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Dark Web e Tráfico de Pessoas

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Lorrane Ramos
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UNINASSAU CACOAL

CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO

LORRANE RAMOS

A INVISIBILIDADE DA DARK WEB: O TRÁFICO DE PESSOAS E A


RESPONSABILIDADE JURÍDICO-PENAL NO BRASIL E NO DIREITO
COMPARADO

CACOAL/RO
2024
LORRANE RAMOS

A INVISIBILIDADE DA DARK WEB: O TRÁFICO DE PESSOAS E A


RESPONSABILIDADE JURÍDICO-PENAL NO BRASIL E NO DIREITO
COMPARADO

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Centro
Universitário Maurício de Nassau
– UNINASSAU Cacoal, como
requisito parcial para cumprimento
da Matriz Curricular corrente.

Área de Concentração: Direito


Penal.

Orientação: Rondinelly Moreira


Santos.

CACOAL/RO
2024
A INVISIBILIDADE DA DARK WEB: O TRÁFICO DE PESSOAS E A
RESPONSABILIDADE JURÍDICO-PENAL NO BRASIL E NO DIREITO
COMPARADO

THE INVISIBILITY OF THE DARK WEB: HUMAN TRAFFICKING AND


CRIMINAL LIABILITY IN BRAZIL AND COMPARATIVE LAW

Lorrane Ramos1
Rondinelly Moreira Santos2

RESUMO: Este trabalho visa analisar a responsabilidade da legislação brasileira no combate


ao tráfico de pessoas na Dark Web, um ambiente propício para crimes graves devido ao
anonimato que oferece. A pesquisa busca compreender a eficácia das normas brasileiras,
como a Lei nº 13.344/2016 e o Protocolo de Palermo, na prevenção e repressão desse tipo de
crime, destacando também o direito comparado. A justificativa se baseia na necessidade de
entender esse fenômeno para formular estratégias práticas de combate, dada a crescente
sofisticação dos cibercrimes e a natureza transnacional do tráfico de pessoas. Utilizando uma
abordagem quantitativa, o estudo compara dados estatísticos de diferentes grupos de vítimas,
traficantes e contextos, aplicando o método indutivo-dedutivo para testar hipóteses. A
metodologia inclui análise documental e bibliográfica, com fontes como relatórios de
organizações internacionais e estudos acadêmicos. A conclusão aponta que, embora o Brasil
tenha feito avanços no combate ao tráfico de pessoas, a Dark Web continua sendo um
obstáculo significativo para as autoridades, devido ao anonimato e à encriptação que
dificultam a identificação e punição dos responsáveis. A pesquisa sublinha a importância de
uma abordagem coordenada, com esforços legislativos, tecnológicos e sociais, além de
campanhas preventivas e assistência às vítimas, para enfrentar de forma eficaz esse crime
hediondo.

Palavras-chave: Dark Web; tráfico de pessoas; cibercrime; responsabilidade do Estado.

ABSTRACT: This study aims to analyze the responsibility of Brazilian legislation in


combating human trafficking on the Dark Web, an environment conducive to serious crimes
due to the anonymity it offers. The research seeks to understand the effectiveness of Brazilian
regulations, such as Law No. 13.344/2016 and the Palermo Protocol, in preventing and
repressing this type of crime, also highlighting comparative law aspects. The justification is
based on the need to understand this phenomenon in order to formulate practical strategies to
combat it, given the growing sophistication of cybercrimes and the transnational nature of
human trafficking. Using a quantitative approach, the study compares statistical data from
different groups of victims, traffickers, and contexts, applying the inductive-deductive method
to test hypotheses. The methodology includes documentary and bibliographic analysis, with
sources such as reports from international organizations and academic studies. The conclusion
points out that, although Brazil has made progress in combating human trafficking, the Dark
Web remains a significant obstacle for authorities due to the anonymity and encryption that
hinder the identification and punishment of those responsible. The research underscores the

1
Graduanda em Direito pela faculdade (UNINASSAU) Centro Universitário Maurício de Nassau e e-mail:
[email protected].
2
Professor Rondinelly Moreira Santos, graduado em Direito pela CEULJI/ULBRA. Especialização em
Pós-Graduação em Direito Penal e Processual Penal. pelo Damásio Educacional, Servidor Público,
Enquadramento Funcional: Delegado de Polícia Civil, e-mail: [email protected].
3

importance of a coordinated approach, with legislative, technological, and social efforts, as


well as preventive campaigns and victim assistance, to effectively tackle this heinous crime.

Keywords: Dark Web; Human Trafficking; cybercrime; state responsibility.

