0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações20 páginas

Exames Nacionais de Matemática 2009

O documento apresenta questões do Exame Nacional do Ensino Secundário de Matemática B, abrangendo tópicos como geometria, probabilidade, funções e cálculo. Inclui problemas práticos relacionados a um puzzle geométrico, impacto ambiental, e análise de crescimento de árvores. Os exercícios exigem a aplicação de conceitos matemáticos para resolver problemas do mundo real.

Enviado por

Beatriz Gomes
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações20 páginas

Exames Nacionais de Matemática 2009

O documento apresenta questões do Exame Nacional do Ensino Secundário de Matemática B, abrangendo tópicos como geometria, probabilidade, funções e cálculo. Inclui problemas práticos relacionados a um puzzle geométrico, impacto ambiental, e análise de crescimento de árvores. Os exercícios exigem a aplicação de conceitos matemáticos para resolver problemas do mundo real.

Enviado por

Beatriz Gomes
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Exames Nacionais

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO

Decreto-Lei n.° 74/2004, de 26 de Março

Prova Escrita de Matemática B


11.°/12.° Anos de Escolaridade
Prova 735/1.ª Fase
Duração da Prova: 150 minutos. Tolerância: 30 minutos

2009

GRUPO I Cotações
O Stomachion, também conhecido como Caixa de Arquimedes, é um puzzle geométrico cuja
invenção é atribuída a Arquimedes de Siracusa (287-212 a. C.). É constituído por 14 peças poligo-
nais que formam um quadrado como o representado na figura 1.

Figura 1

A figura 2 representa, sobreposto a uma malha quadriculada, um Stomachion com 12 unidades


de lado.
Os pontos A , B , C , D , E , F , G e H são vértices da malha.
Fixando um referencial ortogonal e monométrico, de origem D , como se sugere na figura 2, o
ponto A tem coordenadas (0 , 6) .

y 1 unidade
F A G

B
D x

E H
Figura 2
1.ª fase – 2009

1. Determine as coordenadas do ponto simétrico de C , relativamente ao eixo das abcissas. 10

2. Uma das propriedades do Stomachion é a seguinte: o quociente entre a área de cada peça e a 20
área total do Stomachion é sempre um número racional.
Mostre que essa propriedade se verifica com a peça representada, na figura 2, pelo quadrilá-
tero sombreado [ABCD] .
Sugestão: Na sua resposta pode percorrer, sucessivamente, as seguintes etapas:
• determine a área do quadrado [EFGH];
• determine a área da peça sombreada;
• determine o quociente entre a área da peça sombreada e a área do quadrado;
• justifique que o quociente obtido é um número racional.

GRUPO II
Numa determinada região, existe um parque natural no qual vivem diferentes espécies de ani-
mais, cada uma no seu habitat.
Uma empresa pretende instalar uma unidade fabril nessa região, a sul do parque natural, e, para
tal, aguarda decisão das entidades responsáveis. Para apoio dessa decisão, foi elaborado um
estudo de impacto ambiental.

1. De acordo com esse estudo, prevê-se que o nível de concentração diário de um poluente, em 15
partes por milhão (p.p.m.), originado pelo escoamento de águas residuais, siga uma distribui-
ção normal, N (8 , 2) , de média m = 8 e desvio-padrão s = 2 .
O estudo refere que o nível de concentração desse poluente não deverá exceder o equilíbrio
ecológico aceitável de 10 p.p.m.
Determine a probabilidade de, num certo dia, o nível de concentração do poluente exceder
esse valor.
Apresente o resultado na forma de percentagem, arredondado às unidades.

2. O estudo de impacto ambiental inclui dados de uma prospecção geotérmica realizada no par- 15
que natural por técnicos do Serviço de Geofísica. Os dados mostram que a maiores profundi-
dades correspondem temperaturas mais elevadas.
Com base nesses dados, obteve-se a equação y = 0,0290x + 18,36 , que define a recta de
regressão de y sobre x , com 0 ≤ x ≤ 350 , designando x a profundidade, em metros, e y
a temperatura, em graus Celsius.
Estime o valor da temperatura a 100 m de profundidade, de acordo com a equação da recta
de regressão apresentada.
Apresente o resultado, em graus Celsius, com duas casas decimais.

