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UNIFACISA – CENTRO UNIVERSITÁRIO

CESED - CENTRO DE ENSINO SUPERIOR E DESENVOLVIMENTO


CURSO DE DIREITO

THAYSE KETYLLEN CABRAL MACEDO

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: UMA ANÁLISE SOBRE OS DESAFIOS E


OPORTUNIDADES DO USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA
MAGISTRATURA BRASILEIRA

CAMPINA GRANDE - PB
2024
THAYSE KETYLLEN CABRAL MACEDO

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: uma análise sobre os desafios e oportunidades do uso


da Inteligência Artificial na magistratura brasileira

Trabalho de Conclusão de Curso - Artigo


Científico - apresentado como pré-requisito para
a obtenção do título de Bacharel em Direito pela
UniFacisa – Centro Universitário.
Área de Concentração: Direito Digital.
Orientador: Prof. Dr. Antônio Pedro Melo Netto.

Campina Grande-PB
2024
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação
(Biblioteca da UniFacisa)

M141i
Macedo, Thayse Ketyllen Cabral.
Inteligência artificial: uma análise sobre os desafios e oportunidades do uso da
inteligência artificial na magistratura brasileira. / Thayse Ketyllen Cabral Macedo. –
Campina Grande-PB, 2024.

Originalmente apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso – Bacharelado


em Direito do autor (Bacharel – UniFacisa – Centro Universitário, 2024).
Referências.

1. Inteligência Artificial. 2. Magistratura Brasileira. 3. Aplicações da IA no Judiciário.


I. Título...

CDU-347.99:004.8(043)
_________________________________________________________________________
Elaborado pela Bibliotecária Rosa Núbia de Lima Matias CRB 15/568 Catalogação na fonte
Trabalho de Conclusão de Curso - Artigo
Científico - Inteligência Artificial: Uma análise
sobre os desafios e oportunidades do uso da
inteligência artificial na magistratura brasileira,
apresentado por Thayse Ketyllen Cabral
Macedo como parte dos requisitos para
obtenção do título de Bacharel em Direito,
outorgado pela UniFacisa – Centro
Universitário.

APROVADO EM ______/_______/________
18 06 2024

BANCA EXAMINADORA:

___________________________________
__________________________________
Prof.º da UniFacisa, Antônio Pedro Melo
Mel
Netto, Dr.
Orientador

__________________________________
___________________________________
Prof.ª da UniFacisa,a, Ediliane Lopes
iFacisa, pe Leite
Lope Leit
de Figueiredo, Dra.

___________________________________
____________________
Prof.º da UniFacisa,
iFacisa, Francisco de Assis
Barbosa Júnior, Dr.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: uma análise sobre os desafios e oportunidades do uso
da inteligência artificial na magistratura brasileira

Thayse Ketyllen Cabral Macedo1


Antônio Pedro Melo Netto2

RESUMO

O presente estudo tem o objetivo de discutir acerca da utilização da Inteligência


Artificial (IA) no judiciário, delimitando-se especificamente na magistratura brasileira.
Analisa os principais efeitos da IA no desempenho das funções dos magistrados e
identifica as oportunidades e desafios enfrentados por esses profissionais, o
fundamento é justificado pela necessidade do avanço equilibrado da IA no judiciário.
Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental, por meio de uma
abordagem qualitativa, utilizando o método dedutivo, através da revisão de livros,
teses, dissertações, artigos, revistas científicas, sites de tribunais e textos legislativos.
O estudo indica, por fim, que o uso da tecnologia no ramo do direito ainda se concentra
em atividades repetitivas e há um longo caminho a ser ajustado para que a IA possa
atuar de maneira racional nas tomadas de decisões judiciais, devido à ausência, até
o momento, de limites estabelecidos por meio de legislação aprovada que regule o
seu uso, além de apresentar riscos de erros judiciais e de desumanização do processo
judicial.
Palavras-Chave: Inteligência Artificial; Magistratura Brasileira; Aplicações da IA no
Judiciário.

ABSTRACT

1
Graduanda do Curso Superior de Bacharelado em Direito da Faculdade de Ciências Sociais
Aplicadas- UNIFACISA. E-mail: [email protected].
2
Professor Orientador. Graduado em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
e Mestre em Direito e Desenvolvimento de Mercado Sustentável pela UNIPÊ. Docente do
Curso de Direito na Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. E-mail:
[email protected].
The present study aims to discuss the use of Artificial Intelligence (AI) in the judiciary,
specifically limited to the Brazilian judiciary. It analyzes the main effects of AI on the
performance of the functions of judges, and identifies the opportunities and challenges
faced by these professionals, the basis is justified by the need for the balanced
advancement of AI in the judiciary. To this end, bibliographical and documentary
research was carried out, through a qualitative approach, using the deductive method,
through the review of books, theses, dissertations, articles, scientific journals, court
websites and legislative texts. The study indicates, finally, that the use of technology
in the field of law still focuses on repetitive activities and there is a long way to be
adjusted so that AI can act rationally in making judicial decisions, due to the absence,
even at the moment, of limits established through approved legislation that regulates
its use, in addition to presenting risks of judicial errors and dehumanization of the
judicial process.
Keywords: Artificial intelligence; Brazilian Judiciary; Applications of AI in the Judiciary.

