0% acharam este documento útil (0 voto)
62 visualizações63 páginas

Alvorando A Quimica

livro alvorando a química
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
62 visualizações63 páginas

Alvorando A Quimica

livro alvorando a química
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Primeira edição

2021
Copyright  Irene Teresinha Santos Garcia
Capa: Sheila Pereira Krigger com atributos do [Link]
Editoração: TotalBooks
Revisão: TotalBooks
2021

Primeira edição

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Alvorando a química / [Irene Teresinha Santos Garcia,
coordenadora]. -- 1. ed. -- Porto Alegre, RS : TotalBooks,
2021.
PDF

Vários colaboradores.
ISBN 978-65-88393-22-2

1. Química - Estudo e ensino 2. Química - Problemas,


exercícios etc. I. Garcia, Irene Teresinha Santos.

21-85760 CDD-540.7

Índices para catálogo sistemático:


1. Química : Estudo e ensino 540.7
Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380

Todos os direitos reservados para os autores.


®
EDITORA TOTALBOOKS EIRELI
[Link]
contato@[Link]

Não é permitida a reprodução total ou parcial desta obra, por quaisquer


meios, sem a prévia autorização por escrito do/a respectivo/a autor/a.
Os autores e as autoras são responsáveis pelos conteúdos apresentados
(textos, figuras, tabelas etc.) e assumem total responsabilidade pública e
jurídica sobre os mesmos.

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA.
MENSAGEM DA EQUIPE

Esse pequeno livro foi feito especialmente para você que,


durante a pandemia de COVID-19, esteve longe de sua escola. Como
ficamos sabendo que alguns de vocês não puderam acompanhar as
aulas por não ter acesso fácil à internet, o estamos distribuindo
gratuitamente nas escolas públicas de Alvorada, com o apoio do
Diversity Fund/Royal Society of Chemistry. Este livro traz, de forma
livre, alguns conceitos e histórias que fazem parte do mundo da
Química.
A ideia é que você possa se divertir com a leitura, bem como
ter contato com assuntos do mundo químico, mesmo sem ter tido
aulas de Química na escola. Nossa ambição é que, um dia, você,
assim como nós, possa também fazer uma escolha pela Química
como profissão.
Nossa ideia inicial com esse projeto era a de ir às escolas para
conversarmos ao vivo sobre Química com você e seus colegas.
Chegamos a entrar em contato com alguns/algumas diretores/as de
escolas para isso. Porém, a extensão da pandemia fez com que
repensássemos nossa atuação e decidimos elaborar este material
com todo o cuidado para você. Faça bom proveito!

Equipe
Irene Teresinha Santos Garcia – Coordenadora.
Colaboradores
Ana Carolina Longoni, Diego Defferrari, Eduardo Santos
Vasconcelos, Fabiane Grecco da Silva Porto, Ismael dos Santos
Belmonte, Julia Cristina Oliveira Pazinato, Marco Antônio Moreira de
Oliveira, Marcelo Vieira Migliorini, Quelen Bulow Reiznautt, Sheila
Pereira Krigger.
Arte da capa desenhada por Sheila Pereira Krigger com
atributos do [Link].

Esse livro é destinado unicamente para distribuição gratuita.


SUMÁRIO

UMA HISTORINHA PARA COMEÇAR ..................................................... 6

PLÁSTICOS E SUA RECICLAGEM ............................................................ 8

SEPARAÇÕES COLORIDAS ................................................................... 16

A MAGNITUDE DO MUNDO NANO .................................................... 20

QUÍMICA CAPILAR .............................................................................. 24

COMO AS ROUPAS SECAM, SE A ÁGUA SÓ ENTRA EM EBULIÇÃO A


100 °C ................................................................................................. 28

FOTOCATÁLISE: CONVERTENDO A ENERGIA DA LUZ EM ENERGIA


QUÍMICA ............................................................................................. 32

BOIA OU AFUNDA? UMA QUESTÃO DE DENSIDADE .......................... 38

DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NATURAIS - ALIMENTOS MAIS SAUDÁVEIS


........................................................................................................... 42

DESENVOLVIMENTO DE MEDICAMENTOS ......................................... 46

SABÕES ............................................................................................... 48

UM RAPAZ CHAMADO MICHAEL FARADAY........................................ 52

UMA DONA DE CASA CHAMADA AGNES POCKELS ............................ 56

ALGUMAS PALAVRAS PARA NOS DESPEDIRMOS ............................... 60

SOBRE OS AUTORES ........................................................................... 61


UMA HISTORINHA PARA COMEÇAR
Giordano, um garoto de 11 anos, estava em casa com sua
priminha Yasmin, de 12 anos. Eles tinham visto, há alguns minutos, a
vovó da Yasmin dissolver uma colher de sal em um copo de água. De
repente, Giordano pensou em voz alta:
- Podemos imaginar que nesse copo tem água e sal. Mas será
que, se quiséssemos ter de volta água e o sal separados,
conseguiríamos?
- Mas para que você quer saber disso, Gikko? - Questionou a
priminha.
- Achei engraçado, porque água não tem gosto de nada e o sal é
muito salgado. Juntando tudo, fica da mesma cor da água e com
o mesmo sabor do sal. Vou pedir pra minha vó, que estudou
química, me explicar isso direito.
Mais tarde, na casa da avó:
- Ei vovó, posso separar o sal e a água de um copo com água
salgada?
- Claro, Giordano! É só aquecer a salmoura em uma chaleira e
recolher o vapor. Ao final, você terá de um lado a água e, no
fundo da chaleira, o sal. Se você aquecer a salmoura em uma
chaleira, poderá observar a saída de um vapor e, se colocar um
tubo longo na saída da chaleira, poderá recolher esse vapor e,
no final, sairá água pura.
- E se colocarmos vinagre no fermento de bolo, vovó? Se
aquecermos, teremos o fermento de volta e o vinagre? Uma
vez eu fiz essa experiência e vi saírem umas bolinhas no vinagre.
- Não Giordano! Nem tudo que juntamos pode ser separado. Na
tua experiência, o vinagre reagiu com o bicarbonato (o
fermento). As bolinhas que tu viste sair eram de gás carbônico
que foi embora. A gente diz que houve, então, uma reação
química, e daí não é possível ter mais o fermento e o vinagre
separados.
- Opa! Epa! Como assim? Reação química, vovó?
- Quando juntamos duas substâncias que formam outras, não
podemos mais separá-las por processos simples. Assim como
não podemos transformar um bolo queimado em um bolo não
queimado...
- Ah! Disse Giordano confuso. Mas, e a água, será que podemos
separar em outras substâncias?

6
- A água é uma substância composta, assim como o sal. Uma
substância composta é formada por mais de um elemento. No
caso da água, podemos ainda separar a água em seus
elementos, que não tem nada a ver com a água. Um se chama
oxigênio e outro hidrogênio que são substâncias simples e são
gasosos. Esses elementos podem também formar muitas outras
substâncias.
- Nunca vi esses gases!
- E nem é para ver. Esses gases são invisíveis, mas existem, e você
pode senti-los quando sai à rua e está ventando.
- Deixa ver se entendi, vovó: existem substâncias que são
formadas por mais de um elemento. Isso?
- Sim!
- Se misturarmos substâncias que não reagem podemos separar
mais facilmente, certo?
- Isso.
- Tá! Mas quantas substâncias existem no mundo?
- Sei lá, Gikko! São muitas, e todos os dias descobrem novas. Mas
todas elas são formadas da combinação de poucos elementos.
Conhecemos poucos elementos; até o dia de hoje, 118. Desses
118, a maioria ocorre na natureza, mas alguns são obtidos
artificialmente a partir dos elementos existentes. Porém, a
natureza, ou as pessoas, podem combinar esses elementos para
formar milhares de substâncias. Além disso, podemos misturar
substâncias como foi o caso da vó da Yasmin, que obteve
salmoura da mistura da água e do sal. A ciência que estuda as
propriedades dos elementos, substâncias e misturas é a
Química.
- Acho que talvez eu possa querer ser um Químico quando
crescer, vovó!
Bom, tudo o que conversaremos aqui tem a ver com Química.
Esse livro não é um livro didático de Química, mas uma conversa sobre
alguns assuntos da área da Química. Podemos ou não querer entender
como se formam as substâncias, se existe alguma lógica para que as
transformações ocorram. Você pode achar que o melhor para você é
não tentar entender e aceitar que tudo é assim porque é assim. Mas
lembre-se, porém, que tudo o que não conhecemos não temos poder
para mudar. Só podemos interferir de modo correto na natureza quando
entendemos COMO as coisas acontecem. Não será com esse livro, mas
com alguns anos de estudo e dedicação que você conseguirá. Mas nessa
caminhada, cada passo é um passo adiante.
Irene T. S. Garcia

7
PLÁSTICOS E SUA RECICLAGEM

Irene Teresinha Santos Garcia

INTRODUÇÃO
São muitos os objetos que podem ser reciclados. Estes são
constituídos por materiais como vidro, papel/papelão, plástico/filme
(sacolas de supermercados, garrafas de refrigerantes), óleo, latas de
aço, borrachas, embalagens longa-vida (CEMPRE, 2021).
A reciclagem de materiais traz muitas vantagens:
1. Economia de matérias-primas;
2. Redução do descarte de resíduos no ambiente;
3. Economia de energia para que se possa processar os
materiais;
4. Retirada de materiais perigosos de circulação;
5. Redução do impacto ambiental causado pela extração de
recursos.
Por isso os “catadores”, ou pessoas que recolhem os resíduos
recicláveis, têm uma importância fundamental no dia a dia da
população. Para isso foi instituído o dia primeiro de março como o
dia internacional dos catadores. Cada tipo de material citado
anteriormente tem uma forma diferente de ser reciclado. Neste texto
cuidaremos especificamente dos plásticos, pois alguns deles podem
demorar 400 anos para se decomporem. Para organizarmos melhor
as ideias, primeiro vamos entender o que são os plásticos, suas
origens, como podem ser classificados quanto à sua composição
química e, finalmente, alguns processos de reciclagem. Plásticos
fazem parte de um grupo de substâncias químicas chamadas
polímeros.
Mas o que são polímeros?
A palavra polímero tem origem grega, poli, que significa
“muitas”, e meros, “partes”. Polímeros são também denominados
macromoléculas, e são estruturas químicas em que se identifica a
presença de estruturas menores, ou que resultam da combinação de
outras moléculas menores.

8
A Figura 1 apresenta o modelo do colar de pérolas para
representarmos um polímero. Cada “mero” em um polímero pode
ser entendido como uma conta do colar.

Figura 1 - Representação de polímero como um colar de pérolas em


que cada conta representa um “mero”.

Fonte: autoria própria.


Os polímeros podem ocorrer na natureza ou serem
sintetizados pelo homem, como por exemplo, o polietileno, visto a
seguir. As moléculas que se combinam para formar um polímero
podem vir do petróleo ou de fontes renováveis, como milho,
beterraba, mandioca, cana-de-açúcar, entre outros. Hoje, cada vez
mais, o petróleo está sendo substituído por materiais oriundos de
fontes renováveis na fabricação de polímeros.

