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Guia Completo sobre Homicídio no Direito Penal

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josueaguiar134
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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1

Olá, Alunos!
Sejam bem-vindos!

Esse material foi elaborado com muito carinho para que você
possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se
preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma
complementar junto com as aulas.

Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma


“pergunte ao professor”.

Lembre-se: o seu sonho também é o nosso!


Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação!

Com carinho,
Equipe Ceisc ♥

2
2ª FASE OAB | PENAL | 4 2º EXAME

Direito Penal

SUMÁRIO

Crimes contra a vida


1.1 Homicídio simples……………………………………………………………………………6
1.1.1 Conceito de homicídio............................................................................................................6
1.1.2 Meios de execução................................................................................................................6
1.1.3 Sujeitos do delito.....................................................................................................................7
1.1.4 Elemento subjetivo.................................................................................................................7
1.1.5 Consumação..........................................................................................................................8
1.1.6 Tentativa..................................................................................................................................8
1.2 Homicídio privilegiado...............................................................................................................8
1.2.1 Motivo de relevante valor social............................................................................................8
1.2.2 Motivo de relevante valor moral............................................................................................9
1.2.3 Domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.............9
1.3 Homicídio qualificado................................................................................................................9
1.3.1 Conceito..................................................................................................................................9
1.3.2 Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.....................10
1.3.3 Motivo fútil..............................................................................................................................10
1.3.4 Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum..........................................................................11
1.3.5 À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou
torne impossível a defesa do ofendido........................................................................................12
1.3.6 Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime...............................................................................................................................................13
1.3.7 Feminicídio............................................................................................................................14
1.3.8 Praticado contra agentes de segurança.............................................................................14
1.3.9 Emprego de Arma de Fogo de uso restrito ou proibido....................................................15

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1.3.10 Homicídio contra menor de 14 anos.................................................................................15
1.3.11 Homicídio privilegiado-qualificado....................................................................................15
1.4. Homicídio culposo..................................................................................................................15
1.4.1 Conceito................................................................................................................................15
1.4.2 Modalidades de culpa..........................................................................................................16
1.4.3 Concorrência e compensação de culpas...........................................................................16
1.4.4 Perdão judicial.......................................................................................................................16
1.5 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio........................................................................17
1.5.1 Conceito de suicídio.............................................................................................................17
1.5.2 Automutilação.......................................................................................................................17
1.5.3 Sujeito ativo e passivo..........................................................................................................17
1.5.5 Elemento subjetivo...............................................................................................................18
1.5.6 Consumação e tentativa......................................................................................................18
1.5.7 Figuras típicas qualificadas..................................................................................................19
1.5.8 Formas majoradas...............................................................................................................19
1.5.9 Pacto de morte......................................................................................................................20
1.6 Infanticídio................................................................................................................................20
1.6.1 Conceito................................................................................................................................20
1.6.2 Elementos do tipo objetivo...................................................................................................20
1.6.3 Sujeitos do delito...................................................................................................................21
1.6.4 Consumação e tentativa......................................................................................................22
1.7 Aborto.......................................................................................................................................22
1.7.1 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento...........................................22
1.7.2 Aborto provocado por terceiro.............................................................................................23
1.7.3 Aborto consensual................................................................................................................23
1.7.4 Aborto legal...........................................................................................................................24

Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório
para a 2ª Fase do 42º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas
aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação
pertinente.

Bons estudos, Equipe Ceisc.


Atualizado em dezembro de 2024.

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Para dar o soco missioneiro, leia os principais artigos sobre Crimes contra à vida

• Art. 13, §2º, alínea “a”, CP;


• Art. 17, CP;
• Art. 24, CP;
• Art. 121, CP;
• Art. 122, CP;
• Art. 123, CP;
• Art. 124, CP;
• Art. 125, CP;
• Art. 126, CP;
• Art. 128, CP;
• Art. 142 CF;
• Art. 144, CF;

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Crimes contra a vida

Prof. Arnaldo Quaresma


@profarnaldoquaresma

1.1 Homicídio simples – Art. 121, caput, CP


1.1.1 Conceito de homicídio
É a morte de um homem provocada por outro homem. E a eliminação da vida de uma
pessoa praticada por outra.
Trata-se de preservar o bem jurídica “vida extrauterina”. Antes do início do parto, com a
dilatação do colo do útero, há vida intrauterina, constituindo-se, nesse caso, a eliminação da
vida crime de aborto.

