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O Pai

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Raone Soares

Copyright © 2022: Raone Soares.

Livro: O PAI

Registro: Fundação Biblioteca Nacional

Revisão: Raone Soares

Arte da capa: Raone Soares

Diagramação: Raone Soares

1° edição: novembro, 2022.

Soares, Raone – 1°ed – Publicação independente

1. Conto [Link] brasileira 3. Romance

O autor desta obra detém todos os direitos autorais registrados perante a lei.
Em caso de cópia ou reprodução parcial e/ou completa sem a autorização do
autor, os direitos do mesmo serão reavidos perante à justiça.

“Lei n° 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.”


Seu coração não é estrada para passeio de muitos. Seu coração é lugar que
só fica quem faz por merecer.

- Charles Chaplin
A porta se abre e ele me recebe só de cueca. Tento manter meus olhos fixos
em seu rosto, mas o magnetismo do seu pacote é tamanho que quando dou
por mim já estou fixando-o sem nem piscar.
Isso não é correto e ele sabe, pois a cueca, aquela maldita cueca box
branca é absurdamente justa e se molda nele como sempre quis fazer. Creio
que teria sido muito melhor se não estivesse usando nada.
Engulo em seco, meu corpo reagindo sozinho ao grande pacotão que
enche meus olhos famintos. Meu pau começa a endurecer na mesma hora e
tenho que respirar lentamente. Posso garantir, já estou preparado para pular
os parabéns, afinal de contas quero ir direto para o momento em que posso
agarrar o presente e me deleitar com o que tem dentro.
— Olá, Heitor! Como vai, filhote? — Sua voz é descontraída e firme.
Nunca disse isso a ele, mas adoro quando me chama de filhote. Sua voz me
deixa arrepiado até onde não bate sol, minha situação só piora.
De duas, uma: ou Fábio não percebe que me perco com a sua visão; ou
não liga, até gosta e faz de propósito. A julgar pelo nosso histórico de
inteirações, acredito que está mais para a primeira opção.
A contragosto, ergo os olhos para seu rosto enquanto rezo para que o
meu pau não esteja marcando demais na calça, embora o sinta duro e pronto
para jorrar. Disfarçadamente, fecho as mãos em conchas na minha frente.
Fábio é um homem lindo, não há como negar, e eu não sou o único que
acho isso, ao passo que o mesmo magnetismo que me atrai também faz com
que as portas de muitas casas na vizinhança se abram para ele. Todos dizem
que isso é porque Fábio é personal trainer, mas eu duvido muito que esse seja
o único motivo.
Eu sei que Fábio é galinha e que não se importa com a fidelidade, uma
vez que sua esposa foi embora quando o pegou no flagra transando com uma
de suas alunas. Eu tinha 3 anos na época e até hoje me lembro da gritaria no
meio da noite. De lá para cá, Fábio nunca mais teve um relacionamento longo
e todos os que teve terminou pelo mesmo motivo que o seu casamento. Acho
que ele só aceitou que é melhor ficar solteiro mesmo, então simplesmente
parou de tentar, o problema é que as mulheres da vizinhança, as quais ele dá
aulas, são casadas e em sua maioria ele só vai até elas quando estão sozinhas.
Por conta do seu trabalho, ele gosta de dar o exemplo, então Fábio tem
um corpo de dar inveja, com músculos proeminentes, uma barriga chapada e
peitorais tão inchados e bonitos que mais parecem duas almofadas prontas
para receber minha cabecinha cansada depois da transa.
Pena que isso nunca aconteceu ou vai acontecer! Tento me contentar
com isso.
Um homem como ele, não tem do que se envergonhar, e eu já deveria
estar mais que acostumado em vê-lo usando apenas peças intimas, mas como
não ter uma síncope toda vez que um gostoso duvido que deixaria de ficar de
pau duro ao vê-lo.
Por falar em pau duro, o meu pulsa, esmagado entre minhas mãos, a
cueca, e minha virilha quente.
— É... Vim falar com o Luan. — Tenho certa dificuldade para
encontrar as palavras, pois tudo que gostaria de pedir é que me deixe
ordenhá-lo.
Fábio franze as sobrancelhas, solta a maçaneta da porta e coça a barba
acobreada, meticulosamente desenhada.
— Ele ainda não chegou do trabalho.
— Ele me mandou uma mensagem há um tempo dizendo que já estava
de saída — informo.
— Então ele deve estar chegando, por que você não entra? — Me lança
uma piscadela, isso basta para meu pau reagir ainda mais. — Preciso dar uma
olhada no meu forno, estou assando uns biscoitos.
Sem esperar pela minha resposta, ele simplesmente se vira e desaparece
lá dentro.
Meu coração até dispara. Não seria como se nunca tivéssemos ficado a
sós antes, mas o meu corpo sempre reage do mesmo jeito. A reação continua
dura contra minha virilha.
Droga de tesão! Sei como terminarei essa visita se entrar, e
honestamente já estou cansado de terminar no cinco contra um.
Mesmo assim, me arrasto para dentro da casa e fecho a porta. O cheiro
é bom e só me deixa com mais água na boca.
A cozinha é um cômodo que fica no final de um longo corredor com as
paredes pintadas de verde e quadros de mulheres seminuas por todos os
lados. Esses quadros foram pintados pelo próprio Fábio, é um de seus
passatempos. Ele é bom nisso, resta saber se suas modelos foram suas alunas
ou se elas são apenas fruto de sua imaginação, uma vez que nenhuma delas
tem rosto nas pinturas.
Eu digo que nunca conheci pessoas mais taradas do que Fábio e Luan.
Luan e eu somos amigos desde que me lembro. Crescemos juntos,
estudamos juntos e estamos até pensando em dividir um apartamento no
futuro. Temos a mesma idade, 20 anos, e até temos nossos segredinhos entre
quatro paredes. E foi por isso que vim até aqui.
Não, Luan e eu não somos um casal em segredo. Luan é hétero. O que
temos é apenas uma brincadeira boba e gostosa, fruto de uma tarde fumando
maconha, o que só evidencia nosso tesão. Contudo, ele tem suas regras. Nada
além de frottage.
Se esse é o seu limite, se isso não estraga nossa amizade e se nós dois
gozarmos no final, então para mim também é o suficiente.
Quanto a Fábio, bem, ele é o pai de Luan. Ponto.
Ele tinha a nossa idade quando sua ex-esposa, na época apenas uma
mera ficante, engravidou, então agora ele tem 40 anos e é o pai mais legal do
mundo.
Chego na cozinha e me apoio no batente. O ambiente está claro, as
janelas grandes, no fundo do recinto, arejam o cômodo, as paredes são
inteiramente revestidas com cerâmica bege. No centro da cozinha há uma
longa bancada, onde fica a pia e o fogão embutidos. Fábio está lavando algo
na pia enquanto mastiga com a boca fechada.
— Você tem que provar esse biscoito, está de um caralho! — O único
caralho que eu quero na minha boca é o seu, duro e grosso! Sorrio do meu
pensamento. Talvez eles não sejam as únicas pessoas mais safadas que
conheço. — Vem aqui, filhote, prove esse biscoito.
Vou até ele e tento me esquivar para não revelar minha ereção. Acho
que o ambiente perto deles é afrodisíaco, pois basta chegar que já tenho
vontade de fazer coisas sem roupa.
Os biscoitos estão em uma forma rasa em cima do fogão, forrada com
papel manteiga. Eles estão bonitos e parecem apetitosos, o cheiro preenche o
recinto e sinto a quentura do forno em minha perna quando me aproximo.
Alguns dos biscoitos têm gotas de chocolate, enquanto outros têm o
que julgo ser nozes ou castanhas levemente trituradas. Pego um dos que
contem gotas de chocolate, com muito cuidado, ao passo que estão pegando
fogo, e tiro um pedaço. O sabor não tarda a preencher minha língua e, claro,
está uma delícia.
Fábio é bom em tudo o que faz... Bem, pelo menos tudo o que já
constatei.
— Não está do caralho? E olha que usei poucos ingredientes e pensei
que não daria certo por isso.
Sorri, orgulhoso.
— Impossível! Tudo o que você faz fica gostoso — respondo com a
boca cheia, embora tenha plena convicção das segundas intenções em minha
voz.
— Espero que tenha razão, eu me esforço bastante para fazer tudinho
bem-feito. — Sorri ainda mais. Não sei se as segundas intenções que assimilo
em suas palavras são reais ou apenas uma criação da minha mente safada.
Fico encabulado e minhas bochechas queimam.
Ele termina de lavar uma vasilha, a coloca no escorredor e se vira,
secando as mãos na cueca mesmo. Quase engasgo. Se continuar, vai acabar
deixando a pouca roupa inteiramente transparente, o que faz com que o
biscoito fique tão sem graça de repente, meus olhos novamente voltados para
o que só as mulheres têm acesso nele.
— O que foi?
— O quê? — Me assusto e volto a encará-lo.
Fábio coloca as mãos na cintura e fica sério, isso faz meu sangue
esfriar.
— Você está com as bochechas vermelhas, filhote. Está encabulado?
— Nã... Não! — digo, encabulado. O biscoito treme em minha mão.
Começo a me sentir patético. Sempre me sinto assim quando estamos a
sós.
Minha mãe sempre me ensinou que não posso desejar aquilo que não
posso ter, e que alguns sonhos são realizados com muito trabalho e esforço,
mas outros são impossíveis de se realizar. A primeira vez que ela disse isso
para mim, foi quando eu tinha nove anos e falei que desejava que meu pai
voltasse para casa todos os dias, exatamente como o pai de Luan fazia, que
ele cozinhasse para gente como o pai do Luan e que ele me amasse como
Fábio ama o Luan.
Eu sei que naquela noite a minha mãe chorou no seu quarto, ouvi os
seus soluços por muito tempo enquanto acreditava que eu estava dormindo no
quarto ao lado. Foi ali que entendi o que ela quis dizer com o fato de alguns
sonhos serem impossíveis de se realizar.
Nunca conheci o meu pai. Minha mãe acreditava que o fato de eu
gostar tanto de Fábio era porque ele representava para mim essa figura
paterna que me faltava. No começo era mesmo, mas depois percebi que não
era só isso. Eu não desejo que Fábio seja meu pai, eu desejo ele como meu
amante. Não sei exatamente em qual momento da minha vida essa chavinha
virou, mas um dia eu estava ao lado do Luan, me divertindo com Fábio em
um parque de diversões, e em outro momento eu estava de pau duro, me
masturbando, pensando nele e proferindo seu nome baixinho enquanto
gozava.
Será que é errado desejar um homem que me vê com o carinho de um
pai para um filho?
Esse pensamento dúbio me faz deixar o restante do biscoito na
bancada, me virar e caminhar até a porta sem dizer nada.
— Heitor? — chama Fábio atrás de mim. — O que houve, filhote?
— Não foi nada — minto.
Fábio me alcança antes que eu cruze o corredor. Paramos diante da
porta para a sala, de onde sai o som de conversa na TV. Ele se posiciona em
minha frente, me segura com uma mão em cada ombro e me encara.
— Me desculpe por perguntar aquilo, não quis ser indelicado com você.
— Você não foi. — Não olho para ele, ao invés disso fico encarando o
filme na TV, que rapidamente corta para uma cena de sexo quase explicito,
com gemidos e seios balançando na tela.
Vindo de Fábio, não há muito o que esperar. Minha mãe diz que ele só
