Juizados Especiais Criminais: Lei 9099/95
Juizados Especiais Criminais: Lei 9099/95
2ª EDIÇÃO/2023
1. INTRODUÇÃO 2
1.1. PRINCÍPIOS NORTEADORES DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS 3
1.2. COMPOSIÇÃO E COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL 6
3. HIPÓTESES NAS QUAIS SÃO CABÍVEIS E INCABÍVEIS O PROCESSAMENTO PELO RITO SUMARÍSSIMO 11
5. PROCEDIMENTO 20
5.1. TERMO CIRCUNSTANCIADO 20
5.2. AUDIÊNCIA PRELIMINAR DE CONCILIAÇÃO 21
5.3. RITO SUMARÍSSIMO 23
5.3.1. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 24
5.3.2. SISTEMA RECURSAL 26
5.3.3. EXECUÇÃO 27
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1. INTRODUÇÃO
Inicialmente, cabe apontar que a lei dos juizados especiais tem sede Constitucional. Trata-se da
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
Disposição semelhante inicia o capítulo dos juizados especiais criminais na lei 9099/95:
Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a
conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da
🚨 JÁ CAIU
Na prova de promotor de justiça do MPE-PR (Ano: 2021 Banca: MPE-PR) foi considerada correta a seguinte
afirmação: Em conformidade com a Lei 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais), no processo perante o Tribunal
A ordem constitucional inaugurada em 1988 determinou ao legislador a classificação das infrações penais em
pequeno, médio e grande potencial ofensivo, recomendando resposta proporcionalmente mais severa aos
delitos de maior gravidade (CF, art. 5º, XLII, XLIII e XLIV). Assim, nos chamados crimes de maior potencial
prazo para o encerramento da instrução em processo de réu preso, a obrigatoriedade do regime inicial
fechado para o cumprimento da pena, o maior requisito temporal para a obtenção da progressão de regime, a
proibição da anistia, graça e indulto e, em casos extremos, até mesmo a imprescritibilidade. Aliás, vale lembrar
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que os crimes de racismo (art. 5º, XLII, da CF e Lei n. 7.716/89) e as ações de grupos armados, civis ou militares,
contra a ordem constitucional e o Estado democrático (art. 5º, XLIV, da CF e Lei n. 7.170/83), são os únicos
casos de imprescritibilidade em nosso ordenamento jurídico penal. Destaca-se que, em outubro de 2021, o
STF decidiu que ‘o crime de injúria racial configura um dos tipos penais de racismo e é imprescritível’1.
A Lei dos Juizados Especiais Criminais se aplica às infrações de menor potencial ofensivo e a lei
define este conceito através de um critério objetivo, qual seja: as contravenções penais e os crimes a que a lei
comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou
Assim, todas as contravenções, também chamadas de crime anão ou infrações liliputianas, são
consideradas como infração de menor potencial ofensivo. Por outro lado, quanto aos crimes, deve-se observar
a pena máxima de pena privativa de liberdade, neste caso, não superior a dois anos.
Um dos objetivos foi afastar a morosidade do processo penal aos casos de menor complexidade e evitar,
sempre que possível, a aplicação de pena privativa de liberdade sobre o criminoso, evitando todos os seus
estigmas. Dessa forma, inspirada no princípio da intervenção mínima do Direito Penal, em 1995 surge a Lei
dos Juizados Especiais Criminais (Lei nº 9.099/95) com procedimento mais célere, simplificado e com a criação
de medidas despenalizadoras.2
Ademais, segundo a classificação do jurista espanhol Jesús-María Silva Sánchez, os Juizados Especiais
Criminais podem ser catalogados como integrantes do denominado “Direito Penal de Segunda Velocidade”,
tendo em vista que buscam alternativas à prisão para resposta a crimes de baixo potencial lesivo, tais como as
A atividade no procedimento sumaríssimo se dá, nos termos do art. 62, da Lei nº 9.099/95, com
objetivando, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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Pureza, Diego Luiz Victório; Garcia, Leonardo (coord.). Leis Penais Especiais - Coleção Sinopses para Concursos, vol. 04. Salvador: Juspodvim, 2021. p.
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privativa de liberdade.” Tendo em vista que a parte criminal da Lei nº 9.099/95 apresentou um novo modelo de
justiça, introduzindo os institutos da composição civil dos danos, transação penal e suspensão condicional do
processo ao nosso ordenamento, no lugar dos tradicionais princípios do processo penal, tais como
“o critério informativo dos Juizados Especiais Criminais reside na busca da reparação dos danos à vítima, da
conciliação civil e penal, da não aplicação de pena privativa de liberdade e na observância dos seguintes
princípios”3:
Tal princípio é de suma importância nos Juizados Especiais, sendo uma espécie de
maneira oral, o processo desenvolve-se de forma muito mais célere, sem contar
ORALIDADE
que não se declarará a nulidade de um ato que deixou de observar de forma
específica, mas atingiu sua finalidade. Ainda, os principais atos processuais serão
Este princípio tem estreita relação com a informalidade, pois ambos visam a
informalidade.
Os atos processuais não serão cercados de rigor excessivo, de sorte que, caso
INFORMALIDADE dispensa do relatório da sentença (art. 81, §3º), “a prática de atos processuais em
outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer meio hábil de comunicação”
Tem por objetivo a rapidez na execução de atos processuais, por isso a sistemática
CELERIDADE peculiar do rito sumaríssimo, para suavizar as regras formais exigidas no Código de
Processo Penal.
FINALIDADE E “para que os atos processuais sejam invalidados, necessária se faz a prova do
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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PREJUÍZO prejuízo. Isso significa dizer que não vigora no âmbito dos Juizados Criminais o
destinava o ato, bem como não demonstrada qualquer espécie de prejuízo, não há
falar em nulidade.”4
A DEFORMALIZAÇÃO possui dupla faceta: (i) veicula a necessidade de um processo mais simplificado,
efetivo, econômico e de fácil acesso, é dizer: busca dar uma solução rápida e efetiva aos conflitos. Ligados a esta
faceta podemos apontar todos os princípios orientadores do JECRIM: oralidade, simplicidade, informalidade,
economia processual e celeridade; (ii) veicula a necessidade de deformalização das controvérsias com a busca
de equivalentes jurisdicionais, de vias alternativas ao processo e da busca por evitar o processo através de
instrumentos de mediação. Ligados a esta faceta estão os institutos da transação penal, composição dos danos
A DELEGALIZAÇÃO, por seu turno, subtrai a solução legal, busca submeter determinados conflitos a um
juízo de equidade.