ALGUMAS DEFINIÇÕES SÃO IMPORTANTES


Chamamos de monômeros às moléculas que reagirão para
dar origem ao polímero. Por exemplo, muitas moléculas de etileno,
CH2=CH2, quando combinadas, formam o plástico polietileno. Na
indústria, se obtém polímeros através de reações químicas chamadas
reações de polimerização. As moléculas podem ser integralmente ou
parcialmente incorporadas para formarem polímeros. Para
exemplificarmos melhor o primeiro caso, o do polietileno, toda a
molécula de etileno é incorporada para formar o polímero. Não
abordaremos aqui os casos em que somente parte dos monômeros
são incorporados para formarem o polímero.

9
A Figura 2 representa um número grande de monômeros,
etilenos (do lado esquerdo da seta), e o polietileno formado quando
as ligações duplas do carbono se rompem (representado do lado
direito da seta). O grupo que inicia a reação (I) e o que termina (T)
fica nas extremidades. Como são apenas duas espécies diante de um
número muito grande de unidades de monômero (ou seja, n é um
número muito grande), não se costuma representar.

Figura 2 - Representação da reação de formação do polietileno. I é o


iniciador da reação e T o inibidor, que finaliza a reação.

Fonte: autoria própria.

Este polímero, o polietileno, é também chamado de


homopolímero, porque é feito de apenas um tipo de monômero.
Dois ou mais tipos diferentes de moléculas, também podem
se combinar para formar um polímero e, nesse caso, temos a
formação de um copolímero. Um exemplo é a borracha nitrílica. A
representação da reação entre dois tipos de moléculas para formar a
borracha nitrílica encontra-se na Figura 3 a seguir, onde um número
grande (a) de moléculas de acrilonitrila reage com um número
grande (b) de moléculas butadieno, produzindo a borracha nitrílica,
representada do lado direito da seta.

Figura 3 - Representação de uma reação para formar um copolímero.

Fonte: autoria própria.

10
Nos casos das figuras 2 e 3, os monômeros são totalmente
incorporados ao polímero. O índice “n” corresponde a um número
grande que representa o número de unidades básicas que compõem
o copolímero (meros) e é também conhecido como o grau de
polimerização.

Tipos de polímeros
Os polímeros, como dito anteriormente, podem ser formados
por um ou mais tipos de monômeros, sendo classificados em
homopolímeros e copolímeros. Podem ser classificados de acordo
com a sua estrutura química (exemplo: poliamidas, policarbonato,
etc.). Podem ser classificados também em naturais, como o amido e a
celulose, ou serem sintéticos, preparados pelo homem, como os
polímeros representados nas figuras 2 e 3.
Além disso, podem ser classificados de acordo com suas
propriedades mecânicas em plásticos, elastômeros (borrachas) ou
fibras. Dependendo de sua estrutura e condições do ambiente,
podem ser extremamente rígidos ou flexíveis e apresentarem
diferentes propriedades, podendo absorver impacto, resistir a
solventes, etc. Mas, para isso é necessário conhecer bem suas
características, ou seja, a natureza do polímero e as condições de uso
do material. Por exemplo, o polímero usado nos pneus não é da
mesma natureza dos utilizados nas sacolas de supermercado que, por
sua vez, é diferente do utilizado nas frigideiras antiaderentes.
Um químico que se especializa em polímeros pode se dedicar
a obter polímeros a partir de monômeros, modificar as propriedades
dos polímeros existentes através de reações químicas, pode também
misturá-los com outros polímeros, e preparar produtos a partir
desses materiais, ou reciclá-los. Agora, vamos olhar um pouco para o
processo de reciclagem dos plásticos.

Formas de reciclagem de plásticos


Existem três mecanismos diferentes de reciclagem de
plásticos, que são: reciclagem mecânica, reciclagem energética e
reciclagem química.

11
Reciclagem Mecânica
A reciclagem mecânica consiste na conversão dos plásticos
coletados em grânulos que podem ser reutilizados na produção de
outros produtos, como sacos de lixo, solados, pisos, mangueiras,
embalagens para produtos não alimentícios. Esse processo consiste
em 5 (cinco) etapas:
1. Separação: os plásticos são separados de acordo com seus tipos e
são retirados rótulos, tampas, etc. Se você olhar embaixo das
embalagens encontrará um símbolo constituído por um triângulo
formado por três setas desenhadas no sentido horário. Esse
símbolo representa um ciclo onde a primeira seta representa a
indústria, que produz determinado produto; a segunda refere-se
ao consumidor, que utiliza esse produto; e a terceira seta
representa a reciclagem, que permite a reutilização do material da
embalagem como matéria-prima para produzir novas embalagens.
2. Moagem: depois de separados, os diferentes tipos de plásticos são
moídos.
3. Lavagem para retirada de contaminantes.
4. Secagem, que pode ser ao ar livre ou em uma centrífuga.
5. Aglutinação, que pode ocorrer com elevação de temperatura e
pressão. Nesta etapa também podem ser adicionadas outras
substâncias, dependendo do uso desejado.
6. Extrusão: o material passa por uma espécie de máquina de fazer
macarrão com aquecimento, que funde e torna a massa plástica
homogênea. Na saída da extrusora, encontra-se o cabeçote, do
qual sai um “espaguete” contínuo que é resfriado com água. Em
seguida, o “espaguete” é picotado em um granulador e
transformado em pellets (grãos plásticos).
Reciclagem Energética
É a recuperação da energia contida nos plásticos. A reciclagem
energética utiliza os resíduos plásticos como combustível na geração
de energia elétrica. A queima de plásticos em processos de reciclagem
energética reduz o uso de combustíveis (economia de recursos
naturais). A recuperação energética dos plásticos como combustível é
uma alternativa de fácil e rápida implementação, especialmente se
considerarmos a disponibilidade de tecnologias limpas para queima de
descartes sólidos, e a possibilidade de processamento com outros
combustíveis, por exemplo, para queima em fornos de cimento.

12
Deve-se conhecer o tipo de polímero para evitar que sua
queima gere produtos tóxicos. Este tipo de reciclagem é mais
facilmente encontrado em regiões com limitada reserva de fontes
energéticas, como alguns países da Europa, EUA e Japão (CEMPRE,
2021).
Reciclagem Química
A reciclagem química é um método de reaproveitamento
através do rompimento das moléculas dos polímeros para formarem
moléculas menores. Seu objetivo é a recuperação dos componentes
químicos individuais, os monômeros, para reutilizá-los para outros fins
ou para a produção de novos plásticos. Esse tipo de reciclagem envolve
uma tecnologia mais elaborada que os processos anteriores, mas
permite produzir novos polímeros com a mesma qualidade do
polímero original.
Outra finalidade é a degradação desses resíduos. A
degradação pode ser física, química ou por ação de microrganismos.
Alguns plásticos são biodegradáveis. A biodegradabilidade é a
capacidade de um material ser decomposto sob a ação de seres vivos,
sendo necessário levar em consideração o meio onde ocorrem as
reações para que aconteça a biodegradação. Temperatura, pressão,
composição química do meio e características dos microrganismos são
parâmetros que necessitam de controle. Pode ocorrer também
fotodegradação, que é a degradação da cadeia por ação da luz.

ATIVIDADE PROPOSTA
Para qualquer forma de reciclagem de plásticos, você viu que é
importante a correta separação. Os plásticos recicláveis são
numerados de 1 a 7, e estes valores estão impressos na embalagem,
no interior do símbolo de reciclagem, como mostram os dois exemplos
da Figura 4:

13
Figura 4 - Representação do símbolo de plástico reciclável e sua
classificação; no caso, trata-se de um material a base de polipropileno (a)
e outros plásticos (b).

Fonte: autoria própria.


A numeração dos plásticos obedece, portanto, a uma lógica
de classificação visando sua reciclagem. Assim, tem-se: (1)
Polietileno tereftalato (PET); (2) Polietileno de alta densidade (PEAD);
(3) Policloreto de vinila (PVC); (4) Polietileno de baixa densidade
(PEBD); (5) Polipropileno (PP); (6) Poliestireno (PS); e, (7) Outros
plásticos diferentes dos mencionados acima e resinas em compósito
com outros materiais, como alumínio.
Agora, procure embalagens plásticas em sua casa e
identifique no rótulo a que classe de materiais elas pertencem. Você
pode encontrar informações na internet sobre cada tipo de material,
se esse material se dissolve e em quais substâncias, até que
temperatura ele resiste, etc. Esse conhecimento é importante porque
permite que você não use adequadamente objetos feitos com
polímeros.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CEMPRE – COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA RECICLAGEM.
Disponível em: [Link] Acessado em:
30/09/2021.
CANEVAROLO Jr.; SEBASTIÃO V. Ciência dos polímeros: um texto
básico para tecnólogos e engenheiros. São Paulo: Artliber Editora,
2002. 282 p.

14
Você sabia que:

Eloisa Biasotto Mano foi uma química e professora


da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que
introduziu a ciência de polímeros no Brasil? Ela nasceu
em 24/10/1924 e morreu em 08/06/2019 e publicou os
primeiros livros sobre química de polímeros no Brasil.

15
SEPARAÇÕES COLORIDAS

Ismael dos Santos Belmonte

A água que chega às nossas casas passa por diversos


processos para se tornar potável. Ao final, realizam-se algumas
análises para se verificar o que está presente nela. Dependendo da
concentração dos compostos que são encontrados na água, ela pode
ser considerada inapropriada para ser ingerida.
Você já se perguntou quantos compostos químicos podem
estar presentes em um copo de água que sai da torneira de sua casa?
E como fazer para separar todos esses compostos? Para separar
compostos que estão dissolvidos na água e que sequer enxergamos a
olho nu, necessitamos de técnicas de separação altamente eficientes,
como as técnicas cromatográficas1.

PRINCÍPIOS BÁSICOS
Para realizar separações cromatográficas é necessário ter
dois componentes: a fase estacionária e a fase móvel. A primeira é
responsável por reter os compostos de interesse e a segunda por
“empurrá-los” em direção à saída da coluna. A fase móvel dá nome
ao tipo de cromatografia. Se a fase móvel for líquida, tem-se
cromatografia líquida; se a fase móvel for um gás, cromatografia
gasosa.
O que faz os compostos ficarem retidos na coluna são as forças
intermoleculares existentes entre a fase estacionária e os compostos de
interesse que se deseja analisar. Por exemplo, se um dos compostos for
polar2 e a fase estacionária utilizada for polar, esses dois irão interagir
bastante. Logo, um composto polar fica retido por mais tempo em
coluna com fase estacionária polar (uma coluna em que a parte interna
está recoberta com um composto polar) quando comparado a um
composto apolar.

1
Técnicas cromatográficas são métodos físico-químicos de separação dos
componentes de uma mistura, realizadas por meio da distribuição desses
componentes na fase estacionária e na fase móvel.
2
Compostos polares possuem diferença de eletronegatividade entre os átomos,
apresentando um polo positivo e outro negativo, enquanto que nos apolares não há
diferença de eletronegatividade entre os átomos.

