Economia Política - Prof.
Carolina Miranda Cavalcante
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Faculdade Nacional de Direito
O presente texto é um material de apoio para a disciplina eletiva de “Tópicos em
Economia e Direito”, do curso de Bacharelado em Direito da FND/UFRJ. Este material
não substitui a leitura do artigo e/ou capítulo de livro indicado para cada aula. Este
material possui objetivos exclusivamente didáticos, favor não divulgar este PDF sem a
autorização expressa da autora.
AULA 3: SISTEMA ECONÔMICO
Nesta aula, veremos brevemente como a economia de mercado se formou historicamente,
bem como algumas especificidades da produção no âmbito do sistema capitalista. Serão
apresentados alguns agregados macroeconômicos. Ademais, estudaremos a origem do
produto e da renda em uma economia de mercado. Através do fluxo circular da renda,
observaremos como famílias e firmas se relacionam no mercado de bens e serviços e no
mercado de fatores de produção.
CANO, Wilson. Introdução à Economia: uma abordagem crítica. São
Paulo: Unesp, 2012. Capítulo 1 (p.17-47) e 3 (p.65-82).
Sistema Econômico
Iniciaremos nosso estudo da economia com a exposição dos elementos componentes do
sistema econômico, são eles: a produção de bens e serviços, a circulação dos produtos e
dos fatores de produção e o processo de acumulação desse sistema.
O processo de produção de bens e serviços em uma economia de mercado possui algumas
especificidades, dadas historicamente, como veremos no item seguinte. Em termos gerais,
na economia de mercado, a produção tem por objetivo a geração de valores de troca, o
que significa dizer que a produção de bens e serviços tem por destino primordial o
mercado. Ademais, a produção ocorre no âmbito de unidades produtivas (firmas,
empresas). A dissociação entre o ato de produzir e consumir gera dois mercados: o
mercado de bens e serviços (produto) e o mercado de fatores de produção (ou recursos
produtivos). Os bens e serviços são produzidos no âmbito das firmas através da
combinação de fatores de produção. Os fatores de produção, por sua vez, são de
propriedade dos indivíduos, das famílias, que os ofertam no mercado de fatores de
produção.
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A circulação de mercadorias (bens, serviços e fatores de produção) nos mercados de bens
e serviços e de fatores de produção será apresentado adiante no Fluxo Circular da Renda.
Nesse circuito que interliga esses dois mercados, veremos ainda que surge um elemento
importante, sem o qual os mercados não teriam se desenvolvido, a saber, a moeda.
Adiante, no nosso curso, veremos que a moeda possui algumas características que a
definem como tal. Neste ponto da análise, basta apenas entendermos a moeda como um
meio de troca, que permitirá que ofertantes e demandantes de mercadorias estabeleçam
suas trocas mercantis. Deste modo, teremos um fluxo de mercadorias, o fluxo real, e um
fluxo de monetário correspondente.
Por fim, no processo de acumulação observaremos a dinâmica do produto e da renda.
Observando pelo lado do produto, podemos nos questionar se o sistema econômico está
se expandindo (crescimento do produto), está estagnado (crescimento nulo) ou se está
regredindo (decrescimento do produto). A renda é função do produto, porém medidas
como o nível geral de renda ou a renda per capita não nos permitem observar como essa
renda efetivamente se distribui entre as diversas camadas da sociedade. Se a renda advém
da oferta de fatores de produção no mercado é razoável pensar que a renda individual (ou
familiar) dependerá da quantidade e da qualidade dos fatores de produção que os
indivíduos ofertam no mercado. Deste modo, a forma como os recursos produtivos se
distribuem entre os indivíduos determinará a distribuição da renda em uma determinada
sociedade.
Evolução da humanidade: o quadro geral
Alguns autores realizaram uma análise de longuíssimo prazo da evolução da humanidade.
Vejamos brevemente as concepções de dois institucionalistas americanos, Veblen e
North, acerca dessa evolução histórica da sociedade.