Ainda no que diz respeito aos objetivos do Juizado Especial Criminal, vamos lembrar que há a finalidade
de não aplicação da pena privativa de liberdade. Este objetivo é traduzido pela doutrina através do fenômeno
da DESPENALIZAÇÃO, chamada por Rogério Greco de DESCARCERIZAÇÃO. Por este fenômeno, apesar de haver
infração penal, a pena aplicada não será a pena privativa de liberdade. São medidas que buscam a
despenalização: a representação, a composição dos danos civis, a transação penal e a suspensão condicional do
⚠️ ATENÇÃO
Não se deve confundir despenalização, descriminalização e legalização. Na despenalização a conduta é
criminosa, mas a pena não será privativa de liberdade. Na descriminalização, a conduta deixa de ser infração
penal e passa a ser infração civil, como é o caso do adultério, que era considerado crime, mas que hoje se
restringe a uma hipótese de violação dos deveres do casamento. E, por fim, na legalização a conduta não é
infração penal nem infração civil – trata-se de conduta conformada à ordem jurídica.
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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1.2. COMPOSIÇÃO E COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL
Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a
conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da
Juízes togados são os magistrados de carreira, aqueles que ingressaram no Poder Judiciário através de
concurso público de provas e títulos, promovido pelo Tribunal de Justiça do Estado, Distrito Federal ou Tribunal
Regional Federal. Os juízes leigos, por sua vez, serão aqueles escolhidos por procedimento simplificado de
contratação, que será regulado de acordo com a Lei de Organização Judiciária da localidade. Ainda, no caso
específico do Juizado Especial Criminal, os juízes leigos poderão atuar unicamente na etapa de conciliação entre
a vítima e o autor do fato criminoso. Quanto ao ponto, veja-se o art. 73 da Lei dos Juizados:
Art. 73. A conciliação será conduzida pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação.
Parágrafo único. Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recrutados, na forma da lei local, preferentemente
entre bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da Justiça Criminal.
Indo adiante, conforme disposto na parte final do caput do art. 60, o Juizado Especial Criminal será
competente para promover a conciliação, o julgamento e a execução de infrações de menor potencial ofensivo,
respeitadas as regras de conexão e continência. No que diz respeito à definição de “menor potencial ofensivo”,
trata-se de matéria que estudaremos no próximo tópico; aqui, buscaremos explorar as regras para fixação da
Em primeiro lugar, destaca-se que a Lei nº 9.099/95, diferentemente do que ocorre no CPP, adotou
como critério de ratione loci o local da ocorrência da infração, onde este foi praticado, e não do implemento do
seu resultado:
Art. 63. [TEORIA DA ATIVIDADE] A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi
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Portanto, não confundir:
Especial Criminal competente para o julgamento de infrações penais classificadas como de menor potencial
ofensivo.
(i) Impossibilidade de citação pessoal daquele apontado como autor do fato: nos termos do
parágrafo único do art. 66, da Lei nº 9.099/95, “não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as
peças existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei.” A ratio essendi da regra diz
respeito com os contornos que o princípio da celeridade processual ganha nos Juizados Especiais; não sendo
localizado o autor do fato, a citação deverá ser promovida por outros meios, tal qual a citação por edital, que
não se coaduna com o rito sumaríssimo. Da mesma forma, caso o oficial de justiça desconfie que o agressor
esteja se ocultando para não receber a citação, deverá promover a citação por hora certa, com a respectiva
desclassificação do feito para uma Vara de rito comum ordinário, tendo em vista que este procedimento
(ii) Complexidade da causa: diz o art. 77, §2º, da Lei nº 9.099/95: “Se a complexidade ou
circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz
o encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do art. 66 desta Lei.” Ou seja, se a lide
apresentada for muito complexa, não será compatível com os princípios do art. 62, de modo que também
“São consideradas infrações de menor potencial ofensivo e, por essa razão, estão submetidas ao
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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procedimento dos Juizados Especiais Criminais, tanto da Justiça Comum estadual quanto da Justiça Federal:
(ii) os crimes a que a lei comine pena máxima igual ou inferior a 2 anos de reclusão ou detenção, qualquer que
(iii) os crimes a que a lei comine exclusivamente pena de multa, qualquer que seja o procedimento previsto.
Com o advento da Lei n. 11.313, de 28 de junho de 2006, o art. 61 da Lei n. 9.099/95 passou a prever
expressamente que se consideram infrações de menor potencial ofensivo as contravenções penais e os crimes
a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.”
■ Todas as contravenções penais previstas no Decreto-Lei nº 3.688/1941 - Lei das Contravenções Penais;
■ Os crimes a que a lei comine pena máxima igual ou inferior a 2 anos de reclusão ou detenção,
■ Os crimes a que a lei comine exclusivamente pena de multa (da mesma forma que na hipótese anterior,
Quando estamos diante de apenas um crime isolado, não há maior dificuldade na identificação da
competência do Juizado Especial Criminal em virtude da pena abstratamente prevista. Porém, quando
estivermos diante de concurso de crimes (seja formal ou material), causas de aumento ou de diminuição de
pena e de qualificadoras e privilegiadoras, vamos aplicar a denominada teoria da pior das hipóteses.
“Segundo a mencionada teoria, as penas máximas deverão ser somadas (concurso material), ou exasperadas
(concurso formal e crime continuado). Na hipótese de exasperação - ou qualquer outra causa de aumento de
pena -, sempre será aplicada a maior fração. Na hipótese de causa de diminuição, adota-se a pena máxima do
crime, reduzindo-a da fração mínima. A finalidade é verificar se mesmo na pior das hipóteses o patamar
máximo da pena privativa de liberdade não ultrapassará os 2 (dois) anos. Se do resultado final a pena
máxima alcançar patamar superior aos 2 (dois) anos não será cabível o procedimento sumaríssimo e
demais institutos benéficos aplicáveis às infrações penais de menor potencial ofensivo, aplicando-se o
(Grifou-se)
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Pureza, Diego Luiz Victório; Garcia, Leonardo (coord.). Leis Penais Especiais - Coleção Sinopses para Concursos, vol. 04. Salvador: Juspodvim, 2021. p.
