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Responsabilidade Afetiva

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Afinal, o que é responsabilidade afetiva?

Responsabilidade afetiva é assumir o seu papel quanto às expectativas criadas


em uma relação. Afinal de contas, não é certo estimular um relacionamento,
dizer que ama a outra pessoa e planejar um futuro com ela para, do dia para a
noite, decidir que quer terminar.

É natural que, a certa altura, alguém repense a relação e decida terminá-la.


Esse é um risco que todos correm — por mais que, no calor do momento,
possa se dizer que o desejo é de manter a pessoa por perto “para sempre”.

A responsabilidade afetiva é um ato que envolve conversas racionais entre


adultos que planejam uma vida a dois. É preciso respeitar as promessas feitas
nessas condições, o que foi construído pelo casal e as consequências que um
rompimento pode trazer.

Reciprocidade amorosa

Para facilitar seu entendimento, vou diferenciar esse conceito de reciprocidade


amorosa: ninguém é obrigado a retribuir os sentimentos de outra pessoa caso
não sinta o mesmo. No entanto, isso deve ser deixado claro desde o começo
— é um erro e uma irresponsabilidade levar a pessoa a acreditar que é amada
e desejada quando, na verdade, não é.

Responsabilidade emocional

Essencialmente, a responsabilidade emocional é um conceito mais amplo,


dentro do qual a responsabilidade afetiva está incluída. Enquanto a afetiva se
refere aos relacionamentos amorosos, a emocional tem a ver com todo tipo de
relacionamento e comportamento.

Ser emocionalmente responsável é entender como suas ações afetam os


sentimentos e o desenvolvimento das pessoas ao seu redor. É, por exemplo,
estar ciente de certos tópicos que são sensíveis para um grupo ou indivíduo e
evitá-los em uma conversa. Dessa forma, suas interações serão construtivas,
não destrutivas.
Como exercer a responsabilidade afetiva?

Como garantir que as partes envolvidas estão sendo, na prática, afetivamente


responsáveis? A seguir, apresento algumas dicas para ajudar a nutrir
um relacionamento saudável e a manter o casal em sintonia.

Alinhe as expectativas

Sentimentos podem ser confusos e levar as pessoas a dizerem, pensarem e


fazerem coisas que nem sempre refletem a realidade. Ainda assim, no calor da
paixão, é preciso parar por um momento e pensar racionalmente: o que eu
espero dessa relação?

A partir dessa definição, também é bom questionar o mesmo ao outro: o que


você espera da relação? Esse alinhamento de expectativas fará com que
o namoro, casamento ou outro tipo de relacionamento caminhe sempre na
mesma direção.

Seja transparente sobre os sentimentos

E se o outro disser que não quer firmar um compromisso sério, mas esse for o
meu desejo? Devo dizer a verdade ou levar a relação adiante da forma como
conseguir? O ideal é sempre ser transparente acerca dos sentimentos. Ao se
constatar que as expectativas são diferentes, é necessário parar e refletir: será
que vale a pena seguir com essa relação?

Tenha comprometimento e empatia

A partir do momento em que as expectativas estão alinhadas e o casal decidiu


ficar junto — seja qual for o tipo de acordo feito entre ambos —, deve haver
comprometimento com o que foi combinado. Nada é pior do que ver a quebra
da confiança no relacionamento e os laços sendo rompidos. Psicologicamente,
o abalo pode ser significativo.

Da mesma forma, você não quer ser a pessoa responsável pela infelicidade da
outra. É aí que entra a empatia, mais um aspecto fundamental de uma boa
relação. Coloque-se no lugar do outro e dê a ele o tratamento que gostaria de
receber.
Pratique o autoconhecimento

Muitas das atitudes mais destrutivas em um relacionamento não ocorrem por


malícia, mas sim quando uma das partes não entende os próprios sentimentos,
o que a impede de agir de maneira mais clara e sincera. É muito mais difícil
lidar com emoções que não estão bem esclarecidas.

Então, se você tem dificuldades para agir com responsabilidade afetiva num
relacionamento, um bom caminho é tentar refletir sobre os próprios
sentimentos. Com isso, você entenderá mais a fundo o que está causando
seus impulsos e comportamentos. Só assim poderá lidar com eles e mudar
para melhor.

Aprenda a se expressar com clareza

Claro, não adianta muito ter todos os seus sentimentos bem esclarecidos por
dentro se você não consegue botá-los para fora. Como que alguém vai te
compreender sem que você coloque suas ideias e emoções em palavras? Se
fosse possível ler mentes com clareza, a maior parte dos problemas de
relacionamentos não existiria.

Aprender a expressar sentimentos é como aprender uma língua nova. Além de


autoconhecimento, você precisa conhecer as palavras certas para isso, o que
requer algum tempo para se elaborar. E, ainda por cima, é necessário praticar
para conseguir um bom nível de clareza. Quanto antes você começar, mais
fácil vai ficar.

Fique de olho nas suas expectativas

No começo deste tópico, minha dica foi sobre alinhar expectativas, que você
precisa entender o que espera desse relacionamento para poder transmitir à
outra pessoa. E eu mantenho tudo isso! Mas também é importante dizer que há
um passo a mais depois disso: entender se suas expectativas são realistas.

Não faltam exemplos de relacionamento em que um ou outro espera algo que


não pode ser oferecido, seja por ir contra as expectativas do parceiro ou
parceira, seja por simplesmente estar fora da realidade. Há um ponto em que a
expectativa se torna uma fantasia, completamente irreal.
O que fazer se você tem expectativas demais? Aí você ficará diante de uma
decisão: manter suas expectativas e esperar por alguém para correspondê-las;
ou mudá-las, encontrando um meio-termo que satisfaça a ambos.

Como evitar o individualismo excessivo nesse


processo?

Em qualquer relacionamento, um dos maiores inimigos da responsabilidade


afetiva é o excesso de individualismo. Você deve deixar de ser uma pessoa
única por um relacionamento? Certamente não! Porém, há uma linha que
separa a individualidade do egoísmo.

Ter um relacionamento com uma pessoa segura de si e que sabe o que busca
pode ser reconfortante, mas é bom tomar cuidado para não se impor demais.
Todo relacionamento se mantém com base em acordos mútuos, em que um
abre mão de um pouco para que ambos possam ter mais.

Entendeu agora o que é responsabilidade afetiva e por que ela é tão


importante? Ter respeito pelas emoções das pessoas com quem nos
relacionamos é essencial não apenas para a felicidade alheia, mas também
para a nossa própria realização emocional.

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