Silva 2015
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br/revista
Rev. FSA, Teresina, v. 12, n. 2, art. 12, p. 191-207, Mar./Abr. 2015
ISSN Impresso: 1806-6356 ISSN Eletrônico: 2317-2983
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Family As Social Protection Agent And State Partner In Politics Social Assistance :
What Are The Limits Of Their Relationship ?
Avaliado pelo sistema Triple Review: a) Desk Review pela Editora-Chefe; e b) Double Blind
Review (avaliação cega por dois avaliadores da área).
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RESUMO
ABSTRACT
In the background of strengthening social policies with familial tendency, which reinforces
the sharing of responsibility between family and State when it comes to facing poverty and
vulnerabilities, this article discusses the central role of family in the Social Assistance Policy,
through the analysis of the Protection and Total Assistance to Family Service. It discusses the
background of discrepancy whose families are insert in the reduction of the State actions,
public cuts, social transformations, whose family is summoned to take charge of the social
protection of its members, through normatization with acusator and disciplinator character of
families' private life.
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1 INTRODUÇÃO
2 REFERENCIAL TEÓRICO
1
Pela magnitude e pelas determinações estruturais dos problemas sociais que se manifestam no cotidiano das
famílias, em especial, as famílias da classe trabalhadora. Embora esses problemas tenham fatores diversos,
entre eles os tipos de dinâmicas familiares, é impossível resolvê-los ou amenizá-los pela via da proteção social
primária. Antes, ao contrário, devem ser alvos de políticas sociais.
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2
Embora reconheça que a família perdeu a função de produção, desempenhada pelos mercados, as demais
funções (socializadora, educação, cuidados) foram relativizadas, pois passaram a ser divididas com o Estado, e
com sua burocracia especializada e qualificada, quando ele assume as funções de reprodução social do capital e
do trabalho. Por isso, é preferível dizer que com o Estado de Bem-Estar Social a família tornou-se parceira.
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fiscal e de desenvolvimento e, para reduzir seu aparato e suas funções, reafirma-se o papel da
família na proteção, na integração social e na inserção social, em que o Estado deve dividir
responsabilidades com a família, o mercado e a sociedade civil na operacionalização e no
fomento dessas garantias sociais (MIOTO, 2010).
Para Mioto (2010), no caso do Brasil, a família sempre esteve em lugar de destaque na
provisão do bem-estar social, mesmo após a edificação do sistema de proteção social
brasileiro, que apresentou um modelo voltado para o trabalho assalariado urbano,
meritocrático e assistencial, em que o Estado manteve uma relação de subsidiariedade com a
família.
Especialmente após os anos de 1980, em decorrência das transformações societárias,
políticas e econômicas ocorridas nesse período no país, a família reassume o foco central das
políticas públicas. Isso ocorreu também nas décadas seguintes com a Política de Saúde e da
Assistência Social, que deram um maior enfoque à família por meio da Estratégia Saúde da
Família e do princípio da matricialidade sociofamiliar, respectivamente. Para Mioto (2010) a
família brasileira sempre esteve sobrecarregada no escopo da proteção social, funcionando
como atenuadora das insuficiências do Estado e do mercado.
É nesse contexto que, contraditoriamente, temos o enfraquecimento e a fragilização da
família, especialmente as mais vulneráveis. Por causa do desemprego, da precarização do
trabalho e do desmonte da proteção pública e de outros, a partir da década de 1990, ela é
solicitada a ocupar uma posição central nas políticas sociais como destinatária ou agente de
proteção e cuidados. Ao mesmo tempo, tal centralidade – ao passo que traz a família como
sujeito coletivo de direitos, merecedora da ação estatal, já previsto na Constituição Federal de
1988 –, a família é convocada a assumir obrigações com a assistência e o cuidado de seus
membros, na medida em que o Estado reduz o alcance de sua ação protetiva, sem oferecer
suportes suficientes.
