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Protesesobreimplante Capitulo3

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O segundo capítulo do Curso

abordou o tema "Considerações oclusais


em prótese sobreimplante". Em continuidade
ao assunto, o terceiro capítulo discutirá, nesta edição,
a "Prótese sobreimplantes no segmento posterior”.
Prótese sobreimplantes
no segmento posterior César Augusto Arita*

REFERENCIAIS ESTÉTICOS E FUNCIONAIS - DIRETRIZES BÁSICAS REFERÊNCIAS E PARÂMETROS OCLUSAIS –


IMPORTÂNCIA DO ENCERAMENTO DE DIAGNÓSTICO
O planejamento protético para colocação de implan-
tes em segmentos posteriores exige toda atenção e capri- Referenciais oclusais e estéticos da futura prótese
cho por parte do profissional face às exigências funcionais devem ser antecipados através do enceramento de diag-
e detalhes oclusais que envolvem a restauração protética. nóstico, evitando que procedimentos protéticos sejam de-
Em consideração ao tema, talvez fosse o segmento cididos somente depois da instalação dos implantes (Fi-
posterior melhor definido como área de carga e o segmen- guras 1a, 1b, 1c e 1d). O primeiro postulado acima citado,
to anterior como área estética. Porém, ao se abordar a colo- “O implante instalado não pode impedir a posterior confecção
cação de implantes em área de carga, o planejamento deve da peça protética por qualquer motivo” – destaca a importân-
ser abrangente tanto do ponto de vista funcional quanto do cia da participação do protesista no planejamento inicial
ponto de vista estético, em razão do envolvimento das fa- através da análise oclusal. Este será responsável na con-
ces vestibulares de pré-molares e molares superiores no sor- dução do caso antes – restabelecendo referenciais e parâ-
metros oclusais através da prótese pré-implante – e de-
PRÓTESE SOBREIMPLANTE

riso do paciente. Sendyk, Sendyk24 (2002) estabeleceram


quatro postulados que ajudam, sobremaneira, na orienta- pois da instalação dos implantes quando cumprir o perío-
ção do planejamento protético: do necessário para a osseointegração – confeccionando a
1. O implante instalado não pode impedir a posterior con- prótese sobreimplante propriamente dita.
fecção da peça protética por qualquer motivo.
2. Os implantes osseointegrados devem estar sempre imóveis. A
3. Os implantes não devem apresentar dor ou desconforto.
4. O tecido ósseo ao qual se prendem deve permanecer es- Figuras 1a - Enceramento de diagnóstico
da arcada inferior com dispositivo de
tável através do tempo. Passadore para o restabelecimento do
plano oclusal; 1b - Mesmo dispositivo
As expectativas do paciente que o motivam a reali- reproduzindo na prótese definitiva os
zar o tratamento com implantes osseointegrados são da referenciais determinados na fase inicial;
1c - Vista oclusal da peça terminada;
mais variada ordem mas, tecnicamente, pode-se centrali- 1d - Vista anterior da peça em posição.
(TPD Daniela Moro)
zar no conforto em relação às próteses mucossuportadas
B
e, até mesmo, a possibilidade de se ter elementos indivi-
duais em lugar de pônticos de próteses fixas. Independente
do motivo apresentado, quais seriam as diretrizes que o
protesista deve seguir em seus planejamentos? Como se
tornar um profissional referidor de implantes e participar
ativamente do planejamento dos casos clínicos? Como se-
lecionar o sistema de implantes mais indicado a cada caso C D

em questão? Como orientar o técnico na confecção de suas


próteses sobreimplantes? Como incorporar a excelência
em seus trabalhos de reabilitação oral, seja em dentes na-
turais ou em implantes? Estas são algumas das questões
que serão abordadas neste capítulo.

* ITI speaker, mestre e doutor em Reabilitação Oral e professor do curso de Especialização de Implantes da Aorp - Associação Odontológica de Ribeirão Preto.

