Alfabetização E Letramento - Fundamentos E Metodologias Na Educação Básica
Alfabetização E Letramento - Fundamentos E Metodologias Na Educação Básica
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
–FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
BÁSICA
AULA 4
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CONVERSA INICIAL
Iniciaremos pelo que se fala e o que já conhecemos sobre os temas de alfabetização e letramento
e, assim, faremos uma reflexão sobre a entrada da criança no mundo da escrita, conceitos já
trabalhados na Aula 1. Observamos pelos estudos que não é somente com aquisição da tecnologia da
escrita que a criança se faz um leitor ou interpretador da sociedade, mas sim, é com práticas sociais
de uso (a função social) da leitura e da escrita que a criança se apropriará de forma adequada e
eficiente desse processo. Ou seja, se apropriará das habilidades que possibilitem ler e escrever
utilizando-os em diversas situações sociais, com diferentes objetivos, interagindo com diferentes
interlocutores e para diferentes funções sociais. É este desenvolvimento, que alia codificação,
decodificação e uso social da escrita, o objetivo maior nas classes de alfabetização, o alfabetizar
letrando.
da leitura e da escrita.
sistema de escrita alfabética pela criança e garantir que ela faça uso da leitura e da escrita nas
diversas situações sociais.
Para que isso aconteça de maneira sistematizada e significativa, o professor precisa organizar o
tempo pedagógico com um bom planejamento, estabelecendo objetivos claros, com atividades
significativas. Vasconcelos (2000, p. 75) salienta que o bom planejamento “visa justamente organizar,
sistematizar, direcionar, tensionar esta reflexão do educador”. Ou seja, ao preparar os planejamentos é
necessário pensar nas seguintes questões: para quem planejamos; o que ensinamos; para que
aluno); e qual metodologia utilizaremos. Esta metodologia deve levar em conta princípios
norteadores, principalmente nas classes de alfabetização que são: as habilidades e competências
avaliação.
Para tanto, é necessário que o professor conheça seus alunos, compreenda suas necessidades,
avalie e registe constantemente os avanços na aprendizagem com critérios bem definidos, com a
finalidade de redimensionar seu trabalho constantemente, para que os objetivos estabelecidos sejam
Entre as diversas formas de organizar o trabalho, podemos citar o trabalho com sequências
didáticas. Zabala (1998, p .18) explica que sequência didática é “um conjunto de atividades ordenadas,
estruturadas e articuladas para a realização de certos objetivos educacionais que têm um princípio e
um fim, conhecidos tanto pelos professores como pelos alunos”. Moreira define sequência didática
como:
prescinde de um planejamento para delimitação de cada etapa e/ou atividade para trabalhar os
conteúdos disciplinares de forma integrada para uma melhor dinâmica no processo ensino
Percebemos que a sequência didática exige uma análise cuidadosa dos componentes curriculares
específicos, das habilidades e das competências necessárias. Esta prática é de extrema importância,
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pois evita a superficialidade de atividades. Segundo Nery (2007, p. 114), “as sequências didáticas
O tempo destinado às atividades que compõem a sequência didática pode ser mais curto ou
mais longo, dependendo das necessidades e das características do grupo de alunos. No uso das
sequências didáticas, um aspecto importante a ser destacado é a possibilidade de desenvolver um
trabalho interdisciplinar e, assim, poder trabalhar vários conteúdos, de maneira organizada, articulada
e diversificada.
