FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO
AULA 06 – IDENTIDADE DOCENTE
Prof. MsC. João Gomes
1. IDENTIDADE PROFISSIONAL
• No contexto profissional, a identidade é
influenciada por uma série de variáveis como:
status social, remuneração, formação, contexto
histórico e mercado de trabalho. O processo de
identidade profissional incorpora o hábito social e
o status de determinada profissão dentro de um
contexto histórico e social.
• “Uma identidade profissional se constrói a partir da
significação social da profissão, da revisão
constante dos significados sociais da profissão, da
revisão das tradições.” (PIMENTA, 2000, p. 19).
2. IDENTIDADE PROFISSIONAL DOCENTE
• Conforme Garcia, Hypolito e Vieira (2005), entende-se por
Identidade Profissional Docente, as posições de sujeito que
são atribuídas, por diferentes discursos e agentes sociais, aos
professores e às professoras no exercício de suas funções em
contextos laborais concretos.
• Refere-se, ainda, ao conjunto das representações colocadas
em circulação pelos discursos relativos aos modos de ser e agir
dos professores e professoras no exercício de suas funções em
instituições educacionais, mais ou menos complexas e
burocráticas.
• Para Pimenta (1996) a identidade docente se constrói pelo
significado que cada professor dá para a sua profissão,
enquanto autor e ator, conferindo à atividade docente, no seu
cotidiano, a partir de seus valores, de seu modo de situar-se
no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de
seus saberes, de suas angústias e de seus anseios.
3. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA DOCÊNCIA
• No século XVI, na Europa, teve início o processo de abertura das
escolas elementares para as classes populares.
• O objetivo dessas escolas era o ensino da leitura de textos
religiosos para a manutenção da influência da Igreja sobre a
grande massa da população. Nessa época, as escolas
normalmente funcionavam em igrejas ou conventos, e os
docentes eram membros do clero.
• A atividade docente era tida como um sacerdócio, influenciada
por razões religiosas, mantida através de práticas conservadoras e
autoritárias.
• Para escolarizar a grande massa da população, foi necessária a
abertura da docência para Professores leigos visto que somente os
membros do clero não dariam conta de tal tarefa. Entretanto, os
professores leigos assim como os sacerdotes deveriam guiar suas
práticas segundo concepções religiosas.
• Apesar do caráter vocacional enfatizado pela igreja, a
abertura da docência para leigos marca um
deslocamento da atividade de ensino do sacerdócio.
• No século XIX com o desenvolvimento social e o
processo de industrialização, com as mudanças políticas
e o ideário liberal, os processos educacionais foram
incorporação pelo Estado.
• A concepção liberal de educação se opõe à concepção
difundida pela igreja, pois é baseada na laicidade no
profissionalismo e no domínio do Estado sobre os
processos educacionais.
• Ainda no século XIX, foram criadas estratégias para
construir o docente e sua identidade como funcionário
público, cujas lealdades ao Estado e à moral eram
características marcantes.
4. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA DOCÊNCIA NO BRASIL
• No final do império, a maioria das províncias não
possuía mais do que uma escola normal pública.
• No período republicano se iniciou o processo de
instalação de escolas em todo território nacional e
foram tomadas providências em relação à
necessidade de formar mais professores.
• A partir da república, constatou-se uma
representação valorizada do magistério visando a
sua constituição como profissão.
• A profissionalização docente exercida como uma
atividade principal marcou o momento em que a
função docente deixou de ser assessória e passou a se
constituir como uma atividade controlada pelo Estado.
• É nesse momento que o Estado começa a se comportar
como organizador e controlador do sistema
educacional brasileiro;
• Muitas características de nossa escola atual começam a
ser delineadas, marcando a situação docente como de
trabalhador do ensino subserviente ao Estado, que
passa a regular, a manter e a promover o sistema de
ensino e a formação docente.
• As primeiras escolas normais que ficaram sob a
responsabilidade das províncias visavam formar
professores como peças fundamentais para
expansão do ideário positivista que influenciava
uma nova visão de mundo e uma forma de conduzir
o país.
• Os docentes formados nas escolas normais atendiam
à necessidade da expansão do ensino primário.
Eram, de maneira geral, professoras que cunharam
uma instituição nacional, a normalista. Com o
diploma do normal, a formação da professora estava
completa e acabada.
• A professora normalista aponta um importante
aspecto do contexto histórico do trabalho
docente, onde se pode observar a
incorporação massiva das mulheres a esse
trabalho e sua relação com o processo de
trabalho assalariado.
• Em 1935, a participação feminina já possuía
destaque em alguns espaços, inclusive no
magistério onde já era superior a 80%.
Qual mensagem a imagem abaixo passa aos Docentes
atuais?
5. A CONSOLIDAÇÃO DA DOCÊNCIA COMO ESPAÇO FEMININO
• Tal consolidação da docência como espaço
profissional feminino articula questões culturais
sobre o papel da mulher na sociedade da época.
• Nesse contexto, considerava-se que a atividade
docente poderia ser mais bem desempenhada
pelas mulheres por conta da identidade feminina
vigente na época e também em torno do conceito
de “mãe educadora”.
