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A Lenda de Ryszar: Magia e Insanidade

Ryszar, um homem de poder e sabedoria, é lembrado como um dos fundadores da Academia Arcana, onde ensinou a magia e dividiu os praticantes em quatro grupos. Com o passar dos anos, sua busca por conhecimento o levou à loucura, ao se deparar com seres malignos que afetaram sua sanidade. Ao convocar uma assembleia para alertar sobre essas entidades, ele se tornou uma figura temida após um evento trágico que consumiu a Academia em chamas.

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A Lenda de Ryszar: Magia e Insanidade

Ryszar, um homem de poder e sabedoria, é lembrado como um dos fundadores da Academia Arcana, onde ensinou a magia e dividiu os praticantes em quatro grupos. Com o passar dos anos, sua busca por conhecimento o levou à loucura, ao se deparar com seres malignos que afetaram sua sanidade. Ao convocar uma assembleia para alertar sobre essas entidades, ele se tornou uma figura temida após um evento trágico que consumiu a Academia em chamas.

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O Justo

Em tempos remotos, havia um homem chamado Ryszar, cujo nome era sinônimo de poder
e sabedoria. Sua lenda atravessou as eras, e hoje só resta perguntar se ele foi real ou
apenas um mito. Reis o procuravam para ouvir seus conselhos, e guerras cessavam diante
de sua palavra. Grandes perigos foram derrotados por sua bravura, e dizem que ele foi um
dos fundadores da lendária Academia Arcana.

Naqueles dias, o sexto sentido era conhecido como magia, uma força misteriosa que
poucos podiam despertar, e que muitos temiam ou reverenciavam. Ryszar, porém,
descobriu o segredo oculto: a magia estava em tudo o que existia, desde o menor dos seres
até os imensos rios e montanhas. Era uma força que habitava nos velhos salgueiros e nos
jovens humanos. Os antigos livros contam que Ryszar foi o primeiro a entender que, com
estudo e dedicação, era possível aprender e controlar essa magia, embora cada um tivesse
uma intensidade diferente, desde explosões de poder a simples faíscas sutis. Muitas teorias
surgiram sobre essa diferença, mas nenhuma delas foi confirmada.

Ryszar dividiu os praticantes de magia em quatro grupos distintos:

●​ Os Herdeiros, que recebiam suas habilidades de seus antepassados, como um


presente gravado em seu sangue.

●​ Os Devotos, que desenvolviam suas habilidades por meio de esforços incansáveis,


superando seus próprios limites.

●​ Os Passionais, cuja magia brotava de suas almas, encontrando expressão através


de emoções fortes e vivas.

●​ E, finalmente, os Eruditos, aqueles que estudavam os segredos da energia do


mundo e, assim, podiam moldá-la conforme suas vontades.

Alguns sábios mais ousados acrescentam a essa lista um quinto tipo, os Divinos, cuja
magia era vista como sagrada. Mas Ryszar não concordava com essa ideia. Para ele, a
chamada magia sagrada era apenas uma forma dos Passionais, pessoas com uma paixão
ardente por suas crenças, que encontravam na sua fé uma fonte inesgotável de poder.

Ryszar nasceu com um poder imenso e, desde cedo, aprendeu a dominá-lo. Alguns diziam
que ele era um Herdeiro de um antigo clã, outros que ele era um Devoto que superou seus
limites, outros ainda que ele era um Passional que canalizava sua alma, mas a única
certeza que nos resta é que ele se tornou o mais notável dos Eruditos, desvendando os
mistérios da energia que permeia este mundo.

Hoje, sua história é contada nas páginas empoeiradas dos livros, e nós nos perguntamos se
ele foi um herói lendário ou um homem real que caminhou sobre esta terra.
Academia Arcana
Ryszar passou sua vida buscando o conhecimento da magia. Ele foi um dos primeiros a
aprender com os seres da floresta, os feéricos, que guardavam segredos antigos e
sombrios. Ele viu os caminhos da imortalidade, mas os rejeitou por serem abomináveis. No
entanto, ele encontrou meios de prolongar sua vida muito além das expectativas de um
simples ser humano.

Quando chegou aos seus 142 anos, ele e suas duas alunas fundaram a grandiosa
Academia Arcana, um local onde ensinariam a magia aos demais. Inicialmente, a Academia
possuía apenas três cadeiras, ocupadas por Ryszar e suas duas discípulas e à medida que
novos magos eram formados, alguns eram selecionados pelos próprios fundadores para
que assumisse uma cadeira, assim com o tempo, chegaram ao total de treze cadeiras para
os mestres, e cada um tinha poucos alunos. Em pouco mais de uma década, a Academia
Arcana ganhou uma importância crescente. Se estabeleceu que cada reino poderia solicitar
um mago da Academia para servi-lo. No começo, a própria Academia Arcana escolhia os
magos que seriam enviados, porém com o passar do tempo, os reis passaram a indicar
seus próprios súditos para os estudos arcanos, como uma forma de lealdade ao império. A
Academia adquiriu poder político considerável e, por fim, estabeleceu-se que qualquer
assunto relacionado à magia seria decidido por seus membros, e não pelos reis. Aos reinos,
restava o poder de voto por meio dos magos que lhes serviam, recebendo a nomeação de
membros honorários da Academia Arcana.