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REFERENCIAIS CLÍNICOS – ESCALA DE VALORES DE -10 ATÉ 10 Como regra de excelência, “O implante deve ser o pro-
longamento de um dente encerado, e não o contrário”. Deve-se
A reabilitação sobreimplante na região posterior en- determinar o local do centro do implante, mantendo-o em
volve conhecimentos de ordem funcional, estética e suas res- uma zona de conforto, ou seja, a uma distância de 2,5 mm da
pectivas limitações anatômicas. Estabelece-se que esta fase raiz do dente adjacente e de 3,0 mm de outro implante. Des-
inicial seja qualificada em preparar o paciente até o estágio ta forma, cabe ao protesista fazer o projeto das futuras raízes
“zero”, partindo-se de uma escala de -10 até o 10 (Tabela 1). e/ou pônticos, mantendo estes valores mínimos e adaptan-
do-os, da melhor maneira, ao espaço a ser reabilitado. Ter-
TABELA 1 - ESCALA DE VALORES DE -10 ATÉ 0 E DE 0 ATÉ 10, minada esta etapa, perfura-se o guia no centro dos dentes
ONDE SE DISTRIBUI OS DIFERENTES PROCEDIMENTOS ENVOLVIDOS
EM REABILITAÇÃO ORAL planejados e prende-se material radiopaco da espessura de
0,7 mm (fio ortodôntico ou guta-percha), obedecendo a in-
clinação protética ideal. Toma-se uma radiografia periapical
para determinar se a angulação mesiodistal em estudo não
implica em riscos para raízes de dentes adjacentes (Figuras
3a, 3b, 3c e 3d) podendo-se, nesta etapa, testar novas incli-
nações através da modificação do material radiopaco.

Uma vista do caso clínico ilustrado na Figura 2, pode


classificá-lo em um estágio de -10, face à falta de parâme-
tros oclusais que necessitam ser restabelecidos para o pos-

PRÓTESE SOBREIMPLANTE
A B
terior planejamento da prótese sobreimplante.

Figura 2 - Vista
anterior de um caso
clínico que necessita C D
do restabelecimento Figuras 3a - Guia radiográfica para avaliação da inclinação mesiodistal que deve-
de parâmetros oclu- rá ser instalado o implante; 3b - Tomada radiográfica periapical mostrando a traje-
sais básicos que tória em estudo; 3c - Modificação da trajetória para desviar da raiz inclinada; 3d -
servirão de referên- Implantes posicionados de acordo com a guia radiográfica/cirúrgica. (Caso clínico
cia para o planeja- realizado no curso de Especialização de Implantodontia)
mento da prótese
sobreimplante.
Esta mesma guia poderá servir de parâmetros vestíbulo-
lingual ao ser utilizada em exames de tomografia computadori-
Nesta etapa – a cargo do protesista – devem-se recu- zada. A sua localização, em cortes coronais, dará informações
perar os referenciais oclusais e parâmetros neuromuscula- precisas ao cirurgião sobre a inclinação vestíbulo-lingual do
res, restabelecer a dimensão vertical e a posição maxiloman- implante planejado pelo protesista, as dimensões ósseas deste
dibular de referência (relação cêntrica) e promover o ence- local (possibilitando o cálculo do diâmetro ideal do implante)
ramento de diagnóstico nestas novas condições. A substi- bem como indicar a presença de acidentes anatômicos e re-
tuição por próteses temporárias pré-implantes darão no- giões nobres do ponto de vista cirúrgico (Figuras 4a e 4b).
vos parâmetros neuromusculares ao paciente e ter-se-á mais
A
tempo para uma resposta adaptativa a esta nova condição.
Também neste estágio, através do enceramento de diag-
nóstico, o protesista deve definir os sítios potenciais para a
colocação de implantes, preparando a guia radiográfica/to-
mográfica e a guia cirúrgica. O posicionamento dos implan-
tes deve respeitar as limitações anatômicas (a serem estu-
dadas posteriormente junto com o cirurgião) de ordem ge-
Figuras 4a - Guia tomográfico com material radio-
ral - como a densidade óssea - e de ordem específica - loca- gráfico em posição, reproduzindo a inclinação dese-
jada do implante para estudo tomográfico; 4b -
lização do canal mandibular e loja da glândula submandi- Corte coronal localizando o material radiopaco.
bular, no caso da mandíbula e a parede do seio maxilar no Nota-se que a posição planejada inicialmente deve-
B
rá ser modificada no ato de instalação do implante.
caso de implantes em maxila.