INTRODUÇÃO

A Dark Web, um canto obscuro da internet, tem-se configurado como um terreno fértil
para a proliferação de atividades ilícitas, entre as quais se destaca o tráfico de pessoas. Sua
complexidade, associada ao anonimato proporcionado pela rede, torna desafiador o combate a
essa prática criminosa, especialmente no que tange à responsabilização dos agentes
envolvidos. O tráfico humano, que é considerado a terceira forma de crime mais lucrativa do
mundo, gera milhões de dólares em lucros anuais, com estimativas que oscilam entre US$
31,6 bilhões e US$ 150 bilhões.
O objetivo geral é examinar o papel da lei brasileira no combate ao tráfico de pessoas
na Dark Web, incluindo elementos do direito comparado. A pesquisa busca responder ao
seguinte problema: em que medida a legislação brasileira é eficaz na prevenção e repressão ao
tráfico de pessoas facilitado pela Dark Web?
A pesquisa terá caráter aplicado e explicativo, utilizando uma abordagem quantitativa
e qualitativa. Serão examinados dados estatísticos sobre o tráfico de pessoas, bem como
documentos legais e estudos de caso. A técnica indutiva-dedutiva será empregada com base
em uma revisão bibliográfica abrangente sobre o assunto.
No primeiro capítulo, será abordado o surgimento da Dark Web, diferenciando-a da
Deep Web, e contextualizando seu uso para atividades ilícitas, com foco no tráfico de pessoas.
O segundo capítulo tratará do contexto histórico do tráfico de pessoas, destacando a evolução
desse crime ao longo dos anos e as principais modalidades de tráfico existentes. No terceiro
capítulo, serão analisados os instrumentos normativos, tanto a nível nacional quanto
internacional, que buscam combater o tráfico de pessoas, com especial atenção às falhas e
lacunas legislativas. O quarto capítulo abordará o modus operandi dos traficantes de pessoas
na Dark Web, analisando as técnicas e estratégias utilizadas para atrair e explorar vítimas. Por
fim, o quinto capítulo explora as estratégias e abordagens mais eficazes para o combate ao
tráfico de pessoas na Dark Web, avaliando as políticas públicas e as práticas jurídicas que
podem ser adotadas para enfrentar esse desafio.
A relevância deste estudo para a ciência jurídica reside na contribuição para a
compreensão e aprimoramento das políticas e legislações voltadas ao combate do tráfico de
4

pessoas na Dark Web. A pesquisa oferece uma análise crítica das ferramentas jurídicas
existentes e propõe estratégias para tornar o enfrentamento desse crime mais eficaz.

1 SURGIMENTO DA DARK WEB

Em 1969, a primeira mensagem eletrônica é enviada, marcando o início da era digital.


Redes como a ARPANET, precursora da internet, surgiu e abriu caminho para novas
possibilidades, incluindo as "darknets", redes ocultas inacessíveis ao público em geral. Na
década de 1970, a dark web experimenta seu primeiro comércio, sendo a maconha a inaugurar
este mercado, onde estudantes de Stanford usam a ARPANET para realizar transações
secretas, estreando o comércio eletrônico (e-commerce) de entorpecentes, ou seja, algo com
propósito positivo sendo utilizado de forma ilícita, um cenário que se torna comum ao longo
dos anos (Start, 2019). Mais tarde, a Marinha Americana na década de 1990, desenvolveu
uma tecnologia inovadora para navegação anônima na internet, visando aumentar a segurança
de suas operações, e foi essa inovação que acabou sendo fundamental para o futuro da dark
web (Coelho, 2023).
Veio então o lançamento do The Onion Router (TOR), marcando um ponto de virada,
no ano de 2002. Esse algoritmo permite que usuários comuns acessem a internet de forma
anônima, impulsionando o crescimento da dark web e atraindo um público amplo em busca
de privacidade e acesso a conteúdos ilegais. Atualmente, o TOR se consolida como a
principal ferramenta para acessar a dark web, facilitando os cibercrimes como o comércio de
drogas, armas, documentos falsos, outros itens ilícitos e, em especial, o tráfico de pessoas. A
dark web se torna um universo paralelo, com suas próprias regras e desafios, onde atividades
ilícitas proliferam e a segurança é sempre uma questão em aberto (Start, Equipe Tech, 2019).

1.1 DIFERENCIAÇÃO ENTRE DARK WEB E DEEP WEB

A internet é como um vasto oceano, esconde segredos e mistérios além da superfície


visível. Navegando por suas profundezas, encontramos duas áreas distintas, sendo a Deep
Web e a Dark Web, cada uma com suas características e perigos. Ambas podem ser utilizadas
de forma ética, cabendo a escolha individual de como usufruir desses mecanismos.
A Deep Web, representando 90% da internet, é feita para a proteção de dados de
pessoas físicas e jurídicas, são compostas por conteúdos não indexados pelos mecanismos de
busca. A indexação no Google é o processo de análise e armazenamento de páginas da web no
5

