A Importância da Filosofia na Vida e Carreira
A Importância da Filosofia na Vida e Carreira
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FILOSOFIA
O significado da palavra filosofia, do grego philo (que significa "amor") e sophia
("conhecimento") já dá uma pista para a resposta à questão sobre sua utilidade.
Movidos por esse “amor ao conhecimento”, os primeiros filósofos buscaram romper
com o senso comum e com a consciência mítica. A filosofia nasceu com o objetivo de
desenvolver uma consciência crítica sobre o mundo, encontrando respostas não mais
baseadas na crença e na autoridade.
Desde então, a filosofia tornou-se uma área de conhecimento que tem como
objetivo questionar todo e qualquer aspecto sobre o mundo, a vida ou o que for
relevante para os indivíduos. Para isso, são dadas respostas lógicas e racionais às
questões.
A própria pergunta "para que serve a filosofia?" traz em si a reflexão, o espírito
questionador e a atitude crítica e filosófica. A filosofia representa a fuga da
ignorância e a busca pelo conhecimento de si e do mundo através do pensamento
crítico.
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A filosofia auxilia a refletir sobre a vida
A filosofia possui uma forte ligação com a vida cotidiana das pessoas e faz com que
haja uma reflexão crítica que cria um distanciamento de tudo aquilo que é comum e
trivial. Esse distanciamento é importante para que a vida não se torne uma prática
automática e possam ser realizadas escolhas conscientes sobre as ações.
O ritmo cada vez mais acelerados da vida contemporânea possui um efeito nocivo
sobre a liberdade dos indivíduos. Sem a devida reflexão sobre a vida, as pessoas
tendem a se alienar de si mesmas e não perceber quais são as suas verdadeiras
necessidades.
O lema "conhece-te a ti mesmo" encontrado no templo do deus Apolo, na Grécia
antiga é um dos motores da filosofia desde seu nascimento e atenta para a
necessidade de reflexão e autoconhecimento.
Do contrário, uma vida irrefletida gera o esvaziamento do sentido de sua própria
existência, o que, em geral, torna-se fonte de frustrações e infelicidade.
Esse vazio existencial acompanhado de frustrações tendem a ser preenchidos pelo
consumismo. Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, isso acarreta o processo de
fetichismo da mercadoria e reificação dos indivíduos.
O fetichismo da mercadoria ocorre quando os produtos assumem características
humanas que são emprestadas aos indivíduos. Enquanto as pessoas sofrem a
reificação, tornam-se coisas, produto desumanizado que passa a ser identificado
através daquilo que consome.
Como se pode advertir, a Filosofia é uma atividade intelectual muito abrangente. À
diferença das ciências, ela não está limitada a um setor ou aspecto da realidade.
Pode-se filosofar a propósito de tudo quanto desperta nossa admiração ou provoca
nossa dúvida. E filosofamos, não apenas na solidão do nosso pensamento, mas em
diálogo com os demais homens. Em particular, lendo as obras dos filósofos famosos
(Platão, Aristóteles, Descartes, Kant, Nietzsche, Habermas…) que são aqueles
pensadores que formularam de maneira particularmente rigorosa as questões
filosóficas, de tal modo que suas ideias ainda hoje podem nos ajudar a
compreendê-las e respondê-las.
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A filosofia é a base da ética
Foi o filósofo grego Aristóteles, que definiu os seres humanos como animais sociais.
Assim, a vida em sociedade apresenta questões sobre o cotidiano e a relação entre as
pessoas.
Sobre essas relações interpessoais e a definição do bem comum que se desenvolve a
ética. A ética serve para definir os princípios que sustentam a vida em sociedade, sem
ela seria difícil a compreensão sobre o que é o bem, a justiça, as virtudes e outros
princípios que orientam as ações.
Na filosofia clássica, a ética não se resumia apenas aos hábitos ou costumes
socialmente definidos e comuns, mas buscava a fundamentação teórica para
encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida,
tanto na vida privada quanto em público. A ética incluía a maioria dos campos de
conhecimento que não eram abrangidos na física, metafísica, estética, na lógica, na
dialética e nem na retórica.
Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia,
psicologia, sociologia, economia, pedagogia, às vezes política, e até mesmo educação
física e dietética,em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que influi na
maneira de viver ou estilo de vida.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se
seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da
filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas
independentes.
Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que
se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" e busca explicar e
justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como
fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns.
Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana
e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do ponto de vista do Bem e
do Mal, Certo ou Errado.
A ética está intrinsecamente relacionada à definição da moralidade, ao
questionamento e julgamento sobre quais são os bons e maus valores no
relacionamento humano, pois seu campo de estudo é esclarecer o que pode ou deve
ser uma normatividade de conduta, se há alguma possível de se definir. Apesar da
conotação negativa de moral como vinculada à obediência a costumes e hábitos
recebidos, sua definição essencial é a mesma de ética e, ao contrário, busca
fundamentar as ações morais de forma racional.
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História da filosofia - Antiga, medieval, moderna e
contemporânea
De um modo geral, os estudos filosóficos têm como espinha dorsal o estudo da
história da filosofia. Para se estabelecer uma sequência histórica da filosofia
podem-se usar diferentes critérios.