1 INTRODUÇÃO

Intrinsecamente, quando se pensa em Inteligência Artificial (IA), a mente tende


a associá-la à constante modernização que permeia a vida cotidiana. No entanto, é
relevante destacar que os fundamentos da IA foram estabelecidos há mais de 50 anos
pelo então considerado “pai da computação”, Alan Turing, a primeira alusão à IA foi
apresentada em seu artigo publicado no ano de 1950 com o título de “Computadores
e Inteligência". A proposta inicial de Turing foi executar testes para a avaliação de
máquinas computacionais em simular os pensamentos de um ser humano e
eventualmente se fazer passar por seres humanos, com o intuito de confundir quem
o questionasse, conhecido como “jogo da imitação”.
Assim, com o passar dos anos, a evolução da IA permitiu que outros cientistas
testassem as propostas desenvolvidas por Turing, e com isso, Joseph Weizenbaum,
conseguiu dar o primeiro passo para criar a “Dendral”, o qual foi o sistema pioneiro
em inteligência artificial. De lá para cá, a inteligência artificial só cresceu em
proporções nunca vistas antes, tornando-se uma parte influente na vida de milhões
de pessoas em todo o mundo.
Nesse sentido, o preceito da IA vem sendo relacionado ao avanço de
algoritmos que fazem jus ao pensamento de Alan Turing, proporcionando a máquina
a interatividade possível a se passar por um ser humano pelo uso de sua linguagem
e desenvolvimento de diálogos formais e convincentes, que realmente deixa o
questionamento se ocorre algum tipo de pensamento ali existente, essa situação
acaba por gerar dúvidas, debates sociais e jurídicos sobre o papel e os limites éticos
desta ferramenta.
Face ao exposto, considerando que o avanço tecnológico dos sistemas
inteligentes estão sendo cada vez mais utilizados na prestação de diversos serviços,
é inegável perceber que o campo do Direito já está sendo altamente impactado por
essa tendência, a principal motivação é a grande demanda de processos judiciais, o
qual proporciona um ambiente favorável para a utilização da mesma.
Em resumo, é possível dizer que inicialmente, a IA era usada principalmente
para análise de documentos legais e pesquisa jurídica, todavia, sua aplicação se
expandiu para incluir revisões de contratos, busca de precedentes legais e análise de
decisões judiciais. Essa ampliação, de fato, leva a refletir sobre até que ponto a IA
poderá chegar e se ela pode atuar como um substituto completo, essa indagação é o
que também norteia o desenvolvimento deste presente estudo.
Sobretudo, debates sobre essa temática ainda são escassos no mundo jurídico,
é crucial levantar discussões de como as decisões judiciais poderão ser afetadas pela
Inteligência Artificial. É de extrema importância exercer cautela em relação à
qualidade do judiciário, das decisões e à confiança na eficácia desses sistemas
inteligentes, visto que os algoritmos também podem ser manipulados, justamente pela
necessidade contínua de supervisão e ajustes humanos.
No que tange às questões que norteiam o desenvolvimento deste estudo, elas
estão centradas nas seguintes problemáticas: quais os desafios e oportunidades que
o uso inteligência artificial pode gerar para os magistrados brasileiros? Existem limites
éticos ou legais para que o magistrado utilize a inteligência artificial como um auxílio
e não como um substituto?
No que se refere aos objetivos, o geral se concentra em analisar os efeitos da
Inteligência Artificial no desempenho das funções dos magistrados, explorando as
oportunidades e desafios que poderão ser enfrentados por esses profissionais; bem
como os objetivos específicos são: a) apresentar a utilização da inteligência artificial
em processos judiciais, incluindo possíveis tomadas de decisões judiciais; b)
investigar a existência de limites éticos ou legais para a sua implementação no sistema
judiciário; e c) identificar os desafios e oportunidades que a IA pode ocasionar ao
exercício da magistratura brasileira.
Portanto, de acordo com essas questões, a base desse estudo tem fundamento
justificado no desempenho de um papel cada vez mais significativo do sistema jurídico
na sociedade, visto que é necessário avançar com equilíbrio entre a automação
eficiente da IA e a preservação da sensibilidade e do discernimento humano. A
complexidade dos desafios éticos, legais e sociais que surgem com essa
transformação tecnológica exige uma reflexão, um diálogo aberto e a implementação
de salvaguardas adequadas. Somente assim, é possível aproveitar o potencial e
auxílio da Inteligência Artificial, enquanto se garante que os magistrados continuem a
servir a justiça e o bem-estar da sociedade que eles representam.
Por fim, quanto ao método de abordagem da pesquisa, esta desenvolveu-se
através de uma pesquisa bibliográfica e documental, foi realizada uma revisão de
materiais bibliográficos e documentais em livros, teses e dissertações, artigos e
revistas científicas, sites de tribunais e textos legislativos, de uma forma qualitativa,
visando obter compreensão alinhada com o cenário social, em relação à utilização
das tecnologias no judiciário brasileiro. Assim, com relação ao método de abordagem,
foi utilizado o dedutivo, uma vez que a pesquisa partiu-se da análise da Inteligência
Artificial no judiciário, e por conseguinte, delimitou-se, especificamente, nas
oportunidades e desafios do seu uso pela magistratura brasileira.
Dividido em seções, o 1º tópico descrito, se refere a apresentação do exercício
da magistratura e o seu papel no judiciário, descrevendo a função do magistrado e
como funciona o processo de construção de uma decisão judicial. Já no 2º tópico, o
estudo aborda sobre o surgimento da IA no judiciário brasileiro e as principais formas
de como ela está sendo aplicada. Aponta, ao final, no 3º tópico, as expectativas que
se tem até o momento, identificando os desafios e oportunidades do seu uso na
magistratura brasileira.