O novo cenário mundial, regido pela agenda neoliberal na década de 1990, edificado a
partir da crise fiscal do Estado Providência e do fim das economias socialistas, tem orientado
e redefinido o papel do Estado no provimento do bem-estar social. Cortes nos gastos públicos
com as políticas sociais, incentivo da ampliação das ações da iniciativa privada e do setor não
estatal, como ONGs, voluntariado, focalização no combate à pobreza, comprovada através de
serviços seletivos, são características do novo Estado que foi erigido como um Estado
Mínimo, racional, gerencial, parceiro do mercado e da sociedade na garantia da proteção
social, em que a família entra como elemento importante.
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Nessa discussão, o reconhecimento da família como foco das políticas sociais revela
um conflito existente entre distintos projetos de proteção social ligados a projetos societários
existentes hoje e que desenham as políticas. Da mesma forma, a inserção das famílias segue
também no mesmo campo de conflitos, em que se podem identificar duas tendências: uma
familista e outra protetiva, que delineiam a relação entre a família e a política pública
(MIOTO, 2010).
Assim, a familista traz a família como “[...] centro do cuidado e da proteção por
excelência [...]” (MIOTO, 2010, p. 4), em que o mercado e a família são convocados a
assumirem as obrigações com os serviços. Nessa tendência, o Estado intervém na ausência de
condições do mercado e da família na provisão da sua autoproteção. Em outras palavras, o
Estado age apenas quando há a “falência” delas, focando casos particulares com políticas de
caráter compensatória e temporária. Por outro lado, a tendência protetiva reconhece a família
na sua singularidade e complexidade, como unidade demandatária de serviços, como lócus da
proteção do Estado, por meio da articulação e da oferta de políticas públicas e serviços.
Contudo, deve-se ressaltar que a maioria das famílias não dispõe de recursos próprios
para atender às necessidades sociais dos seus membros, e se encontram atingidas pelos
impactos da reestruturação do capital, do desemprego, da pobreza, da revolução tecnológica,
da economia, da fragilização de suas relações internas, etc., o que tem causado o aumento das
vulnerabilidades, das contradições no interior da unidade familiar, assim como reduzido a sua
capacidade de enfrentar os riscos sociais.
Além do mais, as transformações societárias marcadas pela precarização das relações
de trabalho, a globalização e a escassez de serviços, têm afetado negativamente a reprodução
social das famílias, que têm, de acordo com Carvalho e Almeida (2003), buscado estratégias
para maximizar os poucos recursos disponíveis, por meio das redes de solidariedade
primárias, como estratégia de sobrevivência.
Entende-se, então, que a relação família e políticas sociais acontece em um campo
bastante complexo, marcado por transformações culturais, demográficas, políticas e sociais,
que atingem tanto a formulação das políticas sociais, enquanto respostas para questões
sociais, imersas numa conjuntura de cortes de gastos e de retração do Estado, quanto à
configuração, à estrutura e aos papeis tradicionais da família, como “[...] instituição social
básica mediadora entre o indivíduo e a sociedade [...]” e “amortecedora das crises”
(CARVALHO; ALMEIDA, 2003).
É em decorrência dessas transformações que a realidade das famílias tem se tornado
cada vez mais plural. Para alguns autores, isso revela a capacidade da família de se adaptar às
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pode contar com os poucos recursos que elas dispõem. Essa estratégia é defendida a partir da
lógica de tornar a oferta de serviços, de programas e de políticas públicas mais eficazes,
eficientes e efetivos.
Desse modo, na política de Assistência Social é possível perceber a defesa da
centralidade na família por meio da matricialidade sociofamiliar, como elemento essencial e
imprescindível à execução dessa política pública, que justifica o foco na família,
paradoxalmente, a partir do reconhecimento da fragilização e da vulnerabilidade dela em
consequência do processo de transformação social, econômica e cultural, de crise do capital e
do trabalho, que atingem o interior dessas unidades privadas, vulnerabilizando-as. Na mesma
medida, a família é apontada “[...] como espaço privilegiado e insubstituível de proteção e
socialização primárias, provedora de cuidado aos seus membros [...]” (BRASIL, 2004, p. 41).