índice do Google (Kaspersky, [s.d.]). Para que uma página seja indexada pelo Google, ela
precisa ser rastreada pelo "Googlebot", que é um rastreador do Google. O rastreador pode
encontrar o site de várias formas, como, por exemplo, a partir de um link de outro site ou a
partir do envio do mapa do site diretamente ao Google. Depois de encontrar o site, o Google o
rastreia, significa que ele verifica todo o site para descobrir o que está nele, analisando o
conteúdo textual, as tags e atributos do conteúdo, imagens e vídeos (Lima, 2024).
Para que todas as páginas de um site sejam indexadas, é possível criar links internos
entre os conteúdos do site. Isso ajuda a evitar o surgimento de páginas órfãs, que não são
linkadas a nenhuma outra página do site. São exemplos de conteúdos não indexados os
bancos de dados privados, fóruns restritos, áreas de membros em sites e muito mais (Lima,
2024).
Páginas que englobam a Deep Web são, em geral, seguras e acessadas cotidianamente
pela população, como acessar serviços de bancos digitais. Essas páginas não representam
risco ao seu computador, apenas deveriam ser utilizadas para proteger dados privados.
Contudo, acaba sendo utilizado para alguns ilícitos, como disponibilização e acesso a
conteúdos piratas, violentos e perturbadores em geral.
A Dark web é popularmente conhecida pela sua reputação ruim, entretanto pode ser
utilizada de forma lícita para pesquisas e denúncias, dentre outras coisas, mas essa fama ruim
não se propagou indevidamente, visto que acaba sendo utilizada em sua maioria para cometer
atos criminosos. Os perigos desta navegação diferem dos da Deep Web, onde há necessidade
de utilizar medidas de segurança como o Virtual Private Network (VPN) para esconder o
endereço IP, sendo que cada dispositivo tem um ID na internet, ao utilizá-lo impede que seja
hackeado. Este serviço VPN camufla e garante uma segurança extra dentro da rede TOR.
Também é válida a utilização de pacotes antivírus, uma vez que o usuário está sujeito a todo e
qualquer tipo de ataque cibernético em sua navegação (Klusaitė, 2021).
A rede The Onion Router (TOR) utilizada para acessar a Dark Web possui vários
servidores pelo mundo, mantida por voluntários, tornando difícil sua intercepção. Imagine
esta rede como uma cebola que é constituída de 3 camadas, o usuário solicita e o TOR gera
uma criptografia em três nodos ou nó diferentes, cada nodo é um ponto de interconexão na
rede, então é criado o primeiro nodo sendo o de guarda, ali acontece a retirada da primeira
criptografia e passa para o próximo, nodo servidor intermediário que retira a segunda camada
e transmite a mensagem para o nodo de saída, este consegue ter acesso ao conteúdo da
mensagem, mas não ao mensageiro, o tornando relativamente inseguro, fazendo a necessidade
de um VPN para uma segurança mais abrangente (Conceito.De, 2022).
6

Imagine a Deep Web como a parte submersa do iceberg, inacessível à navegação


comum, porém a Dark Web, por sua vez, é um subconjunto da Deep Web propositalmente
oculto e inacessível por navegadores tradicionais. Acessível apenas por ferramentas
específicas como o TOR, essa região sombria da internet é palco de atividades ilícitas e
conteúdos perturbadores, tendo como tipo o tráfico de drogas, armas, pornografia infantil,
venda de órgãos e tantos outros crimes que proliferam nesse ambiente fatídico.

Figura 1 - Iceberg

Fonte: https://mobizoo.com.br/tutoriais/deep-web-entrar-links/ (acessado em 05/05/2024)

A internet é como um iceberg, onde a parte visível é a Surface Web, sendo apenas a
ponta do iceberg, composta por sites indexados como Facebook, Wikipedia e outros sites
comuns. O que está submerso, a Deep Web, é bem maior e esconde a Dark Web, uma região
esquerdo. Quanto a esta temática, discorre-se sobre como e quanto é obscura esta parte
escondida em uma camada mais profunda da internet:

Dark Web é uma pequena parcela da Deep Web, é a parte mais obscura da internet,
composta por redes e sites que não são indexados pelos mecanismos de busca.
Praticamente todo o conteúdo desta camada são voltados para práticas criminosas
dos tipos mais repugnantes. A grande maioria dos sites são composta por strings de
números e letras sem sentido, para que somente quem possui credenciais e os
domínios completos possam acessar. Além disso, dispõem de ferramentas poderosas
de criptografia e proteção de dados, visto que muitos ataques podem ocorrer para
quem tenta acessar (Romão, 2021, p.13).

Neste aspecto, há pontos principais de diferença entre as duas, onde a Deep Web é
acessível com ferramentas e configurações específicas, enquanto a Dark Web exige softwares
específicos como o TOR. Mas ambas contêm conteúdos variados, desde informações úteis até
material ilegal; entretanto, a Dark Web é focada em atividades ilícitas e conteúdos
7

perturbadores. A Deep Web oferece certo grau de anonimato, ao contrário da outra que é
conhecida por seu alto nível de anonimato, dificultando a identificação dos usuários, ou seja,
elas se diferenciam em grau de profundidade, parecidas, porém nem tanto.