2 O EXERCÍCIO DA MAGISTRATURA E O SEU PAPEL NO JUDICIÁRIO


É de fundamental relevância tecer considerações sobre o efetivo papel do
exercício da magistratura no poder judiciário. Não se pode contestar que são os
magistrados que conduzem o processo judicial e tomam as decisões pertinentes.
Nesse contexto, Soares (2017, p. 3) define a magistratura como:

[...] a carreira de Estado que tem a atribuição constitucional de administrar


Justiça no exercício do Poder Judiciário, a carreira da Magistratura é
dividida em classes, composta por Magistrados, que de forma
permanente ou temporária ocupam cargos e atuam com competências
estabelecidas por lei.

Assim sendo, é de se refletir que o exercício da magistratura é uma função


social de extrema importância, visto que é a figura do magistrado que com sua tomada
de decisão, pode gerar impactos em diversos aspectos na vida das pessoas
envolvidas em cada conflito.
Tal qual é a realidade dos fatos, é comumente voltar os olhos apenas para a
função de decidir, melhor dizendo, solucionar o conflito para manter, na teoria, a
harmonia, de uma forma justa e imparcial.
Entretanto, a decisão é apenas uma etapa do processo decisório, existem
outros papéis estritamente ligados ao cargo, como por exemplo, presidir audiências,
auxiliar servidores e estagiários de sua jurisdição, receber advogados, dar prioridade
àqueles casos que necessitam de urgência, e até mesmo visitar prisões, isto é, o papel
do juiz não se limita apenas a decidir, existe todo um processo na construção de uma
decisão judicial, tal qual possa ser inalcançável para as máquinas.
Nesta linha, Frohlich (2020, p. 87) acredita que este é um motivo que causa um
certo espanto, visto que um processo não implica somente na aplicação mecânica da
lei. Disto, decorre a indagação, será que é possível que as máquinas exerçam todas
essas funções e decida o futuro de seres humanos?
Por esse lado, as qualidades humanas representam um desafio significativo
para que os sistemas de Inteligência Artificial possam substituir os magistrados, visto
que para produzir uma decisão, um juiz não analisa apenas as premissas e a
legislação aplicável, o processo além de envolver uma série de funções, há várias
considerações ao final, como a interpretação de normas jurídicas, a avaliação das
circunstâncias específicas de cada caso, ou seja, a mera aplicação de regras pré-
definidas de Inteligência Artificial não é suficiente para aplicar a norma jurídica e
determinar se a resposta é certa ou errada (Gonçalves, 2023).
Com isso, tem-se que de fato, há obstáculos para que a IA possa substituir
todas as funções de um magistrado, visto que o juiz não se limita em apenas aplicar
uma lei fixa, pelo contrário, as suas funções exigem conhecimento, habilidades,
avaliação de provas e das circunstâncias particulares de cada caso concreto.

2.1 A DECISÃO JUDICIAL E OS FATORES INFLUENCIADORES

As decisões judiciais não estão, por inteiro, no domínio da ciência ou da técnica,


elas são, em sua base, decisões sujeitas a sentimentos, emoções e crenças,
investidas no âmbito do poder jurisdicional, o homem, em sua essência, existe porque
é um mix de razão e emoções. Contudo, Menezes Direito (2000) defende que a
particularidade do magistrado está, especialmente, na sua capacidade de determinar
e julgar com princípios elementais que participam da sua natureza racional, livre,
social e humana.
Ainda segundo Menezes Direito (2000) o início do processo de julgamento
realizado pelo magistrado, dar-se-á na identificação da causa, situação e
circunstâncias concretas e com bastante conhecimento dos processos já estudados.
Enquanto o magistrado não tiver total e pleno conhecimento desses fatos, não terá
condições plenas para emitir um julgamento sensato, nesse momento, ele abre seu
intelecto para as principais noções de justiça, determinando o que será feito.
Por conseguinte, após o estudo dos autos, o magistrado parte para a próxima
etapa de seus deveres, a determinação das regras e/ou princípios jurídicos a qual irá
aplicar no caso, tendo como base do direito a lei, costume, jurisprudência e equidade.
Como a grande maioria pensa, o âmbito da magistratura não fica algemada a
simplesmente buscar uma regra jurídica para determinar a culpa ou não, mas sim, em
todos os casos é necessário rever a importância e principalmente a obrigatoriedade
de realizar a justiça.
Corroborando com tal entendimento, Carvalho (2001, p. 11) disserta que:

[...] somente os magistrados conscientes de seu papel na consolidação e


no avanço da democracia estarão despertos a promovê-la, cumprindo
assim um dever que, em última instância, é definido constitucionalmente,
enquanto Estado de Direito Democrático.

