DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
EMPRESARIAIS
LICENCIATURA EM DIREITO
A GUARDA DO MENOR À LUZ DO ORDENAMENTO
JURÍDICO ANGOLANO. UM ESTUDO DE CASO NA
CENTRALIDADE DA QUILEMBA- LUBANGO.
RENATA CHIVEVE CHANDAMISSA SALOMÃO
Lubango, 2024
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DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
PROPONENTE: Renata Chiveve Chandamissa Salomão
DEPARTAMENTO: Direito
CURSO: Direito
N. DE MATRÍCULA: 160317
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TEMA:
ORIENTADOR:
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Índice
INTRODUÇÃO.................................................................................................................4
1. Justificações...............................................................................................................5
2. Problema de Investigação..........................................................................................6
3. Objectivo Geral..........................................................................................................6
3.1. Objectivos específicos............................................................................................7
5. Delimitação do estudo............................................................................................7
6. Ideia a defender......................................................................................................7
7. Tipo de pesquisa.....................................................................................................7
8. População e Amostra..............................................................................................8
8.1. População...................................................................................................................8
8.1. Amostra...............................................................................................................8
8.1.1. Tipo de Amostragem.......................................................................................8
9. Estrutura do trabalho..................................................................................................9
10. Cronograma de trabalho.........................................................................................9
11. Bibliografia...........................................................................................................10
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INTRODUÇÃO
O tema da guarda do menor é de extrema relevância no âmbito do Direito de Família,
pois envolve a protecção dos interesses mais sensíveis da sociedade: os direitos das
crianças. No contexto angolano, a guarda do menor representa um desafio que exige um
equilíbrio entre as normas jurídicas, os valores culturais e a necessidade de assegurar o
bem-estar da criança. O ordenamento jurídico angolano, em consonância com os
princípios internacionais consagrados em tratados como a Convenção sobre os Direitos
da Criança, estabelece directrizes que visam priorizar o melhor interesse do menor em
situações de disputa ou cessação da convivência dos genitores.
Este estudo busca analisar a guarda do menor sob a perspectiva do ordenamento jurídico
angolano, destacando os mecanismos legais disponíveis, os critérios aplicados pelo
judiciário na atribuição da guarda e as lacunas existentes na legislação vigente. Além
disso, examina os desafios enfrentados pelos operadores do direito ao lidarem com
questões como a guarda compartilhada, o papel da mediação familiar e a protecção dos
direitos fundamentais do menor.
A importância desta pesquisa reside em contribuir para uma compreensão mais
aprofundada das práticas jurídicas e das implicações legais relacionadas à guarda de
menores em Angola, além de propor reflexões e soluções que possam fortalecer a
aplicação efectiva dos direitos das crianças no país. Assim, a investigação adopta uma
abordagem interdisciplinar, integrando aspectos jurídicos, sociais e culturais, com o
objectivo de proporcionar um panorama abrangente e crítico sobre o tema.
A guarda do menor, enquanto instituto jurídico, desempenha um papel essencial na
protecção da infância e na promoção do bem-estar das crianças em contextos familiares
fragilizados. A doutrina enfatiza que a guarda não apenas regula a convivência entre os
genitores e o menor, mas também estabelece responsabilidades e deveres que buscam
garantir o pleno desenvolvimento da criança em um ambiente seguro e saudável (Silva,
2018). Em Angola, o Código da Família de 1988 fornece o arcabouço legal que norteia
as decisões judiciais sobre guarda, pautando-se pelos princípios do melhor interesse da
criança e da prevalência de direitos fundamentais.
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Embora a legislação angolana seja considerada avançada para sua época, lacunas
permanecem evidentes, especialmente no que tange à guarda compartilhada, que é
amplamente defendida em contextos internacionais como uma forma de preservar os
laços afectivos com ambos os genitores (Oliveira & Santos, 2020). Estudos demonstram
que o envolvimento equilibrado dos pais na vida da criança após a dissolução do
vínculo conjugal favorece seu desenvolvimento emocional e social (Borges, 2019).
Nesse sentido, é essencial avaliar como os tribunais angolanos têm interpretado os
dispositivos legais e quais factores têm influenciado a concessão da guarda, sejam eles
sociais, económicos ou culturais.
Ademais, a participação do menor nos processos de guarda, embora reconhecida no
ordenamento jurídico angolano, enfrenta limitações práticas. Segundo Dias (2021), a
escuta da criança é fundamental para respeitar seu direito à opinião, conforme
estabelece o artigo 12 da Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual Angola é
signatária. No entanto, a aplicação desse princípio ainda enfrenta desafios,
principalmente devido à carência de profissionais especializados e de procedimentos
que assegurem a protecção emocional da criança durante esses processos.