3. Uma águia, ao efectuar um voo planado à procura de alimento, avistou uma lebre no fundo
do vale do parque natural. O fundo do vale é uma área plana. De imediato, a águia iniciou um
voo picado, a grande velocidade, em direcção à presa, capturando-a em poucos segundos.
Após a captura, transportou a lebre para o cimo de um penhasco, terminando aí o seu voo.
O momento da captura corresponde ao instante em que a águia atingiu, no seu voo, a distân-
cia mínima ao fundo do vale.
Exames Nacionais

Admita que a distância, h , em metros, a que a águia se encontra do fundo do vale, t segun-
dos após o início do voo picado, é dada, aproximadamente, por:
h (t) = - 0,125 t 4 + 2,5 t 3 - 12,9 t 2 - 1,1t + 94,8 com t å [0 ; 9,6]

3.1. Determine o valor da taxa de variação média de h no intervalo [0 ; 3] . 15


Apresente o resultado com aproximação às décimas.
Em cálculos intermédios, não proceda a arredondamentos.

3.2. Na figura 3, que não está à escala, apresenta-se um esboço do gráfico de f , função que 15
dá, em metros por segundo, a taxa de variação instantânea de h no instante t .
Admita que a taxa de variação instantânea de h se anula no instante t = 5,4 .
Descreva o que aconteceu no instante t = 5,4 , no contexto da situação referida, justifi-
cando a ocorrência através da relação existente entre a monotonia de h e o sinal da res-
pectiva taxa de variação instantânea.

0 5,4 9,6 t

Figura 3

4. No parque natural, foram plantadas, num certo momento, duas árvores, uma da espécie P e 20
outra da espécie C .
Admita que as alturas, em metros, da árvore da espécie P e da árvore da espécie C , x anos
depois de terem sido plantadas, são dadas, aproximadamente, por P (x) e C (x) :
10
Espécie P : P (x) =
1 + 12,5e - 0,23x
6
Espécie C : C (x) =
1 + 2,9e -0,12x

Com base nas funções apresentadas, alguém afirmou que:


I) quando as árvores foram plantadas, a árvore da espécie P tinha menos 1,1 m de altura
do que a árvore da espécie C ;
II) foram necessários mais do que oito anos para que a árvore da espécie P ficasse mais
alta que a árvore da espécie C ;
III) com o decorrer do tempo, a diferença entre as alturas das duas árvores tenderá a igualar
os 4 m .

Elabore uma pequena composição na qual refira se cada uma das afirmações, I) , II) e III) ,
está, ou não, correcta, explicitando, para cada caso, uma razão que fundamente a sua res-
posta.
1.ª fase – 2009

GRUPO III
A BRUGÁS é uma empresa que processa uma variedade de gás usada na confecção de um pro- 20
duto para aquecimento. Este produto é classificado em dois tipos: PPremium e PRegular.
Em cada semana, a BRUGÁS recebe 24 m3 de gás e dispõe de 45 horas para os processar.
Por motivos técnicos, as variedades de gás não podem ser processadas em simultâneo.

A produção de cada tonelada de PPremium:


• requer 3 m3 de gás;
• demora 5 horas;
• gera um lucro de 1600 euros.

A produção de cada tonelada de PRegular:


• requer 2 m3 de gás;
• demora 5 horas;
• gera um lucro de 1200 euros.

Devido a problemas relacionados com o armazenamento, a empresa só pode produzir até 5 tone-
ladas de PRegular.

Represente por x o número de toneladas de PPremium produzidas, semanalmente, pela empresa


BRUGÁS.

Represente por y o número de toneladas de PRegular produzidas, semanalmente, pela empresa


BRUGÁS.

Quantas toneladas de PPremium e de PRegular devem ser produzidas, semanalmente, pela


empresa BRUGÁS, para que o lucro semanal seja máximo?

Na sua resposta percorra, sucessivamente, as seguintes etapas:


• indique a função objectivo;
• indique as restrições do problema;
• represente, graficamente, a região admissível, referente ao sistema de restrições;
• calcule os valores das variáveis para os quais é máxima a função objectivo.
Exames Nacionais

