Apostila
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Autor:
Renan Araujo
30 de Maio de 2024
Renan Araujo
Aula 05
Índice
1) Teoria Geral da Pena
..............................................................................................................................................................................................3
2) Espécies de Penas
..............................................................................................................................................................................................7
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11 Conceito
Se a conduta incriminada pelo tipo penal incriminador é um preceito primário, a pena (sanção penal) a ele
cominada (prevista) é o que se pode chamar de preceito secundário.
A pena criminal é, acima de tudo, um castigo1. Trata-se de um mal que se aflige a alguém em razão da prática
de um delito2. O conceito não se confunde, porém, com os fins (ou finalidades) da pena.
A pena possui como pressuposto de sua aplicação a culpabilidade do agente 3. Já as medidas de segurança
não possuem a culpabilidade como pressuposto de sua aplicação (até porque o agente não é plenamente
imputável, não possuindo, portanto, culpabilidade), mas sim a periculosidade. Isto é importante!
A pena pode ser conceituada como a resposta que a sociedade dá ao indivíduo que transgride a ordem
jurídico-penal estabelecida, e consiste na privação ou restrição de um bem jurídico do condenado (liberdade,
patrimônio, etc.), de forma a castigá-lo e reeducá-lo.
12 Princípios
a) Reserva legal ou legalidade estrita – Somente a Lei (em sentido estrito) pode cominar penas:
“Nulla poena sine lege”. Está previsto no art. 5°, XXXIX da Constituição e art. 1° do CP;
b) Anterioridade – A Lei que prevê a pena para a conduta deve ser anterior à prática do crime: “Nulla
poena sine praevia lege”. Também está previsto no art. 5°, XXXIX da Constituição e art. 1° do CP,
sendo, juntamente com o princípio da reserva legal, subprincípios do princípio da LEGALIDADE;
c) Intranscendência da pena – A pena deve ser cumprida somente pelo condenado, não podendo,
em caso de morte deste, ser transferida aos seus familiares, salvo a obrigação de reparar o dano e o
perdimento de bens, que podem ser cobrados dos sucessores até o limite do patrimônio transferido
pelo condenado falecido. CUIDADO: A pena de multa, embora patrimonial, não pode ser cobrada dos
sucessores!
1 BATISTA, Nilo; ZAFFARONI, Eugénio Raúl. Direito Penal brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2011. Tomo I, p. 99.
2 MIR PUIG, Santiago. Introducción a las bases del Derecho penal. 2. ed. Montevideo, Buenos Aires: Ed. B. de F., 2003, p. 49.
3 DIAS, Jorge de Figueiredo. Direito penal, parte geral. 2. ed. Coimbra: Coimbra Editora, 2007. tomo I, p. 46 -47
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e) Princípio da humanidade ou humanização das penas – A pena não pode desrespeitar os direitos
fundamentais do indivíduo, violando sua integridade física ou moral, e também não pode ser de
índole cruel, desumano ou degradante (art. 5°, XLIX e XLVII da Constituição);
f) Princípio da proporcionalidade – A sanção aplicada pelo Estado deve ser proporcional à gravidade
da infração cometida e também deve ser suficiente para promover a punição ao infrator e sua
reeducação social;
g) Princípio da individualização da pena – A pena deve ser aplicada de maneira individualizada para
cada infrator em cada caso específico. Essa individualização se dá em três fases distintas: a)
cominação: O legislador deve prever um raio de atuação para o Juiz aplicar a pena no caso concreto,
estabelecendo penas mínimas e máximas, de forma que o Juiz possa aplicar a quantidade de pena
que achar conveniente no caso concreto; b) aplicação: Saindo da esfera legislativa, passamos à esfera
judicial, segunda etapa, que consiste na efetiva aplicação individualizada da pena, que será imposta
conforme as circunstâncias do crime e os antecedentes do réu, de acordo com a margem estabelecida
pelo legislador; c) Na terceira e última fase temos a aplicação deste princípio na execução da pena
(esfera administrativa), de forma que o cumprimento da pena, progressão de regime, concessão de
benefícios devem ser analisados no caso concreto, e não abstratamente, pois entende-se que “cada
caso é um caso”, e não cabe ao legislador retirar do Juiz a possibilidade de analisá-lo e proceder da
forma que melhor atenda aos anseios da sociedade. Está previsto no art. 5°, XLVI da Constituição da
República.
13 Finalidade: teorias
Quanto à finalidade da pena, algumas teorias foram criadas ao longo do tempo, visando a explicar de onde
a pena criminal tira seu fundamento e qual seria a sua finalidade. Tais teorias podem ser categorizadas em
três grupos: a) teorias absolutas; b) teorias relativas; c) teorias mistas.
Para as teorias absolutas ou retributivas, pune-se o agente simplesmente porque ele cometeu uma
transgressão à ordem estabelecida e deve ser castigado por isso. Não há nenhuma finalidade educacional de
reinserção do indivíduo à vida social. A pena é mero instrumento para a realização da vingança estatal. Trata-
se de um imperativo categórico de Justiça ou de Moral (se delinquiu, deve ser punido, independentemente
de qualquer outra finalidade).4
4 BACIGALUPO, Enrique. Manual de Derecho penal. Ed. Temis S.A., tercera reimpressión. Bogotá, 1996, p. 12
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Tais teorias consideram a pena como um fim em si mesmo, um imperativo categórico de Justiça: “errou,
deve ser castigado”. Para tais teorias, a pena não se justifica pela necessidade de prevenção de novos delitos,
mas pelo simples fato de que o infrator violou a norma e, portanto, deve ser punido. O fundamento da pena,
portanto, é a transgressão da norma, e não a necessidade de prevenir novos delitos.
As teorias absolutas enxergam a pena, segundo Séneca, como “quia peccatum” (“pune-se porque pecou”),
ou seja, dizem respeito ao passado.
Para as teorias relativas, a finalidade da pena é preventiva, ou seja, pune-se o agente não para castigá-lo,
mas para prevenir a prática de novos crimes. Essa prevenção pode ser:
Tais correntes são consideradas utilitaristas, pois consideram e justificam a pena enquanto meio para a
realização do fim utilitário da prevenção de futuros delitos, ou seja, a pena, para estas doutrinas, não pode
ser concebida apenas como castigo ao infrator pela infração da norma, devendo ser também um instrumento
para a consecução de um objetivo maior, que é a prevenção de delitos.
Aqui, entende-se que a pena deve servir como castigo (punição) ao infrator, mas também como medida de
prevenção, tanto em relação à sociedade quanto ao próprio infrator (prevenção geral e especial). Além de
consagrada na maioria dos países ocidentais 6, foi a adotada pelo art. 59 do CP, que diz:
5 ROXIN, Claus. Derecho penal, parte general. Madrid: Civitas, 1997. tomo I, p. 91.
6 DOS SANTOS, Juarez Cirino. Direito Penal, Parte Geral. Curitiba: Ed. Lumen Juris, 2008, p. 470
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Como se vê, nos termos do art. 59 do CP, a pena deve ser aplicada “conforme seja necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime”, de forma que fica evidenciado que nosso CP enxerga a pena como
tendo uma finalidade retributiva (castigo), mas também como tendo finalidade preventiva (evitar a prática
de novos crimes).
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Espécies
d) Restritiva de liberdade – Restringem, mas não retiram o direito de locomoção do condenado. Na verdade,
trata-se de uma espécie de pena restritiva de direitos. Exemplo: Proibir o marido de se aproximar da casa da
ex-esposa no caso de violência doméstica;
e) Penas corporais – Trata-se de castigos aplicados ao corpo do indivíduo. É espécie de pena vedada pela
Constituição Federal (art. 5°, XLVII, e).
O CP previu, em seu art. 32, as penas privativas de liberdade, restritivas de direitos e multa.
1 É possível a fixação da pena por período superior a 40 anos, o que se veda é a execução da pena por mais de 40 anos ininterru ptos.
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RECLUSÃO
PRISÃO SIMPLES
PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA
ESPÉCIES DE PENAS
PERDA DE BENS E VALORES
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À
RESTRITIVA DE DIREITOS COMUNIDADE
INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE
MULTA DIREITOS
⇒ Isoladamente – A Lei prevê a aplicabilidade de apenas uma espécie de pena. Exemplo: art. 121 do CP
– Pena de reclusão;
⇒ Cumulativamente – A Lei prevê a aplicabilidade conjunta de duas espécies de penas. Exemplo: art.
155 do CP – Pena de reclusão e multa;
⇒ Alternativamente – A Lei comina, alternativamente, duas espécies de pena. Exemplo: art. 331 do CP:
Detenção ou multa.
Todavia, é bom ressaltar que as penas restritivas de direitos, como regra, apenas substituem as penas
privativas de liberdade, não sendo cominadas de forma isolada.
O Direito Penal pátrio admite três modalidades de penas privativas de liberdade: reclusão, detenção e
prisão simples (somente para as contravenções penais).
O regime de cumprimento de cumprimento da pena está previsto no art. 33, § 1° do CP, e pode ser fechado,
semiaberto ou aberto 3.
3 Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto,
ou aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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Considera-se:
O regime inicial de cumprimento da pena (fechado, semiaberto ou aberto) tem como regra o seguinte: pena
de reclusão – Qualquer regime inicial; pena de detenção – Regime inicial somente semiaberto ou aberto.
A fixação, em concreto, do regime inicial de cumprimento da pena irá variar conforme três fatores:
reincidência, quantidade da pena e circunstâncias judiciais. Além disso, a própria Lei estabelece que a pena
seja executada de forma progressiva (de um regime mais gravoso para outro, menos gravoso), ressalvada a
hipótese de regressão (passagem de um regime menos gravoso para outro, mais gravoso), em qualquer caso,
atendendo-se ao mérito do condenado, nos termos do art. 33, §§ 2°, 3° e 4° do CP
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a
8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la
em regime semiaberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá,
desde o início, cumpri-la em regime aberto.
