Peça 05
Em 10/05/2005 LIVINA MARIA ANDRADE arrematou judicialmente um imóvel por R$
350.000,00 localizado no Município de Rancho Queimado. Recolheu o ITBI, com base no valor
arrematado em juízo. A Sra. LIVINA MARIA ANDRADE é agricultora e utiliza o imóvel para a
produção agrícola e pecuária. O imóvel está dentro da zona urbana definida por lei pelo
Município, já que a rua onde se encontra o imóvel é asfaltada e o Município fornece água e
sistema de esgoto sanitário. Em 10/05/2008 recebeu notificação fiscal exigindo diferenças no
valor do ITBI pago por ocasião da aquisição judicial do imóvel. O Fisco Municipal entendeu que
o tributo deveria ser calculado com base no valor da avaliação judicial realizada no processo de
execução no qual ocorreu a arrematação (R$ 380.000,00). A Sra. LIVINA permaneceu inerte e é
inscrita em dívida ativa em 10/8/2008. Em 10/06/2010 foi citada em execução fiscal proposta
pelo Município de Rancho Queimado para a cobrança do ITBI e do IPTU dos anos de 2007,
2008 e 2009, os quais nunca foram pagos. A Sra. LIVINA tem bens penhorados em 10/07/2010
e lhe procura, em 20/07/2010, para a defesa de seus direitos. Na qualidade de advogado da
Sra. LIVINA, elabore a peça processual que melhor atenda o seu direito, especificando seus
fundamentos.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE
DIREITO DA ___ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA
COMARCA DE RANCHO QUEIMADO – ESTADO DE
SANTA CATARINA
Processo nº: ____
LIVINA MARIA ANDRADE, já qualificada nos autos da
Ação de Execução Fiscal que lhe move o MUNICÍPIO DE
RANCHO QUEIMADO, por seu advogado infra-assinado,
vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
interpor
EMBARGOS À EXECUÇÃO
com fundamento no artigo 38 do Código Tributário
Nacional e no artigo 15 do Decreto-Lei nº 57/66, pelos
motivos de fato e de direito a seguir expostos:
I – DOS FATOS
1. A Embargante arrematou judicialmente um imóvel
localizado no Município de Rancho Queimado, em 10 de
maio de 2005, pelo valor de R$ 350.000,00, tendo
recolhido o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis
(ITBI) com base nesse valor.
2. Ocorre que, em 10 de maio de 2008, a
Embargante recebeu notificação fiscal exigindo diferenças
no valor do ITBI, sob a alegação de que o tributo deveria
ser calculado com base na avaliação judicial realizada no
processo de execução, que fixou o valor do imóvel em R$
380.000,00.
3. A Embargante, na qualidade de agricultora, utiliza
o imóvel para a produção agrícola e pecuária, e o mesmo
está situado em área urbana, conforme definido pela
legislação municipal, uma vez que a rua é asfaltada e o
Município fornece água e sistema de esgoto sanitário.
4. A Embargante permaneceu inerte em relação à
notificação fiscal, sendo posteriormente inscrita em
dívida ativa em 10 de agosto de 2008.
5. Em 10 de junho de 2010, a Embargante foi citada
em execução fiscal proposta pelo Município, que visa a
cobrança do ITBI e do IPTU dos anos de 2007, 2008 e
2009, os quais nunca foram pagos.
6. Em 10 de julho de 2010, a Embargante teve bens
penhorados e, em 20 de julho de 2010, procurou o
subscritor para a defesa de seus direitos.
II – DO DIREITO
7. A presente execução fiscal é manifestamente
incabível, uma vez que o valor do ITBI já foi corretamente
recolhido pela Embargante, conforme preceitua o artigo
38 do Código Tributário Nacional, que estabelece que o
valor do imposto deve ser calculado com base no valor da
transação, e não em avaliações posteriores.
8. O artigo 15 do Decreto-Lei nº 57/66, por sua vez,
determina que o ITBI deve ser calculado sobre o valor da
arrematação, sendo irrelevante a avaliação judicial
realizada posteriormente. Assim, a exigência de diferença
de ITBI com base em avaliação posterior é ilegal e
inconstitucional.
9. Ademais, a Embargante é agricultora e utiliza o
imóvel para fins produtivos, o que deve ser considerado
na análise da sua capacidade contributiva e na aplicação
do princípio da razoabilidade.
10. Por fim, a inclusão da Embargante na dívida ativa
e a consequente execução fiscal são medidas
desproporcionais, uma vez que o tributo já foi pago de
acordo com a legislação vigente à época da arrematação.
III – DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer:
a) O recebimento e processamento dos presentes
embargos à execução, com a suspensão da exigibilidade
do crédito tributário até o julgamento final;
b) A intimação do Município de Rancho Queimado
para que, querendo, apresente defesa no prazo legal;
c) A declaração de nulidade da execução fiscal, com a
consequente extinção do feito, em razão da inexistência
de débito tributário;
d) A condenação do Município ao pagamento das
custas processuais e honorários advocatícios.
Nestes termos, pede deferimento.
Local, data.
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Nome do Advogado
OAB/UF nº ____