Atividade de História da Amazônia
Discentes: Aryelle Oliveira, Clara Pantoja Carneiro da Silva, Ketlen Luiza Felix Lima,
Lucas da Silva Dias, Naiandra de Oliveira Maia.
Questões sobre a leitura do texto de Goes Neves:
1) O autor faz uma série de críticas a algumas hipóteses e teorias defendidas por
outros arqueólogos sobre o povoamento da Amazônia e que considera
ultrapassadas e vinculadas a uma visão evolucionista sobre o processo da
adaptação do homo sapiens aos sistemas ecológicos. Quais eram essas hipóteses,
e quais a críticas que o autor faz a elas?
2) Qual a importância, para o autor, da variedade adaptativa para as sociedades de
caçadores coletores e como isso impacta sobre o pensamento do evolucionismo
linear?
A presença humana na Amazonia é tão antiga quanto em outros áreas da América
do Sul, essas evidências são importantes porque mostram que não houve
impedimentos á ocupação da floresta tropical por grupos que não praticavam
agricultura, ao contrário do proposto por arqueólogos como Bailey e Headland
nos anos 1980. Para esses autores grupos caçadores- coletores, não conseguiam
manter sua economia produtiva sem o aporte de carboidratos resultantes do
consumo de tubérculos domesticados e cultivados por populações agricultoras,
com os quais trocavam produtos da floresta. Outro autor Lathrap propôs, de
maneira inovadora para a época, que nas áreas tropicais úmidas do Novo Mundo
as ocupações do tipo caçador- coletor teriam sido posteriores as de grupos
agricultores. A ideia era criativa porque contrariava o pensamento evolucionista
social típico da arqueologia norte-americana do período, que trabalhava com a
premissa de que sociedades agricultoras deveriam sempre suceder sociedades
caçadoras- coletoras na cadeia evolucionista, e não vice-versa. O raciocínio dele
partiu dos mesmos pressupostos que orientavam seu “modelo cardíaco”:
ocupações de grupos agricultores bem-adaptados ás áreas de várzea passariam por
crescimento demográfico, pressão populacional e consequentemente expulsão de
alguns grupos dessas áreas, levando á colonização, por essas populações expulsas,
de áreas de terra firme, onde acabariam por adotar modos de vida de caçadores-
coletores nômades, devido a pobreza dos solos e á escassez da proteína animal
aquática típicas das planícies aluviais dos grandes rios amazônicos. Essa
discussão de que sim teria presença humana na Amazônia é enriquecida pelos
resultados de pesquisa realizada entre caçadores- coletores contemporâneos da
Amazônia. As pesquisas entre os Nukak da Amazônia colombiana sugerem a
possibilidade de ocupações bem-sucedidas em áreas de terra firme na floresta
tropical por grupos caçadores- coletores, apesar de esses grupos consumirem
também uma pequena parcela de produtos agrícolas, como a mandioca, obtida na
troca com grupos ribeirinhos. Em trabalhos realizados com outros grupos, como
os Awá, da Amazônia maranhense, retrata que há uma grande variabilidade
adaptativa entre os grupos caçadores- coletores amazônicos. Assim, enquanto os
Nukak utilizam a zarabatana como instrumento de caça de animais que vivem nas
copas das árvores, por exemplo, os Awá são exímios fabricantes de flechas, que
usam para caçar também animais terrestres. Não existe, portanto, uma única forma
de adaptação caçadora- coletora aos biomas da Amazônia, o que de qualquer
modo é esperado no grande quadro de diversidade biológica da região. Parece de
fato, cada vez mais evidencia que, sob a perspectiva econômica, não é possível
enquadrar as sociedades amazônicas antigas em categorias fechadas ou
mutuamente exclusivas, como “caçadores- coletores” ou “agricultores”, já que,
aparentemente, estratégias baseadas na diversificação parecem ter sido próprias
dos modos de vida da região desde o começo.
3) Qual a importância do sítio Dona Stella para a compreensão da antiguidade do
processo de povoamento da Amazônia Central? Onde esse sítio está localizado?