16
ATIVIDADE PROPOSTA
Neste experimento, veremos na prática, como ocorre uma separação
cromatográfica. Para isso, você precisará de alguns materiais que
podem ser facilmente encontrados.
Materiais:
 seringa plástica de 20 mL;
 uma porção de algodão (para inserir na seringa);
 amido de milho;
 álcool etílico 70% ou 96% (100 mL);
 conta-gotas ou outra seringa;
 corante alimentício (de preferência verde);
 copo descartável transparente em que caiba a seringa;
 copinhos descartáveis ou pequenos recipientes;
 tesoura.
O passo a passo está representado na Figura 1:

Figura 1 - Passo a passo esquematizado.

Fonte: autor, 2021.

17
Procedimentos:
1. Tire o êmbolo da seringa e adicione algodão suficiente para
um volume de 3 mL. Em seguida, adicione o amido de milho
até cerca de 15 mL da capacidade da seringa.
2. Dê algumas batidas para que o amido fique de forma
compacta na seringa.
3. Faça um furo na parte inferior do copo descartável
transparente, grande o suficiente para que a seringa possa
ser colocada conforme a Figura 1.
4. Com um conta-gotas ou com outra seringa, adicione
lentamente álcool à seringa que contém amido e algodão, até
que o material esteja molhado o suficiente de modo que o
álcool tenha percorrido todo o conteúdo e possa sair da
seringa.
5. Adicione duas gotas do corante alimentício verde (ou de
outra cor).
6. Adicione lentamente álcool com um conta-gotas ou outra
seringa até que as diferentes cores comecem a se separar na
seringa.
7. Colete, com copinhos descartáveis ou pequenos recipientes,
os volumes de cada cor que sair da seringa.
Questões para refletir
1. Neste sistema do experimento, quem seria a fase
estacionária e a fase móvel?
2. Assuma que o amido de milho tenha características polares.
O composto colorido que sai primeiro seria mais polar ou
mais apolar, se comparado com o amido de milho?

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
IBARRA-RIVERA, T. R. et al. Setting Up an Educational Column
Chromatography Experiment from Home. J. Chem. Educ. 2020, 97, 9,
p. 3055–3059.

18
Escreva suas observações:

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

19
A MAGNITUDE DO MUNDO NANO

Julia Cristina Oliveira Pazinato

INTRODUÇÃO
Hoje em dia muito se ouve a respeito de nanotecnologia e
nanomateriais, seja nos telejornais, páginas da web ou demais meios
de comunicação, onde descobertas e estudos de todos os lugares do
mundo são divulgados com rapidez. Nanomateriais estão presentes
em diversas áreas, como na informática, na fabricação de dispositivos
cada vez menores e mais eficientes; na geração de energia através das
células solares3; na medicina, onde atuam no tratamento do câncer, na
administração de drogas direcionadas e no reparo de tecidos e órgãos
e, até mesmo, na agricultura, contribuindo na obtenção de alimentos
mais nutritivos e resistentes, não dependentes de inseticidas tóxicos
ao homem e agressivos ao meio ambiente (SILVA; VIANA; MOHALLEM,
2009; GARCIA; PAZINATO; VASCONCELOS, 2021; CANCINO;
MARANGONI; ZUCOLOTTO, 2014). Mas o que é de fato um
nanomaterial? Por que ele é tão importante assim? O que ele faz que
um material de tamanho “normal” não é capaz de fazer? Calma!
Vamos juntos entender essas questões!

PRINCÍPIOS BÁSICOS
Para ser considerado um nanomaterial, suas dimensões devem
estar compreendidas entre 1 nm e 100 nm (lembre-se que 1 nm
equivale a 1 x 10-9 m, o que é o mesmo que dizer 0,000000001 m).
Para exemplificar o quão pequenas são as dimensões referidas, vamos
usar como exemplo a molécula de fulereno4 que possui
aproximadamente 1 nm de diâmetro. A molécula de fulereno é tão
pequena em relação a uma bola de futebol quanto essa bola de
futebol é pequena quando comparada ao planeta Terra. Veja a Figura
1 a seguir:

3
Células solares: dispositivos capazes de converterem a energia solar em energia elétrica
através do efeito fotovoltaico (RAPHAELA et al., 2018).
4
Fulereno: forma alotrópica do carbono. Os fulerenos mais conhecidos são moléculas que
apresentam 60 átomos de carbono em sua estrutura, sendo representados como C 60
(FUNDACENTRO, 2021).

20
Figura 1 - Representação para comparação dos diâmetros do planeta
terra, de uma bola de futebol e da molécula de fulereno.

Fonte: Adaptado de Neto, 2012.

Quando diminuímos muitas vezes o tamanho de um material,


conseguimos modificar suas propriedades físicas e químicas, e este
material passa a apresentar propriedades diferenciadas daquelas que
apresentava quando em um tamanho maior (ZARBIN, 2007). Outro
fator muito importante em um nanomaterial é o aumento de sua
área de superfície quando no tamanho nano (MARTINS e TRINDADE,
2012). Imagine um cubo de madeira que tenha arestas de 1 m, tendo,
desta forma, área superficial total de 6 m2. Imagine agora se este
mesmo cubo de madeira fosse dividido em 8 cubos e depois cada um
destes 8 cubos divididos em mais 8. Qual seria a área total superficial
após cada uma das divisões? Vou dar um tempo para que você possa
calcular as novas áreas.

Figura 2 - Representação em forma de cubos para exemplificar


aumento de área superficial.

Fonte: Adaptado de MARTINS e TRINDADE, 2012.

“Feitos” os cálculos? Após a primeira divisão, a área


superficial total passará de 6 m2 para 12 m2 e, com a segunda divisão,
a área superficial terá 24 m2. Imagine agora se continuássemos
fazendo divisões até termos cubos com dimensões nanométricas, o
quanto conseguiríamos aumentar esta área!

21
Mesmo com o aumento da área superficial, o volume do
cubo continuou o mesmo, ou seja, 1m3. Podemos dizer, então, que
ocorreu um aumento na relação área/volume a partir do momento
que se tem uma diminuição no tamanho do material. Com este
exemplo fica mais simples de entender como, ao se conseguir
materiais com dimensões cada vez menores, obtemos áreas
superficiais cada vez maiores, tendo, desta forma, maior superfície
com as propriedades desejadas capazes de interagir com o meio de
interesse.
ATIVIDADES PROPOSTAS
1. Calcule o valor da área superficial total em m2 de um catalisador
com geometria hipotética cúbica com arestas de 3 cm após 2
divisões consecutivas. A primeira formando 27 unidades cúbicas
de igual tamanho, e, a segunda, 8 unidades para cada uma das 27
unidades anteriores.
2. Faça uma pesquisa sobre nanomateriais utilizados na atualidade e
correlacione o material com a respectiva aplicação/característica:
( ) nanopartículas de óxido de tungstênio.
( ) nanotubos de carbono.
( ) nanopartículas de óxido de titânio.
( ) nanopartículas superparamagnéticas de óxido de ferro.
(A) Material com excelentes propriedades mecânicas, sendo 100
vezes mais resistente que o aço e que possui apenas 1/6 de sua
densidade. Transmissor de eletricidade, sendo até 1.000 vezes
mais eficiente que fios de cobre; atua também em circuitos
eletrônicos, sendo utilizados em nanoprocessadores.
(B) Óxido de coloração branca utilizado em filtros solares que,
quando em dimensões nanométricas, tem sua coloração reduzida
sem perda do fator de proteção, tendo desta forma um
acabamento com melhor aspecto visual.
(C) Promissor material que tem se mostrado eficiente como agente
de contraste em exames de ressonância magnética, sendo um
possível substituto ao gadolínio, pois apresenta maior
compatibilidade com o corpo humano e baixo nível de toxicidade.
(D) Óxido com excelentes propriedades fotocatalíticas, sendo capaz
de utilizar a luz solar como fonte de radiação (energia “limpa”) em
processo de degradação de poluentes orgânicos.
Respostas:

22
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CANCINO, J.; MARANGONI, V. S.; ZUCOLOTTO, V. Nanotecnologia em
medicina: aspectos fundamentais e principais preocupações. Química
Nova, n. 37, p. 521-526, 2014.
FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho. Fulerenos. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 16 de maio de 2021.
GARCIA, I. T. S.; PAZINATO, J. C. O.; VASCONCELOS, E. S. Materiais
para células fotocatalíticas. In: PIQUINI, P. C. (Org.) Jornada
Acadêmica Integrada. 35. ed. Santa Maria: FACOS-UFSM, p. 65-75,
2021.
MARTINS, M. A.; TRINDADE, T. Os nanomateriais e a descoberta de
novos mundos na bancada do químico. Química Nova, n. 35, p. 1434-
1446, 2012.
NETO, O. P. V. Nanotecnologia Computacional. In: GOUSSEVSKAIA, O.
N. (Org.) Primeira Escola de Verão em Computação. 1. ed. Belo
Horizonte: Instituto de Ciências Exatas, UFMG, p. 105-124, 2012. al.
Células solares de perovskitas: uma nova tecnologia emergente.
Química Nova, n. 41, p. 61-74, 2018.
SILVA, S. L. A.; VIANA, M. M.; MOHALLEM, N. D. S. Afinal, o que é
nanociência e nanotecnologia? Uma abordagem para o ensino
médio. Química nova na escola, n. 31, p. 172-178, 2009.
ZARBIN, A. J. G. Química de (nano)materiais. Química Nova, n. 30, p.
1469-1479, 2007.

23
QUÍMICA CAPILAR

Ana Carolina Longoni

O mais difícil em escrever sobre química capilar é a escolha de


um tópico, visto que podemos falar da estrutura química dos cabelos, as
transformações a que ele pode ser submetido como mudança de cor e
forma, ou até mesmo o uso de uma máscara de tratamento para
reposição de água, nutrientes ou massa. Minha aposta é que
conhecendo mais sobre a química dos nossos cabelos podemos ter
cabelos mais bonitos e saudáveis. Então, do que é formado o nosso
cabelo? Qual sua composição? Por que existem tantos tipos de
produtos?
Cada cabelo é único e tem uma composição única; sua estrutura
é composta por três camadas: cutícula, córtex e medula, conforme a
Figura 1.
Figura 1 - Representação da estrutura capilar.

Fonte: Adaptado de (de Oliveira e colaboradores, 2014).


É constituído por 85% de proteína, chamada de queratina5,
lembrando que a proteína é formada por uma junção de aminoácidos,
que se unem através das ligações peptídicas6. A união de dois
aminoácidos, para a formação de um peptídeo, é feita através da
reação que ocorre entre o grupo carboxílico de um aminoácido e o
grupo amina de outro, liberando uma molécula de água.

5
A queratina é uma proteína fibrosa que constitui as partes diversas do corpo humano,
como os cabelos e as unhas.
6
Ligações peptídicas são ligações químicas que se estabelecem entre um grupo carboxila
de um aminoácido e um grupo amina de outro aminoácido subsequente.