1.2 CIBERCRIME

O cibercrime envolve qualquer atividade ilícita realizada na rede, abrangendo desde


invasões de sistemas e roubo de dados pessoais até falsidade ideológica e acesso a
informações confidenciais. Uma característica marcante do cibercrime é sua natureza
transnacional, dificultando a investigação e a aplicação de provas. Com o aumento dos
computadores pessoais, as práticas criminosas podem ser realizadas em qualquer lugar do
mundo, ampliando o alcance e a complexidade desses delitos. A falta de leis específicas e
punições eficazes em diversos países torna o combate ao cibercrime ainda mais desafiador.
De acordo com Gonçalves (2024), o Brasil é um grande alvo desse tipo de crime,
sendo o segundo em foco para ataques cibernéticos na América Latina, segundo pesquisa
realizada pela SAS Institute, empresa de business intelligence. Muitos brasileiros relatam
sofrer de alguma forma uma espécie de golpe. “Com a tecnologia ganhando cada vez mais
espaço na vida dos consumidores, quadrilhas tentam tirar proveito por meio de compras
on-line, falsas centrais de atendimento e até promessas de renda extra” (Projeto de Lei Nº
2.801, 2024).
Entre os diversos tipos de cibercrimes, destaca-se o uso da internet para pornografia
infantil, lavagem de dinheiro e ciberterrorismo. Esses crimes são cometidos com o auxílio de
tecnologias digitais e, muitas vezes, têm motivações políticas ou financeiras. No contexto do
tráfico de pessoas, especialmente na Dark Web, esses crimes são facilitados pela capacidade
de operar anonimamente através da rede TOR, caracterizada pela dificuldade em rastrear e
desmantelar os envolvidos no esquema. A distribuição de conteúdo relacionado ao tráfico de
pessoas e à exploração sexual de vítimas é uma das formas mais cruéis de cibercrime,
agravada pela invisibilidade proporcionada pela mesma.
O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury
Fedotov (2024), destaca em artigo de opinião o impacto global crescente dos cibercrimes,
cujo custo já alcança 600 bilhões de dólares. Fedotov enfatiza que a magnitude desses crimes,
que incluem a exploração infantil online, mercados negros virtuais e o tráfico de pessoas nas
redes sociais, requer uma resposta global robusta. Ele defende que a cooperação internacional,
8

juntamente com a colaboração entre os setores público e privado, é essencial para capacitar os
atores envolvidos e enfrentar essas ameaças.
Fedotov alerta que os cibercrimes ultrapassam fronteiras e afetam diversos aspectos da
sociedade, desde lares até escolas, negócios e hospitais, amplificando as ameaças à segurança
global. Ele também destaca que as mulheres e meninas são desproporcionalmente
prejudicadas pelo abuso sexual online, causando danos significativos ao psicológico, ao
desenvolvimento sustentável, à segurança e à igualdade de gênero. A necessidade urgente de
cooperação internacional através de ações coordenadas é crucial para mitigar tais impactos
devastadores.
Esta tipificação de crimes na rede universal de computadores é algo mais recente, mas
o crime de tráfico de pessoas foi apenas adaptado ao longo do tempo para ficar mais fácil de
praticá-lo com a ajuda da tecnologia. Existe um contexto histórico até chegar a ser realizado
com auxílio da internet.

2 CONTEXTO HISTÓRICO DO TRÁFICO DE PESSOAS

O tráfico de pessoas, uma chaga na sociedade, não é um problema recente. Este


infortúnio gerou a necessidade de um conceito jurídico propriamente dito, nascendo então no
século XIX, quando o cenário internacional passou a se voltar com olhares de preocupação
quanto ao tráfico de mulheres europeias a diversos pontos pelo mundo. Com isso, veja-se o
primeiro caso registrado:

O primeiro caso de tráfico de seres humanos que objetivou lucro aconteceu nas
cidades italianas, entre os séculos XIV e XVII, durante o Renascimento. A prática
estimulou o comércio mediterrâneo na Península Itálica, onde também teve início o
pré-capitalismo, que pregava o acúmulo de capital a (Teixeira, 2004, p.17).

Desde a Antiguidade, a exploração do homem se manifesta de diversas formas,


moldando-se ao longo dos séculos e adaptando-se às realidades de cada época. Ana Paula, em
seus estudos, destaca que a exploração de seres humanos é uma prática econômica que
acompanha a humanidade desde seus primórdios. O Código de Hamurábi (1694 a.C.) e as
escrituras bíblicas já registram a presença da escravidão, evidenciando a longa história dessa
atrocidade.
Observa-se que a escravidão na antiguidade era uma prática comum,
principalmente com os prisioneiros de guerra, segundo Giordani:
9

O tráfico de seres humanos é uma prática muito antiga existindo desde a


Antiguidade Clássica, primeiramente na Grécia e, posteriormente, em Roma. Nesse
período, o tráfico se dava com o fim de obter prisioneiros de guerra para serem
utilizados como escravos. Salienta-se que o trabalho escravo era respaldado pelos
pensadores da época, apontando Aristóteles que havia homens escravos por
natureza, pois existiam indivíduos tão inferiores que estariam destinados a empregar
suas forças corporais e que nada melhor poderiam fazer (Giordani, 1984, p. 23).

