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Universidade São Tomas de Moçambique Faculdade de Ética e Ciências Humanas Licenciatura em Farmácia

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Calebe Mazuze
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Tópicos abordados

  • Fisiopatologia,
  • Efeitos Adversos,
  • Diálise Peritoneal,
  • Medicamentos,
  • Sinais e Sintomas,
  • Diagnóstico,
  • Farmacogenômica,
  • Risco Cardiovascular,
  • Transplante Renal,
  • Biomarcadores
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  • Efeitos Adversos,
  • Diálise Peritoneal,
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  • Farmacogenômica,
  • Risco Cardiovascular,
  • Transplante Renal,
  • Biomarcadores

Universidade São Tomas de Moçambique

Faculdade de ética e Ciências Humanas


Licenciatura em Farmácia

Cristina Ernesto Matusse

Farmácia clínica

Doença Renal Cronica

Docente: Dr. Edmircio Nhamuave

Xai-Xai 27 de novembro de 2024


UNIVERSIDADE SÃO TOMAS DE MOCAMBIQUE

Faculdade de ética e Ciências Humanas


Licenciatura em Farmácia

Cristina Ernesto Matusse

Doença Renal Cronica

Trabalho de investigação científica


na cadeira de Farmácia Hospitalar
com o tema doença renal cronica,
sob orientação por docente: Dr.
Edmircio Nhamuave para fins
avaliativos.

Xai-Xai 27 de novembro de 2024


Resumo

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição de saúde caracterizada pela perda
progressiva da função renal ao longo do tempo. Ela pode ser causada por fatores como
hipertensão, diabetes e doenças genéticas, sendo frequentemente assintomática nas
fases iniciais. A DRC é classificada em cinco estágios, desde a leve diminuição da
função renal até a insuficiência renal terminal, que requer intervenções como diálise ou
transplante. Sua fisiopatologia envolve processos complexos, como a hiperfiltração
glomerular e a fibrose renal, que levam à deterioração irreversível dos rins.

O tratamento da DRC visa retardar sua progressão, controlar fatores de risco e melhorar
a qualidade de vida do paciente. Terapias farmacológicas, como inibidores do sistema
renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e inibidores de cotransportadores sódio-
glicose (SGLT2), têm demonstrado eficácia em diversos estágios da doença. Além
disso, a atenção farmacêutica desempenha um papel crucial, promovendo a adesão ao
tratamento e a prevenção de complicações. Este trabalho aborda os principais aspectos
da DRC, incluindo suas causas, fisiopatologia, sintomas, diagnóstico e os diferentes
estágios da doença. Além disso, são discutidos os tratamentos disponíveis, tanto
conservadores como de substituição renal, bem como as estratégias de prevenção,
como o controle de comorbidades, a adoção de uma dieta saudável, a prática regular
de exercícios e o monitoramento constante da função renal.

O trabalho também discute as perspectivas futuras no manejo da DRC, incluindo o uso


de biomarcadores e tratamentos personalizados, além da importância de uma
abordagem multidisciplinar para o acompanhamento dos pacientes. A pesquisa
bibliográfica sobre a DRC e seus tratamentos fornece uma base sólida para entender
os desafios e as oportunidades no manejo dessa doença crescente e globalmente
relevante.

Palavras chave: doença renal cronica, estágios da DRC, hipertensão, diabetis Mellitus,
tratamento renal, prevenção.
Índice
1. Introdução ................................................................................................................. 4

1.1. Objetivos ................................................................................................................ 6

1.1.1. Objetivo geral ...................................................................................................... 6

1.1.2. Objetivo específicos ............................................................................................ 6

1.2. Metodologia ........................................................................................................... 6

2. Doença renal crônica ............................................................................................ 7

2.1. Estágios da DRC ............................................................................................... 7

2.2. Fisiopatologia ..................................................................................................... 8

2.3. Quadro clínico da doença renal crônica ............................................................. 9

2.4. Diagnóstico da doença renal crônica.................................................................. 9

2.4.1. Sinais e Sintomas ......................................................................................... 10

3. Tratamento geral da doença renal crônica .......................................................... 11

3.1. Mecanismos de Ação ....................................................................................... 12

4. Atenção Farmacêutica na Doença Renal Crônica ............................................... 14

4.1. Prevenção de Complicações ............................................................................ 15

5. Perspectivas Futuras no Tratamento da Doença Renal Crônica ......................... 16

6. Conclusão ........................................................................................................... 17

