Reino da Divina Vontade e Criação
Reino da Divina Vontade e Criação
LIVRO
DO
CÉU
A chamada às criaturas à ordem, ao seu posto e à finalidade para a qual
foram criadas por Deus.
Volume 34
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Volume 34
NIHIL OBSTAT
Beato Annibale M. Di Francia.
12 Outubro de 1926
IMPRIMATUR
Exmo. Sr. Giuseppe M. Leo,
Arcebispo da Diocese de Trani - Barletta - Bisceglie
Italia
16 Outubro 1926
Imprima-se
Arcebispado de Guadalajara Jal.,
23 de novembro de 2010
Mons. J. Gpe Ramiro Valdés Sánchez
Vigario Geral
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Volume 34
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Volume 34
I. M. I.
Fiat!!!
In Voluntate Dei. Deo Gratias
34-1
Dezembro 2, 1935
A Divina Vontade dardeia a criatura e lhe forma a nobreza divina, e fazendo-a de Ator faz
inseparável a Deus e a criatura. Exemplo, o sol.
(1) O meu Rei do amor Jesus e a minha Rainha Mãe Divina, ah! A minha vontade é entrelaçada
com a vossa e fazem delas uma só, antes fechai-me em vossos corações, para que escreva não
fora de vós, senão, ou dentro do coração de meu Jesus, ou no regaço de minha Mãe Celestial, a
fim de que possa dizer: "É Jesus que escreve e minha Mãe que me sugere as palavras". Por isso
me ajudem e me deem a graça de vencer a grande repugnância que sinto ao começar outro
volume, vocês que conhecem meu pobre estado, sinto a necessidade de ser sustentada,
fortalecida e toda renovada pela Potência de vosso Fiat Divino para poder fazer em tudo e sempre
vossa Divina Vontade.
(2) Depois me sentia imersa no Querer Divino, que tomava o aspecto de Ator para poder entrar nos
mais íntimos recantos de minha alma, e formar seu ato que age em mim; eu fiquei surpreendida, e
meu doce Jesus visitando minha pequena alma, tod0 bondade me disse:
(3) "Minha filha bendita, quando a criatura faz e vive na Divina Vontade, nosso Ser Supremo a
dardeia com sua luz continuamente, lhe dardeia a mente e põe nela a nobreza dos pensamentos
divinos, de modo que sente em sua inteligência, memória e vontade, a santidade, a lembrança de
seu Criador, o amor, a Vontade d’Aquele que fazendo-lhe de Ator forma nela a ordem, a sabedoria
divina; a dardeando com seus beijos de luz a substância divina em sua mente, de modo que tudo é
nobre, tudo é santo, tudo é sagrado nela. Este Ator de meu Querer, formando sua sede na
inteligência criada, com sua potência e maestria forma nela sua imagem; lhe darda o coração e
forma a nobreza do amor, dos desejos, dos afetos, dos batimentos; dardeia a boca e forma a
nobreza das palavras; dardeia as obras e os passos e forma as obras santas, a nobreza dos
passos; e não só dardeia a alma, mas também o corpo, e com sua Luz investe o sangue e o
enobrece, de modo que a criatura se sente correr em seu sangue, em seus membros, a plenitude,
a santidade, a substância da nobreza divina. Este Ator de minha Divina Vontade toma o ofício de
Artífice insuperável, de transformar Deus na criatura, e a criatura em Deus. Quando minha Vontade
chegou a isto, que é o ato maior que pode fazer, - isto é, formar de Deus e da criatura uma só Vida,
tornando-os inseparáveis um do outro -, repousa em sua obra e sente tal felicidade, porque venceu
a criatura, formou seu trabalho nela, e cumpriu sua Vontade. Então parece que diz na ênfase de
seu amor: Fiz tudo, não me resta outra coisa que possuí-la e amá-la".
(4) Eu fiquei pensativa ao escutar isto, e meu amável Jesus acrescentou:
(5) "Minha filha, por que dúvidas? Não faz também o sol este ofício? Assim que dardeia a flor com
a sua luz, lhe dá a substância da cor e do perfume; enquanto dardeia o fruto, lhe infunde a doçura
e o sabor; conforme dardeia as plantas, assim comunica a cada uma a substância, os efeitos que
elas requerem. Se isto o faz o sol, muito mais minha Vontade Divina que tudo pode, e tudo sabe
fazer, e assim como o sol vai buscando a semente para dar o que possui, assim minha Divina
Vontade vai buscando as disposições das criaturas que querem viver de minha Vontade, e
rapidamente as dardeia e comunica a substância e nobreza divina, e forma e faz crescer sua Vida".
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34-2
Dezembro 8, 1935
Prodígios da Imaculada Conceição. Comunicação dos direitos divinos. Deus não quer fazer
nada sem sua Mãe Celestial.
(1) Estava a fazer a meu giro nos atos da Divina Vontade, e tendo chegado ao ato em que o Fiat
Onipotente criou a Virgem Imaculada detive-me, e oh! que surpresa de prodígios jamais escutados
unidos juntos, o encanto do céu, do sol e de toda a Criação não podiam comparar-se, oh! como
ficavam para trás diante da Rainha Soberana, e o meu doce Jesus ao ver-me tão surpreendida me
disse:
(2) "Minha filha bendita, você deve saber que não há beleza, nem valor, nem prodígios que possam
comparar-se à Imaculada Conceição desta celestial criatura, meu Fiat Onipotente fez d’Ela uma
nova criação, oh! quanto mais bela, mais prodigiosa que a primeira, meu Querer Divino em Si
mesmo não tem princípio nem fim, e o prodígio maior foi como se nesta criatura renascesse, e não
só, senão em cada instante, ato, oração que fazia, crescia, e neste crescimento minha Vontade
multiplicava seus prodígios em modo infinito. A criação do universo foi feita por Nós em modo
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Volume 34
admirável, e é mantido por Nós sob o império de nosso ato criante e conservante, sem que
acrescentássemos nada, em troca nesta Virgem, mantemos o ato criante, conservante e crescente,
isto é o prodígio dos prodígios, a Vida de nosso Querer renascida n’Ela e seu crescimento contínuo
em cada ato que fazia, e nosso Fiat para renascer n’Ela se pronunciou no ato de sua Conceição, e
quando Este se pronuncia, nosso ato tem tal suntuosidade, sublimidade, alteza, imensidão, poder,
que toma a todos na rede de seu Amor, não põe a nenhum a um lado, todos podem tomar o bem
que possui nosso Fiat obrante, a menos que algum não o quisesse. Nossa Divindade ao ver nesta
Santa criatura como renascida a nossa Vontade, lhe participou seus direitos divinos, de modo que
era dona de nosso Amor, Potência, Sabedoria e Bondade, e Rainha de nosso Fiat. Ela com seu ato
crescente de nosso Querer nos arrebatava, nos amava tanto, que chegou a nos amar por todos, a
todas as criaturas as cobria, as escondia em seu amor e nos fazia ouvir o eco do amor de todos e
de cada um. Oh! como nos sentíamos atados e como feitos prisioneiros pelo amor desta Virgem
Santíssima, muito mais do que como nos amava, adorava, rogava, operava com o ato crescente do
nosso Fiat que possuía, trancava em si o seu Criador, conforme nos amava assim nos sentíamos
absorvidos n’Ela sem poder lhe resistir, era tanta sua potência que nos dominava e trancava em si
nossa Trindade Sacrossanta, e Nós a amávamos tanto que a fazíamos fazer o que Ela queria;
quem tinha coração para negar-lhe algo? Antes nos sentíamos mais felizes de satisfazê-la, porque
uma alma que nos ama é nossa felicidade, porque ouvimos o eco, a alegria de nossa felicidade
nela, e quem possui nossa Vontade como vida é tudo para Nós. Este é o grande prodígio de quem
possui a nossa Vontade como vida, sentir em si participar nos seus mesmos direitos divinos, com
isto sente que o seu amor nunca termina, e tem tanto que pode amar por todos e dar amor a todos;
com o seu ato crescente não diz jamais basta à sua santidade. Muito mais que a Soberana Rainha
com possuir nossa Vontade como vida, tinha sempre o que nos dar, sempre que dizer, nos tinha
sempre ocupados e Nós tínhamos sempre o que dar, e sempre nossos segredos amorosos para
comunicar-lhe, tanto que nada fazemos sem Ela, primeiro nos entendíamos com Ela, depois o
colocávamos em seu materno coração, e de seu coração desce no afortunado que deve receber
aquele bem. Então não há graça para descer sobre a terra, não há santidade que se forme, não há
pecador que se converta, não há amor que parta do nosso trono, que primeiro não seja posto no
seu coração de Mãe, que forma a maturação daquele bem, o fecunda com o seu amor, o enriquece
com as suas graças, e se é necessário com a virtude de suas dores, e depois o põe em quem o
deve receber, de modo que quem o recebe sente a Paternidade Divina e a Maternidade de sua
Mãe Celestial. Podemos fazer sem Ela, mas não queremos, quem terá coração de afastá-la?
Nosso Amor, nossa Sabedoria infinita, nosso próprio Fiat se impõe sobre Nós, e não nos faz fazer
nada que não desça por meio dele. Vê então até onde chega nosso Amor por quem vive da
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Volume 34
Vontade Divina, até não querer fazer nada sem Ela, é a harmonia de nossa Sabedoria infinita, que
assim como a Criação do universo gira sempre em torno de Nós, e à medida que a terra gira
fecundando e mantendo a vida natural a todas as criaturas, assim esta nova criação da Conceição
da Imaculada Senhora gira sempre em torno de Deus, e Deus gira sempre em torno d’Ela, e
mantêm a fecundidade do bem, formam a santidade das almas e a chamada às criaturas a Deus".
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34-3
Dezembro 15, 1935
O verdadeiro amor quer fazer-se conhecer, expande-se, corre e voa em busca de quem ama,
porque sente a necessidade de ser amado. Poder do ato criador que é recebido quando se
gira na Criação.
(1) Minha pobre mente é sempre transportada no mar da Divina Vontade, a qual me faz presente e
tem como em ato tudo o que tem feito por amor das criaturas, e suspira que elas reconheçam o
que tem feito, quanto nos amou, e nos espera em seus atos para dizer: "Façamos juntos, não me
deixe operar sozinha, a fim de que o que Eu fiz, o faça você, e assim poderemos dizer, com igual
amor nos amamos". Como é belo poder dizer uns aos outros: "Você me amou e eu te amei". É a
recompensa das obras maiores e dos sacrifícios mais dolorosos.
(2) Depois minha mente girava na Criação, naquele ato quando o Fiat Onipotente pronunciando-se
criava e estendia o céu azul, e meu eterno amor para ter-me junto com Ele neste ato, e meu doce
Jesus, fazia festa porque tinha sua companhia, e parando me disse:
(3) "Minha filha boa, amar e não fazer-se conhecer é contra a natureza do verdadeiro amor, porque
o verdadeiro amor por si mesmo se expande e corre, voa em busca de quem ama, e só se detém
quando a encontrando a prende, a esconde em seu amor, e transformando-a nas suas próprias
chamas quer encontrar o seu mesmo amor nela, as suas próprias obras feitas por quem ama por
amor d'Ele. E como a criatura jamais pode fazer o que fazemos Nós por ela, nosso Amor para
conseguir o que quer chama a criatura a Si, a esconde em seu mesmo amor e fá-la trabalhar
juntamente com o nosso ato criador e conservante, e assim na realidade a criatura pode dizer:
‘Amei-te, o que Tu fizeste por mim, eu fiz por Ti'. E Nós nos sentimos em realidade amados por ela
com nosso Amor e com nossas mesmas obras. Você deve saber que quando a criatura se eleva
com sua vontade na nossa nas coisas criadas por Nós, nossa Entidade Suprema renova sobre ela
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Volume 34
o ato criador, e oh! as maravilhas que fazemos de graças, de santidade, de céu, de sóis em sua
alma, nosso ato deleita-se em repetir-se, e quando ela gira nas coisas criadas, nosso amor quer
fazer-se conhecer, quer que sinta quanto a ama, e repete sobre ela o nosso ato criador que não
está jamais sujeito a cessar, de modo que sente todo o ímpeto de nosso amor, a potência de
nossas obras, e presa de estupor nos ama com nossa força criadora que infundimos nela; e oh!
nosso contentamento por nos vermos conhecidos e amados por quem tanto amamos. Por isso
criamos tantas coisas, porque esperávamos a criatura para fazer conhecer quanto a amamos, e
para dar a ela em cada coisa criada o potencial de nosso amor para nos fazer amar; o amor
quando não é conhecido se torna infeliz, e quando não é amado por quem ama sente perder a
vida, impedido, romper os passos, e pôr no esquecimento suas obras mais belas. Mas quando é
conhecido e amado, sua vida se multiplica, e eis nosso ato criador sobre a criatura para ser amada
como Nós a amamos, nossos passos são livres, mas bem voam para tomar a amada criatura,
estreitá-la a nosso seio para amá-la e fazer-nos amar, nosso amor sente a felicidade do amor que
ela lhe leva. Por isso não há honra maior que nos possa dar do que vir em nossa Divina Vontade,
Nós assim que a vemos vir colocamos à sua disposição toda a Criação, porque é sua, para ela foi
feita, e conforme gira em cada coisa criada encontra nossa potência criadora, que ao investi-la
comunica o nosso amor que cada uma possui, e nos possa amar com a nossa força criadora, que
é fonte, e nos possa amar como queira e quanto queira, e assim o amor do Criador e da criatura se
dão o beijo, um se repousa no outro e ambos sentem o contentamento de amar-se
verdadeiramente. Oh! como é bela a companhia de quem nos ama, é tanto nossa alegria, que
nosso amor surge e inventa outras obras mais belas, outras indústrias amorosas para amar e fazer-
nos amar".
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34-4
Dezembro 29, 1935
O posto régio da criatura na união da Unidade Divina, como fica presa n’Ela e como pode
formar as belezas mais raras e o encanto a seu próprio Criador.
(1) Estou entre os braços do Fiat Divino que me atrai tanto, que meu pequeno nada se sente
perdido no Todo, e se bem perdido sente sua vida sustentada, alimentada, vivificada pelo Todo, e
se jamais for, gostaria de me subtrair, o que não pode ser, porque não encontraria nem sequer um
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Volume 34
buraco onde pudesse me esconder em que não encontrasse a meu Tudo, oh! então eu sentiria o
meu pequeno nada sem vida. Sentia que o Querer Divino dava o alento a meu nada e me fazia
sentir sua Vida, seu amor, sua potência, mas enquanto minha mente nadava no Tudo, em sua luz
interminável, meu amado Jesus visitando minha pequena alma, todo bondade me disse:
(2) "Minha pequena filha de minha Vontade, como é surpreendente, maravilhoso, sublime o agir em
meu Querer Divino, enquanto a criatura faz seu ato n’Ele, seu ato fica despojado do humano, e
unificando-se adquire a união da Unidade do ato divino. Agora, a criatura tem seu posto régio, seu
ato na unidade de nosso ato único, e por isso se ama, ama em nossa unidade; se nos adora, se
nos abençoa, é dentro de nossa unidade; se nos compreende, é dentro de nossa unidade; nada vê,
nada faz nem sente fora de Nós, mas tudo dentro de nosso Ser Divino, ela pode dizer: ‘Não
conheço outra coisa, nem amo, nem quero, mas somente ao Querer Divino, porque sua unidade
me mantém presa dentro".
(3) Agora, a maior fortuna, a graça mais sublime para a criatura; a glória, a honra maior para Nós, é
possuir a vontade humana, o seu ato na nossa Unidade, e sabes porquê? Porque podemos dar
amor quando queremos, e fazer-nos amar quando desejamos, enriquecê-la de graça, de santidade,
de beleza, de sentir-nos arrebatados pelos bens e beleza que lhe infundimos. Em suma podemos
ter o que fazer com a criatura, amá-la, confiar o Todo ao nada, já que tem do nosso, e sentirá tal
poder e amor de poder defender o Todo, e Nós nos sentimos seguros neste nada, porque lhe
demos as nossas armas para nos proteger. Mas isto não é tudo, tudo o que a criatura pode fazer,
as ações naturais, os atos mais indiferentes, as palavras, as obras, os passos, possuindo seu ato
em nossa unidade se tornam efeito de seu ato unido com o nosso, símbolo do sol que com os
efeitos de sua luz forma a beleza, as flores, o encanto a tudo o criado, assim ela investida pela luz
de meu Fiat, tudo se torna efeito seu, um é o ato, um é a Vontade, mas os efeitos são inumeráveis,
podem formar as belezas mais raras e o encanto mais sedutor Àquele que a criou, e que a possui
em sua Unidade. Minha filha, nosso Ente Supremo possui um único ato, assim que toda a Criação,
cada criatura, não são outra coisa que efeito da unidade de nosso ato, pelo que a vontade humana
unificando se torna nosso efeito contínuo. E esse efeito, sabe o que significa? Dar-lhe sempre e
receber sempre da criatura".
(4) Eu fiquei surpreendida e fixa no Querer Divino, e compreendia tantas coisas desta união na
unidade divina, que enquanto era uma, encerrava toda a Criação, e todos eram encerrados nesta
unidade e todos saíam dela, mas sustentados, unificados, vinculados nesta unidade, e como é uma
e tudo, sustenta e dá vida a tudo. Enquanto eu estava lá, eu vi o céu, e eles viam tantas luzes de
belezas variadas que possuíam toda a variedade de cores, mas com uma maneira admirável que
eles arrebatavam, essas luzes serpenteiam na abóbada azul, e enquanto eram muitas formavam
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Volume 34
uma só, penetravam nos Céus, desciam no baixo, queriam dar vida de luz a todos, não paravam
jamais, corriam, voavam, e meu doce Jesus acrescentou:
(5) "Minha filha, estas luzes são as maravilhas dos atos feitos no meu Querer Divino, como são
belas, levam a marca do seu Criador".
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34-5
Janeiro 5, 1936
Quem vive no Querer Divino forma a pequena Vida da Divina Vontade na criatura. Como vem
amada com novo e duplicado amor por Deus.
(1) Minha pequena e pobre vontade sente a extrema necessidade do Querer Divino, sem Ele sinto-
me em jejum, sem força, sem calor e sem vida, aliás, sinto a morte a cada instante, porque
faltando-me não há quem possa substituir-se a alimentar sua Vida em mim. Por isso vou repetindo:
"Tenho fome, vem ó Vontade Divina a dar-me tua Vida para saciar-me de ti, de outra maneira eu
morro". Mas enquanto delirava porque queria sentir em mim a plenitude da Divina Vontade, meu
doce Jesus repetindo-me sua breve visita, todo bondade me disse:
(2) "Minha filha bendita, teus delírios, tua fome que sente a extrema necessidade porque queres
sentir a cada instante a Vida de minha Vontade, são feridas a meu coração, são rasgos de amor
que ao me violentar me fazem correr, voar para vir a fazer crescer a Vida da minha Vontade em ti.
Você deve saber que quando a criatura quer fazer minha Vontade para viver e fazer seus atos
n’Ela, chama a seu Criador, o Qual se sente chamado pela potência de seu mesmo Querer na
criatura, à qual não lhe é dado resistir ou pôr a menor demora. É mais como não nos deixamos
vencer jamais em amor, enquanto vemos que está por nos chamar, não lhe damos tempo, Nós a
chamamos e ela corre em nosso Ser Divino como em seu próprio centro, se lança em nossos
braços, e Nós a estreitamos tanto, de transformá-la em Nós, acontece um acordo perfeito entre o
Criador e a criatura, e é tanto nossa ênfase de amor, que a amamos com novo e duplicado amor;
mas isto não basta, damos-lhe tal comunicação de nosso Ser Supremo, de fazer-nos amar com
amor novo e duplicado por ela, e se você soubesse o que significa ser amado por Deus com novo
e duplicado Amor, e poder amá-lo com amor novo e duplicado, só em nossa Vontade Divina há
estas maravilhas e prodígios. Deus se ama a Si mesmo na criatura, tudo é seu, por isso não é
maravilha que ponha em campo seu sempre novo Amor, o duplica, o centuplica quanto quer, e dá
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Volume 34
a graça à criatura de amá-lo com seu mesmo Amor, se isto não fosse se veria grande disparidade
entre quem pode amar e entre quem não pode amar, e a pobre criatura ficaria humilhada, anulada,
sem coragem e união de amor com seu Criador, e quando dois seres não se podem amar com
igual amor, a desigualdade produz a infelicidade, enquanto nossa Vontade é Unidade, e livremente
dá à criatura seu Amor para fazer-se amar, dá sua Santidade para torná-la santa, Sua Sabedoria
para fazer-se conhecer, não há nada que possua que não gostaria de lhe dar. Muito mais do que
viver em nosso Fiat, como pôs de lado sua vontade para dar vida à nossa em seus atos, formou a
pequena Vida de nosso Querer nela, a qual reclama, suspira o crescimento, e basta um ato a mais
n’Ele para crescer, um suspiro para tirar a fome, um desejo total de que meu Querer corra em todo
o seu ser para formar-se alimento suficiente para sentir-se satisfeita de tudo o que pertence a seu
Criador. Atenção total é necessária, e minha Vontade fará tudo o que for necessário para formar
sua Vida na criatura".
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34-6
Janeiro 22, 1936
Quem vive na Divina Vontade forma o teatro das obras do seu Criador, e repete nela a cena
comovedora da Redenção
(1) Estava fazendo o giro nos atos da Divina Vontade, e buscava investir com meu pequeno amor o
céu, o sol e a criação toda, e o Fiat Divino para me corresponder formava o lugar em minha
vontade para encerrar o céu e a criação toda; depois girava nos atos da Redenção, e o doce Jesus
encerrava seus atos em mim, e repetia as cenas mais comovedoras para me corresponder por meu
pequeno amor. Eu fiquei surpreendida, e meu amado Jesus todo ternura e amor me disse:
(2) "Minha boa filha, filha da minha Vontade, tu deves saber que meu amor é tanto, que para
desabafar quero repetir minhas obras, mas em quem posso repeti-las? Em quem posso encontrar
lugar para encerra-las para sentir-me amar? Em quem vive em minha Vontade. Conforme a criatura
gira nas minhas obras para as conhecer, para as amar e chamar a si, reproduzem-se nela e forma
o teatro das nossas obras, quantas cenas comovedoras: ora se estende o céu, ora surge o sol com
toda a sua majestade, hora murmura o mar e formando suas ondas gostaria de inundar a seu
Criador com seu amor, ora forma o mais belo prado florido, e em cada flor nos faz dizer seu refrão:
‘Te amo, te glorifico, te adoro, e teu Fiat venha a reinar sobre a terra'. Não há ser que não chame a
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Volume 34
si para nos fazer dizer sua história: ‘Te amo, te amo'. Minha filha, nosso amor não está contente se
não se dá todo e não repete nossas obras em quem vive em nossa Vontade.
(3) Mas não é tudo, escuta: Se com girar nos atos da Criação repete minhas obras e tomo sumo
prazer e me deleito em assistir às cenas esplêndidas da Criação na criatura, quando ela gira nos
atos da Redenção para torná-los seus, Eu repito minha Vida, assim que repito minha concepção,
meu nascimento, no qual os anjos repetem a glória nos Céus e paz aos homens de boa vontade, e
se a ingratidão humana me obriga a chorar, vou chorar nela, porque sei que as minhas lágrimas
serão correspondidas e adornadas com o seu te amo. Por isso passo a repetir minha Vida, meus
passos, minhas lições, e quando as culpas me renovam as dores, a crucificação, a morte, não as
sofro jamais fora desta criatura, senão que vou a ela a sofrer minhas dores, as cruzes, a morte,
porque ela não me deixará sozinho, tomará parte em minhas dores, ficará crucificada Comigo, e
me dará sua vida em correspondência por minha morte. Então em quem vive em minha Vontade
encontro o teatro de minha Vida, as cenas comovedoras de minha infância e de minha paixão,
encontro os céus falantes, os sóis que me amam, os ventos que gemem de amor por Mim, em
suma todas as coisas criadas têm que me dizer uma palavrinha, um te amo, um testemunho de
reconhecimento, mas quem as faz falantes? Quem é quem dá a voz a todas as coisas? Quem vive
em minha Vontade; Ela a transforma tanto, que não há amor que não se faça dar, nem obras que
não possa repetir nela, por isso se podem chamar sua Vida vivente e a repetidora das obras de seu
Criador".
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34-7
Março 1, 1936
(1) Estou sob prensa da privação de meu doce Jesus, sinto-me esmagada, desfeita, como se
minha vida quisesse terminar, mas o Querer Divino triunfante sobre meu pequeno ser surge em
minha alma, e me chama a fazer minha jornada em sua Vontade, parece-me que enquanto me
sente morrer sem morrer, Ela forma sua vitória e é seu triunfo, e sua Vida ressurge mais bela, toda
cheia de majestade e de duplicado Amor sobre minha vontade que morre. Oh! Vontade Divina,
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Volume 34
quanto me ama, Você me faz sentir a morte para concentrar principalmente sua Vida em mim.
Depois continuava minha jornada em seus atos divinos, e tendo chegado à Encarnação do Verbo
sentia-se tal amor, de sentir-se queimar, consumir em suas chamas divinas. E meu sumo bem
Jesus, como afogado em suas chamas de amor me disse:
(2) "Minha filha bendita, meu Amor foi tanto ao Encarnar-me no seio de minha Mãe Celestial, que
Céus e terra não podiam contê-lo, o ato de Encarnar-me ocorreu em um ato de amor tão intenso,
tão forte, tão grande, que era mais que suficiente para queimar tudo e a todos de amor. Tu deves
saber que antes de Encarnar-me, meu Pai Celestial viu em Si mesmo, e no ímpeto de seu Amor,
não podendo contê-lo tirava de Si rios, mares de Amor, neste ímpeto de amor viu a seu Filho, e Eu
me encontrava em suas mesmas chamas de amor e me ordenou que me encarnasse; Eu o amava,
e num ímpeto de amor, sem deixar a meu Pai nem ao Espírito Santo, aconteceu o grande portento
da Encarnação. Fiquei com meu Pai, e ao mesmo tempo desci ao seio de minha Mãe. As três
Divinas Pessoas eram inseparáveis, não sujeitas a separar-se, por isso posso dizer: ‘Fiquei no Céu
e desci à terra, e o Pai e o Espírito Santo desceram Comigo à terra e ficaram no Céu'. Por isso,
neste ato tão grande nosso Ser Divino transbordou tanto em amor, que os Céus ficaram
maravilhados e os anjos surpresos e mudos, todos envoltos em nossas chamas de amor. A
Encarnação não foi outra coisa que um ato de nossa Divina Vontade, que coisa não sabe fazer e
pode fazer? Tudo; chega com sua Potência e com seu Amor infinito até fazer o prodígio jamais
ouvido, nem feito, de nos fazer ficar no Céu e descer na prisão do seio Materno. Assim quis nossa
Vontade que se fizesse.
(3) Agora minha filha, cada vez que a alma quer fazer minha Vontade, meu Pai Celestial primeiro
observa dentro de Si, chama como em concílio à Trindade Sacrossanta, para preencher aquele ato
de nossa Vontade de todos os bens possíveis e imagináveis, depois o tira de Si e faz investir a
criatura de sua Vontade constante, comunicante, transformante, e como na Encarnação as três
Divinas Pessoas ficaram no Céu e desceram no seio da Imaculada Virgem, assim minha Vontade,
com sua potência transporta Consigo em seu ato operando a Trindade Divina na criatura, enquanto
a deixa no Céu, e forma na vontade humana seu ato divino. Agora, quem pode dizer-te as
maravilhas que vêm encerradas neste ato de nossa Vontade? Nosso amor surge e se difunde
tanto, de não encontrar lugar onde se pôr, e quando tudo encheu se retira em nossa fonte; nossa
Santidade se sente honrada com o ato divino de nossa mesma Vontade que age na criatura, e se
difunde com graça surpreendente para comunicar sua Santidade a todas as criaturas, são
prodígios inenarráveis que Ela faz quando a criatura a chama a agir nela. Por isso faz desaparecer
tudo em minha Vontade, e Nós te daremos tudo em teu poder e tu poderás dar-nos tudo, inclusive
a Nós mesmos".
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Volume 34
(4) Depois disso minha pequena inteligência a sentia tão cheia da Vontade Divina, que não podia
contê-la, e seguia meu giro em seus atos divinos, e tendo chegado ao ato quando foi concebida a
Imaculada Rainha, compreendia como o Ente Supremo antes de chamá-la à vida, lhe infundiu tanto
amor, que assim que sentiu a vida sentiu a necessidade de amar a seu Criador, sentia em Si
mesma aquele amor que tirava. Eu fiquei surpresa, e meu amado Jesus adicionou:
(5) "Minha filha, não se maravilhe, é nosso costume que a cada criatura quando a colocamos fora à
luz do dia no ato de criá-la, damos uma dose de amor, dando-lhe assim parte de nossa substância
divina, e segundo nossos desígnios que fazemos sobre ela, assim incrementamos a dose de nosso
amor. Assim que cada criatura tem em si mesma a parte da substância do amor divino, de outra
maneira como poderia amar-nos se Nós mesmos não púnhamos do nosso para fazer-nos amar?
Seria pedir o que não tinha, Nós já o sabíamos, que a criatura nada tem seu, por isso devíamos
colocar como dentro de um sacrário nosso amor, nossa Vontade, para pedir que nos ame e faça
nosso Querer. E se pedimos é porque sabemos que tem em seu poder nosso amor, e nosso
Querer, que Nós mesmos colocamos no fundo de sua alma. Agora, se nos ama, esta dose de
nosso amor surge, se engrandece, e sente mais forte a necessidade de nos amar e de viver da
Vontade de seu Criador; se não nos ama não cresce, e as debilidades humanas, as paixões,
formam as cinzas sobre nosso amor, de modo que chega a não sentir nenhuma necessidade de
nos amar, as cinzas cobriram e sufocaram nosso fogo divino, e enquanto o fogo existe, ela não o
sente, enquanto cada vez que nos ama, não faz outra coisa que soprar para remover as cinzas,
assim sentirá o fogo vivo que o queima no seio, e o aumentará tanto de não poder estar-se sem
nos amar.
(6) Agora minha filha, a Imaculada Rainha, desde o primeiro instante de sua concepção, dado que
sentia em Si o amor por seu Criador e nossa Vontade que age mais que sua própria vida, nos
amou tanto que não perdeu nem um instante sem nos amar, e com amar-nos e amar-nos
engrandeceu tanto esta dose de amor, de poder amar-nos por todos e dar amor a todos, e amar a
todos sempre, sem cessar jamais; tu deves saber que nosso amor é tanto, que com colocar esta
dose de amor na criatura, Nós colocamos o germe da felicidade dentro dela, porque a verdadeira
felicidade deve ter seu posto real dentro da alma, a felicidade de fora se não reside dentro, não se
pode chamar verdadeira felicidade, mas bem amarga à pobre criatura e é como um vento
impetuoso, que rápido a dissipa, deixando os rastros apenas convertidos em espinhos que a
amarguram, não assim a felicidade de dentro, posta por Nós, ela é duradoura e cresce sempre; e
além disso amar é congratular-se e felicitar-nos, quem não ama não pode ser jamais feliz, quem
não ama não tem nenhuma finalidade nem interesse de cumprir obras, nem sente o heroísmo de
fazer bem a ninguém, o sacrifício que dá as mais belas tintas ao amor não existe para ela. Então, a
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Volume 34
Virgem Santíssima possuía o mar da felicidade, porque possuía tantas vidas de amor por quantas
criaturas existem, e não só isto, senão com não fazer jamais sua vontade, senão sempre a minha,
formava tantas Vidas da minha Vontade Divina n’Ela, de modo que pode dar a cada criatura uma
Vida de Amor e uma Vida de Querer Divino. Eis por que com direito é Rainha do amor, e Rainha da
Vontade Suprema. Por isso a Soberana Rainha ama, suspira tirar estas Vidas para colocá-las nas
criaturas e formar o reino do puro amor e o reino de nossa Vontade, e assim chegará ao ponto
máximo de amar a seu Criador, e ao ponto máximo de amar e de fazer bem às criaturas".
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34-8
Abril 21, 1936
Desafogo divino por quem vive em sua Vontade; como a faz participante de suas obras.
Como tem sempre o que dar e age junto com a criatura.