1.1.2 Meios de execução


O crime de homicídio admite qualquer meio de execução, por disparo de arma de fogo,
facadas, atropelamento, emprego de fogo, asfixia, veneno, etc. Determinados meios
empregados para a execução do delito podem qualificar o delito de homicídio, como, por
exemplo, o fogo, veneno, explosivo.
Normalmente o crime de homicídio é praticado por meio de uma ação do sujeito ativo; é
possível, todavia, que o crime seja praticado por omissão, como, por exemplo, a mãe,
pretendendo a morte do filho pequeno, deixa de alimentá-lo. Nesse caso, a mãe teria o dever
de agir e de impedir o resultado, nos termos do artigo 13, § 2º, alínea “a”, do Código Penal.
Existe, ainda, a participação por omissão. Suponha-se que um policial, ao dobrar uma
esquina, veja um homem desconhecido estrangulando uma mulher. Ele está armado e pode
evitar o resultado, tendo, inclusive, o dever jurídico de fazê-lo. Contudo, ao perceber que a
vítima é uma pessoa de quem ele não gosta, resolve se omitir, permitindo que o homicídio se
consume. O desconhecido é autor do homicídio e o policial, partícipe por omissão (porque tinha
o dever jurídico de evitar o crime e não o fez) (GONÇALVES, 2013, p. 77).
Para caracterizar ao menos tentativa de homicídio, o meio empregado para causar a
morte deve, no mínimo, ser relativamente eficaz a produzir o resultado. Se a consumação do
homicídio se mostrar impossível no caso concreto, por absoluta ineficácia do meio, tem-se a

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hipótese do crime impossível, não sendo punível nem sequer a tentativa, conforme dispõe o
artigo 17 do Código Penal. Em síntese, o fato será atípico.
Assim, arma com balas velhas, que não deflagram; arma com defeito mecânico, sem
potencialidade lesiva; arma de brinquedo = meios absolutamente ineficazes = crime impossível.
Arma com balas velhas, mas que podem ou não disparar = meio relativamente ineficaz
= pode configurar tentativa punível.

1.1.3 Sujeitos do delito


A) Sujeito ativo
Sujeito ativo: qualquer pessoa.
O conceito abrange não só aquele que pratica o núcleo da figura típica (quem mata),
como também o partícipe, que é aquele que, sem praticar o verbo (núcleo) do tipo, concorre de
algum modo para a produção do resultado.
B) Sujeito passivo
Sujeito passivo: qualquer pessoa, com qualquer condição de vida, de saúde, de posição
social, de raça etc.
É o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado.
É a vida extrauterina o objeto de proteção do homicídio, enquanto a vida intrauterina fica
no campo do aborto.
Se doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa
menor de 14 anos ou maior de 60 anos (Art. 121, § 4º, do CP).
Se o agente investir, com a intenção de matá-la, contra pessoa já falecida, incidirá a
hipótese de crime impossível, por absoluta impropriedade do objeto (Art. 17 do CP).

1.1.4 Elemento subjetivo


O elemento subjetivo que compõe a estrutura do tipo penal do crime de homicídio é o
dolo, que pode ser direto ou eventual.
O tipo penal do homicídio simples não exige qualquer finalidade específica para sua
configuração. Ao contrário, o motivo do crime pode fazer com que passe a ser considerado
privilegiado (motivo de relevante valor moral ou social) ou qualificado (motivo torpe ou fútil). Se,
entretanto, a motivação do homicida não se enquadrar em nenhuma das hipóteses que tornam
o crime qualificado ou privilegiado, automaticamente será ele considerado simples
(GONÇALVES, 2013, p. 87).

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1.1.5 Consumação
Consuma-se o crime de homicídio quando da ação humana resulta a morte da vítima.
Ocorre com a cessação da atividade encefálica, conforme se extrai do artigo 3º da Lei nº
94.34/97 (que disciplina o transplante de órgãos).
A materialidade, ou seja, a existência do crime de homicídio e a causa da morte, é
atestada pelo exame necroscópico, em que o médico legista aponta a ocorrência da morte e
suas causas.

1.1.6 Tentativa
Tratando-se de crime material, o homicídio admite a tentativa, que ocorrerá quando,
iniciada a execução do homicídio, este não se consumar por circunstâncias alheias à vontade
do agente.
Para a tentativa, é necessário que o crime saia de sua fase preparatória e comece a ser
executado, pois somente quando se inicia a execução é que haverá início de fato típico.
Para o reconhecimento da tentativa devem estar presentes três fatores: a) prova
inequívoca que a intenção do agente era matar a vítima; b) tenha havido início de execução do
homicídio; c) que o resultado morte não tenha ocorrido por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

1.2 Homicídio privilegiado – Art. 121, § 1º, CP


O artigo 121, § 1º, do Código Penal, descreve o homicídio privilegiado como o fato de o
sujeito cometer o delito impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio
de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima. Neste caso, o juiz pode
reduzir a pena de 1/6 a 1/3.