pode ser ninfomaníaco, mas eu sei que ele é só um homem adulto safado e
que não deixa o fogo apagar.
— Olhe para mim, filhote... — Seu tom é baixo. Hesito mais um pouco
antes de o fazer. — Você quer conversar comigo? Quer conversar sobre
alguma coisa séria?
— Conversar sobre o quê?
Ele franze os lábios. Suas mãos são firmes em meus ombros, o meu
desejo de fazer seu peitoral de almofadas só aumenta. Gostaria de acariciar
sua barriga sem medo do seu julgamento ou repreensão.
— Já te conheço o suficiente para entender quando alguma coisa te
deixa chateado ou triste. Eu vi você crescer com o Luan, você é da família,
sabe disso. — Assinto enquanto ele diz. Seus olhos castanhos não titubeiam.
Sinto o gosto do biscoito ainda em minha língua. — Eu sei que a Marília é
uma mãe excepcional para você, mas talvez tenha algumas coisas que você
pode não querer contar para ela, por medo de sua reação.
Engulo em seco.
— Aonde quer chegar com essa conversa?
— Só quero reforçar que você pode me contar o que quiser, não vou
julgá-lo! Estou aqui para te ajudar no que puder. — Mordo o lábio inferior e
baixo o rosto. Não era a intenção, mas meus olhos vão direto para o seu pau.
Como eu queria tê-lo em minhas mãos, na minha boca e no meu... — Tudo
bem, Heitor. Você é gay?
Meu coração para de uma vez.
Me afasto dele e bato as costas na parede, ao lado de um dos seus quadros de
mulheres seminuas.
— Por favor, não me leve a mal, filhote. — Trata de dizer de uma vez.
— O que você...? Por quê...?
— Eu não quis ofendê-lo, eu só... Estava curioso.
— Curioso por quê?
— Eu só pensei que poderia se sentir confortável para falar sobre isso
com uma figura masculina, mas me desculpe por invadir esse limite. — Meu
coração continua batendo forte.
— Acho melhor eu ir embora.
— Não, filhote, não vá.
— É melhor. — Me desvencilho dele e praticamente corro para a saída
sem ouvir protestos. Não sei se preferia que ele tentasse me fazer ficar,
todavia me sinto contrariado de qualquer jeito. Escancaro a porta e quase caio
de cara no chão, contudo me firmo rápido e vou para casa sem ver nada em
volta.
A verdade é que ninguém, além de Luan, sabe que sou gay. Não tive
coragem de contar para minha mãe, uma vez que por mais que ela seja uma
mulher boa e amável, sinto que nenhum de nós estamos prontos para essa
conversa, mas dizem por aí que mãe sempre sabe essas coisas.
Entro em casa e vou direto para o meu quarto. Minha mãe está na
cozinha, fala alguma coisa que nem entendo quando fecho a porta e me jogo
na cama.
O misto de emoções causa um alvoroço em meu peito. Eu gostaria de
ter confidenciado a verdade para Fábio, mas acho que tudo ficaria esquisito
depois disso.
Me mexo na cama e fico virado para a janela do quarto. Através dela,
vejo diretamente à frente da casa dele. Isso me deixa com raiva.
Minha mãe bate na porta devagar, contudo abre antes mesmo que
autorize a entrada. Ela entra com uma expressão estranha.
Minha mãe é bonita, tem cabelos negros, nariz pontudo e lábios finos.
Dizem que me pareço com ela.
— Tudo bem? — Quer saber.
— Sim, por quê?
— Você parece um pouco estressado. O que aconteceu na casa do
Luan?
— Nada, mãe. Ele nem estava aí.
Ela entra, e mesmo que não precise, fecha a porta. Minha mãe vem se
sentar na ponta da cama, puxa meus pés para o seu colo e começa a fazer
cócegas neles. Isso me faz rir instantaneamente.
— O que o Fábio te contou? — questiona, meio hesitante.
— Como assim?
— Sei lá, você ficou lá por um tempinho. Pensei que tivessem falado
sobre alguma coisa.
— Você esperava que ele falasse algo? — Franzo as sobrancelhas. Ela
dá de ombros. Seus cabelos caem em suas costas como uma cortina.
— Não é nada, meu anjo, só fiquei preocupada pela maneira como você
chegou.
— Eu estou bem, não se preocupe. — Ela esboça um sorrisinho.
— Preciso me arrumar porque o plantão vai ser puxado, mas você vai
ficar bem, não é?
— Eu vou, não se preocupe!
Tento parecer animado, embora não esteja. Minha mãe é enfermeira,
trabalha para uma família rica tomando conta de uma senhorinha, o lado ruim
é que ela folga pouco e sempre tem que dormir no trabalho. O lado bom, é
que é perto e ela consegue voltar para casa todos os dias.
Ela tira meus pés do seu colo, se levanta e vem beijar minha testa.
Quando ela sai e fecha a porta, volto a me perder nos meus
pensamentos.
Fico na cama enquanto ouço o movimento da minha mãe andando para
lá e para cá. Mas antes de ir, ela volta só para se certificar de que estou bem,
me desejar boa noite e avisar que deixou comida pronta na geladeira e que
ligue, caso precise. Então se vai, e a casa fica silenciosa até demais.
Envio uma mensagem para Luan, dizendo que fui na sua casa e que ele
não estava lá. Ele demora, mas responde com um pedido de desculpas e
explica que teve um problema no trabalho, só que agora está indo fazer outra
coisa e que nossa “conversa” terá que ser adiada.
O conheço bem o suficiente para entender que essa tal coisa tem a ver
com uma mulher e que ela provavelmente está perto demais para dizer sobre.
Solto uma lufada de ar ao constatar que não tem jeito, vou terminar no
cinco contra um. Me viro na cama. Assim que olho através da minha janela,
aquele homem de cueca marcada me salta na mente. O tesão lambe meu
corpo quase que se nunca tivesse ido embora, fazendo a excitação aparecer
como um lutador, pronto pro combate.
Não quero fazer isso agora, por isso me levanto e vou procurar fazer
outra coisa. Agradeço por estar sozinho em casa, assim não tenho que ficar
me esquivando pelos lados para não deixar minha ereção aparecer, contudo,
não importa o que eu faça, minha mente não sai daquele gostoso pai, do outro
lado da rua. Sei que isso só vai desaparecer quando gozar.
Ligo a TV para assistir, mas uma hora depois, sem me entreter nenhum
pouco, simplesmente desligo e saio dali. Tomo um banho e volto para o
quarto.
A noite já cai lá fora, quando, após ficar cansado de pensar nele,
simplesmente me levanto e saio de casa sem pensar duas vezes. Tranco a
porta, jogo a chave no fundo do bolso, meu celular fica no quarto e não me
importo, enquanto cruzo a rua e bato timidamente na porta.
Fábio abre sem demora, não parece surpreso ao me ver. Ele continua
sem camisa, porém dessa vez, usa uma calça jeans com um cinto preto e
tênis, a camisa preta na mão esquerda indica estar se preparando para sair.
— Oi, filhote. Estava pensando em você.
Isso faz com que meu peito queime.
— Pensando o quê?
— Iria passar lá na sua casa para me desculpar de novo, e explicar
direito a situação...
— Eu sou gay e sinto tesão por você — jogo de uma vez e sem pensar
muito.
Fábio fica sem reação, a boca aberta. Parece que meu coração bate tão
forte que a qualquer momento vai saltar do meu peito.
— Achei que me visse como um pai... — Ele diz.
— Eu via, mas isso mudou. Enfim, só queria que soubesse.
— Tá bom. — Fábio esboça um sorrisinho afetado, meio sem jeito.
Assinto, me sentindo finalmente um idiota.
— Acho que é melhor eu ir embora e não te atrapalhar mais.
Me viro, começo a andar e para a minha surpresa, não tardo a sentir sua
mão em meus ombros, como mais cedo. Fábio de novo se posta diante de
mim, com seu tórax exposto, a camisa não mais em sua mão.
Fico olhando seus lábios que tanto desejei sentir passeando pelo meu
corpo nu, penso em como adoraria saboreá-los com os meus próprios, antes
de olhá-lo nos olhos.
— Não vou permitir que vá dessa vez! Não, sem antes esclarecermos
essa situação.
— Já estou me sentindo um idiota por dizer isso. Por favor, não me
obrigue a ficar — peço.
— Não se sinta um idiota por se abrir comigo, filhote.
— Quer dizer que não está com raiva por isso?
— Claro que não! Por que ficaria?
— Eu agi por impulso. Por favor, não quero que diga isso ao Luan.
— Fique tranquilo, filhote. — Ele se inclina para ficarmos quase na
mesma altura. Nossos olhos tão conectados quanto já estiveram hoje. — Esse
será o nosso segredo, Luan não precisa saber de nada disso.
— Que bom. — Tento sorrir com descontração, mas só consigo parecer
bobo.
— Então, vamos entrar e conversar lá dentro.
— Não quero te atrapalhar, se estiver de saída para pegar alguém.
— Eu estava, mas depois resolvo isso. Não se preocupe.
Ele fica ereto, deixa uma das mãos cair do meu ombro e usa a outra
para me guiar para sua casa. Ela se posiciona em minhas costas conforme
andamos lado a lado.
Meu coração me sufoca, à medida que entramos. Ele para na entrada,
para pegar a camisa no chão, antes de fechar a porta e se virar para mim.
Somos apenas eu, ele, e o seu conhecimento do meu tesão nos cercando.
Tremo de nervosismo e ansiedade. Não sei mais o que há para ser dito agora.
Fábio me olha atentamente. Me sinto diante de um pai prestes a aplicar
o castigo ao filho que se comportou mal na frente da visita; muito embora,
seu rosto não revele raiva ou rancor.
— Fique calmo, filhote. Não vou subjugá-lo — garante. — Você quer
tomar um pouco de água?
Assinto. Fábio vai na frente e o sigo pelo corredor iluminado e
silencioso. Ele vai direto no armário, pega um copo e o enche com água da
geladeira, então o entrega a mim. Me apoio na bancada e tomo o liquido
lentamente.
— Eu e Marília estávamos conversando outro dia — começa ele.
Apesar do tom baixo sua voz retumba pelos quatro cantos. — Ela me contou
sobre suas suspeitas de que você fosse homossexual.
O encaro e ele não foge do meu olhar.
Repouso o copo com a água na bancada, tento respirar lentamente.
— O que ela disse? — Quero saber.
— Que você nunca namora, nunca fala de nenhuma garota e que acha
que está passando muito tempo com o Luan e comigo. Ela achou que talvez
você e o Luan estivessem juntos.
— O quê?
— O negócio é o seguinte, filhote: eu sei que vocês têm o lance de
vocês. Não sou cego e nem surdo, por mais que vocês neguem, eu sei que
rola alguma coisa, mas quero que fique claro que isso não faz diferença pra
mim. — Meu coração continua batendo forte. Tomo outro gole de água, sem
deixar de olhá-lo. — O fato é que a Marília não sabia como falar sobre isso
com você, por isso me pediu para conversar contigo.
— Ela não deveria ter pedido isso a você.
— Eu gosto de você, Heitor, e vejo como me olha. Como disse, não sou
cego. — Me sinto patético de novo, por isso baixo os olhos para o copo com
meu rosto pegando fogo. — E também o Luan me pediu que parasse de andar
de cueca quando você estivesse por aqui.
— Por que ele pediria isso?
— Porque talvez ele pense que isso deve te constranger, não sei.
— Mas você nunca parou.
— Não...
Ergo o rosto e volto a encará-lo. Minhas bochechas ainda pegam fogo,
e ele sorri para mim, um sorriso que ilumina seus olhos e faz minhas pernas
virarem gelatina.
— Por que não parou?
— Porque acho você uma graça. Gosto quando fica vermelhinho igual