Quando completou 216 anos, Ryszar abdicou de sua cadeira número um.
O Insano
Houve um tempo em que o nome de Ryszar era reverenciado por todos os povos da região
que hoje chamamos de Arcadia. Sua fama se espalhou até os cantos onde a magia era
considerada apenas contos de fadas. Ele era honrado e respeitado em todos os lugares e,
com mais de 200 anos, começou a sentir que seu propósito no mundo estava próximo do
fim. A paz reinava entre os humanos e a magia, e mesmo que fosse rara, a compreensão
dela nunca tinha sido tão profunda. O mundo terreno se tornara tedioso, então Ryszar
voltou seus olhos para os céus. Como ele mesmo havia descoberto, se havia magia em
tudo, ele imaginava, como seria compreender o poder dos astros e o que caía do céu.

Ele viajou com sua mente pelo espaço, buscando algo que tivesse vindo das estrelas. Em
uma de suas viagens astrais, ele foi levado pelas correntes cósmicas até as profundezas
subterrâneas do mundo. E lá estavam eles, seres maiores do que qualquer outro que
Ryszar já tinha visto, feitos completamente de pedra. Olhar para aquelas três grandiosas
estátuas era como contemplar o mundo em um sofrimento eterno. Ryszar já tinha
compreendido que não existia mal absoluto, que todas as criaturas possuíam tanto o bem
quanto o mal dentro de si, mas ali, diante dele, o mal se manifestava em uma forma física.

Contemplar aquelas criaturas fazia seu peito doer, suas pernas tremerem e sua mente girar.
Lágrimas de sangue escorriam por seu rosto, enquanto suas mãos eram envolvidas pelo
fogo. Utilizou todo o poder que possuía para retornar, mas quando voltou, percebeu que
suas mãos estavam queimadas, em carne viva, e o mundo agora era tingido de vermelho.
Nada fazia mais sentido, e a imagem de um mundo em chamas, governado por criaturas de
pura maldade, não saía de sua mente.

A vida lhe parecia frágil e efêmera. Seus dias eram dominados pela tristeza e pela culpa.
Sempre desejava escapar, mas nunca conseguia. O mal estava sempre à espreita, pronto
para atacá-lo. A única certeza que tinha era de que jamais voltaria aos céus estrelados.
Respirar naquelas dimensões frias, sem ar, sem compreender o que ocorria ao seu redor,
era ainda mais desafiador.

Ryszar abandonou sua cadeira na Academia Arcana e dedicou todo o seu tempo ao estudo
dos seres conhecidos como demiurgos. A cada aproximação, sua sanidade se esvaía um
pouco mais. Descobriu que essas criaturas haviam chegado ao nosso mundo muito antes
do surgimento da vida, e permaneceram adormecidas até que os primeiros humanos
começaram a adorá-las como deuses de pedra. Suas preces e sacrifícios alimentavam-nas
de energia, até que finalmente pudessem despertar. No entanto, um terremoto de
proporções descomunais as levou para as profundezas da terra, e os humanos que
sobreviveram abandonaram aquele lugar. Passaram-se séculos até que as criaturas fossem
finalmente esquecidas.

Em diversas ocasiões, tentaram estabelecer contato com as criaturas da superfície, mas


suas mentes eram demasiado fracas e se desfaziam facilmente. No entanto, isso não
ocorria com Ryszar. As entidades prometeram a ele o poder de se tornar uma divindade, a
fim de compreender o poder de toda a existência. O sábio já não era mais o mesmo e, por
muitas vezes, considerou aceitar tal oferta. Sua mente estava fragmentada, mas não
totalmente.

Então, ele convocou uma assembleia geral, reunindo a Academia, os reinos humanos e os
povos reclusos que desejassem participar. Nunca antes tantas comunidades se reuniram
em um único local. Apesar dos rumores de que Ryszar estava perdendo a sanidade, ele
ainda era muito respeitado. O sábio compareceu à assembleia, depois de passar mais de
20 anos recluso. Sua aparência não era mais a mesma: um ser decrépito de 240 anos, com
mais ossos do que pele.

Ele então falou sobre as divindades adormecidas, mas todos acharam que ele estava
enlouquecendo. Alguns chegaram a rir dele. As trevas, então, tomaram conta de seu
coração, e ele riu junto.
"Vamos ver se ainda vão rir quando essas entidades incendiarem o mundo. Talvez precisem
ver o que eu vi."

Em seguida, o corpo de Ryszar se envolveu em chamas, e o fogo consumiu o salão. Alguns


tentaram conjurar magias para se proteger e proteger os reis presentes, mas poucos
sobreviveram. A Academia foi engolida pelas chamas e jamais foi reconstruída. Alguns
juraram ter visto Ryszar emergir das chamas e voar para longe, gritando. Aquele que antes
era conhecido como "o Justo" agora era temido por sua insanidade.

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