(1) Estou sempre no mar do Querer Divino, onde encontro a força, a paz, o amor, mas bem quando
entro n’Ele, vendo minha pequenez e que não sou boa para fazer nada, a Divindade, que ama
tanto fazer operar sua Vontade em minha pequenez, arma em torno de mim sua Santidade, sua
Sabedoria, a Bondade, a Força, a Luz Divina, para fazer que sua Vontade encontre em mim suas
qualidades divinas, para poder fazer em mim seu ato constante, assim que põe do seu para dar
graças à criatura de fazê-la operar n’Ela. Depois seguia os atos da Divina Vontade, e Ela me
levava em seus braços, me sustentava, me dava o fôlego para me fazer receber a participação de
seus atos. Então cheguei ao ato da Concepção da Virgem, e encontrei-me no pequeno coração da
Virgem concebida. Meu Deus, não sei dizer, não sei seguir adiante, mas meu doce Jesus para me
fazer compreender me disse:
(2) "Filha bendita de meu Querer, tem razão, as ondas de meu Querer te inundam, te afogam, e
sua pequena capacidade se perde, e se necessita a seu Jesus para explicar melhor o que você vê,
porque não sabe dizer. Deves saber filha minha que é tal e tanto nosso amor por quem quer viver e
vive em nosso Querer Divino, que a queremos fazer parte de todas nossas obras, quanto a criatura
é possível, dando-lhe também o mérito de nossas obras divinas. Assim que a criatura entra em
nossa Vontade, Ela chama em ato a seu agir divino, como se naquele instante o estivesse fazendo,
e fundindo-a em seu ato lhe faz ver os prodígios de seu agir, e receber e confirmar no bem,
fazendo-lhe sentir a nova vida de seu ato. Tu viste a Concepção da Soberana Rainha, e como tu,
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Volume 34
estando na minha Vontade, te encontraste concebida em seu materno coração; olha a grande
diferença, para quem vive em meu Querer os prodígios da Imaculada Conceição foram inauditos;
minha Vontade que animava esta Imaculada Conceição, da qual nenhum pode fugir d’Ela, chamou
para estar presentes todas as criaturas, para que ficassem concebidas em seu virginal coração, e
recebessem sua maternidade, sua ajuda, sua defesa, encontrassem o refúgio, o apoio nesta Mãe
Celestial. Agora, quem vive em nosso Querer se encontra no ato em que se concebe, é a filha que
espontaneamente, por sua vontade, busca a sua Mãe, e toma seu lugar, se fecha em seu materno
coração para fazer-se de Mãe da Celestial Rainha. Agora, esta tomará parte nas riquezas da
Soberana Senhora, em seus méritos, em seu amor, sentirá em si a nobreza, a Santidade d’Ela,
porque conhece a quem pertence, e Deus a fará parte dos bens infinitos e do amor exuberante que
teve na Concepção desta Santa Criatura. E assim de todas as nossas obras, assim que a criatura
as procura, chama-as em nossa Vontade para conhecê-las e amá-las, Nós chamamos em ato
nossas obras, pomos no centro delas, fazemo-las sentir e provar todo o nosso amor, a potência da
nossa força criadora, e a pequenez da criatura recebe em si, enche-se até não poder conter mais.
Minha filha, não fazer parte de nossas obras a quem vive em nossa Vontade nos é impossível, não
seria verdadeiro amor o nosso, porque Nós possuímos em natureza a força comunicativa, e
queremos comunicar a todos nossos bens divinos, são as criaturas que os rejeitam, mas para
quem vive em nosso Querer desafogamos em comunicar nossos bens, não encontramos nela
nenhuma oposição, e se isto não fosse impediríamos nosso Ser Divino, é uma de nossas
felicitações: ‘Amar, dar, abundar às nossas amadas criaturas'.
(3) Veja então a grande diferença de quem vive em nossa Vontade, as outras criaturas se
encontram em nossas obras, na Concepção da Virgem Santa, na Encarnação do Verbo, nas
minhas dores, na minha morte e até na minha Ressurreição, mas se encontram em virtude de
nossa potência e imensidão, quase diria por necessidade, não por amor, nem porque conheçam
nossos bens e amem fazer sua habitação neles para gozá-los, de fato, é porque de nosso Ser
Divino nenhum pode fugir, enquanto quem vive em nosso Querer é a criatura que busca nossas
obras, as conhece, as ama, as aprecia, e vem a tomar seu posto dentro delas, e ama e age
juntamente Conosco, consequentemente participa, adquire novos conhecimentos e novo amor,
enquanto as outras estão e não as conhecem, não nos amam, não têm uma palavra a dizer-nos, se
se puder dizer estão a impedir a nossa Imensidão, e muitos para nos ofender. Por isso é nosso
suspiro ardente que a alma viva em nosso Querer, Nós tínhamos sempre o que dar e o que fazer
sempre com ela, e ela tem o que fazer junto Conosco, não nos damos tempo, um ato chama a
outro, e nos conhecemos bastante, nossa Vontade primeiro nos faz conhecer, nos faz amar, e
depois forma a união perene da criatura em nossa Vontade".
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Volume 34
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34-9
Maio 20, 1936
Diferença que há entre quem chama a Divina Vontade em seus atos, e entre quem faz as
boas obras sem Ela. A Ascensão; como partia para o Céu e ficava na terra.
(1) Minha pobre mente continua girando nos atos da Divina Vontade, e pensava entre mim: "Qual é
a diferença de quem chama a Divina Vontade em seus atos, e daqueles que fazem as obras boas
e não a chamam, não lhe dão o primeiro lugar em seus atos". E o meu doce Jesus, fazendo-me a
sua breve visita, disse-me:
(2) "Minha filha, não há comparação entre um e outro, o primeiro a chamar a minha Vontade em
seus atos se despoja do que é humano, e forma o vazio em seu querer humano onde dar o lugar a
minha Vontade; Esta embeleza, santifica, forma sua luz naquele vazio, depois pronuncia seu Fiat
Criante e chama a vida seu agir divino no humano, e a criatura não só participa, mas sim fica
proprietária do ato divino, o qual possui a Potência, a Imensidão, a Santidade e o valor Divino que
não se esgota jamais. Por isso, em quem vive em nosso Querer Nós olhamos e encontramos a Nós
mesmos e a nossos atos que nos honram e nos fazem coroa. Em troca aqueles que fazem as boas
obras, mas não animados pelo nosso Querer, Nós não nos encontramos a Nós mesmos, senão ao
ato finito da criatura, e como Nós não sabemos ter nada do bem que elas fazem onde não
participem de nossos atos, lhes damos o mérito como pagamento; o pagamento não é propriedade
que pode sempre produzir, por isso simboliza aqueles que vivem ao dia, que embora vivam
trabalhosamente do salário que têm, não se fazem jamais ricos, sentem sempre a necessidade de
que lhes seja pago seu trabalho para viver, e se não trabalham há perigo de morrer de fome, isto é,
de não sentir a saciedade do bem, a vida das virtudes, senão a esquálida miséria das paixões. Em
troca para quem vive em nosso Querer tudo é abundância, Nós lhe dizemos: Toma o que quiseres,
e quanto mais possas tomar, mais colocamos à tua disposição nossas riquezas, nossa luz, nossa
santidade, nosso amor, porque o que é nosso é teu, e o que é vosso é nosso, não resta outra coisa
senão viver e trabalhar juntos".
(3) Depois disso estava seguindo a Ascensão de Jesus ao Céu, como era belo, todo majestoso,
vestido de luz fulgidíssima que raptava e acorrentava os corações a amá-lo, e meu doce Jesus
todo bondade e amor me disse:
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Volume 34
(4) "Minha filha bendita, não há sucesso de minha Vida que não simbolize o reino de minha Divina
Vontade, neste dia de minha Ascensão Eu me sentia vitorioso e triunfante, minhas dores haviam
terminado, mas bem deixava minhas dores já sofridas em meio a meus filhos que deixava sobre a
terra, como ajuda, força e sustentação, e como refúgio onde se esconder em suas dores, para
tomar das minhas o heroísmo em seus sacrifícios, posso dizer que deixava minhas dores, meus
exemplos e minha própria Vida como semente, que amadurecendo e crescendo devia fazer surgir
o reino da minha Divina Vontade. Assim que partia e ficava, ficava em virtude de minhas dores,
ficava em seus corações para ser amado, depois que minha Santíssima Humanidade subia ao Céu
sentia mais estreito o vínculo da família humana, portanto não me teria adaptado a não receber o
amor de meus filhos e irmãos que deixava na terra; fiquei no Santíssimo Sacramento para dar-me
continuamente a eles, e eles a dar-se a Mim para fazê-los encontrar o repouso, o descanso e o
remédio a todas as suas necessidades. Nossas obras não sofrem de mutabilidade, o que fazemos
uma vez repetimos sempre. Além disso, neste dia de minha Ascensão Eu tinha dupla coroa, a
coroa de meus filhos que levava Comigo à Pátria Celestial, e a coroa de meus filhos que deixava
na terra, símbolo eles daqueles poucos que serão o princípio do reino de minha Divina Vontade;
todos os que me viram ascender ao Céu receberam tantas graças, que todos deram a vida para
fazer conhecer o Reino da Redenção, e lançaram os fundamentos para formar a minha Igreja, e
para que recolhesse no seu regaço materno todas as gerações humanas, assim como os primeiros
filhos do Reino da minha Vontade, serão poucos, mas serão tais e tantas as graças das quais
serão investidos, que porão a vida para chamar a todos a viver neste santo reino. Uma nuvem de
luz me investiu, a qual tirou da vista dos discípulos minha presença, os quais estavam estáticos
vendo minha pessoa, que era tanto o encanto de minha beleza que tinha arrebatado suas pupilas,
não sabiam baixar seu olhar para ver a terra, tanto que se exigiu um anjo para sacudi-los e fazê-los
retornar ao cenáculo. Também isto é símbolo do reino de meu Querer, será tal e tanta a luz que
investirá a seus primeiros filhos, que levarão o belo, o encanto, a paz de meu Fiat Divino, de modo
que facilmente se disporão a querer conhecer e amar um bem tão grande. Agora, no meio dos
discípulos estava minha Mãe que assistia a minha partida para o Céu, este é o mais belo símbolo.
Assim que Ela é a Rainha de minha Igreja, a assiste, a protege, a defende, assim se porá em meio
aos filhos de minha Vontade, será sempre Ela o motor, a vida, a guia, o modelo perfeito, a Mestra
do reino do Fiat Divino que tanto aprecia, são suas ânsias, seus desejos ardentes, seus delírios de
amor materno, que quer a seus filhos na terra no reino onde Ela viveu, não está contente em ter
seus filhos no Céu no Reino da Divina Vontade, senão que os quer também sobre a terra, sente
que a tarefa dada a Ela por Deus como Mãe e Rainha não a completou, sua missão não terminou
até que reine a Divina Vontade sobre a terra no meio das criaturas. Quer que seus filhos a
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Volume 34
assemelhem e que possuam a herança de sua Mãe, por isso a grande Senhora é toda olhos para
olhar, todo coração para amar, para ajudar a quem vê em algum modo disposto a querer viver de
Vontade Divina. Por isso nas dificuldades pensa que Ela está junto a ti, te sustenta, te fortalece,
toma teu querer em suas mãos maternas para fazê-lo receber a Vida do Fiat Supremo".
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34-10
Maio 31, 1936
A Divina Vontade encerra todos os atos da Vida de Jesus como em ato de repeti-los sempre
por amor das criaturas. A Vida de Jesus simboliza a chamada do reino da Divina Vontade
sobre a terra.
(1) Minha pobre inteligência seguia a Vida de meu doce Jesus na Divina Vontade, na qual o
encontrava em ato de continuar sua Vida quando estava sobre a terra, e oh! quantas maravilhas,
quantas surpresas de amor jamais pensadas. Assim, o Fiat Divino encerra todos os atos da Vida
de Jesus como em ato de repeti-los sempre por amor das criaturas, para dar a cada uma sua Vida
inteira, suas dores, seu amor ardente. Então meu doce Jesus, todo bondade me disse:
(2) "Minha pequena filha do meu Querer, meu Amor quer desabafar, sente a necessidade de fazer
conhecer a quem quer viver da minha Vontade, o que Eu fiz e faço para que volte a reinar e
dominar no meio das criaturas; tu deves saber que toda minha Vida não foi outra coisa que o
chamado contínuo de minha Vontade em meio a elas, e o chamado das criaturas em meu Fiat
Supremo, tanto, que quando me concebi simbolizava o chamado, o retorno para fazê-la conceber
nas criaturas que com tanta crueldade a haviam posto fora de suas almas, e as chamava a elas a
conceber-se n’Ela. Assim que nasci, chamava a renascer meu Querer em todas as obras humanas;
em todas as minhas lágrimas infantis, gemidos, orações e suspiros, chamava com minhas lágrimas
e suspiros a minha Vontade nas lágrimas, dores e suspiros das criaturas, para que nada fizessem
em que não sentissem a força, o império da minha Vontade reinante nelas, que, tendo piedade das
minhas lágrimas e das suas lágrimas, lhes teriam dado a graça do retorno do seu reino. Também
meu exílio simbolizava como as criaturas haviam se exilado de meu Querer, e Eu quis ser exilado
para chamar a minha Vontade em meio aos pobres exilados, a fim de que os chamasse e
convertesse o exílio em pátria, onde não mais seriam tiranizados pelos inimigos, por pessoas
estrangeiras, por vis paixões, senão que estariam com a plenitude dos bens de minha Vontade. E
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Volume 34
meu retorno a Nazaré simboliza muito bem minha Divina Vontade, Eu vivia n’Ela escondido, seu
reinado estava em pleno vigor na sagrada família, Eu era o Verbo, a Vontade Divina em pessoa
velada por minha Humanidade, aquela mesma Vontade que reinava em Mim se difundia a todos,
os abraçava, era movimento e vida de cada um, Eu sentia em Mim o movimento e a vida de cada
um, da qual meu Fiat era o ator; que pena, que dor não ser reconhecido, nem receber um obrigado,
um te amo, um ato de reconhecimento, nem do mundo inteiro, nem do próprio Nazaré, porque não
só a minha Vontade, mas também a minha Santa Humanidade vivia no meio deles, a qual não
cessava de dar luz a quem pudesse ver-me e aproximar-se de Mim para me fazer conhecer, mas
que na minha dor ficava sempre o Deus escondido. Tal é a sorte do meu Querer Divino, o homem
foi criado com a força criadora do Fiat, nasceu, foi unido, embebido n’Ele, fornece-lhe o movimento
contínuo, o calor, a vida, terminará sua vida no Fiat, no entanto, quem o conhece? Quem é grato
por este ato divino contínuo, sem jamais cansar-se, que com tanto amor envolve a vida da criatura
para lhe dar vida? Quase nenhuma minha filha; fazer o bem, ser causa primária de conservação e
dar vida perene à criatura, manter a ordem de todas as coisas criadas em torno dela e só para ela,
e não ser reconhecido, é a dor das dores, e a paciência da minha Vontade chega ao incrível, mas
sabes tu o por que desta paciência tão invencível e constante? Porque sabe que virá seu reino,
será reconhecida sua Vida palpitante entre as criaturas, e em vista da grande glória que receberá
ao ser conhecida que é vida de cada vida, e enquanto é vida receberá cada vida para reinar nela,
não estará mais escondida senão revelada e reconhecida; em vista disto suporta tanto
desconhecimento, e só uma paciência divina poderia suportar a prolixidade de tantos séculos de
tanta ingratidão humana. De Nazaré passei ao deserto onde havia máxima solidão, a maior parte
habitada por animais ferozes que ensombravam o deserto com seus rugidos que me rodeavam,
símbolo de minha Divina Vontade, que quando não é conhecida se forma o deserto em torno da
criatura e uma solidão que dá horror e espanto, torna-se árido o bem e a alma se sente circundada
mais que por animais ferozes, isto é, por suas paixões brutais que mandam rugidos de raiva, de
bestial fúria, de crueldade, de todos tipos de males. Minha Santa Humanidade ia passo a passo
buscando e encontrando todas as dores que tinha sofrido minha Divina Vontade para repará-la e
chamá-la de novo a reinar de novo no meio das criaturas, posso dizer que cada pulsar, respiro,
palavra, passo e dores meus, era o chamado contínuo a minha Vontade a fazer-se conhecer pelas
criaturas para fazê-la reinar, e chamava-as a elas n’Ela para lhes fazer conhecer o grande bem, a
santidade, a felicidade de viver no Fiat. Do deserto passei à vida pública, na qual poucos
acreditaram que Eu era o Messias, especialmente dos doutos quase nenhum, e Eu quis usar minha
Potência semeando milagres para formar o povo, a fim de que se não acreditassem em minhas
palavras acreditassem na potência dos meus milagres, eram as minhas indústrias divinas e
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Volume 34
amorosas que a qualquer preço queria fazer-me saber que era o seu Salvador, porque se não me
conheciam não podiam receber o bem da Redenção, por isso era necessário fazer-me conhecer
para fazer que minha vinda sobre a terra não fosse inútil para eles. Oh! como minha vida pública
simboliza o triunfo do reino de meu Fiat em meio às criaturas, que com verdades surpreendentes o
farei conhecer, e para consegui-lo farei milagres e prodígios, com a Potência de meu Querer
chamarei a vida os mortos à graça, repetirei o milagre da ressurreição de Lázaro, que embora
estejam podres no mal, que se tornaram cadáveres pestilentos como Lázaro, meu Fiat os chamará
à vida, fará cessar a peste do pecado, os fará ressurgir no bem, em suma, usarei todas as minhas
indústrias divinas para fazer dominar meu Querer no meio das pessoas. Vê então, em cada palavra
minha que dizia e em cada milagre que fazia, chamava a minha Vontade a reinar no meio a elas, e
chamava as pessoas a viver n’Ela. Da vida pública passei à paixão, símbolo da Paixão da Minha
Vontade que por tantos séculos havia sofrido tantas vontades rebeldes das criaturas, que com não
querer submeter-se a Ela haviam fechado o Céu, rompido as comunicações com seu Criador, e
tinham-se tornado escravos infelizes do inimigo infernal. Minha humanidade dilacerada, perseguida
até a morte, crucificada, representava a humanidade infeliz sem meu Querer ante a Divina Justiça,
e em cada pena chamava a meu Fiat a dar-se o beijo de paz com as criaturas para fazê-las felizes,
e as chamava a elas n'Ele para fazer cessar a Paixão dolorosa a minha Vontade. Finalmente a
morte, que amadureceu a minha Ressurreição, que chamava a todas a ressurgir no meu Fiat
Divino, e oh! como simboliza ao vivo a minha Ressurreição o reino da minha Vontade, a minha
humanidade podre, deformada, irreconhecível, ressurgia sadia, de uma beleza encantadora,
gloriosa e triunfante. Ela preparava o triunfo, a glória a minha Vontade, chamando a todos n’Ela e
buscando que todos ressurgissem em meu Querer, de mortos vivos, de feios belos, de infelizes
felizes. Minha Humanidade ressuscitada assegura o reino à minha Vontade sobre a terra, foi meu
único ato cheio de triunfo e de vitória, e isto me convinha porque não queria partir para o Céu se
primeiro não desse todas as ajudas às criaturas para fazê-las entrar no reino de meu Querer, e
toda a glória, a honra, o triunfo de meu Fiat Supremo para fazê-lo dominar e reinar. Por isso junta-
te Comigo e faz que não haja ato que faças, e pena que sofras, que não chames a minha Vontade
a tomar seu posto real e dominante, e como vencedora conquiste a todos para fazer-se conhecer,
amar e querer por todos".
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Volume 34
34-11
Junho 14, 1936
Deus e sua Vontade; sua Vontade com a Criação; sua Vontade com os seres celestiais; sua
Vontade em desacordo com a humana família.
(1) O Querer Divino com força poderosa chama-me no mar interminável da sua Vontade, e oh!
como se está bem n’Ela, quantas surpresas, quantas coisas belas se compreendem, as quais
produzem alegrias infinitas, Vidas Divinas, amor que jamais diz basta, mas o que mais dá felicidade
é ver e sentir que tudo é Vontade Divina, toda a Criação forma um único ato de Querer Supremo.
Mas enquanto minha mente se perdia n’Ela, o doce Jesus me fazendo sua breve visita, com um
amor indizível me disse:
(2) "Filha bendita de meu Querer, você deve saber que à cabeça do reino de minha Divina Vontade
está o próprio Deus, nossa Divindade não faz outra coisa que um ato contínuo de nossa Vontade,
não fazemos jamais a vontade de ninguém senão sempre a nossa, a coroa de nossos atributos são
dominados por nosso Fiat, seu reino está dentro de Nós e se estende fora de Nós em nossa
Imensidão, em nosso Amor, Potência e Bondade, em tudo, assim que para Nós tudo é Vontade
nossa.
(3) Em segundo lugar vem a Criação, céus, sóis, estrelas, ventos, águas, também o pequeno fio de
grama, não fazem outra coisa que um ato contínuo do Fiat, entre elas e Nós há um ato de respirar,
Nós emitimos o respiro de nossa Vontade, e a Criação o recebe, e emitindo nos dá o respiro que
lhe tínhamos dado, isto é, todos os efeitos que produziu nossa Vontade respirada por ela, e se une
a nosso ato único; quanta glória e honra não recebemos, como vem exaltado nosso Ser Supremo
só porque fazemos respirar nossa Vontade a toda a Criação, e ela nos devolve o respiro que lhe
havíamos dado, há tal unidade de Vontade com toda a Criação, que tudo o que sai e entra forma
um só ato de Vontade Suprema, e a multiplicidade e diversidade das coisas que se veem e
acontecem, não são nada mais que os efeitos que produz o único ato nosso. Porque o nosso Fiat
nunca se muda, nem está sujeito a mutação, toda a sua Potência está nisto, fazer um só ato para
poder produzir todos os efeitos possíveis e imagináveis.
(4) Em terceiro lugar vêm todos os anjos, santos e bem-aventurados da Pátria Celestial, eles giram
em torno de nosso Ser Supremo e respiram a força, a santidade, o amor, as alegrias infinitas, as
felicidades sem número do Querer Divino, formam uma só Vida com Ele, esta Vida a sentem dentro
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Volume 34
como vida própria, a sentem por fora, na qual lhes leva o oceano sempre novo das felicidades
divinas, mas um é o ato que se forma no Céu, Vontade Divina; um o respiro; uma só coisa se quer,
Vontade Divina; jamais, no Céu pode entrar um só ato, um só respiro que não seja Vontade
Divina, a Pátria Celestial perderia todo o encanto, o belo, o atrativo do que está investida, mas isto
não pode ser. Vê então que toda a supremacia a tem meu Fiat; os bem-aventurados com só
respirá-lo ficam cheios de mares de alegrias e felicidade incompreensíveis, e enquanto emitem o
respiro, nossa Divindade sente a felicidade que gozam todos os santos, e todos magnificamos o
nosso Querer Supremo como princípio, fonte, origem de todos os bens.
(5) Em quarto lugar vem a família humana, ela gira em torno de Nós, mas como sua vontade não é
uma com a nossa, não respiram o nosso Querer, que põe a ordem, a santidade, a união, a
harmonia com o seu Criador, e por isso ficam espalhadas, desordenadas, e como extraviadas de
Nós, são seres infelizes, a paz, a felicidade, a abundância dos bens estão afastadas deles, e todo o
mal vem de que nossa Vontade não é a deles, não nos respiramos reciprocamente, e isto impede a
comunicação de nossos bens, a perfeita união com nosso Ente Supremo. Nossa mão criadora que
devia formar sua obra-prima e a mais bela em cada criatura, é parada porque falta nossa Vontade,
não encontra suas almas que se prestem, adaptáveis para tornar viável nossa arte divina, onde
falta o nosso Querer não sabemos o que fazer com aquela criatura. Esta é a causa pela qual
suspiramos tanto que reine nossa Divina Vontade e forme sua Vida nelas, porque nossa obra
criadora está impedida, nossos trabalhos suspensos, a obra da Criação está incompleta, e para
obter isso, uma deve ser a Vontade do Céu e da terra, uma a Vida, um o amor, um o respiro, e este
é o maior bem que queremos dar às criaturas, temos que fazer ainda tantas obras belas, mas o
querer humano nos impede o passo, ata os nossos braços e imobiliza as nossas mãos criadoras.
Por isso quem quer fazer nossa Vontade e viver n’Ela, nos dá o trabalho e fazemos dela o que
queremos.
(6) Agora, você deve saber que assim que a criatura decide viver da Vontade Divina, assegura sua
salvação, sua santidade, Nós estamos nela como em nossa casa, e sua vontade nos serve como
matéria na qual em cada ato seu pronunciamos o Fiat para formar nossas obras dignas d’Aquele
que a habita; fazemos como um rei que se serve das pedras, cascalho, tijolos e cal para formar-se
uma suntuosa morada real, de deixar chocado a todo o mundo, pobre rei se não tivesse as pedras,
os materiais necessários para formar a morada real, com tudo e que tivesse toda sua boa vontade
e moedas para gastar para formá-lo, faltando as matérias primas ficaria sem palácio. Assim somos
Nós, se nos falta a vontade da alma, com toda nossa Potência e Vontade que temos, faltando-nos
a matéria não podemos formar na alma a bela morada digna de ser nossa habitação, por isso
quando a criatura nos dá sua vontade e toma a nossa, estamos seguros, encontramos tudo à
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Volume 34
nossa disposição, coisas pequenas e grandes, coisas naturais e coisas espirituais, tudo é nosso, e
de tudo nos servimos para fazer operar nosso Fiat Onipotente. E, como a nossa Vontade não sabe
estar sem as suas obras, faz o chamado de todas as suas obras na habitação que com tanto amor
se formou na criatura, circunda-se de todas as obras da Criação, céus, sóis, estrelas lhe fazem
homenagem, põe em ordem nela tudo o que Eu fiz na Redenção, minha Vida, meu nascimento,
minhas lágrimas infantis, minhas dores e orações, tudo, onde está minha Vontade nada deve faltar,
porque tudo d’Ela saiu, por isso com direito tudo é seu, e por isso onde Ela reina forma a
concentração de todas as suas obras. E, oh! as belezas, a ordem, a harmonia, os bens divinos que
se veem nesta criatura, os céus ficam estupefatos e todos admiram o Amor, a Potência da Divina
Vontade, e trêmulos a adoram. Por isso deixe-se trabalhar por Ela, e Ela fará coisas grandes de te
fazer espantar.
(7) Além disso, nosso Amor, nossa eterna Sabedoria, estabeleceu todas as graças que devemos
dar à criatura, os graus de santidade que deve adquirir, a beleza com que devemos adorná-la, o
amor com que nos deve amar, e os mesmos atos que ela deve fazer; onde reina nosso Fiat tudo
vem realizado, a ordem divina está em pleno vigor, nem mesmo uma vírgula é mudada, nosso agir
está em plena harmonia com as obras da criatura, e oh! como nos deleitamos, e quando lhe demos
nosso último amor no tempo, e ela cumpriu o último ato nosso de Vontade Divina em sua vida
mortal, nosso Amor lhe dará o voo à pátria celestial, e nossa Vontade a receberá no Céu como
triunfo de sua Vontade constante e conquistadora, que com tanto amor conquistou sobre a terra.
Assim, seu último ato será a desembocadura que fará no Céu, para dar início em nossa Vontade
felicitante, que nunca terá fim. Ao contrário, onde não reina nosso Querer, a ordem divina não
existe, quantas obras nossas quebradas e não realizadas, quantos vazios divinos e cheios talvez
de paixões, de pecados, não há beleza senão deformidade de dar piedade. Por isso seja atenta e
faça que nosso Querer reine e viva em você".
++++
34-12
Julho 4, 1936
Como um ato de vontade humana pode arruinar a ordem Divina e suas obras mais belas. A
primeira coisa que Deus quer é a liberdade absoluta. A Divina Vontade formará tantos Jesus
onde Ela reina.
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Volume 34
(1) Minha pobre mente não sabe estar sem girar e voar no Querer Divino, e minha pobre vontade
humana se sente como sob a pressão da Divina Vontade, e pensava entre mim: "Ah! sim, é belo,
sente-se a vitória, o triunfo, o domínio, a felicidade, as belas conquistas do viver no Querer Divino,
mas o querer humano enquanto se sente vivo deve continuamente morrer, é verdade que é a maior
honra, o maior Amor de Deus, o dignar-se descer na vontade da criatura e com Sua Majestade e
Poder agir, fazer o que Ele quer, e o humano ficar no seu lugar e só pode fazer o que faz Deus,
mas o seu tudo deve abandonar, este é o sacrifício dos sacrifícios, especialmente em certas
circunstâncias; oh! como é doloroso sentir a vida e tê-la como se não a tivesse, porque o Fiat
Divino não tolera que nem sequer uma fibra de querer humano atue no seu". E uma multidão de
pensamentos ocupava minha pobre mente, e meu doce Jesus compadecendo minha ignorância e
o estado doloroso em que me encontrava, com ternura indescritível, pondo-me sua mão santíssima
sobre minha cabeça me disse:
(2) "Filha bendita, ânimo, não se abata, meu Querer Divino quer tudo, porque sabe que um
pequeno ato, um desejo, uma fibra de querer humano arruinaria suas obras mais belas, a ordem
divina, sua santidade ficaria obstruída, seu amor restrito, sua potência limitada, por isso não tolera
que nem sequer uma fibra de querer humano tenha vida; é verdade que é o sacrifício dos
sacrifícios, nenhum outro sacrifício pode igualar o peso, o valor, a intensidade do sacrifício de viver
sem vontade, tanto que se requer a Vida perene, o milagre contínuo de meu Querer Divino para
poder resistir a este sacrifício, que diante dos outros, estes se podem chamar sombras, quadros
pintados, jogo de crianças que choram por uma insignificância, porque há o querer humano que
nas penas, nos encontros dolorosos, nas obras, não se sente desfeito, sem vida, sem satisfações,
por isso os sacrifícios se sentem, oh! quanto mais leves, mas vazios de Deus, de santidade, de
amor, de luz, de verdadeira felicidade, e talvez nem sequer isentos de pecados, porque o querer
humano sem o meu não pode fazer jamais coisas boas e santas. Além disso, se meu Fiat não
tivesse a virtude de ter consigo o querer humano sem lhe dar vida, mas sim encerrar sua Vida nele
para fazer que não encontre nem lugar nem tempo de poder atuar, não poderia agir com aquela
ostentação, suntuosidade e pompa divina que Nós estamos acostumados a fazer em nossas obras;
se na Criação houvesse estado outra vontade, nos teria impedido a suntuosidade, a ostentação, a
pompa divina que tivemos em toda a Criação, poderia ter-nos impedido a extensão do céu, a
multiplicidade das estrelas, a vastidão da luz do sol, a variedade de tantas coisas criadas, nos teria
colocado um limite. Por isso nosso Querer quer estar só para fazer o que sabe e quer fazer, por
isso quer a vontade humana consigo, concorrente, espectadora, admiradora do que quer fazer
nela, mas deve estar convencida, se quer viver em minha Vontade, que a sua não pode agir mais e
que deve servir para encerrar a minha na sua, para deixá-la fazer com toda a liberdade as suas
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Volume 34
obras, com toda a suntuosidade, com a magnificência da graça e com a pompa das suas
variedades divinas. A primeira coisa que queremos é a liberdade absoluta, queremos ser livres filha
minha, seja qual for o sacrifício que queremos e as obras que queremos fazer, se isto não for, viver
em minha Vontade será um modo de dizer, mas em realidade não existe".
(3) O querido Jesus fez silêncio, e eu pensava em tudo o que me tinha dito e dizia entre mim: "Ele
tem razão de que não pode o querer humano agir ante a Santidade e Potência da sua, e por si
mesmo se põe em seu posto de nulidade, se requer de muito para agir ante uma Vontade Divina,
se sente incapaz e ela mesma lhe pediria que não lhe desse a grande desventura de lhe fazer
formar um movimento, uma fibra do próprio querer; mas minha cruz, e Tu sabes em que labirinto
me colocaste, sinto-me impedida e humilhada até o pó, tinha necessidade e Tu sabes de quem,
sem poder me ajudar, e não um dia, um ano, oh! como é duro, sei que só seu Querer me dá a
força, a graça, que por mim mesma não poderia resistir". E sentia tal amargura de sentir-me
morrer. E meu sempre amável Jesus, compadecendo-me disse-me:
(4) "Minha filha, quando minha Divina Vontade quer fazer um ato completo na criatura, e sabes tu o
que significa um ato completo de minha Vontade? Significa ato completo de Deus, no qual encerra
Santidade, Beleza, Amor, Poder e Luz de fazer estremecer Céus e terra, o próprio Deus deve
sentir-se arrebatado, mas tanto, de formar sua sede, seu trono de glória neste seu ato completo, o
qual servirá a Si mesmo e descerá como benéfico orvalho a favor de todas as criaturas. Por isso
para fazer este ato completo, devia dispor sobre ti uma nova cruz, não dada a nenhum outro, para
te amadurecer e fazer surgir em ti as disposições que se requeriam, tu para receber e Deus para
fazer este seu ato completo de sua Vontade; com nada se faz nada, por isso tu para receber e Nós
para dar coisas novas devíamos dispor cruzes novas, que unidas ao trabalho contínuo de nosso
Querer, devia preparar tudo para um ato tão grande. Você deve saber que meu Fiat nunca te
deixou, por isso você sente sua doce impressão e imperante sobre cada fibra, movimento, desejo
de seu querer, ciumento de você e de seu mesmo ato completo que queria fazer, tinha e mantinha
seu real domínio, mas sabe por quê? Um doce e querido segredo, escuta-me: Conforme o meu
Querer dominava a tua mente, o teu olhar, a tua palavra, assim formava o teu Jesus na tua mente,
o seu olhar no teu, a sua palavra na tua; conforme dominava as fibras, o movimento, o coração,
assim formava as suas fibras, o movimento, o coração de teu Jesus em ti; e conforme te dominava
as obras, os passos, todo teu ser, assim formava suas obras, seus passos, todo Jesus em ti.