Portanto, se de um lado a Política de Assistência Social reconhece que a família deve
receber a atenção do Estado na garantia da proteção, de outro ela é responsabilizada pela
proteção dos seus membros, com o reforço e a potencialização das suas funções protetivas
tradicionais como a de “[...] prover a proteção e a socialização dos seus membros; constituir-
se como referências morais; de vínculos afetivos e sociais.” (BRASIL, 2004, p. 35).
Há, de acordo com Teixeira (2012), a vigência de um novo paradigma em que a
família deve ser protegida pelo Estado, capacitada e apoiada, para que possa atender as
demandas que advêm de seus membros internos, o que expressa a lógica das contrapartidas,
das condicionalidades e não do acesso apenas pela condição de cidadania e o direito de todos
à convivência familiar. Essa passagem está explícita na política: “[...] para a família prevenir,
proteger, promover e incluir seus membros é necessário, em primeiro lugar, garantir
condições de sustentabilidade para tal.” (BRASIL, 2004, p. 41).
A noção de rede socioassistencial (organizações governamentais e não
governamentais) e o objetivo primordial do trabalho com famílias – no Serviço de Proteção e
Atendimento Integral à Família(PAIF) –, de potencializar as suas funções protetivas, reforça a
premissa de que só é possível se fazer políticas públicas por meio de parcerias entre os setores
público e privado, em que o Estado financia, organiza, normatiza, mas a execução é dos
parceiros (mercado e sociedade civil), cabendo ao Estado intervir apenas em caso de falência
deles, nas mais vulneráveis mas nem essa situação sua intervenção é exclusiva e ainda conta e
motiva a proteção espontânea. Promove-se, portanto, a família como instância responsável e
capaz de promover o bem-estar no seu interior, o que a família já faz movida pela
solidariedade e pelo amor. Mas questiona-se: esse seria o papel de uma política pública? Em
que medida a política pode fornecer proteção, cuidado, atenção para prevenir vulnerabilidade?
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Repasse ou divisão de responsabilidade como alvo da política não vulnerabiliza ainda mais as
famílias?
Nessa direção, para Fontenele (2007), a política de Assistência Social à família é
tomada através do viés da cooperação e da corresponsabilidade no combate à pobreza, como
parceira do Estado sob a garantia de proteção dos mínimos sociais aliados ao acesso a
serviços básicos como educação e saúde, o que configura para a autora um mecanismo de
controle e de responsabilização, em que ora a família é sujeito de direitos e de atenção por
parte do Estado, ora é responsável pela sua proteção, uma espécie de Wefare Family.
Um exemplo da ação controladora do Estado nessa política em relação à família são os
programas de transferência de renda, que acabam por comprometer a unidade familiar com
obrigações. Essas ações são chamadas por estes programas de condicionalidades, e
apresentam-se como uma espécie de acordo entre a família e o Estado, prevendo-se punições
para as famílias que não cumprirem com as contrapartidas exigidas, o que acentua o caráter
culpabilizador e disciplinador da família e do controle do Estado sobre essa unidade privada.
Dessa forma, identifica-se a defesa do Estado que organiza e regulamenta as relações
entre os prestadores de serviços da rede socioassistencial, cuja família está incluída,
destacando a importância dessa na execução, na formulação, no controle, no
compartilhamento dos recursos, como integrante do Sistema Único de Assistência Social, não
somente como prestadoras complementares dos serviços de assistência, mas como
copartícipe, e corresponsáveis pela garantia da oferta dos serviços e pela efetivação dos
direitos aos usuários.
Para Teixeira (2011), esse esforço de garantir uma rede socioassistencial com o
estabelecimento da relação de parcerias entre o público e o privado no bojo da política de
assistência social é a reatualização daquilo que já é tradicional dentro da política social
brasileira. “[...] o fortalecimento das redes de solidariedade emanadas da própria sociedade
civil como espaços de proteção social [...]”, denominada por Boschetti (2003, p. 136) como
“[...] colaboração vigiada entre os poderes públicos e o mundo da filantropia [...]”, orientada
pelo princípio do dever moral e pela benemerência.
