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Processos Fermentativos em Alimentos

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Aula 9 01 Processos enzimáticos e fermentativos (descontínuos

e contínuos).

O que você vai aprender hoje:


1. INTRODUÇÃO

- Muitos alimentos devem sua produção e suas


características às atividades fermentativas dos
microrganismos;
- Produtos como queijos maturados, chucrutes,
linguiça fermentada – vida de prateleira maior que
a matéria–prima da qual eles foram feitos;
- Alimentos fermentados possuem aroma e sabor
característicos que resultam direta ou
indiretamente dos organismos fermentadores.
1. INTRODUÇÃO

- Microrganismos
• decompositores de alimentos;
• fermentação de alimentos e bebidas.
- Vinho e vinagre – 10.000 AC;
- Cerveja – 5.000 – 6.000 AC - Egito;
- Pão – 4.000 – 7.000 AC – Egito;
- Queijo e leite fermentado – 5.000 AC;
- Soja fermentada – 3.000 AC – China.
1. INTRODUÇÃO

Importância dos processos fermentativos na indústria


de alimentos:
Produtos Microrganismos
Queijo Bactérias e fungos
Iogurtes Bactérias láticas
Manteiga Bactérias láticas
Bebidas Leveduras e fungos
Produtos de Panificação Leveduras
Picles, azeitonas e chucrutes Bactérias lácteas
Carnes fermentadas Bactérias láticas
Vinagre Bactérias acéticas
Aromas Fungos
Proteínas unicelulares Fungos, leveduras e bactérias
Soja fermentada Fungos, leveduras e bactérias
1. INTRODUÇÃO

Importância dos processos fermentativos na indústria


química, farmacêutica e na agricultura:

- Etanol: químico, doméstico, carburante;


- Ácidos orgânicos: cítrico, lático, acéticonetc.;
- Solvente: acetona, butanol etc.;
- Enzimas: amilases, proteases, lipases,
pectinases, lactase, entre outras;

- Vitaminas: ergosterol, ácido ascórbico etc.;


- Antibióticos: penicilina;
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Meio de cultura
Microrganismo Matérias-primas selecionado
selecionado

Esterilização

Preparo do
inóculo

Preparo do Separação das


inóculo: etapa células
industrial
Caldo
fermentado
Ar
Biorreator
Esterilização industrial Recuperação
Compressor do produto
do ar

Produto Tratamento
de efluentes
2. PROCESSO FERMENTATIVO

O sucesso de um dado processo fermentativo


depende principalmente de:

 microrganismo;
 meio de cultura;
 forma de condução do processo
fermentativo;

 etapas de recuperação do produto.


2. PROCESSO FERMENTATIVO

Microrganismo

Os microrganismos de interesse industrial podem


ser obtidos basicamente das seguintes formas:

 Isolamento a partir de recursos naturais:


 Muito trabalho experimental;
 Custo elevado;
 Descoberta de novos produtos.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Microrganismo

 Compra em coleções de cultura:

 Existência de muitas coleções de cultura em


vários países;

 Pode-se citar: Agricultural Research Service


Culture Collection (EUA) – NRRL Culture
Collection (http:/[Link]) –
Coleção de culturas tropical
(http´:/[Link]).
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Microrganismo

 Obtenção de mutantes naturais:


 Surgimento de mutantes naturais na
proliferação de células;
 Não são interessantes no que tange ao
processo fermentativo, mas podem gerar
linhagens de interesse;
 Sua obtenção pode demandar muito tempo.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Microrganismo

* Obtenção de mutantes induzidos por técnicas


convencionais:

 Suspensões de células ou esporos a


radiações ultravioleta ou a substâncias
químicas mutagênicas.

* Obtenção de microrganismos recombinantes


por técnicas de engenharia genética.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Elevada eficiência na conversão do substrato


em produto:

 matérias-primas incidem significativamente


nos custos de produção – 38 a 73% do custo
total (fonte orgânica de carbono).
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Permitir o acúmulo do produto no meio, de


forma a se ter elevada concentração do produto
no caldo fermentado:
 Sem sofrer inibição pelo acúmulo – custos
de recuperação;
 Fermentação alcoólica – inibição da
levedura em torno de 8 a 10 % (em volume)
em etanol.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Não produzir substâncias incompatíveis com o


produto:
 Produção de glicosidase – alguns
microrganismos também produzem a
transglicosidase;

 Desinteresse pelo processo produtivo;


 Dificuldade na recuperação do produto.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Apresentar estabilidade quanto ao


comportamento fisiológico:
 Conhecimento de suas técnicas de
conservação;
 Manutenção da sua produção durante todas
as etapas do processo fermentativo;
 Células que privilegiem o crescimento em
detrimento do acúmulo de produto.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Não ser patogênico;