GRUPO IV
Numa feira de agricultura, o Sr. Pedro, negociante de cavalos, pedia por um cavalo puro-sangue
a quantia de 4 000 000 de euros. O Sr. João estava muito interessado em comprar o cavalo,
mas considerava o preço muito elevado.
O Sr. Pedro propôs-lhe, então, o seguinte negócio:
«O cavalo tem 4 ferraduras e cada uma delas tem 8 cravos. O Sr. João dá-me um cêntimo pelo
primeiro cravo da ferradura da pata dianteira esquerda; dois cêntimos pelo segundo cravo da
mesma ferradura, e assim sucessivamente, duplicando sempre, até ao oitavo cravo dessa ferra-
dura, pelo qual me dá 1,28 euros.»
«Repare: pelos oito cravos da ferradura desta pata, o Sr. João paga-me 2,55 euros. Barata a
feira! Continuemos para os outros cravos. Pelo primeiro cravo da pata dianteira direita, o Sr. João
dá-me 2,56 euros, isto é, o dobro do valor do oitavo cravo da pata dianteira esquerda, e assim
sucessivamente, duplicando sempre, até se terem esgotado os 32 cravos das ferraduras do
cavalo.»
«O Sr. João aceita pagar-me, por este cavalo, a quantia total do valor dos cravos das ferradu-
ras?»

1. Verifique que o valor total dos cravos da ferradura da pata dianteira esquerda é de 2,55 euros, 15
tal como o Sr. Pedro refere.

2. Mostre que, de acordo com a proposta do Sr. Pedro, o valor a pagar pelo cavalo é superior a 15
4 000 000 de euros.

GRUPO V
Na figura 4, ilustra-se um método simples para determinar o raio da Terra. Este método consiste
em medir o ângulo a , ângulo de depressão do horizonte, a partir de um ponto de altitude ele-
vada, do qual se avista o mar.

Relativamente a esta figura, que não está à escala, considere B


que: α h
• B representa o ponto de observação; A

• C designa o centro da Terra; R


R α
• a é a amplitude, em graus, do ângulo de depressão do
horizonte (0° < a < 90°) ;
C
• h é a altitude do lugar, em quilómetros;
• o triângulo [ABC] é rectângulo em A ;
• R é o raio da Terra, em quilómetros;
• BC = R + h
Figura 4
1.ª fase – 2009

h cos a
1. Mostre que R = . 20
1 - cos a
Sugestão: Comece por determinar cos a no triângulo [ABC] e, de seguida, resolva a equa-
ção obtida em ordem a R .

2. Eratóstenes (276-195 a. C.), por volta do ano 230 a. C., calculou, por um processo diferente e 20
de grande simplicidade, o raio da Terra.

Figura 5

Admita que o valor calculado por Eratóstenes foi de 6316 km .


O Rodrigo calculou o raio da Terra pelo método acima descrito.
Utilizando um teodolito, obteve, a partir do cume da ilha do Pico, a = 1,5564º .
A altitude do Pico é 2,35 km .
Determine a diferença entre os valores obtidos pelos dois métodos.
Apresente o resultado arredondado às unidades.
h cos a
Sugestão: Comece por calcular o valor obtido pelo Rodrigo, usando a igualdade R = .
1 - cos a

FIM
Sugestão de resolução
Grupo I

CPEN-MB11 © Porto Editora


1. C' (2 , 2)
y
C’
2

0 2 x

–2 C

2. • A[EFGH] = 122 = 144


3*6 3*2
• A[ABCD] = A[ABD] + A[BCD] = + = 9 + 3 = 12
2 2
12 1
• = , número racional pois 12 e 144 são números inteiros
144 12
ou
12
= 0,8(3) e os números racionais são representáveis por dízimas infinitas periódicas (neste caso, o
144
período é 3).

Grupo II
1. N (8 , 2)

μ –σ = 6 μ + σ = 10
μ= 8

P (X > 10) = normalcdf (10 , 20 , 8 , 2) ) 0,158 65 ) 16%


ou
1 - P (6 < X < 10) 1 - 0,6827
P (X > 10) = = ) 0,158 65 ) 16%
2 2

2. Seja y = 0,0290x + 18,36 , x å [0 , 350] .


Para x = 100 vem que y = 0,0290 * 100 + 18,36 = 21,26 .
A temperatura é de aproximadamente 21,26 ºC.

h (3) - h (0) Cálculo auxiliar


3.1 t.v.m.[0 , = =
3-0
3]
t y1 = h(t)
32,775 - 94,8 0 94,8
= = - 20,675
3 3 32,775

t.v.m.[0 , 3] ) - 20,7 m/s


1.ª fase – 2009

3.2 h' (5,4) = 0 ou f (5,4) = 0


y1 = h (t)
y2 = nDeriv(y1 , x , x)

94,8
h
45,5 t y1 y2

0,06 0 94,8 - 1,1


–1,1 5,4 0,06 0
5,4 9,6 t
f 9,6 45,5 0,05

Quadro de sinais

t 0 5,4 9,6

f - 1,1 – 0 + 0,05

h 94,8 ¢ 0,06 £ 45,5

Mínimo: 0,06 para t = 5,4 (minimizante).

