Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto
(ESNEC)
Curso: Agricultura Comercial
4o Ano – 1o Semestre
Cadeira: Práticas de agricultura VI
Tema: Eficácia da sacha no controle da tiririca (Cyperus Rotundus L.) na cultura da cebola
(Allium Cepa)
Discente: Docentes:
Arsénio António Mucavele Doutor António Melo, Eng.
Mestre Márcio Sitoe, Eng.
Produtor:
Sr. Mário Carlos Machava – (+258 86 120 9862)
Chibuto, Junho de 2024
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RESUMO
O estudo teve como objectivo avaliar a eficácia da sacha no controle da tiririca (Cyperus
rotundus L.) na cultura da cebola (Allium cepa) no campo do Senhor Machava. Para isso, foram
avaliadas as manifestações epígeas em dois períodos de 15 dias. As plantas de infestantes
formadas após as manifestações epígeas foram pontuadas com base na observação visual
(variando de 1 a 5) e foi determinada a diferença entre as manifestações epígeas do segundo
período e do primeiro (DME2-1). Um valor positivo dessa diferença indica tendência de
aumento ou propagação da espécie na área após cada sacha, utilizando selecção aleatória de 5
áreas amostrais de 0,5 m² cada. Os dados foram processados com auxílio da planilha de cálculos
Excel para determinação das médias e dos erros padrão das manifestações epígeas, bem como
para calcular a diferença DME2-1. Na análise dos dados das manifestações epígeas, observou-
se uma tendência de registro de valores maiores à medida que os dias de observação
aumentaram em ambos os períodos, influenciando o sinal positivo do valor obtido e a pontuação
atribuída à variável plantas formadas. Concluiu-se, portanto, que a sacha não é eficaz no
controle da tiririca (Cyperus rotundus L.) na cultura da cebola (Allium cepa) devido à rápida
regeneração e propagação dos tubérculos.
Palavras-chaves: Relatório. Capina. Sacha. Allium cepa.
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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
cm – Centímetro
DME2-1 – Diferença entre as manifestações epígeas da observação do segundo período e do
primeiro
Eng. – Engenheiro
ESNEC – Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto
ha – Hectar
Kg – Quilograma
l – Litro
m2 – Metros quadrados
Pág. – Páginas
UEM – Universidade Eduardo Mondlane
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LISTA DE APÊNDICES
Apêndice 1: Área de estudo.
Apêndice 2: Cyperus Rotundus L.
Apêndice 3: Sacha.
Apêndice 4: Área de colecta de dados.
Apêndice 5: Irrigação
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LISTA DE TABELA
Tabela 1: Resultados das manifestações epígeas, avaliação de plantas formadas e DME2-1.
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LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Variação do clima durante o estudo
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ÍNDICE
Conteúdos Pág.
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1
2. MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................................... 2
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ...................................................................................... 5
4. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 7
5. AGRADECIMENTOS ........................................................................................................ 8
6. REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 9
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1. INTRODUÇÃO
O controle eficiente de infestantes é fundamental para garantir altos rendimentos e qualidade
na produção agrícola, pois, as infestantes competem directamente com as culturas por recursos
como água, nutrientes e radiação solar, reduzindo significativamente o potencial produtivo das
plantas cultivadas. Outrossim, o manejo adequado das infestantes promove condições ideais
para o desenvolvimento das culturas, minimizando o estresse competitivo e favorecendo um
ambiente propício ao crescimento saudável das plantas agrícolas (Pinheiro & Corecha, 2024).
A tiririca (Cyperus Rotundus L.) é uma das infestantes altamente persistentes, de difícil controle
e prejudiciais á diversas culturas, incluindo a cultura da cebola (Allium Cepa). Sua presença
não controlada pode resultar em sérias consequências na produção, desde a redução no
crescimento das plantas de cebola devido à competição por nutrientes, radiação solar, água, por
essa razão, na cebola, a coexistência dessa infestante durante os primeiros 98 dias reduz o
rendimento da cultura, o peso médio do bolbo, altura, numero de folhas, numero de hastes, área
foliar e capacidade fotossintética (Donato, 2020; Silva, 2023).
Para o controle dessa infestante diversas estratégias são adoptadas, como é o caso do emprego
do controle mecânico, especificamente a sacha. No entanto, apesar dos benefícios associados a
este método e o facto de ser amplamente empregado, pode ser trabalhoso, demorado, custoso e
meio eficiente de propagação dessa espécie pela fragmentação dos tubérculos subterrâneos, e
posterior brotação dos fragmentos resultantes, visto que sua multiplicação ocorre através dessas
estruturas vegetais (Donato, 2020).