um tomate — responde simplesmente. Minhas bochechas queimam ainda
mais.
Fábio sai de trás da bancada, a cruza e vem para perto de mim
lentamente, ergue a mão e afaga meu rosto.
— Eu também tenho meus segredos, filhote. Às vezes acho que isso faz
de mim um pervertido do caralho, mas a verdade é que tenho te desejado há
algum tempo — joga. — Percebo como se insinua pra mim, mesmo que não
seja proposital, então fico de cueca com você aqui porque quero que saiba
que desejo comer sua bundinha.
Minha garganta trava.
Levo algum tempo até assimilar suas palavras, muito embora deseje
intimamente que não acorde em minha cama e perceba que isso é só um
sonho.
— Não faz isso comigo — imploro, a voz falhando. Ele ergue a mão e
afaga meu rosto, seu toque parece eletrizar a minha pele, sou obrigado a me
encostar na bancada para me firmar. Isso de certa forma é bom pra ele, pois
Fábio se aproxima mais e se posta diante de mim como um pilar de tentação.
— Por favor, Fábio, não brinque comigo desse jeito.
— Eu jamais brincaria com isso, Heitor. Posso ter fama de canalha e
pegador, mas não tenho fama de mentiroso. — A certeza em sua voz não me
sustenta. — Um homem hétero jamais brincaria com uma parada dessas, a
masculinidade deles é frágil demais pra isso.
— Então, isso faz de você o quê?
— Um homem que come outros homens e gosta de manter isso em
segredo.
— É isso que você quer de mim? Me comer.
— É claro, filhote. — Ele coloca as mãos uma de cada lado do meu
corpo e começa a mover o quadril contra o meu. Sua pélvis se movimenta
para cima e para baixo, me provocando e me endurecendo de novo. — Sei
que também é o que você quer de mim.
— E depois?
— Depois, mantemos isso como o nosso segredinho. Do mesmo jeito
como você tem o segredinho com o Luan, podemos ter o nosso. Sou a favor
de igualdade para todos. — O vai e vem da sua pélvis me faz delirar e ele
sorri, o sorriso mais safado que já vi na sua cara. Sinto sua ereção também,
ela me assusta por ser tão impossível de ser ignorada.
Olho para baixo e me deparo com um inchaço absurdo em sua calça.
Meu coração não aguenta e meu cérebro me diz que talvez meu ânus também
não aguente.
— Gosta do que vê? — Quer saber Fábio, aos sussurros.
— Sim! — minha voz tremula faz parecer que estamos em uma área de
erro, mas a ideia só me deixa mais excitado.
Fábio se inclina e passa a barba em meu pescoço, me provocando, me
arrepiando inteiro e me fazendo revirar os olhos. Não resisto e levo as mãos
para os seus peitorais, matando a ânsia que sempre me dominou em poder
senti-lo sem pudor, Fábio permite.
Apalpo seus músculos com uma gana violenta, sentindo a
protuberância se moldando ao meu toque, sua pele quente, ardendo contra
minha palma mais ardente ainda.
— Eu te acho tão gostoso! — digo.
— Acha, é? E o que mais?
— Safado.
— Isso eu sou. — Ri contra minha pele, sua barba ainda varrendo meu
pescoço e sua pélvis me permitindo sentir sua ereção avantajada e firme. — E
sou grande também, você promete pra mim que não vai choramingar?
— Prometo.
— Eu vou ser bonzinho com você — garante. Fábio se afasta e me vira
de costas, então agarra minha barriga com uma mão; com a outra, segura meu
queixo e o puxa para trás. Seu corpo definido se cola ao meu como uma
muralha poderosa e sinto seu pau contra o meu traseiro. — Vou entrar
devagarinho, vou ser carinhoso e gentil com você.
— Puta que pariu — gemo, usando minhas mãos para me segurar na
lateral do seu corpo. Agarro no seu sinto e o puxo de encontro a mim, como
se isso fosse fazer com que ele nunca mais se afastasse de novo.
— Vamos pro meu quarto, não quero que meu filho nos flagre. —
Fábio se afasta, com muita facilidade me gira e me pega no colo. Ele caminha
rápido até a porta do quarto, perto da sala, sem titubear nenhuma vez comigo.
Finalmente, deixei de me sentir envergonhado com meu pau duro. Sua
respiração fazendo firulas em meu pescoço, aproveito para olhá-lo mais de
perto. Nunca senti seu cheiro tão proeminente quanto agora, enquanto minhas
palmas se sustentam em seus ombros descamisados.
Em seu quarto, o recinto está tomado pelo breu total. Me coloca no
chão para acender a luz e revelar um recinto com cama king size, tudo muito
organizado e limpo. O cheiro do seu perfume está por todos os lados.
Ao lado da cama, há uma mesinha com duas gavetas com um abajur.
Sorrio comigo mesmo, pois sei que aquela primeira gaveta está cheia de
preservativos e lubrificantes. Não que eu já tenha ficado fuçando sua
intimidade antes. Vi isso porque uma vez o próprio Fábio me pediu para
pegar sua carteira para que pagasse a pizza que tinha comprado, uma vez que
Luan não podia fazer isso, pois estava no banho.
Ele tinha dito que estava em cima da cama, mas quando cheguei não a
encontrei ali, então comecei a procurar, foi quando abri a gaveta e vi aquele
tanto de preservativos no tamanho XL. Eu nem sabia até aquele dia que
existia tamanho para preservativo.
Acho que foi ali que minha chavinha virou, pois naquele dia foi a
primeira vez que me masturbei pensando na sua tora dura para mim.
Nesse momento, seu corpo se cola ao meu, lentamente, fervendo e
excitado, roçando seu pau em meu traseiro e me deixando orgulhoso por
comprovar que alguns sonhos, aparentemente impossíveis, podem sim se
realizar.
Me viro e envolvo seu pescoço com os braços. Fábio me agarra pela
cintura, me conduz para a sua cama macia de lençol branco, caio sobre o
colchão, abro as pernas ao seu redor e o recebo por cima de mim como uma
rocha musculosa e excitante, seus braços ao lado de minha cabeça.
— Não sabe o quanto desejei por isso.
— Então por que não fez antes?
— Porque não queria te assustar com minha tara. — Ao dizer isso, ele
esfrega o pau em mim. Então, sem dizer mais nada, simplesmente se inclina e
me beija com ganância e dedicação.
Sou pego de surpresa com a confusão em minha língua. Seus lábios
macios e experientes se movem lentamente contra os meus, embora com a
necessidade de tempos cozinhando essas intenções, me mantenho totalmente
sóbrio da ideia de que lento é mais gostoso. Nossas línguas em uma batalha,
se enroscam, e sua barba com pelos macios entrando no jogo.
Seu quadril continua no vai e vem excitante, fazendo com que sinta a
grossura do que está por vir. Sei que terei que ser forte.
Tento não pensar em quantas vezes estive me esfregando em seu filho,
no quarto ao lado, ou em quantas vezes, no meio da madrugada, já ouvi
gemidos vindo desse aposento quando passava a noite aqui.
Um segredo que nunca contei a ninguém, nem mesmo ao Luan, é que já
me masturbei no escuro do quarto enquanto ouvia a sacanagem que seu pai
fazia. Agora estou aqui, em seus braços, com sua boca devorando a minha e
sentindo sua ereção inteiramente focada em mim.
Seja certo ou errado o que estamos fazendo aqui hoje, o que sei é que
não quero que termine. Desejei tanto por esse momento que agora poderia até
gravar para me lembrar dele depois, provavelmente jamais me arrependerei.
O nosso beijo é mais breve do que desejei que fosse, pois Fábio se
ergue em seus braços fortes, sem descolar a pélvis da minha. Seu olhar safado
ganharia até o do melhor ator pornô que já tenha visto.
Ele se joga para o lado e me puxa para cima de si. Ajeito as pernas para
me sentar nele e começo a rebolar em sua ereção.
Não posso mais aguentar; por isso, me levanto e com uma certa
ganância trato de desafivelar o seu cinto e, enquanto faço isso ele tira os tênis
com os pés, puxo suas calças até o chão, deixando-o apenas com a cueca que
está mais justa do que minha respiração procurando espaço em meus pulmões
nervosos.
Ele tira a cueca e me faz sentir como se estivesse prestes a perder a
consciência. Seu pau bate contra sua barriga torneada e faz um barulho
pesado. Meus olhos se iluminam com a visão que recebo. Fábio coloca as
mãos atrás da cabeça e sorri para minha cara, então faz seu pênis saltar.
Agora que estou diante da sua rola rija e inteiramente preparada,
percebo que minha mente nunca chegou nem perto da realidade de seu
tamanho. A surpresa me faz ficar de joelhos e agarrá-lo como minha
recompensa merecidíssima.
A cabeça grande e apetitosa me espera, por isso não me alongo demais
para colocá-lo na boca. Saboroso, o cheiro de sua intimidade preenche
minhas narinas, passo a língua na fenda da ponta e a circulo como se
estivesse saboreando um delicioso pirulito de morango, enquanto preencho
minha boca com ele.
Fábio geme entre os dentes.
— Puta que pariu, filhote, que boquinha gostosa é essa? — Sua mão
não se demora a agarrar minha cabeça e me fazer descer mais, na longa vara
cheia de veias. Sinto a pele se esticando em minha língua molhada, quente
como a chama do pecado. A ponta toca minha garganta e volta, quando puxo
a cabeça sem nem alcançar a metade. — Engole ela toda, queridão! Eu sei
que você é capaz.
Tento novamente; contudo, antes da metade engasgo e retorno.
— É demais pra você, filhote? — Seu tom é de puro desafio. Limpo as
lágrimas que surgiram em meus olhos, para voltar a colocá-lo na boca e
engoli-lo até onde der, porém antes que consiga pensar em desistir, Fábio
segura minha cabeça com as duas mãos e instrui: — Segure a respiração e
relaxe.
Faço o que ele diz, então puxa minha cabeça para baixo, mais e mais,
me surpreendendo quando sinto toda sua grossura se acomodando inteira na
minha garganta, como se fôssemos feitos um para o outro. Ele puxa minha
cabeça, e antes mesmo de tirar tudo, volta rápido. Parando com seu pau
dentro, reviro os olhos em sua direção. A minha visão é a melhor possível,
seus músculos saltam diante dos meus olhos e ele me encara com uma
expressão safada, mordendo o lábio inferior. A pressão em minha garganta é
grande, ao redor da sua tora macia e farta. Uso uma mão para segurar seu
saco robusto e massageio suas bolas com carinho enquanto engulo sua
extensão com coragem, dedicação e vontade.
Minha saliva deixa tudo muito escorregadio, os gemidos do pai do meu
amigo são fortes e delirantes, me ajudam a continuar minha mamada, todavia,
Fábio para. Com cuidado, me puxa para cima da cama e rapidamente me
ajuda a tirar a roupa.
Estar nu diante dele faz tudo isso parecer ainda mais um sonho, o jeito
como me olha, seu pau lá embaixo apontado em direção ao seu rosto safado.
Me sinto mais relaxado, uma vez que ele parece gostar do que vê.
Sou colocado de bruços na cama, o pai sobe em mim e posiciona sua
vara na fenda de minha bunda. Meu pau esmagado, vibra com intensidade.
Com os braços posicionados estrategicamente ao lado do meu corpo, Fábio se
inclina e beija meu pescoço enquanto faz leves movimentos de vai e vem,
pincelando seu dote em minha entrada, com o cuidado e o carinho que havia
prometido.
Ele está a um passo da ebulição, seu corpo arde como uma chama, sinto
