Twisty.
Uma mulher de aparência consideravelmente jovial, da pele branca quase
translúcida como neve e cabelos sedosos com fios de ouro. A mesma se encontrava em
seu camarim, terminando de ajustar o espartilho de um vestido que usava;
Era um vestido completamente fechado, de manga longa e saia como se fosse a de uma
bailarina. Havia um padrão marcante de losangos pretos em um fundo vermelho, que
realçava seu batom. Ajeitava seu nariz de palhaço que era incomum por ser de um tom
preto, e não vermelho. Usava uma meia calça onde a meia esquerda é listrada preta e
branca verticalmente e a direita é totalmente vermelha, suas luvas seguem o mesmo
padrão.
Twisty se posicionava em frente ao espelho de seu "camarim", dando uma voltinha
elegante. Sentou-se na cadeira acolchoada em frente ao espelho, se olhando por um
tempo, colocando sua máscara vermelha e lambendo seus lábios; o suposto "batom" saia
com muita facilidade, talvez não fosse mesmo maquiagem. Pegava o batom, passando-o
pelos seus lábios após fazer um "biquinho" e enfim largava o objeto. Lembrava de seus
saltos vermelhos, que estavam ao alcance de sua mão, colocando-os com uma certa
dificuldade para ajustar a fivela. Quando conseguia, voltava a se admirar no espelho.
" Ohh, Twisty, você é tão lindaa.. Eu sei, meu amor, shh..~ "
Gesticulava enquanto falava, rindo meio boba. Terminava de ajeitar sua franja, tendo
certeza de que estava tudo certo, seus cabelos já haviam sido penteados. Se levantava da
cadeira, pegando sua sombrinha branca com algumas bolinhas pretas acompanhada de um
franzido bonitinho e delicado, indo até o palco principal. Ia apenas por lazer, amava a
atmosfera daquele lugar e amava se sentir uma protagonista de tudo. Olhava os lugares em
sua frente, completamente vazios, parecendo distraída por um momento.
Séculos se passaram, aprisionado e resguardado em apenas uma caixa, já era de esperar o
fato das coisas terem mudado. Não apenas a educação daqueles que lhe conheciam desde
o surgimento dos mundos, mas também como tudo progride e regride ao mesmo tempo.
Não basta ser impressionante assim como engraçado. Os mortais em si eram hilarios,
bonecos fáceis de moldar...a imensidão de ganância e ignorância, junto de suas
consequências como resultado em tudo que fazem. Para Alcatraz poderia ser algo
irrelevante de certa forma, mas para si, era até bem curioso. Sempre teve o interesse de
como sempre se puseram a funcionar de diversas formas.
Fora a falta que sentia em questão aos mortais, algo ou melhor, um local era mais
significante do que ficar observando vidas que poderia importunar. Ao adentrar, se deparava
com um sentimento mais nostálgico diante aos palcos e ao cenário de exuberância e
características dignas de um circo. Apesar de estar tudo vazio e sem luzes, conseguia
imaginar o enorme lugar cheio de cores vindo de todos os lugares, luzes e sons epiléticos.
Assim como um circo deve ser.
Porém, estava tudo vazio, aparentemente. Mas logo então ao se aproximar levemente se
depara com um ser que desconhecera quem será. Uma silhueta levantada sobre o palco ao
meio, junto de uma sombrinha branca detalhada de bolinhas pretas com um franzido
delicado.
Ficou a observando, aproximando seus passos em lentidão, mas com seu típico e simpático
semblante que continha em sua máscara. Ajeitou sua cartola detalhada em vermelho que
interligada a fita que a envolvia, ajeitando seus grandes e volumosos cabelos brancos
crespos como um algodão de qualidade. Ficaria passos a frente do maior palco ali onde
estava a silhueta de sombrinha.
— Está pensando em fazer alguma apresentação neste belo palco?
Parecia algo meditativo subir naquele palco, a adrenalina preenchia seus pulmões durante
cada movimento em frente ao público. Era moldável em relação a suas apresentações;
Poderia atuar como equilibrista, tinha uma certa prática em trapézios e era tão flexível
quanto uma boneca de pano.