É favorecer uma interação das disciplinas entre si e com a realidade, objetivando a formação integral
dos alunos. Para que isso aconteça, o professor deve levar muitos subsídios teórico-metodológicos
Demo (2001) coloca que uma proposta com foco interdisciplinar deve dar conta do específico e
A interdisciplinaridade, como salienta Frigotto, não é “um recurso didático capaz de integrar,
reunir as dimensões particulares dos diferentes campos científicos ou dos diferentes saberes numa
totalidade harmônica. Não há dentro deste prisma didatista, nenhum problema em fazer-se, no dizer
integra as disciplinas a partir da compreensão das múltiplas causas ou fatores que intervêm sobre a
realidade e trabalha todas as linguagens necessárias para a constituição de conhecimentos,
comunicação e negociação de significados e registro sistemático dos resultados. (Brasil, 1999, p. 89)
Por isso, um trabalho interdisciplinar aproxima o estudante de sua realidade mais ampla,
auxiliando na compreensão da complexidade que norteia o objeto de estudo e favorecendo uma
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situações que facilitam a construção de um determinado conhecimento pelo aluno. Tais sequências
devem ter um caráter flexível, permitindo que outros aspectos sejam incorporados, caso alguns
conhecimentos precisem ser mais aprofundados. Além disso, esse trabalho proporciona a integração
entre os vários eixos de ensino da língua (oralidade, leitura, produção de texto e análise linguística) e
[...] em lugar do planejamento solitário e engessado, passamos a considerar a criança como parceira
desenvolvimento infantil como condição da escutas das necessidades das crianças [...] o papel do
educador é especialmente complexo, porque ele precisa conhecer as regularidades do
possibilidades de sua atividade pedagógica para usá-las de maneira adequada e conduzir a criança
a níveis cada vez mais elevados de atividade, consciência e personalidade. (2006, p. 194)
aos alunos situações de aprendizagem que lhes possibilitem envolver-se ativamente na construção do
conhecimento. Ou seja, não se trabalha com um conceito pronto e acabado, mas com situações
formuladas, estimula-se a criança a refletir e a falar sobre o conhecimento, para que consiga chegar às
suas conclusões, sistematizando o seu saber.
A escola deve proporcionar aos alunos o contato com diversos gêneros textuais, pois é por meio
dos diferentes textos que circulam na sociedade que os usuários de uma língua realizam ações de
linguagem: informar, persuadir, emocionar, advertir, orientar, ironizar, entre muitas outras intenções.
Cada texto tem uma finalidade diferente e sua organização, estrutura e estilo também são variados.
Gusso (2006) explica de uma maneira mais simples que gêneros textuais são famílias, grupos de
textos que estão associados entre si por ocorrerem em situações interativas semelhantes, por
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apresentarem características recorrentes que os definem e por se fazerem reconhecer pelos usuários
Quando a criança convive com situações reais de leitura e escrita, na escola ou em casa, ela cria para
Alguns gêneros são aprendidos informalmente, enquanto outros exigem ensino sistematizado,
papel a ser desempenhado pela escola. Não restam dúvidas sobre o fato de que quanto mais gêneros
uma pessoa dominar, maior será seu domínio linguístico, potencializando participação social mais
efetiva. Portanto, os gêneros representam a língua em constante uso e cada gênero textual possui sua
Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos de
imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (a extensão
aproximada ao todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim. (...) se não
Percebemos com as enunciações de Bakhtin que nós interagimos por meio de gêneros textuais e
que eles possuem conteúdos e construções composicionais e estilos semelhantes entre si e são os
mediadores na interação social das pessoas. Koch e Elia (2009) esclarecem que os gêneros sofrem
constantemente variações de acordo com a evolução da sociedade e das relações sociais, com
necessidade de seus usos. Assim, Facebook, WhatsApp, Instagram, e-mail e blog são transformações e
saber trabalhar e organizar os planejamentos de ensino para que essa diversidade textual seja
apropriada pelo estudante, tendo-se sempre em vista as situações reais de uso dos gêneros. A língua
não é estática e abstrata, não é aprendida apenas memorizando regras e exercícios mecânicos no
caderno ou em apostilas.
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O trabalho com a literatura infantil oferece grande variedades de gêneros que podem ser
explorados pelo professor nas classes de alfabetização. Ter um acervo de livros na sala propicia ao
aluno o contato com textos de gêneros variados, como: fábulas, poemas, quadrinhas, músicas,
parlendas, adivinhas, trava-línguas, contos populares, histórias em quadrinhos, tirinhas, jogos, belas
imagens, entre outros.
Na fase da alfabetização os alunos são atraídos pelos textos, pelas imagens que os livros
possuem, pelas histórias. Por isso a importância de o professor ler para a turma uma história por dia,
visões de mundo.