Na Idade Média, essa prática cresceu em decorrência dos derrotados em guerras, onde
eles eram obrigados a trabalhar em construções, serviços domésticos e outras atividades,
como relata o IMDH (instituto de imigração dos direitos humanos). Outro ponto crucial foram
as grandes navegações e o estabelecimento das colônias, onde se intensificou o tráfico de
pessoas negras. Durante 400 anos, milhões de africanos foram transportados em condições
desumanas para trabalhar como escravos nas Américas, sustentando a economia colonial
(Jorge, 2018, p. 42).
A globalização, por sua vez, também serviu como intensificador do tráfico de pessoas,
facilitando a livre circulação, dificultando o controle estatal, sendo um caso observado pelo
estado brasileiro, com a seguinte constatação, “O tráfico de pessoas para fins de exploração
sexual tem suas raízes no modelo de desenvolvimento desigual, do mundo capitalista
globalizado e do colapso do Estado” (Justiça, 2007). Contudo, o avanço da capacidade
tecnológica só intensificou algo preexistente no caráter humano, ou seja, conseguir soluções
para este problema ético e imoral não é fácil.
Maria Disselma Tôrres de Arruda, em seus estudos, identificou que, desde o
ano de 1902, há movimentos por parte do estado buscando uma solução:

No plano internacional, a Conferência de Paris de 1902, foi o primeiro evento de


maior destaque que tratou de discutir e estabelecer normas de combate ao tráfico de
pessoas, resultando no Protocolo de Paris, em 1904. Primeiro acordo internacional
visando à repressão ao tráfico de pessoas, o Protocolo centrou-se na temática
referente ao tráfico de escravas brancas (Arruda, 2011).

Mesmo que tais soluções não englobasse a todos, havia se dado o primeiro passo de
muitos que viriam a ser tentados pelo estado em perquirir uma mudança na sociedade para
acabar com esta prática abominável. De tempos em tempos, há uma necessidade maior de
abranger e adaptar a legislação à atualidade, fazendo um arcabouço de normas que puna
severamente os criminosos e resguarde os direitos à integridade física e mental sobre o corpo
do indivíduo.

3 INSTRUMENTOS NORMATIVOS
10

O Protocolo de Palermo é um tratado internacional que assume papel fundamental na


legislação brasileira através da ratificação do Decreto nº 5.017 de 12 de março de 2004. Este
Protocolo oferece uma definição abrangente e precisa do crime em seu artigo 3° de seu
instrumento, servindo em sua integralidade como base sólida para prevenção e combate a tal
crime, seja-se:

O “tráfico de pessoas” entende-se o recrutamento, o transporte, a transferência, o


alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou ao uso da força ou
a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou
de situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou
benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tem autoridade sobre
outra, para fins de exploração. A exploração deverá incluir, pelo menos, a
exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o
trabalho ou serviços forçados, a escravatura ou práticas similares à escravatura, a
servidão ou a extração de órgãos (Protocolo de Palermo, 2003).

Este tratado internacional é crucial na luta contra o tráfico de pessoas, dedicando seu
artigo 3º a uma definição abrangente e precisa desse crime hediondo. Através de uma análise
profunda deste protocolo, podemos compreender a natureza complexa do tráfico de pessoas,
seus elementos constitutivos e suas graves consequências geradas às vítimas. Sua estrutura é
composta por uma redação complexa e bem esquematizada, constituída por 41 artigos, que
reúnem orientações aos países para enfrentar e combater este crime inóspito, e a partir deste
arcabouço de artigos é possível compreender a importância de lutar contra a máfia, buscando
a sua erradicação.
O tráfico de pessoas no Brasil permaneceu invisível aos olhos da lei, por muito tempo
foi ignorado, isso infelizmente acarretou um crescente aumento de crimes desse formato,
trazendo aquela velha ideia “o crime compensa”. Sentimento que advinha de uma legislação
que tipificava o crime apenas para fins de exploração sexual, como constava nos artigos 231 e
231-A do Código Penal, que foram revogados pela Lei n° 13.344/2016. A respectiva norma
deixava um vazio legal que dificultava a investigação, punição e proteção das vítimas. Veio
então a nova legislação trazida pela lei, que introduziu o artigo 149-A no Código Penal,
abrangendo diversas formas de exploração de seres humanos.
A situação era alarmante, autoridades e a própria sociedade civil se depararam com
um crime complexo, mas sem a devida tipificação legal, tornando a denúncia um processo
tortuoso e incerto. A caracterização do crime exigia interpretações e equiparações penais
complexas, muitas vezes insuficientes para garantir justiça às vítimas. Mas então veio algo
para acabar com esta incerteza, em 2016, um marco histórico, a Lei nº 13.344 de 6 de outubro
de 2016 foi promulgada, trazendo luz e justiça para essa realidade cruel. A mesma dispõe
11

sobre a prevenção e repressão do tráfico de pessoas, tanto no âmbito nacional quanto