Normalmente, a periodização é feita a partir de uma correlação com os períodos
históricos, políticos e culturais. Desse modo, fala-se em Filosofia Antiga, Medieval,
Contemporânea.
FILOSOFIA ANTIGA
A história da filosofia coloca em perspectiva o conhecimento filosófico e apresenta
textos e autores que fundamentam nosso conhecimento até hoje. A história da
filosofia na Antiguidade pode ser dividida em três grandes períodos: o período
pré-socrático, a Grécia clássica e a época helenística.
Pré-socráticos
Os filósofos que viveram antes da época de Sócrates, como Parmênides e Heráclito,
investigaram a origem das coisas e as transformações da natureza. De seus textos só
restaram fragmentos.
O conhecimento especulativo no período pré-socrático não se distinguia dos outros
conhecimentos, como a astronomia, a matemática ou a física.
Tales de Mileto foi o primeiro pensador que podemos chamar de filósofo. Como
outros pré-socráticos, Tales dedicou-se a caracterizar o princípio ou a matéria de que
é feito o mundo. Sustentou que este princípio era a água
A Grécia clássica
No período clássico, a filosofia vinculou-se a um momento histórico privilegiado - o
da Grécia clássica. Nesse período, que compreende os séculos 5 a.C. e 4 a.C., a
civilização grega conheceu seu apogeu, com o esplendor da cidade de Atenas. Essa
cidade-estado dominou a Grécia com seu poderio militar e econômico. Adotando a
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democracia como sistema político, Atenas assistiu a um florescimento admirável das
ciências e das artes.
Foi esse período histórico que deu origem ao pensamento dos três maiores filósofos
da Antiguidade: Sócrates, Platão e Aristóteles.
Sócrates não deixou uma obra escrita, mas conhecemos seu pensamento através das
obras de seu discípulo Platão. Este não escreveu uma obra sistemática, organizada de
forma lógica e abstrata, mas sim um rico conjunto de textos em forma de diálogo, em
que diferentes temas são discutidos.
Os diálogos de Platão estão organizados em torno da figura central de seu mestre -
Sócrates.
Platão e Aristóteles
O conhecimento é resultado do convívio entre homens que discutem de forma livre e
cordial. No livro "A República", por exemplo, temos um grupo de amigos que inclui o
filósofo Sócrates, dois irmãos de Platão - Glauco e Adimanto - e vários outros
personagens, que serão provocados pelo.
O diálogo vai tratar de assuntos relacionados à organização da sociedade e à natureza
da política. A palavra política vem do grego polis, que significa cidade ou Estado.
Aristóteles - ao contrário de Platão - criou uma obra sistemática e ordenada. A
filosofia aristotélica cobre diversos campos do conhecimento, como a lógica, a
retórica, a poética, a metafísica e as diversas ciências. No livro "A Política", Aristóteles
entende a ciência política como desdobramento de uma ética, cuja principal
formulação encontra-se no livro "Ética a Nicômaco".
Helenismo
O período helenístico corresponde ao final do século 3 a.C. (período que se sucede à
morte de Alexandre Magno, em 323 a.C.) e se estende, segundo alguns historiadores,
até o século 6 d.C. As preocupações filosóficas fundamentais voltam-se para as
questões morais, para a definição dos ideais de felicidade e virtude e para o saber
prático.
FILOSOFIA MEDIEVAL
A filosofia medieval foi desenvolvida na Europa durante o período da Idade Média
(séculos V-XV). Trata-se de um período de expansão e consolidação do Cristianismo
na Europa Ocidental.
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A filosofia medieval tentou conciliar a religião com a filosofia, ou seja, a consciência
cristã com a razão filosófica e científica.
Isto pode parecer paradoxal em nossa época, mas naquele tempo era perfeitamente
compreensível.
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Períodos da Filosofia Medieval e Principais Filósofos
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Recebe esse nome, uma vez que esse cristianismo primitivo esteve baseado nos
escritos de diversos apóstolos.
O maior representante desse período foi Paulo de Tarso, o Apóstolo Paulo, que
escreveu muitas epístolas incluídas no Novo Testamento.
Filosofia Patrística
A filosofia patrística foi desenvolvida a partir do século IV e permaneceu até o século
VIII. Recebe esse nome porque os textos desenvolvidos no período foram escritos
pelos chamados "Padres da Igreja" (Pater, "pai", em latim).
A patrística se preocupava em adaptar os ensinamentos da filosofia grega aos
princípios cristãos. Baseava-se nas obras de Platão e identificava a Palavra de Deus
com o mundo das ideias platônicas. Partiam do princípio de que o homem seria capaz
de entender a Deus através da sua revelação.
Esta é uma fase inicial de desenvolvimento da filosofia medieval, quando o
Cristianismo está concentrado no Oriente e vai se expandindo pela Europa. Por isso, a
maioria dos filósofos era também teólogos e o tema principal era a relação da razão e
da fé.
