Evolução Biológica
2 Neodarwinismo – Teoria sintética da evolução
No séc. XX, embora a ideia de evolução biológica fosse uma ideia já aceite pela
comunidade científica, existiam ainda questões por esclarecer no Darwinismo.
• Como surge a variabilidade intra-específica?
• Como se processa o seu mecanismo de transmissão?
Assim, em meados da década de 40 surge a Teoria Sintética da Evolução ou
Neodarwinismo, cujos objectivos são:
- Colmatar as lacunas da teoria de Darwin;
- Construir uma visão unificadora entre o darwinismos e os novos dados,
sobretudo da área da genética.
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Engloba duas ideias fundamentais, a variabilidade genética e selecção
natural.
A. Variabilidade genética – matéria prima da evolução
Fonte primária – mutações.
Fonte mais próxima – recombinação genética
(associada à reprodução sexuada).
Mutações Recombinação genética
- Alterações bruscas do genoma - Pode ocorrer durante a:
de um indivíduo. Podem ser
Meiose
genéticas ou cromossómicas.
• Crossing-over (profase I);
- Introduzem novos genes nas
populações. • Separação ao acaso dos cromossomas
homólogos e cromatídios (anafase I e
II).
Fecundação
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B. Selecção natural
• A selecção natural actua sobre indivíduos com toda a sua carga genética.
• O indivíduo que possua a combinação de caracteres mais vantajosa será seleccionado
em relação aos outros menos favorecidos.
• Quanto maior for a diversidade, maior a probabilidade de uma população se
adaptar a mudanças que ocorrem nesse meio.
• Quando as características do meio se alteram o conjunto génico mais favorável
pode deixar de o ser. Exº.
-a variação desfavorável pode passar a ser a mais vantajosa e
os indivíduos que a possuem passam a estar mais bem adaptados;
- o conceito de mais apto varia no espaço e no tempo, de acordo
com as condições ambientais.
• Os genes dos indivíduos que mais se reproduzem surgem na população com maior
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Aspectos fundamentais do neodarwinismo
• as mutações responsáveis pelo aparecimento de novos genes no fundo
genético das populações* e a recombinação genética que ocorre na
reprodução sexuada originam a variabilidade genética das populações.
• a selecção natural actua sobre a variabilidade privilegiando os conjuntos
génicos** mais bem adaptados a um determinado ambiente num
determinado tempo.
vivem mais tempo, deixam mais descendentes,
ocorre portanto uma reprodução diferencial.
• Ao longo do tempo determinados genes e portanto determinadas
características, implantam-se em detrimento de outros que vão sendo
eliminados das populações, dando-se assim a evolução.
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População como unidade evolutiva
- Tal como Darwin havia previsto, nenhum indivíduo evolui isoladamente. A
unidade evolutiva é a população.
• População – grupo de indivíduos da mesma espécie que num dado momento
ocupam uma determinada área geográfica e se cruzam entre si.
- A selecção natural não actua sobre genes ou características genéticas de
forma isolada mas sim sobre a globalidade dos indivíduos de uma população;
- A selecção natural actua sobre o conjunto de todos os genes presentes numa
população num dado momento – fundo genético;
- Há alteração do fundo genético sempre que se altera o tipo ou a
frequência dos genes;
- Sempre que tal acontece, diz-se que a população está em
evolução.
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Diversos factores podem actuar sobre o fundo genético de uma população,
produzindo-lhe alterações significativas de forma a promover fenómenos
evolutivos.
Factores de evolução
1. Mutações
Mutações genéticas
• de um gene dominante
- os seus efeitos manifestam-se rápido.
- a selecção natural actua sobre os homozigóticos dominantes e heterozigóticos.
• de um gene recessivo
- não se manifesta imediatamente.
- a selecção natural só actuará quando surgir uma situação de homozigóticos
recessivos.
Mutações cromossómicas
• Pode conduzir a indivíduos inviáveis ou que não atingem a idade de
procriar.
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2. Migrações
Em termos genéticos é o movimento de indivíduos em idade reprodutiva
de uma população para outra implicando um fluxo de genes.
Fluxo positivo Fluxo negativo
- a população recebe genes - a população perde
genes
devido à imigração devido à emigração
• A migração pode alterar as frequências genéticas, ao
- fixar novos genes
- eliminar genes
• A selecção natural tem um papel decisivo na eliminação ou fixação
dos genes resultantes do fluxo migratório.
