Reino da Divina Vontade: Chamado à Criação
Reino da Divina Vontade: Chamado à Criação
LIVRO
DO
CÉU
A chamada às criaturas à ordem, ao seu posto e à finalidade para a qual
foram criadas por Deus.
Volume 32
1
Volume 32
NIHIL OBSTAT
Beato Annibale M. Di Francia.
12 Outubro de 1926
IMPRIMATUR
Exmo. Sr. Giuseppe M. Leo,
Arcebispo da Diocese de Trani - Barletta - Bisceglie
Italia
16 Outubro 1926
Imprima-se
Arcebispado de Guadalajara Jal.,
23 de novembro de 2010
Mons. J. Gpe Ramiro Valdés Sánchez
Vigario Geral
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Volume 32
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Volume 32
I. M. I.
Fiat!!!
In Voluntate Dei! Deo Gratias
32-1
Março 12, 1933
As coisas criadas são a crosta que cobre a Divina Vontade. Exemplo de um rei disfarçado. A
Criação e a Redenção estão sempre em ação para chamar a criatura a trabalhar juntos.
(1) Meu Celestial Soberano Jesus, esconde-me dentro de teu coração divino, a fim de que, não
fora de Ti, mas sim dentro do sacrário de teu coração, eu dê início ao presente volume; a caneta
será a luz de teu Querer Divino coberta na fogueira de teu amor, e Tu a me dizeres o que me
queres dizer, eu serei um simples ouvinte, e empresto-te o papel da minha pequena alma, para que
escrevas o que quiseres, como quiseres e quanto quiseres. Cuidado meu amável Mestre em não
me deixar escrever nada de mim, de outra maneira direi milhares de bobagens. E Tu, Soberana
Rainha, esconde-me debaixo de teu manto, tenha-me defendida de tudo, jamais me deixes só, a
fim de que possa cumprir em tudo a Divina Vontade.
(2) Depois continuava pensando no Fiat adorável e me sentia circundada por todas as coisas
criadas, as quais, cada uma dizia: "Eu sou a Divina Vontade, o que você vê por fora de nós são
seus véus, a vestes que a cobre, mas dentro de nós está sua Vida palpitante e constante, e oh!
como nos sentimos gloriosas, honradas, porque formamos a veste à Divina Vontade: o sol lhe
forma a veste de luz, o céu a veste azul, as estrelas a veste de ouro, a terra a veste de flores, em
suma, todas as coisas têm a honra de formar a veste à Divina Vontade, e todas em coro fazemos
festa".
(3) Eu fiquei maravilhada, surpreendida, e dizia entre mim: "Oh, se eu também pudesse dizer que
sou a veste da Divina Vontade, como me sentiria feliz!" E o meu grande Rei Jesus, visitando a sua
pequena filha, disse-me:
(4) "Minha boa filha, Rei, Criador, Vontade Divina, significa dominar, investir e ter nossa Vida dentro
de cada coisa criada por Nós; criar significa estender a própria vida, esconder nossa Vontade
criadora na mesma coisa criada por Nós. Isto é criar, chamar as coisas do nada, encerrar nelas o
Tudo para conservá-las na integridade da beleza como as criamos. Agora, você deve saber que
minha Vontade é como um rei disfarçado em cada uma das coisas criadas, se as criaturas o
reconhecem sob aquelas roupas, se revela e abunda no dar seus atos divinos e seus dons reais,
que só pode dar este Imperador Celestial; se não é reconhecido, fica ignorado, escondido sem
fazer estrondo, nem alarde de sua real pessoa, nem abunda no dar seus dons, que só pode dar um
Querer tão santo, e as criaturas tocam a veste, mas dele e de seus dons não sabem nada e nada
recebem, e meu Fiat fica com a dor de não ter sido reconhecido, e com a pena de não ter dado
seus dons divinos, porque não conhecendo-o faltava a capacidade e a vontade de receber dons
reais. Eu faço como um rei, que se disfarça vai no meio dos povos; se lhe prestarem atenção,
apesar de não usar as vestes reais o conhecerão pelos modos, pelas expressões, e pondo-se ao
seu redor, lhe darão as honras do rei, e pedirão dons e favores, e o rei recompensará a atenção
daqueles que o reconhecerem disfarçado, e lhes dará mais do que querem; àqueles que não o
reconhecerem, passará despercebido, sem lhes dar nada, muito mais, que eles mesmos não lhe
pedem nada fazendo dele um qualquer do povo. Assim faz minha Vontade quando é reconhecida
sob as vestes das coisas criadas, Ela se revela e não espera como o rei a que lhe peçam dons e
favores, senão que Ela mesma diz: ‘Estou aqui, o que queres?’ E superabundou em dar dons e
favores celestiais, e segue adiante do rei, se bilocando dá à criatura que a conheceu sua própria
Vida, o que não faz o rei. Agora, também tu podes dizer sou Vontade de Deus, e fazer de ti a
casca, a veste que esconda a minha Divina Vontade, não só se a reconheceres em todas as coisas
criadas, mas se a reconheceres em ti, se lhe deres o domínio em todos os teus atos, e tudo o que
faz a casca de seu ser o põe a seu serviço para fazer crescer sua Vida em você, Ela te encherá
tanto, que não restará de você mais que a única veste, e dela se servirá para se cobrir, e serás
mais feliz do que todas as coisas criadas, porque serás o véu vivo, que dividirás com Ela as suas
alegrias, a sua felicidade, e também as suas infinitas dores, porque quer ser vida de cada criatura,
mas ingratas não lhe dão o pleno domínio. Em suma, farás sempre vida junto, fazendo-vos perene
companhia, formando uma só vida".
(5) Depois disto continuava a seguir os atos feitos pela Divina Vontade na Criação, e como está
sempre em ato de criá-la em virtude da conservação que incessantemente exercita em cada coisa
criada, eu a encontro sempre no ato criador, para dizer com os fatos a todos e a cada um: "Quanto
vos amo, propriamente por ti estou a criar toda esta máquina do universo, ah, reconhece quanto te
amo!" Mas o que mais me surpreendia era que o eterno Fiat me esperava, queria-me junto no ato
criativo para me dizer: "Vem em meu ato, façamos juntos o que estou fazendo". Eu me sentia toda
confusa, e meu eterno amor Jesus me surpreendeu e disse:
(6) "Pequena filha do meu Querer, ânimo, por que se confunde? Em minha Vontade não há teu
nem meu, o ato de um deve unir-se com o do outro e fazer um só, é mais, assim que a criatura
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Volume 32
entra em nosso Querer, fica confirmada no ato que meu Fiat está fazendo. É tanto o seu amor, as
suas indústrias amorosas, que quer dizer à criatura: ‘Nós fizemos isso juntos.’ Assim que o céu
estrelado, o sol resplandecente de luz e todo o resto, é teu e meu, temos direitos em comum, por
isso tenho sempre presente o ato, porque quero a criatura junto Comigo, aquela pela qual, só por
seu amor estou sempre a agir, para ouvir você me dizer no mesmo ato que estou fazendo: ‘Amo-te,
amo-te, amo-te.’ Não ter um te amo em obras tão grandes e maravilhosas, não ser reconhecido,
seria como se nosso amor ficasse vencido, mas não, não! Entre tantos devemos encontrar alguém
que esteja junto conosco amando e agindo, que nos dê a pequena correspondência, para fazer que
nosso amor encontre seu alívio e sua felicidade por parte da criatura, e assim que ela entra em
nosso Fiat, fica confirmada e vinculada em seus atos divinos, de modo que sua virtude vinculadora
vincula a Deus e à criatura.
(7) E assim como na Criação, assim na Redenção não há atos passados, senão todos são atos em
ato e presentes; para o Ente Supremo o passado e o futuro não existem, assim que teu Jesus está
sempre em ato de conceber, de nascer, de chorar, de sofrer, de morrer e ressuscitar, todos estes
meus atos em ato contínuo, sem cessar jamais, assediando cada uma das criaturas, afogando-a de
amor, e por desabafar de meu ardente amor vou repetindo: ‘Olha, só por ti descendo do Céu e me
concebo e nasço, e tu, vem ficar concebida junto Comigo, para nascer junto Comigo à nova vida
que te traz teu Jesus, olha-me, choro por ti, sofro por ti, tem piedade de minhas lágrimas e de
minhas penas, soframos juntos a fim de que repitas o que fiz Eu, e modeles a tua vida com a minha
para poder dizer-te: ‘O que é meu é teu, és a repetidora da minha Vida'. E assim se morrer, chamo-
a a morrer junto Comigo, mas não para fazê-la morrer, mas ressurgir com a mesma Vida d'Aquele
que tanto a ama. Portanto minha Vida é continuamente repetida, um amor passado ou futuro não
me satisfaria, nem seria amor e redenção de um Deus, é o ato presente que tem virtude de ferir, de
conquistar e de dispor a expor a vida por amor de quem a está a pôr em ação por ela. Mas há uma
grande diferença por parte das criaturas, que me escuta e toma tudo o que temos feito tanto na
Criação quanto na Redenção, em ato de fazê-lo, forma sua vida junto conosco, sente correr em
seus atos nossos atos divinos, tudo fala de Deus para ela. Ao contrário, quem as olha como coisas
passadas, só tem a lembrança, e a lembrança não formou nem Vida Divina, nem heroísmo de
santidade. Por isso toma as coisas como em realidade são, sempre em ato, para te amar sempre e
sempre me amar".
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Volume 32
32-2
Março 19, 1933
Alimento que dá à criatura o Ser Supremo, que serve para fazer crescer a alma e fazer
crescer a Vida Divina na alma. A Divina Vontade, depositária de todos e de tudo
(1) Estou sempre em poder do Fiat Divino, seu amor é tanto, que não me deixa um instante sem
alimentar minha pobre alma, mas para alimentar-me me quer Consigo em poder de suas ações,
para preparar juntos o alimento que quer me dar. Depois, seguindo seus atos me detive no ato
quando Deus criava o homem, e meu sumo Bem Jesus, me surpreendeu e disse:
(2) "Minha filha bendita, nossa bondade suprema não se contentou em amar ao homem, em dar-
lhe todo o universo a sua disposição, senão que para dar desabafo a nosso intenso amor,
colocávamos nossas qualidades divinas para alimentar sua alma, assim que púnhamos nosso
poder, sabedoria, bondade, amor, santidade, força, como seu alimento divino e celestial. Assim que
cada vez que vinha a Nós lhe colocávamos nossa mesa celestial para alimentá-lo e saciá-lo; não
há coisa que mais nos una, identifique-nos com a criatura que o alimento, o qual chega a
converter-se em sangue, calor, força, crescimento e vida dela, assim nossa Divindade, querendo
alimentá-la com nossas qualidades divinas, fazia-se calor, força, crescimento e vida da criatura.
Mas isto não bastou, este alimento digerido não só fazia crescer à criatura toda bela e santa com
as virtudes dos alimentos que tomava, mas que servia para fazer crescer a Vida Divina, a qual não
se adapta a alimentos humanos, senão que quer seus mesmos alimentos divinos para crescer e
formar sua própria Vida no fundo do interior da alma. Olhe, pode-se dar amor maior, união mais
íntima e inseparável, que expor nosso Ser Divino, nossas qualidades imensas e infinitas por
alimento, para fazê-la crescer com nossas semelhanças? E além disso, servir-nos delas para lhe
fornecer os alimentos para não nos fazer ficar em jejum em sua alma, e assim possa dizer: ‘Deus
alimenta minha alma, e eu com o alimento que me dá alimento sua Vida e a faço crescer em mim'.
O amor só está contente quando pode dizer: ‘Tu me amaste, e eu te amei; o que tu fizeste por mim,
eu o fiz por ti'. E como sabemos que a criatura não pode nos igualar jamais, lhe damos do nosso, e
assim igualamos as partes e ficamos contentes e felizes, ela e Nós, porque o verdadeiro amor só
se sente feliz e satisfeito quando pode dizer: ‘O que é teu é meu'. E não creia que isto foi para o
primeiro homem, o que fazemos uma vez o continuamos sempre, ainda agora estamos à
disposição das criaturas, cada vez que se une com nossa Vontade, que perde a sua na nossa, que
a faz dominar, são como tantas visitas que vem fazer a nosso Ser Supremo, e Nós, a deixaremos ir
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Volume 32
em jejum? Ah! não, não só a alimentamos, senão que lhe damos do nosso, a fim de que tenha
alimentos suficientes para crescer como nosso Querer a quer, e a fim de que não lhe faltem os
meios necessários para fazer crescer sempre mais a nossa Vida nela. Muito mais, que por nossa
parte não lhe fazemos faltar nada, mas bem damos sempre em modo superabundante, se falta
alguma coisa será sempre por parte da criatura, mas por Nós, jamais".
(3) Depois disto minha pobre mente continuava a perder-se no Querer Divino, e meu sempre
amável Jesus adicionou:
(4) "Minha filha bendita, minha Divina Vontade é depositária de tudo o que foi feito por Nós, e de
tudo o que fizeram as criaturas, nem sequer um pensamento, uma palavra, as obras maiores como
as menores, os passos, os batimentos, os respiros, as penas, tem tudo depositado nela, nada lhe
escapa, assim que tudo o que você faz toma posto em minha Vontade, nem você pode esconder
nada, porque com sua imensidão te envolve, com sua potência é autora de tudo o que você faz, e
com seus direitos divinos é dona de possuir, de conhecer, e de conservar tudo o que é feito pelas
gerações humanas, e de as recompensar e punir conforme merecem. É tanta sua bondade e
potência ao mesmo tempo, que assim como não perde nem uma estrela, nem uma gota de luz que
possui o sol, nem uma gota de água do mar, assim não perde nem sequer um pensamento de
criatura, e ainda que quisesse perdê-lo não pode, sua onividência o encontra em ato em sua
Vontade. Oh! se as criaturas compreendessem que uma Vontade Divina recebe em depósito tudo o
que fazem e pensam, como estariam atentas a que tudo fosse santo e reto, e chamariam a esta
Vontade Suprema como vida de tudo o que fazem, a fim de que nenhum juízo desfavorável
pudessem receber seus atos, porque estariam em depósito no mesmo Querer Divino como atos e
efeitos seus, aos quais ninguém pode ter a audácia de julgá-los, e serão premiados como atos de
um Querer Divino que age na criatura.
(5) Além disso, como a Divina Vontade é depositária de todos e de tudo, assim a vontade humana
é depositária de todos os seus pensamentos, palavras, obras e passos, etc., nada perde de tudo o
que faz, antes formam uma só coisa com ela, e fica escrito e selado com caracteres indeléveis
cada um dos pensamentos, palavras, penas sofridas, tudo; pode-se dar que a memória não leve
conta de tudo, muitas coisas as esqueceu, mas a vontade tudo esconde e nada perde, assim que é
a depositária e portadora de todos os seus atos. Assim, o Querer Divino é depositário e portador de
todos e de tudo, e o querer humano é depositário e portador individual de si mesmo. Que triunfo
será eternamente, que honra e glória de quem santamente pensou e operou! E que confusão de
quem depositou no querer humano pecados, paixões, obras indignas, e se tornará ele mesmo
portador de seus próprios males. E se os males forem graves será pasto das chamas infernais, e
se menos graves, será pasto das chamas purgantes, que por caminho de fogo e de penas
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Volume 32
purificarão aquela vontade humana suja, mas não poderão restituir-lhe o bem, as obras santas que
não fez. Por isso esteja atenta, porque tudo vem numerado e escrito, nem tu nem Nós perdemos
nada, ainda um pensamento, uma palavra, terá sua vida perene, e serão como fiéis amigos e
inseparáveis da criatura, por isso é necessário que te formes os amigos santos e bons, para que
possam dar-te paz, felicidade e glória perene".
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32-3
Março 26, 1933
(1) Sinto-me como assediada, investida pela luz do Eterno Querer, minha pequenez é tanta, que
temendo de mim mesma não faço outra coisa que me esconder sempre mais nesta doce morada.
Oh! como desejaria destruir esta minha pequenez, a fim de não sentir outra coisa que o Querer
Divino, mas compreendo que não o posso, nem Jesus quer que seja de todo destruída, senão que
a quer pequena, mas viva, para poder operar dentro de um querer vivo, não morto, para poder ter
seu pequeno campinho de ação em minha pequenez, a qual sendo pequena, incapaz, débil, com
razão deve prestar-se a receber o grande agir do Fiat Divino. Agora, nesta morada às vezes tudo é
silêncio, pacífico, com uma serenidade que nem sequer um sopro de vento se sente, outras vezes
sopra um leve ventinho que refresca e fortifica, e o Celestial Habitante Jesus se move, se deixa
ver, e com todo amor fala de sua morada e do que fez e faz seu amável e adorável Querer.
Enquanto estava nisto, a minha amada Vida fazendo-se ver me disse:
(2) "Minha pequena filha da minha Vontade, tu deves saber que a pequenez da criatura nos serve
como espaço onde poder formar nossas obras, nos serve como o nada da Criação, e porque é
nada, chamamos a vida dentro dela nossas obras mais belas; queremos que esta pequenez esteja
vazia de tudo o que a Nós não pertence, mas viva, a fim de que sinta quanto a amamos, e sinta a
vida das obras de nossa Vontade que desenvolve nela, por isso deve contentar-se em ficar viva
sem que você seja a dona, porque este é o grande sacrifício e heroísmo de quem vive de Vontade
Divina, sentir-se viva para sofrer o domínio divino, a fim de que faça o que quer, como quer, quanto
quer, este é o sacrifício dos sacrifícios, o heroísmo dos heroísmos. Parece-te pouco sentir a vida do
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Volume 32
próprio querer para servir-se não a si mesmo, como se não tivesse direitos, perder a própria
liberdade voluntariamente para que sirva a minha Vontade, dando-lhe seus justos direitos?"
(3) Jesus fez silêncio, e depois, como se lesse em minha alma certas dúvidas passadas minhas
acerca da Divina Vontade, acrescentou:
(4) "Minha filha, as maiores obras feitas por nosso Ente Supremo, todas foram feitas gratuitamente,
sem levar em conta se as criaturas as mereciam ou nos sugeriam; se puséssemos atenção a isto
nos conviria atar os braços e não fazer mais obras, porque as criaturas ingratas não nos
glorificariam; e ficarmos sem sequer ter o bem de nos fazer glorificar e louvar pelas nossas próprias
obras, ah não, não! uma só obra nossa nos glorifica mais que todas as obras unidas de todas as
gerações humanas, um ato cumprido de nossa Vontade enche Céu e terra, e com sua virtude e
potência regenerativa e comunicativa nos regenera tanta glória que não termina jamais, e que as
criaturas apenas as gotinhas lhes é dado compreender. Com efeito, que mérito tinha o homem
quando criamos o céu, o sol, e todo o resto? Ele não existia ainda, nada nos podia dizer, assim que
a Criação foi uma obra grande, de magnificência maravilhosa, toda gratuita de Deus.
(5) E a Redenção, acha que o homem a mereceu? De maneira nenhuma, foi toda gratuita, e se nos
rogou foi porque Nós lhe fizemos a promessa do futuro Redentor, e não foi ele o primeiro a nos
dizer, senão Nós, era nosso decreto todo gratuito que o Verbo tomasse carne humana, e foi
cumprido quando o pecado, a ingratidão humana galopavam e enchiam toda a terra, e se alguma
coisa pareceu que faziam, eram apenas gotinhas que não seriam suficiente para merecer uma obra
tão grande, que dá no incrível, que um Deus se faça semelhante ao homem para colocá-lo a salvo,
e que por acréscimo o tinha ofendido tanto.
(6) Agora, a grande obra de fazer conhecer minha Vontade, a fim de que reine no meio das
criaturas, será uma obra nossa toda gratuita; e aqui está o engano, que creem que haverá mérito e
a parte das criaturas, ah! sim, estará, como as gotinhas dos hebreus quando vim redimi-los, mas a
criatura é sempre criatura, por isso nossa parte será toda gratuita, que abundando-a de luz, de
graça, de amor, a atropelaremos de modo que sentirá uma força jamais sentida, amor jamais
provado, sentirá mais viva nossa Vida palpitante em sua alma, tanto, que lhe será doce fazer
dominar a nossa Vontade. Esta nossa Vida existe ainda na alma, foi-lhe dada por Nós desde o
princípio de sua criação, mas está tão reprimida e escondida, que está como se não a tivesse, está
como o fogo sob as cinzas, que coberto e como esmagado sob elas não faz sentir o benefício da
vida de seu calor, mas suponha que um vento forte afasta as cinzas do fogo, e este faz ver e sentir
sua vida; assim o vento forte da luz de meu Fiat porá em fuga os males, as paixões, que como
cinzas escondem a Vida Divina nelas, e sentindo-a viva terão vergonha de não fazer dominar a
nossa Vontade. Minha filha, o tempo dirá tudo, e os que não acreditam ficarão confusos".