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Como se vê, o art. 33, §2º, “c” estabelece que no caso de condenado primário, cuja pena seja igual ou inferior
a 04 anos, este poderá cumpri-la em regime inicial aberto. Mas, e se tal condenado não for primário (for,
portanto, reincidente). Não há previsão expressa no CP, mas o STJ, considerando o disposto no art. 33, §3º,
possui entendimento no sentido de que é possível a fixação do regime semiaberto a tais condenados, desde
que as circunstâncias judiciais sejam favoráveis. Vejamos:
Dessa forma:
a) Condenado a pena superior a 8 (oito) anos - Deverá começar a cumpri-la em regime inicial fechado.
b) Condenado a pena superior a 4 (quatro) anos, mas que não exceda a 8 (oito) anos:
➔ Primário - Poderá cumpri-la em regime inicial semiaberto (se forem favoráveis as circunstâncias
judiciais do art. 59 do CP)
➔ Reincidente - Deverá começar a cumpri-la em regime inicial fechado
➔ Primário - Poderá cumpri-la em regime inicial aberto (se forem favoráveis as circunstâncias judiciais
do art. 59 do CP)
➔ Reincidente - 1) Se desfavoráveis as circunstâncias judiciais: deverá começar a cumpri-la em regime
inicial fechado; 2) Se favoráveis as circunstâncias judiciais: poderá cumpri -la em regime inicial
semiaberto.
CUIDADO! Em se tratando de pena de detenção, o regime inicial não pode ser fechado. Logo, sempre que a
conclusão for “regime fechado”, mas a pena for de detenção, deve-se aplicar o semiaberto (ex.: condenado
reincidente, com pena aplicada de 06 anos de detenção - pelo art. 33, §2º, “b”, seria cabível o regime inicial
fechado, mas por ser pena de detenção será fixado o regime inicial semiaberto).
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Além disso, na fixação do regime inicial de cumprimento da pena, não pode o Juiz fixar regime mais gravoso
do que aquele abstratamente previsto tendo em conta a pena aplicada, tendo como base unicamente na
gravidade abstrata do delito.
SÚMULA 718
SÚMULA 719
Uma vez fixado o regime inicial de cumprimento da pena, esta será cumprida de forma progressiva, ou seja,
do regime atual para aquele imediatamente menos gravoso (ex.: do regime fechado para o semiaberto),
salvo necessidade de regressão para regime mais severo:
Importante destacar que no caso de condenação por crime crime contra a administração pública, a
progressão de regime do cumprimento da pena fica condicionada à reparação do dano causado, ou à
devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais, na forma do art. 33, §4º do CP:
Art. 33 (...) § 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão
de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à
devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. (Incluído pela Lei nº
10.763, de 12.11.2003)
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⇒ Submissão a exame criminológico4 inicial (O STJ passou a entender que ele agora é facultativo –
SÚMULA 439 DO STJ);
⇒ Trabalho em comum (junto com outros presos) dentro do estabelecimento, sendo admissível o
trabalho externo em serviços ou obras públicas5 (Necessário cumprimento de ao menos 1/6 da
pena6).
O trabalho durante o regime de cumprimento da pena é obrigatório, e a recusa caracteriza falta grave,
acarretando impossibilidade de obtenção da progressão de regime e livramento condicional. Em resumo: O
preso pode se negar a trabalhar (até porque, não há como obrigá-lo fisicamente a isso), mas a recusa
injustificada (se tiver problemas de saúde, por exemplo, é uma recusa justificada) gera consequências
gravíssimas para ele.
O trabalho do preso é remunerado e ele tem direito, ainda, aos benefícios da previdência social. Isso é
bastante importante, pois o preso foi condenado a uma pena “privativa de liberdade”, ou seja, o único
direito do qual ele está privado é a liberdade. Assim, o preso não se tornou um escravo do Estado, devendo
receber pelo seu trabalho, como qualquer pessoa.
O regime semiaberto é bem menos gravoso que o regime fechado, e possui como regras:
⇒ Exame criminológico inicial (O STJ passou a entender que ele agora é facultativo – SÚMULA 439 DO
STJ);
⇒ Trabalho diurno em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar, com descanso isolado à
noite;
4 O exame criminológico tem por finalidade permitir a individualização da pena (um dos princípios da pena) em sua terceira fase ,
em favor da disciplina. (Art. 36. O trabalho externo será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou
obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautela s
contra a fuga e em favor da disciplina.)
6 Art. 37 da LEP: Art. 37. A prestação de trabalho externo, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de apti dão,
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Vejam que as regras, embora parecidas, não são idênticas. Nesse regime o condenado pode trabalhar fora
do estabelecimento de cumprimento da pena (em qualquer trabalho, e não apenas em obras públicas), bem
como estudar.
Além disso, o preso deve ficar recolhido em estabelecimento próprio (colônia agrícola, industrial ou similar),
e não em presídio comum, onde se encontram os presos em regime fechado.
O regime aberto é o mais brando dos três regimes de cumprimento da pena privativa de liberdade, e
baseia-se no senso de responsabilidade e autodisciplina do preso. Regras básicas:
⇒ Trabalho diurno fora do estabelecimento e sem vigilância, frequência a curso ou outra atividade
autorizada, bem como recolhimento noturno e nos dias de folga;
⇒ Transferência para regime mais gravoso no caso de prática de crime doloso, frustração dos fins da
execução (basicamente, a fuga), ou ausência do pagamento da pena de multa.
Onde se dá o recolhimento do preso no regime aberto? O recolhimento noturno do preso no regime aberto
se dá em casa de albergado, que é um prédio urbano, separado dos demais estabelecimentos prisionais e
que não deva possuir características de prisão, principalmente no que se refere à existência de obstáculos
físicos para a fuga.
Mas, se não houver vagas nos estabelecimentos adequados, o que fazer? O STF entende que se não houver
vagas no regime semiaberto, o preso não pode arcar com essa deficiência do Estado, de forma que foi
editada a súmula vinculante 56:
Súmula Vinculante 56
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Nesse caso, deve o Juízo da execução penal observar os parâmetros fixados pelo STF no RE 641.320/RS (Tese
423 de Repercussão Geral):
III - Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se: (i) a saída antecipada de sentenciado
no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado
que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o
cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao
regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser
deferida a prisão domiciliar ao sentenciado.
Até por conta disso, o STJ também se manifestou, consolidando o entendimento que ficou registrado o sob
a sistemática dos recursos repetitivos (Tema 993):
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(i) saída antecipada de outro sentenciado no regime com falta de vagas, abrindo-se, assim,
vagas para os reeducandos que acabaram de progredir;
(iii) cumprimento de penas restritivas de direitos e/ou estudo aos sentenciados em regime
aberto.
Conforme havia dito a vocês, a pena privativa de liberdade atinge somente um direito do preso: a liberdade
(óbvio, não?).
Assim, o preso mantém todos os direitos inerentes à pessoa humana, como o respeito à sua integridade
física e moral. O respeito à integridade física e moral, inclusive, possui índole constitucional (art. 5°, XLIX da
Constituição).7
Também em razão disso, o STF decidiu regulamentar o uso de algemas, editando a súmula vinculante n° 11,
que diz:
Súmula Vinculante 11
O direito ao recebimento de salário pelo seu trabalho realizado no estabelecimento prisional, bem como
o direito à integrar a previdência social também são assegurados ao preso, conforme foi dito. 8
8 Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo -se a todas as autoridades o respeito
à sua integridade física e moral. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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E se antes do início do cumprimento da pena sobrevier ao condenado doença mental? O CP diz que o
condenado, neste caso, deve ser recolhido a Hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou outro
estabelecimento adequado.9
Essa medida de segurança, porém, não pode durar indefinidamente, e terá como limite o tempo de pena
privativa de liberdade que restava a cumprir pelo condenado:
“(...) A medida de segurança imposta ao apenado adulto que desenvolve transtorno mental
no curso da execução, com espeque no art. 183 da LEP, tem sua duração limitada ao tempo
remanescente da pena privativa de liberdade.
(...)
O Código Penal estabelece, ainda, o fenômeno da detração, que é o abatimento do tempo de cumprimento
da pena imposta, em razão do tempo que o condenado permaneceu preso provisoriamente,
administrativamente ou internado nos estabelecimentos destinados à saúde mental, no caso de internação
provisória. Vejamos:
Art. 39 - O trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
9 Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à
falta, a outro estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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Destaque-se que o período de prisão domiciliar aplicada em substituição à prisão preventiva também pode
ser abatido da pena a ser cumprida.
Por fim, há ainda a previsão de regime de cumprimento de pena especial às presidiárias mulheres, que
devem ser recolhidas a estabelecimento próprio. 10
Trata-se de regra que materializa o direito previsto no art. 5°, XLVIII da constituição, que trata do
cumprimento da pena em estabelecimentos prisionais adequados. 11
Na Lei de Execuções Penais, inclusive, há regramento específico para o tratamento das presidiárias gestantes
e que estejam em fase de amamentação, bem como dispõe sobre a existência de creches para que as mães
presidiárias não sejam privadas da companhia de seus filhos, e vice-versa.
CÓDIGO PENAL
SEÇÃO I
Reclusão e detenção
Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto.
A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transferência a
regime fechado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
10 Art. 37 - As mulheres cumprem pena em estabelecimento próprio, observando-se os deveres e direitos inerentes à sua condição
pessoal, bem como, no que couber, o disposto neste Capítulo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
11 XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
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b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a
8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá,
desde o início, cumpri-la em regime aberto.