24
E por falar em água, 12% do nosso cabelo é composto de
água e 3% de lipídio, que serve como cimento disposto entre as
cutículas sobrepostas para impedir a saída da água e os nutrientes do
cabelo.
As cutículas são sobrepostas formando três camadas e são
elas que protegem a parte mais interna do cabelo, córtex e medula.
Essas camadas são sensíveis a PH alcalinos, acima de sete. Por essa
razão, na composição química de colorações permanentes, existe a
trietilamina e, nos descolorantes, os sais de persulfato de amônio. O
PH alcalino faz com que as cutículas sejam amolecidas aumentando a
permeabilidade e possibilitando a entrada da cor, no caso da
coloração, ou saída da cor, no caso das mechas com uso de
descolorante. No córtex fica a melanina responsável pela cor.
Por falar em melanina existem duas formas de conformação
para a melanina: a eumelanina e a feomelanina. A primeira é
responsável pelas cores escuras, e a segunda por tons avermelhados.
E por que há tantos produtos para cabelos no mercado, como
shampoos hidratantes, nutritivos e pós-químicos? Qual a diferença
entre cremes de nutrição, hidratação e reconstrução?
O pH ótimo para os fios do cabelo é em torno de 4 (ácido,
portanto), e cada tratamento tem uma finalidade. Por exemplo, o
tratamento de hidratação tem a função de repor a água do fio, o de
nutrição repor os lipídios do fio, e, por fim, os tratamentos de
reconstrução buscam repor os aminoácidos.
Na vida de um cabeleireiro, o conhecimento da escala de pH
é de suma importância. Após uma coloração, por exemplo, o pH varia
de 4 a algo em torno de 12. Ao mesmo tempo em que ocorreu a
entrada de tinta, houve saída de água e nutrientes. Então, logo após
a coloração, o primeiro passo é repor esses nutrientes e neutralizar
esse pH. Sem esse cuidado, a cor pode sofrer oxidação e sair do fio,
visto que as cutículas precisam ser seladas através de uma máscara
hidratante com um pH mais ácido.
Como química e cabeleireira, sou apaixonada pela química
capilar e, enquanto estudante, sempre gostei de ver as aplicações do
que estudava no meu dia a dia. Quem sabe você agora, ao segurar
seus cabelos e saber do que ele é composto, tenha interesse em
estudar as reações peptídicas, a composição das proteínas presentes
na nossa vida?

25
Quem sabe você possa se interessar em entender a escala de
pH? Por que não estudar os sais e a nomenclatura IUPAC7? Enfim, a
química é linda e abrangente e está disposta em um único fio do seu
cabelo.

Figura 2 - Representação de cabelos com diferentes texturas e colorações.

Fonte: autoria própria.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
OLIVEIRA, Ricardo A. G. de. et al. A química e toxicidade dos corantes
de cabelo. Química Nova [online]. 2014, v. 37, n. 6, pp. 1037-1046.
Disponível em: [Link]
Acessado em 03/09/2021.
HALAL, John. Tricologia e a química cosmética capilar. 5. ed.
Tradução Ez2.
VARELA, Antonio E. M. Um estudo sobre princípios ativos dos
produtos e relaxamentos atualmente no mercado brasileiro.
UNIVALE, 2007.

7
IUPAC é a sigla do inglês para International Union of Pure and Applied Chemistry
(União Internacional de Química Pura e Aplicada, em português), uma organização
internacional para o desenvolvimento da química. A nomenclatura IUPAC são regras
para a escrita dos nomes dos compostos que são oficialmente aceitos em todo o
mundo.

26
Você sabia que:

John Dalton, inglês nascido em 1766 concebeu o


conceito de átomo (do grego indivisível), para tentar
explicar como a matéria é formada? Nenhum dos seus
experimentos conseguiu revelar o átomo claramente. À
medida que instrumentos capazes de obter informações
sobre a matéria foram se aperfeiçoando, o modelo de
átomo foi sendo modificado. Um átomo é constituído
por diminutas partículas, sendo as principais, os prótons,
nêutrons e elétrons.

27
COMO AS ROUPAS SECAM, SE A ÁGUA SÓ ENTRA EM
EBULIÇÃO A 100 °C

Sheila Pereira Krigger

INTRODUÇÃO
Você já se perguntou como as roupas ou as poças d’água
formadas pela chuva secam, se a água, ao nível do mar, só entra em
ebulição (ferve) quando atinge 100 °C? Certamente não atingimos
essa temperatura em Alvorada, nem em nenhuma outra cidade
(ainda bem, né?). Então o que acontece? Abaixo vamos entender o
processo que ocorre para que a água e outras substâncias deixem de
ser líquidas mesmo sem atingir sua temperatura de ebulição.

PRINCÍPIOS BÁSICOS
A temperatura de uma substância está relacionada com a
movimentação das suas partículas, e, quanto mais movimento, maior
a temperatura. Eventualmente, partículas da superfície têm energia
suficiente para romper as interações intermoleculares (interações
entre as partículas da própria substância) e escapam do líquido,
virando VAPOR (veja na Figura 1).

Figura 1 - Representação das partículas escapando da superfície do


líquido para se tornarem vapor.

Fonte: autoria própria.

28
Se colocarmos a água, por exemplo, ocupando metade de um
recipiente fechado (acompanhe na Figura 2), existe uma quantidade
máxima de vapor que vai se formar no espaço restante do recipiente.
Se medirmos a pressão que esse vapor faz contra as paredes do
recipiente, teremos a PRESSÃO DE VAPOR da água. Esse valor varia
com a temperatura porque, como vimos, a temperatura está
relacionada com a movimentação das partículas, e a intensidade
dessa movimentação determina se mais ou menos partículas
conseguirão escapar para a fase vapor.
Figura 2 - Representação de um líquido em um recipiente fechado
com um manômetro e medida da pressão de vapor de uma
substância em diferentes temperaturas (T1 e T2).

Fonte: autoria própria.

Com o recipiente fechado, o vapor chega à sua pressão


máxima e entra em equilíbrio com o líquido, que não tem mais seu
volume alterado. As partículas que escapam do líquido retornam para
ele e novas partículas escapam, nunca excedendo a quantidade
máxima; ou seja, a quantidade de vapor em um recipiente fechado vai
depender do tipo de líquido, da temperatura, e do tamanho do
recipiente. Se o recipiente estiver aberto, as partículas que escapam do
líquido se difundem pelo ambiente e não retornam. Esse processo é
chamado de EVAPORAÇÃO.
Líquidos diferentes possuem diferentes valores de pressão de
vapor em uma mesma temperatura, e isso afeta a velocidade da
evaporação. Por isso, algumas substâncias evaporam mais
rapidamente do que outras. Veja, na Figura 3, o que acontece com
diferentes líquidos que são deixados, ao mesmo tempo, e em um
ambiente que está na mesma temperatura. Essa figura mostra a
diferença na intensidade de evaporação de uma mesma quantidade
inicial de acetona, água e óleo.

29
Figura 3 – Evaporação de diferentes líquidos ao longo do tempo.

Fonte: autoria própria.

Outro fator que afeta a velocidade da evaporação é a área da


superfície do líquido. Como dito anteriormente, esse processo de
escape ocorre apenas na superfície do líquido. Portanto, se ela for
maior, mais partículas poderão escapar, se compararmos com um
mesmo volume de líquido em uma superfície menor. É por isso que
as roupas secam melhor quando as estendemos em um varal.

ATIVIDADE PROPOSTA
Agora já podemos responder à pergunta inicial do texto:
como as roupas secam se a água só entra em ebulição a 100 °C? O
que acontece é que a água presente nas roupas vira VAPOR através
do processo de EVAPORAÇÃO. Isso também explica como as poças
d’água formadas durante a chuva somem depois que o tempo
melhora. Mas, ainda podemos analisar esse processo pensando nos
fatores que afetam a VELOCIDADE de evaporação.
Você já reparou que poças d’água mais fundas demoram
mais pra secar do que as mais rasas? Considerando um mesmo
volume de água, na poça mais funda a água demora mais tempo para
evaporar, pois, como já foi dito, esse processo ocorre apenas na
superfície. Logo, a água está evaporando camada por camada, até
chegar ao fundo. Já na poça rasa, que tem uma área superficial
maior, existem menos camadas para evaporar.

30
Outro fator importante para a velocidade de evaporação é a
temperatura. Em dias mais quentes, as poças d’água vão evaporar
mais rapidamente, e a roupa vai secar mais rapidamente também.
Isso porque a pressão de vapor da água aumenta com o aumento da
temperatura, já que as moléculas de água estão se movimentando
mais, e mais moléculas conseguem energia suficiente para romper as
interações intermoleculares (ligações de hidrogênio) e escapar do
líquido para a fase vapor. Observe você mesmo! Repare quanto
tempo a roupa, ou as poças d’água levam para secar em um dia frio,
e em um dia quente, e compare.
Você também pode colocar a mesma quantidade de dois
líquidos diferentes, em dois recipientes iguais, e verificar qual
evapora mais rápido, ou seja, qual é mais volátil. Pode ser, por
exemplo, água e acetona, água e etanol (álcool que usamos para
higienizar as compras durante a pandemia) ou água e óleo. Qual é
mais volátil?

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FONSECA, M. R. M. da. Química: Ensino Médio II, 2. ed. São Paulo:
Ática, 2016.
FOGAÇA, J. Pressão máxima de vapor. Disponível em:
[Link]
[Link] Acesso em 20/07/2021 19:34.
ROLIM, D. Tonoscopia. Disponível em: [Link]
olimpiadas/quimica/curso-noic-de-fisico-quimica/tonoscopia/. Acesso
em 20/07/2021 20:58.

31
FOTOCATÁLISE: CONVERTENDO A ENERGIA DA LUZ EM
ENERGIA QUÍMICA

Eduardo Santos Vasconcelos

Um dos maiores problemas atuais é o da poluição ambiental.


A Química, muitas vezes associada negativamente a essa questão,
pode trazer soluções muito interessantes para tentar resolver esse
problema. A emissão de poluentes pode ser minimizada, ou
substituída por opções não poluentes, através de diversas propostas
alternativas estudadas e pesquisadas pela Química. Uma destas
alternativas é a chamada fotocatálise.
Fotocatálise é um termo utilizado para descrever a tecnologia
que converte energia luminosa em energia química, utilizando um
catalisador. O termo é formado pela junção das palavras gregas phôs,
que significa luz, e katalyein, que significa decomposição. Os
principais objetivos da fotocatálise são a produção de gás hidrogênio,
para uso como combustível limpo, e a degradação de poluentes
orgânicos.
Os materiais utilizados como fotocatalisadores são chamados
de materiais semicondutores, ou seja, materiais que possuem
condutividade elétrica moderada, situando-se entre materiais
condutores e materiais isolantes. Normalmente são partículas sólidas
muito pequenas, em escala nanométrica, que absorvem a energia
luminosa, impulsionando e aumentando a eficiência de determinadas
reações de interesse.
Os estudos fotocatalíticos envolvem reações de oxidação e
redução, além de pesquisas para desenvolver novos semicondutores
mais eficientes na conversão de energia luminosa em energia
química.