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Volume 32
(7) Depois disto seguia a Divina Vontade na Encarnação do Verbo, para fazer correr meu amor,
minha adoração e agradecimento neste ato tão solene e cheio de ternura e de amor excessivo que,
Céu e terra são sacudidos e ficam mudos, não encontrando palavras dignas para louvar um
excesso de amor tão surpreendente, e meu doce Jesus com uma ternura que me faz partir o
coração me disse:
(8) "Filha amadíssima, em minha Encarnação foi tanto o amor, que os Céus se abaixaram e a terra
se elevou; se os Céus não se abaixavam, a terra não tinha virtude de elevar-se, foi o Céu de nosso
Ente Supremo que levado por um excesso de amor, o maior já ouvido, se abaixou, beijou a terra
elevando-a a Si, e formou-se as vestes de minha Humanidade para cobrir-se, ocultar-se, identificar-
se, unindo-se juntos para fazer vida comum com ela; e formando não um só excesso de amor,
senão uma cadeia de contínuos excessos, restringia a minha imensidão no pequeno cerco da
minha humanidade, para Mim a potência, a imensidão, a força, eram natureza, e usá-las não me
teria custado nada, o que me custou foi que na minha Humanidade devia restringir a minha
imensidão e ficar como se não tivesse nem potência, nem força, enquanto estavam comigo e
inseparáveis de Mim, e devia adaptar-me aos pequenos atos de minha Humanidade, e só por
amor, não porque não podia, assim que descendo em todos os atos humanos para elevá-los e dar-
lhes a forma e a ordem divina. O homem com fazer sua vontade destruiu em si o modo e a ordem
divina, e minha Divindade coberta por minha Humanidade veio a refazer o que ele tinha destruído;
pode-se dar amor maior para uma criatura tão ingrata?”
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32-4
Abril 2, 1933
(1) Minha pequena alma sente a necessidade extrema de viver entre os braços do Fiat Divino, e
como sou recém-nascida apenas, sou débil e não sei dar um passo por mim mesma, e se quisesse
provar a fazê-lo não teria êxito, e corro perigo de me fazer mal, por isso, temendo de mim mesma
me abandono de mais em seus braços dizendo-lhe: "Se queres que faça, vamos fazê-lo juntos,
porque por mim não sei fazer nada". E então sinto em mim um amor contínuo, um movimento, um
respiro que não são meus, mas tão fundidos que não sei dizer bem se é meu ou não é meu, e
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Volume 32
enquanto estava pensativa, meu soberano Jesus me surpreendendo, com toda bondade me disse:
(2) "Minha filha bendita, você deve saber que nosso Ser Divino não é outra coisa que uma
substância toda de amor, assim que como consequência, tudo, dentro e fora de nós, tudo é amor,
nosso respiro é amor, e o ar que respiramos é amor; nosso batimento é amor, e enquanto
palpitamos amor, forma a circulação de puro amor em nosso Ser Divino, com uma carreira que não
se detém jamais, e esta circulação enquanto conserva nossa Vida no puro e perfeito equilíbrio de
amor, dá amor a todos e quer amor de todos, e tudo o que não é amor não entra em nós, nem
pode entrar, nem encontrar o lugar onde se colocar, a plenitude do nosso amor queimaria tudo o
que não fosse puro e santo amor. Mas quem dirige esta nossa Vida toda de amor? A luz, a
santidade, a potência, a onividência, a imensidão de nossa Vontade que enche Céu e terra de
nosso Ser Supremo, de maneira que não há ponto onde não se encontre, porque não sabe fazer
outra coisa que amar e dar amor, mas não é um amor e Vontade estéril, não, não, é fecundo e gera
continuamente, é constante e dentro de um só respiro de amor forma as obras mais belas e
maravilhosas, os prodígios mais inauditos, tanto que todas as ciências humanas se sentem
ignorantes ante nossa menor obra, e confusas emudeçam. Agora escuta-me filha boa, o grande
prodígio de nossa Vida na criatura, que nenhum outro, por quanto amor e poder tenha pode dizer:
‘Eu posso me bilocar, e enquanto fico o que sou, posso formar outra vida dentro de uma pessoa
que amo.’ Seria uma loucura e um absurdo dizer, nem o anjo, nem o santo têm este poder, só teu
Deus, teu Jesus tem este poder, porque nosso Ser é plenitude, é totalidade, é tudo e completa
tudo, e na imensidão na qual se encontra, que tudo envolve, respira e com um simples respiro
formamos nossa Vida Divina na criatura, e nossa Vontade a domina, a alimenta, a faz crescer e
forma o grande prodígio de encerrar nossa Vida Divina no pequeno cerco da alma da criatura. Eis
por que o teu ‘te amo’ contínuo é nosso, é o respiro de nossa Vida, é nosso batimento que não
sabe palpitar outra coisa que te amo, te amo, te amo, isso serve para a manutenção de nossa Vida,
que não sabe fazer outra coisa senão amar, dar amor e querer amor, então enquanto é nosso este
‘te amo', é o nosso respiro e também teu, que enquanto te damos amor nos dá amor, e fundidos
juntos se entrelaçam o nosso ‘te amo' com o teu, se encontram, se identificam e se escuta um só
‘te amo', enquanto que são dois, que arrebatando-se mutuamente formam um só. Mas quem sente
esta Vida viva e palpitante nela? Quem vive em nossa Vontade, ela sente a nossa, e Nós sentimos
a sua, e fazemos vida juntos, todas as outras criaturas a têm afogada e vivem como se não a
tivessem, e meu amor dá e não recebe, e vivo neles com um amor dolorido e delirante, sem nem
sequer me conhecer que estou neles, por isso seja atenta e seu ‘te amo' seja contínuo, porque não
é outra coisa que um desabafo do meu".
(3) Depois disto estava fazendo meu giro na Criação, e em virtude da imensidão da Divina
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Volume 32
Vontade, sentia sua Vida palpitante nas coisas criadas, que com amor indizível esperava o
batimento do "amo-te" de minha pequenez. Então eu pensava entre mim: "Qual será a diferença
entre o modo como Deus está na Criação e o modo com que está na alma da criatura?" E meu
sempre amável Jesus, com toda bondade acrescentou:
(4) "Minha filha, há uma grande diferença entre uma e outra: nas coisas criadas nossa Divindade
está em ato criador e conservante, nem acrescenta nem tira nada do que tem feito, porque cada
uma das coisas criadas possui a plenitude do bem que encerra, o sol possui a plenitude da luz, o
céu a totalidade da extensão de seu manto azul, o mar a plenitude das águas, e assim de tudo o
mais, todos podem dizer: ‘Não temos necessidade de nada, é tal a abundância que possuímos,
que podemos dar sem esgotar-nos, e por isso damos glória perfeita ao nosso Criador'. Ao
contrário, na criatura humana, nosso ato divino é criador, conservante, constante e crescente,
nosso amor não disse suficiente para ela, não, mas quer sempre agir e dar coisas novas, e se nos
corresponde, nossa virtude que age está sempre em movimento, ora damos-lhe novo amor, ora
nova luz, ora nova ciência, nova santidade, nova beleza, nossa virtude operosa nunca cessa,
queremos dar sempre, e com o dar agimos. Ao criarmos a criatura, abrimos o comércio entre o Céu
e a terra e colocamos no trânsito o nosso modo de agir, Nós a dar e ela a receber, e o que é mais,
a queremos junto a agir, não queremos fazê-lo sozinhos, se formos capazes de dor, nos amargaria
nossa felicidade se não a tivéssemos junto conosco, e de nosso amor e ato constante surge nosso
ato sempre crescente, assim que a criatura está sob a chuva de nosso amor e ato criador,
conservante, constante e crescente”.
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32-5
Abril 9, 1933
É tanto o amor divino, que chega a esgotar-se em suas obras. Zelo da Divina Vontade. O
pequeno caminho da criatura nela.
(1) O Querer Divino se estende sempre em torno de mim e dentro de mim, o zelo de sua luz
maravilhosa é tanto, que não quer que entre em mim senão o que lhe pertence, para fazer-me
cumprir e crescer a Vida da Divina Vontade, e para me fazer olhar seus modos divinos a fim de que
os pudesse copiar, contentando-se em fornecer-me o que se necessita para poder dizer-me: "As
obras de nossa filha serão pequenas, porque a criatura jamais nos pode alcançar, mas estão
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Volume 32
modeladas e semeiam as nossas". Mas enquanto minha mente seguia a luz da Divina Vontade,
meu doce Jesus visitando minha pequena alma, com todo amor me disse:
(2) "Minha filha, um ato só se diz completo quando quem age esgota nele tudo o que era
necessário para cumpri-lo, se faltar alguma coisa, ou se pode acrescentar algo, jamais se pode
dizer obra completa. Assim foi sempre nosso modo de agir, esgotamos tudo: Amor, potência,
maestria, beleza, para tornar plena, perfeita, completa a obra saída de Nós. Não que Nós nos
esgotemos, porque o Ente Supremo não se esgota jamais, mas na obra que fizemos, nada entrava
de mais para torná-la completa, e se quiséssemos colocar de mais, teria sido inútil e não proveitoso
o que podíamos colocar. Fizemos isto na obra da Criação, na Redenção e nos desígnios que
fazemos da santidade de cada uma das criaturas. Quem pode dizer que falta alguma coisa à
Criação? Quem pode dizer que nosso amor constante não se esgotou na Redenção, que foi tanto,
que ainda há mares intermináveis que as criaturas podem tomar e que não tomaram, e estes
mares transbordam em torno delas porque querem dar-lhes seu fruto, escondê-las em suas ondas
para fazer que o amor, as obras, as penas infinitas do Deus humanado tomem vida nelas? Se não
nos esgotamos não estamos contentes, o amor esgotado nos traz o repouso e a felicidade, mas se
temos algo mais a dar, que fazer em nossas obras, nos deixa como despertos, somos todo olho,
nosso Ser Divino está todo em movimento sobre o que estamos fazendo, para dar tanto, até que
não encontre nosso ato cumprido com a plenitude do nosso esgotar-nos. Agora, na Criação e na
Redenção não houve oposições ao nosso amor, nem impedimento para poder nos esgotar para
tornar completas nossas obras, porque agíamos independente de todos, nenhuma vontade
humana entrou no meio para nos impedir o poder nos esgotar como queríamos, toda a luta
sofremos por parte das criaturas, por cada um dos desígnios de santidade que queremos cumprir
delas, e oh! em que estreitezas nos põem se a vontade humana não está unida com a nossa, se
não se dá em nossas mãos de modo que possamos manejá-la como queremos para dar-lhe a
forma estabelecida por Nós, para cumprir nossos desígnios e assim nos esgotar com formar nosso
ato completo, ah! Nós não podemos dar o que queremos, mas apenas as migalhas, as pequenas
centelhas do nosso amor, porque o querer humano está sempre em ato de nos rejeitar e de fazer a
guerra. Por isso quando encontramos uma vontade que se presta, abundamos, superabundamos
tanto no dar, que nos colocamos sobre ela mais que uma mãe sobre seu filho, para fazê-lo crescer
belo e gracioso, para poder formar dele sua glória, a honra da criança e o bem do mundo inteiro.
Assim Nós, não a deixamos um instante, damos sempre para mantê-la não só ocupada, mas para
não dar-lhe tempo de poder ocupar-se de outra coisa, de modo que podemos dizer: ‘Tudo é nosso,
podemos esgotar-nos sobre esta criatura'. E como nosso amor é exigente, com justiça quer que
ela, em todos os seus atos, ponha tudo o que pode: Seu amor, toda sua vida, para poder dizer: ‘Tu
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Volume 32
te esgotaste por mim, tanto, que não posso conter o que me deste, assim também eu me esgoto
por Ti'. E assim vai se modelando com nossas obras, e copia nossos atos divinos. É por isso o zelo
da Vontade Divina, a luz que te golpeia dentro e fora de ti, porque quer tudo para Si, e que tua
vontade enquanto a sentes viva, não deve ter vida, a fim de que a minha forme sua Vida nela e
cumpra seus atos divinos, e assim poder dar-se a glória de que tudo o que queria dar me deu;
estou esgotado nesta criatura e ela se esgotou por Mim. Não há felicidade mais agradável, nem
fortuna maior, que o esgotamento de ambas as partes, de Deus e da criatura, mas quem produz
todo este bem? Um ato de nossa Vontade constante e cumprida".
(3) Depois disto continuava meus atos no Fiat Divino, e seguindo seus atos cheguei ao Éden, onde
o amor divino me deteve, e o soberano Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha bendita, nosso Ser Divino é luz puríssima, e nossos atributos tantos sóis distintos
um do outro, mas tão unificados juntos e inseparáveis, que nos fazem coroa. Agora, ao criar a
criatura, vinha posta nestes sóis imensos para formar o seu pequeno caminho; mas quem vem
formar este pequeno caminho? Quem vive da nossa vontade. Nossos atributos divinos se alinham
à direita e à esquerda dela, fazem cerca para dar o passo e fazê-la andar, para fazê-la formar seu
pequeno caminho, e enquanto caminha não faz outra coisa que recolher gotas de luz, das quais
fica toda embelezada, e é um encanto vê-la, assim que se alimenta de luz, a luz a embeleza, e ela
não se entende nem sabe falar de outra coisa senão de luz. Meus atributos se fecham a seu redor
e amam a esta criatura como a pupila de seus olhos, sentem a vida dela neles, e sua vida nela, e
se dão o trabalho de fazê-la crescer quanto mais bela puderem, e de não deixá-la sair um passo do
caminho que lhe formaram em sua luz interminável, assim que quem vive em nossa Vontade pode-
se chamar o pequeno caminho na Vontade Divina, isto no tempo, mas na eternidade não será o
pequeno caminho, senão longo, mas não se deterão jamais, porque esta luz não tem fim, e terão
sempre caminho para caminhar, para tomar novas belezas, novas alegrias, novos conhecimentos
desta luz que jamais termina. Nosso amor mais que nunca desabafou neste Éden ao criar o
homem, e por cumprimento de nosso desafogo e para tê-lo mais seguro, formamos -lhe o caminho
a percorrer na luz de nossos atributos, mas ele se saiu porque não quis fazer nossa Vontade, mas
a nossa bondade foi tanta, que não fechou este caminho, mas deixou-o aberto a quem quiser viver
só de Vontade Divina”.
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15
Volume 32
32-6
Abril 16, 1933
Como em todas as coisas criadas, Deus tem sempre um „te amo‟ para nos dizer. Como
Jesus em todos os atos de sua Vida encerrava amor, conquistas e triunfos.
(1) Estava fazendo meu giro Querer Divino; sinto que sou a pequena borboleta que gira sempre em
torno e dentro de sua luz e de seu amor ardente, querendo girar tanto, até que fique queimada e
consumida por sua luz divina, para chegar a sentir-me uma só coisa com sua Santíssima Vontade,
e como o primeiro ponto de partida é a Criação, sobre a qual enquanto giro, encontro sempre
novas surpresas de amor, por isso fico maravilhada, e meu Sumo Jesus para me fazer
compreender maioritariamente, me disse:
(2) "Minha filha, como me é agradável seu giro nos atos que fez nosso Ser Supremo na Criação,
por isso me sinto como arrebatado e obrigado por meu amor a te contar nossa história de amor que
tivemos na Criação e em tudo o resto que fizemos só por puro amor às criaturas; vir em nossos
atos é o mesmo que vir a nossa casa, e não te dizer nada das tantas coisas que temos que dizer,
seria como te mandar em jejum, o que nosso amor não sabe fazer nem quer fazer. Agora, você
deve saber que nosso Fiat se pronunciou e estendeu esta abóbada azul, e nosso amor a
entrelaçou de estrelas, pondo em cada estrela um ato de amor contínuo para com as criaturas,
assim que cada estrela diz: ‘Teu Criador te ama, não cessa jamais de te amar, Estamos aqui, não
nos afastamos nem um pouco para te dizer sempre te amo, te amo'. Mas vá em frente, nosso Fiat
criou o sol, ele encheu de tanta luz de poder dar luz a toda a terra, e nosso amor, pondo-se em
competição com o sol, encheu-o de tantos efeitos, que são inumeráveis: Efeitos de doçura,
variedade de beleza, de cores, de gostos, que a terra, só porque é tocada por esta luz, recebe
como vida estes admiráveis efeitos e seu admirável e incessante refrão: Te amo com meu amor de
doçura, te amo e quero te fazer bela, quero te embelezar com minhas cores divinas, e se
embelezar as plantas por ti, a ti quero te fazer mais bela ainda. Olhe, nesta luz descendo até você
para te dizer te amo com gosto, tomo gosto em te amar e sou todo ouvidos para ouvir que me diz
te amo. Posso dizer que o sol está cheio de meus contínuos e repetidos te amo, mas ai de Mim! A
criatura não se dá nenhum pensamento, nem se presta atenção em receber este nosso amor
incessante em tantos modos e variadas formas que bastariam para afogá-la e consumi-la de amor,
mas não paramos, seguimos adiante, nosso Fiat criou o vento, e nosso amor o encheu de efeitos,
assim que a frescura, as ondas, o assobio, os gemidos, os uivos do vento, são repetidos te amo
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Volume 32
que dizemos à criatura, e na frescura lhe damos nosso amor refrescante, nas ondas lhe damos a
respiração com nosso amor, até gemer e uivar com nosso amor imperante e incessante, e assim
por diante. O mar, a terra, foram criados por nosso Fiat, os peixes, as plantas que produz o mar e a
terra são os efeitos de nosso amor, que fortemente e repetidamente diz te amo em todas as coisas,
te amo por toda parte, te amo em ti, e ha tanto amor meu, ah! não me negues o teu amor. Não
obstante parece que não têm ouvidos para nos escutar, nem coração para nos amar, e por isso
quando encontramos quem nos escuta, a temos como desabafo de nosso amor e como pequena
secretária da história da Criação".
(3) Dito isto fez silêncio, e eu continuava nos atos da Divina Vontade, e tendo chegado aos da
Redenção, meu amado Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha bendita, escuta minha longa história de amor, poderia dizer que é uma cadeia
interminável de amor incessante, jamais interrompida: Criei a criatura para amá-la, para tê-la unida
Comigo, e não amá-la iria contra minha mesma Vontade, operaria contra minha mesma natureza
que é toda amor, e além disso, criei-a porque sentia a necessidade de externar o meu amor e de
lhe fazer ouvir o doce sussurro contínuo: ‘Te amo, te amo, te amo'. Tu deves saber que desde que
fui concebido, e em todo o curso de minha Vida, em todos os atos que fazia, encerrava dentro
amor, conquista, triunfo, meu agir era muito diverso do das criaturas, o fazer e não fazer, o sofrer, e
não sofrer estava em meu poder, minha onividência não me escondia nada, e Eu primeiro punha
minha Vontade em meus atos, encerrava plenitude de santidade, plenitude de amor, plenitude de
todos os bens, e depois, com todo o conhecimento me preparava para agir ou sofrer, segundo Eu
mesmo queria, e com isto me tornava conquistador e triunfador de meus atos, mas sabe para
quem fazia estas conquistas e estes triunfos? Para as criaturas, as amava muito e queria dar,
queria ser o Jesus vencedor, dando-lhe eu mesmo minhas conquistas e meus triunfos para vencê-
los, assim que minha Vida aqui embaixo não foi outra coisa que um ato contínuo de amor heroico
que jamais diz basta, de conquistas e de triunfos, para tornar os meus filhos felizes, e Eu fiz isso
em tudo, se me pusesse a caminho, Eu tinha a virtude de poder encontrar-me de uma cidade para
a outra sem fazer uso de meus passos, mas eu queria andar para colocar em cada passo o meu
amor, e assim a cada passo que dava corria, corria e tornava-me conquistador e triunfador dos
meus passos, oh! se as criaturas prestassem atenção em mim, teriam ouvido em meus passos o
grito contínuo: ‘Corro, corro em busca das criaturas para amá-las e para ser amado'. Assim, se
trabalhava com São José para procurar o necessário à vida, era amor que corria, eram conquistas
e triunfos que fazia, porque me bastava um Fiat para ter tudo à minha disposição, e fazendo uso de
minhas mãos para um pequeno ganho, os Céus ficavam admirados, anjos eram arrebatados e
mudos ao me verem rebaixar às ações mais humildes da vida. Assim meu amor tinha seu
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Volume 32
desfecho, enchia, transbordava em meus atos, e Eu era sempre o divino conquistador e triunfador.
Para Mim, tomar o alimento não era necessário, mas tomava-o para fazer correr mais amor e fazer
novas conquistas e triunfos, assim que dava o curso às coisas mais humildes e baixas da vida, que
para Mim não eram necessárias, mas o fazia para formar tantas vias distintas para fazer correr meu
amor e formar novas conquistas e triunfos sobre minha Humanidade, para fazer dela um dom a
quem tanto amava, e por isso, quem não recebe meu amor e não me ama, forma meu mais duro
martírio e põe na cruz o meu amor. Mas sigo adiante, para formar a Redenção bastava uma
lágrima, um suspiro, mas meu amor não teria ficado contente podendo dar e fazer de mais, teria
ficado dificultado em si mesmo e não poderia ter dado a glória de dizer: ‘Tudo fiz, tudo sofri, tudo te
dei, minhas conquistas são superabundantes, meu triunfo é completo'. Posso dizer que cheguei até
confundir a ingratidão humana com meu amor, com meus excessos e com penas inauditas, por
isso, Eu mesmo em cada pena punha a intensidade da dor mais intensa e acerbo, as confusões
mais humilhantes, as barbáries mais cruéis, e depois que as circundava de todos os efeitos mais
dolorosos, que só um Homem Deus podia sofrer, me exporia a sofrê-la, e oh! as admiráveis
conquistas em minhas penas e o pleno triunfo que fazia meu amor, ninguém poderia me tocar se
Eu não o quisesse, e aqui está todo o segredo, minhas penas eram voluntárias, queridas por Mim,
e por isso contêm o milagroso segredo, a força vencedora, o amor que compunge, e têm virtude de
abarcar o mundo e mudar a face da terra".