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Em consonância com o acima estudado, vejamos ementa de acórdão proferido pelo Superior Tribunal
PROCESSUAL PENAL E PENAL. RECLAMAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO PROLATADO POR TURMA RECURSAL
OFENSIVO. SOMA DAS PENAS SUPERIOR A DOIS ANOS. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM.
autoriza o ajuizamento do incidente para "dirimir divergência entre acórdão prolatado por turma recursal
julgamento de recursos especiais processados na forma do art. 543-C do Código de Processo Civil."
2. Pacificou-se a jurisprudência desta Corte no sentido de que, no concurso de infrações de menor potencial
ofensivo, a pena considerada para fins de fixação da competência do Juizado Especial Criminal será o
crime continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. Se desse somatório resultar um apenamento
3. Hipótese em que Turma Recursal estadual manteve sentença que condenou o ora reclamante à pena
privativa de liberdade de 02 (dois) anos, 07 (sete) meses e 10 (dez) dias de reclusão, em regime semiaberto,
por infração ao que dispõem os artigos 329 (resistência) e 331 (desacato), ambos do Código Penal, assim como
ofensivo imputadas ao ora reclamante, determinando-se a redistribuição do feito a uma das varas
criminais da Comarca de Araraquara/SP, para seu regular processamento. (Rcl n. 27.315/SP, relator
Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 9/12/2015, DJe de 15/12/2015.) (Grifou-se)
Além da hipótese na qual a pena máxima abstratamente cominada ultrapassar o limite de 02 anos
estipulado pelo legislador para processamento no rito sumaríssimo, há também que se ter atenção para as
comum ordinário ou até mesmo procedimento especial. Exemplo: “A” que comete o crime de maus-tratos
contra seu pai, mata “B”, seu vizinho, para assegurar a ocultação do primeiro crime, tendo em vista que a vítima
presenciou um ato de violência. Nesta hipótese, haverá cisão processual, sendo o crime de maus-tratos
processado no Juizado Especial Criminal, e o crime de homicídio frente ao Tribunal do Júri, ou ambos serão
processados neste último procedimento? Atualmente, temos o seguinte cenário processual: “(i) uma vez
praticada uma infração de menor potencial ofensivo, a competência será do Juizado Especial Criminal. Se, no
entanto, com a infração de menor potencial ofensivo, houverem sido praticados outros crimes, em conexão ou
continência, deverão ser observadas as regras do art. 78 do CPP, para saber qual o juízo competente; (ii) caso,
em virtude da aplicação das regras do art. 78 do CPP, venha a ser estabelecida a competência do juízo comum
ou do tribunal do júri para julgar também a infração de menor potencial ofensivo, afastando, portanto, o
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procedimento sumaríssimo da Lei n. 9.099/95, isso não impedirá a aplicação dos institutos da transação penal e
da composição dos danos civis. Tal ressalva da lei visou garantir os institutos assegurados constitucionalmente
Ou seja, sempre que for necessário o processamento de crime cuja competência seria do Juizado
Especial Criminal, deve-se observar, sempre que possível, a aplicação das medidas despenalizadoras
Inclusive, o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela competência relativa dos Juizados Especiais
Criminais, de modo que quando for necessária, haverá a declinação da competência dos crimes de menor
potencial ofensivo para outro juízo, respeitadas as regras de conexão e continência previstas no Código de
DA LEI N. 10.259/2001. COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS. INCIDÊNCIA DAS REGRAS
INSTITUTOS DA TRANSAÇÃO PENAL E DA COMPOSIÇÃO CIVIL DOS DANOS NO JUÍZO COMUM. AÇÃO
DIRETA JULGADA IMPROCEDENTE. 1. É relativa a competência dos Juizados Especiais Criminais, pela qual
se admite o deslocamento da competência, por regras de conexão ou continência, para o Juízo Comum
têm de ser assegurados, quando cabíveis, independente do juízo no qual tramitam os processos. 3. No §
2º do art. 77 e no parágrafo único do art. 66 da Lei n. 9.099/1995, normas não impugnadas, também se
estabelecem hipóteses que resultam na modificação da competência do Juizado Especial para o Juízo
Comum. Ação direta julgada improcedente. (ADI 5264, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em
Para finalizar, mencionamos que a Lei nº 10.259/2001 também traz menção ao Juizado Especial
Art. 2º Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da Justiça
Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrente da
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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composição dos danos civis.
Trata-se do único dispositivo mais expressivo da Lei do Juizado Especial Federal, de modo que todas
as regras que estudaremos quanto à Lei nº 9.099/95 também serão aplicáveis ao procedimento sumaríssimo
nas causas cujo bem jurídico atingido for da União ou de suas autarquias e fundações públicas.
processo e julgamento de (i) todas as contravenções penais e (ii) crimes cuja pena máxima seja de até dois
anos ou que tenha como pena exclusivamente a condenação ao pagamento de multa. Quanto a esta segunda
hipótese, portanto, todos os crimes constantes na Parte Especial do Código Penal que se enquadrem nessa
categoria serão processados sob o rito da Lei nº 9.099/95. Exemplos: crimes contra a honra cometidos contra
Porém, não podemos esquecer que há inúmeros outros crimes previstos em legislação penal
extravagante, que também podem ser processados sob o rito da Lei nº 9.099/95, ainda que ausente na
sumaríssimo do Juizado Especial Criminal (art. 48, §1º). Ainda, “ não se imporá
POSSE DE DROGAS PARA ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele
(ART. 28, DA LEI Nº requisições dos exames e perícias necessários.” (art. 48, §2º). Este dispositivo já
policial.
Vejamos o julgado:
Pleno, julgado em 29/06/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-201 DIVULG 12-08-2020 PUBLIC 13-08-2020)
Segundo o art. 94, da Lei nº 10.741/2003, “aos crimes previstos nesta Lei, cuja
e não de 02 anos, tal qual é a regra geral. E o segundo ponto, que merece
do Brasil, com redução de texto, para suprimir a expressão "do Código Penal
VOL-00216-01 PP-00204)
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penal e do sursis processual, ‘salvo para os crimes que contam com um
ORIGINÁRIA DOS
⚠️ ATENÇÃO: para o art. 88, da Lei nº 9.099/95: “além das hipóteses do
de procedibilidade.