Havia uma certa alavanca que desceria uma espécie de duas superfícies de madeira e uma
corda fina entre elas. Quando Twisty ia se direcionar a mesma, ouvia o tom de voz com um
certo arrepio correndo pelo seu corpo. Tentava ainda assim não perder a sua postura,
dando um respiro profundo e olhando até o mesmo para ver se reconhecia-o.
"Realmente um magnífico palco.. e sim, pretendo fazer uma. Tenho praticado tanto, não
tenho o direito de decepcionar ninguém pelos meus erros."
Dava um sorriso não tão largo para o mesmo, apenas um sorriso convidativo. Colocava sua
sombrinha em sua frente, com a parte superior (que havia um certo "espinho" de metal)
apoiada sob o chão de madeira.
"E quem é esse senhor, que inicia uma conversa sem nem sequer dizer seu nome?"
Seu olhar continuava na mesma, tentando reparar em meio a escuridão seu figurino trajado
com seus detalhes que mesmo forçando a visão não conseguia reparar. Isso lhe deixava
intrigado, uma mulher que não conhecia toda bem arrumada acima de um palco como
aquele.
Colocou suas mãos para trás, para ajeitar mais a postura. O tom de voz delicado e sutil
apesar de sua aparição ter sido repentina, lhe deixava mais a vontade em conhecer quem
estava a sua frente.
— Tenho certeza que você se sairá muito bem em sua performance. se você praticou muito,
não irá errar ou ter essa possibilidade. Ainda mais com um figurino belo como esse, vou
fazer questão em ver seus detalhes quando o sua apresentação começar.
Ao perceber sua falta de educação, se repreendendo mentalmente após. Retirou a cartola,
fazendo um cumprimento elegante com o acessório junto de uma leve reverência.
— Desculpe-me pela falta de educação repentina, me chamo Lich.
Rodopiou sua cartola entre os dedos, a colocando em sua cabeça da mesma maneira que
estava antes, dando uma ajeitada.
— Gostaria também de saber o nome da senhorita que irá se apresentar.
Ficava com uma sobrancelha erguida por um momento, no aguardo da apresentação do
rapaz em sua frente. Parecia intrigada com o mesmo, demonstrando um leve interesse.
Dava uma risada mais fechada, quase como se fosse uma sequência de "hm",
demonstrando um leve sorriso ao ver os truques com a cartola. Limpava sua garganta,
colocando uma mecha de cabelo para trás de sua orelha e, logo após, dizendo:
"É um prazer lhe conhecer, Sr. Lich. Meu nome.. pode me chamar de Twisty."
Fechava seus olhos e colocava a mão sob o seu peitoral, com o pulso levantado, quando,
com um certo orgulho, dizia seu nome. Logo quando a garota havia colocado a mecha por
trás de sua orelha, era possível notar mais algumas mechas logo atrás que se encontravam
escondidas, e tinham um tom mais ruivo, diferente do resto do cabelo que é loiro.
"Acho isso curioso, não lembro de ter te visto por esse lugar. É um rosto novo para mim..-
digo.. esqueça."
Parecia levemente envergonhada e constrangida por citar o rosto do mesmo, quando o
próprio estava usando uma máscara.
"O que você faz, Lich?"
Ficou observando sua cumprimento, genuinamente alegre por ter sido retribuído. Chegando
mais perto, conseguiu reparar alguns detalhes que a escuridão do local não lhe fazia
perceber. Sua aparência, sem exceção era algo único que lhe deixou com leve interesse em
conhecê-la melhor.
Sendo assim, continuou na sua postura, não fazendo questão em subir no palco para ficar
ao lado da mesma. A performance seria dela, nenhum ser deveria interrompê-la nem pisar
onde está pisando.
— Senhorita Twisty, nome único. O prazer é todo meu.
Ficou a olhando falar, percebendo sua vergonha qual falar de sua máscara como rosto. Não
resistiu em soltar uma risada nasalada sutil, fazendo um gesto de "esta tudo bem".
— Está tudo bem, não se preocupe. Minha máscara não é no intuito que imagina, de fato.
Apenas a uso para atrair adoráveis crianças. Se estiver incomodada com esse acessório,
posso retirá-la.