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32-7
Abril 23, 1933
A Vida de Jesus foi um contínuo abandono nas mãos do Pai. Quem vive na Divina Vontade
jamais interrompe seu caminho. Exemplo do relógio. Toma o Céu em um punho e por
assalto.
(1) Continuo a pensar nas dores do meu apaixonado Jesus, e tendo chegado ao último instante da
sua Vida, ouvi ressoar no fundo do meu coração: "Nas tuas mãos, ó! Pai, confio meu espírito". Era
a mais sublime lição para mim, o chamado a todo meu ser nas mãos de Deus, o pleno abandono
em seus braços paternos, e enquanto minha mente se perdia em tantas reflexões, meu sofrido
Jesus, visitando minha pequena alma me disse:
(2) "Minha filha bendita, minha Vida aqui abaixo, como começou assim terminou, desde o primeiro
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Volume 32
instante de minha concepção foi um ato meu contínuo, posso dizer que a cada instante me punha
nas mãos de meu Pai Celestial, era a homenagem mais bela que lhe dava seu Filho, a adoração
mais profunda, o sacrifício mais heroico e completo, o amor mais intenso de filiação que lhe dava;
meu pleno abandono em suas mãos tornava minha Humanidade falante, e com voz imperante, que
pedia tudo e obtinha tudo o que Eu queria; meu Pai Celestial não podia negar nada a um Filho seu
abandonado em seus braços, meu abandono de cada instante era o ato mais agradável, tanto, que
quis coroar o último suspiro de minha Vida com as palavras: ‘Pai, em tuas mãos entrego meu
espírito'. A virtude do abandono é a maior virtude, é comprometer a Deus a que tome o cuidado do
abandonado em seus braços, o abandono diz a Deus: ‘Eu não quero saber nada de mim mesmo,
esta minha vida é sua, não minha, e a tua é minha.’ Por isso se queres obter tudo, se me queres
amar de verdade, vive abandonada nos meus braços, faz-me ouvir o eco de cada instante da
minha Vida: ‘Em tuas mãos toda me abandono'. E Eu te levarei em meus braços como a mais
querida de minhas filhas".
(3) Depois disto estava seguindo tudo o que a Divina Vontade fez, e sentia seus atos em mim, em
ordem, um depois do outro, e eu devia segui-los. Então eu fiquei surpresa, e meu doce Jesus
adicionou:
(4) "Minha pequena filha do meu Querer, você deve saber que quem faz minha Divina Vontade e
vive nela, não pode fazer menos que ter sempre presente todos os atos feitos pela mesma
Vontade, porque Ela tem tudo em Si e sempre em ação tudo o que tem feito, portanto, não é
maravilha que na alma onde Ela reina tenha todos seus atos com toda a ordem que teve ao criá-
los, e a criatura com toda facilidade os segue um por um para unir-se juntos, como se quisesse
fazer o que tem feito minha mesma Vontade; se se encontra junto, como pode abster-se de fazer o
que Ela faz, e de pôr em campo de ação, fundida com Ela, seu pequeno amor, sua adoração, suas
graças, suas atenções e maravilhas por obras tão grandes?
(5) É mais, você deve saber que minha Vontade dá corda à alma, e ela se presta a recebê-la, nesta
corda vêm tomadas todas nossas obras, e ela seguindo a corda, segue e se atualiza todas as
nossas obras. Acontece como no relógio, se se dá corda move os ponteiros, marca os minutos, as
horas, e quem o possui tem o bem de conhecer todas as horas do dia, mas se não lhe dá corda, o
relógio nada aponta, é como se não tivesse vida, e quem o possui não tem o bem de conhecer as
diferentes horas da jornada. Agora, a quem faz reinar nossa Vontade, podemos chamá-la nosso
relógio, que dando-lhe a corda indica os minutos e as horas de nossas obras, e tem o bem de estar
em conhecimento das horas do dia de nossa Divina Vontade. Agora, se lhe for dado corda, o
relógio caminha até que se acabe a corda, não interrompe seu caminho, assim a alma se recebe a
corda de minha Vontade, deve fazer seu caminho, e se quiser deter não pode, porque a corda
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Volume 32
move as engrenagens de sua alma e a faz seguir adiante no grande dia das horas de nossas
obras. Por isso, esteja atenta para receber o grande bem desta corda divina se quiser conhecer as
horas do dia do Fiat Supremo. Muito mais que quando a alma se dispõe a fazer minha Vontade e
segui-la, tudo o que Ela tem feito, faz competência para entrar nesse ato, porque sendo um ato só,
não tem atos separados, por isso tudo o que tem feito na ordem da Criação, da Redenção, nos
anjos, nos santos, tudo encerra na obra da criatura que nela opera; porque, se é dado, não é dado
ao meio, mas todo o tempo, e assim como o sol se dá à terra, não se dá a metade, mas todo
inteiro, com a plenitude de sua luz, e por isso acontecem maravilhas sobre a face da terra, assim
minha Vontade, se a criatura a chama como vida em seus atos, Ela se dá com toda a plenitude de
sua luz, santidade, potência e obras suas, se não levasse tudo, seria entrar na criatura e em seus
atos como um rei sem cortejo, sem exército, sem poder criador, e portanto ter ociosas nossas
maravilhas que podemos fazer, ah, não, não! Quem trabalha em nossa Vontade deve poder dizer:
Tomo o Céu em um punho, tomo o Céu por assalto e o encerro em meu ato".
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32-8
Abril 29, 1933
Quem faz o querer humano toma terra, e quem faz o Divino toma Céu. Como Jesus sabe
fazer todas as artes. Gosto que toma em trabalhar. A criatura é a nobre princesa que
descende da altura do Céu.
(1) Meu abandono no Fiat Divino continua, sinto que para mim é uma extrema necessidade viver
nele, e se não o fizesse me sentiria faltar a terra debaixo dos pés, o céu sobre a cabeça, o ar para
respirar, o sol que me ilumina e esquenta, o alimento que me nutre, então, como poderia viver? E
se vivesse, que vida infeliz seria a minha? Meu Deus, livra-me de viver um só instante fora da tua
Vontade. Mas enquanto isso pensava, o sempre amável Jesus me fazendo sua breve visita me
disse:
(2) "Minha filha, viver fora da minha Divina Vontade é viver sem a conexão da Vida Divina, afastada
do Céu, como se não tivesse conhecimento, amizade, relação com seu Pai Celestial, pode-se dizer
que enquanto sabe que tem Pai, mas não o conhece, vive como distante e por isso não participa
em seus bens divinos, muito mais, em cada ato de vontade humana que faz, sempre toma terra, e
a esta conhece e ama, e participa nas infelicidades que produz o terreno que vai adquirindo com
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Volume 32
seus atos humanos, assim que a vontade humana sem a conexão com a Divina, sabe produzir
muita terra, a que semeia paixões, espinhos, pecados, e recolhe misérias, tristezas, que lhe
amargam a vida. Por isso, cada ato de vontade humana não faz outra coisa que tomar um pouco
de terra, em troca de cada ato que faz de minha Vontade, a criatura perde o terreno humano e
adquire o terreno do Céu, por isso a cada ato que vai fazendo de Querer Divino, toma Céu e vai
ampliando suas propriedades celestiais, e Eu mesmo lhe forneço a semente, e fazendo-me
agricultor celestial semeio junto com ela as mais belas virtudes, e aí formo minha habitação, meu
refúgio, minhas delícias, e não encontro diferença em estar no Céu junto com os santos nas
regiões celestiais, ou estar no céu desta criatura, e mais, sinto mais prazer em estar no céu da
vontade humana na terra, pela razão de que nele tenho que trabalhar para poder engrandecer de
mais este céu, assim que posso fazer novas aquisições, receber novo amor, e o trabalho, ainda
que seja sacrifício, mas tem virtude de produzir novas invenções, novas belezas, novas artes; é do
trabalho de onde surgem as coisas mais estrepitosas, as ciências mais altas e profundas, e Eu que
entendo de todas as artes, de todas as ciências, trabalho neste céu e nele formo os trabalhos mais
belos, as invenções mais artísticas e novas, e comunico as ciências mais altas e profundas, assim
que agora me faço mestre e ensino as ciências mais sublimes, ora artífice e formo as estátuas
vivas neste céu, ora a faço de agricultor e minhas mãos criadoras mudam, transformam o pequeno
terreno da criatura no céu, sinto grande prazer em usar todas as artes e me divirto, porque ora faço
um trabalho e ora outro, e ora invento coisas novas, e as novidades levam sempre mais prazer,
mais gosto e mais glória, e estes céus terrestres servirão também de nova surpresa e contento a
toda a corte celestial; onde reina minha Vontade Divina como vida na criatura, Eu tudo posso fazer,
ela se torna em minhas mãos matéria-prima para poder desenvolver meus trabalhos divinos, e o
poder trabalhar é para Mim a coisa mais agradável, é o repouso mais doce, parece que se
alternam juntos trabalho e repouso. Agora, no Céu, em minha pátria celestial não há trabalhos,
nem da minha parte, nem da parte das criaturas, quem entra naquelas regiões celestes põe seu
basta e se diz a si mesma: ‘Meu trabalho terminou, o que fiz está feito, não posso adicionar uma
vírgula extra ao meu trabalho, à minha santidade'. E Eu não posso fazer novas conquistas em suas
almas, porque a morte diz confirmação, não podem fazer um passo mais adiante, por isso não há
trabalhos na pátria celestial, senão que tudo é triunfo e glória, posso dizer que toda a suntuosidade
que faço de dar novas alegrias, nova felicidade e bem-aventuranças contínuas, com as quais tenho
arrebatado a todo o Céu, é tudo por parte minha, mas deles não me é dado adquirir mais nada. Eis
por que me agradam mais, porque as conquistas, os trabalhos, os gostos que encontro nestes
céus terrestres do querer humano, não podem existir onde tudo é triunfo e glória, nem sequer nas
regiões da minha pátria divina, por isso seja atenta e não saias nunca de minha Vontade, e Eu te
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Volume 32
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32-9
Maio 7, 1933
(1) Meu abandono continua no Querer Divino, e minha pobre mente muitas vezes está sob o
império de duas correntes, isto é, o grande bem da Divina Vontade que eleva a alma sobretudo e a
leva até os braços de seu amado Pai Celestial, onde tudo é alegria, festa e sorrisos divinos, os
quais embriagam a alma, e esta esquece tudo, a terra, as misérias, porque na Divina Vontade nem
sequer a lembrança se pode ter do mal, de outra maneira não seria plena a felicidade; e na outra
corrente o abismo do querer humano, que lança a alma em todas as misérias, e a leva quase aos
braços do demônio, a fim de que a tiranize como lhe agrade. Mas enquanto pensava assim, o meu
soberano Jesus, fazendo-se sentir ao meu lado, disse-me:
(2) "Minha filha bendita, assim que a alma entra em meu Querer, Ele com seu império lhe diz:
‘Lembre-se de tudo, até a casa de sua mãe terra, aqui se vive do Céu, não há lugar para as
misérias e para a infelicidade, minha luz destrói tudo, e os males os transforma em bem'. Você
deve saber que a vontade é símbolo do sopro, o qual tem virtude de acender ou apagar; se a
vontade é de acender, soprando sobre uma pequena faísca pode acender um grande fogo; se
depois se quiser apagar, soprando-lhe tira a vida e a reduz a cinzas. Tal é a vontade humana, se
quiser a minha sopra em todos seus atos, e minha Vontade com sua potência anima este sopro, e
seus pequenos atos, como pequenas faíscas se trocam em chamas, e conforme repete os atos,
assim repete o sopro, de modo a formar-se a pequena criatura uma chama de luz de Vontade
Divina. Ao contrário, se quer fazer a sua vontade, sopra e apaga tudo e permanece numa noite
profunda, sem sequer o bem das pequenas faíscas, assim quem vive na minha Vontade adquire a
luz na natureza, e em todos os seus atos vê luz e lhe falam de luz; ao contrário, quem faz a sua,
adquire as trevas e a noite em natureza, e de todos os seus atos faz sair trevas que lhe falam de
misérias, de medos, de temores, que lhe tornam a vida insuportável".
(3) Depois minha mente continuava pensando na Divina Vontade, e me sentia dentro e fora de mim
toda atenta, tanto que me queria dar tudo, e fazer tudo junto comigo, e o meu doce Jesus
acrescentou:
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Volume 32
(4) "Pequena filha de minha Vontade, você deve saber que assim que a alma se decide a viver em
minha Vontade, é tanto seu amor para com ela, que conforme se dispõe a fazer um ato, meu Fiat
põe o seu naquele ato, de modo que o querer humano fica como campo, e meu ato como vida.
Assim que conforme palpita, põe seu batimento divino; conforme respira, põe seu respiro; conforme
está por falar, põe sua palavra na voz da criatura; conforme pensa, põe seu pensamento; e assim
se age, se caminha, põe seu movimento e seus passos, assim que minha Divina Vontade é o que
põe de seus atos nos atos da criatura. Eis por que motivo o seu amor incessante, as suas atenções
incansáveis, porque quer formar a sua Vida inteira quanto à criatura é possível, nela quer encontrar
a sua santidade, o seu bater, o seu respiro, a sua palavra, e assim de tudo o resto, e como pode
encontrá-lo se não o dá e põe continuamente? Por isso, há tanta afinidade entre a Divina Vontade
e a criatura que quer viver n’Ela, que se tornam inseparáveis uma da outra, nem meu Querer
toleraria a mais mínima separação em quem se presta a fazê-la formar sua Vida. Por isso seja
atenta, e seu voo seja contínuo em minha Divina Vontade".
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32-10
Maio 14, 1933
Posto de amor que a alma tem em seu Criador, e posto que Deus tem na alma. A santidade é
formada pelos graus do amor. Semente que Jesus lança; como primeiro faz os atos e depois
as palavras.
(1) Sentia-me toda imersa no Fiat Supremo, e repetindo meu giro n'Ele, enquanto me unia a seus
atos me sentia vir suas ondas de amor, que derramando-se sobre mim traziam-me o amor de meu
Criador. Oh! como me sentia feliz ao sentir-me amada por Deus, creio que não haja felicidade
maior, nem no Céu nem na terra, que a criatura ocupe um lugar no seio do Pai Celestial, o qual faz
surgir suas ondas de amor para amá-la. Mas enquanto me sentia abaixo destas ondas, meu doce
Jesus visitando minha pequena alma, com toda bondade me disse:
(2) "Minha filha bendita, o girar em nossos atos que fizemos, tanto na Criação como na Redenção
por amor das criaturas, faz surgir novo amor de dentro de nosso Ser Divino, e investe àquela que
se une com nossos atos divinos; ela ao unir-se com nossas obras, prepara o lugar onde receber
nossas ondas de amor, e conforme as recebe, também ela nos ama com novo amor, e forma suas
ondas de amor a seu Criador, de modo que ela tem seu lugar de amor em nosso Ser Divino, e Nós
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Volume 32
temos nosso lugar na criatura. Tu deves saber que a verdadeira santidade vem formada pelos
graus de amor com os quais sois amados por Deus, e deste amor se toma posse quando a criatura
ama. Quando recebe o amor divino e ela ama, Deus se dispõe a amá-la de mais com novo amor;
ser amada por Deus com novo amor, é o maior ato que Deus faz para a criatura, e toda a
santidade, a glória, é constituída por quantas vezes foi amada por Deus, e por quantas vezes ela o
amou. Porque tu deves saber que nosso Ente Supremo ama a todos e sempre em modo universal
e geral, a isto acrescenta um amor especial e direto a quem amando-a nos dá seu amor; assim que
se a criatura foi amada por Deus com amor especial uma vez, três, dez, cem, segundo o número,
tantos graus de santidade adquire, e portanto de glória. Olha, o girar em minha Vontade, unir-te a
seus atos, nos chama a amar-te com amor especial e novo, e Deus te chama a ti para fazer-te
amar com teu amor novo e especial, e o próprio Deus será tua testemunha que dirá a todo o Céu e
à terra: ‘É verdade, a tenho amado, mas me amou'. Posso dizer que meu amor chamava ao seu, e
o seu chamava ao meu a nos amar, por isso quem vive em nossa Vontade põe ao seguro nosso
amor, não temos a dor de que nos possa ser rechaçado, mas sim, o sinal de que o recebeu é que
nos responde dando-nos seu amor".
(3) Depois estava pensando na Divina Vontade, e milhares de pensamentos se acumulavam em
minha mente, de dúvidas, de anseios, de certezas, de suspiros por querer a Divina Vontade como
vida primária de minha vida, queria seu doce império dentro e fora de mim. Agora, enquanto fazia
isso, meu sempre amável Jesus acrescentou:
(4) "Minha pequena filha de meu Querer, você deve saber que quando Eu manifesto um bem, uma
verdade, é o sinal mais certo de que quero dar aquele bem, ou o dom de uma verdade minha como
propriedade da criatura, se isto não fosse, Eu a iludiria, a enganaria, lhe faria perder o tempo em
mil desejos inúteis, sem a posse do bem que lhe fiz conhecer. Eu não sei iludir ninguém, nem fazer
coisas inúteis, mas primeiro decido dar o bem, e depois manifesto a natureza do dito bem, e
enquanto o manifesto coloco a semente no fundo da alma, a fim de que ela comece a sentir o
princípio da nova vida do bem que lhe fiz conhecer, e o contínuo de minhas manifestações que lhe
faço conhecer, serve para fazer germinar a semente, a borrifar e regá-la para formar a vida inteira
do dom que quero dar-lhe, e o sinal de que a alma aceitou e agradeceu a nova vida do dom que
quero dar-lhe, é que Eu continuo manifestando as diversas qualidades, as belas prerrogativas, o
valor imenso que possui meu dom, e depois de que estou seguro que já possui toda inteira a vida
do dom que queria lhe dar, então lhe faço conhecer meus olhares, o trabalho que fiz nela, e o dom
que já possui; minha sabedoria é infinita, minhas indústrias de amor são inumeráveis, primeiro faço
os atos e depois as palavras que servem para ensinar à criatura como fazê-la receber, conservar e
servir-se do bem que lhe dei e fiz conhecer. Dar um bem sem fazê-lo conhecer é como se se
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Volume 32
quisesse dar o alimento aos mortos, e Eu jamais tive o que fazer com os mortos, senão com os
vivos; fazê-lo conhecer e não dá-lo seria uma burla, não seria modo de nossa natureza divina. Por
isso, se tantas verdades te manifestei sobre minha Divina Vontade, é porque quero te dar o dom de
sua Vida que age em ti, se isto não fosse, jamais te teria dito tanto, meu só dizer é mensageiro,
portador e depositário do grande dom de minha Divina Vontade, não só a ti, mas ao mundo inteiro.
Por isso esteja atenta, a fim de que minha semente se polvilhe em ti até mudar-se em natureza, e
então sentirás com os fatos o bem do reinar de minha Vontade em tua alma.
(5) Com efeito, não fiz assim com a minha Mãe Celestial? Primeiro a formei, a preparei, a encontrei
a dotei, preparei o posto, estendi meu Céu no fundo de sua alma, a fiz conhecer tantas coisas, e
conforme as fazia conhecer lhe fazia o dom delas, poderia dizer que Mãe e Filho primeiro fizemos
os atos, e quando nada faltava a minha santidade, a minha decência divina, ao novo Céu que vinha
habitar sobre a terra, então lhe manifestei o segredo, que já a tinha escolhido por minha Mãe, e
assim que lhe manifestei o segredo, assim se sentiu Mãe de seu Criador. Veja então a
necessidade de manifestar o que quero fazer com a criatura, a fim de que Deus e a criatura
queiram a mesma coisa, tão é assim, que minha mesma encarnação não aconteceu primeiro, mas
sim no mesmo ato em que soube que eu a amava pela minha Mãe e Ela aceitou sê-lo. Por isso é
preciso grande atenção quando faço conhecer um bem que quero fazer à criatura, ela não sabe
meus olhares onde vão terminar, Eu não faço conhecer tudo no princípio, mas sim vou pouco a
pouco, manifestando e trabalhando para chegar ao ponto onde quero, e se não está atenta e não
me segue, pode ser que fique a meio caminho, e Eu terei a dor de não poder dar meus dons e de
não poder cumprir meus desígnios".
++++
32-11
Maio 25, 1933
A Divina Vontade é milagre permanente. Quem vive n‟Ela é a portadora das obras divinas, e
seus campos são a Criação e a Redenção.
