UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE BIOCIÊNCIAS
MARIA CLARA TEIXEIRA DA SILVA
FUNDAMENTOS DE PSICOFARMACOLOGIA
NATAL
2023
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição complexa que
impacta significativamente a vida das pessoas afetadas. Caracterizado por sintomas como falta
de atenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH emerge como uma temática de destaque na
contemporaneidade, destacando a necessidade premente de reconhecimento e tratamento desse
transtorno.
A complexidade do TDAH abrange déficits cognitivos em diversas esferas da vida, incluindo
educação, relações familiares e desempenho profissional. Notavelmente, o TDAH manifesta-se
independentemente do contexto sociocultural ou financeiro do indivíduo. No entanto, aqueles
que vivenciam o TDAH podem enfrentar obstáculos na escola, no trabalho e nas interações
sociais, o que, por sua vez, repercute em seu potencial econômico. A dificuldade em manter a
atenção, a impulsividade e os desafios na organização pessoal podem impactar negativamente o
desempenho acadêmico e profissional, limitando oportunidades de emprego e crescimento na
carreira. Esse cenário contribui para dificuldades financeiras e, em alguns casos, aumenta o risco
de pobreza de indivíduos que possuem o transtorno. O diagnóstico do TDAH é baseado em
critérios estabelecidos, conforme descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais (DSM-5) da American Psychiatric Association.
O tratamento envolve uma abordagem multifacetada, incluindo medicamentos e estratégias
psicossociais.
Os medicamentos, como o metilfenidato e o Vyvanse, são considerados mais eficazes do que as
psicoterapias, quando vista em uma perspectiva de melhoria a curto prazo, e atuam em relação ao
bloqueio da recaptação dos neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina. No entanto, ao
interromper a medicação, os sintomas negativos do TDAH ressurgem, evidenciando seu papel
como tratamento temporário, gerando dependência psíquica do medicamento. pois os indivíduos
podem desenvolver uma dependência emocional, acreditando que só conseguem funcionar
adequadamente quando estão sob a influência dessas substâncias. Além disso, é necessário
ressaltar os efeitos colaterais, como alterações de humor, efeitos cardiovasculares e perda de
apetite, devem ser cuidadosamente considerados. Contudo, as dificuldades financeiras surgem
devido à necessidade de medicamentos de longa duração, pois é necessário o uso de maneira
prolongada e sem interrupções para a melhoria dos resultados de seu uso. A criação de rotinas e a
psicoterapia são ferramentas valiosas no manejo do TDAH, contribuindo para minimizar os
impactos nas áreas de educação, família e trabalho.
A expressão do TDAH pode persistir na vida adulta, aumentando os riscos de suicídio, uso de
substâncias e marginalização social. As disparidades cerebrais, como o tamanho reduzido de
áreas como a amígdala cerebral e o núcleo accumbens, destacam a base neurobiológica do
TDAH. Com uma hereditariedade de 75%, a coexistência do TDAH com outras condições
ressalta a importância da identificação precoce. Estabilizar inicialmente o TDAH é crucial, e a
disseminação de informações, cursos e palestras, juntamente com a psicoeducação para pais e
professores, desempenha um papel vital no manejo eficaz. Compreender e apoiar, em vez de
discriminar, são elementos fundamentais para aprimorar a qualidade de vida das pessoas com
TDAH.