Ainda, é imperioso saber em quais hipóteses não é possível a incidência das medidas previstas no
procedimento sumaríssimo, seja por expressa previsão legal, ou por entendimento dos Tribunais Superiores.
Vejamos:
condicional do processo.
CRIMES COMETIDOS POR ⚠️ CUIDADO: Súmula nº 243, do Superior Tribunal de Justiça: o benefício
PESSOAS REINCIDENTES da suspensão do processo não é aplicável em relação às infrações penais
quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência
Nos termos do art. 41, da Lei nº 11.340/2006, “aos crimes praticados com
LESÃO CORPORAL DOLOSA violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena
LEVE QUALIFICADA PELA prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.” Sob a
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA inteligência da Súmula 536, do STJ, entende-se que “a suspensão condicional
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Capez, Fernando. Legislação penal especial. Disponível em: Minha Biblioteca, (17th edição). Editora Saraiva, 2022.
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sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”.
Conforme já dispomos na introdução deste Resumo Destacado, o Juizado Especial Criminal trata-se de
exemplo de Direito Penal de 2ª Velocidade, na classificação do jurista espanhol Jesús-Maria Silva Sanchez. O
Uma primeira velocidade, representada pelo Direito Penal ‘da prisão’, na qual haver-se-iam de manter
uma segunda velocidade, para os casos em que que, por não se tratar já de prisão, senão de penas de
privação de direitos ou pecuniárias, aqueles princípios e regras poderiam experimentar uma flexibilização
Veja-se que a “flexibilização” dita pelo autor não se trata de exclusão da competência do Poder
Judiciário de apreciar condutas que lesam bem jurídicos eleitos pelo legislador para ficar sob o manto de
proteção do Estado. Muito pelo contrário: o que se propõe é a legitimação do Estado para promover medidas
que coloquem a vítima e seus desejos no centro da discussão, assim como a ressocialização do indivíduo que,
por mais que não tenha cometido nenhum crime grave, deve responder pelo ato que cometeu.
Dessa forma, estudaremos a seguir os dois principais institutos que visam alternativas à prisão e que
■ Transação Penal;
O instituto da transação penal tem natureza de acordo, firmado com a anuência do Ministério Público
(na figura estatal) e do autor do fato - que deve assentir com seus termos e ter ciência das suas implicações -
(senão em todos) atos do processo penal. Assevera o art. 76, da Lei nº 9.099/95:
Art. 76. [TRANSAÇÃO PENAL] Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública
9
SILVA SANCHÉZ, Jesús-Maria. A expansão do direito penal: aspectos da política criminal nas sociedades pós-industriais. Trad. Luiz Otávio de Oliveira
Rocha. São Paulo: RT, 2002, p. 145.
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incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação
§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade.
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade (PPL), por
sentença definitiva;
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de 5 anos, pela aplicação de pena restritiva ou
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos
§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz.
§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva
de direitos ou multa, que NÃO IMPORTARÁ EM REINCIDÊNCIA, sendo registrada apenas para impedir
§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82 desta Lei.
§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes
criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e NÃO TERÁ EFEITOS CIVIS, cabendo aos
🚨 ATENÇÃO
O parágrafo 5º deste artigo: diferente da primeira medida despenalizadora, a composição civil dos
Primeiramente, cumpre asseverar que a medida despenalizadora deve ser oferecida pelo Ministério
Público antes do recebimento da denúncia ou da queixa. De acordo com o dispositivo transcrito, podemos
a. Em caso de ação penal privada, haver representação pela vítima para o processamento do
feito, e, nas ações penais públicas incondicionadas, não ser caso de arquivamento;
🚨 JÁ CAIU
Na prova de promotor de justiça do MPE-RJ (Ano: 2022 Banca: MPE-RJ) foi considerada incorreta a seguinte
afirmação: O instituto da transação penal, previsto no art. 76, da Lei nº 9.099/95, não se aplica às ações penais
privadas, sendo previsto apenas para as ações penais públicas, condicionadas ou não à representação.
b. Não ter sido o autor do fato condenado, em sentença definitiva, pela prática de crime com pena
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privativa de liberdade;
resposta estatal.
⚠️ ATENÇÃO
“Nos crimes de ação penal pública condicionada e nos delitos de ação penal privada a fase
procedimental relativa à transação penal somente é alcançada se não houver prévia composição dos danos
cíveis. Isto porque, diversamente do que ocorre em relação aos crimes de ação penal pública incondicionada,
naqueles casos a composição civil implica renúncia ao direito de representação e de queixa, acarretando, por
Continuando, conforme se infere do §3º do art. 76, tanto o autor do fato quanto seu procurador
devem aceitar a proposta de transação penal. Caso haja divergência entre eles, o que fazer? Há duas correntes
■ 1ª corrente: “há quem diga que deve prevalecer a opinião do advogado, já que este, mais do que o
réu, tem condições de antever a solução jurídica que melhor o aproveita. Defendem, ainda, para subsidiar tal
entendimento, a interpretação analógica da Súmula 705 do STF, dizendo que ‘a renúncia do réu ao direito de
apelação, manifestada sem a assistência do defensor, não impede o conhecimento da apelação por este
interposta’”.11
■ 2ª corrente: “se o autor do fato aceitar ou recusar a proposta de transação penal, esta deve ser a
vontade prevalente, e não a de seu advogado, cujo papel na audiência preliminar deve ser, simplesmente, o de
dar assistência jurídica ao seu patrocinado, orientando-o quanto à melhor solução para o desiderato da
Há inúmeras decisões que reputam não ser a transação penal um direito subjetivo do réu; ou seja,
caso o Ministério Público não ofereça proposta, não há como o juiz interferir na decisão, pois se trata de
discricionariedade do Parquet.
