Prólogo
Sobre uma chuva forte e tempestuosa no lado de fora do
Condado de Kolin, via-se ao longe, em terras lamaçais, dois homens
vestidos de preto e escondendo o rosto com capuzes. E em seus
cavalos, eram realmente figuras imponentes, com estatura alta e
corpos aparentemente atléticos, mas não ao ponto de assustar.
As duas figuras se aproximavam do portão de entrada do
Condado de Kolin. O portão era feito de metal e possuía uma espécie
de mecanismo magnético para mantê-lo fechado. Um mecanismo
que, para sua época, era impressionante. Em ambos os lados, havia
guardas muito bem armados com espadas de um metal encantado e
extremamente forte. Eram armamentos muito acima da média para
aquela época.
Os dois homens se aproximaram da entrada e, após uma breve
verificação, foram liberados para entrar. Os portões se abriram
lentamente por um mecanismo que, aos olhos de um leigo, parecia
mágico. Ao adentrarem aquelas muralhas, via-se uma paisagem
digna de Kolin – o inventor de origem pobre e humilde que se tornou
dono dessa terra há 30 anos, aos seus joviais 15 anos, sendo
considerado um jovem prodígio. Passando por barracas de vendas,
casas, fábricas e outras localidades, chegaram à entrada do castelo,
que ficava no centro de toda aquela maravilha em formato de
condado.
- Alto lá – Diz um guarda á esquerda da entrada.
- Nós viemos a convite de Kolin o inventor – Disse um dos
homens de voz grossa e paciente.
- E por que esconde sua face? Teme algo a temer?
Com uma postura ereta, os dois homens puxaram os capuzes.
Tinham aparência jovial, e ninguém lhes daria mais de 20 anos. O
homem à direita tinha cabelos ruivos e longos, e uma cicatriz que, em
forma de risco, atravessava seu olho, mas não o deixava cego. O
homem à esquerda tinha cabelos loiros e curtos, sem cicatrizes, mas
com olhos vermelhos que apresentavam movimentos ondulares,
parecendo fogo. Seus nomes eram...
- Sr. Vastin da família Foreus, e sr. Nobus, o Espadachim
Vermelho... – O guarda olhou espantando para os dois rapazes e
quase gaguejando tudo em sua fala de empolgação. – M-me
desculpem, podem entrar.
Os dois homens assentiram com a cabeça, e logo Nobus, com
seu cabelo ruivo e charme contagiante, disse, acalmando o guarda:
- Não precisa de tanta formalidade nem de desculpas. Fico feliz
por você estar fazendo seu trabalho tão bem – sorriu
verdadeiramente para o guarda, que ficou em choque com tanta
compaixão vinda de alguém de um cargo tão alto na nobreza. Nobus
e Foreus despediram-se do guarda com um sorriso e disseram em
uníssono: “Até mais, amigo”.
Entraram pelos portões do castelo, no centro do condado,
amarraram seus cavalos do lado de fora e subiram uma escada até a
entrada grandiosa do castelo, que tinha cerca de 100 metros de
altura e formato comum.
Os portões se abriram majestosamente. Ao fundo, viu-se Kolin
sentado em seu trono; ele se levantou e caminhou para
cumprimentar os jovens convidados.
- Ora, se não são Nobus e Foreus, meus guerreiros favoritos –
disse em tom descontraído e animado o homem de aparência velha,
com cabelos e barbas longas, em uma armadura dourada, com uma
coroa na cabeça e uma espada de metal-negro na cintura.
- É realmente bom ver o senhor tão animado.
- É mesmo! Você parece mais feliz do que da última vez.
Disse Vastin animado. Nobus assentiu.
Mas de repente, a expressão feliz de Kolin mudou para uma de
preocupação e aflição.
- O que foi, Kolin? Está bem? – perguntou Nobus, preocupado.
Como uma máscara, Kolin mudou sua expressão para uma mais
animosa, mas ainda com nuances tristes.
- Explicarei no banquete que preparei. Mas por ora, fico feliz por
vocês estarem aqui. Apenas me sigam, e espero que saboreiem a
comida que Marine preparou com tanto carinho.
- Entendo. Assim faremos como pede.
Os três subiram pela escada à esquerda até chegar ao terceiro
andar. A mesa estava realmente bonita, cheia de comidas gostosas e
raras de ver. Havia alimentos do Norte, Sul, Leste e Oeste daquela
terra de magia.
Nobus sentou-se à esquerda, Vastin à direita, e Kolin na ponta,
de costas para um mapa da região em que estavam – o País Sul de
Vanheim. Os três agradeceram a Sadorn, o deus daquele mundo.
