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Relatório - Regulação Recife

como funciona a regulação

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE

CENTRO DE CIÊNCIAS MÉDICAS - CCM

RELATÓRIO DO ESTÁGIO DE GESTÃO EM SAÚDE - RODÍZIO DO


INTERNATO I (SAÚDE COLETIVA): REGULAÇÃO RECIFE

RECIFE
2023
DISCENTES:
Francisco Zucchi
José Rúver Lima Herculano Neto
Robson Flor Sátiro

RELATÓRIO DO ESTÁGIO DE GESTÃO EM SAÚDE - RODÍZIO DO


INTERNATO I (SAÚDE COLETIVA): REGULAÇÃO RECIFE

Relatório referente às atividades


executadas durante o estágio de
gestão em Saúde Coletiva - Regulação
Recife - Durante o período 13 de
novembro a 10 de dezembro de 2023.

RECIFE
2023

1
ÍNDICE
Introdução ………………………………………………………………………………………… 3

Estrutura Organizacional da Regulação Municipal do Recife ……………………….….. 4


Gerência Geral da Regulação (GGR) .………………………………………………….. 4
Diretoria Executiva de Regulação do Recife ………………………………………...… 4
Gerência de Regulação Assistencial (GRA) …………………………………………… 4
Coordenação de Redes e Fluxos Assistenciais (GFRA) ……………….……. 5
Coordenação de Regulação Ambulatorial (CRA) …………………….………. 5
Coordenação de Regulação Hospitalar (CRH) …………………………….…. 6
Coordenação de Teleatendimento …………………………………………………….… 7
Gerência de Monitoramento da Assistência …………………………….……………... 8
Coordenação de Contratos e Informações Estratégicas em Saúde (CCIES) ... 8
Coordenação de Auditoria Assistencial (CAA) ………………………………... 8
Ouvidoria Municipal de Saúde ……………………………………………...…… 9
Gerência de Processamento, Controle e Avaliação (GPCA) ……………………...…. 9
Coordenação de Programação e Processamento …………………………………...... 9
Divisão do CNES ……………………………………………………………...….. 9
Divisão de Processamento dos Sistemas de Produção ………………..…… 10

O Estágio na Regulação …………………………………………………...…………………… 10


Atuação Prática …………………………………………………………………………… 10
Aulas Teóricas …………………………………………………………………………….. 11

Conclusão …………………………………………………………………………………………. 12

Referências ………………………………………………………………...……………………… 13

2
Introdução

Instituída no Brasil em 1º de agosto de 2008 pelo Decreto nº 1.559, a Regulação em Saúde


busca fortalecer os princípios de regionalização, hierarquização e integração das ações e serviços
de saúde, fundamentais desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988.

Inicialmente, a Gerência Geral de Regulação foi o órgão incumbido de desenvolver


portarias, normas e regulamentos relacionados a tarefas administrativas, planejar, financiar e
monitorar os prestadores de serviços, garantir o controle social e a ouvidoria da saúde, fortalecer a
vigilância sanitária e epidemiológica, regular a saúde complementar, realizar auditorias e avaliar e
incorporar novas tecnologias. Todas essas ações foram fundamentais para possibilitar uma
descentralização em saúde com maior autonomia para os municípios, sempre tomando por base
os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde.

A principal finalidade da Regulação em Saúde reside em garantir a prestação adequada de


serviços de saúde à população e em exercer controle sobre os serviços disponibilizados pela rede,
através de atividades como monitoramento, supervisão, avaliação, revisão e acompanhamento
dos cuidados e assistência à saúde. Esse processo engloba a organização, monitoramento,
gestão e priorização dos fluxos de acesso e tratamento, sustentados pelo complexo regulatório,
que compreende a regulação médica e suas unidades operacionais.

À luz desse contexto, fica evidente a importância de realizar-se uma avaliação crítica das
normas sanitárias no Brasil, considerando sua implementação prática. Isso se justifica pela
complexidade e fragmentação do sistema, que, simultaneamente, é preciso e interligado. Devido à
vastidão e diversidade do país, a realidade pode apresentar variações significativas tanto para os
usuários quanto para os processos de regulação da saúde em diferentes comunidades.