Assim sendo, é inegável que o magistrado não tem o dever apenas de julgar,
mas sim de defender normas, princípios, e sobretudo a democracia e os direitos
humanos.
Nessa perspectiva, vale mencionar ainda, que as decisões judiciais devem ser
fundamentadas, sob pena de nulidade da decisão, conforme previsto no artigo 93,
inciso IX da Constituição Federal (Brasil, 1988). Assim, o ato de decidir pressupõe
uma série de fatores, sejam eles de questões econômicas, sociais, repercussão, o
tempo e até mesmo fatores políticos.
Segundo Gabriela Almeida e Roberto Cestari (2019, p. 173) a ideologia política
está diretamente ligada à tomada de decisão judicial, afirmando ainda, que nem
mesmo os magistrados são capazes de ignorar por completo suas ideologias e
preferências políticas, além do mais, no que se tratando de indicações, estas
consequentemente tem o viés de interesse político, por exemplo, magistrados
escolhidos por partidos conservadores, tendem a ser e favorecer o lado do
conservadorismo, enquanto os escolhidos por partidos mais liberais, tendem a ser
pelo lado do liberalismo.
Desse modo, tem-se que alguns fatores “externos” podem influenciar nas
tomadas de decisões judiciais, isto é, quando não existe uma norma específica para
aquele determinado caso, ou até mesmo quando a norma é falha, o magistrado pode
decidir com base no seu senso comum? Como seria possível ter certeza que
determinada decisão não foi tomada com base na própria ideologia e crença? Por este
motivo, toda decisão deve ser dada a partir de um fundamento, de acordo com a
particularidade de cada processo judicial.
De certa forma, isso traz uma grande discussão e problemática, haja vista que,
em nosso país, não há o que se duvidar do papel do magistrado de sempre manter a
postura, responsabilidade e imparcialidade.
Ademais, no que tange ao viés do tempo, apesar de pouco citado, é algo que
por muitos estudiosos é considerado um fator de forte influência em uma decisão.
Com isso, sobre o princípio da celeridade processual que os magistrados devem
observar, o Juiz Federal José Augusto Delgado sustenta que “a necessidade de uma
decisão rápida não deve, contudo, afetar a segurança das decisões. A celeridade
processual para ser atingida necessita que o juiz haja dentro das limitações legais”
(Delgado, 1988, p. 5).
Logo, apesar da pressão pela celeridade, dá uma solução rápida a um
determinado processo, não significa dá uma solução de qualquer forma, tudo deve ser
de acordo com os limites previstos.

3 A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO PODER JUDICIÁRIO

O avanço tecnológico da Inteligência artificial tem sido amplamente utilizado no


mundo moderno, e no campo jurídico, isso não é diferente. A IA é capaz de fazer a
leitura de grande volume de dados, e identificar padrões com base em algoritmos pré-
definidos para determinada atividade (Bragança, 2019).
Além do mais, os algoritmos de aprendizado da máquina também podem ser
treinados para prever resultados de casos com base em dados históricos. No entanto,
tal possibilidade reafirma que a utilização de sistemas inteligentes no poder judiciário
ocorre diante da elaboração de algoritmos que identificam certos padrões e que se
repetem em casos passados, concretos e reais, e os aplicam em novos casos abertos,
e isso, por sua vez, pode desconsiderar a parte emocional que permeia determinados
julgamentos.
Nesta linha, a inteligência artificial trouxe consigo uma grande possibilidade de
apoio para o campo jurídico, o seu uso começou com a digitalização de processos, e
atualmente, sua principal aplicação é na automação de procedimentos repetitivos em
processos judiciais, envolvendo a remoção de informações e o seu armazenamento
em bancos de dados, tornando-se assim cada vez mais necessário a discussão sobre
esses algoritmos no exercício da magistratura.
Desta feita, nas palavras de Maciel (2020, p. 32) a IA é um grande meio de
suporte nas decisões, na medida em pode permitir uma maior eficácia na transmissão
de informações, se aproximando cada vez mais da habilidade do ser humano.
Da mesma forma, considerando a efetividade, Rodrigues (2021, p. 186) acredita
que a utilização da IA nos processos, consegue desenvolver até mesmo uma melhor
gestão em pautas de audiências e julgamentos, identificando padrões de classificação
e de prioridade legal. Entre outros pontos de apoio, é possível afirmar que estamos
cada vez mais diante de um avanço tecnológico incessante, é cediço que a IA pode
ser um suporte para o magistrado em seus mais variados papéis no judiciário.
Em contrapartida, apesar de significativas melhorias tecnológicas no direito,
inclusive com relação à afetiva duração razoável do processo, garantir a
imparcialidade é um desafio constante, como Furbino et al. (2023, p. 87) mencionou
em sua pesquisa:

[...] permitir que máquinas atuem com inteligência semelhante à dos


humanos e, ainda, se auto abasteçam com novos dados e funções gera
desafios de como controlar essa ferramenta. A ética e os valores morais
devem permear esse ambiente tecnológico para evitar discriminações e
preconceitos por parte de máquinas programadas inicialmente por
humanos.

Contudo, exige-se uma análise cuidadosa e crítica para integrar a IA em


sistemas legais, tendo em vista que pode afetar os direitos individuais e coletivos e
todo o judiciário.