• No instante t = 5,4 , a águia captura a lebre.


• No intervalo [0 ; 5,4[ , a função f é negativa e h é decrescente.
• No intervalo ]5,4 ; 9,6[ , f é positiva e h é crescente.
• No instante t = 5,4 , a função muda de sinal e h admite um mínimo, 0,06 m (a captura foi efectuada
à distância de, aproximadamente, 0,06 m do solo).

4. I) Atendendo a que C (0) - P (0) = 1,5385 - 0,740 74 = 0,797 76 ,


isto é, C (0) - P (0) ) 0,8 m e não 1,1 m . x y1 = P (x) y2 = C (x)
0 0,740 74 1,5385
Então a afirmação é falsa.

II) y1 = P (x)
y2 = C (x)

y
10
y1

6
y2
2,5
1,5
0,7
0 6,3 x

A afirmação II) é falsa.


A partir de aproximadamente 6,3 anos a árvore da espécie P fica mais alta do que a árvore da espé-
cie C .

III) Equação de assimptota do gráfico de P : y = 10 .


CPEN-MB11 © Porto Editora

Equação de assimptota do gráfico de C : y = 6 .


Com o decorrer do tempo, a altura da árvore da espécie P tenderá para 10 m e a da espécie C
para 6 m . A diferença de alturas das duas espécies tenderá para 4 m (10 - 6 = 4) .
Exames Nacionais

CPEN-MB11 © Porto Editora


Grupo III
Sejam:
x : n.º de toneladas de PPremium produzidas
y : n.º de toneladas de PRegular produzidas
Função objectivo:
f (x + y) = 1600x + 1200y
Restrições:

a 24 3x
d 3x + 2y ≤ 24 ; y1 =
2
-
2 x y1 x y2
d
d 45
d 5x + 5y ≤ 45 ; y2 = -x 0 12 0 9
b 5
8 0 9 0
dy ≤ 5; y3 = 5
d
dy ≥ 0
d
cx ≥ 0

y
12
y1

9 y2

(4 , 5)
y3
5
(6 , 3)
3

0 4 8 9 12 x

x y f (x , y) = 1600x + 1200y
8 0 1600 * 8 = 12 800
6 3 1600 * 6 + 1200 * 3 = 13 200 @ Solução óptima
4 5 1600 * 4 + 1200 * 5 = 12 400
0 5 1200 * 5 = 6000

Devem ser produzidas 6 toneladas de PPremium e 3 toneladas de PRegular.

Grupo IV
1. Trata-se de uma progressão geométrica de razão 2 cujo primeiro termo é 0,01 Æ .

0,01 € 0,02 € ... 1,25 €


u1 u2 ... u8

r=2

1 - 28
S8 = 0,01 * = 2,55 Æ c. q. v.
1-2
1.ª fase – 2009

2. 8 * 4 = 32 cravos;
u1 = 0,01 Æ e r = 2 .
Trata-se de calcular a soma dos primeiros 32 termos da progressão geométrica (un) de razão 2 e
u1 = 0,01 Æ .
1 - 232
S32 = 0,01 * = 42 949 672,95 = 42 949 672 Æ
1-2
42 949 672 > 4 000 000 c. q. m.

Grupo V

1. A B

AC R
cos (a) = § cos (a) = §
BC R +h
§ R cos (a) + h cos (a) = R §

§ R cos (a) - R = - h cos a

§ - R (1 - cos a) = - h cos a
h cos(a)
§ R= c. q. m.
1 - cos(a)

2,35 * cos(1,5564)°
2. R = ) 6367,473 ) 6367 km
1 - cos(1,5564)°
6367 - 6316 = 51 km .

A diferença entre os dois valores, o obtido pelo Rodrigo e o obtido pelo método de Eratóstenes, é aproxi-
madamente igual a 51 km .
CPEN-MB11 © Porto Editora
Exames Nacionais

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO

Decreto-Lei n.° 74/2004, de 26 de Março

Prova Escrita de Matemática B


11.°/12.° Anos de Escolaridade
Prova 735/2.ª Fase
Duração da Prova: 150 minutos. Tolerância: 30 minutos

2009

GRUPO I Cotações
No Casino ALEA, em LA PLACE, um dos jogos de sorte preferidos é a «Roleta das Somas».