Os Padres da Igreja precisavam explicar conceitos como a imortalidade da alma,
existência de um só Deus, e dogmas como a Santíssima Trindade, a partir da filosofia
grega.
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Dentre os Padres da Igreja destacam-se santo Irineu de Lyon, santo Inácio de
Antioquia, são João Crisóstomo, santo Ambrósio de Milão, entre muitos outros.
O filósofo mais destacado do período, porém, foi Santo Agostinho de Hipona.
Filosofia Escolástica
Baseada na filosofia de Aristóteles, a Escolástica foi um movimento filosófico
medieval que se desenvolveu durante os séculos IX e XVI.
Ela surge com o intuito de refletir sobre a existência de Deus, da alma humana, da
imortalidade. Em suma, desejam justificar a fé a partir da razão.
Por isso, os escolásticos defendiam ser possível conhecer a Deus através do
empirismo, da lógica e da razão.
Igualmente, a Escolástica pretende defender a doutrina cristã das heresias que
apareciam e que ameaçavam romper com a unidade da cristandade.
Grandes filósofos da escolástica foram são Bernardo de Claraval, Pedro Abelardo,
Guilherme de Ockham, o beato João Duns Escoto, entre outros.
Nesse período, o filósofo mais importante foi São Tomás de Aquino e sua obra
"Summa Teológica", onde estabelece os cinco princípios para provar a existência de
Deus.
A Escolástica permaneceu em vigor até a época do Renascimento, quando começa a
Idade Moderna.
FILOSOFIA MODERNA
A filosofia moderna começa no século XV quando tem início a Idade Moderna. Ela
permanece até o século XVIII, com a chegada da Idade Contemporânea.
Ela marca uma transição do pensamento medieval, fundamentado na fé e nas
relações entre os homens e Deus, para o pensamento antropocêntrico, marca da
modernidade, que eleva a humanidade a um novo status como o grande objeto de
estudo.
O racionalismo e o empirismo, correntes de pensamento construídas no período,
demostram essa mudança. Ambos visam dar respostas sobre a origem do
conhecimento humano. O primeiro associando à razão humana e o segundo,
baseado-se na experiência.
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Contexto Histórico
O final de Idade Média esteve calcada no conceito de teocentrismo (Deus no centro
do mundo) e no sistema feudal, terminou com o advento da Idade Moderna.
Essa fase reúne diversas descobertas científicas (nos campos da astronomia, ciências
naturais, matemática, física, etc.) o que deu lugar ao pensamento antropocêntrico
(homem no centro do mundo).
Assim, esse período esteve marcado pela revolução do pensamento filosófico e
científico. Isso porque deixou de lado as explicações religiosas do medievo e criou
novos métodos de investigação científica. Foi dessa maneira que o poder da Igreja
Católica foi enfraquecendo cada vez mais.
Nesse momento, o humanismo tem um papel centralizador oferecendo uma posição
mais ativa do ser humano na sociedade. Ou seja, como um ser pensante e com maior
liberdade de escolha.
Diversas transformações ocorreram no pensamento europeu da época dos quais se
destacam:
● a passagem do feudalismo para o capitalismo;
● o surgimento da burguesia;
● a formação dos estados nacionais modernos;
● o absolutismo;
● o mercantilismo;
● a reforma protestante;
● as grandes navegações;
● a invenção da imprensa;
● a descoberta do novo mundo;
● o início do movimento renascentista.
Principais Características
As principais características da filosofia moderna estão pautadas nos seguintes
conceitos:
● Antropocentrismo e Humanismo
● Cientificismo
● Valorização da natureza
● Racionalismo (razão)
● Empirismo (experiências)
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● Liberdade e idealismo
● Renascimento e iluminismo
● Filosofia laica (não religiosa)
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Além disso, apresentou a “teoria dos ídolos” em sua obra “Novum Organum”, que,
segundo ele, alteravam o pensamento humano bem como prejudicava o avanço da
ciência.
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Segundo ele, a razão não seria o fim ideal para provar a existência de Deus, uma vez
que o ser humano é impotente e está limitado às aparências.
Em sua obra “Pensamentos”, apresenta suas principais indagações acerca da
existência de um Deus baseado no racionalismo.
Montesquieu (1689-1755)
Filósofo e jurista francês do iluminismo, Montesquieu foi um defensor da democracia
e crítico do absolutismo e do catolicismo.
Sua maior contribuição teórica foi a separação dos poderes estatais em três poderes
(poder executivo, poder legislativo e poder judiciário). Essa teoria foi formulada em
sua obra O Espírito das Leis (1748).
Segundo ele, essa caracterização protegeria as liberdades individuais, ao mesmo
tempo que evitaria abusos dos governantes.
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Voltaire (1694-1778)
Filósofo, poeta, dramaturgo e historiador francês foi um dos mais importantes
pensadores do Iluminismo, movimento baseado na razão.
Defendeu a monarquia governada por um soberano esclarecido e a liberdade
individual e de pensamento, ao mesmo tempo que criticou a intolerância religiosa e o
clero.
Segundo ele, a existência de Deus seria uma necessidade social e, portanto, se não
fosse possível confirmar sua existência, teríamos de inventá-lo.