Agora, se a minha Vontade te tivesse dado a liberdade de fazer agir a tua, inclusive nas coisas
menores e inocentes, não teria podido formar o teu Jesus em ti, e Eu de vontade humana não
posso nem quero viver, nem meu Querer teria tomado o empenho de me formar na alma se não
estivesse seguro que Eu encontrasse minha mesma Vontade, da qual estava animada minha
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Volume 34
Humanidade; será propriamente isto seu reino sobre a terra, formar tantos Jesus por quantas
criaturas queiram viver de Vontade Divina; com Jesus nas almas seu reino terá sua suntuosidade,
sublimidade, seu esplendor de coisas inauditas, e estará seguro, e então no reino de meu Fiat
Divino terei tantos Jesus viventes que me amam, glorificam-me e me darão glória completa. Por
isso suspiro tanto este reino, também tu o suspira, não te ocupes de outra coisa, deixa-me fazer,
confia em Mim, e Eu pensarei em tudo".
(5) Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e meu doce Jesus acrescentou:
(6) "Minha filha, a luz, símbolo do meu Querer Divino, a natureza dela é expandir-se quanto mais
pode, e se encontra em todos, não nega a nenhum a sua luz, a queiram ou não a queiram, no
máximo pode acontecer isto, que quem a quer utiliza a luz e se serve dela também para fazer
grandes obras, ao contrário quem não a quer não faz nenhum bem, mas não pode negar que
recebeu o bem da luz. Tal é a minha Vontade, mais que luz se expande por todas as partes,
investe a todos e tudo, e o sinal de que a alma a possui é sentir a necessidade junto com Ela de
dar-se a todos, fazer bem a todos, com seus atos corre a todos e quer fazer tantos Jesus para dá-
lo a cada um. Minha Vontade é de todos, sou Jesus de todos, e por isso só estou contente quando
a criatura faz sua minha Vontade, minha Vida, e quer me dar a todos, ela é minha alegria e minha
festa continua".
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34-13
Agosto 23, 1936
(1) Continuo meu abandono no Fiat, minha pobre mente nada em seu mar divino e compreende
arcanos celestiais, mas não sei dizê-los porque não são palavras daqui de baixo; enquanto me
encontro neste mar divino olho sua imensidão, não há ser ou coisa que lhe possa fugir, todos e
tudo formam a vida e a recebem no Querer Divino, mas que coisa pode tomar a criatura desta
imensidão? Apenas as gotinhas, tanta é sua pequenez; mas enquanto toma as gotinhas não pode
sair desta imensidão, se a sente correr dentro e fora, à direita e esquerda, por todas partes, não
podendo por um só instante desembaraçar-se d’Ela. Oh! Vontade Divina, como é admirável, é toda
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Volume 34
minha, me faz crescer em Ti, por todas as partes te encontro, Tu amas-me sempre até formar a
vida da minha vida; mas enquanto a minha mente se perdia neste mar, meu doce Jesus, todo a
bondade saiu deste mar, e aproximando-se de mim disse-me:
(2) "Filha do meu Querer, viste como a imensidão do meu Fiat é inalcançável? Nenhuma mente
criada, por mais santa que seja pode abraçá-la e ver onde terminam seus confins, todos têm seu
lugar n’Ela, pois bem, cada criatura tem seu pequeno campo na imensidão de minha Divina
Vontade, mas quem trabalha este pequeno campo que lhe foi designado? Quem vive n’Ela, porque
vivendo n’Ela se faz a primeira trabalhadora, e Ela tomando em seu colo a criatura a tem ocupada,
fundida no trabalho que quer que faça no pequeno campo que lhe foi dado em minha Vontade, e
como possui sua Força criadora, o que a criatura poderia fazer em um século, junto com Ela o faz
em uma hora, então, numa hora, pode adquirir um século de amor, de obras, de sacrifícios, de
conhecimentos divinos, de adorações profundas, e depois do trabalho chama a alma ao repouso
para se congratular e descansar juntos, e oh, a alegria que sentem vendo a beleza do campo, e
para congratular-se de mais retornam ao trabalho, é um alternar-se entre o trabalho e o repouso,
porque entre as tantas qualidades que possui minha Divina Vontade, é movimento e atitude
contínua, não está ociosa, antes a cada coisa criada deu seu trabalho contínuo para glorificar-se e
para fazer bem a todos; os ociosos não existem em minha Vontade, mas sim n’Ela tudo é trabalho,
se ama é trabalho, se se ocupa em conhecer-nos é trabalho, se nos adora, se sofre, se implora, é
trabalho, e trabalho divino, não humano, que, tornando-se moedas de valor infinito, podem
conseguir tornar o seu campo maior. Agora minha filha, tu deves saber que é minha Vontade
absoluta que a criatura faça minha Vontade; como suspiro vê-la reinante e operante nela, como
quero ouvir dizer: ‘A Vontade de Deus é a minha, o que quer Deus quero eu, o que faz Deus faço
eu'. Agora, sendo minha Vontade que vive nela, devia lhe dar os meios, as ajudas necessárias, e
por isso minha Humanidade se põe à disposição da criatura no pequeno campinho da imensidão
de minha Vontade designado a ela, por isso exibo minha força para sustentar sua debilidade,
minhas dores para ajuda das suas, meu Amor para esconder o seu no meu, minha Santidade para
cobri-la, minha Vida como apoio e sustento da sua e para servi-la de modelo, em suma, minha
Divina Vontade deve encontrar tantos Jesus por quantas criaturas queiram viver de minha Vontade,
e então Ela não encontrará mais obstáculo de parte delas, porque eu as esconderei em Mim e terá
que fazer mais Comigo do que com elas, e as criaturas encontrarão todas as ajudas necessárias,
superabundantes, para viver de minha Vontade. É costume de Deus que quando quer uma coisa,
dá tudo o que se requer para fazer que o que quer tenha seu cumprimento. Por isso quero que
saibam as criaturas que Eu me ponho à disposição daqueles que querem viver de minha Vontade,
eles encontrarão minha Vida que suprirá a tudo o que se requer para fazê-los viver no mar de meu
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Volume 34
Querer Divino, caso contrário, seu pequeno campo na minha Imensidão ficará sem trabalho, e
portanto sem fruto, sem felicidade e sem alegria, serão como aqueles que vivem sob o sol sem
jamais fazer nada, e o sol servirá para queimá-los e para dar-lhes uma sede ardente de sentir-se
morrer. Então todas as criaturas, por razões de criação estão todas nesta Imensidão, mas se a sua
vontade não está com a minha, vivem às suas expensas, se sentirão queimar todos os bens e
terão a sede das paixões, do pecado, das fraquezas, que as atormentarão. Por isso não há mal
maior que não viver de minha Vontade".
(3) Depois disto estava fazendo meu giro nos atos da Divina Vontade na Criação, e chegando à
Concepção da Virgem Santíssima, meu doce Jesus me deteve e me disse:
(4) "Minha filha, o maior prodígio da Criação é a Virgem, o Querer Divino que dominou desde o
primeiro instante de sua Concepção seu querer humano, e o querer desta santa criatura que
dominou o Fiat Divino, um venceu o outro, foram vencedores os dois, e assim que o Querer Divino
entrou como Rei dominante em seu querer humano, começaram as cadeias dos grandes prodígios
divinos nesta excelsa criatura, a força incriada se dedicou na força criada, mas tanto, que podia
sustentar como se fosse uma folha de palha a Criação toda, e todas as coisas criadas sentiam a
força criada na força incriada que as sustentava e contribuía a sua conservação, oh! como se
sentiram honrados e mais felizes, de que uma força criada corria em tudo como sua Rainha para
sustentá-las e conservá-las. Sua força era tanta que imperava sobre todos, inclusive sobre seu
Criador, era a invencível, que com a força do Fiat Divino vencia a todos e tudo, mas bem todos se
faziam vencer por esta Imperatriz Divina, porque tinha uma força potente e arrebatadora que
nenhum podia lhe resistir, os mesmos demônios se sentiam debilitados e não sabiam onde
esconder-se desta força insuperável. Todo o Ser Supremo se dedicou nesta vontade criada que
tinha sido dominada pela Divina Vontade, e o amor infinito se dedicou no amor finito e todos e tudo
se sentiam amados por esta Santa Criatura, seu amor era tanto, que mais que ar se fazia respirar
por todos, de modo que esta Rainha de amor sentia a necessidade de amar a todos, como Mãe e
Rainha de todos; nossa beleza a investiu, mas tanto, que possuiu a força, o amor, a bondade, a
graça arrebatadora, que enquanto ama se faz amar por todos, mesmo pelas coisas que não
possuem razão. Assim, não houve ato, amor, oração, adoração, reparação, que não ficasse cheio
Céu e terra, Ela dominava tudo, e seu amor e tudo o que fazia corria no céu, no sol, no vento, em
tudo, e nosso Ente Supremo se sentia amado, rogado em todas as coisas criadas por esta Santa
Criatura, uma nova vida corria em tudo, nos amava por todos e nos fazia amar por todos. Era a
Vontade incriada que tinha tido seu lugar de honra na vontade criada que podia fazer-nos tudo, e
dar-nos a correspondência porque havíamos posto à sua disposição toda a Criação. Então com a
concepção desta grande Rainha começou a verdadeira Vida de Deus na criatura, e a vida dela em
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Volume 34
Deus, e oh! as trocas de amor, de força, de beleza, de luz entre um e outro. Por isso os prodígios
eram contínuos e jamais ouvidos, que se alternavam n’Ela, Céus e terra estupefatos, os anjos
ficavam arrebatados ante minha Vontade Divina que age na criatura. Minha filha, esta grande
Senhora com viver no Querer Divino, sentia-se com os fatos Rainha de todos e de tudo, e também
Rainha do grande Rei Divino, mas tanto, que foi Ela que formou a porta no Céu para fazer descer
ao Verbo Eterno, lhe preparou o caminho e a permanência de seu seio onde devia fazer sua
morada, e na ênfase de seu amor imperante me dizia: ‘Desce, ó Verbo Eterno, encontrarás em Mim
o teu Céu, as tuas alegrias, aquela mesma Vontade que reina nas Três Divinas Pessoas'. E não só
isto, senão que formou a porta e o caminho para fazer subir as almas à Pátria Celestial, e só
porque esta Virgem viveu na terra de Vontade Divina como se vive no Céu, puderam os bem-
aventurados entrar nas regiões celestiais e gozar suas delícias, porque esta Mãe Celestial os tem
cobertos, envoltos, e como escondidos em sua glória e em todos os atos que fez na Vontade
Divina, assim que os bem-aventurados sentem em suas alegrias o amor, as obras, a potência
desta Mãe e Rainha, que os faz felizes. O que a minha vontade não pode fazer? Todos os bens
possíveis e imagináveis, e na criatura onde Ela reina lhe dá tal poder, que chega a dizer: ‘Faz o
que quiser, manda, toma, dá, Eu não te negarei jamais nada, tua força é irresistível, tua potência
me debilita, por isso ponho tudo em tuas mãos, para que faça de Dona e de Rainha'. Agora, você
deve saber que esta Santa Criatura desde sua Conceição sentia o batimento do meu Fiat no seu, e
em cada batimento me amava, e a Divindade a amava com amor duplicado em cada batimento
seu; em seu respiro sentia o respiro do Querer Divino, e nos amava em cada respiro, e Nós a
correspondemos com nosso amor duplicado em cada respiro seu; sentia o movimento do Fiat em
suas mãos, em seu passo, em seus pés, em todo seu ser sentia a Vida do Querer Divino e o que
fazia, e em tudo nos amava por si e por todos, e Nós a amávamos sempre, sempre, a cada
instante corria nosso Amor como rápido rio, por isso nos tinha sempre atentos e em festa, para
receber seu amor e dar o nosso, tanto que chegou a cobrir todos os pecados e as mesmas
criaturas do nosso Amor. Por isso nossa Justiça ficou desarmada por esta invencível amante, e
podemos dizer que fez do Ente Supremo o que quis. Ah! como gostaria que todos
compreendessem o que significa viver no Querer Divino, para tornar a todos felizes e santos".
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Volume 34
34-14
Novembro 3, 1936
Reflexos entre o Criador e a criatura. Inseparabilidade entre ambos. Deus a cada instante
pede à criatura que receba a Vida de sua Vontade. Quem se decide a viver d’Ela, Deus cobre
tudo o que tem feito com sua Vontade Divina.
(1) Estou sempre entre os braços do Querer Divino, sinto sua Potência criadora dentro e fora de
mim, que não dando tempo a nenhuma outra coisa, não quero, não peço outra coisa para mim e
para todos, senão que venha a reinar a Divina Vontade sobre a terra. Meu Deus, que força
magnética possui, que enquanto se dá tudo, investe por toda parte, mas ao mesmo tempo toma
tudo o que pertence à pequenez da pobre criatura. Enquanto minha mente estava imersa na
multidão de tantos pensamentos a respeito do Fiat Divino, meu sempre amável Jesus, visitando
minha pequena alma, todo bondade me disse:
(2) "Minha filha bendita, nosso amor infinito é sempre excessivo e chega ao incrível, basta dizer-te
que é tanto, que não fazemos outra coisa que refletir continuamente na criatura, ela vive sob
nossos contínuos reflexos: Se nos movemos, nosso movimento incessante reflete nela para dar-lhe
vida; nosso amor reflete nela para dizer-lhe continuamente ‘te amo'; nossa força reflete nela para
sustentá-la; em suma, nossa sabedoria reflete e a dirige, nossa luz reflete e a ilumina, nossa
bondade reflete e a compadece, nossa beleza reflete e a embeleza, nosso Ser Supremo se volta
sem cessar jamais sobre a criatura; mas isto não é tudo, assim como Nós refletimos nela, assim ela
reflete em Nós, assim que se pensa sentimos o reflexo de seus pensamentos, se fala reflete em
Nós sua palavra, sentimos o reflexo de seu batimento até em nosso seio, o movimento de suas
obras, o pisar de seus passos; há tal inseparabilidade entre o Ser Divino e o humano, que
continuamente um se derrama no outro; é tanto nosso amor, que nos colocamos em condições
como se não pudéssemos estar sem a criatura. Mas isto não é nada ainda, se nosso amor não dá
em excessos, não se contenta; agora, sabendo que se a criatura não possui a Vida de nosso
Querer Divino há grande diferença entre seus reflexos e os nossos, pondo-se Ele em atitude de
amor suplicante, quando a criatura pensa lhe roga que faça reinar nossa Vontade em sua mente,
se fala lhe suplica que a faça reinar em suas palavras, se pulsa, age e caminha, lhe suplica que
faça reinar em tudo à minha Divina Vontade, em suma, em cada coisa que faz tem um gemido, um
suspiro, uma oração, que envolvendo-a continuamente lhe diz: ‘Receba meu Fiat, faça-te investir
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Volume 34
por meu Fiat, ah! possui o meu Fiat, faz-me ver em ti a Vida do meu Fiat reinante, dominante e
festivo, rogo-te que não me negues o teu querer, e Eu te darei o meu'. E se o obtém, como se
tivesse obtido a coisa mais preciosa, encerra-o em seu amor, vela-o com sua luz, e dá início a sua
festa perene na criatura, muda seus gemidos e suspiros em alegrias, e pondo-se em guarda, como
triunfante escuta nela as notas de seu amor, Nós nos amamos com um só amor, temos e fazemos
a mesma Vida, seu Fiat é seu e meu'. Então surge nela a harmonia, a ordem do seu Criador.
Nossa Vontade, nosso amor obteve seu propósito, não lhe resta outra coisa que gozar a sua
amada criatura. Por isso minha filha, nos importa tanto o dar nossa Vontade como vida, que é
nosso longo suspiro de todos os séculos, mais bem nosso suspiro eterno, que almejamos a criatura
com o portento de nossa Vida nela, sentíamos a alegria, a felicidade de tantas vidas nossas
bilocadas, multiplicadas e formadas nelas. De outra maneira não teria sido grande coisa a Criação,
e se tantas coisas criamos e tiramos à luz do dia, foi porque deviam servir ao portento dos
portentos de formar em virtude de nosso Fiat nossa Vida na criatura, e se isto não fora, teria sido
para nós como se nada tivéssemos feito. Por isso alegra a teu Jesus, dá paz a meu amor que dá
sempre em delírio, e unificando-te Comigo, suspira, roga, pede que minha Vontade reine em ti e
em todos".
(3) E enquanto dizia isto, pegava num véu de luz e cobria-me toda, e eu não sabia sair de dentro
dele. Depois disto continuava pensando na Divina Vontade, e oh! quantas doces e queridas
surpresas passavam por minha mente, oh! se soubesse dizê-las com palavras deixaria
surpreendido a todo o mundo, e todos amariam possuir a Divina Vontade, mas ai de mim! a
linguagem do Céu não se adapta à linguagem da terra, e por isso sou obrigada a seguir adiante, e
meu amado Jesus retornando a sua pequena e pobre filha ignorante, com um amor indescritível
me disse:
(4) "Filha do meu Querer, escuta-me, presta-me atenção, quero dizer-te o ato mais belo, mais
terno, e de amor intenso do meu Fiat; tu deves saber que todos os atos, pensamentos, palavras,
passados, presentes e futuros, estão todos presentes diante do Ente Supremo, então a criatura
ainda não existia no tempo, e suas ações brilhavam diante de Nós, e por que isso? Porque o ato
primeiro da criatura o faz meu Fiat, não há pensamento, palavra, obra, que meu Fiat não inicie.
Pode-se dizer que primeiro está formada em Deus com todos os seus atos, e então a levamos à
luz do dia. Agora, a criatura com sua vontade se separa dos atos divinos, mas não pode destruir
que a vida de seus atos tenha tido por princípio o Fiat, todos eram sua propriedade, mas que
tomando sobre ela os direitos mudou em humanos os atos divinos, mas se o homem não sabe
quem deu a vida a seus atos, meu Querer não desconhece seus atos. Assim que escuta o maior
excesso do Amor de meu Querer: Enquanto a criatura se decide com firmeza imutável a querer
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Volume 34
viver de minha Vontade, fazendo-a reinar e dominar nela, nossa Bondade infinita é tanta, nosso
Amor que não sabe resistir a uma decisão verdadeira da criatura, muito mais que não quer ver atos
diferentes do nosso nela, cobre tudo o que fez até então com a minha Vontade, modela-os,
transforma-os em sua luz, de modo que vê que com o prodígio do seu Amor transformante tudo é
sua Vontade na criatura, e com Amor todo Divino continua formando sua Vida e seus atos na
criatura. Não é isto um amor excessivo e assombroso de meu Querer, e ao mesmo tempo, para
fazer decidir a todos, inclusive aos mais ingratos a fazer viver minha Vontade neles, sabendo que
quer pôr tudo a um lado e cobrir e suprir o que falta de minha Vontade neles? Isto diz também
absolutamente que a nossa Vontade quer reinar no meio das criaturas, que não quer prestar
atenção a nada, nem a que lhes falta, querendo dar não como pagamento que vai buscando se o
merece ou não, senão como dom gratuito de nossa grande liberalidade, e como cumprimento de
nossa mesma Vontade. E o cumprir nossa Vontade, para Nós é tudo".
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34-15
Dezembro 8, 1936
A Rainha do Céu em sua Concepção, foi concebida nos méritos, na Vida, no amor e penas
do futuro Redentor, para depois poder conceber o Divino Verbo n’Ela para vir salvar as
criaturas.
(1) A minha pobre mente mergulhando no Fiat Divino encontrava em ato a Concepção da Rainha
Imaculada. Tudo era festa e chamava a todos em torno de Si, anjos, santos, para fazer-lhes ver o
prodígio inaudito, as graças, o amor com o qual chamava do nada a esta excelsa Criatura, para
que todos a conhecessem e louvassem como sua Rainha e Mãe de todos. Mas enquanto eu ficava
surpreendida, e teria ficado ali quem sabe quanto se meu doce Jesus não me tivesse chamado
dizendo:
(2) "Quero honrar minha Mãe Celestial, quero narrar a história de sua Imaculada Conceição, só Eu
posso falar desta, porque sou o autor de tão grande prodígio. Agora minha filha, o primeiro ato
desta Conceição foi um Fiat nosso, pronunciado com tal solenidade e com tal plenitude de graças,
que encerra tudo e todos, tudo concentramos nesta Conceição da Virgem; em nosso Fiat Divino,
no qual não existe passado nem futuro, teve presente a Encarnação do Verbo, e a fez conceber e
encarnar em minha própria Encarnação, futuro Redentor; meu sangue, que estava em ato como se
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Volume 34
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Volume 34
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34-16
Dezembro 20, 1936
O Fiat Divino fez conceber a Virgem em cada criatura, a fim de que todos tivessem uma Mãe
toda sua. Dote que Deus deu à Virgem. Triunfos e vitórias de Deus, vitórias e triunfos da
Virgem, dos quais são dotadas todas as criaturas.
(1) O meu Sumo Bem Jesus me tem como imersa no grande prodígio da Soberana Rainha, e
parece que tem a vontade de querer dizer o que Deus fez nesta grande Senhora, e pondo-se em
atitude de festa e com alegria indescritível me diz:
(2) "Escuta-me, - logo segue o mesmo argumento do que está escrito antes - minha filha bendita,
os prodígios são inauditos, as surpresas que te narrarei farão assombrar a todos, sinto a
necessidade de amor de fazer conhecer o que fizemos com esta Mãe Celestial e o grande bem que
receberam todas as gerações. Você deve saber que no ato de conceber esta Virgem Santa, nossa
Vontade Divina que possui tudo e com sua vastidão abraça tudo e possui a onividência de todos os
seres possíveis e imagináveis, e com sua virtude toda própria, que quando age sempre faz obras
universais, por isso quando a concebeu, com a sua Virtude criadora chamou todas as criaturas a
conceber no coração desta Virgem; mas não bastou ao nosso amor, dando nos excessos mais
incríveis fez Conceber esta Virgem em cada criatura, a fim de que cada uma tivesse uma Mãe para
si, toda sua, sentissem sua Maternidade no fundo de suas almas, seu amor, que mais que filhos,
que enquanto os tem concebidos em si, bilocando-se se concebe em cada criatura para pôr-se à
disposição deles, para crescê-los, guiá-los, livrá-los dos perigos, e com sua potência materna
colocá-los na boca o leite do seu amor e o alimento com o qual se alimenta Ela mesma, que é o
Fiat Divino. Nossa Vontade tendo Vida livre n’Ela, seu domínio total, com sua potência enquanto
chamava a todos nesta Celestial Criatura, para ter a alegria de ver a todos presos n’Ela, para ouvir-
se dizer: ‘Estão já todos meus filhos e teus em Mim, por isso te amo, te amo por todos'. Depois a
bilocava em todos e em cada um para sentir em cada alma o amor desta nossa Filha, toda bela e
toda amor; podemos dizer: ‘Não há criatura na que Ela não tome o empenho de nos amar'. Nosso
Fiat a elevou tanto, de lhe dar tudo, desde o primeiro instante de sua vida a constituimos Rainha de
nosso Fiat, Rainha de nosso amor, e quando nos amava se sentia em seu amor sua Maternidade,
e harmonizava o amor de todas as criaturas, e oh! como era bela porque formava de tudo um só
amor, como nos feria, nos felicitava até nos sentir desfalecer, seu amor nos desarmava, nos fazia
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Volume 34
ver todas as coisas, céu, sol, terra, mares e criaturas, cobertos e escondidos em seu amor. Oh!
como era bonito vê-la, ouvi-la fazer de Mãe em cada criatura, e formando nelas seu mar de amor
mandava suas notas, suas flechas, seus dardos amorosos a seu Criador. E, fazendo-a de
verdadeira Mãe, levava-as diante do nosso trono, no mar do seu amor, para nos fazer vê-las, para
nos tornar propícios, e com a força do nosso Querer Divino impunha-se sobre Nós, as colocava
nos braços, nos fazia acariciar, beijar, e nos fazia dar graças surpreendentes; quantas santidades
foram formadas e impelidas por esta Mãe Celestial, e para estar segura ficava em guarda seu
amor.
(3) Além disso, você deve saber que desde o primeiro instante da vida desta Celestial Criatura, foi
tanto nosso amor, que a dotamos de todas nossas qualidades Divinas, assim que tinha por dote
nossa potência, sabedoria, amor, bondade, luz, beleza, e todo o resto de nossas qualidades
Divinas. Agora, a todas as criaturas ao tirá-las à luz do dia lhes damos o dote, nenhuma nasce se
não está dotada por seu Criador, mas conforme se afastam de nossa Vontade, pode-se dizer que
nem sequer a conhecem. Ao contrário, esta Virgem Santa nunca se afastou, fez vida perene nos
mares intermináveis do nosso Fiat, por isso crescia junto com os nossos atributos, e conforme
formava os seus atos nas nossas qualidades divinas, assim formava mares de potência, de
sabedoria, de luz e demais. Podemos dizer que vivendo com a nossa ciência lhe dávamos
contínuas lições de quem era seu Criador, crescia em nossos conhecimentos, e soube tanto do
Ente Supremo, que nenhum anjo e santo pôde iguala-la, mas todos são ignorantes diante dela,
porque nenhum deles cresceu e viveu Conosco. Ela entrou em nossos segredos divinos, nos mais
íntimos cantos de nosso Ser Divino sem princípio nem fim, em nossas alegrias e bem-aventuranças
imperecíveis, e com nossa potência que tinha em seu poder nos dominava e Nós a fazíamos, fazer
melhor, gozávamos de seu senhorio, e para fazê-la mais feliz lhe dávamos nossos castos abraços,
os nossos sorrisos de amor, as nossas condescendências dizendo-lhe: ‘Faça o que quiser".
(4) Nosso Querer, é tanto o amor para com as criaturas e seu grande desejo de fazê-las viver n’Ele,
que se o obtém as põe num abismo de graças, de amor, até afogá-las, e a pequenez humana está
obrigada a dizer: ‘Basta, já estou afogada, sinto-me devorar por teu mesmo amor, não posso mais'.
Agora, você deve saber que nosso amor não se contenta, jamais diz basta, quanto mais dá mais
quer dar, e quando damos é nossa festa, colocamos a mesa a quem nos ama e a apressamos a
ficar Conosco para fazer vida juntos. Agora minha filha, escuta outro prodígio de nosso Fiat nesta
Celestial Criatura, e como Ela nos amava e tornou extensível sua maternidade a todas as criaturas:
Em cada ato que fazia, se amava, rogava, adorava, se sofria, tudo, inclusive o respiro, o batimento,
, estando nosso Fiat, nosso Ser Supremo, eram triunfos e vitórias que fazia nos atos da Virgem, a
Celestial Senhora triunfava e vencia em Deus em cada instante de sua vida admirável e prodigiosa,
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Volume 34
eram triunfos e vitórias entre Deus e a Virgem; mas isso é nada, fazendo-o de verdadeira Mãe
chamava todos os seus filhos, e cobria e escondia todos os seus atos nos seus e os cobria com
seus triunfos e com suas vitórias, dando-lhes como dote todos os seus atos com todas as suas
vitórias e triunfos. E além disso, com uma ternura e amor de partir os corações e sentirmo-nos
vencidos, dizia-nos: ‘Majestade adorável, olhe para eles, são todos meus filhos, minhas vitórias e
triunfos são de meus filhos, são minhas conquistas que doo a eles, e se a Mãe venceu e triunfou,
venceram e triunfaram os filhos'. E tantos triunfos e vitórias fez em Deus, por quantos atos teriam
feito todas as criaturas, a fim de que todos pudessem dizer: ‘Estou dotado dos atos de minha Mãe
Rainha, e por selo os tem investido com seus triunfos e vitórias que fez com o seu Criador’. Assim,
quem quer fazer-se santo encontra o dote de sua Mãe Celestial e seus triunfos e vitórias para
chegar à santidade maior, o débil encontra a força da santidade de sua Mãe e seus triunfos para
ser forte, o aflito, o sofredor, encontra o dote das penas de sua Mãe Celestial para obter o triunfo, a
vitória da resignação, o pecador encontra a vitória e o triunfo do perdão, em suma, todos
encontram nesta Soberana Rainha o dote, o sustento, a ajuda ao estado em que se encontram. E,
oh! como é belo, é a cena mais comovente, raptora e encantadora, ver esta Mãe Celestial em cada
criatura que faz de Mãe, a sentimos que ama e implora em seus filhos. Este é o maior prodígio
entre o Céu e a terra, bem maior não podíamos dar às criaturas.
(5) Agora minha filha, devo te dizer uma dor da Mãe Celestial a tanto amor seu, as ingratidões das
criaturas, este dote que com tantos sacrifícios, até o heroísmo de sacrificar a Vida de seu Filho
Deus, com tantas penas atrozes, quem não a conhece, quem apenas toma um ligeiro interesse e
fazem vida pobre de santidade, e oh! como sofre ao ver seus filhos pobres; possuir imensas
riquezas de amor, de graça, de santidade, porque não são riquezas materiais, senão as riquezas
desta Mãe Celestial são riquezas que pôs sua vida para adquiri-las, e não vê-las possuir por seus
filhos, e tê-las sem a finalidade pela qual as adquiriu, é uma dor contínua, e por isso quer fazer
conhecer este grande bem a todos, porque se não se conhece não se pode possuir. E como estes
dotes as adquiriu em virtude do Fiat Divino que reinava n’Ela, que a amava tanto que a fazia fazer
o que queria e por onde quisesse chegar para bem das criaturas. Por isso será meu Querer Divino
reinante que as porá a par destes dotes celestes e as fará tomar posse. Por isso reza para que
seja conhecido e querido pelas criaturas um bem tão grande".
++++
37
Volume 34
34-17
Dezembro 24, 1936
A Mãe Celestial e Divina, e a Mãe humana. Corrida veloz do amor de Deus, na qual faz gerar
desta Mãe em virtude do Fiat o seu Jesus em cada criatura.
(1) Segue-se o mesmo argumento sobre a Virgem Santíssima. Uma luz que desce do seio do
Eterno investe minha pobre mente, mas é uma luz falante que diz tantas coisas da Soberana
Celestial, que eu não sei como fazer para dizê-las todas. Mas meu amado Jesus com sua habitual
bondade me diz:
(2) "Coragem minha filha, Eu te ajudarei, te fornecerei as palavras, sinto a irresistível necessidade
de fazer conhecer quem é minha Mãe, os dotes, os privilégios, e o grande bem que faz e que pode
fazer a todas as gerações. Por isso escuta-me e te direi coisas jamais pensadas nem por ti, nem
por outros, de modo de estremecer aos mais incrédulos, ingratos e pecadores, e fazer-te conhecer
até onde chega o nosso amor. Então, nosso amor não se dava paz, corria, corria, mas com uma
rapidez tal, que comprometia todo nosso Ser Divino a dar em tais excessos, de deixar atônitos Céu
e terra, de fazer exclamar a todos: ‘Será possível que um Deus tenha amado tanto as criaturas?’
Agora escuta minha filha o que faz nosso grande amor: As criaturas tinham um Pai Celestial, mas
nosso amor não estava contente, e em seu delírio e loucura de amor quis formar-lhes uma Mãe
Celestial e uma Mãe terrena, a fim de que se não fossem suficientes as pressas, o amor, a ternura
do Paternidade Celestial para amá-lo, o amor, as ternuras indizíveis desta Mãe Celestial e humana
teriam sido o anel de conjunção, que tendo desterrado toda distância, medos e temores, teriam-se
abandonado em seus braços para fazer-se vencer por seu amor, para amar Aquele que a havia
formado por amor seu e para fazer-se amar, por isso eram necessários portentos estrepitosos e um
amor que jamais diz basta, e que só um Deus pode ter; agora escuta o que faz para conseguir o
intento, chamamos do nada a esta Santa Criatura e servindo-nos do mesmo germe das gerações
humanas, mas purificado, demos-lhe a vida; desde o primeiro instante desta vida uniu-se a virtude
celestial de nosso Fiat Divino e formou junto Vida Divina e vida humana, que a crescia divinamente
e humanamente, e participando-lhe a fecundidade divina formava n’Ela o grande prodígio de poder
conceber um homem e um Deus; com o germe humano pôde formar a Humanidade ao Verbo
encarnado, e com o germe do Fiat pôde conceber o Verbo Divino. Com isso a distância cessava
entre Deus e o homem, esta Virgem com ser humana e Celestial aproximava o homem e Deus, e
38
Volume 34
dava o irmão a todos seus filhos para que todos pudessem aproximar-se, fazer-se vida juntos e
olhando n'Ele e n'Ela as mesmas feições, investidas pela mesma natureza humana, teriam tido tal
confiança e amor de fazer-se conquistar, e amar a quem tanto a amava; quanto amor não colhe
uma boa mãe de seus próprios filhos? Muito mais que era poderosa, rica, e teria posto a vida para
salvar os seus próprios filhos, e o que não fez para os tornar felizes e santos? Assim que a
Humanidade do Verbo e a Mãe Celestial e humana são como garantias para ganhar o amor de
todos e dizer-lhes com todo amor: ‘Não temam, venham a Nós, nos assemelhemos em tudo,
venham e tudo daremos, meus braços estarão sempre prontos para abraçá-los e para defendê-los,
encerrarei-vos em meu coração para dar-vos tudo, basta dizer-vos que sou Mãe e que é tanto meu
amor, que vos tenho concebidos em meu coração'.