internacional, e estabelece medidas de amparo e atenção às vítimas.
O artigo 149-A do Código Penal, introduzido pela Lei nº 13.344/2016, ampliou o
escopo do crime de tráfico de pessoas, incluindo-o como conduta para fins de: Remoção de
órgãos, tecidos ou partes do corpo (inciso I); Trabalho em condições análogas à escravidão
(inciso II) ou qualquer tipo de servidão (inciso III); Adoção ilegal (inciso IV); Exploração
sexual (inciso V). A pena prevista para o crime de tráfico de pessoas varia de quatro a oito
anos de prisão e multa, podendo ser aumentada em casos específicos: crime cometido contra
crianças, adolescentes e idosos ou por funcionários públicos; vítima traficada para o exterior
aproveitando da vulnerabilidade da vítima.
A Lei nº 13.344/2016 representa um avanço significativo na luta contra o tráfico de
pessoas no Brasil. Ao tipificar o crime de forma abrangente, e não apenas exploração sexual
como era a antiga classificação para o tráfico de pessoas no Brasil, então esta lei veio
estabelecer medidas de proteção às vítimas, com um maior arcabouço em seu regimento,
caracterizando o todo desse ilícito, contribuindo para a construção de uma sociedade mais
justa e livre da exploração humana.
Ainda sobre a legislação do Brasil, os artigos 228, 229 e 230 do Código Penal
Brasileiro definem e punem crimes relacionados à exploração sexual e ao tráfico de pessoas.
Artigo 228 abrange e tipifica como sendo crime: induzir, atrair, facilitar ou impedir alguém de
sair da prostituição. A pena é agravada quando o agente tem relação de parentesco ou
autoridade sobre a vítima, onde ainda se agrava a pena se o crime for cometido com violência,
grave ameaça ou fraude, sendo aplicada multa em caso de crime com fins lucrativos.
O artigo 229 declara como crime manter casa de prostituição, com ou sem fins
lucrativos. Na redação do artigo 230, define-se como crime tirar proveito da prostituição de
outra pessoa. Onde, a pena é agravada quando a vítima é menor de idade ou quando o crime é
cometido por alguém que tem relação de parentesco ou autoridade sobre a vítima, estando
sujeita à agravante de se o crime for cometido com violência, grave ameaça, fraude ou outro
meio que impeça a livre manifestação da vontade da vítima.
A Lei 13.344/2016, anteriormente citada, além de punir o tráfico de pessoas, oferece
amparo às vítimas através do Capítulo IV da proteção e dá assistência às vítimas, visando
preencher lacunas legislativas e abordar os três principais eixos recomendados
internacionalmente: prevenção, repressão e assistência às vítimas. Essa ajuda acontece através
de abrigos, assistência social, assistência jurídica, integração social, entre outros. Sendo um
serviço fundamental às vítimas.
12

Apesar das medidas benéficas previstas pelo ordenamento jurídico nacional e


internacional, sua eficácia depende da implementação prática para alcançar os resultados
desejados pela sociedade, bem como entender a forma de atuação dos criminosos para chegar
ao resultado pretendido pelos mesmos.

3.1 MODUS OPERAND

Entender o modo de operação dos criminosos, significa conhecer as características do


tráfico humano, sendo três elementos essenciais: o ato, os meios e o objetivo. O ato envolve o
recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, enquanto os
meios referem-se à utilização de ameaça, coerção, abdução, fraude, engano, abuso de poder
ou de vulnerabilidade, ou até mesmo pagamentos e benefícios para controlar a vítima (Brasil,
2024).
O objetivo final desse crime é a exploração, que pode se manifestar de diversas
formas, incluindo prostituição, exploração sexual, trabalho forçado, escravidão, remoção de
órgãos, entre outras práticas. Para determinar se uma situação configura tráfico de pessoas, é
fundamental analisar esses elementos à luz da definição do Protocolo de Palermo e da
legislação nacional pertinente, que especificam os componentes constitutivos desse delito.
No contexto do tráfico de pessoas e contrabando de migrantes, é crucial distinguir
entre esses dois crimes, frequentemente confundidos como iguais, porém sua grande diferença
está no consentimento. No contrabando, os migrantes consentem com o transporte ilegal,
mesmo em condições perigosas. Por outro lado, no tráfico de pessoas, o consentimento é
irrelevante, pois a vítima geralmente é enganada ou forçada. Além disso, enquanto o
contrabando de migrantes termina com a chegada da pessoa ao destino, o tráfico de pessoas
continua com a exploração, como o trabalho forçado ou a prostituição. Outro ponto de
distinção entre ambos é que o contrabando se configura como ato transnacional, enquanto o
tráfico pode ocorrer dentro das fronteiras de um país (Brasil, 2024).
Portanto, o contrabando de migrantes refere-se ao pagamento a contrabandistas para
facilitar a migração ilegal, sem que os migrantes sejam considerados vítimas do crime em
termos legais. Compreender essas diferenças é fundamental para implementar políticas
eficazes de proteção às vítimas de tráfico e prevenir a reexploração. Partindo disso, os
criminosos utilizam vários métodos para atrair suas vítimas para então traficarem-nas.
Os aliciadores se aproveitam de situações de vulnerabilidade socioeconômica, como
pobreza, falta de perspectivas e baixa escolaridade, para atrair suas vítimas. Promessas de
13