7. Referências bibliográficas ................................................................................... 18


1. Introdução

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição de saúde caracterizada pela perda
gradual e irreversível da função renal, afetando uma parcela significativa da população
mundial. A prevalência da DRC tem aumentado devido a fatores como o envelhecimento
populacional, a crescente incidência de doenças como diabetes e hipertensão, além de
fatores genéticos e ambientais. Estima-se que cerca de 10% da população mundial sofra
de algum grau de DRC, com projeções que indicam uma tendência crescente nas
próximas décadas (Levey et al., 2005; Coresh et al., 2007). Este trabalho tem como
objetivo explorar a DRC em suas diversas dimensões, abordando sua definição,
classificação, fisiopatologia, opções terapêuticas atuais e perspectivas futuras.

5
1.1. Objetivos

1.1.1. Objetivo geral

• Compreender as implicações da doença renal cronica para saúde.

1.1.2. Objetivo específicos

• Definir a Doença renal cronica;


• Identificar as principais causas da doença renal cronica;
• Descrever a fisiopatologia da DRC;
• Explicar aos mecanismos da DRC.

1.2. Metodologia

A metodologia deste trabalho foi estruturada com base em uma revisão bibliográfica,
com o objetivo de explorar a Doença Renal Crônica (DRC), sua fisiopatologia, estágios,
tratamento e perspectivas futuras, para explorar a definição, classificação, fisiopatologia
e manejo da doença. A pesquisa foi realizada por meio de buscas em bancos de dados
como e Google e documentos.

6
2. Doença renal crônica

A Doença Renal Crônica (DRC) é definida como a diminuição do ritmo de filtração


glomerular (RFG) abaixo de 60 ml/min/1,73m2 e/ou a presença de anormalidades na
estrutura renal, com duração acima de 3 meses. Ao contrário do que se observa na
maioria dos casos de Injúria Renal Aguda (IRA), na DRC não ocorre regeneração do
parênquima renal, e por isso a perda de néfrons, por definição, é irreversível (levey et
al., 2005).

2.1. Estágios da DRC

DRC é subdividida em estágios (0, 1, 2, 3ª, 3b, 4 e 5), com base no ritmo de filtração
glomerular e em relação a proteinúria em A1, A2 e A3, antes, a doença era estadiada
apenas pela TFG, porém, o risco de piora da função renal está intimamente ligado à
quantidade de albuminúria, de modo que ela foi incorporada na classificação. Essas
duas classificações diferentes unidas estagiam a doença, assim como dão seu
prognóstico. Conforme mostra a tabela, pacientes na faixa verde dificilmente tem
complicações graves e pacientes na vermelha geralmente estão em diálise, para evitar
outras complicações (coresh et al. (2007).

Em geral, os estágios 1 e 2 da DRC não estão associados a quaisquer sinais e sintomas


atribuíves à redução da TFG.

7
• Se o declínio da TFG progredir até os estágios 3 e 4, as complicações clínicas e
laboratoriais serão mais proeminentes.

• Se o paciente avançar para o estágio 5 da DRC, as toxinas irão acumular, e ele


geralmente demonstrará marcantes alterações em suas atividades de vida diária, em
seu bem-estar, em seu estado nutricional e na homeostasia hidroeletrolítica, evoluindo
finalmente para a síndrome urémica.

2.2. Fisiopatologia

A fisiopatologia da DRC caracteriza-se por dois amplos grupos gerais de mecanismos


lesivos:

Mecanismos desencadeantes específicos da etiologia subjacente, por exemplo


anormalidades do desenvolvimento ou da integridade renal determinadas
geneticamente, deposição de imunocomplexos e inflamação em alguns tipos de
glomerulonefrite, ou exposição a toxinas em algumas doenças dos túbulos e do
interstício renais.

Um conjunto de mecanismos progressivos que envolvem hiperfiltração e hipertrofia dos


néfrons viáveis remanescentes, que são consequências comuns da redução prolongada
da massa renal, independentemente da etiologia primária. As respostas à redução da
quantidade de néfrons são mediadas por hormônios vasoativos, citocinas e fatores de
crescimento. O aumento da atividade intrarrenal do sistema renina-angiotensina (SRA)
parece contribuir para a hiperfiltração adaptativa inicial e, embora inicialmente benéfica,
parece resultar em dano a longo prazo aos glomérulos dos néfrons remanescentes, que
se manifesta por proteinúria e insuficiência renal progressiva. Este processo parece ser
responsável pelo desenvolvimento de insuficiência renal entre aqueles nos quais a
doença original é inativa ou curada (Remuzzi et al. (2006).