Essa pesquisa pretende contribuir para o debate ao aprofundar a análise crítica sobre as
práticas jurídicas adoptadas em Angola e ao sugerir caminhos para o aprimoramento
legislativo e prático. O estudo será fundamentado em uma revisão bibliográfica, análise
documental e pesquisa de casos julgados, permitindo a identificação de tendências e
lacunas no tratamento da guarda do menor no país.
1. Justificações
A escolha do tema "A guarda do menor à luz do ordenamento jurídico angolano"
fundamenta-se na relevância social, jurídica e acadêmica da discussão acerca dos
direitos das crianças em contextos familiares marcados por conflitos ou separações. Em
Angola, os desafios enfrentados no âmbito das relações familiares, como a ausência de
regulamentações específicas sobre a guarda compartilhada ou a proteção efetiva do
melhor interesse da criança, evidenciam a necessidade de estudos aprofundados que
possam subsidiar políticas públicas e decisões judiciais mais justas e eficazes.
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De acordo com Dias (2021), a protecção integral à criança deve ser priorizada em todas
as decisões que envolvam sua convivência e desenvolvimento, uma vez que elas
representam o segmento mais vulnerável da sociedade. No entanto, observa-se que,
muitas vezes, a interpretação e a aplicação do Código da Família angolano ainda
carecem de um alinhamento mais consistente com as normativas internacionais, como a
Convenção sobre os Direitos da Criança.
A guarda do menor é um tema que transcende os limites jurídicos, envolvendo aspectos
emocionais, psicológicos e culturais que impactam directamente o desenvolvimento
infantil (Oliveira & Santos, 2020). Por essa razão, o presente estudo visa contribuir para
a construção de um conhecimento interdisciplinar que promova a efectivação dos
direitos da criança em um ambiente familiar equilibrado e protector.
A escolha deste tema também se justifica pela escassez de literatura específica sobre a
aplicação prática das normas de guarda em Angola, o que dificulta a compreensão de
suas nuances e limita o debate acadêmico sobre o tema. Conforme Silva (2018), a
ampliação do conhecimento jurídico sobre a guarda do menor pode influenciar
positivamente o sistema judicial angolano, incentivando a adopção de práticas mais
humanizadas e alinhadas com os avanços legais internacionais.
Por fim, este estudo busca destacar a importância de políticas públicas e capacitações
destinadas a operadores do direito, educadores e assistentes sociais, com o intuito de
fomentar um sistema de protecção à criança mais eficiente e inclusivo. Acredita-se que
a pesquisa contribuirá não apenas para o fortalecimento teórico do tema, mas também
para a sensibilização da sociedade sobre a centralidade do melhor interesse do menor
nas relações familiares.
2. Problema de Investigação
Como o ordenamento jurídico angolano regula e aplica a guarda do menor em casos de
dissolução familiar na Centralidade da Quilemba, Lubango, assegurando o melhor
interesse da criança?
3. Objectivo Geral
Analisar a regulamentação e a aplicação prática da guarda do menor à luz do
ordenamento jurídico angolano, com foco nos casos registrados na Centralidade da
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Quilemba, Lubango, para compreender como o princípio do melhor interesse da criança
é assegurado.
3.1. Objectivos específicos
1. Identificar as normativas legais do ordenamento jurídico angolano que regulam a
guarda do menor.
2. Examinar os critérios utilizados pelos tribunais para a determinação da guarda
do menor nos casos analisados na Centralidade da Quilemba.
3. Avaliar os desafios enfrentados pelas famílias e pelo sistema judicial na
implementação das decisões de guarda.
4. Propor recomendações para aprimorar a aplicação do princípio do melhor
interesse da criança nos processos de guarda no contexto angolano.
5. Delimitação do estudo
De acordo com o assunto em estudo, delimitou-se à realidade da Centralidade da
Quilemba, na perspectiva de melhorar a qualidade das relações familiares.
6. Ideia a defender
O ordenamento jurídico angolano, embora alinhado a princípios internacionais de
proteção à criança, enfrenta desafios práticos na efetivação do princípio do melhor
interesse do menor em casos de guarda, especialmente na Centralidade da Quilemba,
Lubango. A superação dessas lacunas exige maior sensibilização dos operadores do
direito, fortalecimento das políticas públicas e atualização legislativa para promover
decisões judiciais mais humanizadas e eficazes.
7. Tipo de pesquisa
Para esta investigação sugeriu-se o modelo descritivo com uma abordagem mista
(qualitativa-quantitativa) que busca descrever as características de determinada
população, ou fenómeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis.