Ao contar uma história o professor deverá, por meio da capa, despertar o interesse da criança à
narrativa, pois a capa é a porta de entrada que leva às narrativas. Deverá também explorar as
imagens, o título, a narrativa, os personagens, aguçando, assim, cada vez mais a criatividades das
crianças.
Paralelamente à leitura dos livros, outras atividades sobre o tema poderão ser trabalhadas com a
turma, aproveitando o estímulo e o envolvimento dado pela leitura. Por exemplo, podem ser
confeccionados jogos da memória e dominós utilizando imagens e nomes. Cada livro indica uma
forma de exploração que será mediada pelo professor. Por isso a importância do professor ler a
história antes e pensar nos encaminhamentos que podem contribuir para que os alunos gostem das
história e criar um ambiente agradável na contação. Isso pode ser feito sobretudo por meio das
brincadeiras com as palavras, da sonoridade, do jogo de sentidos produzidos durante a leitura, enfim,
são diversas as possibilidades de uso da linguagem.
O trabalho sistematizado com gêneros textuais possibilita aos alunos um contato diversificado
com diferentes textos. Este é o objetivo no trabalho com a alfabetização: ampliar o domínio
linguístico da criança potencializando-o no contato social.
Saiba mais
Há vários autores de referência na área. Seguem algumas sugestões para leitura: Koch e Elias
(2009), Marcuschi (2005) e Schneuwly e Dolz (2004).
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Neste item, nos deteremos sobre o aprendizado da leitura e escrita, pois como Monteiro (2011)
enfatiza, pautada nos estudos de Cagliari, Koch, Soares, Bakhtin, Possenti, entres outros autores,
aprender a ler e a escrever são processos distintos. Conforme a autora, “ações que demandam
operações que, embora sejam complementares, diferem do ponto de vista da natureza das operações
cognitivas envolvidas” (Monteiro, 2011, p. 12). Não se pode confundir que, mesmo tendo como base a
escrita, ler e escrever são ações que se “diferenciam tanto nas funções cognitivas nas quais se apoiam
A entrada da criança no mundo da escrita exige, como princípio, a aquisição da escrita alfabética
e ortográfica e todas as convenções para o seu uso. Atrelado a isso segue o desenvolvimento de
competências para o uso dessa aquisição em práticas sociais que envolvam a leitura e a escrita.
Para que essa aprendizagem seja desenvolvida, a criança passará por um processo de
– de cima para baixo, da esquerda para direita. Toda essa aprendizagem do sistema alfabético e
ortográfico de escrita e das técnicas para seu uso é chamada de alfabetização. Cagliari alerta:
O grande problema do processo de alfabetização está no outro lado da moeda: escrever. Ninguém
se alfabetiza escrevendo apenas. Basta copiar chinês, para aprender chinês? Basta fazer hipóteses
sobre a escrita chinesa para aprendê-la? Muitos conhecimentos são necessários, muitas regras
precisam ser aprendidas na teoria e na prática. Quando se lê, a palavra já vem pronta na sua escrita
ortográfica. Quando se vai escrever, é preciso partir da fala (do dialeto); analisar quais sons e letras
vogais e consoantes) a palavra tem; buscar uma correspondência entre sons e letras, no começo, por
um processo, em parte, de adivinhação (princípio acrofônico – alfabético); passar os sons para letras;
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Percebemos que escrever é uma habilidade muito complexa, que o aluno começa a desenvolver
somente após uma prática de leitura de decifração, depois, como dito anteriormente, de possuir certa
prática no manuseio das letras e sons, e na construção e escrita de palavras.
Somente essa aquisição não basta para a entrada completa da criança no mundo da escrita. É
necessário desenvolver práticas sociais de leitura e escrita e isso só acontece quando o professor
oferece diferentes gêneros em diferentes suportes, para diferentes objetivos, em interação com
diferentes interlocutores, para diferentes funções (informar, divertir, imaginar, orientar, ampliar
conhecimento). Fazer uso dessas práticas sociais de leitura e escrita, articulando-as com as práticas de
alfabetização e letramento, ou seja, a inserção da criança no mundo da leitura e escrita por meio das
práticas sociais.
