ANÁLISE DA ABRANGÊNCIA DA REALIZAÇÃO DE EXAMES CIPATOLÓGICOS
CERVICAIS NO MUNICÍPIO DE SANTA LUZIA DO PARUÁ
Ana Júlia Silva Costa¹, Santa Luzia do Paruá, Maranhão
[email protected]
Resumo
O câncer do colo do útero é um importante problema de saúde pública na população
feminina brasileira e seu diagnóstico precoce aumenta consideravelmente a probabilidade de
cura, além de ser uma doença de evolução lenta, sua incidência é representada pelo terceiro tipo
de câncer que mais acomete, sobretudo, mulheres acima dos 25 anos. Desta forma, o presente
trabalho tem por objetivo investigar o quantitativo de exames preventivos analisado através dos
dados do Sistema de Informação do Câncer (Siscan) realizados pelas Unidades Básicas de
Saúde do município de Santa Luzia do Paruá, utilizando-se um estudo de série temporal
referente à realização do exame, no período entre 2018-2021, em mulheres residentes neste
município e usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo baseou-se na análise de dados
secundários das seguintes fontes: 1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2.
Sistemas de Informação do Câncer (SISCAN). Os dados foram trabalhados por meio de
estatística descritiva e apresentados por meio de tabelas e gráficos que mostram a frequência
dos dados em números absolutos e relativos, cruzando, às vezes, algumas variáveis. Durante o
período de janeiro de 2018 a dezembro de 2021, foram realizados 4.057 exames citopatológicos,
dentre os quais foram identificados 98 exames com algum grau de alteração. Em todos os anos,
a faixa etária de até 24 anos foi a que obteve menor quantidade de exames, tendo seu declínio
ainda maior em 2020. O município de Santa Luzia do Paruá segue um padrão nacional de
maiores resultados nos primeiros anos, segundo os achados que surgiram na busca de dados.
Palavras-chave: Citopatológico; Siscan; Câncer de Colo de Útero
Abstract
Cervical cancer is an important public health problem in the Brazilian female population
and its early diagnosis considerably increases the likelihood of a cure. In addition to being a
slowly progressing disease, its incidence is represented by the third type of cancer that most
affects women over the age of 25. The aim of this study is therefore to investigate the number
of preventive examinations analyzed using data from the Cancer Information System (Siscan)
carried out by the Basic Health Units in the municipality of Santa Luzia do Paruá, using a time
series study of the examinations carried out between 2018 and 2021 on women living in this
municipality and using the Unified Health System (SUS). The study was based on the analysis
of secondary data from the following sources: 1. Brazilian Institute of Geography and Statistics
(IBGE) 2. Cancer Information Systems (SISCAN). The data was analyzed using descriptive
statistics and presented in tables and graphs showing the frequency of data in absolute and
relative numbers, sometimes crossing out certain variables. During the period from January
2018 to December 2021, 4,057 cytopathology tests were carried out, of which 98 tests were
identified as having some degree of alteration. In all years, the age group up to 24 years old had
the lowest number of tests, with an even greater decline in 2020. The municipality of Santa
Luzia do Paruá follows a national pattern of higher results in the early years, according to the
findings that emerged in the data search.
Keywords: Cytopathologica; Siscan; Cervical cancer
Introdução
O câncer de colo do útero, também conhecido por câncer cervical, é uma doença de
evolução lenta, sua incidência é representada pelo o terceiro tipo de câncer que mais acomete,
sobretudo, mulheres acima dos 25 anos, com aproximadamente 530 mil novos casos por ano
no mundo, e o responsável pelo óbito de 270 mil mulheres no Brasil. Embora a maioria das
infecções por HPV se cure sozinhas e a maioria das lesões pré-cancerosas se resolva
espontaneamente, ainda há risco, para todas as mulheres, que a infecção por HPV se torne
crônica e lesões pré-cancerosas evoluam para um câncer invasivo do colo do útero. Para que o
câncer do colo do útero se desenvolva em mulheres com sistemas imunológicos normais, são
necessários de 15 a 20 anos. Em mulheres com sistemas imunológicos debilitados, as que estão
infectadas pelo vírus HIV e sem tratamento, o desenvolvimento do câncer pode levar apenas de
5 a 10 anos (OPAS, 2022). Apresentando alto potencial de cura e prevenção, por ser uma
patologia que possui uma fase pré-clínica longa.
