prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de

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comunicação durante uma reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros em 18 de
julho do ano anterior. Walter Braga Netto, que compunha a chapa de Bolsonaro para a reeleição, foi excluído da
sanção, já que não ficou demonstrada sua responsabilidade na conduta, e essa parte da decisão foi unânime, i
concluído na tarde de sexta-feira, 30 de junho, com a proclamação do resultado pelo presidente da Corte,
ministro Alexandre de Moraes.
A maioria dos ministros seguiu o voto do relator, ministro Benedito Gonçalves, determinando a
comunicação imediata da decisão à Secretaria da Corregedoria-Geral Eleitoral (CGE) para que,
independentemente da publicação do acórdão, a restrição à capacidade eleitoral passiva de Jair Bolsonaro, ou
seja, a impossibilidade de se candidatar e ser votado em eleições, seja registrada em seu histórico no cadastro
eleitoral. A decisão também será comunicada à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para possíveis providências na
área penal, ao Tribunal de Contas da União (TCU) devido ao uso potencial de bens e recursos públicos em eventos
que tiveram fins eleitoreiros e a outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para conhecimento e
providências cabíveis.
O presidente do TSE, em seu voto, destacou que houve um desvio de finalidade na conduta de Bolsonaro
ao defender uma agenda pessoal e eleitoral a apenas três meses das eleições. Esse discurso, segundo Moraes,
incitou seu eleitorado e outros eleitores indecisos contra o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas. Ele ressaltou
que, independentemente do público presente na reunião, a repercussão nas redes sociais tinha como alvo
específico aqueles que poderiam votar no então candidato à reeleição. Moraes argumentou que o desvio de
finalidade era evidente, pois a reunião como chefe de Estado serviu para autopromoção do candidato e para
atacar o sistema eleitoral pelo qual ele próprio havia sido eleito em 2018. O presidente do TSE enfatizou que não
se tratava de opiniões legítimas, mas sim de mentiras fraudulentas.
A ministra Cármen Lúcia votou pela inelegibilidade na sessão e destacou que o evento tinha claramente
um caráter eleitoreiro. Por sua vez, o ministro Nunes Marques votou contra a decisão, argumentando que o
discurso de Bolsonaro aos embaixadores não teve gravidade suficiente para prejudicar a igualdade entre os
futuros candidatos e influenciar negativamente a participação dos eleitores nas urnas eletrônicas nas eleições de
2022. Ele enfatizou que a Justiça Eleitoral deve ter uma intervenção mínima no processo eleitoral.
O relator da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), ministro Benedito Gonçalves, foi o primeiro a
votar pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro e destacou que o ex-presidente tinha responsabilidade direta e
pessoal ao cometer uma "conduta ilícita em benefício de sua candidatura à reeleição". Ele enfatizou que o abuso
de poder político ocorre quando um agente público age com desvio de finalidade, com a intenção de interferir no
processo eleitoral, e que o uso indevido dos meios de comunicação se manifestou na exposição desproporcional
de um candidato em detrimento dos outros, causando desequilíbrio na disputa eleitoral.
O ministro Floriano de Azevedo Marques analisou detalhadamente o discurso de Bolsonaro na reunião
com embaixadores e identificou quatro linhas de retórica com conotação eleitoral, ressaltando que o
enquadramento jurídico estava focado no artigo 22 da Lei Complementar nº 64/1990 (Lei de Inelegibilidade). Ele

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concluiu que houve desvio de finalidade, abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação,
afirmando que as ações foram anormais, imorais e graves.
Em contrapartida, o ministro Raul Araújo abriu divergência, votando pela improcedência da Aije,
argumentando que o discurso de Bolsonaro não teve gravidade suficiente para afetar a legitimidade das eleições
presidenciais. Ele enfatizou que a Justiça Eleitoral deve ter uma intervenção mínima no processo eleitoral. O
julgamento se estendeu por quatro sessões e contou com análises detalhadas do caso e votos dos ministros,
culminando na decisão de inelegibilidade de Jair Bolsonaro, com uma análise rigorosa das provas produzidas
durante o processo34.

Saúde 2022/2023

Uma das consequências da pandemia de COVID-19 em 2019 foi a implementação de ações e ferramentas
que ampliaram o acesso aos serviços de saúde, com um foco especial na saúde mental 35 como forma de
manutenção e prevenção de doenças. Uma das principais áreas de destaque na saúde suplementar ao longo do
ano foi a atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde36.
O processo de revisão do Rol tornou-se mais dinâmico e acessível, permitindo uma participação social
abrangente e garantindo a segurança, eficácia e efetividade dos procedimentos e eventos em saúde
incorporados. Durante o ano de 2022, foram realizadas 15 atualizações que incluíram um total de 49 itens,
abrangendo procedimentos, medicamentos, indicações e ampliações de uso. Entre as conquistas notáveis,
destacam-se a inclusão do teste rápido para diagnóstico da COVID-19, o teste para a doença Monkeypox, o
transplante de fígado, quimioterápicos orais, métodos para o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA)
e a eliminação do limite para o número de consultas com psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e
fonoaudiólogos37. Houve também ênfase em projetos relacionados à promoção nacional da saúde, assistência e
promoção de saúde mental, bem como medidas de prevenção e assistência relacionadas à COVID-19, incluindo o
estudo "Pesquisa COVID-19 no MPF," que forneceu informações sobre a vacinação e mapeou o perfil
epidemiológico de casos de COVID-1938. Paulo Rebello, diretor-presidente da ANS, destacou a importância da
inovação em um mundo em constante transformação, especialmente acelerada pela pandemia de COVID-19. Ele
enfatizou a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços prestados à sociedade no próximo ano.
O setor de saúde suplementar continuou a crescer, com 50,2 milhões de beneficiários em planos de
assistência médica em outubro de 2022, um aumento de 1,6 milhão em relação ao mesmo período de 2021. Além
disso, houve 30,7 milhões de beneficiários em planos exclusivamente odontológicos, um aumento de 2,2 milhões
em relação ao ano anterior. O mercado de saúde enfrentou um ano de mudanças regulatórias intensas,

34
https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2023/Junho/por-maioria-de-votos-tse-declara-bolsonaro-inelegivel-por-8-
anos
35
https://agencia.fiocruz.br/retrospectiva-2022
36
https://saude.mpu.mp.br/noticias/retrospectiva-da-saude-no-mpf-2022
37
https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/retrospectiva-2022-ans-relembra-os-destaques-da-saude-
suplementar
38
https://saude.mpu.mp.br/noticias/retrospectiva-da-saude-no-mpf-2022
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movimentações, pressão inflacionária, crise de desabastecimento de insumos, avanços na medicina, surgimento
de novos surtos de doenças e diversos outros desafios e oportunidades39.
Um exemplo de doença que ganhou destaque em 2022 foi a chamada monkeypox (MPXV), que se
espalhou por diversas regiões. Dados do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/EUA) indicaram mais
de 30 mil casos confirmados em 88 países. A monkeypox 40 causa inchaço dos gânglios linfáticos, lesões na pele,
febre, fraqueza, dores de cabeça intensas e dores no corpo. O vírus pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo
que engloba os patógenos responsáveis pelas varíolas humana e bovina. A transmissão do vírus pode ocorrer do
animal para o humano por meio de mordidas, arranhaduras, manuseio de caça selvagem ou produtos derivados
desses animais. A transmissão entre pessoas acontece principalmente por contato direto, como beijos, abraços,
feridas infecciosas, crostas ou fluidos corporais, além de secreções respiratórias durante contato prolongado. O
período de incubação varia de 5 a 21 dias, com transmissibilidade desde o início dos sintomas até o
desaparecimento das lesões na pele41.
Uma notícia positiva ocorreu em 5 de maio de 2023, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS),
sediada em Genebra, Suíça, anunciou o término da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional
(ESPII) relacionada à COVID-19. A decisão foi tomada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus,
com base na recomendação do Comitê de Emergência responsável por monitorar periodicamente a situação da
doença. Durante a 15ª sessão deliberativa do Comitê, realizada em 4 de maio, seus membros enfatizaram a
tendência de redução nas mortes por COVID-19, a diminuição das hospitalizações e internações em unidades de
terapia intensiva associadas à doença, bem como os elevados níveis de imunidade da população ao SARS-CoV-2, o
vírus causador da COVID-1942.
É importante destacar que o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional não
implica que a COVID-19 tenha deixado de ser uma ameaça à saúde. A doença ainda se mantém como uma
pandemia global, causando uma perda de vidas a cada três minutos apenas na última semana. No entanto, essa
notícia sinaliza a necessidade de os países transitarem de um estado de emergência para um modo de
gerenciamento da COVID-19, juntamente com outras doenças infecciosas.
A ministra Nísia Trindade ressaltou que as infecções pelo vírus da COVID-19 continuarão a ocorrer,
enfatizando a importância do fortalecimento da vigilância sanitária e da vacinação como medidas para salvar
vidas. Ela expressou esperança diante dessa notícia, enfatizando que a predominância da variante ômicron e suas
sublinhagens em todo o mundo tem ocorrido sem agravamento significativo da situação sanitária. A ministra
também alertou para a necessidade de intensificar a campanha de vacinação no Brasil, incluindo a aplicação da

39
https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/retrospectiva-2022-ans-relembra-os-destaques-da-saude-
suplementar
40
https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/monkeypox
41
https://www.ioc.fiocruz.br/noticias/monkeypox-saiba-mais-sobre-doenca
42
https://www.paho.org/pt/noticias/5-5-2023-oms-declara-fim-da-emergencia-saude-publica-importancia-internacional-
referente
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dose de reforço bivalente contra a COVID-19, que requer que os indivíduos tenham completado o ciclo vacinal,
respeitando um intervalo de quatro meses após a última dose recebida43.
No entanto, é crucial destacar que a Covid-19 ainda apresenta riscos de morte e complicações,
especialmente em indivíduos mais idosos e aqueles com condições médicas pré-existentes. Essa advertência foi
enfatizada pelo virologista americano Michael Diamond, da Universidade de Washington, que afirmou: "A doença
continuará a causar formas graves, especialmente em pessoas não vacinadas e imunocomprometidas, resultando
em óbitos". O virologista americano também observou que, em nações desenvolvidas, como os Estados Unidos e
a França, a hesitação em relação à vacinação por parte da população contribuirá para a falta de controle sobre a
epidemia. Ele destacou que "a única maneira de combater a disseminação é continuar a vacinação em escala
global, a fim de prevenir potenciais surtos. Caso contrário, poderemos enfrentar o surgimento de novas variantes
em intervalos regulares, por um período prolongado"44.
A preocupação com a baixa adesão à vacinação bivalente contra a COVID-19 tem sido uma questão
relevante para os especialistas. Mesmo disponível desde abril para pessoas com mais de 18 anos e desde
fevereiro para grupos prioritários, esse imunizante encontra-se em estoque sem uma alta demanda. 45 É
fundamental reiterar que a pandemia da Covid-19 ainda não foi completamente superada e que a continuação da
vacinação é necessária para manter a proteção contra as diferentes cepas do vírus Sars-CoV-2. Portanto, instamos
a população a buscar os postos de vacinação mais próximos de suas residências e a receber a imunização. Até o
momento, no Brasil, já foram administradas 10,3 milhões de doses da vacina bivalente contra a Covid-19 46.
Um tema que tem gerado crescente preocupação na comunidade médica é a redução na cobertura
vacinal e o ressurgimento de doenças anteriormente erradicadas no território nacional. Antes da disponibilidade
das vacinas, doenças como difteria, varíola e poliomielite eram lamentavelmente comuns, por exemplo, a
poliomielite costumava afetar milhares de crianças diariamente em todo o mundo nas décadas de 1940 a 60,
antes da existência de uma vacina eficaz para essa enfermidade. Outras doenças, como varíola, sarampo,
tuberculose, difteria, tétano e rotavírus, eram responsáveis por mais de 50% das mortes em indivíduos
infectados. Essas doenças também contribuíram para o aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil,
chegando a 212 óbitos a cada mil crianças durante a década de 1940. No entanto, esse panorama mudou
significativamente graças à imunização, que se estabeleceu como uma prática essencial no país por meio do
Programa Nacional de Imunizações (PNI), uma referência internacional criada há 50 anos pelo governo federal, de
acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação previne anualmente entre 3 e 5 milhões de
mortes47.

43
https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2023/05/08/decretado-fim-da-emergencia-sanitaria-global-de-covid-19
44
https://www.rfi.fr/br/podcasts/sa%C3%BAde-em-dia/20221227-retrospectiva-2023-ser%C3%A1-o-ano-do-fim-da-
pandemia-de-covid-19
45
https://www.brasildefato.com.br/2023/07/18/baixa-adesao-a-vacina-bivalente-contra-covid-preocupa-especialistas
46
https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Saude-alerta-para-baixa-procura-pela-vacina-bivalente-contra-Covid-19-no-Parana
47
https://butantan.gov.br/noticias/como-era-a-vida-antes-das-vacinas-mil-criancas-paralisadas-por-dia-e-doencas-com-50-
de-mortalidade
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O investimento do Programa Nacional de Imunizações na aquisição de imunobiológicos cresceu 44 vezes,
passando de R$ 94,5 milhões em 1995 para R$ 4,7 bilhões em 2019, de acordo com um estudo publicado na
revista Cadernos de Saúde Pública. Em 17 de outubro, celebramos o Dia Nacional da Vacinação, mas os dados
divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam uma preocupante queda na taxa de
vacinação infantil no Brasil: a taxa diminuiu de 93,1% para 71,49%. De acordo com uma pesquisa realizada em
parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse cenário coloca o Brasil entre os dez países com menor
cobertura vacinal no mundo. Essa baixa cobertura vacinal coloca a população infantil em risco de contrair doenças
que antes eram consideradas praticamente erradicadas, como o sarampo, que foi eliminado no Brasil em 2016,
mas retornou em 2018. Além do sarampo, outras doenças que agora ameaçam as crianças incluem a poliomielite,
a meningite, a rubéola e a difteria 48.A pandemia de Covid-19 exacerbou ainda mais essa situação, pois as medidas
de distanciamento social e outras medidas não farmacológicas afastaram as pessoas das unidades de saúde para
receberem as vacinas.
Embora as vacinas sejam oferecidas gratuitamente nos postos de saúde públicos, a taxa de vacinação
infantil está atualmente em seus níveis mais baixos nas últimas três décadas. Em 2021, apenas cerca de 60% das
crianças receberam a vacina contra hepatite B, tétano, difteria e coqueluche. Para tuberculose e paralisia infantil,
esse número chegou a cerca de 70%. A imunização contra sarampo, caxumba e rubéola não ultrapassou 75%.
Para alcançar a proteção coletiva, é recomendável que pelo menos 90% a 95% das crianças estejam imunizadas. A
queda na taxa de vacinação começou em 2015 e atingiu seu ponto mais crítico em 2021. Até 2014, não havia
resistência significativa à vacinação, com os pais prontamente levando seus filhos aos postos de saúde. A
cobertura vacinal costumava ser consistentemente superior a 90%, muitas vezes alcançando 100% 49.
Especialistas das áreas de pediatria, infectologia, epidemiologia e saúde pública temem que, se essa
tendência de baixa vacinação persistir, o Brasil possa enfrentar o ressurgimento de epidemias que eram comuns
no passado, representando sérios riscos à saúde pública. No entanto, o Programa Nacional de Imunizações
enfrenta um grande desafio: a erradicação da poliomielite e o controle de outras doenças estão ameaçados
devido à queda nas taxas de cobertura vacinal nos últimos anos no Brasil. Essas taxas caíram de mais de 90% para
cerca de 50% a 60%, níveis insuficientes para garantir uma proteção coletiva eficaz.
Diversos fatores são apontados como causas para a diminuição da imunização infantil. Um deles é a falta
de familiaridade dos pais mais jovens com as epidemias e doenças do passado, devido ao sucesso da vacinação
em massa anteriormente. Como resultado, eles podem subestimar a gravidade dessas enfermidades e a
importância da vacinação. Outro fator é o horário limitado de funcionamento de muitos postos de saúde, que
normalmente operam apenas em dias úteis durante o horário comercial, dificultando o acesso dos pais que
trabalham em período integral, especialistas também observam a falta de campanhas educativas nos meios de
comunicação, lamentando que personagens como o Zé Gotinha, que era amplamente usado nas campanhas de
vacinação nas décadas passadas, tenham sido relegados ao esquecimento. Essas campanhas eram eficazes em

48
https://portal.fiocruz.br/noticia/vacinacao-infantil-sofre-queda-brusca-no-brasil
49
https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/05/vacinacao-infantil-despenca-no-pais-e-epidemias-graves-
ameacam-voltar
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conscientizar o público sobre a importância da vacinação. Embora muitos acreditem que essas doenças são coisa
do passado, é essencial entender que elas ainda representam uma ameaça real e podem ressurgir a qualquer
momento. A imunização é fundamental para manter essas infecções sob controle e proteger a saúde pública.