Assim, na política de Assistência Social, principalmente após a aprovação da Política
de Assistência Social (PNAS) (2004) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
(2005) é possível perceber que a família passa a ocupar lugar de maior destaque orientando as
ações nessa área. Até mesmo pelas próprias nomenclaturas dos serviços, percebe-se uma
ênfase sobre a figura da família, na forma de valorização dessa unidade, embora tenha um
conteúdo ideológico de controle, como afirma Fontenele (2007).
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familiares, que em alguns casos acabam por ocorrer a ruptura como saída para solucionar o
problema.
Assim, o papel do Estado seria de reajustar as famílias nos moldes de comportamentos
que garantam a harmonia e a ordem social, interferindo diretamente no interior das relações
familiares, direcionando-as para o reconhecimento das suas potencialidades e superação das
dificuldades com seus próprios recursos.
No entanto, resolver problemas de caráter relacional das famílias não garante a
superação da situação de pobreza, no sentido de fazê-la reunir esforços para, unidos, lutar e
sair da situação de vulnerabilidade, uma vez que elas estão inseridas numa conjuntura macro
de desigualdade. Além do mais, o acesso aos benefícios monetários traz em si um conteúdo
que corporifica a responsabilização da família pelo bem-estar dos membros; é uma espécie de
responsabilização compartilhada, em que o Estado concede o valor monetário e a família é
obrigada a cumprir com as condicionalidades impostas por esses programas, que apresentam
características, coercitivas, para a entrada, a permanência e o desligamento do programa.
Essas condições são a forma de o Estado controlar e normatizar a vida privada da família,
além de criminalizar a pobreza.
Com isso, sem desconsiderar a importância dessas estratégias de enfrentamento da
situação de pobreza no interior das famílias, fica explícito também que o olhar e a forma de
enfrentamento dos problemas que as atingem estão voltados para uma visão focada no
indivíduo e na família, de controle da pobreza, a partir da oferta de políticas, de serviços e de
ações de caráter focalistas, residuais e compensatórios, que não garantem a emancipação da
unidade privada.
O acesso aos benefícios socioassistenciais pelas famílias atendidas no PAIF, como
estratégia para a superação das vulnerabilidades e com o intuito de promover melhorias das
condições de vida dessas famílias, está ligado ao outro objetivo desse serviço que é o de “[...]
promover aquisições sociais e materiais às famílias, potencializando o protagonismo e a
autonomia das famílias e comunidades”. Sendo assim, defende-se que, promovendo o acesso
a uma renda mínima, a família beneficiada terá condições de vislumbrar o acesso a outros
serviços importantes para o seu bem-estar, além de ter potencializada sua capacidade
individual de superação da pobreza, no exercício da sua autonomia e do seu protagonismo.
Destaca-se, outra vez, o esforço do Estado de tornar a família independente da
intervenção estatal, e ao mesmo tempo de culpabilizá-la, caracterizando-a como negligente no
enfrentamento das problemáticas sociais, trabalhando, inclusive, numa perspectiva
psicologizante e individualista. Um exemplo é a ideia de autocompreensão e autoestima
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dessas famílias como alternativa para a redução das desigualdades sociais, no sentido elas se
autoentenderem dentro do contexto contraditório em que estão inseridas, de modo que seus
membros possam se perceber como sujeitos de direitos.
Teixeira (2012, p.7-9), fundamentada no pensamento de Mioto, diz que a atual
configuração das políticas no trabalho social com famílias é balizada na
Outro aspecto a destacar é que o trabalho social com família realizado pelo PAIF visa
à oferta de espaços de socialização para a troca de experiências, de informações e de
vivências com a finalidade de desenvolver estratégias de enfrentamento das situações limites
a elas em comum, bem como a formação, a identificação e o fortalecimento das redes de
apoio às famílias que vivenciam a mesma situação.
