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Física Olímpica: Volume 2 - Problemas e Soluções

Enviado por

Giovana Martins
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Fı́sica em Nı́vel Olı́mpico - volume 2


1a Edição

Ivan Guilhon Mitoso Rocha

26 de Abril de 2023
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Fı́sica em Nı́vel Olı́mpico - volume 2


1a edição - 2021

Autor: Dr. Ivan Guilhon Mitoso Rocha


Website: www.ivanguilhon.com.br
Email: [email protected]
Instagram: @prof.ivanguilhon

Capa: Aline Cristina de Miranda


Diagramação: Ivan Guilhon Mitoso Rocha
Prefácio: Lara Kühl Teles
Ilustrações: Ivan Guilhon Mitoso Rocha
Revisão ortográfica: Diana Lourdes Prado de Morais

Agradecimentos especiais:
Raquel Aparecida Bulla Rocha;
Fábio Nogueira Rocha;
Norma Noeme Guilhon Mitoso Rocha;
Gabriel de Paula Almeira;
Leonardo Mouta Pereira Pinheiro.

Os direitos desta obra estão reservados. Cópias, edições e reproduções


não autorizadas pelo autor dessa obra, por quaisquer meios fı́sicos ou
digitais, estão proibidas.

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Ao Caminho, Verdade e Vida,


Ad maiorem Dei gloriam.
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Sobre o Autor
Ivan Guilhon é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tec-
nológico de Aeronáutica (ITA) com distinção Magna Cum Laude, turma
2014, e doutor em fı́sica atômica e molecular pelo mesmo instituto.
Atualmente, é professor no departamento de fı́sica do ITA, ministrando
diferentes disciplinas no curso de graduação em engenharia e realizando
pesquisas no Grupo de Materiais Semicondutores e Nanotecnologia
(GMSN). O autor possui trabalhos apresentados em congressos e artigos
publicados em periódicos cientı́ficos internacionais. Ivan está envolvido
desde 2009 com a preparação de alunos para olimpı́adas internacionais
de Fı́sica em colégios de diferentes Estados do Brasil e faz parte do
comitê cientı́fico da B8 Projetos Educacionais, que organiza a etapa
nacional da IYPT (Internacional Young Physicists’ Tournament) Brasil.

Como competidor em olimpı́adas cientı́ficas, Ivan conquistou, entre


outras premiações: (i) medalha de ouro na Olimpı́ada Brasileira de
Fı́sica (OBF) em 2007 e 2009; (ii) medalha de prata na Olimpı́ada
Internacional de Fı́sica (IPhO) em 2009; (iii) primeiro lugar no prêmio
IFT de Jovens Fı́sicos 2012; e (iv) terceiro prêmio na Competição
Internacional de Matemática (IMC) na Bulgária em 2012 e 2014.

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Carta ao leitor
Caro leitor,
você acaba de adquirir o segundo volume da coleção ‘Fı́sica em Nı́vel
Olı́mpico’. Assim como o primeiro volume, este livro é o resultado
de um grande envolvimento pessoal em olimpı́adas cientı́ficas de fı́sica
como estudante e professor. Busquei reunir neste livro uma coletânea
de problemas clássicos de diferentes assuntos da fı́sica que possibilitem
um estudante olı́mpico testar seus conhecimentos e se preparar para
competições internacionais de nı́vel médio. Juntos, esses dois volumes
reúnem muitos dos meus problemas prediletos de cada uma das grandes
áreas da fı́sica.
A ideia desse projeto surgiu nos meus anos de graduação no ITA
(2010-2014), mas puderam ser iniciados apenas em 2015. O primeiro
volume da coleção foi publicado em 2017. Em 2018, me tornei professor
de fı́sica no ITA e tenho passado por anos bem intensos, conciliando
atividades docentes, pesquisa, administrativas e a escrita deste novo
volume.
Felizmente, esta nova etapa está concluı́da. Neste segundo vo-
lume, abordaremos o restante das grandes áreas da fı́sica cobradas por
olimpı́adas de fı́sica nacionais e internacionais. Espero que, com este
segundo livro, eu possa ajudar ainda mais jovens a se aprofundarem no
estudo da natureza e a se divertirem com desafios de alto nı́vel.
Conto com a sua ajuda para melhorar cada vez mais essa obra
enviando comentários, sugestões e notificações de erros para o e-mail :
[email protected].
Bons estudos!

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Estrutura do livro
Este livro contém uma lista de problemas, acompanhados de dicas
e de soluções. Os exercı́cios escolhidos abrangem mecânica do corpo
rı́gido, eletrostática, eletrodinâmica, magnetismo, relatividade restrita e
diferentes tópicos de fı́sica quântica. Os problemas estão organizados
em três capı́tulos:
1. Mecânica do corpo rı́gido;
2. Eletromagnetismo;
3. Relatividade;
4. Fı́sica Quântica.
Na parte I, encontram-se os enunciados dos problemas propostos.
Esses vêm acompanhados de uma indicação da dificuldade do problema
em ordem crescente, variando de *, ** até ***.
A parte II, contém dicas que podem auxiliar na solução dos proble-
mas, oferecendo muitas vezes os primeiros passos ou ideias da solução
proposta.
Na parte III, encontram-se as soluções de todos os problemas pro-
postos. Ofereço pelo menos uma solução para cada problema proposto.
Já na parte IV, encontra-se uma lista de referências bibliográficas,
de teoria e de exercı́cios, além de referências auxiliares de matemática.
Este livro, em conjunto com o ‘Fı́sica em Nı́vel Olı́mpico - volume 1’,
aborda todas as grandes áreas da Fı́sica e serve de excelente referência
para problemas de Fı́sica de alto nı́vel de dificuldade.

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Orientação de estudos
Este livro é o segundo volume de uma coletânea de problemas
de fı́sica voltada para preparação de estudantes de ensino médio para
olimpı́adas cientı́ficas internacionais. Naturalmente, ele também pode ser
utilizado para preparação de vestibulares de alto nı́vel e por estudantes
universitários.
Uma rápida observação nas soluções dos problemas propostos é
suficiente para verificar que grande parte delas demanda conhecimentos
de cálculo diferencial e integral, o que não é comumente ensinado para
alunos de ensino médio. No entanto, as provas seletivas para as equipes
das olimpı́adas internacionais, assim como essas competições, costumam
exigir esse tipo de conhecimento.
Antes de atacar os problemas expostos neste livro é funda-
mental ter o domı́nio da matéria de fı́sica cobrada no ensino
médio convencional do assunto correspondente. No final do li-
vro, você pode observar uma lista de excelentes referências sugeridas
para usar em conjunto com este livro no seu estudo.
Satisfeita essa primeira condição, você deve estar pronto para navegar
por águas mais profundas! Se você for um aluno de ensino médio, é
útil ter algum livro de Fı́sica em nı́vel superior e algum material de
introdução ao cálculo diferencial e integral, o nosso foco aqui será
em aplicações práticas e intuitivas dessa teoria, ignorando os seus
pormenores. Para nós, a Matemática é uma ferramenta; a Fı́sica
é o prato principal.
Seguem algumas dicas de estudo para olimpı́adas cientı́ficas de fı́sica:
1. Aprenda cálculo diferencial e integral.
Grande parte da diferença de cobrança entre fı́sica de ensino
médio convencional e olimpı́adas de fı́sica está na exigência de
um formalismo matemático mais poderoso, muitas vezes contendo
noções básicas de cálculo diferencial e integral.
Saber efetuar funções derivadas, funções integrais e entender as

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suas interpretações fı́sicas é suficiente para acompanhar o livro.


Não se preocupe caso não domine esses assuntos no inı́cio dos
seus estudos, com um pouco de tempo, prática e esforço, você se
habituará com esse tipo de matemática.
Seguem agora algumas valiosas dicas de estudo para olimpı́adas
cientı́ficas:
2. Escolha uma (ou mais) coleção de nı́vel superior para orientar seu
estudo.
No nı́vel de olimpı́ada, é extremamente útil que você utilize na
sua preparação os livros das matérias iniciais de fı́sica em nı́vel
universitário. Não se espera que você resolva todos os problemas
desses livros, porém é importante que você busque se acostumar
com esse outro nı́vel de profundidade no assunto. Concentre-se
bastante em exercı́cios resolvidos e nos exemplos fornecidos nos
livros. Refazer demonstrações da teoria também ajuda bastante.
3. Tenha diferentes livros de exercı́cios.
Após estudar a teoria, é hora de se preparar para as provas!
Para se sair bem, além de ter uma boa teoria, é preciso treinar a
resolução de exercı́cios. Os problemas desta coletânea são de alto
nı́vel e buscam valorizar a criatividade do aluno. É interessante
combiná-lo com outros livros de exercı́cios. Algumas sugestões
estão listadas na parte IV do livro.
4. Explore as provas antigas.
A seleção das equipes brasileiras nas olimpı́adas internacionais
são realizadas pela Sociedade Brasileira de Fı́sica (SBF) e podem
variar um pouco de ano para ano. É importante que você esteja
atento às regras de seleção e ao formato de prova que você vai
fazer. Busque provas antigas e resolva-as. Se sobrar um tempo,
busque provas de olimpı́adas de diferentes lugares do mundo (IPhO,
APhO, OIbF, outras olimpı́adas nacionais)!

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Prefácio

O estudo da Fı́sica é fascinante, mas exige esforço e dedicação. É


inegável e ilusório pensar que é possı́vel compreender a teoria Fı́sica sem
resolver um número considerável de exercı́cios. Se você é um estudante
que vê beleza na matemática e na fı́sica e gosta de desafios, então com
certeza fará um bom uso deste livro. Compreender a fı́sica e realizar
exercı́cios desafiadores trabalha o modo de pensar e é uma motivação em
si mesmo. Certamente, Ivan Guilhon apresenta isso de forma singular
em seu livro, separando-o em três seções: os exercı́cios propostos, as
dicas de resolução e, finalmente, as soluções. Essa separação torna o
livro muito mais pedagógico, uma vez que permite ao leitor não apenas
tentar resolver os problemas, mas, se este não conseguir após algumas
tentativas, ainda sem ver a solução, analisar as dicas de solução e
trabalhar mais um pouco o seu modo de pensar.
Essa coletânea de exercı́cios em português é sem dúvida valiosa
também do ponto de vista da nossa sociedade brasileira, tão carente
do ponto de vista da educação, o que não quer dizer ausente de seres
curiosos e audaciosos que querem compreender a vida e usufruir da
liberdade que o conhecimento proporciona.
Não posso deixar de terminar este prefácio sem falar um pouco sobre
o autor. Conheci Ivan, ainda durante o segundo ano da graduação
no ITA, quando fui a sua professora de Eletricidade e Magnetismo, na
sequência também ministrei a disciplina de Ondas e Fı́sica Moderna para
a sua turma. No ITA há um sistema de tutoria, no qual se configuram
conselheiros (professores) e aconselhados (alunos), e também tive o
prazer de tê-lo como meu aconselhado. Ainda durante o curso de
graduação, motivada pelo seu excelente desempenho nas disciplinas e
seu entusiasmo para com a Fı́sica, convidei-o para integrar o grupo de
pesquisa, do qual fui uma das fundadoras no ITA, o Grupo de Materiais
Semicondutores e Nanotecnologia do ITA. Foi neste perı́odo que Ivan
iniciou o seu trabalho de iniciação cientı́fica e pôde apresentar seus

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resultados cientı́ficos na conferência International Material Research


Society, realizada em Cancún. Na sequência, após formado iniciou o
Doutorado Direto sob a minha orientação.
Posso dizer que tive e tenho o privilégio de trabalhar com uma pessoa
que, muito além de ser inteligente, é extremamente humana, preocupada
com a sociedade, por isso mesmo teve várias atuações neste sentido,
como, por exemplo, ser professor do CASDVest, que tem por missão
aprovar pessoas sem condições financeiras em universidade públicas,
oferecendo ensino de qualidade por meio de um curso pré-vestibular
sem fins lucrativos. E, é neste sentido humano e de repartir o seu
conhecimento e, através do seu comprometimento com a educação, que
Ivan dedicou o seu tempo precioso e preparou este livro que, com certeza,
poderá ajudar outras centenas ou milhares de estudantes a atingirem
seus objetivos.
Bom trabalho a todos os estudantes que quiserem se divertir um
pouco, se desafiando, persistindo e indo além dos seus limites!

Lara Kühl Teles

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Conteúdo

I Problemas propostos 21

1 Mecânica do corpo rı́gido 23


1.1 Máquina de Atwood com duas polias* . . . . . . . . . . 23
1.2 Tacada de sinuca* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
1.3 Movimento de descida de um ioiô* . . . . . . . . . . . . 25
1.4 Puxando o Ioiô** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
1.5 Rotação de disco sob ação do atrito* . . . . . . . . . . . 27
1.6 Chuva de Meteoritos* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.7 Cilindros empilhados*** . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.8 Haltere girando sem atrito* . . . . . . . . . . . . . . . . 28
1.9 Brincando no balanço*** . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
1.10 Fratura no edifı́cio** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
1.11 Queda do lápis*** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
1.12 Placa sobre rolamentos*** . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO)*** . . . . . . 33
1.14 Pêndulo fı́sico giratório*** . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
1.15 Futebol Cúbico (Portugal)*** . . . . . . . . . . . . . . . 35

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1.16 Oscilações de corpo rı́gido** . . . . . . . . . . . . . . . 37


1.17 Esfera na rampa** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
1.18 Na corda bamba (Portugal adp.)*** . . . . . . . . . . . 38
1.19 Movimento de uma moeda (Portugal)*** . . . . . . . . 40

2 Eletromagnetismo 43
2.1 Distância de máxima aproximação** . . . . . . . . . . . 43
2.2 ~ de uma distribuição ρ(r)** . . . . . . . . . . . . . . .
E 44
2.3 Campo de uma haste** . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
2.4 Método da carga imagem I* . . . . . . . . . . . . . . . . 45
2.5 Método da carga imagem II (IPhO)*** . . . . . . . . . . 46
2.6 Método da carga imagem III** . . . . . . . . . . . . . . 48
2.7 Bolha de sabão carregada* . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
2.8 Dipolos Elétricos** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
2.9 Interação carga-dipolo** . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
2.10 Rede infinita de resistores** . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.11 Rede bidimensional de resistores*** . . . . . . . . . . . 52
2.12 Resistência do icosaedro* . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
2.13 Resistor esférico** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
2.14 Resistor cilı́ndrico** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
2.15 Relação entre R e C** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
2.16 Atração entre placas** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
2.17 Capacitor de placas não paralelas** . . . . . . . . . . . 56
2.18 Carga dentro do capacitor** . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆*** . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.20 Impedância equivalente* . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
2.21 Cabo coaxial com dielétrico** . . . . . . . . . . . . . . . 59
2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico* . . . . . . . . . . 60
2.23 Força sobre o dielétrico** . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
2.24 Dissipação em um circuito RC** . . . . . . . . . . . . . 61
2.25 Espectrógrafo de massa** . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
2.26 Passagem de corrente por um fio* . . . . . . . . . . . . . 63

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2.27 Força eletromotriz induzida* . . . . . . . . . . . . . . . 64


2.28 Espira em formato de espiral* . . . . . . . . . . . . . . . 64
2.29 Freio eletromagnético* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
2.30 Espira em um campo B não-uniforme** . . . . . . . . . 66
2.31 Solenoide finito* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
2.32 Canhão eletromagnético** . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
2.33 Toroide de secção quadrada* . . . . . . . . . . . . . . . 68
2.34 Indutância mútua entre fio e espira* . . . . . . . . . . . 68

3 Relatividade restrita 69
3.1 Comprimento da barra inclinada* . . . . . . . . . . . . . 69
3.2 Colisão de foguetes* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
3.3 Trem de pulsos (FIFT)** . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
3.4 Princı́pio da antecedência das causas** . . . . . . . . . . 71
3.5 Paradoxo da vara e do galpão** . . . . . . . . . . . . . . 72
3.6 Régua atravessando a placa*** . . . . . . . . . . . . . . 73
3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.)** . . . . . . . . . . . . . . . . 74
3.8 Fórmula de Fizeau* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
3.9 Efeito Farol** . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
3.10 Desvio para o vermelho* . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76
3.11 Grandezas invariantes* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
3.12 Movimento sujeito à força constante* . . . . . . . . . . . 78
3.13 Acelerador cı́clotron* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78
3.14 Foguete relativı́stico*** . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
3.15 Colisão de prótons (Portugal)** . . . . . . . . . . . . . . 80
3.16 Desintegração de uma partı́cula* . . . . . . . . . . . . . 80
3.17 Decaimento de um nêutron*** . . . . . . . . . . . . . . 81
3.18 Transformação de Forças** . . . . . . . . . . . . . . . . 81
3.19 Transformação de campos E ~ e B**
~ . . . . . . . . . . . . 82
3.20 Espira quadrada (IPhO)*** . . . . . . . . . . . . . . . . 84
3.21 Magnetismo e relatividade*** . . . . . . . . . . . . . . . 85

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4 Fı́sica quântica 87
4.1 Átomo de Bohr* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
4.2 Recuo por emissão de fóton* . . . . . . . . . . . . . . . 88
4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio (OIbF adp.)* . 89
4.4 Efeito fotoelétrico* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
4.5 Efeito Compton* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
4.6 Aniquilação elétron-pósitron** . . . . . . . . . . . . . . 91
4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.)** . . . . . . . . . . . . . . . 92
4.8 Difração de elétrons* . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
4.9 Partı́cula em uma caixa 3D*** . . . . . . . . . . . . . . 95
4.10 Confinamento esférico*** . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x)** . . . . . . . . . . . . . 97
4.12 Tunelamento quântico** . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
4.13 Função de onda no estado fundamental 1D*** . . . . . . 98
4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio** . . . . . . . . . . . 99
4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons*** . . . . . . . . . . . 100

II Dicas de resolução 103

1 Mecânica do corpo rı́gido 105


1.1 Máquina de Atwood com duas polias . . . . . . . . . . . 105
1.2 Tacada de sinuca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
1.3 Movimento de descida de um ioiô . . . . . . . . . . . . . 106
1.4 Puxando o Ioiô . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
1.5 Rotação de disco sob ação do atrito . . . . . . . . . . . . 106
1.6 Chuva de Meteoritos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
1.7 Cilindros empilhados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
1.8 Haltere girando sem atrito . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
1.9 Brincando no balanço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
1.10 Fratura no edifı́cio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
1.11 Queda do lápis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
1.12 Placa sobre rolamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108

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1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO) . . . . . . . . 109


1.14 Pêndulo fı́sico giratório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
1.15 Futebol Cúbico (Portugal) . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
1.16 Oscilações de corpo rı́gido . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
1.17 Esfera na rampa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
1.18 Na corda bamba (Portugal adp.) . . . . . . . . . . . . . 110
1.19 Movimento de uma moeda (Portugal) . . . . . . . . . . 111

2 Eletromagnetismo 113
2.1 Distância de máxima aproximação . . . . . . . . . . . . 113
2.2 ~ de uma distribuição ρ(r) . . . . . . . . . . . . . . . . 113
E
2.3 Campo de uma haste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
2.4 Método da carga imagem I . . . . . . . . . . . . . . . . 114
2.5 Método da carga imagem II (IPhO) . . . . . . . . . . . 114
2.6 Método da carga imagem III . . . . . . . . . . . . . . . 115
2.7 Bolha de sabão carregada . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
2.8 Dipolos Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
2.9 Interação carga-dipolo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 116
2.10 Rede infinita de resistores . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
2.11 Rede bidimensional de resistores . . . . . . . . . . . . . 117
2.12 Resistência do icosaedro . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
2.13 Resistor esférico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
2.14 Resistor cilı́ndrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
2.15 Relação entre R e C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
2.16 Atração entre placas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
2.17 Capacitor de placas não paralelas . . . . . . . . . . . . . 119
2.18 Carga dentro do capacitor . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆ . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
2.20 Impedância equivalente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120
2.21 Cabo coaxial com dielétrico . . . . . . . . . . . . . . . . 120
2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico . . . . . . . . . . 120
2.23 Força sobre o dielétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121

15
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2.24 Dissipação em um circuito RC . . . . . . . . . . . . . . 121


2.25 Espectrógrafo de massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122
2.26 Passagem de corrente por um fio . . . . . . . . . . . . . 122
2.27 Força eletromotriz induzida . . . . . . . . . . . . . . . . 122
2.28 Espira em formato de espiral . . . . . . . . . . . . . . . 122
2.29 Freio eletromagnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
2.30 Espira em um campo B não-uniforme . . . . . . . . . . 123
2.31 Solenoide finito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
2.32 Canhão eletromagnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
2.33 Toroide de secção quadrada . . . . . . . . . . . . . . . . 124
2.34 Indutância mútua entre fio e espira . . . . . . . . . . . . 124

3 Relatividade restrita 125


3.1 Comprimento da barra inclinada . . . . . . . . . . . . . 125
3.2 Colisão de foguetes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
3.3 Trem de pulsos (FIFT) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125
3.4 Princı́pio da antecedência das causas . . . . . . . . . . . 126
3.5 Paradoxo da vara e do galpão . . . . . . . . . . . . . . . 126
3.6 Régua atravessando a placa . . . . . . . . . . . . . . . . 126
3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.) . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
3.8 Fórmula de Fizeau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
3.9 Efeito Farol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
3.10 Desvio para o vermelho . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
3.11 Grandezas invariantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
3.12 Movimento sujeito à força constante . . . . . . . . . . . 128
3.13 Acelerador cı́clotron . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128
3.14 Foguete relativı́stico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
3.15 Colisão de prótons (Portugal) . . . . . . . . . . . . . . . 129
3.16 Desintegração de uma partı́cula . . . . . . . . . . . . . . 129
3.17 Decaimento de um nêutron . . . . . . . . . . . . . . . . 129
3.18 Transformação de Forças . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
3.19 Transformação de campos E ~ eB ~ . . . . . . . . . . . . . 130

16
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3.20 Espira quadrada (IPhO) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131


3.21 Magnetismo e relatividade . . . . . . . . . . . . . . . . . 131

4 Fı́sica quântica 133


4.1 Átomo de Bohr . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
4.2 Recuo por emissão de fóton . . . . . . . . . . . . . . . . 133
4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio (OIbF adp.) . . 134
4.4 Efeito fotoelétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
4.5 Efeito Compton . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
4.6 Aniquilação elétron-pósitron . . . . . . . . . . . . . . . . 135
4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.) . . . . . . . . . . . . . . . . 135
4.8 Difração de elétrons . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
4.9 Partı́cula em uma caixa 3D . . . . . . . . . . . . . . . . 136
4.10 Confinamento esférico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x) . . . . . . . . . . . . . . 137
4.12 Tunelamento quântico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
4.13 Função de onda no estado fundamental 1D . . . . . . . 137
4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio . . . . . . . . . . . . 138
4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons . . . . . . . . . . . . . 138

III Soluções 141

1 Mecânica do corpo rı́gido 143


1.1 Máquina de Atwood com duas polias . . . . . . . . . . . 143
1.2 Tacada de sinuca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 146
1.3 Movimento de descida de um ioiô . . . . . . . . . . . . . 149
1.4 Puxando o Ioiô . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151
1.5 Rotação de disco sob ação do atrito . . . . . . . . . . . . 152
1.6 Chuva de Meteoritos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153
1.7 Cilindros empilhados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
1.8 Haltere girando sem atrito . . . . . . . . . . . . . . . . . 156
1.9 Brincando no balanço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158

17
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1.10 Fratura no edifı́cio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160


1.11 Queda do lápis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
1.12 Placa sobre rolamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164
1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO) . . . . . . . . 166
1.14 Pêndulo fı́sico giratório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170
1.15 Futebol Cúbico (Portugal) . . . . . . . . . . . . . . . . . 173
1.16 Oscilações de corpo rı́gido . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
1.17 Esfera na rampa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
1.18 Na corda bamba (Portugal adp.) . . . . . . . . . . . . . 181
1.19 Movimento de uma moeda (Portugal) . . . . . . . . . . 184

2 Eletromagnetismo 191
2.1 Distância de máxima aproximação . . . . . . . . . . . . 191
2.2 ~ de uma distribuição ρ(r) . . . . . . . . . . . . . . . . 192
E
2.3 Campo de uma haste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
2.4 Método da carga imagem I . . . . . . . . . . . . . . . . 197
2.5 Método da carga imagem II (IPhO) . . . . . . . . . . . 200
2.6 Método da carga imagem III . . . . . . . . . . . . . . . 204
2.7 Bolha de sabão carregada . . . . . . . . . . . . . . . . . 206
2.8 Dipolos Elétricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207
2.9 Interação carga-dipolo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208
2.10 Rede infinita de resistores . . . . . . . . . . . . . . . . . 211
2.11 Rede bidimensional de resistores . . . . . . . . . . . . . 215
2.12 Resistência do icosaedro . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216
2.13 Resistor esférico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218
2.14 Resistor cilı́ndrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 219
2.15 Relação entre R e C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 222
2.16 Atração entre placas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224
2.17 Capacitor de placas não paralelas . . . . . . . . . . . . . 226
2.18 Carga dentro do capacitor . . . . . . . . . . . . . . . . . 230
2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆ . . . . . . . . . . . . . . . . . 231
2.20 Impedância equivalente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 234

18
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2.21 Cabo coaxial com dielétrico . . . . . . . . . . . . . . . . 235


2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico . . . . . . . . . . 238
2.23 Força sobre o dielétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 241
2.24 Dissipação em um circuito RC . . . . . . . . . . . . . . 244
2.25 Espectrógrafo de massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247
2.26 Passagem de corrente por um fio . . . . . . . . . . . . . 249
2.27 Força eletromotriz induzida . . . . . . . . . . . . . . . . 250
2.28 Espira em formato de espiral . . . . . . . . . . . . . . . 251
2.29 Freio eletromagnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253
2.30 Espira em um campo B não-uniforme . . . . . . . . . . 256
2.31 Solenoide finito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 258
2.32 Canhão eletromagnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . 260
2.33 Toroide de secção quadrada . . . . . . . . . . . . . . . . 262
2.34 Indutância mútua entre fio e espira . . . . . . . . . . . . 263

3 Relatividade restrita 267


3.1 Comprimento da barra inclinada . . . . . . . . . . . . . 267
3.2 Colisão de foguetes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
3.3 Trem de pulsos (FIFT) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 268
3.4 Princı́pio da antecedência das causas . . . . . . . . . . . 270
3.5 Paradoxo da vara e do galpão . . . . . . . . . . . . . . . 272
3.6 Régua atravessando a placa . . . . . . . . . . . . . . . . 273
3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.) . . . . . . . . . . . . . . . . . 276
3.8 Fórmula de Fizeau . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 278
3.9 Efeito Farol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
3.10 Desvio para o vermelho . . . . . . . . . . . . . . . . . . 280
3.11 Grandezas invariantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 282
3.12 Movimento sujeito à força constante . . . . . . . . . . . 283
3.13 Acelerador cı́clotron . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 284
3.14 Foguete relativı́stico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 285
3.15 Colisão de prótons (Portugal) . . . . . . . . . . . . . . . 287
3.16 Desintegração de uma partı́cula . . . . . . . . . . . . . . 288

19
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3.17 Decaimento de um nêutron . . . . . . . . . . . . . . . . 289


3.18 Transformação de Forças . . . . . . . . . . . . . . . . . . 291
3.19 Transformação de campos E ~ eB ~ . . . . . . . . . . . . . 294
3.20 Espira quadrada (IPhO) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297
3.21 Magnetismo e relatividade . . . . . . . . . . . . . . . . . 300

4 Fı́sica quântica 303


4.1 Átomo de Bohr . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 303
4.2 Recuo por emissão de fóton . . . . . . . . . . . . . . . . 305
4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio (OIbF adp.) . . 307
4.4 Efeito fotoelétrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 308
4.5 Efeito Compton . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 309
4.6 Aniquilação elétron-pósitron . . . . . . . . . . . . . . . . 312
4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.) . . . . . . . . . . . . . . . . 315
4.8 Difração de elétrons . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 320
4.9 Partı́cula em uma caixa 3D . . . . . . . . . . . . . . . . 321
4.10 Confinamento esférico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 326
4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x) . . . . . . . . . . . . . . 329
4.12 Tunelamento quântico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 332
4.13 Função de onda no estado fundamental 1D . . . . . . . 335
4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio (rever contas) . . . . 337
4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons . . . . . . . . . . . . . 341

IV Bibliografia 347

1 Referências 349
1.1 Bibliografia de estudo recomendada . . . . . . . . . . . . 349
1.2 Bibliografia referente aos problemas propostos . . . . . . 350

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Parte I

Problemas propostos

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Mecânica do corpo rı́gido


1
1.1 Máquina de Atwood com duas polias*
Considere a máquina de Atwood com duas polias arranjadas con-
forme representado na figura a seguir. Considerando as cordas inex-
tensı́veis e de massas desprezı́veis, faça o que se pede nos itens a seguir.

M g

m1

m2
m3

a) Neste primeiro momento, despreze as massas das polias e o atrito


entre elas e as cordas que prendem as massas. Determine a
aceleração das massas m1 , m2 e m3 (m1 6= m2 6= m3 ).

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

b) Suponha agora que a polia superior da figura acima tem massa


M 6= 0 e raio R. O atrito entre a corda e a polia é tal que não
há deslizamento relativo entre as mesmas. Determine as novas
acelerações das massas m1 , m2 e m3 para esse caso.

1.2 Tacada de sinuca*


Neste problema vamos estudar os fundamentos fı́sicos envolvidos
que regem uma tacada em um jogo de sinuca. A bola que receberá a
tacada pode ser modelada como uma esfera rı́gida de massa m e raio R,
livre para movimentar-se sobre uma mesa horizontal, cujo coeficiente
de atrito com a bola é µ.
A transferência de momento linear P durante a tacada é muito rápida,
podendo ser considerada como instantânea. Um jogador habilidoso pode
imprimir à bola de sinuca diferentes movimentos, controlando tanto
a quantidade de momento P transferida quanto a altura da tacada h,
medida a partir do centro da bola. A aceleração local da gravidade é g.
g
P

Taco h
R

Faça o que se pede nos itens a seguir.


a) Supondo que a tacada seja dada diretamente no centro da bola,
h = 0, determine o intervalo de tempo t∗ necessário para que a
bola atinja o regime de rolamento sem escorregamento.
b) Determine a altura da tacada h para a qual o taco imprime na
bola um movimento sem deslizamento com relação a mesa desde
o inı́cio do movimento.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

c) Descreva o movimento da bola de bilhar após o instante em que


ela atinge a condição de rolamento sem deslizamento. Considere
que as únicas formas de atrito possı́veis entre a mesa e a bola de
bilhar são forças de atrito estático e dinâmico. Despreze outras
formas de dissipação de energia.

1.3 Movimento de descida de um ioiô*


Um ioiô é um brinquedo que pode ser modelado como um par de
discos de raio R, conectados por uma pequena haste de raio r, em torno
da qual um barbante de massa e espessura desprezı́veis é enrolado. A
massa total do ioiô é M e o seu momento de inércia com respeito ao
seu centro de massa é dado por I. A aceleração local da gravidade é g.
Veja a figura.

Barbante

Ioiô

R
M, I

Faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Utilizando as leis de Newton para rotações, demonstre que o ioiô


realiza um movimento de descida retilı́neo e uniforme de aceleração
linear dada por

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

g
a= I
. (1.1)
1+ M r2

b) Calcule a tensão T do barbante.


c) Demonstre que há conservação de energia mecânica durante o
movimento de descida do ioiô.

1.4 Puxando o Ioiô**


Considere um ioiô de massa M e momento de inércia com respeito
ao seu centro de massa I idêntico ao exposto pelo problema anterior,
isto é, composto por um par de discos de raio R, conectados por uma
pequena haste de raio r em torno da qual um barbante é enrolado.
Neste problema, o ioiô está apoiado sobre uma mesa horizontal com
atrito. Considere que o coeficiente de atrito entre o ioiô e a mesa é
suficientemente alto para garantir que não há deslizamentos.
O ioiô é puxado através do seu barbante por uma força F , cuja
direção de aplicação é identificada pelo ângulo com a direção horizontal θ,
conforme mostra a figura a seguir. Dependendo da intensidade e direção
da força F~ , diferentes movimentos podem ser observados.

Ioiô M, I
F

θ
R
μ

Faça o que se pede nos itens a seguir.


a) Identifique que condição deve ser satisfeita para que o ioiô não
perca contato com a mesa.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

b) Calcule a aceleração angular α do ioiô.


c) Demonstre que é possı́vel fazer o ioiô rolar tanto no sentido horário
quanto no anti-horário. Que parâmetro fı́sico define o sentido de
rotação do ioiô?

1.5 Rotação de disco sob ação do atrito*


Um disco circular uniforme de massa M e raio R gira com uma
velocidade angular inicial ω0 ao redor do seu centro, sendo mantido na
posição horizontal. O disco é suavemente liberado e posto em contato
com uma superfı́cie áspera de coeficiente de atrito dinâmico µ. A
aceleração local da gravidade é g. Calcule o tempo necessário para a
parada do disco devido à ação do atrito.

1.6 Chuva de Meteoritos*


Considere um planeta P de raio R e densidade de massa uniforme D,
que apresenta um movimento de rotação de perı́odo T0 ao redor do seu
próprio eixo. A partir de um determinado instante, o planeta é atingido
por uma chuva de meteoritos de grandes proporções, provenientes de
todas as direções do espaço. Como consequência desse desastre, uma
fina camada uniforme de poeira de densidade de massa d e espessura h
(h  R) é formada na superfı́cie. A nuvem de poeira descrita foi capaz
de alterar a duração do dia para T .
Estime qual será a razão entre a duração do dia com e sem a camada
de poeira T /T0 .

1.7 Cilindros empilhados***


A figura a seguir ilustra uma torre infinita de cilindros maciços e
homogêneos de raio R e massa M empilhados, dois a dois, sobre tábuas

27
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

de massas desprezı́veis. Sabe-se que o atrito entre as tábuas e os cilindros


é suficientemente grande de tal forma que não há deslizamentos entre
os cilindros e as tábuas. Por outro lado, a superfı́cie entre a primeira
tábua e o chão é polida e livre de atrito.

...
...
g

No instante inicial, o sistema todo é mantido em repouso, até que


se exerce uma força sobre a primeira tábua imprimindo nela uma
aceleração a para a direita. Qual é a aceleração horizontal observada
nos cilindros do primeiro nı́vel?

1.8 Haltere girando sem atrito*


Considere um haltere composto por um par de discos uniformes
e idênticos, de massa M e raio r, conectados por um eixo de massa
desprezı́vel e comprimento l. O sistema é colocado sobre uma mesa
polida livre de atrito. Na situação inicial, o haltere apresenta uma
velocidade angular ω em torno do eixo que une os discos e Ω em torno
do eixo perpendicular à mesa horizontal, como mostrado na figura a
seguir.

28
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

ω ω g
Ω

Eixo
l
M, r

Mesa

Demonstre que a existência de uma velocidade angular máxima Ωmax


para a qual ambos os discos permanecem em contato com o solo e calcule
o seu valor em termos de l, r, ω e aceleração local da gravidade g.

1.9 Brincando no balanço***


Para obter oscilações de amplitudes cada vez maiores, uma criança
brincando em um balanço pode abaixar-se quando o balanço chega em
um de seus pontos extremos e reerguer-se quando passa pelo ponto
mais baixo de sua trajetória. Veja a seguir uma ilustração do processo
descrito.

Considere uma criança de massa m suspensa sobre um balanço, cujas


cordas que o suspendem têm comprimento l. Suponha que, conforme
descrito anteriormente, a criança aproxima/afasta o seu centro de massa
de uma distância b com respeito aos pontos fixos das cordas do balanço.
A aceleração local da gravidade é g. Assumindo a hipótese simplificadora
de pequenas oscilações, faça o que se pede nos itens a seguir.

29
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

a) Calcule o trabalho total realizado pela criança em cada semiperı́odo


de oscilação.
b) Assumindo o ponto mais baixo da trajetória como nı́vel de re-
ferência, escreva a resposta do item anterior em função da energia
mecânica E do sistema.
c) Mostre que a energia mecânica aumenta de forma aproximada-
dE
mente exponencial de acordo com a equação = αE e determine
dt
o valor de α em termos das grandezas envolvidas no problema.

1.10 Fratura no edifı́cio**

Um forte tremor sı́smico ocorre e perturba uma torre de altura L.


O edifı́cio inicia um movimento de tombamento, girando livremente
em torno de sua base B. Durante o movimento, a estrutura da torre
rompe no ponto P . Modelando a torre como uma barra uniforme de
altura muito maior que suas demais dimensões, demonstre que o ponto
de ruptura mais provável se encontra próximo à altura inicial de L/3.

30
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.11 Queda do lápis***


Um lápis de massa m e comprimento l é colocado verticalmente
numa mesa, com a ponta fina para baixo, e inicia um giro em torno de
sua ponta a partir do repouso. O coeficiente de atrito entre a ponta
do lápis e a superfı́cie horizontal da mesa é dado por µ. Sendo g a
aceleração local da gravidade, faça o que se pede nos itens a seguir.

θ
l

a) Determine a relação entre a a velocidade e aceleração angulares, ω


e α, e a inclinação θ do lápis com a vertical. Restrinja sua análise
ao perı́odo antes de ocorrer deslizamento da ponta do lápis.
b) Considerando as mesmas condições do item anterior, mostre que
a força de contato normal entre a mesa e o lápis é dada por

 2
3 cos θ − 1
N = mg . (1.2)
2

c) Mostre que o lápis escorrega antes de atingir uma inclinação de


θ ≈ 71o .
d) Mostre que, a depender do valor de µ, a ponta fina pode deslizar
em sentido paralelo ou oposto ao movimento do lápis.

31
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.12 Placa sobre rolamentos***


Rolamentos são fixados em uma rampa muito longa de inclinação α
em relação à horizontal como mostra a figura a seguir.
Os rolamentos são cilindros maciços de massa m de superfı́cie áspera.
Os eixos dos rolamentos são horizontais e periodicamente espaçados de
uma distância d. Uma placa de madeira de massa M e comprimento
L  d é solta a partir do repouso do topo da rampa. Despreze o atrito
no eixo dos rolamentos.
g
L

d
α

A velocidade da placa é comunicada integralmente aos rolamentos.


A placa desce a parte final da rampa com velocidade constante. Faça o
que se pede nos itens a seguir.
a) Considerando desprezı́vel a energia dissipada nos rolamentos, mos-
tre que a velocidade final da placa é de
r
4dM gsenα
vmax = . (1.3)
m

Na realidade, é inevitável que exista dissipação de energia nas


superfı́cies de contato dos rolamentos e da placa e, portanto, a
expressão obtida na alı́nea anterior não se verifica.
b) Mostre que a energia dissipada na superfı́cie dos rolamentos é
igual a
2
Ivmax
Wdis = . (1.4)
2r2
onde I é o momento de inércia de um rolamento e r o seu raio.1
1A força de contato entre a placa e o rolamento pode não ser constante.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

c) Verifique que a velocidade máxima atingida pela placa é então


r
2dM gsenα
vmax = . (1.5)
m

1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO)***


A figura a seguir mostra uma esfera sólida e homogênea de raio R.
A esfera é solta a partir de uma posição inicial tal que o seu ponto mais
baixo está a uma altura h do solo. A velocidade inicial do centro de
massa da esfera é nula, enquanto sua velocidade angular em torno de
um eixo horizontal que passa pelo seu centro de massa é dada por ω0 .
O corpo é solto e inicia um movimento de queda sob o efeito da
gravidade local até colidir com o chão. A esfera quica e volta a subir até
uma posição em que o seu ponto mais baixo está a uma altura h0 = ah
do chão. O ângulo de saı́da da bola é dado por θ, conforme ilustrado
na figura a seguir. Deformações da esfera e a resistência do ar podem
ser desprezadas.
ω0
Posição g
inicial

θ
h

ah Posição
final

Considere que a colisão acontece durante um curto intervalo de


tempo ∆t. Há duas situações possı́veis: a esfera pode deslizar durante
todo o intervalo de tempo ∆t, ou apenas em parte dele. Neste problema,

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

vamos discutir ambos os casos a fim de melhor compreender o fenômeno


fı́sico.
Situação 1: Deslizamento completo
Considerando que há deslizamento entre a esfera e o solo durante todo
o intervalo de tempo ∆t, calcule:

a) O valor de tgθ.
b) A distância horizontal A percorrida pela esfera entre o primeiro e
o segundo impacto;
c) O valor mı́nimo de ω0 para que haja deslizamento durante todo o
tempo de colisão.

Situação 2: Deslizamento parcial


Considerando que o deslizamento entre a esfera e o solo cessa durante a
colisão, calcule:

d) O valor de tgθ para esse caso;


e) A distância horizontal A percorrida pela esfera entre o primeiro e
o segundo impacto.
f) Levando em conta ambas as situações, faça um gráfico do compor-
tamento de tgθ com a velocidade angular ω0 .

1.14 Pêndulo fı́sico giratório***

Um dos extremos de uma barra maciça e uniforme de comprimento


L é conectado a um eixo vertical giratório através de uma dobradiça. A
dobradiça é disposta de tal modo que no referencial do eixo vertical, a
barra pode mover-se livremente em um determinado plano vertical, sem
atrito. O eixo gira com velocidade angular ω e a aceleração gravitacional
é g.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

g ω

Desprezando quaisquer dissipações de energia, faça o que se pede.

a) Determine os valores estacionários do ângulo α em função dos


parâmetros fornecidos. Considere todos os casos possı́veis.
b) Analise a estabilidade do sistema em cada ponto de equilı́brio
identificado no item anterior e calcule a frequência angular Ω de
pequenas oscilações em torno dos pontos de equilı́brio estável.

1.15 Futebol Cúbico (Portugal)***

Um time português de futebol decidiu iniciar um programa de treino


com bola quadradas para melhorar seu rendimento. Para ajudá-los, você
deve estudar o ressalto de uma bola cúbica após um pontapé horizontal.
Considere que a esfera é uma superfı́cie cúbica polida de massa m e de
aresta igual a 2l. O ressalto da bola cúbica pode ser estudado como
uma colisão com o solo, que pode ser decomposta em duas fases de
mesma duração de tempo ∆t. São elas:
i) O jogador pontapeia a bola e esta é comprimida contra o solo;
ii) A bola descomprime-se e salta.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Fase i) Fase ii)

F
R 2l eR

Considerando a colisão descrita da bola com o chão em duas etapas,


ilustradas pela figura anterior, faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Mostre que, no instante que marca o fim da etapa i) e inı́cio da


etapa ii) do ressalto, as componentes vx e vy do centro de massa
da bola satisfazem a relação

vx F
= . (1.6)
vy R

b) Considerando o mesmo instante descrito no item anterior, deter-


mine a velocidade do canto inferior direito da bola como função
de F , ∆t, l e velocidade angular ω. Mostre também que ω e vy
satisfazem a relação
vy = ωl.

c) Determine a velocidade angular ω da bola ao final da etapa i) do


ressalto em função de m, F , l e ∆t.
d) Mostre que a componente vertical do centro de massa da bola
logo após o ressalto é dada por

3F ∆t
vy0 = (1 + e). (1.7)
5m
e) Encontre o valor que o parâmetro e deve assumir para que a bola
salte do chão apresentando velocidade de rotação nula.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.16 Oscilações de corpo rı́gido**


Uma corda ideal suporta um disco homogêneo de raio R e massa m.
Um dos extremos da corda é preso rigidamente ao teto enquanto o
outro extremo é conectado a uma mola de constante elástica k, como
mostrado na figura a seguir. A aceleração local da gravidade é g.
Considerando que não há deslizamento entre o disco e a corda,
determine a frequência angular ω0 de pequenas oscilações verticais do
disco.

R
m

1.17 Esfera na rampa**


Considere uma esfera homogênea de massa M e raio r disposto em
uma rampa cilı́ndrica de raio R > r. A esfera é deslocada para uma
posição determinada pelo ângulo θ0 e solta a partir do repouso, iniciando
um movimento oscilatório. Veja a figura a seguir.

g
θ0
M
R
r

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Sabendo que aceleração local da gravidade é g e o coeficiente de


atrito entre a esfera e a rampa é µ, calcule:
a) o valor máximo de θ0 para que não seja observado deslizamento
entre a esfera e a rampa.
b) o perı́odo de pequenas oscilações da esfera em torno do ponto
mais baixo da rampa.

1.18 Na corda bamba (Portugal adp.)***


Um funâmbulo é um tipo de equilibrista que se desloca sobre uma
corda bamba ou arame, o que requer grande destreza e muito treino.
Alguns desses equilibristas são capazes de andar grandes distâncias,
centenas de metros, sobre cordas. Para auxiliar a manter o equilı́brio,
um funâmbulo pode realizar o seu trajeto segurando uma barra flexı́vel,
como ilustra a figura a seguir.
Neste problema, estudaremos o efeito da barra transportada por um
funâmbulo no restabelecimento de seu equilı́brio.

Funâmbulo
Barra

Corda

a) Determinar o momento de inércia I do sistema equilibrista + barra


em relação ao cabo. Utilizar os seguintes sı́mbolos:
M = massa do equilibrista;
l = altura do equilibrista;
m = massa da barra;
L = comprimento da barra;

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

h = f l= altura do centro de massa da barra;2


g = aceleração da gravidade;
θ = ângulo que o equilibrista faz com a vertical.

b) Mostre que a equação de movimento do sistema (equilibrista +


barra) quando há um ligeiro desequilı́brio do funâmbulo é

Iθ00 = G, (1.8)

e determine G.
c) Quando o caminhante começa a desequilibrar-se (θ(t = 0) ≈ 0),
mostre que
θ ≈ N Λt, (1.9)

em que N é uma constante dependente das condições iniciais e


Λ, um parâmetro fı́sico de unidades adequadas. Determine Λ e
interprete-o.
Dado: As soluções da equação diferencial x00 = k 2 x são da forma
x(t) = Aekt + Be−kt , em que A e B são constantes.
d) Considerar que M = 60 kg, l=1,70 m e f = 1/2. Determinar a
eficácia da barra comparando o valor de L quando a barra tem
um comprimento L = 12 m e uma massa m = 14 kg com o seu
valor na ausência de barra. Comentar.
e) Determinar L quando a massa da barra se concentra nas suas
extremidades. Esta barra ajuda mais ou menos o funâmbulo?
f) Qual é o tipo fı́sico ideal para um funâmbulo? Por quê?

2 Normalmente f = 1/2, mas se a barra for flexı́vel e se curvar por ação da

gravidade f < 1/2.

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.19 Movimento de uma moeda (Portugal)***


Neste problema, estudaremos o movimento de uma moeda, modelada
como um disco uniforme de raio r, rolando sobre a mesa. O problema é
dividido em duas partes, cada uma dedicada a um regime distinto do
movimento. Leia atentamente as explicações fornecidas e faça o que se
pede nos itens a seguir.

Parte I - Movimento de rolamento


Considere neste primeiro momento que a moeda está inclinada de
um ângulo θ constante em relação a horizontal. A rotação da moeda
é tal que o ponto de contato dela com a mesa descreve uma trajetória
circular de raio R, como mostra a figura a seguir.

g
Moeda

r
R θ

Considere dois sistemas de eixos distintos, um sistema fixo na mesa


{x̂, ŷ, ẑ} e outro {x̂1 , x̂2 , x̂3 } com origem no centro de massa da moeda e
cujos eixos coincidem com os eixos de simetria da moeda, denominados
‘eixos principais’.3 Esse segundo sistema de eixos é solidário à moeda e
gira, portanto, com ela. Seja x̂3 o eixo fixo da moeda que é perpendicular
ao plano desta. Seja ẑ o eixo do sistema que é perpendicular à mesa. O
ângulo entre ẑ e x̂3 é, portanto, dado por θ.
Seja ω 0 a velocidade angular da moeda em torno do seu próprio x̂3 e
Ω a sua velocidade angular de rotação em torno do eixo fixo ẑ no centro
3 Nem sempre os vetores velocidade angular ω e momento angular L de um corpo

rı́gido em movimento são paralelos, isso é válido apenas para rotações em torno dos
seus eixos principais.

40
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

da trajetória do seu centro de massa. Suponha que o atrito da moeda


com o chão é suficientemente grande para que ela role sem deslizar.

a) Mostre que o vetor da velocidade angular da moeda pode ser


escrito como
~ = Ωẑ − ω 0 x̂3
ω (1.10)

e determine qual a relação entre as velocidades angulares ω 0 e Ω


deve ser satisfeita para que não haja deslizamento.
b) A expressão do item anterior recorre a dois sistemas de eixos
distintos. Reescreva a velocidade angular total da moeda, ω, em
termos dos eixos principais da moeda.
c) Determine a componente horizontal Lxy (perpendicular a ẑ) do
momento angular da moeda em relação ao seu centro de massa.
Forneça sua resposta em termos de m, r, R, θ e Ω.
d) Mostre que

~
dL 1
= mrΩ2 senθ (2R − r cos θ). (1.11)
dt 4

e) Qual é o torque τ resultante das forças que atuam sobre a moeda


em relação ao seu centro de massa?
f) Determine a frequência do movimento circular do ponto de contato
com a mesa.
g) Mostre que este movimento circular só é possı́vel se R > 65 r cos θ.

Parte II - Inı́cio do movimento de queda da moeda.


Depois de um tempo suficientemente longo, visto haver dissipação
de energia, verifica-se que o ângulo θ já não se mantém constante. A
moeda deixa então de rolar e passa a oscilar enquanto o seu centro cai
lentamente em relação à mesa. O processo de queda, no entanto, é lento,
o que significa que a inclinação da moeda mantém-se aproximadamente
constante durante intervalos de tempo pequenos.

41
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Assim, pode-se considerar o movimento de queda como uma sucessão


de pequenos saltos nos valores de θ em que, para cada valor de θ, verifica-
se que o centro de massa da moeda se mantém praticamente imóvel
enquanto essa oscila.
O movimento de queda pode ser assim estudado, considerando que θ
é constante, introduzindo-se depois uma lei para a variação lenta de θ.
Seja Ω a velocidade angular que descreve a precessão do ponto de
contato da moeda com a mesa.
h) Qual é o raio da trajetória circular do ponto de contato da moeda
com a mesa?
i) Mostre que a velocidade angular da moeda nessa fase do seu
movimento é
ω
~ = Ωsenθ x̂2 . (1.12)

j) Mostre que agora


r
g
Ω=2 . (1.13)
rsenθ

k) Mostre que, quando a moeda é vista de cima a sua face aparenta


rodar com velocidade angular dada por
r
g
Ωap = 2(1 − cos θ) . (1.14)
rsenθ

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Eletromagnetismo
2
2.1 Distância de máxima aproximação**

Dois prótons de massa mp e carga elétrica +e são projetados um em


direção ao outro, com velocidades v, de pontos infinitamente distantes,
conforme mostra a figura. O sistema é arranjado de tal forma que a
distância perpendicular entre o prolongamento dos movimentos das
partı́culas no instante inicial é L. Calcule a distância D de máxima
aproximação entre os prótons em movimento.

+e, mp

v
L
v
+e, mp

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.2 ~ de uma distribuição ρ(r)**


E

Uma distribuição de cargas gera um campo elétrico radial descrito


pela expressão

~ ρ0
E(r) = (2a3 + 2a2 r + ar2 )e−r/a r̂, (2.1)
ε0 r 2

em que ε0 é a permissividade elétrica do vácuo, ρ0 > 0 é uma densidade


volumétrica de carga elétrica, r é a distância de um ponto do espaço
até o centro da distribuição de cargas e a é uma escala de comprimento
da distribuição de carga. Faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Calcule a carga elétrica total do sistema.


b) Calcule a densidade de carga volumétrica ρ(r) para r > 0.
c) Demonstre a existência de uma carga elétrica pontual Q no sistema
e calcule o seu valor.

2.3 Campo de uma haste**

Considere uma barra fina, com densidade linear de carga elétrica


constante dada por λ, cujos extremos são os pontos A e B. Seja C um
ˆ = 2θ com os
ponto distante de h da barra e que define um ângulo ACB
~ gerado pela barra
extremos da barra. Mostre que com campo elétrico E
ˆ
em C está orientado na mesma direção da bissetriz do ângulo ACB,
conforme ilustra a figura a seguir, e calcule a sua intensidade.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

h θ θ
+ + + + + + + +
A B

2.4 Método da carga imagem I*


Uma carga +q é colocada a uma distância z0 de um plano condutor
aterrado (V = 0) de dimensões muito maiores que z0 . Faça o que se
pede.

a) Calcule a força de interação entre a carga elétrica e o plano


condutor. Ela é atrativa ou repulsiva?
b) Calcule a distribuição superficial de carga σ no plano condutor.
c) Calcule a carga elétrica total induzida no plano carregado.
d) Calcule a energia eletrostática armazenada nessa distribuição de
cargas.

z0 y

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.5 Método da carga imagem II (IPhO)***


Considere uma carga pontual q localizada nas vizinhanças de uma
esfera metálica aterrada de raio R. A presença da carga pontual induz
uma distribuição não-uniforme de carga elétrica na superfı́cie da esférica
metálica.
Calcular essa distribuição de cargas ou o campo elétrico resultante
produzido por esse sistema no espaço de maneira direta não é uma
tarefa trivial. No entanto, esse trabalho pode ser facilmente realizado
pelo uso do método das imagens, segundo o qual podemos substituir
a distribuição de carga na esfera metálica por uma carga imagem q 0
localizada no seu interior.1 Essa substituição facilita drasticamente a
descrição do campo e do potencial elétrico no exterior da esfera aterrada.