Disse de forma acessível para que ela pudesse perceber o tom verdadeiro em sua voz. Não
continha nenhum motivo aparente de usá-la, apenas para seu favor, e também pelo fato de
sentir certo carinho e admiração pelas características das máscaras como a sua. Uma
máscara de porcelana com detalhes em dourado perto dos olhos, características de palhaço
lábios, bochechas e nariz pintados em vermelho..
— Mas de fato, não nos conhecemos. Aparentemente você chegou por aqui enquanto eu
estava fora, então foi um encontro repentino. Mas fico feliz em ver membros novos em
nosso circo, certamente!
Voltou a colocar as mãos para trás após ajeitar seu paletó.
— Bom, digamos que eu seja uma espécie de mágico, uso magia para encantar os
pequenos mortais.
No mesmo momento, fez uma flor cartoonizada surgir entre seus dedos. Uma flor um tanto
colorida e chamativa. Ela flutuou até a mesma, ficando a frente de twisty para a mesma
pegar.
— confesso que não consegui fazer flor normais surgirem de meus dedos, desaprendi com
o tempo. Porém, aí está uma flor como recepção.
Se aproximava um pouco mais da borda do palco para continuar a conversa que estava
tendo com o senhor. Parecia interessada em ver o mesmo sem máscara, e então dizia:
"Acho que seria injusto apenas você sem a máscara. Se realmente quiser, retire a sua e eu
retirarei a minha. Por mais que não cubra todo meu rosto."
Segurava seu indicador e polegar na máscara que usava em seu rosto. Era uma máscara
vermelha como uma de carnaval, com algumas estrelinhas pretas no canto e brilho nas
bordas.
Erguia suas sobrancelhas em surpresa ao ver a flor que recebia do mesmo. Planejava ir e
se abaixar para ter o alcance da mesma, mas antes que desse um passo após a percepção
da flor, o tal objeto chegava até ela. Admirava a flor, ouvindo a fala do mesmo e pensando
em fazer um truquezinho.
"..Que graça..! Calma.. me dê um segundo."
A mesma dizia isso, apoiando a tal flor por cima de sua orelha e entre as mechas de cabelo,
dando um sorriso bobo e uma risadinha para si própria. Removia sua luva da mão
esquerda, pegando um pequeno alfinete que havia preso em sua saia e furando seu
polegar, colocando o alfinete na saia rapidamente. O sangue que escorria do seu polegar
havia um tom diferente do habitual, como se fosse um líquido viscoso preto. Ela conseguia
fazer com que esse sangue virasse uma rosa, levemente sendo formado dessa matéria.
"Sinto muito, acho que não consigo fazer flores flutuarem."
Dizia isso, mas conseguia fazer raízes crescerem disparadamente do caule daquela rosa,
indo até o alcance de Lich. Quando ele recebia a flor, se ele a pegar, as raízes se
desconectariam do pequeno caule, se desintegrariam no chão e enfim desapareceriam.
Após fazer isso, a mesma apenas pressionava seu dedo contra o polegar para fazer parar
de sair daquele líquido e poder colocar sua luva de volta.
Não teria reparado que a mesma continha a máscara, apreciando em silêncio todos seus
detalhes. Ficava encantado como cada máscara continha seu detalhe único e expressivo,
deixava um destaque em quem usava. Pensando assim, era o mesmo com Twisty, sua
máscara realça sua personalidade, assim como a sua.
— Se não for lhe incomodar, você tem total direito e liberdade de não querer. Nunca que lhe
julgaria por tal.
Ficou alegre por ter visto que sua flor foi recebida de maneira graciosa, aproveitando e a
fazendo flutuar e se enroscar levemente no cabelo de Twisty. Claro, não se enroscou tanto
para dificultar sua retira, tentou ser cuidadoso para não machucar aquele estava na sua
frente sem intenção. Ao ver todo o processo da flor da mesma ser feita, ficou observando
deveras curioso. A forma que o líquido se formava em matéria lhe deixou admirado, em
como duas formas diferentes conseguiriam fazer uma coisa só. Não esperava que a linda
flor de Twisty se desenvolveria com um caule, logo se aproximando de si. Ao dar uma leve
carícia, apreciando a beleza de suas pétalas, o caule se desintegrou e pode enfim segurá-la
e admirar melhor sua coloração. Por fim, retirou sua máscara para que veja sua reação
verdadeira. Seu rosto não era nada como a máscara, era bem reconhecível, quase idêntico
ao Alcatraz. Porém, seu albinismo mudava um pouco esse aspecto. Fora o fato de estar
sorrindo enquanto observava a matéria que segurava, continha covinhas perceptíveis uma
em cada lado.