(1) Estou sempre ao redor do Fiat Supremo, seu doce império, seus fortes atrativos, seu beijo de
luz, com os quais faz o encontro a todos meus atos para colocá-los neles e fechar-se dentro para
formar sua Vida, é o mais doce encanto a minha pequena alma, e entre a maravilha e o espanto
exclamo: "Ó Vontade Divina, quanto me amas, até te baixar em meu pequeno ato para encerrar
26
Volume 32
nele tua Vida constante!" Mas enquanto minha mente se perdia n’Ela, meu doce Jesus, que gozava
também Ele o atrativo, os modos admiráveis de seu Querer, com toda ternura e bondade me disse:
(2) "Filha amadíssima de minha Vontade, meu Querer Divino é por Si mesmo um milagre contínuo;
descer na baixeza do ato da criatura para formar nele seu ato, sua Vida, é o maior dos milagres,
que a ninguem é dado poder fazer; sua virtude investidora penetra em qualquer lugar, com seu
beijo de luz arrebata o ato da criatura, o move, o transforma, o conforma, e com sua virtude
miraculosa forma seu ato no ato da criatura, e sem destruir o da criatura, melhor se serve dele
como espaço para colocar seu ato, como vazio para formar sua Vida, tanto, que por fora se vê o
ato humano, mas por dentro as maravilhas, a santidade, o grande milagre do ato divino. Portanto,
quem faz minha Vontade e vive n’Ela, não tem necessidade de milagres, vive sob a chuva dos
milagres de meu Querer, e possui em si mesma a fonte, o manancial que transforma a criatura na
virtude milagrosa da minha Divina Vontade, de modo que se vê nela milagre de paciência invicta,
milagre de amor perene para com Deus, milagre de oração contínua e sem cansar-se jamais, e se
se veem penas, são milagres de conquistas, de triunfos, de glória que encerra em suas penas.
Para quem vive na minha Vontade, Ela quer dar à alma o milagre do heroísmo divino, e nas penas
põe o peso e o valor infinito, põe a marca, o selo das penas do teu Jesus.
(3) Tu deves saber filha minha, que é tanto nosso amor para com quem vive na Divina Vontade,
que lhe fazemos dom de tudo o que fizemos na Criação e Redenção, e ela faz seu tudo o que é
nosso, e como é seu e nosso, e como coisa conatural em seus atos, e busca a Divina Vontade,
agora se encontra no céu, no sol, no mar, e assim por diante, sente em si toda a santidade de
nossas obras, que são também suas, e sentindo-se fundida com Ela, compreende o que significa
ter um céu sempre estendido, um sol que sempre dá luz, um mar que sempre murmura, um vento
que com suas rajadas leva a todas as carícias de seu Criador, e ela se sente céu, estrelas, sol,
mar, vento, e oh! como nos ama, e com a força arrebatadora de seu amor, que é amor nosso, vem
depor tudo ante nosso trono divino, e oh! como nos sentimos arrebatados por suas notas e
correntes de amor que nos faz, podemos dizer que se esta criatura a temos na terra, a temos para
fazê-la ser a portadora de nossas obras, Nós as temos espalhada na Criação, e ela parece que nos
recolhe para vir a nos dizer: ‘Quanto me amaram'. E quanto nos ama, mas é mais bela quando
passa ao reino de meus atos da Redenção, com quanto amor passa de um ato ao outro, como os
beija, os abraça, os adora, agradece, os encerra em seu coração e com todo amor me diz: ‘Jesus,
sua Vida terminou sobre a terra, ficaram suas obras, suas palavras, suas penas, agora cabe a mim
continuar sua Vida, por isso tudo o que Você fez deve servir a minha vida, de outra maneira não
posso formar de mim mesma outro Jesus, se não me dá tudo não posso nem formar, nem
continuar sua Vida na terra'. E Eu com todo amor lhe digo: ‘Minha filha, tudo é teu, toma de Mim o
27
Volume 32
que quiseres, é mais, quanto mais tomares mais estarei contente e mais te amarei'. Mas o mais
belo desta feliz criatura, que enquanto quer tudo, toma tudo, sente que não pode conter o que
recebeu, e vem ao seu Jesus e dá-me tudo, derrama-se tudo em Mim, também sua pequenez, seu
pequeno querer, e oh! como estou contente, posso dizer que são trocas contínuas de vida que
fazemos, Eu a ela, e ela a Mim. É tanta a força da união de quem vive em nossa Vontade, entre ela
e Nós, que nem Nós a podemos pôr de lado em todas as nossas obras, nem ela se pode pôr; se
isto pudesse ser, aconteceria como se se quisesse dividir a luz do sol em dois, o que é impossível,
dividir a unidade de sua luz, e se alguém quisesse tentar dividi-la, ficaria ridicularizado, e a luz com
a força de sua unidade se riria dele; ou bem como se se quisesse rasgar o céu, separar a força do
vento, a unidade do ar, todas as coisas impossíveis, porque toda sua vida, a força que possuem
está na unidade. Em tal condição se encontra quem vive em nossa Vontade, toda sua força, seu
valor, o belo dela, sua santidade, está na força única e unidade com seu Criador. Por isso seja
atenta, e sua vida seja em Nós, conosco e com nossas obras".
++++
32-12
Maio 28, 1933
Precipício, portas e inferno vivo do querer humano. Portas, escadas e paraíso vivo da Divina
Vontade. Necessidade de seus conhecimentos, grandeza que adquire. A filha do grande Rei.
(1) Minha pobre mente muitas vezes se debate entre a infinita beleza, potência, valor e
prerrogativas inumeráveis do eterno Querer, e entre os precipícios, fealdades e males do querer
humano. Meu Deus, que contraste, se todos pudessem vê-lo estariam dispostos a perder a vida
antes de fazer a própria vontade. E enquanto me sentia toda temerosa pelos graves males nos
quais me podia precipitar minha vontade, meu amado Jesus me surpreendeu e disse:
(2) "Minha filha bendita, ânimo, é necessário que te faça conhecer até onde se pode chegar tendo
por vida a minha Divina Vontade, e em que abismo se precipita quem se faz dominar pelo próprio
querer, é mais, cada mal que te faço conhecer dele, é uma porta que te faço fechar à vontade
humana e uma guarda que te dou, a fim de que se tu quisesses entrar de novo e descer no
precipício do querer humano, a guarda te impeça de passar e mantenha fechada a porta, e cada
vez que te faço conhecer outros males do querer humano, não são outra coisa que defesas e
guardas que acrescento, a fim de que não te deixem descer no fundo de seu abismo, porque tu
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Volume 32
deves saber que cada mal da vontade humana, não são outra coisa que tantas portas distintas que
ela possui para descer no reino dos males, dos vícios, dos terrores assustadores do inferno
vivente, até tornar-se nauseante e insuportável a Deus e a si mesma, e Eu com fazer conhecer
seus males, não faço outra coisa que amuralhar as portas e pôr nelas meu selo e dizer: ‘Esta porta
não se abre mais'. Agora, assim como a vontade humana tem suas portas, suas escadas para
descer no abismo dos males, não para subir, assim a minha Divina Vontade tem suas portas, suas
escadas para subir a seus céus, a seus bens imensos, e forma o paraíso vivente de quem a
possui; cada conhecimento dela é uma porta que se abre, é uma escada que se forma, é um
caminho que se põe diante de ti, que tu deves percorrer para possuir com os fatos o que
conheceste. Olha então o grande bem dos tantos conhecimentos que te manifestei, são tantas
portas que te facilitam a entrada em seu reino, e em cada porta pus um anjo como guardião, a fim
de que te dê a mão e te conduza segura nas regiões da Divina Vontade; cada conhecimento é um
convite e uma força divina que te cede, e faz você sentir a necessidade extrema, a necessidade
absoluta de viver da Vontade Divina. Ela, conforme se faz conhecer, te estende os braços para te
tomar, e te conduz entre eles naquele mesmo conhecimento que te manifestou, o adapta à tua
capacidade, modela tua alma a fim de que entre em ti como humor vital, como sangue, como ar, e
produza em ti a vida, os bens que seu conhecimento possui, e tornando-se condutora, mais que
uma mãe está de guarda para ver quando sua filha absorveu a última gota do bem que lhe fez
conhecer, para lhe abrir seu seio de novo e derramar-se em sua filha, e lhe fazer conhecer outro
valor, outros efeitos que contém a Vida de meu Querer, e repete seu trabalho porque quer ver nela
o valor de sua Vida, os efeitos, a substância dos seus bens. Agora, os conhecimentos sobre minha
Divina Vontade instruem o querer humano, e este adquire ciência e razão, pelo que entende que
não só é justiça fazê-la reinar e dominar como vida primária em sua alma, senão é um bem sumo
que recebe, honra e grande glória que este Querer Santo, com o domínio, chegue a dar-lhe o
estado de realeza divina, porque se sente filha do grande Rei, assim que a realeza também é sua.
(3) Quando a criatura chegou a compreender tudo isto por caminhos de conhecimentos e de lições
que lhe deu meu Querer Divino, tudo está feito, minha Vontade venceu o querer humano, e este
venceu a Divina Vontade. Os conhecimentos sobre Ela são tão necessários, que servem para
dissecar os humores ruins e os substituem com os humores santos, eles são como sóis que
lançam dardos ao querer humano e lhe comunicam sua vida, sua santidade, e o desejo ardente de
possuir o bem que conhece. Por isso seja atenta a escutar suas lições, e corresponde a um bem
tão grande."
++++
29
Volume 32
32-13
Junho 4, 1933
Quem vive na Divina Vontade recebe a força criadora da criação contínua. Acordo com a
Divina Vontade.
(1) Meu abandono no Fiat continua, sou recém-nascida apenas e sinto a necessidade de estar em
seus braços para beber a grandes goles o leite de suas verdades, para receber as ondas de sua
luz, o doce refrigério de seu calor, sinto que também o Querer Divino quer ter-me em seus braços,
estreitada a seu seio de luz para poder infundir-me o ato contínuo de sua Vida que age em mim,
porque vida significa ter atos que não cessam jamais, de outra maneira não se poderia chamar
vida. Por isso, se eu não quisesse estar em seus braços para receber estes contínuos reflexos de
sua Vida, ou não me quisesse ter, não poderia formar sua Vida em mim, e então a palavra vida se
reduziria a palavras não na realidade, ou bem em uma pintura pintada. Meu Jesus, ah! não o
permita, e faça que se forme sua Vida real em minha alma. Mas enquanto procurava estar nos
braços da Divina Vontade, meu soberano Jesus, visitando minha pequenez me disse:
(2) "Filha de meu coração, você tem razão de que sente a extrema necessidade de estar nos
braços da Divina Vontade, porque estar em seus braços significa pôr-se a sua disposição e
empenhá-la para formar sua Vida na criatura, e se não se põe em seus braços, coloca-se como a
grande distância, e a vida não se forma de longe, mas de perto, mais bem fundida com a mesma
vida que se quer receber; nenhuma mãe concebe seu filho de longe, mas sim dentro de seu
mesmo seio, nenhuma semente germina e forma sua planta se não se funde e se esconde sob a
terra. Assim, dizer: ‘Quero formar a Vida da Divina Vontade em mim e não estar em seus braços,
unida com Ela para viver de seu mesmo fôlego onipotente, é impossível'. Você deve saber que
nossa Entidade Suprema usa a mesma potência criadora que usou na Criação, e continua a usá-la
nos atos que a criatura faz na Divina Vontade. Cada ato que faz nela sofre uma nova criação, e
meu Fiat, em virtude de sua potência criadora, fica concebido no ato da criatura. Acontece um
alternar contínuo, ela concede o ato, e minha Vontade Divina cria e se concebe em seu ato, e
enquanto se concebe forma sua Vida e a faz crescer com o alimento da sua luz e do seu amor. Os
Céus ficam admirados, e é tanta a maravilha, que emudecem ante um ato só da criatura que dentro
contém a força criadora da concepção do Fiat Divino; e assim como ela com o estar em seus
braços se põe a nossa disposição, assim, com tê-la em nossos braços, nos colocamos à sua
disposição, e nos dá sua doce garantia, para fazer o que Nós queremos, assim que sua vida, seus
atos, são tantas garantias que nos dá, e Nós, tendo as suas garantias, sentimo-nos seguros de
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Volume 32
poder pôr fora a nossa Virtude criadora e agir como Deus no ato da criatura. Você deve saber que
quando atua nossa Vontade, tanto em Nós mesmos, quanto no ato humano, não põe jamais a um
lado sua Virtude criadora, nem a pode pôr, porque a possui em natureza, por isso seu fazer é
sempre criação, portanto quem vive em nossa Vontade recebe em seus atos seu ato criador, e oh!
quantas maravilhas acontecem. Por isso seja atenta, reverente e agradecida, recebe em ti, em teus
atos, esta Virtude criadora que quer fazer coisas grandes, não pequenas, e que são as únicas
dignas de nossa adorável Vontade".
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32-14
Junho 15, 1933
A intenção forma a vida da ação, forma o véu para esconder a ação divina. O ator escondido.
(1) Minha pobre mente está sempre ocupada pelo Fiat Divino, que não só quer fazer-se vida, mas
também alimento, porque não basta a vida, pois sem ter com que saciar a fome, seria morrer de
fome. Eis por que frequentemente me dá o alimento suculento e celestial de alguma outra verdade
que diz respeito ao Querer Divino, a fim de que não só me alimente, mas que faça crescer sua Vida
em mim, e oh! quantas vezes sinto a necessidade de que o bendito Jesus me diga alguma coisa
que diz respeito a seu Querer, porque me sinto morrer de fome, e meu amável Jesus, porque Ele
mesmo quer e me dá esta fome, ao visitar minha pequena alma me disse:
(2) "Minha filha, teu desejo de ser alimentada por minha palavra alimentadora fere-me o coração, e
Eu, ferido, corro a ti para te dar meu alimento divino que só Eu posso te dar. Minha palavra é vida e
forma em ti a Vida Divina, é luz e te ilumina e fica em ti a virtude iluminadora que te dá sempre luz,
é fogo e te faz surgir o calor, é alimento e te alimenta.
(3) Agora, você deve saber que Eu não olho a ação externa da criatura, mas a intenção que forma
a vida da ação, ela é como a alma da ação, ela se torna como o véu da intenção. Acontece como a
alma ao corpo, que não é o corpo que pensa, que fala, palpita, age e caminha, mas a alma dá vida
ao pensamento, à palavra, ao movimento, assim que o corpo é véu da alma, a cobre e se faz
portador dela, mas a parte vital, a ação, o passo, é da alma. Tal é a intenção, verdadeira vida das
ações. Agora, se você chama a minha Divina Vontade como vida de sua mente, como batida de
seu coração, como ação de suas mãos e assim de todo o resto, você formará a vida da inteligência
de minha Vontade em sua mente, a vida de suas ações em suas mãos, seu passo divino em seus
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Volume 32
pés, de modo que tudo o que fizer servirá de véu à Vida Divina que com sua intenção formou no
interior de seus atos, mas que coisa é esta intenção? É a tua vontade que fazendo um apelo à
minha se esvazia de si mesma, e forma o vazio em seu ato para dar o posto à ação da minha
vontade, e fazendo-se véu esconde nas ações, mesmo nas mais ordinárias e naturais, a ação
extraordinária de um Deus, tanto que de fora se veem ações comuns, mas se o véu do querer
humano for retirado, a Virtude que opera a ação divina se encontra cerrada, e isto forma a
santidade da criatura, não a diversidade das ações, não as obras que fazem rumor, não, mas a
vida comum, as ações necessárias da vida, das quais a criatura não pode prescindir, todas são
véus que podem esconder nossa Vontade, e fazer-se campo onde Deus mesmo se abaixa para
fazer-se autor oculto de suas ações divinas. E assim como o corpo vela a alma, assim a vontade
vela a Deus, esconde-o e forma, através de suas ações ordinárias, a cadeia das ações
extraordinárias de Deus em sua alma. Por isso seja atenta, chama em tudo o que fazes à minha
Vontade, e Ela não te negará jamais seu ato, para formar em ti, quanto a criatura é possível, a
plenitude de sua santidade".
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32-15
Junho 25, 1933
(1) Minha pobre e pequena inteligência a sentia cheia por tantos pensamentos a respeito da Divina
Vontade, e pensava entre mim: "E por que Jesus tem tanto interesse, insiste, suspira, pede e quer
que se peça que venha reinar sua Divina Vontade? É verdade que para a criatura será a maior
aquisição, ter em seu poder um Querer imenso, uma potência que não se esgota jamais, um amor
que sempre arde, uma luz que não se extingue jamais, uma santidade que dá no incrível e sempre
cresce, se pode dizer que não lhe resta outra coisa que desejar, nem possuir, porque tudo o
possui, mas para Deus, qual pode ser seu ganho, sua glória, sua honra?" Assim, enquanto isso e
outras coisas pensava, meu soberano Jesus visitando minha pequena alma, com toda bondade me
disse:
(2) "Minha filha, filha amadíssima de minha Vontade, a razão, a causa, a finalidade pela qual tanto
suspiro que minha Divina Vontade tome seu posto, seu domínio e a faça soberano na criatura, é
32
Volume 32
porque nosso Ente Supremo vai em busca de encontrar-se a Si mesmo na pequenez humana.
Pensa bem o que significa um Deus que vai em busca de Si mesmo, mas, onde? Talvez na
extensão dos céus? Não. Na vastidão da luz que enche toda a terra? Não. Acaso na multiplicidade
das águas do mar? Não. Senão no pequeno coração humano, queremos esconder nossa
imensidão, nossa potência, nossa sabedoria e todo o nosso Ser Divino na criatura; esconder-nos
nas coisas grandes não é uma grande coisa, mas nas pequenas desafogamos mais em amor,
poder, etc., e como podemos tudo e fazer tudo, nos deleita mais e tomamos mais gosto em nos
esconder na pequenez humana que nas coisas grandes, e se não encontramos nossa Vontade na
criatura, não podemos nem buscar-nos nem encontrar-nos nela, nos faltaria o lugar onde colocar
todos nossos atributos divinos, e se sentiriam impotentes para esconder nossa Vida Divina onde
não está nossa Vontade. Olha então a razão pela qual queremos, suspiramos que a criatura
suspire e rogue viver do Querer Divino, é porque andamos em busca de Nós mesmos nela, e
queremos encontrar-nos como no nosso próprio centro. E te parece pouco o grande lucro que
fazemos, a glória, a honra que recebemos, que o pequeno coração humano esconda nossa
Vontade e a nossa própria Vida para nos dar duplicado amor, dupla potência, sabedoria, bondade,
para pôr-se em concorrência com Conosco mesmos? Se isto não compreendes significa que ainda
és cega nos caminhos intermináveis da minha Divina Vontade. Agora, se Nós com querer que
nosso Fiat reine nas criaturas, buscamos e encontramos a Nós mesmos nela, a criatura com amá-
la, busca-se a si mesma em Deus e n'Ele se encontra. Olha então que troca, que trabalho de
ambas as partes, que estratagemas e engenhos amorosos, Deus que continuamente se busca na
criatura, mas onde se encontra? No centro dela, assim que se procura, chama-se onde o seu
mesmo amor o chama, onde a sua própria Vida reside; e a criatura imita o seu Deus, gira e volta a
girar, busca-se e volta-se a procurar, chama-se e volta-se a chamar, mas onde se encontra? No
centro do Divino. Isto mostra a troca de vida entre uma e outra, a mesma Vontade que domina a
criatura e a Deus, o mesmo amor com o qual são animados, assim que não é maravilha que o que
um faz o outro, e só nossa Vontade sabe fazer estes prodígios, sem Ela tudo é estéril, tudo é
obstáculo por parte de Deus e por parte das criaturas, sentimos que somos prisioneiros de Nós
mesmos, e ela se sente aprisionada por sua vontade humana, sem voo e toda obstruída em si
mesma e sem Vida Divina. Agora, estando tudo isto, não é justo que não queiramos outra coisa
senão que nossa Vontade domine e reine?"
++++
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Volume 32
32-16
Junho 29, 1933
Na Divina Vontade não há interrupções; Ela se faz repetidora da Vida Divina. Trabalho que
lhe vem confiado. Deus se adapta à pequenez humana.
(1) Meu voo no Querer Divino continua, sinto que se não continuasse me faltaria a vida para viver,
o alimento para me tirar a fome, a luz para ver, os pés para caminhar, ai de mim! ficaria
imobilizada, envolta numa noite profunda, perderia a via e ficaria a meio caminho. Meu Deus, meu
Jesus, Mãe Santa, levai-me, e quando me virem em perigo de deter-me, vinde em minha ajuda,
dai-me a mão a fim de que não me detenha, ou então levai-me ao Céu, onde não há estes perigos
de interrupções, e eu possa dar-me a glória de dizer: "Jamais me detive, e por isso nunca me faltou
nem alimento, nem luz, nem Aquele que, enquanto me conduzia, com seu doce dizer me instruía e
me arrebatava". Mas enquanto minha mente estava abismada na Divina Vontade, meu sábio
mestre Jesus, me surpreendendo com sua breve visita me disse:
(2) "Minha filha bendita, quem vive em minha Divina Vontade sente a necessidade de não
interromper jamais seu caminho, não há perigo de deter-se, nem na terra nem no Céu, porque
sendo Ela eterna, seus caminhos e seus passos são intermináveis, e quem vive nela recebe em
natureza o bem de poder caminhar sempre. Deter-se em minha Vontade seria fazer faltar um ato
de vida a nossa Vida Divina que vai formando em sua alma, porque você deve saber que quem
vive em minha Vontade Divina chega a tanto, e pode tanto, até repetir nossa Vida Divina; nosso
Fiat da tudo o que é necessário à criatura que vive n’Ela, que com os seus atos se faz a repetidora
da própria Vida de Deus, e se tu soubesses o que significa repetir a nossa Vida, a glória, a honra, o
amor que nos dá, o bem que faz descer sobre todas as gerações; é incalculável o que faz, e só
nossa Vontade tem esta potência, de fazer este prodígio tão grande, que a niguem lhe é dado, de
fazer-se repetidora de nossa mesma Vida Divina na criatura".