Parte I- Determinando a carga imagem


Seja d a distância da carga q ao centro da esfera e d0 a distância da
carga imagem - localizada ao longo do eixo de simetria do sistema - ao
centro da esfera. Veja a figura a seguir.

q q' R

d'
d

a) Expresse o valor da carga imagem q 0 e determine o valor da


distância d0 que localiza a carga imagem.
1 A demonstração desse fato decorre (i) da unicidade da solução da equação de

Laplace sujeita a uma determinada condição de contorno, no caso, V = 0 na superfı́cie


da esfera; e (ii) das equipotenciais de um par de cargas puntiforme corresponderem
aos diferente cı́rculos de Apolônio definidos a partir dos pontos do espaço onde as
cargas estão localizadas.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

b) Qual a força de interação entre a carga pontual e a esfera metálica?


Ela é atrativa ou repulsiva?
Parte II- Blindagem do campo elétrico
Considere agora a situação proposta na figura abaixo.
r

q R

c) Determine a intensidade do vetor campo elétrico E no ponto A


mostrado na figura.
d) Para uma distância r  d, encontre uma expressão do campo
elétrico usando a aproximação (1 + a)−2 ≈ 1 − 2a, em que a  1.
e) Para que limite de d a esfera metálica consegue blindar o campo
elétrico de q totalmente no ponto distante A?

Parte III- Energia Eletrostática do Sistema


Para toda e qualquer distribuição de cargas, é importante determinar
a energia eletrostática envolvida. No nosso problema inicial, na parte I,
existe uma interação entre a carga pontual e as cargas induzidas, assim
como entre as próprias cargas induzidas entre si. Em termos de q, R e
d, determine:2
f) a energia eletrostática de interação entre a carga pontual q e a
carga elétrica induzida na superfı́cie da esfera metálica.
2 Dica: Se necessário, use o resultado
ˆ ∞
xdx 1 1
= .
d (x2 − R2 )2 2 d2 − R2

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

g) a energia eletrostática de interação entre as cargas induzidas na


esfera metálica.
h) a energia eletrostática total do sistema.

2.6 Método da carga imagem III**


Um plano condutor infinitamente extenso mantido em um potencial
V = 0 tem uma pequena saliência semiesférica de raio a, conforme
mostrado em corte na figura abaixo. Uma carga +q é colocada a uma
distância p do plano e posicionada na vertical com relação ao topo da
saliência semiesférica. Qual a intensidade da força elétrica que atua
sobre a carga q?

+q

p
a

2.7 Bolha de sabão carregada*


Uma frágil bolha de sabão de raio R e espessura t (t  R) é
eletricamente carregada por um potencial elétrico V0 . A bolha estoura
e transforma-se em uma gota.
Faça uma estimativa do potencial elétrico adquirido pela gota. Adote
como referência de potencial elétrico um ponto infinitamente distante
da bolha de sabão carregada.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.8 Dipolos Elétricos**

Um dipolo elétrico consiste em um sistema de duas cargas de sinais


opostos +q e −q que distam uma da outra de uma distância d fixa.
Definimos ainda o braço do dipolo d~ como o vetor que liga a carga −q
~
à carga +q e o vetor momento do dipolo elétrico como p~ = q d.

Parte I- Dipolo em um campo elétrico uniforme

Na primeira parte do problema, estudaremos como um campo elétrico


uniforme E ~ pode interagir com um dipolo elétrico de momento de
~ e p~ é representado por φ, como mostra a
dipolo p~. O ângulo entre E
~ e p~, calcule
figura a seguir. Em função dos vetores E

a) a força e o torque resultantes sobre o dipolo.


b) a energia potencial do sistema, definindo o zero de energia como
a situação em que φ0 = 90o .

+q
E
d φ

-q

Parte II- Campo elétrico gerado pelo dipolo

Nesta segunda parte, investigaremos o potencial e o campo elétrico


gerados por um pequeno dipolo elétrico p~ em sua vizinhança. Seja P
um ponto do espaço, descrito pelas coordenadas esféricas (r, θ) - com
r  d - de um sistema de referência centrado no dipolo. Veja a figura.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

P
+q r
θ

d x

-q

Faça o que se pede nos itens a seguir.


c) Calcule o potencial elétrico VP do ponto P .
~ P no ponto P .
d) Calcule o campo elétrico E

2.9 Interação carga-dipolo**


Considere uma conta de massa m, carga elétrica +q e livre para
deslocar-se sem atrito por um anel circular. Um dipolo elétrico de
momento p~ é fixado no centro do anel, também imóvel, e a conta é
colocada na posição angular inicial θ0 = π/2, em repouso, como mostra
a figura a seguir. No instante de tempo inicial, t = 0, a conta é liberada
e inicia um movimento através do anel.

θ
R
+ +q
-

Faça o que se pede nos itens a seguir. As suas respostas podem ser

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

fornecidas em função da carga q, massa m, raio R do anel, momento de


dipolo elétrico p~, posição angular θ e constante eletrostática K do meio.
a) Determine o potencial elétrico V (θ) gerado pelo dipolo elétrico
em cada ponto do anel.
b) Faça uma descrição qualitativa do movimento subsequente, t > 0,
da conta.
c) Determine expressões para a velocidade linear v(θ) da conta e para
a força de contato N (θ) que o anel exerce sobre a conta. Como
seria o movimento da carga caso o vı́nculo geométrico associado
ao anel de raio R não existisse?

2.10 Rede infinita de resistores**


Considere a rede infinita de resistores idênticos, cujas resistências
elétricas são dadas por R = 1Ω, ilustrada na figura a seguir. Considere
os pontos de acesso A, B e C do circuito.

R R R
A ...

R R R

B ...
R R R
R R R

C ...
R R R

Calcule:
a) a resistência RAC entre os pontos A e C.
b) a resistência RAB entre os pontos A e B.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.11 Rede bidimensional de resistores***


Considere o arranjo de fios com resistência interna não desprezı́vel
mostrado na figura a seguir. O sistema é inicialmente composto por um
quadrado de lado L e, a partir dos centros de suas arestas, um novo
quadrado é formado. Esse processo é repetido infinitas vezes, obtendo-se
o arranjo ilustrado.
Calcule o valor da resistência equivalente entre os vértices opostos,
A e B, do primeiro quadrado. Assuma que todos os fios que compõem o
circuito têm a mesma secção transversal e a mesma resistividade. Deixe
a sua resposta em função de R, resistência elétrica de uma das arestas
de comprimento L do primeiro quadrado.

A ... B

2.12 Resistência do icosaedro*


Um icosaedro regular é um poliedro de 20 lados triangulares com
30 arestas de comprimentos iguais. Uma associação de 30 resistores
idênticos de 100 Ω é montada na forma desse poliedro onde cada aresta
é formada por um desses resistores. Determine a resistência equivalente
entre os pontos A e B.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

A B

2.13 Resistor esférico**


Considere um resistor constituı́do de fina casca condutora esférica
de raio R, espessura t e resistividade elétrica ρ. Em torno de pontos di-
ametralmente opostos da esfera são preparados dois eletrodos circulares
de raio a, de resistência elétrica desprezı́vel, como mostra a figura.
Uma corrente elétrica I entra por um terminal, atravessa parte do
resistor esférico e é coletada pelo outro eletrodo. Faça o que se pede
nos itens a seguir.
a) Calcule a densidade de corrente elétrica J(θ) que passa por um
ponto P , definido pelo ângulo θ, indicado na figura a seguir.
b) Calcule a resistência elétrica equivalente entre os dois eletrodos.3

R
θ a
I I

O
Eletrodo

´ dx

1+cos x

3 Caso necessário, utilize senx
= − 21 ln 1−cos x
+ C.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.14 Resistor cilı́ndrico**


A figura a seguir ilustra um resistor cilı́ndrico de raio b, compri-
mento L e condutividade elétrica σ. No centro do resistor existe uma
pequena inomogeneidade do material (defeito), de formato semelhante
a uma pequena esfera de raio a e de condutividade elétrica σ 0 . Sabe-se
que ∆σ = (σ 0 − σ)  σ.

b
i i
2a

Faça o que se pede nos itens a seguir.


a) Considerando o caso particular em que ∆σ = 0, calcule a re-
sistência elétrica aproximada do sistema R0 .
b) Realizando as aproximações que julgar adequadas, investigue o
efeito da existência do defeito no material sobre a resistência
elétrica R do sistema. Estime a variação de resistência elétrica
∆R = R − R0 em primeira ordem com respeito a ∆σ.

2.15 Relação entre R e C**


Esse problema investigará a relação entre a resistência elétrica R e a
capacitância C de um capacitor de dois sistemas que compartilham a
mesma geometria. Veja a figura.
Considere que o capacitor é preenchido com um material de per-
missividade elétrica ε e o resistor é constituı́do de um material de
condutividade elétrica σ.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

C R
ϵ σ

+Q -Q I

Faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Para o caso de um capacitor de placas planas e paralelas, mostre


que vale a relação

ε
RC = . (2.2)
σ
b) Demonstre que a relação encontrada no item anterior é geral,
valendo, portanto, para capacitores de qualquer formato. Despreze
efeitos de borda.

2.16 Atração entre placas**

Duas placas metálicas de área A formam um capacitor de placas


paralelas conforme ilustrado na figura a seguir. A placa superior é
suspensa por uma mola de constante k, enquanto a inferior é mantida
fixa e horizontal. Quando as duas placas estão descarregadas, a distância
de equilı́brio entre as placas é dada por h e a distensão da mola é
insignificante.
Em um segundo momento, uma fonte de tensão elétrica contı́nua V é
aplicada às placas, carregando-as eletricamente e conduzindo o sistema
a uma nova posição de equilı́brio na qual a nova distância entre entre
as placas é dada por x. Desconsidere efeitos da gravidade e considere
as massas das placas desprezı́veis.

55
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

a) Encontre uma equação que relacione a tensão V aplicada e a


distância x final de equilı́brio entre as placas.
b) Qual o valor da tensão crı́tica máxima Vc que pode ser aplicada
às placas sem que elas entrem em contato entre si?

2.17 Capacitor de placas não paralelas**


Um capacitor é formado por duas placas condutoras retangulares de
lados L1 e L2 . As placas desse capacitor não são, no entanto, paralelas.
Em uma das bordas de comprimento L1 , as placas distam uma da outra
uma distância d1 , enquanto as outras bordas com esse comprimento
distam d2 uma da outra (d2 > d1 ), como mostra a figura a seguir.

L1
d2

d1
L2

Faça o que se pede nos itens abaixo.


a) Calcule a capacitância desse sistema.
b) Considere agora que as placas estão ‘quase paralelas’, isto é,
∆d = d2 − d1  d1 . Determine o potencial elétrico e campo
elétrico dos pontos no interior do capacitor quando se aplica uma
diferença de tensão V entre as duas placas do capacitor.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.18 Carga dentro do capacitor**


Considere um capacitor de placas paralelas de área A com dimensões
muito maiores do que a distância d que as separa. As duas placas do
capacitor são aterradas e no espaço entre elas é colocada uma carga
elétrica Q, a uma distância x < d de uma das placas. Veja a figura a
seguir.
Calcule o valor da carga elétrica induzida em cada uma das placas
do capacitor.
A

d +Q
x

2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆***


Considere três pontos de um circuito qualquer A, B, C. Entre
cada um desses pontos, existem elementos de impedâncias Zxy , com
x, y = A, B ou C, como ilustrado no lado esquerdo da figura a seguir.
Denominamos esta disposição de elementos de ‘configuração ∆’4 .
É possı́vel trocar esse conjunto de três impedâncias por um novo
trio de impedâncias distribuı́das com um nó central Zx , x = A, B ou C.
Denominamos esta nova disposição de elementos do circuito - ilustrada
no lado direito da figura a seguir - de ‘configuração Y’5 .
Esse tipo de transformação pode ser muito útil quando não é possı́vel
decompor um sistema de impedâncias como uma composição trivial de
associações em série e em paralelo. Os resultados a seguir também são
conhecidos como teorema de Kennelly.
4 Lê-se delta ou triângulo.
5 Lê-se ‘Y’ ou estrela.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

A A

ZAB ZAC ZA
ZB ZC

B ZBC C B C

a) Mostre que a relação entre as impedâncias das duas configurações


é dada por

ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZAB =
ZC

ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZAC = (2.3)
ZB

ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZBC = .
ZA
Essas três relações são chamadas de transformação Y-∆.
b) Mostre também que a transformação inversa, ∆-Y, é expressa pela
equações

ZAB ZAC
ZA =
ZAB + ZAC + ZBC

ZAB ZBC
ZB = (2.4)
ZAB + ZAC + ZBC

ZAC ZBC
ZC = .
ZAB + ZAC + ZBC
58
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.20 Impedância equivalente*


Considere um circuito elétrico composto por um resistor de re-
sistência elétrica R, três capacitores de capacitância C e três indutores
de indutância L, associados conforme ilustrado na figura a seguir. Des-
prezando a indutância mútua entre os indutores, calcule a impedância
equivalente entre os pontos A e B.

R C
A
L L

C L C
B

2.21 Cabo coaxial com dielétrico**


Considere um cabo coaxial de raio interno r1 , externo r2 e compri-
mento L semi-preenchido por um lı́quido com constante dielétrica r . A
outra metade do cabo coaxial é preenchida com ar. Um potencial V1 é
aplicado de acordo com a figura abaixo.

V1

Calcule:

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

~ e o vetor deslocamento D
a) o campo elétrico E ~ no ar e no dielétrico
na região r1 < r < r2 .
b) a carga elétrica Q armazenada no condutor interno do cabo coaxial.
c) a capacitância C do sistema.

2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico*


Considere capacitor de placas esféricas com armaduras metálicas
finas de raios a e b (a < b), eletricamente carregadas com cargas Q e
−Q, respectivamente. A armadura interna do capacitor é revestida por
uma camada de dielétrico de espessura t = α(b − a), com 0 < α < 1, e
constante dielétrica k.
Calcule:
a) A capacitância do sistema em função de α, k, das dimensões das
armaduras metálicas e da permissividade elétrica ε0 do vácuo.
b) O campo elétrico dentro de todos os pontos no interior do capaci-
tor.
c) A densidade superficial de carga induzida nas paredes do dielétrico.

2.23 Força sobre o dielétrico**


Duas placas metálicas quadradas de lado L estão separadas de
uma distância d  L. Uma placa de material dielétrico de constante
dielétrica k e dimensões L × L × d encontra-se parcialmente inserida na
região entre as placas metálicas, como mostra a figura a seguir.
Uma fonte é ligada nas armaduras do capacitor, armazenando uma
carga Q no capacitor, e então é desconectada das mesmas. Observa-se
uma força elétrica F~ que atrai o material dielétrico para o interior do
capacitor quando a placa de material dielétrico está inserido de uma
distância x no interior do capacitor. Faça o que se pede nos itens a

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

seguir.
x

d F k
L
a) Calcule a capacitância do sistema parcialmente preenchido pelo
material dielétrico.
b) Explique a origem fı́sica microscópica da força F~ e calcule a sua
intensidade em função dos parâmetros fı́sicos relevantes.
c) Considere que a fonte não é desconectada das placas do capacitor,
de tal forma que se estabeleça entre as placas uma diferença de
potencial elétrico V fixa. Calcule o valor de força elétrica sobre o
dielétrico na nova configuração descrita.

2.24 Dissipação em um circuito RC**


Considere um capacitor de placas paralelas, preenchido com ar e com
capacitância C, associado em série a um resistor de resistência R. Os ele-
mentos de circuito são ligados a uma fonte ideal de força eletromotriz V ,
como mostra a figura a seguir.

V C

R
O capacitor é carregado e o sistema atinge um estado de equilı́brio E1 .
No instante t = 0, um dielétrico de constante dielétrica k é rapidamente
colocado no espaço entre as placas do capacitor, preenchendo-o comple-
tamente e, consequentemente, surge uma corrente elétrica i(t), t > 0,

61
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

no circuito. Após um longo intervalo de tempo, a corrente elétrica cessa


e o sistema atinge um novo estado de equilı́brio E2 . Faça o que se pede
nos itens a seguir.

a) Determine a corrente elétrica i(t).


b) Calcule a energia Ed dissipada pelo circuito durante a passagem
do estado E1 para o estado E2 do circuito.
c) Determine a fração η da energia fornecida pela fonte que foi
armazenada pelo capacitor ao longo da passagem do estado E1
para o estado E2 do circuito.
d) Ainda há dissipação de energia e rendimento elétrico η < 1 no
caso em que R é aproximadamente nula? Explique o que acontece
nesse caso.

2.25 Espectrógrafo de massa**

Isótopos de um mesmo elemento quı́mico não podem ser isolados


por processos quı́micos. Para separá-los é preciso um procedimento que
possa distinguir a diferença de massa, como a espectrometria de massa.
Considere um espectrógrafo de massa no qual os átomos são ioni-
zados6 e acelerados por uma diferença de potencial elétrico. Os ı́ons
entram em uma câmara com um filtro de velocidades composto de
um campo elétrico Ef e uma campo magnético Bf , perpendiculares
entre si. O filtro seleciona as partı́culas com velocidade próxima a um
determinado valor v0 .
Em seguida, os ı́ons entram em uma segunda câmara, na qual existe
um campo magnético B uniforme, como mostra o diagrama a seguir, e
incidem sobre um anteparo após descrever uma trajetória curvilı́nea.

6 Isso pode ser feito com radiação de alta energia, por exemplo.

62
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

V0
Filtro de velocidades

Íon E B
B
+ +

R
Acelerador de íons

P
Anteparo

a) Demonstre como os campos elétrico e magnético descritos, Ef e


Bf , funcionam como seletores de velocidade. Calcule a velocidade
v0 selecionada em termos de Ef e Bf .
b) Calcule o raio R da órbita descrita pelo ı́on na segunda câmara
e discuta como os diferentes isótopos de um elemento podem ser
identificados pelo espectrômetro.
c) Sabendo que a resolução espacial do anteparo é dada por ∆x0 ,
estime que condições devem ser satisfeitas por v0 e sua incerteza
relativa, ∆v0 /v0 , para que o espectrógrafo seja capaz de distinguir
isótopos de número atômico Z e números de massa A e A + 1.

2.26 Passagem de corrente por um fio*


Um cilindro condutor comprido, de raio a e comprimento L, conduz
uma corrente I uniformemente distribuı́da pela sua seção transversal.
A resistividade do material do qual o cilindro é feito vale ρ.
a) Determine a dependência entre o campo elétrico E no interior do
cilindro com respeito a a, ρ e I.
b) Calcule o campo magnético B na superfı́cie externa do condutor.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

c) Calcule o vetor de Poynting na superfı́cie do fio e demonstre que


a taxa do fluxo de energia Φ através da superfı́cie lateral do fio é
igual a potência elétrica dissipada no fio.

2.27 Força eletromotriz induzida*


Um longo fio condutor é curvado na forma de um ‘V’ com um
ângulo de 60o e conectado a uma haste condutora móvel, formando um
triângulo equilátero, conforme a figura a seguir.
Este sistema é colocado numa região de campo magnético uniforme
de magnitude constante igual a B e direção perpendicular ao plano
formado pelo fio condutor. Em um determinado instante, o fio é puxado
com velocidade constante v, perpendicular à haste, mantendo a mesma
geometria inicial do triângulo. Considerando que o contato elétrico
entre os fios seja perfeito, determine a força eletromotriz induzida no
sistema.

B
v

60o

2.28 Espira em formato de espiral*


Um fio metálico é enrolado em formato espiral com N voltas, N  1,
e distância h entre as mesmas, conforme ilustrado na figura a seguir.
Um campo magnético de magnitude crescente com o tempo, segundo
a expressão B = kt, espacialmente uniforme e direção perpendicular ao
plano definido pelo fio metálico é aplicado na região.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Calcule a força eletromotriz E induzida entre as extremidades do fio.

B(t)
h

2.29 Freio eletromagnético*

Uma barra metálica H de comprimento l e massa m escorrega sem


atrito em trilhos verticais unidos por uma haste horizontal de resistência
elétrica R. As resistências elétricas dos trilhos e da barra metálica
podem ser desprezadas. O sistema está localizado em uma região com
campo magnético uniforme de módulo B perpendicular ao plano dos
trilhos. O sistema descrito é ilustrado na figura a seguir.

Devido à ação do peso, a barra metálica inicia um movimento de


queda a partir do repouso no instante t = 0 e uma corrente elétrica
induzida surge no sistema. Faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Calcule a corrente elétrica i(t) e a velocidade da barra v(t) em


função do tempo.
b) Discuta o balanço de energia nesse sistema.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

g R

2.30 Espira em um campo B não-uniforme**

Uma espira condutora de massa m, raio a e resistência elétrica R é


solta horizontalmente a partir do respouso, iniciando um movimento de
queda ao longo da direção z. A aceleração local da gravidade é g. No
espaço ao redor da bobina existe um campo magnético cuja componente
vertical Bz varia segundo a equação

Bz = B0 (1 + kz), (2.5)

em que B0 e k são constantes fı́sicas com unidades adequadas. Sabe-se


que a espira mantém-se sempre horizontal ao longo de todo o movimento
subsequente. A respeito do sistema fı́sico descrito, faça o que se pede
nos itens a seguir.

a) Calcule a velocidade terminal de queda da espira vmax .


b) Explique como a força magnética é capaz de frear o movimento
de queda da espira.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.31 Solenoide finito*


Um solenoide de comprimento L, raio R e n voltas por unidade
de comprimento é atravessado por uma corrente elétrica I. Calcule a
intensidade do campo magnético B gerado pelo solenoide ao longo de
todo o seu eixo de simetria.

2.32 Canhão eletromagnético**


Um canhão eletromagnético é um sistema constituı́do de capacitor
de capacitância C, alimentado por uma fonte de tensão V0 , que serve
para acelerar uma haste condutora de resistência R e massa m, livre
para movimentar-se ao longo de dois trilhos metálicos de resistência
desprezı́vel, paralelos e com distância l um do outro. O sistema dispõe
de uma chave S com duas posições possı́veis, uma correspondendo ao
carregamento do capacitor e outra que permite com que o capacitor
entregue energia para a haste móvel.
O sistema descrito é imerso em um campo magnético B uniforme e
perpendicular ao plano definido pelos trilhos, conforme ilustra a figura.

A S B
B
R l
V0 C

Quando a chave está ligada em A, o capacitor é carregado, liberando a


sua energia quando a chave é ligada ao ponto B, de tal forma que a haste
é impulsionada para longe do capacitor. Desprezando a autoindutância
do sistema, determine
a) a equação que determina a velocidade v(t) da haste móvel.

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

b) o rendimento máximo possı́vel do canhão eletromagnético.

2.33 Toroide de secção quadrada*


Um anel de ferro de raio interno R e secção transversal quadrada de
aresta a é uniformemente enrolado com N voltas de um fio de cobre.
O fio enrolado ao redor do toroide é ligado a um circuito de tal forma
que passa a ser atravessado por uma corrente elétrica I, como mostra a
figura a seguir. A permeabilidade magnética do ferro é dada por µ.
R

a
I
Calcule:
a) o campo magnético H e a indução magnética B no anel em função
da distância radial r, com a < r < a + R, medida a partir do eixo
axial de simetria do toroide.
b) a autoindutância L do toroide descrito.

2.34 Indutância mútua entre fio e espira*


Uma espira circular de raio a é colocada nas proximidades de um
fio condutor retilı́neo e infinito. A espira e o fio estão contidos em um
mesmo plano. Calcule a indutância mútua entre a espira e o fio infinito
nas situações descritas a seguir.
a) Quando a espira tangencia o fio infinito, isto é, quando a distância
entre o centro da espira e o fio condutor é dada por a.
b) Quando o centro da espira encontra-se à distância b (b > a) do fio
condutor.

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Relatividade restrita
3
3.1 Comprimento da barra inclinada*
Uma barra de comprimento próprio L viaja com velocidade ~v = βcx̂
com respeito ao referencial do laboratório. No referencial S 0 , solidário à
barra, o ângulo entre ela e a direção x0 (x̂0 k x̂) é dada por θ0 .
a) Calcule o ângulo entre o comprimento da barra e a direção x,
medida no referencial do laboratório S.
b) Calcule o comprimento total da barra LS no referencial S.

3.2 Colisão de foguetes*


Considere dois foguetes em rota de colisão frontal com velocidades
relativı́sticas. Segundo um observador terrestre, os dois foguetes estão
separados a uma distância L = 4, 2.108 m. O foguete A tem uma
velocidade dada por ~vA = 0, 8c x̂ e a velocidade do foguete B é dada por
~vB = −0, 6c x̂, no instante de tempo t = 0. Sabendo que as velocidades
dos foguetes não variam com o tempo, responda as questões a seguir.
a) No referencial da Terra, quanto tempo demora até que os foguetes

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

colidam?
b) Com respeito ao referencial do foguete A, qual a velocidade do
foguete B? E com respeito ao foguete B, qual a velocidade do
foguete A?

3.3 Trem de pulsos (FIFT)**

Considere uma fonte de luz #1 e um fotodetector, ambos em repouso


e respectivamente localizados nas posições A e B segundo um referencial
inercial O. A fonte luminosa emite pulsos de luz de curtı́ssima duração
em direção ao fotodetector a cada τ unidades de tempo.
Considere ainda um referencial O0 solidário a uma fonte de luz #2,
que se desloca de A para B com velocidade v e emite pulsos de curtı́ssima
duração toda vez que é atravessada por um pulso proveniente de A.
Veja a figura.

v
#2 τ'

O' Detetor
#1 τ

O
*
A B

a) Com relação aos pulsos luminosos emitidos pela fontes #1 e #2,


qual deles chega adiantado no fotodetector no ponto B? Justifique
a resposta.
b) Calcule o intervalo de tempo τ 0 entre duas emissões sucessivas da
fonte #2, segundo o referencial O0 .

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.4 Princı́pio da antecedência das causas**


Sejam E1 e E2 dois eventos que ocorrem nas coordenadas de espaço
tempo (x1 , t1 ) e (x2 , t2 ), respectivamente, segundo um referencial S.
Nesse referencial, os eventos ocorrem a uma distância de D = x2 −x1 > 0
e definem um intervalo de tempo T = t2 −t1 > 0. Sendo S 0 um referencial
que se move com velocidade v = βc em relação a S no sentido positivo
da direção x, faça o que se pede nos itens a seguir.
a) Mostre que o intervalo de tempo registrado entre os eventos E1 e
E2 , medido por um observador no referencial S 0 , é dado por
 
0 vD
T =γ T− 2 , (3.1)
c
1
em que γ = p .
1 − β2
b) Os eventos podem ser simultâneos para o observador S 0 ? Deter-
mine que relação entre c, D e T que deve ser satisfeita para que
isso possa acontecer.
c) Sabendo que a máxima velocidade de transmissão de um sinal é
dada pela velocidade da luz no vácuo, c, mostre que o fato de o
evento E1 ser a causa do evento E2 implica c > D/T .
d) Suponha que a hipótese do item c) não fosse verdadeira, ou seja,
que existisse um sinal emitido com velocidade c0 > c. Mostre que
tal fato permite uma violação do princı́pio da antecedência das
causas: uma causa sempre ocorre antes ou simultaneamente com
seu efeito.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.5 Paradoxo da vara e do galpão**

Considere um corredor relativı́stico, deslocando-se em linha reta com


velocidade constante de v = 0, 8c, carregando uma vara de comprimento
próprio de L = 20 m. O corredor dirige-se para o interior de um galpão
de D = 15 m de profundidade. À porta do galpão encontra-se um
porteiro que a fechará assim que verificar que ambas as extremidades da
vara do corredor passaram pela porta. O tempo de reação do porteiro é
nulo.

v=0,8c

L=20 m D=15 m

Faça o que se pede nos itens a seguir.


a) Determine o comprimento da vara no referencial do porteiro do
galpão.
b) Segundo o referencial do porteiro, pode-se dizer que a vara cabe
no galpão, isto é, que a vara encontra-se inteiramente no interior
do galpão quando a porta é fechada?
c) Determine o comprimento do galpão no referencial do corredor.
d) Devido a efeitos relativı́stico, a profundidade do galpão medida
no referencial do corredor é diferente do referencial do porteiro.
No referencial do corredor ainda se pode dizer que a vara cabe no
galpão? Esclareça o paradoxo gerado pelas observações dos dois
referenciais. A vara cabe ou não no galpão?

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.6 Régua atravessando a placa***

Uma placa de metal muito fina, com um furo circular de diâmetro


D0 , é mantida na horizontal e desloca-se para cima com velocidade
vy . Na região próxima à placa, uma régua de comprimento próprio D0
desloca-se horizontalmente com velocidade horizontal vx conforme a
figura a seguir.

D y

vx

x
z
vy
D0

As velocidades envolvidas são relativı́sticas, de tal forma que, no


referencial do laboratório, a régua sofre uma contração de comprimento.
O movimento relativo entre a régua e a placa é tal que a régua atravessa
a placa e os seus centros geométricos coincidem por um instante.
Considerando o referencial da régua, surge um paradoxo: nesse
referencial, o comprimento da régua permanece D0 e o diâmetro do furo
da placa metálica ao longo da direção x contrai-se. Faz-se necessário
atravessar uma régua de comprimento D0 por uma distância D < D0 .
Resolva o paradoxo proposto, explicando como conciliar as observações
realizadas nos referenciais do laboratório e da régua.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.)**


Um atirador de elite e um terrorista estão viajando em dois trens
que possuem velocidades v = c/2, orientadas na mesma direção e
sentidos opostos. A missão do atirador é neutralizar o terrorista, com
um único tiro de pistola, no exato momento em que eles se cruzam. A
distância entre os trilhos dos trens é de D = 60 m e cada um dos trens
tem L0 = 800 m de comprimento próprio. Tanto o atirador quanto o
terrorista estão sentados no centro de cada trem, isto é, a 400 m da
frente. A bala da pistola sai a vb = c/3, perpendicularmente à janela
do atirador, segundo o referencial deste.
a) No referencial do atirador, qual a velocidade do terrorista?
b) No referencial do atirador, qual o comprimento do trem no qual
viaja o terrorista?
c) Depois de ver o trem do terrorista passar, quanto tempo o atirador
deve esperar até disparar a sua pistola?
d) A partir do instante no qual o terrorista vê a frente do trem do
atirador passar, quanto tempo passa em seu relógio até ele ser
alvejado?

3.8 Fórmula de Fizeau*


Neste problema discutiremos o experimento da medida da velocidade
da luz num meio em movimento realizado por Hippolyte Fizeau, em
1851. Ele investigou raios de luz propagando-se em tubos de água
corrente, com velocidade V  c e ı́ndice de refração n, utilizando um
interferômetro semelhante ao ilustrado na figura a seguir.
Considere uma fonte de luz S de comprimento de onda λ (no ar), cuja
luz incide sobre um divisor de feixe G. Os feixes resultantes atravessam
uma lente convergente L, saindo paralelos e atravessando as fendas F1
e F2 . Em seguida, os dois raios de luz atravessam os tubos A1 e A2 ,

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

que contêm água corrente.


O sentido do movimento da água está indicado na figura e é tal
que a luz se desloca a favor do movimento da água em um dos tubos,
enquanto no segundo se desloca contra o movimento do lı́quido. Após
atravessar os tubos de água, os raios incidem sobre uma segunda lente
convergente, L0 , e uma diferença de fase entre eles pode ser medida no
detector D.

L' A1 V
F1 L G
D
S

F2
A2
V

Seja v+ (v− ) a velocidade do raio de luz que viaja a favor (contra)


a corrente de água no referencial do laboratório, defina δv como a
semi-diferença de velocidades resultantes do movimento da água, isto é,
δv = (v+ − v− )/2.

a) Calcule a diferença de fase medida entre os dois raios de luz no


detector D. Deixe sua resposta em primeira ordem em δv/c.
b) Segundo a composição de velocidades clássica, as velocidades da
luz nos tubos deveriam ser dadas pela expressão v± = c/n ± V , de
tal forma que δv = V . No entanto, verificou-se experimentalmente
que as velocidades da luz nos tubos são dadas por
 
c 1
v± = ±V 1− 2 , (3.2)
n n
1

ou seja, a luz é ‘arrastada’ apenas de uma fração f = 1 − n2 da
velocidade do meio material V no qual ela viaja. Mostre que esse
resultado é previsto pela teoria da relatividade de Einstein.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.9 Efeito Farol**


Considere uma fonte luminosa que irradia luz para todas as direções
do espaço de maneira isotrópica no seu próprio referencial. Um efeito
relativı́stico interessante é que essa isotropia da emissão de luz é quebrada
pelo movimento da fonte com respeito a um observador. Esse fenômeno
recebe o nome de ‘Efeito Farol’.1
Considere uma estrela que emite luz de maneira isotrópica no seu
próprio referencial e que viaja com uma velocidade v = βc na direção x,
segundo o referencial da Terra.
a) Considere um raio de luz emitido fazendo um ângulo ϕ0 com a
direção do eixo x0 do referencial da estrela. Mostre que o ângulo
ϕ entre a direção do feixe, medido por um observador na Terra,
com o eixo x desse referencial é determinado pela equação

cos ϕ0 + β
cos ϕ = . (3.3)
1 + β cos ϕ0
b) A denominação desse efeito justifica-se pelo fato da luz concentrar-
se na direção do movimento da fonte luminosa, como se fosse um
‘farol’ apontando nessa direção. Determine o ângulo de abertura ϕ
de um cone com o eixo coincidente com a direção x e que contenha
50% de toda a energia emitida pela estrela.

3.10 Desvio para o vermelho*


O efeito Doppler é um fenômeno fı́sico muito útil para determinar
as velocidades v = βc relativas dos corpos celestes com respeito à Terra.
Quando uma fonte luminosa afasta-se da Terra, sua radiação sofre um
deslocamento para baixas frequências, o que é chamado de desvio para
1 Esse é um efeito com aplicações tecnológicas importantes como fontes de luz

sı́ncrotron. Pesquise a respeito do projeto Sirius, a maior e mais complexa infraes-


trutura cientı́fica já construı́da no Brasil até hoje.

76
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

o vermelho. Analogamente, há um desvio para o azul, isto é, região


de altas frequências, do espectro recebido por fontes luminosas que se
aproximam da Terra.
Observa-se que a grande maioria dos corpos celestes se distancia da
Terra com velocidade v proporcional a sua distância da Terra r, isto
é, existe uma constante H0 tal que v = H0 r para grande parte dos
corpos celestes. A constante H0 é conhecida como constante de Hubble
e é aproximadamente dada por 74 km s−1 Mpc−1 .2 Essas observações
compõem parte das evidências da expansão do universo.
a) Demonstre que o efeito Doppler da luz é observado mesmo para
movimentos transversais, isto é, quando a velocidade da fonte
luminosa é perpendicular ao segmento de reta que une o observador
e a fonte luminosa. Determine o comprimento de onda λ percebido
por um observador terrestre em função do parâmetro β e do
comprimento de onda próprio λ0 medido no referencial de uma
fonte que se movimenta transversalmente com relação à Terra.
b) O maior comprimento de onda emitido pelo átomo de hidrogênio
da série de Balmer é de λ0 =656 nm. Na luz de uma galáxia
distante da Terra, o comprimento de onda desta mesma linha
espectral é λ=1458 nm. Estime a distância dessa galáxia até a
Terra.

3.11 Grandezas invariantes*


Algumas grandezas fı́sicas se caracterizam por permanecerem inalte-
radas diante de mudanças de referencial, sendo chamadas de invariantes
por transformações de Lorentz. Faça o que se pede nos itens a seguir
em que dois exemplos são abordados.
a) Mostre que a grandeza ∆s2 = ∆x2 +∆y 2 +∆z 2 −(c∆t)2 permanece
2 Um parsec (pc) é uma unidade astronômica de distância que corresponde a

aproximadamente 3,26 anos-luz.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

invariante com uma transformação de Lorentz.


b) Mostre que a quantidade E 2 − (pc)2 de uma partı́cula também é
invariante sob mudanças de referenciais inerciais.

3.12 Movimento sujeito à força constante*


Uma partı́cula de massa de repouso m0 é submetida a uma força
constante de módulo dado por F0 . No instante inicial do movimento,
t = 0, o corpo encontrava-se em repouso.
a) Calcule as equações horárias x(t) e v(t) do corpo.
b) Demonstre que o limite não relativı́stico das expressões encontra-
das corresponde aos resultados do movimento retilı́neo uniforme-
mente variado.

3.13 Acelerador cı́clotron*


O Large Hadron Collider (LHC) é o maior acelerador de partı́culas
do mundo. Ele começou a operar em 2008 e conta com um túnel circular
de 27 km de comprimento, localizado a 100 metros de profundidade.
Feixes de prótons podem ser acelerados por campos elétricos no interior
dos túneis e mantidos em trajetória circular através da aplicação de
campos magnéticos. O interior dos tubos é mantido em ultra-alto
vácuo e os eletroı́mãs utilizados, que geram campos magnéticos cujas
intensidades podem chegar a 8,36 T, são resfriados até temperaturas
próximas do zero absoluto.3
No LHC, dois feixes de prótons são acelerados até velocidades
próximas a da luz, c = 3.108 m/s, e colocados em rota de colisão.
Essas colisões de altas energias geram fenômenos muito interessantes.
3 Mais informações sobre o LHC estão disponı́veis em
https://home.cern/science/accelerators/large-hadron-collider.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

A massa de repouso do próton é mp = 1,67 .10−27 kg= 938 MeV/c2 e


sua carga elétrica, e = 1, 6.10−19 C.
Estime a energia máxima, em eV, que pode ser obtida pelos prótons
no LHC considerando:
a) apenas efeitos clássicos (fı́sica newtoniana).
b) efeitos relativı́sticos.

3.14 Foguete relativı́stico***


Um foguete de massa inicial M0 ejeta seu combustı́vel com velocidade
dada por −u, relativa ao referencial inercial solidário ao foguete. Usando
da mecânica newtoniana, é possı́vel mostrar que a velocidade V (t) do
foguete em um instante t está relacionada com sua massa M (t) < M0
segundo a equação4
 
M (t) V (t)
= exp − . (3.4)
M0 u

Neste problema, exploraremos o caso de um foguete de massa variável,


no qual a velocidade u do combustı́vel expelido está próxima a velocidade
da luz. Faça o que se pede nos itens a seguir.
a) Mostre que a expressão

M dv = −dM u, (3.5)

em que dv é uma variação infinitesimal da velocidade do foguete,


com respeito a um referencial inercial St solidário ao mesmo no
instante t, continua sendo válida para o caso relativı́stico.
b) Mostre que, para o caso relativı́stico, a velocidade V (t) do foguete
em um instante t está relacionada com sua massa M (t) < M0
4 O caso clássico deste problema está resolvido no livro Fı́sica em Nı́vel Olı́mpico

- volume 1.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

segundo a equação
 c
 2u
M 1−β
= , em que β = V /c. (3.6)
M0 1+β

c) Demonstre a concordância dos resultados clássico e relativı́stico


para baixas velocidades.

3.15 Colisão de prótons (Portugal)**


O LHC é o maior acelerador de partı́culas existente no mundo e
pertence ao laboratório CERN que fica na fronteira entre a França e a
Suı́ça. Esse acelerador de partı́culas é constituı́do de um túnel de 27 km
e é capaz de acelerar feixes de prótons até altı́ssimas energias. Nessas
colisões, diferentes partı́culas de matéria e antimatéria são formadas e
detectadas no laboratório. A partir desses estudos, os cientistas podem
investigar as caracterı́sticas mais elementares das partı́culas.
Considere a produção de um par próton (p) e antipróton (p) segundo
a reação
p + p → p + p + p + p.

Admitindo que um dos prótons estivesse em repouso, determine a


energia mı́nima do próton em movimento para gerar uma colisão capaz
de produzir o par de partı́culas desejado. Considere a massa do próton
como mp = 938, 27 MeV/c2 .

3.16 Desintegração de uma partı́cula*


Uma partı́cula de massa de repouso m0 isolada encontra-se ini-
cialmente em repouso com respeito ao referencial do laboratório e
desintegra-se em duas novas partı́culas, 1 e 2, cujas massas de repouso
são dadas por m1 e m2 .

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

a) Calcule a energia cinética total do par de partı́culas resultantes


da desintegração de m0 .
b) Calcule as energias cinéticas T1 e T2 de cada uma das duas
partı́culas observadas após o decaimento.

3.17 Decaimento de um nêutron***


Um nêutron livre e em repouso no referencial do laboratório decai
originando três partı́culas não interagentes: um próton, um elétron e
um anti-neutrino. A massa do anti-neutrino é assumida diferente de
zero e muito menor do que a massa de repouso do elétron.
Determine, com respeito ao referencial do laboratório, o valor máximo
possı́vel da energia total do elétron após o processo de decaimento do
nêutron, Emax , e a velocidade vν do anti-neutrino quando E = Emax .
Ambas as respostas devem ser dadas em função da velocidade da luz c
e das massas de repouso do próton (mp ), do elétron (me ) e do neutrino
(mν ).

3.18 Transformação de Forças**


Considere uma partı́cula submetida a uma força F~ = Fx x̂+Fy ŷ+Fz ẑ
e com velocidade ~v = vx̂, medidas com respeito a um referencial inercial
S. Seja S 0 um segundo referencial inercial que se move com velocidade
~u = ux̂ com respeito ao referencial S. Faça o que se pede nos itens a
seguir.
a) Determine a quantidade de movimento Px e a energia total E da
partı́cula, medidas no referencial S.
b) Determine a quantidade de movimento P~ 0 da partı́cula, medida
no referencial S 0 . Deixe sua resposta em termos de Px e E.
c) Mostre que as componentes Fx0 , Fy0 e Fz0 da força que atua sobre a
partı́cula, medidas por um observador no referencial S 0 , são dadas

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

pelas expressões

βu dE

Fx −
Fx0 = c dt
1 − βuc v

Fy
Fy0 =   (3.7)
γu 1 − − βuc v

Fz
Fz0 =  ,
βu v
γu 1 − c

1
em que u = βu c e γu = √ 2
.
1−βu

d) Particularize o resultado do item anterior para o caso em que S 0


é solidário à partı́cula, isto é, u = v.

3.19 ~ e B**
Transformação de campos E ~

Sabe-se do eletromagnetismo que cargas elétricas em movimento,


isto é, corrente elétricas, são fontes de campos magnéticos. Por outro
lado, uma carga pode ou não estar em movimento dependendo do
referencial adotado. Esses dois fatos são conciliados estabelecendo
~ r) e B(~
uma relação entre os campos eletromagnéticos E(~ ~ r), medidos
~ 0 (~r0 ) e B
em um referencial S, e campos E ~ 0 (~r0 ), medidos em um outro
referencial S 0 .
Neste problema, vamos investigar como deve ser a relação entre
os campos eletromagnéticos medidos com respeito a dois referenciais
distintos.

Parte I
Considere um capacitor de placas metálicas quadradas dispostas
paralelamente ao plano yz. As placas têm massa desprezı́vel, compri-
mento de aresta L e distam d uma da outra assim como medido por um

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

observador S solidário ao capacitor. Assuma que, segundo o observador


S, o campo elétrico no interior do capacitor é uniforme e dado por
Ex x̂. Sendo S 0 um referencial no qual o capacitor viaja com velocidade
v = βcx̂, faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Determine a área das placas do capacitor A0 e a distância entre


as mesmas d0 , medidas por um observador no referencial S 0 .
b) Determine a componente longitudinal do campo elétrico Ex0 me-
dida por um observador no referencial S 0 .

A relação entre as componentes longitudinais Ex e Ex0 dos campos


elétricos pode ser generalizada para outros sistemas.

Parte II
Nesta segunda parte do problema, considere que o capacitor descrito
anteriormente está disposto de tal forma que suas placas encontram-se
paralelas ao plano xz e distam d uma da outra segundo um referencial
S solidário ao capacitor. Seja Ey ŷ o vetor campo elétrico no interior
do capacitor segundo o referencial S. O referencial S 0 é definido de tal
forma que o capacitor viaja com velocidade v = βc na direção x.

c) Determine os parâmetros geométricos que caracterizam o capacitor,


distância entre as placas d0 e área das placas A0 , medidos por um
observador no referencial S 0 .
d) Determine a intensidade do campo elétrico Ey0 medida por um
observador no referencial S 0 . Escreva a sua resposta em termos
de Ey e do fator de Lorentz γ.
e) Utilizando a lei de Ampère, calcule o valor da componente do
campo magnético Bz0 medido pelo observador S 0 . Escreva a sua
resposta em termos de Ey , velocidade da luz c, β e γ.

Parte III
Por fim, para deduzir como a componente Bx do campo magnético é
transformada por uma mudança de referencial, considere um solenoide

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

longo coaxial ao eixo x sendo atravessado por uma corrente I segundo


um observador S solidário ao solenoide, que afere uma densidade de
voltas por unidade de comprimento igual a n. O referencial S 0 é definido
de tal forma que o solenoide viaja com velocidade v = βcx̂ com respeito
a S0.

f) Qual a densidade de voltas n0 e a corrente elétrica I 0 que atravessa


o solenoide segundo o referencial S 0 ?
g) Determine a componente longitudinal do campo magnético Bx0
medida por um observador no referencial S 0 . Deixe sua resposta
em termos de Bx .

3.20 Espira quadrada (IPhO)***


Considere uma espira quadrada com arestas de comprimento L,
com um grande número de esferas idênticas de raios desprezı́veis e
carga elétrica q, movendo com uma velocidade escalar u e separação
a << L constante entre elas, como pode ser visto a partir de um
referencial solidário à espira. O fio condutor que constitui a espira tem
uma densidade de carga homogênea por unidade de comprimento no
referencial do circuito de tal maneira que o sistema tem uma carga total
nula em todas as suas arestas. Considere a situação em que o circuito
se move com velocidade v paralelamente ao seu lado AB, conforme
ilustrado na figura a seguir. A espira atravessa um região do espaço
~ cuja direção é perpendicular
onde existe um campo elétrico uniforme E,
à velocidade do circuito e faz um ângulo θ com o plano da espira.
Levando-se em conta os efeitos relativı́sticos, calcule as magnitudes
das grandezas consideradas nos itens a seguir, medidas no sistema
de referência S 0 de um observador que vê a espira movendo-se com
velocidade v descrita anteriormente. A carga elétrica total de um objeto
isolado é independente do sistema de referência. Desprezando quaisquer
efeitos da radiação eletromagnética, responda aos itens que seguem.

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Todas as respostas devem ser determinadas em termos de grandezas


especificadas no problema.

L
E A B
u u
a
θ
v
u u
D C

a) O espaçamento entre as esferas em cada um dos lados da espira:


aAB , aBC , aCD e aDA .
b) O valor da carga total (fio condutor + esferas carregadas) em cada
um dos lados da espira: QAB , QBC , QCD e QDA .
c) O módulo M do torque produzido nas cargas elétricas que tende
a girar o sistema.
d) A energia W devida à interação do sistema, constituı́do da espira
e das bolas, com o campo elétrico.

3.21 Magnetismo e relatividade***


A teoria da relatividade, diferentemente da mecânica clássica, é
coerente com a teoria do eletromagnetismo de Maxwell. Isso decorre do
fato das equações de Maxwell não serem invariantes por transformações
de Galileu, mas sim pelas transformações de Lorentz.
Nesse contexto, verifica-se que um fenômeno de caráter magnético
em um referencial pode ter caráter elétrico em outro. Para ilustrar tal
diferença de caráter atribuı́do a um mesmo fenômeno segundo diferentes
observadores, considere um fio retilı́neo com cargas elétricas positivas
e negativas de densidades lineares +λ e −λ, que deslocam-se com

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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

velocidades lineares +v e −v, respectivamente. Uma carga elétrica q


viaja com velocidade u paralela ao fio, a uma distância s do mesmo,
conforme ilustra a figura. Toda as quantidades citadas são medidas
segundo um observado no referencial do laboratório S, no qual uma
força magnética atua sobre a carga q.
v -λ
- - - - - - v
+λ + + + + + +
s

a) Calcule a força magnética que atua sobre a carga q em movimento.


Deixe a sua resposta em termos de grandezas fı́sica medidas no
referencial S do laboratório, isto é, λ, q, s, v e u.
Desse ponto em diante, considere o referencial S 0 , solidário a carga
em movimento. Segundo este referencial, a carga elétrica q encontra-se
em repouso.
b) Calcule como a transformação de Lorentz afeta a densidade de
cargas λ0+ e λ0− do fio medidas no referencial S 0 ? Deixe sua resposta
em termos da densidade própria de cargas no fio (positivas ou
negativas) λ0 .
c) Calcule a densidade linear de carga total do fio no referencial S 0 .
d) Calcule a força de Lorentz sobre a carga q e mostre que ela tem o
caráter puramente elétrico.
e) Compare as respostas dos itens (a) e (d). Mostre que as forças
encontradas são equivalentes, tendo sua diferença de intensidades
explicada por efeitos cinemáticos da transformação de Lorentz.

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4
Fı́sica quântica

4.1 Átomo de Bohr*


Neste problema desenvolveremos alguns resultados obtidos a partir
do modelo semiclássico do modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio.
Nesse modelo, o elétron é descrito como uma partı́cula puntiforme de
massa m e carga −e, que descreve uma órbita circular em torno do
núcleo. Este, por sua vez, é modelado como uma partı́cula de massa M
(M  m) e carga e. Desconsidere o movimento do núcleo em torno do
centro de massa do sistema.
Bohr supôs um conjunto de diferentes órbitas permitidas ao elétron,
determinadas pela quantização do momento angular L = n~ do movi-
mento orbital do elétron, em que ~ = 1, 05.10−34 J.s1 e n é um número
inteiro positivo. Faça o que se pede nos item a seguir.

a) Calcule o raio rn e a velocidade linear vn do elétron que descreve


a sua n-ésima órbita de menor raio.
b) Calcule a energia do n-ésimo nı́vel de energia do átomo de hi-
drogênio. Como calcular a energia de ionização do hidrogênio?
1 Conhecida como constante de Planck reduzida.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

c) Utilize o modelo de Bohr para estimar a partir de qual elemento


quı́mico da tabela periódica correções relativı́sticas começam a ser
relevantes para o cálculo de estados atômicos. Considere que essas
correções sejam necessárias para velocidades acima de 15% de c.

4.2 Recuo por emissão de fóton*

Uma caixa de comprimento L, cuja massa de repouso é m, está em


repouso sobre uma superfı́cie horizontal livre de atrito. Um fóton de
frequência f é emitido de uma extremidade da caixa (como mostrado
na figura abaixo) e posteriormente absorvido pela outra extremidade.
Considere que a massa da caixa esteja simetricamente concentrada em
suas extremidades, isto é, uma massa m/2 à esquerda e outra massa
m/2 à direita.

m
v f

a) Estime o valor da distância de recuo ∆x da caixa devido a emissão


do fóton. Despreze qualquer modificação da distribuição de massa
no interior da caixa ou, equivalentemente, hf  mc2 .
b) Demonstre que o resultado anterior pode ser obtido através da
equação de Einstein (E = mc2 ) e a hipótese de que o centro de
massa do sistema deve permanecer em repouso durante o processo
de emissão/absorção.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio


(OIbF adp.)*
No modelo do átomo de Bohr de hidrogênio é estabelecido que a
frequência f da linha Hα é determinada a partir da equação hf = E2 − E1 ,
em que E1 e E2 correspondem às energias de dois estados eletrônicos
do átomo.
Esse é, no entanto, um resultado aproximado. Levando em conta as
leis de conservação de energia e de quantidade de movimento, demonstre
como esse resultado pode ser refinado. Forneça sua resposta em termos
da constante de Planck h, da massa M do átomo de hidrogênio e das
energias E1 e E2 dos estados que definem a transição eletrônica que
causa a emissão do fóton.

4.4 Efeito fotoelétrico*


Uma placa de metal é exposta a uma fonte de luz de comprimento
de onda λ0 que possibilita a observação de efeito fotoelétrico. Um
campo elétrico E é aplicado para retardar o movimento dos fotoelétrons
ejetados de tal forma que nenhum elétron consegue se afastar uma
distância maior que d da placa ao longo da direção do campo elétrico
aplicado. Com base nas informações fornecidas, determine o intervalo
de comprimentos de onda capazes de ejetar elétrons da placa metálica
através do efeito fotoelétrico.

4.5 Efeito Compton*


Um dos fenômenos que comprovou o caráter corpuscular das ondas
eletromagnéticas, a partir do qual definiu-se o conceito do fóton, foi
o efeito Compton. Durante estudos de espalhamentos de raios-X, foi
verificado que a luz espalhada por um material apresentava dois picos de
intensidade em comprimentos de onda diferentes. O pico mais intenso

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

corresponde ao comprimento de onda λ1 , igual a radiação incidente, que


pode ser explicado pela difração da luz na rede cristalina do alvo. O
pico de intensidade secundário ocorre em um comprimento de onda λ2
(λ2 > λ1 ), dependente do ângulo de espalhamento θ, que não admite
explicação clássica. Define-se o deslocamento Compton como a diferença
de comprimentos de onda ∆λ = λ2 − λ1 .
A explicação do fenômeno somente foi obtida pela teoria corpuscular
da luz, que rendeu o prêmio Nobel de Fı́sica de 1927 a Arthur H.
Compton. O fenômeno fı́sico pode ser explicado através de uma colisão
entre um fóton de comprimento de onda λ1 com um elétron livre em
repouso. Após a colisão, o fóton adquire um novo comprimento de onda
λ2 e é espalhado de um ângulo θ, enquanto o elétron é espalhado de um
ângulo φ. Veja a figura e faça o que se pede nos itens a seguir.

Antes Depois
λ2

λ1
m θ
φ

a) Calcule ∆λ em termos do ângulo θ, da constante de Planck h, da


velocidade da luz c e da massa de repouso do elétron m0 .
b) Determine a ordem de grandeza do deslocamento Compton obser-
vado a partir da interação entre raios-X e um elétron livre.2
c) Determine a condição de transferência máxima de energia cinética

2 O elétron com o qual o raio-X interage na verdade está ligado a um material,

mas essa energia de ligação pode ser desprezada.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

ao elétron e mostre que o seu valor pode ser escrito como

Ef
T = E0
, (4.1)
1 + 2E f

onde E0 = m0 c2 é a massa de repouso do elétron e Ef é a energia


do fóton incidente.
d) Discuta o motivo pelo qual a interação fóton-núcleo normalmente
pode ser desconsiderada.