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Art. 35 - Aplica-se a norma do art. 34 deste Código, caput, ao condenado que inicie o
cumprimento da pena em regime semi-aberto. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
§ 2º - O condenado será transferido do regime aberto, se praticar fato definido como crime
doloso, se frustrar os fins da execução ou se, podendo, não pagar a multa cumulativamente
aplicada. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Regime especial
Direitos do preso
Art. 38 - O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade,
impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Trabalho do preso
Legislação especial
Art. 40 - A legislação especial regulará a matéria prevista nos arts. 38 e 39 deste Código,
bem como especificará os deveres e direitos do preso, os critérios para revogação e
transferência dos regimes e estabelecerá as infrações disciplinares e correspondentes
sanções. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser recolhido a hospital de
custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a outro estabelecimento adequado.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Detração
Jurisprudência relevante
Súmulas
➔ Súmula vinculante 56 - O STF sumulou entendimento no sentido de que se não houver vagas no
regime semiaberto, o preso não pode arcar com essa deficiência do Estado, de forma que devem ser
buscadas as seguintes soluções para o caso: (i) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de
vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em
prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao
sentenciado que progride ao regime aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas,
poderá ser deferida a prisão domiciliar ao sentenciado:
Súmula Vinculante 56
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➔ Súmula 718 do STF – O STF sumulou entendimento no sentido de que a gravidade em abstrato do
delito não é razão idônea para que o Juiz imponha regime prisional mais severo que aquele permitido de
acordo com a quantidade de pena aplicada:
SÚMULA 718
➔ Súmula 719 do STF – Além de entender que a gravidade em abstrato do delito não é fundamento
idôneo para a imposição de regime prisional mais gravoso, o STF sumulou entendimento também no sentido
de que o Juiz deve sempre fundamentar, de maneira idônea (baseada em fatos concretos e que não sejam
inerentes ao delito), a imposição de eventual regime prisional mais gravoso que aquele permitido pela
quantidade de pena aplicada:
SÚMULA 719
➔ Súmula 269 do STJ – O STJ possui entendimento sumulado no sentido de que é possível a fixação do
regime semiaberto aos condenados que sejam reincidentes, desde que as circunstâncias judiciais sejam
favoráveis. Vejamos:
➔ Súmula 439 do STJ – O STJ possui entendimento sumulado no sentido de que o exame criminológico
pode ser determinado, mas somente por decisão fundamentada nas peculiaridades do caso, não podendo
ser aplicado em qualquer caso e sem qualquer critério:
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Súmula 439 do STJ - Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde
que em decisão motivada.
➔ Súmula 440 do STJ – O STJ, seguindo a mesma linha do STF, sumulou entendimento no sentido de
que, uma vez fixada a pena-base no mínimo legal, o estabelecimento de regime prisional mais gravoso que
o cabível em razão da pena imposta dependeria de fundamentação concreta, não podendo estar baseado
na mera gravidade abstrata do delito:
➔ Súmula 493 do STJ – O STJ sumulou entendimento no sentido de que é vedado ao Juiz impor, como
condição especial ao regime aberto, qualquer das modalidades de pena restritiva de direitos, eis que isso
configuraria bis in idem (cumprimento de pena privativa de liberdade e cumprimento de pena restritiva de
direitos, ainda que indiretamente):
Súmula 493 do STJ - É inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como
condição especial ao regime aberto.
➔ Quantidade e/ou natureza da droga apreendida - Motivação idônea para fixação de regime inicial
mais gravoso
“(...) Quanto ao regime inicial, a quantidade e/ou natureza de drogas apreendidas (211,4 g de
cocaína, 64 porções de maconha e 55 pedras de crack) constitui elemento idôneo para justificar a
imposição de regime mais gravoso, de acordo com o disposto no art. 42 da Lei de Drogas e no art.
33, § 3º, do Código Penal e em consonância com o entendimento desta Corte.
(...)” (AgRg no HC n. 864.172/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado
em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023.)
➔ Progressão de regime - Não pagamento da pena de multa imposta cumulativamente com a pena
privativa de liberdade
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(...) (AgRg no AREsp n. 2.148.772/PR, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador
Convocado do TRF1), Quinta Turma, julgado em 21/3/2023, DJe de 27/3/2023.)
“(...) A medida de segurança imposta ao apenado adulto que desenvolve transtorno mental no curso
da execução, com espeque no art. 183 da LEP, tem sua duração limitada ao tempo remanescente da
pena privativa de liberdade.
(...)
(REsp n. 1.956.497/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de
8/4/2022.)
➔ STJ - Tema repetitivo 1155 - Detração - Período de recolhimento domiciliar noturno - Possibilidade
(...) 4.1. O período de recolhimento obrigatório noturno e nos dias de folga, por comprometer o
status libertatis do acusado deve ser reconhecido como período a ser detraído da pena privativa
de liberdade e da medida de segurança, em homenagem aos princípios da proporcionalidade e do
non bis in idem.
4.2. O monitoramento eletrônico associado, atribuição do Estado, não é condição indeclinável para a
detração dos períodos de submissão a essas medidas cautelares (...)
4.3. As horas de recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga devem ser convertidas em dias
para contagem da detração da pena. Se no cômputo total remanescer período menor que vinte e
quatro horas, essa fração de dia deverá ser desprezada.
(...) (REsp n. 1.977.135/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em
23/11/2022, DJe de 28/11/2022.)
“(...) A jurisprudência desta Eg. Corte admite a detração do tempo de prisão processual ordenada em
outro processo em que o sentenciado fora absolvido ou declarada a extinção de sua punibilidade,
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bem como na hipótese em que o tempo de custódia cautelar efetivado seja por crime anterior ao
período pleiteado" (HC n. 299.060/RS, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em
24/5/2016, DJe de 3/6/2016).
(...)
(AgRg no HC n. 794.951/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em
29/5/2023, DJe de 31/5/2023.)
OBS.: Somente será possível a utilizar período de prisão cautelar (ex.: prisão preventiva) relativo a outro
crime para fins de detração caso o referido período de prisão cautelar tenha sido posterior ao crime cuja
pena sofrerá o abatimento. Ou seja, o crime cuja pena sofrerá o abatimento (detração) tem que ter sido
praticado antes do período de prisão cautelar que se pretende utilizar para fins de detração.
As penas restritivas de direitos são também chamadas de “penas alternativas”, pois se apresentam como
uma alternativa à aplicação da pena privativa de liberdade, muitas vezes desnecessária no caso concreto.
São divididas em cinco espécies, conforme já adiantado, nos termos do art. 43 do CP.
Duas são as características elementares das penas restritivas de direitos: autonomia e substitutividade. 12
Por autonomia entende-se a impossibilidade de serem aplicadas cumulativamente com a pena privativa
de liberdade.
Por substitutividade entende-se o caráter substitutivo das penas restritivas de direito, ou seja, elas não são
previstas como pena originária para nenhum crime no Código Penal, sendo aplicadas de maneira a
substituir uma pena privativa de liberdade originariamente imposta, quando presentes os requisitos legais.
Entretanto, as penas restritivas de direitos devem ser aplicadas somente se presentes alguns requisitos, que
a doutrina divide em objetivos e subjetivos. 13 Os primeiros referem-se ao crime em si, e à penalidade
imposta. Os últimos estão ligados à pessoa do criminoso. Estão previstos nos incisos do art. 44 do CP. 14
12 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, 21º edição. São Paulo, 2015, p. 659/660
14 Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: (Redação dada pela Lei
nº 9.714, de 1998)
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REQUISITOS OBJETIVOS
Só pode haver substituição nos casos de crimes culposos (todos eles) ou no caso
de crimes dolosos, desde que, neste último caso, não tenha sido o crime
Natureza do crime
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa (ex.: Não caberia
substituição no caso de homicídio).
A pena aplicada, no caso de crimes dolosos, não pode ser superior a quatro
Quantidade de pena
anos. No caso de crimes culposos, pode haver a substituição qualquer que seja
aplicada
a pena aplicada.
REQUISITOS SUBJETIVOS
Não ser reincidente em OBS.2: Entretanto, excepcionalmente, mesmo se o condenado for reincidente
crime doloso em crime doloso, poderá haver a substituição, desde que a medida seja
socialmente recomendável (análise das características do fato criminoso e do
infrator) e não se trate de reincidência específica (reincidência pelo mesmo
crime), conforme previsão do art. 44, § 3° do CP.
Suficiência da medida A pena restritiva de direitos deve ser suficiente para garantir o alcance das
(princípio da suficiência) finalidades da pena (punição e prevenção, geral e especial).
Vale destacar que é cabível a substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos
quando se tratar de infração de menor potencial ofensivo, ainda que praticada com violência ou grave
ameaça à pessoa. Isso porque, em relação às infrações de menor potencial ofensivo (crimes cuja pena
máxima não ultrapasse 02 anos, e todas as contravenções penais, art. 61 da Lei 9.099/95), a Lei admite a
transação penal, que nada mais é que a possibilidade de o infrator aceitar se submeter a uma pena restritiva
de direitos ou multa e, em troca disso, não ser denunciado. Ora, se é possível a aplicação de uma pena
restritiva de direitos como condição da transação penal, com igual razão se deve permitir a conversão de
eventual pena privativa de liberdade imposta por pena restritiva de direitos, em caso de condenação.
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II - o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstância s
indicarem que essa substituição seja suficiente. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
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Art. 44 (...) § 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por
multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de
liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas
restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
Assim:
⇒ Pena igual ou inferior a um ano = Substituição por multa ou uma pena restritiva de direitos.
⇒ Pena superior a um ano = Substituição por pena de multa e uma pena restritiva de direitos, ou por
duas restritivas de direitos. No caso de serem aplicadas duas restritivas de direitos, o condenado
poderá cumpri-las simultaneamente, se forem compatíveis, ou sucessivamente, se incompatíveis
(art. 69, § 2° do CP).
Pode ocorrer, durante o cumprimento da pena restritiva, que o condenado descumpra a obrigação imposta
pelo Juiz. Nesse caso, ocorrerá o que se chama de reconversão obrigatória. Embora a lei diga “conversão”,
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a conversão ocorreu da primeira vez, quando se converteu a pena privativa de liberdade em restritiva de
direitos. O que acontece, agora, é uma reconversão à pena original. Nos termos do art. 44, § 4° do CP:
Mas a Lei não é injusta, de forma que se o condenado cumpriu parte da pena restritiva de direitos imposta ,
o tempo que ele cumpriu será abatido da pena privativa de liberdade que ele cumprirá em razão da
reconversão (parte final do § 4° do art. 44 do CP).
EXEMPLO: José foi condenado a uma pena de 03 anos de reclusão. Esta pena foi convertida
em pena restritiva de direitos. José cumpriu 02 anos de pena restritiva de direitos, mas
posteriormente abandonou a execução da pena, ainda restando 01 ano de pena restritiva
de direitos a cumprir. Nesse caso, o Juízo da execução penal irá proceder à reconversão da
pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade, mas José terá que cumprir
apenas 01 ano de pena privativa de liberdade (e não os 03 anos impostos na sentença),
pois já cumpriu 02 anos de pena restritiva de direitos.