1 3

2 1

1 2

3 1

Figura 1

A roleta está dividida em oito sectores iguais numerados como mostra o esquema da figura 1.
Cada jogador executa duas jogadas.
Cada jogada consiste em fazer girar a roleta e, quando esta parar, registar o número indicado.
Admita que, em cada jogada, cada sector tem a mesma probabilidade de sair.
A pontuação que cada jogador obtém é a soma dos números saídos nas duas jogadas.

1. Seja X a variável aleatória «Soma dos números saídos nas duas jogadas». 15
Complete a tabela de distribuição de probabilidades de X , apresentando os valores exactos
de probabilidades, na forma de dízima.
Para responder, copie a tabela para a sua folha de prova e preencha-a.

xi 2 3 4 5 6

P (X = xi)
2.ª fase – 2009

2. Em cada noite de jogo no casino ALEA, a «Roleta das Somas» é usada dezenas de vezes. 15
Para efeitos de controlo pelas autoridades competentes, os serviços do casino registam o
número total de jogadas realizadas em cada noite, especificando quantas vezes sai cada um
dos três números diferentes registados nos sectores (1 , 2 e 3). Este procedimento é utili-
zado, principalmente, para se verificar que a roleta não está viciada.
Numa certa noite, os serviços do casino registaram 820 jogadas efectuadas com a roleta. Na
tabela seguinte, apresentam-se as frequências relativas correspondentes ao número de vezes
que cada um dos três números diferentes saiu nas 820 jogadas.

Número 1 2 3

Frequência
55% 20% 25%
relativa

Determine a média dos números saídos nas 820 jogadas efectuadas naquela noite.

GRUPO II
Na figura 2, está representado um quadrado [ABCD] , cujos lados têm comprimento L .
Em cada um dos lados do quadrado, assinalou-se o respectivo ponto médio.
Unindo os pontos médios, obteve-se o quadrado [PQRS] .

D R C

S Q

A P B

Figura 2

1. Prove que a área do quadrado [PQRS ] é metade da área do quadrado [ABCD] , seja qual 15
for o valor de ’ .
Sugestão: Poder-lhe-á ser útil começar por decompor o quadrado [ABCD] em quatro quadra-
dos geometricamente iguais.

2. Um joalheiro criou uma colecção de peças numeradas (I , II , III , …), com faces quadradas, 20
de 4 centímetros de lado.
Na figura 3, que não está à escala, estão representados apenas os três primeiros exemplares
dessa colecção.

I II III ...
4 cm 4 cm 4 cm
Figura 3
Exames Nacionais

• Cada peça contém uma pedra preciosa, cuja face visível também tem a forma de um qua-
drado, representado pela região sombreada. Tal como a figura 3 sugere, a dimensão da
pedra preciosa vai diminuindo ao longo da colecção.
• De cada peça para a seguinte, o joalheiro aplicou ao quadrado central o processo ilustrado
na figura 2.
• A face visível da pedra preciosa, de menor dimensão, é um quadrado de 0,25 cm2 de área.

Considere a sequência das áreas, em cm2 , das faces visíveis das pedras preciosas utilizadas
nesta colecção de peças.

Determine a soma das áreas das faces visíveis das pedras preciosas de toda a colecção.

Sugestão: Comece por mostrar que 8 é o primeiro termo da sequência referida.

GRUPO III
Numa vila, o presidente da Junta de Freguesia vai inaugurar um mural rectangular na praça
principal. Nesse mural, será exposta uma tapeçaria.
No projecto, ilustrado na figura 4, o mural está representado pelo rectângulo maior, e a tapeçaria
pelo rectângulo menor, sombreado; x representa a medida, em metros, de um dos lados do
mural.
Cada um dos lados da tapeçaria ficará paralelo a dois dos lados do mural, com margens de 0,5 m
e de 1 m , como a figura ilustra.
O mural terá 26 m de perímetro.

0,5 m

1m 1m
x

0,5 m

Figura 4

1. Mostre que as medidas, em metros, de dois lados não paralelos da tapeçaria, expressas em 15
função de x , com x å ]1 , 11[ , são dadas por x - 1 e 11 - x .