4.6 Aniquilação elétron-pósitron**


Uma aniquilação elétron-pósitron ocorre quando um elétron e um
pósitron, a antipartı́cula associada ao elétron, colidem. A massa dessas
partı́culas são idênticas e denotadas por m. O resultado da colisão é o
aniquilamento do elétron e do pósitron, seguido da criação de fótons de
alta energia resultantes da conversão total das massas das partı́culas
em radiação eletromagnética.
Considere um elétron com momento linear P~ que se aniquila ao
colidir com um pósitron, originalmente em repouso. Faça o que se pede
nos itens a seguir.
a) Verifique se é impossı́vel que a aniquilação descrita gere um único
fóton.
b) Considere que a aniquilação emita um par de fótons, A e B, de
comprimentos de onda λA e λB e direções de propagação, cujas
trajetórias fazem ângulos α e β com a trajetória original do elétron,
respectivamente. Prove que a soma dos comprimentos de onda
dos fótons emitidos é dada por

h
λA + λB = [1 − cos(α + β)] .
mc

c) Calcule a energia dos fótons A e B em função de m, c, α e β.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.)**

O projeto Auger é uma colaboração internacional que estuda raios


cósmicos ultra-energéticos. Esses raios são constituı́dos de partı́culas que
viajam pelo espaço sideral com velocidades muito próximas a da luz. As
energias tı́picas desses raios são várias ordens de grandeza superiores às
das partı́culas mais energéticas produzidas nos aceleradores de partı́culas
terrestres. Por isso, há um grande interesse em compreender como são
acelerados até velocidades tão próximas da luz e em saber de que objetos
cósmicos provêm.
O que já se sabe sobre esses raios é que, acima de uma certa energia,
eles não podem ter origem em objetos cósmicos muito distantes. Isso se
deve ao fato de que, acima de um determinado limiar, os raios cósmicos
ultra-energéticos podem chocar-se com fótons da radiação cósmica de
fundo e dissipar parte da sua energia criando novas partı́culas, deixando
de ser ultra-energéticos. Esse limiar é conhecido como “energia de corte
GKZ”. Neste problema calcularemos o limiar de energia para que essas
colisões aconteçam, assim como a distância média percorrida por raios
cósmicos ultra-energéticos até sofrerem colisões.

Parte I: Estudo dos fótons da radiação cósmica de fundo


A radiação cósmica de fundo está presente em todo o Universo e é
um importante vestı́gio da sua formação. A relação entre a intensidade
da radiação de fundo e o comprimento de onda é bem descrita por um
corpo negro a temperatura T = 2,7 K.

a) Suponha que os fótons tı́picos do corpo negro associado à radiação


cósmica de fundo têm comprimento de onda igual ao valor em
que a radiância espectral é máxima. Calcule esse comprimento de
onda.
b) Determine a energia de um fóton tı́pico da radiação cósmica de
fundo.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Parte II: Colisões entre prótons e fótons da radiação cósmica


de fundo
Para simplificar, suponha que as partı́culas ultra-energéticas são
prótons (p) e que estes perdem energia colidindo frontalmente com um
fóton (f ) da radiação cósmica de fundo, resultando em um próton e um
pı́on neutro (π 0 )
p + f → p + π0 . (4.2)

Suponha ainda que o próton e o pı́on andam juntos após a colisão.

Situação Inicial:
p v f

Situação Final:
p v f

vf
π0

Dados:
mp =1,7.10−27 Kg
mπ0 =2,4.10−28 Kg

c) Escreva as equações fı́sicas que regem a colisão.


d) Dado que a velocidade inicial do próton Vp → c, determine a ex-
pressão da energia inicial do próton ultra-energético. Em seguida,
expresse o seu valor numérico em Joules e em elétron-volts.
Parte III: Caminho livre médio entre colisões
e) A densidade de energia (a energia em fótons por unidade de
volume) da radiação cósmica do fundo é dada por

ue = aT 4 , (4.3)

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

em que a = 7, 6.10−16 J m3 K−4 é a constante de radiação. Calcule


a densidade de energia da radiação cósmica de fundo.
f) Determine a densidade de fótons uf da radiação cósmica de fundo.
g) A secção de choque eficaz para estas colisões entre prótons e fótons
é dada por σ =2.10−32 m2 . Estime o caminho livre médio, l, de
um próton até colidir com um fóton.
h) Os quasares são objetos cósmicos onde ocorrem fenômenos de
energias muito elevadas e que poderiam ser responsáveis pela
produção de raios cósmicos ultra-energéticos. Os quasares são
objetos longı́nquos, encontrando-se o mais próximo a uma distância
de 2,0.1025 m. Podem os raios cósmicos ultra-energéticos serem
originados nos quasares ou não? Por quê?

4.8 Difração de elétrons*

No ano de 1924, Louis de Broglie propôs a existência do que chamou


de onda de matéria. Sua ideia era que o comportamento dual onda-
partı́cula, caracterı́stico das radiações eletromagnéticas, também se
aplicava à matéria. Dessa forma, assim como uma onda eletromagnética
está associada ao fóton, as partı́culas estariam associadas a ondas de
matéria.

a) Um feixe de elétrons é produzido num tubo evacuado de raios


catódicos e acelerado por uma diferença de potencial de 10 kV.
Nessas condições, qual será o comprimento de onda do elétron?
b) O feixe de elétrons descrito anteriormente é utilizado para verifi-
car as propriedades de um policristal de grafite na configuração
representada pela figura a seguir.

94
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

r
Fonte Amostra

θ l

Anteparo

O feixe caminha da esquerda para a direita com velocidade cons-


tante, incidindo primeiramente no policristal e, em seguida, so-
frendo um espalhamento angular devido a interação entre os
elétrons e os átomos que compõem o material ordenados em pla-
nos cristalinos. O final do tubo (a uma distância l do cristal) é
uma tela fosforescente que emite luz quando os elétrons colidem.
Nessas condições são formados anéis de difração de raio r, que são
provenientes de planos cristalinos caracterı́sticos do material em
análise. Considerando que a distância entre uma classe de planos
cristalinos para o grafite seja de 2,1 Å e que a distância entre o
policristal e a tela é l= 15 cm, determine o valor do raio r do anel
de difração observado no anteparo.

4.9 Partı́cula em uma caixa 3D***


Considere uma partı́cula quântica de massa m dentro de uma caixa
cúbica de aresta de comprimento L. Exceto por esse confinamento, a
partı́cula não está submetida a qualquer interação.
a) Desconsiderando a existência das coordenadas y e z, resolva a
versão unidimensional desse problema, que consiste em um poço
de potencial infinito

0 , se 0 ≤ x ≤ L
V (x) = (4.4)
∞ , se x < 0 ou x > L.

95
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Calcule os estados estacionários φn (x) do sistema e suas respectivas


autoenergias En .
b) Verifique que o produto das soluções dos problemas unidimensio-
nais para as coordenadas x, y e z, isto é

ψnx ,ny ,nz (x, y, z) = φnx (x)φny (y)φnz (z), (4.5)

é solução do problema tridimensional e calcule a autoenergia


associada ao autoestado descrito.
c) Estime o número de estados quânticos permitidos para a partı́cula
com valor energia entre E e E + ∆E, para valores de energia
~2
muito maiores que 2mL2 .

4.10 Confinamento esférico***

Uma partı́cula quântica de massa m está confinada no interior de


uma esfera de raio a. Exceto por esse confinamento, a partı́cula não
está submetida a qualquer interação.

a) Faça uma estimativa da energia do estado fundamental da partı́cula


utilizando o princı́pio da incerteza de Heisenberg.
b) Determine as autoenergias dos estados estacionários de momento
angular nulo (l = 0) do sistema, caracterizados por simetria
esférica com respeito ao centro da esfera.
c) Determine a função de onda ψ0 (~r) do estado fundamental da
partı́cula e calcule, para esse estado, o valor esperado da distância
média da partı́cula até o centro do sistema.

Dados: Operador laplaciano em coordenadas esféricas

1 ∂2F
   
1 ∂ ∂F 1 ∂ ∂F
∇2 F (r, θ, φ) = r2 + 2 senθ + 2
r2 ∂r ∂r r senθ ∂θ ∂θ r senθ ∂φ2

96
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

e os valores da integrais definidas:


ˆ a
a3
 πr   
3
r2 sen dr = 2− 2
0 a 12 π
ˆ a
a4
 πr   
3 3
r sen dr = 1− 2 .
0 a 8 π

4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x)**


Considere um sistema unidimensional descrito por um potencial
V (x) = −V0 δ(x), em que δ(x) representa a função delta de Dirac. Esse
modelo representa um potencial atrativo de curtı́ssimo alcance, mas que
ainda são capazes de criar estados ligados.

a) Demonstre que a função de onda solução do problema para uma


partı́cula de energia E é dada por

ψ(x) = εe−ε|x| , (4.6)

em que
~2 2
E=− ε .
2m
b) Mostre que esse sistema admite um único estado ligado.

4.12 Tunelamento quântico**


Considere a seguinte barreira de potencial de altura V0 e largura a,
descrita como

V
0 , se 0 ≤ x ≤ a
V (x) = (4.7)
0 , se x < 0 ou x > 0.

97
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Suponha que uma partı́cula de energia 0 < E < V0 proveniente de


x = −∞ em direção a x = +∞, descrita pela função de onda ψ+ (x) =
Aeikx , incide sobre a barreira em x = 0. Segundo a mecânica quântica,
existe uma probabilidade não nula da partı́cula atravessar a barreira
de potencial apesar de E < V0 , o que é classicamente proibido. Esse
fenômeno é conhecido como ‘tunelamento quântico’.

a) Considerando que a partı́cula incidente descrita pode ser refletida


ou transmitida, descreva o comportamento da função de onda
total ψ(x) para todo o x, resultante da incidente e a superposição
desses estados.
b) Mostre que a probabilidade de que a barreira de potencial seja
atravessada pela partı́cula é

4E(V − E)
T = cosh−2 (γa), (4.8)
V2
~2 2
em que (V0 − E) = 2m γ .

c) Na situação limite de barreiras de potencial muito espessas, de-


monstre que T ∝ e−2γa .

4.13 Função de onda no estado fundamen-


tal 1D***

Considere uma função de onda ψ(x) de um sistema unidimensional


de um único elétron submetido a um potencial V (x).

a) Mostre que o valor esperado da energia potencial e a energia


cinética do sistema podem ser escritos como
ˆ ∞
V = V (x)|ψ(x)|2 dx (4.9)
−∞

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

ˆ ∞
~2
T = |ψ 0 (x)|2 dx. (4.10)
2m −∞

b) Prove que a função de onda unidimensional do estado fundamental


de uma partı́cula ψ0 (x) não pode ter nós, isto é, posições x0 tais
que ψ0 (x0 ) = 0.

4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio**


Neste exercı́cio, aplicaremos a equação de Schrördinger para de-
terminar as funções de onda que caracterizam os orbitais s do átomo
de hidrogênio. Esses estados quânticos caracterizam-se por momentos
angulares nulos (l = 0), o que implica em funções de onda ψ(~r) que
apresentam simetria esférica. Considere que o elétron tem carga −e e
massa m, e que o núcleo do átomo pode ser aproximado por uma carga
positiva +e fixa. Faça o que se pede nos itens a seguir.

a) Deduza a equação que deve ser satisfeita pela função de onda ψ(r)
de um estado estacionário esfericamente simétrico.
b) Mostre que, em pontos muito afastados do núcleo, as funções
de onda que satisfazem a equação do item anterior devem ser
2 2
aproximadamente exponenciais, e−Kr , em que E = − ~2m
K
.
c) Supondo que o orbital 1s pode ser escrito como

ψ1s (r) = Ae−Kr ,

determine as constantes fı́sicas A e K. Qual o nı́vel de energia do


orbital 1s?
d) Mostre que a distância mais provável entre um elétron no estado
4πε0 ~2 3
1s e o núcleo do átomo é dada pelo raio de Bohr a0 = me2 .

3 Idêntico ao raio a0 obtido através do modelo de Bohr para o átomo de hidrogênio.

99
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

e) Sabendo que a função de onda do orbital 2s tem a forma

0
ψ2s (r) = (A0 r + B 0 )e−K r ,

determine o valor da constante fı́sica K 0 e o nı́vel de energia do


orbital 2s.

4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons***


A maioria dos problemas envolvendo equação de Schrödinger envol-
vendo mais de um elétron não tem solução analı́tica exata. Abordaremos
aqui um sistema que é uma exceção a essa regra e admite uma solução
exata. Considere uma aproximação parabólica para o potencial gerado
2
por um átomo Vat = kr2 . Podemos escrever a equação de Schrödinger
para o sistema, considerando o núcleo fixo como

~2 e2
 
2 2
− (∇ + ∇2 ) + Vat (r1 ) + Vat (r2 ) + ψ(~r1 , ~r2 ) = Eψ(~r1 , ~r2 ),
2m 1 4π0 |~r1 − ~r2 |
(4.11)
onde ∇21 e ∇22 representam o operador Laplaciano sobre as coordenadas
do primeiro e do segundo elétrons apenas.
a) Reescreva o problema utilizando a seguinte mudança de variáveis

~ = ~r1 + ~r2
R e ~u = ~r1 − ~r2 . (4.12)
2
b) Utilizando o método de separação de variáveis, mostre que o
problema de dois corpos pode ser separado em dois problemas
independentes ĤR Φ(R) = ER Φ(R) e Ĥu φ(u) = Eu φ(u), com
E = ER + Eu . Determine os operadores hamiltonianos ĤR e Ĥu .
A partir deste ponto, utilize o sistema de unidades Hartree de
1
unidades atômicas, em que e = ~ = m = 4π = 1. Isso ajudará você a
economizar contas daqui em diante. As energias a seguir calculadas serão

100
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

dadas em Hartrees (1H= 27,2 eV). Adote também o valor particular


k = 1/4 para a constante do modelo atômico a fim de obter uma solução
analı́tica para a função de onda.
2
~ e calcule
c) Mostre que Φ(R) = Ae−αR é solução do problema em R
a energia ER associada a essa solução em Hartrees.
u2
d) Mostre que φ(u) = B(1 + u2 )e− 4 é solução do problema em ~u.
Calcule a energia Eu , associada a esse autoestado.
e) Calcule a energia total do estado fundamental desse sistema de
dois elétrons em eV.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

102
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Parte II

Dicas de resolução

103
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Mecânica do corpo rı́gido


1
1.1 Máquina de Atwood com duas polias
a) Identifique as condições de vı́nculos geométricos e escreva as
equações de movimento de cada massa. A massa desprezı́vel
da polia implica que a tração é constante ao longo de todo o
comprimento de cada corda.
b) O atrito é responsável por causar variações da tração ao longo
da corda. Essa diferença de tração é responsável por realizar um
torque sobre a polia maciça. O problema torna-se mais complicado
pelo fato de ser necessário escrever a 2a lei de Newton das rotações
para a polia.

1.2 Tacada de sinuca


a) Calcule as equações horárias das velocidade de translação v(t) e
de rotação ω(t) da bola de bilhar. Em seguida, aplique a condição
de rolamento sem deslizamento.
b) Calcule o valor h necessário para que os valores iniciais da veloci-

105
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

dades de translação e rotação da esfera satisfaçam a condição de


rolamento sem deslizamento.
c) Após atingir o regime de rolamento sem deslizamento, a bola fica
sob efeito apenas da força de atrito estático.

1.3 Movimento de descida de um ioiô

a) Aplique as leis de Newton ao movimento e combine-as com os


vı́nculos geométricos entre os movimentos de rotação e translação.
b) Utilize o resultado do item anterior com a 2a lei de Newton para
translações.
c) Pode-se mostrar que a única força que realiza trabalho sobre o
ioiô é a força peso, que é conservativa.

1.4 Puxando o Ioiô

a) Decomponha o vetor força F~ em suas componentes horizontal e


vertical. Em seguida, investigue a força resultante sobre o ioiô em
cada direção.
b) Utilize a 2a lei de Newton para translações e rotações.
c) Investigue o sinal das aceleração angular obtida.

1.5 Rotação de disco sob ação do atrito

Calcule o torque que age sobre um elemento de área do disco circular


e integre para achar o torque total da força de atrito.

106
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.6 Chuva de Meteoritos

Como os asteroides provêm de todas as direções, pode-se supor que


eles não alteram o momento angular do planeta, apenas o seu momento
de inércia.

1.7 Cilindros empilhados

Calcule a relação entre forças de contato, torques e acelerações em


cilindros de um nı́vel arbitrário da pilha. Em seguida, tente atacar esse
problema fazendo uso de recorrências entre as grandezas calculadas.

1.8 Haltere girando sem atrito

Investigue como se comporta o momento angular do sistema e como


as forças que atuam sobre o haltere devem comportar-se para gerar o
torque adequado para realizar o movimento descrito pelo problema.

1.9 Brincando no balanço

a) Observe o instante imediatamente antes e o instante imediata-


mente depois da criança elevar seu centro de massa na posição
mais baixa do balanço.
b) Para realizar essa tarefa, calcule a energia mecânica nos pontos
central e extremo da trajetória do balanço.
c) Considere que o trabalho realizado é agregado à energia mecânica
do sistema.

107
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.10 Fratura no edifı́cio


Investigue as tensões internas da chaminé dividindo-a em duas partes
que trocam torques internos entre si. O ponto de tensões máximas
corresponde ao local de ruptura mais provável.

1.11 Queda do lápis


a) A aceleração e velocidade angulares do lápis podem ser determi-
nadas, respectivamente, pela aplicação da 2a lei de Newton e da
conservação de energia mecânica do sistema.
b) Estude o movimento do centro de massa do lápis e relacione-o
com a força resultante sobre o sistema.
c) Para o coeficiente de atrito suficientemente grande, a perda de
contato entre o lápis e o chão corresponde a um valor nulo de
força normal de contato.
d) Calcule a força de atrito entre a ponta do lápis e o chão. Em
seguida, analise o seu sinal.

1.12 Placa sobre rolamentos


a) Aplique o princı́pio da conservação da energia mecânica.
b) A energia dissipada corresponde ao trabalho realizado pela força
de atrito dinâmico durante o deslizamento da placa sobre os
rolamentos. Nota que é preciso um intervalo tempo ∆t para
acelerar cada rolamento do repouso até a sua velocidade angular
final.
c) Faça o balanço de energia do sistema, agora considerando a ener-
gia dissipada pela força de atrito dinâmico entre a placa e os
rolamentos.

108
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO)


a) Calcule o impulso vertical e horizontal aplicado sobre a bola para
determinar a velocidade da bola após a colisão.
b) Conhecida a velocidade da bola após a colisão, investigue o movi-
mento parabólico do centro de massa da esfera.
c) Calcule a velocidade angular da bola após a colisão ωf e aplique
a condição de deslizamento ωf R > vx .
d) O atrito dinâmico cessa quando a bola deixa de deslizar com
respeito ao chão.
e) Análogo ao segundo item.
f) A curva do gráfico é obtida pela composição de dois ramos, que
correspondem a cada um dos casos considerados anteriormente.

1.14 Pêndulo fı́sico giratório


a) Investigue os pontos crı́ticos da energia potencial da barra em
função da posição angular U (α) no referencial giratório solidário à
dobradiça. Considere a energia potencial gravitacional e centrı́fuga.
b) Considere aproximações parabólicas de U (α) em torno dos pontos
de equilı́brio. A estabilidade de cada ponto de equilı́brio α∗ está
associada ao sinal de U 00 (α∗ ).

1.15 Futebol Cúbico (Portugal)


a) Analise o impulso na direção horizontal, realizado pela força F , e
na direção vertical, realizado pela força R.
b) Estude o movimento do cubo como sendo composto de uma
translação do centro de massa com uma rotação ao redor desse
ponto.

109
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

c) Calcule a quantidade de movimento angular adquirida pelo cubo


na primeira fase do ressalto.
d) Contabilize o impulso vertical realizado pela força eR.
e) Calcule a quantidade de movimento angular adquirida pelo cubo
na segunda fase do ressalto. A seguir, imponha que a quantidade
de movimento angular da bola ao redor do seu centro de massa é
nula ao final do ressalto.

1.16 Oscilações de corpo rı́gido


O problema admite diferentes soluções, dentre as quais destacamos
a aplicação direta das leis de Newton para obtenção da equação de
movimento do sistemas ou pelo método da energia total. Utilize as
condições de vı́nculo geométrico para descrever o movimento oscilatório
em termos de uma única coordenada.

1.17 Esfera na rampa


a) Calcule a força de atrito considerando o caso de não-deslizamento.
A seguir, compare o valor obtido com o valor máximo de força de
atrito estático associado ao coeficiente de atrito µ.
b) Esse item pode ser resolvido por aplicação das leis de Newton ou
pelo método da energia total.

1.18 Na corda bamba (Portugal adp.)


a) Utilize o teorema dos eixos paralelos e o fato de que o momento
de inércia é uma grandeza aditiva sobre os diferentes subsistemas
(equilibrista e barra).
b) O termo G corresponde ao torque resultante sobre o sistema.

110
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

c) Utilize a aproximação para pequenos ângulos senθ ≈ θ. A seguir,


resolva a equação de movimento que descreve a rotação do equili-
brista. O comportamento linear surge a partir de uma expansão de
primeira ordem para tempos pequenos. A unidade do parâmetro
Λ sugere uma possı́vel interpretação fı́sica do parâmetro.
d) Verifique a alteração dos parâmetros fı́sicos relevantes do pro-
blema. O parâmetro fı́sico utilizado na solução está intimamente
relacionado com Λ.
e) Compare o momento de inercia da barra uniforme com o da barra
com massa concentrada nas suas extremidades e avalie o resultado.
f) Avalie o efeito de variações de valores de altura e massa do
funâmbulo sobre os parâmetros fı́sicos do sistema.

1.19 Movimento de uma moeda (Portugal)

a) O movimento da moeda pode ser descrito como a composição de


duas rotações: uma em torno do seu eixo principal x̂3 e outra em
torno de ẑ. Isso se reflete na velocidade angular instantânea da
moeda.
b) Escreva ẑ no sistema de eixos principais da moeda.
c) O momento angular do movimento da moeda pode ser calculado
utilizando o sistema de eixos principais e o momento de inércia
com relação a cada eixo. Para obter Lxy , realize uma mudança de
base e escreva o vetor L~ em função da base de vetores {x̂, ŷ, ẑ}.
~ precessiona em torno do mesmo
d) Observe que o momento angular L
eixo com velocidade angular Ω.
e) Identifique as forças que agem sobre a moeda e calcule a soma de
seus torques.
f) Aplicação da segunda lei de Newton para rotações.

111
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

g) Aplique a condição de existência na resposta encontrada no item


anterior.
h) Use o fato de que o centro de massa da moeda encontra-se, apro-
ximadamente, em repouso.
i) Estude o movimento com respeito a um referencial que gira com
velocidade angular Ωẑ, solidariamente à moeda, de tal forma que
os eixos principais desta permaneçam fixos.
j) Utilize nesse item um procedimento análogo ao realizado na parte
I do problema. Isto é, verificar que o momento angular do sistema
precessiona com velocidade angular Ωẑ e comparar sua taxa de
variação com o torque resultante sobre o sistema.
k) Essa velocidade angular aparente Ωap da moeda vista de um
observador de cima pode ser calculada a partir de velocidades
angulares já calculadas.

112
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Eletromagnetismo
2
2.1 Distância de máxima aproximação

A solução do problema fundamenta-se na conservação da energia E


e do momento angular L do sistema.

2.2 ~ de uma distribuição ρ(r)


E

a) Utilize a lei de Gauss considerando uma superfı́cie gaussiana de


dimensões arbitrariamente grandes.
~ =
b) Utilize a lei de Gauss na sua forma diferencial ∇ · E ρ
0 .

c) O valor da carga pontual pode ser calculado de duas formas: (i)


conciliando os resultados dos dois primeiros itens, ou (ii) estudando
o comportamento do campo elétrico nas proximidades da origem
(r  a).

113
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.3 Campo de uma haste


~ campo elétrico, gerado por um
Escreva o elemento diferencial dE
elemento de comprimento dx da barra, em termos de aberturas angulares
e da distância h entre a carga e a barra. Utilize argumentos de simetria
para encontrar a direção do campo elétrico total. Para encontrar a
intensidade do campo elétrico, integre a componente de dE~ paralela à
ˆ
bissetriz do ângulo ACB.

2.4 Método da carga imagem I


a) Segundo o método da carga imagem, o efeito do plano aterrado
no semi-espaço z > 0 é equivalente ao de uma carga −q simétrica
à carga q com respeito ao plano aterrado.
b) A partir da lei de Gauss, pode-se mostrar que a densidade super-
ficial de carga σ depende da componente perpendicular do campo
elétrico de sua superfı́cie.
c) Integre no plano a densidade superficial de carga obtida no item
anterior. A resposta também pode ser obtida por argumentos
fı́sicos simples.
d) Verifique as diferenças entre o sistema fı́sico real e o sistema obtido
a partir das cargas imagens. Observe, por exemplo, que no sistema
real o campo é nulo para z < 0.

2.5 Método da carga imagem II (IPhO)


a) A esfera aterrada é substituı́da por uma superfı́cie equipotencial
V = 0 de mesmo raio R. A carga q 0 e a distância d0 devem ser de-
terminadas a fim de garantir que a superfı́cie descrita seja, de fato,
uma superfı́cie equipotencial. Tome dois pontos da equipotencial
e imponha a condição V = 0.

114
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

b) O sentido da força elétrica está associado ao sinal de q 0 e sua


intensidade pode ser calculada no sistema fictı́cio através da lei
de Coulomb.
c) A intensidade do vetor campo elétrico E no ponto A pode ser
calculada a partir da superposição dos campos elétricos das cargas
q e q 0 no sistema fictı́cio auxiliar.
 
1 R2
d) Aplique a aproximação descrita fazendo a = r d− d .
e) Verifique para que valores de d o campo calculado anteriormente
é nulo.
f) Procure escrever a energia eletrostática de interação entre a carga
pontual q e as elétricas induzidas em termos do potencial elétrico
na posição da carga q. A seguir, utilize o sistema fictı́cio para
simplificar a expressão encontrada.
g) Procure escrever a energia eletrostática de interação entre as
cargas induzidas em termos do potencial elétrico gerado por q 0
na superfı́cie da esfera. A seguir, utilize o sistema fictı́cio para
simplificar a expressão encontrada.
h) Há duas soluções para esse item. A primeira pode ser obtida a
partir da soma das energias encontradas nos dois últimos itens. O
mesmo resultado pode ser obtido a partir do trabalho necessário
para trazer a carga q do infinito até a distância d do centro da
esfera aterrada.

2.6 Método da carga imagem III

O problema pode ser resolvido pelo uso simultâneo dos resultados


de carga imagem do plano infinito e da esfera aterrada. Uma solução
simples pode ser obtida com o uso de três cargas imagens.

115
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.7 Bolha de sabão carregada

Calcule a carga elétrica total da bolha e em seguida use o princı́pio


da conservação de carga elétrica.

2.8 Dipolos Elétricos

a) As forças elétricas que atuam nas cargas formam um binário de


forças, cujo efeito é um torque resultante não nulo sobre o dipolo.
b) Defina a energia potencial a partir do trabalho realizado pelo
torque da força elétrica e uma mudança de ângulo dφ.
c) Calcule o potencial elétrico exato e utilize aproximações que levem
em conta que r  d.
d) O campo elétrico pode ser obtido a partir do potencial utilizando
~ = −∇V .
a expressão E

2.9 Interação carga-dipolo

a) Utilize o resultado do potencial elétrico gerado por um dipolo e


particularize o resultado para os pontos do aro.
b) Determine uma expressão para a energia potencial elétrica da
conta Uel (θ). Determine o nı́vel inicial de energia e faça a análise
qualitativa do movimento.
c) Conserve a energia total do sistema para determinar v(θ). Calcule
a força elétrica radial Fr = qEr que o dipolo elétrico exerce sobre
a conta e compare-a com a resultante centrı́peta do movimento
circular.

116
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.10 Rede infinita de resistores


a) Utilize argumentos de simetria para mostrar que parte dos re-
sistores está em curto-circuito, em seguida use argumentos que
utilizem o fato da rede de resistores ser infinita.
b) É possı́vel utilizar a resposta do item anterior combinada com
argumentos fı́sicos que utilizam o fato da infinitude da rede de
resistores.

2.11 Rede bidimensional de resistores


O problema pode ser resolvido por argumentos que utilizem o fato da
associação de resistores ser infinita e que considerem a proporcionalidade
entre os comprimentos e as resistências. Argumentos de simetria que
eliminem ramos em curto também são de grande valia.

2.12 Resistência do icosaedro


Identifique, a partir das simetrias encontradas no icosaedro, que
pontos do circuito obtido devem ter o mesmo potencial elétrico. Em
seguida, simplifique o problema.

2.13 Resistor esférico


a) Utilize o fato de a corrente se dividir por uma área que depende
da coordenada θ.
b) Utilize o resultado anterior e utilize uma associação de resistores
de dimensões diferenciais para obter a resistência equivalente.

117
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.14 Resistor cilı́ndrico


a) Aplicação direta da 2a lei de Ohm.
b) Não é necessário a realização de um cálculo exato, apenas de uma
estimativa. Uma aproximação que facilita bastante as contas é
substituir o formato aproximadamente esférico por um formato
cilı́ndrico de raio a e altura efetiva hef , tal que ambos os defeitos
tenham o mesmo volume.

2.15 Relação entre R e C


a) Escreva as expressões da capacitância do capacitor de placas
paralelas e a segunda lei de Ohm e verifique que a relação é válida.
b) Desprezando o efeito de borda, pode-se considerar que o campo
elétrico está confinado na região entre as armaduras do capacitor/
terminais do resistor. Escreva a carga armazenada no capacitor
Q, a corrente elétrica no resistor I e a diferença de tensão V entre
os terminais em termos do campo elétrico no espaço.

2.16 Atração entre placas


a) Quando o capacitor é carregado, surge uma força elétrica atrativa
entre as suas placas. A relação entre V e x pode ser obtida
igualando a força elétrica entre as placas com a força elástica.
b) Realize o estudo das soluções da equação obtidas no item anterior,
tratando V como um parâmetro ajustável. O tratamento pura-
mente algébrico do problema leva a uma equação de terceiro grau
em x, o que pode gerar dificuldades. O problema admite uma
solução gráfica.

118
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.17 Capacitor de placas não paralelas

a) A capacitância do sistema pode ser calculada a partir de uma


associação de infinitos capacitores de dimensões infinitesimais em
paralelo e distância entre as placas variável.
b) Duas soluções semelhantes podem ser apresentadas para esse
problema. A primeira, que utiliza coordenadas cartesianas, tem
validade restrita para o limite de placas ‘quase paralelas’, enquanto
a segunda, que faz uso de coordenadas cilı́ndricas, dispensa essa
restrição.

2.18 Carga dentro do capacitor

Pode-se desprezar os efeitos de borda e assumir a hipótese simplifi-


cadora de que as armaduras do capacitor são infinitas. Essa hipótese
faz com que passe a existir uma simetria de translação da posição da
carga Q no plano paralelo às placas. Essa observação permite ‘diluir’ a
carga Q ao longo de um plano carregado.

2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆

a) Considere o princı́pio da superposição para calcular o efeito de


cada tensão sobre as correntes do circuito. A transformação Y-
∆ pode ser obtida a partir de um sistema de três equações que
determina ZAB , ZAC e ZBC em termos de ZA , ZB e ZC .
b) A determinação da transformação inversa, a ∆-Y, consiste apenas
de um trabalho algébrico similar ao item anterior, mas desta
vez escrevendo os valores das impedâncias da configuração Y em
termos das impedâncias da configuração ∆.

119
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.20 Impedância equivalente

Realize uma transformação Y-∆ dos indutores do circuito.

2.21 Cabo coaxial com dielétrico

a) Lembre-se que o campo elétrico E ~ está ligado à tensão entre as


placas e à distribuição de todas as cargas elétricas. O vetor D,~
por sua vez, é ligado apenas a distribuição de cargas livre e pode
~
ser encontrado a partir de E.
b) A carga elétrica do condutor interno pode ser obtida a partir do
campo elétrico utilizando a lei de Gauss.
c) A capacitância do sistema pode ser obtida tanto a partir da
definição de capacitância C = Q/V , como a partir de resultados
prévios combinados a argumentos de associação de capacitores.

2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico

a) O capacitor parcialmente preenchido de material dielétrico pode


ser descrito como uma associação em série de dois capacitores
esféricos em série, um completamente preenchido de material
dielétrico e o outro preenchido por ar.
~ e utilize a equação cons-
b) Calcule o vetor deslocamento elétrico D
titutiva D = εE.
c) A descontinuidade de campo elétrico aponta para distribuições su-
perficiais de cargas elétricas. Mostre também que não há densidade
volumétrica de cargas elétricas induzidas no dielétrico.

120
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.23 Força sobre o dielétrico

a) Desprezando efeitos de borda, a capacitância do capacitor semi-


preenchido de material dielétrico pode ser calculada a partir da
associação em paralelo de dois capacitores, um preenchido de
material dielétrico e o outro de ar.
b) A força horizontal decorre da interação das cargas elétricas indu-
zidas no material dielétrico com o campo elétrico gerado pelas
placas do capacitor. A intensidade dessa força pode ser obtida a
partir da variação da energia elétrica armazenada no capacitor
com respeito à coordenada x.
c) O cálculo que deve ser realizado aqui é semelhante à situação
anterior, mas exige a contabilização do trabalho da fonte sobre as
cargas elétricas.

2.24 Dissipação em um circuito RC

a) Estude a dinâmica do carregamento do capacitor utilizando a lei


de Kirchhoff.
b) Calcule a potência dissipada no resistor do circuito em um instante
t e integre-a no tempo.
c) A energia fornecida pela fonte depende de sua força eletromotriz
e da carga elétrica que a atravessa. Calcule Ef e, em seguida,
utilize argumentos de conservação de energia.
d) Elementos de circuito ideais, de resistência interna nula, não
existem. Eles são abstrações matemáticas para modelar circuitos.

121
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.25 Espectrógrafo de massa


a) Mostre que as forças elétrica e magnética têm sentidos opostos e
que existe um valor bem definido de velocidade que faz com que
as partı́culas carregadas não sejam defletidas.
b) Estude o movimento das partı́culas carregadas dentro da segunda
câmara, em que existe um campo magnético uniforme aplicado.
c) Utilizando o resultado do item anterior, garanta que os dois
isótopos sejam detectados distinguı́veis no anteparo, isto é, lo-
calizados a uma distância entre si acima da resolução espacial
∆x.

2.26 Passagem de corrente por um fio


a) Utilize a lei de Ohm microscópica.
b) Utilize a lei de Ampère.
c) Utilize o resultado do item anterior e utilize também a segunda
lei de Ohm.

2.27 Força eletromotriz induzida


A força eletromotriz induzida no triângulo devido ao movimento do
fio condutor é dada pela taxa de variação do fluxo magnético associada
ao aumento de sua área.

2.28 Espira em formato de espiral


Propomos duas soluções para este problema. A primeira é mais
rigorosa, baseando-se na descrição r(θ) da espiral para calcular o fluxo
magnético através da espira. A segunda solução estima o fluxo magnético

122
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

total na espira através de um somatório de fluxos magnéticos em N


espiras de raios distintos.

2.29 Freio eletromagnético

a) A gravidade faz com que a barra inicie um movimento de queda. O


movimento da barra metálica gera um aumento de fluxo magnético
através do loop superior, resultando em uma força eletromotriz
induzida. A força eletromotriz gera uma corrente elétrica. A força
magnética decorrente da interação entre a corrente elétrica e o
campo magnético age contra o movimento de queda da barra.
Quantifique cada um desses fenômenos e monte uma equação de
movimento para a barra.
b) Analise a energia potencial gravitacional, a energia cinética da
barra e a potência dissipada pela resistência elétrica.

2.30 Espira em um campo B não-uniforme

a) Utilize argumentos baseados no balanço de energia do sistema.


b) Prove que é necessário que exista uma componente horizontal do
campo magnético capaz de gerar uma força vertical sobre a espira.

2.31 Solenoide finito

Calcule o campo magnético gerado por uma única espira circular nos
pontos localizados sobre o seu eixo de simetria. Em seguida, modele o
solenoide finito como um conjunto de espiras cujos campos magnéticos
se superpõem.

123
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.32 Canhão eletromagnético


a) Quando o capacitor inicia a sua descarga, uma corrente atravessa
a haste condutora. O campo magnético exerce uma força so-
bre a haste condutora de resistência atravessada pela corrente,
acelerando-a. O movimento da haste condutora faz aumentar o
fluxo magnético através do circuito, gerando uma força eletro-
motriz induzida. Relacione e quantifique esses fenômenos para
descrever a dinâmica do sistema.
b) Mostre que a velocidade máxima é obtida a partir de uma solução
estacionária da dinâmica do sistema, na qual a corrente se anula. O
rendimento η do canhão eletromagnético pode ser identificado pela
razão entre a energia U , inicialmente armazenada pelo capacitor,
e a energia cinética final da haste Ec .

2.33 Toroide de secção quadrada


a) Aplicação direta da lei de Ampère.
b) A autoindutância L do sistema pode ser determinada a partir
do cálculo do fluxo magnético total através das suas N espiras
quando ele é percorrido por uma corrente I.

2.34 Indutância mútua entre fio e espira


a) Para realizar o cálculo de indutância mútua entre o fio condutor
e a espira, considere que o fio infinito é atravessado por uma
corrente I e gera um fluxo magnético através da espira circular.
Calcule um elemento de fluxo magnético e integre.
b) Os conceitos fı́sicos envolvidos neste item não são muito diferentes
dos abordados no item anterior. Tomarmos b > a apenas complica
as integrais a serem calculadas.

124
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Relatividade restrita
3
3.1 Comprimento da barra inclinada
a) Note que a contração do comprimento atua apenas na componente
x da barra.
b) Obtenha a partir das componentes horizontal e vertical do com-
primento da barra.

3.2 Colisão de foguetes


a) Esse item não necessita de quaisquer formulações relativı́sticas.
b) Aplicação direta da composição de velocidades.

3.3 Trem de pulsos (FIFT)


a) Lembre-se do postulado de que a velocidade da luz do vácuo é
sempre a mesma, seja qual for o referencial inercial adotado.
b) Relacione os intervalos de tempo observados por O e em O0 utili-
zando resultados relativı́sticos como dilatação do tempo. Efeito

125
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Doppler relativı́stico abre caminho para uma outra solução.

3.4 Princı́pio da antecedência das causas

a) Utilize as transformações de Lorentz para o espaço-tempo.


b) Explore a resposta do item anterior fazendo T 0 = 0.
c) Investigue quais as implicações de E1 ser a causa do evento E2
sobre D e T .
d) Resultados deduzidos nos itens anteriores podem ser úteis.

3.5 Paradoxo da vara e do galpão

a) Utilize a fórmula da contração do espaço para calcular o com-


primento L0 da vara, medido no referencial do observador da
porta.
b) Compare L0 com D.
c) Análogo ao item (a), sendo que a contração do espaço no referencial
do corredor aplica-se ao comprimento do galpão.
d) O paradoxo aparente decorre devido à relatividade da simultanei-
dade.

3.6 Régua atravessando a placa

O paradoxo surge da relatividade de simultaneidade. Investigue a


passagem de cada uma das extremidades da régua pela placa furada
separadamente.

126
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.)


a) Considere uma composição relativı́stica de velocidade.
b) Considere o efeito da contração relativı́stica do comprimento do
trem do terrorista com respeito ao referencial do atirador.
c) Relacione a direção da bala nas direções paralela e perpendicular
aos trilhos dos trens.
d) Descreva a situação do problema a partir do referencial do terro-
rista.

3.8 Fórmula de Fizeau


a) Calcule a diferença de tempo de percurso e compare com o perı́odo
da onda. Aproximações que utilizem o fato de que V  c devem
ser utilizadas para deixar a resposta em primeira ordem em δv/c.
b) Utilize a fórmula de composição relativı́stica de velocidades.

3.9 Efeito Farol


a) Calcule a componente na direção x da velocidade do raio de luz
nos referenciais da estrela e da Terra e relacione esse resultado
com as direções do raio de luz segundo cada um dos referenciais.
b) Utilize o resultado deduzido no item (a) para um raio de luz
especı́fico. O comentário deve ser uma interpretação dos resultados
obtidos na resolução do problema.

3.10 Desvio para o vermelho


a) O efeito Doppler relativı́stico transversal da luz é decorrente do
efeito relativı́stico da dilatação do tempo.

127
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

b) Utilize a expressão do efeito Doppler para determinar a velocidade


da galáxia e, em seguida, a lei de Hubble para estimar a sua
distância da Terra.

3.11 Grandezas invariantes

a) Verifique o resultado a partir de uma aplicação direta das relações


de Lorentz do espaço-tempo.
b) Verifique que essa relação vale (m0 c2 )2 para toda e qualquer
velocidade, isto é, independe do referencial considerado.

3.12 Movimento sujeito à força constante

a) Utilize a definição de força como variação da quantidade de movi-


mento pelo tempo para encontrar v(t).
b) Considere o limite v(t)  c.

3.13 Acelerador cı́clotron

a) Considere que o campo magnético gerado pelos eletroı́mãs é per-


pendicular à tratetória circular dos prótons. A força magnética
faz o papel de força centrı́peta.
b) A principal diferença entre esse problema e a sua versão clássica
é que você deve usar a expressão relativı́stica do momento da
partı́cula. A força resultante que atua sobre a partı́cula ainda
pode ser escrita como F~ = dP~ /dt.

128
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.14 Foguete relativı́stico


a) Considere a conservação da quantidade de movimento e da energia
total do sistema no referencial inercial que está solidário ao foguete
em um instante t.
b) Relacione dv, medido no referencial próprio do foguete com o
incremento de velocidade dV , visto no referencial do laboratório.
c) Aplique a aproximação β  1 na expressão relativı́stica e recupere
o resultado clássico.

3.15 Colisão de prótons (Portugal)


Uma ideia útil pode ser descrever essa colisão no referencial de
momento total nulo e, ao final, efetuar uma mudança de referencial.

3.16 Desintegração de uma partı́cula


a) A energia cinética das partı́culas surge a partir da conversão de
massa em energia.
b) Utilize o princı́pio da conservação do momento linear.

3.17 Decaimento de um nêutron


Trate o subsistema formado pelo próton e pelo neutrino de forma
unificada, com uma energia Es , momento Ps e massa de repouso ms .

3.18 Transformação de Forças


a) Aplicação de resultados relativı́sticos de quantidade de movimento
e energia.

129
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

b) É possı́vel demonstrar esse resultado de maneira explı́cita, utili-


zando resultados de composição de velocidades entre os referenciais
S e S 0 , ou aplicando uma transformação de Lorentz no quadrivetor
momento-energia da partı́cula.
~
c) A expressão F~ = dP
dt continua sendo válida na relatividade restrita.
d) Basta fazer u = v e realizar as simplificações algébricas necessárias.
Considerar as transformações inversas de Forças (grandezas fı́sicas
descritas por S em termos das grandezas descritas por S 0 ) pode
ser útil.

3.19 ~ eB
Transformação de campos E ~

a) Os efeitos de contração do espaço acontecem apenas na coordenada


longitudinal x, enquanto o espaço nas direções y e z permanecem
inalterados.
b) Cálculo usual do campo elétrico no referencial S 0 . Considere a
invariância da carga total de cada armadura do capacitor.
c) Análogo ao item a).
d) Análogo ao item b).
~
e) As cargas elétricas da armadura geram uma corrente elétrica K.
Assuma uma distribuição uniforme de cargas elétricas ao longo de
toda a armadura do capacitor.
f) Considere efeitos de contração do espaço para determinar a nova
densidade de voltas n0 e a dilatação do tempo para determinar a
nova corrente I 0 .
g) Cálculo usual do campo magnético considerando as grandezas
medidas pelo observador no referencial S 0 .

130
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.20 Espira quadrada (IPhO)


a) O efeito de contração do espaço é observado apenas nas arestas
paralelas à velocidade v da espira. Perceba também que a distância
a não é a distância própria entre as esferas.
b) Considere a superposição das cargas pontuais móveis com as
cargas linearmente distribuı́das no comprimento da espira. A
carga elétrica total do sistema é invariante por mudanças de
referencial, mas as cargas de cada aresta podem sofrer alterações
individualmente.
c) Calcule o torque M associado às forças elétricas sobre as arestas
carregadas da espira móvel. Resultados de dipolos elétricos em
um campo elétrico uniforme podem ser utilizados.
d) Calcule a energia potencial W (θ) associada a um dipolo elétrico
de momento p~ imerso em um campo elétrico uniforme E.~

3.21 Magnetismo e relatividade


a) Calcule a corrente elétrica I e campo magnético B associados aos
movimentos das cargas do fio infinito. Em seguida, determine a
força magnética Fm que atua sobre a carga.
b) Considere como o efeito de contração do espaço afeta a densidade
linear de carga. Note que as densidades de cargas medidas no
referencial S não são iguais a λ0 .
c) Calcule a densidade linear de cargas no fio através da superposição
dos resultados encontrados no item anterior.
d) Como a carga q permanece em repouso com respeito ao referencial
S 0 , é imediato que a força de Lorentz nessa carga deve ter um
caráter puramente elétrico. Calcule o campo elétrico E e, em
seguida, a força elétrica que atua na carga q.

131
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

e) Relacione as forças sobre a carga q, medidas com respeito aos


referenciais S e S 0 . Consulte o problema ‘Transformação de Forças’
para mais detalhes.

132
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Fı́sica quântica
4
4.1 Átomo de Bohr
a) Estude o movimento circular do elétron em torno do núcleo. A
condição de quantização de momento angular L = n~ gera a
quantização dos raios das órbitas.
b) Este item é um desdobramento direto do item anterior. Para fazer
a estimativa da energia de ionização, considere considere uma
transição do nı́vel fundamental até o estado de elétron livre.
c) Calcule a velocidade vn de um elétron no estado fundamental
de um átomo hidrogenoide de número atômico Z. Utilize esse
resultado para realizar sua estimativa.

4.2 Recuo por emissão de fóton


a) Utilize a conservação da quantidade de movimento do sistema
caixa + fóton.
b) A emissão do fóton pode ser comparada a uma pequena perda
de massa ∆m de uma extremidade, enquanto a sua absorção na

133
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

outra extremidade pode ser associada a um aumento de massa


∆m.

4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio


(OIbF adp.)
Normalmente, considera-se que a quantidade de momento carregada
pelo fóton é desprezı́vel, de tal forma que podemos escrever a expressão
hf = E2 − E1 . Neste problema, considere o recuo do átomo de um
átomo excitado, anteriormente em repouso, ao emitir um fóton.

4.4 Efeito fotoelétrico


O intervalo de comprimentos de onda capazes de gerar efeito fo-
toelétrico corresponde a valores menores que um valor de corte, λc , cujo
fóton associado tem energia igual à função trabalho do metal do qual a
placa é feita.

4.5 Efeito Compton


a) Da mesma forma do que qualquer colisão clássica, o espalhamento
Compton deve satisfazer condições de conservação de momento e
energia.
b) Identifique a parte da expressão do deslocamento Compton capaz
de fornecer uma boa estimativa da sua ordem de grandeza.
c) Demonstre que a transferência máxima de energia cinética máxima
ao elétron corresponde ao retro-espalhamento do fóton.
d) Pense em um espalhamento Compton decorrente da interação
fóton-núcleo. Avalie a magnitude do deslocamento Compton
associado a essa interação.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

4.6 Aniquilação elétron-pósitron


a) Este item pode ser rapidamente respondido com o uso da massa
invariante do sistema.
b) O processo de aniquilação é regido pela conservação da energia e
do momento do sistema. Soluções gráficas podem ser úteis.
c) Este item consiste em uma continuação do raciocı́nio desenvolvido
para se chegar à resposta do item anterior.

4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.)


a) Aplicação direta da Lei de deslocamento de Wien.
b) A energia de um fóton pode ser escrita como E = hf .
c) As colisões descritas são regidas pela conservação de energia e
momento linear. Considere efeitos relativı́sticos.
d) Há duas soluções possı́veis. Uma abordagem direta, a partir das
equações obtidas no item anterior, e uma que utiliza a conservação
da massa invariante do sistema.
e) Utilize o resultado fornecido pelo enunciado.
f) A densidade volumétrica de fótons uf pode ser obtida calculando a
razão da densidade volumétrica de energia e da energia individual
de cada fóton.
g) O caminho livre médio é definido como a distância média percor-
rida por uma partı́cula entre uma colisão e a seguinte. Ele pode
ser estimado como a altura de um cilindro que tem como área da
base a secção de choque σ e contém um fóton no seu volume.
h) Compare a distância dos quasares à Terra com o livre caminho
medido dos prótons no espaço. A existência de colisões nesse
trajeto resulta em perda de energia por criação de pı́ons.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

4.8 Difração de elétrons


a) Aplicação direta de cálculo do comprimento de onda de De Broglie
de uma partı́cula. Calcule a energia cinética dos elétrons igualando-
a ao trabalho realizado pela força elétrica sobre eles.
b) Uma vez calculado o comprimento de onda λ associado aos elétrons,
aplique a lei de Bragg de forma análoga a uma onda eletro-
magnética.

4.9 Partı́cula em uma caixa 3D


a) Este é o conhecido problema do poço quadrado infinito. Resolva
a equação de Schrördinger no interior do poço e mostre que as
autofunções tem formato senoidal.
b) Resolva o item por inspeção direta. Esse tipo de resultado é
bastante utilizado no método de separação de variáveis.
c) Realize a contagem de estados considerando um sistema de eixos
ortogonais associado às quantidades kx , ky e kz . Aproximações
devem ser utilizadas.

4.10 Confinamento esférico


a) O princı́pio da incerteza de Heisenberg garante que ∆x.∆px ≥ ~/2,
além de outras relações análogas para as direções y e z. Uma boa
estimativa da energia do estado fundamental do sistema requer
que as três dimensões sejam consideradas.
b) Resolva a equação de Schrördinger considerando o operador la-
placiano em coordenadas esféricas. A função de onda deve ser
contı́nua no interior da cavidade.
c) Aplique a condição de normalização da função de onda e expressões

136
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

de cálculo de valores médios de grandezas.

4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x)


a) Resolva a equação de Schrödinger para x > 0 e x < 0 e mostre que
ambas as soluções podem ser unificadas na expressão fornecida
pelo enunciado.
b) Verifique que a função de onda ψ(x) não é derivável em x = 0.
A diferença entre ψ 0 (0+ ) (derivada calculada à direita) e ψ 0 (0− )
(derivada calculada à esquerda) pode ser obtida integrando a
equação de Schrödinger em um intervalo [−a, a], com a → 0.

4.12 Tunelamento quântico


a) Na região x < 0, a função de onda ψ(x) resulta da composição de
uma onda progressiva incidente ( eikx ) com uma regressiva refletida
( e−ikx ). Na região x > a há apenas uma onda transmitida
progressiva.
b) Considere que a probabilidade de encontrar uma partı́cula em
um determinado ponto do espaço é proporcional ao quadrado do
módulo da função de onda.
c) A situação limite de barreiras de potencial muito espessas pode ser
traduzida na condição γa  1. Desenvolva o resultado anterior
levando em conta essa condição.

4.13 Função de onda no estado fundamen-


tal 1D
a) O valor de V é obtido diretamente do cálculo do valor esperado
do operador V̂ = V (x). O cálculo de T é similar, mas exige a

137
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

realização de uma integral por partes para chegar ao resultado


desejado.
b) Realize essa demonstração por reductio ad absurdum.1

4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio


a) Realize a simplificação do operador laplaciano ∇2 , escrito em
coordenadas esféricas, considerando que ψ(~r) depende apenas da
coordenada radial r.
b) Considere como cada termo da equação de Schrördinger se com-
porta no limite r → ∞ e realize aproximações adequadas.
c) Utilize o resultado do item anterior e imponha a condição de
normalização da função de onda ψ1s (r).
d) Calcule a densidade de probabilidade P (r) de se encontrar o
elétron entre r e r + dr,2 derive-a e iguale o resultado a zero.
e) Substitua a função ψ2s (r) da equação de Schrördinger e desenvolva
a expressão obtida.

4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons


a) Reescreva o problema utilizando a mudança de variáveis fornecida.
Para isso é necessário reescrever ~r1 e ~r2 , além dos operadores
laplacianos com respeito a essas coordenadas, em termos de R ~ e
~u.
b) Utilize o método de separação de variáveis.
c) Verifique que a solução Φ(R) satisfaz a equação fornecida e encon-
tre o valor de ER .
1 Redução ao absurdo.
2 Essa densidade depende tanto da função de onda ψ1s (r), quanto de fatores
geométricos.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

d) Verifique que a solução φ(u) satisfaz a equação fornecida e encontre


o valor de Eu .
e) A energia total do sistema é obtida através da equação E =
ER + Eu .

139
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

140
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Parte III

Soluções

141
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Mecânica do corpo rı́gido


1
1.1 Máquina de Atwood com duas polias
a) O fato da massa da polia ser nula implica que a tração da corda
é constante. Considerando que a segunda polia não tem massa,
pode-se afirmar que
T1 = 2T2 . (1.1)

Estabelecendo a orientação positiva de forças e acelerações para


cima, dispomos das seguintes equações de movimento para o
sistema:1
T1 − m1 g = m1 a1 (1.2)

T2 − m2 g = m2 a2 (1.3)

T2 − m3 g = m3 a3 (1.4)

Temos ainda o vı́nculo geométrico decorrente do fato de os fios


serem inextensı́veis, que nos leva à relação

a2 + a3
a1 + = 0. (1.5)
2
1 Adotar-se-á a convenção que a > 0 representa uma aceleração para cima.