No Brasil, atingir alta cobertura no rastreamento da população definida como alvo é o
componente mais importante para que se obtenha significativa redução da incidência e da
mortalidade por câncer de colo do útero. Estima-se que 12% a 20% das brasileiras entre 25 e
64 anos nunca realizaram o exame citopatológico, sendo a principal estratégia de rastreamento
do câncer de colo do útero e de suas lesões precursoras. Entre as razões que levam a uma baixa
cobertura no rastreamento do câncer de colo do útero encontra-se a dificuldade de acesso e
acolhimento enfrentado pelas mulheres, seja pela rigidez na agenda das equipes, que nem
sempre está aberta à disponibilidade da mulher, ou ainda por não acolher singularidades.
(Ministério da Saúde, 2016).
Uma das mais importantes descobertas na investigação etiológica de câncer nos últimos
30 anos foi a demonstração da relação entre o HPV (papilomavírus humano) e o câncer do colo
do útero, mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, de 4,8/100 mil mulheres
(BRASIL, 2013). No Brasil, as taxas de mortalidade são moderadamente altas em comparação
com as nações em desenvolvimento, mas significativamente mais altas quando comparadas aos
países desenvolvidos que possuem programas de detecção precoce bem estabelecidos. O
Ministério da Saúde orienta as mulheres sexualmente ativas ou que iniciaram a atividade sexual
a fazerem o rastreio a partir dos 25 anos. Recomenda-se repetir o rastreio a cada 3 anos se os
testes anteriores derem resultados negativos no prazo de um ano. O presente trabalho visa
examinar o número de estudos de prevenção utilizando análises de dados.
Material e métodos
Tipo de pesquisa
Um estudo ecológico exploratório de série temporal utilizou métodos quantitativos para
analisar a cobertura citopática cervical em Santa Luzia do Paruá-MA, no período de 2018 a
2021. O estudo baseou-se na análise de dados secundários das seguintes fontes: 1. Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2. Sistema de Informação do Câncer (SISCAN).
Local da pesquisa
A pesquisa foi realizada no município de Santa Luzia do Paruá, localizado no Interior
do Estado do Maranhão, Região Nordeste do Brasil. Sua população, conforme estimativas do
IBGE de 2021, era 28. 487 habitantes, sendo a cidade que faz parte da Microrregião de Pindaré.
Abrange 100% da Estratégia Saúde da Família, possuindo 9 Unidades Básicas de
Saúde (UBS’s) cadastradas, com 73 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) credenciados,
abrangendo tanto a zona urbana quanto a rural, sendo 25.254 pessoas cadastradas
como critérios de vulnerabilidade, conforme informou o site da Secretaria
de Saúde Primária - SAPS.
Coleta de dados
Os dados foram trabalhados por meio de estatística descritiva e apresentados por meio
de tabelas e gráficos que mostram a frequência dos dados em números absolutos e relativos,
cruzando, às vezes, algumas variáveis como: o ano da realização dos exames, faixa etária
coberta pelo exame, número de exames realizados e os principais resultados encontrados.
Resultados e Discussão
No município de Santa Luzia do Paruá- MA, durante o período de janeiro de 2018 a dezembro
de 2021, foram realizados 4.057 exames citopatológicos. Foram coletados 580 (23,5%) exames
em mulheres na faixa etária até 24 anos e 935 (37,9%) na faixa etária de 25 a 34 anos. Para a
faixa etária entre 35 a 49 anos, 1.389 exames, correspondendo a 56,3%, e para maiores de 50
anos 1.153 (46,7%). O ano de maior número de exames realizados foi em 2018 com 1.266
exames e a menor taxa foi no ano de 2020, com 506 exames. Em todos os anos a faixa etária
de até 24 anos foi a que obteve menor quantidade de exames, tendo seu decaimento ainda maior
Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Entre Acima
Mês/Ano
10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 a 69 70 a 74 75 a 79 de 79 Total
competência
anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos anos
JANEIRO A
DEZEMBRO 0 49 122 135 170 171 135 110 119 95 73 46 25 13 3 1.266
/2018
JANEIRO A
DEZEMBRO 5 62 121 125 141 145 104 110 94 77 56 27 18 7 4 1096
/2019
JANEIRO A
DEZEMBRO 0 28 38 62 72 76 49 45 49 42 16 20 5 4 0 506
/2020
JANEIRO A
DEZEMBRO 3 58 94 103 127 174 146 124 111 100 73 36 25 10 5 1.189
/2021
Total 8 197 375 425 510 566 434 389 373 314 218 129 73 34 12 4.057
em 2020, onde apresentou apenas 66 exames. (Tabela 1)
(TABELA 1) Número de exames citopatológicos do colo do útero realizados em mulheres na
faixa etária entre 25 a 59 anos em Santa Luzia do Paruá-MA. Período 2018 a 2021.