Entretanto, além da reconversão obrigatória, há também hipótese de reconversão facultativa, nos termos
do art. 44, § 5° do CP:
Art. 44 (...) § 5º Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o
juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá -la se for
possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. (Incluído pela Lei nº 9.714, de
1998)
Nesse caso, o Juiz da execução irá avaliar se o condenado pode cumprir a pena restritiva de direitos imposta
juntamente com a pena privativa de liberdade (que o condenado acabou de receber). Se for possível, o Juiz
PODE manter a pena restritiva de direitos imposta e o condenado cumprirá ambas, simultaneamente; se não
for possível, haverá a reconversão para a pena privativa de liberdade anteriormente aplicada. 16
EXEMPLO: Imagine que fulano tenha sido condenado à pena de 02 anos de detenção,
substituída por restritiva de direitos consistente na prestação de serviços à comunidade.
Enquanto cumpria a pena alternativa, fulano foi condenado a uma pena privativa de
liberdade que não foi suspensa (sursis) nem convertida em restritiva de direitos. Nesse
caso, o cumprimento de ambas é inviável, pois fulano não pode ao mesmo tempo estar
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Porém, se no exemplo acima, a pena restritiva de direitos imposta fosse de prestação pecuniária, não haveria
nenhum impedimento ao cumprimento simultâneo desta com a nova pena privativa de liberdade imposta,
de forma que o Juiz da execução poderia deixar de reconvertê-la.
CUIDADO II! Não se deve confundir pena de multa com pena de prestação pecuniária. A
primeira é uma espécie de pena, a outra é uma modalidade de pena restritiva de direitos.
No primeiro caso (multa), não é possível a conversão em pena privativa de liberdade em
razão do não pagamento. No segundo caso é possível, conforme entendimento do STJ.17
Importante destacar que as penas restritivas de direitos somente podem ser executadas após o trânsito em
julgado da sentença penal condenatória, em razão do princípio da presunção de inocência:
Prestação pecuniária
Consiste no pagamento em dinheiro à vítima da infração penal, a seus dependentes, ou ainda, a entidade
pública ou privada com finalidade social, em montante fixado pelo Juiz entre 01 (um) e 360 (trezentos e
17 HC 133.942/MG, Rel. Ministro ADILSON VIEIRA MACABU (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RJ), QUINTA TURMA, julgado
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sessenta) salários mínimos. Este valor pago será deduzido de eventual valor a ser pago em razão de
condenação na esfera cível, se os beneficiários forem os mesmos.
No entanto, pode acontecer de, por acordo entre o infrator e o beneficiário da prestação, esta ser de outra
natureza que não seja patrimonial. 18
Além disso, a pena de prestação pecuniária não é pena de multa. Trata-se de uma modalidade de pena
restritiva de direitos, e difere da multa em diversos aspectos. Vejamos:
18 § 1º A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada
com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e
sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se
coincidentes os beneficiários. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2º No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação d e
outra natureza. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
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A perda de bens e valores, tal qual a pena de prestação pecuniária, é uma modalidade de pena restritiva de
direitos que atinge o patrimônio financeiro do condenado. 19
Perceba, caro aluno, que esta pena só poderá ser aplicada nas hipóteses de crimes que gerem algum prejuízo
ao sujeito passivo ou tragam algum benefício ao sujeito ativo ou a terceira pessoa.
A pena de prestação de serviços à comunidade consiste, nos termos do art. 46, §§ 1° e 2° do CP:
§ 3º A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, em favor do Fundo
Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto - o que for maior - o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo
agente ou por terceiro, em consequência da prática do crime. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
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De plano, vocês podem perceber que se trata de pena restritiva de direitos somente cabível nas
condenações a pena privativa de liberdade superior a 06 meses.
Embora o CP se refira a “entidades públicas”, a Doutrina entende que, à semelhança do que ocorre com a
pena de prestação pecuniária, esta pode ter como destinatária entidade privada, desde que possua
destinação social.20
A Doutrina entende, ainda, que a pena não pode ser prestada em Igrejas, por não se tratar de serviço à
comunidade, e pelo fato de que seria uma ofensa ao princípio do Estado laico (art. 19, I da Constituição).
O § 1° determina que a pena deva ser cumprida mediante a atribuição de tarefas gratuitas ao condenado.
Ou seja, diferentemente do que ocorre no caso de trabalho realizado pelo preso no estabelecimento
prisional, quando em cumprimento de pena privativa de liberdade, aqui o condenado não recebe nada pelo
trabalho, exatamente porque esta é a própria pena. Na pena privativa de liberdade a execução das tarefas
não é a pena (que é a privação da liberdade), motivo pelo qual naqueles casos o preso deve receber
retribuição salarial.
O § 3° estabelece que as tarefas sejam atribuídas de acordo com as aptidões do condenado. Vejamos:
A pena não pode, ainda, ser vexatória, humilhante ou possuir qualquer outra característica contrária à sua
finalidade.
O sistema de cumprimento adotado pelo CP é o da hora-tarefa, ou seja, cada hora de tarefa realizada será
computada como um dia da condenação.
EXEMPLO: Imagine que fulano foi condenado a 08 meses de detenção, tendo sua pena sido
convertida em restritiva de direitos, consistente na prestação de serviços à comunidade.
Assim, cada hora-tarefa cumprida por fulano corresponderá a um dia de cumprimento da
pena.
20 Em nenhuma hipótese será possível a prestação de serviços a entidades privadas que visem lucro. BITENCOURT, Cezar Roberto.
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Entretanto, o § 4°do art. 46 estabelece que se a pena aplicada for superior a um ano, para que não se torne
muito extensa, poderá ser cumprida em menor tempo, mas nunca inferior à metade.
EXEMPLO: Imagine que José tenha sido condenado a dois anos de reclusão, e que essa
pena tenha sido convertida em pena restritiva de direitos, consistente na prestação de
serviços à comunidade. Nesse caso, o CP possibilita que José realize duas horas-tarefa por
dia, o que lhe fará abater dois dias de cumprimento da pena, que será cumprida na metade
do tempo previsto. No entanto, o cumprimento não pode se dar em menos da metade do
tempo previsto!
A pena de interdição temporária de direitos está prevista no art. 47 do CP, e pode consistir em:
Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
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III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)>
As duas primeiras hipóteses são modalidades de penas restritivas de direitos específicas, pois só podem ser
aplicadas quando o crime for cometido no exercício do cargo ou função pública, ou, na segunda hipótese,
no exercício de atividade que dependa de habilitação especial, licença ou autorização do poder público.
Esta é a previsão do art. 56 do CP:
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-
se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função,
sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Não devemos confundir esta pena com o efeito da condenação previsto no art. 92, I do CP.
A pena de suspensão de autorização ou habilitação para dirigir veículo (inciso III) somente se aplica nos casos
de crimes culposos cometidos no trânsito. Nos termos do art. 57 do CP:
Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 47 deste Código, aplica-se aos
crimes culposos de trânsito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Entretanto, com a edição do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), este dispositivo perdeu muito de
sua utilidade, pois o CTB cuida com certa minúcia da matéria, inclusive no que tange à aplicação desta pena
de interdição. Entretanto, isto não é tema para a nossa aula.
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CUIDADO! Esta pena não pode ser confundida com o efeito da condenação previsto no art. 92, III do CP:
Art. 92 - São também efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
(...) III - a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de
crime doloso. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
A pena restritiva de direitos consistente na suspensão do direito de dirigir é uma pena que se aplica aos
crimes culposos cometidos no trânsito. Já o efeito da condenação, consistente na inabilitação para dirigir,
ocorre quando o veículo é utilizado como meio para a prática de crime doloso (atropelamento doloso, por
exemplo).21
Por sua vez, a proibição de frequentar determinados lugares é uma pena de difícil fiscalização, pois,
primeiramente, a Lei não estabeleceu quais são os lugares, ficando a critério do Juiz 22. Em segundo lugar, a
ausência de mecanismos hábeis para a realização da fiscalização dificulta demais a aplicação desta pena.
Entretanto, a Doutrina entende que se trata de uma pena constitucional, e que mesmo a expressão vaga
“determinados lugares” não ofende o princípio da legalidade, na medida em que esta é uma pena alternativa,
sendo originariamente prevista a pena privativa de liberdade, perfeitamente bem delimitada.
Finalizando com chave-de-ouro, o inciso V (incluído pela Lei 11.250/11) prevê uma quinta modalidade de
interdição de direitos, consistente na impossibilidade de o condenado se inscrever em concurso, avaliação
ou exame público.
A Lei não disse por quanto tempo, mas por lógica, em se tratando de uma pena substitutiva, esta pena terá
como duração o mesmo período da pena privativa de liberdade aplicada.
22 Entende-se que o lugar deva ter alguma relação com o delito cometido, e que seja um lugar que exerça influência criminógena
sobre o condenado (um lugar que propicie a ele a prática do delito). BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 690/691
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O STJ entende que se essa pena for aplicada, não havendo casa de albergado em que possa ser cumprida,
não pode o condenado ser submetido a estabelecimento prisional, por ser medida mais gravosa que a pena
imposta.
Em razão do reduzido número de casas de albergado no Brasil, bem como em razão das dificuldades quanto
à fiscalização do cumprimento desse tipo de pena alternativa, não se trata de uma das modalidades mais
aplicadas.
CÓDIGO PENAL
SEÇÃO II
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
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I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada,
se o crime for culposo;(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
II – o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
§ 2º Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por multa ou
por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de liberdade
pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de
direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
Art. 45. Na aplicação da substituição prevista no artigo anterior, proceder -se-á na forma
deste e dos arts. 46, 47 e 48. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
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Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
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(...)
CAPÍTULO II
Art. 55. As penas restritivas de direitos referidas nos incisos III, IV, V e VI do art. 43 terão a
mesma duração da pena privativa de liberdade substituída, ressalvado o disposto no § 4º
do art. 46. (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
Art. 56 - As penas de interdição, previstas nos incisos I e II do art. 47 deste Código, aplicam-
se para todo o crime cometido no exercício de profissão, atividade, ofício, cargo ou função,
sempre que houver violação dos deveres que lhes são inerentes. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 57 - A pena de interdição, prevista no inciso III do art. 47 deste Código, aplica-se aos
crimes culposos de trânsito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Jurisprudência relevante
Súmulas
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requisitos, é impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos:
Súmula vinculante 59
➔ Súmula 643 do STJ - Considerando o princípio da presunção de inocência, que estabelece que
ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória,
bem como considerando a interpretação dada ao referido princípio pelo STF (ADCs 43, 44 e 54), o STJ
sumulou entendimento no sentido de que a execução da pena restritiva de direitos depende do
trânsito em julgado da condenação.