Sendo aceita a transação penal, o acordo vai para o juiz, que poderá homologá-lo (cabendo recurso de
apelação dessa decisão), ou não, “caso entenda ausentes tais pressupostos ou inadequados os termos e
condições da proposta ao caso concreto (art. 76, § 3.º). Se, aceita a proposta pelo autor do fato, for ela
homologada pelo juiz, este aplicará a pena restritiva ou a multa estabelecidas na transação. Note-se que o
pronunciamento judicial quanto à homologação ou não do acordo deve ocorrer imediatamente após o
oferecimento da proposta, sendo defeso ao juiz condicionar a homologação do acordo ao seu efetivo
cumprimento.”13
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Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Importa referir que a sentença homologatória de transação penal não faz coisa julgada material, de
modo que, se não cumprida a pena restritiva de direitos ou paga a multa imposta, o processo poderá seguir seu
curso, se assim reputar necessário o Ministério Público. Lembre-se do teor da súmula vinculante nº 35, do
Súmula vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa
julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério
policial.
🚨 JÁ CAIU
Na prova de promotor de justiça do MPE-TO (Ano: 2022 Banca: CESPE/ CEBRASPE) foi considerada correta a
seguinte afirmação: De acordo com a jurisprudência majoritária e atual do STF, a homologação da transação
penal prevista na Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais nº 9.099/1995 não faz coisa julgada material.
Ainda, vejamos o seguinte julgado, proferido em meados de 2015, mas ainda válido:
extrapenais previstas no art. 91 do Código Penal são decorrentes de sentença condenatória. Tal não ocorre,
portanto, quando há transação penal, cuja sentença tem natureza meramente homologatória, sem qualquer
juízo sobre a responsabilidade criminal do aceitante. As consequências geradas pela transação penal são
essencialmente aquelas estipuladas por modo consensual no respectivo instrumento de acordo. STF. Plenário.
A transação penal não implica em reincidência, bem como não constará na folha de antecedentes
criminais do acusado. Será anotada somente para fins de consulta interna do Poder Judiciário, tendo em vista
que tal medida alternativa à prisão pode ser concedida uma vez a cada 05 anos. Desse modo, caso o autor do
fato venha a praticar outro crime de competência dos Juizados Especiais Criminais dentro desse lapso temporal,
não poderá se valer da transação penal. E, com isso, passamos à análise do próximo instituto de Direito Penal
14
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Em caso de transação penal, não se aplicam os efeitos do art. 91 do CP. Buscador Dizer o Direito, Manaus.
Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/75b9b6dc7fe44437c6e0a69fd863dbab>.
17
CONSEQUÊNCIAS DA ACEITAÇÃO DA TRANSAÇÃO PENAL - RESUMO
■ Não implica assunção de culpa porque não se discute se há ou não crime ou autoria;
■ Não gera efeitos civis – cabe ao interessado propor ação no juízo civil caso queira reparação.
Nas hipóteses em que a transação penal não foi aceita ou não homologada, assim como quando ela
não é cabível, “estabelece o art. 89 da Lei 9.099/1995 que, se a pena mínima cominada ao crime for igual ou
inferior a um ano, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por
dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro
crime, presentes os demais requisitos que autorizam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código
2. O autor do fato não pode estar sendo processado por outro crime (contravenção penal não
3. O acusado não pode ter sido condenado por outro crime - da mesma forma que no requisito
anterior, prevalece que a condenação por contravenção penal não resulta neste óbice;
4. Estejam presentes os requisitos dispostos no art. 77, do Código Penal, que tratam da
suspensão condicional da pena. São eles: (i) o condenado não seja reincidente em crime doloso;
cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código (pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos).
“Na concepção dos Tribunais Superiores, a proposta de suspensão condicional do processo não é,
propriamente, um direito subjetivo do acusado, mas, sim, um poder-dever inerente ao Ministério Público, a ser
exercido quando presentes os pressupostos legais. Compreendendo não ser hipótese que autorize o benefício,
impõe-se ao Ministério Público aduzir em manifestação acostada à denúncia quais são os fundamentos deste
seu entendimento.”16
Ainda, vide a súmula 337 do STJ, que aventa outra hipótese de cabimento do instituto:
15
Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Avena, Norberto. Processo Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (14th edição). Grupo GEN, 2022.
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Súmula nº 337, STJ: É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na
Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia,
poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes condições (além de
outras que podem ser impostas pelo juiz, contanto que compatíveis com o fato e com a situação pessoal do
acusado):
atividades.
Se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser Se o acusado vier a ser processado, no curso do
processado por outro crime ou não efetuar, sem prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer
Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade, o que significa que a decisão
proferida terá natureza meramente declaratória, sendo considerada cumprida a suspensão condicional do
processo no momento do implemento de seus requisitos. Importante destacar também que, durante o período
em que o processo estiver suspenso, não correrá a prescrição penal. Caso o acusado não aceite as condições da
🚨 JÁ CAIU
Na prova de promotor de justiça do MPE-MG (Ano: 2022 Banca: FUNDEP) foi considerada correta a seguinte
afirmação: Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidos ou não pela
Lei nº 9.099/95, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois
a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro
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5. PROCEDIMENTO
“O art. 69 da Lei n. 9.099/95, visando dar maior celeridade ao procedimento investigatório, dispensou
a instauração do inquérito policial para apurar as infrações de menor potencial ofensivo. Em seu lugar foi
instituído o termo circunstanciado que a autoridade policial deve lavrar assim que tomar conhecimento da
ocorrência do ilícito penal. A finalidade do termo circunstanciado é a mesma do inquérito policial, mas realizado
Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o
encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos
Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao
juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, NÃO SE IMPORÁ PRISÃO EM FLAGRANTE, NEM
SE EXIGIRÁ FIANÇA. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu
que fundamenta a Ação Penal, deverá apontar, no mínimo, as circunstâncias do fato criminoso e os elementos
b. a qualificação da vítima;
e. os exames que foram requisitados (não é necessário o resultado dos exames, mas tão somente
que conste quais foram requisitados); nos crimes de lesões corporais deverá constar ao menos
um boletim médico acerca das lesões (art. 77, § 1º, da Lei n. 9.099/95);
Ainda, poderá a Autoridade Policial acrescentar outros dados que entender pertinentes à elucidação
do fato. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal entendeu pela possibilidade da lavratura do termo
circunstanciado ser realizada por policiais militares e bombeiros militares, não sendo somente prerrogativa da
17
Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
18
Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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Lei estadual pode autorizar que policiais militares e bombeiros militares lavrem TCO - É constitucional
norma estadual que prevê a possibilidade da lavratura de termos circunstanciados pela Polícia Militar e pelo
Corpo de Bombeiros Militar. O art. 69 da Lei dos Juizados Especiais, ao dispor que “a autoridade policial que
tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado” não se refere exclusivamente à polícia
instrumento legal que se limita a constatar a ocorrência de crimes de menor potencial ofensivo, motivo pelo
qual não configura atividade investigativa e, por via de consequência, não se revela como função privativa de
polícia judiciária. STF. Plenário. ADI 5637/MG, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/3/2022 (Info 1046).19
A parte final do art. 69, da Lei nº 9.099/95, determina que, uma vez finalizada a lavratura do termo
circunstanciado, autor do fato e vítima devem ser encaminhados ao Juizado Especial Criminal para imediata
realização de audiência preliminar, perante autoridade do Poder Judiciário. Porém, essa celeridade nem sempre
é possível, de modo que quando não se der esse encaminhamento imediato, os autos do termo circunstanciado
serão enviados à Secretaria do Juizado, que se encarregará de expedir intimação às partes da mencionada
audiência. Nesta oportunidade, o mandado de intimação para o autor da infração deverá conter a anotação da
O art. 72, da Lei dos Juizados Especiais, traz um rol de pessoas que devem estar presentes para a
Art. 72. Na audiência preliminar, presente o representante do Ministério Público, o autor do fato e a
vítima e, se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre a
possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não
privativa de liberdade.