(3) Então eu ao ouvir isto disse: "Meu amor, o que diz? Como é que se pode chegar a tanto?
Parece-me que chega ao incrível". E Jesus interrompeu-me acrescentando:
(4) Minha filha, não te admires, tudo é possível à minha Vontade, mesmo repetir a nossa Vida. Tu
deves saber que nosso Ente Supremo, em sua natureza tem virtude de poder repetir-se quantas
vezes quiser, como em efeito repetimos nossa Vida Divina inteira por cada indivíduo, por cada
coisa criada, onde quer que, em cada lugar e por toda parte, nossa imensidão nos leva, nossa
potência nos forma, e de nossa Vida única que possuímos, repete, biloca, multiplica tantas Vidas
Divinas nossas, que só quem não a quer não a toma, de outra maneira o que se diz: ‘Onde está
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Volume 32
Deus? No Céu, na terra e em todo lugar', ficaria em palavras, mas não nos atos. Agora, quem vive
em nossa Vontade, com seus atos se faz concorrente de nossa Vida, que continuamente se repete
por amor das criaturas, e por isso nos sentimos repetir nossa Vida por sua pequenez, e oh! o
contentamento, a felicidade que sentimos, e como nosso amor encontra seu alívio, sua
correspondência, ao sentir sua mesma Vida repetida por sua amada criatura, e em sua ênfase de
amor e de alegria indizível que sentimos, dizemos: ‘Tudo lhe demos e tudo nos deu, não podia dar-
nos mais, porque sentimos que por onde quer que nos leve nossa imensidão, ela aparece por toda
parte, não há ponto em que não se faz sentir, e oh! Como é doce e agradável ouvi-la por toda parte
em nossa Vida que possui, ‘me encanta, te amo, te adoro, te agradeço, te bendigo'. Assim que o
trabalho que confiamos a quem vive em nosso Querer, é de repetir nossa mesma Vida Divina, por
isso seja atenta e seu caminho seja contínuo".
(5) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e meu sempre amável Jesus
acrescentou:
(6) "Minha filha, se tu soubesses as doces e agradáveis surpresas que nos faz a criatura em nossa
Vontade, ela é pequena, e encontrando-se em nosso Fiat se encontra circundada por uma
imensidão que não tem fim, por uma potência que não tem limites, por um amor que não só a
envolve toda, senão que se sente que ela mesma não é outra coisa que amor, nossa beleza a
investe e fica arrebatada. Assim que a pequena move o pezinho e olha a imensidão que a
circunda, e enquanto move o passo quer tomar quem sabe quanto de nossa imensidão, mas o que,
não consegue tomar mais que poucas gotinhas de nossa potência, amor e nossa beleza, as quais,
embora gotas, bastam para enchê-la tanto, até transbordar fora, até formar-se em torno de rios de
amor, de potência e de beleza nossa, e a pequena se esforça, cansa-se por querer tomar de mais,
mas não pode, porque lhe falta o espaço onde poder fechar o que quer tomar, e nosso Ente
Supremo a faz fazer, é mais, gozamos de seus esforços e de seus cuidados, nos deleitamos, lhe
sorrimos, e a pequena nos olha pedindo ajuda, porque sente a necessidade de se estender de
mais em nossa imensidão, poder e amor, mas sabe por que? Quer dar-nos a mais, quer o prazer
de nos dizer: ‘Os meus esforços, os meus cuidados são, porque quero dizer-vos que vos amo
demais, oh! como ficaria contente se pudesse possuir todo o vosso amor para poder dizer-vos:
Amo-vos tanto quanto me amaste'. Esta pequena com seus esforços, com seus cuidados, com seu
dizer, nos fere, nos arrebata, nos acorrenta, e então sabe o que fazemos? Tomamos a pequena e
nos adaptamos a ela, com um prodígio de nossa onipotência fazemos correr nossa imensidão,
nossa potência, santidade, amor, beleza, bondade, de modo que nosso Ser Divino fica dentro e
fora dela, inseparável dela, e se vê que tudo é seu, e a pequena em sua ênfase de amor nos diz:
‘Como estou contente e feliz, posso dizer-lhes que vossa imensidão é vossa e minha, e amo-vos
35
Volume 32
com amor imenso, com amor potente, a meu amor não lhe falta nada, nem vossa santidade, nem
vossa bondade, nem vossa beleza que tudo arrebata, vence e obtém'. Não contentar a pequenez
humana em nossa Vontade nos resulta impossível, e como por sua pequenez não pode adaptar-se
a Nós, Deus adapta-se a ela, e nos resulta fácil, porque não há elementos estranhos a Nós, senão
que tudo é nosso, no máximo será pequena, mas isto não importa, será mais nossa a fazê-la
quanto mais bela pudermos. Em troca quem não vive em nossa Vontade Divina, há tantos
elementos estranhos a Nós em sua pequenez humana: vontade, desejos, afetos, pensamentos que
não são nossos, e se pode dizer que ela deveria adaptar-se a Nós com o tirar o que não é nosso,
de outra maneira não poderá compreender nossa Vontade, muito menos poderá elevar-se e entrar
em suas esferas celestiais, e portanto ficará vazia de Deus, cheia de misérias nas angústias da
vida humana. Quantas vidas se encontrarão sem crescimento de Vida Divina porque não fizeram
minha Vontade, nem se ocuparam em compreender o que significa viver dela, e o grande bem que
podem receber. Por isso serão tantos ignorantes e analfabetas de seu Criador".
++++
32-17
Julho 8, 1933
Cada ato feito na Divina Vontade é anel de união, vínculo de estabilidade, fecundidade
perene. O que significa um ato cumprido na Divina Vontade.
(1) Meu abandono no Querer Divino continua, sou sempre pequena e tenho necessidade de minha
Mãe eterna, a qual é a Divina Vontade, necessidade de que me leve sempre em seus braços, que
use comigo todos os cuidados, me defenda, me assista, me alimente, e com seu doce império
tenha meu querer humano reprimido, vivo mas sem vida, recebendo em seus atos a atitude da
Vontade Suprema. Mas enquanto repousava em seus braços, sentia celestiais delícias e o repouso
da pátria celestial. E meu soberano Jesus fazendo-me sua breve visita, com toda bondade me
disse:
(2) "Minha filha bendita, como estou contente de te encontrar nos braços de minha Divina Vontade,
estou seguro e você também quando está em seus braços, e enquanto você repousa Ela trabalha
em seu lugar, e seus trabalhos são divinos e de valor infinito, e Eu ao te ver possuidora de seus
trabalhos, gozo e faço festa dizendo: ‘Oh, como é rica minha filha'. Deve saber que cada ato de
Vontade Divina que a criatura experimenta e voluntariamente se presta a receber, é um anel de
36
Volume 32
união que forma e adquire com seu Criador, pode-se dizer que este anel encerra dentro a Deus e à
alma, os une, os faz viver de uma só Vida e forma a inseparabilidade de um e do outro, assim que
por quantos atos de minha Vontade, tantos anéis, de modo que se vê uma longa cadeia na qual
ficam, ambas partes, entrelaçadas e unidas juntas, e não só é anel, mas é vínculo de estabilidade e
de imutabilidade divina, assim que a criatura não está mais sujeita a mudar-se, tão firme e estável
se sente no seio de seu Pai Celestial; assim que pode dizer com toda certeza: ‘Minha morada está
em Deus, nem sei, nem conheço outra coisa senão a meu Criador.' Agora, este anel de união e
este vínculo de estabilidade produz fecundidade perene, a criatura com esta fecundidade gera
continuamente amor, bondade, força, graça, paciência, santidade, todas as virtudes divinas, as
quais possuem a virtude bilocadora, de modo que enquanto a criatura as possui, pode biloca-las,
dando-as a quem queira e a quem as queira. Em troca quem não faz agir a minha Divina Vontade,
seus atos são como anéis quebrados, os quais não têm virtude de conter a Deus e à criatura, e
como estão quebrados fogem de dentro dela, e portanto não podem formar nem vínculo de
estabilidade, nem fecundidade, senão que são atos estéreis que não produzem geração de bem".
(3) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e pensava entre mim: "Mas, como se
cumpre um ato completo de Querer Divino, e que coisa significa?" E meu amado Jesus, sempre
bom com esta pequena ignorante acrescentou:
(4) "Minha filha, como se cumpre um ato completo de Querer Divino? Você deve saber que para
formar este ato completo se necessita a potência de minha Vontade, a criatura por si só não pode
fazê-lo, por isso acontece que minha Vontade investe a pequenez humana, e a humana se presta a
deixar-se investir, fazendo-se presa uma da outra. Agora, neste investir, a potência de meu Fiat
esvazia a criatura de tudo o que a Ele não pertence, e a enche até a borda do Ser Divino, de
maneira que sente em si a plenitude da Vida de seu Criador, não há pequena parte, ainda a menor,
que não fique cheia, de modo que se sente correr como a rios a Vida Divina em todo seu ser,
assim que sente em si mesma a plenitude, a totalidade do Ente Supremo, por quanto criatura é
capaz. Portanto, tendo em si esta plenitude e totalidade, não tem nem o que adicionar, nem o que
tirar a seu ato, porque por todos os lados possui a Deus, o qual não sabe fazer atos incompletos, e
a criatura possuindo-o se põe nas condições divinas de não poder fazer senão atos completos.
Veja então o que significa e como se pode fazer um ato completo, deve-se possuir a Deus com
toda sua plenitude, e o Deus que age em seu ato. Estes atos completos têm tal poder que chamam
a atenção de todos, e os Céus se inclinam para ver o que faz de grande o seu Criador no ato da
criatura. Agora, possuindo esta plenitude e totalidade divina, acontece que tudo o que faz, saindo
de um fundo que tudo possui e que nada lhe falta, se reza, sua oração possui a plenitude do valor
divino, suas virtudes são completas e alimentadas pela Vida que possui, então, se você quiser dar
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Volume 32
seus atos, ou a Deus como homenagem, ou às criaturas como ajuda, dará ao mesmo Deus em
seus atos. Imagina você mesma qual será o grande bem que estes atos cumpridos em meu Querer
produzirão".
++++
32-18
Julho 30, 1933
Quem faz a Divina Vontade lhe forma sua habitação, a qual serve de custódia, de defesa e de
comodidade à mesma Divina Vontade. Seus conhecimentos formam sua Vida.
(1) Estou sempre em poder do Querer Divino, sinto sua Vida palpitante em mim como portadora de
bondade, de luz falante, que enquanto é muda fala com os fatos, fala com o sempre me amar, fala
com formar sua Vida, fala com fazê-la crescer, fala com fazer-se ouvir, oh! mutismo feliz que você
sabe transformar em vozes celestiais o seu movimento, a sua santidade, o seu amor, todo o seu
ser em voz ativa. Mas enquanto minha mente se perdia no Fiat, meu doce Jesus me surpreendeu
com sua breve visita e disse:
(2) "Minha filha bendita, você deve saber que quem faz minha Vontade Divina forma a habitação a
meu Querer Supremo, e como uma habitação não tem razão, nem é dono de fazer o que quer, e só
serve de custódia, de defesa e para comodidade de quem o habita, assim a alma perde sua razão
na razão divina, cede os direitos de senhorio voluntariamente a minha Divina Vontade, e
permanece em custódia, em defesa e para comodidade de meu Querer Divino, que desenvolve a
sua Vida como melhor lhe agrada. Agora, a vontade humana ao fazer a minha não só se
transforma em habitação para a minha, senão ficará uma habitação honrada, à qual meu Fiat
adornará com adornos divinos, essa sua habitação formará sua morada real, pela qual os mesmos
anjos ficarão admirados, fará desabafar o seu amor, a sua santidade, a sua luz, a sua beleza
incriada, e ali formará a sua Vida, mas Vida que age na vontade da criatura; agir em Nós coisas
grandes são direitos que temos em nossa natureza, nossa potência não tem limites, tudo pode e a
tudo pode chegar, e se tantas coisas não as fazemos, é porque não as queremos, não porque não
podemos, mas armar nossa potência com o tornar-nos constantes no pequeno cerco da vontade
humana, podemos dizer que colocamos mais amor, mais arte divina, mais potência, porque nela
devemos restringir o que em Nós é imenso, por isso nosso amor desabafa de mais no tornarmo-
nos constantes na criatura, e ela sentirá minha Vontade habitante nela, de modo que onde quer
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Volume 32
que esteja sentirá correr sua Vida Divina, em suas obras, em seus passos, em seu coração, em
sua mente, até em sua voz, de seu ser formará tantas estadias para dar oportunidade a minha
Divina Vontade de fazê-la ora falar, ora agir, hora caminhar, ora amar, em suma, o que quer".
(3) Depois continuava pensando nas tantas verdades que Jesus me havia dito sobre sua Divina
Vontade, e meu amado Bem Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, toda vida tem necessidade de alimento, não só isto, mas de matéria adequada
para formar-se aquela vida, deve ter seu princípio, seu crescimento. Só em Nós as coisas não têm
princípio, mas na criatura cada coisa tem seu princípio, portanto, para ter princípio a Vida constante
de minha Divina Vontade na criatura, devia fornecer a matéria-prima para a formação, mas sabes o
que são estas matérias-primas? Os primeiros conhecimentos e verdades que te manifestei sobre
minha Divina Vontade, eles formaram o humor, o calor e o primeiro ato de vida para dar início a
sua Vida. Agora, depois de haver formado o princípio desta Vida, era necessário formá-la, fazê-la
crescer e alimentá-la, assim que seguiram minhas manifestações sobre meu Querer, alguem serviu
para formá-la, outro para fazê-la crescer e outro para alimentá-la. Se Eu não tivesse continuado a
dizer sobre Ele, poderia ficar afogada, ou então uma Vida sem crescimento, porque ela não se
alimenta de outra coisa, senão somente de verdades e conhecimentos que lhe pertencem. Olhe
então a necessidade de meu prolongado dizer sobre meu Fiat, era necessário para fazê-lo
conhecer a criatura, era necessário para formar sua Vida e não fazê-lo faltar o alimento divino de
suas mesmas verdades, que são as únicas que podem lhe servir para alimentar-se, porque fora da
criatura Minha Vontade não tem necessidade de nada e de ninguem, por Si mesma em sua
natureza é vida, alimento e tudo, em troca na criatura, querendo sua parte concorrente, por meio
de conhecimentos e verdades que lhe pertencem forma sua Vida mais ou menos segundo ela
conhece, e estes conhecimentos formam uma união indissolúvel entre um e a outra, a substância,
o calor, o crescimento, o alimento da Vida de minha Vontade na criatura. Aqui está o porquê
retorno a meu dizer, porque serve a minha mesma Vontade em ti, e a ti para fazê-la conhecer mais,
amar e apreciar.
(5) Agora, quando as criaturas ouvirem que meu longo dizer, minhas visitas quase contínuas,
minhas tantas graças, serviram para formar a Vida de minha Vontade Divina em você, não mais se
maravilharão dos modos que tive, das graças que fiz, das tantas verdades que disse, era Vida que
devia formar e a vida tem necessidade de atos contínuos; que vida pode dizer que não tem
necessidade de atos contínuos? Nenhuma, as obras não têm necessidade de atos contínuos, mas
a vida os necessita, o respiro, o batimento, o movimento contínuo, um alimento que cada dia a
sustenta, uma veste que a cobre, uma habitação que a tem ao seguro. Veja então como tudo o que
fiz e farei é necessário para Mim, para formar esta Vida de minha Vontade Divina, e era necessário
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Volume 32
para ti, para recebê-la e possuí-la, e para não lhe fazer faltar nada do que convinha a uma Vida
Divina. Quando Eu faço, faço com sabedoria, ordem e harmonia divina, devia te dizer que queria
formar esta Vida de minha Divina Vontade em ti sem fazê-la conhecer-te, sem dar-te as matérias
divinas para formá-la, e o alimento contínuo para fazê-la crescer? Eu não sei fazer estas coisas, se
digo o que quero, devo dar tudo o que é necessário, e de modo superabundante para fazer que a
criatura possa fazer o que quero. E, como as criaturas não conhecem o meu modo de agir, se
admiram, duvidam, e alguns chegam a condenar o meu agir, e a criatura que tenho na mira para
cumprir os meus grandes desígnios, que ajudarão a todo o mundo, porque a Vida da minha
Vontade Divina que opera na criatura não está sujeita nem a morrer, nem a terminar, mas terá a
sua perpetuidade entre as gerações humanas. Por isso deixa-me fazer e segue sempre o teu voo
na minha Divina Vontade".
++++
32-19
Agosto 6, 1933
Como a Celestial Rainha crescia junto com a Divina Vontade, e como possuía o sol falante.
Alegrias de Deus na criação do homem, poder que lhe dava.
(1) Estou sempre nos braços do Fiat Divino, que ora me detém em uma obra sua, e ora em alguma
outra, parece que me quer fazer compreender bem o que fez por amor nosso, por isso, enquanto
girava em suas obras me detive no ato da Concepção da Virgem, via como a Divina Vontade tinha
seu primeiro posto e crescia e se difundia naqueles pequenos membros conforme crescia a mesma
pequena Rainha, cresciam juntas as duas, que feliz crescimento, que grande prodígio! A Divina
Vontade abaixar-se, encerrar-se na pequenez da Virgem Santa para crescer junto. Mas enquanto
eu ficava admirada, meu amado Mestre divino, me surpreendeu e disse:
2) "Minha filha boa, fazer viver a Celestial Rainha no Fiat Divino foi o ato maior, mais heroico, mais
intenso de amor que fez nosso Ente Supremo, e embora nossos bens sejam imensos e
inumeráveis, ao dar nossa Vontade para viver nela, não podíamos dar-lhe mais, nem acrescentar
outra coisa, porque com Ela lhe dávamos tudo, e formava em Si mesma a fonte e o manancial de
todos os bens divinos, quanto a criatura é possível. Agora, a Soberana Pequena com crescer junto
com nossa Vontade, conforme crescia assim formava em sua alma, em seu coração, em suas
obras e passos, tantos sóis falantes, que com vozes de luz e de amor irresistível nos falavam, nos
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Volume 32
falavam tanto, nos falavam de amor, nos falavam de nosso mesmo Ser Divino, nos falavam do
gênero humano, nos falavam seus passos, suas mãozinhas, os batimentos de seu coração, que
com voz de luz chegava até nosso seio divino, e falava até dentro de Nós mesmos. Seu dizer não
cessava jamais, porque vivendo na Rainha Celestial nosso Querer, tinha seu Ser todo falante, que
não com vozes humanas, mas sim com vozes celestiais e divinas tem sempre que dizer, que não
se esgota jamais, muito mais que o Fiat Divino é palavra, e palavra operante, palavra criadora;
como podia cessar a sua palavra se o tinha em seu poder? Portanto o seu dizer tinha-nos
assediados, arrebatados, circundados por todos os lados, ocupados, de modo que se tornava
irresistível e invencível para lhe dar o que queria, sua palavra era potente e fazia ceder a nossa
potência, era suave e doce e fazia que nossa justiça se retirasse, era luz e se impunha sobre nosso
Ser Supremo, sobre nosso amor, sobre nossa bondade, em suma, não havia coisa nossa que
docemente não se curvava ante as vozes potentes desta Celestial Criatura".
(3) Mas enquanto meu doce Jesus dizia isto, fazia-me ver a Celestial Rainha, que de dentro de seu
coração saía um Sol que invadia toda a corte celestial, toda a terra, e seus raios estavam formados
de luz fulgidíssima, de vozes que falavam a Deus, aos santos e aos anjos, a todas as criaturas da
terra. Assim que minha Mãe Celestial possui ainda seu dizer contínuo, seu Sol falante que com
vozes de luz falante fala a seu Deus e o ama e glorifica divinamente, fala aos santos e faz de Mãe
beatificante e portadora de alegrias a toda a corte celestial, fala à terra e como Mãe nos forma o
caminho para nos conduzir ao Céu; e meu amado Jesus adicionou:
(4) "Veja então o que significa viver de Vontade Divina, adquire-se o fazer, o dizer, o amor
contínuo; o que sai de dentro de minha Vontade tem virtude constante, iluminadora e continuadora,
e por isso são atos triunfadores que vencem a Deus".