Economia 2022/2023

O ranking das maiores economias globais é compilado pela Austin Rating, uma agência de classificação de risco
que para criar essa lista leva em consideração o valor do PIB de cada país convertido em dólares, o que significa
que a taxa de câmbio das moedas nacionais desempenha um papel importante no cálculo do ranking. O Produto
Interno Bruto do Brasil é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foi divulgado
recentemente. O valor do PIB brasileiro em 2022 alcançou a marca de R$ 9,9 trilhões, o que, quando convertido
para dólares, equivale a US$ 1,92 trilhão. Essa lista é liderada pelos Estados Unidos, que possuem um PIB de US$
25 trilhões. A China mantém a segunda posição, com um PIB de US$ 18,3 trilhões. À frente do Brasil, encontram-
se países como Japão (3º), Índia (5º), França (7º), Rússia (9º) e Irã (11º).
Durante o ano de 2022, o Brasil experimentou um crescimento de 2,9% em seu Produto Interno Bruto (PIB),
esse aumento no indicador, que representa a soma do valor de todos os bens e serviços produzidos ao longo do
ano, resultou em uma melhoria na posição econômica global do país no ano passado, levando-o de volta à
classificação de 12º país mais rico do mundo com o setor de serviços como o principal contribuinte para o PIB,
seguido de perto pela agricultura notadamente nas exportações, e pela indústria extrativa, petroquímica e
automobilística.
O PIB totalizou R$ 9,9 trilhões em 2022, e o PIB per capita alcançou R$ 46.154,6, registrando um avanço real
de 2,2% em comparação com o ano anterior. A taxa de investimento em 2022 foi de 18,8% do PIB, enquanto em
2021 havia sido de 18,9%. Quanto à taxa de poupança, ela se situou em 15,9%, em comparação com 17,4% em
2021. Em relação ao terceiro trimestre, ajustado sazonalmente, o PIB apresentou uma variação de -0,2%. Setores
como a Agropecuária e os Serviços também registraram variações de 0,3% e 0,2%, respectivamente, enquanto a
Indústria teve uma variação de -0,3%. Em relação ao quarto trimestre de 2021, o PIB cresceu 1,9% no último
trimestre de 2022, marcando o oitavo resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Houve
aumentos nos setores de Serviços (3,3%) e Indústria (2,6%), enquanto a Agropecuária teve uma queda de 2,9% 50.
No primeiro semestre de 2023, o crescimento totalizou 3,7% em relação ao mesmo período de 2022. O valor
total do PIB no segundo trimestre de 2023 atingiu R$ 2,651 trilhões, dos quais R$ 2,315 trilhões correspondem ao
valor adicionado e R$ 335,7 bilhões a Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios. Quanto ao PIB, no segundo
trimestre de 2023, o Brasil registrou um crescimento de 0,9% em relação ao trimestre anterior, com um aumento
notável de 3,4% em comparação com o mesmo período de 2022. No acumulado dos últimos quatro trimestres até
junho de 2023, o PIB apresentou um crescimento de 3,2%.

50
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/36371-pib-cresce-2-9-
em-2022-e-fecha-o-ano-em-r-9-9-trilhoes
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A taxa de investimento no segundo trimestre de 2023 foi de 17,2% do PIB, abaixo do observado no mesmo
período de 2022 (18,3%). A taxa de poupança também apresentou redução, caindo de 18,4% no segundo
trimestre de 2022 para 16,9% em 2023. Setorialmente, o crescimento da Indústria foi de 0,9%, impulsionado
pelas Indústrias Extrativas, Construção e Eletricidade e gás. Os Serviços aumentaram 0,6%, com destaques
notáveis em atividades financeiras, informação e comunicação, e transporte, por outro lado, a Agropecuária
sofreu uma queda de 0,9%. Na análise da despesa, as “despesas de consumo das famílias” e do Governo tiveram
crescimento, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo permaneceu estável. No âmbito do comércio exterior, as
Exportações de Bens e Serviços aumentaram 2,9%, enquanto as Importações de Bens e Serviços subiram 4,5% em
relação ao primeiro trimestre de 2023.
Considerando o acumulado dos últimos quatro trimestres até junho de 2023, o PIB cresceu 3,2%, com
destaques em Agropecuária, Indústria e Serviços. A Formação Bruta de Capital Fixo registrou um crescimento de
1,7%, e as Despesas de Consumo das Famílias aumentaram 3,2%. O comércio exterior também contribuiu
positivamente, com as Exportações de Bens e Serviços avançando 9,8%.5152

Independência do Banco Central e a questão dos juros

A independência do Banco Central tornou-se um ponto central nas discussões políticas a partir dos anos 1970,
quando teóricos neoliberais passaram a defender ativamente a necessidade dessa autonomia para uma gestão
mais eficaz da política monetária. Desde então, muitos países vem conferindo independência a seus bancos
centrais, com o objetivo de promover equilíbrio e estabilidade econômica 53. No Brasil, a lei que concede
autonomia ao Banco Central foi aprovada em 2021 e de acordo com ela os presidentes do BC têm mandatos de
quatro anos, que começam sempre no terceiro ano do mandato do presidente da República. A autonomia foi
estabelecida pela Lei Complementar nº 179/2021, que altera partes da Lei nº 4.595/1964, que regula o sistema
financeiro nacional54. O Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da ADI 6.696, decidiu pela constitucionalidade
dessa lei55.
O objetivo fundamental do Banco Central é garantir a estabilidade de preços, estabilidade e eficiência do
sistema financeiro, suavizar as flutuações na atividade econômica e promover o pleno emprego 56. Ele é
classificado como uma autarquia de natureza especial, caracterizada pela "ausência de vinculação a ministérios,
tutela ou subordinação hierárquica"57. Durante o primeiro e segundo semestres de cada ano, o presidente do
Banco Central deve apresentar relatórios de inflação e estabilidade financeira ao Senado, com oportunidade para
perguntas públicas, explicando as decisões tomadas no semestre anterior. Após o término do mandato,

51
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/37773-pib-cresce-0-9-
no-2-trimestre-de-2023
52
https://portal.fgv.br/artigos/mais-pib-2022-e-menos-pib-2023-24-25-26
53
https://forbes.com.br/colunas/2023/02/eduardo-mira-banco-central-independente-e-bom-ou-ruim-para-a-economia/
54
https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/autonomia
55
https://www.conjur.com.br/2023-fev-16/senso-incomum-autonomia-banco-central-compativel-constituicao
56
https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/autonomia
57
https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/02/25/lei-da-autonomia-do-banco-central-entra-em-vigor
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exoneração a pedido ou demissão justificada, o presidente e os diretores estão proibidos de participar do
controle societário ou exercer qualquer atividade profissional direta ou indiretamente nas instituições do Sistema
Financeiro Nacional por um período de seis meses, durante o qual receberão uma remuneração compensatória
do Banco Central58.
A independência de um banco central pressupõe três premissas básicas: membros independentes, técnicos e
sem viés político; independência financeira na gestão e na definição da política monetária; poder e autonomia
para executar a política monetária de acordo com o melhor interesse do mercado e do desenvolvimento
econômico, sem influência das despesas do Tesouro ou ingerência do Executivo. Ela é defendida pelo mercado
com base no argumento de redução sustentável da inflação, na credibilidade da economia e na estabilidade de
preços promovida por políticas monetárias de longo prazo59.
No entanto, a nova legislação concede mandatos fixos ao presidente e à diretoria do Banco Central, não
coincidentes com o mandato do presidente da República, limitando o poder deste último de nomear e demitir
esses cargos de forma arbitrária. Isso gera tensões, como no caso da taxa de juros elevada que colocou em
desacordo o novo presidente eleito e o presidente do Banco Central60.
Para além das complexidades jurídicas, a questão da "independência" do Banco Central é essencialmente de
natureza política. A pergunta crucial que deve ser feita é: Independente de quem o Banco Central realmente é?
Parece que o Banco Central é independente do sistema político e de qualquer forma de controle democrático, o
que nos leva de volta à discussão constitucional. Em uma sociedade comprometida com a luta contra a
desigualdade e que reconhece a importância de trabalhar diariamente na construção de direitos e na promoção
de justiça com base na diversidade e inclusão social, é fundamental compreender que o planejamento econômico
faz parte de um programa que se desenvolve em um contexto dinâmico de exercício de poder. Nesse sentido, um
Banco Central completamente independente e alinhado aos interesses do capital financeiro representa um
grande obstáculo para a busca de uma rearticulação da vida política, econômica e social dentro dos princípios
democráticos6162.
Os juros elevados continuam a funcionar como um freio na economia brasileira em 2023, e isso está refletindo
no desempenho da indústria, que permanecerá próxima da estabilidade durante o ano, a confiança do mercado
foi afetada e a demanda enfraquecida, juntamente com as dificuldades no acesso ao crédito estão exercendo
pressão sobre o setor. As altas taxas de juros devem continuar a inibir a atividade econômica e, por consequência,
a indústria ao longo do ano, embora se espere que os primeiros cortes na taxa básica de juros, a Selic, começaram
em agosto, é previsto que ela seja mantida em um patamar elevado, com impactos negativos sobre o crédito,

58
Op cit.
59
https://www.cnnbrasil.com.br/forum-opiniao/a-independencia-do-banco-central-e-crucial-para-a-estabilidade-economica-
do-brasil/
60
https://www.conjur.com.br/2023-fev-16/senso-incomum-autonomia-banco-central-compativel-constituicao
61
https://www.conjur.com.br/2023-fev-16/senso-incomum-autonomia-banco-central-compativel-constituicao
62
https://noticias.unb.br/artigos-main/6375-a-independencia-politica-do-banco-central-e-a-despolitizacao-do-debate-
economico
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investimentos, consumo e comércio. De acordo com a previsão da CNI, a inflação deve encerrar o ano em 6%,
com a Selic em 11,75%.
Nos últimos trinta anos, a economia brasileira sofreu as consequências da falta de um planejamento de longo
prazo e da ausência de uma política industrial sólida. A expansão de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro em 2023 será impulsionada, em grande parte, pelo consumo das famílias, como nos anos anteriores.
Houve aumento na massa salarial ao longo do primeiro semestre e aceleração no crescimento do emprego.
Contudo, a demanda enfraquecida, evidenciada pelos altos juros, altos níveis de inadimplência e
endividamento das famílias, também contribui para esse cenário de pequeno crescimento no PIB. O setor de
serviços deve registrar um crescimento de 0,9% em 2023, incluindo o comércio. Embora alguns avanços tenham
sido observados em 2022 para recuperar as perdas da pandemia, não se espera que esses avanços ocorram com a
mesma intensidade em 2023.

Reforma tributária

A reforma tributária é um ponto crucial em relação à economia em 2023, o Brasil apresenta um dos sistemas
tributários mais complexos do mundo caracterizado pela multiplicidade de impostos, contribuições e taxas,
juntamente com uma elevada carga tributária. Essa complexidade representa um desafio tanto para as empresas
quanto para os cidadãos. A reforma tributária surge como solução para essas questões, com o objetivo de
simplificar, modernizar e promover a competitividade empresarial, substituindo tributos como PIS, Cofins, IPI,
ICMS e ISS pelo Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS). Os principais objetivos da reforma tributária
são os seguintes:
 Simplificação: Reduzir o número de impostos e unificar tributos com bases de incidência semelhantes.
 Transparência: Tornar o sistema tributário mais claro e compreensível para a população, permitindo que
os cidadãos saibam quanto estão pagando de imposto em cada produto e serviço.
 Estímulo à Economia: Criar um sistema tributário mais simples e eficiente, com o objetivo de atrair
investimentos e impulsionar o crescimento econômico.
A primeira fase da reforma tributária foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 7 de julho de 2023, e ela
visa reformular a tributação sobre o consumo. No entanto, esse texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado, e
espera-se que a votação seja concluída até o final de outubro deste ano, antes de ser promulgada.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) representa apenas a primeira etapa da reforma tributária, e unifica
duas PECs que tramitam no parlamento há anos, uma na Câmara e outra no Senado. Como parte desse processo,
o governo planeja criar um Fundo de Desenvolvimento Regional para financiar projetos de desenvolvimento em
estados mais pobres, com um orçamento inicial de R$40 bilhões a partir de 2033. A mudança mais significativa
com a Reforma Tributária será a extinção de cinco tributos, representando quase 38% da arrecadação em 2021.
Três deles são tributos federais: Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que serão

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substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), arrecadada pela União. Essa mudança visa eliminar as
diferenças nas cobranças para diversos setores, tornando o ambiente de negócios mais favorável e eficiente.
A reforma tributária é crucial porque o sistema atual prejudica o crescimento econômico e social do país, eleva
os custos das empresas, prejudica a competitividade, penaliza os investimentos e gera insegurança jurídica. Além
de colocar produtos nacionais em desvantagem diante da concorrência internacional. A complexidade do sistema
tributário brasileiro torna a entrada de empresas estrangeiras no mercado nacional um desafio, pois as regras
tributárias do Brasil diferem das de outros países. A maioria dos países utiliza apenas o Imposto sobre o Valor
Adicionado (IVA), enquanto o Brasil incide vários impostos sobre o consumo, como ICMS, ISS, IPI, PIS/Pasep e
Cofins. A reforma busca alinhar o Brasil com padrões internacionais e simplificar o sistema tributário. 63