altos rendimentos através de alguns sites duvidosos, alegando uma vida melhor, mascarando a
dura realidade que as espera, como o confinamento, violência física e psicológica, servidão e
condições desumanas.
Os casos são recorrentes dentro do corpo social mundial, “em 2024, houve um caso
de tráfico de pessoas registrado por dia no Brasil. O Ministério dos Direitos Humanos
catalogou, de 1° de janeiro a 7 de abril, 98 violações relacionadas ao tráfico humano no país”
(Bastos, 2022, p. 1). A muitos casos como dessa mulher paranaense que foi vítima de tráfico
humano quando aceitou proposta de emprego na Espanha. Contudo, foi levada para uma
situação de exploração sexual, descobrindo da pior maneira a inverdade na proposta de uma
vida melhor.
O número de tráfico de pessoas do sexo feminino é elevados e muitas vezes os
próprios aliciadores foram vítimas anteriores, perpetuando o ciclo sem fim de exploração No
estado do Paraná, segundo (Bastos, 2022, p. 1) os casos de tráfico de pessoas para trabalhos
análogos à escravidão cresceram oito vezes entre 2020 e 2021, evidenciando a necessidade de
estratégias eficazes para prevenção .
O Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas, de 2018, divulgado pelo Escritório das
Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), revelou que quase 25 mil vítimas foram
detectadas no mundo em 2016. Entre essas vítimas, a maioria é de mulheres e meninas,
representando 72% dos casos, enquanto homens compreendem 21% e meninos 7%. Apesar da
diferença numérica entre os sexos, ambos precisam de atenção igualitária, independente de
gênero.
Quanto ao destino das mulheres traficadas, 83% são exploradas sexualmente, 13% são
submetidas a trabalho forçado e 4% enfrentam outras formas de exploração. Esse cenário
destaca a prevalência da exploração sexual como a forma mais comum de tráfico de mulheres,
onde o perfil das vítimas do tráfico de pessoas é amplo e diverso, mas alguns grupos se
destacam, sendo pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, imigrantes ou pessoas
com distúrbios neurológicos, baixo nível de escolaridade ou conhecimento limitado de língua
estrangeira e portadores de deficiência física (Conteúdo, 2023).
As vítimas do tráfico de pessoas sofrem severos danos físicos e psicológicos. Doenças
sexualmente transmissíveis, depressão, traumas e lesões graves são apenas alguns dos
exemplos. A reintegração social e a superação das marcas dessa experiência cruel exigem
acompanhamento profissional especializado. É de extrema necessidade a realização de
estudos e aprofundamento de abordagens possíveis para mitigar e tratar suas consequências.
14

A cooperação internacional, dentro desse contexto de avaliar e identificar os


criminosos, faz uma grande diferença em mitigar os danos causados, do mesmo modo que
auxilia significativamente na interceptação quando o crime é cibernético, e quando passa do
meio virtual, visto que a Dark web apenas auxilia tratativas para então atingir seu objetivo
real no mundo físico.

3.2 COOPERAÇÃO INTERNACIONAL NO COMBATE AOS CRIMES CIBERNÉTICOS

Visto a proporção internacional de como o tráfico de pessoas pode ser desenvolvido no


ambiente virtual e quais são seus objetivos ao praticá-lo, fica evidente a carência de medidas
internacionais de cooperação para frear crimes cibernéticos, a fim de facilitar acesso a provas
eletrônicas, para possibilitar a perseguição penal e obtenção de provas no exterior.
No dia 8 de agosto de 2024, foi aprovada a nova convenção que visa fortalecer os
instrumentos de combate a crimes cibernéticos, com canais rápidos de comunicação e seguros
para tramitar pedidos de assistência mútua entre nações. O Brasil, por sua vez, teve um papel
de destaque ao atuar como vice-presidente do comitê e participou ativamente das discussões
através do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Secretaria Nacional de
Justiça (Senajus), (Brasil, 2024).
A convenção objetiva prevenir e enfrentar crimes como tráfico de pessoas,
contrabando de migrantes, pedofilia e estelionato, que se beneficiam do avanço tecnológico
por meio da internet para sua prática. O documento também serve de base normativa para
todos os países sem legislação específica, o mesmo visa alinhar-se à adesão do Brasil à
Convenção de Budapeste, aprovada pelo decreto legislativo n° 37/2021, e promulgada pelo
decreto n° 11.491/2023 (Brasil, 2024).
O Brasil recebeu o convite para ser signatário da Convenção de Budapeste em
dezembro de 2019, mas foi firmada pelo Brasil em Budapeste no dia 23 de novembro de 2001
e aprovada pelo Congresso Nacional através do Decreto Legislativo 37, de 16 de dezembro de
2021. Esta adesão representa um passo significativo para fortalecer a cooperação
internacional no combate aos crimes cibernéticos, permitindo que as autoridades brasileiras
acessem testes eletrônicos armazenados em outros países de forma mais rápida, eficaz e
promovendo uma atuação conjunta entre as nações. (Brasil, Decreto Nº 11.491,2023)
Atualmente, 66 países já aderiram à convenção de Budapeste e, embora o Brasil tenha
aderido, o país já contava com a Lei 12.965/2014 do Marco Civil da Internet, que aborda
15

questões semelhantes. Contudo, a promulgação da convenção expande as ferramentas legais


(Brasil, 2024).
Com a intenção de facilitar essa cooperação, o país conta com a Secretaria de
Cooperação Internacional (SCI) do Ministério Público Federal (MPF), atuando como
responsável pela comunicação com autoridades nacionais e internacionais, auxiliando na
formulação e tramitação de pedidos relacionados a crimes cibernéticos. Tais pedidos se
fundamentam em tratados e acordos, visando em sua maioria a obtenção de dados cadastrais e
de conexão, pedido de Preservação de Provas Eletrônicas e mensagens ou comunicações em
servidores no exterior. (Brasil, [sd]).
Esse conjunto de procedimentos para uma comunicação célere visa garantir a eficácia
na coleta de provas e na investigação de crimes cibernéticos, este mecanismo é reflexo da
necessidade de um sistema de justiça que responda melhor às novas dinâmicas da
criminalidade na era digital.