1.2.1 Motivo de relevante valor social


Ocorre quando a causa do delito diz respeito a um interesse coletivo. A conduta, então,
é ditada em face de um interesse que diz respeito a todos os cidadãos de uma coletividade.

EXEMPLO:
Pai desesperado pelo vício que impregna seu filho e vários outros alunos, mata um
traficante que distribui drogas num colégio, sem qualquer ação eficaz da polícia para contê-lo.

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1.2.2 Motivo de relevante valor moral
Diz respeito a um interesse particular, interesse de ordem pessoal.
Será motivo de relevante valor moral aquele que, em si mesmo, é aprovado pela ordem
moral, pela moral prática, como, por exemplo, a compaixão ou piedade ante o irremediável
sofrimento da vítima.
Exemplo: Eutanásia.

1.2.3 Domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima


A última figura típica privilegiada descreve o homicídio cometido pelo sujeito sob o
domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação do ofendido.
Além da violência emocional, é fundamental que a provocação tenha partido da própria
vítima e seja injusta, o que não significa, necessariamente, antijurídica, mas quer dizer não
justificada, não permitida, não autorizada por lei, ou, em outros termos, ilícita.

EXEMPLO:
Conduta de réu cuja filha menor fora seduzida e corrompida por seu ex-empregador; do
que fora provocado e mesmo agredido momentos antes pela vítima.

O texto legal exige que o impulso emocional e o ato dele resultante sigam-se
imediatamente à provocação da vítima, ou seja, tem de haver a imediatidade entre a
provocação injusta e a conduta do sujeito.
Convém ressaltar que tal circunstância não se confunde com a atenuante contida no
artigo 65, inciso III, alínea “c”, parte final. Trata-se de cometer um delito sob a influência de
violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima.
A diferença reside no fato de que o privilégio requer imediatidade entre provocação e
reação (requisito desnecessário na atenuante) e que a violenta emoção domine o agente (na
atenuante, basta que o influencie).

1.3 Homicídio qualificado – Art. 121, § 2º, CP


1.3.1 Conceito
É o homicídio praticado com circunstâncias legais que integram o tipo penal incriminador,
alterando para mais a faixa de fixação da pena.

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Dizem respeito aos motivos determinantes do crime e aos meios e modos de execução,
reveladores de maior periculosidade ou extraordinário grau de perversidade do agente.
Portanto, da pena de reclusão de 06 a 20 anos, prevista para o homicídio simples, passa-
se ao mínimo de 12 e ao máximo de 30 para a figura qualificada.
Tentado ou consumado, o homicídio doloso qualificado é crime hediondo, nos termos do
artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.072/90.

1.3.2 Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe


Trata-se de qualificadora subjetiva, pois diz respeito aos motivos que levaram o agente
à prática de crime.
Torpe é o motivo moralmente reprovável, abjeto, desprezível, vil, que demonstra a
depravação espiritual do sujeito e suscita aversão e repugnância geral em relação ao crime
praticado.

a) Mediante paga ou promessa de recompensa


Na paga o agente recebe previamente a recompensa pelo crime, o que não ocorre na
promessa de recompensa, em que há somente a expectativa de paga, há um compromisso
futuro de pagamento, cuja efetivação está condicionada à prática do crime de homicídio.

b) Motivo torpe
TORPE: é o motivo repugnante, abjeto, vil, que causa repulsa excessiva à sociedade.
Exemplo: matar alguém para adquirir-lhe a herança, por ódio de classe, vaidade e prazer
de ver sofrer.

1.3.3 Motivo fútil


É o motivo insignificante, apresentando desproporção entre o crime e sua causa moral.
Fútil é o motivo insignificante, banal, desproporcional à reação criminosa.
Exemplos de motivo fútil: simples incidente de trânsito; rompimento de namoro;
pequenas discussões entre familiares; o fato de a vítima ter rido do homicida; porque a vítima
estava olhando feio.

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1.3.4 Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum
Trata-se de qualificadora objetiva, pois diz respeito aos modos de execução do crime de
homicídio, os quais demonstram certa perversidade.

a) Emprego de veneno
Meio insidioso existe no homicídio cometido por intermédio de estratagema, perfídia. O
veneno é um meio insidioso.
É necessário, para a incidência da qualificadora, que o veneno seja propinado
insidiosamente. Assim, se há emprego de violência no sentido de que a vítima ingira a
substância, não ocorre a qualificadora, podendo incidir o meio cruel.

b) Emprego de fogo ou explosivo


Meio cruel é aquele que causa sofrimentos à vítima, não incidindo se empregado após a
morte.
O fogo pode ser meio cruel ou de que pode resultar perigo comum, conforme as
circunstâncias.
Explosivo é qualquer objeto ou artefato capaz de provocar explosão ou qualquer corpo
capaz de se transformar rapidamente em uma explosão. O emprego de explosivo pode ocorrer
pelo manuseio de dinamite ou qualquer outro material explosivo, v.g, bomba caseira, coquetel
molotov etc.