Privatização Eletrobrás

O aumento nos custos da energia elétrica tem sido uma fonte significativa de preocupação para os cidadãos
brasileiros. Devido a diversos fatores, como os aumentos nos custos de produção e a crise hídrica, as tarifas de
eletricidade têm sofrido reajustes frequentes. Em meio a esse contexto, surgiu o debate sobre a privatização
desse serviço. Recentemente, a Eletrobras, uma empresa estatal responsável por cerca de um terço da
capacidade de geração de energia elétrica no Brasil, foi desestatizada e suas ações foram listadas na bolsa de
valores. O governo deixou de ser o acionista majoritário ao realizar uma capitalização da empresa. Embora a
União tenha mantido alguns privilégios, como o poder de veto em decisões estratégicas, a privatização gerou
diversas críticas64.
O modelo de privatização adotado, conhecido como capitalização, envolve a transferência do controle e da
propriedade de uma empresa estatal para o setor privado. Nesse processo, a empresa emite novas ações que são
vendidas a investidores, resultando na diluição da participação do governo e em maior entrada de recursos
financeiros na empresa. No entanto, esse modelo é considerado uma exceção global. Com a redução da
participação governamental na Eletrobras, abriu-se espaço para acionistas privados adquirirem uma parcela
maior do controle da empresa. A lei que permitiu a privatização limita o poder de voto do governo a apenas 10%
das ações, mesmo que ele detenha uma participação maior65.
Atualmente, o governo do Presidente Lula está contestando a constitucionalidade de partes da lei que
viabilizou a privatização da Eletrobras, especialmente em relação ao poder de voto dos acionistas 66. Alega-se que
a lei reduziu indevidamente o peso dos votos a que a União teria direito, prejudicando sua posição como acionista
majoritária67. É importante ressaltar que o objetivo dessa ação não é reestatizar a Eletrobras, mas sim proteger o

63
https://www.portaldaindustria.com.br/industria-de-a-z/reforma-tributaria/
64
https://ufmg.br/comunicacao/noticias/privatizacao-da-eletrobras-quais-as-consequencias-para-o-consumidor
65
https://www.brasildefato.com.br/2023/06/09/entenda-qual-e-a-relacao-entre-a-privatizacao-da-eletrobras-e-o-futuro-do-
saneamento-no-brasil
66
https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-05/stf-pede-dados-sobre-acao-contra-modelo-de-privatizacao-de-
eletrobras
67
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=506925&ori=1
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interesse público e os direitos de propriedade da União. O Supremo Tribunal Federal (STF) está avaliando essa
questão, aguardando a manifestação das partes envolvidas68.
Em relação ao apagão que afetou várias regiões do Brasil, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira,
afirmou que a privatização da Eletrobras teve um impacto negativo no sistema elétrico. Alega-se que a empresa
demitiu grande parte de seu quadro técnico experiente, o que afetou a capacidade de resposta a incidentes como
apagões. Essa situação levanta preocupações sobre a segurança e a soberania no setor elétrico 69. O Movimento
dos Atingidos por Barragens (MAB) também se manifestou sobre o assunto, destacando a importância de
enfrentar essa realidade para evitar futuros apagões e pressões do mercado no setor elétrico70.

Apagão 2023
O apagão que afetou o Brasil em 2023 teve seu início às 08h31min (UTC-03:00) do dia 15 de agosto, uma
terça-feira, devido à abertura da interligação entre as regiões Norte e Sudeste, o que resultou em uma
interrupção de 16 mil MW de carga em todo o país, atingindo quase todos os estados brasileiros. Roraima foi a
única unidade federativa a escapar da queda de energia, pois não estava conectada ao Sistema Interligado
Nacional. O problema foi resolvido e a energia foi restaurada no início da tarde. Ele não apenas deixou cerca de
29 milhões de brasileiros sem eletricidade em praticamente todo o território nacional, mas também forçou o
Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a reduzir o volume de energia elétrica disponível na rede que
conecta as diferentes regiões do Brasil71.
"Para lidar com a situação, tivemos que reduzir a quantidade de energia circulando na rede", afirmou Luiz
Carlos Ciocchi, diretor-geral do ONS, responsável por coordenar e controlar a operação das instalações de
geração e transmissão de energia elétrica que integram o sistema nacional. Segundo o Ministério de Minas e
Energia, o apagão foi causado por uma falha no Sistema Interligado Nacional (SIN) de energia. Além do
desligamento da linha de transmissão 500kV Quixadá-Fortaleza devido a uma "operação inadequada do sistema
de proteção", que ainda está sob análise, os técnicos identificaram falhas em equipamentos, incluindo um
regulador de tensão de uma usina, que demorou mais tempo do que o esperado para entrar em operação após a
falha na linha de transmissão. Essa demora inesperada sobrecarregou o sistema, desencadeando um efeito
cascata72.
Devido à temporada de seca, as usinas hidroelétricas do Rio São Francisco já estavam operando com
baixos níveis de vazão e geração mínima, o que não permitia uma redução adicional. A geração termoelétrica em
todo o Brasil também estava operando a níveis que não podiam ser reduzidos. Portanto, a escolha foi cortar parte
da produção de energia eólica e solar, não porque houvesse um problema intrínseco com essas fontes, mas por
necessidade operacional. A restrição no fluxo de energia foi considerada temporária e não impede que as
necessidades energéticas do Brasil sejam atendidas com segurança73.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou um relatório preliminar que sugere que o
desempenho abaixo do esperado das fontes de geração próximas à linha de transmissão Quixadá – Fortaleza II,

68
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=469734&ori=1
69
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/privatizacao-da-eletrobras-fez-muito-mal-ao-sistema-diz-ministro-de-minas-e-
energia/
70
https://www.brasildefato.com.br/2023/08/17/privatizada-por-bolsonaro-eletrobras-volta-ao-foco-apos-apagao
71
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/08/15/entenda-queda-de-energia-brasil.htm
72
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-08/apagao-motivou-ons-determinar-restricao-do-fluxo-de-energia
73
Op cit
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de propriedade da Chesf, pode ter desencadeado a queda de energia que afetou 25 estados e o Distrito Federal
no dia 15 de agosto. "Uma das linhas de investigação mais sólidas aponta para o desempenho abaixo do esperado
como um segundo evento que desencadeou o processo de desligamento subsequente. O evento de 15 de agosto
resultou na interrupção de mais de 22 mil MW de energia em 25 estados e no Distrito Federal", afirmou o ONS
em comunicado. O incidente teve início às 8h30 da manhã de 15 de agosto, resultando em uma perda de
fornecimento de 19 mil megawatts, cerca de 27% da carga total de 73 mil MW naquele momento 74.

Matriz elétrica

Muitas vezes, as pessoas confundem a matriz energética com a matriz elétrica, mas esses conceitos são
distintos. A matriz energética engloba todas as fontes de energia utilizadas para diversas finalidades, como
transporte, aquecimento e geração de eletricidade. Por outro lado, a matriz elétrica se refere apenas às fontes de
energia usadas para gerar eletricidade.
No contexto global, a matriz energética é dominada por fontes não renováveis, como carvão, petróleo e gás
natural, enquanto as fontes renováveis, como solar e eólica, representam apenas uma pequena parcela, cerca de
2,5%. O Brasil se destaca por sua matriz energética mais limpa, composta por 44,8% de fontes renováveis,
principalmente a energia hidráulica, que é responsável por 56,8% da eletricidade gerada no país. Outras fontes
renováveis incluem biomassa, energia eólica, solar e outras.
No entanto, apesar do progresso nas energias renováveis, o Brasil ainda depende em grande parte de fontes
não renováveis, como petróleo, gás natural e carvão, que representam 55,2% de sua matriz energética. A
utilização de recursos naturais, como energia solar e eólica, tem impulsionado o crescimento da capacidade
instalada na matriz elétrica brasileira, com um aumento de 3.341 MW no primeiro trimestre de 2023. Isso
demonstra o potencial do Brasil na transição para fontes de energia mais limpas. Minas Gerais liderou essa
expansão, seguido pelo Rio Grande do Norte, Bahia e Piauí. Até o momento, cerca de 83,55% da potência
fiscalizada no país provém de fontes renováveis, de acordo com o Sistema de Informações de Geração da ANEEL
(SIGA)75.
A energia solar e a energia eólica são duas importantes fontes de energia renovável. A energia solar aproveita
a luz e o calor do sol por meio de painéis solares, enquanto a energia eólica utiliza a força dos ventos, capturada
por hélices em aerogeradores. Essas fontes renováveis se destacam globalmente devido ao seu potencial de
geração elétrica e à crescente capacidade instalada em todo o mundo.
A energia eólica é gerada a partir da energia cinética dos ventos, capturada pelas turbinas dos aerogeradores e
transformada em eletricidade. Essa tecnologia promove a geração de energia limpa, reduzindo as emissões de
gases poluentes associadas à queima de combustíveis fósseis. Atualmente, a energia eólica lidera a expansão das
fontes de energia renovável na produção global de eletricidade, juntamente com a energia fotovoltaica. Por sua
vez, a energia solar é produzida pela captação da luz e do calor do sol, convertidos em eletricidade por meio de
células fotovoltaicas de silício. A quantidade de energia gerada varia de acordo com a localização geográfica e a

74
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-08/ons-desempenho-abaixo-do-esperado-de-linha-pode-ter-causado-
apagao
75
https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/matriz-eletrica-brasileira-cresce-3-3-gw-ate-abril-de-
2023#:~:text=Marca%20foi%20alcan%C3%A7ada%20gra%C3%A7as%20a,pa%C3%ADs%2C%20segundo%20levantamento
%20da%20ANEEL.&text=As%20fontes%20renov%C3%A1veis%20foram%20respons%C3%A1veis,brasileira%20at
%C3%A9%20abril%20de%202023.
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estação do ano, com o Brasil apresentando um grande potencial para o desenvolvimento dessa fonte de energia
renovável.
O Brasil tem alcançado recordes na geração de energia limpa, especialmente na região Nordeste, onde a
produção de energia solar e eólica tem se destacado. Em julho, o país registrou 12 recordes na geração de energia
limpa, com destaque para a produção solar instantânea que atingiu cerca de 6,6 mil megawatts em um único dia.
Além disso, a produção eólica chegou a 18,4 mil megawatts, representando quase 150% da demanda da região
em um determinado momento. A intensificação dos ventos na região Nordeste durante este período é crucial,
pois coincide com a estação seca em outras partes do Brasil, como as bacias hidrográficas do Norte, Nordeste e
Sudeste/Centro-Oeste. De acordo com o Balanço Energético Nacional mais recente, a energia eólica e solar
respondem por mais de 14% da capacidade instalada de fontes de energia no país, evidenciando o crescimento
dessas fontes limpas no cenário energético brasileiro76.
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 da Organização das Nações Unidas (ONU) 77 está
centrado na busca por "Energia Acessível e Limpa" como parte integrante da Agenda 2030. Este objetivo visa
garantir o acesso universal, confiável e acessível a serviços de energia de qualidade. Além disso, enfatiza a
importância da expansão das energias renováveis na matriz energética global e da melhoria da eficiência
energética.
As metas do ODS 7 são as seguintes:

 Até 2030, assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia.
 Até 2030, aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global.
 Até 2030, dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética.
 Até 2030, reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisa e tecnologias de energia
limpa, incluindo energias renováveis, eficiência energética e tecnologias de combustíveis fósseis
avançadas e mais limpas, e promover o investimento em infraestrutura de energia e em tecnologias de
energia limpa.
 Até 2030, expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia
modernos e sustentáveis para todos nos países em desenvolvimento, particularmente nos países de
menor desenvolvimento relativo, nos pequenos estados insulares em desenvolvimento e nos países em
desenvolvimento sem litoral, de acordo com seus respectivos programas de apoio.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatiza que as energias renováveis são fundamentais para
proteger o futuro do planeta, fechar a lacuna no acesso à energia, estabilizar os preços e garantir a segurança
energética. Ele alerta que o mundo ainda depende muito dos combustíveis fósseis e que a meta de limitar o
aumento da temperatura global a 1,5°C está se tornando cada vez mais difícil de ser alcançada. Guterres destaca
que as fontes de energia renovável, incluindo a energia solar e eólica, devem representar mais de 60% da
eletricidade global até 2030 e 90% até meados do século. Ele também faz um apelo para a remoção de barreiras
de propriedade intelectual, a diversificação das cadeias de abastecimento e o aumento do financiamento em
energia limpa, visando a criação de empregos verdes e a transição energética. O papel dos países desenvolvidos é
crucial, pois a maioria dos investimentos em energias renováveis está concentrada neles. Guterres incentiva a
cooperação global para reduzir custos, expandir investimentos verdes nos países em desenvolvimento e garantir a
76
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2023-07/brasil-tem-recordes-na-geracao-de-
energia-solar-e-eolica-em-julho
77
https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
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soberania energética. Além disso, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Csaba Korosi, destaca como a
transição para a energia limpa é essencial para a proteção do clima e da soberania energética. Ele ressalta que as
fontes de energia renovável estão disponíveis para todos os climas e têm o potencial de fortalecer a segurança
energética global78.

MEIO AMBIENTE

A evolução constante da humanidade tem causado impactos significativos no meio ambiente devido ao
crescimento das cidades e ao aumento na produção de alimentos e recursos para atender às necessidades
humanas. Isso resultou na escassez de recursos naturais e em crescente preocupação com o futuro. O
desmatamento é discutido em relação às suas causas, consequências e medidas preventivas, com o objetivo de
encontrar um equilíbrio entre o crescimento populacional e a preservação ambiental.
O desmatamento ocorre principalmente devido à ação direta do ser humano, incluindo o corte de árvores
para fins comerciais, agricultura e expansão da pecuária. As causas do desmatamento evoluem com o tempo,
incluindo recentemente o cultivo de soja. A remoção da vegetação é realizada por meio de corte direto, máquinas
agrícolas e queimadas, sendo as áreas desmatadas frequentemente usadas para exploração de recursos naturais
e expansão agrícola.
As consequências do desmatamento incluem mudanças climáticas, desequilíbrio nos ecossistemas,
erosão, desertificação e impactos sociais negativos, especialmente em comunidades dependentes das florestas. A
elevação da temperatura e eventos climáticos extremos também são associados ao desmatamento. "Ebulição
global" é um termo cunhado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres,
para descrever a fase atual de aceleração do aquecimento global e das mudanças climáticas. Após o registro do
mês de julho mais quente desde que as medições começaram, na década de 1970, a expressão "ebulição global"
foi utilizada como um alerta sobre os riscos do agravamento do aumento das temperaturas médias em todo o
planeta Terra.
A ebulição global se refere a um período de aumento acentuado das temperaturas da Terra e ao
agravamento das mudanças climáticas. Isso ocorre devido ao acelerado aquecimento global, causado
principalmente pelo aumento das emissões de gases poluentes na atmosfera e pela interferência direta das
atividades humanas na natureza, como o desmatamento79.
A recorrência cada vez maior de eventos climáticos e atmosféricos extremos, como ondas de calor
intensas, chuvas volumosas e secas severas, são algumas das consequências da ebulição global. No entanto, é
possível mitigar esse fenômeno por meio de ações urgentes, envolvendo governos, empresas e indivíduos. Uma
dessas medidas é a transição para uma matriz energética mais limpa e baseada em fontes renováveis. A ebulição
global é resultado da falta de ações eficazes no controle do aquecimento global, o que levou ao agravamento das
mudanças climáticas. O aumento das temperaturas atmosféricas e o impacto nas condições climáticas são
preocupações centrais dessa fase. Consequentemente, autoridades e pesquisadores em todo o mundo estão em
alerta devido às potencialmente devastadoras consequências da ebulição global, que incluem eventos climáticos
extremos cada vez mais frequentes, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar, incêndios florestais,

78
https://news.un.org/pt/story/2023/01/1808107
79
"REDAÇÃO. Aquecimento global: o que é a era da ebulição? National Geographic Brasil, 2 ago. 2023. Disponível em:
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/aquecimento-global-o-que-e-a-era-da-ebulicao,"

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perda de biodiversidade, chuvas intensas e inundações, entre outros impactos significativos. O mundo enfrenta
um desafio urgente para controlar a ebulição global e suas implicações.
Para enfrentar esse problema, são necessárias medidas que promovam modelos econômicos sustentáveis
e a conservação da biodiversidade. O Ministério do Meio Ambiente estabeleceu um plano que envolve tolerância
zero ao desmatamento ilegal, regularização fundiária, ordenamento territorial, bioeconomia, pagamento por
serviços ambientais e recuperação da vegetação nativa. Em resumo, a relação entre o crescimento humano e a
proteção ambiental é crucial, e é necessário compreender e abordar as causas do desmatamento para alcançar
um equilíbrio entre o desenvolvimento e a conservação do meio ambiente.