Veblen se inspirou no trabalho do antropólogo Lewis Morgan e dividiu a história humana
em três grandes fases. No esquema de Veblen, devemos prestar atenção a três elementos:
propriedade, trabalho e excedente. A economia de mercado é caracterizada pela
existência da instituição da propriedade privada, pelo trabalho assalariado e pela
acumulação do excedente (em forma de capital). O que vai explicar como esses elementos
se organizam em sociedade é basicamente a disponibilidade e o uso que as pessoas fazem
do tempo livre. Quando uma parcela da população se vê desobrigada do trabalho ligado
a atividades de subsistência, surge uma classe ociosa e um excedente. Essa classe ociosa
vai se ocupar de tarefas não diretamente ligadas à sobrevivência, como a caça, a guerra,
a religião, a arte, o governo, etc. Com o surgimento do excedente, surge a possibilidade
de acumulação. Contudo, nem sempre essa acumulação se converteu em acumulação de
capital. Esse excedente seria utilizado para expandir os territórios, construir monumentos,
financiar guerras, etc.
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Thorstein Veblen (1857-1929) foi um pensador norte-americano versado em Sociologia,
Antropologia e Economia, inspirando a primeira escola de pensamento originalmente
norte-americana, o Institucionalismo Americano. Um dos livros mais comentados de
Veblen é o A Theory of the Leisure Class, de 1899. Este livro tem tradução para o
português: “A Teoria da Classe Ociosa: um estudo econômico das instituições”, da Editora
Nova Cultural. Dois outros artigos importantes de Veblen são: (i) Why is Economics not
an Evolutionary Science?; (ii) The Beginnings of Ownership. O primeiro conta com
tradução para o português na coletânea de artigos “Economia Institucional: fundamentos
teóricos e históricos”, publicada em 2017 pela Editora Unesp, e traz a crítica fundamental
de Veblen à teoria econômica de seu tempo (final do século XIX, início do século XX). O
segundo artigo faz uma análise do surgimento da ideia de propriedade individual na mente
dos indivíduos e sua evolução para a forma de propriedade privada.
Douglass North também sugere uma linha evolutiva da humanidade, destacando dois
momentos importantes no que concerne à capacidade produtiva da sociedade. Enquanto
Veblen chama atenção para a evolução dos hábitos de pensamento, North direciona seu
foco teórico para a disponibilidade de recursos e a quantidade de produto. North entende
que a performance econômica pode ser medida em termos de produto per capita, ou seja,
o crescimento econômico sustentado ocorre quando a produção de bens e serviços supera
o crescimento populacional. O final do século XVIII é um marco, pois nesse momento
ocorre a Revolução Industrial, que produziu não apenas modificações importantes nas
técnicas de produção, mas também nas relações de produção.
North destaca a agricultura e a fixação dos grupos humanos em territórios específicos
como parte da primeira revolução econômica. A forma de uso da terra permitiu o aumento
da produtividade social. North define tecnologia como o controle humano sobre a
natureza. Nesse sentido, novas formas de lidar com a natureza (incrementos tecnológicos)
levam a aumentos de produtividade, por conseguinte, do excedente produtivo.
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Douglass North (1920-2015) foi um economista norte-americano que, ao lado de Ronald
Coase (1910-2013), inaugurou os estudos no âmbito da Nova Economia Institucional, que
se propunha uma alternativa ao Institucionalismo Americano original de Veblen, John
Commons (1862-1945) e Wesley Mitchell (1874-1948). Oliver Williamson (1932-2020)
sugeriu a denominação Velha Economia Institucional para as teorias de Veblen, Commons
e Mitchell, como forma de diferenciá-la do institucionalismo de Coase e de North. Douglass
North foi agraciado com o Nobel de Economia em 1993, tendo publicado dezenas de artigos
e livros ao longo de sua carreira acadêmica. A evolução histórica representada acima está
presente no livro “Structure and Change in Economic History”, de 1981. A teoria
institucionalista de North pode ser encontrada em seu formato mais esquemático em seu
livro de 1990, “Institutions, Institutional Change and Economic Performance”, que em
2018 recebeu tradução para o português – “Instituições, Mudança Institucional e
Desempenho Econômico” –, pela Editora Três Estrelas.
Embora Veblen e North façam parte de distintas tradições do pensamento econômico, os
autores apontam algumas transformações importantes nas condições de vida das pessoas
e em suas formas de pensar que ajudaram, ao longo do tempo, a delinear a moderna
economia de mercado.