que estou igualmente quente. Seus lábios alcançam meus ouvidos, fazendo
minha pele arrepiar com o som alto que o estalo produz em meus tímpanos.
— Consegue sentir como você me deixa? — sussurra muito perto do
meu ouvido. Reviro os olhos com a mistura safada que só faz sua voz ficar
ainda mais potente.
Fábio beija minha nuca, então começa a descer por minha espinha,
repousando beijos ao longo do caminho, marcando minha pele ardente com
seus lábios molhadinhos. Meu ânus pisca lá embaixo, já sabendo que ele será
a parada principal dessa boca. Mal posso esperar sentir a sua barba nessa área
delicada, a força que sua língua deve ter na minha região.
Não preciso florear demais em meus pensamentos, pois suas mãos
chegam lá antes da sua boca. Fábio segura minha bunda com um carinho que
me agrada, embora suas mãos sejam grandes e firmes, são macias e suaves.
Ele puxa as minhas nádegas para lados opostos e sinto um ar frio tocando
minha entrada.
Basta me apoiar nos cotovelos e virar o rosto para trás para poder ver
sua expressão. Ele parece sedento, faminto e claramente gosta do que vê,
assim como eu.
Ele cai de boca, sua barba em minha pele me faz delirar, mas não é
nada se comparado a sensação gloriosa que é sentir seus lábios beijando
minha região, o gesto faz barulho e abafa meu gemidinho baixo. Em seguida,
sua língua entra em ação, passando pelo meu ânus para cima e para baixo,
antes de fazer movimentos circulares para facilitar a entrada. Ele coloca a
pontinha da sua língua e isso já me faz desejar pelo seu cacete de uma vez.
De uma coisa eu tenho certeza: sua experiência só melhora a situação.
Quantas vezes ele já não deve ter feito isso para ficar assim tão bom.
Gemo contra o colchão e aperto o lençol com as mãos, enquanto sua
saliva deixa meu buraquinho molhado e sua língua começa a entrar nele,
como se explorando a área inóspita. Suas mãos não soltam minhas nádegas e
sua barba me dá uma sensação de prazer ainda maior, não consigo segurar os
gemidos altos e involuntários que escapam dos meus lábios.
Estou a ponto de começar a implorar para que ele me possua de uma
vez, mas o deixo se deliciando com minha entrada, afinal, esse é um
momento importante para nós dois. Involuntariamente, esfrego meu pau
contra o lençol e o prazer é delicioso.
— Seu cuzinho é tão gostosinho — informa, quando para de me beijar
lá. Uma de suas mãos larga minha nádega e escorrega para aquele meio, seu
dedo me penetra sem anúncio algum, me assustando. — E é apertadinho
também. Que delícia, é melhor do que pensei.
— É mesmo? — provoco, seu dedo vai e vem em mim lento e
delicioso.
O encaro, seus olhos estão em mim.
— Sim, filhote.
— Aí, adoro quando me chama assim — gemo, minha voz tremendo
um pouco. Seu sorriso safado se escancara.
— É mesmo?
— Sim.
— E o filhote aguenta mais dedos nesse cuzinho? — Nem tenho tempo
para responder quando Fábio introduz outro dedo em mim, depois um
terceiro, me alargando imediatamente. — Olha só como ele é potente.
No auge do meu delírio, o seu celular começa a tocar. Nós dois
tomamos um susto e seus dedos quase que imediatamente desaparecem de
mim.
Me sento na cama, o vejo pescando suas calças no chão para pegar o
aparelho no bolso. Atende a ligação sério, antes de sair do recinto, puxando a
porta para que eu não ouça sua conversa. Momentos depois, ele retorna com
um sorrisinho safado, fecha e tranca a porta, caminha até a mesinha de
cabeceira, deixa o aparelho, abre a gaveta dos preservativos e me encara
como se fosse fazer algo muito errado.
— Se prepare pra ser minha mulherzinha.
Encaro sua grossa rola, que ficou meia-bomba sem deixar de ser
assustadoramente de respeito.
O momento que tanto sonhei finalmente chegou.
Fábio pesca um dos preservativos na gaveta, mas não o abre, ao invés disso,
brinca com ele, girando-o entre seus dedos enquanto usa a outra mão para se
estimular, a fim de deixá-la no ponto de novo.
— Me diz, filhote — murmura enquanto isso, a voz mais safada e
máscula que antes —, você já deu seu cuzinho antes?
— Já.
— Pra quantos?
— Poucos.
— Vai aguentar minha vara? — Olho para baixo e percebo que seu
pênis subiu, igual a um foguete, seus dedos não se fecham ao seu redor.
Poderia olhá-lo por horas, apenas se estimulando desse jeito, a pele
escondendo a cabecinha e a escancarando descaradamente. — Nós vamos
descobrir.
O pai rompe o lacre do preservativo e o coloca no seu cacete com toda
a facilidade do mundo. Somente a prática nos leva a perfeição, não é mesmo?
Em seguida, Fábio pega um frasquinho arroxeado, que já sei
exatamente do que se trata, então sobe na cama e vem para perto de mim.
— Você é uma graça, sabia disso?
— Você acha? — Fico encabulado e ele sorri.
— Sim, filhote, eu acho. Meu pau fica durasso por sua causa.
— Isso é muito bom.
— É? Sabe em quantas situações constrangedoras já me colocou por
causa disso? — Seu tom faz meu coração bater forte.
— Não sei...
— Já cansei de me descascar, pensando nessa sua carinha vermelhinha.
— Passo as mãos pelo seu corpo delicioso até alcançar sua dureza entre nós e
começo a masturbá-lo.
— Eu também já me masturbei muito pensando em você.
— É mesmo? Isso cria um impasse entre nós e só podemos resolver
essa porra de um jeito.
— E qual é?
Sem dizer absolutamente nada, ele me beija muito lentamente, ao passo
que minha palma vai e vem em torno do látex apertado, deixando sua piroca
mais pronta ainda. Fábio afaga a minha bochecha enquanto me beija, e o
sabor da sua boca é a de vitória para nós dois.
— Já chega de esperar! — diz, ao se afastar. Ele me vira na cama com
extrema facilidade, em seguida abre o frasco com o lubrificante, deposita
uma boa quantidade na mão, a leva para minha zona redonda, então me deixa
totalmente lambuzado e escorregadio. O líquido é frio e agradável.
Ele faz o mesmo no seu pau, antes de deixar o frasco de escanteio e
apontar a sua longa arma para mim, fazendo-a beijar minha entrada. O toque
é singelo, contudo por estarmos tremendamente lubrificados, isso o facilita a
entrar de uma vez.
Meu susto faz com que solte um gritinho. Fábio passa um braço por
baixo do meu, leva a mão até minha boca. Sua barriga se cola em minhas
costas, sinto cada músculo da sua barriga e do peitoral.
— Shhhh... Não se preocupe, filhote. Relaxe pra mim — sussurra no pé
do meu ouvido, faço o que diz. — Isso mesmo, meu anjinho.
Ele escorrega para fora e retorna de uma vez. Quando todo o seu
talento entra em mim nessas primeiras vezes, sinto como se estivesse sendo
partido ao meio, embora esteja relaxado e concentrado, o tamanho e a
grossura só fazem jus quando alarga meu aperto.
— Tão... Apertadinho.
— Você gosta? — pergunto entre dentes.
— Sim, eu adoro! — Sai e entra, arrancando mais um gemido dos meus
lábios. — Você é delicioso.
— Então me come com vontade.
— Não me faz perder a cabeça, filhote.
— O que vai acontecer se perder? — Ele sai e entra com força, nossa
pele faz barulho e eu grito. — É só isso?
— Filhote...
— Me come, Fábio, como você come suas putas.
Isso é o suficiente pra ele se erguer comigo, me colocando de quatro,
suas duas mãos se agarram em minha cintura e ele começa a me comer com
força e potência. A cama começa a fazer barulho, mas tenho certeza que não
chega aos pés dos gemidos descontroláveis que escapam de minha boca.
Sinto seu saco batendo em mim, enquanto seu pau vai tão fundo que
não me surpreenderia se saísse por minha boca. Minha bunda bate contra sua
virilha e o lubrificante, antes geladinho, começa a pegar fogo e faz com que
sinta como se seu pau tivesse se transformado em um pedaço de brasa.
Reviro os olhos para o colchão aos sons encantadores dos gemidos do
meu comedor.
Suas mãos em minhas cinturas são firmes, me jogam para a frente e
para trás com extrema facilidade. Meu pau bate em minha barriga e pinga de
tesão. Seu cacete é a coisa mais deliciosa do mundo, poderia facilmente me
viciar com essa sacanagem toda.
— Seu cuzinho nunca mais será o mesmo depois dessa noite! Vou
acabar com suas pregas. — Minha resposta é um gemido alto, pois sinto que
já estou tremendamente largo por receber sua tora com tanta força. O calor no
meu ânus se expande, sinto-o subir para minha barriga. A cama resmunga
com rangidos e baques violentos, Fábio não para de meter forte e rápido.
Mesmo assim, não chego ao ponto de me arrepender por tê-lo
desafiado, só me sinto orgulhoso por ter conseguido. Ele mostra a que veio, e
eu sirvo como prato principal e sobremesa nessa comilança toda.
Posso me arrepender depois, mas agora só sei que estou onde sempre
quis, a sensação de ser dele é a melhor do mundo.
Fábio sai de dentro, isso me deixa vazio e aberto, me puxa pela cintura
e me guia para a ponta da cama, onde me puxa para seu colo. O abraço pelo
pescoço enquanto suas mãos seguram meu traseiro e me mantêm firme,
minhas pernas o envolvendo pela cintura. Volta a penetrar com facilidade
quando faz meu corpo descer em seu colo. Ele age com extrema sutileza e
desenvoltura, nem me pergunto quantas mil vezes já deve ter feito essa
posição nesse mesmo ponto do seu quarto.
Ele só tem que me impulsionar para cima e deixar que a gravidade aja
na descida abrupta e violenta, para me fazer foder com todo o seu cacete
duro.
Nessa posição, nossos olhos ficam colados o tempo todo. Nem consigo
me sentir intimidado por estarmos nos penetrando de tantas formas possíveis.
Ele me viu crescer, isso deveria ser estranho, contudo só me deixa cada vez
mais excitado e com vontade de pensar maluquices.
Me inclino para beijá-lo enquanto sinto sua grandeza tocando-me lá no
fundo.
— Você é um garoto levado! — geme ele, quando me afasto do beijo.
— Sabe como desvirtuar a cabeça de um pai.
— Não precisa de muito quando esse pai já é um tarado.
— Isso eu sou mesmo! — Sorri entre gemidos. Meus braços apertando
seu pescoço.
Estou literalmente pegando fogo lá embaixo.
— Seu pau é tão grosso!
— Não era isso que o filhote queria?
Mordo o lábio. Sinto os músculos grandes dos seus braços em mim, seu
peitoral delicioso roçando no meu peito magrelo.
Sem parar de me comer, ele se senta na beirada da cama. Ergo meus
pés para me apoiar, colocando-os ao lado de suas coxas definidas, meus
braços para continuar me firmando, porém inclino o corpo um pouco para
trás, e suas mãos continuam me fazendo pular nele, agora como se estivesse
me divertindo em um trampolim de sacanagem. A entrada é violenta, é rápida
e vibrante.
Ele delira de prazer e me sinto feliz por ser capaz de provocar isso nele.
Poderia tê-lo em mim para o restante da noite, mais um dia inteiro. Fábio é
tão adorável quando está em mim que é como se seu pau sempre fizesse esse
trajeto.
Minha bunda bate contra sua virilha lisa.
— Não vai demorar — informa. Como sei o que isso significa, começo