Ebulição global

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou para a chegada da "era da ebulição global" 80,
destacando um cenário alarmante de ar irrespirável e temperaturas insuportáveis que se avizinham. Guterres
declarou aos jornalistas presentes que "a era do aquecimento global acabou. A era da ebulição global chegou".
Ele enfatizou as consequências claras e trágicas, incluindo enchentes que arrastam crianças, famílias fugindo de
incêndios e trabalhadores desmaiando em meio a um calor escaldante.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Serviço Copernicus da Comissão Europeia confirmaram
que julho de 2023 será o mês mais quente já registrado na história. Os dados dessas agências, divulgados em um
comunicado de imprensa da Organização das Nações Unidas (ONU), revelam uma série de recordes, incluindo as
três semanas mais quentes, os três dias mais quentes e as temperaturas oceânicas mais elevadas já registradas
para este período do ano. A OMM apresentou esses dados como um "vislumbre do futuro" e estimou uma
probabilidade de 98% de que "pelo menos um dos próximos cinco anos seja o mais quente já registrado, com a
possibilidade de temporariamente superar a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais". Os especialistas das
organizações apontaram as emissões antropogênicas, ou seja, as emissões causadas pelo homem, como o
principal fator por trás do aumento das temperaturas81.
Se os atuais padrões de emissão de carbono forem mantidos até 2070, as perdas globais podem chegar a
incríveis US$ 178 trilhões, equivalente a R$ 841 trilhões. Esta estimativa é proveniente da firma de auditoria
Deloitte, uma das maiores do mundo. O "Atlas da Mortalidade e de Perdas Econômicas Causadas por Fenômenos
Climáticos e Hídricos Extremos," publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 2021, calcula que
os mais de 11 mil desastres naturais relacionados ao clima entre 1970 e 2019 geraram custos de US$ 3,64 trilhões
(R$ 17,22 trilhões na cotação atual), com os valores aumentando década após década82.
Apesar deste cenário catastrófico, Guterres mantém a crença de que a situação pode ser revertida com
medidas urgentes. Ele instou os líderes mundiais a promoverem ações para mudar o atual panorama, afirmando
que "não há mais espaço para hesitações, desculpas ou esperar que outros ajam primeiro. O tempo acabou. 83"O
diretor-geral da OMM, Petteri Taalas, enfatizou a urgência de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE)
80
https://cultura.uol.com.br/noticias/60332_secretario-geral-da-onu-afirma-que-chegamos-na-era-da-ebulicao-global.html
81
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/aquecimento-global-o-que-e-a-era-da-ebulicao
82
https://guaiba.com.br/2023/07/31/ebulicao-global-pode-causar-perdas-de-r-814-trilhoes-ate-2070-diz-consultoria/
83
https://www.publico.pt/2023/08/05/azul/noticia/comecou-ebulicao-global-avisou-antonio-guterres-significa-2059190
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e ressaltou que a ação climática não é um luxo, mas uma necessidade. Ele instou os países desenvolvidos a
comprometerem-se com a obtenção de emissões líquidas nulas o mais próximo possível de 2040, e as economias
emergentes a fazê-lo o mais próximo possível de 2050, com o apoio dos países desenvolvidos. Taalas enfatizou a
importância de uma transição justa e equitativa dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, bem como
a redução da expansão de petróleo e gás, enquanto se promove o financiamento e a licença para novas fontes de
energia limpa84.
Além disso, Guterres instou as instituições financeiras a cessarem seus empréstimos, subscrições e
investimentos em combustíveis fósseis, e a mudarem para energia renovável. Ele também destacou a
necessidade de as empresas de combustíveis fósseis delinearem planos de transição detalhados em toda a cadeia
de valor. O chefe da ONU também pediu medidas de adaptação e proteção contra ameaças como calor extremo,
inundações fatais, tempestades, secas e incêndios, com foco especial nas nações mais vulneráveis. Guterres
enfatizou que a cúpula climática não deve gerar desespero, mas sim inspirar ação, concluindo que ainda há a
possibilidade de evitar o pior, mas é imperativo acelerar a ação climática agora85.

Desmatamento/ Queimadas

O problema do desmatamento na floresta amazônica tem sido uma preocupação de longa data em todo o
mundo. No entanto, nos últimos anos, essa questão ganhou ainda mais destaque e se tornou objeto de debate
em diversos setores da sociedade, abrangendo tanto o meio ambiental quanto o político. Isso se deve aos
inúmeros danos causados pelo desmatamento, especialmente ao meio ambiente. O desmatamento é um
processo no qual as massas florestais são destruídas devido às ações humanas na natureza. Segundo o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, o desmatamento na região amazônica tem resultado em uma elevada
emissão de carbono, muito acima do normal, e essas emissões não são completamente absorvidas, o que leva à
acumulação de impurezas na atmosfera.
Manuel Muñoz (2010) define a sociodiversidade como a preservação de recursos sociais próprios, com
destaque para as habilidades políticas locais, o acesso à terra, o padrão habitacional e as hierarquias de valores
ou prestígio. A sociodiversidade está intrinsecamente relacionada aos costumes, às relações sociais e à natureza.
Na Amazônia, cada ser vivo e o ambiente são produtos dessa relação cultural, que resulta na sociobiodiversidade,
ou seja, na interação entre a diversidade cultural e biológica, que por sua vez gera diversidades culturais e
populacionais na sociedade.
Quando se aborda o bioma e sua sociodiversidade, é comum destacar conceitos como "natureza",
"degradação ambiental" e "comunidade". Esses conceitos, arraigados na academia e no senso comum, também
influenciam a vida dos grupos étnicos que habitam a região. No entanto, eles muitas vezes refletem uma visão
naturalista e determinista, que trata os indivíduos como meras extensões dos recursos naturais, desprovidos de
consciência e direitos. Essa abordagem cria uma divisão entre cultura e natureza, relegando os sujeitos à inação.
A biodiversidade da Amazônia é composta por uma infinidade de plantas e animais que representam a riqueza da
região. No passado, essa biodiversidade foi explorada de maneira intensiva, e essas atividades continuam a causar
84
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/aquecimento-global-o-que-e-a-era-da-ebulicao
85
Op cit.
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danos significativos à região. A Amazônia brasileira abriga muitas espécies, embora muitas delas ainda sejam
pouco conhecidas em termos de seus membros e distribuições. Essa biodiversidade possui um valor significativo,
tanto em termos de sua utilidade tradicional quanto de seu valor intrínseco. A Amazônia é um dos maiores e mais
diversos biomas do nosso planeta, abrigando uma rica biodiversidade de flora e fauna, muitas das quais são
espécies endêmicas. Esta vasta região abrange quase quatro milhões de quilômetros quadrados e se estende por
oito estados brasileiros, abrigando 125 unidades de conservação federal (TERRA, 2021). A floresta amazônica está
intrinsecamente ligada a uma série de retroalimentações que têm implicações significativas nas mudanças
climáticas, representando uma séria ameaça à sua existência e à continuidade dos serviços ambientais que ela
proporciona. Um desses mecanismos está relacionado à perda de evapotranspiração, que reduz a precipitação a
tal ponto que a floresta deixa de ser o tipo de vegetação mais adequado ao clima da região (FEARNSIDE, 2006, p.
63).
A Amazônia tem sido alvo de interesse internacional por mais de três séculos, e essa cobiça internacional
encontrou eco em uma série de questões de alcance global, incluindo o meio ambiente, os povos indígenas, o
clima, o narcotráfico, o desflorestamento e até mesmo a escassez de água, que tem levado o mundo a voltar sua
atenção ainda mais para essa região. A Amazônia é cobiçada não apenas por sua diversidade de fauna e flora, que
a torna de grande valor para a ciência e biologia, mas também por seus recursos naturais, como madeira e
reservas minerais. Um exemplo notório dessa cobiça internacional é a ideia, debatida por muitos países
desenvolvidos ao longo dos anos, de internacionalizar a Amazônia.
O processo de desmatamento começa com a abertura de rodovias ou estradas, seja de forma oficial ou
clandestina, para permitir a expansão humana e a ocupação irregular de terras, bem como a exploração de
madeiras nobres. Com a infraestrutura adequada, a área florestal é então convertida em terras para a agricultura
familiar ou pastagens para a criação extensiva de gado, sendo essa última a principal responsável por grande
parte do desmatamento na Amazônia Legal, atualmente, uma nova frente de exploração se desenha na região,
impulsionada pela política econômica global e alimentada por recursos tecnológicos e científicos avançados,
incluindo a biotecnologia, que visa a explorar o patrimônio genético e os conhecimentos tradicionais dos povos
indígenas em escala comercial. No entanto, apesar de anos de luta por direitos de conservação na Amazônia, as
políticas nesse sentido continuam envoltas em controvérsias. A tomada de decisões sobre políticas de
conservação enfrenta desafios relacionados à alocação de recursos escassos para a região. O desmatamento e a
degradação florestal continuam em ritmo acelerado, tornando complexa a busca por oportunidades de
conservação e desenvolvimento sustentável.
O presidente Lula enfatiza a importância de explorar os recursos amazônicos de maneira inteligente,
transformando-os em riqueza para o país. Ele argumenta que a Amazônia não deve se tornar um santuário
intocável, pois abriga uma população de 28 milhões de pessoas que também têm necessidades. No entanto, ele
ressalta a importância de envolver a comunidade global na pesquisa, preservação e exploração consciente da
biodiversidade amazônica. Lula reconhece que a Amazônia não pertence apenas ao Brasil, uma vez que outros
países compartilham partes dessa região. Ele também destaca que "manter uma árvore em pé hoje vale muito
para o Brasil" e que a preservação é mais eficiente e econômica do que a exploração não sustentável, dado que os
recursos naturais são finitos.
A devastação da floresta Amazônica, em grande parte impulsionada pela expansão do agronegócio, é
motivo de grande preocupação. O desmatamento prejudica os serviços ambientais prestados pela floresta, que
têm um valor maior do que os usos não sustentáveis que a substituem. Esses serviços incluem a manutenção da
biodiversidade, a regulação da ciclagem de água e o armazenamento de carbono, que é

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fundamental para combater o efeito estufa. A interação entre as mudanças climáticas e a floresta, por meio de
processos como incêndios florestais, mortalidade de árvores devido à seca e calor, e a liberação de carbono do
solo, representa ameaças significativas para o clima, a floresta e a população brasileira. Recentemente, ficou
evidente que o desmatamento pode ser controlado com a vontade política adequada, uma vez que muitos desses
processos dependem de decisões humanas86.
O ritmo acelerado do desmatamento na Amazônia é uma questão amplamente debatida nos dias de hoje.
Estudos indicam que, se as atuais taxas de desmatamento persistirem, restarão apenas fragmentos isolados de
floresta em 100 anos. Isso é preocupante, visto que o desmatamento é responsável por grande parte das
emissões de gases na atmosfera, sendo a emissão desses gases o principal fator do aquecimento global. Em 2022,
a área desmatada no Brasil aumentou em 22,3% em comparação com 2021, totalizando 2,05 milhões de hectares.
A Amazônia e o Cerrado, em conjunto, foram responsáveis por 90,1% dos biomas afetados. Essas informações são
provenientes do Relatório Anual de Desmatamento (RAD2022), elaborado pelo MapBiomas, uma iniciativa que
envolve diversas instituições, incluindo universidades, ONGs e empresas de tecnologia.
No período de 2019 a 2022, que corresponde à implementação do relatório, ocorreram 303 mil eventos
de desmatamento, abrangendo uma área de 6,6 milhões de hectares. Essa área equivale a uma vez e meia o
tamanho do estado do Rio de Janeiro. A atividade agropecuária se destaca como o principal fator de
desmatamento no país, contribuindo com 95,7% do total, o que equivale a 1,96 milhão de hectares. O garimpo
responde por 5,9 mil hectares e a mineração por 1,1 mil hectares.
Houve aumento na área desmatada em cinco dos seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado,
Pampa e Pantanal. A exceção foi a Mata Atlântica. Quando se considera a extensão afetada, os maiores aumentos
ocorreram na Amazônia (190.433 hectares) e no Cerrado (156.871 hectares). Proporcionalmente, o Cerrado
(31,2%) e o Pampa (27,2%) foram os mais impactados. No que diz respeito ao tipo de vegetação e uso da terra, o
desmatamento prevaleceu na formação florestal (64,9%), seguida pela formação savânica (31,3%) e pela
formação campestre (3,6%). Ao analisar os estados individualmente, o Pará liderou o ranking do desmatamento,
abrangendo 22,2% da área total do país (456.702 hectares). Em seguida, vêm o Amazonas, com 13,33% (274.184
hectares); Mato Grosso, com 11,62% da área desmatada (239.144 hectares); Bahia, com 10,94% (225.151
hectares); e Maranhão, com 8,2% (168.446 hectares). Esses cinco estados foram responsáveis por 66% do
desmatamento no Brasil.
As Comunidades Remanescentes de Quilombos (CRQ) e as terras indígenas (TI) são os territórios que mais
preservam no país. Os desmatamentos em terras indígenas representaram 1,4% da área total desmatada no
Brasil (26.598 hectares) e 4,5% do total de alertas, sendo a maioria deles (91%) na Amazônia. A maior área
desmatada em terras indígenas foi no TI Apyterewa (PA), com 10.525 hectares afetados. Nessas comunidades, os
desmatamentos correspondem a 0,05% da área total do país. Das 456 comunidades certificadas, 62 (26,1%)
tiveram pelo menos um alerta com pelo menos 0,3 hectares afetados. A comunidade com a maior área
desmatada foi Kalunga (GO), que teve 258 hectares de vegetação suprimidos, parte deles dentro da Área de
Proteção Ambiental Pouso Alto, nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Os
desmatamentos frequentemente ocorrem em áreas protegidas, como territórios indígenas e unidades de
conservação. Além disso, metade (52%) dos alertas de desmatamento apresenta sobreposição com Áreas de
Reserva Legal (RL), totalizando 699.189 hectares ou 34% da área total desmatada. O relatório do MapBiomas
também avaliou as ações dos órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal, como autuações
e embargos. Até maio do ano corrente, as ações do Ibama e do ICMBio alcançaram apenas 2,4% dos alertas de

86
ANAQUERI, Leidiane Rufino. Desmatamento na Amazônia-Bioma geral e consequências atuais. 2023.
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desmatamento e 10,2% da área desmatada identificada no período de 2019 a 2022. Nesse contexto, os estados
com maior atuação dos órgãos ambientais e ministérios públicos diante dos alertas de desmatamento foram
Espírito Santo (73,7% dos eventos no estado), Rio Grande do Sul (55,6%), São Paulo (40,3%) e Mato Grosso
(37,3%). Já os estados com menor atuação foram Pernambuco (0,8%), Maranhão (1,6%) e Ceará (1,9%) 87.