 Manipulação sem riscos ambientais,
principalmente no término do processo
fermentativo;
 Cultivos de patogênicos exigem cuidados
adicionais (câmaras assépticas).
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Não exigir condições de processo muito


complexas:
 Economicidade de produção;
 Microrganismo apresente uma faixa de
valores ótimos para produção do produto e
não valores pontuais;
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Não exigir condições de processo muito


complexas:
 Microrganismos que apresentem bom
desempenho em pequenas concentrações de
oxigênio dissolvido;
 Microrganismos que excretem proteínas –
formação de espuma (aumento nos custos de
produção – antiespumante).
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Não exigir meios de cultura dispendiosos:


 economia do processo produtivo;
 estudo e conhecimento das necessidades
nutricionais de um determinado
microrganismo;
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de microrganismos para


aplicação industrial

 Permitir a rápida liberação do produto para o


meio:
 sem inibição pela retenção do produto;
separação do microrganismo (centrifugação
ou filtração);
As condições de cultivo podem interferir na
excreção de um determinado produto – ex:
pH na excreção de glicoamilase.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

 Ser o mais barato possível:


 desde que atenda as necessidades do
microrganismo.

 Atender às necessidades nutricionais do


microrganismo:
 permitir a obtenção do produto.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

Auxiliar no controle do processo – variações de


pH e formação de espuma:
 Utilizar componentes que auxiliem no
controle de pH (uréia);
 Fonte de carbono (glicose, sacarose,
frutose, polissacarídeos, etc.);
 Fonte de nitrogênio (NH4)2SO4, fonte de
fósforo e ainda outros elementos (Na, K,
Fe...)
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

Auxiliar no controle do processo – variações de


pH e formação de espuma:

 meios de composição definida ou sintéticos;


 os meios sintéticos são estáveis e evitam
problemas quanto a recuperação dos
produtos.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

Não provocar problemas de recuperação do


produto:

 utilizar meios de composição definida;


 utilização de extrato de carne, extrato de
malte e de levedura.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

Os componentes devem permitir algum tempo


de armazenagem, a fim de estarem disponíveis o
tempo todo:
 extratos de levedura, carne e peptona de
soja – composição variável ao longo do
tempo.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

 Ter composição razoavelmente fixa:


 matérias-primas naturais – cana-de-açúcar,
melaços, farinhas;
 composição química desconhecida e
variável (variedade, solo, safra, clima, etc.);
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Características desejáveis de meios de cultivo

Não causar dificuldades no tratamento final do


efluente:

 Apesar de serem mais baratas, as matérias-


primas naturais podem causar problemas
adicionais no tratamento de efluentes.
2. PROCESSO FERMENTATIVO

• Existem infinitas formas de se conduzir um reator,


dependendo das características próprias do
microrganismo, meio de cultivo, e dos objetivos
específicos do processo que se pretende executar.

• Serão abordadas as formas mais gerais,


entendendo tal estratégia permitirá as
particularizações que se fizerem necessárias:
2. PROCESSO FERMENTATIVO

• Descontínuo
com um inoculo por tanque;
com recirculação de células.
• Semicontínuos
sem recirculação de células;
com recirculação de células.
• Descontínuo alimentado
sem recirculação de células;
com recirculação de células.
• Contínuo
executado em um reator (com ou sem
recirculação de células);
executado em vários reatores (com ou sem
recirculação de células).
2. PROCESSO FERMENTATIVO

Descontínuo simples

• O principal problema desta forma de operar é decorrente de


fenômenos de inibição pelo substrato, produto, ou outros
metabólitos.

• Concentrações elevadas de substrato inibem o agente biológico.


Este efeito está relacionado, em células vivas, a fenômenos
osmóticos que resultam em plasmólise celular. As possíveis
razões para o fenômeno são a repressão na síntese de enzimas
e a desidratação dos sistemas enzimáticos, devida à perda de
água da célula ou à inibição do transporte de nutrientes para o
seu interior.

• É fato bem conhecido que a célula viva polui seu ambiente com
produtos do seu metabolismo até fazer cessar o crescimento e,
eventualmente, perder sua viabilidade, fenômeno conhecido
como inibição pelo produto.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Descontínuo com recirculação de célula

• Uma alternativa ao processo batelada simples é a


recirculação de células, ou seja, ao se encerrar a
batelada efetua-se a separação das células por
centrifugação ou mesmo sedimentação no interior do
próprio reator, enviando apenas o líquido fermentado
para a recuperação do produto. Com isso busca evitar o
preparo de um novo inoculo para cada batelada,
reduzindo custos e redução de tempo para a obtenção
de altas concentrações de célula no reator. Esse
processo é também conhecido como batelada repetida.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Contínuo

• No processo contínuo procura-se estabelecer um fluxo contínuo de líquido


através do reator, ou reatores dispostos em série.

• A operação de um sistema contínuo, constituído por vários reatores em


série, no qual a alimentação de um dado reator da série é o efluente do
reator anterior, visa o estabelecimento de diferentes condições nos vários
reatores da série.

