Alfabetização e Letramento: Fundamentos e Metodologias
Alfabetização e Letramento: Fundamentos e Metodologias
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
–FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
BÁSICA
AULA 1
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CONVERSA INICIAL
Nossas aulas serão organizadas como um itinerário reflexivo sobre nossa temática principal. As
entanto, serão apenas paradas rápidas, pois, para melhor conhecimento e desenvolvimento de
habilidades e competências, a pesquisa e estudo dos autores clássicos é fundamental. Isso porque os
conceitos não são apenas desenvolvidos nas crianças, mas se trata de um processo permanente de
métodos empregados em sala de aula e os que são utilizados em escolas públicas e particulares, além
do método proposto pelos documentos norteadores em torno da organização dos currículos nos
brasileiras.
Por isso, convidamos você, aluno(a), a participar dessa aula e iniciar o processo de conhecimentos
nesse mundo. Nosso objetivo é estimulá-lo(a) para novos conhecimentos e para as aulas que irá
planejar como professor(a), ou, como pedagogo(a), orientar os futuros alfabetizadores desse país. O
encontro da sociedade.
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processo. Antes de iniciar, é interessante você se perguntar: como fui alfabetizado? Como aprendi a
ler e escrever? Consigo escrever um texto com facilidade utilizando os elementos coesivos com
desenvoltura? Sei como irei alfabetizar meus alunos? Como pedagogo(a), como assessorarei os
Como desenvolver os processos de letramento dos alunos sem deixar em segundo plano o processo
de alfabetização? Qual concepção de linguagem utilizo para alfabetizar e letrar meus alunos?
Essas são algumas das indagações que permeiam o universo dos alfabetizadores, mas, com estas
aulas, aos poucos as perguntas serão respondidas. Essas indagações serão fomentadas durante o
nosso encontro e discutidas conforme algumas teorias e contextos. Portanto, para esta aula, com base
no tema alfabetização e letramento: discursos em curso na aprendizagem da língua portuguesa,
alfabetizadores;
algumas atividades em sala de aula. Isso é essencial para o processo de alfabetização, principalmente
pela concepção de linguagem que se utilizará na organização do planejamento de ensino.
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No sentido geral, compreende-se como linguagem o conjunto de todos os sinais que cada
indivíduo utiliza para se comunicar, como palavras, gestos, símbolos, desenhos, placas, músicas etc.
Contudo, não é tão simples assim, pois, como salienta Bakhtin (2011), a língua é um fenômeno social,
dialógico e se constitui nas relações sociais. Isso significa que nos constituímos como sujeito na e pela
linguagem.
Portanto, todo discurso falado ou escrito possui alguma intenção, que concomitantemente
reelabora a linguagem a partir de seus objetivos. Essa relação sócio-ideológica discursiva apresenta-
se como um jogo de interação, ação e reflexão, que assim determina o modo como se vai dizer
Por isso, o ensino da língua portuguesa é um trabalho amplo e complexo. Não se pode trabalhá-
lo isoladamente, pois na prática é muito difícil separar a concepção de linguagem e sua organização
metodológica do tipo de avaliação que comumente o professor usa em sala de aula. O essencial é
conhecer as funções sociais da escrita; o domínio dos códigos e convenções constitutivas do sistema
Para fins didáticos, vamos separar cada concepção e suas características para que você possa
escolher e refletir em qual vertente teórica o seu trabalho será desenvolvido. Castro (2005, p. 1)
podemos não saber dizer a que teórico ou teorias seguimos em nosso processo docente diário, mas
o fato é que quando entramos em sala de aula e desencadeamos todas as nossas ações didáticas,
estamos colocando em prática aquilo que lá no fundo achamos que é correto, justo e verdadeiro
Percebe-se, nesse sentido, que muitas vezes os professores ensinam como foram alfabetizados
ou pelas experiências na vida acadêmica e estágios. Assim, existe uma resistência de aprendizagem
do professor para os encaminhamentos em que realmente há o aprendizado da leitura e da escrita,
não apenas uma memorização, descrição ou cópia sem sentido. Há uma grande confusão entre as
concepções de língua e gramática normativa. Foca-se muitas vezes no ensino da língua em manuais,
livros ou cartilhas em que se pretende ensinar o que é certo ou errado, centrando-se apenas na forma
de escrita e de que, se falar bem e usar as regras gramaticas, o estudante será um bom escritor ou
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professor com base nas explicações sobre as concepções de língua presentes no ensino em sala de
aula.