(5) Depois disso, eu continuei meu giro nos atos do Fiat Divino, e me detive na criação do homem,
e oferecia os mesmos atos divinos que fez ao criar o homem, e os de Adão inocente, para alcançar
o reino da Divina Vontade, e o meu sumo Bem Jesus disse:
(6) "Minha filha bendita, conforme ofereceste nossos atos ao criar ao homem, e os de Adão
inocente para impetrar o reino de minha Divina Vontade, assim nos repetiste as alegrias que
sentimos ao criar ao homem, e formaste novos vínculos de união entre a Vontade Divina e
humana, são os mesmos atos nossos que formaram o lugar onde criar o homem e lhe
proporcionaram a vida para animá-lo, assim os mesmos atos nossos formarão o caminho para
fazê-lo reentrar em nossa Vontade. Por isso a oferta de nossos atos, que estão armados de
potência, nos fazem decidir a dar o que a criatura pede, muito mais que são portadores de alegrias,
mas tanto que nos põem em festa e, quem não sabe que nas festas se abunda no dar dons nunca
dados? Agora, você deve saber que em nenhuma outra coisa criada por Nós sentimos tanta alegria
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Volume 32
como ao criar o homem, mas sabe por que? Nem ao céu, nem ao sol, nem às estrelas, nem ao
vento, nem a todo o resto, dávamos o poder de nos poder dar o nosso pulsar, a nossa Vida, o
nosso amor; se dávamos, dávamos Nós, mas elas não tinham nenhum poder de nos dar nada, por
isso a alegria de receber, não, não existe nas outras coisas criadas, no máximo a alegria de dar,
porque não estando a correspondência a alegria fica isolada e sem companhia, ao contrário ao
criar o homem dávamos-lhe o poder de dar-nos a nossa Vida, o nosso pulsado eterno que palpita e
dá amor, a nossa alegria foi grande ao dar este poder ao homem, de sentir o nosso pulsar nele e
de dar a nossa Vida à sua disposição para poder amar-nos com uma Vida Divina; assim, o homem
podia nos parabenizar e nos corresponder com suas alegrias, e alegrias que podiam estar a par
com as nossas. Agora, ao ver nossa Vida nele, ao sentir nosso batimento palpitar nele, sentimos tal
alegria que ficávamos estáticos ante um portento tão grande da criação do homem, e agora, nos
oferecendo estes atos nossos, sentimos repetir as alegrias e a doce lembrança de sua criação. Por
isso repete tuas ofertas se queres nos dar alegrias e nos inclinar a dar nossa Vontade reinante
sobre a terra".
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32-20
Agosto 13, 1933
Delírio e paixão divina do Querer Divino por querer viver junto com a criatura. Seu ato novo
e o Pintor divino. O que significa viver no Querer Supremo.
(1) Estou sempre de volta aos braços da Divina Vontade, parece que suspira me ter sempre com
Ela para me dar sua Vida contínua, e eu suspiro por recebê-la, sem Ela sentiria que me falta a terra
debaixo dos pés, o batimento em meu coração, e sofreria uma fome tremenda, sem que qualquer
outra coisa me pudesse dar nem sequer uma migalha para saciar a fome. Oh! Vontade Divina, se
queres tornar-me feliz vivamos juntas, e possa encontrar em mim a felicidade de tua mesma Vida.
Mas enquanto minha mente se perdia no Fiat, meu amado Jesus fazendo-me sua breve visita me
disse:
(2) "Minha filha bendita, poderia dizer que é um delírio, uma paixão divina da minha Vontade, que
quer fazer vida junto com a criatura, cedendo a sua para ter a pequenez humana, mas, sabes por
quê? Você deve saber que meu Querer Divino tem sempre em breve um ato novo para dar à
criatura, mas se não viver junto, não se acostuma a fazer seus atos unida com meu Querer para
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Volume 32
formar deles um só, e não pode dá-lo, primeiro porque não seria digna de recebê-lo, segundo
porque não entenderia o valor do grande dom que recebe, e não teria virtude de absorvê-lo em si
como vida própria. Com o viver junto com minha Divina Vontade se adquire nova vida, modos
divinos, ciência celestial, penetração das coisas mais profundas, em suma, como meu Fiat é o
Mestre dos mestres e quem cria a ciência mais alta, faz conhecer as coisas, não veladas, senão
como são na realidade, portanto, vivendo junto com a criatura não a quer ter ignorante, a instrui,
lhe faz suas surpresas, lhe conta sua história divina, e isto transforma-a e torna-a capaz de receber
o seu ato novo que o meu Querer quer dar-lhe, e a alma, em cada ato que faz unida com Ela,
adquire uma nova prerrogativa de semelhança divina. Com o viver junto com meu Querer a alma se
afina, se embeleza, e se torna em nossas mãos criadoras como a tela adequada nas mãos do
pintor, que quanto mais bela, mais fina é a tela, mais bela fica a imagem que quer pintar sobre essa
tela, parece que seus pincéis e suas cores adquirem mais arte, são mais capazes, muito mais
porque põem ao vivo as cores sobre uma tela finíssima. Assim que o tecido se transforma em
imagem, que dando ao vivo as cores adquire tal valor, de tornar-se admirada quem sabe por
quantos povos. Agora, mais que pintor divino é minha Vontade, e não se cansa jamais de dar nova
beleza, santidade e ciência nova, e está esperando um ato feito junto com Ela para enriquecê-la,
para fazer-se conhecer de mais e fazer uso de seus pincéis divinos, para elevá-la a tal altura e
especial beleza, de fazê-la ser admirada quem sabe por quantas gerações, de modo que todas a
chamarão bem-aventurada, e quem tem o bem de olhá-la se sentirá feliz; todos os atos novos
recebidos de Deus, em virtude do que tem feito em meu Querer, a louvarão e a exaltarão, a farão
conhecer como a obra mais bela de meu Fiat Divino; seu querer-se baixar a viver com a criatura,
seu delírio divino, é sinal de que quer fazer coisas grandes dela e dignas de sua potência criadora,
por isso viver junto com meu Fiat é a fortuna maior, e deveria ser o delírio, a paixão veemente e a
ambição de todos".
(3) Depois disto ouvia em mim e fora de mim o mar murmurante do Fiat Divino, oh! como é doce,
suave seu murmúrio, murmura e fala, murmura e acaricia a sua amada criatura, murmura e a beija,
e apertando-a entre seus braços lhe diz: ‘Te amo.' E pede amor. Não há coisa mais bela, mais
agradável, que o que um Querer tão Santo lhe diga ‘te amo', e pede por correspondência o
pequeno amor da criatura. Eu me sentia correr este murmúrio divino como vida em todo meu ser, e
meu doce Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, queres saber o que significa fazer e viver em minha Vontade Divina? Saber onde
se encontra, com quem tem o que fazer, o que pode receber, não esquecer o bem que recebeu,
tudo isso é sinal de que a alma vive em minha Divina Vontade, porque dizer que vive nela e não
saber onde se encontra a morada divina que se presta a fazer-lhe de habitação, seria não apreciar,
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Volume 32
porque as coisas, as pessoas, os lugares quando não se conhecem, não se apreciam, dizer vivo no
Querer Divino e não sabê-lo é absurdo, e se não o conhece não é uma realidade, mas um modo de
dizer, enquanto a primeira coisa que faz minha Vontade é revelar-se, fazer-se conhecer a quem
quer viver junto com Ela. Portanto, conhecendo onde se encontra, sabe o que tem que fazer com
um Querer tão Santo que quer tudo para lhe dar tudo. Por isso se põe em ato de receber sua
santidade, sua luz, e se põe em ato de viver dos bens d'Aquele que convive junto, porque
conhecendo-o não sente mais o desejo de abaixar-se em sua vontade humana, muito mais que já
não é sua. Com este conhecimento a criatura adquire o ouvido para escutá-lo, a voz para falar
dele, a mente para compreendê-lo, a confiança em modo divino para pedir tudo e receber tudo,
assim que não ignora os bens que possui, antes é toda olhos para guardá-los e agradece Àquele
que tanto se abaixou a viver com ela. Agora, se alguém ler estas linhas que te fiz escrever e não
compreender o que está escrito, e ficar deslumbrado porá em dúvida verdades tão sacrossantas, e
até onde pode chegar a criatura com viver junto com meu Querer, é sinal de que não vive com Ele;
Como o pode compreender se não tem em si esta Vida tão Santa, não provou jamais suas delícias,
não escutou jamais suas belas lições, seu paladar nunca provou este alimento celestial que sabe
dar minha Vontade? Por isso ignoram o que sabe fazer e dar meu Fiat, e se o ignoram, como
podem entendê-lo? Quando um bem não se conhece, se não se sentem pelo menos as
disposições de querer crer, leva a cegueira da mente e a dureza do coração, e se pode chegar até
a desprezar aquele bem, que para quem o conhece e o possui forma sua fortuna e sua glória, e
daria sua vida humana para possuir a Vida de meu Fiat e seus bens que conheceu, e conhecendo-
o a todo ouvidos para ouvi-lo, é toda olho para olhá-lo, é toda coração para amá-lo, é toda língua
para falar dele, mas gostaria de ter quem sabe quantas línguas para dizer o bem que conhece, as
prerrogativas d’Aquele que possui como vida, porque a sua não lhe basta para poder dizer tudo o
que conhece. Por isso quando quero dar um bem, um dom, especialmente o grande dom de minha
Vontade como vida na criatura, a primeira coisa que faço é a de fazê-la conhecer, não quero dar a
luz e colocá-la em lugar oculto como se não a tivesse, nem meus dons para escondê-los e como
para enterrá-los nela, em que aproveitaria dá-los? E se não os conhece, como poderia a pobre
criatura me corresponder, amá-los e apreciá-los? Se dou é porque quero que façamos vida juntos e
unidos desfrutemos o bem que lhe dei. Além disso, o teu Jesus faz-se sentinela vigilante para
guardar o que dei à minha amada criatura. Conhecer significa possuir, possuir significa conhecer,
para quem não conhece, as verdades tornam-se difíceis e sem vida. Portanto, seja atenta e alegre-
se do que seu Jesus te deu e fez conhecer".
++++
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Volume 32
32-21
Agosto 20, 1933
A Divina Majestade se inclina para a criatura quando a vê disposta a fazer um ato de sua
Vontade. Diferença que há entre quem faz a Divina Vontade, e entre quem vive n‟Ela. Como
fica misturada no Fiat.
(1) Minha pobre mente continua percorrendo o mar do Fiat, me parece que estou sempre dentro,
mas abrangê-lo tudo não me é dado, sou muito pequena e incapaz, e enquanto caminho, oh,
quanto me resta caminhar e compreender! Toda a eternidade não será suficiente para percorrer
tudo, mas enquanto minha mente se perdia em sua imensidão, meu amado Bem Jesus, me
surpreendeu e disse:
(2) "Minha filha bendita, é certo que toda a eternidade não te bastará para percorrer o imenso mar
de meu Querer, muito menos as poucas horas de sua vida; te basta estar dentro para ser feliz, seja
atenta para tomar as gotinhas que sua pequena capacidade pode tomar, porque você deve saber
que é tanta nossa alegria quando vemos nossa criatura que está dentro de nosso mar do Fiat, e
que quer compreender mais e encerrar em si outro conhecimento seu para poder formar um ato
mais de Vida de nossa Vontade, que nossa adorável Majestade se inclina até o baixo da criatura, e
tocando com nossas mãos criadoras sua pequena inteligência, a tornamos capaz, e com nossa
potência formamos o espaço onde deve encerrar o novo ato de nossa Vontade, porque não há ato
maior, que mais nos glorifica e nos ama, que um ato cumprido de nossa Vontade na criatura, tanto
que os Céus se abaixam, toda a Criação se inclina e adoram a minha Vontade cumprida na
pequena criatura. Ela mesma, que invade tudo e não há ponto onde não se encontre, chama tudo,
céu e terra a fazer honra a seus atos cumpridos na pequenez humana".
(3) Depois continuava pensando na Divina Vontade, e pensava entre mim: "Mas que diferença há
entre quem faz a Divina Vontade e entre quem vive n’Ela?" E o meu amável Jesus acrescentou
todo bondade:
(4) "Minha filha, há grande diferença entre uma e outra, quem vive em minha Divina Vontade
possui a Vida d’Ela, e recebe vida contínua de Deus para conservar, alimentar e fazer crescer esta
Vida de minha Vontade na criatura, Vida possui e Vida recebe. Em troca quem faz minha Divina
Vontade recebe os efeitos d’Ela, e entre a Vida e os efeitos há tal distância, que não há
comparação possível. Não há diferença entre a vida e a obra? A vida palpita, pensa, fala, ama,
caminha, e repete quantas vezes quer o que possui como vida, ao contrário a obra, sendo efeito da
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Volume 32
vida, não palpita, não pensa, não fala, não ama, não caminha, nem é capaz de se repetir, e pode
dar-se que a mesma obra com o tempo se consuma e não se encontre mais, quantas obras feitas,
quem sabe com quanto ruído, não existem mais, em troca a vida não se consome, e se se
consome o corpo pela morte, é por pouco tempo, mas a alma não morre, nem pode ser consumida,
mesmo que quisesse. Olha então que grande diferença há entre a vida e os efeitos que a vida
pode produzir, os efeitos se produzem a tempo, circunstâncias e lugares, em troca a vida não se
interrompe jamais, palpita sempre e tem em seu poder produzir diversos efeitos segundo as
circunstâncias. Agora, quem vive em minha Vontade, possuindo a Vida d’Ela, tem em seu poder, e
sempre, não a intervalos: santidade, graça, sabedoria, bondade, tudo, e como é Vida que possui,
tanto na alma como no corpo, de modo que todas as pequenas partes de seu ser contêm o Fiat
Onipotente, e corre mais que sangue em toda a criatura, tanto, que se palpita, palpita Fiat; se
pensa, em seus pensamentos está impresso o Fiat; se fala, ouve-se em sua voz correr meu Fiat e
fala dEle; se age, suas obras estão mescladas com meu Fiat, e se caminha, seus passos dizem
Fiat; é Vida filha minha, e como Vida deve ser sentida em todo seu ser, não pode fazer menos que
senti-la. Não é assim para quem faz minha Vontade, para percebê-la deve invocá-la, rogar, mas,
quando a invoca? Nas circunstâncias dolorosas da vida, nas necessidades, quando se vê
perseguida por inimigos, quase como aqueles que chamam o médico quando estão doentes, mas
se estão bem o médico é sempre um estranho para eles, por isso a Vida perene de meu Querer
Divino não existe neles, e por isso são mutáveis no bem, a paciência, a oração, a luz, não as
sentem como vida neles, e portanto não sentem a necessidade de possuí-las como sua
propriedade, nem as amam com verdadeiro amor, porque quando os atos não são contínuos não
se tem o domínio sobre eles, nem se tem em próprio poder, então o amor é quebrado, por isso a
diferença é grande entre a vida e os efeitos, a vida faz sentir a necessidade de viver da Vontade
Divina, ao contrário os efeitos não, se se têm, se têm, se não se têm ficam indiferentes, por isso o
querer sempre minha Vontade significa que se possui a Vida d’Ela".
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32-22
Setembro 2, 1933
Canais, comércio entre o Céu e a terra, comércio da alma que vive na Divina Vontade.
Competição de amor entre criatura e Criador.
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Volume 32
(1) Sou sempre o pequeno átomo no Querer Divino, recém-nascida apenas e sinto a extrema
necessidade de ser alimentada e crescer em seus braços paternos, de outra maneira surge em
mim o querer humano para formar sua vida infeliz. Deus meu, tem piedade de mim e não permitas
que eu conheça nem adquira outra vida senão a de tua Vontade, e sentindo-me afligida, oprimida
pelas quase contínuas privações do meu doce Jesus, que me têm sacrificada sobre a fogueira de
uma dor, e que só Deus é testemunha de um martírio tão duro, pelo que tinha temor de que minha
infeliz vontade humana me fizesse uma brincadeira, e meu amado Jesus para infundir-me ânimo,
segurando-me em seus braços porque não podia mais, me disse:
(2) "Minha filha bendita, coragem, afasta de teu coração todo temor, esta é a arma que, ou mata ou
fere o amor e faz perder a familiaridade com teu Jesus, e Eu, nem sei estar, nem quero estar com
quem quer viver de minha Vontade, sem intimidade, seria como se não fosse uma só coisa
Comigo, se isto fosse não poderia dizer que é uma Vontade que nos anima e forma a tua vida e a
minha, senão que deveria dizer: ‘Tu tens a tua vontade, e Eu tenho a minha'. E Eu não quero isto,
porque viver em meu Querer não existiria mais em você, mas sim quero que em cada pena que
sofra, mesmo em minha privação, em cada coisa que faça de todo seu ser, chame sempre a minha
Vontade, a fim de que todos seus atos formem o canal onde Ela possa encontrar o caminho, o
lugar onde guardar os seus bens e fazê-los correr em abundância, segundo o canal que preparou;
cada ato que você faz pode ser um canal de graças, de luz, de santidade, que prestes à minha
Vontade, a qual te fará proprietária dos bens que encerra em seus atos, e os fará correr para o
bem de todos. Olha então para que deve me servir teu ser, tuas penas, tuas ações, devem servir
como tantos canais nos quais possa pôr sempre do meu; pôr do meu é felicidade para Mim, é dar-
me o que fazer, é sentir-me amado e conhecido. E é tanto meu desejo de colocar nos atos da
criatura minhas propriedades divinas, para torná-la dona, que estou espiando, faço de vigia
sentinela, uso todas minhas atenções amorosas para ver se seus atos estão vazios do querer
humano e se faz a chamada à minha Divina Vontade, a qual encontrando o vazio nos atos
humanos, serve-se deles como canais para pôr neles as graças maiores, os conhecimentos mais
sublimes, a santidade que mais os assemelha, e com isso forma o dote divino a sua amada
criatura".
(3) Depois disso fez silêncio, e depois acrescentou com uma pronúncia mais terna:
(4) "Minha filha, você deve saber que para quem vive em minha Divina Vontade não há tempo a
perder, nem se pode prestar atenção a certas minúcias, a temores, a opressões, a agitações, a
dúvidas, quem tem que fazer o mais, o menos deve fazer a um lado, quem deve tomar o sol e
gozá-lo, é necessário que não preste atenção às pequenas luzes, e quem possui o dia não deve
prestar atenção à noite, porque o sol é mais que as pequenas luzes e o dia tem mais valor que a
47
Volume 32
noite, e se quiser prestar atenção a um e ao outro, corre o risco de não gozar toda a plenitude da
luz do sol, nem faça tudo o que pode fazer o dia, e pode ser que por prestar atenção ao menos,
perca o mais. Muito mais que minha Divina Vontade para quem vive n’Ela, quer estar sempre em
ato de dar, e a criatura deve estar sempre em ato de receber, e se se quer prestar atenção a outras
coisas, minha Vontade é obrigada a fazer pausas no dar, porque não a encontra atenta a receber o
que quer dar, e isto é interromper a corrente divina, e se soubesses o que significa, como estarias
atenta.
(5) Além disso, você deve saber que conforme a criatura faz suas ações em minha Divina Vontade,
entra nos bancos divinos e faz seu comércio de valor infinito, ela como vem em nosso Querer,
embora seja pequena, vem como dona, e se faz proprietária do que nossos bancos divinos
possuem e toma quanto mais pode tomar, e como o que toma não pode fechar tudo dentro de si,
deixa-o em depósito junto com nossos mesmos tesouros, e Nós a fazemos fazer, gozamos com
seu comércio, e é tanta nossa bondade, que damos o interesse às aquisições que fez. Então, cada
vez que você faz suas ações em nosso Querer, abre o comércio entre o Céu e a terra, e põe em
comércio nossa santidade, potência, bondade, amor, e Nós para não ficarmos atrás de nossa
amada criatura, ela sobe e Nós descemos no baixo do querer humano, e abrindo o nosso comércio
fazemos a aquisição do querer humano, comércio tão querido e agradável para Nós, e assim
fazemos concorrência e conquistamo-nos mutuamente. Filha boa, viver em nosso Querer e não ter
ela o que fazer conosco e Nós com ela, nem ter que dizer, nem fazer-nos sentir, nos resulta
impossível, se isto fosse não seria mais Vida nossa que desenvolvemos na criatura, mas um modo
de dizer, não uma realidade. A vida sente a necessidade absoluta de se mover, de se fazer sentir,
de respirar, de palpitar, de falar, de dar calor; como se pode sufocar uma vida, estar, viver, e não
se fazer sentir? Isto é impossível a Deus e à criatura. Por isso não se assuste quando ouvir que
tudo é silêncio em você, são breves incidentes, porque sou Eu mesmo que sinto a necessidade de
fazer sentir que minha Vida existe em você. Estar e não me fazer sentir seria meu mais cru
martírio, posso fazê-lo por pouco, mas nem sempre, por isso não esteja pensativa, vive toda
abandonada em Mim, e Eu pensarei em tudo".
++++
32-23
Setembro 10, 1933
Nosso Senhor desembolsa o preço para comprar sua Divina Vontade, para dá-la às
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Volume 32
criaturas. O banho no Querer Divino. O pequeno mar da alma e o grande mar de Deus.