• Acreditava-se que os aspectos da atividade
docente, como cuidado na educação de crianças,
eram a extensão das atividades já realizadas pelas
mulheres em seus lares.
• As regras de conduta profissional cada vez mais
atribuíam às professoras a tarefa de que elas
precisariam ser um exemplo vivo das qualidades
morais e cívicas.
• “Sendo a professora a responsável por transmitir
elementos de civilidade e moralidade aos seus
alunos, sua conduta moral foi esquadrinhada e posta
em parâmetros bem definidos.” (MÜLLER, 1998, p.4).
• Sintetizando, pode-se considerar que a formação da
identidade profissional docente se iniciou em um
contexto bastante singular, onde se articulam a
formação do Estado nacional, do sistema educativo
nacional e da identidade nacional.
• Nos anos 60, maior parte dos trabalhadores do ensino gozavam de
uma relativa segurança material, de emprego estável e de certo
prestígio social.
• Já a partir dos anos 70, a expansão das demandas da população
por proteção social provocou o crescimento do funcionalismo e
dos serviços públicos gratuitos, entre eles, a educação.
• Durante as décadas de 80 e 90 houve uma democratização da
clientela escolar, a configuração do sistema educativo mudou
radicalmente, passando de um ensino de elite, baseado na seleção
por competência, para um ensino das massas, muito mais flexível e
integrador.
• Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e a
democratização do ensino, houve uma expansão da educação para
iniciativa privada, criando, com isso, um novo nicho de mercado,
gerando divisões de classes. O docentes passaram a realizar sua
atividade profissional, também, na Escolas Privadas, em todos os
níveis de ensino.
6. A PRÁTICA EDUCATIVA
A prática educativa está relacionada a um conjuntos de
conhecimentos que auxiliam o Docente no seu modo de
ensinar. Importante salientar que, a Prática Educativa,
em princípio, está relacionada a 03 espécies de saberes.
São eles:
i. Saber - conhecimento
ii. Saber - experiência
iii. Saber - pedagógico
6.1 SABER-CONHECIMENTO
São aqueles saberes, adquiridos pelo educador,
relacionados ao conteúdo que será ensinado
em sala de aula, ou seja, são os conhecimentos
do conteúdo disciplinar, que será repassado
aos alunos.
Normalmente são adquiridos na própria
formação ou especialização do docente, mas
também pode ser aprendido através de
estudos, leitura de livros, artigos, dentre
outros.
Edgar Morin (2003) ressaltou que conhecimento não se resume
em informação. Segundo o autor, o conhecimento se dá em três
estágios:
a) Acesso a Informação: é o primeiro estágio. Ele confere
vantagens àquele que a possui, pois o privilégio de acesso à
informação não se dá igualmente a todos os cidadãos.
b) Conhecimento propriamente dito: quando se torna possível
trabalhar com as informações classificando-as, analisando-as e
contextualizando-as.
c) Inteligência pedagógica: neste estágio, é possível vincular o
conhecimento de maneira útil, com sabedoria e pertinência,
produzindo educação, progresso e desenvolvimento. Sendo
assim, destaca-se que o conhecimento confere poder àquele
que o tem.
6.2 SABER - EXPERIÊNCIA
• Referem-se aqueles saberes que são adquiridos no
exercício da profissão. Costuma-se dizer que são os
saberes do “chão de giz”, ou seja, os professores
adquirem no dia a dia em sala de aula, em contato
direto com o ensino, com os alunos e com as
atividades da profissão.
• É possível adquirir experiência através de um processo
de reflexão sobre sua própria didática, sobre os
métodos aplicados em turmas anteriores, buscar
entender o que deu certo e quais as práticas que não
foram bem sucedidas.
6.3 SABERES PEDAGÓGICOS
• São conhecimentos que dizem respeito ao
desenvolvimento das atividades do professor,
em sua atividade didática, ou seja, suas
estratégias, técnicas, métodos e ferramentas
que se utiliza em sala de aula para conduzir o
ensino e a aprendizagem.
• Envolvem, também, os conhecimentos sobre a
politica educacional, as nuances relativas à
interação professor x aluno, a ciência e
aplicação das normas que regulamentam a sua
profissão, e às regras próprias do ambiente
escolar.
7. IDENTIDADE DOCENTE E INOVAÇÃO
• A inovação na educação não é apenas uma opção,
mas uma necessidade urgente.
• O mundo está mudando rapidamente, e com ele,
as demandas profissionais e pessoais sobre as
novas gerações. Portanto, o foco se volta para
práticas educativas que promovam não apenas a
absorção de conhecimento, mas também o
desenvolvimento de competências essenciais,
como pensamento crítico, criatividade,
colaboração e adaptabilidade.
EXERCÍCIO
I. De acordo com seu entendimento, analise e explique o
pensamento abaixo
“Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às
quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para
ser educador. A gente se forma, como educador,
permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”.
(Beth Baldi)
II. Analise e explique os itens abaixo:
De maneira resumida, um Docente de excelência deve estar atento:
a) À proposta pedagógica da instituição de ensino e curso;
b) Ao conhecimento específico da disciplina que desenvolve;
c) À observação do perfil de seus alunos em sala de aula; e
d) Ao desenvolvimento de estratégias, metodologias e técnicas didáticas;