representação do ofendido ou Ação Penal Privada, o magistrado (ou o conciliador, sob a supervisão do
primeiro), iniciará os trabalhos esclarecendo sobre a possibilidade da composição civil de danos, bem como de
seus benefícios. Efetivada a composição, esta será homologada pelo juízo, em sentença irrecorrível, e consistirá
Caso não seja possível a composição civil dos danos, se o autor da infração não tiver comparecido à
audiência, se não estiverem presentes os requisitos da proposta de transação ou se o autor do delito tiver
recusado a proposta apresentada, o Ministério Público deverá oferecer denúncia oral, prosseguindo-se na
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Lei estadual pode autorizar que policiais militares e bombeiros militares lavrem TCO. Buscador Dizer o Direito,
Manaus. Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/3799b2e805a7fa8b076fc020574a73b2>.
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instrução criminal de acordo com o rito sumaríssimo, previsto nos arts. 77 e seguintes da lei.20
É importante destacar que, nas Ações Penais Públicas Incondicionadas, o implemento de acordo
quanto à composição dos danos civis não retira a possibilidade do prosseguimento da Ação Penal, com o
oferecimento da transação penal pelo Ministério Público ou o seguimento do feito nos trâmites legais. No
entanto, nas Ações Penais Privadas, se vítima e autor do fato chegaram a um consenso indenizatório, haverá
renúncia, por parte da vítima, ao direito de representação, com a consequente extinção da punibilidade do
agente. “Se forem dois os autores do crime e apenas um deles se compuser com a vítima quanto aos danos
provocados, apenas em relação a ele haverá a renúncia ao direito de representação. Não se aplica, nessa
hipótese, a regra do art. 49 do Código de Processo Penal, que estabelece que a renúncia em relação a um dos
“Ressalte-se, ainda, que, nos termos da lei, é a homologação do acordo de composição civil que gera a extinção
da punibilidade do autor da infração, e não seu efetivo cumprimento. Assim, se o autor da infração,
posteriormente, não honrar o acordo, nada mais poderá ser feito em matéria criminal, restando à vítima
executá-lo na esfera cível, uma vez que o art. 74, caput, da Lei n. 9.099/95 lhe confere eficácia de título
executivo judicial.
Por outro lado, se resultar infrutífera a tentativa de composição dos danos civis ou se não houver dano a ser
indenizado, o procedimento terá andamento, estabelecendo o art. 75, caput, da Lei n. 9.099/95 que a vítima ou
seu representante legal poderá exercer o direito de representação oralmente na própria audiência. Se isso for
feito, a representação será reduzida a termo e assinada pela vítima, dando-se prosseguimento ao rito, com a
verificação da possibilidade de transação criminal entre o Ministério Público e o autor da infração. Entretanto,
se a vítima disser que não quer representar, há renúncia expressa ao direito de representação, restando
De outro lado, se a vítima estiver na dúvida quanto ao interesse em oferecer a representação, poderá optar
por não o fazer de imediato na audiência, sem que isso implique decadência ou renúncia de seu direito, desde
que o exerça posteriormente no prazo de 6 meses a contar da data em que descobriu a autoria do crime,
conforme preceitua o art. 75, parágrafo único, da Lei n. 9.099/95, combinado com o art. 38 do Código de
Processo Penal.
Sendo oferecida a representação, o Ministério Público deverá analisar o termo circunstanciado. Não havendo
indícios suficientes de autoria ou materialidade, promoverá o arquivamento do feito. Havendo indícios, antes
restritiva de direitos (transação). Feita a proposta e sendo ela aceita pelo autor da infração, seguida de
homologação judicial, será imposta a pena avençada, que, uma vez cumprida, implicará a sua extinção. Por
outro lado, se o autor da infração não fizer jus à transação, se não estiver presente na audiência ou se não
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Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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aceitar os termos da proposta feita, o Ministério Público oferecerá denúncia oral, que será reduzida a termo,
prosseguindo-se com o rito sumaríssimo, nos termos dos arts. 77 e seguintes da Lei n. 9.099/95.”
O rito sumaríssimo, disposto nos artigos 77 a 81, da Lei nº 9.099/95, só terá vez quando a transação
penal (i) não for aceita, (ii) não tenha sido possível, dado o não comparecimento do autor do fato na audiência
de conciliação ou (iii) este não aceitar os termos propostos pelo Ministério Público. Nestas hipóteses, a lei
determina que o Parquet apresente imediatamente a denúncia oral, exceto se houver necessidade de realização
de outras diligências consideradas indispensáveis. No que diz respeito à Ação Privada, se a vítima assim o
desejar, poderá fazê-lo de modo escrito, dentro do prazo decadencial que lhe cabe (seis meses).
⚠️ ATENÇÃO
Em nome dos princípios da celeridade, simplicidade e informalidade, nos crimes não transeuntes, o
corpo de delito pode ser substituído pelo boletim médico ou prova equivalente, a fim de comprovar a
materialidade.