O estudo objectivou avaliar a eficácia da sacha no controle da C. Rotundus L. na cultura da A.
Cepa no campo do senhor Machava.
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2. MATERIAIS E MÉTODOS
O relatório foi realizado no âmbito da cadeira Práticas de Agricultura VI, após visitas ao campo
do Sr. Mário Carlos Machava, produtor de hortícolas, na Vila do Milénio, localizada a 5,3 km
ao sul da sede de Chibuto, com coordenadas de latitude 24º43'52,2''S e longitude 33º32'39,2''E.
Durante o período em que foi conduzido o estudo a temperatura, precipitação e humidade
relativa do ar variou conforme ilustra a figura 1.
Variação do Clima
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49
Temperatura media Precitacao Humidade relativa do ar
figura 1: Variação do clima durante o estudo
O preparo de solo foi realizado com tractor, através de terceirização das actividades de lavoura,
gradagem, sulcagem e marachamento. Realizado o preparo de solo, foram transplantadas aos
28 de abril de 2024, em linhas duplas, mudas previamente preparadas no alfobre, obedecendo
uma distância de 15 cm entre plantas, 20 cm entre as linhas e 40 cm entre as linhas duplas, e
incorporado, em simultâneo, [Link]-1 do adubo mineral NPK na formulação 12-24-12.
Para além da incorporação do NPK, a adubação das plantas foi realizada com ureia e DI Grow.
A ureia foi parcelada à lanço, em cobertura, duas vezes, sendo aplicado um total de 240 kgha-1
e o Di Grow foi misturado e administrado via foliar juntamente com a pulverização de produtos
fitofarmacêuticos.
A produção de mudas foi realizada com o auxílio de enxadas e ancinho, onde o solo foi revirado,
incorporado aproximadamente 38kg (2 baldes com volume de 20 l cada) de esterco bovino,
formado alfobres e distribuindo sementes de cebola da variedade Texas Grano. Essas
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actividades foram realizadas em simultâneo com irrigações diárias leves com o intuito de
manter o alfobre humedecido e seguiram uma sequência lógica: revolvimento do solo, formação
do alfobre, incorporação do esterco e distribuição uniforme das sementes no alfobre.
A irrigação foi feita pelo método superficial, especificamente por sulcos, 3 vezes por semanas,
em média, a fim de manter o solo húmido. Sem nenhum instrumento para medir o nível de
humidade no solo e a quantidade de água demandada pela cultura por cada intervalo de rega, o
produtor monitorava a humidade do campo e tempo necessário para efectuar cada rega através
da observação directa do teor de humidade no solo.
Produtos fitofarmacêuticos (Mancozeb, Mancozeb+Metalaxyl, Lambda-cyhalothrin e
Abamectin) foram aplicados 2 vezes a fim de previnir doenças e pragas na cultura da cebola, e
herbicida Glypfosate 30 dias antes da preparação do solo com o intuito de erradicar as
infestantes presentes na área a ser produzida. Além da aplicação do herbicida, foram realizadas
2 sachas sucessivas com auxílio de enxadas, depois de duas semanas após o transplante da
cebola e, a outra, 28 dias após o transplante.
A coleta de dados e informações necessárias para a elaboração deste relatório foi realizada em
dois períodos de 15 dias após cada sacha, em 5 áreas amostrais de 0,5 m² cada. Os dados foram
processados com auxílio da planilha de cálculos EXCEL para a determinação das médias e
erros padrão dos dados de manifestações epígeas e determinar a diferença entre as
manifestações epígeas da observação do segundo período e do primeiro (DME2-1). Também,
realizou-se uma pesquisa bibliográfica baseada na consulta de livros, artigos, monografias e
dissertações publicados no Google Acadêmico desde 2020 até os dias actuais.
As avaliações de controle de tiririca foram feitas com base na contagem do número de
manifestações epígeas, seleccionadas aleatoriamente nas áreas amostrais. Associada ao método
descrito, foi atribuída uma pontuação que variava de 1 a 5, baseada na observação visual das
plantas de infestantes formadas (plantas formadas) após 15 dias da sacha, sendo 1 equivalente
a 0-20% e 5 a 80-100%. E, por fim, foi determinada a diferença entre as manifestações epígeas
da observação do segundo período e do primeiro (DME2-1), sendo que um valor positivo dessa
diferença indica tendência de aumento ou propagação da espécie na área, e um valor negativo
indica tendência de redução ou erradicação (Corrêa et al. 2023)
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Para tal, foram avaliadas as manifestações epígeas, plantas de infestantes formadas e
determinada a diferença entre as manifestações epígeas da observação do segundo período e do
primeiro por meio da selecção aleatória de 5 áreas amostrais de 0.5m2 cada e em dois períodos
de 15 dias após cada sacha, em 5 áreas amostrais de 0,5 m² cada. Os dados foram processados
com auxílio da planilha de cálculos EXCEL para a determinação das médias e erros padrão dos
dados de manifestações epígeas e determinar a diferença entre as manifestações epígeas da
observação do segundo período e do primeiro (DME2-1).