3
Estrutura Organizacional da Regulação Municipal do Recife

Gerência Geral de Regulação (GGR)

Do ponto de vista organizacional, a Gerência Geral de Regulação - que é o braço da


Regulação Municipal responsável por normatizar as atividades administrativas necessárias para o
bom funcionamento da rede - é subordinada Secretaria Executiva de Regulação de Média e Alta
Complexidade (SEMARC) e exerce coordenação sobre outras três gerências, a saber as
Gerências de Regulação Assistencial, de Monitoramento da Assistência e Informações
Estratégicas em Saúde, de Processamento, Controle e Avaliação.

A GGR é responsável por organizar as redes e fluxos de atenção, implementar estratégias


voltadas para a promoção da equidade no acesso aos serviços de saúde e monitorar de forma
diligente o cumprimento das obrigações contratuais e legais associadas a esses serviços.
Ademais, a GGR também é o órgão responsável por realizar uma análise abrangente da situação
geral do sistema de saúde na cidade, fundamentando recomendações baseadas em dados para a
melhor formulação de um plano de ação.

Diretoria Executiva de Regulação do Recife

Criada em 2013, A Diretoria Executiva de Regulação do Recife obedece as políticas


regulatórias nacionais, concentrando-se na regulação e supervisão dos sistemas de saúde, bem
como no acesso aos cuidados e serviços de saúde. A DERR conta com uma variedade de órgãos
de direção e coordenação encarregados de executar todas as tarefas delineadas no Plano
Nacional de Regulação (PNR). Hoje, a DERR está localizada no bairro Santo Amaro, na Rua do
Veiga, número 268. E seu prédio passa por importantes reformulações estruturais.

Gerência de Regulação Assistencial (GRA)

Fica ao encargo da Gerência de Regulação Assistencial manejar a organização do acesso


dos usuários aos serviços ofertados na rede de saúde. Isto é feito através do Sistema de
Regulação, o SISREG. No SISREG, as unidades de saúde cadastram suas demandas por
diversos tipos de serviços de assistência, como consultas com especialistas e procedimentos
especiais. A GRA subdivide-se em três coordenações, cada uma com suas atribuições
específicas. São elas: a Coordenação de Redes e Fluxos Assistenciais (CRFA), a Coordenação de
Regulação Ambulatorial (CRA) e a Coordenação de Regulação Hospitalar (CRH).

4
Coordenação de Redes e Fluxos Assistenciais (CRFA)

Dentro do organograma de estrutura organizacional, a Coordenação de Redes e Fluxos


Assistenciais é uma das três coordenações que compõem a Gerência de Regulação Assistencial
(GRA), acima descrita.

No gerenciamento da jornada do usuário desde a Unidade Básica de Saúde (UBS) até


outros serviços de diferentes níveis de atenção, a CRFA desempenha um papel crucial em reduzir
as barreiras de acesso entre usuários e serviços. Isso se concretiza através de encaminhamentos
adequados, direcionando, quando possível, o usuário para a unidade de saúde mais próxima de
sua residência e fornecendo os serviços necessários.

Adicionalmente, a Coordenação avalia as redes de saúde municipais e estaduais,


abrangendo unidades básicas, policlínicas, centros de saúde, hospitais, laboratórios, e as redes de
apoio de instituições de saúde e prestadores de serviços. A identificação de recursos nessas redes
orienta a CRFA na formulação de estratégias para organizar tanto a rede de apoio quanto os
procedimentos de trabalho relacionados à regulação. A implementação destes planos de ação é
conduzida com o auxílio de fluxogramas e protocolos como ferramentas essenciais.

Finalmente, a CRFA também atua na capacitação dos servidores envolvidos no processo


de regulação de saúde, envolvendo, por exemplo, a realização de treinamentos e a criação e
distribuição de protocolos de acesso em situações de demanda frequente ou represada. O
propósito final é promover um aprimoramento contínuo da rede através do aprendizado continuado
dos profissionais que nela atuam.

Coordenação de Regulação Ambulatorial (CRA)

Tamém subordinada à Gerência de Regulação Assistencial, assim como a supracitada


CRFA, a CRA tem um papel distinto de da Coordenação de Redes e Fluxos Assistenciais, porém
igualmente importante. A Coordenação de Regulação Ambulatorial é a responsável por regular os
mais diversos tipos de procedimentos e serviços médicos ambulatoriais, ou seja, aqueles que são
realizados fora do contexto de internação hospitalar. Dentre esses procedimentos e serviços,
podemos mencionar a marcação de consultas de especialidades, assim como de alguns exames
de imagem ou laboratoriais.