Soares (2004) diz que letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e
escrever: o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência
Para tanto o papel do professor é de extrema importância, pois ele precisa ser um leitor diante de
seu aluno e conduzir o trabalho com a leitura e escrita, estabelecendo relações entre o texto e o leitor
por meio das estruturas que constituem o texto (construir significados, refletir sobre o texto,
apresentar o código escrito, a organização do texto, a relação grafema e fonema). Tal conhecimento
organização do código escrito da língua, tanto para a produção oral quanto para a escrita.
Os estudos de Cagliari (1999) salientam que os professores devem ter um bom conhecimento da
língua, uma vez que este é o primeiro requisito tanto para se saber ler quanto para se ensinar a ler. E
que, além de conhecer a língua, o aluno precisa também compreender como se dá a organização do
sistema de escrita do português. É preciso, por exemplo, que o aluno saiba distinguir um desenho de
uma manifestação escrita. O desenho representa algo do mundo e a escrita representa a linguagem
oral. Assim, quando uma criança consegue distinguir o que está escrito, isso a ajuda a refletir sobre os
conhecimentos da leitura e escrita.
Cagliari (1998) também esclarece que, para uma pessoa conseguir aprender a ler, é necessário
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Conhecer o alfabeto em diferentes formas gráfica (iniciar com o uso de letras de imprensa
Distinguir as letras dos outros sinais usados na escrita (acentos e sinais de pontuação).
Conhecer o princípio acrofônico (relação entre o nome da letra e o som que ela representa).
Saber a direção da escrita na página (da esquerda para a direita e de cima para baixo).
Perceber a segmentação das palavras na escrita.
Conhecer a ortografia das palavras e compreender que ela não atua de modo idêntico na leitura
e na escrita.
A apropriação destes conhecimentos não deve se limitar ao uso de lápis e papel. É necessário
diversificar estímulos para a aprendizagem do sistema de escrita com jogos, brincadeiras, dominó,
bingo, boliche, baralho, quebra-cabeças, contemplando letras, sílabas, palavras. Tais recursos são
letras e percebendo a relação que são estabelecidos com os sons e suas representações.
variando os gêneros e o suporte. Assim os alunos vão perceber o uso social da escrita, ou seja, que se
escreve para informar, divertir, instruir, opinar, convencer, entre outras funções. O manuseio de
diferentes suportes, como livros, revistas, folhetos e outros, oportuniza ao aluno o contato com
alfabetos variados e a compreensão de que, apesar de diferenças gráficas, as letras têm o mesmo
valor fonético.
O trabalho do professor com a alfabetização deve sempre partir do texto, pois este é o objeto de
essência para a realização de leitura crítica tendo em vista o aprimoramento do letramento do aluno.
É também por meio de textos que o aluno consegue visualizar adequadamente o processo segmental
da escrita, bem como o sistema de pontuação, de paragrafação e o uso das linhas.
Gusso (2010) destaca que a leitura envolve engajamento e ativação do conhecimento prévio: de
mundo, da língua, do gênero textual. Enquanto o indivíduo lê, seu cérebro rastreia lembranças e
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A importância de diversificar o trabalho com gêneros na alfabetização existe, pois cada texto traz
estratégias diferentes de leitura. O professor precisa levar em conta que o trabalho com diferentes
gêneros deve levar o aluno a desenvolver suas capacidades leitoras, não apenas usar o texto como
pretexto para explorar elementos gramaticais, com repetições de atividades que levam somente à
memorização de nomenclaturas. Deve-se dar atenção ao desenvolvimento de capacidades mentais
complexas, sabendo utilizar de forma competente aquilo que aprendeu na leitura e escrita ao longo
de sua vida.
deve inter-relacionar três práticas: de leitura, de análise linguística e de produção (oral e escrita).