Quando oferecida a denúncia ou queixa (nomenclatura utilizada para a peça inicial na Ação Penal
Privada) de modo oral em audiência, após sua redução a termo, o autor do fato receberá sua cópia, sendo que
neste ato considerar-se-á automaticamente citado. Ainda, as partes também já sairão intimadas para
Quanto à comunicação dos atos às partes, vide o art. 67, da lei de regência:
Art. 67. A intimação far-se-á por correspondência, com aviso de recebimento pessoal ou, tratando-se de
pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, que será obrigatoriamente
identificado, ou, sendo necessário, por oficial de justiça, independentemente de mandado ou carta
Parágrafo único. Dos atos praticados em audiência considerar-se-ão desde logo cientes as partes, os
interessados e defensores.
Art. 68. Do ato de intimação do autor do fato e do mandado de citação do acusado, constará a necessidade de
seu comparecimento acompanhado de advogado, com a advertência de que, na sua falta, ser-lhe-á designado
defensor público.
Defensor em audiência dos atos que nela forem praticados. Mas este regramento afasta a prerrogativa de
23
que prevaleçam os princípios da celeridade e informalidade; b) caráter
argumentos:
local adequado para tratar das prerrogativas de seus membros e não a Lei
1º, da CRFB);
(c) por fim, não há previsão expressa na 9099/95 que afaste as prerrogativas da
Defensoria Pública.
Prosseguindo, caso o autor do fato não tenha comparecido à audiência preliminar, sua citação se dará
de forma presencial, através de mandado. Neste documento, também deverá constar a advertência da
necessidade de comparecimento junto com advogado ou, na ausência deste, da designação de um defensor
público para acompanhamento do ato. “Caso seja feita a citação, o procedimento terá prosseguimento no
Juizado. Porém, se o autor da infração não for localizado para citação pessoal, o procedimento será enviado à
justiça criminal comum, para a adoção do rito sumário, nos termos do art. 66, parágrafo único, da lei, uma vez
que é incabível a citação por edital no Juizado. A atual redação do art. 538 do CPP expressamente dispõe que
Em caso de localização do autor do fato, bem como na hipótese das partes comparecerem para a
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Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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audiência de instrução e julgamento, o magistrado iniciará o ato tentando novamente a conciliação entre as
partes, tendo em vista que este é o principal objetivo do Juizado Especial. Sendo inexitosa, o juiz declarará
aberta a audiência de instrução, passando imediatamente a palavra à defesa, que, via de regra, responderá
Feitas a resposta à acusação, o juiz decidirá pelo recebimento ou não recebimento da denúncia. Nesta
última hipótese, caberá recurso de apelação para as Turmas Recursais, no prazo de 10 dias. Em caso de
recebimento da inicial acusatória, o feito prosseguirá, com a oitiva das pessoas, nesta ordem:
1. Vítima;
2. Testemunhas de acusação;
3. Testemunhas de defesa;
4. Réu.
🚨 JÁ CAIU
Na prova de promotor de justiça do MPE-PR (Ano: 2021 Banca: MPE-PR) foi considerada correta a seguinte
afirmação: Da rejeição da denúncia no processo sumaríssimo previsto na Lei 9.099/1995 cabe apelação.
No que diz respeito às testemunhas, as partes deverão depositar em cartório o rol daquelas que
pretendem inquirir com, no mínimo, 05 dias de antecedência. O legislador não especificou quantas
testemunhas podem ser ouvidas no âmbito criminal dos Juizados Especiais, de modo que a doutrina está com
seu entendimento dividido: uma corrente entende ser possível a inquirição de 3 testemunhas por cada parte,
ao passo que outra corrente entende que podem ser ouvidas até 05 testemunhas.
Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.” (art. 81, §1º). No ano de
2021, a Lei nº 14.245 introduziu na Lei nº 9.099/95 importante regra de tratamento, postura que deve ser
adotada em audiência por todas as partes, especialmente no trato com a vítima. Vejamos:
Art. 81. § 1º-A. Durante a audiência, todas as partes e demais sujeitos processuais presentes no ato
deverão respeitar a dignidade da vítima, sob pena de responsabilização civil, penal e administrativa,
cabendo ao juiz garantir o cumprimento do disposto neste artigo, vedadas: (LEI 14245/21)
I - a manifestação sobre circunstâncias ou elementos alheios aos fatos objeto de apuração nos autos;
(LEI 14245/21)
espécie de alegações finais, oportunidade em que as partes podem repisar seus argumentos e buscam
convencer o magistrado de que tem razão, pugnando pela procedência ou improcedência da denúncia/queixa
25
crime. Tempo: 20 minutos para cada (acusação e defesa), acrescidos de 10 minutos, se necessário.
Encerrada a instrução e respeitando o princípio da oralidade, a Lei determina que a sentença também
seja proferida no ato, de modo oral, da qual as partes já sairão intimadas ao final. Dispensado o relatório, o
decisum mencionará os elementos de convicção do Juiz. De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo,
assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a
sentença.
Primeiramente, se a parte entender que a sentença conter vício, poderá, ainda em audiência e de
modo oral, opor embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Caso queira opor o
recurso de forma escrita, terá o prazo de 05 dias para tanto, a contar da intimação da sentença.
Todavia, caso as partes queiram se opor diretamente contra as razões de fundo do julgado, da
decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá ser julgada por turma
composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. A apelação
será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu
defensor, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente. Apresentada a apelação, o
recorrido também será intimado para, no prazo de dez dias, apresentar sua resposta.