a me tocar, me masturbando enquanto quico em cima dele.
Meu tesão é tanto que explodo entre nós dois, me segurando para não
gritar o seu nome como costumo fazer quando estou sozinho em casa. Meu
orgasmo escorre em minha mão e sinto meu ânus esmagando seu dote lá no
meu íntimo, o fazendo gemer com a respiração pesada.
Fábio encosta a testa em minha clavícula, sem deixar de me comer,
mesmo com meu gozo nos melecando inteiro, o cheiro indescritível do sêmen
alcança minhas narinas.
— Ah! Cacete. — profere, antes que seus dentes agarrem minha pele.
Isso me faz gritar, mais de susto do que de dor, enquanto suas mãos me
seguram com o seu pau inteirinho engolido por minha bunda. Sinto a
vibração dele lá dentro, só lamento por não poder estarmos livres da
camisinha para que toda sua porra escorra em mim.
Não nos movemos por algum tempo, nossas respirações quase em total
harmonia no seu descontrole. Seu peito subindo e descendo veloz, como o
meu. Me agarro em sua cabeça e começo a acariciar seus cabelos. Mesmo
suado, ele cheira bem e suas mãos não soltam minha bunda.
— Minha nossa, filhote, que delícia — diz, se afastando para me olhar.
— Espero que tenha saciado todas as suas taras em mim.
— E você em mim. — Sorrio para ele.
— Eu imaginava que você era safadinho, mas nunca pensei que fosse
tanto.
— Mas eu não sou safado!
Agora ele quem ri. Seu pau perde espaço dentro de mim, por isso saio
de cima dele e me sento ao seu lado na cama, enquanto ele desencapa seu
pênis em meia-bomba e amarra a ponta do preservativo cheio do liquido
branco.
Encaro sua rola lambuzada com os resquícios de sua gozada, ainda
pingando. Em um impulso impensado, me inclino, a agarro com a gentiliza
de uma donzela e a meto na boca, com a ganância de minha fome.
— Porra! — resmunga, entredentes, uma mão agarrando minha nuca,
enquanto uso a língua como pincel para “limpar” sua piroca. Ela inteira está
marcada com o sabor do seu sêmen e não me arrependo de nada.
O pau meio mole escorrega com facilidade em minha língua. Com uma
mão gananciosa, me agarro ao seu saco volumoso, apenas para poder
aproveitá-lo um pouco mais, enquanto a pele do seu pênis roça em minha
língua.
Quando me levanto de novo, engulo toda a saliva com os resquícios de
seu gozo. O sabor só me faz desejar por um litro disso.
Fábio olha para mim com uma expressão de incredulidade, antes de sorrir e
aprovar minha rebeldia.
Desenho círculos ao redor do seu mamilo exposto, enquanto minha cabeça
está em seu peito, finalmente realizando minha vontade de usá-lo como
almofada. Nunca poderia pensar que isso se consumaria tão brevemente.
Estou realizado e feliz, embora saiba que nenhum de nós poderá levar isso
para a frente, uma vez que o histórico de Fábio garante isso. Não posso me
iludir, achando que sou especial ao ponto de fazê-lo me querer como alguém
fixo.
Seu braço me aperta contra seu corpo. Nós dois estamos de cueca,
iluminados apenas pelo abajur ao lado da sua cama. Já tomamos um belo
banho e enquanto eu me lavava, Luan havia mandado uma mensagem
avisando que não voltaria para casa. Esse se tornou o cenário perfeito para
nossa noite, então o combo veio quando Fábio me chamou para dormir aqui.
Não pensei duas vezes antes de aceitar, apenas para poder metermos de novo
mais tarde.
— Você acha que foi certo o que fizemos? — pergunto de repente.
— Já se arrependeu?
— Não, só que fico pensando... Você é o pai do meu melhor amigo. E
se depois ficar estranho entre nós?
Não ergo os olhos para o seu rosto. Fábio não responde de imediato,
apenas respira fundo e solta o ar lentamente.
— Não vai ficar estranho porque nós não precisamos falar sobre isso.
— É assim que funciona?
— Sim! — Paro de circular seu mamilo e repouso a mão em seu peito
macio. — Você e o Luan...
— O que tem?
— O que rola entre vocês? — joga de uma vez. — Ele te come ou o
quê?
— Não, seu filho é hétero.
— Então, qual é a de vocês?
— Isso importa?
— Não, isso não faz diferença pra mim — esclarece sem titubear. —
Vocês são jovens e tem mais que aproveitar a vida. Sempre digo isso a ele.
— Seria estranho se eu transasse com vocês dois. — Apesar que isso,
inegavelmente, seria um bom negócio pra mim, afinal Luan também tem um
dote e tanto. Tal pai, tal filho. — Mas Luan nunca me comeu.
— Entendi. E o que você sente por ele?
— Como assim?
Me sento de repente, seus olhos me seguem sem se modificarem.
— Você gosta dele só como amigo, ou algo mais?
— Só como amigo mesmo.
— Menos mal. — Ele esboça um sorriso, então me puxa de volta para
seu peito. — Relaxa, filhote, só estou curioso! Não quer dizer que tenha
alguma tara bizarra em ver meu filho trepando ou algo assim...
— Eu nem pensei isso.
— Só pensei que talvez você pudesse sentir alguma coisa por ele, pois
vejo como o olha e como parece encantado quando estão juntos.
— Nós somos amigos. Ele tem uma maneira de fazer com que me sinta
bem — esclareço com franqueza. — Mas e você?
— O que tem eu?
— Afinal de contas, você é bissexual?
— Isso importa?
— Não, mas quero saber.
— Sim, eu sou bissexual. Eu gosto de comer o cuzinho de homens, mas
não namoro com eles.
— Você é tão desprendido, isso parece até frio.
— De certa forma, é. — Sua indiferença me causa um reboliço
estranho. — Tem uns caras que esperam por romance, mas só posso dar
rolada.
— Por quê?
— Porque escolhi isso pra mim. Pegar homem é bom! Muita mulher se
recusa a dar o cu, mas os homens fazem isso sorrindo, além de pagarem um
boquete do caralho! Isso me basta.
— Entendi... — Pigarreio. Ele vira o rosto para mim, levo um tempinho
antes de retribuir seu olhar.
— Não era a resposta que você esperava?
— Vindo de você, não tem o que esperar.
— Vindo de mim? — Franze as sobrancelhas. — O que isso quer
dizer?
— Todo mundo sabe que você é um homem muito safado... Eu mesmo
já cansei de ouvir você metendo de madrugada quando dormia aqui.
— É mesmo? — Ele acha isso engraçado. — E o safado sou eu?
Fico sem graça.
— Você nunca namora por tempo o suficiente para virar algo sério.
Todo mundo sabe que você pega todas suas alunas.
— As pessoas inventam coisas e acreditam no que querem.
— Então é mentira que você pega suas alunas?
— Não, não é mentira, mas também não pego todas elas. Meu pau tem
que descansar, filhote. — Ele fala essas coisas com a mesma tranquilidade
com que poderia falar sobre comprar um carro azul.
— Você não pensa em se casar de novo?
— A independência da vida de solteiro me parece mais vantajosa nessa
altura da minha vida. — Sua sobrancelha volta a se erguer, porém sua voz
assume um tom de deboche quando interpola: — Não vai me dizer que agora
você quer virar a minha esposa.
— Eu não tenho idade pra isso — respondo, rindo.
— Falando sério: acho que ficar solteiro é melhor pra mim.
Não sei porque, mas sua resposta me deixa aliviado.
— Fábio...?
— Pode dizer, filhote. — Me ajeito em seu peito.
— Fui só uma trepada pra você?
— Como assim?
— Você disse mais cedo que esse pode ser nosso segredinho — ele
assente enquanto digo —, mas eu te desejo pra caramba. Não queria que
fosse só dessa vez.
— Levar isso em segredo não vai ser uma tortura pra você?
— Ninguém sabe que sou gay, esqueceu? — Minha pergunta é retórica,
ela por algum motivo o faz rir e isso me constrange. — O que foi?
— Ah, filhote, você é tão desatento...
— O que quer dizer com isso?
— Todo mundo finge que não sabe que você é gay, mas não se fala de
outra coisa sobre você por aí. Por que acha que sua mãe começou a pensar
nisso?
Sinto isso como se um buraco se abrisse no chão e estivesse prestes a
nos engolir. Novamente me sento na cama e fico encarando o outro lado,
mais tomado pelo breu do que pela luminosidade fraca do abajur.
Fábio não tarda a me puxar de novo para seus braços, porém dessa vez
ele arruma os travesseiros na cabeceira, coloca uma perna de cada lado do
meu corpo e me puxa para ficar meio sentado, meio deitado no seu centro.
Envolve meu tronco com seus braços fortes e poderosos. Isso me faz sentir
importante e sobretudo protegido por ele. Além do mais, assim consigo sentir
a protuberância dentro da sua cueca, em minhas costas.
— Não se preocupe com isso. As pessoas têm alguma coisa para falar
de todo mundo. — Me conforta. — Eles dizem que o Luan é seu namorado,
por isso Marília começou a reparar e veio me perguntar.
— Você acha que minha mãe me aceitaria?
— É claro que sim, ela só não sabe como abordar o assunto... E eu
menti mais cedo.
— Sobre o que você mentiu?
Viro a cabeça para encará-lo e ele me olha também, sério.
— Marília não me pediu para perguntar diretamente a você, sobre o
fato de você ser gay, ela pediu que perguntasse ao Luan, mas como eu já
queria te comer, achei que tocar no assunto poderia meio que funcionar como
uma isca para te trazer pra mim.
— E funcionou direitinho.
— Você não fica chateado comigo por isso, não é?
— Não, valeu muito a pena. — Sorrio.
Ele se inclina e beija meu pescoço, sua barba me faz cócegas.
— Tenho outra coisa pra confessar. — Engulo em seco, porém não
digo nada. — Tô saindo com uma mulher e nossa relação pode ficar séria.
Amei comer seu cuzinho e podemos repetir quando quisermos, mas tem que
ser com muito cuidado e em total segredo. Você consegue conviver com a
ideia?
— Estaríamos traindo uma pessoa.
— Em partes, sim?
— Como só em partes?
— Não sei se isso vai mesmo acontecer entre ela e eu, existem coisas
que precisamos ver antes de basearmos nossa decisão.
— Tipo o quê?
— Na hora certa saberemos. O que quero saber é se você consegue
levar as coisas assim.
— Mas e se eu me apaixonar por você? — Sou franco.
— Não vai, não.
— Quem garante? Não consigo mandar no meu coração, igual você faz.
— Vai ser só meteção, filhote. Nada demais.
— Nesse momento estamos abraçados, não teve só meteção. Acha que
eu deveria ir embora?
— Claro que não, relaxa. Essa noite é especial porque rompemos uma
barreira entre nós.
— Era com sua namorada que você ia sair essa noite?
— Sim — diz simplesmente. Seu peito sobe e desce em minhas costas.
Não sei o que pensar, o que sei é que não quero esquecer do que
aconteceu hoje à noite, gostaria muito de reviver isso quantas vezes for
possível, mas até que ponto vale ser o seu segredinho errado?
Será que o fato dele ser o pai do meu melhor amigo, isso já não faça da
gente um segredinho errado? Como será que Luan reagiria se soubesse que
seu pai curte pegar caras? E que, além de ter tara pelo rapaz que cresceu junto
com o seu filho, ainda o comeu e quer continuar comendo? Será que o fato
dele ser o pai do meu melhor amigo isso já não faça da gente um segredinho
errado? Como será que Luan reagiria se soubesse que seu pai curte pegar
cara? E que, além de ter tara pelo rapaz que cresceu junto com o seu filho,
ainda o comeu e quer continuar comendo?