• O reator contínuo permite o reciclo de células. O líquido bioprocessado,


efluente de um dado biorreator, pode ser submetido a um sistema de
separação dos microrganismos, os quais podem ser retornados ao volume
de reação, sendo líquido enviado para recuperação do produto.

• Em se tratando de reatores em série, essa operação pode ser efetuada em


qualquer reator da série, retornando-se o microrganismo para o
fermentador mais adequado.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Descontínuo alimentado (“fed batch”)

• É aquele no qual inicialmente se introduz o inoculo, ocupando uma fração do volume


útil da ordem de 10 a 20%, iniciando-se então a alimentação com o meio de cultura, a
uma vazão adequada, sem ocorrer a retirada de líquido processado.

• Essa operação prolonga-se até o preenchimento do volume útil do reator, quando


então inicia-se a retirada do caldo processado para a recuperação do produto. Pode-se
incluir a essas operações o reciclo de células a fim de se iniciar um novo período de
alimentação. A alimentação pode ser constante ou intermitente, com vazões
constantes ou não. Como também, pode-se variar a composição do meio de
alimentação.

• O processo descontínuo alimentado pode ser dividido em dois grupos, baseados no


fato de a adição de substrato ser ou não controlada por um mecanismo de
retroalimentação.

• No modo de operação com controle por retroalimentação, o fornecimento de


substrato pode ser controlado em função da concentração deste no meio (controle
direto) ou em função de outros parâmetros (controle indireto)´tais como densidade
óptica, pH, quociente respiratório, e outros.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Semicontínuo

• O sistema semicontínuo diferencia-se do descontínuo alimentado, pelo


fato de se retirar o líquido processado e se proceder o preenchimento
do reator a uma vazão muito elevada, de forma a imaginar que o reator
esteja sendo preenchido instantaneamente. Ao final do novo ciclo,
procede-se novamente à retirada de uma dada fração do volume, 30 a
60% e se preenche o reator instantaneamente. Na verdade, na prática,
para grandes volumes esse preenchimento contínuo não ocorre,
recaindo no no reator descontínuo alimentado. De qualquer forma,
trata-se de uma técnica distinta, na qual está embutida a idéia a
operação por choques de carga de substrato.

• Há a possibilidade de uso de misturas de conceito (descontínuo,


contínuo, descontínuo alimentado), a fim de se conseguir o máximo de
desempenho do reator.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Semicontínuo

• O sistema semicontínuo diferencia-se do descontínuo alimentado, pelo


fato de se retirar o líquido processado e se proceder o preenchimento
do reator a uma vazão muito elevada, de forma a imaginar que o reator
esteja sendo preenchido instantaneamente. Ao final do novo ciclo,
procede-se novamente à retirada de uma dada fração do volume, 30 a
60% e se preenche o reator instantaneamente. Na verdade, na prática,
para grandes volumes esse preenchimento contínuo não ocorre,
recaindo no no reator descontínuo alimentado. De qualquer forma,
trata-se de uma técnica distinta, na qual está embutida a idéia a
operação por choques de carga de substrato.

• Há a possibilidade de uso de misturas de conceito (descontínuo,


contínuo, descontínuo alimentado), a fim de se conseguir o máximo de
desempenho do reator.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Vantagens e desvantagens do processo contínuo em relação
ao processo descontínuo

As principais vantagens apresentadas pelo processo contínuo,


em relação ao descontínuo, tradicional, são decorrentes da operação em
estado estacionário, podendo- se destacar:

• aumento da produtividade do processo, em virtude de uma redução


dos tempos mortos ou não produtivos;
• obtenção de caldo bioprocessado uniforme, o que facilita o projeto das
operações unitárias de recuperação e purificação do produto de interesse
(downstream);
• manutenção das células em um mesmo estado fisiológico;
• possibilidade de associação com outras operações contínuas na linha
de produção;
• maior facilidade no emprego de controles avançados;
• menor necessidade de mão de obra.
2. PROCESSO FERMENTATIVO
Vantagens e desvantagens do processo contínuo em relação
ao processo descontínuo

Entretanto, ao lado das inúmeras vantagens apontadas, o


processo contínuo apresenta também algumas desvantagens ou
problemas práticos como por exemplo:

• maior investimento fixo na planta;


• possibilidade de ocorrência de mutação genética espontânea,
resultando da seleção de mutantes menos produtivos;
• maior possibilidade de ocorrência de contaminação, por se tratar de um
sistema essencialmente aberto, necessitando de manutenção de
condições de assepsia nos sistemas de alimentação e retirada de meio;
• dificuldade de manutenção de homogeneidade no reator, quando se
trabalha com baixas vazões, ou quando o caldo adquire comportamento
pseudoplástico, como é o caso do cultivo de fungos filamentosos;
• dificuldade de operação em estado estacionário em determinadas
situações (formação de espuma, crescimento do microrganismo nas
paredes de reator, ou ainda nos sistemas de entra e saída de líquido.

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