Já à mesa, Nobus perguntou, em meio ao silêncio, comendo um
pedaço de frango:
- E então, o que o senhor tanto teme para nos chamar até aqui?
- É difícil dizer com certeza. Mas pressinto que Nobus não
matou Nrodas, apenas o enfraqueceu.
- Não entendo bem o que o senhor está dizendo. Veja se
entendi: Nrodas ainda vaga pelo mundo mortal?
- Sim, mais exatamente como uma espada.
- Como assim, uma espada?! Eu lembro-me bem de tê-lo
matado com a minh... Oh meu D... – Nobus ergueu-se, olhos
arregalados, boca aberta, com uma mão na mesa e a outra cobrindo
o rosto.
- O que foi? – perguntou Vastin, espantado.
- Eu... deixei minha espada cravada em seu peito – disse em voz
baixa.
- O que disse? – indagou Kolin.
- Lembro-me bem do dia em que supostamente matei Nrodas.
Estávamos em um campo aberto no Norte, cheio de tropas inimigas e
aliadas. Chovia muito naquele fim de tarde decisivo. As tropas
avançaram, e tanto eu quanto Nrodas permanecemos imóveis,
esperando o momento certo para iniciar a batalha. Criamos uma
espécie de rivalidade reconfortante. Esperamos todas as tropas
morrerem ou se cansarem para começar a nossa batalha. Ataquei a
cabeça, mas ele defendeu com a espada. Lutamos por 5 horas até um
de nós ceder. Estranhamente, Nrodas esquivou para trás, bebeu um
líquido preto com uma espécie de 'P' no frasco, e correu em minha
direção, desprotegido. Cravei a espada em seu peito e, em instantes,
a chuva que durara por 3 dias cessou, e o sol surgiu.
- Espere aí, você disse que havia um 'P' no frasco que Nrodas
bebeu? – disse Kolin.
- Sim, mas não achei importante na hora.
- O único líquido preto com propriedades mágicas é...
- Phanmorf... – uma voz grave vinda da escada interrompeu
Kolin. – O líquido que, por breves momentos, permite a quem o bebeu
transportar sua consciência e poder para qualquer ser ou objeto.
- Celius! – exclamou Kolin. – Que surpresa vê-lo aqui. É, e tudo o
que disse está correto infelizmente.
Celius, um homem que aparentava ter 30 anos, com cabelos
castanhos curtos e um cavanhaque charmoso, sentou-se à mesa com
os três.
Nobus, ainda surpreso, indagou:
- Então, Nrodas está em algum lugar, incorporado em uma
espada?.
- Exato – respondeu Celius. – E temo que essa espada possa cair
em mãos erradas, trazendo um grande perigo. Precisamos encontrá-
la antes que isso aconteça.
Vastin, com uma expressão séria, completou:
- E onde começamos nossa busca?
Kolin, voltando a demonstrar sua preocupação, disse:
- Tenho algumas pistas, mas preciso que estejam preparados
para enfrentar o pior. A jornada será longa e cheia de perigos. Devem
estar prontos para tudo.
Os três homens concordaram com um aceno de cabeça,
determinados a enfrentar a ameaça iminente e proteger seu mundo
da possível destruição trazida por Nrodas.
Capítulo 1
- Reunião de Kolin -
Kolin disse aos três o que planejava fazer para deter Nrodas.
Era realmente uma missão bem longa e perigosa para meros mortais.
Mas quem disse que a sua frente eram meros mortais?
Provavelmente já seria o suficiente para essa missão que colocava o
destino daquela terra em que viviam.
- Muito bem!! – Disse Kolin em tom firme. – Já que a Espada de
Nrodas está ao Norte. Temo que deverão passar pelo caminho mais
curto e rápido. Mas já aviso que pode haver obstáculos em seu
caminho. Mas de ante mão é esse o caminho que proponho a vocês.
Kolin apresenta toda a trajetória que estará marcada em seu
mapa, logo atrás dele. E então a trajetória se resume em: Passar pela
Floresta Tempestuosa, em seguida para as Montanhas Grunir e por
ultimo chegar a seu objetivo. Porém logo após às montanhas, existe
uma névoa. E os mesmos devem tomar cuidado nesse trajeto
realmente perigoso.
- Bom, pelo que diz é realmente um caminho cheio de desafios.
Mas não é com isso que me importo... – Disse Nobus em um tom
apreensivo. – E se nos perdermos na névoa, como saberemos para
onde devemos prosseguir?