2. Mostre que a área da tapeçaria, A , em metros quadrados, em função de x , é dada por 10


A (x) = - x 2 + 12x - 11 , x å ]1 , 11[ .

3. Determine o valor de x , com x å ]1 , 11[ , para o qual a área da tapeçaria é máxima. 20


2.ª fase – 2009

GRUPO IV
O Tomás gosta muito de aviões e costuma consultar com regularidade o sítio da Internet do Ins-
tituto Nacional de Estatística, onde se encontram publicados os dados referentes ao tráfego
aéreo nos diversos aeroportos portugueses.
Ao analisar as tabelas de Dezembro de 2007, referentes ao «número de aeronaves aterradas/des-
coladas nos aeroportos nacionais por localização geográfica, tipo de tráfego e natureza do trá-
fego», o Tomás reparou que o 1 era, com muita frequência, o algarismo inicial de cada número.
Por exemplo, o número de aviões aterrados num determinado aeroporto, nesse mês, foi de 157 ,
número cujo algarismo inicial é 1 .
Tal facto deixou o Tomás muito intrigado e curioso. Para investigar a situação, resolveu determinar
a percentagem de vezes em que cada algarismo, de 1 a 9 , aparecia como algarismo inicial dos
números registados. Os resultados, apresentados no gráfico da figura 5, foram surpreendentes.

35
30 29
25
Percentagem

20 19
15 14
10 9 8
7 6
5 5
3
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Algarismo inicial

Figura 5

1. Quando observou o gráfico, o Tomás considerou que uma função logarítmica era um bom
modelo para esta distribuição. Depois de introduzir os dados nas listas da sua máquina calcu-
ladora, obteve, por regressão logarítmica, o modelo
P = 26,6723 - 10,9399 * ln(S)
no qual P representa a percentagem de ocorrência do algarismo inicial S , com
S å {1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 , 7 , 8 , 9} , e ln o logaritmo de base e .

1.1. O gráfico de barras obtido sugere, por exemplo, que o algarismo 8 apresenta uma fre- 15
quência relativa desajustada do modelo logarítmico.
Determine a diferença entre a percentagem observada no gráfico e a percentagem P ,
obtida por aplicação do modelo, com aproximação às décimas.
Em cálculos intermédios, conserve, pelo menos, duas casas decimais.

1.2. Esta distribuição teve por base uma amostra de 216 dados. 15
Quantos números se iniciariam com o algarismo 1 , de acordo com o modelo encon-
trado?
Exames Nacionais

2. A distribuição das frequências do algarismo inicial de muitas colecções de números recolhi- 20


dos da realidade, como dados fiscais e índices da Bolsa, é uma distribuição logarítmica.
Esta distribuição é conhecida por Lei de Benford:

P (n) = log a1 + b
1
n

na qual P (n) designa a probabilidade de n ser o algarismo inicial de um número com


n å {1 , 2 , 3 , 4 , 5 , 6 , 7 , 8 , 9} e log designa o logaritmo de base 10 .
Admita que está perante uma colecção de números que segue a Lei de Benford.
Escolhe-se, ao acaso, um número dessa colecção. A probabilidade de ele começar por um
certo algarismo é 0,058 (valor arredondado às milésimas).
De que algarismo se trata?

GRUPO V
O Carlos costuma passar as suas férias de Verão no Algarve, na zona da ria Formosa.
Num determinado dia de Agosto, o Carlos acompanhou um amigo seu, o António, na apanha do
marisco. Para isso, foram de manhã cedo para um local adequado da ria, aproveitando a baixa-
-mar.

Admita que, nesse dia, o nível das águas do mar, M , em metros, registado pelo marégrafo
local, foi dado, aproximadamente, por:

M (t) = 1,055 sin(0,507t + 0,916) + 1,908 com 0 ≤ t ≤ 24

Nesta expressão:
• a variável t representa o tempo, em horas, contado a partir das zero horas, desse dia;
• o argumento da função seno é medido em radianos.