(3) Mas tudo isso não é nada ainda, Eu era Deus, devia agir como Deus, nosso amor corria, corria,
e ia inventando outros encontros mais excessivos de amor, você mesma ficará surpresa ao ouvi-
los, e quando as gerações humanas os ouvirem, nos amarão tanto, de nos corresponder em
grande parte da grande corrida de nosso amor. Agora presta-me atenção e louva-me minha filha
bendita do que estou por dizer: A nosso amor não bastou, como disse antes, que em virtude de
nosso Fiat todos fossem concebidos no coração desta Virgem para ter a verdadeira Maternidade
não com palavras mas com fatos, e Ela foi concebida em cada uma das criaturas para que cada
uma tivesse uma Mãe toda sua, e ter o pleno direito e a posse que todos fossem seus filhos, agora
nosso amor passou a outro excesso. Portanto deves primeiro saber que esta Celestial Rainha
possuindo toda a plenitude de nosso Fiat Divino, o que possui por natureza sua a virtude gerativa e
bilocadora, Ela junto com o Fiat Divino pode gerar e bilocar quantas vezes quer a seu Filho Deus,
então nosso amor se impõe sobre esta Celestial Criatura, e dando em delírio, com a virtude do meu
Fiat que possuía, dá-lhe a potência de fazer gerar o seu Jesus em cada criatura, fá-lo nascer, fá-lo
crescer, faz-lhe tudo o que convém para formar a Vida do seu querido Filho, supre ao que não lhe
faz a criatura: Se chora lhe enxuga as lágrimas, se tem frio o esquenta, se sofre, sofre junto, e
enquanto faz de Mãe e cresce a seu Filho, faz de Mãe e cresce à criatura, assim se pode dizer que
os cresce juntos, os ama com um só amor, os guia, os nutre, os veste, e com seus braços
maternos forma duas asas de luz, e cobrindo-os esconde-os em seu coração, para dar-lhes o mais
belo repouso. Por isso não bastou ao nosso Amor que o Verbo se encarnasse para gerar um só
Jesus para todos, e dar uma só Mãe a todas as gerações humanas, não, não, não teria sido
excessivo nosso Amor, sua carreira era tão veloz, que não encontrou quem lhe pusesse um basta,
e só se aquietou de algum modo quando com sua Potência gerou a esta Mãe em cada alma, e fez
gerar a seu Jesus, a fim de que cada um tivesse Mãe e Filho à sua disposição. Oh! como é belo
ver esta Mãe Celestial, toda amor e toda atenta em cada criatura para gerar a seu Jesus, para
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Volume 34
formar um portento de amor e de graça, e isto é a honra e a maior glória que o seu Criador lhe deu,
e o amor mais forte que Deus podia dar às criaturas. Não há nada para se maravilhar, nosso Fiat
tudo pode e pode chegar a todos os lugares, tudo está em que o queira, se quiser já está feito. Mas
a maravilha está em saber a quais excessos nos levou o amor ao homem".
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34-18
Dezembro 28, 1936
A Celestial Herdeira chama seus filhos a herdar seus bens. Como chega a dotar as almas
com seu amor materno para formar outras mães a Jesus.
(1) Segue-se o mesmo argumento. Estava a pensar no que está escrito em cima e dizia entre mim:
"Será possível toda esta cadeia excessiva de amor que parece que nunca acaba? Sei que Nosso
Senhor tudo pode, mas chegar a tanto, até fazer descer da altura de Sua Santidade a esta Mãe
Celestial no fundo de nossas almas, e nos fazer crescer como uma de suas filhas terníssimas, e
não só isso, senão gerar a seu Filho Jesus e nos fazer crescer juntos, chega ao incrível". E embora
me sentisse destroçado o coração por amor e alegria, muito mais que a sentia em mim, coberta por
sua luz, que com um amor indizível me fazia crescer como sua filha, e junto comigo crescia seu
querido Filho; também sentia o desejo de não dizê-lo nem escrevê-lo, mesmo para não suscitar
dificuldades e dúvidas, mas meu amado Jesus tomando um aspecto imponente, de não poder
resistir, me disse:
(2) "Minha filha, quero que escreva o que te disse, no que te disse há mares de amor, com os quais
serão investidas as criaturas, e não quero ser sufocado, por isso se não escrever Eu me retiro;
esqueceu que devo vencer ao homem por via de amor, mas amor que vai ser difícil de resistir?"
(3) Eu rapidamente disse Fiat, e meu amado Jesus tomando seu habitual olhar doce e amável, com
um amor que eu sentia quebrar o coração acrescentou:
(4) "Minha bendita filha, não há nada a duvidar, meu ser é todo amor, e quando parece que
cheguei a tais excessos de amor de não poder mostrar outros excessos de amor, como se
começasse de novo invento outros novos excessos de amor, outras invenções, de ultrapassar, oh!
muito os outros excessos. Agora escuta, minha filha, e te convencerás do que te tenho dito: Adão,
pecando, herdou todos os males às gerações humanas, e, tendo saído da bela herança da Divina
Vontade, na qual vivia na opulência, luxo e suntuosidade dos bens de seu Criador, perdeu o direito
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Volume 34
dos nossos bens, e com ele todos os seus descendentes. Mas estes bens não foram destruídos,
existem e existirão, e quando um bem não é destruído, há sempre a certeza que virão aqueles que
terão o bem de possuí-los. Agora, a grande Rainha deu início a sua vida na herança desta Divina
Vontade, aliás, com tal abundância que se sentia afogada nos bens de seu Criador, mas tanto, que
pode tornar felizes e ricas a todas as outras criaturas. Agora, nesta herança do Fiat, herdou a
fecundidade, a maternidade humana e divina, herdou o Verbo do Pai Celestial, herdou todas as
gerações humanas, e estas herdaram todos os bens desta Mãe Celestial. Assim, como seus
herdeiros e como Mãe tem o direito de gerar em seu materno coração a seus filhos, mas não
bastou ao nosso Amor nem ao seu, quis gerar em cada criatura, e como era herdeira do Verbo
Divino, tem o poder de fazê-lo gerar em cada uma delas. Como? Se os males podem ser herdados,
as paixões, as fraquezas, por que não se podem herdar os bens? Por isso a Celestial Herdeira
quer fazer conhecer a herança que quer dar a seus filhos, quer dar sua maternidade às criaturas a
fim de que enquanto o gera, lhe façam de mães e o amem como Ela o amou, quer formar tantas
mães a seu Jesus para colocá-lo ao seguro, e a fim de que ninguém mais o ofenda. Porque o amor
de Mãe é bem diverso dos outros amores, é um amor que arde sempre, e um amor que põe a vida
pelo seu querido Filho. Olha, quer dotar as criaturas com o seu amor materno e torná-las herdeiras
do seu próprio Filho. Oh! como se sentirá honrada ao ver que as criaturas amam a seu Jesus com
seu amor de Mãe. Tu deves saber que é tanto o seu amor para Comigo e para com as criaturas,
que se sente afogada, e não podendo contê-lo mais, pediu-me que te manifeste o que te disse, a
sua grande herança, que espera os seus herdeiros, e o que pode fazer por eles, dizendo-me: ‘Meu
Filho, não esperes mais, fá-lo logo, manifesta a minha grande herança e o que posso fazer por
eles, sinto-me mais honrada, mais glorificada com que Tu digas o que pode fazer a tua Mãe, que
se o dissesse Eu mesma. Mas tudo isto terá seu pleno efeito, sua vida palpitante desta Soberana
Senhora, quando minha Vontade for conhecida e as criaturas na herança da Mãe, elas tomarão a
posse".
(5) Depois disto, o meu doce Jesus deu-me um beijo dizendo-me:
(6) "No beijo se comunica o alento, e por isso quis te beijar, para comunicar com meu alento
onipotente a certeza dos bens, e o grande prodígio que fará minha Mãe às gerações humanas,
meu beijo é a confirmação do que quero fazer".
(7) Eu fiquei surpreendida, e acrescentou:
(8) "E tu dás-me o teu beijo para receber o depósito de todos estes bens e reconfirmar a tua
vontade na minha. Se não há quem dá e quem recebe, um bem não se pode nem formar nem
possuir".
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Volume 34
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34-19
Janeiro 1, 1937
A festa que a Rainha do Céu preparou para o seu Filho Jesus em seu nascimento. Como o
amor é ímã, transforma e embeleza.
(1) Estava pensando na Encarnação do Verbo e nos excessos de amor da Divindade, que
pareciam mares que envolvendo todas as criaturas queriam fazer sentir quanto as amavam, para
ser amado, e investindo-as dentro e fora delas, murmuravam continuamente sem cessar: "Amor,
amor, amor, amor damos e queremos amor". E nossa Mãe Celestial, sentindo-se ferida pelo grito
contínuo do Eterno, que dava amor e queria amor, via-se toda atenta para corresponder ao seu
querido Filho, o Verbo Encarnado, formando Ela uma surpresa de amor. Agora, enquanto estava
nisto, o Celestial Infante saía do seio Materno, e eu, oh! como o suspirava, e lançando-se em meus
braços, todo em festa me disse:
(2) "Minha filha, sabe? Minha mãe me preparou a festa no meu nascimento, mas sabe como? Ela
estava do dia dos mares de amor que desciam do Céu no Fundamento do Verbo Eterno, ouvia o
grito contínuo de Deus, que queria ser amado, nossas ânsias, os suspiros ardentes, tinha ouvido
meus gemidos em seu seio, com frequência me ouvia chorar e soluçar, e cada gemido meu era um
mar de amor que mandava a cada coração para ser amado, e não vendo-me amado chorava, até
soluçar, mas cada lágrima e soluço duplicava meus mares de amor para vencer por via de amor às
criaturas. Mas o que, elas me convertiam em penas nestes mares, e Eu me servia das penas para
convertê-las em outros mares de amor por quantas dores me davam. Agora, minha Mãe queria me
fazer sorrir em meu nascimento e preparou a festa ao seu Filho menino. Ela sabia que não posso
sorrir se não sou amado, nem participar de nenhuma festa se não houver amor. Por isso amando-
me como verdadeira Mãe, e possuindo em virtude de meu Fiat mares de amor, e sendo Rainha de
toda a Criação, envolve o céu com seu amor e sela cada estrela com o ‘te amo oh Filho, por mim e
por todos'; envolve o sol em seu mar de amor e imprime em cada gota de luz seu ‘te amo oh Filho',
e chama o sol a investir com sua luz a seu Criador, acalentando-o a sentir em cada raio de luz o ‘te
amo' de sua Mãe; investe o vento com seu amor, e em cada respiração sela o ‘te amo oh Filho’, e
logo o chama para que com seus suspiros o acaricie e faça ouvir em cada sopro de vento: ‘Te amo,
te amo, oh Filho'; envolve todo o ar em seus mares de amor, a fim de que respirando escutasse o
respiro de amor de minha Mãe; cobriu todo o mar com seu mar de amor, cada serpenteio dos
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Volume 34
peixes, e o mar murmurava ‘te amo oh meu Filho’, e os peixes deslizavam o ‘te amo, te amo'; não
houve nada que não investisse com seu amor, e com seu império de Rainha mandava a todos que
recebessem seu amor, para dar a seu Jesus o amor de sua Mãe. Assim que cada passarinho,
quem cantava amor, quem gorjeava amor, até cada átomo de terra era investido por seu amor, o
sopro das bestas me vinha com o ‘te amo' de minha Mãe, o feno era investido por seu amor, por
isso não havia nada que eu visse ou tocasse em que não sentisse a doçura do amor d’Ela. Com
isto me preparou a festa mais bela em meu nascimento, a festa toda de amor, era a
correspondência a meu grande amor que me fazia encontrar minha doce Mãe, e era seu amor que
me fazia acalmar o pranto, me esquentava enquanto no berço estava tremendo de frio; muito mais
que encontrava em seu amor o amor de todas as criaturas, e por cada uma me beijava, me
estreitava a seu coração, e me amava com amor de Mãe por todos seus filhos, e Eu sentindo em
cada um seu amor materno, sentia amá-los como seus filhos e como meus queridos irmãos. Minha
filha, o que não pode o amor animado por um Fiat Onipotente? Torna-se ímã e nos atrai em modo
irresistível, tira toda dessemelhança, com seu calor transforma e confirma Aquele que se ama,
depois embeleza em modo incrível, de sentir-se céus e terra arrebatados a amá-la. Não amar uma
criatura que nos ama nos seria impossível, toda a nossa força e força divina se tornam impotentes
e fracos diante da força vencedora de quem nos ama. Por isso também tu dá-me a festa que me
deu a minha Mãe ao nascer, envolve céus e terra com teu ‘te amo ó Jesus', não deixes fugir nada
no que não corra o teu amor, faz-me sorrir, porque não nasci uma só vez, senão renasço sempre, e
muitas vezes meus nascimentos são sem sorrisos e sem festa, e me restam só minhas lágrimas,
os soluços, os gemidos, e um gelo que me faz tremer e congelar todos os meus membros. Por
isso, aquece-me ao teu coração para me aquecer com o teu amor, e com a Luz da minha Vontade
me forme as vestes para me vestir, assim também tu me farás a festa, e Eu a farei a ti com dar-te
novo amor e novo conhecimento da minha Vontade".
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34-20
Janeiro 4, 1937
Cada criatura tem desde o princípio de sua existência um ato querido e decidido de Vontade
Divina, a qual a cria, a cresce, a forma. Festa de Jesus em cada ato de criatura que faz sua
Vontade.
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Volume 34
(1) Estou entre os braços do Fiat Divino, que me circunda com sua luz e chama sobre minha pobre
existência seu ato contínuo de sua Vontade, mas um ato que me dá vida, que me ama, sem o qual
não poderia viver, nem encontrar quem verdadeiramente me ame, por isso me quer toda atenta a
receber este ato de vida de sua Vontade, a fim de que não a exponha a não cumprir sobre mim o
que quer fazer, nem lhe impeça seu amor, porque Vontade de Deus e amor fazem concorrência,
uma não pode estar sem o outro. Agora, enquanto me encontrava sob este ato do Fiat, meu amado
Jesus com uma bondade que não sei dizer, todo ternura me estreitou a seu coração divino e me
disse:
(2) "Minha filha bendita, minha Vontade é tudo para as criaturas, sem Ela não poderiam sequer ter
a vida. Tu deves saber que cada criatura tem, desde o princípio de sua existência, um ato querido
e decidido de minha Vontade, o qual leva consigo um ato intenso de amor para aquele ou aquela
que começa a vida. Veja então como começa a criação da criatura sob o império de um ato de
amor e de Vontade Divina querido com toda a plenitude do conhecimento, tanto, que estes dois
atos, amor e Vontade minha, estão dotados de todas as graças, de potência, sabedoria, santidade
e beleza, dos quais a criatura viverá e cumprirá a sua vida. Agora, como formou seu primeiro ato
querido, não se afasta mais dela, a cria, a forma, cresce-a, desenvolve seu ato que age para
reafirmá-la em seu ato querido, assim que minha Vontade, meu amor, correm em cada ato
humano, fazem-se vida, sustento, defesa, refúgio, circundando-a com sua potência alimentam esta
vida, meu amor a abraça e a tem estreitada em seu seio, minha Vontade a circunda por todos os
lados, mais do que habitação, para ter a certeza de seu ato querido que meu Fiat pronunciou para
chamá-la à existência.
(3) Agora, este ato querido por nosso Fiat é o ato maior, mais potente e que mais glorifica nosso
Ser Divino, que nem mesmo os Céus podem conter e compreender; parece-te pouco que nossa
Vontade corra em cada ato de criatura, e lhe diga não com palavras, mas com fatos: ‘Sou tua,
estou à tua disposição, ah! admite-me, sou tua vida, ato teu, se me reconheceres vais dar-me a tua
pequena correspondência de amor, e embora seja pequeno, quero-o, reclamo-o para me
tranquilizar do meu trabalho contínuo e da vida que ponho por ti'. E meu amor para não ficar atrás
de meu Fiat, sente a irresistível necessidade de correr a amar cada ato de criatura, que lhe diz em
cada ato seu, te amo e me ama.
(4) Além disso, o todo está em se é reconhecido este ato querido de meu Fiat, então faz prodígios
inauditos de santidade e de beleza, que formarão os mais belos adornos da pátria celestial e as
vidas mais brilhantes que se assemelham a seu Criador, porque nossa Vontade não sabe fazer
seres que não nos assemelhem, a primeira coisa que põe é a nossa semelhança, porque quer
encontrar-se a Si mesma no ato que age que desenvolve na criatura, de outra maneira diria: ‘Não
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Volume 34
me assemelha, portanto não me pertence'. Se além disso não é reconhecida e não amada, então
forma a dor de meu Querer, ainda que corra em cada ato de criatura, se não corresse deveria tirar-
lhe a vida, por isso em sua dor sente rejeitar sua Vida Divina, estorvada a santidade que quer
desenvolver, presos em seu ato querido os mares de graças que deveriam inundá-la, a beleza que
deveria cobri-la. Por isso a minha Vontade pode dizer: ‘Não há dor semelhante à minha dor'. Muito
mais que não havia bem que não quisesse dar-lhe, não há ato seu em que não tenha posto o meu.
Por isso minha filha, seja atenta, pense que cada ato seu pende de uma Vontade Divina que o
envolve, o forma e lhe dá a vida, e porque te ama quer que conheça a vida que te dá, e isto como
confirmação de seus atos em ti, por isso, aceita morrer em vez de impedir este ato querido da
minha Vontade, desde o início da tua existência. Como é belo poder dizer: ‘Sou Vontade de Deus,
porque Ela fez tudo em mim, criou-me, formou-me e me levará em seus braços de luz às celestiais
regiões como vitória e triunfo do Fiat Onipotente e de seu amor".
(5) Depois disso minha mente continuava nadando no mar do Fiat, e oh! como era belo vê-lo que
estava muito atento, que assim que eu respirava, pulsava, amava, investia meu respiro para formar
seu respiro divino, o batimento divino, e sobre meu pequeno amor formava seu mar de amor e se
agradava tanto, que com ânsia esperava meus pequenos atos humanos para formar seu trabalho
divino, e meu amado Jesus festejava o triunfo, o trabalho do Fiat em minha pequena alma, e todo
bondade me disse:
(6) "Filha de meu Querer, como me alegro ao ver que minha Divina Vontade põe do seu no ato da
criatura, e como o ato dela é pequeno, se deleita de perdê-lo em seu ato grande, que não tem
limites, e como triunfante diz: ‘Venci, a vitória é minha', e Eu em cada ato de minha Vontade nela
faço minha festa. Agora, você deve saber que é tanta a complacência de nosso Ser Supremo ao
ver perdido o pequeno ato humano, perdido, fundido, como se tivesse perdido a vida para dar vida
à nossa, que elevamos este ato, que chamamos ato nosso, na altura de nosso ato eterno. Toda a
eternidade se põe em torno e circunda este ato e tudo o que foi feito e será feito no giro d’Ela, se
fundem com este ato, de modo que toda a eternidade pertence a este ato, este ato permanece no
seio do Eterno e forma uma festa a mais ao nosso Ser Supremo, portanto uma festa a mais a todo
o Céu, e uma ajuda, força e defesa a toda a terra. O fazer a criatura nossa Vontade, fazê-la viver
nela, é a única satisfação que temos, é a verdadeira correspondência que recebemos por ter criado
a Criação, é a competência de amor entre o Criador e a criatura, é o mover-nos para dar novas
surpresas de graças, e ela a recebê-las. Por isso se a criatura corre em nosso Fiat para dar-lhe
livre campo de ação, em nossa ênfase de amor dizemos: ‘A criatura nos paga por tudo o que temos
feito, do resto não fizemos todas as coisas e à mesma criatura para que fizesse em todo nosso
Querer?’ Assim o faz, e isso nos basta, ainda que não fizesse nada mais. Se isto basta a Nós,
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Volume 34
muito mais deveria bastar a elas o fazer, o viver sempre em nossa Vontade, com isto ela é nossa e
Nós somos tudo seu, e te parece pouco poder dizer: ‘Deus é meu, tudo é meu, não me pode
escapar porque seu Fiat Onipotente o tem atado em mim".
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34-21
Janeiro 10, 1937
Entrelaçado entre o Querer Divino e o humano. A ternura de Jesus por quem vive no seu
Querer, leva-o até sentir-se feliz por ter chorado e sofrido. O refúgio das obras de Deus.
(1) Sinto-me sob as ondas eternas do Fiat, e minha pobre mente corre, corre sempre para ser
investida, e as ondas correm para investir-me, e este investirmo-nos reciprocamente forma o mais
belo repouso de ambas as partes. Mas enquanto corria, meu Sumo Bem Jesus, detendo-me disse:
(2) "Minha filha, como é bela a carreira de meu Fiat junto com a filha de minha Divina Vontade, há
um entrelaçado entre uma e outra, todas as coisas criadas nas quais corre meu Querer, e meu Fiat,
entrelaçando-o, o faz extensível em todos seus atos, parece que não está contente se não vê este
fio do querer humano no céu, no sol, em tudo, é uma competição que se forma: O Querer Divino
quer investir o humano, e o querer humano quer-se fazer investir'.
(3) Eu, surpreendida, disse: "Mas como pode ser que o humano querer tão pequeno, possa
estender-se em todas as coisas criadas, e junto com o Fiat abraçar a grande extensão de toda a
Criação?" E o meu doce Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, não te admires, como todas as coisas foram criadas para a criatura, era justo e
decoroso que a alma e a vontade humana pudessem investir e abraçar tudo, que dominava
sobretudo e possuísse maravilhas maiores que não possui a mesma Criação, muito mais, unida
com minha Vontade, onde não pode chegar a criatura? Não pode abraçar nossa Imensidão, porque
a nenhum é dado o poder abraçá-la, mas a tudo o que foi feito por ela, desde que esteja em nosso
Fiat, foi-lhe dado por Nós o direito de poder entrar em qualquer lugar, de abraçar tudo, e de fazer
suas nossas obras. E meu Fiat não poderia estar, se sentiria arrancar a finalidade se não
encontrasse o querer humano em suas obras, que querendo fazer vida juntos reconhece nelas
suas obras, quanto a amou, e como quer ser amado. Por isso minha Vontade é toda olhos, está
como espiando para ver quando a criatura está por fazer um pequeno ato, um ato de amor, um
respiro, um batimento, para investi-lo com o poder do seu Fiat e dizer-lhe: ‘Minhas obras as fiz para
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Volume 34
ti, e tu deves agir para Mim, por isso o que tu fazes é meu, é meu direito, como teu direito são
minhas obras'. Estas são as leis de viver no meu Querer: ‘O seu e o meu cessam de ambas as
partes, formam um só ato, e possuem os mesmos bens'. Mas isto não é tudo, para quem vive em
nosso Fiat, este fio do querer humano corre em minha Conceição, em meu nascimento, em minhas
lágrimas infantis, em minhas penas. Escuta uma coisa muito terna, quando este fio do humano
querer entrelaça ao meu, e o meu o seu, investindo todos os atos e penas de teu Jesus, sinto a
alegria e a finalidade de ter sido Concebido e nascer, sinto-me feliz de ter chorado por amor seu, é
mais, as minhas lágrimas param sobre o meu rosto, e vendo que o querer humano as adorna com
o seu, as beija, as adora, as ama, oh! como me sinto feliz e vitorioso de que minhas lágrimas e
penas venceram ao querer humano, já que me sinto correr em todos meus atos, e até em minha
própria morte. Portanto, como não há nada que não tenhamos feito por amor deles, assim não há
coisa que meu Querer não chame neste querer humano, para estar mais seguro o entrelaça com o
seu e com suas obras, não há perigo que os deixe para trás, e com uma ênfase de amor
indescritível lhe diz: ‘Minha Vontade é tua, minhas obras são tuas, reconhece-as, ama-as, não te
detenhas, corre, voa, não deixes fugir nada, perderias um direito no que não conhece e possui, e
me daria a dor de que em minha Vontade não encontre teu entrelaçado em minhas obras, e me
sinto arrancar a finalidade, traído no amor e como um pai que enquanto tem filhos, não os encontra
em suas obras, em suas possessões, em sua habitação, estão distantes e levam uma vida pobre e
indigna de tal pai. Por isso as ânsias, os suspiros, os desejos de meu Fiat são incessantes,
moveria Céus e terra, não pouparia nada contanto que a criatura vivesse unida com Ele e fosse
possuidora de seus mesmos bens.
(5) Além disso, tudo o que temos feito, tanto na Criação como na Redenção, está tudo em ato de
dar-se ao homem, pendem sobre sua cabeça, mas estão como suspensos, sem poder dar-se,
porque não os conhece, não os chama e não os ama, para prendê-los em sua alma para receber
tanto bem. Agora, quem possui nosso Querer, nossas obras, toda minha Vida que passei aqui
embaixo, encontra o refúgio, o espaço, a permanência onde poder continuar minha Vida, minhas
obras, e a alma adquire o ato praticante e converte em natureza sua minhas obras e minha Vida.
Então esta criatura é o refúgio da nossa santidade, do nosso amor e da Vida da nossa Vontade. E
quando nosso amor, não podendo contê-lo, quer dar em excessos, nos refugiamos nela e damos
saída a nosso amor e derramamos tais carismas de graças, que os Céus ficam estupefatos e
tremendo adoram nossa Vontade Divina que age na criatura".
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47
Volume 34
34-22
Janeiro 24, 1937
A Divina Vontade, com quem vive n’Ela, forma a repetidora de sua Vida e de seu amor, e
forma e estende nela toda a Criação e tudo o que Jesus fez. Como lhe dará um nome novo
chamando-a "Fiat meu".
(1) Estou em poder do Fiat Supremo, o qual sempre me quer dar do seu, para me manter ocupada
e ter sempre o que fazer por minha pobre alma, e se descobre qualquer pequeno vazio que não
seja Sua Vontade, com uma atividade admirável e inimitável, vê o que falta em mim de todos os
seus atos que fez por amor das criaturas, e tudo em festa o sela em minha alma, dando-me uma
pequena lição. Eu fiquei chocada e meu sempre amável Jesus, visitando sua pequena filha me
disse:
(2) "Minha boa filha, não se surpreenda, o amor de meu Querer é exuberante, mas com suma
sabedoria, porque quer fazer com quem vive em seu Querer obras dignas d’Ele, as pequenas
repetidoras de sua Vida, de seu amor, e esconder nelas a santidade e a multiplicidade de suas
obras; quer continuar sua obra criadora, quer formar, repetir e estender toda a Criação, e ainda
mais em quem vive em seu Querer. Escuta até onde chega seu amor: Meu Fiat criou a Criação, e a
cada coisa criada pôs um valor, um amor e um ofício distinto, de dever produzir um bem distinto às
criaturas, tanto que o céu possui um valor, um amor e um ofício todo próprio; o sol, o vento, o mar,
possuem outro, e fazem diferentes ofícios, e assim de todas as coisas criadas. Agora, ouça o que
faz a minha Vontade para quem vive n’Ela: Tudo o que faz é seu, assim que num ato encerra o
valor, o amor e o ofício que faz o céu, e dá a a criatura o amor e o valor do céu; em outro ato
pronuncia seu Fiat, e encerra o valor, o amor que teve ao criar o sol, e o faz fazer o ofício de sol;
em outro encerra o valor do vento, seu amor imperante, e pronunciando seu Fiat o faz fazer o ofício
do vento; em outro encerra o valor do mar, e pronunciando seu Fiat o faz fazer o ofício do mar e lhe
dá virtude de murmurar sempre amor, amor, amor; em suma, não há ato que ela faça em que não
se deleite de pronunciar seu Fiat, e onde encerra o valor do ar, onde o doce canto dos pássaros, o
balido dos cordeiros, onde a beleza das flores, e se os atos da criatura não chegam a estender a
obra da Criação, se serve do batimento, do respiro, da rapidez como circula o sangue em suas
veias, tudo anima com seu Fiat, e forma a Criação completa. E quando tudo completou de tudo o
que fez na Criação por amor das criaturas, aí estende seu domínio, e com sua força criadora
conserva tudo, mantém a ordem da nova Criação que formou nos atos da criatura, e sente-se de
48
Volume 34
tal maneira amado e glorificado, porque não encontra a Criação sem razão, sem vontade e sem
vida, mas encontra a força de uma razão, de uma vontade e vida que voluntariamente receberam a
potência do seu Fiat, em seus atos sua virtude criadora, sua própria Vida Divina, seu amor
imperante e infatigável, em uma palavra, a fez fazer de si, até de seu respiro e de seus atos, o que
queria.
(3) Minha filha bendita, continue me escutando, me faça desabafar meu amor, não posso contê-lo
mais, quero te dizer até onde chega meu amor e até onde pode chegar e pode fazer a quem vive
em meu Fiat. Acreditas tu que o meu Querer se satisfez, disse basta porque encerrou o valor, o
amor, e os diversos ofícios de toda a Criação na criatura que vive como unificada com Ela por uma
só Vontade? Não, não, tu deves saber que Eu vim sobre a terra, e no ímpeto de meu amor ofereci
minha Vida, minhas penas e minha mesma morte, para tornar a comprar minha Vontade Divina em
favor das criaturas, que com tanta ingratidão a haviam rejeitado, e portanto perdido; então minha
vida serviu como pagamento do preço que se requeria para readquiri-la e dá-la em posse de meus
filhos, por isso se necessitava um Deus, para poder ter valor suficiente para poder comprar uma
Vontade Divina, veja então como é certo que virá o reino de meu Querer, porque a compra foi feita
por Mim. Agora, minha Vontade, depois de haver formado a ordem da Criação, com toda a
suntuosidade e sublimidade de sua obra criadora, conforme a criatura vai repetindo seus atos, num
ato pronuncia seu Fiat e nele forma minha Vida e encerra seu valor, em outro ato pronuncia seu
Fiat e encerra em suas penas o valor de minhas penas, pronuncia seu Fiat sobre suas lágrimas e
põe nelas o valor das minhas, pronuncia seu Fiat em suas obras, em seus passos, em seu
batimento, e encerra neles o valor de minhas obras, de meus passos e de meu amor, não há
orações e atos inclusive naturais que faça, em que não tenha o valor de meus atos. Assim, em
quem vive em minha Vontade me sinto repetir minha Vida, e duplica o preço para comprar minha
Divina Vontade a favor das gerações humanas; pode-se dizer que há uma competição entre Eu e
ela, para ver quem quer dar mais para fazer com que a minha Vontade seja possuída de novo pela
família humana. Mas não é tudo ainda, se não faz obras completas não se contenta, ao valor da
Criação e Redenção que encerrou na alma, acrescenta com um amor incrível, o encerrar nela a
Pátria Celestial, e faz ressoar sua glória, suas alegrias, as bem-aventuranças eternas, como selo e
confirmação da obra Criadora e Redentora que formou nela. Depois disto, para estar mais segura,
cria seu batimento cardíaco, sua respiração, faz circular mais que sangue sua Vida, sua luz, e
como triunfante lhe dá um nome novo, chamando-a de ‘Fiat meu'. Este nome é o mais belo, que
fará sorrir a todo o Céu e tremer a todo o inferno, nome que não posso dar senão a quem vive em
meu Querer, e me fez fazer nela o que quero. Minha filha, o que não pode fazer e dar o meu Fiat
Onipotente? Chega a tanto que dá seus direitos sobre sua mesma potência, sobre seu amor, sobre
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Volume 34
sua justiça, incorpora Consigo a vontade da criatura e lhe diz: Seja atenta, não quero outra coisa
de ti senão que faças o que faço Eu, por isso é necessário que tu estejas sempre junto Comigo, e
Eu contigo".
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34-23
Fevereiro 10, 1937
O reino do Querer Divino será o reino da Rainha do Céu. Seus desejos ardentes e orações
incessantes são assaltos de amor que dá à Divindade para obtê-lo. Como porá sua Vida à
disposição das criaturas para dar-lhes a graça de fazê-las viver de Vontade Divina.
(1) Sentia-me toda imersa no Querer Divino, me parecia que Céus e terra suspiram, rogam que
venha seu reino sobre a terra, a fim de que uma seja a Vontade de todos e reine como no Céu
assim na terra, a isto se unia a Rainha do Céu, que com seus suspiros ardentes investia tudo,
movia, ligava tudo a Si, anjos, santos, e a toda a Criação, para pedir com seus mesmos suspiros e
com a mesma Vontade Divina que Ela possui, aquele Fiat, que desça nos corações e forme neles
sua Vida. Mas enquanto isso pensava, meu sempre amável Jesus fazendo-se ver, todo amor
suspirava forte, o coração batia-lhe tanto, como se o quisesse explodir, e me disse:
(2) "Filha de meu Querer, escuta-me, meu amor está por submergir, não posso contê-lo mais, a
qualquer custo, ainda que deva atropelar Céu e terra, quero que venha reinar minha Vontade sobre
a terra. A isto se une minha Mãe Celestial, a qual sem cessar me diz, repete-me: ‘Filho, fá-lo logo,
não demores mais, usa teus estratagemas de amor, age como o Deus poderoso que és, faz que
teu Querer invista a todos, e com sua potência e majestade, unidos a um amor que nenhum poderá
resistir-lhes, tome posse de todos e reine como no Céu assim na terra'. E isto me diz com tais
suspiros ardentes, com tais batidas ardentes, com tais estratagemas de amor de Mãe, que não
posso resistir. E acrescenta: ‘Meu Filho, Filho de meu coração, me fez Rainha e Mãe, e meu povo,
e meus filhos, onde estão? Se Eu fosse capaz de infelicidade seria a Rainha e a Mãe mais infeliz,
porque possuo meu reino mas não tenho meu povo que viva da mesma Vontade de sua Rainha, e
se não tenho meus filhos aos quais possa confiar a grande herança de sua Mãe, onde encontrarei
a alegria, a felicidade da minha maternidade? Por isso faz com que reine o Fiat Divino, e então tua
Mãe será feliz e terei meu povo e meus filhos que viverão junto comigo, com a mesma Vontade de
sua Mãe'. Você acha que Eu posso permanecer indiferente a este falar de minha Mãe, que me faz
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Volume 34
ressoar continuamente ao ouvido, e que docemente investe meu coração, e que são flechas e
feridas de amor contínuo? Eu não posso, e nem quero. Muito mais que Ela jamais me negou nada,
pelo que me falta a força de negar-me a Ela, meu coração divino me empurra a satisfazê-la; tu une-
te a Nós e suspira e roga que minha Vontade seja conhecida e venha a reinar sobre a terra, e para
principalmente te confirmar a isto, quero fazer-te ouvir a minha doce Mamãe".