Celius coloca a mãos nos ombros de Nobus e diz em um tom
calmo e confiante.
- Não precisa se preocupar com isso. Eu conheço essas terras
como ninguém. Seja o destino ou não, mas é fato que alguma coisa
nos uniu aqui hoje para completarmos essa missão.
- Ufa... – Vastin suspira de alivio. – Não te conheço, mas já te
considero muito.
- Me sinto honrado por tais palavras sr. Vastin, e digo mesmo ao
senhor. Um mago é muito útil em situação como essa. Ainda mais um
tão alto em poder como o senhor.
- Me sinto horando por seus elogios também... E desculpe se for
desrespeitoso de minha parte. Mas o que senhor usa para contra-
atacar os inimigos?
Celius deixa visível seu arco e suas flechas em suas costas logo
após a pergunta. E pega o arco em suas mãos com um olhar de
orgulho.
- Esse arco é tudo que tenho, e já me é suficiente. E peço
perdão, eu uso magia de ocultação no arco e flechas, por motivos de
estratégia. Se é que me entende bem, senhor.
- Entendo caro Celius. E estou aliviado por termos ataque a
distância. Mas pressinto que isso não será o suficiente. Talvez
precisemos de mais alguém. – Exclamou Vastin preocupado. Mas
pouco conhecia os seres de sua região. Por mais que não houvesse
muitos com quem contar, ainda sim tinham bons candidatos.
Kolin olhou fixamente para o mapa, acariciando sua barba. E ali
ficou breves segundos resmungando “talvez esse?”, “ou esse?”,
“esse nem pensar”.
- Já sei!!! – Gritou Kolin, como se tivesse tido uma ideia. – Nesta
região existe um bom candidato, embora fosse um pouco irritadiço. E
ele seria...
- Castin, o gigante azul. Ele poderá ser um bom aliado tanto por
sua força, quando por sua resistência. O que acham?!
— Não é uma má ideia, eu já lutei ao seu lado. Mas me
preocupo por sua personalidade irritadiça. – Disse Celius satisfeito,
porém preocupado.
— Isso não será problema, apenas confie em mim. – Disse Kolin
com um sorriso malicioso em seu rosto.
— Só irei aceitar por que é você, se fosse qualquer outro, eu
nem mesmo estaria aqui.
E então os outros dois assentiram com a cabeça. A jornada está
prestes a começar, e mais do que nunca... Pronto para acabar com o
mal de Nrodas.
Os três guerreiros saem do castelo e logo são barrados por um
jovem de cabelo loiro, corte de tigela e aparentando ter no máximo
15 anos, junto de 2 espécies de guardas – mas não pareciam ser do
condado.
— Quem são vocês pobres imundos? – Disse o garoto em tom
arrogate.
— Perdão. – Disse Nobus em tom sorridente. – Nós somos... –
Celius interrompe Nobus tapando a boca dele.
— Não interessa quem somos para você. Apenas faça o que
veio fazer e nos deixe em paz.
O garoto franziu o cenho.
— Perdão? Você sabe quem eu sou? Plebeu imundo, só não
corto sua cabeça por que estou com pressa. – Disse o garoto
chegando mais perto de Celius como se tivesse tentando intimidar.
— Escute criança... Se tentar bancar o idiota mais uma vez... –
Celius segura seu arco ainda invisível em suas costas e aproximando
seu rosto a do garoto com os olhos serrados, porém Vastin o
interrompe.
— Escute criança. Nós temos coisas mais importantes a fazer.
Mesmo o garoto e os guardas ficando na frente. Os três passam
atropelando sem sentir nenhuma dificuldade e empurrando o garoto e
os guardas para o lado, mas apenas o garoto cai. E os guardas
tentam o levantar. Celius olha torto para o garoto caído no chão e diz
com uma voz grave e em tom de ameaça.
— Dá próxima vez eu não me deixarei ser impedido.
— Bastardo imundo!! – O garoto grita rangendo os dentes. –
Cuidem deles enquanto eu me dirijo ao Conde Kolin.
Os guardas correm em direção aos três com as espadas
levantadas, enquanto o garoto entra no castelo sem olhar para atrás.
Vastin bate o cajado no chão. E do impacto sai uma onde gigante de
uma matéria branca e magica, assim fazendo os guardas levitar.
— Ousam nos enfrentar, homens de pouca ambição? – Diz
Vastin com raios em volta dos olhos brancos brilhando. E um tom
ameaçador olhando para os guardas.