PRINCÍPIOS BÁSICOS
O mecanismo da fotocatálise se inicia quando a luz incide na
superfície do semicondutor tornando essa superfície do material
propícia para que ocorram semirreações de oxidação e redução
(reações que envolvem transferência de elétrons). Quando a luz
incide sobre o semicondutor, os elétrons desse material são
excitados e migram para a sua superfície e, então, esses elétrons são

32
transferidos para moléculas que estão ao redor do material. Essas
são reações de redução, onde as moléculas recebem elétrons do
semicondutor. Simultaneamente, outras moléculas se aproximam do
semicondutor para transferir seus elétrons para um lugar onde há
falta de elétrons na superfície do mesmo. Essas são reações de
oxidação. Esse processo se repete seguidas vezes. A Figura 1 faz uma
representação simplificada desse mecanismo de fotocatálise para a
produção de gás hidrogênio a partir das moléculas de água.
Figura 1 - Representação simplificada do processo fotocatalítico
para a geração de gás H2.

Fonte: autoria própria.


A reação química total e simplificada, que representa e
resume todo o processo fotocatalítico para a produção de gás
hidrogênio, usado como exemplo anteriormente, está mostrada na
equação a seguir.
fotocatalisador + 2 H2O + luz → 2 H2 + O2 + fotocatalisador

O que essa equação quer dizer?


Que o fotocatalisador recebe luz e interage com duas
moléculas de água (H2O) e vão produzir (→) duas moléculas de
hidrogênio e uma de oxigênio e o fotocatalisador permanece. Ao
final, a energia luminosa foi usada para a transformação.

33
Entre os materiais semicondutores utilizados para a
fotocatálise estão os chamados óxidos. Óxidos são compostos
binários, ou seja, formados por dois elementos químicos, nos quais
um elemento obrigatoriamente é o oxigênio. Alguns dos óxidos
semicondutores pesquisados para uso como fotocatalisador são o
óxido de níquel (NiO), o dióxido de titânio (TiO2), o dióxido de rutênio
(RuO2) e o trióxido de tungstênio (WO3).
As pesquisas que envolvem os semicondutores de óxidos
metálicos são focadas em desenvolver novos métodos de sintetizar
esses materiais, a partir de modificações em suas morfologias e
adição de pequenas porcentagens de outros elementos para ajudar a
melhorar o desempenho fotocatalítico.
Apesar do avanço significativo no desenvolvimento de novos
materiais fotocatalíticos nos últimos anos, as eficiências dos novos
materiais ainda estão longe de ser adequadas para o uso no dia a dia.
Portanto, ainda há um grande desafio de projetar novos materiais
semicondutores que sejam baratos, eficientes e fáceis de sintetizar.

ATIVIDADES PROPOSTAS
1) Diferentes tipos de fotocatalisadores possuem diferentes
propriedades que são desejadas para diferentes objetivos. Há
materiais semicondutores que possuem melhor desempenho para
a produção de gás hidrogênio, um combustível que não polui,
enquanto outros materiais semicondutores são mais eficazes para
a degradação de poluentes na água. Sabendo que há essas
diferenças, faça uma pequena pesquisa sobre as principais
características dos fotocatalisadores sugeridos abaixo.
(a) Óxido de níquel (NiO);
(b) Dióxido de titânio (TiO2);
(c) Dióxido de rutênio (RuO2);
(d) Trióxido de tungstênio (WO3).

2) A queima de combustíveis fósseis é a grande responsável pela


poluição atmosférica das cidades. Hoje em dia somos todos
completamente dependentes de derivados do petróleo que
expelem grandes quantidades de gases causadores do efeito estufa,
e o aumento de sua concentração na atmosfera é considerado o
fator principal do aquecimento global. Há também problemas
relacionados à saúde do ser humano. A substituição desses

34
combustíveis se faz extremamente necessária. Uma alternativa é o
uso do gás hidrogênio gerado pela quebra da molécula da água por
meio do uso de luz e fotocatalisadores, pois não há formação de
gases poluentes. A partir desse contexto, faça uma pesquisa para
responder as questões abaixo:
(a) Quais os materiais semicondutores mais pesquisados para
o uso de fotocatálise na produção de gás hidrogênio?
(b) Explique, de forma sucinta, os mecanismos por trás da
fotocatálise responsável pela produção de gás hidrogênio
através da água.
3) Os poluentes orgânicos estão cada vez mais presentes nas
águas dos rios e oceanos. Agrotóxicos, remédios, detergentes,
inseticidas, entre outros, são encontrados nas águas e podem
trazer malefícios tanto para a vida aquática quanto para a
saúde do ser humano. A fotocatálise pode ser aplicada para
degradar esses poluentes orgânicos em substâncias menos
nocivas. Com essas informações, escolha um poluente
orgânico e faça uma pequena pesquisa sobre o uso de
fotocatálise para a degradação deste composto.
4) Outra aplicação da fotocatálise se dá pela conversão de
dióxido de carbono (CO2), um gás que também agrava o efeito
estufa. Além de ser gerado pela queima de combustíveis
fósseis, o dióxido de carbono é expelido pela respiração da
maioria dos seres vivos e pela queima de lixo e de florestas,
por exemplo. Mais de um terço do CO2 emitido pela ação
humana vem sendo absorvido pelos oceanos nos últimos 50
anos, o que está modificando a estrutura química da água do
mar. A principal consequência é que o CO2 diminui o pH da
água e, quanto menor o pH, mais ácida a água fica. A
fotocatálise, ao ser usada para diminuir a quantidade de CO2,
pode ser comparada ao processo de fotossíntese das plantas.
Sabendo dessas informações, faça uma pequena pesquisa
sobre a fotossíntese e a fotocatálise para conversão de CO2,
elencando e enfatizando as semelhanças entre os dois
processos.

35
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CALIXTO, Bruno. Excesso de CO2 na atmosfera torna o oceano mais
ácido. Época, 2013. Disponível em: [Link]
colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2013/09/excesso-de-co2-
[Link]. Acesso em: 29 de
julho de 2021.
GARCIA, IRENE T. S.; PAZINATO, J. C. O.; VASCONCELOS, E. S.
Materiais para células fotocatalíticas. In: Paulo Cesar Piquini. (Org.).
Jornada Acadêmica Integrada/JAI UFSM. 35 ed. Santa Maria: FACOS-
UFSM, 2021, v. 1, p. 65-75. Disponível em: [Link]
app/uploads/sites/681/2021/05/Jornada-Academica-Integrada-JAI-
[Link]. Acesso em 20 de julho de 2020.
MARQUES, Fabielle C.; STUMBO, Alexandre M.; CANELA, Maria C.
Estratégias e materiais utilizados em fotocatálise heterogênea para
geração de hidrogênio através da fotólise da água. Química Nova, v.
40, p. 561-571, 2017.
NOGUEIRA, Raquel F. P.; JARDIM, Wilson F. A fotocatálise
heterogênea e sua aplicação ambiental. Química nova, v. 21, n. 1, p.
69-72, 1998.
PRADO, Alexandre GS. Química verde, os desafios da química do
novo milênio. Química Nova, v. 26, n. 5, p. 738-744, 2003.
SCHNEIDER, Jenny et al. (Ed.). Photocatalysis: fundamentals and
perspectives. Royal Society of Chemistry, 2016.
SILVA, Leonardo A. et al. Obstáculos epistemológicos no ensino-
aprendizagem de química geral e inorgânica no ensino superior:
resgate da definição ácido-base de Arrhenius e crítica ao ensino das
“funções inorgânicas”. Química nova na escola, v. 36, n. 4, p. 261-
268, 2014.

36
Você sabia que:

O químico Martin Gouterman estudou e criou


modelos teóricos que, entre outras contribuições,
colaboraram para que se entendesse porque as
hemácias no sangue são vermelhas e porque a grama é
verde? Além disso, ele foi um ativo militante dos direitos
da comunidade gay na década de 1960.

37
BOIA OU AFUNDA? UMA QUESTÃO DE DENSIDADE

Quelen Bulow Reiznautt

Vamos trabalhar, neste capítulo, com um conceito da


Química chamado densidade. Para iniciar, vou criar um desafio e,
para isso, preciso que vocês usem a imaginação: imaginem que nós
temos algumas imitações de pesos, aqueles usados em balanças
antigas, como os da imagem abaixo (Figura 1).
Figura 1 - Peso usado em balanças antigas.

Fonte: autoria própria.


Agora eu quero contar para vocês que um destes pesos é
feito de bambu e todos os outros são feitos de ferro. Sabendo que
somente eu posso tocar nos pesos e sem que vocês possam tocá-los,
eu quero que vocês descubram qual deles é feito de bambu. Para que
eu possa desvendar este desafio, vamos a algumas considerações
relacionadas à Química.
Todos os materiais têm as suas características e é isso que
nos ajuda a diferenciar um material dos demais. Por exemplo, nós
conseguimos diferenciar um copo com água de um copo com óleo
através da cor, do cheiro e da viscosidade (maior ou menor facilidade
de fluir ou escoar). Essas características dos materiais na Química são
chamadas de Propriedades dos Materiais e podem ser analisadas em
um laboratório de Química. Uma destas propriedades, que podemos
usar para identificar um material, é o tema deste capítulo: a
DENSIDADE.
A densidade é uma propriedade dos materiais que está
relacionada à sua massa e ao seu volume. Tudo o que existe tem
uma massa e ocupa um volume no espaço.

38
A densidade de um objeto, seja ele um peso feito de ferro
ou de bambu, é nada mais que o resultado da divisão de sua massa
pelo seu volume.
Então, por exemplo, a densidade do ferro pode ser calculada
pela fórmula:

Assim, se quisermos dizer a densidade de um objeto,


devemos pesá-los para sabermos sua massa e depois medirmos o seu
volume. Após, é só dividir o valor da massa pelo valor do volume e
então, finalmente, temos a densidade. A densidade do ferro, do
bambu e, até da água, já são propriedades catalogadas e são
mostradas na Tabela 1.
Tabela 1 - Densidade de alguns materiais.
Material Densidade (g/cm3) a 25 °C
Água 1,00
Ferro 7,87
Bambu 0,40
Fonte: Peruzzo, F.M.; Canto, E.L , 2006.
A densidade está relacionada ao fato de alguns objetos
flutuarem ou afundarem em um determinado líquido, como a água,
por exemplo. Observe a imagem onde temos bolinhas maciças
despejadas na água pura (Figura 2).
Figura 2 - Bolinhas de diferentes densidades imersas na água.

Fonte: autoria própria.

39
Observe que:
1- Se o objeto afunda é porque este corpo é mais denso que a
água, ou seja, a sua densidade é maior que 1 g/cm3
(densidade da água).
2- Se o corpo fica em equilíbrio no interior do líquido, no meio
do recipiente, é porque o corpo tem a mesma densidade da
água.
3- E, se o objeto flutua sobre a água é porque é menos denso
que a água, ou seja, a sua densidade é menor que 1 g/cm3.
Voltando ao desafio dos pesos, um deles é feito de bambu e
os demais de ferro. Podemos usar a densidade para descobrir qual
deles é de bambu. Vocês poderiam pedir que os pesos fossem todos
colocados em um recipiente com água. O bambu boia na água, pois
tem uma densidade menor, já os pesos de ferro vão afundar na água,
pois o ferro tem uma densidade maior que a água, conforme
mostrado na Tabela 1.