— Nunca havia visto uma flor tão adorável e única, me sinto lisonjeado em tê-la em minhas
mãos.
Dava um sorriso meigo com a frase do senhor, se sentindo menos pressionada. Agia de
forma gentil, era como se seu ego tivesse sido amaciado, o que justificaria bem essa
conduta. Sentia a flor enroscando, tocando próximo de sua orelha, surpresa com isso.
Percebia que o mesmo parecia feliz com a flor, e era essa a reação que decidiria se Twisty
iria remover a máscara para o mesmo ou não. A mesma colocava as mãos por trás de sua
cabeça, desfazendo um lacinho de fita de cetim que prendia a máscara em seu rosto,
fechando seus olhos. Segurava a máscara com seu polegar e indicador, removendo-a de
seu rosto, abrindo os seus olhos e revelando profundos olhos azuis oceânicos.
Um par de olhos tão profundos que carregaram uma história tão profunda que nem um livro
poderia contar. Oceânicos, dos olhos com o tom inspirador que há mais do que duas janelas
para alma e sim duas grandes embarcações inteiras e pesadas lhe guiando ao infinito,
quase hipnotizante. A força bruta, bonita e afetuosa da ressaca do mar que puxaria quem
vidrasse em seus olhos. Era como se sua alma vazasse de seu corpo e chamasse cada vez
mais atenção para o olhar de Twisty, a descrição exata do oceano.
Apenas segurava a máscara, removendo alguns fios dourados que se encontravam
enroscados na fita da máscara.
"Não diga assim, é apenas uma simples rosa.. teria a mesma reação se visse o processo de
qualquer outro broto de flor surgir da natureza."
Finalmente entendeu o motivo de Twisty usar sua máscara, de fato era um motivo plausível
quanto. Seu olhar tinham as cores e as características assustadoras do oceano, em como
consome e sugasse sua alma cada vez para o fundo. Era algo traiçoeiro, mas se mostrara
aconchegante de certa forma. Seu olhar oceânico combinava com sua aparência e
personalidade, isso lhe cativou mais em questão.
Diferente do olhar da mesma, o seu era a pura obscuridade do universo. Um olhar vasto e
misterioso assim como tal. Brilhante como as estrelas mortas, sugando seu ar em um
encarar. Invés de ser afetuoso, era gélido assim como os graus fora da terra. Um vazio sem
fim, assim como o universo é. Diferente dela, seu olhar era inconsistente a sua
personalidade, seu sorriso bondoso tinha o efeito de atrair confiança imediata daqueles que
lhe seguem e seu olhar, por outro lado, mostra seu real interesse por tal. Sendo assim,
naquele momento, estava cintilante olhando para a flor dentro de seu bolso do terno, a
observava com nostalgia.
— Sim, de fato. Mas de tanto ficar no vazio por séculos, certas coisas que reencontro se
tornam um tanto...admiráveis. Digo em questão das flores, apenas, suas características
únicas e chamativas são interessantes de apreciar.
"Vazio por séculos? Como é isso?"
Twisty demonstrava uma certa curiosidade pelas falas do tal homem, deixando sua cabeça
pouco inclinada para o lado e a mão na sua bochecha. Sentia uma certa pena, séculos são
muita coisa, ela tinha noção do quanto custava passar. Chegava a sentir um pouco de dó,
Twisty que sempre se entediava com tudo da vida se deparava com um que nem perdeu a
oportunidade de saborear as cores e formas do mundo. Apenas desfazia o simpático sorriso
de seu rosto ao se ver curiosa pelo mesmo.
Parava para analisar o mesmo, se deparando com um olhar vazio mas que via tanto brilho
em tudo, como se fosse uma ventoinha com o obscuro apenas sugando ar para dentro.