Rousseau (1712-1778)
Jean-Jacques Rousseau foi um filósofo social e escritor suíço e uma das mais
importantes figuras do movimento iluminista. Foi um defensor da liberdade e crítico
do racionalismo.
Na área da filosofia investigou temas acerca das instituições sociais e políticas.
Afirmou a bondade do ser humano em estado de natureza e o fator de corrupção
originado pela sociedade.
Suas obras mais destacadas são: “Discurso sobre a origem e os fundamentos das
desigualdades entre os homens” (1755) e “Contrato Social” (1762).
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Immanuel Kant (1724-1804)
Filósofo alemão com influência iluminista, Kant buscou explicar os tipos de juízos e
conhecimento desenvolvendo um “exame crítico da razão”.
Em sua obra “Crítica da razão pura” (1781) ele apresenta duas formas que levam ao
conhecimento: o conhecimento empírico (a posteriori) e o conhecimento puro (a
priori).
Além dessa obra, merecem destaque a "Fundamentação da Metafísica dos
Costumes" (1785) e a “Crítica da razão prática” (1788).
Em resumo, a filosofia kantiana, buscou criar uma ética cujos princípios não se
baseassem na religião e, sim, em um conhecimento fundamentado na sensibilidade e
no entendimento.
FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
A Filosofia Contemporânea é aquela desenvolvida a partir do final do século XVIII,
que tem como marco a Revolução Francesa, em 1789. Engloba, portanto, os séculos
XVIII, XIX e XX.
Note que a chamada "filosofia pós-moderna", ainda que para alguns pensadores seja
autônoma, ela foi incorporada a filosofia contemporânea, reunindo os pensadores
das últimas décadas.
Contexto Histórico
Esse período é marcado pela consolidação do capitalismo gerado pela Revolução
Industrial Inglesa, que tem início em meados do século XVIII.
Com isso, torna-se visível a exploração do trabalho humano, ao mesmo tempo que se
vislumbra o avanço tecnológico e científico.
Nesse momento são realizadas diversas descobertas. Destacam-se a eletricidade, o
uso de petróleo e do carvão, a invenção da locomotiva, do automóvel, do avião, do
telefone, do telégrafo, da fotografia, do cinema, do rádio, etc.
As máquinas substituem a força humana e a ideia de progresso é disseminada em
todas as sociedades do mundo.
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Por conseguinte, o século XIX reflete a consolidação desses processos e as convicções
ancoradas no progresso tecnocientífico.
Já no século XX, o panorama começa a mudar, refletido numa era de incertezas,
contradições e dúvidas geradas pelos resultados inesperados.
Acontecimentos deste século foram essenciais para formular essa nova visão do ser
humano. Merecem destaque as guerras mundiais, o nazismo, a bomba atômica, a
guerra fria, a corrida armamentista, o aumento das desigualdades sociais e a
degradação do meio ambiente.
Assim, a filosofia contemporânea reflete sobre muitas questões sendo que a mais
relevante é a "crise do homem contemporâneo".
Escola de Frankfurt
Surgida no século XX, mais precisamente em 1920, a Escola de Frankfurt foi formada
por pensadores do “Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt”.
Pautada nas ideias marxistas e freudianas, essa corrente de pensamento formulou
uma teoria crítica social interdisciplinar. Ela aprofundou em temas diversos da vida
social nas áreas da antropologia, psicologia, história, economia, política, etc.
De seus pensadores merecem destaque os filósofos: Theodor Adorno, Max
Horkheimer, Walter Benjamin e Jurgen Habermas.
Indústria Cultural
A Indústria Cultural foi um termo criado pelos filósofos da Escola de Frankfurt
Theodor Adorno e Max Horkheimer. O intuito era analisar a indústria de massa
veiculada e reforçada pelos meios de comunicação.
Segundo eles, essa “indústria do divertimento” massificaria a sociedade, ao mesmo
tempo que homogeneizaria os comportamentos humanos.
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Principais Características
Racionalismo: traz como argumento a noção de que a razão é a única forma que o
ser humano tem de alcançar o verdadeiro conhecimento por completo
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Liberdade: é classificada pela filosofia, como a independência do ser humano,
autonomia, auto-determinação, espontaneidade e intencionalidade.
Filósofo alemão, Hegel foi um dos maiores expoentes do idealismo cultural alemão, e
sua teoria ficou conhecida como “hegeliana”.
Já a dialética, segundo ele, seria o movimento real da realidade que teria de ser
aplicada no pensamento.
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Ludwig Feuerbach (1804-1872)
Filósofo materialista alemão, Feuerbach foi discípulo de Hegel, embora mais tarde,
tenha adotado uma postura contrária de seu mestre.
Além de criticar a teoria de Hegel em sua obra “Crítica da Filosofia Hegeliana” (1839),
o filósofo criticou a religião e o conceito de Deus. Segundo ele, o conceito de Deus é
expresso pela alienação religiosa.
Seu ateísmo filosófico influenciou diversos pensadores dentre eles Karl Marx.