ATIVIDADE PROPOSTA
Neste momento, eu quero propor um experimento simples
em um copo, bacia ou qualquer outro recipiente com água. Escolha
cinco ou mais objetos para saber se os mesmos boiam ou afundam.
Para isto, basta jogá-los na água e observar. A partir deste
experimento, você poderá concluir quais objetos têm maior
densidade que o líquido (aqueles que afundam) e quais os que têm
menor densidade que o líquido (aqueles que boiam). Você pode jogar
na água um pedaço de madeira, uma pedra, areia, bolinha de gude,
uma tampa de caneta, a rolha de uma garrafa, etc. Ao final, veja quais
objetos eram mais densos que a água, pois afundaram nela, e quais
eram menos densos que a água, pois nela boiaram. Espero que possa
ser divertido. Ótimo trabalho.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
PERUZZO, F. M.; CANTO, E. L. Química na abordagem do cotidiano,
v. 1. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2006.

40
Escreva suas observações:

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

41
DEFENSIVOS AGRÍCOLAS NATURAIS –
ALIMENTOS MAIS SAUDÁVEIS

Fabiane Grecco da Silva Porto

INTRODUÇÃO
Para produzir os alimentos que chegam a nossa mesa, são
necessárias algumas técnicas como o controle de pragas e doenças
que atacam os sistemas de cultivo. Certas substâncias químicas
podem ser utilizadas para este fim: são os “defensivos agrícolas”.
Os defensivos agrícolas sintéticos são chamados, no Brasil, de
agroquímicos e, muitas vezes, são tóxicos. A nomenclatura
“agrotóxico”, quando utilizada, coloca em evidência sua toxicidade,
pois estes produtos são extremamente prejudiciais ao meio ambiente
e à saúde humana, deixando resíduos que contaminam os alimentos.
Na produção orgânica, ao invés destes produtos, são utilizadas outras
técnicas de controle de pragas e doenças, como o controle biológico,
com inimigos naturais, e o uso de defensivos agrícolas naturais,
obtidos a partir de plantas.
PRINCÍPIOS BÁSICOS
Com vistas à produção de alimentos mais saudáveis, sem
prejudicar o meio ambiente e a saúde humana, substâncias químicas
encontradas na natureza podem ser usadas como defensivos
agrícolas contra pragas e doenças no cultivo de alimentos.
A produção orgânica de alimentos tem sido incentivada
principalmente pela conscientização, por parte dos consumidores, dos
malefícios dos agrotóxicos, que contêm princípios ativos altamente
tóxicos, como compostos organosfosforados e organoclorados, que
além de carbono, hidrogênio e oxigênio, possuem na sua estrutura
átomos de fósforo e cloro, respectivamente. O uso excessivo e de
forma indevida dessas substâncias tem causado a contaminação de
solos agrícolas, de águas superficiais e subterrâneas, e de alimentos,
além de afetar a saúde humana e de outros animais, como as abelhas,
extremamente importantes para a polinização das flores e formação
de frutos e sementes.

42
No sistema de cultivo orgânico, esses compostos tóxicos são
proibidos gerando-se assim alimentos mais saudáveis e sempre de
forma sustentável, ou seja, minimizando ao máximo o impacto da
atividade de produção sobre o meio ambiente. Dentre as estratégias
utilizadas, empregam-se extratos obtidos a partir de partes de
plantas, como folhas ou raízes, para auxiliar no controle de pragas e
doenças que afetam a produção.
Esses defensivos naturais são obtidos a partir de plantas
como alecrim, capim cidreira, citronela, louro, neem, mamona,
cinamomo, eucalipto, arruda, cúrcuma, canela, orelha de pau, fumo,
etc. Essas plantas possuem compostos químicos ativos que têm
efeitos de inseticidas, ou como repelentes de insetos, fungicidas, de
indutor de resistência, como antimicrobiano, dentre outros.
As folhas de citronela (Figura 1), por exemplo, são ricas em
geraniol e citronelal, princípios ativos responsáveis por sua ação
como repelente contra insetos e como fungicida. Além do seu uso na
produção de alimentos, essa planta também pode ser utilizada como
repelente de insetos em nossas casas. Como mostra a figura, esses
compostos possuem carbono, hidrogênio e oxigênio na sua estrutura.
O citronelal é um aldeído e o geraniol é um álcool.
Figura 1 - Citronela e seus princípios ativos, citronelal e geraniol.

Fonte: autoria própria.

ATIVIDADE PROPOSTA
Procure, no quintal de sua casa, de amigos, parentes,
vizinhos, ou mesmo em floriculturas ou lojas de produtos naturais,
alguma das plantas mencionadas anteriormente e pesquise na
internet, quais são seus princípios ativos, estrutura química,
propriedades e aplicações. Você também pode experimentar
produzir extrato caseiro de citronela. Basta picar as folhas desta

43
planta e deixá-las imersas em álcool etílico 70%, em um frasco bem
fechado, em ambiente escuro, por 15 dias. Depois é só coar para
remover as folhas.
A conscientização a respeito deste assunto e o
desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis, incluindo o uso
de defensivos agrícolas naturais, são fundamentais para preservar o
meio ambiente e a saúde de todos. Nesse sentido, a Química pode
contribuir, extraindo e industrializando esses princípios ativos
presentes nas plantas, de forma a potencializar e facilitar sua
aplicação no controle de pragas e doenças, contribuindo para a
produção de alimentos mais saudáveis.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BASTOS, F. A. & PEREIRA, I. V. A temática “agrotóxico” no ensino de
QUÍMICA em sala de aula: análise de textos publicados na literatura.
Quim. Nova Esc. 2020, 42, 373-381.
BRAIBANTE, M. E. F. & ZAPPE, J. A. A química dos agrotóxicos. Quim.
Nova Esc. 2012, 34, 10-15. Disponível em:
[Link]
citronela-passo-passo/. Acessado em 01/10/2021/13.55.
JARDIM, I. C. S. F. & ANDRADE, J. A. Residues of pesticides in food: a
global environmental preoccupation – focussing on apples. Quim.
Nova 2009, 32, 996-1012.
LONDRES, Flavia. Agrotóxicos no Brasil: um guia para ação em defesa
da vida. AS-PTA – Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa: Rio de Janeiro. 2011. 190p.
MACILWAIN, C. Organic: Is it the future of farming?. Nature. 2004,
428, 792-793.
MAMPRIM, A. P. et al. Effect of natural pesticides and plant extracts
on biological parameters of Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorok.
Semin. Cienc. Agrar. 2013, 34, 1451-1466.
SILVA, L. L. M. & GARRIDO, R. G. Organofosforados e organoclorados:
toxicologia médica e reflexos ambientais. Rev. Soc. Dev. 2021, 10,
e313101018853.
VELOSO, R. A. et al. Composition and fungitoxicity of essential oil of
citronella grass as affected by organic fertilization. Pesq. Agropec.
Bras. 2012, 47, 1707-1713.

44
Você sabia que:

Ahmed Hassan Zewail (nascido em 1946 e falecido


em 2016) foi o primeiro cientista africano a ganhar o
Prêmio Nobel de Química? Em algumas reações
químicas, os átomos de uma substância se reorganizam
em novos compostos, muito rapidamente, de 10 a 100
femtossegundos (10⁻¹⁵ segundos). No final da década de
1980, Ahmed Zewail, egípcio naturalizado americano,
publicou seu trabalho em que demonstrava o
movimento dos átomos de uma molécula durante uma
reação química, por meio de uma técnica ultrarrápida de
raio laser. Ele ganhou o prêmio Nobel em 1999.

45
DESENVOLVIMENTO DE MEDICAMENTOS

Diego Defferrari

Nunca antes se falou tanto da indústria farmacêutica como se


tem falado desde o início da pandemia da COVID-19. Embora,
felizmente, conseguiu-se produzir vacinas em uma velocidade recorde,
existem muitas doenças que, para o seu tratamento, faz-se necessária
a criação de novas moléculas biologicamente ativas, chamadas de
fármacos.
Um dos fatores fundamentais para a absorção de um
medicamento ingerido por via oral, seja na forma de comprimidos,
cápsulas, ou xaropes, diz respeito ao trato gastrointestinal.

ATIVIDADE PROPOSTA
Você será o responsável pela criação de um novo fármaco.
Para tal, você deverá estudar a absorção, pelo trato gastrointestinal, da
molécula que irá criar.
Para esse fim, você deverá utilizar o software SwissADME,
produzido pelo Instituto Suíço de Bioinformática. A Suíça é um país
famoso pelas suas indústrias farmacêuticas. Esse software é totalmente
livre e não requer nenhuma instalação no seu computador. Você
deverá acessar o site [Link] Nesta página haverá
dois quadrados, como mostrado na figura a seguir.
Figura – Janela de abertura do software SwissADME.

Fonte: [Link]

Primeiramente você deverá buscar na internet a estrutura do


benzeno e, após identificar sua estrutura, desenhá-la no quadro à sua
esquerda, com o auxílio dos botões nas bordas desse quadro. À

46
esquerda você encontra as opções de ligações químicas e cargas
elétricas. À direita estão os elementos químicos que serão utilizados
para o desenho das estruturas. Na parte de baixo, encontram-se as
moléculas cíclicas já prontas, como essas são muito comuns, facilita o
trabalho na hora de desenhar. Quando a estrutura estiver desenhada,
clique na seta dupla dentro do círculo que se encontra entre os dois
quadros. O quadro da esquerda é o local a ser utilizado para desenhar
as moléculas. No quadro da direita, aparecerão os códigos que o
programa usa para a análise. Assim, por exemplo, o código
C1=CC=CC=C1 aparecerá no quadro à direita. Agora você pode
desenhar a estrutura do Ácido Acetilsalicílico, conhecido pelo nome
comercial de Aspirina. Quando a estrutura estiver pronta, faça a
mesma coisa: clique no botão entre os dois quadros. Assim que o novo
código (CC(=O)OC1=C(C=CC=C1)C(O)=O) aparecer no quadro, clique no
botão Run! na parte inferior direita.
A sua análise está pronta. O software gerou os dados
referentes às moléculas que você desenhou. Agora, está na hora de
comparar a absorção gastrointestinal das duas. Para isso, você deve
procurar dentro do parâmetro Pharmacokinetics, o parâmetro GI
Absorption. Esse parâmetro indica quão boa é a absorção da molécula
pelo estômago e/ou intestino. Ele é dividido em três níveis: alto (High),
moderado (Moderate) e baixo (Low). Como você pode ver, o benzeno
(primeira estrutura desenhada) possui uma absorção baixa, enquanto
a Aspirina (segunda estrutura desenhada) possui uma absorção alta, e
esse é um dos motivos pelos quais ela é considerada como um bom
exemplo de medicamento. Parabéns, agora você já está apto a
desenhar as suas próprias moléculas e descobrir se elas podem ser ou
não absorvidas pelo trato gastrointestinal.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
AMARAL, A. T.; ANDRADE, C. H. ; KUMMERLE, A. E. ; GUIDO, R. V. C. . A
evolução da uímica edicinal no Brasil: avanços nos 40 anos da
Sociedade Brasileira de uímica. Química Nova, v. 40, n. 6, p. 694 -
700, 2017.
SA TOS, V. O SA VES, A. ARA O, C. Abordagem didá ca para o
desenvolvimento de moléculas bioa vas: regra dos cinco de Lipins i e
preparação de heterociclo 1, 3, 4 - oxadiazol em forno de micro-ondas
domés co. , v. 41, n. 1, p. 110 - 115, 2018.