Nesse contexto, o formulário de solicitação ambulatorial é o principal instrumento utilizado


para que essa regulação possa ocorrer de forma fluida, eficaz e sistematizada. Seu preenchimento
deve ser realizado no âmbito da atenção primária, primordialmente pelo médico da Estratégia de
Saúde da Família. Uma vez preenchido esse documento, uma solicitação deve ser criada no
SISREG. É neste momento que a CRA passa a atuar diretamente na regulação.

5
Com o correto preenchimento dos dados no SISREG, a CRA averigua o quadro clínico, os
dados pessoais e as principais hipóteses diagnósticas para realizar uma classificação de risco
mais apurada e livre do viés do médico solicitante (que pode tender a classificar seus pacientes
como mais graves para melhorar o fluxo do serviço em que atua a despeito do prejuízo ao sistema
e aos demais usuários). A Coordenação de Regulação Ambulatorial pode optar por aprovar,
recusar, devolver o cancelar a requisição realizada na Unidade de Saúde.

Por fim, as solicitações aprovadas são ordenadas em filas com base na estratificação de
risco apurada pelo órgão regulador, e os usuários são distribuídos nos serviços de assistência
mediante disponibilidade de vagas.

Todo esse desenho de rede parece bastante eficiente na teoria, mas é certo que, pelas
mais diversas razões, o sistema de regulação ambulatorial sofre bastante com erros e vieses
humanos, além dos próprios entraves burocráticos inerentes à administração de um sistema de
saúde que enfrenta, desde sua fundação, um enorme gap entre oferta e demanda.

À luz desta problemática, urge que os profissionais de saúde sejam mais cautelosos no
correto preenchimento das solicitações de encaminhamentos e de procedimentos, especialmente
daqueles de alto custo ou que - pelo gap oferta-demanda - já apresentam filas extensas. Cabe
também, aos próprios administradores da rede, ofertar uma melhor experiência do usuário (UX)
em seus sistemas digitais, além de fornecer, de forma ainda mais frequente, apropriado
treinamento aos profissionais solicitantes, aos reguladores e aos próprios pacientes.

Coordenação de Regulação Hospitalar (CRH)

A última coordenação subordinada à Gerência de Regulação Assistencial é a


Coordenação de Regulação Hospitalar. Seu papel é análogo ao da CRA, porém, evidentemente,
fora da perspectiva ambulatorial. A regulação sob responsabilidade da CRH cobre gestão de
oferta e demanda dos atendimentos hospitalares, o que inclui vagas de internamento, gerência de
cirurgias - tanto eletivas como de urgência - além de procedimentos não ambulatoriais realizados
nas Unidades de Pronto Atendimento.

A ferramenta utilizada pela CRH é a mesma da utilizada pela CRA, o SISREG. Porém
dentro do sistema é possível fazer distinção entre a regulação de demandas hospitalares e
ambulatoriais. É importante mencionar que o SISREG não cobre apenas a regulação da rede
própria do SUS, mas também da rede complementar. No contexto do Recife, por exemplo,
podemos mencionar o IMIP, o HML e o Hospital Evangélico como exemplos de serviços
complementares que fazem parte do SISREG.

Os principais documentos utilizados no âmbito da regulação hospitalar são a Solicitação de


Internação Hospitalar (SIH) e a Autorização de Internação Hospitalar (AIH). A primeira é
preenchida pelo profissional do serviço solicitante, e deve ser enviada ao SISREG. Uma vez que a

6
SIH está no sistema, a CRH é responsável por negar ou aprovar esta solicitação. Caso seja
aprovada, emite-se uma AIH que é enviada ao serviço executante.

Por fim, além do fluxo regulatório propriamente dito, a CRH também tem outras atribuições
importantes, como a avaliação do desempenho dos fluxos de oferta e demanda dentro do
município de atuação. As dificuldades e as recomendações relacionadas à CRH são bastante
semelhantes àquelas acima mencionadas em relação à Coordenação de Regulação Ambulatorial.

Além de supervisionar a regulamentação ambulatorial, o CRH também tem a incumbência


de avaliar o desempenho dos fluxos de demanda hospitalar no município, identificar obstáculos e
aprimorar a atuação nesse campo. A coordenação trabalha para melhorar a colaboração entre os
profissionais envolvidos, avaliando prestadores de serviços e especialistas, e aprimorando os
processos com base na análise do sistema. Vale destacar que enfrenta desafios semelhantes aos
mencionados anteriormente pela CRA.