forma e aos fundamentos da tradição gramatical grega, como a primeira compreensão de linguagem
(estudos de Dionísio de Trácia no século II a.C. – organizador da primeira gramática prescritiva, com a
noção de certo ou errado). No Brasil, o ensino da língua portuguesa teve início com a educação
estruturada pelos jesuítas, cujos objetivos eram alfabetizar e catequizar os índios, tendo a mesma
organização da primeira gramática, ensinar o certo e o errado de acordo com a norma culta da
autores clássicos.
Essa concepção é focada no sujeito psicológico, individual, dono de sua vontade e de suas ações.
Um indivíduo que constrói uma representação mental e deseja que esta seja captada pelo interlocutor
da maneira como foi mentalizada. Nessa relação, todo discurso dito pelo sujeito possui uma
expressão adequada, pronta e disponível, assim há a representação do mundo e as ações que nele se
praticam. Soares (1986) salienta que o ensino considerado como legítimo era baseado no
reconhecimento da língua que segue as regras da norma culta, da gramática tradicional. Nessa
mesma visão da língua como sistema, Travaglia (1996, p. 21) explica que
Para essa concepção as pessoas não se expressam bem porque não pensam. A expressão se
constrói no interior da mente, sendo sua exteriorização apenas uma tradução. A enunciação é um
ato monológico individual, que não é afetado pelo outro nem pelas circunstâncias que constituem a
que há uma normatização da língua e apenas o desenvolvimento de um dom natural que já está na
mente do sujeito, cabendo ao professor desabrochar essa capacidade. Nesse caso, saber a gramática
é sinal de que se fala e escreve bem. Para essa concepção de linguagem, “o modo como o texto, que
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se usa em cada situação de interação comunicativa, está constituído não depende em nada de quem
se fala, em que situação se fala (onde, como, quando), para que se fala” (Travaglia, 1996, p. 22).
informações estão ali, não há necessidade de compreensão maior, tratando-se, portanto, de uma
leitura que se limita apenas à decodificação do texto. As atividades de escrita e oralidade centram-se
em regras gramaticais, seguindo um conjunto sistemático de normas e regras para falar e escrever
bem. Não se leva em conta as diferenças dialetais, mas as correções diretas baseadas nas normas do
dialeto culto.
anterior, porém, centra-se na linguagem como meio exclusivo de informação. De acordo Travaglia
(1996, p. 22), “a língua é vista como um código, ou seja, como um conjunto de signos que se
combinam segundo regras, que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a
um receptor”. Nesse sentido, esse código deve ser compreendido pelo falante para que haja
comunicação.
Essa concepção vê a língua como apenas um código, ou seja, um conjunto de signos que se
combinam de acordo com regras específicas e isso possibilita a transmissão da mensagem ao ouvinte.
Há uma única possibilidade no entendimento da mensagem dada pelo emissor e basta ao receptor
entendê-la. Assim, nessa concepção, o sujeito é compreendido como assujeitado pela sociedade,
caracterizado por uma espécie de “não consciência” (Koch, 2002, p. 14). Esse assujeitamento é
caracterizado quando o sujeito não é dono de seu discurso e de sua vontade. O sujeito que emite a
mensagem é responsável pelo sentido, como se fosse um repetidor da sociedade e dependente desse
discurso. A língua é um instrumento, uma estrutura pronta que se encontra à disposição dos sujeitos,
que a utilizam como se ela não fosse histórica.