De acordo com Creswell (2010), o método misto é uma abordagem que combina ou
mescla tanto o método quantitativo quanto o qualitativo. Assim como ele preconiza a
obtenção de dados precisos, também preconiza a compreensão aprofundada desses
dados
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Ribas e Fonseca (2008) o modelo descritivo é aquele que descreve uma realidade,
conhecendo-a e interpretando-a por meio da observação, do registo e da análise dos
factos ou fenómenos e descrição dos fenómenos estudados, assim como a identificação
de principais dificuldades que explicam o objecto de investigação.
Segundo Ramos e Naranjo (2014, p. 55) na pesquisa descritiva, os fatos são observados,
registrados, analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira
sobre eles. Isso quer dizer que os fenómenos do mundo físico e humano são estudados,
mas não são manipulados pelo pesquisador.
8. População e Amostra
8.1. População
Segundo Day (1990, p. 57) a população é o número total ou conjunto de elementos
(pessoas, animais ou plantas) que tem uma ou, mais características bem definidas,
mediáveis e comum.
Por outro lado, para Silva (2004), a população é o universo, conjunto de indivíduos,
elementos ou fenómenos que tem características comuns. Partindo deste princípio de
que a população não é mais senão a totalidade de indivíduos que possuam as mesmas
características.
A população para esta investigação será constituída por 20 familas da Centralidade da
Quilemba.
8.1. Amostra
No entender de Day (1990, p. 59) amostra é o subconjunto de uma dada população que
realmente se estudará.
Segundo leite (2008), amostra refere-se essencialmente a um subconjunto da população;
amostra é considerada como um número de sujeito de uma determinada população,
assim sendo, amostra é parte representativa da população que tenha credibilidade
científica que garante resultados fiáveis da investigação cujos critérios para a selecção
da amostra serão escolhidos ao acaso.
Pretende-se neste projecto, trabalhar com amostra de 20 Familias.
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8.1.1. Tipo de Amostragem
O critério de amostragem é do tipo intencional.
Segundo Buffon (2018), a amostragem do tipo intencional é um tipo de método de
recolha de dados que envolve toda a população, um censo não utiliza um método de
amostra. Como todos os membros participam no censo, os dados recolhidos são exactos
e detalhados.
9. Estrutura do trabalho
O trabalho estará estruturado em uma introdução e dois capítulos principais. O primeiro
capítulo abordará, entre outros aspectos, o marco teórico e legal sobre a guarda do
menor no ordenamento jurídico angolano, destacando os princípios fundamentais que
regem o tema, como o melhor interesse da criança, e o papel das famílias e instituições
no cumprimento dessas normas.
O segundo capítulo será dedicado à análise do estudo de caso na Centralidade da
Quilemba, Lubango, incluindo o tratamento das informações colectadas por meio de
inquéritos e outros métodos de pesquisa, com o objectivo de compreender a aplicação
prática das disposições legais relacionadas à guarda do menor. Por fim, o trabalho
apresentará uma conclusão com reflexões sobre os resultados, sugestões para aprimorar
a efectivação dos direitos da criança, além de referências bibliográficas, apêndices e
anexos que complementam e fundamentam a pesquisa.
10. Cronograma de trabalho
Nº Tarefa 2024 Meses
09 10 11 12
01 Revisão de literatura X
02 Elaboração do Marco teórico X
03 Descrição e fundamentação do objecto de estudo X
04 Elaboração das ferramentas de diagnóstico X
05 Validação das ferramentas X
06 Aplicação das ferramentas X
07 Elaboração da estratégia X
08 Validação da estratégia por julgamento de X
especialistas
09 Aplicação e avaliação da eficácia da estratégia X
proposta
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10 Recolha, tratamento e interpretação dos dados. X
11 Escrita do relatório X
12 Apresentação e defesa do TFC X
11. Bibliografia
Dias, A. P. (2021). Direitos das crianças e adolescentes: Princípios e desafios jurídicos.
Coimbra: Almedina.
Oliveira, R. F., & Santos, T. M. (2020). Guarda compartilhada e os desafios da
parentalidade no século XXI. São Paulo: Saraiva.
Silva, J. R. (2018). O Código da Família angolano: Avanços e desafios. Luanda: Ed.
Universitária.
Borges, M. C. (2019). A guarda compartilhada e o princípio do melhor
interesse da criança. Revista de Direito de Família, 26(2), 78-92.
Dias, A. P. (2021). Direitos das crianças e adolescentes: Princípios e desafios
jurídicos. Coimbra: Almedina.
Oliveira, R. F., & Santos, T. M. (2020). Guarda compartilhada e os desafios da
parentalidade no século XXI. São Paulo: Saraiva.
Silva, J. R. (2018). O Código da Família angolano: Avanços e desafios. Luanda: Ed.
Universitária.
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