Não sei em quantos níveis isso pode ser considerado errado ou não, até
porque por mais que ele seja muito mais velho do que eu, não muda o fato de
que já sou maior de idade.
— Em que está pensando? — Sua voz forte me arranca do devaneio
com a força de uma pedrada.
— Estava pensando se o que fizemos foi o certo.
— Você disse que não se arrependeu.
— Não me arrependi! — garanto, firme.
— Então, por que continua nisso, filhote? — Apesar da descontração
em sua voz, há firmeza, assim como seus braços férreos me seguram. — Eu
não fiz nada que você não quisesse ou vice-versa, você não é menor de idade
e nós dois gozamos no final. O que haveria de errado nisso?
— Luan é meu melhor amigo.
— E vai continuar sendo. Eu ser o pai dele não muda em nada.
Me afasto para mudar de posição, me sento em seu colo, virando para
ele, coloco as mãos em seus ombros e ele segura minha cintura. Sua beleza
me desconcerta.
— Minha mãe acha que vejo você como um pai.
Ele franze os lábios.
— Eu nunca cumpri esse papel, Heitor, e nunca farei isso.
— Tem razão, estou sendo um idiota.
— Não pense isso de você mesmo, filhote. Você é uma gracinha. —
Sinto meu peito enchendo de um sentimento bom por suas palavras. — Eu
gosto muito de você, como um homem gosta de um pretendente, não como
um pai gosta de um filho. Não precisamos pirar as ideias achando que o
parafuso ficaria firme na melancia.
— Tem razão.
— Agora me beije e me deixa de pau duro de novo!
Me inclino e o beijo com uma lentidão demorada, nosso contato
fazendo bastante barulho. Terminamos em uma pegação mais barulhenta
ainda, na madrugada pecaminosa. Nunca gemi tanto em um único dia,
quando terminamos, sinto como se ele estivesse dividindo o meu corpo,
depois que seu pau me deixa todo largo e amparado.
Acabamos dormindo juntos, inteiramente nus, sem mais pensamentos
insanos ou ideias erradas. Apago rapidamente em seus braços e não sonho
com nada, enquanto sinto a sua respiração em minha orelha.
Quando acordo, estou sozinho na cama. Me sento de uma vez e
inspeciono o cômodo, para me certificar que não estou em meu quarto. O
recinto está claro, pois a janela do aposento encontra-se entreaberta, a luz de
um sol brilhante invade o espaço. Acabo sorrindo ao constatar que realmente
me encontro onde estava antes de dormir. De fato, tudo aquilo foi real,
embora paire por minha cabeça como um sonho impossível.
Me deito de novo quando a porta do quarto se abre e Fábio entra,
usando sua cueca, carregando uma bandeja de café da manhã. Ele sorri para
mim enquanto caminha descalço até a cama, e coloca a bandeja ao meu lado.
— O que significa isso?
— Ainda em comemoração à ontem à noite.
Na bandeja há frutas, torradas com geleia e requeijão, os biscoitos que
ele preparou ontem, duas xicaras com café com leite e dois grandes copos de
sucos.
Fábio se senta na cama e faz um carinho em minha perna.
— O Luan já chegou? — pergunto baixo.
— Não, ele não volta por agora. Me mandou mensagem avisando que
só volta mais tarde. A noite não foi boa só pra nós dois. — Ele parece
orgulhoso. — Acho que ele está namorando.
— É mesmo? — Isso me surpreende, pois ele não me disse nada.
— Sim, mas não vamos falar dele. Você dormiu bem, filhote?
— Impossível não dormir, depois da noite de ontem. — Sorrio. —
Você trata assim todas as mulheres que pega?
— Eu sou um cavalheiro.
— Que pena, pensei que fosse dizer que sou diferente. — Ele ri.
— Come logo porque depois temos que conversar.
— Conversar sobre o quê?
— Primeiro, a gente come, depois conversa. — Pego um dos biscoitos
que ele preparou no dia anterior e tiro um grande pedaço. Esse é um daqueles
com nozes e o sabor é incrível. — Tá gostosinho?
Assinto. Ele me entrega a caneca com café e vai pegar seu celular na
cabeceira, mexe no aparelho enquanto consumo minha bebida quente e como
meu biscoito.
É impossível não ficar maravilhado com sua beleza, todos os seus dotes
e atributos. Sua saúde impecável e sua mala sempre pronta para uma viagem
longa. Quando dou por mim, já parei de comer e estou com os olhos fixados
em sua bagagem dianteira. Nenhuma das frutas na bandeja me pareceu tão
atrativa e apetitosa.
— Olha só... Depois não quer que ninguém desconfie que é viado. —
Brinca, tapando a região com a mão, segurando-o como quem segura uma
laranja no pé.
Volto a mim, sem graça, meu rosto queimando.
— Ficou coradinho. — Se inclina e belisca minha bochecha.
Nesse momento, antes que possamos falar mais qualquer coisa, há
batidas na porta. Pelo volume, compreendo que é na porta da frente.
Encaro Fábio, completamente sem reação. Ele me encara de volta com
as sobrancelhas franzidas.
— Vou ver quem pode ser. Você não sai daqui e nem faz barulho.
Apenas assinto enquanto ele se dirige para a saída.
Coloco o biscoito e o café de volta na bandeja e tento me manter
tranquilo, porém a curiosidade começa a me consumir, por isso saio da cama,
caminho lentamente até a porta e encosto o ouvido nela. Talvez seja a
namorada que ele mencionou, poderia ser esse o assunto da conversa que ele
pretendia ter depois. Provavelmente me pediria para ir embora correndo, para
que pudesse recebê-la à vontade.
Não consigo ouvir nada, por isso, sem fazer barulho algum, giro a
maçaneta e abro a porta o suficiente para facilitar a entrada do som. O mal do
fofoqueiro é a sua curiosidade!
— Eu avisei que não poderia ir. — Fábio diz, baixo. É nítido que ele
não quer que eu ouça nada.
— Você não disse o que aconteceu pra adiar nossos planos.
Meu coração acelera ao ouvir a voz da mulher, pois a reconheceria em
qualquer lugar.
Abro a porta do quarto um pouco e inclino a cabeça para fora. Congelo, nisso
passa um filme em minha cabeça, pois a mulher que fala com ele é ninguém
menos que a minha mãe.
As palavras da minha mãe reverberam em minha cabeça como uma bala
ricocheteando nos filmes.
— Eu sei, Marília, mas prometo que vou te recompensar — responde
Fábio com o mesmo tom safado que usou comigo ontem.
— Luan está em casa? — quer saber minha mãe, baixo.
— Ah... Não. Ele não dormiu em casa.
— Ótimo... — Eu juro que não gostaria de ver isso, mas estou
congelado e me sinto posicionado no camarote mais ingrato da terra.
Vejo quando minha mãe envolve os braços no pescoço de Fábio,
igualzinho a como também fiz ontem à noite, e o beija demorado. Eles meio
que deslizam para dentro e minha mãe fecha a porta rápido com o pé, antes
de se afastar dele e, rapidamente, preencher a mão com o pacote do homem.
Fábio claramente gosta, contudo vira o rosto e me vê, o que imediatamente
faz com que toda a cor suma dele.
Encontro minhas ações perdidas no limbo que me sugou, recuo para
dentro do quarto e com o mesmo cuidado que usei para abri-la, fecho a porta
em silêncio e torço para que a minha mãe não tenha visto meu movimento.
Meu coração está acelerado e minha cabeça gira. A felicidade que senti
se transforma em algo aterrorizante e violento. A imagem da minha mãe
pegando no pau de Fábio não vai sair da minha cabeça tão cedo, por mais que
ela o tenha feito por cima da cueca. Ainda bem que ela não se ajoelhou ou
então eu teria presenciado ações os suficientes para virarem pauta de uma
sessão inteira de terapia.
O fato é que agora sim, tenho um motivo para me sentir culpado. Como
ele pode fazer isso? Quantas vezes será que os gemidos que ouvi enquanto
me masturbava no quarto ao lado não eram os da minha mãe? Isso faz com
que tenha que me sentar na cama, pois fico enjoado. Sinto como se o que
coloquei para dentro estivesse prestes a ser gorfado.
Oro em silêncio para que um coito não esteja se iniciando na sala,
porém não fico esperando para ouvir nada. Utilizo meu tempo para recolher
minhas roupas e me vestir. A porta do recinto se abre no exato momento em
que termino e, junto com meu coração que sobre e trava em minha garganta,
me paraliso com os olhos esbugalhados em direção a entrada.
Nunca tive tanto medo de ver a minha mãe entrando pela porta, todavia
quem entra é o canalha ordinário, com uma expressão de culpado ao mesmo
tempo que me olha como um cão que cai da mudança. Minha vontade é de
pegar a maldita bandeja de café da manhã e lançar contra ele; ao invés disso,
só tento engolir as batidas do meu coração, mas não consigo.
— Ela já foi? — pergunto entredentes, virando o rosto para não o olhar.
— Sim.
— Então também já vou.
Encarando meus próprios pés, sigo para a saída como um foguete,
todavia Fábio segura meu braço com delicadeza, sem deixar de ser firme.
Dou um tapa em seu braço, para fazer me soltar, mas não adianta.
O encaro com raiva.
— Me deixe sair!
— Você não vai! Não sem antes me deixar explicar, filhote.
— Não me chame mais de filhote! — Me viro em sua direção e uso
todas as minhas forças para empurrá-lo contra a parede. O baque é pesado e
ele me larga.
— Eu ia te contar, Heitor, juro que ia.
— Não tente mentir para mim! — esbravejo. — Você é ardiloso! Como
teve coragem de me comer e ainda falar da sua namorada como se eu não a
conhecesse? Você é um filho da puta!
— Eu sei que sou, mas ia te contar quando você bateu na minha porta
ontem, só que não tive tempo. Você jogou que é gay e que me desejava,
simplesmente perdi o rumo porque eu também sempre te desejei... Poxa,
filhote, eu só agi por impulso, me deixei cair na tentação do meu pau.
— Não me chama mais assim! — O empurro novamente contra a
parede, porém Fábio segura meus pulsos e me mantém imóvel com
facilidade. — Me larga! Eu juro que grito e faço um escândalo.
— Por favor, não faça isso.
— Então me solte!
— Eu solto, se me prometer que vai conversar comigo.
— Você não está em condições de fazer exigências, Fábio. Só me larga
ou eu chuto seu saco com tanta força que você nunca mais vai produzir
esperma!
— Me deixe explicar essa merda, filhote.
— Não me chama assim... — Não era a intenção, porém minha voz
perde toda a pompa e ao invés de soar raivoso e firme, só consigo soar como
se estivesse implorando.
Fábio me solta lentamente e se posta diante da porta, a fecha e a tranca.
Eu não pretendia correr, porém me movo para o canto oposto ao que
ele está e cruzo os braços, apoiado na parede.
Tento manter meus olhos centrados em seu rosto, uma vez na vida sem
me perder em seu volume. Fábio se aproxima e isso não facilita, seu corpo é
um imã para o pecado.
— Diga o que tem a me dizer e me deixe ir embora daqui!
— Me desculpe por não ter contado antes, mas não minto quando digo
que iria contar.
— Você teve muitas chances! Me perguntou se sou gay como uma isca,
que caí, já sabendo que pegava minha mãe e mesmo assim você fez! —
retruco. — Poxa, Fábio, você deveria ter dito.
— Eu sei.
— Há quanto tempo vocês estão juntos?
Ele hesita.
— Sempre nos pegamos. Nunca foi nada muito fixo, era mais quando o
tesão batia e estávamos a fim.
— E o que mudou?
— Tudo.
— Como assim?