(3) Enquanto estava nisto senti-a junto, que me escondendo sob seu manto azul e tomando-me em
seu regaço materno, com um amor que não sei dizer, me disse:
(4) "Filha de meu materno coração, o reino da Divina Vontade será meu reino, a Trindade
Sacrosanta confiou-o a Mim; assim como me confiou ao Verbo Eterno quando desceu do Céu à
terra, assim me confiou seu e meu reino, por isso meus suspiros são ardentes, minhas orações
incessantes, não faço outra coisa que invadir a Trindade Santíssima com meu amor, com os
direitos de Rainha e de Mãe que me deu, a fim de que o que me confiou venha à luz, forme sua
Vida, a fim de que meu reino triunfe sobre a face da terra; tu deves saber que é tanto meu desejo,
que me queima, que me sinto como se não tivesse glória, enquanto eu tenho tanta que Céus e
terra estão cheios dela, se eu não vejo formado o reino da Divina Vontade no meio dos meus filhos,
porque cada um destes filhos que viverão nele, me dará tanta glória, de me duplicar a glória que
possuo, por isso me vendo privada sinto como se não tivesse glória de Rainha e não fosse amada
como Mãe por meus filhos, por isso em meu coração os chamo sempre e vou repetindo: ‘Meus
filhos, meus filhos, venham a sua Mãe, amem-me como Mãe como Eu vos amo como filhos, se não
conseguirem viver da mesma Vontade de que Eu vivi, não podem dar-me o amor de verdadeiros
filhos, nem podem saber até onde vai o meu amor por vós.’ Deves saber que é tanto meu amor e
meus desejos ardentes por querer que este reino exista sobre a terra, que descendo do Céu, giro
pelas almas para ver quem está mais disposto a viver do Querer Divino, os espío, e quando os vejo
dispostos, entro em seus corações e formo minha Vida neles como preparação, honra e decoro
daquele Fiat que tomará posse e formará a sua Vida neles. Por isso Eu serei inseparável deles,
porei minha Vida, meu amor, minhas virtudes, minhas dores à sua disposição, como muro de
fortaleza insuperável, a fim de que possam encontrar em sua Mãe o que é necessário para viver
neste reino tão santo. E então minha festa será completa, meu amor repousará em meus filhos,
minha Maternidade encontrará quem me ama como filho, e darei graças surpreendentes e porei em
festa Céu e terra, a farei de Rainha prodigalizando generosamente graças inauditas. Por isso
minha filha, mantenha-se unida com sua Mãe, a fim de que implore e suspire Comigo o reino da
Divina Vontade".
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Volume 34
34-24
Fevereiro 26, 1937
O que é um ato de mais que a criatura faz na Divina Vontade: É a harmonia, a música, é o
atropelar Céus e terra, é o assentamento que ela forma em Deus, e Deus nela.
(1) Sinto a minha pequena e pobre alma circundada de Vontade Divina, dentro e fora de mim, à
direita e esquerda, me corre até debaixo de meus pés, corre por toda parte para dizer-me: "Sou Eu
que formo tua vida, que te aqueço com meu calor, que formo teu movimento, teu respiro,
reconhece que tua vida está animada pela minha, e Eu farei coisas dignas de Mim em ti”. Mas
enquanto minha mente se perdia no Fiat, meu doce Jesus fazendo-me sua breve visita, como se
sentisse uma necessidade de amor de me falar de seu Querer, me disse:
(2) "Minha pequena filha de meu Querer, meu amor reprimido em Mim sente a necessidade de
desabafar, de outra maneira me dá tais delírios, que me sinto sufocado por minhas mesmas
chamas, por isso meu falar é um desabafo de amor, é um alívio a meu coração, e para aliviar-me
vou procurando quem queira me escutar. Agora escuta até onde chega meu amor e o grande
prodígio da Vida que age de minha Vontade na criatura. Um ato de mais que faz a criatura em
minha Vontade, é uma harmonia de mais que põe entre o Céu e a terra, é uma nova música
celestial que forma o seu Criador, que lhe é muito agradável, muito mais que lhe vem da terra,
porque as coisas do Céu são todas nossas, ninguém pode dizer na pátria celestial que nos dá a
Nós, mas somos Nós que lhes damos a eles, que felicitamos e beatificamos a todos, em troca a
alma da terra pode dizer: ‘Dou ao meu Criador’. E Nós nos sentindo arrebatados damos de novo
nossa Vontade como vida que age nela, a fim de que nos forme outras mais belas músicas. Como
é bonito ouvir o nosso Céu na terra, ouvir as novas músicas celestiais que se desprendem da alma
peregrina, todo o Céu faz nova festa e sentimos que a terra também é nossa e a amamos de mais.
Cada ato a mais que se faz em minha Vontade Divina, é um atropelar nele Céu e terra, porque
todos os anjos, santos, correm nesse ato, também a mesma Criação, para tomar seu lugar de
honra no ato que age de minha Vontade, ninguém quer ficar de fora do meu Fiat Divino. Acontece
a verdadeira concentração de tudo e de todos, minha Vontade não poderia fazer diversamente,
deve dar parte em seu ato a todos aqueles onde Ela reina. Minha Vontade quando age quer
encerrar tudo e dar tudo, porque Ela não sabe fazer atos incompletos, mas completos e com a
plenitude de todos os bens. Mas quem pode dizer-te filha minha o que acontece nesse atropelar
Céu e terra no ato que age de meu Querer na criatura? Naquele mover-se de todos, nesse querer
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Volume 34
cada um seu posto naquele ato, sucedem tais maravilhas, tais prodígios inauditos, tais cenas
comovedoras, que os Céus se maravilham e ficam extasiados ante a potência que age de minha
Vontade, mas onde? No pequeno cerco da criatura, e ficam com a ânsia de serem atropelados de
novo no ato que age de minha Vontade nela, oh! como suspiram, se sentem mais embelezados e
provam a bela felicidade do ato conquistante de minha Vontade na criatura, o que lhes falta no
Céu, porque lá conquistas não há, nem podem adquiri-las, o que fizeram em terra lhes dá um
basta, e não mais. Mas não é tudo ainda, um ato de mais que se faz em minha Vontade, é um
incorporar-se Deus na criatura e a criatura em Deus; é um instalar-se reciprocamente, e a vida de
um corre no outro quase como sangue nas veias; é a fusão do batimento humano no batimento
eterno, e sente em si o amor, a santidade, a vida do seu Criador, e o Eterno sente correr em Si o
pequeno amor da criatura, que vivendo n’Ele forma um só amor e uma só Vontade; cada
respiração, pulsação e movimento, são feridas, flechas, dardos de amor que dá Àquele que a criou,
e oh! como todo o Céu fica surpreendido porque olham para Deus e encontram a criatura fundida
n'Ele, que ama com o seu amor, e com amor conquistador; olham para a criatura na terra e
encontram o seu Criador, que enquanto tem o seu trono nela faz vida juntamente com ela. Estes
são os maiores excessos do nosso amor para quem tanto amamos; quando encontramos a criatura
que se presta e nada nos nega, Nós não olhamos para a sua pequenez, mas olhamos mais para o
que sabemos e podemos fazer Nós, que podemos fazer tudo, e fazendo ostentação do nosso amor
e de todo nosso Ser Divino, investimos a criatura e nos fazemos investir, e fazemos coisas grandes
dignas de Nós, mas com tal magnanimidade, que todos ficam surpresos e admirados, basta dizer
que cada ato de mais que se faz em minha Vontade, como se tivéssemos necessidade da criatura,
damos tanto que acrescentamos maiores vínculos de união, de amor, de ambas as partes e
chegamos a dar-lhe novos direitos sobre nosso Ser Divino, e Nós sobre ela. É tão grande este ato
que age de nosso Fiat nela, que não bastam os séculos para dizer o que acontece nele, nem os
anjos, nem os santos podem dizer todo o bem que contém, só seu Jesus pode te dizer todo o bem
que se forma neste ato, porque sendo Eu o que faz, sei dizer o que faço e o grande valor que
ponho dentro. Por isso fica atenta, contente, amor, glória maior não me podes dar que me
emprestes teus pequenos atos, teu pequeno amor, para fazer descer a minha Vontade neles para
fazê-la agir; é tanto seu amor, que sente a necessidade de ter seu campo de ação nos pequenos
atos da criatura".
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Volume 34
34-25
Março 6, 1937
A Criação, primeiro meio de ajuda para formar a Vida da Divina Vontade em nós; segundo
meio, Deus diretamente; terceiro meio, as circunstâncias da vida.
(1) Continuo a nadar no mar imenso do Querer Divino, e pensava entre mim: "Mas como pode a
criatura formar nela esta Vida do Fiat? Eu me sinto tão pequena que me parece impossível, talvez
viver dentro d’Ela é mais fácil, porque encontro tanto espaço que não posso ver até onde chegam
os confins, mas trancá-la dentro de mim, sinto que me falta o espaço para fazer isto". E meu
sempre amável Jesus, com sua acostumada bondade me disse:
(2) "Minha filha, tu deves saber que nossa potência é tanta, que tomamos deleite em formar nossa
Vida na pequenez da criatura, desde que não esteja obstruída por outras coisas que não nos
pertençam, é mais, muitas vezes operamos sobre o puro nada as coisas maiores, e como é
Vontade nossa que forme e possua em sua alma esta Vida de nosso Querer, tudo o que criamos e
que existe no céu e na terra, têm nosso mandato, que todas devem ajudar e servir a criatura como
meios para formar e fazer crescer esta Vida nela. Assim, a primeira que se presta a comunicar e a
fazer sentir a potência, o amor da nossa Vontade, é toda a Criação; ela tem a virtude dada por Nós,
de que enquanto faz crescer, alimenta, ajuda e sustenta a vida natural, assim, penetrando no
interior da alma através dos atos humanos, penetram na alma e fazem duplo ofício, e se
encontrarem a pequena Vida de minha Vontade, minha mesma Vontade que se encontra nas
coisas criadas beija a minha Vontade que encontra nela, a forma, lhe dá o alento, alarga a
capacidade, e encontrando seu pequeno paraíso se repousa e fornece as ajudas, os meios que
contém aquela coisa criada para fazer que nada lhe falte para fazer crescer e manter a Vida de
minha Vontade na criatura. O céu, pois, está sempre estendido sobre a sua cabeça, para o
guardar, a fim de que nada entre nela que não seja a vontade de Deus; o sol se aproxima cada vez
mais, e mais no amor faz sentir o seu calor, enche-lhe o olho de luz, investe-lhe as mãos, os
passos, e adentrando na alma a enche de amor, da luz, da fecundidade da qual está cheia por
Minha Vontade, e deixa o depósito de seu calor, de sua luz, a fim de que não viva mais que de
amor e de luz, coisas que pertencem a Minha Vontade, e este sol fazendo seu curso forma a bela
floração, a variedade das cores e tudo mais por amor de quem possui minha Vontade. Pode-se
dizer que cada vez que o sol investe na criatura, minha Vontade visita a criatura para ver se quer
alguma coisa, se não lhe falta nada para fazer crescer sua Vida nela; que coisa não fiz e não faria
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Volume 34
para conseguir a tentativa de formar esta Vida de meu Fiat na criatura? Por isso, o ar enquanto
serve para dar o respiro ao corpo, serve para dar o respiro da minha Vontade à alma; o vento
enquanto serve para purificar o ar à natureza, serve para dar as carícias, os beijos, o império de
minha Vontade a minha Vida que ela possui. Então não há coisa criada, que saindo de dentro dela
meu Querer, não corra dentro da alma para ajuda, defesa, e para fazê-la crescer como Eu a quero.
Mas isto não é tudo, minha Vontade nas coisas criadas vai velada para formar esta sua Vida neles,
mas quantos não a recebem e fica reprimida em seus véus, sem poder dar os bens que possui.
(3) Agora, há o segundo modo, mais esplêndido, mais ostentoso de amor, é tanto o amor que nos
consome, o desejo de querer que a criatura possua nossa Vontade como vida, que cada ato,
pensamento, palavra, batimento, obra e passo que ela faz, é uma emanação divina que lhe
fazemos, nosso Ser Divino corre em cada ato seu para dar-lhe do nosso, circundamos-o,
vivificamos-o para fazê-lo renascer em nossa Vontade, podemos dizer que nos colocamos Nós
mesmos a sua disposição para formar esta Vida, mas sabe por que tanto é nosso interesse?
Porque queremos que nossa Vontade forme a bela geração da Vontade Divina na vontade da
criatura, e então teremos tantas Vidas nossas que nos amam, que nos glorificam. Como será bela
a Criação, tudo será nosso, onde quer que encontremos o nosso trono, a nossa Vida palpitante.
(4) Depois há o terceiro modo, as circunstâncias da vida, as ocasiões, a ordem da minha
providência em torno de cada um, as mortificações, as dores, todos são meios para fazer crescer e
desenvolver em modo admirável esta Vida da minha Vontade neles, portanto não há coisa na qual
Ela não prepare seu primeiro ato de vida para dar às criaturas; oh! se todos prestassem atenção,
como se sentiriam felizes, seguros sob a chuva de um Querer tão Santo, que os ama tanto, que
chega ao excesso de querer formar sua Vida na pobre criatura".
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34-26
Março 14, 1937
A Vontade Divina é Vida, e como Vida forma a geração de sua Vida nos atos da criatura que
viverá n’Ela, e aí forma a grande geração dos filhos de seu Fiat Divino.
(1) O Querer Divino não me deixa jamais, parece-me que para me confirmar maioritariamente e
fazer-me suspirar o viver n’Ele, não só a mim, mas a todos aqueles que quererão fazê-lo, quer
dizer coisas novas, e o que significa um ato de mais que se pode fazer em sua Santíssima
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Volume 34
Vontade. E meu doce Jesus que faz de porta-voz a um Querer tão santo, visitando minha pequena
alma me disse:
(2) "Minha filha bendita, quero te dizer mais ainda sobre o bem que encerra um ato de mais que a
criatura pode fazer em meu Querer. Minha Vontade é Vida, e não sabe agir, nem fazer nada, se
não gera Vida, nem pode fazer menos. Agora, em cada ato de mais que se faz n’Ela, vem
encerrado o ato gerativo que possui, a criatura ao fazer seu ato n’Ela empresta-lhe o véu onde
formar e esconder este parto divino, enquanto é cumprido o ato, assim minha Vontade gira pelo
mundo inteiro para encontrar as almas mais dispostas e põe nelas seu parto gerado, e forma um
filho seu do reino de seu Fiat. Olha então o que é um ato de mais, é formar um filho de mais em
meu reino, assim que quanto mais atos se façam n’Ela, mais será povoado o reino de meu Querer.
Minha filha, nosso Ser Supremo tem delírio, queremos que a criatura viva em nosso Querer, e
usaremos todas as astúcias de amor para obter esta finalidade. Como é bonito ver que nossos
primeiros filhos do Fiat servirão com seus atos para formar a nova geração da Vida de nossa
Vontade na criatura. Nosso amor é tanto, que tomamos ocasião do ato delas para dar este grande
bem que encerra Céu e terra".
(3) Enquanto dizia isto, meu doce Jesus fazia ver que tinha em seu coração divino todos os atos
feitos em seu Querer, incluídos também aqueles da Mãe Celestial, que eram muitos, e dentro de
cada um dos atos, gerada a Vida da Divina Vontade; como se não os pudesse mais conter movia o
passo para girar por todas as gerações, e onde encontrava alguma alma mais disposta se
aproximava, a abraçava, falava-lhe ao ouvido, dava-lhe seu alento como se quisesse renovar a
nova criação, e depois, como em festa punha junto com o ato a Vida de seu Querer, não queria
desunir o ato da Vida de seu Querer, porque sendo ato primário onde havia gerado sua Vida, não
queria separá-lo, querendo servir-se dele como custódia de sua própria Vida. Ao ver isto fiquei
maravilhada, e pensativa dizia entre mim: "Será possível tudo isto? Me parece que dá no incrível".
E o meu doce Jesus retomou o seu dizer:
(4) "Filha, por que te maravilhas? Acaso a minha Vontade não pode fazer o que quer? Basta quere-
lo, e tudo está feito. E além disso se o faz o sol que pode ser chamado de sombra de meu Fiat, que
assim que encontra a flor, as plantas, com o toque de sua luz gera a cor, o perfume, amadurece as
plantas e gera a doçura nos frutos, e tantas cores e tanta diversidade de doçuras por quantas flores
e frutos toca com sua luz e esquenta com seu calor, mas se o sol não encontra nem flores, nem
frutos, nem investe nada com a sua luz e com o seu calor, nada dá, retém em si todos os bens que
possui; tal é a minha Vontade, mais que sol, conforme encontra a criatura que a quer, chama-a em
seu ato, desce no baixo do ato humano, o investe, o aquece, o transforma, e como possui a Vida,
gera Vida e forma um portento divino; e como o sol, se não encontra quem queira viver em meu
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Volume 34
Querer e formar seus atos n’Ele, as tantas Vidas Divinas minhas que poderia dar, ficam n’Ele,
esperando com paciência invicta e divina quem me faça gerar minha Vida em seus atos. Minha
Vontade está como uma terna mãe, que sente em si a grande geração de suas vidas que quer
trazer à luz para formar-se a longa geração de seus filhos, que devem formar seu reino, e por isso
vai buscando quem lhe empreste seus atos, mas sabe por que procura os atos da criatura?
Devendo Ela descer no baixo dos atos humanos para formar sua Vida, quer fazer-se caminho por
meio deles para dar sua própria Vida às criaturas, muito mais que a Vida não se pode formar fora
das pessoas, senão sempre dentro, de outra maneira lhe faltariam as coisas necessárias, os
humores vitais para formar uma Vida. Assim minha Vontade não pode formar desde o Céu, nem
fora da criatura sua Vida, senão que deve descer dentro delas, e a vontade humana deve ceder o
posto à Divina, deve ser concomitante, porque coisas forçadas não queremos; e quando a
encontramos, quem pode te dizer o que fazemos, as graças que derramamos, o bem que lhe
queremos? Não se trata de obras, mas Vida nossa que devemos crescer, assim não poupamos
nada, e só no Céu se saberá o que fizemos. Por isso seja atenta e vive sempre sob a chuva de
meu Querer, assim, investindo todos teus atos os anima com sua Vida, e assim me darás tantos
filhos por quantos atos farás".
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34-27
Março 18, 1937
A Divina Vontade faz dom de todas as suas obras a quem vive n’Ela. O respiro de Deus em
suas obras e em todas as obras santas das criaturas. A Divina Vontade se faz fornecedora
do que falta à criatura.
(1) Eu estava fazendo meu giro no Fiat Divino, para seguir por quanto me é possível, seus atos
divinos, isto é: A Criação, e todos os atos santos das criaturas, não excluídos nem os de minha
Mãe Celestial, nem os de meu amado Jesus, mas o grande era que, conforme eu os encontrava se
faziam meus, o Querer Divino os doava para mim, e eu como se tivesse direito sobretudo os
oferecia a meu Criador como a homenagem mais bela, o amor mais intenso, a adoração mais
profunda, Àquele que me criou. Eu me senti investida pelo sol, pelo céu com todas as estrelas, pelo
vento, por tudo; tudo era meu porque tudo era da Divina Vontade. Eu fiquei maravilhada, e meu
doce Jesus repetindo sua breve visita me disse:
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Volume 34
(2) "Minha filha abençoada, por que te admirais? Você deve saber que tudo o que é santo e bom
pertence a meu Fiat, o qual tudo quer dar a quem vive junto com Ele, acontece uma mudança de
ambas as partes, a criatura não quer ter nada para si, tudo quer dar, e meu Querer quer dar tudo a
ela, mesmo a Si mesmo. Muito mais que a Criação, a Redenção, a Rainha do Céu, todos os atos
bons e santos, não são outra coisa que respiro de Deus: respirou e disse Fiat e criou toda a
Criação, respirou e chamou a Virgem Santíssima à vida, respirou e fez descer o Verbo sobre a
terra, respira e dá vida às boas obras de todas as criaturas. Agora, quem vive em minha Vontade
não faz outra coisa que encontrar todas suas obras, para encontrar o respiro divino para dá-lo de
volta a Deus, como frutos e potência do respiro de seu Criador. Oh! como se sente glorificado,
amado, porque encontra nas obras oferecidas a Ele pela criatura seu respiro, sua própria Vida, e
por quantas vezes gira em suas obras, tantas vezes se sente dar sua Vida, sua glória, seu amor. E,
oh! como espera estes presentes, porque se sente dar o que deu, sente-se amar em suas obras
como Ele amou, sente seu amor, sua potência reconhecida, e é tanta a complacência divina, que
derrama rios de amor e de graças sobre quem conheceu suas obras e seu amor. Eis por que
minha filha, que minha Vontade conforme a criatura vive junto com Ela, assim com um amor sem
par faz dom de tudo que possui, a torna dona de tudo, porque se uma coisa não é própria não se
tem o direito de poder dá-la aos demais, por isso meu Querer, fazendo-lhe dom de tudo, dá-lhe
campo de poder dar a seu Criador, e de receber duplicada sua correspondência. Mas só lhe é dado
este dom quando reconhece nossas obras, as aprecia, as ama. O amor lhe dá o direito de fazer
seu o que pertence ao meu Querer eterno, se meu Querer não pudesse fazer dom à criatura de
tudo o que é seu, se sentiria impedido no amor, separado em suas obras, porque não poderia
dizer: ‘O que é meu é teu, o que faço Eu fazes você'. Isto não suportaria minha Vontade e diria:
‘Viver junto, formar a mesma Vida e não poder dar tudo, isto é impossível ao meu amor, seria como
se não pudesse confiar nela'. Não, não, tudo quero dar a quem viva em minha Vontade.
(3) Você deve saber que é tanto o amor de meu Fiat para quem vive n’Ele, que se a criatura, não
por vontade, senão por debilidade e impotência não segue os atos de meu Querer, ou bem por
necessidade de sofrimentos ou de outra coisa não corre sua vida n’Ele, é tanto o seu amor que Ela
faz o que a criatura deveria fazer, supre-a em tudo, chama sua disposição, sua ordem, seu amor, a
fim de que a alma se sacuda e retome sua vida juntos, e isto para fazer com que a vida humana
não fique nem dividida, nem separada da sua; se isto não fizesse ficaria o vazio divino, mas seu
amor não o tolera, e faz de provedora do que lhe falta à criatura, porque quer que sua Vida Divina
não deva faltar jamais nela, senão que deve ser contínua. Pode-se dar amor maior que chegue a
dizer: ‘Ânimo, não temas, vem com toda confiança a viver Comigo, confie em Mim, e se você
chegar a faltar de correr sempre em meu Fiat, Eu te compadecerei e tomarei Eu a parte que age
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Volume 34
que você não pode fazer, e te suprirei em tudo?’ O reino de meu Querer é de amor, de confiança,
de acordo de ambas as partes".
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34-28
Março 22, 1937
Necessidade de amor que sente o Fiat Divino de ser amado. Como a quem vive n'Ele dá
tanto amor, de o fazer amar em todos os corações e em toda a Criação, para ser
correspondido pelo amor de todos. Como a alma sem o Fiat é como a terra sem água. Os
males da perturbação.
(1) Meu voo no Querer Divino continua, parece-me que não faz outra coisa que derramar amor
sobre as criaturas, as quais vendo-se amadas tão intensamente, não podendo conter este amor tão
grande, sentem a necessidade de amar Aquele que tanto as ama; pode-se dizer que o amor divino
é tanto, que agita, move de modo irresistível as criaturas a amá-lo. As flechas de amor que Ele
manda para ferir as criaturas, servem para flechar Aquele que as flechou. Agora, enquanto me
encontrava sob este abismo de amor, meu amado Jesus, minha doce vida, me surpreendeu e
disse:
(2) "Filha da minha Vontade, você deve saber que nosso amor é tanto, que se em nosso Ser Divino
pudesse entrar a infelicidade, a inquietude, o que não pode ser, o Ser Divino se tornaria o ser mais
infeliz e inquieto. Como Nós amamos com amor infinito e incessante, que podemos tudo, e afogar a
todos em nosso amor, por isso sentimos a necessidade de ser amados, mas o que? Em vão
esperamos, e nosso amor geme, dá em delírio, e em vez de deter-se corre de mais, mas sabe
aonde vai derramar-se e detendo-se repousa um pouco, para rapidamente voltar a tomar seu voo
para derramar seu amor contínuo? Nas almas que vivem em minha Vontade, porque elas estão já
afogadas em meu amor, ouvem meus gemidos, sentem minha necessidade de ser amado, e
rapidamente me correspondem no amor, e assim como Nós sentimos a necessidade de ser
amados, assim sentem elas a necessidade de serem amadas por Aquele que tanto as ama.
(3) Agora minha filha, nosso Querer circula como sangue em todos os corações das criaturas, em
toda a Criação, não há ponto onde não se encontre, sua sede é extensível a todas partes, e com
seu amor potente e criante, como dentro de um só fôlego, conserva e dá vida a tudo e a todos, e
em cada coisa desenvolve a sua Vida de amor. Então, por que cria? Porque ama; por que
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Volume 34
conserva e circula em todos? Porque ama. Agora, quem vive em nosso Querer, queremos senti-la
que nos ama em todos os corações, e oh, como é bela a nota de amor da criatura em cada
coração, e se estes não nos amam, está quem nos ama; queremos sentir que nos ama nos
passados e nos futuros; no céu, no sol, no vento, no mar, em tudo queremos sua nota de amor.
Muito mais que nosso Querer onde quer que a transporta; vivendo n’Ele, o primeiro dom que lhe
faz é o amor, mas dá tanto para poder receber a correspondência do amor de todos e de tudo. É
tanto o delírio de amor de nosso Fiat Divino, que transporta esta nota de amor da criatura até o
empírico e diz a todos os bem-aventurados: ‘Escutem como é bela a nota de amor que vive na
terra em minha Vontade'. E faz ressoar esta nota amorosa nos santos, nos anjos, na Virgem, na
Trindade Sacrossanta, de modo que todos sentem a dupla glória e festejam a Divina Vontade que
opera na criatura, e festejam a criatura que a fez agir, assim que ela está na terra e é festejada no
Céu. Minha Divina Vontade não toleraria que quem vive n’Ela não lhe desse a correspondência do
amor de tudo e de todos. Meu Fiat Divino no amor da criatura encontra tudo o que quer, encontra a
vida dela como sua, encontra a glória que lhe deve, encontra o apreço, a estima que lhe é devida,
encontra a verdadeira confiança filial para poder dar-lhe tudo. Assim que o amor é gerativo, que
gera todos os bens divinos. Por isso minha filha seja atenta, ama, mas ama em minha Vontade, e
encontrarás tanto amor, que poderás amar a todos e amar por todos Aquele que tanto te ama".
(4) Depois disto, pelas míseras circunstâncias de minha vida que não é necessário colocá-las no
papel, melhor que se saibam no Céu, me sentia oprimida, irritada e quase perturbada, sem minha
acostumada paz e pleno abandono no Fiat Divino, e o meu doce Jesus surpreendeu-me e disse:
(5) "Minha filha, o que fazes? Não sabes tu que a alma sem a plenitude da minha Vontade e o
pleno abandono n’Ela, é como a terra sem água, como as plantas sem sol, como o corpo sem a
alma? E a pobre criatura, como terra sem água que não é capaz de produzir nem um fio de erva,
assim ela morre de sede, e é incapaz de fazer um pequeno bem, queima de sede e não há quem
lhe acalme esta sede, e lhe faltando o Sol de meu Fiat morrerá nas trevas, as quais lhe
escurecerão os olhos e não poderá olhar o bem para conhecê-lo, para fazê-lo, e lhe faltará o calor
para amadurecer o mesmo bem. E além disso, sem minha Vontade se sentirá sem Vida Divina, e
assim como o corpo sem a alma apodrece, e portanto se enterra, assim sem a Vida de meu
Querer, as paixões a apodrecem e a sepultam nas culpas. Além disso, as opressões, as
perturbações, param o voo em minha Vontade, perde a velocidade e não pode seguir todas suas
obras, e por isso, se não seguiu todas nossas obras, não posso levá-la a descansar no seio de
nossa Divindade. Portanto seja atenta, ponha nas mãos de seu Jesus as opressões,
aborrecimentos, o que te perturba, e Eu os porei na luz e calor de meu Fiat, a fim de que fiquem
queimados, e você, sentindo-se livre, seguirá mais veloz o voo em meu Querer, não quero que se
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Volume 34
preocupe, Eu pensarei em tudo. Minha filha, fiquemo-nos em paz, de outra maneira não poderei
desenvolver e crescer como quero a Vida de minha Vontade em ti, e isto será a maior dor para
Mim, não me sentirei livre de respirar, palpitar, sentirei-me impedido para continuar minha Vida em
ti".
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34-29
Março 26, 1937
A Criação e a Humanidade de Nosso Senhor, são os campos nos quais desenvolve seus
atos quem vive na Divina Vontade. Como Ela forma a Humanidade de Nosso Senhor e o
paraíso a Jesus na terra.
1) Meu voo no Fiat Divino continua, e n’Ele sinto que tudo é meu, e sinto a necessidade de
conhecer, de amar o que me pertence, e que com tanto amor me deu. Enquanto girava nas obras
do Querer Divino, o amado Jesus, minha doce vida, repetindo-me sua breve visita, todo bondade
me disse:
(2) "Minha pequena filha de meu Querer, como é verdade que para que surja o amor se deve
possuir o que se ama, se não se possui o amor não surge, não amar as coisas próprias é quase
impossível, é um amor conatural e de justiça amar o que é seu. Por isso amo tanto as criaturas, as
conservo, lhes dou a vida, porque são obras minhas, as criei, as criei trazidas à luz, são minhas,
sou o batimento de seu batimento, seu respiro, a vida de sua vida, não posso fazer menos que
amá-las, se Eu não as amasse meu amor me reprovaria continuamente, me diria: ‘Por que as criou
se não devia amá-las?’ É um direito do amor amar o que é seu, minha justiça me condenaria, todos
meus atributos me fariam guerra. Eis por que para ser amado pelas criaturas digo: ‘Sou vosso
Deus, vosso Criador, vosso Pai Celestial, sou todo vosso'. Como de fato sou. Eis também a causa
pela qual digo a quem quer viver no meu Querer: ‘Tudo é teu, o céu, o sol, toda a Criação é tua, a
minha Vida é tua, as minhas penas, até o meu respiro é teu'. Por isso você sente a necessidade de
amar, como Eu a sinto, de amar o que é teu, o que teu Jesus te deu em possessão.
(3) Agora, tu deves saber que a Criação, minha Humanidade, são os campos nos quais desenvolve
seus atos a alma que faz e vive em minha Vontade Divina, tendo-lhe dado a posse d’Elas, sente a
necessidade de circular como sangue nas veias, nas obras de seu Criador, quer conhecer seu
valor, o bem que fazem, o ofício que ocupam, para amá-las de mais, para apreciá-las e também
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Volume 34
para sentir-se mais feliz, mais rica dos tantos bens que possui. É por isso que agora se aproxima
do sol para conhecer os segredos de sua luz, a íris de suas cores, a virtude de seu calor, seu
milagre contínuo que desenvolve sobre a face da terra, que só ao tocá-la com sua luz, vivifica,
colore, adoça, transforma, e oh! como ama ao sol porque é seu, e ama de mais Àquele que o criou,
e assim faz com todas as outras coisas, quer conhecer a virtude secreta que contêm para amá-las
de mais, e para reconhecer de mais e amar mais Aquele que lhe deu a possessão. Portanto não é
maravilha que quem vive em meu Fiat Divino é chamada a herdeira de toda a Criação.
(4) Agora, do campo da Criação passa ao campo da minha Humanidade, mas o que dizer-te filha
minha das maravilhas que acontecem neste campo vivo, não só de obras como na Criação, mas
de vida humana e Divina, elas se põem em meu lugar, Eu não posso negar-me porque sou delas,
têm direito sobre Mim, e Eu estou feliz de que me possuam, porque me amarão de mais. Agora,
estas criaturas neste meu campo, repetem minha Vida, amam com meu mesmo amor, seus atos
fundidos com os meus formam tantos sóis, céus e estrelas, oh! quanto mais belos do que aqueles
da Criação, que enchem o campo da minha Humanidade. Oh! como me sinto amado e glorificado,
porque estes sóis, céus e estrelas, não são mudos como os da Criação, mas são sóis falantes, com
a plenitude da razão, e como falam bem do meu amor, falam e me amam, falam e me dizem a
história das almas e a do meu amor, e por isso se impõem sobre Mim e me dizem que devo pô-las
a salvo, falam e se cobrem de minhas penas para repetir a minha Vida, e Eu sinto-me a correr
estas almas nas minhas lágrimas, nas minhas palavras, nas minhas obras e passos, e encontro
nelas o refrigério das minhas penas, o meu apoio, a minha defesa, o meu refúgio, e é tanto o meu
amor por elas, que chego a chamá-las: ‘Minha Vida'. Oh! como as amo, Eu as possuo, e elas me
possuem a Mim, possuir e amar até a loucura é o mesmo.