4) Explique a seguinte afirmação do autor: “A presença de uma indústria lítica de
pontas bifaciais torna Dona Stella um sítio muito importante no contexto das
ocupações do início do Holoceno na Amazônia.” P. 59
A frase está destacando a relevância arqueológica do sítio Dona Stella devido à
descoberta de pontas bifaciais. A fabricação de pontas bifaciais é uma técnica
sofisticada de produção de artefatos líticos, e sua presença em um sítio
arqueológico indica um grau elevado de habilidade tecnológica. A descoberta
dessas ferramentas no contexto amazônico é especialmente relevante, pois
contribui para o entendimento da ocupação humana em uma área onde as
condições de preservação de artefatos são desafiadoras devido à alta umidade e
vegetação densa. Isso torna o sítio um ponto chave para estudar os primeiros
habitantes da Amazônia e a evolução de suas práticas tecnológicas.
5) O que é surpreendente na datação das pontas de projéteis do sítio Dona Stella e
porque isso pode surpreender? Ao mesmo tempo, quais a implicações desse dado
para pensar a ocupação da Amazônia Central?
O surpreendente na datação das pontas de projéteis do sítio Dona Stella é que
contexto com pontas projétil tenha sido datado da Holoceno Inicial, uma vez que,
na literatura, pontas de projétil bifaciais têm sido utilizados como fósseis-guias e
para sítios paleoindígenas. O por que surpreender é pelo fato que as pontas projétil
são artefatos incomuns e pouco conhecidos na arqueologia Amazônia, levando em
consideração que desafia a visão de povoamento na Amazônia central. Assim, o
sítio Dona Stella pode constituir o primeiro caso de datação arqueológico de um
ponto não fragmentado na Amazônia. Posto isto, o processo de ocupação da
Amazônia Central, interfere de modo continental. Sendo que a América do Sul foi
o último continente do planeta a ser ocupado por Homo sapiens. Uma mudança
no local, interfere em proporções continentais. Assim, a América do Sul é vista
como laboratório a explorado. Paralelamente, as evidências revelam também que
o processo de manipulação das plantas que a levou à uma domesticação. Sendo
como exemplo do norte do Uruguai mais de 4 mil anos atrás. Entretanto, no caso
da Amazônia, o processo de domesticação de plantas da Amazônia sequer existiu.
Sendo encontras nas dietas atuais dos povos indígenas, pois compreende que
houve um processo coevolutivo que transcorre entre plantas e Homo Sapiens,
graça a emergência da agricultura. As implicações destas informações sugerem
que a Amazônia não era um espaço vazio, mas sim, povoado. Incluindo, grandes
práticas de manejo de matérias – primas e agricultura. Portanto, muda a
compreensão do local, sendo que a Amazônia possui uma dinâmica de
povoamento cultural e ecológico, podendo impactar de maneira histórica e a
presença de antigas práticas de populações indígenas.
6) Como o autor pensar a noção de escassez vinculada a ideia de vida nômade e a
noção de abundância associado a visão da vida sedentária? Como isso impactou
sobre a não existência do Estado na Amazônia? Em outras palavras, o autor
concorda com essa afirmação e, se não concorda, como e a partir de quais
argumentos discorda dela?
No passado Amazônico – ao longo do Holoceno Médio, entre 7 mil e 3 mil anos atrás,
tendo uma baixa pressão evolutiva na Amazônia, trata-se de um argumento convincente
fato que graça a presença de recursos alimentares abundantes na Amazônia, característico
da agricultura, em visto que atividade da caça não era em si muito essencial, acabou
gerando dias para dedica-se a atividade não ligadas à substância de acordo com Marshall
Sahlins, em Stone Age Economics. A partir desse pensamento, foram extraídos dados no
litoral do Peru, que demonstrar claros sinais de estabelecimento de vida sedentário
associada à agricultura, período Holoceno Médio. No litoral do Pacífico, por outro lado a
vida é sedentária e de construção de grandes monumentos com grande visibilidade
arqueológica. Por causa, da domesticação de recursos, acabou criando uma sensação de
abundância. Mas, com a necessidade de permanecer em comunidade para acumular
recursos, posto isto criar – se a demanda de controle territorial, levando a criação de
estruturas hierárquicas mais complexas. Em contrataste, em baixo rio Amazonas e Rio
Guaraparé, as evidências são modos de vida nômades, com grande mobilidade e baixa
visibilidade arqueológico, pois a vida nômade é caracterizada pela mobilidade e pelo uso
de recursos naturais. Os grupos nômades tem a sensação de ver os recursos como escassos
e praticam uma gestão mais cuidadosa para maior sobrevivência, já essa perspectiva leva
uma organização menos hierárquica, pois tem a necessidade da colaboração de cada um
.Portanto, autor comenta que a hipótese formula mais interessante para explicar
diferentes trajetórias políticas, na longa duração da história, entre as sociedades antigas
da Amazônia, continua sendo a proposta feito por Carneiro (1970), que correlaciona a
emergência do Estado à circunscrição geográfica, pois a região Amazônica possui
diferentes grupos étnicos moldados por fatores culturais diferentes, em que acaba
influenciando nas políticas econômicas. A geografia amazônica é abundante em recursos,
sendo sua distribuição mais abundante no litoral do Peru.