3.1 A UTILIZAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL E NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

De fato, o uso da Inteligência Artificial já é uma realidade comumente vista no


judiciário brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já está fazendo o uso dessa
ferramenta, o projeto foi feito e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal
de Brasília (Brasil, 2021).
Em números, tem-se que com a impressionante marca de 27 temas mais
recorrentes de repercussão geral e respectiva devolução aos tribunais de origem,
Victor, teve a capacidade de identificar e separar esses recursos fazendo com que
eles fossem direcionados para o enquadramento correto. Ao passo em que os
operadores do direito levam em torno de trinta minutos para executar o mesmo
serviço, Victor leva apenas alguns segundos (Teixeira, 2018).
Além disso, o STF faz questão de ressaltar o fato de que a IA não irá tomar
decisões pela Corte. Apesar de ser um desafio, o Victor é um auxílio e deve atuar em
resumo de processos judiciais, e além do mais, sempre com a supervisão de um juiz
(Brasil, 2023).
Desse modo, o sistema Victor não atua de forma a decidir se determinado
processo é de repercussão geral, ou não, o seu trabalho é para fazer a separação,
que de toda forma já fora reconhecida previamente pelos ministros. O que se percebe,
portanto, é que essa ferramenta passou a auxiliar até mesmo as demandas do órgão
máximo do poder judiciário brasileiro.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), também decidiu investir na
implementação da Inteligência Artificial com o intuito de mitigar a grande demanda de
processos no tribunal. Regulamentado pela instrução normativa STJ/GP nº 6, de 12
de junho de 2018, conhecido como Athos, o projeto tem esse nome devido a uma
homenagem ao Ministro do STJ, Athos Gusmão Carneiro, dado que em sua tese de
mestrado, ele idealizou esse modelo de IA (Figueiredo, 2022).
Para tanto, o projeto trouxe algumas disposições com relação a utilização da
IA na rotina do tribunal vejamos:

[... ] I – classificação automática dos processos recursais de acordo com


a Tabela Unificada de Assuntos
II – extração automática dos dispositivos legais apontados como violados
pelo recorrente e indexação desses dados no sistema informatizado
(indexação legislativa) para fins de triagem, a partir da análise textual da
peça do recurso especial (Brasil, 2018).

Logo, levando em consideração a alta demanda do STJ, foi com este projeto
piloto que o STJ conseguiu minimizar o tempo de tramitação dos processos judiciais,
a inserção do programa, objetivou proporcionar a maior eficiência na gestão dos
processos do tribunal, otimizando a relação dos próprios usuários com a justiça e
garantindo uma transparência a mais nos processos judiciais.
Outro exemplo disso, para tanto, é que de acordo com uma pesquisa divulgada
pela FGV (2022, p. 27) Athos organizou “cerca de 2 milhões de processos, com 8
milhões de peças, possibilitando o agrupamento automático por similares, a busca por
similares, o monitoramento de grupos e a pesquisa textual”. Desse modo, Athos
representa um avanço significativo na agilidade dos procedimentos judiciais e uma
atualização no que se refere à modernização do sistema judiciário, visto que a rapidez
na demanda para qual o sistema foi treinado para seguir, é inatingível para os
magistrados e demais servidores do STJ.
Em suma, de acordo com Beserra (2023) o que se percebe é que a
implementação deslumbra um momento positivo de melhoria de seus processos
internos, demonstrando o interesse dos órgãos públicos em investir cada vez mais em
tecnologia para que tenha melhores resultados na prestação de serviços para a
sociedade.

3.2 A RESOLUÇÃO Nº 332 DO CNJ E O USO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO


PODER JUDICIÁRIO

Os diversos tribunais existentes no país tiveram iniciativas de construírem suas


próprias ferramentas de IA, como é o caso dos projetos citados nos tópicos anteriores,
o Victor e o Athos. À vista disso, diante da aplicação desses sistemas de inteligência
artificial estarem sendo altamente utilizados nos tribunais do país, o Conselho
Nacional de Justiça (CNJ) sentiu a necessidade de regular o uso da Inteligência
Artificial no poder judiciário. Com o intuito de organizar e “limitar” o CNJ oferece,
sobretudo, uma solução administrativa, editando a Resolução nº 332, de 21 de agosto
de 2020, que dispõe sobre a ética, transparência e governança no uso da IA no
judiciário.
Assim, nesta resolução o CNJ dispõe uma série de considerações para a sua
implementação, sustentando que apesar do uso das novas tecnologias serem uma
forma de melhorar a eficiência no judiciário, a IA deve andar lado a lado com os direitos
fundamentais, com a ética e transparência, dado que as principais preocupações do
conselho são com a segurança, proteção de dados e fontes seguras, bem como a
promoção da igualdade e dignidade humana (Brasil, 2020).
Em um olhar voltado para as decisões judiciais proferidas pelos magistrados, o
CNJ também mostra preocupação sobre o modo de como essas decisões podem ser
tomadas com o auxílio da Inteligência Artificial, vejamos o artigo 7º da Resolução:

Art. 7º As decisões judiciais apoiadas em ferramentas de Inteligência


Artificial devem preservar a igualdade, a não discriminação, a
pluralidade e a solidariedade, auxiliando no julgamento justo, com
criação de condições que visem eliminar ou minimizar a opressão, a
marginalização do ser humano e os erros de julgamento decorrentes de
preconceitos (grifo nosso).
Conforme destacado, nota-se que os magistrados ao tomarem as decisões,
devem visar sempre o atendimento de critérios éticos, minimizando o preconceito e
opressão, isto é, a IA deve ser implantada e desenvolvida, respeitando os interesses
e direitos fundamentais.
Além do mais, vale mencionar outra novidade trazida pelo CNJ para o controle
do uso da IA, ao adotar o uso da plataforma Sinapses, criado pelo Tribunal de Justiça
de Rondônia (TJRO), que funciona basicamente como um repositório. Nesta
plataforma, todos os tribunais do país devem depositar sua ferramenta de inteligência
artificial. Segundo o diretor do Departamento de Tecnologia da Informação e
Comunicação do CNJ (DTI), a Sinapse é uma solução de organização de dados, o
modelo de IA que nela for depositado pode ser utilizados por quaisquer outros
tribunais, visto que com ela o CNJ armazena, testa, treina, e distribui os modelos de
IA (Brasil, 2021).
Nesse sentido, João Carlos e Marcos Vinícius, servidor e conselheiro do CNJ,
respectivamente (Pereira; Rodrigues, 2021, p. 8), assim relatam sobre a plataforma
Sinapse:

[...] uma importante ferramenta para que os órgãos do Judiciário possam


utilizar os modelos já criados, evitando o retrabalho e o desperdício de
tempo e de recursos financeiros, permitindo, ainda, ao CNJ acompanhar
se os tribunais estão zelando pela continuidade de seus sistemas,
cumprindo determinação expressa da Resolução n. 332/2020.

Posto isso, é notável que ao adotar a Sinapse, bem como ao editar a Resolução
n° 332, o Conselho contribuiu significativamente para um grande avanço no país no
que se refere ao assunto Inteligência Artificial, facilitando assim o acesso de
plataformas inteligentes a todos os tribunais do Brasil, e ainda fiscalizando o seu uso-
para garantir a transparência no sistema judiciário. Com isso, levando em
consideração que tudo tem os seus benefícios e riscos, no próximo tópico serão
abordados os principais riscos e benefícios do uso da inteligência artificial na
magistratura brasileira.

4 OPORTUNIDADES E DESAFIOS DA UTILIZAÇÃO DA INTELIGÊNCIA


ARTIFICIAL NA MAGISTRATURA BRASILEIRA
Em que pese as oportunidades, os benefícios são claros, a IA é uma grande
aliada para auxiliar no trabalho do magistrado e melhorar a efetividade do poder
judiciário como um todo, a sua possibilidade de uso são várias, principalmente quando
utilizada de forma adequada.
Com efeito, é possível encontrar várias atuações da inteligência artificial no
judiciário, em um olhar mais específico para a magistratura, Porto (2018, p. 134)
identifica as seguintes atuações:

[...] (a) auxiliando o Magistrado na realização de atos de constrição; (b)


auxiliando o Magistrado a identificar os casos de suspensão por decisões
em recursos repetitivos, IRDR, Reclamações e etc., possibilitando que o
processo seja identificado e suspenso sem esforço humano maior do que
aquele baseado em confirmar o que a máquina apontou; (c) auxiliar o
Magistrado na degravação de audiências, poupando enorme tempo; (d)
auxiliar na classificação adequada dos processos, gerando dados
estatísticos mais consistentes; (e) auxiliar o Magistrado na elaboração do
relatório dos processos, filtrando as etapas relevantes do processos e
sintetizando o mesmo; (f ) auxiliar na identificação de fraudes; (g) auxiliar
na identificação de litigante contumaz; (h) auxiliar na identificação de
demandas de massa; (i) auxiliar na avaliação de risco
(probabilidade/impacto de algo acontecer no futuro); (j) auxiliar na gestão
relativa à antecipação de conflitos a partir de dados não estruturados; (k)
auxiliar o Magistrado na avaliação da jurisprudência aplicada ao caso;
[...].