Para ele, o mundo estaria repleto de representações criadas pelos sujeitos. A partir
disso, as essências das coisas seriam encontradas por meio do que ele chamou de
“insight intuitivo” (iluminação).
Dessa maneira, sua teoria esteve pautada nas questões da existência humana,
destacando a relação dos homens com o mundo e ainda, com Deus.
Nessa relação, a vida humana, segundo o filósofo, estaria marcada pela angústia de
viver, por diversas inquietações e desesperos.
Isso somente poderia ser superado com a presença de Deus. No entanto, está
assinalada por um paradoxo entre a fé e a razão e, portanto, não pode ser explicada.
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Auguste Comte (1798-1857)
Na “Lei dos Três Estados” o filósofo francês aponta para a evolução histórica e
cultural da humanidade.
Ela está dividida em três estados históricos diferentes: estado teológico e fictício,
estado metafísico ou abstrato e estado científico ou positivo.
Essa teoria se opôs aos preceitos da metafísica citada na obra “Discurso sobre o
Espírito Positivo”.
Filósofo húngaro, Lukács baseou seus estudos no tema das ideologias. Segundo ele,
elas têm a finalidade operacional de orientar a vida prática dos homens, que por sua
vez, possuem grande importância na resolução dos problemas desenvolvidos pelas
sociedades.
Suas idéias foram influenciadas pela corrente marxista e ainda, pelo pensamento
kantiano e hegeliano.
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Friedrich Nietzsche (1844-1900)
Seu pensamento passou por diversos temas desde religião, artes, ciências e moral,
criticando fortemente a civilização ocidental.
Filósofo alemão que propôs a corrente filosófica da fenomenologia (ou ciência dos
fenômenos) no início do século XX. essa teoria está baseada na observação e
descrição minuciosa dos fenômenos.
Segundo ele, para que a realidade fosse vislumbrada a relação entre sujeito e objeto
deveria ser purificada. Assim, a consciência é manifestada na intencionalidade, ou
seja, é a intenção do sujeito que desvendaria tudo.
Para ele, a grande questão filosófica estaria voltada para a existência dos seres e das
coisas, definindo assim, os conceitos de ente (existência) e ser (essência).
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Jean Paul Sartre (1905-1980)
O “nada” proposto por Sartre faz referência a uma caraterística humana associada ao
movimento e as mudanças do ser. Em resumo, o “vazio do ser” revela a liberdade e a
consciência da condição humana.
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Theodor Adorno (1903-1969)
Filósofo alemão, Benjamin demostra uma postura positiva em relação aos temas
desenvolvidos por Adorno e Horkheimer, sobretudo da Indústria Cultural.
Filósofo e sociólogo alemão, Habermas propôs uma teoria baseada na razão dialógica
e na ação comunicativa. Segundo ele, seria uma maneira de emancipação da
sociedade contemporânea.
Nesse sentido, o conceito de verdade apresentado pelo filósofo é fruto das relações
dialógicas e, portanto, é denominado de verdade intersubjetiva (entre sujeitos)
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Segundo ele, as sociedades modernas e contemporâneas são disciplinares. Assim,
elas apresentam uma nova organização do poder, que, por sua vez, foi fragmentado
em “micropoderes”, estruturas veladas do poder.
A partir dessa lógica de oposições, Derrida apresenta sua teoria filosófica destruindo
o “logos”, que, por sua vez, auxiliou na construções de “verdades” indiscutíveis.
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O conhecimento filosófico nasce a partir do pensamento crítico e das reflexões que o
ser humano é capaz de fazer;
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Nele, não há uma preocupação em refletir criticamente sobre o objeto em
observação, limitando-se apenas à dedução.
Exemplo: Um agricultor que, mesmo sem nenhum estudo, sabe exatamente quando
plantar e colher cada vegetal. Isto apenas por observar e aprender com os resultados
de colheitas anteriores.
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O que é conhecimento teológico?
Filosofia e psicologia são duas áreas de estudo com um lugar comum na história. A
psicologia surgiu a partir da filosofia. Ela surgiu com o fim de incluir o método
empírico na hora de enfrentar as perguntas que são elaboradas pela filosofia. Por
isso, a filosofia acrescentou à psicologia diversos temas de estudo, como por exemplo
a sensação, a percepção, a inteligência e a memória.
Por outro lado, as soluções oferecidas por uma área ou outra são diferentes. Apesar
de compartilharem muitos temas de estudo, elas também têm diferentes pontos de
vista. Inclusive, usando as mesmas teorias, filosofia e psicologia muitas vezes não
concordam em suas conclusões. Ao mesmo tempo, essas linhas de separação fazem
com que, a partir de uma ou outra área, seus profissionais possam ser considerados
inimigos um do outro.
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Semelhanças entre filosofia e psicologia
Outra semelhança é que a filosofia acrescentou à psicologia alguns dos temas que ela
estuda: a sensação, a percepção, a inteligência, a memória e a vontade. Como já foi
dito, ambas compartilham temas de estudo, apesar da forma de estudar e as
respostas obtidas serem diferentes. Por outro lado, a filosofia se introduz na
psicologia por dois caminhos: através das hipóteses relativas à mente e às formas
adequadas de estudo, e através dos princípios gerais latentes à pesquisa científica.