Coordenação de Teleatendimento

Ainda no contexto da problemática de distanciamento entre o desenho teórico do sistema e


a eficiência da regulação prática, observou-se que os níveis de absenteísmo registrados nos
serviços públicos de saúde do Recife eram estarrecedores. Em alguns casos, chegando à casa do
60%. Para amenizar os imensuráveis prejuízos decorrentes desse fato, criou-se um centro de
atendimento telefônico municipal, em formato de projeto-piloto para possível reprodução nos
demais municípios do País. Dentro da Regulação, esse projeto é de responsabilidade de uma
coordenação específica, a Coordenação de Teleatendimento.

Com a implementação do projeto, os usuários passaram a ser notificados sobre seus


atendimentos agendados não só através de ligações telefônicas, mas também por meio de
mensagens de WhatsApp. Como consequência, não houve apenas uma redução do absenteísmo,
mas também uma melhora na experiência do usuário do sistema, uma vez que não precisavam
mais se deslocar até a unidade assistencial para descobrir que determinado agendamento havia
sido desmarcado por alguma razão.

Ademais, o projeto também possibilitou a abertura de um canal de comunicação para que


se pudessem sanar dúvidas pontuais dos usuários, ajudando a desobstruir as demandas
burocráticas presenciais.

Todas essas características têm contribuido para melhor eficiência não só dos mecanismos
regulatórios mas também do Sistema e da Assistência em uma perspectiva integral.

7
Gerência de Monitoramento da Assistência

Coordenação de Contratos e Informações Estratégicas em Saúde (CCIES)

O setor responsável pela aquisição de serviços da rede complementar é encarregado de executar


o que está estabelecido na Portaria n°2.567, de 25 de novembro de 2016, pelo Ministério da
Saúde. Essa portaria permite a participação de entidades privadas e filantrópicas na prestação de
serviços de saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse setor firma acordos e contratos com
prestadores de serviços, gerencia os repasses financeiros e garante a conformidade com as
regulamentações do Ministério da Saúde. Alguns dos hospitais que oferecem serviços ao SUS no
Recife são o Hospital Santo Amaro, o Hospital Evangélico de Pernambuco, o Hospital Maria
Lucinda e o IMIP, entre outros.

A relação entre o setor público e as entidades privadas é estabelecida por convênios e contratos
com as unidades da rede complementar de saúde. Uma associação denominada CCIES colabora
com o GPP para monitorar o cumprimento das metas de produtividade das unidades contratadas.
Esse monitoramento envolve uma avaliação qualitativa e quantitativa dos contratos, baseada na
tabela SUS, para determinar os repasses financeiros apropriados.

Em resumo, os convênios são baseados na colaboração mútua com instituições filantrópicas, sem
fins lucrativos, e incluem o compartilhamento de recursos como equipamentos, pessoal,
instalações e materiais, além da transferência de recursos financeiros. Geralmente, têm duração
de 5 anos, podendo ser renovados conforme necessário.

Por outro lado, os contratos são estabelecidos por meio de licitações, não possuindo um prazo
fixo. Eles envolvem a aquisição de serviços de prestadores privados e incluem um planejamento
de pagamento com base na produção. Caso haja demanda e satisfação dos usuários, termos
adicionais podem ser adicionados, mas não devem ultrapassar 25% do valor original do contrato.

Coordenação de Auditoria Assistencial (CAA)

Coordenação de Avaliação e Auditoria (CAA), com caráter educativo, é responsável por examinar
as estruturas, processos e resultados, realizando uma avaliação sistemática dos serviços de saúde
oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Estabelecida em 2006 e implementada em 2009
através do Decreto Municipal n°2.850, a CAA faz parte do Sistema Nacional de Auditoria (SNA).

A equipe da coordenação é multidisciplinar, composta por dentistas, sanitaristas, enfermeiros,


médicos e psicólogos, com a capacidade de solicitar mais profissionais conforme a necessidade.

A CAA tem como principais finalidades realizar ações sistemáticas, documentadas e


independentes para produzir relatórios abrangendo vários aspectos dos estabelecimentos de
saúde e a qualidade dos serviços oferecidos. Essas ações buscam sistematizar processos por
meio de planejamento, execução, relatórios e monitoramento dos estabelecimentos auditados. A
seleção desses locais pode ser feita de forma regular, em situações extraordinárias, por
solicitações específicas ou denúncias.