143
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Observe que dispomos de 5 equações, que são suficientes para


determinar os valores das incógnitas T1 , T2 , a1 , a2 e a3 . Utili-
zando a equação 1.1 para substituir e isolando as acelerações das
equações 1.2- 1.4 para substituı́-las finalmente em 1.5, temos
   
T1 1 T2 T2
−g + + − 2g = 0
m1 2 m2 m3
 
2 1 1
T2 + + = 2g
m1 2m2 2m3
4m1 m2 m3 g
T2 = . (1.6)
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3
Daı́, segue que o valor da tração

8m1 m2 m3 g
T1 = , (1.7)
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3

e os valores desejados das acelerações das massas

4m2 m3 − m1 m2 − m1 m3
a1 = g
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3

−4m2 m3 − m1 m2 + 3m1 m3
a2 = g
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3
−4m2 m3 + 3m1 m2 − m1 m3
a3 = g.
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3
b) O fato da polia ter massa M não nula implica que a tração da
corda de um lado da polia é maior que o outro. Surge então uma
diferença de tração de cada lado da polia, que é responsável por
realizar um torque resultante na polia.

144
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

T1
T'1
m1

T2
m2
m3

Considerando que a segunda polia não tem massa, assim como o


caso passado, afirma-se que

T10 = 2T2 . (1.8)

Aplicando a segunda lei de Newton para rotações na polia, obtemos


que
M R2
(T10 − T1 )R = αp , (1.9)
2
em que αp representa a aceleração angular da polia. Esta grandeza
está diretamente relacionada com a aceleração da primeira massa,
segundo a equação a1 = αp R. Temos, portanto, que

M
T10 − T1 = a1 . (1.10)
2

Observe que as equações de movimento e de vı́nculo geométrico de-


duzidas anteriormente permanecem válidas. Dispomos, portanto,
de um sistema de 6 equações ( 1.2, 1.3, 1.4, 1.5, 1.8, 1.10) suficiente
para determinar os valores das incógnitas T1 , T10 , T2 , a1 , a2 e a3 .
Resolvendo o sistema linear encontrado, encontramos os seguintes

145
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

valores de aceleração das massas2

4m2 m3 − m1 m2 − m1 m3
a1 = g
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3 + M
2 (m2 + m3 )

−4m2 m3 − m1 m2 + 3m1 m3 + M2 (m3 − m2 )


a2 = M
g
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3 + 2 (m2 + m3 )

−4m2 m3 + 3m1 m2 − m1 m3 + M2 (m2 − m3 )


a3 = M
g.
m1 m2 + m1 m3 + 4m2 m3 + 2 (m2 + m3 )

1.2 Tacada de sinuca

a) Estudemos primeiro o movimento de translação da bola de bilhar


e, em seguida, o seu movimento de rotação.
A velocidade inicial da bola de bilhar pode ser obtida diretamente
da quantidade de movimento P transferida pela tacada, chegando
ao resultado v(0) = P/m. Inicialmente, enquanto há deslizamento,
a força de atrito é dada por fat = µN , onde N é a força normal
de contato entre a bola e a superfı́cie horizontal, que no nosso
caso tem o valor mg, devido ao fato do movimento se dar apenas
na direção horizontal. A aceleração da bola de bilhar é dada por

fat µmg
a= = = µg. (1.11)
m m

Logo, nesse intervalo de tempo, a equação horária da velocidade


da bola é dada pela função horária

P
v(t) = v(0) − at = − µgt. (1.12)
m

2 É possı́vel utilizar argumentos de massa reduzida para encontrar a aceleração

a1 e tração T1 através de uma máquina de Atwood de duas massas (ver problema


1.7 do FNO vol.1). Observe também que, fazendo M = 0, recuperamos as mesmas
expressões do item anterior.

146
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Estudemos agora o movimento de rotação da bola de bilhar com


respeito ao seu centro de massa.
Uma vez que h = 0 nessa situação, concluı́mos que a tacada não
exerce torque e, portanto, que o corpo inicia seu movimento com
velocidade angular inicial nula, isto é, ω(0) = 0.
A bola começa a sofrer uma aceleração angular devido a ação da
força de atrito cujo torque é dado pelo produto do seu módulo pelo
braço dessa força, dado pelo raio da bola. Dessa forma, escrevemos
τ = fat R = µmgR. Para encontrar a aceleração angular α da
bola basta dividir o torque resultante pelo momento de inércia da
bola, dado por I = 25 mR2 . Assim, chegamos ao seguinte resultado

τ 5µg
α= = , (1.13)
I 2R

que nos leva a seguinte função horária para a velocidade angular

5µg
ω(t) = αt = t. (1.14)
2R

O regime de rolamento sem deslizamento é atingido no instante t∗


em que a relação v(t) = ω(t)R é satisfeita. Nesse instante, temos
que
P 5µg ∗ 2P
− µgt∗ = t → t∗ = . (1.15)
m 2 7µmg
b) Como vimos no item anterior, a velocidade de translação inicial
é determinada pela quantidade de movimento transferida pela
tacada, que, por hipótese, é a mesma independentemente da
altura da tacada. Assim, temos ainda que v0 = P/m. Já a
velocidade angular inicial da bola é determinada pela quantidade
de momento angular transferido ao corpo móvel no instante da
tacada. O impulso angular, que corresponde a quantidade de
movimento angular L transferida para a bola no instante inicial

147
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

do movimento, é obtido através do produto L = hP , pois


ˆ ∆t
P = f (t)dt (1.16)
0

e ˆ ˆ
∆t ∆t
L= τ (t)dt = hf (t)dt = hP, (1.17)
0 0

onde f (t) é a força que o taco exerce sobre a bola de bilhar durante
o curto intervalo de tempo ∆t em que o taco permanece em contato
com a bola.
A velocidade angular inicial ω(0) = ω0 , portanto, é dada por

2
L = Iω0 → hP = mR2 ω0
5

5hP
ω0 = . (1.18)
2mR2
Aplicando a condição de rolamento sem deslizamento v0 = ω0 R,
temos que
P 5hP 2
= → h= R. (1.19)
m 2mR 5
c) Perceba que após atingir o regime de rolamento sem deslizamento,
a bola fica sob efeito apenas da força de atrito estático, que é
incapaz de realizar trabalho. Acontece que essa forma de atrito
não pode realizar trabalho e, portanto, a energia do sistema não
é mais dissipada pelo fato de que o ponto da esfera que toca a
superfı́cie horizontal tem velocidade nula com respeito a ela. A
bola de bilhar realiza então um movimento retilı́neo uniforme e
sua energia se conserva a partir do instante em que a condição de
rolamento sem deslizamento é satisfeita.

148
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.3 Movimento de descida de um ioiô

a) Atuam sobre o ioiô a força peso e a força de tração do barbante.


A figura a seguir ilustra o diagrama das forças correspondente.

T
r
P

Mg

Com respeito ao ponto P de contato com o barbante, em que


a força de tração do fio é aplicada, o movimento do ioiô é uma
rotação pura. O momento de inércia Ip do ioiô com respeito a
esse ponto de referência pode ser obtido através do teorema dos
eixos paralelos Ip = I + M r2 .
Escrevendo a 2a lei de Newton para rotações com respeito ao
ponto P , verificamos que o torque da tração é nulo e o torque da
força peso corresponde a τ = M gr. Dessa forma,

τ = Ip α → M gr = (I + M r2 )α. (1.20)

Do vı́nculo geométrico da figura, temos que a = αr. Assim,

a
M gr = (I + M r2 )
r
g
a= I
. (1.21)
1+ M r2

b) Aplicando a segunda lei de Newton para o movimento de translação


do centro de massa do ioiô, obtemos a equação M g − T = M a,

149
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

de onde obtemos o valor da força de tração

T = M (g − a). (1.22)

Substituindo a Eq. 1.21 na Eq. 1.22, chegamos ao resultado


desejado  
I
T = Mg . (1.23)
I + M r2

c) Vamos calcular a potência fornecida ao ioiô através da variação


da energia cinética do sistema

M v2 Iω 2
 
dT d
= + . (1.24)
dt dt 2 2

Utilizando o vı́nculo geométrico v = ωr, segue que

v2
  
dT d I
= M+
dt dt r2 2
 
dT I dv
= M+ 2 v ,
dt r dt
mas a = dv/dt, daı́
 
dT I
= M + 2 va = M gv. (1.25)
dt r

A variação de energia cinética, portanto, corresponde exclusiva-


mente ao trabalho da força peso. Como a única força que realiza
trabalho no sistema é conservativa, concluı́mos que a energia
mecânica do sistema se conserva.

150
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.4 Puxando o Ioiô


a) Decomponha o vetor força F~ em suas componentes horizontal,
Fx = F cos θ, e vertical, Fy = F senθ. Seja N o módulo da força
normal entre a superfı́cie horizontal e o ioiô. Se o ioiô permanece
em contato com a superfı́cie horizontal, não há movimento na
direção vertical e, portanto, há um equilı́brio de forças nessa
direção. Temos, dessa forma, que

F senθ + N = M g. (1.26)

Como N > 0, temos que a condição necessária para que o ioiô não
perca contato com a superfı́cie é F senθ < M g.
b) Denote o sentido positivo de rotações, velocidades angulares, ace-
lerações angulares e torques como sendo o sentido horário. Dessa
maneira, consideram-se deslocamentos, velocidades, acelerações
e forças para a direita como sendo positivas. Aplicando a 2a
lei de Newton para o movimento horizontal do ioiô, temos que
M a = Fx + fat , em que fat é a força de atrito entre o ioiô e a
superfı́cie. Da 2a lei de Newton para rotações, escrita tomando o
centro de massa como ponto de referência, escrevemos

Iα = −F r − fat R. (1.27)

Como não há deslizamento, vale a relação a = Rα. Isolando o


termo fat da primeira equação e utilizando a condição de ausência
de deslizamento, deduz-se que fat = M Rα − F cos θ, que pode ser
substituı́da na segunda equação, levando ao resultado desejado

F (R cos θ − r)
α= . (1.28)
I + M R2

c) Observando a equação 1.28, verifica-se que a aceleração angular α


pode ser positiva ou negativa, ou seja, o ioiô pode movimentar-se

151
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

tanto para a direita quanto para a esquerda.


Existe um ângulo crı́tico θ0 = arccos(r/R), tal que α = 0 para
qualquer intensidade de força F , o que corresponde a manter o
ioiô em repouso. O ângulo θ de aplicação da força é a grandeza
que determina o sentido de rotação do ioiô, um vez que:

• se θ < θ0 , então α > 0 e o ioiô gira para o sentido horário;

• se θ > θ0 , então α < 0 e o ioiô gira para o sentido anti-horário.

1.5 Rotação de disco sob ação do atrito


Considere um pequeno elemento de área do disco ds = xdxdθ, onde
x é a distância do elemento ao centro do disco e θ é a coordenada polar
que localiza o elemento de área.
A força normal dN que atua sobre esse elemento de área deve ser
proporcional a sua área, dessa forma

ds xdxdθ
dN = M g 2
= Mg . (1.29)
πR πR2
Por sua vez, a força de atrito dfat que atua sobre o elemento de área
é dada por dfat = µdN e o seu torque correspondente dτ é dado por

xdxdθ
dτ = xdfat = µM g ,
πR2
que integrado em todo o disco, leva ao seguinte resultado
ˆ R ˆ 2π
µM g 2 2
τ= x dx dθ = µM gR. (1.30)
πR2 0 0 3
O cálculo do tempo necessário para se frear o disco pode ser obtido
lembrando que o torque é a taxa temporal de variação do momento
angular, isto é τ = ∆L/∆t. Por sua vez, o momento angular inicial do
disco girando é dado por

152
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

M R2
L = Iω0 = ω0 . (1.31)
2
Finalmente, chegamos ao resultado final desejado

∆L 3 Rω0
∆t = = . (1.32)
τ 4 µg

1.6 Chuva de Meteoritos


O momento de inércia do planeta sem nuvem de poeira é dado pelo
seguinte resultado
 
2 2 4 3 8
I 0 = MT R 2 = πR D R2 = πDR5 . (1.33)
5 5 3 15
A nuvem de poeira é responsável por uma variação de momento de
inércia ∆I, correspondente a fina camada de poeira de densidade d e
espessura h. Essa variação pode ser obtida a partir da diferença dos
momentos de inércia de esfera homogênea de raio R + h e de uma esfera
de raio R
8 h
5
i
∆I = πd (R + h) − R5 . (1.34)
15
Supondo que a espessura h da camada de poeira é muito menor
que o raio R do planeta, podemos utilizar a aproximação de Bernoulli
(1 + x)n ≈ 1 + nx, se x  1. Dessa forma, podemos obter uma
aproximação de ∆I de primeira ordem em (h/R). Veja
" 5 #
8 h
∆I = πdR5 1+ −1
15 R
 
8 5 5h 8
∆I ≈ πdR 1 + − 1 = πdR4 h. (1.35)
15 R 3
Como os asteroides provêm de todas as direções, vamos supor que
eles não alteram o momento angular do sistema. Dessa maneira, para

153
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

calcular a razão dos perı́odos de revolução basta conservar o momento


angular associado à rotação do planeta sem poeira e com poeira. Veja

2π 2π
I0 ω0 = (I0 + ∆I)ω → I0 = (I0 + ∆I)
T0 T

T ∆I
=1+ (1.36)
T0 I0
Substituindo I0 e ∆I pelos valores calculados anteriormente, obtemos
o resultado desejado
T 5dh
=1+ . (1.37)
T0 DR

1.7 Cilindros empilhados


O movimento que surge no sistema a partir da impressão de uma
aceleração a0 = a sobre a primeira tábua encontra-se ilustrado na
figura a seguir. Nela denotamos as acelerações lineares observadas nas
tábuas como ai (i=1,2,. . . ), as acelerações lineares dos cilindros bi e
suas acelerações angulares αi , com os sentidos convencionados conforme
a figura a seguir.

F2 a2
b2 α2
a1 F1 F1
α1 b1
F0 a0

Observando a condição de não escorregamento do primeiro andar de


cilindros com as tábuas inferior e superior nos observam-se as seguintes

154
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

relações a0 = b1 + α1 R e a1 = α1 R − b1 , que resultam nas seguintes


expressões
a0 − a1
b1 = (1.38)
2
a0 + a1
α1 = . (1.39)
2R
Observe agora o diagrama de forças que atuam nos primeiros cilindros
empihados. Note primeiramente que, pelo fato de que as tábuas têm
massa desprezı́vel, a força resultante sobre elas é nula. Isso implica no
fato que a força de atrito de cada placa sobre o cilindro imediatamente
inferior a ela é igual e de sentido oposto à força de contato que ela
exerce sobre o cilindro imediatamente superior. Denote a força que a
placa i exerce sobre os cilindro com os quais ela tem contato de Fi .
Aplicando a 2a lei de Newton para translação para o primeiro cilindro
temos que
F0 + F1 = M b 1 . (1.40)

A 2a lei de Newton para rotações nos garante, por sua vez, que

M R2
(F0 − F1 )R = Iα1 = α1 . (1.41)
2

Utilizando as Eqs.1.38 e 1.39 para reescrever as Eqs.1.40 e 1.41 para


que fiquem em função das acelerações ai das tábuas, obtém-se o par de
equações

M M
F0 + F1 = (a0 − a1 ) e F0 − F1 = (a0 + a1 ),
2 4

de onde obtêm-se os seguintes valores de forças de contato

M M
F0 = (3a0 − a1 ) e F1 = (a0 − 3a1 ).
8 8

Como o sistema é infinito, notamos que ao observar o subconjunto


composto a partir da segunda tábua, não há nenhuma diferença, portanto
deve existir uma proporcionalidade entre a força inferior aplicada ao

155
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

cilindro e a aceleração que ele sofre. Matematicamente, temos

F1 a1
= = λ. (1.42)
F0 a0

Segue, portanto, que

F1 a0 − 3a1 1 − 3λ
λ= = =
F0 3a0 − a1 3−λ

λ2 − 6λ + 1 = 0. (1.43)

A equação caracterı́stica de segundo grau do sistema admite soluções



reais dadas por λ = 3 ± 2 2. No entanto, apenas a solução com o sinal
negativo é fisicamente razoável. Isso decorre do fato de que o trabalho
que uma força externa faz sobre o primeiro tapete é finito e, portanto,
a energia cinética total da pilha de cilindros também deve ser, o que
só ocorre caso a razão entre as velocidades e acelerações λ satisfizer
|λ| < 1. Senão, a energia total do sistema diverge.

Dessa forma, concluı́mos que a1 = (3 − 2 2)a. Finalmente, basta
calcular o valor pedido de b1 , a partir de a0 e a1 , utilizando a Eq.1.38.
Chegamos assim ao resultado desejado

a0 − a1 √
b1 = = ( 2 − 1)a. (1.44)
2

1.8 Haltere girando sem atrito


A rotação com velocidade angular ω dos discos em torno do eixo da
haste que os une resulta em um momento angular Lp = 2Iω paralelo à
M r2
mesa, em que I = 2 corresponde ao momento de inércia dos discos.
Devido a componente Ω da velocidade angular do sistema, a projeção
horizontal Lp do momento angular total do sistema também gira. Segue,
portanto, que as forças externas, peso e forças de contato normais N1 e

156
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

N2 , que atuam sobre o haltere devem gerar um torque não nulo.


Considere um pequeno intervalo ∆t, em que o haltere gira de um
ângulo ∆θ = Ω∆t ao redor do eixo perpendicular da mesa. A figura a
seguir ilustra a variação ∆L do momento angular em função de ∆θ.

L (t+Δt)
ΔL
Δθ
L (t)

Observe que para que a projeção L~p do vetor momento angular gire
de maneira solidária ao haltere, é necessário que haja uma variação ∆L
do momento angular perpendicular a L~p , capaz de mudar a sua direção
sem alterar sua intensidade.
Pela 2a lei de Newton para rotações, deve existir um torque τ
associado à variação ∆L do momento angular. Utilizando a aproximação
de pequenos ângulos para ∆θ, podemos escrever

∆L
∆θ = , (1.45)
2Iω
que pode ser dividida por ∆t, levando ao resultado

τ
Ω= → τ = 2IωΩ. (1.46)
2Iω
Para chegarmos ao valor máximo possı́vel de Ω, calculamos o valor
do torque medido com respeito ao centro de massa do haltere

l l l
τ = N2 − N1 = ∆N , (1.47)
2 2 2
em que ∆N = N2 − N1 corresponde à diferença entre as duas forças de
contato normais.3 Combinando as equações 1.46 e 1.47, segue que
3 Observe que, quando Ω = 0, as duas normais são iguais, o que corresponde ao

caso trivial.

157
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

∆N l
Ω= . (1.48)
4Iω
O valor máximo de Ωmax segue do fato de existir um valor máximo
para a diferença ∆N = N2 − N1 . Como a soma das duas forças deve ser
igual ao peso total do haltere, isto é, N1 + N2 = 2M g, segue portanto
que o valor máximo de ∆N é 2M g, o que corresponde a iminência de
descolamento do haltere com a mesa (N1 = 0). Finalmente, segue o
resultado desejado

2M gl lg
Ωmax = 2 = 2 . (1.49)
4 M2r ω r ω

1.9 Brincando no balanço


a) Considere um referencial giratório instantaneamente solidário ao
balanço no instante em que este passa pela posição mais baixa.
Para erguer o seu centro de massa de uma distância b, a criança
deve vencer o seu peso e a força centrı́fuga

F = P + Fcf g = mg + mω 2 l. (1.50)

Portanto, o trabalho realizado pela criança ao elevar o seu centro


de massa é dado por

W1 = F b = mgb + mω 2 lb. (1.51)

Ao agachar-se no extremo da trajetória, no qual a velocidade do


balanço é nula e a inclinação do balanço com a vertical é dada
pelo ângulo ϕ, a criança sofre trabalho da força peso e realiza um
trabalho resistente oposto a fim de permanecer em repouso, dado
por
W2 = −mgb cos ϕ (1.52)

158
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Portanto, o trabalho lı́quido realizado pela criança em um semiciclo


é dado por

W = W1 + W2 = mgb(1 − cos ϕ) + mω 2 lb. (1.53)

b) Considere a criança como uma massa pontual m, no extremo


do balanço. O momento de inércia dela pode ser estimado pela
fórmula I = ml2 . Sabendo que no ponto mais baixo da trajetória
a energia mecânica do sistema é puramente cinética, pode-se
escrever
Iω 2 ml2 ω 2 2E
E= = → mω 2 l = . (1.54)
2 2 l
No ponto em que o balanço permanece parado, podemos igualar
a energia mecânica com a potencial gravitacional

Eb
E = mgl(1 − cos ϕ) → mgb(1 − cos ϕ) = . (1.55)
l

Substituindo os resultados dados pelas Eqs. 1.54 e 1.55 na Eq.


1.53, segue que
3Eb
W = . (1.56)
l
c) Tome uma aproximação para esse modelo tomando diferenças
finitas, ao invés de diferenciais,

∆E
= αE. (1.57)
∆t

3Eb
No item anterior, temos que ∆E = l , enquanto ∆t corresponde
a um semiperı́odo do pêndulo simples
s
l
∆t = π . (1.58)
g

159
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Calculamos o parâmetro α como sendo,


r
1 ∆E 3b g
α= = . (1.59)
E ∆t π l3

1.10 Fratura no edifı́cio


Estudaremos inicialmente o movimento de tombamento do edifı́cio
em torno de sua base como um todo. Como o corpo gira livremente
em torno do ponto B, utilizaremos esse ponto como referência para
descrever o movimento de rotação e realizar o cálculo de torques.
Admitindo um deslocamento angular θ da torre, o torque gerado
pelo peso mg da torre é dado por4

L
τg = mg senθ. (1.60)
2

mL2
Considerando o momento de inércia I = com respeito ao ponto
3
B, calculamos a aceleração angular do edifı́cio aplicando a 2a Lei de
Newton para rotações

L mL2 00 3g
mg senθ = θ → θ00 = senθ. (1.61)
2 3 2L

Essa equação é valida desde o inı́cio da queda até o instante de


ruptura e descreve o movimento de tombamento da torre como um todo.
Para determinar o ponto mais provável de ruptura é preciso investigar
os esforços internos na estrutura do edifı́cio. Para fazer isso, divida a
estrutura da torre em duas partes:

• Parte 1: porção abaixo do ponto P , de altura h;

• Parte 2: porção acima do ponto P , de altura L − h.


4 Lembre-se que o peso é aplicado sobre o centro de massa do corpo, isto é, à meia

altura da torre.

160
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Vamos modelar as tensões internas da torre no ponto P por meio de


uma força com componentes de tração T e cisalhamento C, além de um
torque τ na seção de área que separa as partes 1 e 2. Veja o diagrama
de forças e momentos trocados entre as duas partes da torre a seguir.

II

τ
T L-h
C P2
τ
T C
I h
P1
Devido ao fato da torre ser estreita, o ponto de ruptura estará
diretamente associado à altura h na qual o esforço máximo de torque τ
é máximo. Considerando uma distribuição uniforme de massa da torre,
L−h
temos que m2 = m = (1 − f )m, em que f = h/L. A 2a Lei de
L
Newton para rotações aplicada à parte 2 da torre, com respeito a P ,
garante que
L−h m2 (L − h)2 00
m2 g senθ + τ = θ
2 3
mgL 1
τ =− (1 − f )2 senθ + mL2 (1 − f )3 θ00 , (1.62)
2 3
que, combinada com a Eq. 1.61, resulta no valor de torque

mgL
τ =− f (1 − f )2 senθ. (1.63)
2

Para extremizar o valor de torque encontrado na Eq. 1.63, fazemos

d
[f (1 − f )2 ] = 0 → (1 − f )2 − 2(1 − f )f = 0,
df

161
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

que, como 0 < f < 1, nos leva ao resultado desejado

1 − 3f = 0 → f = 1/3. (1.64)

1.11 Queda do lápis

a) Quando o lápis se desloca um ângulo θ da vertical, a força peso


passa a exercer um torque τ = mg 2l senθ que resulta em uma
aceleração angular. Sabendo que o momento de inércia do lápis
ml2
com respeito a sua ponta é I = 3 , temos que

τ mg 2l senθ 3gsenθ
α= = ml 2 = . (1.65)
I 3
2l

A velocidade angular do lápis pode ser obtida a partir da con-


servação de energia mecânica do sistema. Ao deslocar-se um
ângulo θ da vertical, o centro de massa do lápis desce de uma
l(1−cos θ)
altura h = 2 .
A energia potencial gravitacional pode ser escrita, adotando o
chão como referencial nula de altura, como Eg = mg 2l cos θ e a
energia cinética pode ser calculada considerando a rotação pura
Iω 2
do lápis com respeito a sua ponta, Ec = 2 . A conservação de
energia nos garante que
r
l Iω 2 l 3g
mg = + mg cos θ → ω= (1 − cos θ) (1.66)
2 2 2 l

b) A componente vertical da força resultante Fy = N −mg está ligada


com a componente vertical da aceleração do centro de massa ay .
A posição do CM do lápis é dada pelo vetor ~r = 2l senθ, 2l cos θ ,


162
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

que derivado com respeito ao tempo resulta no vetor velocidade


 
lω lω
~v = cos θ, − senθ (1.67)
2 2

e, após uma nova derivação com respeito ao tempo, no vetor


aceleração

lω 2 lω 2
 
lα lα
~a = cos θ − senθ, − senθ − cos θ . (1.68)
2 2 2 2

Escrevendo a segunda lei de Newton para translações, considerando


a direção vertical y, escrevemos may = N − mg, de onde segue
que
 
l l 2
N = m g − αsenθ − ω cos θ . (1.69)
2 2

Substituindo os resultados encontrados no item anterior, temos


que  
3 2 3
N = mg 1 − sen θ − cos θ(1 − cos θ)
4 2
2
9 cos2 θ − 6 cos θ + 1
  
3 cos θ − 1
N = mg = mg . (1.70)
4 2

c) Supondo que caso o coeficiente de atrito seja suficientemente


grande, não há deslizamento enquanto houver uma força de contato
entre o lápis e o chão. No melhor dos casos, o escorregamento
acontece quando a normal se anula, que acontece no ângulo θ1 =
arccos 31 ≈ 71o .


d) Aplicando novamente a segunda lei de Newton, agora para a


direção horizontal, em que a única forma atuante é a do atrito fat
entre a ponta do lápis e o chão

lω 2
 

fat = max = m cos θ − senθ
2 2

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

3mg
fat = senθ(3 cos θ − 2). (1.71)
4
A condição de não deslizamento da ponta do lápis é µN ≥ fat .
A violação dessa inequação implica no deslizamento da ponta do
lápis para ângulos θ inferiores a 71o .
Para saber para que sentido o lápis escorrega, é necessário saber
qual o sinal de ax para o ângulo em que o escorregamento ocorre.
Para ângulos maiores que θ2 = arccos 32 = 48o , segue que ax < 0.


Nesses casos o escorregamento se dá na direção do movimento


do lápis. Caso o contrário, o deslizamento se dá para o sentido
oposto ao movimento do lápis.

1.12 Placa sobre rolamentos


a) Considere um deslocamento da placa de uma distância d no plano
inclinado. À medida que a placa se desloca, os rolamentos com-
preendidos na distância percorrida iniciam os seus movimentos.
Um deslocamento de d da placa corresponde a uma variação de
altura h = dsenα.
A velocidade angular dos rolamentos é ω e a velocidade linear da
placa é v. A condição de não-deslizamento entre os rolamentos e a
placa pode ser expressa pela expressão v = ωr. A energia cinética
T adquirida por um rolamento é dada por

Iω 2 mv 2
T = = . (1.72)
2 4

Na situação de velocidade máxima, o trabalho da força peso Wp


é igual à energia cinética adquirida pelo rolamento, uma vez que
as dissipações são desprezı́veis. Matematicamente, temos que
T = Wp , isto é,
2
mvmax
= M gdsenα,
4

164
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

o que nos conduz ao resultado desejado


r
4dM gsenα
vmax = . (1.73)
m

b) Vamos assumir que a força de contato entre a placa e o rolamento


observada durante a aceleração do rolamento é dada por F (t).
Durante um intervalo de tempo ∆t, a força F (t) exerce um torque
sobre o rolamento, aumentando a sua quantidade de movimento
angular de uma quantidade I∆ω. Em um intervalo de tempo
infinitesimal, satisfaz-se a equação

Idω = rF (t)dt. (1.74)

A potência dissipada por esse deslizamento é o produto de F (t) pela


velocidade de escorregamento [vmax − rω(t)]. A energia dissipada
durante ∆t vale
ˆ ∆t
Wdis = F (t) [vmax − rω(t)] dt. (1.75)
0

Isolando F(t) da equação 1.74 e substituindo em 1.75, segue que


ˆ ∆t ˆ ∆t ˆ ∆t
I Ivmax
Wdis = [vmax − rω(t)] dω = dω − Iωdω
0 r 0 r 0

Ivmax ωmax Iω 2
Wdis = − max ,
r 2
como vmax = rωmax , chega-se ao resultado5
2 2
Ivmax mvmax
Wdis = 2
= . (1.76)
2r 4

5 É interessante observar que esse resultado independe do perfil de F (t). Uma

solução alternativa, que conduz ao mesmo resultado, é utilizar a expressão da força


de atrito dinâmica F (t) = µN constante.

165
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

c) Vamos repetir aqui mesmo o procedimento do item a), contabili-


zando agora a energia dissipada calculada no item b) no balanço
de energia, isto é, T + Wdis = Wp , o que leva ao resultado desejado

2 2
mvmax mvmax
+ = M gdsenα
4 4
r
2dM gsenα
vmax = . (1.77)
m

1.13 Colisão de uma esfera com o chão (IPhO)


a) Da conservação de energia mecânica ao longo da queda livre
vertical anterior à colisão entre a bola e chão, temos que

mv02 p
mgh = → v0 = 2gh. (1.78)
2

Da altura máxima atingida pela bola após o choque, cujo valor


é dado por ah, encontramos a velocidade vertical da bola após a
colisão
p
vy = 2gah, (1.79)

o coeficiente de restituição da colisão é, portanto, e = a. Calcu-
lando o impulso vertical aplicado sobre a bola, obtemos
ˆ ∆t p √
Iy = N dt = m 2gh(1 + a). (1.80)
0

Como a esfera desliza ao longo de toda a colisão, o impulso da


direção horizontal é dado por
ˆ ∆t ˆ ∆t p √
Ix = fat dt = µ N dt = µm 2gh(1 + a). (1.81)
0 0

Uma vez que Ix = mvx , em que vx representa a componente da

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

velocidade horizontal da bola após a colisão, temos que


p √
vx = µ 2gh(1 + a). (1.82)

O valor de tgθ pode ser encontrado a partir da razão entre as


velocidades vx e vy . Assim, das equações 1.79 e 1.82, segue que
 
vx 1
tgθ = =µ 1+ √ . (1.83)
vy a

b) Uma vez que conhecemos as velocidades da bola após a colisão,


basta investigar o movimento parabólico do centro de massa da
esfera após o choque. O tempo de voo da bola é dado por
tvoo = 2vy /g e, por sua vez, a distância horizontal percor-
rida pela esfera entre o primeiro e o segundo impacto é dado por
D = vx tvoo . Chegamos assim ao resultado desejado

2vx vy
D= (1.84)
g
√ 
D = 4µh a + a (1.85)

c) O impulso angular I na bola é dado por


ˆ ∆t p √
I= fat Rdt = µmR 2gh(1 + a), (1.86)
0

que corresponde à variação de quantidade de movimento angular


da bola. Dessa maneira, podemos calcular a velocidade angular
ωf da bola após a colisão

2mR2
I= (ω0 − ωf ) (1.87)
5
5µ p √
ωf = ω0 − 2gh(1 + a). (1.88)
2R

167
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Para que haja deslizamento da bola ao final da colisão é necessário


que ωf R > vx , o que nos leva ao seguinte resultado

7µ p √
ω0 > 2gh(1 + a). (1.89)
2R

Dessa maneira, encontramos o valor mı́nimo ωc da velocidade


angular da bola para que haja deslizamento ao longo de toda a
colisão
7µ p √
ωc = 2gh(1 + a). (1.90)
2R
d) Seja t0 , 0 < t0 < ∆t, o instante em que a bola deixa de deslizar com
respeito ao chão e atrito dinâmico cessa. Nesse caso, a velocidade
vx é obtida a partir do impulso na direção horizontal Ix = mvx .
Logo,
ˆ t0
Ix 1
vx = = fat dt. (1.91)
m m 0

Da condição de não-deslizamento, temos que vx = ωf R. Dessa


maneira,
Ix
ωf = . (1.92)
mR
Por outro lado, a variação do momento angular da bola deve ser
igual ao impulso angular da força de atrito ao longo da colisão,
conforme a equação 1.87. Assim,
ˆ t0
2mR2
fat Rdt = (ω0 − ωf )
0 5

2mR2
 
Ix
Ix R = ω0 −
5 mR
2mR
Ix = ω0 . (1.93)
7
Substituindo o valor de impulso Ix na equação 1.91, obtemos a

168
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

velocidade linear na direção horizontal da bola após a colisão

2
vx0 = Rω0 . (1.94)
7

Obtemos o valor desejado de tgθ a partir das Eqs. 1.79 e 1.946

vx0
r
Rω0 2
tgθ = = . (1.95)
vy 7 gha

e) Aplicando o resultado expresso pela Eq. 1.84, agora com o novo


valor de componente horizontal da velocidade vx0 , temos que
s
2v 0 vy 4 2ha
A0 = x = Rω0 . (1.96)
g 7 g

f) A curva do gráfico é obtida pela composição de dois ramos, que


correspondem a cada um dos casos considerados anteriormente.
Para altas velocidades angulares (ω > ωc ), o ângulo de saı́da da
bola assume um valor fixo, cuja tangente é dada pela equação
1.83. Por outro lado, para velocidades angulares baixas (ω <
ωc ), há uma proporcionalidade entre tgθ e a velocidade angular
inicial ω0 , conforme a equação 1.95. Dessa forma, o gráfico do
comportamento de tgθ com a velocidade angular ω0 é dado pela
figura a seguir.

tgθ
1
μ(1+ a )

ωc ω0
6 Para a direção vertical, é indiferente se o deslizamento cessa ou não.

169
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.14 Pêndulo fı́sico giratório

a) Para resolver esse problema, adotaremos um referencial giratório


solidário à barra de velocidade angular ω e investigaremos o perfil
da energia potencial U (α) em termos da posição angular α da
barra.
A energia potencial tem uma parcela associada à energia gravita-
cional dada por
L
Ug = M g (1 − cos α). (1.97)
2
A segunda parcela é associada à força de inércia centrı́fuga, que
surge pelo fato de estarmos lidando com um referencial não inercial.
A energia de um elemento de massa dm distante de x do eixo de
rotação é dada por

1
dUcf g = − dmω 2 x2 . (1.98)
2

Como pode-se verificar na figura a seguir, x = lsenα. Chame a


densidade linear de massa da barra de λ = M/L.

l
α dmω 2x
x

dm g

Dessa forma, a energia centrı́fuga da barra pode ser calculada

170
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

realizando uma integral ao longo de todo o comprimento da barra


ˆ ˆ L
1
Ucf g = dUcf g = − λω 2 sen2 α l2 dl
2 0

1 1
Ucf g = − λω 2 L3 sen2 α = − M ω 2 L2 sen2 α. (1.99)
6 6
Somando-se as parcelas Ug e Ucf g , chega-se à expressão da energia
potencial total da barra

L 1
U (α) = M g (1 − cos α) − M ω 2 L2 sen2 α. (1.100)
2 6

Os pontos de equilı́brio da barra podem ser obtidos a partir


de pontos crı́ticos de U (α), sendo, portanto, determinados pela
expressão
U 0 (α) = 0
L 1
M g senα − − M ω 2 L2 senα cos α = 0. (1.101)
2 3
Note que α1 = 0 e α2 = π são sempre soluções da equação 1.101.
q
3g
No caso de rotações suficientemente rápidas ω > ωc , ωc = 2L ,
existe uma terceira posição de equilı́brio dada por

ωc2
 
α3 = arccos . (1.102)
ω2

b) A estabilidade de um ponto de equilı́brio α∗ pode ser investigada


através do sinal de U 00 (α∗ ). Um ponto crı́tico com valor de sua
segunda derivada positivo, U 00 (α∗ ) > 0, constitui um ponto de
mı́nimo local da energia potencial, que corresponde a uma posição
de equilı́brio estável. Um ponto crı́tico com U 00 (α∗ ) < 0, por sua
vez, está associado a posições de equilı́brio instável.

171
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Derivando duas vezes a expressão 1.100 com respeito a α, temos

L 1
U 00 (α) = M g cos α − M ω 2 L2 cos(2α). (1.103)
2 3

No nosso caso, os valores positivos da segunda derivada encontrado


para os pontos de equilı́brio estáveis correspondem às constantes
de torque da aproximação de movimento harmônico simples de
pequenas oscilações.7
Vamos classificar cada um dos pontos de equilı́brio separadamente:

i) α1 = 0: Da equação 1.103, segue que

ω2
 
L 1 M gL
U 00 (0) = M g − M ω 2 L2 = 1− 2 . (1.104)
2 3 2 ωc

Logo, a posição é estável para velocidades angulares menores


que o valor crı́tico ωc e torna-se instável para velocidades
angulares ω > ωc . No caso de baixas velocidades angulares,
temos que

ω2
 
M gL
2
Kθ = IΩ = 1− 2 ,
2 ωc

M L2
em que I = 3 corresponde ao momento de inércia da
barra. Isolando a frequência angular Ω, segue que
s
ω2
Ω = ωc 1− , ω < ωc . (1.105)
ωc2

i) α2 = π: Da equação 1.103, segue que

L 1
U 00 (π) = −M g − M ω 2 L2 < 0. (1.106)
2 3
7 Isso decorre porque aproximar pequenas oscilações em torno de um ponto de

equilı́brio a um MHS é equivalente a realizar uma expansão parabólica do potencial


em torno do ponto de mı́nimo correspondente.

172
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Portanto, α2 sempre será um ponto de equilı́brio instável.


 2
ω
i) α3 = arccos ωc2 : Da equação 1.103,

"  2 #
00 L ωc2 1 2 2 ωc2
U (α3 ) = M g − Mω L 2 −1
2 ω2 3 ω2

ω2 ω2
 
M gL
U 00 (α3 ) = 2
− c2 . (1.107)
2 ωc ω

Lembre-se que α3 está definido apenas para velocidades an-


gulares suficientemente altas, nas quais a condição ω > ωc
é satisfeita. É fácil verificar que quando essa condição é
satisfeita tem-se U 00 (α3 ) > 0.
Dessa maneira, segue que

ω2 ω2
 
M gL
Kθ = IΩ2 = 2
− c2
2 ωc ω
s
ω2 ωc2
Ω = ωc − , ω > ωc . (1.108)
ωc2 ω2

1.15 Futebol Cúbico (Portugal)


a) Na fase i), o centro de massa adquire velocidade na direção ho-
rizontal devido à ação do pontapé, representado pela força F , e
na direção vertical, devido a interação da bola cúbica com o chão,
representada pela força R da figura. Podemos calcular o impulso
em cada uma dessas direções, respectivamente,
ˆ ∆t
Px = F (t)dt ≈ F ∆t (1.109)
0

ˆ ∆t
Py = R(t)dt ≈ R∆t. (1.110)
0

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Dividindo a equação 1.110 por 1.109 e considerando que

Px vx
= ,
Py vy

chegamos ao resultado desejado

vx F
= . (1.111)
vy R

b) O movimento da bola pode ser descrito através de uma composição


da translação de seu centro de massa com a velocidade ~vcm =
~ = −ωẑ. Dessa maneira, a
vx x̂ + vy ŷ e velocidade angular ω
velocidade ~vP de um ponto P arbitrário é dada pela expressão

~ × ~rP ,
~vP = ~vcm + ω (1.112)

em que ~rP representa a posição do ponto considerado com respeito


ao centro de massa da bola. O canto inferior direito, por sua vez,
é localizado pelo vetor ~rP = l(x̂ − ŷ). Assim,

~vP = (vx − ωl)x̂ + (vy − ωl)ŷ. (1.113)

Como a componente vertical da velocidade desse ponto é nula


antes do sobressalto, segue que
 
F ∆t
vy = ωl e ~vP = − ωl x̂. (1.114)
m

c) Para estudar o movimento de rotação da bola, é interessante


~ = ~τ ∆t aplicado na bola ao longo
investigar o impulso angular L
da primeira etapa da colisão com respeito ao centro de massa.
O torque ~τ é o torque resultante da aplicação das forças F~ e R,
~
portanto
~ = −l(F − R)∆tẑ.
L (1.115)

174
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

O impulso angular corresponde à variação de quantidade de mo-


vimento angular da bola, expressa pela equação L = Iω, onde
I = 23 ml2 é o valor do momento de inércia do cubo de lado 2l e
massa M girando em torno do seu centro de massa com respeito
a um eixo perpendicular a uma de suas faces. Daı́,

2 2
ml ω = l(F − R)∆t. (1.116)
3

Como vimos anteriormente, R∆t = mvy = mωl, logo

2 3F ∆t
mlω = F ∆t − mωl → ω= . (1.117)
3 5ml

~
d) Após o sobressalto, o cubo ficará sob o efeito de uma força eR,
que fornecerá à bola um impulso dado por eR∆t. Portanto, a
velocidade final vy0 do centro de massa é dada por

1
vy0 = (R∆t + eR∆t) = (1 + e)vy . (1.118)
m

Substituindo as equações 1.114 e 1.117 na equação 1.118, chegamos


ao resultado
3F ∆t
vy0 = (1 + e). (1.119)
5m
e) Para que a condição descrita seja satisfeita, o impulso angular da
~ ao longo da segunda etapa da colisão deve ser igual ao
força eR
momento angular da bola ao final da primeira etapa. Matemati-
camente, temos


eR∆tl = Iω → e= . (1.120)
R∆tl

Substituindo o valor do momento de inércia I = 23 ml2 e lembrando

175
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

que R∆t = mvy = mωl, chegamos ao resultado final desejado

2 2

3 ml ω 2
e= → e= (1.121)
mωl2 3

1.16 Oscilações de corpo rı́gido

Utilizaremos nesta solução um método de obtenção da equação de


movimento de sistemas com um único grau de liberdade através da
aplicação do princı́pio da conservação da energia mecânica total. Esse é
um método alternativo à aplicação direta das leis de Newton de rotação
e translação.
Sejam x e θ as coordenadas de translação e rotação do disco, a
partir das quais descreveremos o movimento do sistema. Adotamos
como referência (x = 0 e θ = 0) a posição de deformação nula da mola.
Considerando que a corda é inextensı́vel e que não há deslizamento entre
a corda e o disco, segue a seguinte condição de vı́nculos geométricos do
sistema x = Rθ e que a coordenada x vale metade da deformação da
mola, x = ∆l/2.
A energia cinética do disco pode ser dividida em parcelas associadas
à sua translação e rotação com respeito ao centro de massa

mx02 Iθ02
T = + .
2 2

mR2
Substituindo o valor do momento de inércia do disco I = 2 e
aplicando a condição de vı́nculo entre as coordenadas angular e linear,
segue que
3mx02
T = . (1.122)
4
Por sua vez, a energia potencial total divide-se em energia potencial

176
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

elástica e gravitacional

k∆l2
V = − mgx = 2kx2 − mgx. (1.123)
2

O princı́pio da conservação de energia garante que o valor da energia


mecânica total do sistema, calculada como E = T + V , é constante no
tempo. Segue, portanto que

3mx02
 
dE d 2
= + 2kx − mgx = 0
dt dt 4

3mx0 x00
+ 4kxx0 − mgx0 = 0 (1.124)
2

Cancelando o termo x0 de todos os termos da equação 1.124, chega-


mos à seguinte equação de movimento

8k 2
x00 + x = g. (1.125)
3m 3

Dessa forma, determinam-se a frequência angular da oscilação e


posição de equilı́brio, respectivamente dadas por
r
8k mg
ω0 = e x0 = . (1.126)
3m 4k

1.17 Esfera na rampa

a) Considere que a esfera esteja em um ponto da rampa tal que a


inclinação local seja θ. O diagrama de forças que atuam sobre a
esfera é mostrado a seguir.

177
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

N
fat

θ Mg

Utilizando a 2a Lei de Newton para descrever o movimento de


translação da bola, deduz-se a seguinte relação

M a = M gsenθ − fat . (1.127)

Utilizando a 2a Lei de Newton para rotações, adotando o centro


de massa da esfera como ponto de referência, escrevemos

2 2
fat R = M R2 α → fat = M Rα. (1.128)
5 5

Supondo que não há deslizamento, a aceleração linear a e a ace-


leração angular α obedecem a relação a = Rα. Nessa situação,
pode-se obter das Eqs.1.127 e 1.128 o valor da aceleração linear
da esfera

2 5
M a = M gsenθ − M a → a= gsenθ. (1.129)
5 7

Da Eq.1.128, obtemos o valor da força de atrito entre a esfera e a


rampa
2
fat = M gsenθ. (1.130)
7
O ângulo limite surge da condição fat ≤ µN = µM g cos θ, de tal
forma que chegamos ao seguinte resultado

2
M gsenθ ≤ µM g cos θ
7

178
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

 
7 7
tgθ ≤ µ → θ ≤ arctg µ . (1.131)
2 2

b) Vamos propor duas soluções para este item.


Solução 1: Aplicação direta das leis de Newton.
Nessa solução, utilizaremos o resultado obtido na Eq.1.129. Ob-
serve que existe um vinculo geométrico que relaciona as variáveis
a e θ descrito por
a = −(R − r)θ00 . (1.132)

Além disso, podemos utilizar a aproximação para pequenos ângulos,


senθ ≈ θ. Segue, portanto, que

5 5g
− (R − r)θ00 = gθ → θ00 = − θ. (1.133)
7 7(R − r)

O que mostra que a esfera realiza um movimento harmônico


simples de frequência angular dada por
s
5g
ω= , (1.134)
7(R − r)

o que corresponde a um perı́odo dado por


s
2π 7(R − r)
T = = 2π . (1.135)
ω 5g

Solução 2: Conservação da energia mecânica do sistema.


Podemos calcular a energia total do sistema E como a soma da
energia cinética e potencial gravitacional V .
A energia cinética da esféra decompõe-se em energia de translação
e rotação, T = Ttrans + Trot . A velocidade do centro de massa
da esfera é dada por v = (R − r)θ0 , de tal forma que a energia

179
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

cinética de translação é dada por

1
Ttrans = M (R − r)2 θ02 . (1.136)
2

A energia de rotação é dada por Trot = 12 Iφ02 , onde I = 25 M r2 é


o momento de inércia da esfera e φ é a coordenada que descreve
o giro da esfera ao redor do seu eixo. Da condição de rolamento
sem deslizamento, temos que rφ = (R − r)θ, o que nos leva ao
seguinte resultado

1
Trot = M (R − r)2 θ02 . (1.137)
5

A energia potencial gravitacional do sistema é dada por

V = M g(R − r)(1 − cos θ). (1.138)

A energia total do sistema pode ser, portanto, escrita como

7
E= M (R − r)2 θ02 + M g(R − r)(1 − cos θ). (1.139)
10

Não havendo deslizamento da esfera, o atrito entre a esfera e a


rampa é estático e não realiza trabalho. Segue, portanto, que a
energia do sistema se conserva e sua derivada com respeito ao
tempo é nula

dE 7
= M (R − r)2 θ0 θ00 + M g(R − r)θθ0 = 0. (1.140)
dt 5

Fazendo a aproximação de pequenos ângulos senθ ≈ θ, chega-se a


equação de movimento 1.133

5g
θ00 = − θ, (1.141)
7(R − r)

que leva ao mesmo resultado da solução anterior.

180
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

1.18 Na corda bamba (Portugal adp.)

a) Vamos modelar o equilibrista como uma barra com distribuição


uniforme de massa, de tal forma que o seu centro de massa pode
ser escrito com respeito ao eixo de rotação que contém a corda
como

M l2
I1 = . (1.142)
3
Por sua vez, a barra carregada pelo funâmbulo também é modelada
utilizando uma distribuição uniforme de massa, resultando em um
momento de inércia com respeito ao seu centro de massa dado por
I2,cm = mL2 /12. O momento de inércia da barra com respeito à
corda pode ser obtido utilizando o teorema dos eixos paralelos

mL2
I2 = + m(f l)2 . (1.143)
12
O momento de inércia é uma grandeza aditiva. Portanto, o
momento de inércia do sistema (equilibrista + barra) é dado pela
expressão

M l2 mL2
I = I1 + I2 = + + m(f l)2 . (1.144)
3 12
b) Vamos modelar um leve desequilı́brio do funâmbulo como um
pequeno desvio de um ângulo θ entre ele e a vertical. Para essa
situação, surge um torque da força peso do funâmbulo e da barra,
τ1 e τ2 respectivamente, dados por

l
τ1 = M g senθ e τ2 = mgf lsenθ. (1.145)
2
A equação de movimento desejada consiste basicamente da aplicação
da 2a Lei de Newton para rotações. Segue, portanto, que o termo G
corresponde ao torque total sobre o sistema

181
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

l
G = τ1 + τ2 = M g senθ + mgf lsenθ. (1.146)
2
c) Para pequenos deslocamentos, pode-se considerar que senθ ≈ θ.
Dessa maneira, pode-se considerar que o torque resultante sobre
o sistema é proporcional ao deslocamento angular θ
 
M gl
G= + mgf l θ = G0 θ. (1.147)
2

A equação que descreve a dinâmica do sistema passa a ser escrita


como Iθ00 = G0 θ, cuja solução geral é dada por
r ! r !
G0 G0
θ(t) = Aexp t + Bexp − t , (1.148)
I I

em que A e B são amplitudes obtidas a partir da posição e


velocidade angulares iniciais do equilibrista.
A condição inicial do problema θ(0) = 0 garante que A + B = 0.
Segue, então, que
" r ! r !#
G0 G0
θ(t) = A exp t − exp − t . (1.149)
I I

Considerando as expansões de Taylor de primeira ordem das


funções exponenciais da equação 1.149 em torno de t = 0,8 segue
que
r
G0
θ(t) ≈ 2A t = N Λt, (1.150)
I
de onde se tira que N = 2A e

r s
G0 6gl(M + 2f m)
Λ= = . (1.151)
I 4M l2 + M L2 + 12m(f l)2
8 De forma equivalente, a aproximação ex ≈ 1+x, se |x|  1, poderia ser utilizada.

182
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Enquanto N consiste em uma mera amplitude adimensional, Λ


tem unidade de s−1 . Assim, o tempo caracterı́stico τ = 1/Λ pode
ser tomado como um parâmetro fı́sico diretamente associado ao
tempo de reação que o funâmbulo tem para reestabelecer o seu
equilı́brio.
d) Vamos comparar os parâmetros de tempo de reação com e sem
barra, dadas respectivamente por
s
4M l2 + mL2 + 12m(f l)2
τbar = = 0, 61s (1.152)
6gl(M + 2f m)
s s
4M l2 2l
τ0 = = = 0, 34s. (1.153)
6M gl 3g

Como τbar > τ0 , concluı́mos que a barra de fato auxilia o funâmbulo


a manter-se equilibrado sobre a corda bamba.
e) Caso a massa da barra esteja completamente contida nas extremi-
dades, o seu momento de inércia com relação ao centro de massa
é dado por

 2  2
0 M L M L M L2
I2,cm = + = , (1.154)
2 2 2 2 4

que, por sua vez, é maior que I2,cm . Essa desigualdade continua
valendo para os momentos de inércia referentes ao eixo de rotação
que passa pela corda.
Como o momento de inércia da barra aumenta e não há qualquer
alteração no torque que o sistema sofre, concluı́mos que a barra é
mais resistente a rotações e, portanto, mais eficiente.
f) Observando a expressão do tempo caracterı́stico do movimento
s
4M l2 + mL2 + 12m(f l)2
τ= , (1.155)
6gl(M + 2f m)

183
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

pode-se observar que o numerador é dominado pelo termo mL2 ,


que depende exclusivamente das caracterı́sticas da geometria da
barra. Em contrapartida, o denominador depende fortemente das
caracterı́sticas fı́sicas do equilibrista. A situação mais favorável
à manutenção do equilı́brio do funâmbulo acontece, portanto,
quando o denominador é minimizado, isto é, quando o funâmbulo
é leve e com baixa estatura.9

1.19 Movimento de uma moeda (Portugal)


a) Conforme ilustrado na figura a seguir, o movimento da moeda
pode ser descrito como a composição de duas rotações: a primeira
em torno do seu eixo principal x̂3 , com velocidade angular ω, e a
segunda em torno de ẑ, com velocidade angular Ω.

g Ω
Moeda

ω
r
R θ

A velocidade angular total da moeda é igual a soma vetorial dessas


velocidades angulares, isto é,

~ = Ωẑ − ωx̂3 .
ω (1.156)

A condição de não deslizamento é satisfeita quando a velocidade


instantânea do ponto de contato entre a moeda e o chão é nula.
9 Você pode chegar à mesma conclusão investigando o efeito de pequenas variações

dos valores de M e l em torno dos valores tı́picos fornecidos no item d).