(1) Estava seguindo a Divina Vontade em seus atos, tanto da Criação como da Redenção, via
como todos tinham uma conexão com a vontade humana para que pudesse ter seu posto a Divina,
e como muitos atos humanos fugiam de receber a santidade do ato divino, não lhe dando o
primeiro lugar, pensava entre mim: "Como é difícil que o Fiat Supremo estenda seu reino nos atos
humanos das criaturas, porque parece que não reconhecem nem sequer o ato divino que corre
neles, portanto não o apreciam nem lhe dão a supremacia devida, parece que os atos humanos
são como um povo sem rei, sem ordem, e muitos são inimigos dos atos divinos que lhes querem
dar a vida, porque enquanto correm neles não os reconhecem". Meu Deus, dizia entre mim, como
pode ser que tua Vontade forme seu reino? E meu sempre amável Jesus, me surpreendeu, com
toda ternura, afogado de amor, como se tivesse necessidade de um desabafo me disse:
(2) "Filha bendita de minha Vontade, não há que ter dúvidas, é mais que certo que meu Querer terá
seu reino em meio às criaturas, como foi certo o meu planejamento do Céu à terra. Eu, fazendo-a
de rainha, devia constituir o reino a meu Fiat, o qual o homem havia rejeitado, por isso minha
Divindade unida a minha Humanidade descia do Céu para comprar minha Divina Vontade para as
criaturas; cada ato que fazia era um adiantamento do preço que se requeria, e que dava à Divina
Majestade para voltar a comprar o que o homem tinha rejeitado e perdido, assim que cada ato
meu, pena, lágrima, e a mesma morte de cruz, não foi outra coisa que desembolsar o preço
suficiente para comprar minha Vontade Divina e dá-la às criaturas. Assim, se a compra foi feita,
pago o preço, a Divindade aceitou, e foi concluído o pagamento com o sacrifício de minha Vida,
como não deve vir seu reino? Você deve saber que conforme minha Humanidade operava, sofria,
orava, assim meu Fiat Divino descia no baixo de meus atos humanos e formava seu reino, e como
Eu era a cabeça, o irmão maior de todas as gerações humanas, o reino passava a meus membros,
a meus irmãos menores. Mas primeiro era necessária a Redenção, porque esta devia servir para
cultivar o terreno das vontades humanas, para purificá-las, prepará-las, embeleza-as, e para fazer-
lhes conhecer quanto custou a este Homem e Deus a compra que fez desta Vontade Divina para
dá-la às criaturas, a fim de que possam receber a graça de poder receber o grande dom de serem
dominadas por minha Vontade; se a Redenção não tivesse sido a primeira, faltaria o desembolso
do preço e o ato preparatório para um bem tão grande. É mais, te digo que a Divindade, antes de
que Eu descesse do Céu havia decretado a Redenção e o reino de minha Vontade, devendo servir
uma ao desembolso da outra, porque sendo Ela Divina e de valor infinito, se necessitava um
Homem Deus que pudesse pagar e adquirir um Querer Divino, para dá-lo de novo a quem o havia
perdido, e se isto não fosse, não me teria movido do Céu para vir só para redimir, sobretudo que
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Volume 32
me interessava mais restituir os direitos a nossa Vontade ofendida e rejeitada que a mesma
Redenção, e ademais não teria agido como Deus se pusesse a salvo minhas criaturas, e minha
Vontade a um lado, não lhe dando os direitos devidos e de restituir o seu reino entre as criaturas.
Por isso está certa, virá seu tempo, me armarei de poder e de amor, e soará a hora do triunfo do
reino de meu Fiat, e além disso, o dizem minhas tantas verdades que manifestei sobre minha
Divina Vontade, para quê dizê-las se seu reino não deveria vir? Teria sido um joguinho meu longo
dizer, ou um bem individual, mas não, não, posso dizer que meu falar era o contínuo desembolso
que fazia para fazer conhecer que coisa é minha Vontade, e que deve vir a formar seu reino divino.
Por isso, seja atenta, sofra e ore por uma finalidade tão santa".
(3) Depois disso, continuava mergulhando no Fiat Divino, sentia a necessidade de entrar em seu
mar para tomar os alimentos necessários para alimentar e conservar sua mesma Vontade em
minha alma, o novo ato que Ela tem, e que também em mim sente a necessidade de ter seu ato
novo contínuo, seus refrescos infinitos. Então, enquanto eu mergulhava no seu mar divino, meu
amado Jesus acrescentou:
(4) "Filha bendita, o teu pequeno riacho do meu Querer encerrado em ti, sente a necessidade de
lançar-se no grande e imenso mar da minha Vontade. Assim, para quem vive em meu Querer, tem
por sua pequenez o pequeno mar de meu Querer dentro de si, e o mar imenso fora de si, e o
pequeno sente a necessidade de lançar-se no grande para engrandecer sempre mais seu pequeno
mar, e isto faz cada vez que quer fazer os atos em minha Vontade, ela vem a fazer seu banho no
grande, e enquanto se banha toma os alimentos, os refrescos divinos, nossa frescura, de modo
que se sente renovar toda a nova Vida Divina, e como minha Vontade tem a virtude comunicativa,
não faz sair de seu grande mar a criatura se não a encheu até a borda de novos atos de sua
Vontade. Olha então, Ela está esperando seus atos para dar-lhe seu banho e comunicar-lhe suas
novas prerrogativas que você não possuía, e se você soubesse o que significa tomar um novo
banho no mar do meu Querer Divino, cada vez que o toma se sente renascida a nova vida, adquire
novos conhecimentos daquele que a criou, sente-se amada de mais pelo seu Pai Celestial, e surge
em si novo amor por Aquele que ama, em suma, é a filha que conhece e quer conhecer mais o seu
Pai, e não quer fazer nada sem sua Vontade; é o Pai Divino que chama a sua filha para tê-la junto
com Ele, para formar nela seu modelo, por isso seja atenta e não deixe fugir nenhum ato que não
tome posse em meu Fiat Supremo".
++++
50
Volume 32
32-24
Setembro 17, 1933
A Divina Vontade é o motor e a assaltante, dá vida, chama a vida e faz surgir a lembrança de
tudo. Acampamento divino. O movimento de minha Vontade Divina forma sua Vida na
criatura.
(1) Estou sob as ondas eternas do Querer Divino, e me parece que quer que preste atenção a
estas ondas, as reconheça, as receba em mim, as ame, para me dizer: "Sou o Querer eterno que
te estou em cima, que te circundo por toda parte, invisto teu movimento, teu respiro, teu batimento,
para fazê-los meus, para fazer-me o lugar e assim poder distender minha Vida em ti; sou o imenso
que quero restringir-me na pequenez humana, sou o poderoso que me deleito em formar a minha
Vida na debilidade criada, sou o santo que quero santificar tudo, põe-me atenção e verás o que sei
fazer, e o que farei em tua alma". Mas enquanto minha mente estava toda ocupada pelo Querer
Divino, meu sempre amável Jesus, repetindo sua breve visita me disse:
(2) "Minha filha bendita, minha Vontade é o motor que com constância férrea ataca a criatura por
todos os lados, dentro e fora, para tê-la Consigo, e formar o grande prodígio de formar sua Vida
Divina na criatura; Ela, pode-se dizer que a criou para formar e repetir sua Vida nela, e a qualquer
custo quer conseguir sua tentativa, e em todas as coisas gira em torno dela e parece que lhe diz:
‘Olhe para mim, sou Eu, conheça-me, venho para formar minha Vida em ti, e fazendo-a de
assaltante, a assalta dentro e fora, de modo que quem presta atenção sente a minha Divina
Vontade regurgitando dentro e fora de si, que está formando o prodígio de sua Vida Divina, à qual
não lhe é dado resistir a sua potência, e sabe o que faz esta minha Divina Vontade? Dá vida,
chama a vida a tudo, faz surgir nesta Vida tudo o que fez e tudo o que foi feito de bem por todas as
criaturas, suscita a doce lembrança de suas obras, como presentes e em ato, como se as
repetisse, nada foge desta Vida, sente a plenitude de tudo, e oh! como a criatura se sente feliz,
rica, potente, santa, sente a companhia de todos os atos bons dos demais e por todos ama,
glorifica ao Fiat Divino como se fossem seus, e meu Querer se sente dar por ela suas obras, ou
seja, o amor, a glória de suas obras divinas, e repetir com a memória a glória e o amor das outras
criaturas. Oh! quantas obras postas no esquecimento, quantos sacrifícios, quantos atos heroicos
esquecidos que foram feitos pelas gerações humanas, que não se pensam mais, e portanto não há
nem a repetição contínua da glória, nem quem renova o amor daqueles atos, e minha Divina
Vontade formando sua Vida na pequenez humana, faz surgir a lembrança de tudo; para dar e
51
Volume 32
receber tudo, concentra tudo nela e forma seu acampamento divino. Por isso fique atenta a receber
estas ondas do meu Querer, elas se verterão sobre você para mudar sua sorte, e se você as
receber, será a mais afortunada criatura".
(3) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e pensava entre mim: "Mas como se
pode formar esta Vida Divina na alma? E meu doce Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, a vida humana é composta de alma e corpo, de membros, distintos um do outro,
mas quem é o movimento primário desta vida? A vontade, assim que sem ela não poderia fazer as
belas obras, nem adquirir ciência, nem ser capaz de ensiná-la, por isso tudo o belo da vida
desapareceria da criatura, e se beleza, dote, valor, engenho possui, deve ser atribuído ao
movimento de ordem que tem a vontade sobre a vida humana. Agora, se este movimento de ordem
o toma minha Divina Vontade sobre a criatura, se forma dentro dela a Vida Divina, por isso, desde
que a criatura se submeta a receber o movimento de ordem de minha Vontade, dentro e fora de si,
como movimento primário de todos seus atos, já vem formada minha Vida Divina, e toma sua
posição real no fundo da alma. O movimento diz vida, e se o movimento tem princípio de uma
vontade humana, pode-se chamar vida humana, se em troca o princípio é de minha Vontade, pode-
se chamar Vida Divina. Veja como é fácil formar esta Vida contanto que a criatura o queira: Eu não
quero, nem peço jamais da criatura coisas impossíveis, mas primeiro as facilito, as torno
adaptáveis, viáveis, e depois as peço, e enquanto eu as peço, para estar mais seguro de que
possa fazer o que quero, ofereço-me Eu mesmo a fazer junto com ela o que quero que faça, posso
dizer que me ponho à sua disposição a fim de que encontre força, luz, graça, santidade não
humana senão divina, Eu não presto atenção nem ao que dou nem ao que faço, quando a criatura
faz o que quero a abundo tanto, de lhe fazer sentir não o peso, mas a felicidade do sacrifício que
sabe dar minha Divina Vontade.
(5) E assim como a vida humana tem sua vida, seus membros distintos, suas qualidades, assim
nosso Ser Supremo tem suas qualidades puríssimas, não materiais, porque em Nós não existe
matéria que forme nossa Vida; unidas juntas santidade, potência, amor, luz, bondade, sabedoria,
onividência de tudo, imensidão, etc., formam a nossa Vida Divina, mas quem constitui o
movimento, quem regula, quem desenvolve com um movimento incessante e eterno todas as
nossas qualidades divinas? Nossa Vontade, Ela é o motor, a dirigente que dá a cada uma de
nossas qualidades a vida constante, assim que se não fosse por nossa Vontade, nossa potência
estaria sem exercício, nosso amor sem amar, e assim de todo o resto. Veja então como o todo está
na Vontade, e por isso ao dá-la à criatura damos tudo, e como são nossas pequenas imagens
criadas por Nós, nossos alentos, as pequenas chagas de amor espalhadas por Nós em todo o
criado, por isso lhe demos uma vontade livre unida à nossa, para formar as reproduções queridas
52
Volume 32
por Nós, não há coisa que mais nos glorifique, que mais nos ame, que nos torne contentes, que
encontrar a nossa Vida, nossa imagem, nossa Vontade em nossa obra criada por Nós, por isso o
todo confiamos à potência de nosso Fiat para obter o intento.
(6) Minha filha, tu deves saber que tanto em nossa Divindade na ordem sobrenatural, quanto na
ordem natural das criaturas, há uma virtude em natureza, uma prerrogativa inata, de querer
produzir vida, imagens que o assemelhem, e por isso uma mania de amor, um desejo ardente de
derramar-se a si mesmo na vida e obra que se produz; em toda a Criação não há coisa que não
nos assemelhe: O céu nos assemelha na imensidão; as estrelas na multiplicidade de nossas
alegrias e bem-aventuranças infinitas; no sol está a semelhança de nossa luz; no ar a semelhança
de nossa Vida que se dá a todos, é de todos e ninguém lhe pode fugir, ainda que o quisessem; no
vento que, enquanto se faz sentir, ora com ímpeto, ora como acariciando docemente às criaturas e
a todas as coisas, mas não o veem, nossa potência e onividente como acariciando docemente às
criaturas e a todas as coisas, mas não o vêem, nossa potência e onividência que tudo vemos, tudo
sentimos e como em um punho encerramos tudo, mas não nos vêem; em suma não há coisa em
que não esteja uma semelhança nossa, todas as nossas obras dão de Nós, louvam-nos e cada
uma tem o ofício de fazer conhecer cada uma das qualidades do seu Criador. Agora, no homem
não era somente obra que fazíamos, senão vida humana e Vida Divina que criamos nele, por isso
almejamos, queremos, suspiramos o reproduzir nele a Vida e nossa imagem, chegamos até afogá-
lo de amor, e quando não se deixa afogar, porque é livre de si mesmo, chegamos a persegui-lo de
amor, não fazendo-lhe encontrar paz em tudo o que foge de Nós; não encontrando a Nós mesmos
nele, lhe movemos guerra incessante, porque queremos nossa imagem bela, nossa Vida
reproduzida nele. Todas as coisas são feitas e enxertadas por Nós, também na ordem natural há
esta virtude de querer produzir coisas e vida similar; olhe, uma mãe gera uma criança, todas suas
ânsias e desejos é que o quer similar a si, e suspira por vê-lo similar a seus pais, e se a criança for
parecida com eles, oh! como estão contentes, é o seu orgulho, querem fazê-lo ver por todos,
fazem-no crescer com os seus costumes, com os seus modos, em suma, esta criança torna-se a
sua preocupação e a sua glória, mas se é ao contrário dos pais, feio, deformado, oh! como ficam
amargos, atormentados e chegam a dizer com suma dor: ‘Parece que não é nosso filho, de nosso
sangue'. Quase querem escondê-lo para não ser visto por ninguem, sentindo-se humilhados e
confusos, e esta criança será a tortura de seus pais por toda a vida. Todas as coisas possuem a
virtude de reproduzir coisas similares, a semente produz outra semente, a flor outra flor, o pássaro
outro passarinho, e assim de todo o resto; não produzir coisas similares é ir contra a natureza
divina e humana. Por isso, não ter a criatura similar a Nós é uma de nossas maiores dores, e só
quem vive de nossa Vontade poderá ser de alegria, e portadora de glória e de triunfo para nossa
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Volume 32
obra criadora".
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32-25
Setembro 24, 1933
(1) Meu abandono no Fiat continua, não posso fazer menos que ouvir o murmúrio de sua Vida,
seria não ter mais vida não ouvir seu murmúrio que murmura e dá luz, murmura e fortifica, murmura
e faz sentir sua Vida que aquece e transforma na sua. Vontade Divina, como é amável, admirável,
como não te amar? Depois seguia suas obras, as quais, conforme as seguia, assim se
derramavam sobre mim para dar-me amor e para dizer-me: ‘Somos obras tuas, feitas para ti, toma-
nos, nos possua e faz-nos tuas, a fim de que no que fazes tenhas pronto o modelo das nossas'. E
enquanto seguia as obras da Redenção, meu doce Jesus detendo-me disse:
(2) "Minha boa filha, em todas as nossas obras houve sempre um excesso de amor para com o
homem, e um excesso me impulsionava a fazer outro. Não me bastou descer do Céu à terra para
refazê-lo de novo, cada ato que fazia, cada pena, posso dizer que também cada respiro, era
dirigido a ele, o chamava em minha onividência, o estreitava em meus braços, o modelava de
novo para restaurá-lo e dar-lhe a nova vida que havia trazido do Céu, o irmanava comigo para
colocá-lo na filiação de meu Pai Celestial. Mas isto não me bastou, para tê-lo mais seguro fiz de
minha Humanidade a depositária de todas as obras, sacrifícios e passos do homem. Veja como
tudo está preso em mim, e isso me leva a amá-los duplamente em cada ato que fazem. Com o
Encarnar-me no seio da Imaculada Rainha formei esta minha Humanidade, e me constituí cabeça
da família humana para unificar todas as criaturas Comigo, e torná-las membros meus, por isso
tudo o que fazem é meu, no sacrário da minha Santa Humanidade encerro tudo, guardo tanto o
pequeno como o grande, mas sabes por quê? Porque passando em Mim lhes dou o valor como se
fossem obras, orações e sacrifícios meus, a virtude da cabeça desce nos membros, faz uma
mistura de tudo, e dou o valor dos meus méritos a eles. Assim que a criatura se encontra a si
mesma em Mim, e Eu como cabeça me encontro nelas. Mas você crê que meu amor falou ou disse
para pararem? Ah! não, jamais dirá basta, a natureza do amor divino é de formar sempre novas
invenções de amor, para dar amor e receber amor, se isto fosse, que dissesse basta, seria pôr um
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Volume 32
limite e encerrar em nosso cerco divino ao nosso amor, mas não, o nosso é imenso, e por sua
natureza deve sempre amar, eis por que depois a minha humanidade quero fazer seguir o extenso
campo da minha Divina Vontade, a qual fará coisas incríveis por amor das criaturas. Eis por que
seus conhecimentos, seu querer reinar, se não reina como pode ser generosa, ostentar em suas
surpresas de amor, por isso seja atenta e verá o que sabe fazer minha Vontade".
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32-26
Outubro 1, 1933
Cenas encantadoras que Jesus goza na alma que vive em sua Vontade. Chamadas
contínuas que fazem Deus e a criatura.
(1) O Querer Divino não me deixa jamais, parece-me que sempre está dentro e fora de mim, como
em ato de me surpreender, porque quer pôr seu ato em tudo o que faço, se rogo, se sofro, se
trabalho, e também se durmo quer dar-me seu repouso divino em meu sono, quer dar-se sempre
para agir e em cada coisa me chama dizendo: "Faz-me descer no baixo de teus atos, e Eu te farei
subir na altura dos meus, nos poremos em concorrência, tu a subir e Eu a descer". Mas quem pode
dizer o que diz a Divina Vontade em minha alma? Seu amor excessivo, sua condescendência, seu
contínuo ocupar-se de minha pobre alma; mas enquanto me encontrava sob o império do Querer
Divino, derramando-se sobre mim, meu sumo Bem Jesus, me surpreendendo disse:
(2) "Minha filha boa, não há cena que mais me comova e me arrebate, que ver a pequenez humana
sob o império de minha Vontade, o divino no humano, o grande na pequenez, o forte no débil,
aquele esconder-se um no outro, vencer-nos mutuamente, é tão belo, tão encantador, que
encontro as puras alegrias, a felicidade divina que a criatura pode dar-me, ainda que veja que é a
minha Vontade que as dá, mas as dá por meio do canal da vontade humana; se tu soubesses
quanto me deleito, para me dar prazer te faria vencer sempre por minha Vontade, posso dizer que
deixo o Céu, enquanto fico nele, para vir a gozar as puras alegrias que me sabe dar minha Vontade
Divina no pequeno cerco da criatura na terra. Tu deves saber que quem faz minha Divina Vontade,
e deixa que sua Vida corra em seus atos, chama continuamente a Deus e a todos seus atributos,
Deus se sente chamado sempre pela criatura, ora o chama porque quer sua potência, ora porque
quer seu amor, ora porque quer sua santidade, sua luz, sua bondade, sua paz imperturbável, em
suma, está sempre chamando-o porque quer do seu, e Deus está sempre esperando-a para dar o
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Volume 32
que pede, e para corresponder-lhe, sente-se chamado e chama-a, para dar-lhe confiança e dizer-
lhe: ‘O que mais queres do meu Ser Divino? Pegue o que quiser, é mais, assim que você me
chama, eu já te preparo minha potência, meu amor, minha luz, minha santidade que se precisam
em seu ato'. Assim que Deus chama a alma, e a alma chama a Deus, e este chamar-se sempre
mutuamente, a criatura para pedir e receber, e Deus para dar, forma a Vida de minha Vontade na
criatura, a amadurece, a faz crescer e forma o doce encanto a seu próprio Criador. Um ato
contínuo encerra tal poder, que Deus não se sabe desvincular da criatura, nem ela de Deus, mas
bem sentem a irresistível necessidade de permanecer unidos um com o outro, e só minha Vontade
sabe produzir estes atos contínuos que não cessam jamais, e formam o verdadeiro caráter de viver
em minha Vontade. Ao contrário, um caráter mutável, um agir interrompido, é o verdadeiro sinal de
viver do querer humano, o qual não sabe dar nem firmeza, nem paz, e não sabe produzir outra
coisa que não sejam espinhos e amarguras".
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32-27
Outubro 15, 1933
Maestria e arte divinos. O pequeno paraíso de Deus. Labirinto de amor, virtude geradora do
Fiat. Deus em poder da criatura.