Crise Yanomami

A crise humanitária enfrentada pelos povos Yanomami ganhou destaque nos meios de comunicação e nas
principais manchetes dos principais portais de notícias do Brasil no primeiro semestre de 2023. Imagens
chocantes de crianças e adultos em estado de desnutrição foram amplamente divulgadas, colocando em foco um
problema que persiste há muito tempo. A área indígena Yanomami abrange territórios tanto no Brasil quanto na
Venezuela, no território brasileiro, essa área ocupa aproximadamente 9,665 milhões de hectares nos Estados de
Roraima e Amazonas, na região da Amazônia Legal. Segundo o Terras Indígenas no Brasil (2023), essa região
abriga oito diferentes grupos pertencentes a essa família linguística, incluindo os isolados da Serra da Estrutura,
isolados do Amajari, isolados do Auaris, isolados do Baixo Rio Cauaburis, isolados Parawa e isolados Surucucu.
Um relatório elaborado pelo Mapa de Conflitos: Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, realizado pela
Neeps, pela ENSP e pela Fiocruz (2023), evidenciou que, na segunda metade do século XX, várias invasões ao
território indígena Yanomami resultaram em uma significativa diminuição demográfica entre a população. A alta
incidência de conflitos nessa região, aliada à emergência pública agravada durante o período de governo de 2019
a 2022, gerou uma série de discussões, incluindo a responsabilidade do Estado na crise humanitária vivida por
esses povos.
O ouro é um recurso mineral historicamente cobiçado, tendo sido palco de várias "corridas" em busca de
sua extração em diferentes sociedades e períodos históricos. No contexto específico da Terra Indígena Yanomami,
um artigo de Alves (2023) na BBC destaca os graves impactos à saúde causados pelos garimpos ilegais que fazem
uso do mercúrio que causa a morte dos rios, contaminação dos peixes, desmatamento e fuga da fauna. Estudos
conduzidos por Barbosa e Dórea (1998) apontam que tanto os 20% de mercúrio descartados diretamente nos rios
quanto os outros 80%, após sua metilação em plantas e animais consumidos pelos povos indígenas, entram na
cadeia alimentar.
Em 2022, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressou preocupação com a situação
do povo Yanomami, considerando-a de "extrema gravidade". A CIDH, que representa os países da Organização
dos Estados Americanos (OEA), emitiu medidas provisórias para proteger os Yanomami de danos irreparáveis,
levando em consideração o alto nível de violência na região, o uso frequente de armas de fogo, ameaças aos
povos indígenas e a ocorrência de violência sexual contra mulheres e crianças. O garimpo ilegal cresceu 46% em
2021 e 54% na Terra Indígena Yanomami em 2022. Uma pesquisa conduzida pelo ISA (Instituto Socioambiental)
em parceria com a HAY (Hutukara Associação Yanomami) e divulgada em 2022 mostrou que, de 2016 a 2021, o

87
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-06/desmatamento-no-brasil-cresceu-22-no-ano-passado
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garimpo nessa área aumentou impressionantes 3350%. A situação se deteriorou a tal ponto que, em 20 de janeiro
de 2023, o Ministério da Saúde decretou estado de emergência de saúde pública nas terras dos Yanomami em
Roraima, devido à falta de assistência sanitária adequada à população indígena. Essa grave crise humanitária
resulta de uma série de ações e omissões por parte do Estado Brasileiro, que historicamente não cumpriu sua
missão constitucional de proteger o território e prestar assistência à população Yanomami 88.

Marco temporal

A tese do marco temporal é uma abordagem jurídica que visa restringir os direitos constitucionais dos
povos indígenas. Conforme essa interpretação, defendida por grupos ruralistas e setores interessados na
exploração de terras tradicionais, os povos indígenas só teriam direito à demarcação de terras que estavam sob
sua posse em 5 de outubro de 1988. Alternativamente, se não estivessem ocupando a terra nessa data, teriam
que comprovar a existência de disputa judicial ou conflito material relacionado à mesma data. Ela surgiu em 2009
durante o parecer da Advocacia-Geral da União sobre a demarcação da reserva Raposa-Serra do Sol em Roraima,
alimentou a rivalidade entre grupos ruralistas e povos indígenas. Ela defende que os povos indígenas só podem
reivindicar terras se estivessem ocupando-as no momento da promulgação da Constituição Federal em 5 de
outubro de 1988. Essa tese faz parte de uma estratégia de grupos de ruralistas e agricultores para impedir a
demarcação de terras indígenas no Brasil89.
Um exemplo desse conflito é a Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, onde uma parte ocupada pelos indígenas
Xokleng é disputada por agricultores e está sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento é que
essa área não estava ocupada em 5 de outubro de 1988, enquanto os Xokleng alegam terem sido expulsos dela. A
decisão do STF sobre o caso de Santa Catarina estabelecerá a posição do tribunal em relação à validade do marco
temporal em todo o país, afetando mais de 80 casos semelhantes e mais de 300 processos de demarcação de
terras indígenas pendentes90.
Se a tese do marco temporal fosse aceita pelo STF, os indígenas poderiam ser deslocados de terras que
ocupavam, a menos que comprovassem sua presença em 1988, ignorando a história de povos que foram expulsos
ou forçados a abandonar suas terras de origem. Isso também abriria a possibilidade de áreas que deveriam
pertencer aos indígenas, para proteger sua cultura e identidade, serem privatizadas e comercializadas, atendendo
aos interesses do setor ruralista. No entanto, o STF rejeitou a tese do marco temporal para a demarcação de
terras indígenas por 9 votos a 2, garantindo os direitos constitucionais dos povos indígenas à ocupação tradicional

88
DUARTE, Juliana Miranda. Análise da responsabilidade estatal brasileira diante da grave crise humanitária do Povo
Yanomami. 2023.
89
https://www.camara.leg.br/noticias/966618-o-que-e-marco-temporal-e-quais-os-argumentos-favoraveis-e-contrarios/
90
https://www.camara.leg.br/noticias/1000636-decisao-do-stf-que-derrubou-marco-temporal-das-terras-indigenas-
repercute-entre-parlamentares/
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da terra. A ministra Carmen Lúcia enfatizou que a Constituição Federal protege não apenas a posse da terra, mas
também a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos povos indígenas91.
Essa decisão foi comemorada por lideranças indígenas em Brasília e em todo o país ““Hoje o dia é de
comemorar a vitória dos povos indígenas contra o marco temporal. Nós temos muitos desafios pela frente, como
outros pontos que foram incluídos, mas é uma luta a cada dia. Uma vitória a cada dia. Nós acreditamos na Justiça,
na Justiça do Supremo Tribunal Federal para dar essa segurança jurídica aos direitos constitucionais dos povos
indígenas, cumprir o seu dever pela constitucionalidade e dar esperança a esse povo que tem sofrido há muitos
anos com intimidações e pressões. Hoje se enterra de vez o marco temporal” ( presidenta da Fundação Nacional
dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana), mas ainda existem preocupações de que o Congresso possa
legislar sobre o marco temporal por meio de um projeto de lei. Se isso acontecer, a questão poderá retornar ao
STF, fortalecendo a ideia de que somente uma emenda constitucional (PEC) pode efetivamente alterar questões
relacionadas à Constituição. A luta pelos direitos dos povos indígenas continua92.

COP27

As COPs (Conferências das Partes) representam os eventos mais significativos e abrangentes do mundo
relacionados ao clima. O histórico dessas conferências remonta a 1992, quando a ONU organizou a ECO-92, no
Rio de Janeiro, marco em que a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) foi
adotada. Nesse contexto, o Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU também foi estabelecido. Essa
convenção comprometeu as nações a "estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera para
evitar interferências perigosas da atividade humana no sistema climático". Até o momento, 197 partes assinaram
esse importante documento.
A COP27 reuniu representantes oficiais de governos e membros da sociedade civil para discutir
estratégias de enfrentamento e adaptação às mudanças climáticas. Em 2022, a Conferência do Clima das Nações
Unidas ocorreu em Sharm el-Sheikh, no Egito, em um momento em que o mundo enfrenta eventos climáticos
extremos, uma crise energética associada ao conflito na Ucrânia e evidências de que não se está fazendo o
suficiente para combater as emissões de carbono e proteger o futuro do planeta. Durante essas conferências, os
países negociaram extensões do tratado original, estabelecendo limites juridicamente vinculativos para as
emissões. Isso incluiu o Protocolo de Kyoto em 1997 e o Acordo de Paris em 2015, no qual todos os países
concordaram em intensificar os esforços para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima das temperaturas pré-
industriais, além de aumentar o financiamento da ação climática.
Um dos principais objetivos da COP27 é a mitigação das emissões de gases de efeito estufa, que são
responsáveis pelas mudanças climáticas, isso envolve a exploração de novas tecnologias e fontes de energia
renovável, aprimoramento da eficiência energética de equipamentos mais antigos e mudanças nas práticas de

91
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=514552&ori=1
92
https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2023/povos-indigenas-comemoram-a-derrubada-do-marco-temporal-
pelo-stf
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gestão e no comportamento do consumidor. Um acordo relevante alcançado durante a conferência está
relacionado à criação de um fundo de perdas e danos, essa iniciativa permite que países doadores,
principalmente os mais ricos, contribuam para um fundo global destinado a auxiliar em situações de desastres
naturais relacionados às mudanças climáticas. Outro ponto crucial discutido foi o Plano de Implementação de
Sharm el-Sheikh, que sublinhou a necessidade de investimentos maciços, entre 4 e 6 trilhões de dólares por ano,
para uma transição global em direção a uma economia com baixas emissões de carbono. Essa transformação
requer uma atualização dos sistemas financeiros e suas estruturas, em colaboração com governos, bancos
centrais, bancos comerciais, investidores institucionais e outros atores financeiros.
Houve preocupações expressas quanto ao fato de que a promessa dos países desenvolvidos de mobilizar
100 bilhões de dólares por ano até 2020 para o financiamento climático ainda não foi cumprida. Além disso, foi
anunciada uma nova Parceria de Transição Energética Justa da Indonésia, com um compromisso de mobilizar 20
bilhões de dólares nos próximos três a cinco anos para acelerar a transição energética de maneira justa. A COP27
abordou diversas questões importantes, como o desmatamento na Amazônia, agricultura sustentável, segurança
alimentar, transição energética, acesso à água potável, impactos das mudanças climáticas e poluição, igualdade
de gênero e participação das mulheres em questões ambientais, bem como planos e metas para o futuro 93.

Cúpula da Amazônia 2023

A Cúpula da Amazônia reuniu os líderes dos oito países membros da Organização do Tratado de
Cooperação Amazônica (OTCA), que são Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
Seu principal objetivo foi estabelecer um compromisso de cooperação para o desenvolvimento sustentável da
região amazônica, por meio da revitalização do diálogo regional e do fortalecimento das relações entre os órgãos
governamentais e civis dos países envolvidos. Ao término da reunião em 8 de outubro, os países amazônicos
adotaram a Declaração de Belém, delineando nova agenda de cooperação regional com foco no desenvolvimento
sustentável da Amazônia94. Esta agenda abrange a proteção do ecossistema amazônico e de sua bacia
hidrográfica, inclusão social, estímulo à pesquisa científica, tecnologia e inovação, apoio à economia local e
reconhecimento e preservação dos modos de vida das populações indígenas e comunidades locais, bem como de
seus saberes ancestrais95.
Um dos objetivos centrais da Cúpula da Amazônia é fortalecer a OTCA, uma organização internacional
com sede em Brasília, para que possa apoiar efetivamente os países da região na implementação de iniciativas e
projetos voltados para o desenvolvimento sustentável da área. Além dos líderes dos países amazônicos,
representantes da Indonésia, República Democrática do Congo (RDC) e Congo participaram de uma reunião
preparatória para a Cúpula das Três Bacias, programada para ocorrer em outubro em Brazzaville, no Congo. O ex-
presidente Lula expressou o desejo de ampliar a cooperação entre países com grandes florestas tropicais,

93
https://brasil.un.org/pt-br/205789-cop27-o-que-voc%C3%AA-precisa-saber-sobre-confer%C3%AAncia-do-clima-da-onu
94
https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/cupula-da-amazonia
95
https://www.ufrgs.br/humanista/2023/08/14/cupula-amazonia-declaracao-de-belem/
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especialmente em relação ao financiamento. Esse pleito conjunto seria levado à COP28, em dezembro, com a
presença do presidente da Cúpula, Sultan Al Jaber.
A pauta de cooperação climática representa uma mudança significativa, refletindo uma reorientação da
política ambiental interna, a agenda florestal de Lula busca posicionar o Brasil como um líder global na luta contra
as mudanças climáticas. Para isso, o país terá importantes oportunidades de exposição, incluindo a participação
no G20 no próximo ano e na COP30 em 2025.
A fusão das agendas climáticas e de combate à pobreza aponta para uma abordagem econômica
sustentável, apresentada pelo ministro da economia, Fernando Haddad. O plano proposto contempla cerca de
100 ações, incluindo a criação de um mercado de carbono regulamentado com metas setoriais e o estímulo a
setores voltados para a sustentabilidade, parte dessas medidas poderá ser implementada por meio de decretos
ou ajustes regulatórios existentes, enquanto outras dependerão do Congresso.
Vale ressaltar que os estados amazônicos enfrentam desafios econômicos significativos e estão entre os
mais carentes do Brasil e essa situação se repete em outras nações da Amazônia. No entanto, as políticas
propostas buscam promover o desenvolvimento econômico sustentável na região. No âmbito internacional, o
Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, é um instrumento importante para a diplomacia florestal, embora
tenha sido paralisado no governo anterior, esse fundo permite que até 20% de seus recursos sejam destinados ao
financiamento de projetos florestais em outros países amazônicos96.
Apesar da abordagem ambiciosa de Lula em relação à política climática, algumas contradições, como a
exploração de gás fóssil na Amazônia, despertam críticas de ambientalistas, a concessão de licença para a
Petrobras explorar gás fóssil na região foi negada pelo IBAMA devido a avaliações deficientes de impacto
ambiental e à sensibilidade ecológica da área. O presidente colombiano, Gustavo Petro, apoia medidas que
incluam o fim do desmatamento e projetos relacionados a combustíveis fósseis. No entanto, Lula concentra-se
mais na questão do desmatamento, mesmo mantendo o polêmico projeto da Petrobras na foz do rio Amazonas,
que contribui com cerca de 20% do total de água doce que chega aos oceanos. Quanto a outros países, um
acordo para eliminar gradualmente o desmatamento na década atual permanece incerto.
Organizações da sociedade civil pan-amazônica pedem que a Cúpula atue para evitar o colapso da floresta
e promova a eliminação global dos combustíveis fósseis. Elas argumentam que esse processo deve começar na
própria Amazônia, que sofre com os impactos da indústria petrolífera, incluindo derramamentos e poluição
atmosférica.
Outro ponto de destaque na agenda da sociedade civil é o reconhecimento dos territórios indígenas e das
áreas ocupadas por populações tradicionais. Essas áreas desempenham um papel fundamental na proteção
contra o desmatamento. O cacique Raoni Metuktire, do povo Caiapó, liderou uma reunião de cúpula em julho
com representantes indígenas da Amazônia, demandando uma decisão definitiva do Brasil sobre o chamado
Marco Temporal, que busca limitar o reconhecimento de terras indígenas à data de 1988, quando a Constituição

96
https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/declaracao-presidencial-por-ocasiao-da-
cupula-da-amazonia-2013-iv-reuniao-de-presidentes-dos-estados-partes-no-tratado-de-cooperacao-amazonica
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atual foi promulgada. De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), essa tese poderia
levar ao desmatamento de uma área entre 230 mil km² e 550 mil km² de terras nativas na Amazônia Legal
brasileira, resultando na emissão de até 18,7 bilhões de toneladas de CO2, equivalente a 14 anos das emissões do
Brasil. A análise considera 385 terras indígenas cuja homologação ocorreu após 1988.