47
SABÕES

Marco Antônio Moreira de Oliveira


Marcelo Vieira Migliorini

A utilização de sabões para o asseio pessoal é comum


atualmente, mas o acesso da população a estes produtos só ocorreu
com o advento da industrialização. Os primeiros registros sobre este
tipo de substâncias remetem, entretanto, aos babilônicos que
produziram sabões, basicamente de gordura animal misturada com
cinzas. Este princípio tem sido preservado até os dias de hoje, com a
utilização de substâncias com características semelhantes aos
componentes-chave daqueles produtos.
O princípio de ação dos sabões para remoção de sujeiras está
ligado à interação desses com a sujeira para formar micelas em água.
A formação de micelas permite uma vasta gama de aplicações,
destacando-se a área de alimentos, cosméticos, indústria
farmacêutica e outras. Em contrapartida, os sabões podem trazer
problemas ao meio ambiente, uma vez que interferem em sistemas
aquáticos, causando desequilíbrios à vida. Desta forma, o excesso
destas substâncias nos efluentes das cidades constitui-se em um
problema ambiental, carecendo de tratamento adequado.

PRINCÍPIOS BÁSICOS
Os triglicerídeos são constituintes majoritários de gorduras e
óleos e são importantes para o desenvolvimento da planta. São
encontrados em organismos animais e vegetais. Nos animais, os
triglicerídeos estão relacionados à formação de substâncias
reguladoras, como os hormônios, bem como à estocagem de energia.
Como aplicação tecnológica, as pessoas utilizam óleos e
gorduras na área de alimentação humana e animal. O principal
exemplo disso são os processos de fritura, no qual se consegue elevar
a temperatura do alimento acima dos 200 °C. Contudo, a ingestão
exagerada de triglicerídeos saturados e compostos com isomeria
trans8 causam problemas relacionados à saúde.

8
Composto orgânico que apresenta os grupos substituintes em lados opostos em
relação aos carbonos em dupla ligação.

48
Outra aplicação muito importante é a indústria do biodiesel,
que pode-se valer tanto de gordura animal quanto vegetal.
No processo de formação dos sabões, um triglicerídeo reage
com uma base forte e produzindo um sal de ácido graxo (derivado do
triglicerídeo) e glicerina. A Figura 1 demonstra a estrutura de um
triacil-glicerol e a reação com hidróxido de sódio. É importante
observar que, nesta reação, são necessárias, para cada molécula de
triglicerídeo, três de hidróxido de sódio (NaOH) para que esta reação
ocorra com máximo rendimento. Além disto, são formadas três
moléculas do sal de ácido graxo (sabão) e uma molécula de glicerina.

Figura 1 - Estrutura e reação de um triglicerídeo com uma base forte


resultando na formação de um sal de ácido graxo e glicerina.

Fonte: autoria própria.

O sal de ácido graxo, ou sabão, apresenta uma extremidade


polar e uma cadeia longa apolar (ver Figura 2). A Figura 2 também
mostra uma forma esquematizada de representarmos o ácido graxo
como um pirulito, sendo a parte polar um círculo, e a parte apolar
uma linha reta. A ação de um sabão ocorre a partir da afinidade de
sua parte polar com a água e da porção apolar com a sujeira. A água
é uma molécula polar e a “sujeira” (algo que necessita ser limpo e
não é removido apenas com a água) tem natureza apolar. O
aglomerado de moléculas de sabão junto com a sujeira apolar acaba
formando uma micela. A parte externa da micela (ver Figura 2) tem
afinidade pela água e, portanto, facilita a remoção da sujeira.

49
Figura 2 - Representação do sabão (a), da sujeira (b) e de uma micela
(c) formada por moléculas de sabão com a sujeira dispersas em água.

a) b) c)

Fonte: autoria própria.

ATIVIDADE PROPOSTA
A reação para formação de um sabão é um experimento
relativamente simples de ser feito. Você pode usar restos de gordura
provenientes de frituras e cinzas que sobram da queima do carvão
quando preparar um churrasco. Você pode misturar esses
ingredientes e colocar em uma forma esperando endurecer. Teste
diferentes proporções entre o óleo e a cinza e observe o resultado,
mas use luvas durante o manuseio, e não use o sabão para tomar
banho.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FELIPE, L. O.; Dias, S. C.; Surfactantes sintéticos e biossurfactantes:
vantagens e desvantagens. Quim. Nova Esc. 2017, 39, 228-236.
Le COUTER, P. et. al. Os Botões de Napoleão - As 17 moléculas que
mudaram a química, Zahar: Rio de Janeiro, 2006, 247-265.
McMURRY, J. Quimica Orgânica. V. 2, 6. ed. Thomson Learning: São
Paulo, 2005, 782-783.

50
Escreva suas observações:

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

________________________________________________________

51
UM RAPAZ CHAMADO MICHAEL FARADAY

Irene Teresinha Santos Garcia

Era uma vez um jovem que nasceu de uma família com


poucos recursos, em Londres, no ano de 1791. Ele não conseguiu
frequentar por muito tempo a escola porque precisou trabalhar
desde cedo. Aos 14 anos de idade, se tornou aprendiz de um
encadernador e livreiro, o que deu a Michael a oportunidade de ler
os livros que encadernava. Poderia ter trabalhado como
encadernador de livros até sua morte e teria sido importante para os
seus. Mas, sua escolha por aproveitar cada oportunidade dada,
mudou sua trajetória e o fez importante para toda a humanidade.
Um dia caiu em suas mãos um livro: Palestras sobre química, de Jane
Marcet, que havia sido escrito em 1805. Esse livro despertou o
interesse de Michael pelas ciências. Mas ele não se limitou a ler e
acumular conhecimentos. Gastava parte do dinheiro que ganhava na
compra de material para reproduzir os experimentos que aprendia.
Nesta época, durante o reinado da Rainha Vitória, havia um Lorde e
cientista famoso, Sir Humphry Davy. Em 1810, Michael teve a
oportunidade de assistir a quatro palestras desse cientista, anotando
tudo o que podia, complementando com suas observações. Dois anos
mais tarde, as enviou para o cientista. Mr. Davy gostou tanto que
recomendou Michael para ser seu ajudante no Laboratório da “Royal
Institution”. Michael estudava cada vez mais e se tornava mais
importante aos olhos de Lorde Davy. Depois de algum tempo, o
cientista o convidou para acompanhá-lo como assessor e criado de
quarto em uma viagem por alguns países da Europa. Nesta viagem
conheceu cientistas famosos da época como Ampère e Volta.
Quando voltou à Inglaterra, dois anos depois, já tinha
adquirido muito conhecimento e ministrou várias palestras na “Royal
Institution”. Ele e Davy desenvolveram uma lâmpada de segurança
para ser usada pelos mineiros e suas atividades envolviam a Química
e a Física. Em 1831 demonstrou que era possível converter energia
mecânica em energia elétrica e trabalhou para o entendimento do
fenômeno da indução eletromagnética. Indução eletromagnética é o
fenômeno permite produção de uma tensão (força eletromotriz) em
um meio exposto a um campo magnético variável. Hoje, graças ao
entendimento desse fenômeno, é possível a obtenção de energia em

52
usinas hidrelétricas, a movimentação de motores elétricos, e o
aquecimento em fornos de indução.
Quando estamos dentro de um carro em uma tempestade de
raios, sabemos que estamos seguros contra a eletricidade, porque
Faraday demonstrou que a carga externa não tinha influência sobre o
que está dentro de uma gaiola de metal. Isso ocorre porque as cargas
externas se redistribuem de modo que os campos internos que
emanam delas se cancelam.
Michael Faraday, também tornou possível o entendimento
do processo da transformação de substâncias com o uso da
eletricidade, procedimento que havia sido descoberto pelo químico
inglês William Nicholson em 1800. Essa descoberta deu origem a uma
área de estudo que é conhecida como eletroquímica, cujos princípios
básicos são chamados até hoje de “ eis de Faraday”.
Uma das maiores contribuições de Faraday está na
descoberta de que a expansão rápida de um gás leva à absorção de
calor a sua volta. Esse processo é usado até hoje nos refrigeradores.
Desde as civilizações do Egito antigo, o homem procurava dominar a
tecnologia do frio e muitos cientistas trabalharam em tempos
diferentes nesse assunto. O domínio desse assunto permitiu a
Faraday liquefazer gases que na época eram ditos permanentes,
como o gás carbônico e o cloro. Hoje, a conservação de alimentos,
medicamentos e vacinas é possível graças a essa descoberta.
Faraday conseguiu isolar o benzeno do óleo de baleia, e
desenvolveu vidros de excelente qualidade, sendo possível
aperfeiçoar o telescópio. Também obteve substâncias novas, dois
cloretos de carbono, como o hexacloro etano e o tetracloro eteno.
Faraday foi homenageado pela Universidade de Oxford e pela
“Royal Society”. Apesar de todo o sucesso, Michael continuou sendo
uma pessoa simples, que gostava de ser cientista e não estava muito
preocupado com o prestígio da posição. Essa postura fez com que
rejeitasse se tornar presidente da “Royal Society” e também títulos
de nobreza. Acabou ganhando uma casa que é hoje chamada de Casa
Faraday, na Hampton Court Road, 37. Ele fez vários trabalhos como
perito e também contribuiu com muitos projetos para o governo de
seu país. Mas, quando foi chamado a aconselhar o governo sobre a
produção de armas químicas para uso na Guerra da Crimeia, Faraday
se recusou a colaborar. Além de um grande cientista, Faraday foi um
cidadão ético que não se desviou de seus princípios e, até hoje, faz
parte de nossas vidas.

53
Contam que certa vez a Rainha Vitória visitou Michael em seu
laboratório. Ele ficou muito entusiasmado e mostrou à rainha suas
invenções e descobertas. Mas a Rainha, sem entender muito do que
se tratava e, com um espírito prático, ao final perguntou:
- Mas para que servem todas essas coisas?
Michael respondeu-lhe:
- E para que serve um bebê?
Essa passagem mostra que, muitas vezes, os pesquisadores
descobrem algo que, no momento parece não ter muita utilidade,
mas que no futuro pode ser importante. Mas a ciência, como todo o
bebê, cresce e mostra sua utilidade.
Ele também foi uma pessoa muito religiosa, o que nos mostra
que religião não precisa brigar com a ciência, como creem alguns.
Faraday morreu em sua casa em 25 de agosto de 1867, aos
75 anos, mas sua obra vive até hoje e torna nossa vida melhor todos
os dias.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
WILSON, Grove. Os grandes homens da ciência: suas vidas e
descobertas. São Paulo: Companhia Nacional, 1963, 344p.
BRITANNICA. Teoria de eletroquímica de Michael Faraday. Disponível
em: [Link]
of-electrochemistry. Acessado em: 20/02/2021 às 14h.