c) Emprego de asfixia
Asfixia é o impedimento da função respiratória e consequente ausência de oxigênio no
sangue. A asfixia pode ser tóxica ou mecânica. Asfixia tóxica pode se dar pelo ar confinado,
pelo óxido de carbono e pelas viciações do ambiente. As asfixias mecânicas são: enforcamento,
imprensamento, estrangulamento, afogamento e esganadura.

d) Emprego de tortura
É o suplício, ou tormento, que faz a vítima sofrer desnecessariamente antes da morte. É
o meio cruel por excelência. O agente, na execução do delito, utiliza-se de requintes de
crueldade como forma de exacerbar o sofrimento da vítima, de fazê-la sentir mais intensa e
demoradamente as dores.

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A Lei nº 9.455/97, ao definir a tortura, comina pena de 08 a 16 anos de reclusão na
hipótese de resultar morte (Art. 1º, § 3º, 2ª parte). Trata-se de crime qualificado pelo resultado
e preterdoloso, em que a tortura é punida a título de dolo e o evento qualificador (morte), a título
de culpa. Aplica-se no caso de haver nexo de causalidade entre a tortura, seja física ou moral,
e o resultado agravador.
Ocorrendo dolo quanto à morte, seja direto ou eventual, o sujeito só responde por
homicídio qualificado pela tortura (Art. 121, § 2º, inciso III, 5ª fig), afastada a incidência da lei
especial.

e) Meio cruel
São cruéis aqueles meios que aumentam inútil e desnecessariamente o sofrimento da
vítima ou revelam brutalidade ou sadismo fora do comum, contrastando com os sentimentos de
dignidade, de humanidade ou piedade.

f) Meio de que possa resultar perigo comum


É aquele que pode expor a perigo um número indeterminado de pessoas, fazendo
periclitar a incolumidade social.
O Código Penal também qualifica o homicídio praticado por intermédio de meio que pode
resultar perigo comum, exemplificando-o com o fogo e o explosivo. Trata-se, conforme visto, de
fórmula genérica, sendo certo que os meios mencionados genericamente devem seguir a
mesma linha do que consta na parte exemplificativa.

1.3.5 À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte


ou torne impossível a defesa do ofendido
Nas hipóteses do inciso IV, do § 2º, do artigo 121, o que qualifica o homicídio não é o
meio escolhido ou empregado para a prática do crime, mas o modo insidioso com que o agente
executa, utilizando, para isso, recurso que dificulta ou torna impossível a defesa da vítima.
Cuida-se de qualificadora objetiva, pois diz respeito ao modo de execução do crime.
Neste inciso temos recursos obstativos à defesa do sujeito passivo, que comprometem total ou
parcialmente o seu potencial defensivo.
a) À traição
A traição pode ser física, como matar pelas costas, ou moral, exemplo de o sujeito atrair
a vítima a local onde existe um poço.

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b) Emboscada
Emboscada é a tocaia. Significa ocultar-se para poder atacar, o que, na prática, é a
tocaia. O agente fica à espreita do ofendido para agredi-lo.
É a ação premeditada de aguardar oculto a presença da vítima para surpreendê-la com
o ataque indefensável. É a espera dissimulada da vítima em lugar por onde esta terá de passar.
Na emboscada, o criminoso aguarda escondido a passagem da vítima desprevenida, que é
surpreendida.

c) Mediante dissimulação
Dissimular é ocultar a verdadeira intenção, agindo com hipocrisia. Nesse caso, o
agressor, fingindo amizade ou carinho, aproxima-se da vítima com a meta de matá-la.
É a ocultação da intenção hostil, do projeto criminoso, para surpreender a vítima. O
sujeito ativo dissimula, isto é, mostra o que não é, faz-se passar por amigo, ilude a vítima, que,
assim, não tem razões para desconfiar do ataque e é apanhada desatenta e indefesa.

d) Recurso que dificulta ou impossibilita a defesa


Por fim, o Código Penal se refere a recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da
vítima. É necessário que tais meios se assemelhem à traição, emboscada ou dissimulação.
A surpresa cabe na fórmula genérica em estudo. Para tanto é necessário que a conduta
criminosa seja igualmente inesperada, impedindo ou dificultando a defesa do ofendido.

1.3.6 Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime


Constituem qualificadoras subjetivas, na medida em que dizem respeito aos motivos
determinantes do crime.
Conexão é o liame objetivo ou subjetivo que liga dois ou mais crimes.
a) Conexão teleológica:
Existe conexão teleológica quando o homicídio é cometido a fim de assegurar a
execução de outro delito.
O que qualifica o homicídio não é a prática efetiva de outro crime, mas o fim de assegurar
a execução desse outro crime, que pode até não vir a ocorrer.
Exemplo: quem, para sequestrar alguém, mata o guarda-costas que pretendia evitar o
sequestro responderá pelo crime de homicídio qualificado, mesmo que, a seguir, desista de
efetuar o sequestro.