(1) Meu abandono no Fiat continua, sinto sua respiração Onipotente que soprando-me quer fazer
crescer, engrandecer sua Vida em mim, quer me encher tanto, de não fazer ficar do meu ser
humano mais que o só véu que o cobre. Então pensava entre mim: "Mas o que ganha este Querer
Santo, que tem tanto interesse de formar sua Vida na criatura, que move Céu e terra para obter a
tentativa, e que diferença há entre a Divina Vontade como vida, e entre a Divina Vontade como
efeito?" E meu sempre amável Jesus, me apertando em seus braços, com uma bondade
indescritível me disse:
(2) "Minha filha bendita, não há coisa mais bela, mais santa, mais agradável e que mais nos agrada
e glorifica, que formar a Vida de nosso Querer Divino na criatura; nela vem formado um pequeno
paraíso, onde nosso Ente Supremo se deleita em descer para fazer sua morada. Olha, em vez de
um paraíso temos dois, onde encontramos as nossas harmonias, a beleza que nos rapta, as
alegrias puras que duplicam a nossa felicidade por termos formado uma Vida nossa a mais no
pequeno cerco da criatura. Neste paraíso, por quão pequeno, por quanto a criatura seja capaz,
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Volume 32
encontramos tudo, tudo é nosso, é mais, encontramos a pequenez que mais nos apaixona e
olhamos nossa arte divina, que no pequeno, com a virtude de nossa potência, fechamos o grande,
podemos dizer que com nosso labirinto de amor mudamos as coisas, o grande no pequeno e o
pequeno no grande; sem um prodígio divino nosso não podíamos formar nem nossa Vida nem
nosso paraíso na criatura; e parece-te pouco ter uma Vida nossa de mais e um paraíso duplicado à
nossa disposição para nos fazer felizes maiormente? Tu deves saber que nem o céu, nem o sol,
nem toda a Criação nos custa tanto, não pusemos nem tanta maestria de arte, nem tanto amor,
quanto pusemos em formar nossa Vida toda de Vontade nossa na criatura, para nos formarmos um
paraíso de mais onde dominar a nossa vontade e gozar as nossas delícias. O céu, o sol, o mar, o
vento e tudo, narram Àquele que os criou, sinalizam-nos, fazem-nos conhecer, glorificam-nos, mas
não nos dão uma Vida nossa, nem nos formam outro paraíso, antes servem aquele ou aquela, na
qual a nossa paterna bondade tem tomado o empenho de formar a nossa Vida nela, e nos custa
tanto, que nosso Fiat usa sua virtude constante e repetidora de seu Fiat contínuo sobre sua
afortunada criatura para cobri-la com sua potência, de modo que um Fiat não espera ao outro, de
maneira que se lhe infunde o fôlego lhe diz Fiat, se lhe toca Fiat, se a abraça usa seu Fiat
constante e a vai modelando, e como misturando em sua Vida Divina. Pode-se dizer que com seu
alento forma sua Vida na criatura, e com sua virtude criadora a regenera e forma nela seu pequeno
paraíso, e que coisa não encontramos Nele? Basta dizer que encontramos tudo o que queremos, e
isto é tudo para Nós. Vê então a grande diferença que há entre a Divina Vontade como vida, e
aquela como efeito; como vida, todos os bens, as virtudes, a oração, o amor, a santidade, tornam-
se natureza na criatura, são fontes que se formam nela, que sempre surgem, de modo que sente
em si a natureza do amor, da paciência, da santidade, assim como naturalmente sente em si a
mente que pensa, o olho que vê, a boca que fala, nenhum esforço nisto, porque Deus os deu em
natureza, e se sente dona de fazer com eles o que quer. Assim, com possuir a Divina Vontade
como vida, tudo é santo, tudo é sagrado, as fadigas terminaram, a inclinação ao mal não existe
mais, e apesar que muda a ação, e ora faz uma coisa, e ora outra, a virtude unitiva de minha
Vontade as une juntas e formam um só ato, com a distinção de tantas diversas belezas por
quantos atos fez, e chega a sentir que seu Deus é todo seu, até sentir que no excesso de seu amor
se deu em poder da criatura, em virtude da Divina Vontade que possui como vida o sente como
seu parto, e o faz crescer com tal fineza de amor e de adoração profunda, que fica como
naturalmente absorvida em seu Criador, que já é todo seu, e é tanta a plenitude de amor, a
felicidade que sente, que não podendo contê-la gostaria de dar a todos a Divina Vontade como
vida, para tornar a todos felizes e santos.
(3) Não assim para quem não a possui como vida, senão somente como virtude ou efeito, tudo é
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Volume 32
cansaço e sente o bem a tempo e circunstância, cessa a circunstância e sente o vazio do bem, e
este vazio produz inconstância, variedade de caráter, cansaço, sente a infelicidade do querer
humano, não goza de paz nem sabe dar paz a ninguém, sente em si o bem como se se sentisse os
membros deslocados ou em parte separados, que não é dona de se servir deles e deve estar
sujeita aos outros para se fazer servir; o não viver de minha Vontade é o tornar-se escravo e sentir
todo o peso da escravidão".
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32-28
Outubro 22, 1933
Jesus encontra seu Céu na criatura; sua Mãe Celestial e todos no Todo, e o Tudo em todos.
A Divina Vontade se faz reveladora e cede seu Ser Divino à criatura.
(1) Me sentia pequena, pequena, tanto de não saber dar um passo, e tendo recebido a santa
Comunhão, sentia a necessidade, como pequena, de refugiar-me nos braços de Jesus para lhe
dizer: "Te amo, te amo muito", não sabendo dizer outra coisa porque sou demasiado ignorante,
mas meu doce Jesus esperava que lhe dissesse outra coisa, e eu acrescentei: "Jesus, te amo junto
com o amor de nossa Mãe Celestial". E Jesus me disse:
(2) "Como me é doce, refrescante, sentir-me amar com o amor da filha e de nossa Mãe juntos,
sinto suas ternuras maternas, seus ímpetos de amor, seus castos abraços, seus beijos ardentes,
que derramando-se na filha, Mãe e filha me amam, me beijam e me estreitam entre seus braços
com um só abraço; encontrar a filha junto com minha Mãe Celestial que me quer amar e me ama
como me ama minha Mãe, são minhas mais amadas delícias, meus desabafos de amor, e encontro
a mais agradável correspondência aos tantos excessos de meu amor. Mas diga-me, junto com
quem você quer me amar?"
(3) E fez silêncio, esperando que eu lhe dissesse junto com quem outro iria amá-lo. E eu, um pouco
constrangida, acrescentei: "Meu divino Jesus, quero amar-te juntamente com o Pai e com o
Espírito Santo". Mas parecia que ainda não estava contente. E eu: "Quero amar-te juntamente com
todos os anjos e santos".
(4) E ele: "E com quem mais?"
(5) E eu lhe disse: "Com todos os peregrinos e até a última criatura que exista sobre a terra, quero
levar-te a todos e a tudo, até o céu, o sol, o vento, o mar, para te amar junto com todos". E Jesus
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Volume 32
com todo amor, que parecia não poder conter suas chamas acrescentou:
(6) "Minha filha, eis o meu céu na criatura, a Trindade Sacrossanta que cede seu amor para me
amar junto com ela, os anjos e santos que fazem competência em ceder seu amor para me amar
junto com ela, este é o grande ato, levar a todos no Tudo que é Deus, e ao Tudo em todos. Sua
pequenez, seus modos infantis, em minha Divina Vontade abraçam tudo e a todos, quer me dar
tudo, até a mesma Trindade adorável, e como é pequena, ninguém quer te negar nada, mas bem
se unem contigo e amam junto com a pequena, e com o levar-me a todos no Todo, e com o amar-
me, difundes o Todo em todos. Sendo meu amor vínculo de união e de inseparabilidade, Eu
encontro tudo na alma, meu paraíso, minhas obras e a todos, e posso dizer: ‘Nada me falta, nem o
Céu, nem minha Mãe Celestial, nem o cortejo dos anjos e santos, todos estão Comigo, e todos me
amam'. Estas são estratagemas e indústrias amorosas de quem me ama, que chama a todos, pede
amor de todos para me amar e fazer-me amar por todos".
(7) Depois disto continuava pensando no Querer Divino, e meu doce Jesus acrescentou:
(8) "Minha filha bendita, quem possui minha Vontade como vida, sente em si o movimento divino,
Deus se move no Céu, e ela sente seu movimento, nosso movimento é obra, é passo, é palavra, é
tudo, e como nossa Vontade é uma com a qual possui a criatura, se sente correr dentro de si o
mesmo movimento com o qual Deus se move, portanto a obra, a passagem, a palavra divina, a
minha própria Vontade, o que fazem em nós fazem na criatura, de modo que sente dentro de si
não só a Vida, mas a nobreza e o modo d’Aquele que a criou, assim que não sente a necessidade
de pedir, porque se sente possuidora, nossa Vontade a ocupa tanto, que lhe dá seu amor para
fazer-se amar, sua palavra para fazê-la falar, o seu movimento para fazê-la mover-se e agir, e oh!
como é fácil que saiba o que quer dela, não há segredos, nem cortinas para quem vive em nossa
Vontade, senão que tudo está revelado, podemos dizer que não podemos nos esconder dela,
porque nossa mesma Vontade nos revelou; quem pode se esconder de si mesma? De não saber
seus segredos e o que quer fazer? Ninguem. Dos outros pode ser escondido, mas de si mesma
será impossível. Tal é nossa Vontade, se faz reveladora e põe em dia a criatura do que faz, do que
quer fazer, e lhe faz grandes surpresas de nosso Ser Divino; mas, quem pode te dizer até onde
pode chegar a criatura e o que pode fazer com possuir como vida a nossa Vontade? Acontece a
verdadeira transformação e consumação da criatura em Deus, e Deus toma a parte ativa e diz:
‘Tudo é meu e tudo faço nesta criatura'. É o verdadeiro esponsal divino no qual Deus cede seu Ser
Divino a sua amada criatura; ao contrário, quem vive de vontade humana, acontece como quem
descendo da nobreza de sua família toma por esposa uma aldeã, rústica, mal educada, este
gradualmente perderá seus modos nobres e educados, e adquirirá modos aldeões e rústicos, que
não se reconhecerá mais. Que distância entre quem vive de Vontade Divina e entre quem vive de
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Volume 32
vontade humana, os primeiros formam o reino celestial sobre a terra, enriquecidos de bondade, de
paz, de graças, podem-se chamar a parte nobre. Os segundos formam o reino das revoluções, das
discórdias, dos vícios, que não têm paz e não sabem dar paz".
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32-29
Outubro 30, 1933
A Vontade Divina guia a alma, e ela é a coletora das obras de seu Criador. Quem vive na
Divina Vontade recebe a transmissão do que foi feito primeiro em Deus, e depois
comunicado a ela.
(1) Estava fazendo meu giro na Criação, e me parecia que todas as coisas criadas queriam a
grande honra de ser oferecidas como homenagem e glória a seu Criador, e eu passava de uma
coisa a outra, e me sentia tão rica porque tinha tantas coisas que dar Àquele que tanto me ama, e
que enquanto tudo tinha feito para mim, eu podia dar tudo a Deus para poder dizer-lhe: ‘Amo-te por
meio de tuas obras, as quais estão grávidas de teu amor, e me ensinam a te amar'. Mas enquanto
isso eu fazia, o meu sumo Bem Jesus, surpreendendo-me, com toda a bondade me disse:
(2) "Como é bonito encontrar a nossa filha no meio das nossas obras, sentimos que se quer pôr em
concorrência conosco. Nós para amá-la criamos tudo para ela, e tudo lhe demos, a fim de que as
possuísse, as gozasse e fossem as narradoras de nossa potência, e as portadoras de nosso amor,
e por isso ela em cada coisa criada sente nosso amor que a abraça, que a beija, e que moldando-a
diz-lhe forte e ternamente, ‘amo-te', sente nossos abraços de amor com os quais a estreitamos a
nosso seio divino, e ela no meio a tanto amor se perde, confunde-se, e para nos fazer a
concorrência faz o mesmo caminho que fizemos ao criar tantas coisas para descer a ela, e pondo-
se em caminho em cada coisa criada, sente o que fizemos para ela e como a amamos, e ela nos
repete o que fizemos para ela, nos repete nossos abraços amorosos, nossos beijos ardentes,
nossos ímpetos de amor, e oh! estamos contentes por ver que a criatura sobe a Nós e nos traz o
que com tanto amor lhe demos e lhe damos. Nossa Vontade lhe faz de guia e a leva até Nós para
fazer-nos dar a correspondência do que lhe temos dado, assim que quem vive em nossa Vontade é
a coletora de todas nossas obras, e nos traz a nosso seio para dizer-nos: Vos amo com vosso
mesmo amor, vos glorifico por vosso poder, tudo me destes e tudo vos dou".
(3) Depois continuava meu giro na Divina Vontade, e tendo chegado ao Éden pensava entre mim:
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Volume 32
"Oh! como queria o amor, a adoração de Adão inocente, para poder também eu amar o meu Deus
com o mesmo amor com que amou a primeira criatura criada por Ele; e o meu doce Jesus
surpreendeu-me e disse:
(4) "Minha filha bendita, quem vive em minha Divina Vontade, encontra n’Ela o que quer, porque
tudo o que se faz n’Ela, nada sai fora, senão que tudo permanece dentro, junto com Ela,
inseparável d’Ela, mais bem formam sua mesma Vida, assim que Adão, de tudo o que fez na
minha Divina Vontade, nada pôde levar consigo, na melhor das hipóteses a feliz recordação de
como o tinha amado, dos mares de amor que o inundavam, das puras alegrias que tinha gozado, e
do que tinha feito no nosso Fiat, que servia para o amargurar mais; um ato feito em nossa
Vontade, um amor, uma adoração formada n’Ela, é tão grande que a criatura não tem capacidade,
nem lugar onde colocá-lo, por isso só em minha Vontade se pode fazer e possuir estes atos.
Portanto, quem entra n’Ela encontra em ação tudo o que Adão inocente fez n’Ela, seu amor, suas
ternuras de filho para com seu Pai Celestial, a Paternidade Divina que por todos os lados cobria a
seu filho para amá-lo. Tudo faz seu e ama, adora e repete o que fez Adão inocente; minha Divina
Vontade não se muda, nem se muda qual era, tal é e será; contanto que a criatura entre n’Ela e
faça vida junto com Ela, não põe limites, nem impõe os confins, mas bem diz: ‘Leve o que quiser,
Me ame como quiser.’ Em meu Fiat o que é teu é meu, só fora dele começam as divisões, as
separações, os afastamentos, e o princípio de vida do teu e meu. É mais, você deve saber que
tudo o que deve fazer a criatura em nossa Vontade, vem feito primeiro em Deus, e ela no ato de
fazê-los recebe a transmissão do amor e dos atos divinos nela, e continua fazendo o que foi feito
em nosso Ser Supremo. Como são belas estas vidas que recebem a transmissão do que foi feito
primeiro em Nós, são nossas obras mais belas; a magnificência da Criação, o céu, o sol, ficam
atrás, elas superam todas, são a santidade absoluta decidida por Nós, que não nos podem fugir,
Nós lhe damos tanto do nosso que a afogamos de nossos bens, de modo que não encontra o vazio
de pensar se deve corresponder ou não, porque a corrente da luz e do amor divino a têm
assediada e como fundida em seu Criador, e lhe damos tal conhecimento das coisas, que lhe serve
de livre arbítrio, a fim de que nada faça forçado, senão de vontade espontânea e decidida, por isso
estas celestiais criaturas são nossa ocupação, nosso trabalho contínuo, as mantemos sempre
ocupadas, porque nossa Vontade não sabe estar em lazer, porque Ela é vida, trabalho e
movimento perene. Por isso quem vive n’Ela tem sempre o que fazer, e dá sempre o que fazer ao
seu Criador".
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Volume 32
32-30
Novembro 10, 1933
A Divina Vontade não muda nem ação, nem modo, o que faz no Céu faz na terra, seu ato é
universal e único. Quem não vive da Divina Vontade, reduz ao lazer o Artífice divino, e
escapa de suas mãos criadoras.
(1) Minha pobre mente parece que não sabe fazer outra coisa que pensar na Divina Vontade, sinto
sobre mim uma força potente, que não me dá tempo para pensar e querer outra coisa, senão só
aquele Fiat que é tudo para mim. Depois pensava entre mim: "Oh! como gostaria de fazer e viver
de Vontade Divina, como se faz e se vive no Céu". E meu doce Jesus me surpreendeu com sua
breve visita e disse:
(2) "Minha filha bendita, em minha pátria celestial reina o ato único e universal, uma é a Vontade de
todos, o que quer um quer o outro, nenhum muda ação nem Vontade, cada bem-aventurado sente
como vida própria a meu Querer, e com o ter todos uma só Vontade, forma a substância da
felicidade de todo o Céu. Muito mais que minha Divina Vontade não sabe fazer, nem pode fazer
atos interrompidos, senão contínuos e universais, e como no Céu Ela reina com seu pleno triunfo e
com a totalidade de seu domínio, todos sentem como em natureza sua Vida universal, e estão
cheios até a borda de todos os bens que Ela possui, ao mais pode ser segundo a capacidade de
cada um, e do bem que fizeram em vida, mas nenhum poderá mudar nem Vontade, nem ação,
nem amor. A potência de minha Divina Vontade tem a todos os bem-aventurados absorvidos,
identificados, fundidos em Si mesma, como se fossem um só. Mas você acredita que o ato
universal d’Ela se estende apenas no Céu, e sua Vida palpitante e comunicativa a cada criatura?
Não, não, o que faz no Céu faz na terra, não muda nem ação, nem modo, seu ato universal se
estende a cada um dos peregrinos, e quem vive n’Ela sente sua Vida Divina, sua santidade, seu
batimento incriado, que enquanto se constitui vida da criatura, com o seu movimento incessante se
derrama sempre nela, sem cessar jamais, e a feliz criatura que a faz reinar se a sente por todas as
partes, por dentro e fora seu ato universal a tem circundada por todos lados, de modo que não
pode ir fora de minha Vontade, e seu contínuo dar a tem ocupada sempre em receber, assim que
embora o quisesse não tem tempo de fazer ou de pensar em outra coisa. Por isso a criatura pode
dizer e pode estar convencida, que como se vive no Céu, assim ela vive na terra, só há diferença
de lugar, mas um é o amor, uma é a Vontade, uma a ação. Mas você sabe quem não sente a Vida
do Céu em sua alma, e não sente o ato universal, a força única de minha Vontade? Quem não se
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Volume 32
faz dominar por Ela, não dando-lhe liberdade de reinar, esta sim que muda ação, amor, vontade, a
cada momento, mas não é minha Vontade que muda, Ela não pode mudar, senão que é a criatura
que muda, porque vivendo de vontade humana não tem virtude, nem capacidade de receber o ato
universal e único de minha Vontade, e, pobrezinha, se sente mutável, sem firmeza no bem, sempre
uma cana vazia que não tem força de resistir a cada pequeno sopro de vento; as circunstâncias, os
encontros, as criaturas, lhe servem de vento para pô-la em giro, ora para fazer uma ação, ora
alguma outra, ora a amar uma coisa, ora outra, e por isso se vê hora triste, ora alegre, ora toda
fervor, e ora toda frieza, ora inclinada às virtudes, ora às paixões, em suma, assim que cessa a
circunstância assim cessa o ato nelas. Oh! vontade humana, como sem minha Vontade és débil,
volúvel, pobre, porque te falta a vida do bem que deveria animar tua vontade, por isso a vida do
Céu está distante de ti. Minha filha, não há desgraça maior, nem mal que mereça ser mais
chorado, que fazer o próprio querer".
(3) Depois continuava pensando: "Mas por que Deus tem tanto interesse em que se faça a Divina
Vontade? E meu sempre amável Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, queres saber por que tenho tanto interesse em que se faça minha Vontade?
Porque esta foi a finalidade pela qual criei a criatura, e não fazendo-a destrói a finalidade pela qual
a criei, tira-me os meus direitos que com toda razão e sabedoria divina tenho sobre ela, e se põe
contra mim, não acha grave que os filhos se voltem contra o pai? E além disso, Eu criei a criatura
para que fosse e formasse a matéria prima em minhas mãos para poder me deleitar e formar desta
matéria meus maiores trabalhos e minhas mais belas obras, a fim de que me servissem para
adornar minha pátria celestial, e receber delas minha mais grande glória. Agora, esta matéria da
criatura me escapa de minhas mãos, se põe contra mim, e apesar de tantas matérias que formei,
não posso fazer meus trabalhos estabelecidos e me reduzem ao lazer, porque não estando minha
Vontade nelas, não se prestam a receber meus trabalhos, tornam-se como pedras duras, que por
quantos golpes lhes possam dar, não têm a suavidade de receber a forma que se quer dar, partem-
se, reduzem-se em pó sob os golpes, mas não me é dado formar o menor objeto, e permaneço
como aquele pobre artífice, que, havendo-se formado tantas matérias-primas, ouro, ferro, pedras,
toma-as em suas mãos para formar as mais belas estátuas que havia estabelecido, e estas
matérias não se prestam, antes se põem contra ele e não lhe é dado desenvolver sua bela arte,
assim que as matérias servem só para dificultar o espaço, mas não para cumprir seus grandes
desígnios, e oh! como pesa o lazer a este pobre artífice. Assim sou Eu, porque não estando minha
Vontade nelas, não são capazes de receber meus trabalhos, não há quem as torne brandas, nem
quem as prepare para receber minha virtude criadora e constante, e se tu soubesses o que
significa saber fazer, poder fazer, ter matérias para fazer, sem poder fazer nada, chorarias Comigo
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Volume 32
por tanta dor e por uma afronta tão grave; te parece pouco ver tantas criaturas que ocupam a terra,
e porque falta nelas a Vida que age de minha Vontade, não me é dado desenvolver a minha arte e
fazer o que eu quero? Por isso o que mais te importa é fazer viver só a minha Vontade Divina em
tua alma, porque só Ela sabe dispor às almas para receber toda a habilidade de minha arte, e
assim não porás a teu Jesus no lazer, senão que serei o trabalhador assíduo, para formar de ti o
que quero".
Nihil obstat
Canonico Hanibale M. Di Francia
Eccl.
Imprimatur
Arcebispo Giuseppe M. Leo Outubro
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