Como apresentado nos itens anteriores, a oralidade, a leitura e a escrita são eixos estruturantes do
Estas condições determinam o como dizer. Portanto, ao iniciar o seu trabalho com a exploração
do gênero textual, o professor deve analisar o texto discursivamente (linhas, entrelinhas e além das
Segundo Cagliari (2006), a linguística é o estudo da linguagem e não um método de ensino. Não
foi feita para o ensino de línguas, mas é uma ciência/teoria necessária para o professor compreender
profundamente o trabalho que realiza, ensinar a leitura e a escrita.
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O conhecimento da linguística por parte do professor traz muitos benefícios para suas
pelo aluno na aprendizagem podem ser sanadas se o docente identificar inicialmente se não seriam
problemas linguísticos.
Não é o foco tratar da linguística nas aulas, mas apresentar essa área como necessária para o
palavras é apenas parte do processo, mais complexo e amplo, da aprendizagem da língua escrita.
por ser uma palavra de origem grega; e pajé se escreve com j por ser uma palavra de origem tupi.
Escrevemos homem com h não porque haja uma unidade sonora antes do o em português, mas
porque em latim se grafava homo com h (resquício de um tempo na história do latim em que havia
Conforme o autor, o sistema da língua portuguesa tem uma representação gráfica alfabética (as
letras representam unidades sonoras – consoantes ou vogais – e não palavras) e com memória
Com base em Cagliari (1989), seguem alguns pontos básicos a serem considerados no ensino e
os letristas), mostrando a direção desse traçado. Logo que tenha havido a compreensão do
engendramento das letras, é interessante passar para as minúsculas de imprensa, na leitura,
quadrinhas etc.), bem como aventurarem-se a escrevê-los. A escrita espontânea (escrever como
souber) fornece dados ao professor em relação àquilo que cada criança sabe e como opera com
esses conhecimentos.
A reescrita deve ser prática frequente, pois, por meio desta atividade, o aluno formula a
reformula hipóteses para progredir.
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Paralelamente à escrita de alguns gêneros textuais mais apropriados para essa fase, é necessário
trabalhar com as unidades menores: letra, sílaba e palavra. Para tanto, os jogos (bingo, dominó,
mesmo(s) som(ns); pares mínimos (como pato/ bato/ mato/ rato/ gato/ fato/ jato/ tato e vila/
Esclarecer que a relação entre sons e letras pode ser biunívoca (a cada som só corresponde uma
letra e vice-versa) ou cruzada (letras e sons que mudam conforme a posição que ocupam na
palavra).
Trabalhar com relações cruzadas regradas (R ou RR, G ou GU, C ou QU, entre outras) para que a
criança aprenda as regras e não precise memorizar uma a uma as formas ortográficas das
palavras.
No início da alfabetização, por causa da relação entre letra e som do alfabeto, as crianças
manifestam muitos “erros” ortográficos, por isso a necessidade do mediador nesse processo.
Utilizar a produção de texto também é essencial nesse processo de escrita, pois o aluno deverá
compreender que no momento de sua escrita ele deverá se dirigir a um interlocutor (real ou virtual), o
qual determinará parte daquilo que será dito. O interlocutor é condição necessária para que o texto
exista, pois quem escreve precisa ter o que dizer e uma razão para tanto (informar, reclamar,
Durante esse processo, deve-se utilizar a produção coletiva, levando em conta o gênero que será
trabalhado. Ao propor a produção individual aos alunos, o professor deve trabalhar com a prática da
reescrita, pois isso faz com que o aluno identifique e corrija suas falhas, com ajuda do professor, e, ao
aplicar seus conhecimentos sobre a língua, exclua, desloque, substitua segmentos linguísticos
adequando sua produção à situação sócio verbal.
Gusso (2006) coloca que é por meio da prática da reescrita que o aluno, gradativamente,
compreende a necessidade de averiguar se os recursos linguísticos empregados (vocabulário, tempos
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estruturas linguísticas deve estar presente, permeando todo o trabalho durante o processo de
alfabetização e todos os gêneros trabalhados em sala de aula.
ser realizada em textos orais ou escritos, a partir de um discurso organizado em determinado gênero
de texto (semântico, sintático, morfológico, fonológico e ortográfico). Isto será possível com um
gêneros. Assim, o professor tem um papel preponderante, uma vez que é ele quem deve propor uma
reflexão sobre as variedades e registros linguísticos nos diversos contextos sócio discursivos.