Os relatórios resultantes são elaborados parcialmente e de forma final, seguindo um cronograma

8
estabelecido para as auditorias. Eles abordam o desempenho dos estabelecimentos, alocação de
recursos, resultados obtidos e a satisfação dos usuários. Adicionalmente, a CAA oferece
orientações aos serviços como parte de um feedback com um caráter educativo.

Ouvidoria Municipal de Saúde

A ouvidoria desempenha um papel fundamental na área de regulação, atuando como um canal de


comunicação entre os usuários e a administração pública. Sua equipe é composta por
profissionais capacitados em ouvir atentamente e compreender os processos de acesso ao
Sistema Único de Saúde (SUS). A principal função da Ouvidoria é estabelecer um diálogo direto
entre os usuários e a administração, sendo capaz de receber denúncias, fornecer informações e
lidar com solicitações, sugestões e elogios.

Para facilitar esse contato, a Ouvidoria oferece diversos meios de comunicação, incluindo um
número telefônico gratuito, 0800 281 0040, operando de segunda a sexta-feira, das 07:00 às
19:00. Além disso, dispõe de atendimento presencial, correspondência, caixas de sugestões nas
unidades de saúde, formulários online e e-mail.

Gerência de Processamento, Controle e Avaliação (GPCA)

O setor é encarregado da captação e processamento de informações, controle da assistência e


custos na área da saúde. Ele se divide em duas áreas principais: Coordenação de Programação e
Processamento e Coordenação de Supervisão. A primeira lida com o planejamento e
processamento das informações, enquanto a segunda é responsável pela supervisão e controle da
assistência e dos custos.

Coordenação de Programação e Processamento


Divisão do CNES

O setor se utiliza da plataforma do Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (CNES),


criada para registrar e manter atualizados os dados de todos os estabelecimentos de saúde locais.
Essa plataforma desempenha um papel essencial na obtenção de uma visão completa dos
serviços de saúde disponíveis em uma determinada região, fornecendo informações sobre suas
capacidades e os serviços oferecidos.

O cadastro de cada estabelecimento de saúde no CNES deve conter detalhes sobre a equipe de
funcionários, a estrutura do serviço (como a quantidade de leitos, serviços oferecidos,
equipamentos, número de salas, entre outros aspectos relevantes). Em resumo, o CNES foca na
quantificação dos serviços de saúde locais. Com base nessa plataforma, a divisão do CNES
consegue mapear a capacidade dos serviços de saúde instalados no município, permitindo uma
compreensão mais detalhada da rede de assistência médica disponível.

O CNES desempenha um papel crucial na avaliação da assistência médica de uma região. No


entanto, enfrenta desafios de atualização devido à dependência da cooperação dos serviços de
saúde para manterem seus registros atualizados. No setor privado, há menos interesse em
atualizar o CNES, especialmente porque essa atualização é necessária apenas para serviços que
estabelecem convênios, havendo fiscalização limitada nesse processo. No setor público, é comum

9
que profissionais que deixaram de trabalhar em um serviço não sejam removidos do CNES.

Apesar desses desafios, é importante destacar que os profissionais que prestaram atendimento no
Sistema Único de Saúde (SUS) possibilitam a correlação de dados com outros sistemas para
evitar possíveis irregularidades por parte dos gestores municipais. O CNES é a principal fonte de
dados sobre estabelecimentos de saúde e profissionais, sendo amplamente utilizado por vários
outros sistemas de informação em saúde.

Divisão de Processamento dos Sistemas de Produção

A área tem a responsabilidade de coletar dados mensais de diferentes bases, exceto o SISREG,
incluindo o SIHD, CIHA, SIA, SISCAN e APAC. O foco principal é coletar, processar e analisar
informações dessas plataformas, consolidando-as e armazenando-as. Os relatórios resultantes
são encaminhados ao Ministério da Saúde para formulação de indicadores e alocação de
recursos.

A Coordenação de Supervisão, por outro lado, fiscaliza e acompanha o cumprimento dos contratos
com prestadores conveniados, incluindo serviços da rede própria, dividida em supervisão
hospitalar e ambulatorial. Os profissionais desta coordenação, incluindo médicos responsáveis
pela supervisão de hospitais conveniados, realizam auditorias de prontuários, revisando
informações e avaliando procedimentos realizados. Além disso, buscam feedback dos usuários por
meio de entrevistas, resumindo os resultados em relatórios para futuras consultas e
compartilhamento com as autoridades de gestão, como a Auditoria e a Secretaria Municipal de
Saúde.