Com a revolução industrial inglesa, grande parte do mundo sofreu profundas
transformações sociais, políticas e nas técnicas de produção que levaram a um crescimento
sem precedentes do produto. O desempenho econômico pode ser medido através do PIB
(Produto Interno Bruto), ou GDP (Gross Domestic Product). No link seguinte temos o
gráfico “taco de hockey” (history’s hockey stick), em referência ao formato do gráfico que
mostra o impressionante crescimento do produto de cinco economias a partir do século
XIX:
https://www.core-econ.org/the-
economy/book/text/01.html?utm_source=sendinblue&utm_campaign=Update_17_March
_2021&utm_medium=email#figure-1-1a (acesso: 29/08/2023)
Em Economia, existe um campo de estudos voltado à compreensão do crescimento e do
desenvolvimento econômico. Quais suas fontes? Por que alguns países se desenvolvem e
outros não? Como engendrar o crescimento econômico? Essas são questões que motivam
estudos no campo das teorias do desenvolvimento e dos modelos de crescimento.
Quais eventos históricos podem ser identificados como importantes para o surgimento da
sociedade capitalista? No capítulo 6 de seu Manual de Economia, Nusdeo (2014)
menciona algumas transformações importantes ocorridos em 1776 que ajudam a fornecer
os contornos da moderna economia de mercado:
❖ Política: independência dos EUA. Liberdade política.
❖ Economia: publicação da Riqueza das Nações de Adam Smith. Liberalismo
econômico.
❖ Direito: extinção das corporações de ofício na França (Turgot, Décret d’Allarde).
Liberdade do trabalho.
❖ Tecnologia: Robert Fulton (EUA) aplica o princípio da máquina a vapor de Watt
à movimentação de teares. Mecanização da indústria têxtil.
❖ Fundamentos da economia de mercado: dupla liberdade do trabalhador (livre das
amarras da escravidão ou da servidão e livre dos meios de produção); direitos de
propriedade; Estado; moeda. Economia monetária de produção.
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❖ Ideia de liberdade individual surge no século XVII, com o Iluminismo. A ideia da
razão como motor da ação individual se contrapõe a uma concepção do mundo
movido por ideias religiosas, tradicionais ou mágicas. Razão. Racionalidade.
Indivíduo.
A partir da observação do quadro explicativo fornecido por Veblen, North e Nusdeo,
podemos observar que a emergência de uma nova forma de reproduzir a vida humana,
centrada na produção de bens e serviços para o mercado, resultou de transformações não
apenas nas técnicas de produção, mas também nas formas de pensar e de organizar o
trabalho em sociedade. Nesse sentido, como observou Adam Smith, o aumento de
produtividade verificado no final do século XVIII se deveu à organização do trabalho em
unidades produtivas (manufaturas), o que permitiu a divisão do trabalho e a otimização
dos processos de trabalho. Deste modo, verificou-se um aumento na produtividade do
trabalho, consequentemente, um aumento no produto disponível socialmente.
Neste momento, a lógica do ganho econômico passa da circulação de mercadorias (esfera
comercial) para a produção de mercadorias. Se nas sociedades tradicionais a produção de
bens e serviços estava voltada diretamente à satisfação das necessidades humanas,
estando o ganho econômico restrito ao comércio (comprar barato para vender mais caro),
a partir da Revolução Industrial, o objetivo da produção de bens e serviços se volta para
o mercado, onde o organizador da produção buscará o ganho econômico (vender mais
caro do que pagou para produzir, receita > custo). Nesse sentido, nas sociedades
tradicionais, o trabalho empregado na produção estava orientado para a produção de
valores de uso, enquanto na sociedade capitalista, o trabalho organizado em unidades
produtivas (firmas, empresas) está voltado para a produção de valores de troca.
A economia de mercado
Vejamos agora como se organiza essa economia de mercado. O sistema econômico é
composto por uma multiplicidade de elementos, como as atividades de produção, compra
e venda de bens e serviços, os compartimentos produtivos – ou setores econômicos:
agricultura, indústria, serviços – e as instituições, como firmas, governo, mercados, regras
jurídicas, cultura, etc.
Na economia de mercado, que também podemos chamar de uma economia monetária de
produção (denominação comumente utilizada pelos pós-keynesianos), existe uma
separação entre produção e consumo, tendo a moeda um papel importante no
funcionamento do sistema econômico. A produção é organizada em unidades de
produção (firmas, empresas), que produzem bens e serviços. Os mercados permitem a
circulação de bens e serviços, cuja destinação pode ser um novo processo produtivo (bens
de capital, bens intermediários) ou o consumidor final (bens de consumo).
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A troca mercantil envolve um ato simultâneo de compra e venda, sendo intermediada pela
moeda. Importante notar que a troca mercantil pressupões direitos de propriedade
previamente especificados.