(5) Agora, estas almas que vivem em minha Vontade estão dispostas a receber todas as penas de
minha Humanidade, porque Ela está impossibilitada de sofrer, porque está gloriosa no Céu, assim
que minha Vontade com seu fôlego onipotente cria as penas, as dores, e nelas forma minha
Humanidade vivente, que me suplementam em tudo, e são elas as novas salvadoras que colocam
a vida para salvar o mundo inteiro. Assim que Eu do Céu olho para a terra e encontro outros tantos
Jesus, que levados pela mesma loucura do meu amor, põem a vida a custo de penas e morte para
me dizer: ‘Sou a tua cópia fiel, as penas fazem-me sorrir porque contenho as almas'. E Eu, oh!
como as amo, não me sinto mais sozinho, sinto-me feliz, vitorioso, porque ter companhia no
desenvolver a mesma vida, no sofrer as mesmas penas, no querer o que Eu quero, é minha maior
felicidade e meu paraíso na terra. Veja então quantas coisas grandes, portentosas sabe fazer
minha Divina Vontade contanto que vivam n’Ela, me forma minha mesma Humanidade vivente e
me procura as mesmas alegrias de minha pátria celestial, por isso o que mais te importa é viver
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Volume 34
sempre em minha Vontade, não pense nada mais, porque se o fizer sinto em você despedaçado
meu amor, e se soubesse quanto me custa não ser amado ainda por um momento, porque naquele
momento Eu fico só, me quebra a felicidade, e no meu delírio de amor vou repetindo: ‘Como! Eu a
amo sempre, e ela não'. Por isso seja atenta, que não quero ficar jamais só".
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34-30
Abril 4, 1937
Conforme a criatura dá sua vontade a Deus, assim Deus adquire seus direitos sobre ela.
Como vêm formados três muros de fortaleza para não deixá-la sair de dentro do Fiat.
(1) Estou sob as ondas eternas do Querer Divino, e se algum pensamento me foge, estas ondas se
fazem mais fortes e sufocam meu pensamento e meus temores, de modo que rápido me tranquilizo
e corro junto com o Fiat Divino. Por isso o pensamento frequentemente me atormenta se saio de
dentro d’Ele. Meu Deus, que pena, sinto-me morrer só de pensar, parece-me que já não seria mais
irmã das coisas criadas, tiraria meu posto do meio a elas, já não serão minhas, e eu, que coisa
darei então a meu Deus? Não me resta outra coisa que o pura nada. Sentia-me tão mal ao pensar
isto, que me sentia torturada, e meu doce Jesus tendo compaixão de mim e do estado ao qual me
tinha reduzido, correu para me segurar em seus braços, e todo bondade me disse:
(2) "Minha filha, o que você faz? Coragem, tu oprimes-te demasiado e teu Jesus não o quer, e além
disso, a mesma pena que sentes significa que não queres sair da minha Divina Vontade, e a Mim
basta-me a tua vontade, ela é a garantia mais certa, e Eu tenho-a presa no meu coração divino
como a coisa mais preciosa, a fim de que ninguem a toque. Eu não levo em conta o sentimento da
criatura, para Mim é como se não fosse, e muitas vezes serve para que se lance em meus braços,
a fim de que Eu a liberte deste inimigo que lhe faz perder a paz.
(3) Agora, você deve saber que quando a alma me deu sua vontade com decisão firme, e com
conhecimento certo do que fazia, sem querer conhecê-la mais, já tomou lugar na minha, e Eu com
direito sou dono dela, e ela com direito é dona da minha. Por isso, você acha que eu sou fácil de
ceder esses direitos? De maneira nenhuma, usarei todas as artes, porei em campo minha mesma
potência para que não me seja tirado o que tanto me interessa; tu deves saber que o vínculo mais
forte entre o Criador e a criatura é ceder sua vontade, e fica inseparável de não poder afastar-se
mais de Nós, sua vida a sentimos como nossa, porque uma é a Vontade que nos anima. Agora,
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Volume 34
você acha que com um pensamento, com um sentimento pode quebrar esses laços, perder a
nossa inseparabilidade, e Nós cedemos o que é nosso, sem atos decididos, repetidos, de que quer
sua vontade? Enganas-te minha filha, muito mais que é tanto nosso amor por ela, que não apenas
nos deu seu querer, Nós cercamos a criatura, primeiro com um muro de luz, de modo que se
quisesse sair, a luz a ofusca e não sabe para onde mover o passo, porque onde quer encontra luz,
e não sabendo para onde ir, retrocede e esconde-se no seio do seu Criador. O segundo muro é
tudo o que fez minha Humanidade estando sobre a terra, minhas lágrimas, minhas obras, passos e
palavras, minhas penas, minhas chagas, meu sangue, se cercam em torno da feliz criatura para
impedir-lhe a saída, porque Ela contém o segredo, a força, a vida para dar vida a quem vive no
Querer Divino, e você acredita que depois de ter obtido a tentativa de vencer por meio de penas a
esta vontade humana, Eu deixe fugir o que me custa sangue, vida e morte? Ah! você não entendeu
bem ainda meu amor, se se tratasse de simples resignação, é fácil fazer e não fazer minha
Vontade, porque estes não me cederam seus direitos, amam sua vontade, e por isso hora estão
resignados, hora impacientes, hora amam o Céu, e hora a terra, mas quem me deu a sua vontade
tomou posto na ordem divina, quer e faz o que fazemos Nós, se sente rainha, por isso é quase
impossível sair de nosso Fiat, e se saísse de nosso Querer não se adaptaria a ser a serva, a
escrava. O terceiro muro é toda a Criação, a qual sente nela a virtude que age do Querer Divino,
da qual todas as coisas possuem a vida, e para lhe dar homenagem se cercam em torno, o sol com
sua luz, o vento com seu império, em suma, todas as coisas criadas sentem a força criadora, a
virtude operosa e sempre nova que opera na criatura, enquanto elas não podem fazer mais do que
fazem, e correm em torno para desfrutar-se das obras daquele Fiat do qual estão animadas. Por
isso não te preocupes, goza a paz daquele Querer que te possui, e teu Jesus pensará em tudo".
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34-31
Abril 8, 1937
Tudo o que se faz no Querer Divino constitui um direito para todos, e todos podem fazer
aquele bem. Estes direitos foram dados por Adão, pela Rainha do Céu, por Nosso Senhor,
que nos preparou a veste real.
(1) Minha pobre mente não faz outra coisa que lançar-se no mar do Fiat Supremo, e por quanto
sinto o céu do Querer Divino em mim, muitas vezes perco a Jesus na imensidão deste céu e não o
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Volume 34
encontro, e sua privação é o mais duro martírio de minha pobre existência aqui em baixo, e quanto
é preciso para encontrá-lo, até me fazer ficar reduzida a um estado em que me sinto morrer, digna
de compaixão, e então vem, e agora com um estratagema de amor, ou com uma verdade mais
surpreendente, faz-me sentir que me devolve a vida, até me esquecer das dores sofridas. Ah!
Jesus, o quanto Você sabe fazer. Então eu pensava: "E por que Jesus não me leva para as regiões
celestiais, por que me fazer trabalhar tanto?" Me parece que vejo o porto e estou prestes a dar um
salto para entrar, mas o que, uma força poderosa me faz retroceder, e volto a ser a pobre exilada.
Enquanto pensava assim, meu doce Jesus, todo bondade e compaixão me disse:
(2) "Minha filha bendita, ânimo, a coragem abate as praças mais fortes, vence os exércitos mais
armados, debilita nossa potência, antes se a apropria e anima vence o que quer, e Nós vendo-a
que não tem a mais mínima dúvida de obter o que quer, porque a dúvida diminui o ânimo, damos
mais do que quer. Minha filha, o ânimo, a confiança, a insistência sem cessar jamais, o amor, em
nossa Vontade são as armas que nos ferem, e nos enfraquecendo fazemos que ela mesma tome o
que quer.
(3) Agora quero te dizer o porquê te mantenho ainda sobre esta terra, você sabe que nossa
Vontade Divina é imensa, e à criatura falta a capacidade, o espaço de poder abraçá-la toda junta,
por isso lhe convém tomar gole a gole, os quais os toma, hora quando você faz suas ações no meu
Querer, hora quando te manifesta uma verdade que lhe pertence, se você ora, se você deseja que
o meu reino venha, se você sofre para obtê-lo, todos estes são goles que ampliam sua capacidade
e formam o espaço onde encerra os goles d’Ela, e enquanto você faz isso você vem para hora
encerrar uma geração, hora alguma outra que deve possuir o reino do Fiat Divino. Você deve saber
que as gerações são como uma família em que todos têm direito à herança do pai, e como
membros que formam um só corpo, do qual Eu sou a cabeça, quando um membro faz um bem, o
obtém e o possui, os outros membros adquirem o direito de fazer e de possuir esse bem. Agora,
ainda não fechaste todas as gerações que devem possuir minha Vontade como vida, portanto se
requerem ainda as cadeias de teus atos, tua insistência, tuas penas, para beber outros goles para
formar o espaço para dar o direito de que, querendo, possam possuir meu reino; assim que tiver
feito o último ato que se requer, rapidamente te trarei à pátria celestial.
(4) Agora minha filha, minha Divina Vontade com sua Imensidão envolve a todos e a tudo, não há
ser que não nade n’Ela, por isso tudo o que se faz se torna direito de todos, e todos podem repetir
aquele ato, menos quem não quer repeti-lo e possuí-lo, e não quer reconhecer que vive n’Ela, que
sua vida está animada pelo Fiat Divino, estes são como cegos, que enquanto o sol os darda com
sua luz, eles não veem e jazem como se fosse noite para eles; estão como paralisados, que
enquanto podem ter o uso dos membros para fazer o bem, contentam-se em ficar imobilizados, são
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Volume 34
como mudos que não sabem falar, mas são cegos, paralíticos e mudos voluntários; mas todos os
demais, como minha Vontade é vida e está em comunicação com todos, assim tudo o que se pode
fazer n’Ela é vida, bem, e direito de todos, e todos podem repetir aquele ato para formar a Vida
Divina que age neles. Os primeiros direitos de fazer possuir o reino de meu Querer às gerações
humanas foram dados a Adão, porque ele, na primeira época de sua vida, seus atos foram feitos
no Querer Divino, e se bem pecou e perdeu voluntariamente a Vida que age de minha Vontade
nele, e ele em Nós, mas seus atos ficaram, pois o que se faz em nosso Querer não sai, porque são
nossos triunfos, nossas vitórias sobre o querer humano, assim que são nossos, e Nós jamais
colocamos fora o que é nosso. Por isso quem entra n’Ele encontra o primeiro amor de Adão, seus
primeiros atos que lhe dão o direito de possuir o nosso Fiat e de repetir os mesmos atos que ele
fez, os seus atos ainda são falantes, o seu amor ainda está fundido no nosso, e ama-nos
incessantemente com o nosso mesmo amor. Por isso o agir no Querer Divino se torna eterno
Conosco, e não está sujeito a terminar e se põe à disposição de todos, de modo que só quem é
ingrato não o toma e não se quer servir da Vida para receber vida. Estes direitos de possuir minha
Vontade como vida, foram dados pela Rainha do Céu, porque também Ela é da estirpe humana,
mas de modo mais extenso e com mais sacrifício, porque lhe custou a Vida de seu próprio Filho e
Deus para dar a posse do reino do nosso Fiat às gerações humanas, e tendo-lhe custado tanto, é a
que mais suspira e roga que entrem seus filhos neste reino tão santo. Depois foi a minha vinda do
Céu à terra, em que, tomando carne humana, cada ato meu, pena, oração, lágrima, suspiro, obra e
passo, constituía um direito de fazer possuir o reino do Fiat às gerações humanas. Posso dizer,
minha Humanidade é vossa e de todos, e quem quer entrar neste reino encontrará n’Ela a porta, os
direitos e a veste real para entrar, minha Humanidade é a veste que deve cobrir e vestir com
decência a todos aqueles que o possuirão. Meu amor é tanto, que chamo outras criaturas que com
graças portentosas e com o sacrifício de sua vida, faço-as viver em meu Querer, as quais
constituem novos direitos, pagando com sua vida para dar a posse de meu reino à família humana.
Por isso tua vontade corra sempre na minha, a fim de que completos teus atos, possas dar o salto
à pátria celestial".
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Volume 34
34-32
Abril 18, 1937
Encontros contínuos entre o Querer Divino e a criatura. Como quem vive n’Ele, formou o
pequeno mar do Fiat. Como corre sempre em cada coisa para dar novas graças e novo
amor.
(1) O meu voo no Fiat continua, mas sinto que me vem ao encontro a cada instante, em cada coisa
que toco, que faço, nas penas e nas alegrias, em cada coisa criada; sinto que as põe ao redor para
me fazer servir por elas, parece-me que está como a espiã para se fazer conhecer e dizer-me:
"Estou aqui, diz-me que queres, me farás mais feliz se me puseres em condições de poder abundar
mais, a fim de que te felicitando Eu me sinta mais feliz pela felicidade da minha filha". Agora,
enquanto minha mente se afogava em seu mar divino, meu amado Jesus, me surpreendendo com
sua breve visita, com um amor que não podia conter, me disse:
(2) "Minha filha bendita, o amor excessivo de minha Divina Vontade dá no incrível; quando a
criatura vive n’Ela, formou seu pequeno mar do Fiat em sua alma, então Ela, atraída por sua
mesma potência quer sempre engrandecer mais este seu marzinho no cerco da alma, escuta o que
faz: Levada por um amor irresistível corre, corre sempre em cada ato que a criatura faz, se vê que
deve fazer uso da palavra, corre, vai ao encontro, investe a palavra com seu Fiat e aumenta sua
potência divina na palavra da criatura; se vê que deve agir, corre, lhe toma as mãos, as estreita, as
investe com seu Fiat e aumenta sua potência divina nas obras dela; se vê que está por mover o
passo, corre, os investe e lhes dá tal poder, de correr sempre para Quem corre sempre para ela; se
ama, corre para dar-lhe novo amor; se vê que deseja, que quer ser sempre melhor, corre e
aumenta sua bondade; não há pensamento, batimento e respiro que não invista com seu Fiat para
fazer crescer sua sabedoria, sua beleza, o batimento de seu eterno amor.
(3) Mas ainda não é tudo, achas que o meu Querer pode fazer paragens no correr sempre para
quem possui o seu Querer? De modo nenhum, para correr se serve de tudo, se o sol a investe,
corre para dar-lhe mais luz, e como a criatura é mais que o sol, dá-lhe as propriedades que contém
a luz, aliás, aumenta-as, dá-lhe a sua doçura divina, a sua fecundidade, a variedade dos seus
perfumes celestiais, o gosto de seus sabores divinos, suas qualidades supremas como as mais
belas variedades das cores, e com a potência de seu Fiat faz de maneira, que de sua amada
criatura, mais que sol, não fica outra coisa dela mais que luz e calor para investi-la e fazer-se
investir; se sopra o vento, corre, a investe, e com seu Fiat aumenta a potência de seu amor
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Volume 34
imperante, seus gemidos divinos para fazê-la gemer com seus mesmos gemidos e suspiros que
venha seu reino sobre a terra, a beija, a acaricia, a estreita forte para fazer sentir quanto a ama e
como quer ser amado; se bebe a água, corre para investi-la com seu frescor e refrescos celestiais;
se toma o alimento, corre para alimentá-la com o alimento de sua Vontade, a fim de que a Vida
Divina cresça na criatura, se reafirme e se confirme principalmente nela. Em suma, não há nada
em que o meu Querer não corra, e oh! a festa que faz quando vê que ela recebe este doce
encontro e recebe o bem que sem cessar jamais lhe quer dar, e se a criatura, também ela corre em
cada coisa para Quem corre para ela, oh! então meu Fiat é tomado por tanto amor, que seu mar
interminável cresce, forma suas ondas altíssimas e as descarrega no pequeno marzinho,
ampliando de modo maravilhoso e prodigioso a capacidade e extensão do seu no marzinho da
alma. Minha filha, estes são nossos modos divinos, amar sempre sem cessar jamais, dar sempre
sem jamais terminar de dar, se isto não for, deveríamos pôr um limite à nossa potência, um basta
ao nosso amor, mas não podemos, porque sendo o nosso Ser infinito, por Si mesmo corre em
busca de quem ama e que quer ser amado, por isso os limites não têm valor e o suficiente não
existe para Nós. Na melhor das hipóteses, quem ingrato não nos quer reconhecer, e não nos
reconhecendo, acontece-lhe como ao cego, que embora o sol não lhe negue sua luz, e o investe
por toda parte, não o vê nem o conhece, mas não pode negar que não sente seu calor. Isto não
pode acontecer a quem vive em nosso Querer, pois Ele mesmo o tem em estado vigilante, em ato
de espera contínua para receber nossos encontros, para nos encontrar; nossas carreiras para
correr até Nós, e se o nosso amor, para fazê-la correr de mais, lhe esconde as nossas carreiras,
enquanto corremos o mesmo, oh! como sofre a pobre filha, tanto, que somos obrigados a romper
rapidamente o véu do esconderijo e dizer-lhe: ‘Estamos aqui, acalma-te, não temas, pois jamais
deixaremos a nossa filha, a filha do nosso Querer'. E para tranquilizá-la fazemos com que sinta
mais vivo nosso amor, e a abundamos de graças maiores".
++++
34-33
Abril 25, 1937
Prodígio do ato que age da Divina Vontade na criatura. Como quem a faz operar nela, é a
suspirada, a bem-vinda, a preferida de toda a corte celestial. Tudo o que se faz n’Ela, adquire
a virtude de produzir Vida Divina.
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Volume 34
(1) Estava pensando na Divina Vontade que age na criatura. Meu Deus, quantas surpresas,
quantas cenas comovedoras, quantas maravilhas e prodígios que só um Deus pode fazer, e a
pequenez humana fica admirada, encantada ao ver a Imensidão do Fiat Divino, que enquanto fica
imenso, se fecha em seu pequeno ato, e com a potência criadora forma nele o seu ato operoso,
com uma cadeia de prodígios divinos inauditos, mas tais e tantos, que os Céus ficam maravilhados
e a terra treme ante o ato que age do Querer Divino na criatura; mas enquanto minha mente se
perdia nestas surpresas, meu Sumo Bem Jesus, repetindo sua breve visita, todo bondade me
disse:
(2) "Minha pequena filha do Fiat Supremo, é tanto nosso amor, que não apenas a criatura chama
nosso Querer em seu ato, corre e desce no ato dela. Chamá-lo não é outra coisa que preparar o
lugar onde deve agir, chamá-lo significa amá-lo, e que sente a necessidade do ato que age de
minha Vontade para que a sua não só não aja, senão que fique como apoio e admiradora de um
Querer tão Santo. Depois, descendo leva Consigo sua virtude criadora, suas alegrias e bem-
aventuranças celestiais, à mesma Trindade Sacrossanta como espectadora e atriz de seu agir, e
enquanto no lugarzinho da criatura pronuncia seu Fiat, forma tais prodígios e maravilhas, que o
céu, o sol, ficam para trás, e supera todo belo da Criação, ali cria sua música divina, os sóis mais
resplandecentes, nele cria sua Vida constante, suas novas alegrias; é tal e tanto este ato, que os
anjos, os santos, gostariam de esvaziar as regiões Celestiais para gozar-se do ato que age de seu
Fiat criador. É tal e tanta a beleza, a suntuosidade, a Virtude vivificadora deste ato divino, que meu
Querer Divino o leva ao Céu como conquista e triunfo da alma na qual operou, para recriar com
novas alegrias e bem-aventuranças a toda a corte celestial; é tal a alegria, a glória que recebem,
que não fazem outra coisa senão agradecer ao meu Querer Divino que com tanto amor operou na
criatura, porque não há nem glória, nem alegria maior, que seu ato constante e conquistante nela".
(3) Ao ouvir isto, surpreendida, disse: "Meu amor, se este ato o levar ao Céu, a pobre criatura fica
sem ele e como em jejum deste ato". E Jesus acrescentou:
(4) "Não, não minha filha, o ato é sempre seu, nenhum pode ser tirado, e enquanto alegra a pátria
celestial, fica como base, fundamento e propriedade no fundo da alma, a conquista é sua, e
enquanto alegra a corte celestial, ela nada perde, é mais, sente em si a virtude criadora e contínua
de meu Fiat em ato de fazer sempre novas conquistas, e enquanto permanece na alma, ao mesmo
tempo o leva ao Céu como nova glória e alegria dos santos e como chuva benéfica a todos os
peregrinos, muito mais do que a família humana é ligada ao Céu, e ao Céu com a terra, há um
vínculo entre eles, o qual todos têm direito de participar no bem que elas fazem, são membros
unidos entre eles, e como em essência o bem corre para dar-se a todos. E além disso, enquanto
minha Vontade opera na alma, o Céu se põe em espera, porque nadando eles no Fiat sentem que
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Volume 34
está por agir, e por isso se põem atentos, reclamam, suspiram receber as novas conquistas e
alegrias da Vida da Divina Vontade que eles possuem. Ela é vida primária dos santos no Céu, por
isso nos atos que Ela faz todos concorrem, e com direito querem receber as novas alegrias e as
belas conquistas que sabe fazer minha Vontade. Portanto, quem a faz atuar em seus atos, é a
nova alegria do Céu, a acolhida, a preferida, a suspirada de toda a corte celestial, muito mais que
alegrias de conquistas não há lá em cima, e por isso as esperam da terra. Oh! se todos soubessem
todos estes segredos do meu Fiat Divino, dariam a vida para viver d’Ele e fazê-lo reinar no mundo
inteiro".
(5) Depois continuava pensando na Divina Vontade, não posso fazer menos, a sinto dentro de mim
que me dá vida, a sinto fora de mim, que como a mais terna das mães me leva entre seus braços,
me alimenta, me faz crescer e me defende de tudo e de todos, e meu doce Jesus acrescentou:
(6) "Minha filha, como é bela minha Vontade, ninguém pode vangloriar-se de amar à criatura como
Ela a ama, é tanto seu amor, que Ela quer fazer-lhe tudo, não quer confiar a nenhum, com seu Fiat
a cria, a faz crescer, a alimenta, a leva sempre entre seus braços de luz, lhe faz de mestre
ensinando-lhe as ciências mais sagradas, lhe revela os segredos mais recônditos e escondidos de
nosso Ser Supremo, lhe dá o conhecimento de nosso amor, das chamas que nos consomem para
consumi-la junto Conosco, em cada ato que faz jamais a deixa sozinha, corre para colocar a sua
Vida nela. Assim que cada ato está animado por sua Vida Divina, e possui a virtude de poder
produzir Vida Divina; e minha Vontade toma estas Vidas de dentro dos atos da criatura para dar
Vida Divina, vida de graça, vida de luz, vida de santidade às outras criaturas, e vida de glória a toda
a corte celestial, Ela é a verdadeira trabalhadora, quer dar-se a todos por meio de quem vive em
seu Querer. E quando formou a plenitude de sua obra-prima, leva-a ao Céu como triunfo, vitória de
seu poder e arte divina que sabe e pode fazer na criatura, contanto que se preste a viver com Ela e
se faça levar em seus braços. Por isso seja atenta e faça-se trabalhar por um Querer tão Santo,
que tanto ama e que quer ser amado".
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34-34
Maio 6, 1937
Jesus não sabe o que fazer com uma alma que não possui a paz. A quem vive no Querer
Divino, Deus faz-lhe dom de todas as suas obras, e também da sua própria Vida, para lhe
fazer ver quanto e como quer ser amado.
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Volume 34
(1) Meu abandono no Querer Divino continua, minha pobre mente oprimida pelos incidentes da
vida, para mim muito dolorosos, busca refúgio no centro do Fiat, no qual me sinto renascer a nova
vida, rejuvenescer, repor-me de minhas dolorosas pausas, mas assim que me afasto do seu centro,
as minhas opressões ressurgem tanto de ouvir as justas repreensões do meu amado Jesus, até
me dizer: "Minha filha, presta atenção, pois Eu não sei o que fazer com uma alma que não é
pacífica, a paz é minha celestial morada; o sino que com sons vibrantes e doces chama a meu
Querer a reinar, é a paz. A paz possui vozes tão potentes que chama todo o Céu, põe-no atento
para fazê-lo ser espectador das belas conquistas do agir do Querer Divino na criatura. A paz põe
em fuga as terríveis tempestades e faz surgir o celestial sorriso dos santos, o encanto mais belo de
uma primavera que jamais termina, por isso não me dês esta dor de não te ver em paz". Então
tratava por quanto mais podia me imergir no Querer Divino, para não me sentir mais a mim mesma,
seguindo seus atos tanto da Criação como da Redenção, e meu amado Jesus investiu minha
inteligência e com sua voz criadora, todo amor me disse:
(2) "Minha filha bendita, deixa-te a ti mesma e vem em minha Vontade, sentimos a extrema
necessidade de fazer conhecer até onde chega nosso amor por quem vive n’Ela, e é tanto, que
esperamos ansiosamente que se una, se una a nossas obras para lhe dar o direito como se
fossem suas. E como nossa força criadora está sempre em ação, assim que se funde Conosco,
como se renovássemos nossas obras lhe fazemos dom delas e lhe dizemos: ‘São obras tuas, faz
com elas o que queiras; com nossas obras em teu poder podes amar-nos quanto quiseres, podes
dar-nos glória em modo infinito, podes fazer bem a quem quiseres, tu tens direito não só sobre
nossas obras, mas sobre Aquele que criou tudo, e Nós tomamos o direito sobre ti, que já és nossa'.
Como são doces estes direitos da pequenez humana em nosso Ser Divino, são doces e amorosas
correntes que nos fazem amar com amor mais intenso e forte nossa obra criadora, e em nossa
ênfase de amor vamos repetindo: Como é bela, é nossa, toda nossa, e Nós somos todos dela, não
nos resta outra coisa que fazer que nos ame, a amaremos com amor eterno, e ela nos amará com
eterno amor".
(3) Eu fiquei surpreendida, como se quisesse fazer surgir dúvidas, e Jesus acrescentou:
(4) "Filha, não te maravilhes, é a pura verdade que te diz teu Jesus, que querendo ser amado quer
fazer conhecer até onde pode chegar a criatura e quanto a ama, como se não estivesse contente
de nossas alegrias intermináveis, queremos o contentamento que ela possua o que possuímos, e
nos ame como sabemos amar Nós; olhe, para quem vive em nosso Querer Divino, é quase
conatural, ela encontra nosso Fiat em ato de criar o céu, o sol, ela se une àquele ato para fazer o
que faz Ele, é tanta nossa bondade, que com a união formamos o enlace juntos, e em nosso
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Volume 34
Querer formamos o ato decidido de dar o céu, o sol, como adorno à criatura; com este dom ela nos
dá a glória de um céu estendido, nos ama em qualquer ponto dele, faz o bem às criaturas de fazer-
lhes possuir e gozar um céu, e como tem um sol em seu poder dá-nos a glória de que o globo
terrestre possui a luz, e cada homem que fica investido pela luz e o calor do sol, é uma glória de
mais que nos dá, é uma canção de amor que nos faz, que rapta o nosso amor a amar mais cada
planta, cada fruto e flor fecundados e aquecidos pelo seu calor, é um grito de mais de glória e amor
que nos dá, o passarinho que canta ao surgir o sol, o cordeirinho que bale, todos são acentos de
glória e de amor que nos manda; e o mérito de tantos bens que o sol faz à terra, que são
incalculáveis, de quem são? De quem vive em nosso Querer, n'Ele, o que é nosso é seu, e como
Nós não temos necessidade de méritos, tendo feito dom deles à criatura, deixamos a ela a parte
meritória, e por correspondência queremos seu grito de amor sempre e em cada coisa, e assim do
bem que fazem todas as coisas criadas, o vento, o ar, a água e tudo".
(5) Então eu ao ouvir isto, não só fiquei maravilhada, mas queria colocar muitas dificuldades, e
passando aos atos da Redenção me encontrei imersa em suas penas, e meu sempre amável
Jesus, talvez para me convencer, fazia-se ver em meu interior em ato de sofrer a dolorosa
crucificação, eu tomava parte em suas penas e morria junto com Ele, seu sangue divino corria,
suas chagas estavam abertas. E Ele, com uma pronúncia terna e comovente, de sentir o meu
coração partido, disse-me:
(6) "Estou dentro de ti, sou teu, estou à tua disposição, as minhas chagas, o meu sangue, todas as
minhas penas, são tuas, podes fazer de Mim o que quiseres, aliás, fá-la de magnânima, de valente,
de amante, de verdadeira imitadora minha, toma meu sangue para dá-la a quem quiseres, toma
minhas chagas para curar as chagas dos pecadores, toma minha Vida para dar vida de graça, de
santidade, de amor, de Vontade Divina a todas as almas, toma a minha morte para fazer
ressuscitar tantas almas mortas em pecado; te dou toda a liberdade, faz tu, aprende a fazer, minha
filha, me doei e basta, pensará tu em que tudo me redunde em glória, e em como me fazer amar,
minha Vontade te dará o voo para te fazer levar meu sangue, minhas chagas, meus beijos, minhas
ternuras paternas, a meus filhos, a teus irmãos, por isso não te admires, é propriamente este o agir
divino, ter suas obras em ato de repeti-las continuamente para dá-las, para fazer dom às criaturas,
e assim cada um pode dizer: ‘Tudo é meu, até o mesmo Deus é meu'. E oh! como gozamos ao vê-
la dotada de nossas obras, possuidora de seu Criador, são os excessos de nosso amor, que para
ser amado queremos fazer ver quanto a amamos e os dons que queremos lhe dar. A quem viva em
nosso Querer, nos sentiríamos como se defraudássemos a criatura se não fizermos dom de tudo, e
isto Nós não sabemos fazer, por isso seja atenta, faça que tua alma seja embalsamada por nossa
paz divina, que não conhecemos que coisa seja perturbação, e todas as coisas te levarão o sorriso,
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Volume 34
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34-35
Maio 10, 1937
Deus se faz alimento da criatura; a troca, o dar-se o alento, o falar-se mutuamente, formam
as obras mais belas. A Rainha do Céu continua o ofício de Mãe e faz crescer seu Filho nas
criaturas.
(1) O mar do Querer Divino continua a inundar-me, e sendo incapaz de tudo, parece que se deleita,
como a pequena menina, em pôr-me na boca, com as suas mãos mais que maternas, o alimento
do seu Fiat, e ensinar-me palavra por palavra, sílaba por sílaba as primeiras vogais da ciência da
Divina Vontade, e quando parece, de algum modo, que a entendi, oh! como faz festa, porque tem
toda a certeza de formar uma alma toda de Vontade Divina. E eu ao ver seus maternos cuidados,
como estou contente e lhe agradeço de coração. E meu amado Jesus como porta-voz de seu
Querer, todo bondade me disse:
(2) "Minha pequena filha de meu Querer, cada verdade que te manifesto sobre meu Fiat é um
crescimento que fazes n’Ele; é um bocado de mais que serve para fortificar-te, aquecer-te e
confirmar-te maioritariamente n’Ele; é um gole de mais que bebes do imenso mar da minha
Vontade; é uma propriedade divina de mais que adquire. Agora, tu deves saber que a cada ato de
mais que fazes n’Ela, colocamos diante de ti nossa mesa celestial, e se amas, alimentas-te de
nosso amor; se nos compreendes, alimentas-te de nossa sabedoria, e oh! quantas belas notícias e
conhecimentos te dá do teu Criador, assim que teu Deus se torna teu alimento requintado, por isso
em tudo o que fazes, hora te alimenta de nossa potência, hora de nossa bondade, hora de nossa
doçura, de nossa força, luz e misericórdia nossas. Assim que a pequenez humana, com viver em
nosso eterno Querer nos absorve gole a gole, mordida a mordida, porque sendo pequena não lhe é
dado, ainda por quanto a criatura é possível, tomar tudo junto o que deve tomar de nosso Ser
Divino, muito mais do que isso serve a deleitar-nos mutuamente, Nós em dar e ela em receber, Nós
a dar o nosso e ela a dar-nos a sua pequenez, Nós a trabalhar como queremos e ela que se presta
a fazer-nos trabalhar; é a troca de ambas as partes, dar-nos mutuamente o alento, falar-nos, o que
forma nossas obras mais belas, e desenvolvemos a Vida de nossa Vontade na criatura. Sem fazer
nada não se faz nada, por isso é necessário agir, falar, fazer-nos compreender, trabalhar, para
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Volume 34
fazer as belas estátuas, as repetidoras de nossa Vida. Portanto, quando encontramos quem quer
ouvir-nos, dar-se a Nós para receber, não poupamos nada do que podemos e sabemos fazer pela
criatura. Agora minha filha, quando a criatura se alimentou de nosso Fiat, até conhecer outro
alimento, e tendo formado a cadeia de seus atos, todos selados pelas características das virtudes
divinas, Deus fica aprisionado em suas virtudes divinas na criatura, e então, se ama, é Deus que
faz alarde da potência de seu amor, de sua bondade, santidade, etc., nos atos da criatura, assim
que é tal a potência que sai por meio destes atos que Deus faz em seu criatura, que investe Céu e
terra, move-se sobre todas as almas, e com seu amor potente as investe, as estreita, faz-lhes dar o
beijo do Querer Divino, de modo que a família humana sentirá sua potência, seu amor, que quer
reinar. Muito mais, que este direito os dá o Deus escondido por meio de uma criatura que pertence
a sua raça humana, direitos que não poderão desconhecer, só algum pérfido o faria, mas minha
potência o saberá aterrorizar e vencer. Por isso deixa-me cumprir o trabalho da minha Vontade em
ti, não te oponhas a nada, e tu e Eu estaremos contentes de vê-la reinar nas outras criaturas".