➔ Súmula 588 do STJ - O STJ sumulou entendimento no sentido de que não é possível a substituição
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos no caso de prática de crime ou contravenção
penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico:
A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça
no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos.
➔ Tema: 1106 Processo(s): REsp 1.918.287/MG e REsp 1.925.861/SP. Relator: Min. Laurita Vaz.
Tese firmada: Sobrevindo condenação por pena privativa de liberdade no curso da execução de pena
restritiva de direitos, as penas serão objeto de unificação, com a reconversão da pena alternativa em
privativa de liberdade, ressalvada a possibilidade de cumprimento simultâneo aos apenados em
regime aberto e vedada a unificação automática nos casos em que a condenação substituída por pena
alternativa é superveniente.
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Data de publicação do acórdão: 28/6/2022 (publicação dos acórdãos dos REsp 1.918.287/MG e REsp
1.925.861/SP).
8) Não é cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos no crime de
descumprimento de medidas protetivas de urgência, haja vista que um dos bens jurídicos tutelados
é a integridade física e psíquica da mulher em favor de quem se fixaram tais medidas.
“(...) a multa substitutiva prevista no art. 44, § 2°, do Código Penal, não está elencada no rol taxativo
das penas restritivas de direitos fixado no art. 43 do Código Penal. Ademais, a multa substitutiva
também não pode ser considerada como uma espécie de prestação pecuniária, pois tem natureza
jurídica e finalidade diversa. Enquanto a prestação pecuniária destina-se ao pagamento de
indenização à vitima do delito, ou de seus dependentes, sendo fixada em salários mínimos, a pena
de multa substitutiva destina-se ao fundo penitenciário, sendo fixada em dias-multa.
(...) Logo, a multa substitutiva constitui dívida de valor, sendo inviável a sua conversão em pena
privativa de liberdade em caso de inadimplemento, nos termos do art. 51 do Código Penal.
Precedentes.
(...) (HC n. 387.259/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 8/8/2017, DJe de
21/8/2017.)
➔ Reincidência específica - Vedação à substituição por pena restritiva de direitos - Deve ser
reincidência pelo mesmo crime
“(...) a Terceira Seção desta Corte firmou a orientação de que a reincidência específica somente
impede a substituição da pena privativa de liberdade por reprimendas restritivas de direitos "quando
forem idênticos (e não apenas de mesma espécie) os crimes praticados".
(...) (AgRg no REsp n. 2.004.070/DF, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do
TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 27/9/2022, DJe de 30/9/2022.)
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Pena de multa
A pena de multa pode ser conceituada como a penalidade (sanção penal) consistente no pagamento de
determinada quantia em dinheiro e destinada ao Fundo Penitenciário Nacional. Nos termos do art. 49, e seus
§§, do CP:
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do
maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse
salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
O critério utilizado para a fixação da pena de multa é o do dia-multa. O valor do “dia-multa” será arbitrado
pelo Juiz, em montante que varia entre 1/30 (um trigésimo) e 5 vezes o valor do maior salário mínimo
vigente à época do fato!
Perceba, caro aluno, que a aplicação da pena de multa obedece a um sistema bifásico, no qual o Juiz:
O produto da multiplicação do número de dias multa pelo valor de cada dia multa será o montante total
da condenação.
Este critério possibilita o exercício do princípio da individualização da pena, pois confere ao Juiz uma
amplitude enorme na fixação do valor da pena de multa.
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A pena de multa deve ser fixada levando-se em conta a situação econômica do réu, entretanto, essa fixação
com base na situação econômica do réu se refere à fixação do valor do dia-multa. Além disso, a pena de
multa pode ser aumentada até o triplo, caso, mesmo sendo aplicada ao máximo, o Juiz considere que ela
ainda é insuficiente.
Ressalto a vocês que esse sistema de aplicação da pena de multa é genérico, ou subsidiário. Assim, nada
impede que a Legislação Especial, e até mesmo o CP, prevejam situações especiais nas quais o critério para
a aplicação da pena de multa seja outro.
O pagamento da pena de multa deve se dar em até 10 dias a contar do trânsito em julgado da sentença,
podendo o Juiz, considerando as circunstâncias, e a requerimento do condenado, permitir o parcelamento
do seu pagamento (art. 50 do CP).
O CP permite, ainda, que a pena de multa seja descontada diretamente na remuneração do condenado,
salvo na hipótese de ter sido aplicada cumulativamente com a pena privativa de liberdade (§ 1° do art. 50 do
CP), e não pode incidir sobre recursos indispensáveis ao sustento do condenado e de sua família. (§ 2° do
art. 50 do CP).
Não cumprida espontaneamente a pena de multa, não pode haver conversão em pena privativa de
liberdade,24 tampouco reconversão (porque nunca houve conversão). Nesse caso, a multa será considerada
como dívida de valor, aplicando-se-lhe as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública. Vejamos:
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o
juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à
dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interr uptivas e
suspensivas da prescrição.
Esta redação atual do art. 51 do CP foi dada pela Lei 13.964/19 (chamado “Pacote Anticrime”). Como se
vê, a despeito de ser considerada mera dívida de valor, não podendo haver conversão em pena privativa de
liberdade, a multa deverá ser executada perante o Juízo da execução penal, colocando fim, assim, a uma
antiga discussão doutrinária e jurisprudencial sobre o juízo competente para executar a pena de multa.
23 GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 529/530
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A Doutrina e a Jurisprudência entendem, em razão disso, que embora o não cumprimento da pena de multa
não possa gerar a conversão em pena privativa de liberdade, isto não lhe retira seu caráter de pena. Assim,
aplicada pena de multa e sobrevindo a morte do infrator, estará extinta a punibilidade 25, nos termos do
art. 107, I do CP, já que não se pode estender os efeitos da pena aos sucessores do infrator, por força do art.
5°, XLV da Constituição, que ressalvou apenas a obrigação de reparar o dano e o perdimento de bens.
Por fim, o art. 52 do CP prevê que, sobrevindo doença mental ao condenado, ficará suspensa a pena de
multa.
CÓDIGO PENAL
➔ Arts. 49 a 52 e 58 do CP – Regulamentam a pena de multa no Código Penal, bem como sua cominação:
SEÇÃO III
DA PENA DE MULTA
Multa
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do
maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse
salário. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Pagamento da multa
Art. 50 - A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a
sentença. A requerimento do condenado e conforme as circunstâncias, o juiz pode permitir
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que o pagamento se realize em parcelas mensais. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Modo de conversão.
Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o
juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à
dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interr uptivas e
suspensivas da prescrição. (Redação dada pela Lei 13.964/19)
(...)
CAPÍTULO II
(...)
Pena de multa
Art. 58 - A multa, prevista em cada tipo legal de crime, tem os limites fixados no art. 49 e
seus parágrafos deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
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Jurisprudência relevante
Súmulas
umulou entendimento no sentido de que é vedado ao Juiz impor, como condição especial ao regime aberto,
qualquer das modalidades de pena restritiva de direitos, eis que isso configuraria bis in idem (cumprimento
de pena privativa de liberdade e cumprimento de pena restritiva de direitos, ainda que indiretamente):
Súmula 493 do STJ - É inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como
condição especial ao regime aberto.
➔ Tema Repetitivo 931 - Não pagamento da pena de multa aplicada cumulativamente com a pena
privativa de liberdade - Reconhecimento da extinção da punibilidade
“(...) Na sessão eletrônica iniciada em 11/10/2023 e finalizada em 17/10/2023, nos Recursos Especiais n.
2.090.454/SP e 2.024.901/SP (acórdão publicado no DJe de 30/10/2023), propondo revisar a tese atual,
quanto à alegada necessidade de demonstração da hipossuficiência do apenado para que, a despeito do
inadimplemento da pena de multa, possa-se proceder ao reconhecimento da extinção de sua punibilidade.”
➔ Progressão de regime - Não pagamento da pena de multa imposta cumulativamente com a pena
privativa de liberdade
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(...) (AgRg no AREsp n. 2.148.772/PR, relator Ministro João Batista Moreira (Desembargador
Convocado do TRF1), Quinta Turma, julgado em 21/3/2023, DJe de 27/3/2023.)
➔ Execução da multa criminal não paga - Legitimidade do Ministério Público - Fazenda Pública tem
legitimidade subsidiária
“(...) O entendimento adotado pela Corte de origem não destoa da jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, segundo a qual a Fazenda Pública mantém a competência subsidiária para
execução da multa criminal, mesmo após a nova redação do art. 51 do Código Penal dada pela Lei
n. 13.964/2019.”
(AgRg no RMS n. 71.735/RS, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em
26/9/2023, DJe de 2/10/2023.)
OBS.: A Jurisprudência do STJ se baseia na tese firmada pelo STF quando do julgamento da ADI 3150:
Tese firmada: I - O Ministério Público é o órgão legitimado para promover a execução da pena de
multa, perante a Vara de Execução Criminal, observado o procedimento descrito pelos artigos 164 e
seguintes da Lei de Execução Penal; II - Caso o titular da ação penal, devidamente intimado, não
proponha a execução da multa no prazo de 90 (noventa) dias, o Juiz da execução criminal dará ciência
do feito ao órgão competente da Fazenda Pública (Federal ou Estadual, conforme o caso) para a
respectiva cobrança na própria Vara de Execução Fiscal, com a observância do rito da Lei 6.830/1980.
Todavia, a tese ainda não está definitivamente sacramentada, pois o STF reconheceu a repercussão geral do
tema (Tema 1219), e irá julgar o caso (Leading Case: RE 1377843) sob a sistemática dos temas com
repercussão geral:
Tema: 1219
Descrição: Recurso extraordinário em que se discute, à luz do artigo 5º, XLVI, "c", da Constituição
Federal, se a Procuradoria da Fazenda Pública manteria legitimidade subsidiária para a execução de
pena de multa imposta criminalmente, e não executada pelo Ministério Público no prazo de 90
(noventa) dias, considerando-se o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na ADI
3.150 e a superveniência da Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime).
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EXERCÍCIOS COMENTADOS
1. (CEBRASPE (CESPE)/TJ SC/Remoção/2023)
a) utilitaristas, que consideram e justificam a pena enquanto meio para a realização do fim
utilitário da prevenção de futuros delitos.
c) que concebem a pena como retribuição do crime, justificada por seu intrínseco valor
axiológico, vale dizer, não um meio, e tampouco um custo, mas, sim, um dever ser metajurídico
que possui em si seu próprio fundamento.
e) que, segundo Séneca, são quia peccatum, ou seja, dizem respeito ao passado.