Com respeito aos objetivos, a filosofia tem metas mais intelectuais, enquanto a
psicologia foca mais na terapia e na intervenção. A filosofia cria sistemas filosóficos
ou categorias que servem para explicar a realidade. A psicologia, em vez de estudar a
visão geral como a filosofia, procura isolar variáveis do comportamento humano.
Por isso, suas teorias tentam considerar nossa biologia – por exemplo, com o estudo
da nossa química cerebral – e considerar as diferenças individuais – ninguém imita
exatamente o comportamento de outra pessoa diante das mesmas circunstâncias.
Assim, a psicologia quase nunca aborda a busca de uma realidade totalmente alheia à
existência das pessoas, algo que, historicamente, pode acontecer em algumas
propostas filosóficas.
Outra grande diferença que ocorre entre ambas está na conceituação da moral. A
filosofia busca explicar tudo, o que inclui o estudo das maneiras corretas de se
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comportar. Na filosofia existem diversos trabalhos com respeito ao que está certo e o
que está errado. Por sua parte, a psicologia não entra nesse debate. Apesar de na
psicologia já terem sido propostas escalas de ética e de moral, seu objetivo não é
estudar o que é moral ou não, mas entender que existem diferentes morais.
Filosofia e Psicoterapia
Com base nessa visão, é possível compreender, através da investigação de sua visão
sobre a realidade, possíveis causas para suas queixas centrais e secundárias.
Propondo e abrindo campo para que o cliente expresse seus próprios
questionamentos a respeito da sua realidade e utilizando da "retórica socrática”, ou
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seja da devolução das perguntas que ele mesmo se faz a possibilidade de que ele
perceba outras formas de enxergar aquilo que ele julga como "verdade". Ou seja,
auxiliando esse cliente de forma prática a construir uma filosofia de vida que o leve
não só a superar o que lhe trouxe à terapia, mas ir além disso. Favorecendo o
amadurecimento da sua maneira de perceber a realidade através da construção de
sabedoria.
O Estoicismo é uma escola de filosofia prática fundada na Grécia Antiga. Esta filosofia
busca ter uma boa vida focando apenas no que é possível controlar, deixando de
sofrer por aquilo que não está no controle humano.
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Foi fundada pelo filósofo grego Zênon de Cítio (333 a.C.- 263 a.C.), e vigorou durante
séculos (até III d. C.) tanto na Grécia, quanto em Roma. A filosofia, nesse caso, é
também uma meditação sobre a morte, porque se medita na finitude da existência.
No entanto, o estóico não representa a figura de um deprimido, ele apenas não quer
se enganar com as promessas do mundo.
Boa parte do conteúdo estoico é atemporal por ensinar as pessoas a lidar com a
adversidade e com as emoções negativas. Além disso, essa filosofia conduz a um
melhor conhecimento de si mesmo.
Por causa de sua atemporalidade e por abordar temas presentes na vida de todo ser
humano, o Estoicismo continua a ser estudado.
O termo “Estoicismo” surge da palavra grega “stoá”, que significa pórtico, local de
ensinamentos filosóficos. Que significa alpendre pintado, local onde Zenão, o
fundador, reunia-se com seus seguidores para discutir suas ideias. Essa é a razão
desses pensadores também serem chamados de filósofos do pórtico.
Antes, porém, o Estoicismo era conhecido como Zenozismo, por causa de Zenão.
Provavelmente, os estóicos abandonaram esse nome para evitar um culto à
personalidade.
Isso é dito, porque a palavra já foi usada como substantivo e como adjetivo,
representando pessoas que reprimem seus sentimentos e são resistentes e
pacientes.
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Uma prática pessoal, que reflete na minha vida como um todo, é a de primeiro
“elaborar meus sentimentos” de forma consciente, compreendendo que o que
me pertence eu possuo a capacidade de administrar e o que é causado por
fatos, atos, comportamentos pode ser tratado com racionalidade e paciência,
visando resolver os fatos, encontrar as soluções e jamais despejar sobre o
outro o que estou sentindo simplesmente por que estou sentindo.”
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Para eles, a filosofia deve orientar o modo como se vive e não ser apenas um
conhecimento teórico. E o modo de viver deve ser conformado com o destino, ou
seja, com a natureza.
Para os estóicos, o mundo é um grande sistema racional que segue uma ordem
necessária, onde tudo concorre para uma harmonia maior. É o Logos.
Em alguns casos, isso é chamado de Deus, ou seja, a totalidade da natureza com suas
regras.
Cabe ao estóico harmonizar-se com esse mundo, com essa natureza. O que é
chamado de mau é, na verdade, uma inadequação entre a vida e a natureza.
“Tudo o que está em acordo contigo está em acordo comigo, ó Cosmos! Nada
do que, para ti, se dá oportunamente ocorre para mim muito cedo ou muito
tarde. Tudo que suas estações produzem, ó Natureza, é fruto para mim.”