Kolin chega correndo para ver o que causou aquela onde,
temendo o pior.
— Por favor coloque-os no chão. Perdoem o príncipe Linus
terceiro. – Disse Kolin apavorado. Vastin olha para Kolin e o garoto
com uma sobrancelha levantada indicando dúvida. – Oh por favor
Vastin... Ele é só um garoto imprudente!! – Gritou Kolin em tom de
desespero, quase que implorando.
Vastin coloca eles no chão e volta ao normal.
— Ok Kolin. Mas diga para essa criança não bancar o rei até
antes dos seus 18 anos. – Disse Vastin seguindo seu caminho junto
dos três até os cavalos encarcerados. Passaram pela multidão agitada
na praça, porém varias pessoas perguntam “onde vão?” “ainda tem
perigos nesse mundo?”.
— Escutem... – Disse Celius em tom firme. – Estamos saindo a
negócios, não se preocupem.
Por mais fora desvio de caráter seja um cavaleiro real mentir,
naquele momento era o certo a se fazer. Era isso ou um condado
cheio de habitantes com medos e paranoias quanto ao verdadeiro
mal desse mundo.
Os três saíram dos limites da muralha do condado de Kolin
quando já era noite e seguiram caminho por uma estrada de barro
para o oeste.
— Nobus e Celius... – Vastin disse em meio ao silêncio da noite –
Que tal a gente usar esse tempo para conversarmos sobre a missão?
— E também sobre o grandão. – Exclamou Nobus. – Eu já vou
avisando que ele é do tipo bárbaro e não se importa muito com a
etiqueta humana. As vezes ele pode soar até um pouco
inconsequente, mas prometo que é apenas a forma dele de lidar com
o mundo.
— Entendi, então qual seria seu plano para convencer ele ir
junto de nós para essa missão? Ele deve ser difícil de lidar não é
mesmo? – Disse Celius.
— Bom, talvez oferecer a ele algo em troca além das honrarias
depois de terminarmos a missão. Algo que ele não iria conseguir em
outro lugar, e tem que de alguma forma ser útil a ele. – Explicou
Nobus.
— Entendo... Até lá tenho fé que pensaremos em algo. – Disse
Celius.
Os três andaram por mais 2 horas até ao longe avistarem uma
floresta.
— Onde será que estamos? E aquela floresta? – Indagou Vastin
olhando para a floresta logo a frente.
— Ainda falta 1 dia para chegarmos. Essa é a Floresta Vivum.
E nela onde habitam um dos seres mais repugnantes desse planeta. –
Explicou Celius aos outros. – E peço que tomem cuidado.
Os outros 2 assentiram e prosseguiram para a Floresta Vivum.
Capítulo 2
- A Floresta Vivum -
Adentrando a floresta, os três percebem que tem uma trilha no
meio daquelas arvores de troncos e folhas vermelhas. No caminho
constantemente se poderia ver esquilos passando pela trilha, seres
dentre as arvores, que parecem ser um espécie de macaco pequeno,
com olhos vermelhos e pelos brancos.
— Eita... – Exclamou Vastin impressionado. – Esses macacos são
bem doidos...
— Não são macacos, são red harpes.
— Será que eu posso acari... – Vastin se aproxima lentamente
dos red harpes e com a mão prepara para acariciar algum deles.
Celius impede ele.
— Cuidado. Eles podem arrancar seu braço em uma mordida.
— Como assim em uma mord... – Vastin é interrompido por um
barulho de Esquilo chorando. E o que eles vêm a direita da trilha em
cima da arvore é...
— RED HARPES COMENDO UM ESQUILO?! – Vastin grita
aterrorizado com a cena brutal de um red harpes segurando com as
duas mão a cabeça do esquilo chorando, e arrancando com os dentes
a pele do esquilo do mesmo modo que um macaco arranca as cascas
de frutas. E logo depois ele enfia os dedões nos dois olhos do esquilo
e começa a comer o animal da cabeça aos pés.
Vastin vomita um pouco do banquete. Ele estava chocado como
a natureza daquele mundo poderia ser tão fofa e brutal ao mesmo
tempo.
— Você está bem Vastin?! – Exclamou Nobus preocupado.
— Sim, eu estou. Só um pouco enjoo... – E vomita novamente –
Obrigado por perguntar.
— Ok, e relaxa. Da primeira vez eu vomitei a refeição do dia
todo. – Nobus disse tentando acalmar o companheiro.
— tá bom, tá bom. Só vamos sair daqui. – Diz Vastin ansioso
para sair daquele lugar e um pouco irritado.