John Commons, institucionalista norte-americano do início do século XX, desenvolveu
grande parte dos seus estudos nas interseções entre Economia e Direito. Um dos conceitos
mais conhecidos do autor é o de transação. Para Commons, a transação é a alienação e
aquisição de direitos de propriedade, precedendo a troca mercantil. O argumento é
simples: para que eu possa trocar uma mercadoria com outro indivíduo, preciso dispor da
propriedade dessa mercadoria que é objeto da troca. Recentemente, Commons teve o
artigo “Institutional Economics”, publicado originalmente em 1931, traduzido para o
português, na coletânea “Economia Institucional: fundamentos teóricos e históricos”.
Dinâmica da produção: organizar fatores de produção a um custo mínimo (minimização
dos custos), elaborar um produto e vende-lo no mercado de forma a obter o maior lucro
possível (maximização do lucro). Dinâmica do consumo: obter renda (através da venda
dos fatores de produção) para comprar bens e serviços (produzidos nas firmas).
“Na sociedade capitalista, portanto, o ato de produção pode ser entendido como a
execução de atividades que tenham como finalidade o lucro e, indiretamente, a satisfação
de necessidades, por meio da troca.” (Cano, 2012, p.27)
A economia de mercado é uma forma de organização da produção que a sociedade
encontrou historicamente (e não intencionalmente) para reproduzir (material e
subjetivamente) a vida humana. Vimos um pouco da gênese histórica dessa economia de
mercado. Naturalmente, as transformações históricas envolvidas no molde da nossa
sociedade atual envolvem uma complexidade que não cabe em apenas uma aula. O que
buscamos assinalar brevemente nesta aula foram alguns eventos importantes e,
fundamentalmente, o caráter histórico e social da economia de mercado. O sistema
econômico é reproduzido e/ou transformado por pessoas e para pessoas, o que é apenas
outra forma de dizer que as relações mercantis são relações sociais de produção.
Em síntese, podemos compreender o sistema econômico a partir do circuito produção-
circulação-acumulação. A produção de bens e serviços se organiza no âmbito das firmas
(unidades produtivas) e se destina ao mercado. Por sua vez, no âmbito do mercado ocorre
a circulação de bens e serviços, em que os agentes econômicos (firmas e famílias)
estabelecem relações mercantis (intermediadas por moeda). A acumulação é o resultado
do processo de produção e circulação de mercadorias, em que a quantidade e o tipo de
propriedade dos recursos produtivos (ou fatores de produção) determinará a distribuição
dos indivíduos em faixas de renda, o que por sua vez responderá pela parcela do produto
global que será apropriada por cada agente econômico.
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O processo circulatório
Uma vez apontada a especificidade de uma economia de mercado, podemos voltar nossa
atenção para o processo de circulação de bens, serviços, fatores de produção e renda na
economia. Esse processo circulatório pode ser ilustrado pelo fluxo circular da renda.
Algumas hipóteses são feitas para a análise do fluxo circular da renda: sistema
estacionário (apenas investimento de reposição), sem governo, sem setor externo
(economia fechada). De forma simplificada, o processo circulatório (fluxo circular da
renda) pode ser representado da seguinte maneira:
Renda (+)
Gasto (-)
O fluxo nominal (ou monetário) representa um fluxo monetário de receitas derivadas da
venda de bens e serviços ou de remunerações dos fatores de produção. O fluxo real
representa a circulação de bens, serviços e fatores de produção. A cada fluxo real
corresponde um fluxo monetário. As famílias pagam pelos bens e serviços, que se
convertem na receita das firmas. As famílias ofertam fatores de produção, que são
empregados pelas firmas e remunerados às famílias, representando um custo para as
firmas. O produto é gerado no âmbito das firmas, que emprega os fatores de produção
(ou recursos produtivos) de propriedade das famílias. Em uma economia monetária de
produção, as transações entre firmas e famílias são intermediadas pela moeda.
Agregados Macroeconômicos
Vimos, no fluxo circular da renda, como o lado real e o lado monetário da economia se
relacionam nos mercados de bens e serviços e de fatores de produção. Veremos agora
como variáveis macroeconômicas, como produto (P), renda (Y), consumo (C), poupança
(S) e investimento (I) aparecem nas identidades macroeconômicas.