(Marco Aurélio)
Fases do Estoicismo
Estoicismo Antigo (stoá antiga): período mais focado na doutrina ética. Os maiores
representantes do período foram os filósofos Zênon de Cítio, Cleantes de Assos e
Crisipo de Soli.
Estoicismo Imperial Romano (stoá nova): de cunho mais religioso, sendo seus
principais representantes os filósofos Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio.
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Primeira fase do Estoicismo
O que se sabe de suas vidas vem de Diógenes Laércio, em seu Vidas e Doutrinas dos
Filósofos Ilustres.
Encerrando a primeira fase, há Crisipo de Solos (atual Turquia). Ele foi responsável
por sistematizar os pensamentos de Zenão e defendê-los dos ataques feitos pelos
platônicos.Foi reconhecido como um grande lógico por ter se dedicado ao estudo das
proposições e ao combate das falácias.
Panécio de Rodes foi outro pensador importante, cuja responsabilidade foi retomar
alguns temas platônicos. Ele influenciou a obra Sobre os Deveres, de Cícero.
Já Posidônio de Apaméia (135 a.C. a 51 a.C.) foi um polímata e acreditava que a alma,
conforme Platão explicou, tinha uma parte irracional. Cícero frequentou sua escola
em Rodes.
É desta fase que se tem o maior número de textos que explicam o que é Estoicismo,
já que muitas das obras anteriores se perderam. Lúcio Aneu Séneca é o principal
pensador estóico romano dessa época. Os principais representantes do estoicismo
tornam-se parte dos dirigentes do Império Romano.
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Ele enfatizou a falsidade das reações emotivas aos fatos cotidianos. Considerando a
mente como uma unidade racional, descreveu as interferências das emoções como
falhas no raciocínio.
Epiteto havia sido escravo e sua liberdade foi alcançada às custas de ter resistido de
forma serena às crueldades de seu senhor, que lhe teria quebrado a perna. O acesso
que se tem às suas reflexões são fruto do trabalho de seu discípulo Lúcio Flávio
Arriano.
Ele foi quem compilou o famoso Encheiridion de Epiteto, com reflexões para
enfrentar as dificuldades diárias.
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Crisipo de Solis (280 a.C.-208 a.C.)
Epiteto (55-135)
Filósofo grego nascido na cidade de Hierapólis, atual Turquia. Viveu grande parte de
sua vida como um escravo romano e de sua obra destacam-se: “Manual de Epicteto”
e “Discursos”, editadas por seu discípulo Arriano de Nicomedia (86-175).
Sêneca (4 a.C-65)
Filósofo, orador, poeta e político, Lúcio Aneu Sêneca nasceu na cidade de Córdoba,
atual Espanha, sendo considerado um dos mais importantes intelectuais do Império
Romano. Importante representante da terceira fase estoica (nova), Sêneca focou nos
conceitos sobre ética, física e lógica para o desenvolvimento da Escola Estoica.
Sêneca teve Nero, o imperador romano, como seu pupilo e foi o principal concelheiro
do Império Romano.
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Marco Aurélio (121-180
1. Seja virtuoso;
2. Concentre-se no que você controla e aceite o que não controla;
3. Seja responsável pelo que você controla;
4. Aprenda a diferenciar o que é bom, mau ou indiferente;
5. Coloque os aprendizados em prática;
6. Pense no que pode dar errado;
7. Internalize seus objetivos;
8. Faça com que os obstáculos sejam novas oportunidades;
9. Ame seu destino, porque não há outro;
10. Esteja sempre autoconsciente.
1 — Seja virtuoso
Os estóicos ensinaram que só é possível ter uma boa vida quando se é virtuoso. Para
isso, guiaram-se seguindo as quatro virtudes cardeais gregas. Elas foram definidas por
Platão, mas influenciaram os estóicos, filósofos helenísticos e pensadores cristãos.
Temperança: Evitar os excessos e agir com equilíbrio. Para isso é necessário buscar
autocontrole para vencer os desejos desenfreados. Nesse caso, a busca pelos
prazeres não pode se sobrepor à razão;
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Justiça: Conceder o que concerne a cada um por aquilo que fez e mereceu, com
razoabilidade, integridade e honestidade.
Como não é possível mudar o que já aconteceu, resta apenas lidar com as
circunstâncias presentes.
“Faça o melhor com o que estiver em seu poder, e apenas aceite o que vier a
acontecer. Algumas coisas estão ao nosso alcance e outras coisas não estão”.
(Epiteto)
Faz parte do poder de cada pessoa o que depende de sua vontade e liberdade. O
restante depende de dois fatores:
Está sob controle de uma pessoa ler para aprender um conteúdo, bem como
aplicá-lo. O que não está é o controle sobre as ações das pessoas ao redor, sua
condição física para conseguir agir como deseja, etc.
“As coisas não inquietam os homens, mas as opiniões sobre as coisas. Por
exemplo: a morte nada tem de terrível, ou também a Sócrates teria se
afigurado assim, mas é a opinião a respeito da morte – de que ela é terrível –
que é terrível. Então, quando se nos apresentarem entraves, ou nos
inquietarmos, ou nos afligirmos, jamais consideremos outra coisa a causa,
senão nós mesmos – isto é: as nossas próprias opiniões.” (Epiteto)
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O caminho que aqui vai sendo ensinado é o de não se tentar controlar o
incontrolável. Ora, se é incontrolável, qualquer tentativa de controle resultará em
fracasso e o resultado será sofrimento.