Fonte: DATASUS
Pelos dados obtidos com o Siscan, foi possível verificar que houve 48 exames com 3
tipos de lesões, Lesões Intraepiteliais Escamosas de Baixo Grau, tendo sua prevalência em
fevereiro de 2019, compatíveis a ação viral em 31 (14,8%) casos ao total. A mesma lesão
prevaleceu em todos os anos, quando comparado com as demais lesões de alto grau. A Lesões
Intraepiteliais Escamosas de Alto Grau, esteve presente em 16 (7,6 %) dos casos entre o ano de
2018 a 2020, respectivamente. Foi possível verificar que, a partir de dezembro de 2021, ocorreu
o único caso de Lesões de Alto Grau não Podendo Excluir a Micro-Invasão, sendo contribuinte
na porcentagem e diminuição de casos. (Gráfico 2).
GRÁFICO 2 – Distribuição Anual dos exames preventivos de câncer de colo do útero
com resultados alterados. Santa Luzia do Paruá/MA. Período 2018 a 2020.
Les IE Baixo Grau Les IEp Alto Grau Les IE AG Mic. Inv
11
11
9
7
6
1
0
0
FEVEREIRO A FEVEREIRO A FEVEREIRO A
DEZEMBRO/2018 DEZEMBRO/2019 DEZEMBRO/2020
Fonte: DATASUS
Quando avaliado o grau de displasia, foram identificados 98 exames com algum grau
de alteração. Entre as alterações de exames que foram reavaliados, foram constatados que no
ano de 2018, sendo considerado o mais prevalente de todas os anos, ocorreram cerca de 36
casos de exames com algum tipo de incoerência, todavia, levando em consideração que as
alterações no preventivo sejam de natureza inflamatória ou infecciosa, seu cuidado foi tido
como ignorado. O maior número de casos de todas as displasias analisadas ocorreu na faixa
etária de 35 a 39 anos e o menor número na faixa etária de maiores ou igual a 60 anos (Gráfico
3).
Entre 15 e 19 anos Entre 20 e 24 anos Entre 25 e 29 anos Entre 30 e 34 anos
Entre 35 e 39 anos Entre 40 e 44 anos Entre 45 e 49 anos Entre 50 e 54 anos
Entre 55 e 59 anos Entre 60 e 64 anos Entre 65 e 69 anos Acima de 79 anos
10 8
7
6
55 5
5 4444 4 4
3 3 3 3
22 2 2 2 2 2 2
1 1 1 1 1 11 11 1
0 0 000 0 000 0000 0
0
2018 2019 2020 2021
Fonte: DATASUS
Conclusão
A análise da cobertura do exame citopatológico do colo do útero possibilitou a
visualização do quadro epidemiológico do câncer do colo uterino no município e a construção
de indicadores e de determinantes dessa morbidade. Esse conhecimento é fundamental para
ajustes nas políticas de saúde, principalmente nas estratégias sub-regionais. Acredita-se que
os resultados apresentados serviram de auxílio na identificação e correção de possíveis falhas
do programa de prevenção do CCU, além de contribuir para a elaboração de novas estratégias
e melhorias das ações preventivas e diagnósticas. Elencados nas análises baseadas em exames
realizados para mulheres cadastradas no site de verificação, de forma que ações focais e locais
auxiliam no controle dessa neoplasia de maneira mais focada na causa do problema em si,
sem que haja abertura para uma possível prevalência.
Referências:
Brasil. Ministério da Saúde (MS). Sistema de Informação do câncer do colo do útero e Sistema
de Informação do câncer de mama. 2016. [Internet]. Disponível em: http://
w3.datasus.gov.br/siscam/index.php?area=0401. Acesso em: 27 dez. 2023.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Controle dos cânceres do colo do útero e da mama / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção
à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde,
2013.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Brasileiro de
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Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/hpv-e-cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 27
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Globocan 2008. Lyon, 2008a. Disponível em: Acesso em: https://www.iarc.who.int/news-
events/globocan-2008-cancer-incidence-and-mortality-worldwide/ 10 jan. 2023. Acesso em:
27 dez. 2023.