O texto nessa concepção é entendido como uma “codificação de um emissor a ser decodificado
pelo leitor/ouvinte, bastando a este, para tanto, o conhecimento do código, já que o texto, uma vez
codificado, é totalmente explícito” (Koch, 2003, p. 16). Na leitura de textos, há o afastamento do autor
e das circunstâncias de escritas para focalizar na estrutura textual que fala por si. A escrita e a
oralidade devem seguir um conjunto sistemático de normas para falar e escrever bem. Assim, a
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prescritivas e descritivas.
Castro (2005) esclarece que as práticas em sala de aula ainda são pautadas por estratégias
metodológicas de língua, em que se coloca as regras gramaticais como o objetivo único e último da
educação escolar. Na maioria das vezes, escrever uma frase sem erro já é sinal de que o aluno está
dominando a língua, porém a interpretação, tentativas e expansão de ideias não são levadas em
conta, porque dá trabalho mediar toda essa produção. Nesse sentido, o ensino centra-se no ensino
da língua normativa, deixando de lado “outros fatores e variáveis que concorrem de forma inalienável
para o sucesso no aprendizado da escrita na escola por parte das crianças” (Castro, 2005, p. 11).
Muitos autores clássicos de áreas distintas como a psicologia, linguística e pedagogia, desde os
anos de 1970, 1980 e 1990, salientaram e registraram que não se pode ignorar a forte determinação
escolar:
Fatores como a classe social, econômica, escolarização dos pais, região em que habita,
descendência, determinadas características históricas e culturais são aspectos que estão a todo
momento mediando as possibilidades de sucesso ou insucesso escolar dos alunos, conforme
Nesse contexto, compreender a língua não como código mas que se constrói nas e pelas
relações sociais é essencial para o trabalho significativo em sala de aula. Como explica Travaglia (1996,
p. 23), na concepção de língua como forma de interação social, “o que o indivíduo faz ao usar a língua
Bakhtin (2011) salienta que o sujeito se constitui na e pela linguagem, construída por uma língua
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o processo de interlocução que ocorre nas práticas sociais, as quais se diferenciam historicamente e
dependem das situações de comunicação e/ou interação dos sujeitos, uma vez que
A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas
nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo
fenômeno social da interação verbal, realizada através da enunciação ou das enunciações. A
interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. (Bakhtin; Volochinov, 2006, p.
125)
Bakhtin (2011) explica que o sujeito é fruto de uma diversidade de vozes e de suas relações
dialógicas, dos diferentes temas do cotidiano, da gama de informações que recebe e da oralidade
permeia a construção o tempo todo. Os sujeitos, portanto, são tomados como construtores sociais,
Desta forma há lugar, no texto, para toda uma gama de implícitos, dos mais variados tipos,
somente detectáveis quando se tem, como pano de fundo, o contexto sociocognitivo dos
Assim, nessa concepção de língua como interação entre os sujeitos, a língua não é compreendida
mas também requer a mobilização de um grande saber quanto às relações textuais e contextuais que
são produzidas.
A metodologia nessa concepção deve levar em conta os falantes que atuam sobre o interlocutor
e estabelecem vínculos e compromissos. O diálogo caracteriza a linguagem nos contextos de
conta e vistas como formas diferentes para o processo interacional (incluindo os registros formais e
informais).