184
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

Levando em conta a composição das duas rotações, tal condição


traduz-se na seguinte equação

ΩR = ω 0 r. (1.157)

b) Para realizar essa tarefa basta escrever ẑ no sistema de eixos


principais da moeda. Como a moeda tem simetria axial, podemos
supor que o sistema de eixos principais gira com velocidade angular
Ω em torno de ẑ, que pode ser escrito como (veja a figura a seguir)

ẑ = cosθx̂3 + senθx̂2 . (1.158)

^
Ω
x2
^
x3
θ
θ
^
x1

Dessa maneira, a Eq. 1.156 pode ser reescrita como

~ = (Ω cos θ − ω 0 )x̂3 + Ωsenθx̂2 .


ω (1.159)

c) O momento angular do movimento da moeda pode ser calculado


utilizando o sistema de eixos principais e o momento de inércia
com relação a cada eixo. Matematicamente isso traduz-se em,

~ = I1 ω1 x̂1 + I2 ω2 x̂2 + I3 ω3 x̂3 .


L (1.160)

O momento de inércia da moeda I3 = mr2 /2, com respeito ao


eixo x̂3 , é um resultado conhecido. Segue do teorema dos eixos
perpendiculares, associado à simetria da moeda, que I1 = I2 =

185
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

I3 /2 = mr2 /4. Das Eqs. 1.159 e 1.160, temos que o momento


angular da moeda é dado por
2 2
~ = mr senθΩ x̂2 + mr (Ω cos θ − ω 0 )x̂3 .
L (1.161)
4 2

Para recuperar a componente horizontal Lxy do momento angular,


~ em termos dos eixos {x̂, ŷ, ẑ}. Tomando
precisamos reescrever L
apenas as projeções horizontais de x̂3 e x̂2 , temos que

Lxy = L3 senθ − L2 cosθ

mr2 mr2
Lxy = senθω 0 − senθ cos θΩ. (1.162)
2 4
Utilizando o vı́nculo expresso pela Eq.1.157, podemos reescrever
a Eq.1.162 em termos de Ω

1
Lxy = mrsenθΩ[2R − r cos θ]. (1.163)
4

d) Considerando o movimento de rotação da moeda em torno do eixo


ẑ, notamos que o momento angular L ~ precessiona em torno do
mesmo eixo com velocidade angular Ω. Pode-se então escrever
que
~
dL ~
= (Ωẑ) × L, (1.164)
dt
o que implica em
~
dL
= ΩLxy
dt

~
dL 1
= mrsenθΩ2 [2R − r cos θ]. (1.165)
dt 4

e) As forças atuantes sobre a moeda são o seu peso, a força de contato


normal com o chão e a força de atrito com o mesmo. O diagrama
de forças sobre a moeda está ilustrado na figura a seguir.

186
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

N
mg
fa θ

O torque resultante das forças externas em relação ao centro de


massa da moeda é dado pela expressão

τ = (fat rsenθ − N r cos θ)x̂1 . (1.166)

Uma vez que não há força resultante vertical, a força normal
tem módulo igual ao peso N = mg. A força de atrito, por sua
vez, assume o papel de força resultante centrı́peta do movimento
circular uniforme do centro de massa, o que implica em fat =
mΩ2 (R − cos θ). Dessa maneira, temos que

τ = −(mgr cos θ − mΩ2 (R − cos θ)rsenθ)x̂1 . (1.167)

f) Da 2a Lei de Newton para rotações, temos que

~
dL
τ= . (1.168)
dt

Substituindo as equações 1.165 e 1.167 na Eq. 1.168, e simplifi-


cando a equação, temos que

1 2
−Ω2 (R − r cos θ)senθ + g cos θ = Ω senθ(2R − r cos θ),
4

187
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

o que nos leva ao resultado desejado


r
g
Ω=2 . (1.169)
6Rtgθ − 5rsenθ

g) Aplicando a condição de existência do radical da Eq. 1.169, segue


que
5r cos θ
6Rtgθ − 5rsenθ > 0 → R> . (1.170)
6
h) Como o centro de massa da moeda permanece aproximadamente
imóvel no tempo, segue que o raio da trajetória circular do ponto
de contato da moeda com a mesa é dado por

R = r cos θ. (1.171)

i) Como a velocidade do centro de massa da moeda e do seu ponto


de contato são ambas nulas, é imediato notar que o movimento da
moeda pode ser descrito como uma rotação no eixo instantâneo
de rotação que coincide com x̂2 , isto é, ω
~ = ωx̂2 .
Para relacionar ω e Ω, considere um referencial que gira com
velocidade angular Ωẑ, solidariamente à moeda, de tal forma que
os eixos principais desta permaneçam fixos. Nesse referencial, a
moeda pode apresentar apenas uma velocidade angular ω 0 com
respeito ao eixo x̂3 , com sentido negativo. Da condição de não
deslizamento, temos nesse referencial que Ωr cos θ = ω 0 r, que
resulta em
ω 0 = Ω cos θ. (1.172)

Voltando ao referencial inercial da mesa, temos portanto que

~ = Ωẑ − ω 0 x̂3 .
ω (1.173)

Substituindo o valor de ω 0 , Eq. 1.172, e escrevendo ẑ com respeito


ao sistema de eixos principais, a Eq. 1.173 nos leva ao resultado

188
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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

final desejado

~ = Ω(cosθx̂3 + senθx̂2 ) − Ω cos θx̂3


ω

ω
~ = Ωsenθx̂2 . (1.174)

j) Utilizaremos nesse item um procedimento análogo ao realizado na


parte I do problema. Isto é, verificar que o momento angular do
sistema precessiona com velocidade angular Ωẑ e comparar a taxa
de variação de momento angular com o torque resultante sobre o
sistema.
~ = I2 ω2 x̂2 , o que
O momento angular do sistema é dado por L
resulta em
~ = 1 mr2 Ωsenθx̂2 ,
L (1.175)
4
cuja projeção horizontal é dada por

1 2
Lxy = mr Ωsenθ cos θ. (1.176)
4

Da 2a Lei de Newton para rotações, combinada ao fato da variação


de momento angular se devida a uma rotação com velocidade
angular Ωẑ, segue que

~
dL
τ= ~ = ΩLxy .
= (Ωẑ) × L (1.177)
dt

Como, nesse caso, o centro de massa da moeda permanece em


repouso, segue que fat = 0. Dessa maneira, a única força que
realiza torque sobre a moeda com relação ao seu centro de massa
é a força normal. Segue, portanto, da Eq. 1.177, que

1 2 2
mgr cos θ = mr Ω senθ cos θ
4

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CAPÍTULO 1. MECÂNICA DO CORPO RÍGIDO

r
g
Ω=2 . (1.178)
rsenθ

k) Essa velocidade angular aparente Ωap da moeda vista de um


observador de cima pode ser calculada como a diferença entre
a velocidade angular Ω do ponto de contato com a velocidade
angular ω 0 = Ω cos θ da moeda em torno do eixo principal x̂3 ,
isto é r
g
Ωap = Ω − ω 0 = 2(1 − cos θ) . (1.179)
rrsenθ

190
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Eletromagnetismo
2
2.1 Distância de máxima aproximação

A solução do problema fundamenta-se na conservação da energia


E e do momento angular L do sistema. Uma vez que na situação
inicial do problema as partı́culas estão infinitamente distantes uma da
outra, podemos supor que a energia potencial elétrica do sistema é
aproximadamente nula. Dessa maneira, a energia do sistema no instante
inicial do movimento é dada por E0 = mp v 2 .
Pode-se verificar que o centro de massa desse sistema encontra-se
inicialmente e, pela ausência de forças internas, permanece em repouso
durante todo o movimento. Na situação de máxima aproximação, os
módulos dos vetores velocidade de cada próton serão iguais a v 0 e
sem qualquer componente radial. Nesse instante, a energia potencial
elétrica do sistema não será mais desprezı́vel. Na situação de máxima
aproximação, temos que

Ke2
E = mp v 02 + . (2.1)
D

A conservação da energia total do sistema nos garante, portanto,

191
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que
Ke2
mp v 2 = mp v 02 + . (2.2)
D
O momento angular do sistema na situação inicial, calculado com
respeito ao centro de massa do sistema, é dado por

L L
L0 = mp v + mp v = mp vL, (2.3)
2 2

enquanto o seu valor no instante de máxima aproximação pode ser


obtido de maneira análoga

D D
L = mp v 0 + mp v 0 = mp v 0 D. (2.4)
2 2

Da conservação do momento angular do sistema com respeito ao seu


centro de massa tem-se que

mp vL = mp v 0 D. (2.5)

Isolando v 0 na equação 2.5 e substituindo o seu valor na equação 2.2,


chegamos a uma equação de segundo grau em D

Ke2
D2 − D − L2 = 0, (2.6)
mp v 2
cuja solução real positiva é dada por
s 2
Ke2 Ke2
D= + + L2 . (2.7)
mp v 2 mp v 2

2.2 ~ de uma distribuição ρ(r)


E
a) Considere uma gaussiana esférica de raio r cujo centro coincide
com a origem do sistema de coordenadas. O valor da carga elétrica
Qint (r) contida no interior dessa gaussiana pode ser relacionado

192
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

com o fluxo elétrico ΦE (r), segundo a lei de Gauss

Qint (r) Qint (r)


ΦE (r) = → 4πr2 E(r) =
0 0

Qint (r) = 4πρ0 (2a3 + 2a2 r + ar2 )e−r/a . (2.8)

Para que toda a distribuição de cargas no espaço esteja no interior


de nossa gaussiana, tomaremos o limite r → ∞. Segue, portanto,
que
Qtot = lim Qint (r) = 0, (2.9)
r→∞

isto é, a carga total do sistema é nula.


b) O campo elétrico compartilha das propriedades de simetria da
sua distribuição de cargas correspondente. Segue, portanto, que
a distribuição de cargas elétricas também deve ser radialmente
simétrica. Para calcular ρ(r), deve-se utilizar a lei de Gauss em
sua forma diferencial
~ = ρ.
∇·E (2.10)
0
Calculando o divergente do campo elétrico radial, segundo um
sistema de coordenadas esférico, temos que

~ = 1 ∂ (r2 Er ) = ρ0 ∂ (2a3 + 2a2 r + ar2 )e−r/a


h i
∇·E
r2 ∂r 0 r2 ∂r

~ = − ρ0 e−r/a .
∇·E (2.11)
0
Dessa maneira, segue que a densidade volumétrica de carga é dada
por
ρ(r) = −ρ0 e−r/a . (2.12)

c) Como a densidade volumétrica de carga elétrica é sempre negativa,


não é possı́vel que ela, sozinha, produza uma carga total nula.

193
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Por isso, é necessário que existam outras cargas elétricas além da


distribuição volumétrica de carga ρ(r) calculada.
Cargas pontuais estão associados a campos elétricos extremamente
intensos ao redor de um ponto do espaço.1 Observe que isso é
observado quando tomamos o limite r → 0 para o campo Er,
concluı́mos que deve existir uma carga pontual na origem do
sistema.
Vamos propor a seguir duas soluções para o cálculo da carga
pontual na origem do sistema.
Solução 1: Compensação da distribuição de carga ρ(r).
O valor total Q− da distribuição de cargas pode ser obtido por
uma integração em todo o volume do espaço
ˆ ˆ ∞
Q− = ρ(r)d3~r = 4πr2 ρ(r)dr
0

ˆ ∞
Q− = −4πρ0 r2 e−R/a = −8πρ0 a3 . (2.13)
0

Portanto, concluı́mos que deve existir uma carga pontual Q+ = 8πρ0 a3


na origem do sistema. Isso não contradiz o que foi calculado no
item (b), uma vez que na origem do sistema o campo elétrico
diverge e o seu valor, assim como o de suas derivadas, não está
definido.
Solução 2: Lei de Gauss ao redor da origem do sistema.
Podemos reutilizar o resultado da carga no interior de uma gaus-
siana centrada na origem do sistema de raio r, que é dada pela
equação 2.8. Tomemos o limite r → 0 para estudar o que acontece
nas vizinhanças da origem do sistema.

Q+ = lim Qint (r) = 8πρ0 a3 , (2.14)


r→0

1 Distribuições superficiais estão associadas a descontinuidades do valor do campo

elétrico no espaço, o que não é observado nesse caso.

194
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que é o mesmo resultado já encontrado anteriormente.

2.3 Campo de uma haste


~ gerado por um elemento de fio
Calculemos o campo elétrico dE
de comprimento dx a partir de um ponto arbitrário P . Essa porção
infinitesimal do fio também pode ser determinada por um pequeno arco
dα, visto a partir do ponto C. Definimos ainda o ponto H como a
projeção ortogonal de C sobre a barra. Seja o ângulo α como o ângulo
definido pelos pontos P , C e H. Veja a figura a seguir.

C
α
h
dα r
+ + + + + + + +

P H

O campo dE ~ gerado por esse elemento de comprimento está orientado


−−→
na direção P C e tem módulo dado por

dq λdx
dE = = , (2.15)
4πε0 r2 4πε0 r2
em que r representa a distância entre os pontos P e C. A distância r
pode, por sua vez, ser escrita em termos de x e α, x = r senα.
Considere agora uma substituição de variáveis para descrevermos o
módulo do campo gerado em termos de α e de uma abertura dα, associ-
ada a dx. Para isso, partimos da relação x = h tgα, que diferenciada
resulta em
dx = h sec2 α dα. (2.16)

Combinando a Eq. 2.15 com as relações geométricas encontradas,

195
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

pode-se demonstrar que

λ
dE = dα. (2.17)
4πε0 h

Observe que dE não depende do valor absoluto de α, o valor desse


campo elétrico infinitesimal é proporcional à abertura dα.
Para demonstrar que o campo gerado pela haste carregada é paralelo
ˆ
à bissetriz do ângulo ACB, considere dois elementos de comprimento
idênticos, definidos por aberturas angulares dα, fazendo o mesmo ângulo
α com respeito à bissetriz. Os campos elétricos gerados por cada um
desses elementos de comprimento têm a mesma intensidade, dE, e fazem
o mesmo ângulo α com respeito à bissetriz (veja a figura a seguir).
Segue, portanto, que as componentes perpendiculares à bissetriz
ˆ se cancelam. Uma vez que todo ponto P admite um
do ângulo ACB
ponto P 0 obtido pela operação descrita, concluı́mos que o campo elétrico
resultante deve ser paralelo à bissetriz.

dEP'
α α dEP

C
α α

+ + + + + + + +
A B
P P'

Para encontrar a intensidade do campo elétrico, basta integrar a


componente de dE~ k = dE cos α paralela à bissetriz do ângulo ACB
ˆ

ˆ ˆ θ
λ cos α λsenθ
E= dE cos α = dα = . (2.18)
−θ 4πε0 h 2πε0 h

196
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.4 Método da carga imagem I


a) Segundo o método da carga imagem, o efeito do plano aterrado
no semi-espaço z > 0 é equivalente ao de uma carga −q simétrica
à carga q com respeito ao plano aterrado. Observe que essa
distribuição simétrica de cargas garante que o potencial elétrico
no plano aterrado é nulo. Assim, a carga +q deve sentir uma força
elétrica atrativa igual à interação entre duas cargas pontuais +q e
−q, distantes uma da outra de uma distância de 2z0 ,

q2 q2
Fel = = . (2.19)
4πε0 (2z0 )2 16πε0 z02
p
b) Seja P (x, y, 0) um ponto do plano que dista de ρ = x2 + y 2
da projeção ortogonal da carga +q sobre o plano aterrado. Se-
~1 e E
jam E ~ 2 os campos elétricos gerados pelas cargas +q e −q,
respectivamente. Veja a figura a seguir.

+q

z0
. ρ P
.
E2 α E1
z0
α

-q E

A intensidade de cada um desses campos é dada por

~ 1 | = |E
~ 2| = q
E = |E . (2.20)
4πε0 (z02 + ρ2 )

A superposição desses dois campos elétricos resulta em um campo


resultante E⊥ perpendicular ao plano aterrado, cujo módulo é

197
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

dado por

z0 qz0
E⊥ = 2E cos α = 2E. p 2 = . (2.21)
z0 + ρ2 2πε0 (z02 + ρ2 )3/2

Observe que a Eq. 2.21 é válida apenas para os pontos acima do


plano aterrado (z > 0). O campo elétrico nos pontos abaixo do
plano aterrado (z < 0), por outro lado, é sempre nulo devido à
blindagem eletrostática do plano aterrado. A descontinuidade do
campo elétrico na direção z descrita, por sua vez, está associada à
distribuição superficial de cargas elétricas induzidas no plano.
Aplicando a lei de Gauss e considerando uma pequena superfı́cie
gaussiana cilı́ndrica, com faces circulares próximas ao plano ater-
rado e contendo o ponto P ,2 podemos relacionar o valor de E⊥
com a densidade superficial de carga σ no ponto P .

Qint σA
ΦE = → −E⊥ A =
ε0 ε0
qz0
σ(ρ) = −E⊥ (ρ)ε0 = − . (2.22)
2π(z02 + ρ2 )3/2

c) Para calcular a carga total induzida no plano, vamos integrar


a densidade superficial de carga elétrica σ em todo o plano xy
utilizando coordenadas polares (ρ, θ). Veja
ˆ ˆ ˆ ˆ
qz0
Qtot = σdS = − ρdρdθ
2π(z02 + ρ2 )3/2
ˆ
ρ
Qtot = −qz0 dρ (2.23)
(z02 + ρ2 )3/2

2 Alguns livros se referem a gaussianas desse formato como pill boxes (caixas de

comprimidos, tradução livre).

198
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Fazendo uma mudança de variável ρ = z0 tgα, segue que3


ˆ π/2
z0 tgα
Qtot = −qz0 z0 sec2 α dα
0 z03 sec3 α
ˆ π/2
Qtot = −q senα dα = −q. (2.24)
0

d) O plano aterrado “blinda” os efeitos da carga +q nos pontos em


que z < 0, dessa maneira, os pontos desse semi-espaço têm
campo elétrico nulo. Por outro lado, os pontos do semiespaço
z > 0 têm o mesmo campo elétrico que o sistema composto por
cargas pontuais +q e −q.
A energia interna armazenada no sistema de duas cargas elétricas
isoladas, distantes uma da outra de 2z, é dado por

q2 q2
U0 = − =− . (2.25)
4πε0 (2z0 ) 8πε0 z0

Note que a equivalência entre o sistema virtual4 e o sistema real5 é


restrita ao semi-espaço superior z > 0. No sistema real, os pontos
do semi-espaço inferior têm campo eletrostático identicamente
nulo. Desse fato, pode-se afirmar que a energia potencial elétrica
armazenada no sistema real é metade da energia armazenada no
sistema virtual de duas cargas, ou seja,

U0 q2
U= =− . (2.26)
2 16πε0 z0

3 Não é de se surpreender que o valor da carga induzida total encontrado é igual

à carga real, exceto pelo sinal trocado. Há uma solução bem rápida para esse item
usando a lei de Gauss.
4 Cargas pontuais +q e −q.
5 Carga pontual +q e plano aterrado negativamente carregado.

199
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.5 Método da carga imagem II (IPhO)


a) A esfera aterrada é substituı́da por uma superfı́cie equipotencial
V = 0 de mesmo raio R. A carga q 0 e a distância d0 devem ser
determinados a fim de garantir que a superfı́cie descrita seja, de
fato, uma superfı́cie equipotencial. Dessa forma, tome os pontos
P e Q, determinados pela interseção da equipotencial V = 0 com
o eixo de simetria do sistema, conforme ilustrado pela figura a
seguir.

q q' R
P Q

d'
d
V=0

Por construção, deve-se ter VP = 0 e VQ = 0.6 Desenvolvendo


essas equações segue, respectivamente, que

q −q 0 q −q 0
= e = . (2.27)
d−R R − d0 d+R R + d0

Dividindo a primeira pela segunda equação, o termo q 0 é cancelado


e chega-se à equação

d+R R + d0
= .
d−R R − d0

Multiplicando os termos cruzados e isolando a distância desejada


6 Uma segunda estratégia de resolução consiste em calcular o potencial elétrico

no centro da esfera aterrada no sistema real. Nessa situação, a carga −q 0 ainda se


0
encontra distribuı́da ao longo da superfı́cie e vale a relação dq + qR = 0, que fornece
0
o valor de q de forma imediata.

200
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

d0 , segue que
R2
d0 = . (2.28)
d
Para determinar q 0 , basta isolar o termo desejado na equação 2.27

R + d0 R
q 0 = −q = −q . (2.29)
R+d d

b) Como q 0 tem sinal contrário a q, a força elétrica Fe entre a carga


pontual e a esfera metálica é atrativa. Sua intensidade pode ser
facilmente calculada no sistema fictı́cio através da lei de Coulomb

qq 0 q 2 Rd
Fe = = . (2.30)
4πε0 (d − d0 )2 4πε0 (d2 − R2 )2

c) A intensidade do vetor campo elétrico E no ponto A pode ser cal-


culada com maior facilidade no sistema fictı́cio auxiliar, conforme
mostrado na figura a seguir.

q q' R

d' A

d V=0

Superpondo os campos elétricos gerados por cada uma das cargas


pontuais, temos

q q0
E= +
4πε0 r 2 4πε0 (r − d + d0 )2

" #
q R/d
E= 1− 2 (2.31)
4πε0 r2 (1 − dr + R
dr )
2

201
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

d) Desenvolvendo a equação 2.31 de tal forma que seja possı́vel


utilizar a aproximação fornecida, segue que
( −2 )
R2
 
q R 1
E= 1− 1− d− . (2.32)
4πε0 r2 d r d

Aplicando a aproximação no termo entre colchetes,

R2
   
q R 2
E≈ 1− 1+ d−
4πε0 r2 d r d

R2
   
q R 2R
E= 1− − 1− 2 . (2.33)
4πε0 r2 d r d

e) Verifica-se, por inspeção direta, que no limite d → R (carga q


próxima da esfera aterrada) a expressão 2.33 se anula, o que
corresponde a um efeito de blindagem mais intenso do campo
elétrico da carga pontual q.
f) A partir deste ponto, adote o centro da esfera aterrada como
origem de um sistema de coordenadas. Sejam d~ e d~0 os vetores
que descrevem as posições das cargas pontuais q e q 0 .
A energia eletrostática de interação entre a carga pontual q e
as cargas induzidas na superfı́cie da esfera aterrada é dada pela
integral7 ˆ
dq 0
E1 = q , (2.34)
~
4πε0 |~r0 − d|

em que dq 0 representa um diferencial de carga induzida na su-


perfı́cie da esfera localizado pelo vetor posição ~r0 . Observe que a
integral pode ser identificada como o potencial elétrico produzido
por toda a carga induzida na esfera no ponto onde a carga q está
localizada. Portanto, podemos trocar essa integral pelo potencial
7 A solução original apresentada pelo comitê cientı́fico da IPhO 2010 fez uso

de somatórios ao invés de integrais para tornar a solução mais acessı́vel. Apesar


disso, o raciocı́nio desenvolvido pelas duas abordagens é análogo. Confira em
http://ipho2010.hfd.hr.

202
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

gerado pela carga pontual q 0

qq 0 q2 R
E1 = = − . (2.35)
4πε0 (d − d0 ) 4πε0 (d2 − R2 )

g) A energia eletrostática de interação mútua entre as cargas elétricas


induzidas é dada pela integral dupla
ˆ ˆ
1 dq1 dq2
E2 = , (2.36)
2 1 2 4πε0 |~r1 − ~r2 |

em que os vetores posição ri , i =1 e 2, que determinam os dife-


renciais de carga dq1 e dq2 , respectivamente, percorrem toda a
superfı́cie da esfera aterrada. A equação 2.36 pode ser reescrita
como ˆ ˆ
1 dq2
E2 = dq1 ,
2 1 2 4πε0 |~r1 − ~r2 |
na qual a integral na coordenada 2 pode ser identificada como o
potencial elétrico geral pela distribuição de cargas induzidas na
posição ~r1 , que pode ser substituı́do pelo potencial elétrico gerado
pela carga puntiforme q 0 . Segue, portanto, que
ˆ
q0 dq1
E2 = . (2.37)
2 1 4πε0 |~r1 − d~0 |

A integral compreendida na equação 2.37, por sua vez, pode ser


identificada como o potencial elétrico das cargas induzidas na
posição d~0 dos sistema real. Como a esfera metálica encontra-se
aterrada, o potencial elétrico desse ponto é nulo, portanto
ˆ
q dq1
+ = 0. (2.38)
4πε0 |d~ − d~0 | 1 4πε0 |~r1 − d~0 |

203
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Combinando as equações 2.37 e 2.38, obtemos o resultado desejado

1 qq 0 1 q2 R
E2 = − · = · . (2.39)
2 4πε0 (d − d0 ) 2 4πε0 (d2 − R2 )

h) Apresentaremos duas soluções para este item.


Solução 1: Cálculo da energia eletrostática a partir da distri-
buição de cargas.
A energia eletrostática total do sistema pode ser obtida a partir
da soma das parcelas ET = E1 + E2 . Portanto,

1 q2 R
ET = − · . (2.40)
2 4πε0 (d2 − R2 )
Solução 2: Cálculo da energia a partir do trabalho.
A força elétrica que atua sobre a carga puntiforme q, conforme
visto anteriormente, é dada pela equação 2.30. A energia solicitada
nesse item pode ser identificada como o trabalho realizado pela
força elétrica para levar a carga q da posição d~ até o infinito, a
não ser por uma troca de sinal. Portanto,
ˆ ∞
q 2 Rx
ET = −Wel = − dx, (2.41)
d 4πε0 (x2 − R2 )2
que combinado com a integral fornecida pelo enunciado, nos leva
ao resultado desejado

1 q2 R
ET = − · . (2.42)
2 4πε0 (d2 − R2 )

2.6 Método da carga imagem III


É necessário utilizar cargas imagens a fim de garantir o potencial
nulo tanto no plano quanto na saliência semiesférica. A solução do
problema consiste em uma combinação de resultados do método da

204
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

carga imagem para um plano e uma esfera aterrada.


Primeiramente, vamos usar o resultado da carga imagem de um
plano aterrado. Para garantir o potencial nulo no plano, toma-se uma
carga imagem q 0 = −q simétrica a +q com relação ao plano. Isso garante
que a região do plano de simetria tenha potencial elétrico nulo.
Resta garantir a condição de potencial nulo na saliência semiesférica
do plano. Para realizar essa tarefa, utilizamos o resultado de uma
carga imagem gerada por uma carga pontual e uma esfera aterrada.
Adicionamos, portanto, uma carga imagem q 00 = − ap q de q com respeito
a2
à semi-esfera aterrada localizada a uma altura z = p acima do plano e
contida no eixo axial de simetria do sistema. Para recuperar a simetria
construı́da no primeiro passo do problema, adicionamos uma terceira
carga imagem q 000 = ap q simétrica a q 00 com relação ao plano aterrado.
Essa última carga pode ser entendida também como a carga imagem de
q 0 com respeito a uma esfera aterrada. Observe a distribuição espacial
da carga real q e das cargas imagens q 0 , q 00 e q 000 na figura a seguir.

+q

p q''
z
V=0

-z a
-p q'''

q'

A força elétrica de atração que atua sobre a carga q é, portanto,


dada pela seguinte expressão

kq 2 kq 2 a kq 2 a
F = + −
(2p)2 (p − z)2 p (p + z)2 p

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

kq 2 4kq 2 az
F = 2
+ 2 , (2.43)
4p (p − z 2 )2

que pode ser reescrita fazendo z = a2 /p, o que nos leva ao resultado
final
kq 2 4kq 2 a3 p3
F = 2
+ 4 . (2.44)
4p (p − a4 )2

2.7 Bolha de sabão carregada

Inicialmente, vamos nos concentrar em calcular a carga elétrica


adquirida pela bolha de sabão quando é submetida ao potencial V0 . O
potencial gerado pela esfera carregada é dado pela equação

kQ
V0 = , (2.45)
R
de onde obtemos o valor da carga elétrica da bolha de sabão

V0 R
Q= . (2.46)
k
A bolha explode e forma uma gota de raio r, que pode ser obtido
conservando o volume da gota d’água

4 3 √
3
4πR2 t = πr → r= 3R2 t. (2.47)
3

Por fim, calcularemos agora o novo valor do potencial elétrico V 0 na


superfı́cie da gota de água de raio r
r
0 kQ k V0 R 3 R
V = = √
3
= V0 . (2.48)
r 3R2 t k 3t

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.8 Dipolos Elétricos

a) As forças elétricas que atuam nas cargas formam um binário de


forças, com uma força F = qE dirigida para a direita atuando
sobre a carga +q e uma força de mesma intensidade, mas de
sentido oposto, atuando sobre a carga −q.
O efeito desse par de forças é uma força resultante nula acompa-
nhada de um torque resultante não nulo sobre o dipolo. Calculando
o torque do binário τ = τ+ + τ− com relação ao centro do dipolo,
temos
d d
τ = qE senφ + qE senφ = qEdsenφ, (2.49)
2 2
que pode ser reescrita vetorialmente como

~τ = −~ ~
p × E. (2.50)

b) Vamos calcular o trabalho W realizado pela força elétrica para


fazer com que o dipolo saia da posição φ0 = 90o , tomada como
referência de energia, para uma posição φ genérica. Veja
ˆ φ
W =− qEdsenφ dφ = qEd cos φ|φφ0
φ0

W = qEd cos φ. (2.51)

Considerando que o trabalho positivo realizado pela força elétrica


pode ser associado a um gasto de energia potencial, temos que
U = −W . Chegamos assim, ao seguinte resultado

U = −qEd cos φ = −~ ~
p · E. (2.52)

c) O potencial elétrico no ponto P pode ser escrito como

Kq Kq
V = − . (2.53)
r1 r2

207
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Precisamos agora obter uma aproximação desse resultado levando


em conta a relação r  d. Nesse caso, podemos escrever

d d
r1 = r − cos θ e r2 = r + cos θ. (2.54)
2 2

Dessa maneira, temos que

Kq Kq Kqd cos θ
V = d
− d
= 2
r − 2 cos θ r + 2 cos θ r − d4 cos θ
2

Kqd cos θ
V (r, θ) ≈ . (2.55)
r2
~ escrevemos
Em termos do momento de dipolo p~ = q d,

Kp cos θ p~ · r̂
V (r, θ) = 2
=K 2 . (2.56)
r r

d) O campo elétrico pode ser obtido a partir do gradiente do potencial


~ = −∇V . Temos uma componente radial Er e uma
elétrico E
componente polar Eθ do campo elétrico, que podem ser obtidas
utilizando coordenadas esféricas
 
∂ Kp cos θ 2Kp cos θ
Er = − =
∂r r2 r3
 
1 ∂ Kp cos θ Kpsenθ
Eθ = − = . (2.57)
r ∂θ r2 r3

2.9 Interação carga-dipolo


a) O potencial elétrico gerado por um dipolo em coordenadas esféricas
em um ponto qualquer do espaço é dado por

Kp cos θ
V (r, θ) = . (2.58)
r2

208
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Para calcular o potencial elétrico nos pontos do anel, basta fazer


r = R, de tal modo que

Kp cos θ
V (θ) = . (2.59)
R2
b) A energia potencial elétrica da carga no aro é dada por

Kpq cos θ
Uel (θ) = qV = . (2.60)
R2
Podemos obter informações qualitativas do movimento da carga
no aro a partir do gráfico de Uel (θ), mostrado na figura a seguir.

Uel(θ)

Kpq
R2
0 E=0 π 2π
π/2 3π/2 θ

Zona permitida

O valor inicial da energia mecânica é E = 0, pois tanto a energia


cinética quanto a energia potencial elétrica da carga são nulas no
instante inicial do movimento. Para outros instantes do movimento
há uma troca entre energia cinética e potencial, conservando a
energia mecânica total do sistema, isto é,

E = Ec + Uel = 0. (2.61)

mv 2
Como Ec = 2 > 0, deve-se ter Uel < 0. Portanto, apenas as
posições π/2 < θ < 3π/2 são permitidas. Pelo gráfico, pode-se
afirmar que a carga acelera no caminho entre π/2 e π, até atingir
uma velocidade máxima. No caminho entre π e 3π/2, a carga

209
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

é desacelerada até chegar no primeiro ponto de parada 3π/2 e,


em seguida, iniciar o seu caminho de volta à posição π/2. Dessa
maneira, a carga realiza o seu movimento oscilatório entre as
posições π/2 < θ < 3π/2 indefinidamente.
c) Vamos inicialmente calcular a velocidade da carga em um ponto
qualquer do aro, para as posições permitidas π/2 < θ < 3π/2. Da
conservação de energia, expressa pela equação 2.61, temos que8

Kpq cos θ mv 2
Ec = − 2
=
R 2
r
1 2Kpq cos θ
v= − . (2.62)
R m
A velocidade v da carga está, portanto, bem definida para cada
posição angular θ. O passo seguinte é calcular as forças radiais que
agem na carga e impor o valor de resultante centrı́peta adequado
para se determinar o valor da força de contato com o aro.
O valor da componente radial do campo elétrico gerado pelo dipolo
já foi deduzido no problema 2.8. Utilizaremos aqui o seguinte
resultado
2Kp cos θ
Er = . (2.63)
R3
Que apresenta valor negativo na região permitida, o que corres-
ponde a componentes radiais direcionadas para o centro do anel.
Supondo que a força de contato N é direcionada para fora do anel,
a força resultante centrı́peta pode ser escrita como

mv 2
Rcp = N + qEr = −
R

mv 2 2Kpq cos θ
N =− − . (2.64)
R R3
Substituindo o valor de velocidade calculado na Eq. 2.62 na
8 Observe que cos θ < 0 no intervalo de posições θ permitidas.

210
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

equação 2.64, temos que

2Kpq cos θ 2Kpq cos θ


N= − = 0. (2.65)
R3 R3

A força de contato entre a carga e o anel é, portanto, nula. Isso


significa dizer que o anel não exerce nenhuma força de contato
sobre a carga e que ela realizaria a mesma trajetória circular caso
não estivesse presa ao anel.

2.10 Rede infinita de resistores


a) Pode-se notar que existe um plano de simetria da associação de
resistores considerada, conforme ilustrado pela figura a seguir.

R R R
A ...

R R R Plano de
B simetria
R R R
R R R

C ...
R R R

Os pontos pertencentes ao plano de simetria indicado caracterizam-


se por estar a ‘meio caminho’ entre os pontos A e C no circuito,
de forma que todos os nós que pertencem a esse plano são isopo-
tenciais, isto é,
VA + VC
Vplano = . (2.66)
2
A consequência imediata desse fato é que todos os resistores conti-
dos nesse plano estão em curto-circuito, não havendo, portanto,

211
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

nenhuma corrente percorrendo-os. Dessa maneira, podemos igno-


rar a existência desses elementos no circuito.
O circuito obtido após essa simplificação pode ser facilmente
resolvido com o procedimento padrão de associação de resistências
infinitas. O valor de resistência equivalente RAC de infinitas
células que se repetem não deve alterar-se se adicionarmos ou
removermos uma célula. Veja a figura ilustrativa a seguir.

R'
... R'
R R R
A
R R R

R R R

C ...
R R R

Simplificando o problema, chegamos ao seguinte circuito equiva-


lente.

R R'
A
2R R'

C
R

Realizando o cálculo da resistência equivalente dos quatro resisto-


res e igualando ao valor desejado RAC , chegamos a uma equação

212
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

de segundo grau para o valor da resistência equivalente do circuito


completo. Segue, portanto, que

RAC = R + (2R k RAC ) + R

2RRAC
RAC = 2R +
2R + RAC
2
RAC − 2RRAC − 4R2 = 0. (2.67)

As soluções da equação de segundo grau são RAC = (1 ± 5)Ω.
Como a solução negativa não tem sentido fı́sico, segue que

RAC = (1 + 5)Ω ≈ 3, 24Ω. (2.68)

b) É possı́vel utilizar a resposta do item anterior para a resolução


desse problema. O circuito de três acessos equivalente que temos
até aqui é dado pela figura a seguir,

RAC/2 R' RAC/2

A B C

do qual tiramos a seguinte equação

RAC
RAB = R0 + , (2.69)
2

em que R0 é um valor de resistência a ser determinado.


Utilizando o argumento fı́sico que as resistências equivalentes entre
os pontos A, B e C não devem variar caso adicionemos uma célula
periódica de resistores, montamos o circuito equivalente a seguir.

213
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

RAC/2 R' RAC/2


R R

R R R

A B C

Desse circuito equivalente finito, obtemos a seguinte expressão


para RAB
  
RAC RAC
RAB = 2R + R k + R0 k R+ , (2.70)
2 2

que substituindo o resultado de RAC , expresso na Eq. 2.68, e o


desenvolvimento algébrico adequado, nos leva a
√ √
2R0 (8 + 3 5) + (18 + 8 5)
RAB = √ √ Ω. (2.71)
2R0 (3 + 5) + (7 + 3 5)

Comparando as equações 2.73 e 2.71, temos que


√ √ √
0 1+ 5 2R0 (8 + 3 5) + (18 + 8 5)
R + = √ √ ,
2 2R0 (3 + 5) + (7 + 3 5)

cuja solução positiva é

√ q √
1− 5+ 42(7 + 3 5)
R0 = √ ≈ 1, 09Ω. (2.72)
12 + 4 5

Finalmente, com o valor de R0 e a Eq. 2.73, obtemos a resistência


equivalente entre os pontos A e B

1+ 5
0
RAB =R + ≈ 2, 71Ω. (2.73)
2

214
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.11 Rede bidimensional de resistores


Utilizaremos na solução a seguir argumentos tı́picos de associações
infinitas de elementos de circuitos, para isso considere Req a resistência
equivalente entre os pontos A e B. É possı́vel construir uma associação
de resistores, com a mesma simetria do problema proposto e resistência
equivalente Req , conforme ilustra a figura abaixo.

Req Req

A B

Req Req

Podemos usar esse resultado para substituir toda a associação de resis-


tores compreendida entre os pontos médios das arestas de comprimento
L por quatro resistores de Req /2. O fator de 1/2 decorre da proporcio-
nalidade entre o comprimento dos fios e a sua resistência, conforme a
segunda lei de Ohm. Dessa maneira, o circuito de infinitas resistências
reduz-se à ilustração a seguir.

R/2 R/2

R/2 Req/2 R/2

A Req/2 Req/2 B
R/2 Req/2 R/2

R/2 R/2

215
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

As resistências de R/2 correspondem aos comprimentos L/2 de fio.


Por simetria, os dois resistores distribuı́dos verticalmente na figura estão
em curto e o caminho acima do eixo AB pode ser associado ao abaixo
mediante uma associação em paralelo, resultando na divisão de todos
os circuitos do caminho por 2.9 Dessa maneira, chegamos ao circuito a
seguir, cuja resistência equivalente pode ser facilmente calculada por
meios de associações em paralelo e em série de resistores.

R/4 R/4

R/4 Req/4 R/4

A B
R R Req R
Req = + || + (2.74)
4 2 4 4
Desenvolvendo essa equação, chegamos ao resultado desejado.

R Req
R 2. 4 2
Req = + Req
→ Req + R.Req − R2 = 0
2 R
2 + 4


5−1
Req = R. (2.75)
2

2.12 Resistência do icosaedro


O icosaedro mostrado tem 12 vértices, o vértice A, 5 vértices equiva-
lentes que se ligam a A (denotados como C), o vértice B e 5 vértices
equivalentes que se ligam a B (denotados como D). Observe a figura do
icosaedro com indicação do tipo de cada vértice.
9 Essa técnica de análise de circuito é apelidada em alguns lugares de ‘método do

calzone’.

216
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

C D
C D
C
A B
D

D
C
C D

Da simetria da figura, todos os pontos C têm o mesmo potencial


elétrico. A partir desse fato, podemos afirmar que os resistores que
ligam dois pontos C’s estão em curto-circuito e a corrente elétrica que
os atravessa é nula. Analogamente, os resistores que ligam dois pontos
D’s também estão em curto-circuito.
Podemos redistribuir os resistores de tal forma que as associações
em série e/ou em paralelo fiquem mais evidentes como o mostrado na
figura a seguir.10

A D B
C

Dessa maneira, verificamos que existem 5 resistores em paralelo


10 Observe que todos os resistores em curto são suprimidos naturalmente nesta
nova representação do circuito.

217
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

entre A e C, 10 resistores em paralelo entre C e D e mais 5 resistores


em paralelo entre D e B. Dessa forma, temos

R R R
RAC = = 20Ω, RCD = = 10Ω e RDB = = 20Ω. (2.76)
5 10 5

Associando as resistências RAC , RCD e RDB em série, obtemos o


valor da resistência entre os pontos A e B:

R
RAB = RAC + RCD + RDB = = 50Ω. (2.77)
2

2.13 Resistor esférico

a) Considere que o sistema é atravessado por uma corrente elétrica I.


Pela sua simetria, podemos afirmar que a corrente elétrica deve
dividir-se de maneira uniforme nas diferentes direções possı́veis.
A área A(θ) formada pelos pontos descritos pelo ângulo θ tem
um comprimento de c = 2πRsenθ e a espessura t da casca e vale,
portanto
A(θ) = 2πRtsenθ. (2.78)

Por continuidade da corrente elétrica que flui no sistema, temos que


o produto J(θ)A(θ) = I é constante. Dessa maneira, a densidade
de corrente J(θ) é dada por

I
J(θ) = , (2.79)
2πRtsenθ

como querı́amos demonstrar.


b) Podemos definir um resistor diferencial de comprimento dl = R dθ
e área A(θ). Da segunda lei de Ohm, a resistência diferencial

218
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

dessa porção do resistor é dada por

ρdl ρ dθ
dR = = . (2.80)
A(θ) 2πt senθ

Para encontrar a resistência equivalente do sistema considerado,


temos de integrar
q o resultado
 expresso pela Eq. 2.80 do ângulo
a 2

θ0 = arccos 1− R até o ângulo θf = π − θ0 . Dessa
maneira, segue que
ˆ θf
ρ dθ
R=
2πt θ0 senθ

( " # " #)
a 2 a 2
p p
ρ 1− 1 − (R ) 1 + 1 − (R )
R= ln p a 2
− ln p a 2
4πt 1 + 1 − (R ) 1 − 1 − (R )

" #
a 2
p
ρ 1 − 1 − (R )
R= ln p a 2
. (2.81)
2πt 1 + 1 − (R )

2.14 Resistor cilı́ndrico


a) No caso em que σ = σ 0 , estamos lidando com um resistor cilı́ndrico
de resistividade homogênea. Basta, portanto, aplicar a segunda
lei de Ohm de maneira direta

L L
R0 = = . (2.82)
σA σπb2

b) Nesse problema, estamos interessados em uma estimativa da mu-


dança de resistência devido ao defeito esférico. Isso significa que
estamos mais interessados na ordem de grandeza dessa quanti-
dade do que no seu valor exato, o que nos permite adotar certas
hipóteses simplificadoras a fim de obter uma aproximação razoável

219
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

do valor exato.
Nesse sentido, vamos trocar o formato esférico do defeito por um
formato cilı́ndrico de mesma secção transversal máxima e mesmo
volume do que o defeito esférico. Essa escolha visa obter uma
geometria semelhante à exata. Da primeira consideração temos
que o raio do cilindro é dado por a, enquanto da conservação do
volume do defeito, obtemos a altura efetiva hef do cilindro

4 3
πa = πa2 hef → hef = 4a/3. (2.83)
3

Observe que hef é ligeiramente menor que o diâmetro do defeito, o


que é consistente com a consideração de mesma secção transversal
máxima das duas figuras.
Realizada essa aproximação do formato do defeito, recuperamos
a simetria cilı́ndrica do sistema e podemos obter uma boa apro-
ximação para a mudança na resistência do fio. Vamos dividir o
cilindro em três partes: (i) porção do cilindro antes do defeito, à
esquerda da figura, de resistência R1 ; (ii) porção de comprimento
hef que contém o defeito, de resistência R2 ; e (iii) porção do
cilindro após o defeito, à direita da figura, de resistência R3 .

R2

i R1 R3

L1 hef L3

As resistências R1 e R3 podem ser obtidas por aplicação direta

220
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

da segunda lei de Ohm

L1 L3
R1 = e R3 = , (2.84)
σπb2 σπb2

em que L1 + L3 = L − hef . A resistência R2 pode ser obtida por


uma associação em paralelo do defeito, de formato cilı́ndrico e
condutividade σ 0 , com um cilindro vazado de condutividade σ.
Dessa maneira, aplicando a segunda lei de Ohm para cada uma
dessas partes de R2 , temos que

1 σπ(b2 − a2 ) σ 0 πa2 σπb2 ∆σπa2


= + = +
R2 hef hef hef hef
−1
∆σ a2

hef
R2 = 1+ . (2.85)
σπb2 σ b2

O termo em parênteses da equação 2.85 pode ser aproximado por


uma expansão de primeira ordem (1 + x)−1 ≈ 1 − x, se x  1.
Dessa forma, obtemos o resultado aproximado

∆σ a2
 
hef
R2 ≈ 1− . (2.86)
σπb2 σ b2

Realizando a associação em série entre as porções de resistência


R1 , R2 e R3 , chegamos à expressão Req = R1 + R2 + R3 , que leva
ao resultado

L L hef a2 ∆σ
Req = = 2
− . (2.87)
σA σπb σπb4 σ

O primeiro termo da equação 2.87 corresponde ao resultado do


item anterior R0 , enquanto o segundo termo equivale ao efeito do
defeito sobre a resistência do cilindro

hef a2 ∆σ
∆R = R − R0 = − .
σπb4 σ

221
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Substituindo o valor de hef da equação 2.83, chegamos ao resultado


final desejado
4a3 ∆σ
∆R = − . (2.88)
3πb4 σ 2

2.15 Relação entre R e C

a) A expressão da capacitância do capacitor de placas paralelas de


área A, separadas por uma distância x, é dada por

εA
C= . (2.89)
x

Segundo a segunda lei de Ohm, a resistência desse elemento elétrico


é dada por
x
R= . (2.90)
σA
Multiplicando a expressão da R e C, chegamos ao resultado dese-
jado
ε
RC = . (2.91)
σ
b) Dada uma distribuição de campos elétricos no espaço entre as pla-
cas do capacitor, é possı́vel obter diferentes informações a respeito
do dispositivo utilizando leis fundamentais do eletromagnetismo.
Da lei de Gauss, podemos relacionar o fluxo elétrico através de
uma superfı́cie S fechada contendo a armadura do capacitor com
a carga Q nele armazenada
˛
~ · d~s = Q .
E (2.92)
S ε

A tensão elétrica V entre as placas do capacitor pode ser obtida


através de uma integral de linha iniciando em um ponto P1 de

222
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

uma armadura e chegando até um ponto P2 da segunda armadura


ˆ P2
V =− ~ · d~l.
E (2.93)
P1

Da lei de Ohm diferencial, temos que a densidade de corrente J~


~ estão relacionados segundo a equação
e o campo elétrico local E
J~ = σ E.
~ Para calcular a corrente elétrica I que passa de uma
armadura para a outra calcula-se uma integral de superfı́cie
¨
I= ~ · d~s
(σ E) (2.94)
Si

através de uma secção arbitrária Si do dielétrico entre as duas


armaduras. Supondo que o campo elétrico esteja confinado dentro
do material, tomamos uma gaussiana S como a indicada na figura
a seguir.

Gaussiana S
R, C
σ, ϵ
+Q -Q
I
Secção Si

Nessas condições, a integral fechada na gaussiana, dada pela


Eq. 2.92, reduz-se a uma integral aberta de superfı́cie em Si .
Dessa maneira, podemos expressar o valor da capacitância C do
dispositivo como sendo dada por
˜
Q −ε Si E ~ · d~s
C= = ´ P2 . (2.95)
V ~ · d~l
E P1

O valor da resistência do dispositivo é, por sua vez, dada pela

223
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

expressão
´P
V ~ · d~l
− P12 E
R= = ˜ . (2.96)
I σ Si E~ · d~s

Multiplicando as equações 2.95 e 2.96, chegamos ao resultado


desejado
ε
RC = . (2.97)
σ

2.16 Atração entre placas


a) Quando o capacitor é carregado, surge uma força elétrica atrativa
entre as suas placas. Um modo simples de encontrar essa força de
interação é calcular o efeito do campo elétrico de uma placa sobre
a outra. O campo elétrico gerado por uma placa é dado por

σ Q
E= = , (2.98)
2ε0 2Aε0

e, consequentemente, a força elétrica entre as placas dada por

Q2
Fe = QE = . (2.99)
2Aε0

Seja x a distância final entre as placas. A força elétrica Fe pode


ser reescrita em termos de x e da tensão aplicada V utilizando-se
a relação Q = CV . Dessa maneira, temos que

C 2V 2 Aε0 V 2
Fe = = . (2.100)
2Aε0 2x2

À medida que as placas se aproximam, a mola é distendida de uma


distância h − x. A força elástica que atua sobre a placa superior
é, portanto, dada pela expressão

Fk = k(h − x). (2.101)

224
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Aplicando a condição de equilı́brio de forças, tem-se das Eqs. 2.100


e 2.101 que
C 2V 2 Aε0 V 2
k(h − x) = = . (2.102)
2Aε0 2x2
b) Esse item pode ser resolvido a partir do estudo das soluções da
equação 2.102. Buscaremos resolver essa equação na variável x,
buscando soluções reais positivas e menores que h, adotando V
como um parâmetro ajustável. O tratamento puramente algébrico
do problema leva à uma equação de terceiro grau em x, o que
pode gerar dificuldades. Apresentaremos a seguir uma solução
gráfica.
Considere um plano de forças F (elástica ou elétrica) versus
distância entre as placas x. A dependência da força elástica Fk
com x é representada por uma reta, enquanto a dependência
da força elétrica Fe corresponde a uma famı́lia de hipérboles,
dependendo do valor da tensão V aplicada às placas do capacitor.
Veja a figura a seguir.

F Fel
kh
Fk
V
equilíbrio
instável

equilíbrio
estável
h x

Dependendo do valor de V , as curvas podem ter dois, um ou


nenhum ponto de intercessão. No caso de V muito elevado, não há
solução x; no caso de V pequeno, há duas posições de equilı́brio
possı́veis, uma estável e outra instável. Deseja-se neste problema
determinar a tensão crı́tica Vc para a qual há essa transição.
Do gráfico mostrado, conclui-se que a hipérbole tangencia a reta

225
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que representa a força elástica quando V = Vc . Derivando os dois


lados da Eq. 2.102 por x e igualando-os,11 obtemos uma equação
que deve ser satisfeita para o valor de distância de equilı́brio xc
na situação crı́tica
Aε0 Vc2
k= . (2.103)
x3c
Combinando as equações 2.102 e 2.103, temos que

kxc 2h
kh − kxc = → xc = . (2.104)
2 3

Substituindo o valor de xc , na equação 2.103, chegamos a resposta


desejada s
Aε0 Vc2 8kh3
k= → Vc = . (2.105)
(2h/3)3 27Aε0

2.17 Capacitor de placas não paralelas


a) A capacitância do sistema pode ser calculada a partir de uma
associação de infinitos capacitores de dimensões infinitesimais em
paralelo. Tome uma pequena fatia de espessura dx do capacitor
em um ponto em que as duas placas estão distantes uma da outra
de uma distância e(x). Os cortes devem ser feitos paralelamente às
arestas mais próximas das armaduras, de tal forma que e(0) = d1
e e(L2 ) = d2 , conforme ilustrado na figura a seguir.

d2

d1 e(x)
dx
11 Condição de tangência entre as curvas.

226
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Como as placas são planas a expressão que fornece e(x) pode ser
obtida pela expressão

x
e(x) = d1 + (d2 − d1 ) . (2.106)
L2

Em uma associação em paralelo de um número finito de capaci-


P
tores, temos que Ceq = i Ci . No caso contı́nuo, o somatório de
capacitâncias pode ser trocado por uma integral
ˆ ˆ
ε0 dA ε0 L1 dx
Ceq = = . (2.107)
e(x) d1 + (d2 − d1 ) Lx2

Definindo u = x/L2 , segue que


ˆ 1
L1 L2 du
Ceq = ε0  
d1 0 1+ d2
−1 u
d1

   1
L1 L2 1 d2
Ceq = ε0   ln 1 + −1 u
d1 d2
−1 d1 0
d1
 
L1 L2 d2
Ceq = ε0 ln . (2.108)
d2 − d1 d1

b) Ofereceremos duas soluções para esse problema. A primeira con-


siste em uma solução aproximada válida para o limite de placas
‘quase paralelas’, que torna possı́vel o uso de coordenadas cartesi-
anas. A segunda solução é mais geral e faz uso de coordenadas
cilı́ndricas.
Solução 1: Coordenadas cartesianas
Capacitores de placas paralelas são normalmente dispostos de tal
forma que as dimensões das armaduras do capacitor são muito
maiores que a distância que as separa. Nessa primeira solução,
iremos supor que as placas do capacitor são ‘quase paralelas’, i.e.
∆d = d2 − d1  d1 , como uma primeira aproximação. Nesse

227
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

contexto, o campo elétrico é dependente da coordenada x e é


tomado como aproximadamente vertical. Como a diferença de
potencial entre as duas placas é dada por V0 , podemos escrever

~ V0
E(x).e(x) = V0 → E(x) = ŷ. (2.109)
d1 + ∆d Lx2

Para encontrar uma expressão de potencial elétrico, tomaremos


como referência de potencial elétrico V = V0 a placa do capacitor
localizada em y = 0. A segunda placa corresponde a uma isopo-
tencial V = 0. O potencial em um ponto arbitrário P (x, y) pode
´
ser obtido através da expressão ∆V = − Edl de um caminho
que sai da primeira placa e chega até o ponto P . Tomando por
simplicidade um reta vertical, temos que o potencial VP do ponto
P é dado por

V0 y
VP = V0 − E(x).y = V0 − . (2.110)
d1 + ∆d Lx2

O que conclui a nossa primeira solução.12


Solução 2: Coordenadas cilı́ndricas
Uma solução mais rigorosa da determinação do campo e o potencial
elétricos no capacitor pode ser feita explorando a simetria cilı́ndrica
gerada pelas placas não paralelas do capacitor. Considere, para
12 É importante observar que o campo calculado na equação 2.109 é aproximado,

pois consideramos inicialmente apenas a componente vertical do campo elétrico


no interior do capacitor de placas quase paralelas. O campo elétrico horizontal no
interior do capacitor pode ser estimado a partir da expressão E~ = −∇V (x, y). Dessa
forma, segue que
 
~ = V0 −y∆d
E x . x̂ + ŷ , (2.111)
d1 + ∆d L d1 L2 + ∆d x
2

cuja componente na direção x̂ pode ser desprezada, levando ao seguinte resultado

~ ≈ V0
E ŷ. (2.112)
d1 + ∆d Lx
2

Mostrando a consistência entre as equações 2.109 e 2.110 para o caso de placas quase
paralelas.