4 ESTRATÉGIAS E ABORDAGENS

Para reduzir o tráfico humano, uma proposta é aumentar a divulgação sobre esse crime
para evitar que pessoas inocentes sejam enganadas, para que entendam o quão perigoso a
internet pode ser. Isso pode incluir ações como palestras em comunidades, distribuição de
panfletos e campanhas de conscientização em locais de difícil acesso à informação. Além
disso, é importante reforçar a fiscalização em embarcações e aeroportos, treinando
funcionários para identificar possíveis casos de tráfico.
O Conselho Nacional de Justiça sugere medidas preventivas, como duvidar de
propostas de emprego fáceis, ler atentamente contratos de trabalho, evitar deixar documentos
pessoais em mãos de terceiros e informar familiares sobre viagens. Em caso de suspeita de
tráfico humano, é essencial denunciar às autoridades competentes, como o Disque 100 do
governo federal e o Ministério Público Federal.
Em 30 de julho, Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, a Agência da
ONU para as Migrações (OIM) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançam a campanha
"Brasil sem Tráfico Humano". A iniciativa visa conscientizar o público sobre esse crime
hediondo, suas formas de aliciamento, as motivações dos traficantes, os canais de denúncia e
os serviços de apoio às vítimas, com isso ajudando na disseminação de informação
(Migração, [sd]).
16

Como exposto durante esta pesquisa, fica evidente o quanto o direito material abrange
todos os tipos de crimes relacionados ao tráfico aqui tratado, bem como os pune severamente.
Contudo, de nada adianta se os culpados pelo delito não forem encontrados. Neste sentido, o
Estado disponibiliza meios de se denunciar, através de canais de comunicação, ou seja, para
denunciar tráfico de pessoas no Brasil, utilizando o Disque 100 ou o Ligue 180 para garantir
sigilo. Para contatar a Polícia Federal, pode ser encaminhado e-mail para
[email protected]. No exterior, tem-se a Assistência Consular do Ministério das
Relações Exteriores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Dark Web é um dos mais complexos e desafiadores crimes cibernéticos da


atualidade. Apesar de ser uma pequena parcela da Deep Web, é um ambiente propício para a
prática de crimes graves, incluindo o tráfico de pessoas. A natureza anônima e encriptada
dessa camada da internet dificulta as investigações e a punição dos responsáveis. Embora o
Brasil tenha avançado na tipificação e no combate ao tráfico de pessoas por meio de
instrumentos normativos e aderindo o Protocolo de Palermo e à Lei nº 13.344/2016, ainda
existem lacunas significativas que dificultam a efetividade dessas medidas, tornando a
atuação das autoridades ainda mais complicada.
O surgimento da Dark Web, impulsionado pelo desenvolvimento de tecnologias como
o TOR, criou um ambiente propício para a proliferação de atividades ilícitas, incluindo o
tráfico de pessoas. Essa rede oculta, que opera à margem das leis e da vigilância estatal,
desafia as autoridades na identificação e punição dos envolvidos, tornando o combate ao
tráfico de pessoas um esforço ainda mais árduo e complexo.
Onde a distinção entre Deep Web e Dark Web também se mostrou crucial para a
compreensão do contexto em que o tráfico de pessoas ocorre na era digital. Enquanto a Deep
Web abrange uma vasta gama de conteúdos não indexados, a Dark Web se destaca como um
espaço deliberadamente oculto, onde o tráfico de seres humanos e outros crimes encontram
um ambiente fértil para se desenvolverem devido ao alto nível de anonimato e à dificuldade
de rastreamento das atividades ali realizadas.
O cibercrime, por sua natureza tridimensional e a capacidade de transcender fronteiras,
torna a luta contra o tráfico de pessoas ainda mais desafiadora. As características de
anonimato, descentralização e criptografia que definem a Dark Web não facilitam as
17

investigações, exigindo cooperação internacional robusta e a implementação de novas


tecnologias para monitorar e combater essas atividades criminosas.
As estratégias de enfrentamento devem ir além da mera repressão e incluir ações de
prevenção e assistência às vítimas, garantindo que aqueles que foram traficados recebam o
apoio necessário para sua recuperação e reintegração social. O reforço das campanhas de
conscientização, como a "Brasil sem Tráfico Humano", e a disponibilização de canais de
denúncia acessíveis e seguros são passos essenciais para combater essa prática abominável.
Em conclusão, a responsabilidade da legislação brasileira no combate ao tráfico de
pessoas na Dark Web é significativa, mas enfrenta desafios consideráveis. A evolução
contínua das tecnologias e a natureza transnacional do cibercrime exigem uma abordagem
multifacetada, com combinação de esforços legislativos, tecnológicos e sociais para enfrentar
de forma eficaz esse problema. Apenas através de uma ação coordenada e persistente será
possível reduzir a incidência do tráfico de pessoas e proteger as vítimas desse crime hediondo.
18

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