— Sua mãe está grávida.
Sinto como se estivesse caindo de um prédio de milhares de andares,
onde a queda nunca termina.
— O quê?
— Ela me contou faz pouco tempo, mas como está no início ainda não
podemos fazer o DNA, então vamos esperar até dar pra fazer e depois
decidimos como vai ser.
— E tem chance de não ser seu?
Nos encaramos por um tempo. Sinto meu peito como se estivesse
vazio.
— Não temos um relacionamento. Pego quem quero e ela também faz o
mesmo, por isso falei que nossa relação pode ficar séria, não quer dizer que
vai, nem que será como se fôssemos nos casar. Era da criança que me
referia... — Escorrego na parede e me encolho, minha cabeça começando a
latejar, com tantas informações. — Por isso disse que em partes estaríamos
traindo. Não poderemos contar a ela sobre nós, mesmo que essa criança seja
minha.
— É claro, isso é loucura! — retruco, alto.
— Eu sei! Compreendo se desistir de mim aqui, só imploro que não
conte nada a sua mãe ou ao Luan. Esse ainda pode ser o nosso segredo. —
Fico de pé de novo. — Não é como se sua mãe e eu fôssemos casados e eu a
estivesse traindo com você. Além do mais, se lembre que esse filho pode não
ser meu, ela também pegou outras pessoas.
— Mesmo assim, você poderia... Não, você deveria ter me contado a
verdade antes! Por mais que vocês não tenham nada sério, eu merecia saber.
— Você tem toda a razão, me desculpe.
Apenas assinto.
— Vou embora agora.
Começo a caminhar, contudo sou puxado pela cintura e meu corpo se
cola ao de Fábio. Sinto tudo com tanta intensidade quanto gostaria de sentir,
inclusive em meu íntimo.
Engulo em seco.
— Por favor, filhote, não conte a ninguém sobre nós.
— Se esse é o seu medo, eu não vou.
— Meu medo não é só esse... — Me viro em seus braços e olho dentro
dos seus olhos. Perco o rumo quando noto que seu olhar está triste. — Não
queria que parássemos o que começamos ontem.
— Não tem como isso continuar agora, Fábio.
— Eu sei...
— Mas não se preocupe, não vou contar nada pra minha mãe ou pro
Luan, pelo menos não até termos o resultado desse DNA. Se o filho for
mesmo seu, nós vemos o que faremos, mas se não for, então quero que pare
de sair com a minha mãe.
— Mas vou ter você?
Apenas olho para ele. Me desvencilho dos seus braços, me viro,
destranco e abro a porta pra sair do quarto, contudo tenho outra surpresa, pois
do outro lado encontra-se ninguém menos do que Luan, de pé, com a jaqueta
de couro em sua mão, camisa branca, jeans rasgado e cabelo desgrenhado.
Ele franze as sobrancelhas olhando de mim para o seu pai, encarando-o
de cima a baixo ao constatar os trajes íntimos com que Fábio está. Meu
coração não para de ter surpresas.
— Heitor... pai — o tom desconfiado é latente em sua voz. Ele é forte,
igual ao pai, e tem olhos fundos, consequências de muitas noites de gandaia e
dias puxados de trabalho. — O que estão fazendo trancados nesse quarto? E
por que você está só de cueca?
— Filho, você não disse que voltaria só mais tarde?
Luan deixa a jaqueta no chão e entra no quarto com passos pesados,
passa pelo pai e vai até a cama, onde vê a bandeja com o café. Olho para
Fábio sem saber o que fazer, mas ele não parece apavorado.
— Café pra dois... Isso aqui é o que eu acho que é? — Ele coça a
cabeça.
— O que você acha que é, Luan? — Fábio cruza os braços, imponente.
Luan me olha de relance, todavia não tem tempo de dizer nada, pois o pai
explica: — Você não foi o único que teve uma noite boa, também tive. Seu
amigo está aqui porque estávamos falando sobre a mãe dele.
— O que tem a sua mãe?
— Está grávida.
Luan arregala os olhos e sua cor desaparece.
— Qual o problema, Luan? — questiona Fábio.
— Acho que estou enjo... — Ele não termina o que iria dizer, se inclina
e vomita nos próprios pés e no do pai.
— Porra, Luan! — resmunga Fábio dando um salto para trás. Luan se
levanta com lágrimas nos olhos.
— Desculpe, acho que bebi demais ontem à noite.
— Você acha? Vai logo pro banheiro, seu corninho!
Abro caminho para que meu amigo passe, o cheiro do seu vômito arde
em minhas narinas como se ele estivesse usando um perfume estragado.
Coloco a mão na boca e no nariz quando me viro para o homem no
quarto. Fábio me olha com uma expressão pouco animadora.
— Acho que é melhor eu ir embora — digo baixo.
— Nos falamos depois — sussurra tão baixo que quase não o ouço.
Simplesmente me viro e começo a ir em direção â saída, contudo sou
interrompido pela voz de Luan me chamando.
Me viro, ele me olha por uma pequena brecha na porta.
— Você está bem, Luan?
— Não, eu tô... Entra aqui! — A porta se escancara, entro e a fecho em
minhas costas. Luan está apenas usando uma cueca preta que é quase tão
justa e recheada quanto a do pai. Ele se senta em sua cama, arqueia as costas
e fica encarando as próprias mãos, os braços apoiados nas coxas.
— Qual é o problema? — Quero saber, sem me mover.
— É verdade que sua mãe está grávida?
— Sim! — Gostaria que minha voz não soasse tão desanimada.
Luan me olha com uma expressão triste.
— Acho que é meu.
Sinto suas palavras caindo em cima de mim como um monte de terra,
prestes a me soterrar.
— O quê?
— Desculpe. Sua mãe e eu, nós...
— O quê? — repito. Parece que isso é mentira. — Você... pegou a
minha mãe? Como assim?
— É uma longa história, mas foi só uma vez. A camisinha estourou e
acabei gozando dentro.
— Não precisa dos detalhes! — Ergo as mãos e tapo a boca.
De repente, parece que estamos vivendo em um grande: CASOS DE
FAMÍLIA.
Apoio minhas costas na parede ao lado da porta.
— Você sabia que o seu pai também ficava com ela? — Nem preciso
de uma resposta, pois a maneira como me olha já basta. — Por que nunca me
contou sobre isso?
— Eu não sabia como você reagiria, tinha medo que surtasse.
— Por que pensou isso? — Ele dá de ombros. — Seu pai não sabe
sobre você e minha mãe terem ficado?
— Não, ele não pode saber que esse filho pode ser meu.
Sem que consiga evitar, a porta se escancara com força e Fábio entra no
quarto de uma vez. Nem ele e nem Luan dizem nada por algum tempo, o
clima vai se modificando conforme o silêncio se prolonga, sem saber o que
fazer com minhas próprias mãos, as junto em conchas na frente do corpo e
fico encarando-as.
— Quando isso aconteceu, Luan? — indaga o pai, sua voz séria.
— Foi há um mês, mais ou menos... Marília esteve aqui pra falar com
você, mas você estava fora, então acabou rolando. Juro que foi só dessa vez.
— E pelo visto foi o suficiente, não é?
— Tá decepcionado comigo? — A voz de Luan falha.
Encaro Fábio, que o olha com seriedade, embora não aja sinal de ira. O
homem está usando calças de moletom, uma camisa cinza e chinelos. Ele
caminha até a cama e se senta ao lado do filho, coloca a mão e sua cabeça e
afaga seus cabelos.
Luan começa a chorar, meu coração se estraçalha em um milhão de
pedacinhos por vê-lo nesse estado. O pai puxa a cabeça do rapaz para seu
peito e usa o braço livre para envolver seu ombro.
— Me desculpe, pai, eu não deveria ter feito isso! — soluça o rapaz.
— Não se preocupe, Luan. Tudo vai se resolver. — Gostaria de ter a
certeza que Fábio transmite com sua voz potente. — Agora só nos resta
resolver a situação como adultos.
Seus olhos vêm para cima de mim, como se esperasse que concordasse
com ele. Um nó se forma em minha garganta. Isso é doido, parece até enredo
surtado de novela mexicana. Minha mãe pegava o pai, ficou com o filho
enquanto eu “brincava” com o filho e acabei pegando o pai. Embora nada
disso tenha sido planejado, todos nós estamos ligados agora.
Não consigo mais ficar aqui, então apenas me viro e saio sem me
pronunciar. Deixo que os dois se resolvam sozinhos e sinto meus sentimentos
se manifestando como lágrimas em meus olhos quando finalmente alcanço a
saída e abro a porta para a manhã ensolarada.
Está tudo na mais perfeita normalidade, embora dentro de mim tudo
esteja um caos. As pessoas saindo para aproveitar o domingo, gente
caminhando na calçada e carros passando na rua.
Do outro lado, a minha casa está como sempre esteve, com paredes
cuidadas e a grama do quintal aparada. Caminho até lá sem muito
entusiasmo, coloco a mão na maçaneta e respiro fundo antes de entrar.
— Por Deus, meu filho, onde você esteve? Cheguei em casa e não te
encontrei, seu celular estava no quarto... Já estava quase ligando para a
polícia! — dispara minha mãe, antes mesmo que eu entre direito. Ela corre
para me abraçar e me aperta por um instante. — Qual é o problema? Parece
que você viu um fantasma.
Engulo em seco.
— Você está grávida, mãe?
Ela abre a boca, contudo torna a fechá-la sem dizer nada de imediato.
— Ele te contou? — Por um instante, não sei se está se referindo a
Luan ou ao pai dele. Olho para ela, que me olha de volta, e só então a minha
ficha cai e percebo porque pareceu tão preocupada com a minha visita a casa
de Fábio no dia anterior. Ela não estava preocupada se ele tinha me
perguntado se sou gay, ela estava preocupada se ele tinha me contado que ela
está grávida.
Minha mãe se afasta e caminha pela sala organizada. Para, diante de
uma parede no outro lado, apoia uma mão e a outra na cintura. Apesar de
qualquer coisa, minha mãe não aparenta a idade que tem. Sendo um ano mais
nova que Fábio, ela parece muito mais jovem. Seus cabelos caem nas costas.
— Ele não deveria ter contado — diz.
— Por que não?
Minha mãe demora a responder, parecendo encontrar as palavras certas.
Antes mesmo de dizer, já sei o que virá.
— Por que o filho pode não ser dele, ele pode ser do...
— Luan — completo, o que faz com que ela se vire de uma vez,
carregando uma expressão confusa. — É, ele me contou.
Poupo os detalhes.
— Você não ficou chateado?
— Por que ficaria?
— Você e ele não são...?
— Mãe, nós somos amigos e nada mais! — Por alguma razão, isso faz
com que ela respire aliviada. — Mas sim, eu sou gay. Sei que quer saber isso
e não tem coragem de perguntar. Também estava adiando, por achar que não
estávamos prontos.
Lágrimas começam a inundar os seus olhos e por um instante não sei se
isso indica tristeza, decepção ou outra coisa, até que minha mãe praticamente
corre ao meu encontro e me puxa para seus braços. Por muito tempo em
minha vida, sinto que esse abraço era o que eu mais precisava, ele representa
uma base para nós dois. Retribuo seu aperto e somos tomados por um
sentimento bom que me faz perceber que não importa nada além do fato de
que nos amamos acima de tudo.
Os braços da minha mãe me confortam de uma forma e nem é pelo fato
de que sou gay e sim pelo fato de que sei que dormi com o homem que pode,
daqui há alguns meses, se tornar o pai da criança que está sendo gerada em
sua barriga. Isso sim é um impasse.
— Eu te amo muito! — diz minha mãe ao se afastar. — Vou sempre
estar ao seu lado, te apoiando, meu bem.
— Eu sei, mãe, eu também sempre estarei ao seu lado — garanto.