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3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Na análise dos dados das manifestações epígeas, verificou-se uma tendência de registrar-se
valores maiores à medida que os dias das observações aumentaram em ambos os períodos,
influenciando, consequentemente, no sinal e na pontuação atribuída nas variáveis de avaliação
da diferença entre as manifestações epígeas da observação do segundo período e do primeiro
(DME2-1) e plantas formadas, respectivamente (Tabela 1).
Tabela 1: Resultados das manifestações epígeas, avaliação de plantas formadas e DME2-1.
Período
Observação I II
Manifestações epígeas 48.068 ±10.9 52.93 ±11.94
Plantas formadas 5 5
DME21 4.862
Na vila de Milénio o método de controle de infestante comumente praticada é o método
mecânico que, basicamente, consiste na remoção manual das espécies infestante com recurso a
enxada objectivando o arranque e exposição das estruturas das plantas à secagem ao sol,
conforme disse o produtor visitado. Esse método de controlo é extremamente eficiente para
determinado tipo de infestantes e é ambientalmente recomendado a medida que pouco revolve
o solo e não contamina a atmosfera e corpos de água (Guambe, 2022). Contudo, o produtor
sustentou que a escolha do método não, apenas, é motivada pela sua eficiência e impactos ao
meio ambiente, mas sim pela limitações financeiras, disponibilidade de mão de obra e
ferramenta (enxadas) para a realização da mesma.
No caso especifico da C. Rotundus L., a eficiencia e beneficios desse método é limitado visto
que, fragmeta a principal estrutura (bolbo) de propogaҫão da especie e, consequentemente,
aumenta o número de sachas necessárias para o desenvolvimento da cultura de interesse
comercial sem a competiҫão por recursos essenciais, como agua e luz, e número de vezes em
que o habitat da microbiota responsavel pela nutriҫão das plantas é revolvido afectando as suas
propriedades físicas e biológicas (Danato, 2020).
Os resultados obtidos nesse estudo demonstram nitidamente que a eficácia da sacha na redução
das manifestações epígeas da C. Rotundus L. pode ser limitada ao longo do tempo na cultura
da A. Cepa, pois o aumento marginal das manifestações epígeas e formação de plantas
observado sugere que, mesmo após a sacha, a regeneração ou a disseminação de novos
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propágulos da C. Rotundus L. continua a ocorrer, o que é sustentado pelo sinal do valor da
DME2-1.
Estes resultados estão alinhados com os observados por Danato (2020), que observou um
aumento no número e na massa fresca de tubérculos, sendo maior do que a população inicial
após a sacha. De igual modo resultados iguais foram tidos em vários estudos que empregaram
esse método de controlo como tratamento controle em seus estudos (de Mello et al., 2020;
Oliveira, 2020; Silva et al., 2021; Siqueira et al., 2022;)
No entanto, resultados satisfatórios foram obtidos por Siqueira et al. (2022) com o uso de
herbicidas do grupo químico de organoarsênico tanto pré como pós-emergentes, e também
através do efeito alelopático de adubos verdes, conforme observado por de Oliveira (2020).
Ademais, foram obtidos por de Mello et al (2020) testando cinco espessuras de cobertura do
solo com madeira rameal fragmentada e por Silva et al (2021) ao pesquisar o efeito alelopático
do extrato foliar de eucalipto (EFE) na germinação de sementes de C. Rotundus L.
Os resultados satisfatórios observados pelos pesquisadores, supracitados, que utilizam
diferentes métodos de controlo encorajam o aumento de esforços visando a disseminação de
formas agroecologias a serem adoptados para o controlo de C. Rotundus L. junto ao produtor e
nas Vilas de Milénio como um todo.
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4. CONCLUSÃO
Concluiu-se que a sacha não é eficaz no controle da C. Rotundus L. na cultura da A. cepa
devido à rápida regeneração e propagação dos tubérculos.