Cúpula G7 Japão

O Brasil participou como convidado especial da 49ª cúpula do G7, um grupo composto pelos sete países mais
ricos do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Este evento ocorreu nos
dias 20 e 21 de maio na cidade de Hiroshima, no Japão, e o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva 97 foi
estendido pelo primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida. Durante a Cúpula do G7, uma ampla gama de tópicos
foi discutida. Entre os principais temas em pauta estavam a agressão da Rússia contra a Ucrânia, o desarmamento
nuclear e a não proliferação de armas nucleares, resiliência e segurança econômica, mudanças climáticas e
transição energética, segurança alimentar, saúde, além dos objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento
Sustentável das Nações Unidas. Questões relacionadas a gênero, direitos humanos, digitalização, ciência e
tecnologia também foram abordadas98.
Durante sua estadia em Hiroshima, o presidente brasileiro participou de três reuniões oficiais da cúpula do G7,
que abordaram tópicos pré-determinados. Estas reuniões trataram de questões relacionadas à alimentação,
saúde, desenvolvimento, gênero, bem como assuntos envolvendo clima, energia e meio ambiente. Além disso,
reconheceu-se a importância de um mundo próspero, estável e pacífico. As principais áreas de discussão ao longo
das nove sessões de trabalho incluíram99:
 - A agressão da Rússia contra a Ucrânia
 - Desarmamento nuclear e não proliferação
 - Economia, finanças e desenvolvimento sustentável global
 - Mudanças climáticas, energia e meio ambiente
 - Segurança alimentar e saúde
 - Diálogo com parceiros internacionais
O G7 reiterou sua firme condenação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia e anunciou novas
medidas para aumentar os custos para a Rússia e seus apoiadores. Essas medidas incluíram restrições às
exportações de itens críticos para a máquina de guerra russa, ações para prevenir evasão e contorno de sanções,
restrições ao uso do sistema financeiro internacional pela Rússia e esforços para limitar receitas russas
provenientes de energia e metais. Além disso, foi abordada a restrição do comércio e uso de diamantes
provenientes da Rússia. Também instou terceiros a cessarem o apoio material à agressão russa contra a Ucrânia e
97
https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/politica/audio/2023-05/presidente-lula-vai-para-o-japao-nesta-
quarta-aonde-participa-do-g7
98
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-05/no-japao-presidente-tratara-de-paz-mundial-durante-cupula-do-
g7
99
https://www.consilium.europa.eu/pt/meetings/international-summit/2023/05/19-21/
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expressou seu compromisso contínuo de tomar medidas contra intervenientes de países terceiros que apoiem
materialmente a guerra russa.
Os líderes do G7 enfatizaram a importância dos esforços de desarmamento e não proliferação na busca de um
mundo mais estável e seguro. Eles também se comprometeram a promover uma recuperação econômica mundial
sólida e resiliente, fortalecer as cadeias de abastecimento, defender regras e normas internacionais para facilitar
o comércio e aumentar a preparação coletiva contra coerção econômica, destacou ainda a necessidade de
investir em infraestrutura nos países de baixa e média renda e reafirmou seu compromisso de mobilizar até 600
bilhões de dólares até 2027 para a Parceria do G7 para Infraestrutura e Investimento Global.
Reafirmaram seu compromisso de não ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento da temperatura global, além
de se esforçarem para reverter a perda de biodiversidade até 2030 e garantir a segurança energética e a
colaborar com países em desenvolvimento e emergentes na redução de emissões e apoio a transições energéticas
justas, mobilizando financiamento para tecnologias e práticas limpas.
O G7 também abordou a situação de segurança alimentar mundial e investimentos em saúde global, incluindo
a capacidade de produção de vacinas, o Fundo para Pandemias e um futuro acordo internacional de prevenção,
preparação e resposta a pandemias, expressando apoio à região do Indo-Pacífico livre e aberto, fortalecimento
das parcerias com países africanos e uma maior representação africana em fóruns multilaterais.
Em reuniões bilaterais, o presidente brasileiro destacou a importância da solidariedade e compromisso com a
Ucrânia, enquanto a Presidência japonesa convidou líderes de outros países, incluindo o Brasil, para participarem
em várias sessões de trabalho durante a cúpula. Os países do G7 reafirmaram sua disposição em revitalizar a
cooperação internacional e trabalhar com parceiros para construir um mundo centrado no ser humano e
resiliente.

G20

Ao encerrar o ano de 2009, tornou-se evidente a estagnação nas negociações áreas de grande relevância na
diplomacia internacional, no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC), a falta de progresso após sete
anos de discussões, levou a questionamentos sobre a pertinência do modelo atual do multilateralismo no
enfrentamento dos desafios atuais do sistema de comércio global. Essa situação também estimulou debates
sobre a necessidade de reformas institucionais para uma nova forma de governança nesse âmbito. O conceito de
"multilateralismo" nas relações internacionais abrange uma variedade de situações, englobando métodos de
negociação, ação, institucionalização de normas e regulamentação do sistema internacional. Esse conceito
também se fundamenta em valores universais baseados nos princípios da Carta da ONU, como a busca por uma
interação mais previsível entre os atores estatais100.
O G20 (Grupo dos 20), por sua vez, é um fórum de cooperação econômica internacional que foi estabelecido
em 1999 e é composto por 19 países, incluindo nações desenvolvidas e em desenvolvimento, além da União

100
MELLO, Flavia de Campos. O Brasil e o multilateralismo contemporâneo. Texto para discussão, 2011.
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Europeia. Originado como resposta às crises econômicas dos anos 1990, o G20 tem como propósito fortalecer a
economia global e discutir questões cruciais para o desenvolvimento socioeconômico mundial, abrangendo temas
como comércio internacional, agricultura, energia e meio ambiente. As reuniões do G20 são denominadas
cúpulas e ocorrem anualmente101.
Para muitos observadores, o G20 representaria uma oportunidade promissora para a governança econômica
internacional, ampliando a representação além da oligarquia presente nas cúpulas do G7 e, posteriormente, do
G8, ao incluir a Rússia. Além disso, o G20 proporcionaria a agilidade e informalidade necessárias para estabelecer
novas formas de cooperação entre Estados nas discussões sobre a crise financeira. A substituição do G8 pelo G20
como principal fórum de diálogo entre os líderes globais após a crise financeira de 2008 representou uma
mudança importante na configuração dos arranjos de governança internacional, mesmo que de natureza
informal. O governo brasileiro demonstrou grande interesse em participar desse processo, visto como uma
oportunidade para influenciar a agenda econômica global. No entanto, para o Brasil, a integração em um fórum
restrito como o G20 trouxe desafios significativos no âmbito do multilateralismo diplomático 102.
Em primeiro lugar, era crucial assegurar que, para os países desenvolvidos, o G20 se tornasse uma instância
permanente, ainda que informal, em vez de ser invocado apenas em situações de crise. Em segundo lugar, o
Brasil, que se via como um mediador entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento no sistema
internacional, precisava garantir que os interesses destes últimos fossem adequadamente representados por
meio da participação de nações em desenvolvimento no G20. Isso incluía o desafio de equilibrar os compromissos
assumidos no processo de coordenação de políticas com a capacidade de influenciar efetivamente as decisões,
além de garantir as salvaguardas e proteções presentes em instituições formais.
Ao contrário de organizações internacionais como o FMI e o Banco Mundial, o G-20 não mantém um quadro
permanente de funcionários. A presidência do Grupo é rotativa e tem a duração de um ano, com o país que
detém a presidência encarregado de estabelecer um secretariado temporário durante o seu mandato, elabora um
programa de trabalho para o ano, geralmente continuando a maior parte dos tópicos já em discussão, mas tendo
a flexibilidade de adicionar novas iniciativas. Além disso, de acordo com práticas tradicionais, o país presidente
pode convidar outros países para participar das discussões ao longo do ano, atuando como observadores 103. O
Brasil ocupou a presidência do G-20 em 2008, durante o qual a agenda do G-20 abordou temas como competição
no setor financeiro, biocombustíveis e espaço fiscal. Nesse ano, também foram concluídos os grupos de trabalho
relacionados à História Inicial do G-20 e aos Distúrbios no Mercado Global de Crédito.
Em 10 de setembro de 2023, o Brasil assumiu a Presidência simbólica do G20 durante a Cúpula de Líderes do
grupo realizada em Nova Délhi, Índia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o martelo simbólico que
representa a liderança do grupo das mãos do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente Lula
destacou os desafios que o Brasil enfrentará no comando do G20, incluindo as negociações do acordo comercial
entre o Mercosul e a União Europeia. Ele enfatizou a importância de combater a fome e a desigualdade,

101
https://www.bcb.gov.br/rex/g20/port/mencaog20.asp?frame=1
102
MELLO, Flavia de Campos. O Brasil e o multilateralismo contemporâneo. Texto para discussão, 2011
103
https://www.bcb.gov.br/rex/g20/port/mencaog20.asp?frame=1
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incentivar a transição energética e o desenvolvimento sustentável, bem como buscar mudanças nos sistemas de
governança internacional104.
Ressaltou ainda a necessidade de uma abordagem global para combater a desigualdade em suas várias
formas, como a desigualdade de gênero, raça, educação, saúde e acesso à comida. Além disso, ele enfatizou a
importância de uma ação conjunta para combater as mudanças climáticas e a necessidade de recursos e
transferência de tecnologia para alcançar as metas globais, incluindo o fim da fome até 2030 105.
O presidente também destacou a importância de uma reforma das instituições multilaterais, como o Banco
Mundial e o FMI, para dar aos países em desenvolvimento uma voz mais significativa no cenário mundial. Ele
ressaltou a necessidade de modernizar essas instituições para refletir a realidade atual e promover uma
distribuição mais equitativa do poder e celebrou o fato de que a declaração final da cúpula do G20 enfatizou a
importância da paz como a melhor solução para o conflito entre Rússia e Ucrânia, reconhecendo o alto preço que
a guerra tem custado, especialmente para os refugiados e vítimas envolvidos106.

Mercosul

O Mercado Comum do Cone Sul, conhecido como Mercosul, teve sua origem nos acordos comerciais bilaterais
estabelecidos entre o Brasil e a Argentina a partir de 1990. Oficialmente, foi criado em 29 de novembro de 1991,
com a assinatura do Tratado de Assunção, realizado na capital do Paraguai, reunindo Brasil, Argentina, Paraguai e
Uruguai. Posteriormente, a Venezuela se juntou ao grupo em 2012107.
Os objetivos do Mercosul incluem a promoção da livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre
os países membros, com a eliminação de impostos, tarifas e direitos alfandegários. Para alcançar esse fim, foi
estabelecida uma Tarifa Externa Comum (TEC) nas relações comerciais com outras nações, bem como a adoção
de uma política comercial compartilhada entre os membros. Além disso, o bloco visa a coordenar e direcionar
políticas econômicas para garantir condições de concorrência equitativas no cenário capitalista global. No âmbito
político, os Estados que aderem ao Mercosul concordam em adaptar seus sistemas de governo a determinados
requisitos, como democracia, respeito aos Direitos Humanos e políticas de desenvolvimento social. Essas
adaptações promovem maior harmonização entre as políticas internas dos países e fortalecem a integração do
bloco, tanto em termos sociais quanto políticos e econômicos108.
Atualmente, o Mercosul inclui todos os países da América do Sul, que participam como membros plenos ou
associados. Os membros plenos consistem nos países fundadores (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a

104
https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2023/09/apos-cupula-do-g20-lula-fala-sobre-desafios-
de-presidir-grupo-e-celebra-consensos
105
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-09/brasil-recebe-presidencia-do-g20-e-propoe-forca-tarefa-
contra-fome
106
Op cit.
107
https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-mistas/cpcms/historico/
blocoseconomicos.html/mercosul.html
108
SOARES FILHO, José et al. MERCOSUL: surgimento, estrutura, direitos sociais, relação com a Unasul, perspectivas de sua
evolução. Revista CEJ, v. 13, n. 46, p. 21-38, 2009.
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Venezuela, que se tornou membro em 2012, mas está atualmente suspenso devido a violações das regras do
bloco. Os demais países sul-americanos (Chile, Bolívia, Equador, Colômbia, Guiana, Peru e Suriname) são
considerados países associados, participando do Mercosul de maneira regular, embora não desfrutem das
mesmas vantagens que os membros plenos, como a Tarifa Externa Comum (TEC)109.
O Mercosul não é apenas um acordo comercial, mas também desempenha um papel crucial na política externa
do Brasil, envolvendo uma integração política e cultural significativa entre os povos sul-americanos. Este processo
de integração visa melhorar a qualidade de vida de todos os cidadãos do bloco e promover uma integração mais
competitiva em um mundo caracterizado por grandes espaços econômicos, onde o progresso tecnológico é
fundamental para o sucesso de investimentos e o desenvolvimento sustentável. Os cinco países do Mercosul
juntos representam uma vasta extensão territorial, abrangendo 72% de toda a América do Sul, equivalente a três
vezes a área da União Europeia (um total de 12,8 milhões de km²). Com uma população de 288,5 milhões de
habitantes, quase 70% da população sul-americana, e um PIB combinado de US$ 2,79 trilhões, que corresponde a
76% do total de US$ 3,66 trilhões da América do Sul como um todo, o bloco se classifica como a quinta maior
economia global em termos reais110.
Em 28 de junho de 2019, exatamente duas décadas após os líderes do Mercosul e da União Europeia lançarem
as negociações para um Acordo de Associação Birregional, um acordo político sobre o pilar comercial foi
alcançado entre as partes. As negociações tiveram uma fase inicial que foi suspensa em 2004 devido a ofertas
insatisfatórias de bens, que não foram aceitas por ambas as partes. No entanto, as negociações foram retomadas
em 2010, durante a Cúpula Mercosul-UE em Madri, e ganharam impulso a partir de maio de 2016, quando
Mercosul e a UE trocaram propostas para acesso a seus mercados de bens, serviços, investimentos e compras
governamentais. Em 18 de junho de 2020, as negociações dos pilares político e de cooperação do Acordo de
Associação foram concluídas. Este acordo comercial com a UE está destinado a ser uma das maiores áreas de livre
comércio do mundo, abrangendo um mercado de 780 milhões de habitantes e cerca de um quarto do PIB global.
Espera-se que este acordo traga resultados significativos para a economia brasileira, com a Secretaria de
Comércio Exterior (SECEX) estimando um aumento de US$ 87,5 bilhões no PIB brasileiro ao longo de 15 anos,
podendo chegar a US$ 125 bilhões quando consideradas a redução das barreiras não tarifárias e o aumento
esperado na produtividade total dos fatores de produção. Além disso, é previsto um aumento de investimentos
no Brasil de aproximadamente US$ 113 bilhões durante o mesmo período. No que diz respeito ao comércio
bilateral, estima-se que as exportações brasileiras para a UE apresentem ganhos de quase US$ 100 bilhões até
2035111.
Devido à sua importância econômica e à ampla variedade de disciplinas envolvidas, este acordo representa a
negociação mais abrangente e complexa já realizada pelo Mercosul. O imposto de importação será eliminado
para mais de 90% dos produtos comercializados entre os países dos dois blocos após um período de transição de
até 15 anos. Além disso, o acordo engloba temas como maior transparência e segurança jurídica nos mercados de

109
https://www.fazcomex.com.br/comex/mercosul-o-que-e/
110
http://www.abc.gov.br/projetos/cooperacaosulsul/mercosul
111
https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/mercosul-uniao-europeia
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serviços, investimentos e compras governamentais, redução de barreiras não tarifárias e implementação de
práticas regulatórias mais eficientes, bem como a introdução de disposições modernas em áreas como facilitação
do comércio e propriedade intelectual, entre outros112.
Durante sua visita à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com as condições
adicionais impostas pela União Europeia ao tratado de integração com o Mercosul. Essas condições, vistas com
descontentamento pelo presidente, estão relacionadas a questões comerciais e industriais que poderiam afetar o
Brasil ao aderir às exigências da UE 113. A UE passou a solicitar compromissos ambientais como condição para
desbloquear o acordo de livre comércio entre as nações.
Lula enfatizou a importância de um acordo equilibrado entre o Mercosul e a União Europeia, visando preservar
a capacidade de ambas as partes de enfrentar os desafios presentes e futuros. Ele argumentou que o crescimento
dos países sul-americanos e caribenhos deve ser sustentável e regionalmente integrado. Durante a reunião de
líderes sul-americanos em maio, foi proposta a atualização da carteira de projetos do Conselho Sul-Americano de
Infraestrutura e Planejamento, com foco na integração física e digital. Também destacou o papel das compras
governamentais como instrumento vital para impulsionar investimentos em infraestrutura e sustentar a política
industrial do Brasil. Ele observou que tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia já adotam políticas
industriais baseadas em compras públicas e conteúdo nacional. Enfatizando ainda a importância das empresas,
universidades e da sociedade civil no fortalecimento das relações entre os países. As reuniões realizadas durante
sua visita, como a 3ª Cúpula Celac-União Europeia e o Fórum Empresarial União Europeia-América Latina,
refletem o comprometimento dos empreendedores em relançar essa histórica aliança, baseada na compreensão
de que o sucesso de uma parte é fundamental para o êxito de ambas e por fim, reafirmou o compromisso do
governo em controlar a inflação e manter o equilíbrio das contas públicas, destacando que as reservas
internacionais do país atingem aproximadamente US$ 343 bilhões114.