7) Destaque quais as mudanças que aconteceram a partir do ano mil de nossa era em
toda a Amazônia Central e mesmo no território do atual Brasil e o que
caracterizaram?
A partir do ano 1000 d.C., várias mudanças significativas ocorreram na Amazônia central
e no território do atual Brasil. Essas mudanças podem ser destacadas da seguinte forma:
1. Formação de grandes aldeias: Entre 1000 e 1600 d.C., houve o surgimento
de grandes aldeias interligadas por estradas no alto Xingu, indicando uma
maior complexidade social e organização política entre os povos indígenas
da região.
2. Colapso da cultura marajoara: No século XIV, a cultura marajoara, que se
desenvolveu na Ilha de Marajó, passou por um colapso. Esse evento
marcou uma mudança significativa na região.
3. Apogeu demográfico: O século XI é caracterizado pelo apogeu
demográfico na Amazônia central pré-colonial. Aumento populacional e a
formação de complexas estruturas sociais marcaram esse período.
4. Início da colonização europeia: No século XVI, a chegada dos europeus
deu início a um profundo processo de mudança entre os povos indígenas
da Amazônia, afetando suas culturas, modos de vida e estruturas sociais.
5. Despopulação no século XVIII: No século XVIII, áreas que antes eram
densamente povoadas começaram a apresentar um cenário de
despopulação, em grande parte devido às consequências da colonização e
doenças trazidas pelos europeus.
6. Ciclo da borracha: No século XIX e início do XX, o início do ciclo da
borracha trouxe novas dinâmicas econômicas, mas também resultou em
mudanças sociais e demográficas profundas, impactando as comunidades
indígenas e suas formas de vida, foi um período extremamente violento
contra essas comunidades. Essas transformações refletem a complexidade
e a diversidade das experiências dos povos indígenas na Amazônia ao
longo dos séculos.
8) Considerando as ideias do autor, você acredita que o conhecimento das sociedades
pré-coloniais amazônicas pode quebrar os mitos construídos sobre a Amazônia ao
longo dos anos e que foram colocados em debate na última aula?
Os textos de Neves mostram que as descobertas sobre as diferentes formas de
adaptação dos povos caçadores-coletores na Amazônia pré-colonial revelam a
falta de entendimento sobre a complexidade social dessas comunidades. A
“quebra de mitos” surge, então, dessas novas perspectivas que vão se formando a
cada descoberta. Um exemplo claro é a ideia de que a Amazônia nunca havia sido
afetada pela ação humana, o que foi provado errado ao encontrarmos evidências
de domesticação de plantas em várias partes da América do Sul, incluindo a
Amazônia. Outro ponto importante na desconstrução de mitos sobre a Amazônia
é a complexidade social das sociedades que lá viviam, refletida nas diferentes
maneiras como os povos caçadores-coletores se adaptavam. Dessa forma, o
conhecimento sobre as sociedades pré-coloniais da Amazônia ajuda a
desmistificar ideias erradas sobre a região.
9) Explique a frase, considerando a leitura do texto: A perspectiva evolucionista
embotou a complexidade das formas de adaptação.
A frase refere-se a como a visão tradicional da evolução humana tende a minimizar a
complexidade das adaptações culturais e tecnológicas que os povos amazônicos, entre
outros, desenvolveram ao longo de milênios, em resposta às especificidades de seus
ambientes.