COMENTÁRIOS
a) CORRETA: Item correto, pois as correntes utilitaristas consideram e justificam a pena enquanto
meio para a realização do fim utilitário da prevenção de futuros delitos, ou seja, a pena, para
estas doutrinas, não pode ser concebida apenas como castigo ao infrator pela infração da norma,
devendo ser também um instrumento para a consecução de um objetivo maior, que é a
prevenção de delitos.
b) ERRADA: Item errado, pois as teorias que concebem a pena como um castigo são as teorias
absolutas ou meramente retributivas da pena, ou seja, consideram apenas como um fim em si
mesmo, um imperativo categórico de Justiça: “errou, deve ser castigado”. Para tais teorias, a
pena não se justifica pela necessidade de prevenção de novos delitos, mas pelo simples fato de
que o infrator violou a norma e, portanto, deve ser punido.
c) ERRADA: Item errado, pois as teorias que concebem a pena como retribuição do crime,
justificada por seu intrínseco valor axiológico, vale dizer, não um meio, e tampouco um custo,
mas, sim, um dever ser metajurídico que possui em si seu próprio fundamento são as teorias
absolutas da pena.
d) ERRADA: Item errado, pois as teorias que concebem a pena como um fim em si própria são as
teorias absolutas (ou retributivas).
e) ERRADA: Item errado, pois que, as teorias que enxergam a pena, segundo Séneca, como
“quia peccatum” (“pune-se porque pecou”), ou seja, dizem respeito ao passado, são as teorias
absolutas (ou retributivas).
GABARITO: LETRA A
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COMENTÁRIOS
Item correto, pois o CP brasileiro adota uma teoria eclética ou mista no que tange à função da
pena. Vejamos:
Como se vê, nos termos do art. 59 do CP, a pena deve ser aplicada “conforme seja necessário e
suficiente para reprovação e prevenção do crime”, de forma que fica evidenciado que nosso CP
enxerga a pena como tendo uma finalidade retributiva (castigo), mas também como tendo
finalidade preventiva (evitar a prática de novos crimes).
O enunciado da questão pede que seja respondida “de acordo com o princípio da bagatela
imprópria”. Como tal princípio se relaciona com as finalidades da pena? O princípio da bagatela
imprópria estabelece que o Juiz deverá deixar de aplicar a pena quando entender, pelas
circunstâncias, que ela se mostra desnecessária no caso concreto. Seria algo como um “perdão
judicial sem previsão legal”. Ex.: José furta o celular de Maria, sua colega de trabalho, mas no dia
seguinte devolve o aparelho e faz as pazes com a colega de trabalho, dando ainda de presente
uma diária em um spa de luxo, como pedido de desculpas pelo fato praticado. José era primário,
de bons antecedentes, reparou integralmente o dano, demonstrou-se arrependido e retomou
laços de amizade com a vítima, não tendo praticado qualquer outro crime depois disso. Três anos
depois, o Juiz recebe o processo para sentenciar José. Faz sentido aplicar a pena? Do ponto de
vista retributivo (teoria absoluta) sim, eis que José errou e deveria ser punido. Do ponto de vista
utilitarista (teoria relativa), é questionável a utilidade da pena nesse caso, pois não parece que vá
“ressocializar” José ou evitar a prática de novos crimes. A pena, portanto, se mostraria um
castigo justo (do ponto de vista retributivo), mas desnecessário no caso concreto. Dessa forma,
pelo princípio da bagatela imprópria, o Juiz poderia reconhecer a existência do crime mas deixar
de aplicar a pena, considerando que ela seria desnecessária no caso concreto.
GABARITO: Correta
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
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Marcos poderá iniciar o cumprimento da pena no regime semiaberto, uma vez presentes os
requisitos para a concessão do benefício.
COMENTÁRIOS
Item correto, pois Marcos poderá iniciar o cumprimento da pena no regime semiaberto, já que,
apesar de reincidente, é portador de circunstâncias judiciais favoráveis, tendo sido condenado a
pena não superior a 04 anos, nos termos do art. 33, §2º, “c” do CP:
Art. 33 (...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Como é reincidente, Marcos não poderá iniciar o cumprimento da pena em regime aberto, mas
por ser portador de circunstâncias judiciais favoráveis (o que se verifica pela primariedade e pelo
fato de a pena ter sido fixada no mínimo legal), será cabível o regime semiaberto, conforme
súmula 269 do STJ:
GABARITO: Correta
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
O regime inicial de cumprimento da pena deve ser definido considerando-se apenas o quantum
da pena aplicada.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o regime inicial de cumprimento da pena deve ser definido considerando-se o
quantum da pena aplicada, a eventual reincidência do agente e as circunstâncias judiciais, nos
termos do art. 33, §§2º e 3º do CP.
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GABARITO: Errada
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o crime de roubo não é considerado hediondo em todas as suas modalidades,
apenas em determinados casos (ex.: quando majorado pelo emprego de arma de fogo).
Ademais, ainda que se tratasse de crime hediondo, a despeito da previsão contida no art. 2º, §1º
da Lei 8.072/90, que estabelece a obrigatoriedade do regime inicial fechado para tais crimes, o
STF possui entendimento pacífico no sentido de que tal obrigatoriedade de regime inicial
fechado é inconstitucional.
GABARITO: Errada
De acordo com o Código Penal, assinale a opção correta, acerca das penas privativas de
liberdade.
c) O condenado não reincidente cuja pena seja superior a quatro anos e inferior a oito anos
pode, desde o princípio, cumpri-la em regime aberto.
d) O trabalho externo é vedado, em qualquer hipótese, ao preso que estiver cumprindo pena em
regime fechado.
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois a execução da pena em regime fechado deve ser cumprida em
estabelecimento de segurança máxima ou média, nos termos do art. 33, §1º, “a” do CP.
b) CORRETA: Item correto, pois a pena de reclusão pode ser cumprida em qualquer regime
inicial, seja o fechado, o semiaberto ou o aberto, nos termos do art. 33 do CP:
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c) ERRADA: Item errado, pois o condenado, não reincidente, cuja pena seja superior a quatro
anos e inferior a oito anos pode, desde o princípio, cumpri-la em regime semiaberto, nos termos
do art. 33, §2º, “b” do CP.
d) ERRADA: Item errado, pois o trabalho externo é vedado é permitido ao preso que estiver
cumprindo pena em regime fechado, desde que em serviços ou obras públicas, nos termos do
art. 34, §3º do CP:
e) ERRADA: Item errado, pois o condenado que cumprir pena em regime aberto e trabalhar fora
do estabelecimento prisional deverá permanecer recolhido durante o período noturno e também
nos dias de folga laboral, nos termos do art. 36, §1º do CP:
GABARITO: LETRA B
Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
No regime aberto, o condenado poderá trabalhar fora do estabelecimento prisional, desde que
esteja sob vigilância.
COMENTÁRIOS
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GABARITO: Errada
À luz das disposições legais de direito penal e da jurisprudência correlata, julgue o próximo item.
COMENTÁRIOS
GABARITO: Correta
Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
No regime fechado, o condenado fica sujeito a isolamento nos períodos diurno e noturno.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois no regime fechado o condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a
isolamento durante o repouso noturno, sendo que o trabalho será comum (junto com outros
presos) dentro do estabelecimento, nos termos do art. 34, §§1º e 2º do CP:
Art. 34 (...)
§ 1º - O condenado fica sujeito a trabalho no período diurno e a isolamento
durante o repouso noturno. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º - O trabalho será em comum dentro do estabelecimento, na conformidade
das aptidões ou ocupações anteriores do condenado, desde que compatíveis
com a execução da pena.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
GABARITO: Errada
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a) irreversibilidade.
b) heteronomia.
c) universalidade.
d) cumulatividade.
e) subsidiariedade.
COMENTÁRIOS
GABARITO: LETRA E
Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
COMENTÁRIOS
A pena de multa não pode ser convertida em pena privativa de liberdade, de forma que, uma vez
não paga, considera-se dívida de valor e será executada como dívida ativa da Fazenda Pública,
embora perante o Juízo da execução penal, nos termos do art. 51 do CP:
Todavia, pode acontecer de o agente ser condenado cumulativamente a pena de multa e a pena
privativa de liberdade. Em casos tais, o inadimplemento da pena de multa pode ser utilizado
pelo Juízo da execução penal como justificativa para impedir a progressão de regime prisional
(da pena privativa de liberdade, claro), bem como para justificar até mesmo a regressão de
regime:
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Frise-se que o próprio STJ estabelece que “o não pagamento da sanção pecuniária impede a
progressão de regime, salvo comprovação de inequívoca incapacidade econômica do apenado”.
Ou seja, demonstrando o condenado, de forma inequívoca, que não tem condição financeira
para pagar a pena de multa, isso não impedirá sua progressão de regime. Isso encontra respaldo,
inclusive, no art. 118, §1º da LEP:
Art. 118 (...) § 1° O condenado será transferido do regime aberto se, além das
hipóteses referidas nos incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não
pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta.
GABARITO: Correta
Acerca das disposições constitucionais aplicáveis ao direito penal, julgue o item a seguir.
COMENTÁRIOS
Item errado. De fato, a CF/88 estabelece nenhuma pena passará da pessoa do condenado,
podendo, porém, a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos
termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido a título de herança:
GABARITO: Errada
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É possível a fixação de regime inicial fechado àquele que for condenado a uma pena inferior a 4
anos pela prática de crime sem violência ou grave ameaça, em decorrência do reconhecimento
das circunstâncias judiciais desfavoráveis e da sua reincidência.
COMENTÁRIOS
Item correto. O art. 33, §2º, “c” do CP estabelece que o condenado não reincidente, cuja pena
seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Todavia, e se o condenado à pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos for reincidente? Será cabível
o fechado ou o semiaberto?