8
2.3. Quadro clínico da doença renal crônica

O declínio gradual da função em pacientes com DRC é inicialmente assintomático. No


entanto, diferentes sinais e sintomas podem ser observados com insuficiência renal
avançada, incluindo sobrecarga de volume, hipercalemia, acidose metabólica,
hipertensão, anemia e distúrbios minerais e ósseos. As manifestações do estado
urêmico incluem anorexia, náusea, vômito, pericardite, neuropatia periférica e
anormalidades do sistema nervoso central (variando de perda de concentração e
letargia a convulsões, coma e morte). Não existe correlação direta entre os níveis
séricos absolutos de nitrogênio ureico no sangue ou creatinina e o desenvolvimento
desses sintomas. O distúrbio ósseo e mineral decorrente da DRC inicia-se com a
redução na produção de 1,25 dihidroxi-calciferol. O declínio progressivo do nível sérico
de vitamina D é acompanhado por elevação de paratormônio (PTH) à medida que
declina a filtração glomeruar. Assim, nos estágios 3 e 4 da DRC, a maioria dos pacientes
já apresenta hiperparatireoidismo secundário. Há uma grande quantidade de evidências
de que pacientes com DRC têm um aumento substancial no risco cardiovascular que
pode ser explicado em parte por um aumento nos fatores de risco tradicionais, como
hipertensão, diabetes e síndrome metabólica. A DRC sozinha também é um fator de
risco independente para doenças cardiovasculares.

2.4. Diagnóstico da doença renal crônica

Doença renal crônica é definida como anormalidades da estrutura ou função renal,


presentes por mais de 3 meses, com implicações para a saúde. Os critérios para doença
renal crônica são:

• Marcadores de dano renal (um ou mais): a) albuminúria (≥ 30mg/24h ou razão


albuminúria/creatininúria ≥ 30mg/g)

b) anormalidades do sedimento urinário

c) anormalidades eletrolíticas ou outras devido a doenças tubulares

d) anormalidades detectadas por histologia

e) anormalidades estruturais detectadas por exames de imagem f) história de


transplante renal

• Redução da TFG < 60ml/min/1,73m2

A classificação da DRC é divida em 5 estágios funcionais:

9
Estágio de Função Rena Taxa de Filtração Glomerular
(mL/min/1,73m2 )
1 > 90 com proteinúria
2 60 a 89 com proteinúria
3a 45 a 59
3b 30 a 44
4 15 a 29
5 < 15 ou em diálise
Para o cálculo da depuração da creatinina, é necessária a coleta de urina no período de
24 horas, principal limitante da técnica. O NATIONAL KIDNEY FOUNDATION KIDNEY
DISEASE OUTCOMES QUALITY INITIATIVE (NKF KDOQI) recomenda estimar a TFG,
a qual pode facilmente ser calculada com o uso de fórmulas. O grupo Chronic Kidney
Disease Epidemiology Collaboration (CKD-EPI) desenvolveu, a partir de coorte que
incluiu indivíduos com e sem DRC, uma equação, que é uma variação da fórmula do
MDRD, mas que apresenta melhor desempenho e previsão de desfechos adversos. As
observações de menor viés e maior acurácia da equação CKD-EPI em comparação à
equação do estudo MDRD, particularmente nas faixas de TFG > 60 mL/min/1,73 m2,
constituem o racional para preconizar o seu uso clínico em substituição às equações de
estimativa da TFG até então utilizadas.

2.4.1. Sinais e Sintomas

Diversas condições representam risco para o desenvolvimento de doença renal crônica


(DRC) como diabetes, hipertensão, glomerulonefrite, uso de medicamentos
nefrotóxicos, nefrolitíase, hipertrofia prostática benigna, estenose de artéria renal,
síndrome hepatorrenal, síndromes genéticas, entre outras. O declínio gradual da função
em pacientes com doença renal crônica é inicialmente assintomático. Entretanto,
diferentes sinais e sintomas podem ser observados com falência renal avançada,
incluindo hipervolemia, hipercalemia, acidose metabólica, hipertensão, anemia e
doença mineral óssea. O desenvolvimento de doença renal terminal (IRC classe V)
resulta numa constelação de sinais e sintomas conhecida como uremia. A progressão
rápida da doença renal é definida como declínio sustendado na TFG > 5ml/min/1,73m2
/ano.