Ainda, “apesar de a Lei n. 9.099/95 somente fazer menção aos recursos de apelação e embargos de
declaração, não fica excluída a possibilidade do recurso em sentido estrito, uma vez que o Código de Processo
Penal se aplica subsidiariamente à legislação especial. Ex.: contra a decisão que reconhecer a prescrição de
Também é permitido no âmbito dos Juizados Especiais Criminais, o manejo de habeas corpus,
mandado de segurança e revisão criminal, eis que são instrumentos oriundos diretamente da Constituição
Federal. Para tanto, basta estarem presentes os seus requisitos, tal qual estudados na série de Resumo
Destacados de Direito Processual Penal. Neste sentido, destacamos julgado do Superior Tribunal de Justiça que,
apesar de ser do ano de 2013, seu entendimento ainda persiste como válido:
Compete aos Tribunais de Justiça ou aos Tribunais Regionais Federais o julgamento dos pedidos de
habeas corpus quando a autoridade coatora for Turma Recursal dos Juizados Especiais - À Turma
Recursal compete rever decisão proferida no âmbito do Juizado Especial, inclusive quanto à alegada
pretensão punitiva. STJ. 6ª Turma. HC 218.040/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 04/06/2013.25
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Gonçalves, Victor Eduardo, R. e Alexandre Cebrian Araújo Reis. Esquematizado - Direito Processual Penal. Disponível em: Minha Biblioteca, (11th
edição). Editora Saraiva, 2022.
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CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete aos Tribunais de Justiça ou aos Tribunais Regionais Federais o julgamento dos pedidos de habeas corpus
quando a autoridade coatora for Turma Recursal dos Juizados Especiais. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/af014918c07f6d322fd757f24de6858a>.
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Indo adiante, já referimos que o Colégio Recursal dos Juizados Especiais será composto por de três
Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. Nos Juizados Especiais
Criminais Federais, as Turmas Recursais serão instituídas por decisão do Tribunal Regional Federal, que definirá
sua composição e área de competência, podendo abranger mais de uma seção (art. 21, da Lei nº 10.259/2001).
As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa. Se a sentença for confirmada pelos
Por fim, tal qual se dá no Juizado Especial Cível, é inadmissível a interposição de Recurso Especial
contra o acórdão proferido pela Turma Recursal, uma vez que a Constituição Federal exige que o julgado em
segunda instância seja proferido por Tribunal (e a Turma Recursal é composta por juízes com jurisdição no
primeiro grau). Porém, admitido o Recurso Extraordinário, nos termos da Súmula 640, do STF:
Súmula 640, STF: É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas
5.3.3. EXECUÇÃO
No que diz respeito à pena de multa, quando esta for aplicada de modo exclusivo, seu cumprimento
far-se-á mediante pagamento na Secretaria do Juizado. Uma vez realizado, o Juiz declarará extinta a
punibilidade, determinando que a condenação não fique constando dos registros criminais, exceto para fins de
requisição judicial. Porém, não sendo efetuado, será feita a conversão em pena privativa da liberdade, ou
Quando a pena aplicada for privativa de liberdade e restritiva de direitos, ou de multa cumulada com
estas, será processada perante o órgão competente, nos termos da lei. Desta forma, a matéria é regulada pela
legislação local, mas podemos concluir que não será da competência dos Juizados a execução nestas hipóteses.
Para finalizar, tal qual fizemos quando estudamos os Juizados Especiais Cíveis, traremos abaixo as
teses consolidadas pelo Superior Tribunal de Justiça em duas edições distintas do seu “Jurisprudência em Teses”
6.1. EDIÇÃO 96
os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, não alterou o requisito objetivo exigido
para a concessão da suspensão condicional do processo prevista no art. 89 da Lei n. 9.099/95, que continua
27
sendo aplicado apenas aos crimes cuja pena mínima não seja superior a 1 (um) ano.
2) É cabível a suspensão condicional do processo e a transação penal aos delitos que preveem a pena
de multa alternativamente à privativa de liberdade, ainda que o preceito secundário da norma legal ultrapasse
os parâmetros mínimo e máximo exigidos em lei para a incidência dos institutos em comento.
3) A suspensão condicional do processo não é direito subjetivo do acusado, mas sim um poder-dever
do Ministério Público, titular da ação penal, a quem cabe, com exclusividade, analisar a possibilidade de
processo, o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde que referente a fato
ocorrido durante sua vigência. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73 - TEMA 920)
concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo
somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano. (Súmula n. 243/STJ)
operada em processo anterior, não pode ser valorada em seu desfavor como maus antecedentes,
9) É constitucional o art. 90-A da Lei n. 9.099/95, que veda a aplicação desta aos crimes militares.
10) Na hipótese de apuração de delitos de menor potencial ofensivo, deve-se considerar a soma das
penas máximas em abstrato em concurso material, ou, ainda, a devida exasperação, no caso de crime
continuado ou de concurso formal, e ao se verificar que o resultado da adição é superior a dois anos, afasta-se
11) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/06, é
de menor potencial ofensivo, o que determina a competência do juizado especial estadual, já que ele não está
previsto em tratado internacional e o art. 70 da Lei n. 11.343/06 não o inclui dentre os que devem ser julgados
12) A conduta prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/06 admite tanto a transação penal quanto a
6.2. EDIÇÃO 93
1) Compete aos Tribunais de Justiça ou aos Tribunais Regionais Federais o julgamento dos pedidos de
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habeas corpus quando a autoridade coatora for Turma Recursal dos Juizados Especiais.
2) A aceitação pelo paciente do benefício da suspensão condicional do processo, nos termos do art. 89
da Lei n. 9.099/95, não inviabiliza a impetração de habeas corpus nem prejudica seu exame, tendo em vista a
possibilidade de se retomar o curso da ação penal caso as condições impostas sejam descumpridas.
3) No âmbito dos Juizados Especiais Criminais, não se exige a intimação pessoal do defensor público,
4) Não há óbice a que se estabeleçam, no prudente uso da faculdade judicial disposta no art. 89, § 2º,
da Lei n. 9.099/1995, obrigações equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais (tais como a
prestação de serviços comunitários ou a prestação pecuniária), mas que, para os fins do sursis processual, se
apresentam tão somente como condições para sua incidência. (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/73
TEMA 930)
5) A perda do valor da fiança constitui legítima condição do sursis processual, nos termos do art. 89, §
7) A transação penal não tem natureza jurídica de condenação criminal, não gera efeitos para fins de
reincidência e maus antecedentes e, por se tratar de submissão voluntária à sanção penal, não significa
8) A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei n. 9.099/1995 não faz coisa julgada
material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a
9) O prazo de 5 (cinco) anos para a concessão de nova transação penal, previsto no art. 76, § 2º, inciso
11) Nos casos de aplicação da Súmula n. 337/STJ, os autos devem ser encaminhados ao Ministério
Público para que se manifeste sobre a possibilidade de suspensão condicional do processo ou de transação
penal.
29