(3) Depois disto recebi a Santa Comunhão, e em meu íntimo fazia-se ver meu amado Jesus,
pequeno, pequeno, e a Mãe Celestial que estendia seu manto azul sobre mim e sobre o pequenino
divino, depois, não sei como o senti dentro de mim, que beijava, acariciava, tomava em seus
braços seu amado Filho, o estreitava ao coração e o fazia crescer, eu o alimentava, fazia mil
estratagemas de amor, eu era espectadora e ficava maravilhada. E a Soberana Mãe Celestial me
disse, mas com um amor que fazia ficar estupefato:
(4) "Minha filha, não há por que maravilhar-se, Eu sou inseparável do meu amado Jesus; onde está
o Filho deve estar a Mãe, e este é meu trabalho, fazê-lo crescer nas almas. Ele é pequeno, as
almas não sabem como o devem fazer crescer, nem têm o leite do amor para alimentá-lo, para
acalmá-lo, para aquecê-lo quando o fazem tremer pelo frio, Eu que sou a Mãe sei as pequenas
necessidades do meu pequeno divino, nem Ele saberia estar sem sua Mãe, somos inseparáveis os
dois, Eu repito nas almas o que fiz em sua idade infantil, e enquanto faço crescer o meu Filho,
prestando-lhe todos os cuidados para o fazer feliz, ao mesmo tempo tomo cuidado da minha filha
para a fazer crescer como o meu Filho a quer. Esta é minha missão mais que celestial, enquanto
vejo meu Filho nas almas, assim corro, desço nelas e me ocupo de seu crescimento. Muito mais
que sendo uma a Vontade de meu Filho com a minha, é como conatural que onde se encontra Ele
aí estou também Eu, e por consequência meu amor se impõe o desenvolver do ofício de Mãe
Àquele que tanto me ama, e Àqueles que tanto amamos, porque me sinto como gêmeos nascidos
em um parto, a meu Filho e à criatura, como não amá-los?".
(5) Depois, com uma pronúncia mais terna e comovedora acrescentou:
(6) "Minha filha, como é bela, grande, prodigiosa a virtude da Divina Vontade. Ela esvazia tudo o
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Volume 34
que não é nem luz, nem divino, une as distâncias mais distantes, repete em ato o que foi feito por
séculos e séculos e volta como conatural o ato humano no divino, é sua força criadora que chega a
bilocar, a multiplicar, a transformar a sua própria Vida na criatura. Por isso a ame muito e não lhe
negue nada".
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34-36
Maio 16, 1937
As verdades, parto divino, são o maior milagre que Deus pode fazer, e o grande bem que
leva às criaturas.
(1) Estou sempre de volta no mar do Querer Divino, as tantas verdades que me foram
manifestadas se amontoavam em minha pequena mente como tantos sóis resplandecentes, cada
um dos quais queriam dizer a história do Fiat Divino, mas um diferente do outro, quem queria
contar a história de sua luz eterna, quem de sua santidade, quem do modo como forma sua Vida
no centro da alma, em suma, todas tinham o que dizer de um Querer tão santo, e todas tinham um
trabalho especial, o de ser portadoras do bem que cada uma encerrava, e que unidas juntas
formavam uma só Vida; mas, para poder depor o bem que encerravam, queriam ser ouvidas,
queriam abertas as portas da alma, e queriam ser reconhecidas e quase rogadas e apreciadas,
para fazê-las depor a Vida que continham. Eu perdia-me no meio de tantos mensageiros, porque
todos queriam dizer a história eterna do Fiat, e o meu Sumo Bem Jesus, repetindo-me a sua breve
visita, com um amor indescritível me disse:
(2) "Minha pequena filha do Querer Divino, você deve saber que o maior milagre que nosso Ser
Divino pode fazer, é manifestar uma verdade que nos pertence, porque ela, primeiro vem formada,
amadurecida em nosso seio, e como parto nosso a tiramos fora como portadora de Vida Divina
para bem das criaturas. E só fazemos este parto quando nosso amor eleva tanto suas chamas, que
para não ficar afogado sentimos a necessidade de pôr fora nossos partos divinos. Veja então que
coisa pomos fora com manifestar uma verdade, não o céu, o sol, o vento, mas nossa Vida como
portadora de Vida Divina às criaturas, os outros milagres, a mesma Criação são obras nossas, não
Vida, em troca as verdades são Vida perene, e se encontram quem as recebe, se bilocam, se
multiplicam em modo incrível para cada uma das criaturas, tanto, que cada uma pode tê-la para si
como Vida que lhe pertence. Estas verdades como partos nossos semelhantes em tudo a nosso
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Volume 34
Ente Supremo, não são voz e falam, e fazem falar; não têm pés e caminham, mas tão velozes, que
ninguém pode alcançá-los, nem impedir o passo; entram nas inteligências, e formam o pensamento
para fazer-se conhecer; transmutam a vontade para fazer-se possuir; renovam a memória para não
se fazerem esquecer; caminham nas vias do coração para fazer-se amar. Portanto, não têm mãos
e agem, não têm olhos e olham, não têm coração e geram amor. As verdades não são outra coisa
que Vidas palpitantes de nosso Ser Divino em meio às criaturas, pulsado sem coração, porque
nosso coração é a criatura, e Nós como Espírito puríssimo que nos encontramos por toda parte,
somos o batimento, que enquanto não se vê, sentimos e formamos a vida e a damos a todas as
gerações humanas. Por isso não há milagre semelhante ao grande milagre de quando tiramos de
Nós uma verdade, é uma Vida nossa que expomos, a qual mais que sol se fará luz das criaturas,
que flechando-as com seu calor vital, amadurecerá sua Vida, primeiro naquela a quem vai dirigida,
e depois se difunde em quem a queira receber, e se acharem ingratos que não querem receber
bem tão grande, não estão sujeitas nem a morrer, nem a perder a vida, mas esperam com
paciência invicta, se necessário ainda por séculos, novas gerações às quais darão os bens que
possuem, e cumprirão a finalidade pela qual saíram do seio divino. Nós ao tirar nossas verdades
olhamos os séculos, e quando estamos seguros que bilocarão, multiplicarão nossas Vidas em meio
às criaturas, então as tiramos para dar o bem que possuem, e para receber a honra e a glória
divina que nossas verdades possuem. Nós jamais fazemos coisas inúteis, crês tu que as tantas
verdades que com tanto amor te temos manifestado sobre nossa Vontade, não levarão seu fruto e
não formarão sua Vida nas almas? De maneira nenhuma, se as trouxemos, é porque certamente
sabemos que trarão o seu fruto e estabelecerão o reino do nosso Querer no meio das criaturas, e
se não hoje, porque parece às criaturas que não seja alimento apto para elas, e talvez desprezem
o que lhes poderia formar a Vida Divina nelas, virá o tempo em que farão competência para ver
quem poderá conhecer estas verdades, com o conhecê-las amarão, o amor as converterá alimento
adequado para elas, e assim formarão a Vida que minhas verdades lhes levarão. Por isso não se
preocupe, é questão de tempo, Eu que sei como vão as coisas, não me detenho, continuo
manifestando minhas verdades, e você segue seu voo, e te empreste a escutar-me e a pô-las em
prática".
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Volume 34
34-37
Maio 23, 1937
A Divina Vontade é ordem e paz, e este é o sinal de que Ela reina. Quem vive no Querer
Divino vem sempre renovado na santidade, amor e frescura divina, e em seu ato corre o ato
criante e crescente dos bens divinos.
(1) O mar do Querer Divino murmura continuamente, mas com harmonia, ordem e paz, suas ondas
embora altíssimas, são sempre pacíficas, e assim que investem as criaturas, Céu e terra, primeiro
lhes dão o abraço e o beijo de paz, e depois entram em suas almas; se não recebem o beijo de
paz, parece que seguem adiante, porque onde não há paz o Querer Divino não se adapta, não é
lugar para Ele. Mas enquanto minha mente se perdia neste mar, meu sempre amável Jesus
visitando minha pequena alma, com uma doçura e paz divinas me disse:
(2) "Minha bendita filha, minha Vontade é ordem, e o sinal de se reina na alma é a ordem perfeita,
que gera a paz. Assim que a paz é filha da ordem, a ordem é filho imediato e gerado pelo meu Fiat.
Mas tu não sabes o grande bem que produz a ordem, este dá o domínio à criatura e a torna
dominadora de si mesma, dominadora de todas as coisas criadas, e como seu domínio é divino,
porque é gerado por meu Querer, domina sobre minha mesma Vontade e sobre todos. Mas não é
tudo ainda, a virtude da ordem é admirável, vincula-se com todos, dá-se a todos, e com suas ondas
pacíficas e dominadoras toma e faz sua a força da Criação, a dos santos que estão no Céu, a
mesma força divina a faz sua, seus modos ordenados e pacíficos são tão penetrantes e
insinuantes, que todos a deixam fazer, muito mais que ela a todos se deu, não reteve nada para si,
é justo que todos se deem a ela. Por isso sente em si a paz, a alegria, a felicidade da celeste
morada; todos se sentem unidos, vinculados com união inseparável, porque o que une a minha
Vontade não está sujeito a separação. Por isso a verdadeira ordem leva a união, o acordo com
todos, e ela tem um lugar em todos, e todos encontrarão um lugar nela, que amará com o mesmo
amor com o qual os ama seu próprio Criador. São os prodígios que sabe fazer meu Fiat onipotente,
onde Ele reina não sabe fazer outra coisa que obras que o assemelhem, e geram na alma os
efeitos que formam sua própria Vida, tanto que ninguem poderá dizer nada, e devo poder dizer:
‘Ninguem a toque, nem poderão tocá-la porque é minha Vontade, e se alguem se atrevesse,
saberei defender-me a Mim mesmo, meu amor se converterá para eles em fogo de justiça e os
humilharei até o pó'. Por isso seja atenta a que tudo seja ordem e paz em ti, se advertires alguma
coisa contra te ponhas em guarda e me castigue, apressa-me para que com meu domínio lance
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Volume 34
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Volume 34
34-38
Maio 28, 1937
A Rainha, portadora de Jesus, o grande dom que lhe foi entregue. Trabalho que teve do Ente
Supremo.
(1) O viver no Querer Divino continua, é tanto seu amor que me esconde em sua luz a fim de que
não veja, não ouça, não toque mais que sua Santíssima Vontade. Esta manhã, minha Mãe
Celestial me deu uma doce e querida surpresa: Tendo recebido a Santa Comunhão se fazia ver em
meu interior, que estava com o menino Jesus, o tinha tão estreito a seu materno coração, coberto
com seus braços, que para olhá-lo e recriá-lo com meu pequeno amor, devia abandonar-me em
seus braços para estar também eu unida com eles, a fim de que pudesse amar como se amavam
Jesus e a Mamãe Rainha. Oh! como eles estavam felizes que eu queria viver junto com eles.
Agora, enquanto eu estava estreitada com eles, a Soberana Rainha, toda bondade e ternura me
disse:
(2) "Minha querida filha, tu deves saber que Eu sou a portadora de Jesus, isto foi um dom que o
Ente Supremo me confiou, e quando foi uma realidade que Eu tive a graça, o amor, a potência e a
mesma Vontade Divina para tê-lo guardado, defendido, amado, então me fez a entrega do dom,
isto é, o Verbo Eterno, que se encarnou em meu seio dizendo-me: ‘Filha nossa, te fazemos o
grande dom da Vida do Filho Deus, a fim de que você seja a dona d’Ela e o dê a quem quiser, mas
deves saber como tê-lo defendido, jamais o deixe sozinho naqueles a quem o dá, para suprir se
não o amam, para repará-lo se o ofendem, farás de de modo que nada falte à decência, à
santidade, à pureza que lhe convém, seja atenta, é o dom maior que te damos, e te damos o poder
de bilocar quantas vezes quiseres, a fim de que quem o quiser possa receber este grande dom e
possuí-lo'. Agora, este Filho é meu, é dom meu, e como meu conheço seus segredos amorosos,
seus anseios, seus suspiros, mas tanto, que chega a chorar e com soluços repetidos me diz: Minha
mãe, dê-me as almas, quero as almas'. Eu quero o que Ele quer, posso dizer que eu suspiro e
choro junto, porque quero que todos possuam o meu Filho, mas devo garantir a sua Vida, o grande
dom que Deus me confiou; eis por que se desce nos corações Sacramentado Eu desço junto por
garantia de meu dom, não posso deixá-lo sozinho; pobre Filho meu se não tivesse a sua Mãe que
desce junto, como o tratam mal, quem não lhe diz um te amo de coração, e Eu devo amá-lo; quem
o recebe distraído, sem pensar no grande dom que recebem, E eu me derramo sobre Ele para não
deixá-lo sentir suas distrações e frieza; quem chega a fazê-lo chorar, e Eu devo tirar o pranto e
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Volume 34
fazer as doces repreensões à criatura, que não o façam chorar. Quantas cenas comovedoras
acontecem nos corações que o recebem Sacramentado; há almas que jamais se contentam em
amá-lo, e Eu lhes dou meu amor, e também o seu para fazê-lo amar, estas são cenas de Céu, e os
mesmos anjos ficam arrebatados, e nos reanimamos das penas que nos deram as outras criaturas.
Mas quem pode te dizer tudo? Sou a portadora de Jesus, nem Ele quer estar sem Mim, tanto que
quando o sacerdote está prestes a pronunciar as palavras da Consagração sobre a Hóstia Santa,
faço asas com minhas mãos maternas, a fim de que desça por meio de minhas mãos para se
consagrar, para que se mãos indignas lhe tocam, Eu faço sentir as minhas que o defendem e o
cobrem com meu amor. Mas isso não basta, estou sempre em guarda para ver se eles querem o
meu Filho, tanto, que, se algum pecador se arrepende de seus graves pecados e a luz da graça
desponta em seu coração, Eu, rapidamente o levo a Jesus como confirmação do perdão, e Eu
penso em tudo o que é preciso para fazer que isso fique naquele coração convertido. Sou a
portadora de Jesus, e o sou porque possuo em Mim o reino de sua Vontade Divina; Ela me revela
quem o quer, e Eu corro, voo para levá-lo, mas sem jamais deixá-lo, e não só sou portadora, senão
espectadora, escuta do que faz e diz às almas. Você acredita que Eu não estava presente para
ouvir as tantas lições que meu amado Filho te dava sobre sua Divina Vontade? Eu estava
presente, escutava palavra por palavra o que te dizia, e em cada palavra Eu agradecia a meu Filho
e me sentia duplamente glorificada porque falava do reino que Eu já possuía, que tinha sido toda
minha fortuna e a causa do grande dom de meu Filho, e ao ouvi-lo falar Eu via enxertada a fortuna
de meus filhos com a minha; oh! como exultava, todas as lições que te deu, e ainda mais, estão já
escritas em meu coração, e ao ver que as repetia a você, Eu gozava em cada lição um paraíso a
mais, e quantas vezes você não estava atenta e esquecida, Eu pedia perdão por você e lhe rogava
que repetisse suas lições, e Ele para me contentar, porque não sabe negar nada a sua Mãe,
repetia suas belas lições. Minha filha, Eu estou sempre com Jesus, mas às vezes me escondo
n’Ele, e parece que Ele faz tudo, como se fizesse sem Mim, mas Eu estou dentro, concorro junto
com Ele e estou em dia do que faz; outras vezes se esconde Ele em sua Mãe e me faz fazer a
Mim, mas sempre é concorrente comigo; outras vezes nos tornamos presentes os dois, e as almas
veem a Mãe e o Filho, que os amam tanto segundo as circunstâncias e o bem que elas requerem,
e muitas vezes é o amor que não podemos conter que nos faz dar em excessos para com elas;
mas tenha por certo que se está meu Filho, Eu estou, e se estou Eu, meu Filho está, é um trabalho
que me foi dado pelo Ente Supremo, do qual Eu não posso nem quero retirar-me, muito mais que
estas são as alegrias de minha maternidade, os frutos de minhas dores, a glória do reino que
possuo, a Vontade e o cumprimento da Trindade Sacrossanta".
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Volume 34
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34-39
Junho 6, 1937
Interesse que Deus tem de que a criatura viva em sua Vontade. Dote que dará. Vigia de
Jesus para suprir o que falta, e se necessário fará milagres. Exemplo de um rei.
(1) Sinto-me nos braços do Querer Divino, e pensava entre mim: "Parece-me difícil que se possa
viver perfeitamente n’Ele, a vida está cheia de obstáculos, de penas e de circunstâncias tais, que
fica como absorvida por elas e perde seu rápido curso, que como respiro e batimento deveria
correr naquele Fiat Divino, e o seu que, como respiração e batimento, deveria correr sempre, sem
jamais parar, no nosso, para nos dar vida". E meu doce Jesus compadecendo minha ignorância,
todo bondade me disse:
(2) "Minha filha bendita, você deve saber que a primeira coisa mais interessante, é que nosso Ente
Supremo quer que a criatura faça vida em nossa Vontade, sendo este o único fim pelo qual lhe
demos a vida. Agora, quando Nós queremos, damos todos os meios, as ajudas, as coisas
necessárias que se necessitam para que possa dar-nos o que queremos dela, e se for necessário
um milagre contínuo por nossa parte, fazemo-lo, com a finalidade de obter a nossa tentativa. Você
não sabe o que significa um ato querido por Nós e cumprido na criatura, é tanto seu valor, a glória
que nos dá, que chega a fazer-se nossa coroa, abraça o Eterno, e é tanto o contentamento que
nos dá, que colocamos nosso Ser Divino à disposição da criatura, para fazer com que o nosso ato
amado e cumprido tenha a sua vida nela. Agora, o primeiro dote que damos a quem quer viver em
nossa Vontade Divina, o primeiro apoio, a defesa segura, são as verdades, estas abrem o
ingresso, lhe mostram o caminho e zelosas se põem como fiéis sentinelas em torno de quem quer
viver em meu Fiat, a luz de nossas verdades que pertencem a Ele não se afasta jamais da
afortunada criatura, a investe, a acaricia, a modela, a beija, e se dá a gole sua inteligência para
fazer-se entender, e isto por cortejo da Vida de meu Querer que reina nela. As verdades quando se
desprendem de nosso seio, têm seu trabalho do bem que devem fazer, as almas que devem
encerrar na luz que possuem, e por isso são todo olho sobre elas, as fixam tanto, que não lhes
podem fugir, nem se cansam, ainda que passem séculos estão sempre em seu posto. Veja então
que grande dote darei a quem deve viver em nosso eterno Querer, todos os conhecimentos que
manifestei sobre Ela, os valores imensos, suas prerrogativas, seu amor, e o amor que me levou a
manifestá-las, será o grande dote, e dote divino que darei a quem quiser viver em meu Fiat, na qual
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Volume 34
encontrarão todas as ajudas superabundantes para se tornarem ricos e felizes. Encontrarão nestas
verdades a mãe terna, que tomando-as em seu colo como pequenas meninas, lhes põe as faixas
de luz, lhes põe na boca o alimento, as faz dormir sobre seu seio; para tê-las seguras caminha em
seus passos, age em suas mãos, fala em sua voz, ama e pulsa em seus corações, e para tê-las
atentas e divertidas lhes faz de mestre, dizendo-lhes as cenas encantadoras da pátria celestial.
Nestas verdades encontrarão quem chora e sofre junto com elas, quem sabe colocar em comércio
ainda seu respiro; as menores coisas, os mesmos nadas as mudará em conquistas divinas, e
eternos valores".
(3) E eu: "Jesus meu, Tu tens razão, mas a debilidade humana é tanta, que eu temo que faça suas
escapadas de dentro de tua Vontade". E Jesus retomando a palavra acrescentou:
(4) "Minha filha, o teu temor me desagrada, tu deves saber que é tanto o meu interesse, o amor
que me queima por querer que a alma viva na minha Vontade, que tomo o compromisso de tudo, a
supro em tudo, mas faço isto quando houve uma decisão firme e constante de querer viver n’Ela, e
por sua parte não falta, faz quanto mais pode. Minha filha, escuta um segredo meu, e até onde me
faz chegar meu amor, escuta o que faço quando por estreita necessidade da vida humana, esta
vida que é também minha, por penas que Eu mesmo disponho fica atordoada e extraviada, e
portanto não sabe seguir os atos da Vida que reina nela, Eu, que quero que esta Vida não fique
despedaçada, porque sendo Ela Vida, não virtude, em que se podem fazer atos a intervalos e a
circunstâncias, senão que para a Vida há toda a necessidade do ato contínuo, Eu que estou de
guarda e ciumento mantenho a vigilância, quando vejo que ela interrompe seu curso, Eu faço o que
ela deveria fazer, então meu agir em meu Fiat a sacode e retorna em si mesma, e segue seu curso
em meu Querer, e Eu sem sequer lhe dizer nada de seu parar, amarrado de onde deixou e onde
seguiu meu ato, de modo que a Vida de meu Fiat não fica despedaçada nela, porque Eu supri a
tudo, muito mais que em sua vontade, ela queria, mas a debilidade a interrompeu. Portanto, é tanto
o meu amor por querer viver na minha Vontade, que a qualquer custo, mesmo que sejam
necessários milagres contínuos, Eu os farei. Mas notou minha ternura e meu forte amor? Porque
tendo faltado a seu curso Eu não o reprovo, não lhe digo nada, e se vejo que adverte que tem
faltado lhe encorajo, compadeço-a para não despertar desconfiança, e todo bondade lhe digo: ‘Não
temas, eu te supliquei, e tu estarás mais atenta, não é verdade?’ E ela ao ver minha bondade me
ama de mais. Eu sei que devo dar do meu para fazer que a criatura viva em minha Vontade, e por
isso farei como um rei que ama muito que seu reino seja povoado; aquele faz ouvir a todo mundo
que quer saber se há alguém que queira vir a seu reino para lhe enviar o dinheiro para a viagem,
que o fará encontrar uma habitação à sua disposição, vestes e alimentos abundantes; o rei se
compromete a dar-lhe tais riquezas, de torná-lo rico e feliz; será tanta a bondade deste rei, que fará
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Volume 34
vida junto com o povo, que o ama tanto porque com suas riquezas resgatou-os das misérias e
infelicidade da vida. Tal sou Eu, farei saber ao mundo inteiro que quero o povo do meu Querer
Divino, e contanto que me deem seu nome e me façam conhecer que querem vir ao meu reino, Eu
lhes darei todos os bens; nele a infelicidade não terá lugar, cada um possuirá seu reino, será rei de
si mesmo, e viverão juntamente com o seu Criador. Eu desabafarei tanto no dar, que todos serão
arrebatados.
(5) Minha filha, oh! como suspiro este viver da criatura em minha Vontade, você roga e suspira
junto Comigo, e te seja doce pôr a vida por um reino tão santo".
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34-40
Junho 18, 1937
O que se obtém e o que significa submeter-se à Divina Vontade. Troca de abandonos entre a
Vontade Divina e a alma; mérito que se adquire. Desabafar de amor. Como em cada coisa
criada está o depósito de amor para nós.
(1) Estava seguindo o Querer Divino em seus atos, e oh! quantas surpresas, quantas coisas
consoladoras, se sente tal amor que se fica um como afogado nas chamas divinas, e meu doce
Jesus querendo me fazer conhecer mais o que significa uma submissão, um ato de mais no Querer
Divino, todo bondade me disse:
(2) "Minha filha, se soubesses como o meu amor sente uma extrema necessidade de desabafar, e
de fazer conhecer que coisa derrama na criatura quando se submete à minha Vontade e vem como
nossa filha a viver n’Ela. Assim que se submete e a vemos em nossos recintos divinos, que são
intermináveis, nos sentimos raptar e vertemos nela um mar novo do amor, mas assim grande, que
se sente afogada, e não podendo conter tudo, faz dom a todos, a todas as coisas criadas, aos
santos, aos anjos, ao seu próprio Criador, e também aos corações dispostos da pobre terra, do mar
de amor que recebeu; sentimos que devemos dar a todos para nos fazer amar por todos. Que
comércio, quantas indústrias amorosas, sentimos repetir nossas surpresas de amor, trocar nossos
modos divinos. Assim que a criatura se submete à nossa Vontade para a fazer reinar, forma-nos o
lugar na sua Vontade para nos fazer agir como Deus no seu pequeno campo, e são tais e tantos os
prodígios que fazemos, as nossas indústrias de amor, que os Céus se abalem, tremem e olham
estupefatos o que fazemos na criatura onde reina o nosso Fiat Divino. Tu deves saber que nossa
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Volume 34
Criação não terminou no homem, porque foi interrompida pela subtração que fez de nosso Querer,
não reinando nele não podíamos confiar nele, e por isso ficou como suspensa a continuação de
nossa obra criadora; por isso esperamos ansiosamente que volte aos braços de nosso Fiat, para
que o faça reinar, e então retomaremos a Criação, e oh! quantas coisas belas faremos, daremos
dons surpreendentes, nossa sabedoria porá fora toda sua arte divina, e oh! quantas belas imagens
que nos semeiam porá fora de sua luz divina, todas belas, mas distintas uma da outra na
santidade, na potência, na beleza, no amor, nos dons, nosso amor não estará mais obstruído,
encontrando nosso Querer poderá fazer e dar o que quiser, assim que desafogará tanto no dar
para reabilitar-se de seu amor reprimido. E como estaremos livres no dar, chamaremos-lhes os
tempos nossos, faremos conhecer quem somos, quanto os amamos e como nos devem amar,
daremos nosso amor a sua disposição, a fim de que nos possamos amar com um só amor. Assim
quem chegar a viver em nosso Querer será nosso triunfo, nossa vitória, nosso exército divino, a
continuação de nossa Criação e seu cumprimento. Você acha que não é nada para Nós querer dar
e não poder dar? Poder criar inumeráveis prodígios de graças, de santidade, e porque não reina
nossa Vontade nas almas estamos como rejeitados e impedidos de poder criar nossas obras mais
belas? Esta é a nossa maior dor, por isso com o não fazer jamais a tua vontade poderás aliviar-nos
esta dor, e com o fazer sempre a nossa terás a nossa força, o nosso amor em teu poder, assim
poderás raptar o nosso Fiat para fazê-lo reinar em meio às gerações humanas".
(3) Depois continuava pensando na Divina Vontade, e dizia entre mim: "Não basta dar-se uma vez
em poder do Fiat Divino? Qual pode ser o bem de dar-se sempre?" E meu sempre amável Jesus
adicionou:
(4) "Minha filha bendita, você não conhece os segredos de nosso amor e nossas manobras
infinitas, que chegam até o excesso; é preciso amar na verdade para saber encontrar tantas
invenções de amor para poder dar-se e receber de quem se ama. Você deve saber que cada vez
que a criatura se dá a Nós, em poder de nosso Querer, Nós nos damos a ela, como nos
abandonando no seio da criatura, e se você soubesse o que significa este nosso abandonar-nos, a
graça, o bem que lhe deixamos, a renovação da nossa Vida que lhe repetimos, o teu coração
explodiria de alegria, de felicidade e de amor. Mas isto é nada, cada vez que se dá a Nós, Nós lhe
damos o mérito por nos ter dado sua vida, e se se dá dez, vinte, cem, mil vezes, e ainda mais,
tantas vezes lhe damos o mérito como se nos tivesse dado tantas vidas por quantas vezes se deu,
e Nós tantas vezes lhe damos a nossa Vida, renovamo-la na nossa, repetimos-lhe o bem, mas bem
o aumentamos por quantas vezes se deu a Nós. É tanta nossa complacência, o gosto que
sentimos quando a criatura se dá a Nós, que prodigalizamos tanto para com ela, que tantas vezes
lhe damos o mérito de possuir tantas Vidas Divinas, e bilocando a sua damos-lhe o mérito de
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Volume 34
tantas vidas por quantas vezes se deu. Este é o nosso comércio divino: ‘Queremos dar-nos,
damos-nos para receber a vida da criatura em nosso Ser Supremo'. Esta troca de vidas mantém a
conversa, fazemos conhecer quem somos, fazemos-lhes sentir os batimentos ardentes, o amor que
nos consome, como a amamos e como queremos ser amados. E além disso, se não sentisse a
necessidade de dar-se continuamente a Nós, é sinal que não nos ama, e seu coração não está em
posse de nosso amor irresistível. Este é o sinal do verdadeiro amor: ‘Querer dar-se sempre, quase
a cada instante a quem ama'. Mas enquanto se dá, a força do amor se impõe, porque quer receber,
e se não recebe se sentiria afogado e explodiria em gritos de dor, tanto, de ensurdecer a Céus e
terra. Por isso, para não chegar a tais angústias de dor, meu amor espera que a criatura se doe a
Mim, e Eu rapidamente me dou a ela, com toda a infinitude de nossa Vontade".
(5) Depois seguia meu giro na Criação, e oh! quantas belas surpresas, cada coisa criada dizia-me
quanto Deus me ama, cada uma delas possuía o espaço que continha um depósito de amor, que
devia dizer-me sempre: "Te ama, te ama teu Criador". Eu fiquei surpreendida, e o meu doce Jesus
regressando disse-me:
(6) "Minha filha, você sabe que a Criação foi um desabafo de nosso amor, e enquanto tiramos a
Criação à luz do dia tínhamos a todos presentes, nenhuma criatura nos fugiu e colocávamos para
cada uma delas, em cada coisa criada, um depósito de amor que devia amá-la e dizer-lhe sempre:
‘Ama-te, ama-te o teu Criador'. Então, se as coisas criadas correm para lhes dar o bem que
possuem, é o nosso amor que as faz correr. Se o céu se estende sobre a cabeça de todos, é o
nosso depósito de amor que lhes dá o direito. Se o sol dá a sua luz a todos, é a herança do amor
que cada um tem no Sol do seu Criador. Se a terra está firme sob seus passos, é nosso depósito
de amor que faz tomar como no seio da mãe terra a criatura, e assegurando-lhe o passo lhe diz
debaixo de suas plantas: ‘Te ama, te ama Aquele que te criou'. Se a água te tira a sede, é nosso
grito de amor que corre na água e te tira a sede, te lava, dá o humor às plantas, e tantos outros
bens que faz. Se o fogo não te queima, é o nosso depósito de amor, que são as propriedades das
criaturas que gritam: ‘Aqueça a minha filha, não lhe faça nenhum mal'. E assim de todas as outras
coisas. Agora quero dizer-te uma coisa consoladora, se a criatura entra nas coisas criadas,
reconhece este nosso depósito de amor em cada uma delas e faz ressoar o seu amor no nosso,
prepara a mesa ao seu Criador. Olha, só no sol quanta diversidade de alimentos de amor podes
preparar-nos, naquela luz está a doçura do nosso amor, e tu, amando-nos, ao toque do nosso
adoça o teu e nos dá o alimento do amor que nos adoça; naquela luz estão os gostos do nosso
amor, e você nos amando nos dá as alegrias dos tantos gostos de nosso amor; naquela luz está
nosso amor fecundo, o amor que fere, queima e consome, e você nos amando adquirirá a
fecundidade divina em seu amor, a virtude de nos ferir, de te queimar e te consumir por Nós; está
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Volume 34
também a variedade das cores que tudo embelezam, e tu, amando-nos, adquirirás a virtude do
belo amor, no qual ficarás como revestida de uma beleza encantadora, e oh! como nos sentiremos
raptados. Filha, se te quisesse dizer a multiplicidade e diversidade de amor que pusemos em cada
coisa criada para cada uma das criaturas, e como ela tem o dever de conhecer este nosso múltiplo
amor para encontrar o modelo de nos amar com tantos amores distintos, como a amamos, não
terminaria nunca. Mas, ai de mim! Nosso amor fica isolado, sem a companhia do amor da criatura,
e isto é uma dor para Nós, que nosso amor não é reconhecido em cada coisa criada, enquanto
todas têm o mandato de Nós de amá-la com amor distinto: No vento correm os sopros de nossos
beijos, as rajadas de nossas carícias amorosas, os gemidos de nosso amor sufocado; na
impetuosidade do vento nosso amor imperante que quer fazer-se conhecer para imperar sobre
todos, e às vezes chega como a falar quase com gritos ensurdecedores, para fazer com que
nenhuma outra coisa possa ouvir, senão só nosso amor que a ama. Oh! se a criatura
reconhecesse nosso amor que corre no vento, nos restituiria nossos beijos e nossas carícias com
as suas; se reconhecesse que a beijamos e a acariciamos porque queremos ser beijados e
acariciados por ela, gemeria junto com nosso amor para não nos fazer sufocar, nos amaria com
seu e nosso amor imperante, e gritando junto com nosso amor ensurdeceria a todos ao dizer-lhes:
‘Amemos, amemos Aquele que tanto nos ama'. Também no ar que todos respiramos, quanto amor
não corre? Mas não, não a intervalos como nas outras coisas criadas, mas a cada instante, em
cada respiro, se dorme, se trabalha, se caminha, se come, corre sempre o nosso amor, mas com
um amor distinto e novo de todas as outras coisas criadas, no ar corre o nosso amor que dá vida,
com uma rapidez encantadora que nenhum lhe pode resistir, corre no coração, no sangue, nos
ossos, nos nervos, em tudo, e se constitui ato vital do ser humano e silenciosamente lhe diz: ‘Te
trago o amor contínuo do teu Criador, e porque é contínuo posso te dar vida'. Oh! se nos
reconhecessem no ar que respiram, o ato de vida que pusemos nele, o ímpeto de nosso amor que
corre, corre sempre sem deter-se jamais, nos daria por correspondência sua vida para nos amar,
para nos dizer nossa história de amor e repetir nosso refrão: ‘Amo-te, amo-te sempre, em tudo e
em cada coisa, como Tu me amaste'. Da coisa criada maior até a menor, está um amor nosso novo
e distinto para as criaturas, e como não o conhecem não nos correspondem, aliás, com suma
ingratidão correspondem nosso amor com ofensas. E por isso esperamos que nossa Vontade seja
conhecida e domine em meio as gerações humanas, a qual será a reveladora de nosso amor, e
então nos refaremos e nos amaremos com um só amor. Como estaremos contentes, e vendo-nos
amados acrescentaremos outros novos e distintos amores, assim não estará mais reprimido nosso
amor, senão que terá seu desabafo de amor e de ser amado. Por isso roga que venha o nosso
reino, e tu reconhece o nosso amor, e se queres amor ama-nos, se não encontramos o nosso amor
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Volume 34
na criatura não sabemos o que lhe dar, nem o que fazer com ela, porque falta o apoio onde pôr
nossas graças, e o primeiro elemento que forma nossa Vida nela".