228
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

isso, o eixo σ obtido a partir do prolongamento das placas.


Conforme ilustrado na figura a seguir, utilizaremos uma coorde-
d1 L2
nada radial r, dada por r = x + ∆d , em que x corresponde
à coordenada cartesiana utilizada na solução anterior.13 Essa
escolha de coordenada explora a simetria cilı́ndrica do problema.
As isopotenciais passam a ser descritas como pontos do espaço de
coordenada angular ϕ constante (veja a figura a seguir). Dessa
maneira, segue que

V (ϕ = 0) = V0 e V (ϕ = ϕ0 ) = 0. (2.113)

V=0
E
isopotenciais
ϕ0 ϕ
σ
V=V0
r
Uma vez que não há cargas livres, o potencial elétrico deve satis-
fazer a equação de Laplace ∇2 V (ϕ) = 0,14 que leva ao seguinte
resultado
∂2V
=0 → V (ϕ) = c1 + c2 ϕ, (2.114)
∂2ϕ
em que c1 e c2 são constante fı́sicas a ser determinadas a partir
das condições de contorno expressas na Eq. 2.113. Aplicando-se
as condições de contorno na forma adequada, demonstra-se que
 
ϕ
V (ϕ) = V0 1− , (2.115)
ϕ0
13 A quantidade aditiva d1 L2 pode ser determinada a partir da equação d +
∆d 1
∆d Lx = 0, extraı́da do encontro dos prolongamentos do ponto de vista de geometria
2
analı́tica.
14 Considera-se que, em primeira aproximação, a dependência do potencial elétrico

com respeito as demais coordenadas espaciais no interior do capacitor pode ser


desprezada.

229
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

em que ϕ0 é o ângulo de abertura entre as duas placas planas do


capacitor.15

2.18 Carga dentro do capacitor


Como as placas têm dimensões muito maiores que a distância d,
podemos desprezar os efeitos de borda e assumir a hipótese simplificadora
que elas são infinitas. Essa hipótese garante a existência de uma simetria
de translação, responsável por garantir que o valor das cargas induzidas
depende apenas da posição vertical x e do valor de Q, e não da posição
da carga ao longo do plano paralelo às placas aterradas.
Uma solução simples desse problema pode ser obtida considerando
um sistema fictı́cio mais simples - atentando à simetria descrita - que
apresente os mesmos valores de cargas induzidas em cada uma das
placas aterradas. Assim, considere a ‘diluição’ da carga Q em todo
o plano paralelo às placas do capacitor. O resultado dessa operação
será uma indução de cargas nas placas −Q1 e −Q2 , conforme mostra a
figura a seguir, de valor total idêntico ao sistema original.

- - - - - - - Q1
+ + + + + + + + + + + + +Q
d
x
- Q2
- - - - - -
O uso desse sistema auxiliar possibilita um cálculo simplificado das
cargas induzidas. Uma vez que os planos aterrados devem realizar uma
‘blindagem eletrostática’ da placa de carga Q localizada entre eles, segue
15 Esse resultado é consistente com o encontrado na primeira solução para o caso

de placas quase paralelas. Calculando o campo elétrico a partir do gradiente do


~ = −∇V = V0 ϕ̂. Para o caso do capacitor de placas
potencial elétrico, temos que E rϕ0
quase paralelas ϕ̂ ≈ ŷ e rϕ0 ≈ e(x), levando-nos à equação 2.109.

230
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que o campo elétrico no exterior das placas deve ser nulo. Logo,

(Q − Q1 − Q2 )
Eext = =0 → Q = Q1 + Q2 . (2.116)
2ε0 A

Entre as placas carregadas, o campo elétrico pode assumir valores


não nulos. Na região compreendida entre as placas carregadas −Q1 e Q,
o campo elétrico é vertical e dirigido para cima com módulo dado por

Q1 + Q − Q2 Q1
E1 = = , (2.117)
2ε0 A ε0 A

enquanto o campo elétrico dos pontos localizados entre as placas carre-


gadas −Q2 e Q é vertical e para baixo, cujo módulo é dado por

Q2 + Q − Q1 Q2
E2 = = . (2.118)
2ε0 A ε0 A

Para calcular o valor das cargas induzidas −Q1 e −Q2 , basta perceber
que a diferença de potencial entre o plano carregado de carga Q e cada
uma das placas aterradas deve ser idêntico. Portanto, E1 (d − x) = E2 x,
de onde deduz-se, a partir das equações 2.117 e 2.118, que

Q1 (d − x) = Q2 x. (2.119)

Das equações 2.116 e 2.119, calcula-se as cargas induzidas nas placas


do capacitor aterrado

x d−x
Q1 = Q e Q2 = Q. (2.120)
d d

2.19 Transformação ∆-Y e Y-∆


a) Observe a figura a seguir com as tensões entre cada par de pontos
indicadas, assim como as correntes em cada um dos ramos. A
equivalência entre a configuração ∆ e Y segue da identidade entre

231
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

os potenciais elétricos VA , VB e VC e as correntes IA , IB e IC nas


duas situações.

IA IA
A A
ZAC
IBA
ZA
IAC
ZAB ZB ZC
B C B C

ICB ZBC IC IB IC
IB

Calcularemos os valores de todas as correntes envolvidas pelo


princı́pio da superposição, considerando os efeitos dos potenciais
VA , VB e VC separadamente. Fazendo inicialmente VB = VC = 0,
obtemos o efeito da tensão VA sobre as correntes do circuito. Nesse
0
caso, a corrente IA entra pelo no A e divide-se pelos outros dois
0
nós B e C. A razão VA /IA é dada por uma resistência equivalente
entre o terminal A e o terra do circuito, que pode ser calculada
tanto na configuração ∆ quanto na Y, veja

VA
0 = ZAB k ZAC = ZA + ZB k ZC ,
IA

isto é,
ZAB ZAC ZB ZC
= ZA + . (2.121)
ZAB + ZAC ZB + ZC
Analisando os efeitos isolados de VB e VC , é possı́vel calcular
resistências equivalentes análogas, estabelecendo relações entre as
impedâncias das configurações ∆ e Y, veja

VB
0 = ZAB k ZBC = ZB + ZA k ZC
IB
(2.122)

VC
= ZAC k ZBC = ZC + ZA k ZB . (2.123)
IC0

232
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Resolvendo o sistema formado pelas Eqs.2.121, 2.122 e 2.123 em


termos de ZAB , ZAC e ZBC , demonstram-se as equações que
descrevem a transformação Y-∆:

ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZAB = , (2.124)
ZC

ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZAC = e (2.125)
ZB
ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC
ZBC = . (2.126)
ZA
Na transformação Y-∆, passamos de uma configuração Y para
uma configuração em ∆, cujos valores de impedância são fornecidos
pelas Eqs.2.124, 2.125 e 2.126.
b) A determinação da transformação inversa, a ∆-Y, consiste apenas
de um trabalho algébrico similar ao item anterior, mas desta
vez escrevendo os valores das impedâncias da configuração Y em
termos das impedâncias da configuração ∆. Somando as Eqs.2.124,
2.125 e 2.126, temos que

(ZA ZB + ZA ZC + ZB ZC )2
ZAB + ZAC + ZBC = . (2.127)
ZA ZB ZC

Substituindo as Eqs.2.124 e 2.125 na Eq.2.127, chega-se a equação

ZAB ZAC
ZAB + ZAC + ZBC = ,
ZA

que leva ao resultado desejado

ZAB ZAC
ZA = . (2.128)
ZAB + ZAC + ZBC

De maneira análoga, pode-se demonstrar relações equivalente para

233
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

as impedâncias ZB e ZC , chegando aos seguintes resultados16

ZAB ZBC ZAC ZBC


ZB = e ZC = .
ZAB + ZAC + ZBC ZAB + ZAC + ZBC
(2.129)

2.20 Impedância equivalente


Este problema admite uma solução elegante considerando uma trans-
formação Y-∆ dos indutores. Substituindo o valor de impedância
ZL = iωL dos indutores em Y da figura, pode-se calcular o valor Z∆
das novas impedâncias em ∆

ZL2 + ZL2 + ZL2


Z∆ = = 3ZL = 3iωL. (2.130)
ZL
A impedância da resistor é dada por ZR = R e a dos capacitores por
1
ZC = . Realizando a transformação Y-∆ e substituindo os valores
iωC
de impedâncias citados, ficamos com o circuito mostrado na figura a
seguir.

R 1/iωC
A
3iωL

1/iωC 1/iωC
3iωL 3iωL
B

Dessa maneira, obtém-se três associações em paralelo, entre um


capacitor de capacitância C e os indutores equivalentes 3L. Para cada
par descrito, calcula-se uma impedância equivalente dada por
16 As equações que descrevem as transformações ∆-Y e Y-∆ são simétricas sob

permutação circular dos ı́ndices A, B e C. Não é necessário, portanto, memorizar as


6 equações, apenas uma equação da transformação ∆-Y e uma da transformação
Y-∆.

234
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Z∆ · ZC 3ωL
Z0 = =i . (2.131)
Z∆ + ZC 1 − 3ω 2 LC
Obtém-se dessa maneira o circuito mostrado a seguir.

R Z'
A

Z' Z'

B
Esse circuito pode ser facilmente resolvido com uma associação de
duas impedâncias Z 0 em série, resultando em uma impedância 2Z 0 ,
seguida de uma associação em paralelo

2Z 0 · Z 0 2
Z 00 = 0
= Z 0. (2.132)
3Z 3
Finalmente, consideramos uma associação em série entre a im-
pedância resistiva R e a impedância reativa do bloco de capacitores e
indutores Z 00 . Veja

2 2ωL
Zeq = R + Z 0 = R + i . (2.133)
3 1 − 3ω 2 LC

2.21 Cabo coaxial com dielétrico


a) Observe que a adição do dielétrico em metade do cabo coaxial faz
com que exista uma distribuição não uniforme das cargas livres
Ql . Há uma redistribuição de cargas livres do condutor interno
do cabo coaxial devida a existências de cargas de polarização no
dielétrico Qpol . O vetor deslocamento D ~ não deve apresentar,
portanto, simetria axial.
Por outro lado, a distribuição total de cargas elétricas, dada por
Qtot = Ql + Qpol , deve ser uniforme. Isso se deve ao fato de que

235
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

a diferença de potencial V1 entre os condutores do cabo coaxial


é sempre o mesmo para qualquer caminho escolhido entre um
~ no
condutor e outro. Esse fato garante que o campo elétrico E
interior do cabo axial tem simetria axial e, portanto, a sua fonte
(carga elétrica total) idem.
Utilizando a lei de Gauss, considerando uma superfı́cie gaussiana
cilı́ndrica de raio r, r1 < r < r2 , e comprimento L, temos que

~ · d~s = Q
E → E.2πrL =
Qtot
0 0

Qtot
E= . (2.134)
2π0 rL
Considerando a integral de linha do campo elétrico em um caminho
radial entre a placa de raio r1 e a placa de raio r2 , temos que
ˆ r2  
Qtot Qtot r2
V1 = dr = ln . (2.135)
r1 2π0 rL 2π0 L r1

Segue, portanto, que a carga elétrica total no capacitor é dada


por
2π0 V1
Qtot =   L. (2.136)
ln rr21

Das equações 2.134 e 2.136, segue que a distribuição radial do


campo elétrico é dada por

V
E(r) =  1 . (2.137)
ln rr21 r

~ pode ser determinado a partir


O módulo do vetor deslocamento D
~ ~ = E.
de E em meios lineares pela relação D ~ Dessa maneira,
temos que no ar
V
Dar =  1  0 , (2.138)
ln rr21 r

236
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

enquanto no dielétrico

V
Ddie =  1  r 0 . (2.139)
ln rr21 r

b) As cargas elétricas armazenadas no condutor interno do cabo


coaxial são cargas livres, pois passam de um condutor ao outro
graças à aplicação de uma tensão entre os dois condutores do cabo
coaxial. A carga livre do condutor pode ser calculada através da
~ Considere novamente
lei de Gauss para o vetor deslocamento D.
uma superfı́cie gaussiana cilı́ndrica de raio r, tal que r1 < r < r2 ,
e comprimento L

~ · d~s = Ql
D → Dar .πrL + Ddie .πrL = Ql

 
V 1 V 1
Ql =    0 +   r 0  πrL
ln rr21 r ln rr21 r

V1
Ql = (1 + r )0   πL. (2.140)
r2
r1

c) Ofereceremos a seguir duas soluções para este item. A primeira


baseia-se na definição de capacitância de um sistema, que utiliza
resultados encontrados nos itens anteriores, e a segunda, a partir
do resultado do valor da capacitância de um capacitor cilı́ndrico
combinados a argumentos básicos de associação de capacitores.

Primeira solução:
A capacitância de um capacitor é dada pela razão entre a carga
livre Ql armazenada em suas placas e a diferença de potencial
aplicada V1 . Aplicando essa definição ao nosso sistema fı́sico,

237
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

segue da Eq. 2.140 que

Ql 0 πL
C= = (1 + r )   . (2.141)
V1 ln r2 r1

Segunda solução:
A capacitância do sistema também pode ser obtida considerando
que as porções preenchidas de ar e de dielétrico podem ser encara-
das como dois capacitores associados em paralelo, uma vez que
ambas as porções estão submetidas à mesma tensão V1 .
Tais capacitores têm áreas iguais à metade da área de um capacitor
cilı́ndrico completo, cuja capacitência é dada pela expressão

2πL
Ccil =  . (2.142)
ln rr21

Dessa maneira, obtemos o resultado de capacitância do capacitor


semipreenchido de dielétrico17

1 2πL0 1 2πLr 0 0 πL
C= .   + .   = (1 + r )   . (2.143)
2 ln r2 2 ln r2 ln rr21
r1 r1

2.22 Dielétrico dentro do capacitor esférico


a) Para resolver esse exercı́cio, utilizaremos a expressão que fornece a
capacitância de uma capacitor esférico completamente preenchido
por um material de constante dielétrica k e armaduras de raios
R1 e R2 (R2 > R1 )

R1 R2
C = 4πε0 k . (2.144)
R2 − R1

17 O fator 1/2 é devido à metade da área e a soma à associação em paralelo.

238
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

A capacitância de um capacitor esférico parcialmente preenchido


com dielétrico pode ser calculada considerando a associação de
dois capacitores esféricos em série. O primeiro com capacitância
C1 , armaduras de raios a e a + t e completamente preenchido com
dielétrico, cuja capacitância é dada por

a(a + t) a[a(1 − α) + bα]


C1 = 4πε0 k = 4πε0 k , (2.145)
t α(b − a)

e um segundo capacitor, de capacitância C2 , preenchido por vácuo


e com armaduras de raios a + t e b, cuja capacitância é

(a + t)b [a(1 − α) + bα]b


C2 = 4πε0 = 4πε0 . (2.146)
(b − a − t) (1 − α)(b − a)

Calculando a capacitância equivalente à associação em série de C1


e C2 , tem-se a equação

1 1 1
= + ,
Ceq C1 C2

que, combinada com os resultados expressos pelas Eqs.2.145 e


2.146, leva ao resultado desejado

4πε0 kab[a(1 − α) + bα]


Ceq = . (2.147)
(b − a)[bα + ka(1 − α)]

b) O vetor deslocamento elétrico D ~ pode ser calculado em todo o


interior do capacitor pela equação

~ = Ql,int ,
~ · ds
D
S

em que Ql,int representa as cargas livres internas à superfı́cie gaus-


siana S escolhida. Escolhendo superfı́cies S esféricas, concêntricas
às armaduras do capacitor e de raio r, com a < r < b, obtém-se
que Ql,int = Q e que a integral dupla fechada reduz-se a um

239
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

produto 4πr2 D. Dessa maneira, mostra-se que

~ = Q
D r̂. (2.148)
4πr2

O campo elétrico E,~ por sua vez, pode ser calculado utilizando
~ = εE,
a relação D ~ válida para meios dielétricos lineares. Dessa
maneira, segue que
~1 = Q
E r̂ (2.149)
4πkε0 r2
na região determinada por a < r < a + t, e

~2 = Q
E r̂ (2.150)
4πε0 r2

para a + t < r < b.


c) O campo elétrico existente no interior da região entre as arma-
duras esféricas polariza o dielétrico, criando uma distribuição de
cargas induzidas. A distribuição volumétrica de carga induzida
ρ no interior do dielétrico pode ser calculada utilizando a versão
diferencial da lei de Gauss em coordenadas esféricas

ρ
∇ · E~1 =
ε0

1 ∂(r2 E1 ) ρ
= → ρ = 0, (2.151)
r2 ∂r ε0
isto é, não há uma distribuição volumétrica de cargas elétricas
no interior do dielétrico, apenas a polarização de cargas elétricas
distribuı́das ao longo das superfı́cies interna (r = a) e externa
(r = a + t) do dielétrico, com densidades de carga dadas por σ− e
σ+ , respectivamente.
A distribuição superficial de cargas σ+ na superfı́cie localizada
em r = a + t pode ser calculada a partir da descontinuidade do

240
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

campo elétrico, segundo a equação

σ+
E2 − E1 = . (2.152)
ε0

Substituindo nas Eqs.2.149 2.150, considerando distâncias ten-


dendo ao valor (a + t) por dentro e por fora do dielétrico, respec-
tivamente, calcula-se σ+

Q Q σ+
− =
4πε0 (a + t)2 4πkε0 (a + t)2 ε0
 
Q 1
σ+ = 1− . (2.153)
4πε0 (a + t)2 k

Por sua vez, a distribuição superficial de carga elétrica σ− , induzida


na superfı́cie situada em r = a do dielétrico, pode ser obtida a
partir da imposição de carga elétrica total do dielétrico nula

σ+ .4π(a + t)2 = σ− .4πa2 (2.154)

Substituindo a Eq.2.153 na Eq.2.154 e isolando a densidade de


carga σ− , chegamos ao resultado desejado
 
Q 1
σ− = 1− . (2.155)
4πε0 a2 k

2.23 Força sobre o dielétrico

a) Desprezando efeitos de borda, a capacitância do capacitor semi-


preenchido de material dielétrico pode ser calculada a partir da
associação em paralelo de dois capacitores: um de dimensões
L × (L − x) × d e completamente preenchido de ar, associado à
porção do capacitor do problema não preenchida por material

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

dielétrico com capacitância dada por

ε0 L(L − x)
C1 = , (2.156)
d

e outro de dimensões L × x × d e completamente preenchido de


material de constante dielétrica k, associado à porção do capacitor
do problema preenchida pelo material e de capacitância

kε0 Lx
C2 = . (2.157)
d

A capacitância do sistema é, portanto, dada por

ε0 L
Ceq = C1 + C2 = [L + (k − 1)x]. (2.158)
d

b) Quando desprezamos os efeitos de borda em um capacitor de


placas paralelas, supomos que o campo elétrico no exterior do
capacitor de placas paralelas é nulo, enquanto o campo no seu
interior é perpendicular às placas condutoras. Dessa maneira, a
existência de força elétrica sobre o dielétrico ao longo da direção
das placas pode ser inesperada.
No entanto, essas premissas não descrevem bem o campo elétrico
na região de borda do capacitor, na qual o campo elétrico ad-
quire componentes horizontais. Associado a esse fato, a porção
do dielétrico no interior e nas proximidades das placas do capa-
~ aplicado,
citor é eletricamente polarizada pelo campo elétrico E
resultando em duas distribuições superficiais de cargas elétricas
induzidas. Esses dois efeitos são ilustrados na figura a seguir.

+ + + + + + + + +
- - - -
E F +++ +
- - - - - - - - -
Dessa maneira, verifica-se que o campo elétrico na borda das

242
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

placas é responsável por atrair eletricamente as carga elétricas


induzidas no material dielétrico para o interior do capacitor.
Realizar o cálculo da força elétrica a partir do cálculo explı́cito da
densidade de cargas e campo elétrico na borda dos capacitores não
é uma tarefa trivial. No entanto, podemos calcular a intensidade
dessa a partir da variação de energia potencial do sistema, isto é,

dU
F =− , (2.159)
dx

em que U representa a energia elétrica armazenada no sistema,


que por sua vez é dada por

Q2
U (x) = . (2.160)
2C(x)

Substituindo a equação 2.158 na equação 2.160, determina-se a


energia potencial elétrica como função da posição x do dielétrico

Q2 d
U= . (2.161)
2ε0 L[L + (k − 1)x]

Da equação 2.159, temos que a intensidade da força elétrica sobre


o material dielétrico é dada por

dU (k − 1)Q2 d
Fel = − = . (2.162)
dx 2ε0 L[L + (k − 1)x]2

c) Nesta nova situação, a fonte impõe uma diferença de potencial V


constante entre as placas. Por isso, é mais conveniente calcular a
energia potencial armazenada no capacitor como

C(x)V 2
U= . (2.163)
2

Dessa maneira, utilizando o resultado expresso pela equação 2.158,


podemos calcular a variação da energia potencial armazenada no

243
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

capacitor como
dU ε0 LV 2
= (k − 1) . (2.164)
dx 2d
Observe que, enquanto, anteriormente tı́nhamos dU/dx < 0, isto
é, o capacitor gasta energia para realizar trabalho sobre o material
dielétrico, neste caso há simultaneamente o aumento da energia
armazenada no capacitor, dU/dx > 0, e a realização de trabalho
sobre o dielétrico. Isso decorre do fato da fonte injetar energia
no sistema realizando um trabalho dWf sobre as cargas que a
atravessam. Da conservação de energia, segue que

dWf dU
dWf = dU + Fel dx → = + Fel . (2.165)
dx dx

O trabalho realizado pela fonte é igual ao produto da tensão V


pela variação de carga elétrica armazenada nas cargas do capacitor

dWf d dC 2 ε0 LV 2
= (V Q) = V = (k − 1) . (2.166)
dx dx dx d

Substituindo as equações 2.164 e 2.166 em 2.165, encontramos o


valor da força elétrica sobre o material dielétrico18

ε0 LV 2
Fel = (k − 1) . (2.167)
2d

2.24 Dissipação em um circuito RC


a) Primeiramente, vamos determinar os estados de equilı́brio E1 e
E2 . O primeiro estado de equilı́brio corresponde ao capacitor
carregado com tensão V e carga Q1 = CV . A adição de um
dielétrico no interior do capacitor eleva a sua capacitância para um
18 Uma solução bem rápida poderia ser obtida simplesmente substituindo o valor

da carga elétrica armazenada no capacitor Q = ε0dL [L + (k − 1)x]V na equação


2.162.

244
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

valor C 0 = kC. Dessa maneira a carga armazenada no capacitor é


dada por Q2 = kCV no estado E2 .
A corrente i(t) que existe durante a passagem do sistema do estado
E1 para E2 pode ser obtida por meio da aplicação das leis de
Kirchhoff. Da lei das malhas, temos que a força eletromotriz V , a
carga armazenada no capacitor Q(t) e a corrente elétrica i(t) se
relacionam conforme a equação

Q(t)
V = + Ri(t). (2.168)
C0

Derivando a Eq. 2.168 pelo tempo, substituindo o valor de C 0 e


utilizando a relação Q0 (t) = i(t), temos que

i(t)
i0 (t) + = 0. (2.169)
kRC

Para que a equação 2.169 determine a corrente i(t), é necessário


especificar o valor inicial i(0) = i0 . Com a adição do dielétrico no
interior do capacitor, a diferença de potencial entre suas armaduras
cai de V para V /k. Dessa maneira, a corrente inicial do circuito é
dada por  
V − V /k V 1
i0 = = 1− . (2.170)
R R k

Dessa forma, a solução da Eq. 2.169 é dada por


 
−t/kRC V 1
i(t) = i0 e = 1− e−t/kRC . (2.171)
R k

b) A potência elétrica instantânea, P (t), dissipada pelo resistor é


dada por
2
V2

1
2
P (t) = Ri (t) = 1− e−2t/kRC . (2.172)
R k

Para calcular a energia dissipada pelo o circuito Ed durante a

245
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

passagem entre os estados de equilı́brio E1 e E2 , precisamos


integrar a potência elétrica dissipada
ˆ ∞ 2 ˆ ∞
V2

1
Ed = P (t)dt = 1− e−2t/kRC dt
0 R k 0

2
kCV 2

1
Ed = 1− . (2.173)
2 k

c) A potência entregue pela fonte é dada por

V2
 
1
Pf (t) = V i(t) = 1− e−t/kRC . (2.174)
R k

A energia total fornecida pela fonte ao circuito durante a passagem


entre os estados de equilı́brio E1 e E2 é obtida por uma integração
no tempo, de maneira análoga ao item anterior
ˆ ∞  
1
Ef = Pf (t)dt = kCV 2 1 − . (2.175)
0 k

Por conservação de energia, a energia armazenada no capacitor


no processo considerado pode ser calculada como Ef − Ed . Dessa
maneira, a fração pedida pelo enunciado é dada por

Ef − Ed 1
η= = . (2.176)
Ef k

d) Como demonstrado anteriormente, os resultados de Ed e η inde-


pendem do valor da resistência R. Ou seja, a escolha de diferentes
r não influencia no rendimento do circuito, apenas na constante
de tempo de carregamento τ = kRC.
O caso limite R ≈ 0Ω é interessante porque pode levar a crer que
nesse limite é necessário que a energia dissipada seja desprezı́vel
e, consequentemente, η = 1. O raciocı́nio é incorreto. A escolha
de uma resistência R → 0Ω faz com que o valor inicial de i(t)

246
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

seja extremamente alto. A potência dissipada no instante t = 0,


P0 = Ri2 (0), também tende ao infinito nesse caso. Como não
há elementos de circuito reais em que a resistência elétrica é
rigorosamente nula, em que não há perdas, o que vale é o limite
do comportamente do circuito no limite R → 0Ω.

2.25 Espectrógrafo de massa


a) Vamos considerar os ı́ons de carga +e. Verifica-se que as forças
elétrica F~E e magnética F~B no filtro de forças têm a mesma direção
e sentidos opostos, conforme mostra a figura a seguir.

Fe v<v0
E
+ v0
B
v>v0
Fm

Para que as partı́culas de velocidade v0 possam prosseguir para a


segunda câmara, é necessário que haja um cancelamento perfeito
das forças elétrica, FE = FB . Dessa maneira, segue que

E
eE = ev0 B → v0 = . (2.177)
B

Note que a velocidade v0 selecionada independe da carga do ı́on. Se


a velocidade do ı́on for diferente de v0 , não há mais cancelamento
perfeito entre as duas forças. Se v > v0 , então FB > FE ; enquanto
se v < v0 implica em FB < FE (veja a figura). Em ambos os casos
a partı́cula é defletida e não entra na segunda câmara.
b) Na segunda câmara, a única força que age sobre a carga é a força

247
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

magnética. Como o campo magnético é perpendicular à velocidade


do ı́on, ele realizará um movimento circular de raio R. Igualando
a força magnética à resultante centrı́peta do movimento, temos
que
mv02 mv0
ev0 B = → R= . (2.178)
R qB
Conclui-se que o raio da órbita de isótopos mais pesados é maior
que o raio da órbita de isótopos mais leves. O raio da órbita R
é diretamente proporcional à massa do ı́on. Dessa maneira, os
diferentes isótopos colidem em diferentes pontos do anteparo.
c) Precisamos garantir que os dois isótopos sejam detectados dis-
tinguı́veis no anteparo, isto é, localizados a uma distância ∆ entre
si tal que ∆x > ∆x0 . Do resultado do item anterior, temos que

2mn v0
∆x = 2(RA+1 − RA ) = > ∆x0 , (2.179)
qB

no qual mn corresponde a massa de um nêutron. Dessa maneira,


temos que a velocidade v0 deve obedecer a seguinte desigualdade

qB∆x0
v0 > . (2.180)
2mn

Caso o filtro de velocidade não seja ideal, ı́ons com velocidades


próximas, mas não iguais a v0 podem ser observados na segunda
câmara. Consequentemente, as regiões em que cada um dos
isótopos incidem sobre o anteparo não são mais pontuais, mas
adquirem uma extensão finita 2∆R, em que ∆R indica a incerteza
do raio da trajetória.
Como um critério de resolução razóavel, pode-se impor a seguinte
condição para que as regiões de incidência não se sobreponham
significativamente

∆x > ∆RA + ∆RA+1 , (2.181)

248
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

substituindo o resultado da Eq. 2.179 e admitindo incertezas dos


raios proporcionais a ∆v, temos que

2mn v0 Amn ∆v0 (A + 1)mn ∆v0


> +
qB qB qB

2 ∆v0
> . (2.182)
2A + 1 v0
Dessa forma, estabelecemos um limite mı́nimo para a velocidade
v0 do acelerador de ı́ons e uma incerteza relativa mı́nima ∆v0 /v0
para o filtro de velocidades. Essas são condições que devem ser
satisfeitas para que o aparato experimental possa distinguir os
isótopos.

2.26 Passagem de corrente por um fio


a) Da lei de Ohm microscópica, temos que J~ = σ E.
~ Como a densi-
dade de corrente elétrica é uniforme e dada por J = I/A, onde A
é a secção transversal do fio, temos que

I 1 ρI
= E → E= . (2.183)
πa2 ρ πa2

b) Seja C uma linha circular de raio a cujo centro encontra-se sobre


o eixo de simetria do fio condutor. Aplicando a lei de Ampère
sobre o caminho C, temos que

µ0 I
B.2πa = µ0 I → B= . (2.184)
2πa

c) Com base nos resultados obtidos nos itens anteriores, calculamos


o vetor de Poynting na superfı́cie do fio condutor

~ ~ 2
~ = E × B = − ρI n̂,
S (2.185)
µ0 2π a3
2

249
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

em que o versor n̂ denota a direção normal ao fio condutor, dirigido


para o seu exterior. Segundo o teorema de Poynting, podemos
igualar a taxa do fluxo de energia através da superfı́cie lateral do
~ através da superfı́cie. Segue, portanto, que
fio ao fluxo de S
¨
Φ= ~ · n̂ d2 s = − ρL I 2 ,
S (2.186)
πa2

que pode ser reescrito como Φ = −RI 2 , utilizando a segunda lei


de Ohm, em que R denota a resistência interna do fio condutor.
A taxa do fluxo de energia através da superfı́cie lateral, portanto,
corresponde exatamente à energia dissipada no resistor segundo
o efeito Joule, como querı́amos demonstrar. O sinal negativo
é associado ao fato da energia estar sendo dissipada dentro do
resistor.

2.27 Força eletromotriz induzida

A força eletromotriz induzida no triângulo devido ao movimento do


fio condutor é dada pela taxa de variação do fluxo magnético, que por
sua vez decorre do aumento de sua área, isto é,

dΦ dA
E= =B . (2.187)
dt dt

Da geometria da figura, segue que v = dh/dt, em que h é a altura


do triângulo equilátero de lado L > L0 . A área A do triângulo pode ser
escrita em termos de h, conforme a expressão

Lh h2
A= =√ , (2.188)
2 3

uma vez que h = Lsen60o . Dessa maneira, podemos calcular a tensão

250
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

induzida desenvolvendo a expressão 2.187

dA dh 2h
E =B = B √ v. (2.189)
dh dt 3

2.28 Espira em formato de espiral


Esse problema admite duas soluções: uma mais rigorosa e outra que
dispensa o uso de cálculo diferencial e integral.

Solução 1: Análise da curva espiral


Uma curva espiral de passo a entre cada uma das voltas pode ser descrita
através da expressão
a
r= θ, (2.190)

em que r representa a distância do fio até o centro da espiral e θ uma
coordenada angular que varia de 0 até 2N π.
A força eletromotriz induzida dE em um trecho do fio determinado
entre os ângulos θ e θ + dθ pode ser calculada a partir da variação de
fluxo magnético através da área de um triângulo varrido pelo vetor
posição do fio condutor com respeito ao centro da espiral

1 2
dA = r dθ,
2

conforme ilustrado na figura a seguir.

dA
r(θ+dθ)
dθ r(θ)

251
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Dessa maneira,
dB 1
dE = .dA = kr2 dθ. (2.191)
dt 2
Integrando a equação 2.191 e utilizando a equação da espiral deter-
minada em 2.190, chegamos ao resultado desejado
ˆ N.2π  a 2
k π
E= θ dθ = ka2 N 3 . (2.192)
2 0 2π 3

Solução 2: Somatório sobre as voltas


Nessa segunda, aproximaremos o fluxo magnético através da espira em
espiral como o somatório do fluxo magnético através de N espiras, cujos
raios como múltiplos de a.

N
X X
Φ= Bπ(na)2 = πBa2 = 1N n2 (2.193)
n=1 n

O resultado desse somatório é um resultado bastante conhecido da


matemática19
N
X n(n + 1)(2n + 1)
n2 = , (2.194)
n=1
6

que considerando o limite N  1, pode ser aproximada como apenas o


PN
termo lı́der do polinômio de terceiro grau associado n=1 n2 ≈ N 3 /3,
o que leva ao seguinte fluxo magnético

πBa2 N 3
Φ= . (2.195)
3

Aplicando a lei da indução de Faraday, chegamos ao resultado


desejado
∆Φ πka2 N 3
E= = (2.196)
∆t 3
É bem interessante observar como a segunda solução é capaz de
fornecer a mesma resposta da primeira, apesar de realizar a simplificação
19 Esse é um problema clássico de princı́pio da indução finita (PIF).

252
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

da espiral como N espiras independentes.

2.29 Freio eletromagnético

a) O movimento de descida da barra metálica faz o fluxo magnético


no loop superior aumentar, o que faz surgir uma força eletromotriz
dada por
E = Ri(t), (2.197)

em que i(t) é a corrente induzida no loop. Da lei de Faraday, pode-


mos calcular E a partir da taxa de variação de campo magnético
do loop, que por sua vez é proporcional à velocidade de queda v(t)
da barra
dΦ dx
E= = Bl = Blv(t). (2.198)
dt dt
Combinando as Eqs.2.197 e 2.198, temos uma primeira relação
entre as grandezas i(t) e v(t)

Bl
i(t) = v(t). (2.199)
R

O próximo passo da solução consiste em estudar as forças envol-


vidas no movimento de queda da barra metálica. A força peso é
constante, vertical e dirigida para baixo, sendo responsável pelo
inı́cio do movimento de queda. À medida que a velocidade da
barra aumenta, a corrente elétrica que a atravessa aumenta na
mesma proporção e surge uma força magnética vertical para cima,
cujo efeito é frear o movimento de queda. Da 2a lei de Newton
obtemos a aceleração do movimento

v(t)
m = mg − Bli(t),
dt

253
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que resulta na equação de movimento do sistema

dv(t) B 2 l2
+ v(t) = g. (2.200)
dt mR

A equação 2.200 consiste em uma equação diferencial de primeira


ordem não-homogênea, compartilhando de solução idêntica a
um movimento de queda com um atrito viscoso proporcional à
velocidade. A solução geral desse tipo de equação consiste na
superposição de uma solução particular vP (t), e.g. objeto com
velocidade terminal constante

mgR
vP (t) = (2.201)
B 2 l2

somado com a solução geral da equação diferencial homogênea


associada20
dvH (t) B 2 l2
+ vH (t) = 0, (2.202)
dt mR
isto é,
B 2 l2
 
vH (t) = c exp − t . (2.203)
mR

A expressão da velocidade da barra superpondo a solução par-


ticular vP (t), expressa pela equação 2.201, com a solução geral
da equação diferencial homogênea associada v(t) = vP (t) + vH (t).
O coeficiente c da equação 2.203 é determinado pelas condições
iniciais do movimento (v(0) = 0). Dessa maneira, chegamos ao
resultado desejado

B 2 l2
  
mgR
v(t) = 2 2 1 − exp − t . (2.204)
B l mR

A expressão da corrente i(t) segue da combinação das equações

20 Esse é um procedimento padrão e sistemático para resolução de equações dife-

renciais não-homogêneas. Para esse caso particular, é possı́vel resolver a equação


diferencial por integração direta.

254
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

2.199 e 2.204

B 2 l2
  
mg
i(t) = 1 − exp − t . (2.205)
Bl mR

b) O objetivo desse item é descrever que tipos de conversões de energia


acontecem durante o movimento de queda da barra metálica. Para
isso, vamos calcular a potência da força peso

m2 g 2 R B 2 l2
  
Pg = mg v(t) = 1 − exp − t (2.206)
B 2 l2 mR

e a potência dissipada pela resistência elétrica


2
m2 g 2 R B 2 l2
 
PR = Ri(t)2 = 1 − exp − t . (2.207)
B 2 l2 mR

O que vamos provar agora é que a diferença ∆P = Pg − PR


corresponde à taxa de variação da energia cinética da barra Ec .
Para isso, escrevemos
2
m3 g 2 R2 B 2 l2
 
m 2
Ec = v(t) = 1 − exp − t , (2.208)
2 2B 4 l4 mR

que derivada com respeito ao tempo, resulta em

m2 g 2 R B 2 l2 B 2 l2
   
dEc
= exp − t 1 − exp − t . (2.209)
dt B 2 l2 mR mR

Por verificação direta das equações 2.206, 2.207 e 2.209, segue o


balanço de energia do sistema

dEc
Pg = PR + , (2.210)
dt

isto é, a força peso realiza trabalho sobre o sistema, que se converte
tanto em energia cinética da barra quanto em energia dissipada

255
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

na energia elétrica do sistema.21

2.30 Espira em um campo B não-uniforme


a) O movimento de queda da espira ao longo da direção z acarreta
uma mudança do fluxo magnético, que por sua vez resulta em
uma força eletromotriz induzida E dada por

dΦ dBz
E= = πa2 = πa2 B0 kv, (2.211)
dt dt

em que v é a velocidade de queda da espira.


Utilizando a primeira lei de Ohm, podemos determinar a corrente
elétrica induzida I na espira

πa2 B0 kv
I= . (2.212)
R
Durante o movimento de queda, parte da energia gravitacional é
utilizada para realização de trabalho sobre a espira, enquanto a
outra parte é dissipada por efeito Joule. A velocidade terminal
pode ser encontrada, portanto, igualando a potência de força peso
à potência elétrica dissipada

2 R
mgvmax = RImax → vmax = mg . (2.213)
(πa2 B0 k)2

b) Uma vez que a força magnética que atua sobre um fio atravessado
por corrente elétrica é perpendicular ao campo magnético aplicado,
não é possı́vel que a componente vertical Bz do campo magnético
seja responsável pela frenagem do movimento de queda.
Devido a não existência de monopolos magnéticos, a lei de Gauss
21 No inı́cio do movimento o primeiro efeito é dominante, como se percebe pelo
aumento de v(t). Após um intervalo de tempo ∆t >> BmR 2 l2 , o segundo efeito é
preponderante, de tal forma que a energia cinética da barra é praticamente constante
e a potência fornecida pela força peso é dissipada por efeito Joule.

256
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

para o campo B expressa-se da seguinte forma



~ · d2~s = 0,
B (2.214)

isto é, o fluxo magnético através de uma superfı́cie fechada é


sempre nulo. Considere uma superfı́cie gaussiana cilı́ndrica de
raio r e altura H, caso Bz fosse a única componente não-nula do
campo magnético, o fluxo magnético nessa superfı́cie seria dado
por

Φc = [B(z + H) − B(z)].πr2 = πB0 kHr2 , (2.215)

o que violaria a Eq. 2.214. Deve existir, portanto, uma compo-


nente horizontal do campo magnético capaz que frear a espira.
Supondo que essa componente radial dispõe da mesma simetria
axial da espira em queda livre, é possı́vel calcular a componente
horizontal Br tal que o fluxo magnético do cilindro seja nulo

Φ = πB0 kHr2 + Br 2πrH = 0

B0 kr
Br = − . (2.216)
2
O sinal negativo da Eq. 2.216 significa que, para k > 0, as
componentes horizontais do campo magnético apontam para o
eixo de simetria do problema, a fim de anular o fluxo positivo
através das paredes circulares do cilindro Φc . Conforme ilustrado
no diagrama a seguir, deve surgir uma força magnética vertical e
para cima que atua contra a força peso.
Na condição de velocidade terminal, temos que

Br Imax (2πa) = mg. (2.217)

Substituindo as Eqs. 2.212 e 2.216 em 2.217, recuperamos o

257
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

resultado expresso pela Eq. 2.213. Demonstramos, portanto, que


a componente horizontal do campo magnético Br é a responsável
pela frenagem da espira.

2.31 Solenoide finito


Nessa solução, calcularemos o campo magnético gerado por uma
única espira circular nos pontos localizados sobre o seu eixo de simetria
e, em seguida, modelaremos o solenoide finito como um conjunto de
espiras cujos campos magnéticos se superpõem.
Dessa maneira, vamos calcular o campo magnético B em um ponto
localizado a uma distância a acima do centro de uma espira circular
de raio R, mantida no plano horizontal e percorrida por uma corrente
elétrica I. Veja o diagrama a seguir.

dBz dB

θ
a

I R

Da lei de Biot-Savat, o campo magnético dB gerado por um elemento


de comprimento dl da espira é dado por

µ0 Idl
dB = , (2.218)
4π a2 + R2

cuja direção e sentido são determinados pela regra da mão direita.


Pela simetria do problema, as componentes horizontais dos campos
magnéticos cancelam-se, de tal forma que basta calcular o campo ao

258
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

longo do eixo vertical z

µ0 Idl
dBz = cos(90 − θ)
4π a2 + R2

µ0 I 2πR R
Bz = 2 2

4π a + R a + R2
2

µ0 IR2
Bz = (2.219)
2[a2 + R2 ]3/2

Para dispormos de um resultado mais geral, faça a = z − z 0 , isto é,


a diferença entre as coordenadas verticais do ponto em que o campo
magnético é calculado (z) e da espira (z 0 ).

µ0 IR2
B(z, z 0 ) = (2.220)
2[(z − z 0 )2 + R2 ]3/2

Deduzido esse resultado intermediário, procedemos ao cálculo do


campo gerado pelo solenoide finito em um ponto P situado a uma
distância z acima do centro do solenoide. Veja a figura a seguir.

z dz'
z'

O campo magnético dB(z, z 0 ), gerado pelas dN = n.dz 0 espiras do


solenoide localizadas entre z 0 e z 0 + dz 0 , é dado por

µ0 IR2
dB(z, z 0 ) = dN,
2[(z − z 0 )2 + R2 ]3/2

259
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

que, integrado ao longo de todo o solenoide resulta em


ˆ L/2
µ0 nI R2
B(z) = dz 0 . (2.221)
2 −L/2 [(z − z 0 )2
+ R2 ]3/2

Fazendo z − z 0 = R tgθ, pode-se simplificar a integral e deduzir o


resultado desejado22
ˆ θmax
µ0 nI µ0 nI
B(z) = cos θdθ = (sen θmax − sen θmin )
2 θmin 2
" #
µ0 nI z + L/2 z − L/2
B(z) = p −p . (2.222)
2 R2 + (z + L/2)2 R2 + (z − L/2)2

2.32 Canhão eletromagnético

a) A carga máxima armazenada no capacitor durante o perı́odo


de carregamento, quando a chave S está ligada ao ponto A, é
dada por Q0 = CV0 . Quando a chave é ligada ao ponto B, o
capacitor inicia a sua descarga e uma corrente i(t) = −dQ/dt
atravessa a haste condutora. O campo magnético exerce uma
força sobre a haste condutora de resistência R atravessada pela
corrente i(t), acelerando-a. O movimento da haste condutora faz
aumentar o fluxo magnético através do circuito, gerando uma
força eletromotriz induzida E = Blv(t).
Da lei das malhas de Kirchhoff, temos que

Q(t)
− Ri(t) − Blv(t) = 0,
C
que, combinada com a relação i(t) = −dQ(t)/dt, resulta em

22 É interessante verificar que, calculando lim


L→∞ B(z), é possı́vel recuperar o
resultado conhecido do solenoide infinito B = µ0 nI.

260
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

dQ(t) Q(t) Bl
+ − v(t) = 0. (2.223)
dt RC R
Aplicando a segunda lei de Newton na barra, obtém-se a equação

Bli(t) = ma(t)

dv(t) dQ(t)
m + Bl = 0,
dt dt
que integrada com respeito ao tempo, resulta em uma constante
de movimento k dada por

mv(t) + BlQ(t) = k. (2.224)

O valor de k pode ser determinado a partir das condições iniciais de


movimento, resultando em k = BlCV0 . Deduz-se, dessa maneira,
que

mv(t)
Q(t) = CV0 − . (2.225)
Bl
Substituindo 2.225 em 2.223, chegamos ao resultado desejado
 
m dv 1 mv(t) Bl
− + CV0 − − v(t) = 0
Bl dt RC Bl R

B 2 l2
 
dv(t) 1 Bl
+ + v(t) = V0 . (2.226)
dt RC Rm Rm

b) A solução da equação 2.226 apresenta um perı́odo de aceleração


com força de resistência proporcional à velocidade e admite uma
solução estacionária correspondente a condição de corrente nula,
na qual a tensão do capacitor e a força eletromotriz induzida
se igualam. A velocidade máxima atingida pelo canhão eletro-
magnético pode ser obtida, portanto, fazendo dv(t)/dt = 0, o que

261
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

nos conduz ao valor máximo da velocidade da haste

BlV0 C
vmax = . (2.227)
m + B 2 l2 C
O rendimento η do canhão eletromagnético pode ser identificado
pela razão entre a energia U = CV02 /2 inicialmente armazenada
pelo capacitor e a energia cinética final da haste Ec . Sendo
λ = B 2 l2 C/m um parâmetro adimensional do circuito, temos que
a energia cinética final da haste pode ser escrita como

2
mvmax CV02 λ
Ec = = . (2.228)
2 2 (1 + λ)2
Dessa maneira, o rendimento η do canhão é dado por

Ec λ
η= = . (2.229)
U (1 + λ)2
Assim, percebemos que o rendimento do canhão é determinado ex-
clusivamente pelo parâmetro λ. Para obter o rendimento máximo,
fazemos

dη (1 + λ)2 − 2λ(1 + λ)
= , (2.230)
dλ (1 + λ)4
que nos leva ao parâmetro ótimo λ = 1, que maximiza o rendi-
mento do sistema (ηmax = 25%).

2.33 Toroide de secção quadrada


a) Considere uma linha amperiana circular C, cujo centro situa-se
sobre o eixo de simetria do toroide, de raio r, a < r < a + R. A
lei de Ampère, na sua forma integral, pode ser escrita como
˛
~ · d~l = Ienc ,
H (2.231)
C

262
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

onde Ienc = N I é a corrente encerrada pela amperiana. Devido


a simetria do problema, a integral de linha reduz-se ao produto
da intensidade do campo magnético H(r) pelo comprimento da
amperiana

NI
H(r).2πr = N I → H(r) = . (2.232)
2πr

Uma vez que o núcleo do toroide é feito de um material magnético


~ = µH.
linear, vale a relação B ~ Dessa maneira, temos que

µN I
B(r) = . (2.233)
2πr
b) A autoindutância L do toroide pode ser determinada a partir
da aplicação da relação Φ = LI, onde Φ é o fluxo magnético
que atravessa as N espiras que compõem o fio de cobre utilizado
no toroide. Pela simetria do problema, segue que o fluxo Φ é o
produto do número de voltas N pelo fluxo através de uma espira
Φi , que pode ser calculada pela integral

ˆ R+a  
µN Ia a+R
Φi = B(r)adr = ln . (2.234)
R 2π R

A autoindutância L, por sua vez é dada por

µN 2 a
 
Φ N Φi a+R
L= = = ln . (2.235)
I I 2π R

2.34 Indutância mútua entre fio e espira

a) Para realizar o cálculo de indutância mútua entre o fio condutor


e a espira, considere que o fio infinito é atravessado por uma
corrente I e gera um fluxo magnético através da espira circular,
conforme ilustrado na figura a seguir.

263
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

θ
B a

Uma vez que o campo magnético B gerado pelo fio não é uniforme,
o fluxo magnético deve ser calculado através da integral
¨
Φ= ~ · d2~s
B (2.236)

em toda a área da espira. Para calcular essa integral, considere


o diferencial de fluxo dΦ em um retângulo localizado à distância
r = a − a cos θ do fio condutor retilı́neo, espessura dr e altura
h = 2a senθ, como o ilustrado pela região hachurada na figura
anterior. O campo magnético nessa região é constante e dado por

µ0 I
B= . (2.237)
2πa(1 − cos θ)

Uma vez que a distância r do retângulo até o fio retilı́neo é dada


por r = a(1−cos θ), verifica-se, realizando uma derivação implı́cita,
que a espessura dr do retângulo pode ser escrita como

dr = asenθdθ. (2.238)

Dessa maneira, a integral 2.236 assume a seguinte forma


ˆ
µ0 I
Φ= .asen2 θdθ, (2.239)
π(1 − cos θ)

264
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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

uma vez que sen2 θ = 1 − cos2 θ, temos que


ˆ π
µ0 Ia
Φ= . (1 + cos θ)dθ = µ0 Ia. (2.240)
π 0

Dividindo o fluxo magnético Φ pela corrente I que percorre o fio


retilı́neo, obtemos a indutância mútua desejada

Lm = µ0 a. (2.241)

b) Os conceitos fı́sicos envolvidos neste item não são muito diferentes


dos abordados no item anterior. De maneira análoga à solução
do item (a), tome um elemento de área retangular localizado a
uma nova distância r = b − a cos θ, espessura dr = asenθdθ e
altura h = 2a senθ. Podemos determinar o fluxo magnético nesse
segundo caso através da integral
ˆ π
µ0 I
Φ= .a2 sen2 θdθ
0 π(b + a cos θ)
ˆ π
µ0 Ia2 1 − cos2 θ
Φ= dθ. (2.242)
π 0 b + a cos θ
Conforme é possı́vel observar, o afastamento da espira do fio
condutor resulta em uma complicação da integral que deve ser
resolvida para a determinação da indutância mútua do sistema.
Isso pode ser contornado com um breve trabalho algébrico.
Realizando a divisão polinomial do integrando da equação 2.242,
verificamos que

b2
   
1 b
1 − cos2 θ = (b + a cos θ) − cos θ + 2 + 1 − 2 . (2.243)
a a a

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CAPÍTULO 2. ELETROMAGNETISMO

Substituindo 2.243 em 2.242,


ˆ " 2
#
µ0 Ia2 π
cos θ b 1 − ab 2
Φ= − + 2+ dθ
π 0 a a b + a cos θ

ˆ π
µ0 I(b2 − a2 ) dθ
Φ = µ0 Ib − (2.244)
π 0 b + a cos θ

Fazendo a substituição de variável u = tg(θ/2) na equação 2.244,


ˆ ∞
2µ0 I(b + a) du
Φ = µ0 Ib − b+a
,
π 0 u2 + b−a

que constitui uma integral conhecida de arco tangente, que nos


leva ao seguinte fluxo magnético através da espira
"r r !#∞
2µ0 I(b + a) b−a b−a
Φ = µ0 Ib − .arctg .u
π b+a b+a
0

r
µ0 I(b + a) b − a π
Φ = µ0 Ib −
π b+a 2
p
Φ = µ0 I(b − b2 − a2 ). (2.245)

O que resulta na seguinte indutância mútua23


p
Lm = µ0 (b − b2 − a2 ). (2.246)

23 De antemão, poderı́amos afirmar que o aumento da distância entre o fio e a

espira torna o campo magnético que gera o fluxo magnético menos intenso, o que
deve diminuir o valor da indutância mútua. É possı́vel demonstrar que o resultado
obtido é monotonicamente decrescente com respeito ao parâmetro b, partindo de
L = µ0 a, quando b = a, até L = 0 no limite b → ∞. A verificação desse fato é
deixada como exercı́cio ao leitor.

266
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Relatividade restrita
3
3.1 Comprimento da barra inclinada

a) As componentes do comprimento da barra, medidas no referencial


S’ são dadas por L0x = L cos θ0 e L0y = Lsenθ0 . A mudança de
referencial S’→S acarreta a contração de comprimento na direção
x, enquanto o comprimento na direção y permanece inalterado.
Dessa maneira,

L0x p
Lx = = 1 − β 2 L cos θ0
γ

Ly = L0y = Lsenθ0 . (3.1)

O ângulo θ, medido em S pode ser determinado calculando a razão


entre as componentes Ly e Lx . Veja:

Ly tgθ0
tgθ = =p = γtgθ0 → θ = arctg(γtgθ0 ). (3.2)
Lx 1 − β2

b) Para calcular o comprimento LS da vara, basta aplicar o teorema


de Pitágoras à barra utilizando as componentes do seu compri-

267
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

mento segundo o referencial S.