O estágio na regulação
Atuação Prática

Durante o estágio, os quatro estudantes estiveram envolvidos no setor GRA, mais especificamente
na Coordenação de Regulação Ambulatorial. Suas responsabilidades incluíam organizar filas e
avaliar solicitações de procedimentos já protocolados, como consultas e avaliações cardiológicas.

No entanto, a experiência foi parcialmente frustrante uma vez que o prédio da diretoria de
regulação se encontra atualmente em reforma. Deste modo, o espaço físico disponível para que
pudéssemos atuar na prática dentro do sistema ficou bastante comprometido. Nos foi alegado que
no planejamento inicial da reforma, haveria disponibilidade. Infelizmente, apesar dos
planejamentos arquitetônicos, nosso convívio no ambiente regulatório se tornou bastante limitado,
correspondendo apenas a idas pontuais ao serviço. Em nossas idas à diretoria executiva de
regulação em saúde , ficou evidente que não faltou empenho dos nossos coordenadores para nos
acolher e tentar encontrar soluções que diminuíssem o impacto da reforma.

Tal experiência apesar de por um lado frustrante, serviu para auxiliar na compreensão das
dificuldades encontradas pelos profissionais dos mais diversos setores do Sistema Único de
Saúde (SUS). Apesar de todas as dificuldades e adversidades, houve a disponibilidade de acesso
ao conteúdo teórico.

10
Aulas Teóricas

Durante o estágio, participamos de aulas conduzidas por representantes de cada área da


regulação. Essas sessões, realizadas de maneira virtual, foram extremamente valiosas,
proporcionando uma compreensão abrangente do funcionamento da regulação, incluindo todas as
suas coordenações e gerências. Durante essas aulas, ficou evidente como se dá o processo de
comunicação e cooperação entre os setores público e privado, além do esforço para integrar os
usuários na rede de saúde. Abordando os diversos tópicos apresentados durante nossa exposição
presencial e no relatório acima.

11
Conclusão

Durante o período de prática na Regulação Recife, foi possível vivenciar a gestão do Sistema
Único de Saúde (SUS) no município. Essa experiência singular possibilitou uma aprendizagem
abrangente dos vários setores que se interligam para o funcionamento do sistema.
Especificamente, a regulação do fluxo assistencial ofereceu uma visão crítica sobre o papel
fundamental do médico na base do sistema, direcionando o paciente de maneira correta e
assertiva.

Explorar um campo de atuação pouco abordado durante o curso de medicina foi essencial, abrindo
perspectivas para novos caminhos profissionais e planos de carreira. Isso ressaltou a figura do
médico regulador e a possibilidade de participação em outras áreas da regulação, como auditoria e
supervisão, em equipes multidisciplinares.

Apesar de muitos considerarem o trabalho na gestão como um "bastidor", os agentes envolvidos


desempenham um papel transformador e protagonista no funcionamento pleno do sistema de
saúde. Nossa experiência prática elucidou o funcionamento real da administração, permitindo
vivenciar os desafios, esforços e movimentações necessárias para atender às demandas da
população e cumprir os princípios e diretrizes do SUS.

12
Referências Bibliográficas
1. BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Brasília: [s. n],
1988.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Regulação,


Avaliação e Controle de Sistemas. Curso básico de regulação do Sistema Único de Saúde-SUS,
2016.

3. ALBUQUERQUE, M.S .V. ; LIMA, L. P.; COSTA, A. M.; MELO FILHO, D. A. Regulação
Assistencial no Recife: possibilidades e limites na promoção do acesso. Saúde Soc. São Paulo,
v.22, n.1, p.223-236, 2013.

4. BRASÍLIA. Portaria no 1.559, de 1 de agosto de 2008. Institui a Política Nacional de Regulação


do Sistema Único de Saúde-SUS. 2008.

5. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria no 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes


para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde-SUS.
2010.

6. CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. A Regulação no SUS:Alguns


conceitos. Guia de Apoio à Gestão Estadual do SUS. Brasília, 21 set. 2016.

7. PREFEITURA DA CIDADE DO RECIFE. Manual de Operação de Regulação do acesso


ambulatorial. 3ed. Prefeitura da cidade do Recife - Secretaria de Saúde, 2018.

8. SANTOS1F. P.; MERHY, E. E. A regulação pública da saúde no Estado brasileiro – uma


revisão. Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.9, n.18, p.25- 41, jan/jun 2006

13

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