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b) Conexão consequencial
Há conexão consequencial quando o homicídio é cometido a fim de assegurar a
ocultação, impunidade ou vantagem em relação a outro delito.
Na ocultação, o sujeito visa a impedir a descoberta do crime. Ex. o incendiário mata a
testemunha do crime.
Na impunidade, o crime é conhecido, enquanto a autoria é desconhecida. Ex. o sujeito
mata a testemunha de um desastre ferroviário criminoso.
Pode ocorrer que o sujeito execute o homicídio a fim de assegurar vantagem no tocante
a outro delito. Ex. o sujeito mata o parceiro do roubo com a finalidade de ficar com todo o
produto do crime. Não é necessário que a vantagem seja patrimonial, podendo ser moral.

1.3.7 Feminicídio
A partir da edição da Lei nº 13.104/2015, o crime de homicídio passou a ser qualificado
também se praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Nos termos do artigo 121, § 7º, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº
13.771/2018, a pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado:
I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto
II - contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou com doenças
degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou mental;
III - na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima;
IV - em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e
III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006.

1.3.8 Praticado contra agentes de segurança


Qualifica o crime de homicídio quando praticado contra autoridade ou agente descrito
nos artigos 142 e 144, ambos da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da
Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra
seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição.

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1.3.9 Emprego de Arma de Fogo de uso restrito ou proibido
Com a derrubada do veto pelo Congresso foi incluída a qualificadora do artigo 121,
parágrafo 2°, VIII, a qual diz respeito sobre o emprego de arma de fogo de uso restrito ou
proibido.
Trata-se de uma qualificadora objetiva que diz respeito sobre a execução do crime de
homicídio.

1.3.10 Homicídio contra menor de 14 anos


Com o advento da lei 14344/2022 (Lei Henry Borel) foi incluído o homicídio contra menor
de 14 anos no rol das qualificadoras (art. 121, parágrafo 2, inciso X).

Ademais, restou incluída uma causa de aumento específica (art. 121, parágrafo 2b):
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada de:
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que implique o
aumento de sua vulnerabilidade;
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,
companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver
autoridade sobre ela.

1.3.11 Homicídio privilegiado-qualificado


Tem sido posição predominante na doutrina e na jurisprudência a admissão da forma
privilegiada-qualificada, desde que exista compatibilidade lógica entre as circunstâncias.
Em regra, PODE-SE ACEITAR A EXISTÊNCIA CONCOMITANTE DE
QUALIFICADORAS OBJETIVAS COM AS CIRCUNSTÂNCIAS LEGAIS DO PRIVILÉGIO, QUE
SÃO DE ORDEM SUBJETIVA (motivo de relevante valor e domínio de violenta emoção).

1.4. Homicídio culposo – Art. 121, § 3º, CP


1.4.1 Conceito
É um tipo aberto, que depende, pois, da interpretação do juiz para poder ser aplicado. A
culpa, conforme o artigo 18, inciso II, do Código Penal, é constituída de “imprudência,
negligência ou imperícia”. Portanto, matar alguém por imprudência, negligência ou imperícia
concretiza o tipo penal incriminador do homicídio culposo.

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1.4.2 Modalidades de culpa
a) Imprudência
A imprudência é a prática de um fato perigoso. Consiste na violação das regras de
conduta ensinadas pela experiência. É o atuar sem precaução, precipitado, imponderado. Há
sempre um comportamento positivo.
Exemplo: manejar arma carregada.
b) Negligência
A negligência é a ausência de precaução ou indiferença em relação ao ato realizado. É
a culpa na sua forma omissiva. O negligente deixa de tomar, antes de agir, as cautelas que
deveria.
Exemplo: deixar arma de fogo ao alcance de uma criança.
c) Imperícia
Imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. A imperícia pressupõe
que o fato tenha sido cometido no exercício da arte ou profissão.
Exemplo: Engenheiro que constrói um prédio cujo material é de baixa qualidade, vindo
este a desabar e a provocar a morte dos moradores.

1.4.3 Concorrência e compensação de culpas


Não há no Direito Penal compensação de culpas. Assim a culpa do pedestre que
atravessa a rua fora da faixa a ele destinada não elide a culpa do motorista que trafega na
contramão.
A culpa exclusiva da vítima, contudo, exclui a do agente, pois se ela foi exclusiva de um
é porque não houve culpa alguma do outro; logo, se não há culpa do agente, não se pode falar
em compensação.