Alguns achados clínicos e laboratoriais podem ser vistos em pacientes com estágio 4 e
5 conforme o sistema acometido:

Neurológico: letargia, sonolência, tremores, irritabilidade, soluço, câimbra, fraqueza


muscular e déficit cognitivo.

10
Gastrointestinais: anorexia, náusea, vômito, gastrite, hemorragia, diarreia e hálito
urêmico.

Cardiovascular ou pulmonar: hipertensão resistente ao tratamento, dispneia, tosse,


arritmia e edema.

Metabólico e Endocrinológico: Perda de peso, acidose metabólica, hiperuricemia,


hipercalemia, galactorreia, diminuição de libido, impotência.

Hematológico: anemia e sangramento.

Urinário: noctúria e oligúria.

3. Tratamento geral da doença renal crônica

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição progressiva caracterizada pela perda
gradual da função renal, frequentemente associada a complicações metabólicas e
cardiovasculares. O tratamento geral da DRC é centrado na prevenção da progressão
da doença, manejo das complicações e, em estágios avançados, substituição da função
renal.

Controle dos Fatores de Risco Subjacentes

O tratamento da DRC começa com a identificação e controle das condições que causam
ou agravam a disfunção renal:

a) Hipertensão Arterial

Alvo: Manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg.

Medicamentos: Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e


Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina II (BRA), que também reduzem a
proteinúria.

b) Diabetes Mellitus

Controle rigoroso da glicemia (HbA1c < 7%) para retardar a progressão da nefropatia
diabética. Uso de inibidores de SGLT2, que demonstraram benefícios renais e
cardiovasculares em pacientes com DRC.

c) Modificação de Estilo de Vida

Dieta: Redução do consumo de sódio (< 2 g/dia), proteínas (0,6–0,8 g/kg/dia em


estágios avançados) e alimentos ricos em potássio e fósforo.

11
Exercício Físico: Atividade regular para melhorar a saúde cardiovascular e o controle
metabólico.

Manejo de Complicações Comuns da DRC

a) Anemia da DRC

Uso de agentes estimuladores de eritropoiese (EPO) e suplementação de ferro


intravenoso para manter a hemoglobina entre 10 e 12 g/dL.

b) Distúrbios Minerais e Ósseos: Suplementação de vitamina D ativa (calcitriol


ou seus análogos) e controle do fósforo sérico com quelantes de fósforo. Ajuste
dos níveis de paratormônio (PTH) para prevenir hiperparatireoidismo
secundário.

Acidose Metabólica: Administração de bicarbonato de sódio oral para manter o


bicarbonato sérico > 22 mmol/L.

Hipercaliemia: Redução do consumo de potássio na dieta e uso de resinas quelantes


de potássio, como o poliestirenossulfonato de cálcio, quando necessário.

Terapias Renais Substitutivas

Nos estágios mais avançados (estágio 5, com taxa de filtração glomerular [TFG] < 15
mL/min/1,73 m²), as terapias renais substitutivas tornam-se essenciais:

Hemodiálise:

Requer acesso vascular e é realizada regularmente em centros especializados. Indicado


para pacientes com sintomas urêmicos, hipercaliemia grave ou sobrecarga de volume
não controlada.

Transplante Renal: O tratamento definitivo para a DRC terminal, quando disponível.


Exige o uso de imunossupressores para evitar rejeição.

3.1. Mecanismos de Ação

Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e Bloqueadores dos


Receptores da Angiotensina II (BRA): Os IECA bloqueiam a conversão de
angiotensina I em angiotensina II, um potente vasoconstritor, reduzindo a pressão
arterial e a carga hemodinâmica sobre os rins.

Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina II (BRA): Impedem a ação da


angiotensina II nos receptores, protegendo os rins de lesões hemodinâmicas.

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Bloqueadores de Canais de Cálcio: Relaxam os vasos sanguíneos ao inibir a entrada
de cálcio nas células musculares lisas, ajudando no controle da hipertensão refratária.

Em Caso de Diabetes Mellitus

O manejo glicêmico protege os rins de lesões associadas ao diabetes:

Inibidores de SGLT2: Reduzem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, diminuindo


a sobrecarga glomerular e protegendo a função renal.