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5. AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço à mim e motivo de sempre nunca desistir, aos meus irmãos Alberto
Mucavele, Amélia Mucavele, Milton de Jesus, José Mucavele, Tomás Mucavele, Salva
Mucavele, Elsa Mucavele, pais (António Trazenta Mucavele e Angelina Cuna) e namorada
Flora Nhampule pelo apoio financeiro e emocional e a Arsleny Arsénio Mucavele (minha filha)
pelo sorriso que deixou-me feliz em vários momentos de angústia. Aos meus docentes da
cadeira pela “rabugentisse” necessária e muito bem alocada e elogios do Doutor António Melo,
Eng. (o Eng. foi um pai que mim precisava receber), e pela liberdade e gargalhadas arrancadas
em mim pelo Mestre Márcio Sitoe, Eng. e por fazerem-me crescer enriquecendo-me de
conhecimentos.
De seguida, ao Senhor Mário Carlos Machava, Tonícia e Paulo pela recepção e apoio. Aos meus
grandes amigos (Francisco André, Jojo Binasse, Kelvin Guiuele, José Nhatumbo, Eugénio
João, Celina Maoco, Neyma Tomás, Carla Carlos, Dinis Manhiҫa, Jéssica Artur, Pércia
Salomão e Áuria Machava) e colegas pelo companheirismo, momento daquela minha favorita
cervejinha, amizade, ajuda e construção contínua baseada em sorrisos, erros e chamadas de
atenção. E, por fim, o meu especial agradecimento vai a todos funcionários da UEM-ESNEC
pelos conhecimentos por eles transmitidos e por contribuírem para a realização dessa cadeira,
o meu muito, sincero e insuficiente Koshukuro.
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6. REFERÊNCIAS
Araújo, A. P., Corrêa, P. H. A., da Silva, D. C. P., Viana, E. S., Corrêa, M. R., & Negrisoli, E. (2023).
Eficácia do controle do herbicida falcon pyronasulfone + flumioxazina em aplicações pré-
emergentes das espécies Cyperus rotundus E Cyperus esculentus. REVISTA FOCO, 16(11),
e2891-e2891.
de Mello Tucunduva, L. F. C., & Khatounian, C. A. (2020). Efeito da espessura da cobertura morta
na emergência de tiririca (Cyperus rotundus) em área de produção olerícola. Cadernos de
Agroecologia, 15(2).
de Oliveira, J. S., do Nascimento, C. M., de Freitas Pinto, J. D. A., da Silva Alves, A. M., da Silva
Alves, A. M., da Rocha, J. P., ... & de Castro, R. S. (2020). Manejo de noz-roxa (cyperus
rotundus) utilizando hidrolato de alecrim (Lippia gracilis schauer). Revista Brasileira de
Desenvolvimento, 6(10), 83335-83349.
Donato, L. M. S. (2020). Influência dos métodos de controle no manejo de Cyperus rotundus.
Guambe, F. D. D. G. (2022). Contributo da educação ambiental na promoção da agricultura de
conservação na Associação do Centro das Mulheres do Distrito Municipal de
KaMubukwana.
PINHEIRO, J. L. D. S., & CORECHA, L. G. M. (2024). Manual de manejo de plantas daninhas
resistentes em cultivos transgênicos.
Silva, J. P. D. A. (2023). TIRIRICA (Cyperus rotundus): FONTE DE INÓCULO DE Pyricularia
grisea AGENTE CAUSAL DA BLÁSTICA.
Silva, L. C. V., da Silva Braulio, C., de Jesus Correia, A., Oliveira, A. S., de Sousa, C. B. D. C., Vieira,
J. D. L. S., ... & da Silva Novaes, A. P. (2021). Efeito alelopático do extrato foliar de eucalipto
na germinação de sementes de tiririca (Cyperus rotundus L.). Brazilian Journal of Animal
and Environmental Research, 4(1), 1315-1320.
Siqueira, D. R., Alves, R. T. B., Andrade, A., de Oliveira1 Leonardo Vieira, J. T., Gabe, M. R. D., &
Silva, D. D. O. G. (2022). Controle químico de Cyperus rotundus em aplicação pré e pós-
emergente.
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APÊNDICES
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Apêndice 1: Área de estudo.
Fonte: autor (2024).
Apêndice 2: Cyperus Rotundus L. Apêndice 3: Sacha.
Fonte: autor (2024). Fonte: autor (2024).
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Apêndice 4: Área de colecta de dados. Apêndice 5: Irrigação.
Fonte: autor (2024). Fonte: autor (2024).
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