A contratação de fatores de produção (trabalho, capital, recursos naturais) possui uma
contrapartida monetária que confere um preço a tais fatores (salário, juros e lucros,
aluguéis). Este é o mercado de fatores de produção, que possui um fluxo real de serviços
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de fatores e um fluxo nominal de renda. Por outro lado, as firmas produzem bens e
serviços finais que se destinam ao consumo das famílias. Este é o mercado de bens e
serviços, que possui um fluxo real de bens e serviços e um fluxo nominal de pagamentos
pelos bens e serviços. Neste momento, precisamos apenas ter em mente que o produto
gerado na economia é consumido através do dispêndio de recursos monetários (renda)
obtidos através do emprego dos recursos produtivos (oferta de serviços de fatores no
mercado de fatores de produção).
As firmas não produzem apenas para o consumidor final, mas também para outras firmas.
Existe, portanto, um mercado entre as firmas. As firmas compram (demandam) e vendem
(ofertam) insumos (bens intermediários) de/para outras firmas. São as transações
intermediárias. Para contabilizarmos o produto da economia, precisamos deduzir as
transações intermediárias, de modo a evitar a dupla contagem.
O Valor Bruto da Produção (VBP) é a soma de todos os bens e serviços (finais e
intermediários) produzidos por um país. Para evitar a dupla contagem, precisamos
deduzir os gastos com insumos do VBP. Teremos então o valor do produto total gerado
nessa economia.
Renda (Y): é o somatório das remunerações dos fatores de produção.
Y = Salários + Lucros + Juros + Aluguéis
Vimos que o valor da Renda é igual ao valor do Produto em termos monetários:
Y=P
Lucro Líquido = Lucro Bruto – Depreciação
Produto Interno Bruto (PIB): somatório da produção de bens e serviços em um
determinado espectro temporal (mensal, trimestral, semestral, anual).
Se as firmas produzem bens finais para famílias e para outras firmas, o fluxo real se divide
em dois mercados:
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❖ Mercado de bens e serviços de consumo – compradores são as famílias,
agente consumidor (C)
❖ Mercado de bens de capital – compradores são outras firmas, agente
investidor (I)
A propaganda orienta e canaliza a demanda. John Kenneth Galbraith* aponta o papel da
propaganda na criação de gostos e preferências, criticando a ideia da “soberania do
consumidor”, que supostamente expressaria suas preferências sem a influência do ambiente
na formação de seus gostos.
* GALBRAITH, John Kenneth. Galbraith Essencial: os principais ensaios de John Kenneth Galbraith.
São Paulo: Saraiva, 2012.
Os bens de capital podem ser utilizados pelas firmas para repor a parte desgastada do
capital (depreciação), o investimento de reposição (IR), e/ou para ampliar a capacidade
produtiva do sistema, o investimento líquido (IL). Em conjunto, o IR e o IL conformam
o investimento bruto (IB) do sistema econômico.
IB = IR + IL
Os indivíduos destinarão sua renda ao consumo (C) e/ou à poupança (S).
Pela ótica da Renda:
Y=C+S
Propensão Marginal a Consumir (PMgC): aumento do consumo derivado do acréscimo de
uma unidade na renda do consumidor. 0 < PMgC < 1 (Pinho et ali., 2011, p.258)*
𝑑𝐶
𝑃𝑀𝑔𝐶 =
𝑑𝑌
* PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval; TONETO, Rudinei.
Introdução à Economia. São Paulo: Saraiva, 2011.
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Síntese dos agregados macroeconômicos apresentados nesta aula:
Note que “P = Y” e “S = I” são identidades contábeis, não exprimindo relações teóricas
diretamente. A identidade “S = I” não diz nada sobre o sentido da causalidade, ou seja, é
o acúmulo de poupança que gera capacidade de investimento ou é o investimento que
permite a acumulação de poupança? As teorias macroeconômicas responderão de forma
diversa a esta pergunta.
Referências
CANO, Wilson. Introdução à Economia: uma abordagem crítica. São Paulo: Unesp,
2012.
COMMONS, John R. Institutional Economics. In: American Economic Review, vol.21,
p.648-657, 1931.
NORTH, Douglass. Structure and Change in Economic History. New York: Norton,
1981.
NORTH, Douglass. Institutions, Institutional Change and Economic Performance.
Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
NORTH, Douglass. Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econômico. São
Paulo: Três Estrelas, 2018 [1990].
NUSDEO, Fábio. Curso de Economia: introdução ao Direito Econômico. 8ª edição. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014.
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SALLES, Alexandre Ottoni Teatini; PESSALI, Huáscar Fialho; FERNÁNDEZ, Ramón
Garcia. (orgs.) Economia Institucional: fundamentos teóricos e históricos. São Paulo:
Editora Unesp, 2017.