1. O António sabia que, naquele local da ria, era possível efectuar a apanha de marisco enquanto 20
o nível das águas não excedesse 1,3 m .
Determine, recorrendo às capacidades da sua calculadora, o período de tempo da manhã em
que foi possível efectuar a apanha do marisco.
Apresente os extremos desse período de tempo, em horas e minutos, com os minutos aproxi-
mados às unidades.
Apresente o(s) gráfico(s) em que se baseou para dar a resposta.
Nos cálculos intermédios, utilize, pelo menos, quatro casas decimais.
2.ª fase – 2009

2. Nesse mesmo dia, um barco ficou encalhado na ria, cerca das 06 h 07 min , quando o nível 20
das águas do mar era de 1,1 m .
No momento em que o barco foi desencalhado, o nível das águas do mar era de 2,2 m .
Na figura 6, apresenta-se um esboço do gráfico da função M , anteriormente referida, no
qual estão assinalados os pontos P (6,11 ; 1,1) e Q (23,53 ; 2,2) .
O gráfico não está à escala.
Os valores t = 6,11 e t = 23,53 representam, com aproximação às centésimas da hora, res-
pectivamente, o instante em que o barco ficou encalhado e o instante em que foi desenca-
lhado.

M(t)
(metros)

Q
2,2
P
1,1

0 6,11 23,53 24 t (horas)

Figura 6

Dias mais tarde, foi publicada, num jornal local, uma notícia relativa a este incidente. Da notí-
cia publicada, apresenta-se o seguinte excerto:
«Numa zona da ria Formosa, pertencente ao concelho de Olhão, ficou encalhada, desde
as primeiras horas da manhã, uma pequena embarcação. Era já noite quando, com a
ajuda de um rebocador, se conseguiu libertar o barco encalhado. Tinham passado, entre-
tanto, cerca de 17 horas e 42 minutos desde o momento em que o barco ficou preso.
No momento em que o barco foi desencalhado, o nível das águas do mar subia a uma
taxa aproximada de 0,7 metros por hora.
Desde a última baixa-mar ocorrida horas antes, a maré já tinha subido cerca de 1,5 m ,
o que facilitou os trabalhos de resgate do barco.»

Elabore uma pequena composição em que refira a correcção/incorrecção de cada um dos três
valores numéricos apresentados na notícia.
Recorra, para o efeito, à sua calculadora.
Nos cálculos intermédios, utilize, pelo menos, três casas decimais.

FIM
Sugestão de resolução
GRUPO I

CPEN-MB11 © Porto Editora


1. Consideremos uma tabela de dupla entrada.

+ 1 1 1 1 2 2 3 3

1 2 2 2 2 3 3 4 4

1 2 2 2 2 3 3 4 4

1 2 2 2 2 3 3 4 4

1 2 2 2 2 3 3 4 4

2 3 3 3 3 4 4 5 5

2 3 3 3 3 4 4 5 5

3 4 4 4 4 5 5 6 6

3 4 4 4 4 5 5 6 6

Número de casos possíveis 8 * 8 = 64 .


Seja X a soma dos números saídos nas duas jogadas.
Assim:
16
P(X = 2) = = 0,25
64
16
P(X = 3) = = 0,25
64
20
P (X = 4) = = 0,3125
64
P (X = 5) = 0,125
P(X = 6) = 0,0625

Obtemos a tabela:

xi 2 3 4 5 6

P (X = xi) 0,25 0,25 0,3125 0,125 0,0625

2. x = 1 * 0,55 + 2 * 0,20 + 3 * 0,25 = 1,7

GRUPO II

1. Consideremos a figura ao lado:


D R C
Atendendo a que a área do quadrado [ABCD] é igual a ’ 2
e a área do qua-
2
drado [PQRS] é igual a PQ , pretende-se provar que:
S Q
2 ’2
PQ = . ℓ

2 2
’ A P B
Pelo Teorema de Pitágoras, atendendo a que PB = PQ = , vem que:
2 ℓ
’ ’ ’ ’ ’
PQ = a b + a b § PQ =
2 2 2 2 2
2 22 2 2
+ § PQ = ’2 § PQ = c. q. p.
2 2 4 4 4 2
2.ª fase – 2009

2. A área do primeiro quadrado é 16 .


16
A área do 2.° quadrado é = 8 e corresponde à área da 1.a pedra preciosa.
2
8
A área do 3.° quadrado é = 4 e corresponde à área da 2.a pedra preciosa.
2
4
A área do 4.° quadrado é = 2 e corresponde à área da 3.a pedra preciosa.
2
2
A área do 5.° quadrado é = 1 e corresponde à área da 4.a pedra preciosa.
2
1
A área do 6.° quadrado é = 0,5 e corresponde à área da 5.a pedra preciosa.
2
0,5
A área do 7.° quadrado é = 0,25 e corresponde à área da 6.a pedra preciosa.
2
A soma das áreas das faces visíveis das pedras preciosas é 8 + 4 + 2 + 1 + 0,5 + 0,25 = 15,75 cm2 .