Insulina e Antidiabéticos Orais: Melhoram o controle glicêmico, reduzindo o impacto


da hiperglicemia na microcirculação renal.

Em Caso de Anemia

A anemia é comum em pacientes com DRC devido à redução da eritropoietina:

Agentes Estimuladores de Eritropoiese (EPO): Estimulam a medula óssea a produzir


glóbulos vermelhos, corrigindo a anemia e melhorando o transporte de oxigênio no
organismo.

Em Caso de Distúrbios Minerais e Ósseos

Vitamina D Ativa (Calcitriol): Regula os níveis de cálcio e fósforo no sangue,


prevenindo o hiperparatireoidismo secundário.

Em Caso de Acidose Metabólica

Bicarbonato de Sódio: Neutraliza o excesso de ácido no sangue, melhorando o


equilíbrio ácido-base e preservando a saúde muscular e óssea.

Em Caso de Insuficiência Renal Avançada

Hemodiálise: Remove toxinas, excesso de líquidos e eletrólitos através de um sistema


extracorpóreo, substituindo parcialmente a função renal.

Diálise Peritoneal: Utiliza o peritônio como membrana para trocas metabólicas,


permitindo controle contínuo da urina e toxinas.

Transplante Renal: Substitui o rim doente por um rim saudável, restaurando


completamente a função renal, mas requer imunossupressão para evitar rejeição.

Efeitos Adversos dos Tratamentos da Doença Renal Crônica

Inibidores da ECA (IECA) e BRA:

• Tosse seca (IECA).

13
• Hipercalemia.
• Redução excessiva da pressão arterial.

Bloqueadores de Canais de Cálcio:

• Edema periférico.
• Tontura e cefaleia.

Inibidores de SGLT2:

• Infecções genitais e urinárias.


• Desidratação e hipotensão.

Bicarbonato de Sódio

• Alcalose metabólica.
• Retenção de sódio e fluidos.
1. Hemodiálise e Diálise Peritoneal:

Transplante Renal:

• Rejeição do enxerto.
• Efeitos adversos de imunossupressores, como infecções e toxicidade renal.

4. Atenção Farmacêutica na Doença Renal Crônica

A atenção farmacêutica é fundamental no manejo da Doença Renal Crônica (DRC) para


garantir que os pacientes recebam cuidados adequados, maximizando os benefícios
terapêuticos e minimizando os riscos associados aos tratamentos. Ela envolve a
orientação e acompanhamento contínuo do paciente, além de um monitoramento
rigoroso de medicamentos, com o objetivo de otimizar o tratamento e melhorar a
qualidade de vida.

Avaliação da Terapêutica Medicamentosa

O farmacêutico deve revisar regularmente todos os medicamentos utilizados pelo


paciente, com foco na dosagem adequada, na escolha de terapias que não agravem a
função renal e na prevenção de interações medicamentosas prejudiciais. Medicamentos
que afetam a função renal, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), devem ser
usados com cautela.

14
Monitoramento da Função Renal e Ajuste de Doses

Pacientes com DRC frequentemente necessitam de ajustes nas doses dos


medicamentos, dependendo do grau de insuficiência renal. A atenção farmacêutica deve
incluir a monitorização dos parâmetros laboratoriais, como a taxa de filtração glomerular
(TFG), níveis de creatinina e eletrólitos. A diminuição da função renal pode exigir a
redução da dose de medicamentos como antibióticos, analgésicos e agentes
antidiabéticos.

4.1. Prevenção de Complicações

A DRC pode levar a complicações como hipertensão, anemia, distúrbios ósseos e


desequilíbrios minerais. O farmacêutico deve orientar o paciente sobre a utilização de
medicamentos para controle da pressão arterial (como IECA ou BRA), agentes
estimuladores de eritropoiese (como eritropoetina) para tratar a anemia e suplementos
de cálcio e vitamina D para prevenir complicações ósseas.

Educação e Orientação sobre Adesão ao Tratamento

A adesão ao tratamento é um desafio significativo na DRC, pois os pacientes podem


precisar de múltiplos medicamentos e mudanças no estilo de vida. O farmacêutico deve
fornecer informações claras sobre o uso correto dos medicamentos, o manejo dos
efeitos adversos e a importância de seguir o regime terapêutico para retardar a
progressão da doença.