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34-41
Junho 28, 1937
O que Deus faz à criatura quando se decide a viver em sua Vontade. Assim que se decide a
viver no Querer Divino, seu nome é escrito no Céu e fica confirmada no bem, no amor e
santidade divina, e vem acrescentada à milícia celestial. Exemplo.
(1) Meu voo no Querer Divino continua, sinto-me levada em seus braços, mas com tal amor e
ternura, de sentir-me confusa ao me ver tão amada, e circundada por toda parte por sua materna
bondade. E meu doce Jesus repetindo-me sua breve visita, com um amor tal que sentia que me
estourava o coração, todo bondade me disse:
(2) "Minha filha de meu Querer, se você soubesse qual é o nosso contentamento ao ver entrar na
alma nossa Vontade, pode-se dizer que ela corre para Nós, e Nós para ela, e assim que nos
encontramos, nossa Vontade a investe de luz, nosso amor a beija, nossa potência a toma em
braços, nossa sabedoria a dirige, nossa santidade a investe e se põe como selo, nossa beleza a
embeleza, em suma, todo nosso Ser Divino se põe em atitude em torno dela para dar-lhe do nosso,
mas sabe por que? Porque entrando em nosso Querer, não para viver do seu mas do nosso, Nós
recebemos o que saiu de Nós, nos sentimos restituir a finalidade pela qual a criamos e por isso
fazemos festa. Não há ato mais belo, cena mais encantadora, que entrar a criatura em nossa
Vontade, e cada vez que entra, tantas vezes a renovamos em nosso Ser Divino, dando-lhe novos
carismas de amor, por isso quem vive em nosso Querer nos tem em festa, ela sente a necessidade
de viver nele para ser acariciada por seu Criador, e Nós sentimos a necessidade de ser acariciados
por ela, e dar-lhe novos carismas de graças e santidade".
(3) Jesus fez silêncio, e eu me sentia abismada no Eterno Querer e maravilhada ao ouvir quanto
somos amados por Deus se vivemos em seu Querer; milhares de pensamentos se acumulavam em
minha mente, e meu amado Jesus, retomando sua fala me disse:
(4) "Minha filha, não te admires pelo que te disse, é mais, te direi coisas mais surpreendentes
ainda, mas quanto queria que todos as escutassem para fazer que todos decidissem viver em meu
Querer. Escuta como é consolador e belo o que meu amor me empurra a te dizer, é tanto meu
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Volume 34
amor, que sinto a necessidade de te dizer até onde chegamos para quem vive em nosso Querer.
Você deve saber que assim que a alma se decide repetidamente e firmemente de não viver mais
de sua vontade, mas da nossa, seu nome é escrito no Céu com caracteres de luz indeléveis, e vem
alistada na milícia celestial como herdeira e filha do reino da Divina Vontade. Mas isto não basta ao
nosso amor, a confirmamos no bem, de modo que sentirá tal horror por cada pequena culpa, que
não será capaz de voltar a cair nelas, e não só isso, senão que ficará confirmada nos bens, no
amor, na santidade, etc., de seu Criador; será investida pela prerrogativa de compromissador, não
mais será considerada como exilada, e se estará sobre a terra, será como oficial da milícia
celestial, não como exilada, terá todos os bens a sua disposição, poderá dizer: ‘Sendo toda minha
sua Vontade, o que é de Deus é meu'. Pelo contrário, ela se sentirá possuidora do seu Criador, e,
como não opera mais com a sua vontade, mas com a minha, romperam-se todas as barreiras que
impediam o seu Criador de sentir, as distâncias desapareceram, as angústias entre ela e Deus já
não existem, se sentirá de tal maneira amada por Aquele que a criou, de sentir estourar o coração
de amor para amar Aquele que a ama; e sentir-se amada por Deus é a alegria, a honra, a glória
maior para a criatura. Minha filha, não te maravilhes, são nossas vistas, a finalidade para a qual foi
criada a criatura, de encontrar nela nossa Vida, nossa Vontade reinante, nosso amor, para ser
amados e para amá-la, se isto não fosse, toda a Criação seria uma obra indigna de Nós".
(5) Eu sentia o coração a rebentar-me de alegria ao ouvir isto que o meu amado Jesus me disse, e
dizia entre mim: "Será possível todo este grande bem?" E o doce Jesus acrescentou:
(6) "Filha, não sou Eu dono de fazer e de dar o que quero? Basta com que o queira e tudo está
feito, e além disso, também no submundo acontecem coisas que em algum modo assemelham isto:
Se um homem dá seu nome inscrevendo-se no exército do governo, este para estar seguro dele o
faz jurar fidelidade ao governo, este juramento o prende ao exército, se veste com os uniformes da
milícia, de modo que vem reconhecido por todos que pertence ao exército, e quando mostrou
habilidade e fidelidade recebe o pagamento de vida, com este pagamento que nenhum lhe pode
tirar, não lhe pode faltar nada, pode ter servos que o sirvam, pode viver com todas as comodidades
da vida, mesmo quando com o tempo se retira. E que coisa deu ao governo? Só a parte externa de
sua vida, que lhe deu o direito de receber o pagamento durante a vida. Ao contrário, quem com
decisão firme me deu sua vontade, me deu a parte mais nobre, mais preciosa, qual é sua vontade,
nela me deu todo o interior e o exterior, também o respiro, e com isso mereceu ser inscrita no
exército divino, de modo que todos a conhecerão que pertence a nossa milícia. Como poderei fazê-
la faltar algo, como não amá-la? Se isto pudesse ser, para o teu Jesus teria sido a dor maior, me
teria tirado a paz que em natureza possuo, não amar aquela que tudo me deu e que com amor
indescritível a possuo, tenho-a no meu coração e faço-a fazer a minha própria Vida"
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Volume 34
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Julho 4, 1937
Deus quer formar tantas Vidas Divinas suas em cada uma das criaturas. Quem vive no
Querer Divino faz-se portadora de todos e de tudo ao seu Criador.
(1) Encontrava-me toda investida pelo Querer Divino, onde e por toda parte o encontrava em ato de
querer dar-me a sua Vida, e oh! como me sentia feliz ao sentir seu império que a qualquer custo,
com seus estratagemas amorosos queria encerrar em mim sua Vida perene. Eu fiquei
surpreendida, e meu sempre amável Jesus, visitando minha pobre e pequena alma, com sua
acostumada bondade e doçura me disse:
(2) "Minha filha bendita, se você soubesse como gozo e como se desabafa meu amor ao te
manifestar nossos arcanos celestiais, em que estado de amor se encontra nosso Ente Supremo,
nossa Vontade adorável, para dar-me gosto me apressaria a me fazer dizer em que modo
encontramo-nos no meio das criaturas, e do grande bem que lhes podemos fazer. Agora, tu sabes,
que nossa imensidão envolve tudo, nossa potência e força é tanta, que levamos como em braços a
tudo e a todos como se fossem uma pequena pena; tudo isto é natureza em nosso Ser três vezes
Santo, tanto, que se nos quiséssemos diminuir não o podemos, nossa imensidão e potência corre
em cada fibra do coração, em todos os respiros, na rapidez do sangue que corre nas veias, na
velocidade do pensamento, somos atores e espectadores e estamos em dia de tudo. Mas isto é
nada, não são outra coisa que as qualidades de nosso Ente Supremo, o que é mais de maravilhar
é que queremos formar tantas Vidas nossas em cada criatura; isto é agir como Deus, ter virtude de
poder formar tantas Vidas Divinas por quantas criaturas pôs fora à luz do dia; do resto, a criatura é
nossa, criada por Nós, vivemos juntos, e porque a amamos o nosso amor leva-nos com uma força
irresistível e potência toda nossa a formar-nos como vida nela, e a nossa arte criadora, que não se
contenta em criar as criaturas, no ímpeto do seu amor quer criar-se a Si mesmo na pessoa criada.
Veja então em que condições nos encontramos no meio da família humana, em ato de formar
sempre nossas vidas nelas, mas nossa arte criadora fica rejeitada, sufocada, sem poder continuar
nossa Criação Divina; enquanto vivemos junto com elas, vivem as custas de Nós, vivem porque
vivem de Nós, porém temos a grande dor de não poder formar nossa Vida nelas, enquanto isto
seria nosso máximo contentamento, a maior glória que nos dariam se nos dessem a liberdade de
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Volume 34
nos fazer vida de cada criatura. Mas sabes onde somos livres para formar esta nossa Vida? Em
quem vive em nossa Vontade, nosso Fiat Divino nos prepara as matérias primas para formar nossa
Vida, coloca em atitude a sua potência, a sua santidade, a seu amor, e nos chama no fundo da
alma, e Nós encontrando as matérias adaptáveis e possíveis, formamos com amor indizível a
nossa Vida Divina, não só a formamos como a fazemos crescer, e com muito gosto e deleite
desenvolvemos nossa arte criadora em torno desta celestial criatura, e começamos a cadeia dos
prodígios. Agora, possuindo o seu Criador, a nossa Vontade que age nela, torna-se portadora de
todos e de tudo: Se pensa nos traz os pensamentos de todos, e se faz supridora e reparadora de
todas as inteligências humanas; se fala, se age, se caminha, leva as palavras, as obras, os passos
de todos, a própria Criação faz-lhe decoroso cortejo, e faz-se portadora do céu, das estrelas, do
sol, do vento, de tudo, não deixa nada para trás, traz-nos a homenagem, a glória de todas as
nossas coisas criadas, até à homenagem do doce canto do passarinho; possuindo a Vida d’Aquele
que a criou, todas lhe fazem coroa, mas bem todas querem ser levadas por aquela que possui o
ato falante, a fim de que por cada uma lhe diga a história falante de amor, pela qual foram criadas
por seu Criador. Assim quem possui nosso Querer, adquire nosso zelo de amor, que tudo
queremos para Nós, e isto com suma justiça, porque não há coisa que Nós não temos dado,
portanto com justiça tudo queremos. Assim, ela, levada pela nossa mesma loucura de amor, quer
tudo para nos dar tudo, e ciumenta quer trazer-nos tudo para nos dizer por todos e por cada coisa
criada a sua palavra de amor. Por isso quem vive em nosso Querer não está jamais sozinha,
primeiro está com seu Criador, com o qual está sempre em competição de amor para ver como se
podem amar mais, e estando todas as coisas ao seu redor, faz-se portadora de todo Aquele que
ama, que sendo amor infinito, quer ver na criatura todas as coisas convertidas em amor por amor
seu".
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34-43
Julho 12, 1937
Como as reflexões humanas tiram o lugar das divinas, e são pedras que turvam a fonte da
alma. Como a Divina Vontade converte em natureza seu amor, e o que faz no ponto da morte
o antecipa a quem vive n’Ela.
(1) Estou entre os braços do Querer Divino, que mais que vigilante sentinela, não só quer fazer-se
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Volume 34
vida de cada um de meus atos, senão que penetrando em cada canto de meu coração e de minha
mente, me repreende se tudo o que entra em mim não é parto do Fiat. E meu sempre amável
Jesus, visitando minha pequena alma, e pondo-se em atitude de mestre que em tudo quer ensinar
a sua filha, me disse:
(2) "Filha bendita da minha Vontade, tu deves saber que as reflexões próprias, as impressões, as
opressões, as melancolias, as dúvidas, os pequenos temores, impedem as reflexões divinas, as
impressões santas, o rápido voo para o Céu, as alegrias do verdadeiro bem, a paz celestial; elas
são como tantas pedras lançadas dentro de um lago enquanto a pessoa está se olhando refletida
naquelas águas limpas como dentro de um espelho, e vê toda sua pessoa, bela e ordenada como
é; agora, o que acontece? Enquanto se está olhando naquelas águas limpas, vem lançada naquele
lago uma pequena pedra, a água se encrespa, se turva e forma tantas ondas e ondas que se turva
toda a água, e da pobre pessoa que se estava olhando, o que aconteceu? Conforme se formavam
as ondas na água, assim se levavam, quem um pé, quem um braço, quem uma mão, quem a
cabeça, de modo que se via toda destroçada pelas ondulações daquelas águas; quem foi a que fez
perder a limpeza daquelas águas de modo que não se vê mais inteira a sua imagem, mas em
modo de dar piedade? Quem foi? Uma pequena pedra. Tal é a alma criada por Deus, mais que
fonte limpa, na qual Deus devia olhar-se nela, e ela em Deus; agora; as reflexões, as opressões, as
dúvidas, temores, etc., são como tantas pedras lançadas no fundo de sua alma, e Deus olhando-se
nela, não o sente todo inteiro, mas como dividido em tantas partes, portanto dividido a força, a
alegria divina, a santidade, a unidade da paz, isto o impedirá de conhecer quem é Deus, quanto a
ama e o que quer dela; e querendo olhar ela em Deus, estas pedras vão impedi-lo de passar
fazendo-a tropeçar no caminho, impedindo o voo para olhar-se Àquele que a criou, enquanto que
parecem coisa de nada. Não obstante nisto vem formado o conhecimento de Deus na criatura, a
união, a santidade, o olhar Deus na criatura, e ela em Deus. Se a alma não é perturbada por estas
pedras que se podem chamar bagatelas da alma, que faltando a solidez e substância do
verdadeiro amor, estão sempre turvas e Deus não se pode espelhar nelas para formar sua bela
imagem, por isso seja atenta e busca sempre minha Vontade".
(3) Jesus fez silêncio, e eu fiquei pensando no grande mal que fazem as reflexões próprias, e meu
doce Jesus acrescentou:
(4) "Minha filha, só em minha Vontade a alma pode chegar ao ápice da santidade mais alta, e
encerrar em si, por quanto a criatura é possível, um ato completo, de encher-se tanto, de não
deixar nenhum vazio nela, tanto de converter-se em natureza própria o bem que faz; se ama em
meu Fiat, a onda do amor lhe chove por toda parte, lhe investe as mais íntimas fibras, e enquanto
lhe chove em cima enrolando-a toda no amor, constitui-se rainha e converte em natureza seu amor
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Volume 34
na criatura, mas tanto, que se sentirá o respiro, o batimento, o movimento, o passo, todo seu ser,
que não sabe fazer outra coisa que amar; esta onda de amor se eleva até o Céu, sem cessar de
chover em cima e toma por assalto a seu Criador, e o ama sempre, porque quando o bem se torna
natureza, sente-se a necessidade de repetir o bem recebido como ato que constitui sua vida. Se
ele adorar, a natureza se transformará em adoração, então em tudo se sentirá trazer adorações
profundas ao seu Criador. Se reparar, sentirá o movimento de ir buscando todas as ofensas para
pôr nelas sua reparação. Em suma, minha Vontade com sua força criadora não deixa nenhum
vazio e converte em natureza tudo o que a criatura faz n’Ela; olhe que diferença entre quem vive
em minha Vontade e a possui como Vida constante, e entre quem a reconhece como virtude, e
talvez nas ocasiões mais dolorosas da vida, e em todo o resto como se não existisse para eles.
(5) Agora quero te dizer outra surpresa consoladora: É tanta nossa complacência quando a criatura
se decide com firmeza irremovível a viver em nosso Querer, que o que devemos fazer no ponto da
morte, de confirmá-la no bem no qual se encontra, porque tu deves saber que tudo o que ela fez
em vida, orações, virtudes, penas sofridas, obras boas, servem para formar a nossa pequena Vida
Divina em sua alma, nenhum bem-aventurado entra no Céu se não possui esta Vida Divina,
segundo o bem que tenham feito, e se mais me amaram e cumpriram minha Vontade, assim a
terão, quem menor, quem maior, porque a verdadeira felicidade, as verdadeiras alegrias se devem
possuir dentro, assim que cada um terá dentro e fora deles a seu Deus, que lhe dará sempre novas
alegrias, tanto, que se as almas, morrendo não estão cheias até a borda de amor e de Vontade
minha, as confirmo, sim, mas não entram no Céu, envio-as ao purgatório para preencher estes
vazios de amor e de Vontade minha por caminhos de penas, de anseios e de suspiros, e quando
de tudo se encheram, de modo que se vê nelas que já estão todas transformadas em meu amor e
em minha Vontade, então tomam o voo para o Céu. Agora, para quem não quer fazer mais sua
vontade, mas só a minha, não queremos esperar aquele ponto, nosso amor nos leva com uma
força irresistível a antecipar a confirmação no bem, e converter em natureza nosso amor e nossa
Vontade, assim que sentirá que meu amor, meu Querer são seus, sentirá mais minha Vida que a
sua, mas oh! com que diferença daqueles que são confirmados no ponto da morte, eles não
crescerão mais no bem, seus méritos terminaram; em troca nestes minha Vida crescerá sempre, os
méritos não terminam, é mais, terão os méritos divinos, enquanto continuarem a me amar e a viver
de minha Vontade, assim me conhecerão de mais, e Eu os amo de mais e aumento sua glória,
posso dizer que corro em cada ato seu para dar-lhes meu beijo, meu amor, para reconhecê-los que
são meus e dar-lhes o valor, o mérito como se os tivesse feito Eu. Ah! você não pode entender o
que sentimos por quem vive em nosso Querer, como o amamos, queremos torna-lo contente em
tudo, porque nele encontramos realizado o fim da criação, concentrada toda a glória que todas as
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Volume 34
coisas nos deveriam dar; e além disso, nossa Vontade cumprida é tudo para Nós".
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34-44
Julho 25, 1937
Como um ato no Querer Divino pode ser um vento impetuoso, um ar, uma atmosfera
celestial. Três círculos. Deus, se ama age se fala doa.
(1) O mar do Querer murmura sempre, e muitas vezes forma suas ondas impetuosas para assaltar
as criaturas, para envolvê-las em suas ondas amorosas, para dar-lhes sua Vida, mas com tal
insistência e astúcias amorosas, como se tivesse necessidade de nós, pobres criaturas, e um é
arrebatado. Oh! como é verdade que só Deus sabe nos amar. Agora, enquanto minha mente se
perdia neste mar, meu doce Jesus me surpreendeu com sua breve visita me disse:
(2) "Filha bendita de meu Querer, viu como era doce o murmúrio do mar de minha Vontade?
Também as almas que vivem n’Ela não fazem outra coisa senão murmurar junto a este mar, elas,
eco perfeito do meu Fiat, nunca cessam de murmurar amor, glória, adoração, mas em modo
simples: Se respiram murmuram amor, se pulsam, se circula o sangue nas veias, se pensam, se se
movem, em tudo murmuram amor, amor, glória a nosso Criador, e se chamam a minha Vontade
em seus atos formam as ondas impetuosas para envolver Deus e as criaturas, a fim de que todos,
Céu e terra façam uma só vontade. Um ato em minha Vontade pode ser um vento impetuoso que
transporte, extirpe com sua força as paixões, as debilidades, os maus costumes, o ar putrefato do
pecado, e substitui-os pelas virtudes, a força divina, os santos costumes, o ar santificante de minha
Vontade. Um ato em meu Querer pode ser um ar universal, que penetrando em qualquer lugar e
em todos, de noite e de dia pode fazer-se respirar para infundir sua Vida, sua santidade, e tirando o
ar insalubre do querer humano, substitui-o pelo ar saudável do meu Fiat, de modo a ficar adoçado,
embalsamado, vivificado, curado por este ar divino. Um ato em meu Fiat pode ser uma atmosfera
celestial, que encerrando em si todas as nossas obras, a mesma Criação, e com a força de nossas
obras assaltar a nossa Divindade e impor-se sobre Nós, fazendo-nos dar graças e dons para tornar
capazes às criaturas de poder receber o reino de nosso Querer. Um ato em nossa Vontade pode
conter tais maravilhas, que a criatura é incapaz de poder compreender todo seu valor".
(3) Jesus fez silêncio, e eu fiquei como submersa neste mar, e não sei como, me senti
transportando à pátria celestial, em meio a três círculos de luz, à cabeça deles estava a Rainha do
93
Volume 34
Céu em um ponto, e Nosso Senhor do outro, com uma beleza encantadora e amor indizível, em
meio a estes estava uma multidão de almas, todas transformadas na luz na qual viviam e cresciam,
mas custodiadas, dirigidas e alimentadas por Jesus e pela Mãe Celestial; quantas belas surpresas
se viam, estas almas possuíam a semelhança e a Vida do seu Criador, e o meu doce Jesus e a
sua Mãe disseram-me:
(4) "Estes círculos de luz que tu vês são símbolo da Trindade Sacrossanta, e as almas são as que
formarão o reino da Divina Vontade, este reino será formado no seio da Divindade, os regedores
deste reino serão a Mãe e o Filho, que o custodiaremos com zelo. Olha então a certeza deste
reino, já está formado, porque em Deus as coisas estão como já estão feitas, por isso roga que o
que está no Céu se realize sobre a terra".
(5) Depois disto encontrei-me em mim mesma, com a maior dor de me encontrar de novo na minha
pobre prisão do meu corpo. Depois meu sumo Bem Jesus, todo bondade me disse:
(6) "Minha filha, nosso Ser Divino é todo amor, e é tanto este amor que sentimos a necessidade de
tirar de nós este amor, não colocamos atenção em se a criatura o merece ou não; se quiséssemos
prestar atenção ao mérito, a Criação toda ainda estaria em nosso seio. Nós quando amamos, de
fato, amamos e criamos a Criação, e como dom de nossa generosidade e do excesso de nosso
amor constante, fizemos dom ao homem; a Nós não nos agrada dar nossos dons como
pagamento, ou como mérito, e onde poderia encontrar moedas suficientes para nos pagar nossos
dons, ou tantos atos para merecê-los? Seria impedir nosso amor, reprimi-lo em Nós e não dar nada
à criatura, e nem sequer amá-la, porque se amamos devemos agir e dar. Nosso Ente Supremo se
encontra frequentemente em tais delírios de amor, que sentimos a necessidade de tirar do nosso
seio divino dons e graças para os dar às criaturas, mas para formar estes dons devemos amar e
manifestar para os fazer conhecer. Portanto, se amamos agimos, se falamos, a nossa palavra
criadora entrega o dom, confirma-o e dota a criatura dos nossos dons. Nossa palavra é a portadora
e nos põe nas condições de desafogar nosso amor reprimido. Mas queres saber porque não
damos os nossos dons como pagamento ou como mérito? Porque os damos a nossos filhos, e
quando os dons são dados aos filhos não se põe atenção em se o merecem, dão-se porque se
ama, ao mais se fazem compreender, eis a necessidade da palavra, a fim de que os apreciem, os
guardem e amem Aquele que os tem dado e que tanto os ama. Em troca dão-se como pagamento
ou mérito aos servos, aos estranhos, e oh! com quanta medida. Por isso, no excesso de nosso
amor, sem que ninguém nos rogasse ou o merecessem, fizemos a Criação, para fazer dela dom ao
homem; em outro excesso criamos a Virgem, para dá-la em dom; em outro excesso, Eu, Verbo
Eterno, desci do Céu para doar-me e fazer-me doce presa do homem; em outro excesso maior de
amor, lhe darei o grande dom do reino de meu Querer. A Virgem Celestial, herdeira deste reino,
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Volume 34
chamará às criaturas como seus filhos para que recebam em dom sua grande herança. Agora
minha filha, se a alma fizer reinar minha Divina Vontade, seu amor não será mais estéril, senão
fecundo, não se reduzirá a apenas palavras, ou bem em obras, sentirá em si a força criadora do
nosso amor, e se colocará em nossas mesmas condições, que se amamos agimos, se agimos,
mas que coisa damos? O grande dom de nosso Ser Divino, nosso amor é tanto, que se damos
queremos dar tudo, mesmo a Nós mesmos em poder da criatura, nosso amor não ficaria contente
se não dissesse: ‘Tenho dado tudo, não tinha mais o que dar'. Muito mais que possuindo nossa
Vontade estamos seguros, estamos em nossa casa, com todo o decoro, as honras, a decência que
nos convém. Assim a criatura, possuindo nossa mesma força criadora, se nos ama, nos dará em
seu amor, em correspondência de nosso dom, o dom de sua vida, assim que é vida que nos
daremos mutuamente, e cada vez que nos amar, nossa força criadora multiplicará sua vida para
dá-la em dom, seu amor não ficará isolado, senão com a plenitude de sua vida que se dá em poder
de seu Criador, e eis aqui igualadas as partes entre o Criador e a criatura, Vida recebe em dom, e
vida doa, e se a criatura tem seus limites, minha Vontade a supre, muito mais do que no dar-nos
por dom sua vida, nos dá tudo, nada fica para si, por isso nosso amor fica satisfeito e
correspondido. Portanto, se queres dar-nos tudo e receber tudo de Nós, faz que reine em ti a nossa
Vontade, e tudo te será concedido".
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34-45
Agosto 2, 1937
A Criação possui a perfeita felicidade, de poder dar a felicidade terrena às criaturas. Como o
pecado deteve a felicidade. O grande mal de quem se afasta do princípio. Exemplo.
(1) Estava a fazer meu giro na Criação para seguir os atos da Divina Vontade n’Ela, e oh! quantas
surpresas, cada uma continha tal felicidade, de poder tornar felizes a tudo e a todos, e meu sempre
amável Jesus, vendo-me surpreendida, todo bondade me disse:
(2) "Minha filha, nosso Ente Supremo possui a fonte da felicidade, por isso de Nós não podiam sair
coisas ou seres que não fossem felizes. Assim, toda a Criação possui tal plenitude de felicidade, de
poder dar a toda a terra a perfeita felicidade terrestre. Portanto Adão gozava a plenitude da
felicidade, todas as coisas criadas lhe choviam em cima alegrias e felicidade, e além disso, em seu
interior, possuindo meu Querer, continha mares de contentos, de bem-aventuranças e alegrias sem
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Volume 34
fim, para ele tudo era felicidade dentro e fora. Como pecou, subtraindo-se da minha Vontade, a
alegria partiu dele, e todas as coisas criadas se retiraram no seu ventre as alegrias que possuíam,
dando ao homem apenas os meios necessários, não como a dono e senhor, mas como a servo
ingrato. Olha então, de Nós não saiu a infelicidade, nem podíamos dá-la porque não a tínhamos,
dar o que não se tem é impossível, assim que foi o pecado que lançou no homem a semente da
infelicidade, da dor e de todos os males que o assediam dentro e fora. Assim que veio sobre a terra
a Celestial Senhora, e depois minha Santíssima Humanidade, a Criação toda se pôs em atitude de
festa, nos sorriam de alegria e retomaram o curso de chuvas sobre alegrias e felicidades, e assim
que saíamos ao exterior, corriam, se inclinavam e faziam sair sobre Nós alegrias e felicidade: o sol
nos dava as alegrias de sua luz, alegrava nossa vista com a variedade de suas cores, nos dava a
alegria dos beijos de amor que possuía, e reverente se estendia sob nossos passos para nos
adorar; o vento nos chovia as alegrias da frescura, e com seus sopros nos afastava o ar pútrido de
tantas culpas; os pássaros corriam ao nosso redor para nos dar as alegrias de seus cantos e trinos,
quantas belas músicas nos faziam, tanto, que Eu estava obrigado a ordenar-lhes que se
afastassem de Mim, que tomassem o voo no ar para louvar a seu Criador; a terra florescia sob
meus passos para me dar as alegrias de tantas flores, e Eu lhe ordenava que não me fizessem tais
demonstrações, e me obedecia; o ar me levava as alegrias de nosso hálito onipotente quando
dando o alento ao homem dávamos-lhe a vida, enchendo-o de alegrias e felicidade divinas, e
conforme Eu respirava assim me sentia vir nossas alegrias e felicidade que sentimos na Criação do
homem. Assim não havia nada criado que não desse as alegrias que possuíam, não só para me
felicitar, mas para me dar as homenagens, as honras como a seu Criador, e Eu os oferecia a meu
Pai Celestial para lhe dar a glória, a honra, a homenagem, o amor, por tantas magnificências e
obras maravilhosas que fizemos na Criação por amor ao homem. Agora minha filha, estas alegrias
nas coisas criadas ainda existem; a Criação, como foi feita por Nós, com tanto alarde e
suntuosidade e com a plenitude da felicidade, nada perdeu, porque esperamos a nossos filhos, os
filhos de nossa Vontade, que com direito gozarão as alegrias, a felicidade terrestre que possui toda
a Criação, e posso dizer que por amor destes existe ainda, e as criaturas desfrutam, se não a
plenitude da felicidade, mas ao menos as coisas necessárias para poder viver. Este existir ainda a
Criação depois de tantas ingratidões humanas, culpas que fazem horrorizar, dá a certeza do reino
de minha Vontade sobre a terra, porque a criatura, possuindo-a, se tornará capaz de receber as
alegrias da Criação, de nos dar a glória, o amor, a correspondência de quanto fizemos por ela, e de
fazer todo o bem possível e imaginável que a criatura pode fazer. Por isso o tudo está em possuir
nosso Querer, porque assim teve o princípio a Criação toda, incluído o homem, tudo era Vontade
nossa, todos viviam presos n’Ela, e n’Ela encontravam o que queriam, alegrias, paz, ordem
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Volume 34
perfeita, tudo estava à sua disposição. Tirando o princípio todas as coisas mudaram aspecto, a
felicidade mudou em dor, a força em debilidade, a ordem em desordem, a paz em guerra. Pobre
homem sem minha Vontade, é o verdadeiro cego, o pobre paralisado, que se algum bem faz, tudo
é fadiga e amarguras.
(3) Todas as coisas, se se guiam pelo princípio do qual tiveram a existência, encontram o caminho,
o passo firme e o resultado feliz das obras ou bem que empreenderam; se perdem o princípio, se
transtornam, vacilam, perdem o caminho e terminam sem saber fazer nada, e se parece que fazem
alguma coisa, dão piedade. Também nas coisas humanas acontece assim, se o professor quisesse
ensinar à criança as consoantes e não as vogais, como as vogais se usam em toda palavra, em
cada letra, desde a ciência mais baixa até a mais alta, pobre rapaz, nunca aprenderia a ler e se o
quisesse poderia enlouquecer. Todo este mal, quem o produziu? O afastamento do princípio da
ciência, que são as vogais. Ah! minha filha, até que o homem não retorne em seu princípio, não
reentre em minha Divina Vontade, minha obra criadora será uma obra quebrada, fora de seu posto,
pobre homem sem as primeiras vogais de minha Divina Vontade, por quanto possa lhes dar luz,
lhes pudesse falar, não me entenderá, porque lhe falta o princípio, lhe faltam as primeiras vogais
para poder ler minhas lições sobre meu Fiat, portanto sem base, sem fundamento, sem mestre,
sem defesa, é tanta sua tolice que não conhece seu pobre estado, e portanto não implora o
reentrar em meu Querer para aprender as primeiras vogais com as quais foi criado por Deus, para
poder seguir aprendendo a verdadeira ciência celestial, e assim formar-se toda sua fortuna, tanto
na terra como no Céu. Por isso Eu sempre sussurro ao ouvido do coração: ‘Meu Filho, reentra na
minha Vontade, vem ao teu princípio se queres parecer-te Comigo, se queres que te reconheça
como meu filho'. Oh! como é doloroso ter filhos que não me assemelham, sem sua nobreza,
pobres, degradados, infelizes, e por que tudo isso? Porque rejeitaram a grande herança do Pai
Celestial, e me obrigam a chorar sobre sua sorte. Filha, roga que todos reconheçam a minha
Vontade, e tu reconhece-a e a aprecie, ama-a mais que a tua própria vida e não a deixes fugir nem
sequer um instante".
Deo Gratias.
Tudo para a glória de Deus e para o cumprimento da sua Vontade.
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