GRUPO III

1. Consideremos a seguinte figura.

1 1
0,5 0,5

0,5 0,5
1 1
y

• Lado menor da tapeçaria:


x - (0,5 + 0,5) = x - 1

• Atendendo a que o perímetro do mural é 26 , então:


26 - 2x
26 = 2x + 2y = y = § y = 13 - x .
2

O lado maior da tapeçaria é 13 - x - 2 = 11 - x .

2. A(x) = (x - 1) (11 - x)
= 11x - x 2 - 11 + x
= - x 2 + 12x - 11 c. q. m.
Observação:
x - 1 > 0 e 11 - x > 0 , x > 1 e 11 > x , x > 1 e x < 11 , isto é, x å ]1 , 11[ .
CPEN-MB11 © Porto Editora
Exames Nacionais

3. A (x) é uma função quadrática cujo gráfico, sendo a < 0 , é uma parábola

CPEN-MB11 © Porto Editora


y
com a concavidade voltada para baixo. Logo, o valor máximo de A corres- 25
ponde à ordenada do vértice.
1 + 11
Dado que os zeros são 1 e 11 , a abcissa do vértice é x = =6.
2
Sendo A (6) = 25 , vem que a tapeçaria tem área máxima igual a 25 m2 ,
para x = 6 m .

0 1 6 11 x
máximo: x = 6 ; y = 25

GRUPO IV

1.1 Atendendo aos dados do problema tem-se que:


8 - P (8) = 8 - (26,6723 - 10,9399 ln(8)) ≈ 4,1
fl fl" algarismo 8
fl" 8% das ocorrências do algarismo 8

1.2 Aplicando o modelo, P(1) = 26,6723 - 10,9399 * ln(1) = 26,6723


Por outro lado, 216 * 26,6723 = 57,612 168 ≈ 58
58 números começam com o algarismo 1 .

2. 1.º processo:
P (n) = 0,058 § log a1 + b = 0,058 § 100,058 = 1 +
1 1
§
n n
1 1
§ = 100,058 - 1 § n = )7
n 100,058 - 1
O algarismo é 7 .

2.º processo:
P(n) = 0,058
y1 = P (n)
y2 = 0,058

y
1

y1
0,058 y2
0 6 7 x
Intersecção
x = 6,9989...
y = 0,058

O algarismo é 7 .
2.ª fase – 2009

GRUPO V

1. Sejam:
M (t) ≤ 1,3
y1 = M (t)
y2 = 1,3
y

1,3

0 5,6012 9,3747 24 x

Consideremos as duas primeiras intersecções pois o período da manhã termina às 12 horas.


Atendendo a que:
5,6012 horas = 5 h + 0,6012 * 60 min = 5 h 36 min
e a que
9,3747 h = 9 h + 0,3747 h = 9 h + 0,3747 * 60 min = 9 h 22 min ,
então o período da manhã em que é possível apanhar marisco será entre as 5 h 36 min e às 9 h 22 min .

2. Face ao pedido, consideremos os seguintes cálculos:


• 23,53 horas - 6,11 horas = 17,42 h = 17 h + 0,42 h = 17 h + 0,42 * 60 min ≈ 17 h 25 min .
• y1 = M (t)
• y2 = nDeriv (y1 , x , x) x y1 y2 ; M '(23 , 53) = 0,5 m/h

23,53 2,199 0,514

0 x
Mínimo
x = 19,8808... ; y = 0,853

Da tabela anteriormente apresentada e do gráfico resulta:


2,199 - 0,853 = 1,346 ≈ 1,3 m
Face ao exposto, vem que:
O barco esteve encalhado aproximadamente 17 h e 25 min , assim, 17 h e 42 min é um valor incor-
CPEN-MB11 © Porto Editora

recto. No instante em que o barco foi desencalhado, o nível das águas do mar subia a uma taxa aproxi-
mada de 0,5 metros por hora, pelo que a informação apresentada foi incorrecta. Desde a última
baixa-mar, a maré já tinha subido cerca de 1,3 metros e não 1,5 metros, conforme incorrectamente
se publicou no jornal.

Você também pode gostar