BRICS

O acrônimo BRICs, inicialmente usado para designar economias emergentes com amplas dimensões
geográficas e demográficas, evoluiu para se tornar uma categoria de análise, esses países não são mais vistos
apenas como "outros países em desenvolvimento", mas sim como atores de crescente importância no cenário
global. O grupo BRICs, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, desempenha um papel
significativo na economia mundial. Juntos, representam mais de 42% da população global, ocupam 30% do
território do planeta, contribuem com 23% do PIB global e representam 18% do comércio internacional 115116.

112
https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/2023/07/acordo-mercosul-uniao-europeia-e-mudanca-estrutural-
consideracoes-a-partir-de-modelos-de-equilibrio-geral-2/
113
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/entenda-por-que-lula-critica-uniao-europeia-sobre-acordo-com-o-mercosul/
114
https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-07/acordo-entre-ue-e-mercosul-pode-sair-em-2023-diz-presidente-
lula
115
https://www.ipea.gov.br/forumbrics/pt-BR/conheca-os-brics.html
116
https://www.gov.br/planalto/pt-br/assuntos/reuniao-do-brics/historia-do-brics
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Segundo o Ministério de Relações Exteriores, a coordenação entre Brasil, Rússia, Índia e China teve início
informalmente em 2006, com uma reunião de trabalho realizada paralelamente à Assembleia-Geral da ONU. Em
2007, o Brasil organizou uma segunda reunião que revelou o interesse desses países em aprofundar o diálogo. Em
2008, ocorreu um encontro de chanceleres, e a partir de 2009, os chefes de Estado e de Governo passaram a se
reunir anualmente, estabelecendo uma nova entidade político-diplomática. A África do Sul ingressou no grupo em
2011. Embora os cinco países não formem um bloco político ou uma aliança de comércio formal ou militar, têm
negociado vários tratados de comércio e cooperação para impulsionar seu crescimento econômico 117.O BRICs
busca atuar em conjunto em foros multilaterais, como a ONU e a OMC, para fortalecer as posições do grupo e
democratizar a governança internacional. Além disso, buscam acordos bilaterais em áreas como agricultura,
ciência e tecnologia, cultura, governança e segurança da Internet, previdência social, propriedade intelectual,
saúde, turismo, entre outros.
Embora o BRICs não seja um bloco meramente econômico, ele representa uma aliança que busca acumular
poder político e econômico no cenário global, defendendo interesses comuns e promovendo a cooperação entre
seus membros. O grupo também desempenha um papel importante na geopolítica global e tem potencial para
reequilibrar o poder econômico mundial. No entanto, enfrenta desafios, como a rivalidade entre China e Estados
Unidos e a volatilidade dos mercados financeiros internacionais. A desigualdade econômica e social dentro de
seus próprios países também pode prejudicar a promoção do desenvolvimento sustentável.
Recentemente, o BRICs anunciou a expansão de seus membros, convidando Argentina, Arábia Saudita, Egito,
Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã a se juntarem ao grupo. Embora muitos tenham questionado a capacidade
desses países tão diferentes de forjar uma visão comum, a experiência demonstra o contrário, fortalecendo a luta
por uma nova ordem global que acomode a diversidade econômica, geográfica e política do século XXI. O BRICs
permanece aberto a novos candidatos, com critérios definidos para futuras adesões118.
O grupo também está explorando a possibilidade de adotar uma moeda de referência para o comércio
internacional entre seus membros, reduzindo vulnerabilidades financeiras e buscando reformas na governança
global, especialmente no Conselho de Segurança da ONU.
O Banco dos BRICs, conhecido como Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), é uma instituição multilateral
que financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países do BRICs e em outras
economias emergentes e em desenvolvimento. O NBD complementa os esforços de instituições financeiras
globais, como o Banco Mundial e o FMI, e tem foco nas necessidades dos países-membros do grupo. Desde sua
criação em 2014, o NBD tem financiado projetos em diversas áreas, como energia limpa, transporte, saneamento
e desenvolvimento urbano.

OTAN

117
https://www12.senado.leg.br/noticias/entenda-o-assunto/bric
118
https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-08/seis-novos-paises-integrarao-o-brics-partir-de-janeiro-de-
2024
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Durante muito tempo, as relações internacionais tiveram como protagonistas as potências europeias. No
entanto, com o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos (EUA) e a União Soviética (URSS) assumiram o
papel de principais atores, competindo pela hegemonia global. A Europa tornou-se um campo de disputa entre
essas duas superpotências, dividindo-se entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de
Varsóvia. O período da Guerra Fria foi marcado por um conflito armado indireto entre os EUA e a URSS, que
incluía a exportação de suas ideologias e estratégias de segurança para aliados em suas respectivas esferas de
influência. Ambos os lados buscavam ganhos políticos em benefício de seus regimes, apoiando aliados e
movimentos alinhados, especialmente no sul global119.
Com a reunificação da Alemanha e a dissolução da URSS, os EUA assumiram um papel de liderança ainda
mais proeminente no cenário internacional. Eles passaram a agir como os principais gestores de crises
internacionais, reconhecendo suas grandes responsabilidades no mundo. A OTAN foi criada em 1949, logo após a
Segunda Guerra Mundial, atendendo ao desejo do presidente dos EUA, Harry S. Truman, de estabelecer uma
aliança de segurança militar e cooperação política. A OTAN inicialmente contava com doze países, incluindo os
EUA, Reino Unido, Noruega, França, Portugal, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Islândia, Países Baixos, Dinamarca e
Luxemburgo. Seu objetivo principal era garantir a segurança militar dos países membros por meio de uma política
de segurança coletiva e assistência mútua em caso de ataque. A OTAN não possuía força militar própria, mas seus
países membros contribuíam com parte de seu contingente militar para ações conjuntas, especialmente em áreas
de conflito, como Afeganistão, Kosovo, norte da África, Oriente Médio e outras regiões.
Após o período de Guerra Fria, a OTAN passou a desempenhar um papel mais ativo, participando de
missões militares em diferentes partes do mundo, como no Iraque e no Afeganistão. Além disso, a OTAN coopera
com a Organização das Nações Unidas (ONU) em áreas consideradas perigosas. A organização também está
aberta à adesão de outros estados europeus que promovam seus princípios e contribuam para a segurança no
Atlântico Norte120.
A segurança é uma preocupação central da OTAN, tanto em termos políticos quanto militares. A
organização promove valores democráticos, consulta entre seus membros e cooperação em questões de defesa e
segurança para resolver conflitos, desenvolver confiança e evitar confrontos. Caso os esforços diplomáticos
falhem, a OTAN possui a capacidade militar para realizar operações de gerenciamento de crises, em
conformidade com o Artigo 5º do Tratado de Washington, que prevê a defesa coletiva dos membros. A OTAN
toma decisões por consenso entre seus 30 países membros (Albânia; Alemanha; Bélgica; Bulgária; Canadá;
Croácia; Dinamarca; Eslováquia; Eslovênia; Espanha; Estados Unidos; Estônia; França; Grécia; Holanda; Hungria;
Islândia; Itália; Letônia; Lituânia; Luxemburgo; Macedônia; Montenegro; Noruega; Polônia; Portugal; República
Tcheca; Romênia; Turquia; Reino Unido.) refletindo a vontade coletiva da aliança121.

119
DE OLIVEIRA, Samara Teixeira; MOTA, Gabriel Souza. IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE E A OTAN. Revista Hoplos, v. 7, n.
12, p. 89-107, 2023.
120
https://www.cnnbrasil.com.br/tudo-sobre/organizacao-do-tratado-do-atlantico-norte-otan/
121
https://www.nato.int/nato-welcome/index_pt.html
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Guerra Rússia – Ucrânia

A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em 24 de fevereiro de 2022, quando as tropas russas
invadiram o território ucraniano. Esse conflito é o ápice de uma série de tensões que se acumularam desde 2014,
com a anexação da Crimeia pela Rússia e a atividade de grupos separatistas na região de Donbass, no leste da
Ucrânia.
A possibilidade de a Ucrânia ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) 122 foi um dos
principais motivadores do conflito, embora não tenha sido o único. O presidente russo também justificou a
invasão como uma medida de desmilitarização da Ucrânia. A guerra se desenrolou no território ucraniano, com
centenas de milhares de soldados russos invadindo o país no início de 2022. Cidades próximas a Kyiv foram
atacadas, assim como regiões estratégicas no leste e sul da Ucrânia. O conflito já dura mais de um ano e tem
causado grande número de vítimas, incluindo civis e militares. Além disso, mais de 8 milhões de ucranianos
buscaram refúgio em outras nações europeias, enquanto cerca de 6 milhões estão deslocados dentro da própria
Ucrânia.
É importante considerar o contexto histórico e geopolítico entre Rússia e Ucrânia. Ambos os países fazem
parte da região conhecida como Leste Europeu, compartilhando semelhanças em termos econômicos,
socioculturais e étnicos. Suas histórias estão interligadas, com raízes nos povos eslavos, e a Ucrânia foi parte do
território de Rus de Kiev entre os séculos IX e XIII. No entanto, durante o século XVIII, uma parte da Ucrânia foi
incorporada ao Império Russo, e esse processo se repetiu no século XX com a Revolução Bolchevique e a criação
da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Ucrânia só alcançou sua independência em 1991, após a
dissolução da URSS123.A questão da Crimeia também desempenhou um papel fundamental nas tensões, uma vez
que a península é de importância estratégica, banhada pelo mar Negro e com conexão ao mar de Azov. A
anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 gerou controvérsia internacional, uma vez que a maioria da população
da região é de origem russa, mas a comunidade internacional não reconheceu a anexação. Além disso, a região de
Donbass também se tornou um foco de conflito, com grupos separatistas declarando independência em 2014.
Essa região também possui uma população majoritariamente de origem étnica russa.
O aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia ocorreu devido às negociações para a adesão da Ucrânia à
OTAN. A Rússia alegou que a Ucrânia estava favorecendo os interesses dos Estados Unidos e acusou o país de um
golpe de Estado em 2014, o que levou à invasão da Crimeia. Em 2022, quando a Ucrânia estava avançando nas
negociações com a OTAN, a Rússia invadiu o país, alegando a necessidade de autodefesa contra o que
considerava um avanço do organismo em direção à Rússia124.

122
Op cit

123
APARECIDO, Julia Mori; AGUILAR, Sergio Luiz Cruz. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Série Conflitos Internacionais,
Observatório de Conflitos Internacionais–OCI, v. 9, n. 1, 2022.
124
DE OLIVEIRA, Samara Teixeira; MOTA, Gabriel Souza. IMPERIALISMO ESTADUNIDENSE E A OTAN. Revista Hoplos, v. 7, n.
12, p. 89-107, 2023
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A guerra em curso tem sido caracterizada por avanços discretos das forças ucranianas e reorganização das
forças russas. Isso transformou a ordem mundial estabelecida desde o final do século XX, com a formação de
novos blocos de apoio econômico e militar. As tensões entre a OTAN e a Rússia aumentaram, assim como as
relações entre as principais potências globais. O conflito também afetou negativamente a segurança alimentar e
energética em muitos países que dependem de produtos primários da Ucrânia e Rússia. Além disso, gerou uma
crise de refugiados e deslocados, especialmente em nações europeias vizinhas da Ucrânia. As consequências da
guerra incluem preocupações com futuras invasões russas em outros países vulneráveis, aumento da inflação
global devido aos preços de energia, combustível e alimentos, e um elevado custo humano e econômico. A
resolução do conflito permanece incerta, com desafios geopolíticos e humanitários significativos pela frente.