•As migrações têm valor evolutivo se a população migrante e a
hospedeira forem geneticamente diferente.
• As migrações tendem a reduzir as diferenças entre populações.
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3. Cruzamentos não ao acaso
Panmixia – é quando os cruzamentos nas populações naturais, ocorrem
absolutamente ao acaso.
Estas populações mantêm-se em equilíbrio.
• Sobretudo nas pequenas populações os cruzamentos não são ao
acaso sendo assim privilegiados determinados fenótipos.
Aumentam a frequência de homozigóticos
(manifestam-se anomalias devido a alelos
recessivos)
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4. Deriva genética
É a flutuação ao acaso das frequências génicas numa
população de geração em geração.
• Ocorre frequentemente em populações pequenas (100 indivíduos)
• A fixação ou a eliminação de certos genes de uma população ocorre
por simples acaso.
• Uma população que se separa de uma maior pode ser ou não
geneticamente representativa da população de onde derivou.
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4.1 Efeito Gargalo
É uma deriva genética por fraccionamento
da população devido a causas geográficas,
climáticas ou outras.
Ex. As 3 populações de Chitas (existentes
em estado selvagens) evidenciam uma
enorme homozigotia.
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4.2 Efeito Fundador
Acontece quando um pequeno número de indivíduos pioneiros, não
portadores de todos os alelos de uma população, coloniza novos ambientes.
Ex. A frequência do gene para a polidactilia
numa comunidade de Amish da Pensilvânia.
Esta criança da comunidade Amish da
Pensilvânia tem seis dedos em cada membro.
A deriva genética perturba a acção da selecção natural e
conduz ao empobrecimento da variabilidade genética
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5. Selecção natural
Actua sobre:
• sobrevivência até à idade de procriar
os seres vivos possuem diferentes estratégias de sobrevivência.
aumentam a aptidão
evolutiva
• o tipo de acasalamento
as fêmeas de muitos animais seleccionam o “melhor macho”.
selecção sexual
• a reprodução diferencial
as espécies com elevada taxa de reprodução têm elevada aptidão
evolutiva.
favorecidas pela selecção
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Acção da selecção natural:
selecção natural estabilizadora
• favorece os indivíduos que se aproximam do ponto
de ajuste em relação a determinada característica, ou seja
os mais aptos.
• torna as populações mais homogéneas.
selecção natural evolutiva
• exerce acção sobre indivíduos com fenótipos que se
afastam do ponto de ajuste por estarem bem adaptados
a novos ambientes.
• os fenótipos médios tornam-se cada vez menos aptos
e vão sendo eliminados progressivamente.
- Pode exercer-se numa só direcção; o ponto de
ajuste desloca-se numa só direcção; é favorecido um
dos fenótipos extremos.
- Pode exercer-se em várias direcções; são
favorecidas ambas as formas extremas; é privilegiado
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Principais semelhanças/diferenças entre: Lamarckismo, Darwinismo e
Neodarwinismo.
Semelhanças:
- Todas as teorias consideram ser o ambiente o principal motor da evolução;
- Todas reconhecem que a evolução se traduz por modificações nas populações.
Diferenças quanto à acção do meio:
Lamarckismo – considera que o ambiente induz modificações nos indivíduos.
Darwinismo – o ambiente exerce uma acção selectiva. Preserva os indivíduos
mais aptos e elimina os menos aptos.
Neodarwinismo – o ambiente exerce uma acção selectiva. Preserva os genes
que conferem melhores aptidões e tende a eliminar aqueles que determinam
características menos adaptativas.
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Principais semelhanças/diferenças entre: Lamarckismo, Darwinismo e
Neodarwinismo.
Diferenças quanto à origem das modificações populacionais:
Lamarckismo – as modificações são acontecimentos individuais. Cada um por
si, tem capacidade para responder à acção do meio, modificando-se de forma a
poder se adaptar. O indivíduo é a unidade evolutiva.
Darwinismo – as modificações não são fenómenos individuais mas sim
populacionais. Não são os indivíduos que se modificam em função das exigências
do meio, mas sim as populações em função da acção selectiva do meio. A
unidade evolutiva é a população.
Neodarwinismo – o que varia é a frequência dos genes na população (é desta
variação que resultam as alterações populacionais). A unidade evolutiva é a
população mas considerada em termos de conjunto de genes – fundo genético.