1.4.4 Perdão judicial – Art. 121, § 5º, CP


É a clemência do Estado, que deixa de aplicar a pena prevista para determinados delitos,
em hipóteses expressamente previstas em lei.
Somente ao autor do homicídio culposo pode-se aplicar a clemência, desde que ele
tenha sofrido com o crime praticado uma consequência tão séria e grave que a sanção penal
se torne desnecessária.
Exemplo: o pai que provoca a morte do próprio filho, num acidente fruto de sua
imprudência, já teve punição mais do que severa. A dor por ele experimentada é mais forte do

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que qualquer pena que se lhe pudesse aplicar. Por isso, surge a hipótese do perdão. O crime
existiu, mas a punibilidade é afastada.

1.5 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio – Art. 122, CP


1.5.1 Conceito de suicídio
É a morte voluntária, que resulta, direta ou indiretamente, de um ato positivo ou negativo,
realizado pela própria vítima, a qual sabia dever produzir este resultado.
O Código Penal leva em conta o ato da vítima, que vem a destruir a própria vida.

Se o ato de destruição é praticado pelo próprio agente, responde pelo delito de


homicídio.

1.5.2 Automutilação
A autolesão não é punida. O que constitui crime é a conduta de induzir, instigar ou auxiliar
a vítima a se automutilar, ou seja, de causar lesões em si própria.

1.5.3 Sujeito ativo e passivo


Qualquer pessoa que tenha capacidade de induzir, instigar ou auxiliar alguém, de modo
eficaz e consciente, a suicidar-se ou a se automutilar.
No caso do sujeito passivo, é preciso ter um mínimo de discernimento ou resistência,
pois, do contrário, trata-se de homicídio, se resultar morte; ou lesão corporal grave ou
gravíssima, no caso automutilação.
Nos casos de ausência de capacidade de entendimento da vítima (louco, criança), o
agente será considerado autor mediato do delito de homicídio, uma vez que a vítima, tendo
resistência nula, serviu como mero instrumento para que o agente lograsse o seu propósito
criminoso, qual seja, eliminar a vida do inimputável; por exemplo, fornecer uma arma a um louco
e determinar que este atire contra si próprio.

EXEMPLO:
O agente que, valendo-se da insanidade da vítima, convence-a a se matar, incide no
artigo 121.

1.5.4 Elementos objetivos do tipo

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a) Ação nuclear
Trata-se de um tipo misto alternativo (crime de ação múltipla ou de conteúdo variado). O
agente, ainda que realize todas as condutas, responde por um só crime.
A participação em suicídio ou automutilação pode ser moral e material. Participação
moral é a praticada por intermédio de induzimento ou instigação. Participação material é a
realizada por meio de auxílio.
Induzir
Induzir significa dar a ideia a quem não possui, inspirar, incutir. Portanto, nessa primeira
conduta, o agente sugere à vítima que dê fim à sua vida ou se automutile.
Instigar
Instigar é fomentar uma ideia já existente. Trata-se, pois, do agente que estimula a ideia
que alguém anda manifestando.
Prestar auxílio
Auxílio: Trata-se de forma mais concreta e ativa de agir, pois significa dar apoio material
ao ato suicida. Exemplo. o agente fornece a arma utilizada para a vítima dar fim à sua vida ou
se automutilar.

1.5.5 Elemento subjetivo


É o dolo, direto ou eventual, consistente na vontade livre e consciente de induzir, instigar
ou auxiliar a vítima a suicidar-se ou se automutilar. Não se admite a modalidade culposa.

1.5.6 Consumação e tentativa


O crime de participação de suicídio ou automutilação atinge a consumação com a morte
da vítima ou lesões corporais provocadas em si mesmo.
A maior novidade introduzida pela Lei nº 13.968/2019 foi no sentido de que o crime
previsto no artigo 122 do Código Penal deixou de ser condicionado, já que não mais constitui
condição para a incidência do delito que ocorra o resultado morte ou lesão grave.
Assim, se dos atos para eliminar a sua própria vida ou causar lesões em si mesma,
resultar lesão corporal leve à vítima, ou não resultar qualquer lesão, o agente responderá pelo
crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação na modalidade simples
(Art. 122, caput, do CP).

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1.5.7 Figuras típicas qualificadas

§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou


gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código: (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos
§2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: (Incluído pela Lei nº 13.968, de
2019)
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019).

1.5.8 Formas majoradas


a) Se o crime é praticado por motivo egoístico
Motivo egoístico é o excessivo apego a si mesmo, o que evidencia o desprezo pela vida
alheia, desde que algum benefício concreto advenha ao agente. Logicamente, merece maior
punição.