No entanto, a inteligência artificial pode auxiliar os magistrados desde


atividades operacionais, como classificação e triagem de processos, até funções mais
complexas como identificação de fraudes, por exemplo. Vantagens como economia
de tempo e eficiência, é o ponto mais observado.
Por esse ângulo, Thomas Buocz (Buocz, 2018) apresenta em seu estudo
algumas funções essenciais que a Inteligência Artificial pode auxiliar no judiciário,
entre elas, destaca a IA como bibliotecária, onde basicamente os magistrados podem
solicitar literaturas relevantes para determinado caso, isto é, atuando com auxílio nas
pesquisas jurídicas. Além do mais, também se discute a IA como defensora geral, e
nesse papel a IA pode analisar determinado caso concreto e dar sugestões ao tribunal,
para que este possa proferir decisão, não ficando vinculado, mas ficando ao critério
do magistrado ao aderir ou não a sugestão.
Nesse sentido, conforme exposto ao longo do trabalho, o avanço da tecnologia
é capaz de gerar sistemas de inteligências artificiais capazes de executar específicas
tarefas, numa perspectiva do judiciário brasileiro, no caso dessas funções citadas pelo
autor, quais sejam a de IA como um auxílio na pesquisa jurídica, bem como atuando
de forma sugestiva nas decisões, já é uma realidade, visto que, nos dias atuais, a
maior parte das pesquisas jurídicas, em especial, as pesquisas de jurisprudências,
são feitas através de sistemas, e não mais como de costume anterior, em bibliotecas
físicas.
Não obstante, é inegável que o judiciário brasileiro está consciente de todo o
potencial que a inteligência artificial pode trazer para o campo jurídico, todavia, ainda
assim é necessário exercer cautela com relação a sua aplicação.
Face às vantagens, considerando que a inteligência artificial é caracterizada
por sistemas de aprendizado criados através de uma base de dados programada, sob
a ótica da decisão judicial, um critério que deve ser observado é a questão da
imparcialidade, à máquina, ao decidir, não possui valores, nem ideologias sociais ou
políticas e isso, por si só, também traz consigo preocupações éticas, visto que os
sistemas de inteligência artificial são programados por seres humanos (Valle et al.,
2023).
Logo, isso pode ser entendido como um ressurgimento do positivismo jurídico,
caracterizado pela aplicação estrita e literal da lei, sem considerar o contexto social,
histórico e particularidades de cada caso concreto. Nesse sentido, posiciona-se (Lima;
Brito, 2019) ao defender que os sistemas inteligentes poderão violar o círculo
hermenêutico, isto é, o entendimento interpretativo que foi alcançado após o período
do positivismo stricto sensu.
Contudo, a dependência de decisões automatizadas pode resultar em uma
regressão para um modelo jurídico menos flexível e menos capaz de adaptar-se às
complexidades individuais, ignorando assim, os avanços na interpretação jurídica que
buscam contextualizar e humanizar a aplicação da lei, potencialmente levando a
decisões que, embora tecnicamente corretas, possam ser injustas ou desumanas.

Além do mais, é notório que esta programação pode ter um viés tendencioso,
o que torna cada vez mais necessário a fiscalização de como esses dados estão
sendo selecionados e treinados para desenvolver as tarefas do judiciário, dado que
os sistemas não são criados para serem utilizados de maneira independente.
Nesse sentido, Fabiana Richinitti (2023, p. 41) levanta em seu estudo a questão
de que a inteligência artificial pode se voltar contra os humanos, ao fazer referência
ao filme "O Exterminador do Futuro", ela afirma que apesar de ser ficção, o filme deixa
vários questionamentos com relação a moralidade, humanidade e artificialidade do
mundo atual. O que de fato, pode sim ser um receio, pois, conforme citado
anteriormente, há uma grande possibilidade de os sistemas inteligentes serem
programados de maneira preconceituosa.
Segundo Russell (2013) o processo de construção de um programa inteligente
capaz de desempenhar a função de sistema de suporte à decisão judicial,
fundamentado na IA, exige altamente a habilidade de discernir entre racionalidade,
onisciência e aprendizado, o que, por sua vez, acaba por possibilitar a conversão de
informações em conhecimento.
Corroborando com tal entendimento, Frohlich (2020, p. 86) ressalta que:

[...] o direito é colocado em um novo problema: ao mesmo tempo que


precisa acompanhar as inovações da sociedade a qual faz parte, não
pode permitir o descuido de garantias indispensáveis em um Estado
democrático de direito.

Até mesmo os desenvolvedores dos sistemas têm compreensão similar de que


as máquinas devem servir como apoio, considerando os riscos de que elas sejam
aprisionadas por certos interesses. Em uma possível decisão judicial criada por uma
inteligência artificial, como seria possível saber os motivos que levou a máquina tomar
a decisão? Essas decisões possivelmente iriam comprometer a transparência e a
fundamentação na qual deveria ser dotada (Richinitti, 2023).
Para tanto, como citado ao longo deste trabalho, no que diz respeito ao bom
funcionamento do mundo jurídico, a transparência deve andar junto com a ética,
Maciel (2020, p. 41) sustenta que é inegável que ainda existe incerteza nas
fundamentações de uma possível decisão tomada por algoritmos, isto é, a utilização
desses sistemas ainda gera dúvidas e insegurança para o cumprimento do devido
processo legal.
Com efeito, Vittória Oliveira (Oliveira, 2020, p. 45) cita em sua pesquisa, uma
reportagem publicada pela revista ProPublic, onde foi verificado que um sistema
inteligente dos Estados Unidos, chamado COMPAS, tinha fórmula programada para
sinalizar, erroneamente, os réus negros como futuros criminosos, cerca de quase
duas vezes mais do que os réus brancos. Com isso, apesar de no momento, ainda
não existir sistema inteligente nesse nível de atuação no Brasil, o exemplo claramente
mostra um sério risco de atuação.
Nesta perspectiva, frente às oportunidades e desafios apresentados, o
Presidente do Senado Federal- Rodrigo Pacheco apresentou o projeto de lei de nº.
2338/2023 que dispõe sobre o uso da Inteligência Artificial e, até o presente momento,
encontra-se em tramitação. Tendo tido como referência um rascunho elaborado por
uma comissão de juristas criada pelo Senado Federal, o projeto conta com 45 artigos,
os quais dispõe de uma série de definições, a fim de equilibrar a inovação tecnológica
com direitos e garantias (Brasil, 2023).
Porquanto, diante da preocupação em um uso prejudicial da IA, a
implementação do projeto de lei tem fundamento justificado no respeito à privacidade
e proteção de dados, especialmente como uma forma de garantir a implementação de
sistemas seguros e confiáveis em benefício da pessoa humana, pretendendo estipular
também, com as suas disposições, princípios gerais para orientação e
desenvolvimento da utilização dos sistemas inteligentes. (Bueno; Santos, 2024)
Em contrapartida, o Senador Marcos Pontes, apresentou uma emenda ao
projeto de lei, a qual altera boa parte do texto, enfatizando ainda mais o fato de como
a utilização e desenvolvimento da Inteligência Artificial pode ser produtivo para o
Brasil, além de trazer diretrizes de responsabilidade tanto para a pessoa jurídica,
quanto a pessoa física (Brasil, 2023). Vejamos o artigo 17 da emenda ao projeto de
lei:

[...] Art. 17º. Usuários ou operadores de sistemas de IA, deverão tratar a


Inteligência Artificial de acordo com as seguintes diretrizes:
[...]
IV - Responsabilidade: Assumir responsabilidade pelas suas decisões
tomadas com o auxílio ou baseadas em sistemas de IA; garantindo a
justiça e a equidade.

Assim, a emenda também pretende atribuir responsabilidade para as tomadas


de decisões com o auxílio da IA. Contudo, embora este ainda seja um Projeto de Lei,
é importante tratar do assunto com cautela, tanto que até então, não há consenso
entre os Senadores sobre este modelo de regulamentação.
Certamente, um dos principais benefícios que uma regulamentação da
inteligência artificial pode trazer para o ordenamento jurídico e a sociedade, é
estabelecer diretrizes claras para o uso seguro e ético dessa tecnologia, a legislação
pode definir padrões para a transparência e responsabilidade, reduzindo o risco de
abusos e decisões automatizadas injustas (Bueno; Santos, 2024).
Logo, uma lei que disponha sobre o uso da IA vai garantir que a sua aplicação
e desenvolvimento tecnológico respeitem os direitos fundamentais, aumentando
também a responsabilidade tanto dos desenvolvedores e operadores, quanto a de
quem a utiliza, promovendo, no entanto, uma aplicação que beneficie toda a
sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Face ao exposto, ao longo do estudo para realização deste trabalho, ficou


evidente que cada vez mais a Inteligência Artificial está assumindo papéis que
anteriormente eram indispensáveis ter a mente humana. Entretanto, também foi
possível perceber que o uso da tecnologia no ramo do direito ainda se concentra em
atividades repetitivas. Apesar de vislumbrar-se num futuro próximo, o uso da IA em
atividades mais complexas, ela talvez não esteja suficientemente pronta para atingir
um nível de automatização por completo.
Assim, ainda que a temática nesse âmbito não seja pacífica, exige-se um
caminho longo a ser ajustado, para que, de fato, a IA possa atuar de maneira racional
nas tomadas de decisões judiciais, partindo do pressuposto que o magistrado ele não
cria o direito, ele o aplica em determinado caso concreto, assumindo o compromisso
de ser justo, racional, imparcial, garantindo o equilíbrio.
Embora possamos observar vantagens claras, como a capacidade de
otimização de serviços, uma vez que as máquinas podem trabalhar incansavelmente,
é importante reconhecer também que essa automação pode aumentar o risco de erros
judiciais, haja vista que os algoritmos podem ser facilmente manipulados, e o seu uso
pode resultar em decisões automáticas que reproduzem preconceitos ou
desigualdades.
Além disso, a utilização da IA suscita preocupações sobre a desumanização do
processo, tendo em vista que não é prudente delegar total autonomia a uma máquina
para tomar decisões que afetam profundamente a vida das pessoas. Há
circunstâncias em que deve haver uma certa interação entre réus, jurados e o contexto
mais amplo da realidade que muitas vezes requer a sensibilidade e a experiência
humana para uma interpretação adequada de cada caso concreto.
Outro ponto observado durante o estudo para realização deste trabalho, é o
fato de que ainda não existe, até o momento, uma lei aprovada, sobre o uso da
inteligência artificial no judiciário brasileiro, apesar da preocupação do CNJ em editar
uma resolução que trate do assunto, a existência de uma lei própria de
regulamentação, protegeria o judiciário e traria mais confiança para a sociedade.
Logo, é inegável que como uma fonte de apoio, a utilização da inteligência
artificial no judiciário ajuda bastante em atividades que levam tempo e são mais
repetitivas, abrindo espaço para que os magistrados possam voltar os olhos para o
que mais importa.
A IA está longe de substituir as funções voltadas para a magistratura brasileira,
as tarefas ainda necessitam de checagem humana, por mais que os juízes a utilizem
para fazer o seu trabalho, eles por si só, são os mais responsáveis para garantir o seu
papel. Com isso, repita-se, nada impede o seu uso, principalmente no que diz respeito
a uma forma contributiva, como uma maneira a garantir cada vez mais a celeridade
processual, facilitando assim, o trabalho dos magistrados, e sobretudo, de todo o
judiciário brasileiro.

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