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A escrita e a oralidade devem focalizar em textos orais e escritos dos vários gêneros discursivos e
competências de sua língua, para seu uso adequado. Nessa relação entre oralidade e escrita,
Marcuschi (2001, p. 17) afirma que “ambas permitem a construção de textos coesos e coerentes,
estilísticas, sociais e dialetais e assim por diante”. As realizações e a limitação dos textos orais e
É nessa concepção de língua que os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) e a BNCC (Base
Nacional Comum Curricular) têm os princípios orientadores para o ensino nas escolas brasileiras, que
compreender a complexidade da aprendizagem da escrita e como ela existe no contexto social. Nesse
sentido, a escrita não pode ser ensinada somente como uma habilidade motora, mas como uma
atividade cultural complexa, como enfatiza Vygotsky (1989). Mello (2010), ao refletir sobre as ideias de
Vygotsky, salienta que “a apropriação da escrita como um instrumento cultural complexo é elemento
essencial na formação da inteligência de cada sujeito” (p. 181).
Lendo Vygotsky entendo que o maior equívoco que cometemos no processo de ensino da escrita é
a utilização de um método artificial criado especialmente para ensinar a criança a escrever e que
enfatiza o domínio da técnica e não considera nem cria a necessidade de escrita na criança. [...] da
mesma forma que a linguagem oral é apropriada pela criança sem grandes esforços, a partir da
necessidade de se comunicar com os outros – necessidade que é criada nela ao viver numa
sociedade que fala –, a escrita precisa se tornar uma necessidade da criança que vive em uma
Então, a pergunta que se faz é: como se deve ensinar a ler e a escrever? Nos itens anteriores,
ficou muito claro que, sem o conhecimento teórico dos conceitos que permeiam o ensino da língua e
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escrita, é difícil encontrar um caminho que realmente leve ao aprendizado. Os esclarecimentos sobre
língua oral, língua escrita, fonética, fonologia sons da fala nos aspectos interpretativos de sua
estrutura funcional; as letras na escrita; as variedades de pronúncias das palavras e como elas podem
afetar o aprendizado são essenciais para que o professor alfabetizador conheça o objeto de ensino
A fonética preocupa-se com os estudos dos sons da fala, com a realidade fônica da língua, as
pronúncias diferentes. Como explica Cagliari (2010, p. 37), “a fonética procurar analisar e descrever a
fala das pessoas da maneira como ela ocorre nas mais variadas situações de vida”. Entretanto, a
fonologia também estuda os sons da língua, mas em sua função, ou seja, com os aspectos
interpretativos desses sons. Segundo Cagliari (2010), enquanto a fonética constata as pronúncias
diferentes dos sons, a fonologia interpreta essa diferença atribuindo um valor único a eles,
A noção de valor linguístico não é igual à de certo ou errado. O valor linguístico diz respeito às
funções, atribuições de um som dentro da organização sistemática das línguas,. Um som, por
exemplo, pode ter um valor distintivo ou não. Se substituo o [p] de pato por um [b], tenho um novo
significado e uma nova palavra, que é bato. Então, [p] e [b] tem valores distintivos nessas palavras,
porque trocando-se um pelo outro ocorre uma mudança de significado. (Cagliari, 2010, p. 75)
Percebe-se, dessa forma, o quanto de estudo o professor alfabetizador precisa para compreender
todo esse processo complexo que é ensinar a ler e escrever. Por isso, o docente deve, desde o início
2010, p. 85).
Vygotsky (1989, p. 119) salienta que, muitas vezes, os professores ensinam nas escolas “as
crianças a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem escrita.
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Enfatiza-se de tal forma a mecânica de ler o que está escrito que se acaba obscurecendo a linguagem
escrita como tal”. Por isso é necessário o cuidado do professor ao compreender a linguagem como
símbolo, e não como índice.
Percebemos que o conceito de símbolo é um dos aspectos que necessita de atenção especial por
parte do professor alfabetizador, pois “um símbolo e a coisa que ele simboliza é inteiramente
arbitrária, ou seja, a razão da forma de um símbolo não está nas características da coisa simbolizada”
(Lemle, 2007). Para Vygotsky (1989, p. 120) “a linguagem escrita é constituída por um sistema de
signos que designam os sons e as palavras da linguagem falada, os quais, por sua vez são signos das
relações e entidades reais”. Nesse sentido, um estudante que ainda não compreendeu o que seja uma
relação simbólica entre dois objetos não terá condições de aprender a ler.