EXEMPLO:
É o caso, por exemplo, de o sujeito induzir a vítima a suicidar-se para ficar com a
herança.

b) Se a vítima é menor
Em segundo lugar, a pena é majorada quando a vítima é menor. Qual a idade para efeito
da majorante?
Se a vítima é maior de 18 anos, aplica-se o caput do artigo 122.
Se a vítima é menor de 14 anos, há crime de HOMICÍDIO.

A majorante só é aplicável quando a vítima tem idade entre 14 e 18 anos.

c) Tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência


A terceira majorante prevê a hipótese de a vítima ter diminuída, por qualquer causa, a
capacidade de resistência, como enfermidade física ou mental, idade avançada. Ex.: induzir ao
suicídio vítima embriagada.

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Por fim, é de ressaltar que o suicida com RESISTÊNCIA NULA, pelos abalos ou
situações supramencionadas, incluindo-se a idade inferior a 14 anos, é vítima de HOMICÍDIO,
e não de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.

1.5.9 Pacto de morte


É possível que duas ou mais pessoas promovam um pacto de morte, deliberando morrer
ao mesmo tempo.
Se cada uma das pessoas ingerir veneno, de per si, por exemplo, aquela que sobreviver
responderá por participação em suicídio, tendo por sujeito passivo a outra.
Se uma delas ministrar diretamente o veneno na outra, a que sobreviver responderá por
homicídio.
Em síntese, os atos executórios contra a própria vida devem partir exclusivamente da
vítima.

1.6 Infanticídio – Art. 123, CP


1.6.1 Conceito
Trata-se de homicídio cometido pela mãe contra seu filho, nascente ou recém-nascido,
sob a influência do estado puerperal.
O infanticídio ocorre quando a ação é praticada durante o parto ou logo após. Antes de
iniciado o parto existe o aborto e não infanticídio.
Não incidem as agravantes previstas no artigo 61, inciso II, alíneas “e” e “h”, do Código
Penal (crime cometido contra descendente e contra criança), vez que integram a descrição do
delito de infanticídio. Caso incidissem, haverá bis in idem.

1.6.2 Elementos do tipo objetivo


A ação nuclear é o verbo matar, assim como no delito de homicídio, que significa destruir
a vida alheia, no caso, a eliminação da vida do próprio filho pela mãe.
A ação física, todavia, deve ocorrer durante ou logo após o parto, não obstante a
superveniência da morte em período posterior.
Admite-se a forma omissiva, visto que a mãe tem o dever legal de proteção, cuidado e
vigilância em relação ao filho.

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EXEMPLO:
Mãe, sob influência do estado puerperal, percebe que o filho está morrendo sufocado
com o leite materno e nada faz para impedir o resultado morte. Incide, no caso, o disposto no
artigo 13, § 2º, do CP.

Estado puerperal é o estado que envolve a mulher durante o parto. Há profundas


alterações psíquicas e físicas, que chegam a transtornar a mãe, deixando-a sem plenas
condições de entender o que está fazendo.
Portanto, o estado puerperal é o conjunto das perturbações psicológicas e físicas
sofridas pela mulher em face do fenômeno do parto.
É possível que autora possua doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado, como situação preexistente ao parto e que, dada a presença do estado puerperal,
seja ela considerada incapaz de compreender o caráter ilícito da sua conduta ou de se
determinar conforme esse entendimento. No caso, incido o disposto no artigo 26 do Código
Penal, podendo ser inimputável ou semi-imputável, conforme o caso.
O infanticídio pressupõe que a conduta seja praticada “durante o parto ou logo
após”.
Não há na literatura médica ou jurídica regra absoluta quanto à duração do estado
puerperal. Há quem adote o parâmetro máximo de sete dias. Todavia, para maioria da doutrina,
a melhor solução é deixar a conceituação do elementar “logo após” para a análise do caso
concreto, entendendo-se que há delito enquanto perdurar a influência do estado puerperal.

1.6.3 Sujeitos do delito


a) Sujeito ativo
A autora do infanticídio SÓ PODE SER A MÃE. Cuida-se de CRIME PRÓPRIO, uma vez
que não pode ser cometido por qualquer autor.
O tipo penal exige qualidade especial do sujeito ativo. Entretanto, isso não impede que
terceiro responda por infanticídio diante do concurso de agentes.
b) Sujeito passivo
Sujeito passivo é o neonato ou nascente, de acordo com a ocasião da prática do fato:
durante o parto ou logo após.
Antes do parto, o sujeito passivo será o feto, caracterizando, portanto, o delito de aborto.
c) A participação de terceiros no ato

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Segundo boa parte da doutrina, estando a mulher sob influência do estado puerperal,
responde ela por infanticídio, delito que também será atribuído aos eventuais concorrentes do
fato, uma vez que se trata de circunstância de caráter pessoal que constitui elementar do crime.
Logo, comunica-se aos coautores ou partícipes, nos termos do artigo 30 do Código Penal.