Aconselhamento Nutricional

Como a DRC pode alterar o metabolismo de eletrólitos e a excreção de substâncias, o


farmacêutico deve trabalhar em conjunto com a equipe de saúde para orientar sobre a
dieta adequada, incluindo a ingestão controlada de sódio, potássio e fósforo, além da
necessidade de suplementação vitamínica em casos específicos.

Identificação e Manejo de Efeitos Adversos

Pacientes com DRC frequentemente estão em risco de efeitos adversos relacionados a


medicamentos, como hipercalemia, acidose, infecções e desidratação. O farmacêutico
deve identificar precocemente esses efeitos e colaborar com outros profissionais de
saúde para implementar estratégias de manejo, como ajustes de medicamentos ou
introdução de terapias alternativas.

15
5. Perspectivas Futuras no Tratamento da Doença Renal Crônica

O tratamento da Doença Renal Crônica (DRC) está evoluindo rapidamente, com


avanços promissores que visam melhorar os resultados clínicos, retardar a progressão
da doença e proporcionar uma maior qualidade de vida aos pacientes. Uma das
principais áreas de inovação é o desenvolvimento de novos fármacos, como os
inibidores do cotransportador sódio-hidrogênio (NHE3), que atuam na redução da
sobrecarga de sódio e melhora da função tubular renal. Além disso, estão sendo
investigados moduladores específicos para inflamação e fibrose, abordando os
processos patológicos subjacentes da progressão da DRC. Terapias gênicas e celulares
também estão sendo exploradas, com destaque para o uso de células-tronco para
regenerar tecidos renais e restaurar parcialmente a função renal em estágios iniciais da
doença. A personalização do tratamento é outra perspectiva importante, com a
aplicação de farmacogenômica e medicina de precisão. Essas abordagens permitirão a
seleção de medicamentos com maior eficácia e menor risco de efeitos adversos,
baseando-se no perfil genético de cada paciente. Além disso, o monitoramento de
biomarcadores específicos possibilitará intervenções mais precoces e eficazes. No
âmbito das terapias substitutivas, avanços estão sendo feitos em tecnologias para
diálise, como dispositivos portáteis e rim bioartificial, que prometem maior eficiência e
menor impacto na qualidade de vida. Para o transplante renal, técnicas de edição
genética, como CRISPR, estão sendo investigadas para criar órgãos geneticamente
compatíveis, reduzindo o risco de rejeição. Novos imunossupressores mais seletivos
estão em desenvolvimento, visando minimizar os efeitos colaterais e prolongar a
viabilidade dos enxertos (Johnson et al. (2023)

16
6. Conclusão

Neste trabalho, foi possível compreender que a Doença Renal Crônica (DRC) é uma
condição progressiva e multifatorial que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Definida pela perda funcional renal persistente por mais de três meses, a DRC
apresenta uma etiologia complexa, envolvendo fatores de risco como hipertensão,
diabetes e processos inflamatórios crônicos. O manejo da DRC requer estratégias que
englobam a prevenção, diagnóstico precoce, tratamento medicamentoso e suporte
contínuo ao paciente. Medicamentos como os inibidores do sistema renina-
angiotensina-aldosterona (SRAA) e os inibidores do cotransportador sódio-glicose
(SGLT2) desempenham papel fundamental no controle da progressão da doença,
enquanto a atenção farmacêutica contribui significativamente para a adesão ao
tratamento e a redução de complicações. A atenção farmacêutica mostrou-se essencial
para promover adesão ao tratamento, monitorar reações adversas e melhorar a
qualidade de vida dos pacientes, sendo um componente indispensável no manejo
multidisciplinar da DRC. Finalmente, destacou-se que as perspectivas futuras incluem
avanços em biomarcadores e terapias personalizadas, integradas a estratégias de
saúde pública que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento. Assim, a
abordagem contínua e estruturada da DRC é fundamental para reduzir sua carga global
e melhorar os desfechos clínicos.

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7. Referências bibliográficas

Remuzzi, G., Perico, N., & Macia, M. (2006). The role of renin-angiotensin-aldosterone
system in the progression of chronic kidney disease.

Manuais MSD. (2024). Doença Renal Crônica: Fisiopatologia, Diagnóstico e


Tratamento. MSD Manual para Profissionais de Saúde.

Brenner, B. M., Meyer, T. W., & Hostetter, T. H. (1982). Dietary protein intake and the
progressive nature of kidney disease.

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