O professor é o mediador para que as crianças sejam leitoras de gêneros textuais variados,
manuscritos ou impressos em diferentes suportes. Deve-se criar situações para que o aluno faça
conhecidas por eles. Assim, o aluno terá a compreensão de que na escrita a fala é segmentada em
palavras, perceberá a direção da escrita, se sentirá leitor e acreditará na sua capacidade de alcançar
êxito no aprendizado da leitura e da escrita. Deve-se utilizar textos verbais e não verbais (tirinhas,
Criar na sala de aula um cantinho de leitura é uma estratégia interessante, pois proporcionará
momentos mágicos de leitura e contato com livros diferentes, assim como contação de histórias,
leitura de fábulas, contos de fada, poemas curtos, lendas, parlendas e outros. Essas formas de leitura
são importantes para que a criança atribua sentido e significado à leitura e à escrita.
A seguir serão apresentados exemplos possíveis de como aliar a oralidade, a leitura e a escrita no
planejamento do ensino da língua portuguesa nas escolas com alguns gêneros textuais.
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5.1 ADIVINHA
O professor apresenta uma adivinha, escrita em uma cartolina ou no quadro, para a turma:
O que é, o que é?
No meio da praça
Explore a adivinha por meio de dicas, jogos, estratégias que levem à decifração. Por exemplo, use
caixas com dicas (figuras, letras, objetos), jogo da forca, mímicas e outros.
Destaque a letra A no início da palavra avenida, no meio da palavra praça e no fim da palavra
rua.
Pinte as últimas sílabas das palavras praça e brinca.
Você observou que a letra Ç nunca aparece no início das palavras? Isto é uma regra da língua
portuguesa.
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Pesquise e leia outras adivinhas. Monte um caderno de adivinhas com ilustração com a turma,
partindo de outras adivinhas que os alunos conheçam e de pesquisas junto aos familiares, internet
etc.
5.2 QUADRINHA
Leitura realizada pelo professor, todos leem juntos, meninas um verso e meninos outro, cada fila
Qual poderia ser o motivo da festa do tatu? Tatu recebe festa? Tatu come angu e pão?
Apresentar imagens simbólicas, ações e sentidos envolvidos no evento, assim como a
sonoridade dos movimentos, trabalhar com imagem de diferentes festas, como casamento,
aniversários, entre outros.
Completar as frases formando rimas (escolher o nome de alguns alunos, fazer rimas no coletivo e
depois representar com desenhos):
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Outras que podem ser utilizadas para as rimas (sugestões dos alunos e nome dos alunos da sala)
Por que as palavras JOÃO, TEREZA, VANDERLÉIA, ANA E RENATA são escritas com letra
maiúscula?
Escrever o nome dos alunos em ordem alfabética em um cartaz e destacar a letra inicial
maiúscula. Depois cada aluno escreve seu nome, faz a representação com desenhos de sua figura e
destaca a letra inicial maiúscula. Também, a professora pode pedir para que cada aluno tente escrever
outras palavras com a letra inicial dos nomes. Também pode trabalhar com imagens com a letra
fase inicial da escrita a construir um repertório de palavras e ampliá-lo cada vez mais.
Gallart (2004) coloca que, partindo da aprendizagem de palavras próximas, como os próprios
nomes, os estudantes são capazes de incrementar seu universo de palavras e sons a partir de letras e
sons conhecidos. É necessário que os alunos adquiram consciência fonológica, que é alcançada
quando produzem a partir de palavras próximas, como os nomes de seus familiares ou seu próprio,
identificando letras dessas palavras e os sons correspondentes. Enquanto se desenvolvem nesse
processo, são capazes de gerar outras palavras, jogando com as letras, as sílabas e os sons e dotando
de sentido cada nova palavra gerada.
