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Continuidade e Derivadas em Funções

O documento aborda o conceito de continuidade em funções reais, definindo que uma função é contínua em um ponto se o limite da função nesse ponto é igual ao valor da função. Também é apresentado o Teorema do Valor Intermediário, que garante a existência de um valor intermediário para funções contínuas. Além disso, introduz a derivada como uma medida do crescimento de funções e fornece exercícios para aplicar esses conceitos.

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Continuidade e Derivadas em Funções

O documento aborda o conceito de continuidade em funções reais, definindo que uma função é contínua em um ponto se o limite da função nesse ponto é igual ao valor da função. Também é apresentado o Teorema do Valor Intermediário, que garante a existência de um valor intermediário para funções contínuas. Além disso, introduz a derivada como uma medida do crescimento de funções e fornece exercícios para aplicar esses conceitos.

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Cálculo 1

-Aula 3-

Professor: Rafael Nardi

❖❖❖

6 Continuidade

No nosso estudo de limites laterais vimos como que funções definidas por segmentos elevam a
riqueza de possibilidades para o gráfico de funções reais de uma variável real. Vimos que, em
geral, podem ocorrer saltos nos valores f (x) que uma função f assume nos pontos de fronteira
entre duas regiões onde f possui expressão fechada bem definida e, ainda, que a existência
do limite de uma função num ponto fica condicionada à igualdade dos limites laterais naquele
ponto.
As funções mais úteis para modelar situações reais nas ciências e engenharias são aquelas
que não apresentam saltos. Uma das razões para isso é que, tipicamente, o comportamento de
sistemas reais da natureza é tal modo que frente à pequenas alterações nas condições impostas
ao sistema observa-se pequenas alterações na resposta. Se as condições impostas e a resposta
do sistema forem identificadas com diferentes valores de parâmetros reais então este padrão se
adéqua à estrutura de uma função real de variável real sem saltos. Por exemplo, a trajetória de
uma partícula sujeita a forças é tal que a cada instante a partícula se move sempre entre pontos
vizinhos entre si. Não se observa a partícula desaparecer num ponto e reaparecer imediatamente
1m mais longe. Na verdade a natureza é ainda mais exigente. Além de não apresentar saltos
“grandes”, a posição de uma partícula que se move numa linha reta é tal que ao se mover entre
dois pontos A e B da reta, ela passa por todos os infinitos pontos que existem entre A e B. Ou
seja, nem mesmo saltos infinitesimais, do “tamanho” de um ponto, são admitidos. As funções
que atendem a este capricho específico da natureza são chamadas de contínuas.

1
Definição 6.1 (Continuidade num ponto). Seja f : I −→ R onde I é um intervalo dos reais e
seja a ∈ I. Dizemos que f é contínua em a se e somente se

lim f (x) = f (a). (6.1)


x→a

Aqui vemos que o comportamento que uma função contínua exibe nas vizinhanças de qual-
quer ponto de seu domínio é previsível: o valor que ela assume no ponto a coincide com o valor
para o qual ela tende quando seu argumento se aproxima do ponto a.

Definição 6.2 (Função Real Contínua). Seja f : I −→ R onde I é um intervalo dos reais.
Dizemos que f é uma função contínua se e somente se

lim f (x) = f (a)∀a ∈ I. (6.2)


x→a

Ou seja, ela é contínua em todos os pontos de seu domínio.

Uma maneira intuitiva de compreender uma função contínua de variável real é perceber que
não precisamos tirar o lápis do papel para desenhar seu gráfico no plano cartesiano.

Exercício Proposto 6.1. Usando as propriedades do cálculo de limites demonstre que uma
função monomial de grau arbitrário é uma função contínua.

Exercício Proposto 6.2. Usando as propriedades do cálculo de limites demonstre que a soma
e a diferença de duas funções contínuas é também uma função contínua.

Exercício Proposto 6.3. Usando as propriedades do cálculo de limites demonstre que a mul-
tiplicação de duas funções contínuas é também uma função contínua.

Teorema 6.1 (Valor Intermediário). Seja f : I −→ R uma função contínua, sejam a e b dois
elementos do domínio de f e tais que a < b e f (a) ̸= f (b). Então, para qualquer real N entre
f (a) e f (b) ∃ c ∈ (a, b) tal que f (c) = N .

Trazendo para um exemplo prático, o teorema do valor intermediário é o que garante que se
você estiver subindo uma ladeira de 10m de altura e gasta 5 min desde o pé até o topo, então
há um instante, entre o inicial t = 0 e o final t = 5 min, em que você estará na altura 7m, por
exemplo. Observe que isto só é garantido para qualquer valor entre 0 e 10m porque a altura
como função do tempo é contínua.