Nessa mesma linha de pensamento, Bakhtin e Volochinov (2006, p. 69) esclarecem que “a palavra
isolada de seu contexto, inscrita num caderno e aprendida por associação a uma coisa, a uma
imagem, torna-se sinal, uma coisa única” e “o signo é, por sua natureza, vivo, móvel, plurivalente”.
Essa mobilidade do signo é uma das principais características da linguagem humana. Segundo Vilas
A palavra só ganha valor social quando está inserida em frases e frases inseridas em situações
sociais concretas. [...] a análise da frase, surgida nesse contexto social vivo, será fita de modo a
possibilitar a criança brincar com as palavras, fazer novas associações, atribuir aquele enunciado um
sabor pessoal. Para a efetivação desses desígnios, os jogos propostos devem propiciar o contato do
aluno com situações variadas e com a pluralidade de falas daí emergentes. Permitir mudanças nas
frases, instaurando a relação real de diálogo, tal como ele é usado fora da escola, no dia a dia de sua
comunidade.
Vejamos um exemplo sobre essas situações da linguagem como símbolo. Veja as seguintes
formas:
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Se forem formas conhecidas, você diz retângulo, triangulo, círculo e outro triângulo, pois leu
letra A e círculo = letra S, faremos a transposição e teremos: CASA. As letras para as crianças que
ainda não se alfabetizaram são pontos ou riscos sem significados que são obrigados a copiar. Todavia,
quando aprendem que cada uma dessas formas são letras e representam um símbolo na língua
escrita, inicia-se o processo de compreensão, ainda mais porque as formas das letras do alfabeto
Lemle (2007) traz um exemplo muito pontual sobre essa dificuldade na aprendizagem da relação
Tomemos alguns exemplos: a letra p e a letra d diferem apenas na direção da haste vertical,
colocada abaixo da linha de apoio ou acima dela. O b e o p diferem entre si por esse mesmo traço,
isto é, a posição da barriguinha. Note que os objetos manipulados em nosso dia a dia não se
transformam, ao mudarem de posição. Uma escova de dentes é sempre uma escova de dentes,
esteja virada para cima ou para baixo. (p. 9)
Esse reconhecimento minucioso das formas das letras é imprescindível para aprender a ler. Outra
situação que exige cuidado na aprendizagem da leitura e da escrita é a dificuldade dos alunos na
conscientização da percepção auditiva, ou seja, consciência fonológica. Para Lemle (2007, p. 9), “é
preciso saber ouvir diferenças linguisticamente relevantes entre esses sons, de modo que se possa
escolher a letra certa para simbolizar cada som”. No entanto, somente essa percepção não é
suficiente, visto que um fonema pode ter várias maneiras de ser escrito, pois quem determina é a
ortografia.
Nota-se que o problema mais sério para alguns alunos é não saberem lidar com a escrita
ortográfica. A solução é fácil: basta lhes ensinar as noções básicas sobre ortografia e, depois, ensiná-
los a educar as dúvidas ortográficas. Quando se escreve uma palavra nem todas as letras apresentam
os mesmos graus de dificuldades ortográficas. Onde pode haver variação, pode ocorrer erro de
escolha. Fazer exercícios de análise desse assunto ajuda a educar as dúvidas ortográficas. Por
exemplo, em uma palavra como casa, apenas o C e o S podem criar embaraço (cf. qaza, qaxa, caza,
caxa...), assim mesmo, somente alunos bem no início dos estudos acham que o C representa uma
dificuldade gráfica. Diante da dúvida, como saber qual é a forma correta? O único jeito é perguntar a
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quem sabe ou olhar no dicionário. Esse tipo de aluno precisa mesmo deste tipo de exercício e de um
compreenderem esses processos de aprendizagem para que possam dar explicações condizentes e
convincentes aos alunos. As situações analisadas anteriormente são apenas algumas partes
componentes da relação entre a fala a escrita, porém a língua é muito mais complexa, pois há
relações cruzadas e arbitrárias que apenas a fonética e fonologia não dão conta (Cagliari, 2010).