Nesse aspecto, faz-se importante refletir que a oferta desses espaços acaba por
colaborar com o reforço dos papeis tradicionais da família, tendo em vista que priorizam o
desenvolvimento de habilidades e da autonomia dessas unidades privadas na manutenção dos
seus membros, e, consequentemente, o reforço das responsabilidades familiares, o que deixa
explícito o caráter familista das políticas sociais brasileiras.
Ademais, embora no discurso oficial haja a defesa de que o “Estado, ao assumir sua
responsabilidade na proteção dos grupos familiares, colabora para o alcance de melhores
patamares de qualidade de vida” (BRASIL, 2012, p. 44), depara-se, hoje, com a queda da
capacidade de a família ser a provedora principal de seus membros, tanto as de camadas
menos favorecidas como as de classe média, em decorrência do processo de empobrecimento
que vem afetando as famílias brasileiras desde as décadas do pós-ajuste, que não dispõem de
condições para assumir determinadas demandas ligadas ao seu papel de reprodutora social.
Nessa direção, tem-se uma “[...] instância sobrecarregada, fragilizada e que se enfraquece
ainda mais quando lhe atribuímos tarefas maiores que a sua capacidade de realizá-las”
(CAMPOS; MIOTO, 2003, p. 183).
Nesse sentido, para as mesmas autoras, a Política de Assistência Social tem sido
operacionalizada de tal modo que a tem distanciado tanto da dimensão do direito, quanto do
parâmetro das necessidades sociais, mantendo a concepção familista e assistencialista dessa
política, além de fomentar uma distinção entre as famílias capazes e incapazes, ou seja, entre
aquelas que por meio do mercado, do trabalho e da organização interna (estratégias de
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sobrevivência) conseguem desempenhar as funções que lhes são repassadas, e aquelas que
não conseguem reunir esforços suficientes para desempenhar suas funções e, assim, tornam-se
merecedoras da intervenção estatal na proteção aos seus membros pelo “mérito” de incapazes,
como é o caso do acompanhamento familiar daquelas que descumpriram as condicionalidades
do Programa Bolsa Família previsto no PAIF.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto, conclui-se que, na década de 1990, a família foi retomada como
instância de proteção social, potencialmente capaz de proporcionar o bem-estar dos seus
membros, com o avanço da mínima ação do Estado na promoção do cuidado desta unidade
privada.
Entretanto, as transformações sociais, políticas, culturais por que passam a sociedade
refletem, consequentemente, na estrutura das famílias que vêm passando por modificações no
seu processo de reprodução social, em que muitas apresentam fragilidades nas funções de
provimento, de cuidado e de proteção social necessitando ser protegidas e incluídas.
Assim, em tempos de ajuste neoliberal, há um reforço da tendência familista das
políticas, em que a família, cada vez mais, é chamada a assumir responsabilidades, com a
garantia de direitos sociais, de superar vulnerabilidades, situação de pobreza, garantir
integração e inclusão – numa sociedade que exclui e desintegra –, com seus próprios recursos
e das redes primárias ou em parceria com o Estado. Reconhece-se que a família é sim
instância primária de proteção dos seus membros, entretanto, reconhece-se, na mesma
medida, que ela tem sido sobrecarregada com o reforço de suas funções tradicionais, sem o
apoio efetivo do Estado, no enfrentamento das mazelas sociais que as atingem, que tem
reduzido cada vez mais o seu raio de intervenção, transferindo funções para a sociedade e o
mercado.
Nessa medida, a centralidade da família na política de Assistência Social,
especialmente no PAIF, dá-se em um campo bastante contraditório, em que se verifica o
avanço dos mínimos sociais, numa conjuntura marcada pelos cortes públicos com a área
social, como base para o enfrentamento e a superação das vulnerabilidades sociais e da
pobreza, com um conteúdo marcado pela normatização e disciplina da vida privada das
famílias.
Não se pode deixar de ressaltar que o PAIF, embora tenha objetivos que remetam para
responsabilização da família e a redução do Estado na provisão da assistência e cuidado
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REFERÊNCIAS
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