VEBLEN, Throstein. Why is Economics not an Evolutionary Science. In: __________.
The Place of Science in Modern Civilization and Other Essays. New York: Russel &
Russel, 1961[1898].
VEBLEN, Thorstein. The Beginnings of Ownership. American Journal of Sociology, v.4,
n.3, November, p.352-365, 1898.
VEBLEN, Thorstein. A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das instituições.
São Paulo: Nova Cultural, 1988 [1899].
TAREFAS DA SEMANA
Esses passos ajudarão a consolidar o conteúdo desta aula, além de prepará-lo(a) para a
próxima semana de aprendizado.
1º passo: Exercícios ao final deste PDF.
2º passo: Leitura para a aula 4.
CANO, Wilson. Introdução à Economia: uma abordagem crítica. São Paulo: Unesp,
2012. Capítulo 3, p.65-82.
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EXERCÍCIOS DA AULA 3
1. No fluxo circular da renda, temos um fluxo _______________, no qual circulam a
remuneração dos fatores de produção e o pagamento pelos bens e serviços, e um fluxo
real, no qual circulam _______________, _______________ e _______________.
2. Explique a relação entre produto, investimento e taxa de juros.
3. Observe a tabela abaixo. Qual valor do produto gerado nessa economia?
Resposta:_______________________________________________________________
Pagamentos a fatores
Atividades Gastos com insumos Valor das vendas
de produção
Vitícola 20 30 50
Vinícola 50 70 120
Loja de vinhos 120 50 170
Gastos e vendas totais 190 150 340
4. Diga se as afirmativas são verdadeiras ou falsas:
( ) A função de produção reflete o lucro líquido das empresas que empregam
recursos produtivos.
( ) A contratação de recursos produtivos possui uma contrapartida monetária,
gerando um fluxo nominal de renda.
( ) A equação “S = I” significa que somente é possível investir (I) se houver uma
poupança (S) preexistente.
( ) Deduz-se os insumos do valor bruto da produção para evitar a dupla contagem
no cálculo do produto.
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GABARITO
1. No fluxo circular da renda, temos um fluxo real, no qual circulam a remuneração dos
fatores de produção e o pagamento pelos bens e serviços, e um fluxo real, no qual
circulam bens, serviços e fatores de produção.
2. Explique a relação entre produto, investimento e taxa de juros.
O capital possui dois tipos de remuneração, através dos juros e através dos lucros. O juro
é a remuneração do capital de terceiros e o lucro é a remuneração do capital próprio
empregado na produção. Esse capital empregado na produção contrata e remunera fatores
de produção, gerando renda (Y), e produz bens e serviços, gerando produto (P). Quando
o recurso monetário necessário para colocar em curso a produção é de terceiros, estes
devem ser remunerados com um juro sobre o capital emprestado. Deste modo, o
investimento na produção gera um produto (bens e serviços) e uma renda (remuneração
dos fatores de produção. A decisão de investimento deve considerar a taxa de lucro
esperada e a taxa de juros, em que o investimento na produção somente será realizado
caso a taxa de lucro esperada seja superior à taxa de juros.
Atenção! Note que enquanto a taxa de juro é ex ante, sendo uma relação contratual entre
o capitalista que empresta o recurso e o capitalista que organiza a produção, a taxa de
lucro é um retorno esperado sobre o capital empregado na produção, sendo um resultado
ex post que pode se realizar ou não.
3. Observe a tabela abaixo. Qual valor do produto gerado nessa economia?
Resposta: O produto (P) da economia será dado pelo valor bruto da produção (VBP), ou
valor das vendas, deduzido dos gastos com insumos.
P = VBP – insumos
P = 340 – 190 = 150
* Note que o valor do produto é igual ao valor dos pagamentos a fatores de
produção (renda). Daí a identidade macroeconômica: Produto = Renda
P=Y
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4. Diga se as afirmativas são verdadeiras ou falsas:
(F) A função de produção reflete o lucro líquido das empresas que empregam recursos
produtivos.
(V) A contratação de recursos produtivos possui uma contrapartida monetária, gerando
um fluxo nominal de renda.
(F) A equação “S = I” significa que somente é possível investir (I) se houver uma
poupança (S) preexistente.
(V) Deduz-se os insumos do valor bruto da produção para evitar a dupla contagem no
cálculo do produto.
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