Analisava as voltas que seu cabelo tinha, se prendendo no loop daquelas espirais
reluzentes, mesmo que estivessem o escuro. Era como se todos os aspectos forçassem
Twisty a se aproximar, é acomodante demais, talvez fosse isso, essa "magia", que ele
usava para atrair seu público. Notava a similaridade que o mesmo tinha com Alcatraz,
pensava que era apenas coisa de sua cabeça, mas quanto mais a mesma analisava, mais
era fácil de digerir isso.
"Inclusive, você.. já nos vimos alguma vez? Você me lembra alguém..."
Seu sorriso se desfez por um momento, para recordar as sensações de estar totalmente no
nada, num lugar sem nenhuma vontade para viver, um lugar escuro e silencioso. Os brilhos
cintilantes em seus olhos tremeluziam enquanto desviava o olhar, como se fosse chorar,
mas era uma coisa comum em acontecer.
— Bom, o vazio é constituído apenas pelo silêncio e a imensidão do nada, isso é claro. No
entanto, ficar lá por tantos séculos lhe faz perder total noção do tempo, noção dos
acontecimentos ocorridos aqui em terra, como se fosse o purgatório. As sensações de ficar
num local escuro e sem absolutamente ninguém é uma ótima forma de enlouquecer
qualquer ser...Mesmo que você seja o mais superior dos superiores, a escuridão lhe deixa
sem escolhas ao não ser conviver com ela.
Disse, observando ao redor do circo, escuro, porém ao menos estava em algum lugar e isso
lhe deixou levemente aliviado. Ao ouvir a pergunta, seus olhos ligeiramente a encararam,
soltando um sorriso sem dentes a ela.
— Certo que não, você nunca me viu e eu nunca te vi. Em quem você acha que pareço?
Seu sorrisinho estava imitando o sorriso sutil de Alcatraz, dando a resposta para Twisty. As
características que deixavam de forma diferentes era o fato de terem covinhas perceptíveis.
Notava os dóceis olhos brilhantes chorosos, mesmo após o tal ter desviado o olhar.
Conseguia sentir angústia a cada palavra sobre a descrição do lugar, mesmo tendo tanta
falta de empatia. Começava a repensar o conceito de viver um verdadeiro inferno. Odiava
lugares escuros. Não tinha medo, mas impedia a mesma de ver o que habitava lá. Se ela
estivesse vivendo nesse grandioso blecaute, com certeza teria medo de tudo. Se
aproximava mais um pouco dele, com dó. Levava um pequeno susto ao ver que a reação
de tristeza havia ido embora, também se assustava com a encarada repentina. Ouvia a voz
do mesmo, analisando o rosto do rapaz.
"Hm..Você me lembra o.."
O leve sorriso era o que dava a tal impressão de lembrança, era impossível não reconhecer.
Vivia de admirar esse sorriso gentil que guarda tanta maldade, o sorriso do homem que
mais amou e o único que a tratou gentilmente. O sorriso do homem que transmitia elegância
e terror a cada passo. Alcatraz.
"..Alcatraz."
Dava uma certa falha na frase por ter medo de ser apenas coisa de sua imaginação, com
certeza não era. Todas as características apontavam diretamente a ele.
Seu sorriso se estendeu ao ouvir a resposta, as covinhas ficavam ainda mais visíveis
mesmo que uma de suas cicatrizes passar por cima de uma delas. Não era tão difícil
advinhar, era quase óbvio a grande semelhança do sorriso, olhar, e o charme típico. Mesmo
assim, há ainda algumas mudanças bem claras principalmente em modo de agir. Nem os
maiores seres sendo irmãos conseguem ser iguais, na verdade, são a cara metade um do
outro que assim os fazem se completarem. Era que Yin e Yang significava, o equilíbrio.
Bateu leves palmas rápidas e alegres.
— Acertou! Conseguiu gravar as características fortes dele pelo visto.
Apalpou seu cabelo branco cacheado, ainda olhando para a mesma, seus olhos ainda
tremeluziam.
— Não sei se ele já comentou alguma vez, provavelmente não, porém faço questão de lhe
informar. Eu sou irmão gêmeo do Alcatraz.