Sendo um agente reincidente, mas portador de circunstâncias judiciais favoráveis, será admissível
a fixação do regime inicial semiaberto, nos termos da súmula 269 do STJ. Vejamos:
GABARITO: Correta
14. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Antônio, com anterior
condenação transitada em julgado pelo delito de dano ao patrimônio público, foi
processado e condenado à pena privativa de liberdade de um ano e dois meses de
reclusão pelo cometimento do delito de receptação. Nessa situação, em razão da
reincidência criminal em crime doloso, não é cabível a substituição da pena corporal
imposta a Antônio por pena restritiva de direitos.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois apesar de ser reincidente em crime doloso, será possível a substituição, desde
que a medida seja socialmente recomendável, por não se tratar de reincidência específica (pelo
mesmo crime), na forma do art. 44, §3º do CP:
GABARITO: Errada
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15. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Pedro, réu primário, foi
processado e condenado pela prática de delito de roubo simples na modalidade tentada,
tendo-lhe sido imposta pena privativa de liberdade de dois anos e oito meses de reclusão,
em regime aberto. Nessa situação, a pena privativa de liberdade imposta a Pedro poderá
ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas penas restritivas de
direitos.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois apesar da quantidade de pena imposta (não superior a 04 anos), trata-se de
crime com violência ou grave ameaça à pessoa, sendo vedada a substituição por pena restritiva
de direitos, na forma do art. 44, I do CP.
GABARITO: Errada
16. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Alberto, réu primário e em
circunstâncias judiciais favoráveis, praticou crime de homicídio culposo qualificado ao
conduzir embriagado veículo automotor. Em razão dessa conduta, ele foi processado e
condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade de cinco anos de reclusão,
inicialmente em regime semiaberto. Nessa hipótese, o quantum de pena fixado não
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
COMENTÁRIOS
Item correto, pois apesar de ter sido aplicada pena superior a 04 anos, trata-se de crime culposo,
motivo pelo qual está autorizada a substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva
de direitos, na forma do art. 44, I do CP.
GABARITO: Correta
COMENTÁRIOS
Item errado, pois, apesar da reincidência, será possível a substituição, desde que a medida seja
socialmente recomendável, e não se trate de reincidência específica (pelo mesmo crime), na
forma do art. 44, §3º do CP:
GABARITO: ERRADO
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18. (CESPE - 2018 - POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL) Flávio, maior
e capaz, condenado a pena de doze anos pela prática de homicídio doloso qualificado,
iniciou o cumprimento da pena em regime fechado. Durante a execução da pena, ele
apresentou comportamento excelente e colaborativo, por isso, após o período mínimo
para a progressão de regime, seu advogado requereu ao juiz a passagem de Flávio para o
regime aberto. Nessa situação, o pedido não poderá ser atendido: a progressão do
regime prisional de Flávio deverá ser para o regime semiaberto.
COMENTÁRIOS
Item correto. A progressão de regime somente pode se dar para o regime imediatamente mais
brando (do fechado para o semiaberto e do semiaberto para o aberto, JAMAIS diretamente do
fechado para o aberto). Ou seja: não se admite a chamada “progressão per saltum”.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIOS
A alternativa correta é a letra A. O art. 33, §1º, “c” do CP estabelece que se considera regime
aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento adequado. Vejamos:
GABARITO: Letra A
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b) penitenciária.
c) centro de observação.
d) colônia agrícola.
e) cadeia pública.
COMENTÁRIOS
COMENTÁRIOS
a) ERRADA: Item errado, pois tal condenado poderá iniciar o cumprimento da pena em regime
semiaberto, caso não seja reincidente, na forma do art. 33, §2º, “b” do CP.
b) ERRADA: Item errado, pois a pena de reclusão pode ser cumprida em regime inicial fechado,
semiaberto ou aberto, na forma do art. 33 do CP.
d) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 34, §3º do CP.
e) ERRADA: Item errado, pois durante o dia o condenado, no regime fechado, deve ficar sujeito
a trabalho em comum dentro do estabelecimento, na conformidade das aptidões ou ocupações
anteriores do condenado, desde que compatíveis com a execução da pena, na forma do art. 34,
§2º do CP.
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a) Reserva legal ou legalidade estrita – Somente a Lei (em sentido estrito) pode
cominar penas: “Nulla poena sine lege”. Está previsto no art. 5°, XXXIX da
Constituição e art. 1° do CP;
b) Anterioridade – A Lei que prevê a pena para a conduta deve ser anterior à prática
do crime: “Nulla poena sine praevia lege”. Também está previsto no art. 5°, XXXIX da
Constituição e art. 1° do CP, sendo, juntamente com o princípio da reserva legal,
subprincípios do princípio da LEGALIDADE;
A Intranscendência da pena prega que a pena deve ser cumprida somente pelo condenado, não
podendo, em caso de morte deste, ser transferida aos seus familiares, salvo a obrigação de
reparar o dano e o perdimento de bens, que podem ser cobrados dos sucessores até o limite do
patrimônio transferido pelo condenado falecido.
O Princípio da humanidade ou humanização das penas prevê que a pena não pode desrespeitar
os direitos fundamentais do indivíduo, violando sua integridade física ou moral, e também não
pode ser de índole cruel, desumano ou degradante (art. 5°, XLIX e XLVII da Constituição).
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O Princípio da proporcionalidade estabelece que a sanção aplicada pelo Estado deve ser
proporcional à gravidade da infração cometida e também deve ser suficiente para promover a
punição ao infrator e sua reeducação social.
Por fim, o Princípio da individualização da pena prega que a pena deve ser aplicada de maneira
individualizada para cada infrator em cada caso específico. Essa individualização se dá em três
fases distintas: a) cominação: O legislador deve prever um raio de atuação para o Juiz aplicar a
pena no caso concreto, estabelecendo penas mínimas e máximas, de forma que o Juiz possa
aplicar a quantidade de pena que achar conveniente no caso concreto; b) aplicação: Saindo da
esfera legislativa, passamos à esfera judicial, segunda etapa, que consiste na efetiva aplicação
individualizada da pena, que será imposta conforme as circunstâncias do crime e os antecedentes
do réu, de acordo com a margem estabelecida pelo legislador; c) Na terceira e última fase temos
a aplicação deste princípio na execução da pena (esfera administrativa), de forma que o
cumprimento da pena, progressão de regime, concessão de benefícios devem ser analisados no
caso concreto, e não abstratamente, pois entende-se que “cada caso é um caso”, e não cabe ao
legislador retirar do Juiz a possibilidade de analisá-lo e proceder da forma que melhor atenda
aos anseios da sociedade. Está previsto no art. 5°, XLVI da Constituição da República.
O Juiz não pode estabelecer pena restritiva de direitos como condição ao regime aberto (súmula
493 do STJ). O Juiz também não poderia fixar o regime inicial aberto, no caso de se tratar de
reincidente, na forma do art. 33, §2º, “c” do CP.
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Por fim, o Juiz não poderia estabelecer regime inicial mais severo do que o permitido com base
apenas na gravidade abstrata do delito, no caso de a pena-base ter sido fixada no mínimo legal,
conforme súmula 440 do STJ.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.
26. (CESPE – 2017 – TRE-BA – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA) A respeito de
penas, julgue os itens a seguir.
I O trabalho externo é admissível no regime fechado.
II Em se tratando de reincidentes em crimes dolosos, as penas restritivas de direitos não podem
ser autônomas.
III São penas restritivas de direitos: interdição temporária de direitos e pagamento de multa.
IV A limitação de final de semana é uma das penas restritivas de direitos e consiste em
permanecer em casa de albergado por cinco horas aos finais de semana.
Estão certos apenas os itens
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.
COMENTÁRIOS
I – CORRETA: Item correto, pois o trabalho externo é admissível no regime fechado, em serviços
ou obras públicas, na forma do art. 34, §3º do CP.
II – ERRADA: Item errado, pois as penas restritivas de direitos não são aplicadas
cumulativamente, sendo, sempre, autônomas. No caso de reincidente em crime doloso, é cabível
a substituição, desde que não se trate de reincidência específica e que a medida seja socialmente
recomendável, na forma do art. 44, §3º do CP.
III – ERRADA: Item errado, pois a multa é uma espécie de pena autônoma, não se trata de uma
modalidade de pena restritiva de direitos.
IV – CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 48 do CP:
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COMENTÁRIOS
Item correto, pois o STJ firmou entendimento (verbete de súmula nº 269) no sentido de que é
cabível o regime prisional semiaberto neste caso. Vejamos:
COMENTÁRIOS
Item correto. Isto porque a pena fixada permite a adoção do regime inicial semiaberto, nos
termos do art. 33, §2º do CP:
Art. 33 (...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em
regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
COMENTÁRIOS
Item errado, pois o regime inicial, aqui, não é diferenciado, mas o próprio regime previsto pelo
CP para os condenados a pena superior a oito anos de privação da liberdade, nos termos do art.
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33, §2º, “a” do CP. O Juiz, neste caso, ao fixar o regime fechado, não necessitará fundamentar
sua decisão em outros fatores que não a mera quantidade de pena aplicada.
COMENTÁRIOS
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Quanto às suas finalidades, segundo a teoria eclética ou conciliatória, a pena tem dupla função:
punir o criminoso e prevenir a prática do crime.
COMENTÁRIOS
Enquanto a Teoria da Retribuição entendia que a pena deveria apenas servir de punição ao
infrator, e as Teorias da Prevenção (Geral e Especial) entediam que ela, na verdade, deveria
servir de desestímulo à prática de novos delitos, prevenindo sua ocorrência, a Teoria Eclética é
uma Teoria Mista entre ambas, entendendo que a pena possui ambas as finalidades.
COMENTÁRIOS
O item está correto. Tal previsão está contida no art. 45, §1º do CP:
A possibilidade de parcelamento não está prevista no CP, mas é admitida pela jurisprudência.
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O item está errado. O furto possui pena mínima de um ano. Assim, o Juiz não poderia ter fixado
a pena abaixo do mínimo legal porque a confissão é circunstância atenuante, a ser aplicada na
segunda fase de aplicação da pena, e de acordo com o STJ, nesse momento a pena não pode
ficar abaixo do mínimo legal (súmula 231 do STJ).
COMENTÁRIOS
Art. 33 (...)
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios
e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso: (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em
regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Como o réu era reincidente, em regra seria aplicado o regime fechado. Porém, o STJ possui
entendimento sumulado no sentido de que aos reincidentes condenados a pena não superior a
quatro anos poderá ser aplicado o regime inicial semiaberto, desde que favoráveis as
circunstâncias judiciais. Vejamos:
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O item está errado. A multa não pode ser confundida com a reparação do dano. A multa é
PENA, logo, não pode passar da pessoa do apenado, de maneira que com a morte deste se
extingue a punibilidade, não sendo possível sua execução em face do espólio, ainda que o
falecido tenha deixado bens aos herdeiros. Esse é o entendimento doutrinário e jurisprudencial.