Percebemos pelas discussões anteriores que para alfabetizar os alunos não basta apenas entrar
em sala de aula, apresentar as letras, formar palavras, depois frases e textos. O conhecimento de
aos alunos a respeito dos fenômenos da língua. Notamos também que o melhor método na
alfabetização é o professor, pois é ele quem escolherá o caminho significativo para a aprendizagem.
O professor que alfabetiza também é um professor de língua. E em terreno tão complexo como o
gerais da ciência da linguagem pode levar a consequências bastante negativas no processo geral
da aprendizagem escolar, muitas vezes por não ter explicito como esse objeto de estudo está
(p. 12)
desse a regra pronta e o aluno executa a atividade. O professor consegue bons resultados em sala de
aula quando seleciona os problemas um de cada vez, organizando a atividade de modo que o
aprendiz descubra as regras que organizam aquele objeto do conhecimento (conteúdo) e as relações
internas existentes entre os elementos, para assim poder usá-los em outros contextos, estabelecendo
novas relações.
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afirma que
advertir: essa estratégia não será mais do que uma mera “substituição” de termos se se atribui a
método o sentido que propus: somas de ações baseadas em um conjunto coerente de princípios ou
porém, se atribui a método o conceito estereotipado que esse termo adquiriu, isto é, método de
alfabetização identificado com os tipos tradicionais de métodos – sintéticos e analíticos (fônico,
silábico, global, etc.), e que é confundido com manual, conjunto de prescrições geradoras de uma
prática rotineira, não será apenas uma substituição de termos, mas uma radical mudança conceitual.
(p. 95)
Percebemos, assim, que as várias prescrições de ensinar aos alunos ficam muitas vezes no mesmo
discurso de “que método adotar?”, porém, esquecemos que o professor precisa dominar esses
conceitos para que possa realmente mediar seus alunos na aprendizagem da leitura e da escrita.
Sugerimos a leitura desse livro sobre os métodos/prescrições de alfabetização, mas não se esqueça
de que o papel principal é compreender o processo, e não produto.
NA PRÁTICA
Métodos mais conhecidos Como é desenvolvido Papel do professor Papel do aluno Fontes pesquisadas
FINALIZANDO
letramento – e observamos que o conhecimento e clareza nos conceitos são essenciais para que o
professor organize seu planejamento no ensino. Lembre que há concepções de língua diferentes
dependendo dos autores e teorias que irá utilizar e que a alfabetização e o letramento possuem
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diversos métodos de ensino, mas o professor com sua clareza na compreensão de método poderá
organizar um caminho profícuo de aprendizado. Os métodos global ou misto, métodos que partem
da frase, das letras, do texto, da palavra, dos fonemas podem chegar ao mesmo lugar, mas cuidado
para não ficar apenas na soletração, no fonema solto, na pura visualização da palavra e na associação
com as figuras. Não se pode relegar a segundo plano a necessidade de buscar o sentido para o que
se lê e se escreve.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.
Vozes, 2011.
elementos lingüísticos textuais. Revista de Estudios Literários, n. 33, ano xi, 2006. Disponível em:
https://webs.ucm.es/info/especulo/numero33/alfaletr.html. Acesso em: 30 abr. 2020.
CASTRO, G. de. A avaliação de língua portuguesa nas séries iniciais. Curitiba: Editora UFPR,
2005.
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KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto,
2011
G. de; MILLER, S. (Orgs.). Vygotsky e a escola atual. 2. ed. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.
VILAS BOAS, H. Alfabetização nova alternativa didática: outras questões, outras histórias. São
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