L2S = L2x + L2y = L2 (sen2 θ0 + (1 − β 2 ) cos2 θ0 )


p
LS = L 1 − β 2 cos2 θ0 . (3.3)

3.2 Colisão de foguetes


a) A velocidade de aproximação dos foguetes, medida no referencial
da Terra, é vap = 1, 4c, o que resulta no seguinte tempo de colisão1

l 4, 2.108
∆t = = = 1s. (3.4)
1, 4c 1, 4 × 3.108

b) A velocidade do foguete A, com respeito ao foguete B, é dada por

0, 6 + 0, 8
vAB = c = 0, 946c. (3.5)
1 + 0, 6 × 0, 8

A velocidade do foguete B com respeito ao foguete A tem mesmo


módulo e sentido contrário à velocidade vAB . Portanto,

vBA = −0, 946c. (3.6)

3.3 Trem de pulsos (FIFT)


a) Os pulsos da fonte #2 são emitidos nos exatos instantes em que
passa um pulso da fonte #1 pela fonte #2. Para responder a
essa pergunta, basta considerar o movimento dos dois pulsos entre
1 Note que a velocidade de aproximação v
ap é obtida de maneira puramente
matemática, adicionando as velocidades medidas no referencial da Terra, podendo
ser superior a c. Essa velocidade não é equivalente à velocidade de aproximação de
um foguete no referencial do outro. Apenas a segunda velocidade é limitada pela
velocidade c da luz no vácuo.

268
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

a fonte #2 e o detector B. No instante inicial do movimento


desses pulsos, ambos encontram-se no mesmo ponto do espaço
no mesmo instante de tempo, segundo o referencial O. Dessa
maneira, podemos afirmar que os dois pulsos de luz demoram o
mesmo intervalo de tempo entre a fonte #2 e o detector B, uma
vez que ambos os pulsos viajam com a velocidade da luz.
b) No referencial O os pulsos emitidos pela fonte #2 chegam a cada
τ segundos. No referencial O0 , o intervalo de tempo entre duas
detecções é dado por

τ
∆t = γ∆t0 = q . (3.7)
v2
1− c2

Segundo o referencial O0 , o detector viaja em direção a fonte #2


com velocidade v. Dessa forma, podemos escrever que a distância
entre dois pulsos pode ser escrita como (c + v)∆t, segundo o
detector. No entanto, tal distância pode ser obtida através do
intervalo de tempo entre dois pulsos τ 0 . Matematicamente, temos
que s
0 (c + v)∆t 0 1 + vc
cτ = q → τ = τ (3.8)
2
1 − vc2 1 − vc

Definindo o parâmetro β = v/c, segue que2


s
1+β
τ0 = τ (3.9)
1−β

2 Esse resultado poderia ser obtido de maneira bem elegante e imediata a partir

do efeito Doppler relativı́stico.

269
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.4 Princı́pio da antecedência das causas


a) As transformações de Lorentz coordenadas do espaço-tempo entre
os referenciais S e S 0 são descritas pelas expressões
 v 
x0 = γ (x − vt) e t0 = γ t − 2 x . (3.10)
c

considerando os eventos E2 e E1 , segue da Eq. 3.10 que


 v   v 
t02 = γ t2 − 2 x2 e t01 = γ t1 − 2 x1 . (3.11)
c c

Tomando a diferença entre as Eqs. 3.11 , chegamos ao resultado


esperado  
vD
T0 = γ T − 2 . (3.12)
c

b) A condição de simultaneidade dos eventos pode ser matematica-


mente traduzida como T 0 = 0. Segue, portanto, que

vD
T− = 0. (3.13)
c2

Isolando a velocidade v do referencial S 0 , obtemos


 
c
v= c, (3.14)
D/T

que consiste na condição necessária para que os eventos E1 e E2


sejam simultâneos. Além dessa condição, devemos satisfazer a
desigualdade v < c, o que leva à seguinte relação3

D
c< . (3.15)
T

c) Se o evento E1 constitui a causa do evento E2 , é necessário que

3 Ou seja, os eventos podem ser simultâneos desde que eles não possam ocorrer

na mesma coordenada x de um referencial inercial S 0 .

270
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

um sinal de alguma natureza seja transmitido da posição x1 , no


instante t1 , para a posição x2 , no instante t2 . Como a velocidade
u de propagação do sinal não pode ser superior à velocidade da
luz no vácuo, segue que

x2 − x1 D
u= <c → < c. (3.16)
t2 − t1 T

d) Suponha que exista um sinal com velocidade de propagação c0 > c,


logo é possı́vel definir eventos E1 e E2 tais que E1 é causa de E2
e u = D/T > c. Da Eq. 3.14, deduzimos uma velocidade v ∗ de
um referencial que garantiria a simultaneidade entre dois eventos
dada por
c2
v∗ = < c. (3.17)
u
Para referenciais inerciais cuja velocidade v 6= v ∗ , temos que os
eventos E1 e E2 não são simultâneos. Observando a equação 3.12,
verificam-se três casos possı́veis:

• Caso v < v ∗ → T 0 > 0: o evento E1 (causa) ocorre antes do


evento E2 (efeito).

• Caso v = v ∗ → T 0 = 0: o evento E1 (causa) ocorre aciden-


talmente de maneira simultânea ao evento E2 (efeito).

• Caso v > v ∗ → T 0 < 0: o evento E1 (causa) ocorre depois


do evento E2 (efeito). (Absurdo!)

Portanto, não é possı́vel emitir sinais contendo informação a uma


velocidade superior a c.4

4 Há uma solução mais direta para esse problema utilizando o conceito de intervalo

invariante ∆s2 = ∆~ r2 − c∆t2 . Pode-se mostrar que reversibilidade temporal é uma


propriedade que vale para quaisquer dois eventos tais que ∆s2 > 0, de acordo com
um referencial inercial qualquer.

271
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.5 Paradoxo da vara e do galpão


a) No referencial do observador na porta a vara se contrai segundo a
equação
r
0 v2
L = 1− L = 0, 6 × 20 = 12 m. (3.18)
c2
b) Como L0 < D, o observador da porta afirma que quando a porta
é fechada a vara encontra-se inteiramente no interior do galpão.
c) No referencial do corredor, o comprimento do galpão sofre uma
contração de comprimento. Matematicamente, temos que
r
0 v2
D = 1− D = 0, 6 × 15 = 9 m. (3.19)
c2
d) O paradoxo aparente decorre de questões de simultaneidade. No
caso do paradoxo do galpão existem dois eventos de interesse:

• Evento A: A extremidade à frente da vara atingir o fundo do


galpão.
• Evento B: A extremidade anterior da vara passar pela porta
do galpão.

O intervalo invariante entre os eventos A e B é do tipo espacial


(∆s2 = (c∆t)2 − (∆x2 + ∆y 2 + ∆z 2 )), portanto não há ordem
temporal definida para os eventos, existindo três casos:
i) O evento A acontece antes de B: nesses referenciais a vara
não cabe no galpão, como acontece no referencial do corredor.
ii) Os eventos A e B são simultâneos: nesse referencial, a con-
tração dos comprimentos da vara e do galpão acontece de tal
maneira que os dois têm exatamente o mesmo comprimento.
iii) O evento B acontece antes de A: nesses referenciais a vara
cabe no galpão, como acontece no referencial do observador
na porta.

272
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.6 Régua atravessando a placa


Observe o diagrama a seguir, que consiste na travessia da régua pelo
furo vista do referencial do laboratório.
A1 y
B1
S
vx

x
z A2
vy B2

Nesse referencial, o comprimento da régua vale


r
vx2 p
L= 1− 2
D0 = 1 − βx2 D0 . (3.20)
c

A nossa estratégia para resolver este paradoxo será descrever o mo-


vimento dos extremos da régua, A1 e B1 , assim como as extremidades
do buraco da placa ao longo do plano que contém a régua, A2 e B2 .
Considere que, no instante t = 0 do referencial do laboratório, a régua
e a chapa encontram-se na mesma altura y = 0 e que, nesse instante, o
centro da régua e o furo na chapa encontram-se na coordenada x = 0.
Define-se τ como uma variável auxiliar com dimensão de comprimento
dada por τ = ct. Dessa forma, seguem os seguintes resultados, vistos a
partir do referencial do laboratório S.

Movimento dos extremos da régua (A1 e B1 ) segundo S


Movimento do centro da régua: xC1 = βx τ e yC1 = 0.

273
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Movimento dos extremos da régua:

1p
xA1 = βx τ − 1 − βx2 D0 , yA1 = 0;
2
1p
xB1 = βx τ + 1 − βx2 D0 , yB1 = 0.
2
Movimento dos extremos do furo (A2 e B2 ) segundo S
Movimento do centro do furo: xC2 = 0 e yC2 = βy τ .

Movimento dos extremos do furo:

1
xA2 = − D0 , yA2 = βy τ ;
2
1
xB2 = D0 , yB2 = βy τ.
2
Conhecidas as funções horárias dos pontos de interesse, podemos
utilizar a transformação de Lorentz

x = γx (x0 + βx τ 0 ), y = y, τ = γx (τ 0 + βx x0 ),

1
em que γx = √ 2
, para determinar como um observador no referen-
1−βx
0
cial da régua S descreve os movimentos relativos entre a régua e o furo
da chapa. Veja a seguir.

Movimento dos extremos da régua (A1 e B1 ) segundo S 0


Movimento do centro da régua: x0C1 = 0 e yC1
0
= 0. (origem de S 0 )

Movimento dos extremos da régua:

1 1
x0A1 = − D0 , 0
yA1 = 0; x0B1 = D0 , 0
yB1 = 0.
2 2

Movimento dos extremos do furo (A2 e B2 ) segundo S 0


Movimento do centro do furo: x0C2 = −βx τ 0 e yC2
0
= βy γ x τ 0 .

274
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Movimento dos extremos do furo:

1p 1
x0A2 = − 1 − βx2 D0 − βx τ 0 , 0
yA2 = βy γx τ 0 − βy D0 ;
2 2
1p 1
x0B2 = 1 − βx2 D0 − βx τ 0 , 0
yB2 = βy γ x τ 0 + β y D 0 .
2 2
Observe que, de acordo com o referencial da régua, a placa não está
mais contida em um plano y = cte.5 No instante τ 0 = 0, os centros da
régua e do furo coincidem e as posições
 dos
 pextremos do furo são
 dados
p
por A2 − 12 1 − βx2 D0 , − 21 βy D0 e B2 12 1 − βx2 D0 , 21 βy D0 , como
mostra a figura a seguir. Observe que neste referencial um extremo
da régua (B1 ) atravessa a placa antes do outro (A1 ). Portanto, esses
eventos deixam de ser simultâneos de acordo com o referencial S 0 .

vfuro B'2

x'1 -D0/2

D0/2 x'2

A'2

Para mostrar que a régua atravessa o furo da placa, assim como


é observado no referencial do laboratório S, pode-se calcular o ponto
x02 em que a trajetória de B2 cruza o plano y 0 = 0. Tal cruzamento
p
acontece no instante τ20 = − 21 1 − βx2 D0 , o que resulta em

D0 p  D0
x02 = − 1 − βx2 + βx < − , ∀βx . (3.21)
2 2

Analogamente, pode-se calcular o ponto x01 em que a trajetória de


5 Um efeito similar a esse pode ser observado no problema ‘Comprimento da

barra’.

275
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

A2 cruza o plano y 0 = 0, obtendo-se

D0 p  D
0
x01 = 1 − βx2 + βx > , ∀βx . (3.22)
2 2

Ou seja, a placa adquire uma inclinação no referencial da régua sufi-


cientemente grande para que os extremos da régua consigam atravessar
o furo em instantes de tempo distintos. De fato, desse modo é possı́vel
atravessar uma régua de comprimento L por um furo de diâmetro Φ < L.
O aparente paradoxo está, portanto, esclarecido.

3.7 Tiro certeiro (FIFT adp.)

a) Aplicando o resultado de composição de velocidades relativı́stica,


temos que a velocidade do terrorista com respeito ao atirador é
dada por
c
+ 2c 4
v0 = 2
1 = 5 c. (3.23)
1+ 4

b) Considerando o efeito da contração relativı́stica do comprimento


do trem do terrorista com respeito ao referencial do atirador,
temos r
0 v 02
L = 1− L0
c2
r
0 16 3
L = 1− L0 = L0 = 480 m. (3.24)
25 5
c) O tempo necessário para a bala atravessar a distância entre os
trilhos dos trens é dado por

D 60
∆tb = = 8 = 0, 6 µs. (3.25)
vb 10

O tempo em que a luz demora para sair do trem do terrorista e

276
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

atingir os olhos do atirador6 é

D 60
∆tc = = = 0, 2 µs. (3.26)
c 3.108

Por sua vez, o tempo necessário para que o atirador e o terrorista


fiquem frente a frente é dado por

L0 240
∆T = 0
= = 1, 0 µs. (3.27)
2v 2, 4.108

Finalmente, o intervalo de tempo ∆t que o atirador deve esperar


antes de disparar sua pistola é

∆t = ∆T − ∆tc − ∆tb = 0, 2 µs. (3.28)

d) Seja x0 a coordenada espacial no referencial do terrorista, que por


sua vez permanece em repouso em x0 = 0. Nesse referencial, as
componentes da velocidade da bala disparada pelo atirador são
dadas por
0 4
vb,x = v0 = c, (3.29)
5
0
p 3 c c
vb,y = 1 − β 02 vb = × = . (3.30)
5 3 5
Através de uma semelhança de triângulos, descobrimos a posição
∆x0 do atirador no instante do disparo no referencial do terrorista.
Veja

6 Esse tempo não é desprezı́vel para o nosso problema e deve, portanto, ser

contabilizado.

277
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

L'=480 m
A
c
5
D= 60 m
4c
5

Δx T

L=800 m
0
vb,y D
0 = → ∆x0 = 4D = 240 m. (3.31)
vb,x ∆x0

Como ∆x = L0 /2, segue que, no instante do tiro, o terrorista


e a primeira extremidade do trem do atirador têm a mesma
coordenada x. O terrorista enxerga o trem depois do intervalo de
tempo ∆tc = 0, 2µs, enquanto a bala demora 5∆tc para realizar
sua trajetória. Dessa forma, o intervalo de tempo desejado é dado
por
∆t2 = 4∆tc = 0, 8µs. (3.32)

3.8 Fórmula de Fizeau


a) A diferença de fase entre os raios que atravessam os dois tubos se
deve a diferença de tempo de viagem da luz que viaja contra ou a
favor da corrente de água. O intervalo de tempo necessário para
que a luz atravesse o tubo A1 é dado por t1 = D/v+ , enquanto o
tempo necessário para que a luz atravesse o tubo A2 é t2 = D/v− .
A diferença de tempos de viagem δt é dada, portanto, por

D(v+ − v− ) 2D
δt = t2 − t1 = ≈ 2 n2 δv, (3.33)
v+ v− c

278
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

pois δv  c/n.
Para calcular a diferença de fase associada ao atraso, pode-se
considerar uma diferença de caminho óptico dada por ∆r = c δt.
Comparando a diferença de caminho calculada com o comprimento
de onda λ, que por sua vez corresponde a uma diferença de fase
de 2π, temos
∆r 4πDn2
∆θ = 2π = δv. (3.34)
λ λc
b) Vamos calcular o valor da velocidade v+ . O cálculo de v− é idêntico,
a não ser sob uma mudança de sinal V → −V . Compondo a
velocidade da luz no referencial da água c/n com a velocidade da
água com respeito ao laboratório V , obtemos o seguinte resultado
para a velocidade da água com respeito ao laboratório

c/n + V
v+ = V
. (3.35)
1 + nc

Considerando a aproximação de Bernoulli para o denominador da


 −1  
V V
fração, temos que 1 + = 1− , que substituı́do na
nc nc
equação 3.35 resulta em
 
V
v+ ≈ (c/n + V ) 1 − .
nc

Desprezando o termo V 2 /nc, por ele ser muito menor que as


demais parcelas, chegamos ao resultado desejado
 
c 1
v+ ≈ + V 1− 2 . (3.36)
n n

279
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.9 Efeito Farol


a) A velocidade do raio de luz do eixo x0 , medido no referencial da
estrela, é dada por uma simples projeção do vetor velocidade,
isto é, vx0 = c cos ϕ0 . A componente x da velocidade, medida no
referencial da Terra, por sua vez é determinada através da fórmula
de composição de velocidades

βc + c cos ϕ0
vx = . (3.37)
1 + β cos ϕ0

Como o raio de luz viaja em uma velocidade c em qualquer


referencial, o ângulo ϕ entre o eixo x e o raio de luz medido no
referencial da Terra é determinado por

vx β + cos ϕ0
cos ϕ = = . (3.38)
c 1 + β cos ϕ0

b) No referencial da estrela, é fácil ver que metade (50%) da luz é


emitida para o semi-espaço definido por x0 > 0. Dessa maneira,
podemos calcular o ângulo de abertura do cone particularizando
a equação 3.38 para o caso ϕ0 = 90o . Finalmente, temos que

cos ϕ = β → ϕ = arccos(β). (3.39)

3.10 Desvio para o vermelho


a) Como o movimento da fonte luminosa é transversal, não há com-
ponente da velocidade responsável por diminuir a distância entre
frentes de onda consecutivas emitidas. O efeito Doppler rela-
tivı́stico transversal da luz é, portanto, decorrente unicamente
do efeito relativı́stico da dilatação do tempo. Dessa maneira, o
perı́odo T da onda, medido por um observador terrestre, relaciona-

280
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

se com o perı́odo próprio da onda T0 , medido por um observador


solidário à fonte luminosa, segundo a expressão

T0
T = γT0 = p . (3.40)
1 − β2

Como a frequência da onda é o inverso de seu perı́odo, f = 1/T ,


segue que
p
f = f0 1 − β2. (3.41)

Em termos de comprimentos de onda, temos finalmente que

λ0
λ= p . (3.42)
1 − β2

b) Consideraremos que a galáxia tem uma velocidade de afastamento


v = βc ao longo da direção Terra-Galáxia. A relação entre λ e λ0
é dada pela expressão
s
1+β
λ = λ0 . (3.43)
1−β

Isolando o parâmetro β da Eq. 3.43, temos que


s
(λ/λ0 )2 − 1
β= . (3.44)
(λ/λ0 )2 + 1

Substituindo λ=1458 nm e λ0 =656 nm na Eq. 3.44, segue que


β = 0, 81. A distância entre a Terra e a galáxia considerada pode
ser estimada a partir da lei de Hubble

v βc
r= = = 3300M pc, (3.45)
H0 H0

ou, em unidades mais usuais, 11 bilhões de anos-luz.

281
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.11 Grandezas invariantes


a) Sejam S e S 0 dois referenciais inerciais arbitrários tais que S 0
se desloca com uma velocidade v, na direção x, com respeito ao
referencial S. As coordenadas dos dois referenciais relacionam-se
segundo as transformações de Lorentz



 x = γ(x0 + vt0 )


y = y 0

1
, em que γ = r .
 z = z0 v2
1− 2




t = γ t0 + v x0 
 c
c2

Escrevendo o intervalo invariante ∆s2 = ∆x2 + ∆y 2 + ∆z 2 −


(c∆t)2 , medido segundo o referencial S, em termos das quantidades
x0 , y 0 , z 0 e t0 , tem-se que
 v 2
∆s2 = γ 2 (∆x0 + v∆t0 )2 + ∆y 02 + ∆z 02 − γ 2 c2 ∆t0 + 2 ∆x0 = 0
c

v2 v2
   
2 2 02 02 02 2 02 2
∆s = γ ∆x 1 − 2 + ∆y + ∆z − c ∆t γ 1 − 2
c c
∆s2 = ∆x02 + ∆y 02 + ∆z 02 − (c∆t0 )2 = ∆s02 . (3.46)

Portanto, a quantidade ∆s2 não sofre modificações quando passa-


mos de um referencial inercial para outro.
b) Sabemos que E = γm0 c2 e p = γm0 v, em que m0 representa a
massa de repouso da partı́cula, o que resulta em

v2
 
2 2 2
E − (pc) = γ m20 c4 1− 2 = (m0 c2 )2 . (3.47)
c

Como a massa de repouso da partı́cula m0 independe do referencial


considerado, temos o resultado desejado.7

7 Para sistemas mais gerais, como um conjunto de partı́culas, a quantidade

282
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.12 Movimento sujeito à força constante


a) Na relatividade restrita, a força ainda é definida como sendo a
derivada temporal da quantidade de movimento. Dessa maneira,
temos que
dP
F0 = → P (t) = F0 t. (3.48)
dt
Segue, portanto, que
m0 v
2 = F0 t
1 − vc2

Isolando a velocidade v, chegamos ao seguinte resultado


 
F0 t
m0
v(t) = r  2 (3.49)
F0 t
1+ m0 c

A função horária x(t) é obtida por integração de v(t) no tempo:


s 2
m0 c2

m0 c
x(t) = ct 1+ − . (3.50)
F0 t F0

b) Considerando o limite v  c, que pode ser traduzido em t → 0,


temos que
s 
2 2
m0 c2  m0 c2 1 F0 t
 
F0 t
x(t) = 1+ − 1 ≈
F0 m0 c F0 2 mo c

F0 t2
x(t) = , (3.51)
2m0
o que corresponde à equação horária do movimento retilı́neo
uniformemente variado.

E 2 − (pc)2 = (minv c2 )2 permanece invariante, sendo chamada de ‘massa invariante’


do sistema. Cabe destacar que essa massa é sempre maior ou igual à soma das
massas de repouso das partı́culas individuais.

283
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

3.13 Acelerador cı́clotron

a) Considere uma carga em movimento circular em uma trajetória


de raio R com a aplicação de um campo magnético B constante e
perpendicular à trajetória da partı́cula. Do movimento circular
realizado, podemos escrever

dθ vdt
v = ωR = R → dθ = (3.52)
dt R

Considerando que em um intervalo de tempo infinitesimal dt, a


quantidade de movimento da partı́cula P~ sofre uma rotação de
dθ, sofrendo uma variação vetorial da quantidade de movimento
dP~ . Segue, da definição de força como a variação temporal da
quantidade de movimento, que

|dP~ | = F dt = P dθ. (3.53)

A força resultante é magnética, portanto F = qvB. Combinando


as equações 3.52 com a 3.53 e substituindo a expressão da força
magnética, temos que
P = qBR. (3.54)

Desconsiderando efeitos relativı́sticos, pode-se escrever P = mv, o


que leva a
qBR
vN = , (3.55)
m
o que corresponde a seguinte energia cinética
2
mvN q 2 B 2 R2
EN = = = 9, 9.10−3 J = 6, 2.1016 eV. (3.56)
2 2m

b) Verifique que até a equação 3.54, não houve qualquer hipótese


que não pudesse ser aplicada tanto a mecânica clássica quanto
a relativı́stica. Substituindo os respectivos valores numéricos

284
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

fornecidos no enunciado, obtém-se

P = 5, 7.10−15 kg.m/s = 10, 8.1012 TeV/c. (3.57)

Como P  mc2 , estamos tratando de partı́culas ultra-relativı́sticas.


Portanto, a energia máxima atingida pelos prótons no interior do
LHC é dada por
p
E= (P c)2 + (m0 c2 )2 ≈ P c = 10, 8.1012 eV. (3.58)

3.14 Foguete relativı́stico


a) Seja dm uma massa infinitesimal de combustı́vel expelida, dv
uma variação infinitesimal de velocidade e γu o fator de Lorentz
assocido à velocidade u. Segundo um referencial St solidário ao
foguete em um instante arbitrário t, a conservação da quantidade
de movimento nos garante que

M dv = γu dmu. (3.59)

Por sua vez, a conservação de energia total do sistema garante


que

M c2 = γu dmc2 + (M + dM )c2 → dM = −γu dm. (3.60)

Dessa forma, substituindo a Eq. 3.60 na Eq. 3.59, obtemos o


resultado desejado

M dv = −dM u. (3.61)

b) Relacionemos o incremento infinitesimal de velocidade dv, medido

285
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

no referencial inercial St instantaneamente solidário ao foguete,


com o incremento de velocidade dV , medido segundo o referencial
S do laboratório. Segue que
 
V + dv V dv
V + dV = ≈ (V + dv) 1 − 2
1 + Vcdv
2 c

V2
 
dV = 1− dv → dv = γ 2 dV. (3.62)
c2

Substituindo a Eq.3.62 na Eq.3.61, temos que


!
dM 1 1 dV dV
−u = 2 dV = V
+ . (3.63)
M V
1 − c2 2 1− c 1 + Vc

Definindo β = V /c e integrando a Eq. 3.63, segue que


   
M c 1+β
−u ln = ln
M0 2 1−β

 c
 2u
M 1−β
= . (3.64)
M0 1+β

c) Aplicando o logaritmo natural nos dois lados da Eq. 3.64, temos


que
   
M c 1−β
ln = ln . (3.65)
M0 2u 1+β

Em primeira ordem, para β  1, pode-se demonstrar que

1−β
≈ 1 − 2β,
1+β

além de que ln(1 − 2β) ≈ −2β. Aplicando ambas as aproximações


na Eq. 3.65, chegamos ao resultado desejado

286
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

 
M c V
ln = .(−2β) = −
M0 2u u
 
M V
= exp − . (3.66)
M0 u

3.15 Colisão de prótons (Portugal)


Considere esse fenômeno não a partir do referencial do laboratório,
em que um dos prótons está em repouso, mas a partir do referencial
de momento nulo. Nesse referencial, os prótons se aproximam com
velocidades iguais dadas por v = βc, de mesma direção e sentidos
opostos. Parte da energia cinética do sistema é convertida em massa e
o restante permanece como forma de energia cinética das partı́culas.
No referencial descrito, o movimento das quatro partı́culas após a
colisão deve conservar a quantidade de movimento total nula do sistema.
Da explicação fornecida, é fácil perceber que a condição de energia
mı́nima para a produção do par próton-antipróton nesse referencial é
que a energia cinética seja exatamente igual a energia necessária para
criação do par próton-antipróton, sem qualquer excesso de energia que
resulte em movimento das partı́culas após a colisão.
Seja γ o fator de Lorentz associado à velocidade v = βc. Aplicando
a conservação de energia ao sistema na condição de energia mı́nima,
temos que
2γmp c2 = 4mp c2

1 3
γ=p =2 → β= . (3.67)
1− β2 2

É necessário realizar uma mudança de referencial e descrever o


processo no referencial do laboratório, onde um dos dois prótons está
inicialmente em repouso. A velocidade de aproximação de um próton
com respeito ao outro é dada por

287
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA


2β 4 3
v0 = c = c. (3.68)
1 + β2 7
O fator de Lorentz correspondente a velocidade v 0 do próton no
referencial do laboratório é dado por

1
γ0 = s 2 = 7. (3.69)
v0

1−
c

A energia do próton em movimento é dada por8

Ep = γ 0 mp c2 = 6, 6 GeV. (3.70)

3.16 Desintegração de uma partı́cula


a) A energia cinética total T das partı́culas surge a partir da conversão
de massa em energia. Dessa forma, a energia cinética total das
partı́culas é dada por

T = T1 + T2 = ∆m c2 = (m0 − m1 − m2 )c2 . (3.71)

b) Para determinar as energias cinéticas T1 e T2 , utilizaremos o


princı́pio da conservação do momento linear. Como o momento
linear inicial do sistema é nulo, concluı́mos que os vetores que
descrevem o momento linear de cada partı́cula após o decaimento
devem ter intensidades iguais, p, mesma direção e sentidos opostos.
Aplicando a relação momento-energia, E 2 = (pc)2 + (mc2 )2 , para
cada uma das partı́culas 1 e 2, temos que

(pc)2 = E12 − (m1 c2 )2 = E22 − (m2 c2 )2 . (3.72)


8 Uma segunda solução pode ser obtida impondo uma massa invariante do sistema

dada por minv = 4mp .

288
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Utilizando as expressões E1 = T1 + m1 c2 e E2 = T2 + m2 c2 para


reescrever a Eq. 3.72 em termos das energias cinéticas T1 e T2 ,
segue que

T12 + 2m1 T1 c2 = T22 + 2m2 T2 c2 . (3.73)

Fazendo T2 = T − T1 , deduz-se que

T 2 + 2m2 T c2
T1 = ,
2(T + (m1 + m2 )c2 )
que pode ser reescrita, utilizando a Eq. 3.71, levando-nos ao
resultado desejado

(m0 − m1 )2 − m22 2
T1 = c . (3.74)
2m0
Analogamente, podemos deduzir que

(m0 − m2 )2 − m21 2
T2 = c . (3.75)
2m0

3.17 Decaimento de um nêutron


Com o objetivo de facilitar os cálculos do problema faça c = 1. Os
resultados posteriormente encontrados podem ser corrigidos pelo uso de
análise dimensional simples. Considere ainda o subsistema formado pelo
próton e pelo neutrino de forma unificada, com energia Es , momento
Ps e massa invariante ms . Temos, portanto, que

Es2 − Ps2 = m2s e Ee2 − Pe2 = m2e . (3.76)

A conservação da quantidade de movimento do sistema, por sua vez,


garante que
P~e + P~s = 0 → Pe2 = Ps2 ,

289
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

utilizando as equações 3.76, temos

Es2 − m2s = Ee2 − m2e

(Es − Ee )(Es + Ee ) = m2s − m2e ,

a conservação da energia do sistema nos garante que

Es + Ee = mn , (3.77)

daı́
1
Es − Ee = (m2 − m2e ). (3.78)
mn s
Isolando a energia do elétron das equações 3.77 e 3.78, deduz-se que

1
Ee = (m2 + m2e − m2s ). (3.79)
2mn n

É fácil ver que para maximizar a energia do elétron Ee é necessário


minimizar a massa de repouso ms do subsistema S, isso acontece quando
o próton e o neutrino viajam juntos, uma vez que a massa de repouso
de um sistema é igual à energia calculada pelo CM do subsistema, que é
maior ou igual à soma das energias de repouso do próton e do neutrino.
Assim
ms,min = mp + mν , (3.80)

o que nos leva a energia máxima do elétron9

1  2
mn + m2e − (mp + mν )2 c2

Emax = (3.81)
2mn

Considerando o sistema S, temos que

1  2 (mp + mν )c2
mn − m2e + (mp + mν )2 c2 = q

Es = 2 ,
2mn
1 − vcν

9O fator c2 na resposta final é recuperado a partir de análise dimensional.

290
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

de onde deduz-se que


s  2
vν 2mn (mp + mν )
= 1− . (3.82)
c mn − m2e + (mp + mν )2
2

3.18 Transformação de Forças


a) Aplicando resultados relativı́sticos de quantidade de movimento e
energia, temos que

mv
P = γv mv = q (3.83)
2
1 − vc2

mc2
E = γv mc2 = q . (3.84)
v2
1− c2

b) É possı́vel demonstrar esse resultado de maneira explı́cita, utili-


zando resultados de composição de velocidades entre os referenciais
S e S 0 , ou aplicando uma transformação de Lorentz no quadrivetor
momento-energia da partı́cula10 . Apresentaremos a seguir as duas
soluções separadamente.

1a Solução: Composição de velocidades


A velocidade v 0 da partı́cula segundo o referencial S 0 está orientada
na direção x̂ e é dada pela expressão

v−u
v0 = . (3.85)
1 − vu
c2

Da orientação da velocidade da partı́cula, tem-se que Py0 = Pz0 = 0.


Por sua vez, a quantidade de movimento ao longo da direção x̂,
10 Uma boa discussão sobre quadrivetores pode ser encontrada no capı́tulo 12 do

livro Introduction to Classical Mechanics do prof. David Morin.

291
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

com respeito a S 0 , é dado por

mv 0
Px0 = q . (3.86)
v 02
1− c2

Substituindo a Eq. 3.85 na Eq. 3.86, pode-se demonstrar que

m(v − u)
Px0 = q  = γu γv m(v − u)
2 u2
1 − vc2 1 − c2

 u 
Px0 = γu Px − 2 E . (3.87)
c
A determinação de E 0 segue um procedimento análogo. Substitui-
se o resultado expresso pela Eq. 3.85 na expressão

mc2
E0 = q (3.88)
02
1 − vc2

e, após um pouco de trabalho algébrico, demonstra-se que



0 m c2 − uv 2
E =q
v2
 u2
 = γu γv m(c − uv)
1 − c2 1 − c2

E 0 = γu (E − uPx ) . (3.89)

2a Solução: Transformação do quadrivetor


O quadrivetor momento-energia da partı́cula pode ser escrito como
 
E
P= , Px , Py , Pz . (3.90)
c

A resposta desse problema pode ser obtida realizando-se uma


transformação de Lorentz em P de maneira análoga a como nor-

292
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

malmente se faz com o quadrivetor X = (ct, x, y, z). Isto é,


 
E
Px0 = γ u P x − βu (3.91)
c

Py0 = Py = 0 (3.92)

Pz0 = Pz = 0 (3.93)
E0
 
E
= γu − β u Px . (3.94)
c c

Verifique que as Eqs. 3.91 e 3.94 são equivalentes aos resultados


encontrados das Eqs. 3.87 e 3.89, respectivamente. Como se pode
verificar, o uso de quadrivetores é extremamente eficiente para
relacionar quantidades de movimento P e energia E de sistemas
fı́sicos em diferentes referenciais, sendo válido não apenas para
uma partı́cula, mas também para um conjunto de partı́culas.
c) Da transformação de Lorentz, temos que um elemento de tempo
dt0 no referencial S 0 pode ser escrito como
 
0 βu
dt = γu dt − dx . (3.95)
c

~
Como a expressão F~ = dP
dt continua sendo válida dentro da
relatividade restrita, podemos escrever as componentes Fy0 da
força sobre a partı́cula no referencial S 0 como

dPy0 dPy F
Fy0 = = =  y . (3.96)
dt0

βu
γu dt − c dx γu 1 − βcu v

A componente Fz é obtida de maneira análoga a Fy .

Por sua vez, a componente Fx0 da força segundo o referencial S 0 é

293
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

escrita como

dPx − βcu dE Fx − βcu dE



dPx0
Fx0 = = v = dt
(3.97)
dt0 dt − c2 dx 1 − βuc v

como querı́amos demonstrar.


d) Fazendo u = v, segue da Eq. 3.96 que

Fy
Fy0 = = γu Fy (3.98)
γu (1 − βu2 )

e, analogamente, Fz0 = γu Fz . No caso da direção longitudinal, é


menos penoso considerarmos não a relação descrita pela Eq. 3.99,
mas a sua transformação inversa, obtida por uma transformação
βu → −βu ,  
βu dE 0
Fx0 + c dt0
Fx = . (3.99)
1 − βu2
dE 0
Uma vez que S 0 é solidário a partı́cula, tem-se que dt0 = 0.
Desenvolvendo a expressão encontrada, chegamos ao resultado
desejado
Fx
Fx = γu2 Fx0 → Fx0 = . (3.100)
γu2

3.19 ~ eB
Transformação de campos E ~

a) Os efeitos de contração do espaço acontecem apenas na coordenada


longitudinal x, enquanto o espaço nas direções y e z permanecem
inalterados. Segue, portanto, que

d
d0 = , (3.101)
γ

em que γ = √ 1
, e A0 = A = L2 .
1−β 2

b) Como demonstrado anteriormente, uma mudança de referencial

294
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

S → S 0 não tem qualquer efeito sobre a área das armaduras do


capacitor, apenas sobre a distância d0 entre as placas. Por sua
vez, a carga total armazenada em cada armadura do capacitor é
invariante por mudanças de referencial. Dessa maneira, temos que

Q σ
Ex0 = = = Ex . (3.102)
ε0 A0 ε0

c) Realizando um raciocı́nio análogo ao item a), segue que uma das


dimensões da armadura do capacitor sofre uma contração de um
fator γ. As duas direções transversais ao movimento do capacitor,
y e z, não sofrem efeito da mudança de referencial S → S 0 . Segue,
portanto, que
d = d0 e A0 = A/γ. (3.103)

d) A intensidade do campo elétrico Ey0 medida por um observador


no referencial S 0 é dada pela expressão

Q
Ey0 = = γEy . (3.104)
ε0 A0

e) As cargas elétricas da armadura positivamente carregada geram


uma densidade de corrente elétrica

~ =  Q  1 = γQv x̂ = γσvx̂,
K (3.105)
L/γ L L2
v

em que σ representa a densidade de carga elétrica própria, medida


por um observador no referencial S.
A placa negativamente carregada, por sua vez, está associada
~ Essa distribuição de
a uma densidade de corrente elétrica −K.
correntes elétricas é capaz de gerar campo magnético que, pela
simetria do problema, deve estar direcionado na direção ẑ. Vamos
assumir uma distribuição uniforme de cargas elétricas ao longo
das armaduras do capacitor.

295
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Considere uma linha amperiana retangular que atravessa a arma-


dura positivamente carregada perpendicularmente, sendo paralela
ao plano yz, com aresta paralela ao eixo z de comprimento t e
outra de comprimento infinito. Supomos que o campo magnético
deve ser nulo nas regiões muito distantes do capacitor. Utilizando
a lei de Ampère, segue que
˛
µ0 Ienc = µ0 Kt = ~ · d~s = Bz0 t
B

Bz0 = µ0 K = µ0 γσv
γ
Bz0 = µ0 ε0 γEy v = βEy . (3.106)
c

-Q - - - - - - - - - - - -
Amperiana v

+Q
+ + + + + + + + + + + +
...

...

f) Do efeito de contração do comprimento, temos que o referencial


S 0 mede um comprimento L = L0 /γ para o solenoide, em que L0
é o comprimento próprio do mesmo. Portanto, conclui-se que a
densidade de voltas deve crescer por um fator γ, isto é,

n0 = γn. (3.107)

Por sua vez, a corrente elétrica I 0 medida pelo referencial S 0 pode


ser determinada considerando a dilatação do tempo por um fator γ

dq dq I
I0 = = = . (3.108)
dt0 γdt γ

g) A componente longitudinal do campo magnético Bx0 , medida por


um observador no referencial S 0 , pode ser obtida por um cálculo

296
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

usual do campo magnético de um solenoide11

Bx0 = µ0 n0 I 0 = µ0 nI = Bx . (3.109)

3.20 Espira quadrada (IPhO)


a) Efeitos da contração do espaço são observados apenas nas arestas
paralelas à velocidade v da espira. As distâncias perpendiculares
à velocidade v permanecem inalteradas. Segue, portanto, que

aAD = aBC = a. (3.110)

Para determinar aAB e aCD , é necessário considerar os efeitos de


contração do espaço ao longo da direção paralela à velocidade v da
espira. Antes de mais nada, é necessário perceber que a distância a
não é a distância própria a0 entre as esferas, mas uma distância
já contraı́da por um fator de Lorentz γu associado à velocidade u,
isto é, r
a0 u2
a= = 1− a0 . (3.111)
γu c2
Nos concentraremos agora na descrição do movimento das esferas
no lado AB, descrito a partir do referencial S 0 . A velocidade v+
das esferas pode ser obtida a partir de uma composição relativı́stica
de velocidades
u+v
v+ = uv , (3.112)
1− 2
c
que, por sua vez, está associada ao fator de Lorentz

1 uv
γ+ = q = γu γv (1 + ). (3.113)
v+  2 c2
1− c
11 Osresultados deduzidos nesse problemas são casos particulares da transformação
de Lorentz aplicada a campos E ~ e B.
~

297
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Segue, portanto, que a distância entre as esferas no lado AB é


dado por
q
v2
a0 a 1− c2
aAB = = uv
 → aAB = uv a. (3.114)
γ+ γv 1 + c2
1+ c2

O movimento das esferas no lado CD é análogo ao movimento


das esferas no lado AB, sendo necessária apenas uma mudança
u → −u. Segue, portanto, que
q
v2
1− c2
aCD = uv a. (3.115)
1− c2

b) Considerando o referencial S, podemos afirmar que a carga elétrica


Qlado de cada lado do quadrado é exatamente a necessária para
anular o conjunto de N0 = L/a esferas em cada um dos lados do
quadrado. Segue, portanto, que

L
Qlado = − q. (3.116)
a

A partir de agora, consideraremos a descrição do sistema a partir


do referencial S 0 . Observamos primeiramente que, uma vez que
a distância entre as esferas permanece inalterada, os lados AD e
BC permanecem com L/a esferas e, portanto

QAD = QBC = 0. (3.117)

Os lados AB e CD são paralelos à velocidade v e, dessa forma,


sofrem contração de comprimentos. Assim, o novo comprimento
desses lados é r
0 L v2
L = = 1 L. (3.118)
γv c2

298
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

O número de esferas no lado AB é dado por

L0 L uv 
NAB = = 1+ 2 . (3.119)
aAB a c

A carga total no lado AB, por sua vez, pode ser escrita como

L uv L
QAB = NAB q − q = 2 q. (3.120)
a c a

Analogamente, pode-se demonstrar que

L uv L
QCD = NCD q − q = − 2 q. (3.121)
a c a

Observamos que dois lados da espira adquirem cargas de mesma


intensidade e sinais opostos, de tal maneira que a carga elétrica
total do sistema permanece nula.
c) Para calcular o torque da força elétrica que atua sobre a espira, uti-
lizaremos resultados previamente deduzidos no problema ‘Dipolos
Elétricos’.
O momento de dipolo elétrico da espira é dado por

uv L2
P = QAB L = q, (3.122)
c2 a
−−→
com direção paralela a DA.
O ângulo formado entre o momento de dipolo P~ e o campo elétrico
~ é (180o − θ). Assim, a intensidade do torque que M atua sobre
E
a espira é dada por

uv L2
M = P E sen(180 − θ) = E q senθ. (3.123)
c2 a

d) Finalmente, calculamos a energia W considerando um dipolo

299
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

elétrico de momento P~ imerso em um campo elétrico uniforme E


~

uv L2
W = −P E cos(180 − θ) = E q cosθ. (3.124)
c2 a

3.21 Magnetismo e relatividade

a) A corrente elétrica I associada ao movimento de cargas elétricas


positivas e negativas descrito é dado por

I = 2λv. (3.125)

A intensidade do campo magnético B gerado pela corrente I na


posição da carga q é dado por

µ0 I µ0 λv
B= = . (3.126)
2πs πs

Finalmente, podemos calcular a força magnética sobre a carga q


em movimento
−µ0 qλvu
Fm = −qvB = , (3.127)
πs
na qual o sinal negativo é utilizado para expressar o sentido
atrativo da força.
b) Como cargas móveis do fio estão em movimento, a distância média
entre elas sofre efeitos de contração do espaço. Uma contração do
1
espaço por um fator de Lorentz γv = p resulta em um
1 − v 2 /c2
aumento da densidade de carga de um mesmo fator γv . Conclui-se,
portanto, que a densidade elétrica própria λ0 de cargas elétricas
positivas e negativas é definida pela equação

λ = γv λ 0 . (3.128)

300
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

Um observador no referencial S 0 mede uma velocidade v+ para


as cargas positivas e v− para as negativas, cujas intensidades são
expressas pelas equações

v−u −v − u
v+ = e v− = , (3.129)
1 − vu
c2 1 + vu
c2

que podem ser associadas aos fatores de Lorentz γ+ e γ− , respec-


tivamente. O fator γ+ , pode ser obtido escrevendo

1 1 − βv βu
γ+ = s  2 = p(1 − β 2 )(1 − β 2 )
βv − βu v u
1−
1 − βv βu

γ+ = γu γv (1 − βu βv ). (3.130)

Analogamente, fazendo uma alteração v → −v, obtemos o segundo


fator de Lorentz
γ− = γu γv (1 + βu βv ). (3.131)

Por fim, as densidades λ0+ e λ0− são dadas, respectivamente, por

λ0+ = γ+ λ0 = γu (1 − βu βv )λ (3.132)

λ0− = −γ− λ0 = −γu (1 + βu βv )λ. (3.133)

c) A carga elétrica total do fio, resultante da superposição das cargas


elétricas positivas e negativas, é dada por

λ0 = λ0+ + λ0− = −2γu λβu βv . (3.134)

d) Como a carga q encontra-se imóvel com respeito ao referencial S 0 ,


a força magnética sobre ela deve ser nula. A força de Lorentz que
atua sobre q tem, portanto, um caráter puramente elétrico.
A intensidade do campo elétrico que atua sobre a carga q, no

301
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CAPÍTULO 3. RELATIVIDADE RESTRITA

referencial S 0 , é dada por

λ0
E0 = . (3.135)
2πε0 s

Por sua vez, a intensidade da força elétrica pode ser escrita como

λ0 q
Fe0 = qE 0 = , (3.136)
2πε0 s

que, substituindo o resultado expresso pela Eq. 3.134, resulta, em


módulo, na expressão

qγu λβu βv
Fe0 = qE 0 = . (3.137)
πε0 s

e) Calculando a razão entre as forças Fm e Fe0 , obtemos a razão

Fe0 γu
= 2 = γu . (3.138)
Fm c µ0 ε0

Perceba agora que a relação Fe0 = γu Fm consiste na simples


transformação da intensidade da força de Lorentz decorrente da
mudança de referencial S → S 0 .12

12 Para mais detalhes, consulte o problema ‘Transformação de Forças’. Neste

problema, deve-se considerar o caso particular do referencial S 0 solidário à partı́cula


em movimento, que resulta na relação simplificada Fz0 = γFz .

302
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Fı́sica quântica
4
4.1 Átomo de Bohr

a) Da quantização do momento angular orbital do elétron, temos

Ln = mvn rn = n~. (4.1)

Igualando a força elétrica entre o núcleo e o elétron à resultante


do movimento circular, segue que

Ze2 mvn2
Fe = = , (4.2)
4πε0 rn2 rn

em que Z = 1 é o número atômico do hidrogênio.1 Isolando o


valor de vn da equação 4.1 e substituindo-o na equação 4.2,
2
Ze2

n~
=m ,
4πε0 rn mrn

1A inclusão explı́cita do número atômico Z nos poupará trabalho mais adiante.

303
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

que conduz ao seguintes valores para os raios rn do átomo de


hidrogênio2

4πε0 ~2
rn = n2 . . (4.3)
mZe2
Por sua vez, da equação 4.1, a velocidade do elétron em sua
n-ésima órbita é dada por

n~ Ze2
vn = = . (4.4)
mrn 4πε0 n~

b) A energia total do n-ésimo nı́vel de energia do átomo de hidrogênio


pode ser calculado como a soma da energia cinética do elétron e
da sua energia potencial elétrica

mvn2 Ze2
En = − . (4.5)
2 4πε0 rn

Substituindo 4.3 e 4.4 em 4.5,

mZ 2 e4
En = − . (4.6)
32π 2 ε2 n2 ~2

A energia de ionização I pode ser calculada considerando a


transição do estado fundamental do hidrogênio, Z = 1 e n = 1,
até o limite n → ∞, que corresponde ao elétron muito distante
do átomo e energia E → 0 eV. Dessa forma, segue que

me4
I = −E1 = . (4.7)
32π 2 ε2 ~2

c) O modelo de Bohr não inclui interações elétron-elétron, devido


a esse fato, a generalização desse modelo para sistemas poli-
eletrônicos não pode ser feita de forma direta. Para o nosso

2 É comum expressar esse resultado como r = n2 a , em que a é conhecido como


n 0 0
o raio de Bohr.

304
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

interesse, faremos uso de aproximações para obtenção de resulta-


dos qualitativamente significativos.
Nesse sentido, suponha que os elétrons mais próximos dos elemen-
tos quı́micos com Z > 1 ainda podem ser descritos de maneira
razoável pelo modelo de Bohr.3 Os elétrons mais internos são
também os que apresentam maior velocidade, sendo, portanto, os
que necessitarão de correções relativı́sticas mais cedo à medida
que o número atômico Z cresce.
Conforme o enunciado, quando a velocidade do elétron supera
v ∗ = 0, 15c, os efeitos relativı́sticos começam a ser relevantes.
Comparando v ∗ com o valor de velocidade determinado na equação
4.4, fazendo n = 1, temos

Ze2 0, 6cπε0 ~
0, 15c < → < Z. (4.8)
4πε0 ~ e2

Substituindo os valores numéricos das constantes fı́sicas envolvidas,


segue que 20, 5 < Z. Segundo a nossa estimativa, portanto, as
correções relativı́sticas se fazem necessárias a partir do escândio
(Z = 21), concordando com resultados de quı́mica quântica rela-
tivı́stica.4

4.2 Recuo por emissão de fóton


a) O fóton emitido carrega uma quantidade de movimento p = E/c,
onde E = hf é a energia do fóton e c é a velocidade da luz. Pela
conservação da quantidade de movimento do sistema, pode-se
concluir que a caixa deve adquirir uma velocidade de recuo v a
fim de compensar o momento carregado pelo fóton. Igualando o
3 Essa é uma hipótese consistente com a ausência de efeitos de blindagem sobre o

elétron interno do núcleo.


4 Efeitos relativı́sticos começam a ganhar relevância em cálculos atomı́sticos a

partir do quarto perı́odo da tabela periódica.

305
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

módulo do momento do fóton e o da caixa, temos que

hf hf
= mv → v= . (4.9)
c mc

O movimento descrito dura até a incidência do fóton emitido


sobre a outra extremidade da caixa seguida de sua absorção. Após
a emissão e absorção do fóton, a caixa volta ao repouso e um
deslocamento de
∆x = v∆t, (4.10)

em que ∆t é o tempo de propagação do fóton, é observado. Uma


vez que o fóton sai de uma extremidade da caixa para a outra,
pode-se escrever c∆t + v∆t = L, que implica

L
∆t = . (4.11)
c+v

Das equações 4.9, 4.10 e 4.11, verificamos que o deslocamento ∆x


da caixa é dado por

L hf
∆x = mc2
≈ L. (4.12)
1 + hf mc2

b) A emissão do fóton pode ser comparada a uma pequena perda


de massa ∆m de uma extremidade, enquanto a sua absorção na
outra extremidade pode ser associada a um aumento de massa
∆m. Portanto, a distribuição de massa da caixa deixa de ser
simétrica, com uma massa de m/2 em cada extremidade, e passa
a ter uma massa de m− = m/2 − ∆m na extremidade que emitiu
o fóton e uma massa de m+ = m/2 + ∆m na extremidade que o
absorveu. O valor dessa variações de massa pode ser calculado
por meio da equação de Einstein E = hf = ∆mc2 . Daı́,

∆m = hf /c2 . (4.13)

306
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Considerando a posição inicial do centro de massa da caixa como


origem do sistema de referência das posições, sejam

x− = −L/2 − ∆x e x+ = L/2 − ∆x (4.14)

as posições das massas m− e m+ , respectivamente. A posição do


centro de massa do sistema ao final no processo de emissão/absorção
do fóton deve permanecer inalterada, portanto5

xCM = 0 → m− x− + m+ x+ = 0
     
m hf L m hf L
− 2 − − ∆x + + 2 − ∆x = 0
2 c 2 2 c 2
hf hf
m∆x = L → ∆x = L. (4.15)
c2 mc2

4.3 Linha espectral do átomo de hidrogênio


(OIbF adp.)
Normalmente, diz-se que a energia do fóton emitido por uma transição
do estado 2 para o estado 1 no átomo de Bohr é dada pela diferença das
energias de cada um dos estados, isto é, hf = E2 − E1 . Observe que, na
dedução dessa expressão, não se considera a conservação do momento,
apenas da energia. Isso decorre do fato do momento carregado pelo
fóton ser muito pequeno.
Considerando simultaneamente a conservação da energia e do mo-
mento, deduziremos uma expressão que refine o resultado acima exposto.
Para isso, considere que o fóton emitido carrega uma energia E = hf
e um momento p. Por conservação do momento linear, o átomo de hi-
5 Observe que as aproximações feitas no item (a) levaram ao mesmo resultado

encontrado no item (b). Uma concordância exata entre as duas soluções pode ser
obtida considerando a variação da massa total da caixa de m para m − ∆m no
movimento de recuo devido a emissão do fóton. A demonstração desse fato é deixada
como exercı́cio ao leitor.

307
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

drogênio deve sofrer um recuo de mesmo momento p, conforme ilustrado


na figura a seguir.

m hf
M

P P

Da conservação de energia, incluindo a energia cinética de translação


de recuo do núcleo, temos que

p2
E2 = E1 + + hf. (4.16)
2M

O momento p do fóton pode ser relacionado com a sua energia


E = hf através da equação p = hf /c. Substituindo esse resultado na
equação 4.16, segue que6

1
(hf )2 + (hf ) − (E2 − E1 ) = 0. (4.17)
2M c2

Resolvendo a equação quadrática em hf , temos


"r #
2 2(E2 − E1 )
hf = M c 1+ −1 . (4.18)
M c2

4.4 Efeito fotoelétrico


A solução do problema proposto é constituı́do de uma aplicação
tı́pica das equações fı́sicas que descrevem o efeito fotoelétrico. Sabemos
6 A solução aproximada hf = E − E corresponde a desprezar o primeiro termo
2 1 √
da equação 4.17, ou em aplicar uma aproximação do tipo 1 + 2x ≈ 1 + x, para
|x|  1, na equação 4.18.

308
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

que a energia Ef = hf do fóton incidente é equivalente a soma da


função trabalho do material com a energia cinética máxima observada
nos elétrons ejetados. Algebricamente,

Ec,max + W = hf. (4.19)

Utilizando a relação c = λ0 f para a luz, podemos reescreve a equação


4.19 em termos de comprimento de onda. Além disso, a energia cinética
máxima pode ser igualada ao módulo do trabalho da força elétrica sobre
o elétron que mais se afasta da placa ao longo da direção do campo
elétrico aplicado, τ = eEd. Dessa forma, a função trabalho do metal
que constitui a placa é dada por

hc
W = − eEd. (4.20)
λ0

Considerando a incidência de uma radiação de comprimento de onda


λ sobre a placa metálica, a condição de ocorrência do efeito fotoelétrico
é que a energia do fóton incidente seja superior à função trabalho do
metal, i.e.
hc
W < . (4.21)
λ
Substituindo 4.20 em 4.21, segue que

hc hc λ0
− eEd < → λ< eEdλ0
. (4.22)
λ0 λ 1− hc

4.5 Efeito Compton


a) Da mesma forma do que qualquer colisão clássica, o espalhamento
Compton deve satisfazer condições de conservação de momento e
energia. Considere que a energia inicial do elétron corresponde
a sua energia repouso m0 c2 e que a sua energia após a colisão é
dada por Ee (Ee > m0 c2 ). Do princı́pio da conservação de energia,

309
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

temos que
hc hc
m0 c2 + = Ee +
λ1 λ2
 
1 1
Ee = m0 c2 + hc − . (4.23)
λ1 λ2

A conservação do momento pode ser desenvolvida escrevendo as


direções paralela e perpendicular à direção do fóton incidente
de forma independente. No entanto, podemos usar um método
geométrico menos trabalhoso. Observe o triângulo mostrado na
figura a seguir, associado à soma vetorial das quantidades de
movimento finais do fóton (~
p2 ) e do elétron (~
pe ), que devem
resultar na quantidade de movimento do fóton incidente (~
p1 ).