COMENTÁRIOS
O item está correto. Trata-se da exata previsão contida no art. 44, §3º do CP:
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COMENTÁRIOS
O item está errado. A pena de multa não se destina à vítima, mas ao Fundo Penitenciário, nos
termos do art. 49 do CP:
COMENTÁRIOS
O item está correto. A prestação pecuniária, que não se confunde com a pena de multa, é
modalidade de pena restritiva de direitos e consiste, de fato, no pagamento em dinheiro à
vítima, seus dependentes ou entidade pública ou privada com destinação social, de importância
fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários
mínimos, na forma do art. 45, §1º do CP:
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Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 2º, §2º da Lei 8.072/90:
Art. 2º (...)
§ 2º A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos
neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o
apenado for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela
Lei nº 11.464, de 2007)
COMENTÁRIOS
O item está correto, pois o crime de estupro é considerado hediondo e os condenados por
crimes hediondos, quando reincidentes, somente podem progredir de regime após cumpridos
3/5 da pena imposta, nos termos do art. 2º, §2º da Lei 8.072/90.
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a) utilitaristas, que consideram e justificam a pena enquanto meio para a realização do fim
utilitário da prevenção de futuros delitos.
c) que concebem a pena como retribuição do crime, justificada por seu intrínseco valor
axiológico, vale dizer, não um meio, e tampouco um custo, mas, sim, um dever ser metajurídico
que possui em si seu próprio fundamento.
e) que, segundo Séneca, são quia peccatum, ou seja, dizem respeito ao passado.
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
Marcos poderá iniciar o cumprimento da pena no regime semiaberto, uma vez presentes os
requisitos para a concessão do benefício.
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
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O regime inicial de cumprimento da pena deve ser definido considerando-se apenas o quantum
da pena aplicada.
Marcos, reincidente, foi preso em flagrante pelo crime de roubo e condenado a cumprir pena
privativa de liberdade de quatro anos de reclusão.
De acordo com o Código Penal, assinale a opção correta, acerca das penas privativas de
liberdade.
c) O condenado não reincidente cuja pena seja superior a quatro anos e inferior a oito anos
pode, desde o princípio, cumpri-la em regime aberto.
d) O trabalho externo é vedado, em qualquer hipótese, ao preso que estiver cumprindo pena em
regime fechado.
Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
No regime aberto, o condenado poderá trabalhar fora do estabelecimento prisional, desde que
esteja sob vigilância.
À luz das disposições legais de direito penal e da jurisprudência correlata, julgue o próximo item.
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Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
No regime fechado, o condenado fica sujeito a isolamento nos períodos diurno e noturno.
a) irreversibilidade.
b) heteronomia.
c) universalidade.
d) cumulatividade.
e) subsidiariedade.
Com relação às penas privativas de liberdade no Código Penal, julgue o próximo item.
Acerca das disposições constitucionais aplicáveis ao direito penal, julgue o item a seguir.
É possível a fixação de regime inicial fechado àquele que for condenado a uma pena inferior a 4
anos pela prática de crime sem violência ou grave ameaça, em decorrência do reconhecimento
das circunstâncias judiciais desfavoráveis e da sua reincidência.
14. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Antônio, com anterior
condenação transitada em julgado pelo delito de dano ao patrimônio público, foi processado e
condenado à pena privativa de liberdade de um ano e dois meses de reclusão pelo cometimento
do delito de receptação. Nessa situação, em razão da reincidência criminal em crime doloso, não
é cabível a substituição da pena corporal imposta a Antônio por pena restritiva de direitos.
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15. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Pedro, réu primário, foi
processado e condenado pela prática de delito de roubo simples na modalidade tentada,
tendo-lhe sido imposta pena privativa de liberdade de dois anos e oito meses de reclusão,
em regime aberto. Nessa situação, a pena privativa de liberdade imposta a Pedro poderá
ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas penas restritivas de
direitos.
16. (CESPE - 2019 - TJ-SC - JUIZ SUBSTITUTO - ADAPTADA) Alberto, réu primário e em
circunstâncias judiciais favoráveis, praticou crime de homicídio culposo qualificado ao
conduzir embriagado veículo automotor. Em razão dessa conduta, ele foi processado e
condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade de cinco anos de reclusão,
inicialmente em regime semiaberto. Nessa hipótese, o quantum de pena fixado não
impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
17. (CESPE - 2019 - PGE-PE - ANALISTA JUDICIÁRIO DE PROCURADORIA) A respeito de
ação penal, espécies e cominação de penas, julgue o item a seguir.
18. (CESPE - 2018 - POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL) Flávio, maior
e capaz, condenado a pena de doze anos pela prática de homicídio doloso qualificado,
iniciou o cumprimento da pena em regime fechado. Durante a execução da pena, ele
apresentou comportamento excelente e colaborativo, por isso, após o período mínimo
para a progressão de regime, seu advogado requereu ao juiz a passagem de Flávio para o
regime aberto. Nessa situação, o pedido não poderá ser atendido: a progressão do
regime prisional de Flávio deverá ser para o regime semiaberto.
A) casa de albergado.
B) penitenciária.
C) centro de observação.
D) colônia agrícola.
E) cadeia pública.
a) casa de albergado.
b) penitenciária.
c) centro de observação.
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d) colônia agrícola.
e) cadeia pública.
21. (CESPE – 2018 – DPE-PE – DEFENSOR PÚBLICO) Assinale a opção correta, a respeito
das regras do regime fechado de cumprimento das penas privativas de liberdade previstas
na legislação vigente.
a) Em regra, o condenado a pena privativa de liberdade superior a quatro anos iniciará o seu
cumprimento no regime fechado.
d) O condenado que cumpre pena no regime fechado pode ser autorizado a realizar trabalho
externo em serviços ou obras públicas.
e) O condenado que cumpre a pena no regime fechado deve ficar isolado durante o repouso
noturno e, durante o dia, deve trabalhar em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento
similar.
De acordo com o Código Penal e com o entendimento dos tribunais superiores, nesse caso é
permitido ao juiz, na sentença condenatória,
a) converter a pena de reclusão aplicada em duas penas restritivas de direitos, sendo uma de
prestação de serviços comunitários e outra de prestação pecuniária.
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d) estabelecer regime mais severo que o permitido em lei, ainda que a pena base tenha se
mantido no mínimo legal.
III São penas restritivas de direitos: interdição temporária de direitos e pagamento de multa.
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.
28. (CESPE - 2015 - TRE-GO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA) Julgue os itens
seguintes, a respeito de concurso de pessoas, tipicidade, ilicitude, culpabilidade e fixação
da pena.
É possível que réu primário portador de circunstâncias judiciais desfavoráveis condenado à pena
de quatro anos de reclusão inicie o cumprimento da reprimenda em regime semiaberto.
29. (CESPE – 2015 – TJ-PB – JUIZ - ADAPTADA) O condenado a pena superior a oito anos
pode começar a cumpri-la em regime fechado, desde que o juiz fundamente as razões
que ensejam regime inicial diferenciado.
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Quanto às suas finalidades, segundo a teoria eclética ou conciliatória, a pena tem dupla função:
punir o criminoso e prevenir a prática do crime.
O juiz poderia ter aplicado pena privativa de liberdade inferior a um ano de reclusão porque a
confissão é preponderante à reincidência.
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O juiz poderá substituir a pena privativa de liberdade do condenado reincidente não específico
por penas restritivas de direitos se, em face da condenação anterior, a substituição for
socialmente recomendável.
Em 1/5/2010, Carlos foi denunciado, tendo a denúncia sido recebida em 24/5/2010. Após o
devido processo legal, em sentença proferida em 23/8/2012, o acusado foi condenado a um ano
e dois meses de reclusão, em regime inicialmente aberto, e ao pagamento de doze dias-multa,
no valor unitário mínimo legal. A pena privativa de liberdade foi substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa. O MP não apelou da sentença condenatória.
O pagamento da pena de multa deverá ser revertido à instituição financeira lesada pelo delito.
40. (CESPE – 2013 – CNJ – ANALISTA JUDICIÁRIO) A prestação pecuniária é uma pena
restritiva de direitos e consiste no pagamento em dinheiro à vítima, seus dependentes ou
entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não
inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos.
41. (CESPE – 2014 – TJ/SE - ANALISTA) Julgue os itens subsecutivos, acerca de crime e
aplicação de penas.
Considere que um indivíduo tenha sido condenado por crime hediondo. Nesse caso, para que
possa requerer progressão de regime de pena, esse indivíduo deve cumprir dois quintos da pena
que lhe foi imputada, se for primário, e três quintos dessa pena, se for reincidente.
42. (CESPE – 2014 – TJ/CE – AJAJ – ADAPTADA) A respeito dos crimes contra o
patrimônio, dos crimes contra a fé pública, da Lei de Crimes Hediondos, da Lei Maria da
Penha e da Lei Antidrogas, assinale a opção correta.
Um réu reincidente, condenado à pena de dez anos de reclusão em regime fechado pelo crime
de estupro simples, somente poderá progredir de regime depois de cumpridos seis anos de
pena.
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1. ALTERNATIVA A
2. CORRETA
3. CORRETA
4. ERRADA
5. ERRADA
6. ALTERNATIVA B
7. ERRADA
8. CORRETA
9. ERRADA
10. ALTERNATIVA E
11. CORRETA
12. ERRADA
13. CORRETA
14. ERRADA
15. ERRADA
16. CORRETA
17. ERRADA
18. CORRETA
19. ALTERNATIVA A
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20. ALTERNATIVA A
21. ALTERNATIVA D
22. ERRADA
23. ERRADA
24. CORRETA
25. ALTERNATIVA E
26. ALTERNATIVA B
27. CORRETA
28. CORRETA
29. ERRADA
30. ERRADA
31. CORRETA
32. CORRETA
33. CORRETA
34. ERRADA
35. CORRETA
36. CORRETA
37. ERRADA
38. CORRETA
39. ERRADA
40. CORRETA
41. CORRETA
42. CORRETA
10
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