1.6.4 Consumação e tentativa


O infanticídio atinge a consumação com a morte do nascente ou neonato.
Trata-se de crime material. Diante disso, admite-se a tentativa, desde que a morte não
ocorra por circunstâncias alheias à vontade da autora.

EXEMPLO:
A genitora ao tentar sufocar a criança com um travesseiro, tem a sua conduta impedida
por terceiros.

1.7 Aborto – Art. 124, CP


1.7.1 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento – Art. 24 do CP
O sujeito ativo é a gestante, enquanto o passivo é o feto.
Trata-se de crime de mão própria, pois somente a gestante pode realizá-lo, contudo isso
não afasta a possibilidade de participação no crime em questão.
1ª figura: Aborto provocado pela própria gestante (autoaborto):
É a própria mulher quem executa a ação material do crime, ou seja, ela própria emprega
os meios ou manobras abortivas em si mesma.
Se um terceiro executar ato de provocação do aborto, não será partícipe do crime do
artigo 124 do Código Penal, mas sim autor do fato descrito no artigo 126 (provocação do aborto
com consentimento da gestante).
2ª figura – Aborto consentido
A mulher apenas consente na prática abortiva, mas a execução material do crime é
realizada por terceira pessoa.
Em tese, a gestante e o terceiro deveriam responder pelo delito do artigo 124. Contudo,
o Código Penal prevê uma modalidade especial de crime para aquele que provoca o aborto
com o consentimento da gestante (Art. 126 do CP).

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Assim, há a previsão separada de dois crimes: um para a gestante que consente na
prática abortiva (Art. 124 do CP); e outro para o terceiro que executou materialmente a ação
provocadora do aborto (Art. 126 do CP). Há aqui, perceba-se, mais uma exceção à teoria
monista adota pelo Código Penal em seu artigo 29.

1.7.2 Aborto provocado por terceiro – Art. 125, CP


Trata-se de forma mais gravosa do delito de aborto.
Ao contrário da figura típica do artigo 126, não há o consentimento da gestante no
emprego dos meios ou manobras abortivas por terceiro. Aliás, a ausência de consentimento
constitui elementar do tipo penal.
As formas de dissentimento estão retratadas no artigo 126, parágrafo único:
a) Dissentimento presumido
É necessário que a gestante tenha capacidade para consentir, não se tratando de
capacidade civil.
Para o Código Penal, quando a vítima não é maior de 14 anos ou é alienada mental, não
possui consentimento válido, levando à consideração de que o aborto deu-se contra a sua
vontade.
b) Dissentimento real
Quando o agente emprega violência, grave ameaça ou mesmo fraude, é natural supor
que extraiu o consentimento da vítima à força, de modo que o aborto necessita encaixar-se na
figura do artigo 125.

1.7.3 Aborto consensual – Art. 126, CP


Para que se caracterize a figura do aborto consentido (Art. 126 do CP), é necessário que
o consentimento da gestante seja válido, isto é, que ela tenha capacidade para consentir.
Ausente essa capacidade, o delito poderá ser outro (Art. 125 do CP).
Trata-se de uma exceção à teoria monista (todos os coautores e partícipes respondem
pelo mesmo crime quando contribuírem para o mesmo resultado típico). Se existisse somente
a figura do artigo 124, o terceiro que colaborasse com a gestante para a prática do aborto
incidiria naquele tipo penal.
Entretanto, o legislador para punir mais severamente o terceiro que provoca o aborto,
criou o artigo 126, aplicando a teoria dualista (ou pluralista) do concurso de pessoas.

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1.7.4 Aborto legal – Art. 128, CP
a) Aborto necessário ou terapêutico
É a interrupção da gravidez realizada pelo médico quando a gestante estiver correndo
perigo de vida e inexistir outro meio para salvá-lo. A excludente da ilicitude em estudo do crime
de aborto somente abrange a conduta do médico. Não obstante isso, a enfermeira, ou parteira,
não responderá pelo delito em questão se praticar o aborto por força do artigo 24 do Código
Penal (estado de necessidade, no caso, de terceiro).
b) Aborto humanitário, sentimental ou piedoso
O aborto humanitário, também denominado ético ou sentimental, é autorizado quando a
gravidez é consequência do crime de estupro e a gestante consente na sua realização.
Para se autorizar o aborto humanitário são necessários os seguintes requisitos:
a) gravidez resultante de estupro;
b) prévio consentimento da gestante ou, sendo incapaz, de seu representante legal.
A lei não exige autorização judicial, processo judicial ou sentença condenatória contra o
autor do crime de estupro para a prática do aborto sentimental, ficando a intervenção a critério
do médico. Basta prova idônea do atentado sexual.

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