P2 Pe
θ φ
P1

Da lei dos cossenos, aplicada ao triângulo da figura, temos que

p2e = p21 + p22 − 2p1 p2 cos θ

h2 h2 h2
p2e = 2 + 2− cos θ. (4.24)
λ1 λ2 λ1 λ2

A relação entre a energia e a quantidade de movimento do elétron


é dada por Ee2 = (m0 c2 )2 + (pe c)2 . Substituindo os resultados das
equações 4.23 e 4.24 nessa relação, podemos chegar ao resultado
desejado
2
h2 c2 h2 c2 h2 c2
   
1 1 1 1
2m0 c3 h − + hc − = 2 + 2 − cos θ
λ1 λ2 λ1 λ2 λ1 λ2 λ1 λ2

310
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

 
1 1 h
m0 c − = (1 − cos θ)
λ1 λ2 λ1 λ2
h
∆λ = λ2 − λ1 = (1 − cos θ). (4.25)
m0 c
b) Da equação 4.25, podemos verificar que a quantidade que deter-
mina a ordem de grandeza do deslocamento Compton é

h
λc = , (4.26)
m0 c

conhecido como o comprimento de onda Compton do elétron.


Realizando a substituição dos valores numéricos das constantes
fı́sicas do problema, temos que λc = 2, 4.10−12 m. O deslocamento
Compton é, portanto, da ordem de unidades de picômetros.
c) O deslocamento Compton ∆λ está ligado com a perda de energia
do fóton, que, por sua vez, é transmitida ao elétron. Dessa
maneira, conclui-se que a maximização da energia cinética T do
elétron implica na maximização do deslocamento Compton ∆λ.
A condição desejada é atingida quando θ = π, ou seja, o fóton é
retro-espalhado na mesma direção e sentido oposto ao movimento
de incidência.
2h
Da condição desejada, temos que ∆λ = m0 c . A energia cinética
do elétron é obtida a partir da diferença de energia dos fótons
incidente e espalhado

λ2 − λ1 hc∆λ
T = E1 − E2 = hc =
λ1 λ2 λ1 (λ1 + ∆λ)

hc/λ1 Ef
T = m0 cλ1
= m0 c2
1 + 2h 1 + 2hc/λ 1

Ef
T = E0
. (4.27)
1 + 2E f

d) Como vimos no segundo item desse problema, a ordem de grandeza

311
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

do deslocamento Compton ∆λ é determinada pelo comprimento


h
Compton do centro espalhador λc = Mc , seja ele um elétron ou um
núcleo. Como as massas dos núcleos são pelo menos três ordens
de grandeza maiores que a massa dos elétrons, o deslocamento
Compton associado à interação fóton-núcleo é extremamente pe-
queno, menor que 10−15 m, sendo, portanto, muito mais difı́cil
de se detectar do que o pico secundário associado à interação
fóton-elétron.

4.6 Aniquilação elétron-pósitron


a) Para uma partı́cula de massa de repouso m, vale a relação E 2 =
(P c)2 +(mc2 )2 entre energia E e momento linear P . Para sistemas
de muitas partı́culas, é possı́vel definir uma massa invariante
minv através da expressão (minv c2 )2 = E 2 − (P c)2 . Das leis de
conservação de energia e momento, segue que a massa invariante
do sistema não pode ser alterada pelo processo de aniquilação.7
Antes da aniquilação elétron-pósitron, a massa invariante do sis-
tema é dada por

(minv c2 )2 = (Ee + Ep )2 − (P c)2 , (4.28)

em que Ee = γmc2 representa a energia do elétron em movimento


e Ep = mc2 , a energia de repouso do pósitron.
Desenvolvendo a equação 4.28, temos que
p
minv = m 2(1 + γ). (4.29)

Segue, portanto, que a massa invariante do sistema elétron-pósitron


é, necessariamente, superior a 2m. Uma vez que a massa invari-
7 Outra propriedade interessante de m
inv é a sua invariância sob transformações
de Lorentz.

312
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

ante de um único fóton é nula, é preciso que sejam emitidos do


processo de aniquilação pelo menos dois fótons.8
b) Sejam P~A e EA o momento linear e a energia transportadas pelo
fóton A, valendo a relação EA = PA c. Analogamente, sejam P~B
e EB o momento linear e a energia transportadas pelo fóton B.
Da conservação do momento linear do sistema, vale a relação
P~ = P~A + P~B .
Dessa equação vetorial, temos o diagrama mostrado na figura a
seguir, além da consequência imediata que as trajetórias do elétron
e dos dois fótons são coplanares.

PA PB
α β
P0

Aplicando a lei dos cossenos no triângulo de momentos, segue a


equação

P02 = PA2 + PB2 − 2PA PB cos(π − α − β), (4.30)

que, multiplicada por c2 , pode ser reescrita como

(γmβc2 )2 = EA
2 2
+ EB + 2EA EB cos(α + β), (4.31)

em que γ e β são, respectivamente, o fator de Lorentz e a razão


v/c do elétron antes do processo de aniquilação.
A energia inicial do sistema corresponde a soma da energia do
elétron em movimento, γmc2 , e a energia de repouso do pósitron,
mc2 , enquanto a energia final corresponde a soma da energia dos
8 É possı́vel obter massas invariantes não nulas a partir de um par de fótons,

desde que eles não tenham a mesma direção de propagação. Verifique.

313
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

fótons A e B. Da conservação de energia do sistema, portanto,


segue que
γmc2 + mc2 = EA + EB

γmc2 = EA + EB − mc2 . (4.32)

Calculando o quadrado da Eq.4.32 subtraı́do da Eq. 4.31,9 temos


que

(mc2 )2 = [EA + EB − mc2 ]2 − [EA


2 2
+ EB + 2EA EB cos(α + β)]2 ,

que pode ser reescrita como

2EA EB [1 − cos(α + β)] = 2mc2 (EA + EB ). (4.33)

Escrevendo a energia de cada fóton em termos dos seus compri-


mentos de onda, E = hc/λ, a equação 4.33 pode ser desenvolvida
até chegar ao resultado desejado

h
λA + λB = [1 − cos(α + β)]. (4.34)
mc

c) Se considerarmos a conservação de momento linear na direção


perpendicular à trajetória original do elétron, temos que

PA senα = PB senβ, (4.35)

o que implica
senα senβ
= . (4.36)
λA λB
Isolando λB da Eq. 4.36 e substituindo em 4.34, deduz-se a
equação
h senα
λA = [1 − cos(α + β)] ,
mc senα + senβ

9 Lembre-se da identidade γ 2 − (γβ)2 = 1.

314
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

que, por sua vez, pode ser simplificada levando à expressão


 
h α+β
λA = tg senα. (4.37)
mc 2

Dessa maneira, a energia do fóton A é dada por

hc mc2
EA = =   . (4.38)
λA tg α+β senα
2

Analogamente,10
mc2
EB =   . (4.39)
α+β
tg 2 senβ

4.7 Raios cósmicos (OIbF adp.)


a) Aplicando a lei de Wien, é possı́vel calcular o comprimento de
onda tı́pico da radiação cósmica de fundo utilizando T = 2.7 K.
Assim,
2, 9.10−3
λmax = ≈ 1.1mm. (4.40)
2.7
b) A energia de um fóton pode ser calculada a partir do seu compri-
mento de onda segundo a expressão

hc
Ef = . (4.41)
λ

Para os fótons provenientes da radiação cósmica de fundo, tem-se


que
Ef = 1, 8.10−22 J = 1, 1meV. (4.42)

c) As colisões descritas são regidas pela conservação de energia e


momento linear. Uma vez que estamos lidando com partı́culas
10 Essa expressão pode ser obtida a partir da equação 4.38 mediante uma troca

α ↔ β.

315
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

ultra-energéticas, é preciso considerar efeitos relativı́sticos. Dessa


maneira, a expressão da conservação de energia pode ser expressa
por
hc
+ γp mp c2 = γf (mp + mπ0 )c2 , (4.43)
λ
em que os fatores de Lorentz do próton antes e depois da colisão
são dados por

1 1
γp = q e γf = q .
vp2 vf2
1− c2 1− c2

A conservação de momento linear, por sua vez, é expressa por

h
γp mp vp − = γf (mp + mπ0 )vf . (4.44)
λ

d) Vamos propor duas soluções para este item: uma abordagem


direta, a partir das equações obtidas no item anterior, e uma
segunda que utiliza a conservação da massa invariante do sistema.
Solução 1: Método direto
Nesta solução, ilustraremos uma técnica muito útil para problemas
de relatividade restrita: utilizar um sistema de unidades tal que
c = 1. Ao final da solução podemos recuperar a dependência de
c mediante análise dimensional. Fazendo uso desse artifı́cio ma-
temático, a velocidade vf pode ser trocada pelas razão βf = vf /c,
e a relação energia-momento de uma partı́cula pode ser escrita
como
E 2 = p2 + m20 . (4.45)

Adotando o sistema de unidades descritos e denotando a energia do


fóton por Ef = hc/λ, a energia inicial do próton por Ep = γp mp c2
e o seu momento por Pp = γp mp vp , reescrevemos as eqs. 4.43 e
4.44 como
Ep + Ef = γf (mp + mπ0 ) (4.46)

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Pp − Ef = γf (mp + mπ0 )βf . (4.47)

Inspirados na relação γf2 − γf2 βf2 = 1, tome a primeira equação ao


quadrado menos a segunda ao quadrado, o que nos leva a

(Ep + Ef )2 − (Pp − Ef )2 = (mp + mπ0 )2

m2p + 2Ef (Ep + Pp ) = (mp + mπ0 )2 . (4.48)

Como o próton antes da colisão é ultra-energético, podemos utilizar


a aproximação Ep + Pp ≈ 2Ep . Então,

m2p + 4Ef Ep = (mp + mπ0 )2


 
(mp + mπ0 )2 − m2p
Ep = . (4.49)
4Ef

Caso desejamos expressar a expressão no SI, podemos verificar


que um fator c4 é necessário para tornar a equação 4.49 dimen-
sionalmente consistente. Dessa maneira, chegamos ao resultado
desejado  
(mp + mπ0 )2 − m2p c4
Ep = . (4.50)
4Ef

O valor numérico da energia inicial do próton ultra-energético


pode ser obtido substituindo os valores numéricos na equação 4.55.
Assim, obtemos11

Ep = 9, 6J = 6, 0.1019 eV. (4.51)

Solução 2: Conservação da massa invariante do sistema


Define-se a massa invariante minv de um sistema de partı́culas a

11 Observe que tais prótons ultra-energéticos têm energia cinéticas comparáveis a

objetos macroscópicos!

317
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

partir da expressão12

(minv c2 )2 = E 2 − p2 c2 . (4.52)

Dessa definição e das leis de conservação de energia e momento,


constata-se que a colisão seguida de geração de pı́on não é capaz
de modificar a massa invariante do sistema. Segue também que
a massa invariante de um par de partı́culas que andam juntas
corresponde a soma das massas de repouso de cada uma delas13

minv = mp + mπ0 . (4.53)

Dessa maneira, para se determinar a energia inicial do próton


ultra-energético, basta calcular a massa invariante do sistema antes
da colisão e igualar à massa invariante após a colisão, fornecida
pela equação 4.53.

(minv c2 )2 = E 2 − p2 c2
 2  2
2 hc h
(mp + mπ0 )c2 = + γp mp c2 c2 .

− γ p m p vp −
λ λ
(4.54)
Expandindo os termos entre parênteses da equação e, em seguida,
aproximando vp pela velocidade da luz c, chega-se à seguinte
expressão

4h
(mp + mπ0 )2 c4 = m2p c4 + γp mp c3 ,
λ

que pode ser reescrita em termos da energia inicial do próton

12 Essa nomenclatura surge do fato de (i) para uma única partı́cula m


inv coincide
com a massa de repouso da mesma e (ii) a massa invariante de um sistema não é
alterada por mudanças de referencial, i.e. por transformações de Lorentz.
13 Esse resultado é válido somente se não houver movimento relativo entres as

partı́culas. No geral, tem-se que a massa invariante de um sistema de partı́culas é


maior que a soma das massas de repouso de cada uma delas.

318
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Ep = γp mp c2 e da energia do fóton Ef = hc/λ

(mp + mπ0 )2 − m2p c4 = 4Ef Ep


 

 
(mp + mπ0 )2 − m2p c4
Ep = . (4.55)
4Ef
Que consiste no mesmo resultado obtido pela primeira solução.
e) Substituindo T = 2, 7 K na equação ue = aT 4 fornecida, chegamos
ao resultado desejado

ue = 4, 0.10−14 J/m3 . (4.56)

f) A densidade volumétrica de fótons uf pode ser obtida calculando


a razão entre a densidade volumétrica de energia e a energia
individual de cada fóton

ue
uf = = 2, 2.108 m−3 . (4.57)
Ef

g) O caminho livre médio é definido como a distância média percor-


rida por uma partı́cula entre uma colisão e a seguinte. Ele pode
ser estimado como a altura de um cilindro que tem como área da
base a secção de choque σ e contém um fóton no seu volume.14
Segue, portanto, que
lσ = vf , (4.58)

em que vf = 1/uf é o volume ocupado por um único fóton.


Isolando l da equação 4.58, segue que

1
l= = 2, 3.1023 m. (4.59)
uf σ

h) A resposta é não. Como os quasares mais próximos da Terra estão

14 Raciocı́nios semelhantes a esse são realizados com frequência na teoria cinética

dos gases.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

a uma distância muito maior que o caminho livre médio de um


próton no espaço (aproximadamente 100 vezes), a grande maioria
dos prótons ultra-energéticos emitidos por eles colidem com fótons
e, consequentemente, perdem energia antes de serem detectados
na Terra. As fontes de raios cósmicos ultra-energéticos detectados
devem, portanto, estar mais próximas da Terra que os quasares.

4.8 Difração de elétrons


a) O comprimento de onda de De Broglie de uma partı́cula é dado
h
pela expressão λ = .
p
O momento do elétron pode ser calculado em termos de sua energia
cinética E, igual ao trabalho associado à diferença de potencial
elétrico V = 10 kV, e de sua massa m através da expressão
√ √
p= 2mE = 2meV . (4.60)

Dessa forma, o comprimento de onda do elétron descrito no enun-


ciado é dado por

h
λ= √ = 12, 3pm. (4.61)
2meV

b) O aparato descrito no problema é uma montagem clássica do ex-


perimento de difração de elétrons em um cristal. Nessa montagem,
o feixe de elétrons incide sobre a amostra cristalina e é defletido
de um ângulo de 2θ, em que θ corresponde ao ângulo de difração
15
determinado pela lei de Bragg. Matematicamente, temos que

2dsenθ = mλ (4.62)

15 Para mais detalhes, consulte o problema ‘Lei de Bragg e difração de raios-X’ do

Fı́sica em Nı́vel Olı́mpico - volume 1.

320
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

em que a distância entre planos é dada por d = 210 pm, o compri-


mento de onda do elétron por λ = 12,3 pm e m ∈ N∗ . O padrão
de difração dos elétrons em um anel justifica-se pela utilização
de policristais de grafite nas amostras, às vezes até em pó. A
existência de diferentes orientações dos cristais gera um padrão
de espalhamento de difração de um ângulo de 2θ em todas as
16
direções, gerando o padrão de um anel.
O anel de maior intensidade corresponde ao ângulo de desvio de
menor ordem (m = 1), dessa maneira obtém-se

λ
senθ = = 0, 029. (4.63)
2d

Da geometria do problema, segue que

r
tg2θ = . (4.64)
l

Como mostrado no resultado expresso pela equação 4.63, pode-se


aplicar a aproximação de ângulos pequenos. Isolando o raio do
anel da equação 4.64 e substituindo-se o valor de l = 15 cm,
chega-se ao resultafo final desejado

r = l tg2θ = 0, 88cm. (4.65)

4.9 Partı́cula em uma caixa 3D


a) Para determinar os autoestados φn (x) e suas autoenergias, pode-
mos utilizar a equação de Schrördinger independente do tempo

~2 00
− φ (x) + V (x)φ(x) = Eφ(x). (4.66)
2m
16 A utilização de uma amostra de grafite monocristalina geraria um conjunto de

pontos ao invés de um conjunto de anéis.

321
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Devido ao confinamento gerado pelo potencial V (x), a probabili-


dade de encontrar a partı́cula fora da caixa é nula, o que implica
φ(x) = 0 para x < 0 ou x > L. Reescrevendo a equação 4.66 para
a região 0 ≤ x ≤ L, obtém-se a equação diferencial ordinária

~2 00
− φ (x) = Eφ(x), (4.67)
2m

sujeita às condições de contorno φ(0) = φ(L) = 0.


Buscando uma solução particular do tipo φ(x) = eλx para a

equação 4.67, verifica-se que λ = ± ~i 2mE. Tomando-se a parte
real e imaginária da exponencial complexa eλx para compor uma
solução geral, chega-se à expressão para a solução geral

1√ 1√
   
φ(x) = A.sen 2mEx + B. cos 2mEx , (4.68)
~ ~

em que A e B são coeficientes a determinar a partir das condições


de contorno. A condição de contorno φ(0) = 0 implica B = 0.
Aplicando a condição de contorno do ponto x = L, segue que

1√
 
A.sen 2mEL = 0. (4.69)
~

Como não estamos interessados em uma solução identicamente


nula para a equação 4.67, A 6= 0. Portanto, é necessário que

1√
2mEL = nπ, n ∈ N∗ . (4.70)
~

Deduz-se, dessa maneira, o seguinte conjunto de autoenergias

~2 π 2
 
2
En = n . (4.71)
2mL2


Definindo o parâmetro kn = L , os estados estacionários φn (x)

322
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

são dados pela expressão

φn (x) = An sen(kn x). (4.72)

O fator An deve ser obtido a partir da condição de normalização


dos estados ˆ ∞
|φn (x)|2 dx = 1, (4.73)
−∞
q
que leva ao resultado An = 2
L , ∀n ∈ N∗ .
b) Esse tipo de resultado é amplamente utilizado no método de
separação de variáveis para resolução de equações diferenciais
parciais. Em três dimensões e coordenadas cartesianas, a equação
de Schrördinger independente do tempo, dentro da região 0 ≤
x, y, z ≤ L, pode ser escrita como

~2 ∂2 ∂2 ∂2
 
− + + ψ(x, y, z) = Eψ(x, y, z). (4.74)
2m ∂x2 ∂y 2 ∂z 2

De fato, por inspeção direta, é possı́vel verificar que uma função


produto de três orbitais 1D

ψnx ,ny ,nz (x, y, z) = φnx (x)φny (y)φnz (z) (4.75)

é solução do problema tridimensional. Substituindo 4.75 em 4.74,


tem-se

~2  2 
knx + kn2 y + kn2 z ψnx ,ny ,nz (x, y, z) = Eψnx ,ny ,nz (x, y, z).
2m
(4.76)
Logo, ψnx ,ny ,nz (x, y, z) é solução equação de Schrördinger e, por-
tanto, um estado estacionário do sistema. Da equação 4.76, segue
de imediato que

~2  2 
E= knx + kn2 y + kn2 z . (4.77)
2m

323
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Observe que a energia total do sistema corresponde a soma das


energias associadas aos estados em cada uma das três diferentes
direções, isto é, E = Ex + Ey + Ez , em que

~2 kn2 x ~2 kn2 y ~2 kn2 z


Ex = , Ey = e Ez = . (4.78)
2m 2m 2m

c) Este item corresponde a um cálculo de densidade de estados da


partı́cula.17 Imagine um espaço tridimensional dos vetores de
onda ~k, cujo sistema de eixos ortogonais é associado às suas
componentes kx , ky e kz . Os pontos desse espaço tridimensional
que correspondem às soluções do nosso problema constituem uma
rede de pontos expressa pela expressão

~k = (kx , ky , kz ) = π (nx , ny , nz ), com nx , ny , nz ∈ N∗ . (4.79)


L

De acordo com a equação 4.77, os estados com energia E corres-


pondem a pontos sobre uma circunferênciaq
centrada na origem do

sistema e raio k = 2mE/~, em que k = kx2 + ky2 + kz2 . Veja a
figura a seguir.
Diferenciando a relação entre k e E, é possı́vel encontrar uma
relação entre a variação dk do módulo do vetor de onda e variação
dE da energia do estado
r
1 m
dk = dE. (4.80)
~ 2E

Nesse espaço tridimensional, podemos identificar o ‘volume’ ∆3 k


ocupado por cada um dos estados como sendo igual ao de um
cubo de aresta igual a π/L
 π 3
∆3 k = . (4.81)
L
17 Um cálculo desse tipo foi realizado no problema ‘Condensação de Bose-Einstein’

no capı́tulo de termodinâmica no volume 1 desta coleção.

324
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

kz

dk

k
kx

ky

O número de estados dN com energia compreendida entre E e


E + ∆E pode ser estimado pelo número de cubos de volume ∆3 k
que cabem em 1/8 do volume compreendido entre as esferas de
raios k e k + dk, que corresponde ao octante kx , ky , kz > 0 em que
estamos interessados.18 O volume descrito dV é dado por
 
1 4 3 1 2
dV = .d πk = πk dk. (4.82)
8 3 2

Segue, portanto, que

dV πk 2 dk
dN = = . (4.83)
∆3 k 2(π/L)3

Reescrevendo 4.83 em termos de energia, chega-se ao resultado


desejado
L2
dN = √ m3/2 E 1/2 dE. (4.84)
2π 2

18 Essa ~2
consideração é válida quando E  2mL2
.

325
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

4.10 Confinamento esférico

a) O princı́pio da incerteza de Heisenberg garante que

∆x∆px ≥ ~/2, (4.85)

além de outras relações análogas para as direções y e z. Para fins


de estimativa, consideremos que o momento da partı́cula é igual
ao valor quando há uma igualdade na equação 4.85.
Como o problema é tridimensional, é preciso levar as três dimensões
em conta. Para isso, considere uma incerteza na posição da
partı́cula ∆~r e uma incerteza do vetor momento ∆~
p. Calculando
o produto ∆r2 ∆p2 e expandindo o resultado nas três dimensões,
temos que19

∆r2 ∆p2 = (∆x2 + ∆y 2 + ∆z 2 )(∆p2x + ∆p2y + ∆p2z )


X
∆r2 ∆p2 = ∆x2 ∆p2x + ∆x2 ∆p2y + ∆x2 ∆p2z , (4.86)
cir.

totalizando 9 termos. O termo ∆x2 ∆p2x e suas permutações podem


ser estimados pela aplicação direta do princı́pio da incerteza

~2
∆x2 ∆p2x = ∆y 2 ∆p2y = ∆z 2 ∆p2z = . (4.87)
4

A contribuição dos termos cruzados pode ser estimada por meio


da desigualdade conhecida MA≥ MG, veja

∆x2 ∆p2y + ∆x2 ∆p2z ≥ 2(∆x∆py ∆x∆pz )


 2
2 ~ ~2
∆x ∆p2y + ∆x 2
∆p2z ≈2 = . (4.88)
2 2

19 O
P
sı́mbolo cir. denota um somatório circular, no qual devem ser somados os
termos indicados e suas permutações circulares, isto é, (x, y, z) → (y, z, x) → (z, x, y).

326
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Segue, portanto, que

~2 ~2 9~2
 
2 2
∆r ∆p = 3 + = . (4.89)
4 2 4

É preciso agora fazer uma ‘estimativa-educada’ de ∆r, que deve


corresponder a uma fração de a. Por conveniência, assuma
∆r = a/2. Segue que a estimativa do momento da partı́cula

9~2
∆p2 = , (4.90)
a2
e, consequentemente, de sua energia20

∆p2 9~2
E= = . (4.91)
2m 2ma2

b) Considerando a simetria esférica do problema, o operador Lapla-


ciano ∇2 assume a seguinte forma simplificada
 
2 1 ∂ 2 ∂
∇ = 2 r . (4.92)
r ∂r ∂r

Dessa maneira, a equação de Schördinger para uma função ψ(r)


dentro da cavidade esférica Ĥψ = Eψ pode ser reescrita como

~2 ∂
 
∂ψ
− r2 = Eψ
2mr2 ∂r ∂r

∂ 2 ψ 2 ∂ψ 2mE
+ = − 2 ψ, (4.93)
∂r2 r ∂r ~
sujeita à condição de contorno ψ(a) = 0. Essa é uma equação de
Bessel, que podem ser resolvidas de maneira geral pelo método de
Frobenius.21 . Para fugir de um trabalho matemático mais pesado,
20 De maneira geral, estimativas da ordem de ~2 /ma2 são aceitáveis. P
21 Nesse método, expande-se a função em uma série do tipo ψ(r) = r−α ∞ k=0 ak r
k

e determinam-se α e os coeficientes ak a posteriori Com algum trabalho algébrico e


resolução das equações de recorrência para os coeficientes da série, é possı́vel chegar

327
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

considere E = ~2 k 2 /2m e reescreva a equação 4.93 em termos da


função auxiliar u(r), definida como

u(r)
ψ(r) = , (4.94)
r

o que conduz à seguinte equação

∂ 2 u(r)
+ k 2 u(r) = 0, (4.95)
∂r2

cuja solução geral é uma superposição de funções sen(kr) e cos(kr).


Dessa maneira, a solução geral da função de onda ψ(x) deve ser
dada por
sen(kr) cos(kr)
ψ(r) = c1 + c2 . (4.96)
r r
Considerando que ψ(r) não deve admitir singularidades do tipo
limr→0 ψ(r) = ∞, logo c2 = 0. Da condição de contorno ψ(a) = 0,
por sua vez, temos que


sen(ka) = 0 → kn = , n∈N
a

~2 π 2
 
2
En = n , n ∈ N. (4.97)
2ma2

c) Conforme demonstrado, o estado de menor energia calculado pode


ser descrito por  πr 
ψ0 (r) = c1 sen , (4.98)
a
em que a constante c1 pode ser determinada a partir da condição
de normalização do estado em toda a esfera
˚ ˆ a
2 3
|ψ(r)| d ~r = |ψ(r)|2 4πr2 dr = 1. (4.99)
0

aos mesmo resultados da solução proposta. Boa sorte.

328
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Desenvolvendo a equação 4.99, obtemos


ˆ a  πr 
4πc21 r2 sen dr = 1.
0 a

Utilizando o valor da integral fornecido, segue que


 
1 3
4πc21 2− 2 a3 = 1
12 π

s
1
c1 = 2π
 . (4.100)
3 − π1 a3

O valor esperado da distância média da partı́cula até o centro do


sistema, por sua vez, é determinado pela expressão
˚ ˆ a
r= r|ψ0 (r)|2 d3~r = 4π r3 |ψ0 (r)|2 dr = 1. (4.101)
0

Desenvolvendo 4.101 a partir dos resultados expressos pelas equações


4.98 e 4.100, chegamos ao resultado final desejado

3(π 2 − 3)a
r= ≈ 0, 62a. (4.102)
2(2π 2 − 3)

4.11 Potencial atrativo do tipo δ(x)

a) Para não sermos obrigados a lidar com a descontinuidade da função


delta de Dirac em x = 0 em um primeiro momento, consideraremos
as regiões x > 0 e x < 0 separadamente. Para cada um desses
dois trechos é possı́vel escrever V (x) = 0, o que implica em

~2 00 ~2 2
− ψ (x) = − ε ψ(x). (4.103)
2m 2m

329
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

2
Observe que escrever E = − 2m
~
ε2 não passa de uma substituição
conveniente de variáveis conveniente para o estudo de estados
ligados (E < 0). Da equação 4.103, temos que

ψ 00 (x) = ε2 ψ(x), (4.104)

cujas soluções possı́veis são ψ− (x) = e−εx e ψ+ (x) = eεx . Uma


vez que estamos interessados em soluções normalizáveis, a função
de onda ψ(x) deve ter a forma de

ψ(x) = Ae−εx , se x > 0, (4.105)

e a forma de
ψ(x) = Aeεx , se x < 0, (4.106)

onde A corresponde a um fator de normalização a determinar pela


normalização da função de onda. As duas expressões podem ser
unificadas em
ψ(x) = Ae−ε|x| , (4.107)

6 0. Por continuidade da função de onda ψ(x), temos


para x =
que ψ(0) = A. O valor da constante de normalização é calculado,
fazendo ˆ ∞ ˆ ∞
|ψ(x)|2 dx = A2 e−2ε|x| dx = 1,
−∞ −∞

como a função é par, temos que


ˆ ∞
A2 √
2A2 e−2εx dx = =1 → A= ε. (4.108)
0 ε

b) Verifique que a função de onda ψ(x) não é derivável em x = 0.


A diferença entre ψ 0 (0+ ) (derivada calculada à direita) e ψ 0 (0− )
(derivada calculada à esquerda) pode ser pode obtida integrando

330
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

da equação de Schrödinger

~2 00 ~2 2
− ψ (x) + V (x)ψ(x) = − ε ψ(x) (4.109)
2m 2m

em um pequeno intervalo [−a, a], com a → 0. Veja:


ˆ a ˆ a ˆ a
~2 00 ~2 2
− ψ (x)dx + V (x)ψ(x)dx = − ε ψ(x)dx.
−a 2m −a −a 2m
(4.110)
Uma vez que o comprimento do intervalo de integração tende a
zero, observamos que a primeira integral da equação 4.110 tende a
ˆ a
~2 00 ~2  0 +
ψ (0 ) − ψ 0 (0− ) ,

lim ψ (x)dx =
a→0 −a 2m 2m

em que ψ 0 (0+ ) e ψ 0 (0− ) correspondem às derivadas laterais de



ψ(x) na origem. Utilizando o resultado ψ(x) = εe−ε|x| , obtemos
ˆ a
~2 00 ~2
lim ψ (x)dx = − ε3/2 , (4.111)
a→0 −a 2m m

A segunda integral tem valor não nulo devido ao valor impulsivo


de V (x) em x = 0, resultando em
ˆ a √
V (x)ψ(x)dx = V (0)ψ(0) = −V0 ε. (4.112)
−a

Por último, a terceira integral torna-se arbitrariamente pequena a


medida que a → 0.
Dessa maneira, segue das equações 4.110, 4.111 e 4.112 que

~2 3/2 √ m
ε − V0 ε = 0 → ε = V0 . (4.113)
m ~2
2
Uma vez que E = − 2m
~
ε2 , o fato de existir uma solução única

331
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

implica que existe uma única energia de estado ligado dada por

~2 2 m V2
E=− ε =− 2 0 , (4.114)
2m ~ 2

como querı́amos demonstrar.

4.12 Tunelamento quântico


a) Para descrever o comportamento da função de onda total ψ(x) para
todo o x, vamos determinar a solução da equação de Schrödinger
para diferentes regiões.
Fora da barreira de potencial(x < 0 ou x > a), temos que V (x) = 0.
Partindo da equação de Schrödinger segue que

~2 00
− ψ (x) = Eψ(x)
2m

ψ 00 (x) = −k 2 ψ(x), (4.115)



2mE
em que k = , cuja solução geral é dada por
~

ψout (x) = d1 eikx + d2 e−ikx . (4.116)

Considerando que na região x < 0 há uma onda de matéria


incidente e uma refletida, enquanto em x > a há apenas uma onda
transmitida, segue que

ψ1 (x) = Aeikx + Be−ikx , (4.117)

na região x < 0, e por

ψ2 (x) = Ceikx , (4.118)

na região x > a.

332
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Dentro da barreira de potencial, 0 < x < a, temos que

~2 00
− ψ (x) + V0 ψ(x) = Eψ(x)
2m

~2 00
(V0 − E)ψ(x) = ψ (x)
2m
ψ 00 (x) = γ 2 ψ(x), (4.119)
p
2m(V0 − E)
em que γ = , cuja solução geral é dada por
~

ψin (x) = Deγx + Ee−γx . (4.120)

Dessa maneira, concluı́mos provisoriamente a descrição do com-


portamento de ψ(x).
b) Para completar a descrição da função de onda ψ(x) e, consequen-
temente, calcular a probabilidade de transmissão da partı́cula, é
necessário determinar quais relações devem ser satisfeitas pelos
coeficientes A, B, C, D e E. Essas relações decorrem da imposição
de continuidade da função de onda ψ(x),

ψ1 (0) = ψin (0) e ψin (a) = ψ2 (a), (4.121)

e de sua derivada ψ 0 (x),

ψ10 (0) = ψin


0
(0) e 0
ψin (a) = ψ20 (a), (4.122)

nos pontos x = 0 e x = a.
Algebricamente, as condições expressas pelas Eqs. 4.121 e 4.122

333
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

podem ser reescritas como





 A+B =D+E


Deγa + Ee−γa = Ceika



 ik(A − B) = γ(D − E)


γDeγa − γEe−γa = ikCeika .

Como temos mais variáveis que equações lineares no nosso sistemas,


reescrevemos o conjunto de equações em termos das equações
normalizadas pela amplitude da onda incidente. Definindo r =
B/A, t = C.eika /A, α = D/A e β = E/A, dividindo o sistema de
equações anterior por A, temos que



 1+r =α+β


αeγa + βe−γa = t

(4.123)
ik(1 − r) = γ(α − β)




γαeγa − γβe−γa = ikt.

Resolvendo o sistema de linear de quatro equações, temos que

2ikγ
t= . (4.124)
(k 2 + γ 2 )2 cosh(γa)

Como a probabilidade está associada ao quadrado da função de


onda, o coeficiente de transmissão, que corresponde a probabi-
lidade de transmissão da partı́cula através da barreira, é dado
por
4k 2 γ 2
T = |t|2 = (4.125)
(k 2 + γ 2 )2 cosh2 (γa)
que pode ser reescrito multiplicando o numerador e o denominador
 2 2
~
da expressão dada pelo fator , levando-nos ao resultado
2m

334
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

desejado
4E(V − E)
T = cosh−2 (γa). (4.126)
V2
c) A situação limite de barreiras de potencial muito espessas pode
ser traduzida na condição γa  1. Nesse caso, a função cosseno
hiperbólico apresenta comportamento aproximadamente exponen-
cial
eγa + e−γa eγa
cosh(γa) = ≈ . (4.127)
2 2
Substituindo a Eq. 4.127 na Eq. 4.126, chegamos ao resultado
desejado
16E(V − E) −2γa
T = e . (4.128)
V2

4.13 Função de onda no estado fundamen-


tal 1D

a) O valor esperado do operador energia potencial V (x) é dado por


ˆ ∞
V = ψ ∗ (x)V (x)ψ(x)dx. (4.129)
−∞

Como ψ ∗ (x) e V (x) comutam, segue o resultado desejado


ˆ ∞
V = V (x)|ψ(x)|2 dx. (4.130)
−∞

O cálculo do valor esperado da energia cinética do sistema, asso-


2 2
~ d
ciada ao operador T̂ = − 2m dx2 , é menos imediato. Aplicando a
definição de valor esperado do operador, segue que
ˆ ∞
~2
T =− ψ ∗ (x)ψ 00 (x)dx. (4.131)
2m −∞

335
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Aplicando a técnica de integração por partes na equação 4.131,


temos
"
∞ ˆ ∞
#
~2
T =− ψ ∗ (x).ψ 0 (x) − ψ 0∗ (x)ψ 0 (x)dx . (4.132)
2m −∞ −∞

A normalização da função de onda ψ(x) garante que o seu valor,


assim como o de ψ ∗ (x), tendam a zero no infinito. Dessa maneira,
o primeiro termo entre colchetes na equação 4.132 é nulo. Segue,
portanto, que ˆ ∞
~2
T = |ψ 0 (x)|2 dx. (4.133)
2m −∞

b) Suponha, por absurdo, que o estado fundamental do sistema ψ0 (x)


apresente um nó na coordenada x0 , isto é, ψ0 (x0 ) = 0. Defina um
estado ψ1 (x) tal que ψ1 (x) = |ψ0 (x)|, ∀x < x0 − ∆ ou x > x0 + ∆,
ou seja, para os pontos distantes de x0 . Para x0 − ∆ < x < x0 + ∆,
defina ψ1 (x) = c∆, onde c = ψ00 (x0 ).22 Para valores de ∆ 1, essa
função é muito próxima de uma função contı́nua. Mostraremos
que a energia esperada do estado ψ1 (x) é menor que a esperada
para o estado ψ0 (x), contrariando a hipótese que ψ0 (x) é estado
fundamental do sistema.
Sejam T 0 e V 0 os valores de energia cinética e potencial esperadas
para o estado ψ0 (x), enquanto T 1 e V 1 as esperadas para o
estado ψ1 (x). Para |x − x0 | > ∆, os integrandos contidos nas
equações 4.130 e 4.133 são idênticos, considerando os estados ψ0 (x)
e ψ1 (x). É necessário, portanto, considerar apenas as variações
dessas integrais em torno de x0 para se calcular a diferença entre
a energia desses dois estados. A variação da energia potencial

22 A rigor, um fator de normalização multiplicativo A deve ser adicionado à função

ψ1 (x) para recuperar a condição de normalização do estado. No entanto, para


pequenos valores de ∆, o valor de A é muito próximo de 1 e não interfere na
discussão apresentada.

336
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

esperadas para cada estado é dada por


ˆ x0 +∆
V1−V0 = V (x)(c2 ∆2 − |ψ(x)|2 )dx, (4.134)
x0 −∆

enquanto a perturbação da energia cinética é dada por


ˆ x0 +∆
T1 − T0 = (0 − |ψ00 (x)|2 )dx, (4.135)
x0 −∆

pois a função ψ1 (x) é constante no intervalo próximo a x0 .


Para a nossa demonstração é suficiente mostrar que essas duas
perturbações têm ordens de grandeza diferentes com respeito ao
parâmetro ∆ que tende a zero.
Verifica-se que T 1 − T 0 ≈ −2∆.c2 , isto é, corresponde a um
decréscimo de energia O(∆).23 Já a perturbação (para mais ou
para menos) da energia potencial V 1 − V 0 é O(∆3 ),24 sendo, por-
tanto, duas ordens de grandeza menor que a alteração da energia
cinética. Concluı́mos que para pequenos valores de ∆ é possı́vel
criar um estado ψ1 (x) com energia menor que o estado fundamen-
tal ψ0 (x), o que é um absurdo. Portanto, estados fundamentais
ψ0 (x) de sistemas 1D não admitem nós.

4.14 Orbitais s do átomo de hidrogênio (re-


ver contas)
a) Em coordenadas genéricas, a equação de Schrördinger pode ser
escrita como

~2 2
− ∇ ψ(~r) + V (~r)ψ(~r) = Eψ(~r). (4.136)
2m
23 Notação para um termo de ordem proporcional a ∆.
24 Notação para um termo de ordem proporcional a ∆3 .

337
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

Aplicando o operador Laplaciano em coordenadas esféricas25 sobre


uma função esfericamente simétrica ψ(r), temos que

~2 ∂
 
2 ∂ψ
− r + V (r)ψ = Eψ. (4.137)
2mr2 ∂r ∂r

Desenvolvendo 4.137 e substituindo o potencial coulombiano, che-


gamos à equação que deve ser satisfeita pelos estados ψ(r)

~2 ∂ 2 ψ ~2 ∂ψ e2
− 2
− − ψ = Eψ. (4.138)
2m ∂r mr ∂r 4πε0 r

b) Podemos estudar os pontos afastados do núcleo tomando o limite


1
r → ∞. Nessa situação, podemos ignorar os termos ∝ r da
equação 4.138 e obter uma equação diferencial simplificada

~2 ∂ 2 ψ
− = Eψ. (4.139)
2m ∂r2
2 2
K
Fazendo E = − ~2m , a equação 4.139 pode ser desenvolvida até
chegar em
∂2ψ
= K 2 ψ, (4.140)
∂r2
cuja solução geral é uma superposição das funções eKr e e−Kr .
Como estamos interessados em soluções normalizáveis com sentido
fı́sico, apenas o último tipo de solução nos interessa.
c) Substituindo a expressão fornecida do orbital 1s na equação 4.138,
segue que
~2 K 2 ~2 K e2
− + − = E. (4.141)
2m mr 4πε0 r
Como a equação 4.141 deve valer para todo r, é necessário que

~2 K e2 me2
= → K= . (4.142)
m 4πε0 4πε0 ~2
25 A expressão do operador Laplaciano em coordenadas esféricas está disponı́vel

no enunciado do problema 4.10.

338
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

A constante fı́sica A, por sua vez, pode ser determinada a partir


da condição de normalização da função de onda ψ1s em todo o
espaço ˚
|ψ1s (~r)|2 d3 r = 1 (4.143)
ˆ ∞ 2 πA2
4πr2 A.e−Kr dr = 1 → = 1,
0 K3
que nos leva ao resultado
r 3/2
K3 e3

m
A= = 3 2 . (4.144)
π 8~ π ε0

A energia E1 do orbital 1s é dada pela expressão

~2 K 2 me4
E1 = − =− = −13, 6eV. (4.145)
2m 32π 2 ε20 ~2

d) A probabilidade de se encontrar um elétron entre as distâncias r


e r + dr é proporcional a (i) o módulo ao quadrado da função de
onda |ψ1s (r)|2 e (ii) o volume compreendido entre esferas de raios
r e r + dr. Sendo assim, podemos escrever que a probabilidade
dP (r) de se encontrar um elétron entre as distâncias r e r + dr é
dada por
dP (r) = 4πr2 |ψ1s (r)|2 dr. (4.146)

A grandeza dP (r)/dr representa, por sua vez, a densidade de


probabilidade de encontrar o elétron em uma distância r do núcleo.
A distância mais provável de se encontrar o elétron, r∗ , pode ser
determinada maximizando dP (r)/dr com respeito à coordenada
r. Portanto,
d2 P ∗
(r ) = 0 (4.147)
dr2
d 
4πr2 A2 e−2Kr = 0,

dr

339
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

que nos leva ao seguinte resultado

1 4πε0 ~2
r∗ = = = a0 . (4.148)
K me2

e) A partir da expressão

0
ψ2s (r) = (A0 r + B 0 )e−K r , (4.149)

pode-se calcular as suas primeira e segunda derivadas com respeito


à coordenada radial r

0
0
ψ2s (r) = (−K 0 A0 r + A0 − B 0 )e−K r
(4.150)

0
00
ψ2s (r) = (K 02 A0 r − 2K 0 A0 + K 0 B 0 )e−K r . (4.151)

Deve-se agora substituir as expressões 4.149, 4.150 e 4.151 na


equação 4.138, assim como escrever a energia em termos de K 0 ,
2 02
isto é, E 0 = − ~ 2m
K
. Chega-se, dessa forma, à expressão

2~2 K 0 A0 ~2 e2
− (A0 − B 0 ) − (A0 r + B 0 ) = 0, (4.152)
m 2mr 4πε0 r

que deve ser satisfeita para qualquer r, tratando-se, portanto, de


uma identidade. Observando os termos de ordem zero em r,26
temos que

2~2 K 0 A0 e2 A0 me2
− =0 → K0 = . (4.153)
m 4πε0 8πε0 ~2

26 Os coeficientes A0 e B 0 podem ser determinados pela combinação dos coeficientes

de ordem r−1 com a condição de normalização de ψ2s .

340
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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

A energia E2 do orbital 2s é dada pela expressão27

~2 K 02 E1 me4
E2 = − = =− = −3, 4eV. (4.154)
2m 4 128π 2 ε20 ~2

4.15 Átomo de Hooke de dois elétrons

a) Para reescrever a equação

~2 e2
 
− (∇21 + ∇22 ) + Vat (r1 ) + Vat (r2 ) + ψ(~r1 , ~r2 ) =
2m 4π0 |~r1 − ~r2 |
Eψ(~r1 , ~r2 ), (4.155)

~ = ~r1 + ~r2 e ~u = ~r1 − ~r2 , observe que


em termos de R
2

~ + 1 ~u e ~r2 = R
~r1 = R ~ − 1 ~u.
2 2

Segue, portanto, que a soma dos potenciais atômicos é dada por

k 2 ku2
r1 + r22 = kR2 +

Vat (r1 ) + Vat (r2 ) = . (4.156)
2 4

Por sua vez, a interação coulombiana entre os elétrons é dada por

e2 e2
Vee (~r1 , ~r2 ) = = . (4.157)
4πε0 |~r1 − ~r2 | 4πε0 u

Resta-nos calcular os operadores laplacianos com respeito às coor-


denadas ~r1 e ~r2 em termos de derivadas das novas variáveis R~ e
~u. Isso pode ser feito pela aplicação extensiva da regra da cadeia.

27 Observe que o modelo de Bohr não só fornece uma boa estimativa para as

dimensões espaciais do orbital 1s do átomo de hidrogênio, mas também reproduz as


energias exatas dos orbitais atômicos.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

De fato,

∂ ∂ ∂Rx ∂ ∂ux 1 ∂ ∂
= + = + ,
∂x1 ∂Rx ∂x1 ∂ux ∂x1 2 ∂Rx ∂ux

o que implica em
2
∂2 1 ∂2 ∂2 ∂2


= = + + . (4.158)
∂x21 ∂x1 4 ∂Rx2 ∂Rx ∂ux ∂u2x

Analogamente, deduz-se que


2
∂2 1 ∂2 ∂2 ∂2


= = − + . (4.159)
∂x22 ∂x2 2
4 ∂Rx ∂Rx ∂ux ∂u2x

Dessa maneira,

∂2 ∂2 1 ∂2 ∂2
+ = + 2 . (4.160)
∂x21 ∂x22 2 ∂Rx2 ∂u2x

Generalizando os resultados da coordenada x para as coordenadas


y e z, chega-se à seguinte relação para os operadores laplacianos

1 2
∇21 + ∇22 = ∇ + 2∇2u . (4.161)
2 R

Substituindo as equações 4.156, 4.157 e 4.161 na equação 4.155,


chegamos ao resultado desejado

~2 2 ~2 ku2 e2
 
− ∇R − ∇2u + kR2 + + ~ ~u) = Eψ(R,
ψ(R, ~ ~u).
4m m 4 4πε0 u
(4.162)
b) Seguindo o método de separação de variáveis, podemos escrever
~ ~u) = Φ(R)φ(~
ψ(R, ~ u). Substituindo essa expressão na Eq. 4.162,

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

após algum trabalho algébrico, deduz-se a expressão


! 
~
~2 ∇2 Φ(R) ~2 ∇2 φ(~u) ku2 e2

2
− + kR + − + + = E.
4m Φ(R)~ m φ(~u) 4 4πε0 u
(4.163)
Observe que a quantidade no primeiro parênteses da equação
~ enquanto a quantidade contida no
4.163 depende apenas de R,
segundo parênteses, exclusivamente de ~u. A soma dessas duas
quantidades resulta em uma constante E com unidade de energia.
Como as coordenadas R ~ e ~u podem variar livremente, a Eq. 4.163
só pode ser satisfeita se os termos compreendidos em cada um dos
parênteses também forem constantes com unidade de energia.28
Dessa maneira, podemos escrever

~2 2 ~ ~ = ER Φ(R)
~
− ∇ Φ(R) + kR2 Φ(R) (4.164)
4m

~2 2 ku2 e2
 
− ∇ φ(~u) + + φ(~u) = Eu φ(~u), (4.165)
m 4 4πε0 u

em que ER e Eu são constantes fı́sicas com unidade de energia


tais que ER + Eu = E. Finalmente, como querı́amos demons-
trar, as equações 4.164 e 4.165 reduzem-se em duas equações
de Schrördinger indepedentes ĤR Φ(R) = ER Φ(R) e Ĥu φ(u) =
Eu φ(u), definindo-se

~2 2
ĤR = − ∇ + kR2 (4.166)
4m R

~2 2 ku2 e2
Ĥu = − ∇u + + . (4.167)
m 2 4πu
2
~ = Ae−αR satisfaz a equação
c) A verificação que a função Φ(R)
28 Caso esse fato não esteja suficientemente claro, experimente considerar variações

infinitesimais dR~ e d~u na equação 4.163.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

ĤR Φ(R) = ER Φ(R) pode ser feita por inspeção direta.29 Como a
~ tem simetria esférica, temos que
função Φ(R)

d2 Φ
 
2 1 d 2 dΦ 2
∇ Φ(R) = 2 . R . = + Φ. (4.168)
R dR dR dR2 R

De tal forma, podemos reescrever 4.164 como30

1 d2 R2
 
1 d
− 2
− + Φ(R) = ER Φ(R). (4.169)
4 dR 2R dR 4

Calculando a primeira e a segunda derivadas da função Φ(R),


obtemos as seguintes relações

dΦ(R)
= −2RαΦ(R)
dR

d2 Φ(R)
= (4R2 α2 − 2α)Φ(R). (4.170)
dR2
Substituindo as equações 4.170 na equação 4.169, segue que

2α − 4R2 α2 R2
 
+α+ = ER
4 4
 
3α 1
ER = + R2 − 4α2 . (4.171)
2 4

Como ER é uma constante, não pode haver dependência com


1
respeito à variável R, de onde se conclui que α = 4. Segue,
portanto, que
3
ER = H. (4.172)
8
d) Verificaremos por inspeção direta que a solução φ(u) satisfaz
a equação 4.165. Para isso, calculemos a primeira e segunda
29 Essa função corresponde ao estado fundamental de um oscilador harmônico

quântico.
30 Lembre-se que a partir de agora estamos utilizando o sistema Hartree de unidades

e k = 1/4.

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

derivadas da solução fornecida

1 u u2
 
d h  u  −u2 /8 i 2
A 1+ e =A − − e−u /8 (4.173)
du 2 2 4 8

d2 h  1 3u u2 u3
 
u  −u2 /8 i 2

2
A 1 + e = A − − + + e−u /8 .
du 2 4 8 16 32
(4.174)
Deve-se substituir esses dois resultados na equação 4.165. O fator
2
comum Ae−u /8
é eliminado de todos os termos em um primeiro
momento. A seguir deve-se desenvolver a equação e verificar o
cancelamento de todos os termos remanescentes dependentes de
u. Por fim, obtém-se o resultado desejado

5
Eu = H. (4.175)
4

e) A energia total do sistema é dada por

3 5 13
E = ER + Eu = + = H. (4.176)
8 4 8

Fazendo a conversão da unidade Hartree de energia para eV, temos

13
E= × 27, 2eV = 44, 2eV. (4.177)
8

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CAPÍTULO 4. FÍSICA QUÂNTICA

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Parte IV

Bibliografia

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Referências
1
1.1 Bibliografia de estudo recomendada
• Base e aprofundamento a nı́vel de ensino médio:1

1. Tópicos de Fı́sica.
2. Fı́sica Clássica.

• Cálculo diferencial e integral:

1. Fundamentos de Matemática Elementar - Vol. 8 - Limites


Derivadas Noções de Integral, Gelson Iezzi/ Nilson José
Machado/ Carlos Murakami;
2. Um Curso de Cálculo Vol. 1., Hamilton Luiz Guidorizzi;
3. Cálculo - Vol. 1, James Stewart;
4. Cálculo para aprender e usar, João Barcelos Neto;
5. Equações Diferenciais Aplicadas à Fı́sica, Kleber Daum Ma-
chado.

1 Além dessas coleções de livros, o site ‘Rumo ao ITA’ tem um material muito

interessante sobre fı́sica moderna para os interessados.

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CAPÍTULO 1. REFERÊNCIAS

• Teoria e exercı́cios a nı́vel superior:

1. Fı́sica para Cientistas e Engenheiros - Vol. 1 e 3, Paul Tipler;


2. Curso de Fı́sica Básica - Eletromagnetismo - Vol. 1, 3 e 4,
Moysés H. Nussenzveig;
3. Eletrodinâmica, David J. Griffths;
4. Introduction to Classical Mechanics: With Problems and
Solutions, David Morin;2
5. Mecânica Quântica, David J. Griffths;
6. Fı́sica quântica: átomos moléculas, sólidos, núcleos e partı́culas,
Eisberg e Resnick;
7. Fı́sica Moderna, Paul Tipler e Ralph Llewellyn.

1.2 Bibliografia referente aos problemas pro-


postos
1. Curso de Fı́sica Básica - Eletromagnetismo - Vol. 3, Moysés H.
Nussenzveig;
2. Curso de Fı́sica Básica - Óptica, Relatividade e Fı́sica Quântica -
Vol. 4, Moysés H. Nussenzveig;
3. Introduction to Classical Mechanics: With Problems and Solutions,
David Morin;
4. IRODOV - Problems in General Physics, Igor E. Irodov;
5. 200 Puzzling Physics Problems: With Hints and Solutions, P.
Gnädig, G. Honyek, K. F. Riley;
6. Provas Ibero-Americanas (OIbF);
7. Provas da Olimpı́ada Internacional de Fı́sica (IPhO);
2 Apesar do nome, este livro conta com excelentes capı́tulos de relatividade restrita.

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CAPÍTULO 1. REFERÊNCIAS

8. Seletivas brasileiras (Brasil);


9. Seletivas portuguesas (Portugal);
10. A Guide to Physics Problems, Part 1: Mechanics, Relativity, and
Electrodynamics, Sidney B. Cahn, Boris E. Nadgorny;
11. A Guide to Physics Problems: Part 2: Thermodynamics, Statisti-
cal Physics, and Quantum Mechanics, Sidney B. Cahn, Boris E.
Nadgorny;
12. Physics Teacher, American Association of Physics Teachers (EUA);
13. Site do professor Jann Kalda3 .

3 https://www.ioc.ee/˜ kalda/ipho/

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