Exemplo 6.1 (Exercício 73 da seção de exercícios 2.5 de [1]). Um monge tibetano deixa o
monastério às 7 horas da manhã e segue sua caminhada usual para o topo da montanha, che-
gando lá às 7 horas da noite. Na manhã seguinte, ele parte do topo às 7 horas da manhã,
pega o mesmo caminho de volta e chega ao monastério às 7 horas da noite. Use o Teorema

2
do Valor Intermediário para mostrar que existe um ponto no caminho que o monge vai cruzar
exatamente na mesma hora do dia em ambas as caminhadas.
Solução: O problema pode ser desvendado inicialmente pensando que ao invés do mesmo
monge, se tratam de 2 pessoas, uma subindo e a outra descendo a montanha. É evidente que
em algum momento elas vão se encontrar pelo meio do caminho. A tarefa é mostrar que este
fato no fundo decorre do teorema do valor intermediário.
Chamamos de fs (t) a posição do monge no instante t durante a subida e de fd (t) a posição
do monge durante a descida no mesmo instante t contado no relógio. Chamando de M e T
as posições do monastério e do topo da montanha respectivamente ao longo da caminhada,
sabemos que

fs (7) = M ; (6.3)
fs (19) = T ; (6.4)
fd (7) = T ; (6.5)
fd (19) = M. (6.6)

Se M e T são medidas como distâncias à partir do monastério, então inicialmente temos

fs (7) < fd (7) =⇒ fs (7) − fd (7) < 0 (6.7)

e ao final da caminhada temos

fs (19) > fd (19) =⇒ fs (19) − fd (19) > 0. (6.8)

Agora definimos a função F por F (t) = fs (t) − fd (t), que por ser uma diferença de funções
contínuas, é também contínua. Em termos de F , as inequações (6.7) e (6.8) tomam a seguinte
forma:

F (7) < 0; (6.9)


F (19) > 0. (6.10)

Ora, pelo teorema do valor intermediário, se F começa menor do que zero e termina maior
do que zero, então F deve passar pelo zero em algum momento. Ou seja, deve existir um valor
específico de t entre 7 e 19 para o qual F (t) = 0. Isto é equivalente a dizer que existe um
instante t entre 7 e 19 tal que a posição durante a subida fs (t) é igual à posição na descida
fd (t), como queríamos demonstrar.

3
Exercício Proposto 6.4. Considere a função f : R −→ R tal que

2
 x + 3x − 2 ,
 −∞ < x < −1 ;
f (x) = 2 , x = −1 ; (6.11)

x+1 , −1 < x < +∞ .

Calcule os limites laterais de f em x = −1. Existe limite neste ponto? Que se pode dizer
sobre a continuidade de f neste ponto? que se pode dizer sobre a continuidade de f em todo o
seu domínio?

7 Derivadas

Vimos até agora como o limite nos permite compreender o valor de uma função nas imediações
de um ponto ou seu comportamento quando seu argumento assume valores ilimitadamente
grandes sejam eles positivos ou negativos. Veremos agora como esta mesma ferramenta nos
permite construir outra ferramenta, a qual por sua vez, detalha como se dá o crescimento da
função nas mesmas situações.

Definição 7.1. (Derivada) Seja f : R ⊃ I −→ R uma função, c ∈ I um elemento do domínio


de f e ∆x um real positivo. Chamamos de derivada de f em c e denotamos por f ′ (c) o seguinte
limite:
f (c + ∆x) − f (c)
f ′ (c) = lim . (7.1)
∆x→0 ∆x

7.1 Interpretação Geométrica da Derivada

A definição (7.1) pode ser visualizada no plano cartesiano. A razão sob o sinal de limite em
(7.1) representa a inclinação da reta que passa pelos pontos (c, f (c)) e (c + ∆x, f (c + ∆x)).
Mais precisamente, é a razão entre do cateto vertical com o horizontal no triângulo retângulo
na figura (1). Se trata portanto da tangente do ângulo que a reta faz com o eixo x.

No limite em que ∆x → 0, como pode ser visto na Figura (2), a reta que passa pelos pontos
(c, f (c)) e (c + ∆x, f (c + ∆x)) coincide com a reta tangente ao gráfico e a razão dada por (7.1)
mede a tangente do ângulo de inclinação desta reta.

Assim vemos que a derivada f ′ de uma função f calculada num ponto x = c do domínio de
f fornece uma quantificação do crescimento de f neste ponto, já que quanto mais inclinada for
a reta tangente ao gráfico, mais rapidamente estará crescendo f , ou dito de forma mais técnica,
maior será a taxa de crescimento de f .

Exercício Proposto 7.1. Considere a função constante f (x) = 2 ∀x ∈ R. Faça o esboço do


gráfico de f . Calcule f ′ (x) usando a definição (7.1).

4
y

f (c + ∆x)

f (c)

c c + ∆x x

Figura 1: Derivada de uma função no ponto x = c.


y

(x+1)(x−3)
f (x) = 12
+2

Reta Tangente

f (x)

x x

Figura 2: Reta tangente ao gráfico.

Exercício Proposto 7.2. Considere a função do primeiro grau f (x) = 2x + 3 ∀x ∈ R. Faça


o esboço do gráfico de f . Calcule f ′ (x) usando a definição (7.1).

Para mais detalhes sugerimos a consulta de [1], [2], [3], [4] e [5].

5
Referências
[1] J. Stewart, Cálculo, vol. 1. Cengage Learning, 4ª ed., 2016.

[2] H. L. Guidorizzi, Um Curso de Cálculo, vol. 1. LTC, 5ª ed., 2001. http://gen.lib.rus.


ec/book/index.php?md5=27782d84815c37b0448c6c9340aae879.

[3] H. L. Guidorizzi, Um curso de cálculo, vol. 1. LTC, 6ª ed., 2018.

[4] R. W. 1-16-23. http://ltodi.est.ips.pt/projIIIEC/matematica/cxl06/02cxl06.htm.

[5] J. Stewart, Cálculo, - tradução da 7ª edição norte-americana, vol. 1. Cengage, 7ª ed., 2013.
http://gen.lib.rus.ec/book/index.php?md5=ccb1fd7d043b390d7f5310136a915926.

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