“Os homens são perturbados não pelas coisas que acontecem, mas sim por
suas opiniões sobre os acontecimentos”. (Epiteto)
Diversas realidades não são escolhidas pelas pessoas, como os pais, a condição física
em sua essência, o ambiente de criação e os primeiros ensinamentos recebidos. São
muitos fatores que não dependem da vontade do indivíduo.
Em geral, o que está em poder de cada um é como reagir diante dos acontecimentos
não controlados, não escolhidos. A responsabilidade incide sobre a própria ação. As
pessoas que não assumem a responsabilidade pelo que fazem tendem a sofrer mais e
ser mais vitimistas.
Não é maduro colocar a culpa em fatores sobre os quais não se tem controle, ao
menos não de acordo com o Estoicismo. De acordo com a filosofia estóica, deve-se
agir de acordo com os próprios valores independentemente do que aconteça.
Assim os estoicos separam as coisas: em boas, más ou indiferentes. Para eles, bom é
o que está de acordo com a sabedoria, coragem, temperança e justiça.
O que for oposto às virtudes, como vícios, covardia, injustiça e ignorância serão coisas
ruins.
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Por causa dessa consideração, outra característica do Estoicismo é não desejar o que
é externo, para não haver sofrimento futuro caso esse bem externo seja retirado ou
perdido.
Ficar doente não lhes será bom ou mau, mas indiferente. Afinal, não se tem controle
sobre a saúde de forma segura. Com certeza a saúde é mais preferível do que a
doença, bem como a riqueza à pobreza e a boa reputação à má reputação.
Mas preferir algo em detrimento de outro não pode se tornar um desejo. Quando
algo se torna desejo, passa a ser visto como bom. Isso leva a uma diminuição da
sabedoria nos moldes do Estoicismo, porque significa que a pessoa não terá
diferenciado bem.
“Não perca tempo discutindo sobre o que um bom homem deve ser. Seja um.”
(Marco Aurélio)
Como foi explicado ao longo do resumo sobre o que é Estoicismo, viu-se que é uma
filosofia prática. Pensar sobre como viver é apenas o início, mas não tudo o que deve
ser feito.
Realidades imprevistas podem mudar o rumo de uma vida. Como são infinitas
possibilidades, não é possível preparar-se para todas.
Ainda assim, é aconselhável usar a mente para pensar em cenários ruins, a fim de se
preparar caso aconteçam de fato. Essa característica do Estoicismo é a premeditação
dos males.
Premeditar os males é antecipar na mente o pior cenário possível. Caso o pior venha
a acontecer, é possível reagir com mais calma e racionalidade.
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7 — Internalize seus objetivos
“Eu vou fazer isso e mais aquilo, se nada acontecer que possa se tornar um
obstáculo para minha decisão. Eu vou cruzar o oceano, se nada me impedir de
fazê-lo”. (Sêneca)
Mesmo que muitos deem o seu melhor, isso não significa que alcançarão o que
querem. Cada um controla suas ações, mas não o resultado delas. Por outro lado,
nada impede alguém de agir da melhor forma que lhe seja possível num dado
momento.
Estóicos atrelam seus objetivos apenas a algo interno, nunca a algo externo. O que
está fora da liberdade e vontade do indivíduo não pode se tornar objetivo de vida,
porque pode ser impedido de ser alcançado por outra coisa.
Entender que nem tudo será como foi planejado é uma forma de evitar frustrações e
sofrimentos desnecessários.
Uma vez que eventos externos são indiferentes, não são vistos pelos estóicos como
oportunidades ou obstáculos em si mesmos. Cada pessoa pode transformar o que
acontece com ela.
Pensando em objetivos internos, virtuosos, é possível tentar ser mais sábio, corajoso,
temperante e justo a partir de todo tipo de situação.
“Não queira que tudo aconteça como deseja. Deseje que tudo aconteça como
deve acontecer, e terá serenidade”. (Epiteto)
Basicamente, esse ensino quer dizer que é melhor mudar o julgamento sobre um
acontecimento, já que não é possível mudar a realidade de que o fato aconteceu,
agradável ou não.
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Ocorridos no passado estão fora do alcance de qualquer pessoa. O que não está, é a
reação a ele. A reação das pessoas é um fenômeno do presente.
Se se pensar como Zenão, considerar-se-á que a cada naufrágio haverá uma nova
oportunidade de se atracar em novas terras.
O princípio envolve separar o que é razão e o que é emoção. Um estoico opta por não
permitir ser controlado por suas paixões.
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Bibliografia
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International Society for the Study of Social and Behavioral Development News
Letter, 2, 1-4.
Prof Pedro Menezes, mestre em ciências da Educação
Profa Juliana Bezerra, bacharel em história e filosofia
Donald Robertson - Pense como um imperador - 2017
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