Explorar a consciência fonológica, com troca das iniciais formando outras palavras. Utilizar letras
do alfabeto em tamanho grande e fazer com os alunos no quadro ou fazer letras pequenas do
alfabeto em cartolina. Os alunos fazem o troca-troca em seu caderno com colagem e escrita. Também
podem fazer representação dos desenhos de acordo com a palavra formada.
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Nessa atividade de comparação (pares mínimos pela linguística – fonologia), em que as crianças
compararão palavras que se diferenciam por apenas uma letra (por exemplo, mão, pão, são e cão), o
professor deve fazer com que o aluno perceba que mudando uma letra, muda-se a palavra. Essa
atividade pode ajudar as crianças de níveis iniciais de escrita, assim como os alunos da hipótese
P Ã O
C Ã O
M Ã O
N Ã O
S Ã O
Utilizar as palavras formadas acima e formar frases. Utilizar desenhos e palavras. Essa atividade
Que outras palavras estão contidas na palavra Mariana? Nesta atividade utilizar o alfabeto móvel.
5.3 MÚSICA/CANTIGA
Colocar um CD com várias músicas infantis (cantigas de roda). Todos os alunos estão em rodas e
representam as músicas tocadas. Dentre as músicas, selecionar uma, como a conhecida “Borboletinha”
(domínio Público).
Em seguida, escreve-se a música em caixa alta em uma cartolina e faz-se a leitura. Escreve-se
cada estrofe da música em papéis como faixas e os alunos devem organizá-la novamente. Esse
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trabalho é realizado em grupos de 3 alunos. Alguns grupos recebem a música fatiada em palavras e
outros em frases.
As palavras ou frases são escritas em letras grandes e os trios devem montar o texto em cartolina,
apresentar para a turma e cantar a música. Também podem representá-la mudando o ritmo.
hipóteses, conflitos, discussões e argumentos sobre as ideias e sobre a atividade, o que leva a
aprendizagem.
Essas atividades devem ser realizadas sempre com a intervenção do professor em cada grupo,
enfocando os aspectos importantes da atividade, favorecendo um trabalho em grupo, levando o
NA PRÁTICA
Veja os textos a seguir, classifique-os conforme o gênero e explique a sua estrutura conforme os
seguintes itens:
a) Caracterização do gênero:
b) Propósito:
Texto 1
O que é, o que é? É meu, mas meus amigos usam mais do que eu? (QDivertido).
Texto 2
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Texto 3
FINALIZANDO
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O professor alfabetizador precisa compreender que a aprendizagem não se dá num mesmo ritmo
para todos os aprendizes e que eles não percorrem exatamente os mesmos caminhos. Por isso,
precisamos ter diferentes saberes e precisamos trabalhar com diferentes estratégias de ensino para
que o processo de leitura e escrita seja efetivado.
O caminho é longo. Porém, articular a aprendizagem com diferentes formas de ensinar faz toda a
diferença no processo da aquisição da leitura e escrita. Por isso, o professor precisa identificar as
necessidades de cada aluno e aplicar estratégias diferentes durante o processo, pois se entendermos
o que cada aluno já sabe e soubermos escolher as melhores opções didáticas para cada um deles,
Portanto, destaco a importância de que na sala de aula haja momentos com diferentes atividades.
Assim, estaremos aplicando situações didáticas diferenciadas e com o mesmo objetivo de levar a
leitura e escrita com competência e usando essa competência nas diferentes práticas sociais.
REFERÊNCIAS
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FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria; RAMOS, Marise (Orgs.). Ensino Médio Integrado: concepções
e contradições. São Paulo: Cortez, 2005.
2006.
Fundamental de nove anos: orientações pedagógicas para os anos iniciais. Curitiba, 2010.
KOCH, I.; ELIAS, V. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2009.
MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. Gêneros textuais ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado das Letras, 2004.
SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Campina: Mercado das Letras,
2004.
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Pedagógico. 7 ed. São Paulo: Libertad, 2000. (Cadernos Pedagógicos do Libertad – 1).
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