54
Você sabia que:

Alice Augusta Ball, cientista negra, foi a primeira


mulher a se formar na Universidade do Havaí? Ela criou
o método Ball, um tratamento químico que ajudou a
curar a lepra, permitindo que as pessoas pudessem se
tratar sem a necessidade de se isolar de suas famílias.

55
UMA DONA DE CASA CHAMADA AGNES POCKELS

Irene Teresinha Santos Garcia

Agnes Wilhelmine Louise Pockels, de pais alemães, nasceu


em 1862, em Veneza. Agnes tinha um irmão mais moço, Fritz. Dos 10
aos 15 anos frequentou a Municipal High School for Girls, em
Brunswick, norte da Alemanha. Nesta escola, havia duas aulas de
ciências naturais por semana nos dois últimos anos de ensino médio.
Mais tarde, Agnes afirmou que adoraria ter podido ter mais aulas de
ciências, mas teve que ficar em casa para cuidar dos pais doentes.
Seu irmão, no entanto, pode prosseguir seus estudos e, em 1888
terminou seu doutoramento em Física pela Universidade de
Göttingen. Mesmo sem ir à escola, Agnes teve acesso aos livros de
física e matemática do irmão. Mas precisou ter muita genialidade
para conseguir estudar sozinha naqueles livros, entre um afazer
doméstico e outro. Agnes gostava de estudar na cozinha, que era o
local mais quente da casa, muitas vezes estudava com seu irmão.
Esse lugar, com panelas e louças engorduradas, foi o local escolhido
por Agnes para fazer suas observações científicas. Agnes também
podia ler artigos científicos, pois o irmão se tornara professor na
Universidade de Göttingen. Assim, um dia leu um artigo do 3° Barão
de Rayleigh que relatava seus estudos sobre as ciências de superfície
e resolveu escrever uma carta a ele. A carta começava assim:
Meu senhor, me perdoe a ousadia de escrever a você,
mas por razões pessoais eu não estou em condições
de publicar os resultados de meus experimentos. Eu li
sobre suas pesquisas, sobre as propriedades até agora
pouco compreendidas da superfície da água. Acho que
minhas observações podem ajudá-lo... (POCKELS, A.;
RAYLEIGH, J. 1891, p. 437-438).
Antes de escrever essa carta, ela já havia tentado
compartilhar seus resultados com os professores da Universidade de
Göttingen, porém ninguém lhe deu a mínima importância. Mas Lorde
Rayleigh deu crédito à sua carta, o que resultou na publicação de
artigos na Revista Nature (POCKELS, A.; RAYLEIGH, J. 1891, p. 437-
438).
Agnes desenvolveu um aparato para medir a tensão
superficial da água. Mais tarde, o cientista Irving Langmuir
aperfeiçoou esse aparato, conhecido como Balança de Langmuir.

56
Mas a vida da moça foi uma sucessão de desgraças: pai
doente, mãe doente, irmão doente. Ela acabou virando a enfermeira
da casa.
Encorajada pelo apoio de Lorde Rayleigh e pelas publicações
na revista científica Nature, ela finalmente ousou submeter seus
artigos aos periódicos alemães, e conduziu experimentos bem-
sucedidos por dez anos. Em 1909 publicou suas observações do
ângulo de contato, um tipo de medida que permite verificar a
afinidade de um líquido por uma superfície sólida ou entre líquidos
imiscíveis. Agnes viveu muitos anos e até 1926 publicou seus
trabalhos. Em 1931 foi homenageada pela Sociedade Germânica de
Coloides. Morreu em novembro de 1935.
Ela uma vez afirmou: “minha grande alegria é saber que meu
trabalho está sendo usado por outros para suas investigações." Agnes
é uma das grandes cientistas que desenvolveu uma área da Química,
a Físico-Química de Interfaces. Hoje essa é a ciência que está
envolvida no preparo de nanomateriais, na recuperação de óleo
derramado, na produção de plásticos, entre outras.
Algumas questões para você refletir:
1) Você pode imaginar quão difícil é aprender algo com esforço
próprio, sem frequentar um ambiente acadêmico?
2) Você pode imaginar a ansiedade por receber uma resposta
aos seus experimentos, e essa resposta nunca chegar,
simplesmente porque não deram atenção a quem não teve
acesso à educação?
3) Você faz ideia de que, para poder ser reconhecida, primeiro
um cientista do sexo masculino, inteligente e justo, como o
Lorde Rayleigh, teve que reconhecer seu talento e ser ético o
bastante para dar crédito à verdadeira dona das ideias?
4) Você pode imaginar quantas meninas nestes anos todos
poderiam ter contribuído para a ciência, e que simplesmente
não o fizeram por não terem apoio adequado?

57
ATIVIDADES PROPOSTAS
1) Você pode pesquisar por que lavar um prato sujo com água pura é
tão difícil, e com sabão ou detergente o processo se torna fácil.
2) Encha uma bacia com água e jogue uma pedra bem no meio. A
seguir adicione um pouco de óleo na superfície da água e,
novamente, jogue a pedra. Você deve observar o amortecimento
de ondas quando gotas de óleo são colocadas na superfície da
água.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
DERRICK, E. M.; POCKELS, Agnes. 1862-1935; Journal of Chemical
Education, 59 (1982) 1030. Disponível em: [Link]
ed059p1030.
OSTWALD, W. Die Arbeiten von Agnes Pockels über Grenzschichten
und Filme. Kolloid-Zeitschrift 58, 1–8 (1932). Disponível em:
[Link]
POCKELS, A.; RAYLEIGH, J., Nature, n. 43, 1891, p. 437-438.

58
Você sabia que:

A frase “ a atureza nada se cria e nada se perde,


tudo se transforma" é de autoria de Antoine-Laurent de
Lavoisier, um químico francês que morreu na Revolução
Francesa? Ele foi morto não por ser químico, mas por ser
também um cobrador de impostos. Sua esposa, Marie-
Anne Pierrette Paulze, foi fundamental para a concepção
dos experimentos que tornaram Lavoisier o pai da
química moderna.

59
ALGUMAS PALAVRAS PARA NOS DESPEDIRMOS

Esperamos que você tenha lido até aqui. Este trabalho


apresentou uma pequena parte do mundo imenso da Química.
Nas diferentes áreas de atuação, como ensino, pesquisa de
novos materiais, controle de qualidade, consultoria ambiental e
forense, produção de cosméticos e bebidas, no desenvolvimento de
medicamentos, entre outros, você poderá ver um Químico em ação.
Se você já começou a estudar Química, já percebeu que esta
é uma ciência que se comunica através de símbolos e que o homem a
desenvolveu construindo alguns modelos para explicar o
comportamento das substâncias. Conceitos básicos são importantes
para fundamentar a interpretação dos resultados. A Química pode
parecer desafiadora de início, mas, com o tempo, podemos entender
muitos conceitos. É lindo poder entender o comportamento das
substâncias, modificá-las e produzir novos materiais, tão úteis em
nosso dia a dia.
Perguntas e sugestões podem ser encaminhadas para os
autores de cada capítulo e também para o e-mail:
[Link]@[Link].
Para quem tem acesso fácil à internet, e tiver interesse,
disponibilizamos também alguns vídeos no canal “Alvorando a
Química”, no Youtube. Esperamos encontrá-lo em breve.

60
SOBRE OS AUTORES

Ana Carolina Longoni é bacharela em Química pela UFRGS 2016,


mestranda em química computacional e cabeleireira há cinco anos. É
especialista em colorometria, processos químicos e tricologia. E-mail
para contato: [Link]@[Link].
Diego Defferrari é Químico Industrial e doutorando em Ciências
Farmacêuticas pela UFRGS, em regime de cotulela com a
Université de Rennes 1 – França, com especialidade em química
medicinal. E-mail para contato: diegodefferrari@[Link].
Eduardo Santos Vasconcelos é Químico Industrial, mestre em
Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e estudante
de Licenciatura em Química pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. E-mail para contato: [Link]@[Link].
Fabiane Grecco da Silva Porto é bacharela em Química e mestre em
Química pela Universidade Federal de Pelotas. Atualmente é
doutoranda no programa de Pós-graduação em Ciência e Engenharia
de Materiais da mesma universidade, atuando principalmente nos
seguintes temas: bioquímica vegetal, desenvolvimento de insumos
alternativos, físico-química de polímeros e filmes. E-mail para
contato: fabigs@[Link].
Irene Teresinha Santos Garcia é graduada em Química Industrial,
mestre em Química e doutora em Ciência dos Materiais pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Fez estágio pós-
doutoral na Carl von Ossietzky Universität. Tem experiência na área
de polímeros e físico-química de interfaces. É professora titular no
Departamento Físico-Química da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. E-mail para contato: [Link]@[Link].
Ismael dos Santos Belmonte é Químico Industrial pela UFRGS e
mestrando em Química pela mesma universidade. Realiza pesquisas
na área de química analítica ambiental voltadas para a determinação
de contaminantes emergentes. E-mail para contato:
[Link]@[Link].

61
Julia Cristina Oliveira Pazinato é graduada em Química Industrial e
mestra em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Atualmente é aluna de doutorado no Programa de Pós-graduação em
Química desta instituição. Tem experiência na área de físico-química
e química de materiais, atuando principalmente no estudo e síntese
de óxidos de metais de transição para aplicação em fotocatálise. E-
mail para contato: [Link]@[Link].
Marcelo Vieira Migliorini é bacharel e licenciado em Química
(UFPel), mestre e doutor em Química (PPGQ-UFRGS), professor
adjunto de Ciências Químicas da Universidade Estadual do Rio
Grande do Sul (Uergs), e professor permanente no Mestrando
Profissional em Formação Docente para Ciências, Tecnologias,
Engenharias e Matemática (PPGSTEM-Uergs). E-mail para contato:
marcelo-migliorini@[Link].
Marco Antônio Moreira de Oliveira é formado em Química (UFRJ),
especialista em ensino de Química para professores do Nível Médio
(PUC/RJ), e aluno do Mestrado Profissional em Formação Docente
para Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática (PPGSTEM-
Uergs). E-mail para contato: marco-oliveira01@[Link].
Quelen Bulow Reiznautt é licenciada e bacharela em Química pela
Universidade Federal de Pelotas, e mestre e doutora em Química
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi Professora
substituta de Química no Instituto Federal do Rio Grande do Sul -
Campus Canoas (de 2013 a 2015), professora de Química Geral no
Centro Universitário Cinecista de Osório (2015), e é professora de
Química na Educação Básica, na Escola Estadual de Ensino Médio
Raul Pilla. E-mail para contato: quelen-breiznautt@[Link].
Sheila Pereira Krigger é formada em Química Industrial na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atuou como monitora de
diversas disciplinas durante a graduação, e também realizou iniciação
científica nas áreas de ciência dos alimentos e de química analítica.
Atualmente é aluna de mestrado em Química na mesma universidade
e atua como professora voluntária no cursinho pré-vestibular popular
da cidade de Guaíba, RS, onde reside. E-mail para contato:
sheilakrigger@[Link].

62
63

Você também pode gostar