Quando nos olhamos, ela ainda está com lágrimas nos olhos, contudo
só me vem a mente o momento em que a vi metendo a mão por entre as
pernas de Fábio. Isso me desconcerta um pouco.
— Então, me conta. Você e o Fábio, como é isso?
— Não temos nada, nunca tivemos e nunca teremos. Ele não é homem
pra casar — explica de uma vez. Não sei porque, mas isso me alivia. Assinto.
— Entendi.
— Independente de quem seja o pai dessa criança, não tenho intenção
de me relacionar com nenhum deles, só preciso de você em minha vida. —
Suas palavras me deixam feliz. — Eu sei que isso pode parecer estranho,
afinal que tipo de mãe eu seria se soubessem que dormi com aqueles dois...
— Não se preocupe com isso, mãe. Deixem pensar o que quiser, afinal
de contas as pessoas inventam coisas e acreditam no que querem. — Usar as
palavras dele é meio estranho agora. — Ninguém nunca te ajudou a manter
essa casa, então não é da conta de ninguém com quem você sai ou deixa de
sair.
Ela me olha com ternura, ergue a mão e afaga minha bochecha.
— Você tem razão, mas não será estranho pra você?
— Não se preocupe comigo.
— Me preocupo e me arrependo por ter ficado com o seu melhor
amigo.
— Acredite, ele também se arrepende.
— Melhor assim — Ela ri de um modo estranho. Não compreendo o
que isso significa, todavia não me importo. — Mas você não me respondeu,
Heitor. Por onde esteve até agora?
— Eu tive uns sonhos estranhos essa noite e sai cedo pra espairecer um
pouco — minto na cara dura e soo tão convincente que até eu mesmo
acredito.
— Que tipo de sonho?
— Não se preocupe, mãe.
Dou de ombros, me desvencilho dela e sigo para a cozinha para tomar
um gole de água. Se tem uma coisa que quero nesse momento, é me afastar
dos pensamentos que cercam Fábio e Luan, muito embora seja praticamente
impossível esquecer da noite de ontem.
Vamos deixar que o tempo responda se nosso envolvimento poderá
voltar a acontecer ou não.
Sinto uma coisa estranha, um aperto inesperado. Tomo minha água sem saber
o que isso significa.
Olho através do vidro, para a criancinha em um berço, envolta de cobertores
e com uma pulseirinha rosa em seu pulso. Verena, é o seu nome.
Dizem que recém-nascidos não se parece com ninguém, além de um
grande joelho, mas agora que estou diante dessa criaturinha fofa, isso parece
até injusto de se dizer, uma vez que quando você ama muito um bebezinho
desses, não interessa se ela parece um joelho, ela vai ser incrivelmente linda e
sempre vai parecer com os pais.
No caso de Verena, minha meia-irmã, posso garantir com precisão que
se parece mais com a minha mãe do que com o pai. Embora ele também seja
muito bonito, ver que me lembro mais da minha mãe quando a olho, só me
deixa incondicionalmente confortável.
Jamais pensei que diria isso na vida, mas a ideia de ser um irmão mais
velho, nesse momento, não parece tão absurda, mesmo que não possa
prometer que tenha o juízo e me torne um exemplo para ela algum dia.
— Ela é a coisa mais linda, não é mesmo? — Viro o rosto e encaro o
homem ao meu lado. Ele sorri para a criancinha como se ela estivesse
olhando diretamente para ele.
Fábio está inconfundivelmente feliz. Vestido em uma camisa branca,
jaqueta jeans, calças escuras e coturnos, ele poderia facilmente se passar por
seu irmão mais velho em meu lugar.
— Sim, ela é — concordo, sem jeito. Meu rosto se queima, pois queria
poder dizer o quão gato ele está hoje, porém me contenho e volto a encarar a
menininha que dorme sem qualquer preocupação na sala, com várias outras
criancinhas fofas.
— Então... Será que podemos conversar?
— Não é o que estamos fazendo? — Minha pergunta é retórica.
— Será que podemos conversar em outro lugar? — Volto a olhar para
Fábio enquanto cogito uma resposta decente.
Por fim, assinto, me viro e saio pelo corredor iluminado e asséptico do
hospital. Algumas pessoas passam por nós pelo corredor e ele me segue de
perto, quase como se fosse o meu segurança particular.
Paro em um corredor qualquer, o mais vazio que encontro, cruzo os
braços e me apoio na parede.
— Não podemos demorar, antes que comecem a sentir nossa falta —
trato de dizer.
Fábio assente, ergue a mão e acaricia a barba. Gostaria de poder tocá-la
enquanto colo meus lábios aos seus, contudo devo me conter.
— Como ficamos? — Quer saber.
— Como assim?
— Já faz muito tempo que tudo isso aconteceu. Agora que a menina
nasceu, não precisamos mais fugir disso, ela não é minha filha e não
precisamos negar nosso tesão, filhote.
— Você não é o pai, mas é o avô e pegava minha mãe! — digo.
— Você é o irmão e tem a sua história com o Luan.
— Nós somos amigos — esclareço. — É diferente.
— Não é tão diferente assim, filhote. — Ele respira lentamente. —
Quero ter você de novo.
— Em segredo?
— Sempre em segredo, filhote, sabe disso.
Olho para a frente. Dois médicos passam por nós e nos ignoram,
conversam entre si.
— Eu não sei se quero viver assim! E se eu me apaixonar por você?
— Não vai, não. — A certeza em sua voz me deixa seguro e deprimido.
— Você não pensa em mim? Não pensa em como aquela noite foi boa?
— É claro que sim, mas já fazem meses. Acho que devemos enterrar
isso no passado, pelo nosso próprio bem.
— Eu jurei a você que não vou mais ficar com a Marília e vou cumprir,
não precisamos apagar a chama de algo que foi tão gostoso pra nós dois.
Depois daquele dia, evitei ao máximo ir em sua casa, não respondia as
mensagens que me mandava no celular e fingia que não o via na rua. Ele me
respeitou e não batia em minha porta se não para ir ver como minha mãe
estava, claro que a presença de Luan lá também se tornou mais presente.
Quando não era Fábio que levava minha mãe nas consultas, era o filho, e eu
me sentia como a peça deixada de escanteio no triangulo amoroso deles, isso
começou a me fazer mal e passei por meses difíceis.
Nessa história, minha mãe e Luan acabaram firmando um
relacionamento, mesmo que ela tenha me garantido que não faria isso. Ela me
confidenciou o seu amor pelo meu melhor amigo e a incentivei a lutar por
isso. Não fiquei chateado, mas confesso que demorei pra me acostumar com
o meu melhor amigo tratando a minha mãe como a sua mulher. Pouco antes
do nascimento de Verena, eles decidiram firmar a relação e Luan até se
mudou para a nossa casa.
Fábio estava feliz pelo filho, embora a união da minha mãe com o
rapaz tenha se tornado uma fofoca ardente na vizinhança. Chamavam minha
mãe de tudo quanto é coisa pelas costas, o que é uma grande hipocrisia, uma
vez que há duas casas de distância, um vizinho também se casou com uma
moça mais nova e ninguém dizia nada sobre eles.
Com falatório ou não, sei que minha mãe e Luan estavam felizes; logo,
eu também estava. Como prometi, não contei para nenhum deles sobre meu
caso com Fábio e convivia com a lembrança e o desejo de voltar para ele.
Faltando pouco tempo para minha irmã nascer, fizeram um DNA e o
resultado comprovou a paternidade de Luan, o que aliviou a todos, inclusive
a mim.
Mas se antes ser amigo do seu filho era um possível empecilho, agora o
fato dele ter se transformado em meu padrasto era um ainda maior.
— Não me torture desse jeito, filhote.
— Agora somos praticamente da mesma família. Você era ficante da
minha mãe, agora você é o sogro dela. Não acha que seria esquisito se de
repente começássemos com isso de novo?
— Só é esquisito porque você quer que seja, filhote. Não é como se
estivéssemos cometendo um ato incestuoso ou algo do tipo e não tô
prometendo que vamos nos casar.
No fundo, suas palavras me deixam mais triste.
O encaro, sério.
— Você quer lutar por mim, mas só se for para eu ser o seu segredinho.
Enquanto isso, vai continuar pegando todo mundo e quer que eu faça o
mesmo?
— O que você espera de mim, filhote?
— No momento, espero que seja um bom avô pra minha irmã e um
bom sogro pra minha mãe.
— Eu quero ser um bom amante pra você! — sussurra.
Ergo a mão para tocar o seu rosto, contudo alguém passa por nós e
Fábio se afasta de mim com tanta rapidez que só consigo ficar segurando o
vazio que nos separa.
— Você nem consegue dizer isso em voz alta. — Sou honesto. — Se
eu ficar com você, não quero que seja por tesão, Fábio. Quero alguém que
lute por mim igual o seu filho lutou pela minha mãe... Ele teve coragem de
dar a cara a tapa, mas se você não consegue fazer isso, então não teremos
nada.
— Não posso te dar isso! Não sirvo pra relacionamentos, filhote. É
melhor assim, porque me conhecendo bem, gosto de me manter livre pra
pegar quem quiser.
— Muito bem, então pode ficar livre, mas também não me terá quando
seu pau ficar duro pensando em mim.
Jogo as palavras e sem esperar por resposta, desencosto da parede,
cruzo novamente os braços e sigo pelo corredor infestado de luzes brancas.
Por mais que o desejo e o prazer sejam uma coisa gostosa, ser o seu
segredo não me basta. Eu desejo Fábio como jamais desejei outro homem, é
um desejo que me corroeu por anos e foi se intensificando. Nossa noite de
prazer foi a melhor noite da minha vida, mas acabou de uma forma abrupta e
sem remendo.
Me sinto frustrado e decepcionado, isso se converte em lágrimas
enquanto sigo de volta para o quarto de minha mãe.
É nesse momento em que percebo que por mais que não tenha aceitado
antes, estou totalmente apaixonado pelo pai do meu melhor amigo. Talvez
sempre estive.
Que seja, alguns amores não foram feitos para serem vividos, pois amar
apenas não basta e lutar cansa e nos danifica, uma vez que o outro lado não
está disposto a fazer o mesmo por você. Talvez Fábio não seja capaz de me
ver como alguém que serve para estar contigo, uma vez que amor não faz
parte de sua lista de prioridades e ele não saiba como corresponder a isso.
Dói perceber que apesar de muito boa, nossa noite juntos realmente foi
um erro, o qual irei levar para sempre em minha vida.
Acho que aquela frase da minha mãe estava equivocada. Alguns sonhos não
são impossíveis, alguns deles servem apenas para continuar sendo um sonho.
E o meu desejo por Fábio deveria ter sido pra sempre um desejo que me fazia
terminar a noite no cinco contra um, pois agora de qualquer jeito, continuarei
com minhas mãos vazias.
Não se esqueça de, por favor, avaliar e registrar a sua experiência com esse
livro. É de grande valia para a visibilidade do meu trabalho e me motiva cada
vez mais.

Não se esqueça: para o caso de ter gostado do conto, o indique aos seus
amigos e conhecidos, mas para o caso de não ter gostado, indique aos

inimigos e propague a literatura acima de qualquer rivalidade.


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No momento só não respondo a sinais de fumaça, mas prometo
melhorar isso. Hahaha
Poxa vida, me segue nas redes. ;)

Muito obrigado por ler!

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