Crise energética Europa

O processo de transição energética na Europa já estava em curso desde o ano 2000, com o objetivo de
reduzir a dependência de fontes não renováveis altamente poluentes, como carvão e petróleo, em favor do gás
natural, uma fonte mais limpa. Além disso, houve investimentos significativos nas energias renováveis, como
eólica e solar, na geração de eletricidade. Em 2000, apenas 16% da eletricidade gerada na Europa era proveniente
de fontes renováveis, mas em 2020, esse número havia aumentado para 38% (BP, 2021)125.
Nesse processo dinâmico, a Europa estabeleceu uma forte parceria com a Rússia para o fornecimento de
gás natural. Isso foi feito com o intuito de avançar na substituição de fontes de energia mais poluentes e se
beneficiar dos preços relativamente mais baixos e competitivos do gás natural em comparação com o GNL (Gás
Natural Liquefeito). No entanto, a Guerra da Ucrânia e as subsequentes sanções econômicas, juntamente com as
ações de retaliação da Rússia, destacaram a vulnerabilidade da Europa devido à sua extrema dependência desse
insumo essencial e estratégico, o que a expôs a insegurança energética do continente que levou os países a
gastarem bilhões de euros em programas para conter o aumento nos preços da energia. Mais de € 792 bilhões
foram gastos em medidas de contenção energética em todo o continente, sendo € 681 bilhões apenas na União
Europeia, dos quais € 268 bilhões foram investidos pela Alemanha.
Desde o verão de 2021, os preços da energia experimentaram aumentos significativos e uma grande
volatilidade em toda a Europa, devido à perturbação do mercado global de energia causada pela invasão russa da
Ucrânia. Isso gerou tensões entre os países da União Europeia. Para enfrentar esses aumentos de preços, a
Comissão Europeia propôs intervenções de emergência nos mercados de energia, incluindo medidas para reduzir
a demanda global de eletricidade e redistribuir as receitas excedentes do setor energético aos consumidores 126.O
preço da eletricidade no mercado interno da UE está diretamente relacionado ao preço do gás, que é em grande
parte importado. A redução deliberada do fornecimento de gás pela Rússia foi a principal causa do aumento

125
https://gesel.ie.ufrj.br/wp-content/uploads/2022/10/TDSE-109_Europa-Crise-energetica-e-acoes-de-mitigacao.pdf
126
https://pt.euronews.com/next/2023/02/08/qual-e-a-estrategia-europeia-face-a-crise-energetica
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acentuado dos preços do gás na UE, afetando os preços da eletricidade produzida a partir de centrais elétricas
movidas a gás.
É esperado que os preços da energia na UE permaneçam elevados nos próximos meses, à medida que a
substituição do gás russo pelo fornecimento de fontes da UE leva tempo. Portanto, os países da UE adotaram um
regulamento de emergência para lidar com os altos preços da energia e apoiar aqueles que são mais afetados
pela crise energética. Três medidas principais foram implementadas para reduzir os custos das faturas de energia:
 Redução do consumo de eletricidade: Incentivos para reduzir o consumo de eletricidade em 10% até o
final de março de 2023, incluindo a redução de pelo menos 5% durante as horas de pico.
 Limitação das receitas dos produtores de eletricidade: Estabelecimento de um limite máximo para as
receitas dos produtores de eletricidade com custos operacionais mais baixos, garantindo que as receitas
excedentes sejam transferidas para os consumidores finais.
 Contribuição de solidariedade das empresas do setor de combustíveis fósseis: Empresas que aumentaram
seus lucros em mais de 20% em comparação com a média dos últimos quatro anos contribuirão para
apoiar aqueles que enfrentam dificuldades para pagar suas contas de energia.127
Além dos impactos no setor energético, a crise da invasão da Ucrânia afeta sistematicamente a economia
e a sociedade europeia devido à importância da energia em todas as cadeias de produção de bens e serviços.
Isso está causando uma tendência inflacionária e reduzindo a competitividade das empresas europeias.

A decisão sobre o ajuste temporário no funcionamento do mercado de direitos de emissão, que afeta os preços
da eletricidade, é desafiadora devido às diferenças no mix de tecnologias de geração elétrica em toda a Europa.
Alguns países dependem mais de fontes renováveis, enquanto outros ainda têm uma geração significativa
baseada em combustíveis fósseis. Essas diferenças influenciarão a tomada de decisão sobre mudanças no
mercado de direitos de emissão128.

Tensão China X Taiwan e EUA

As relações entre China e Taiwan dizem respeito aos laços bilaterais entre a China continental e Taiwan,
que estão geograficamente separados pelo Estreito de Taiwan, localizado no Oceano Pacífico. A República
Popular da China (RPC) considera Taiwan como uma província rebelde e busca, até mesmo por meio da força, a
"reunificação" da ilha com o continente. No entanto, Taiwan se reconhece como um Estado soberano, possuindo
sua própria Constituição, Forças Armadas e partidos políticos. A maioria da população taiwanesa não deseja a
união com a China. Esse conflito perdura há mais de 70 anos.
Qual é a origem desse conflito?

127
https://www.consilium.europa.eu/pt/infographics/eu-measures-to-cut-down-energy-bills/
128
https://gesel.ie.ufrj.br/wp-content/uploads/2022/10/TDSE-109_Europa-Crise-energetica-e-acoes-de-mitigacao.pdf
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A antiga China Imperial terminou no final de 1911, e em 1º de janeiro de 1912, proclamou-se a República
da China, encerrando um período de 2 mil anos de história imperial. No entanto, a república jovem e fragmentada
logo mergulhou em uma guerra civil, com os nacionalistas do partido Kuomintang (KMT) e os comunistas
liderados por Mao Tsé-Tung. Os nacionalistas, sob a liderança do generalíssimo Chiang Kai-shek, inicialmente
conseguiram estabelecer um governo com Nanking como a capital provisória. Embora tenham cooperado contra
os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, as divergências entre os dois lados se intensificaram em 1945,
resultando no reinício do conflito interno. Os comunistas emergiram vitoriosos da guerra em 1949 e proclamaram
a fundação da República Popular da China em 1º de outubro desse ano. Os partidários do KMT derrotados
fugiram para a ilha de Taiwan, que havia retornado ao controle da República da China em 1945, após a derrota do
Japão na Segunda Guerra Mundial, e era controlada por eles desde então. A partir desse momento, surgiram duas
entidades chamadas China: a República Popular da China, de orientação comunista, com seu governo sediado em
Pequim, e a República da China, liderada pelo KMT e com capital provisória em Taipé, localizada em Taiwan. O
líder do KMT, Chiang Kai-shek, governou Taiwan com mão de ferro, mantendo viva a República da China. O
regime do KMT manteve a lei marcial em vigor de 1949 a 1987. Somente na década de 1980, sob a liderança do
filho de Chiang Kai-shek, Chiang Ching-kuo, Taiwan começou a se abrir para a democracia. As primeiras eleições
legislativas livres ocorreram em 1992, e a primeira eleição presidencial aconteceu em 1996 129.
Até meio século atrás, a China enfrentava uma realidade de pobreza, mas hoje emergiu como uma
potência econômica, política e militar. Essa transformação teve início com a ascensão de Deng Xiaoping ao poder,
sucedendo Mao Tsé-Tung. Atualmente, a liderança chinesa está sob Xi Jinping, uma figura extremamente
poderosa e autocrática, que eliminou o limite de dois mandatos presidenciais, permitindo-lhe permanecer no
comando por tempo indeterminado. Os Estados Unidos, por sua vez, continuam sendo uma potência econômica
incontestável e a democracia mais antiga do mundo. No entanto, é observada uma profunda divisão e polarização
na sociedade norte-americana entre republicanos e democratas, o que tem corroído os fundamentos da
democracia nos Estados Unidos. Além disso, a pobreza e a desigualdade social estão em ascensão, gerando
desconfiança quanto ao futuro em determinados segmentos da população130.
Um dos fatores que intensificam as tensões entre os EUA e a China é a questão de Taiwan, que o governo
de Pequim considera parte integral de seu território. Isso ocorre devido ao fato de Taiwan ser o principal produtor
global de semicondutores, peças cruciais para a inteligência artificial e uma ampla gama de atividades
relacionadas à computação, inclusive a fabricação de armamentos. A tensão entre China e Taiwan aumentou
significativamente em 2022, particularmente com o estreitamento dos laços entre Taiwan e os Estados Unidos.
Isso se tornou mais evidente após a visita de Nancy Pelosi, então presidente da Câmara dos Representantes dos
EUA, a Taiwan no início de agosto. Durante sua estadia em Taipei, Pequim conduziu uma série de operações
militares conjuntas nas proximidades da ilha. Naquela época, o Ministério das Relações Exteriores da China

129
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/04/13/o-historico-das-tensoes-entre-china-e-taiwan.ghtml
130
https://jornal.usp.br/radio-usp/a-china-os-estados-unidos-e-o-problema-de-taiwan/
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caracterizou a visita de Pelosi como provocativa, com potenciais 'impactos severos' na soberania territorial da
China e na paz e estabilidade na região de Taiwan131.
A viagem de Pelosi complicou ainda mais uma situação já tensa entre chineses e norte-americanos. Os
EUA adotam uma estratégia conhecida como 'ambiguidade estratégica', projetada tanto para evitar uma invasão
chinesa quanto para desencorajar Taiwan de declarar independência. Na verdade, estamos vivendo este
momento em que o mundo enfrenta uma escolha entre autocracia e democracia", foram as palavras de Nancy
Pelosi em seu artigo no The Washington Post, publicado no mesmo instante em que ela chegava a Taiwan
liderando uma delegação de membros do Congresso dos EUA, em 2 de agosto de 2022. Pelosi permaneceu na ilha
por apenas 19 horas, mas foi o suficiente para elevar as tensões trilaterais entre China, EUA e Taiwan a níveis
nunca vistos e desencadear a quarta Crise do Estreito de Taiwan, que ainda está em andamento. Esta é
atualmente a maior tensão geopolítica no mundo e representa a possibilidade mais realista de um catastrófico
escalonamento em direção a conflitos nucleares132.
A resposta da China a essa situação é sem precedentes. Pelosi, atual presidente da Câmara dos
Representantes dos Estados Unidos, é a segunda na linha de sucessão presidencial, ficando atrás apenas da Vice-
Presidente Kamala Harris. Por isso, Pequim considera sua visita à ilha como uma violação da soberania chinesa
cometida pelos Estados Unidos que têm um tratado de defesa com Taiwan, firmado em 1979, que os obriga a
fornecer proteção e armas à ilha.
A China ameaça militarmente Taiwan, e as hostilidades aumentaram consideravelmente nas últimas semanas,
com o novo ministro das Relações Exteriores da China mencionando a possibilidade de um conflito entre China e
Estados Unidos, devido ao apoio norte-americano a Taiwan. Esta é uma questão de importância fundamental,
que pode ter impacto profundo na Ásia e no mundo, com potenciais consequências catastróficas 133.
No campo das sanções comerciais, a China suspendeu a exportação de areia natural e proibiu a
importação de mais de 2.000 dos 3.200 tipos de produtos alimentícios de Taiwan. Em contraste com sanções
anteriores, que eram mais específicas em relação a produtos não processados, essas sanções se estenderam a
produtos processados, de maior valor agregado. No entanto, o impacto macroeconômico permanece limitado,
uma vez que setores cruciais, como a produção de semicondutores, não foram afetados. Adicionalmente, a
agricultura tem uma participação diminuta na economia da ilha. No âmbito político, no entanto, essas sanções
podem gerar descontentamento em relação ao partido governante. No campo diplomático, as sanções impostas
pela China foram principalmente simbólicas, atingindo Nancy Pelosi e sua família. Além disso, a China anunciou a
interrupção da cooperação bilateral com os Estados Unidos em diversas áreas, incluindo repatriação de
imigrantes ilegais, combate ao tráfico de drogas, repressão ao crime organizado e esforços conjuntos contra as
mudanças climáticas. O aspecto mais preocupante, entretanto, é a suspensão dos canais de diálogo entre as
forças armadas das duas potências, o que eleva os riscos de conflitos acidentais134.

131
https://www.poder360.com.br/internacional/historica-tensao-entre-china-e-taiwan-se-acirra-com-acoes-dos-eua/
132
http://petrel.unb.br/destaques/170-estados-unidos-e-china-em-taiwan-para-alem-da-geopolitica-2
133
PASCOM, Gabriel Gomes da Silva. Uma nação entre dois Estados: cooperação e conflito entre Taiwan e China. 2022.
134
http://petrel.unb.br/destaques/170-estados-unidos-e-china-em-taiwan-para-alem-da-geopolitica-2
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No âmbito militar, a resposta chinesa foi incisiva e sem precedentes, demonstrando a profunda
insatisfação de Pequim. O Exército de Libertação Popular (PLA) da China anunciou exercícios de combate com
munição real em seis áreas ao redor de Taiwan, ocorridos entre os dias 4 e 7 de agosto, posteriormente
estendidos até 10 de agosto. Durante esse período, o PLA lançou pelo menos onze mísseis que cruzaram o
território taiwanês, incluindo cinco que caíram dentro da zona econômica exclusiva do Japão, onde os Estados
Unidos mantêm 31 bases militares apenas em Okinawa. Além disso, o PLA demonstrou a capacidade de suas
diversas forças de combate atuarem em conjunto 135. Em resumo, esses exercícios transmitiram a mensagem de
que, se necessário, o PLA poderia potencialmente impor um bloqueio naval e aéreo a Taiwan, buscando a
capitulação da ilha sem a necessidade de uma operação anfíbia extremamente complexa, dada a geografia e as
capacidades de Taiwan.
Apesar das críticas à autocracia da China do ponto de vista ocidental, reprimir uma população de 1,4
bilhão de pessoas em um país altamente integrado no cenário internacional e com amplo acesso à tecnologia da
informação é uma tarefa extremamente difícil. Portanto, nenhum líder, incluindo Xi Jinping, pode se dar ao luxo
de ser visto como condescendente em relação às forças separatistas de Taiwan, sejam elas internas ou externas.
Essa postura é fundamentada em razões históricas e estratégicas sólidas.

Inteligência Artificial

A inteligência artificial opera na emulação de padrões de comportamento semelhantes aos humanos por
meio de dispositivos e programas de computador replicando as ações humanas, desde as mais simples até as
mais complexas, na tomada de decisões e na execução de tarefas. Isso é alcançado por meio da análise extensiva
de dados e da identificação de padrões. O funcionamento da inteligência artificial envolve a coleta e combinação
de grandes volumes de dados, seguidos pela identificação de padrões específicos nesse conjunto de informações.
Normalmente, esse processo é conduzido por meio de algoritmos pré-programados, permitindo que o software
tome decisões e execute tarefas de forma autônoma. Existem diversos métodos pelos quais a inteligência
artificial pode emular o comportamento humano, sendo os dois principais136:
 Machine learning: Também conhecido como aprendizado de máquina, é um processo automatizado em
que a IA reconhece e reproduz padrões com base em sua experiência anterior, adquirida por meio de
algoritmos. Um exemplo notável disso são os motores de busca na internet.
 Deep learning: Este é um subcampo do machine learning que utiliza redes neurais, unidades
interconectadas em uma rede para analisar grandes conjuntos de dados e informações, imitando o
funcionamento do cérebro humano137.
Entretanto, as opiniões divergem em relação ao uso dessa tecnologia. O avanço da inteligência artificial
levanta preocupações sobre os riscos associados a essa tecnologia. Descobertas alarmantes têm preocupado

135
Op cit
136
https://brasilescola.uol.com.br/informatica/inteligencia-artificial.htm
137
https://brasilescola.uol.com.br/informatica/inteligencia-artificial.htm
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empresas e governos, gerando fortes reações da sociedade e levando pesquisadores a buscar novos métodos de
controle. Especialistas, incluindo líderes da OpenAI e do Google Deepmind, alertaram que a inteligência artificial
poderia representar uma ameaça à humanidade. Muitos apoiaram uma declaração publicada pelo Center for AI
Safety, uma organização de pesquisa e desenvolvimento sediada em São Francisco, EUA, que enfatiza a
necessidade de priorizar a mitigação do risco de extinção causado pela IA, ao lado de outros riscos globais, como
pandemias e guerra nuclear138.
No entanto, há aqueles que argumentam que esses temores são exagerados. O Center for AI Safety lista
uma série de possíveis cenários de desastre, incluindo o uso de IA em armamentos, disseminação de
desinformação prejudicial, concentração de poder nas mãos de poucos e dependência excessiva da IA. Alguns,
como o professor LeCunn, que também trabalha na Meta, empresa controladora do Facebook, acreditam que
esses avisos apocalípticos são exagerados e que a reação mais comum dos pesquisadores de IA a essas previsões
de destruição é o constrangimento. No entanto, muitos governos têm analisado cuidadosamente esses riscos, e
os países mais ricos recentemente estabeleceram grupos de trabalho dedicados à IA139140.

138
https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2023/06/03/por-que-especialistas-dizem-que-inteligencia-artificial-
pode-levar-a-extincao-da-humanidade.ghtml
139
https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/06/os-15-maiores-riscos-da-inteligencia-artificial/#:~:text=A%20intelig
%C3%AAncia%20artificial%20pode%20causar,%C3%A9ticas%20e%20sociais%20da%20tecnologia.
140
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c51q3jvlyj8o
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