V. 3 | No 4 | Julho • Agosto | 2006 337 |


PRÓTESES CIMENTADAS X PARAFUSADAS O uso de próteses parafusadas está indicado para re-
gião posterior, desde que se leve em consideração a localiza-
Em segmentos posteriores, o enceramento de diagnós- ção do orifício oclusal de acesso e os contatos oclusais a serem
tico permite ao protesista ter uma idéia do tipo de prótese que restabelecidos. O exemplo clínico da Figura 7 mostra o orifício
utilizará – cimentada ou parafusada – antes da cirurgia de ins- de acesso fora do ponto de contato oclusal a ser restabelecido.
talação do implante. Misch18 (1995) definiu ser a prótese ci-
mentada uma modalidade de eleição em dentes posteriores,
face às facilidades de obtenção de assentamento com passivi-
dade e por seus procedimentos se assemelharem sobrema-
neira àqueles adotados em próteses em dentes naturais.
Em relação à oclusão, ainda outras vantagens são Figura 7 - Vista
oclusal de coroa
muito importantes – uma melhor distribuição de forças oclu- unitária sobreim-
plante – Nota-se a
sais ao longo eixo do implante, possibilitando o estabeleci- localização do orifí-
mento de contatos oclusais diretamente sobre a coroa e não cio de acesso fora
da área de contato
sobre resina de obturação do orifício oclusal (presente em funcional.
próteses parafusadas). Este orifício, por sinal, também se
constitui em uma área de risco de fratura da porcelana, uma Uma das principais indicações para as próteses para-
vez que há bordos do material sem apoio da infra-estrutura fusadas se reside em casos clínicos onde há espaço protético
metálica subjacente. Além disso, a área ocupada por este limitado verticalmente. Outra vantagem é a facilidade de re-
orifício oclusal preenche aproximadamente 33% da área moção e manutenção em relação às próteses cimentadas.
funcional de um dente posterior (Figura 5).
ESCOLHA DE IMPLANTE IDEAL EM REGIÕES POSTERIORES –
PRÓTESE SOBREIMPLANTE

CARACTERÍSTICAS, VANTAGENS E LIMITAÇÕES


As forças oclusais em próteses sobreimplantes age
em dois locais específicos: bic – interface osso-implante - e
interface abutment-implante. Diferente da resposta de amor-
Figura 5 - Esquema tecimento do ligamento periodontal - presente nos dentes
oclusal mostrando
contatos oclusais naturais – os implantes apresentam respostas distintas frente
funcionais em pró- à presença de um trauma oclusal:
teses cimentadas e
os locais do orifício • Ausência de hiperemia, de dor e de sinais radiográficos
de acesso oclusal
de próteses parafu- imediatos.
sadas20. • Quando presentes, as alterações ósseas são de caráter ir-
reversível.
Em uma coroa sobreimplante mandibular, por exem- Pode-se afirmar que, ao contrário dos dentes naturais,
plo, na região de primeiro molar, a área de contato oclusal os implantes foram projetados para receber próteses. Isto faz
principal (fundo de fossa) será inutilizada caso se lance mão com que o protesista tenha múltiplas opções ao escolher o
de uma prótese parafusada. Ademais, a compensação atra- melhor tipo de implante para cada caso em questão. No se-
vés do deslocamento do contato oclusal principal para sua tor posterior, face ao envolvimento com forças oclusais, o
cúspide de contenção cêntrica (vestibular) deve ser evitada, protesista deve participar ativamente da escolha do sistema
pois pode gerar uma carga fora do centro do implante, per- de implantes. Isto se deve a características específicas ine-
mitindo a formação da força-momento (Figura 6). rentes a cada um deles, que o levarão a adotar esquemas oclu-
sais distintos nos procedimentos reabilitadores.

Figura 6 - Esquema
mostrando os con-
HEXÁGONO EXTERNO
tatos oclusais pri-
mários ao longo
eixo do implante. Originalmente, o hexágono externo foi concebido
O deslocamento para adaptar o monta-implante e inserir o implante no al-
deste contato primá-
rio para as cúspides véolo cirúrgico. Constitui-se em um sistema de sucesso e
de contenção cêntri-
ca promoverá o de- mundialmente consagrado. As próteses confeccionadas so-
senvolvimento da bre este sistema devem, obrigatoriamente, apresentar duas
força-momento20.
características: passividade e elementos unidos3,12,18. Em pró-

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tese sobreimplante no segmento posterior, ao se adotar o
sistema clássico de hexágono externo, algumas regras são
fundamentais na confecção de coroas protéticas:
• Estrutura metálica com assentamento passivo.
• Elementos sempre unidos.
• Número ideal de três implantes (para formação de polí-
gonos de estabilização).
• Mesas oclusais reduzidas no sentido vestíbulo-lingual.
• Cúspides baixas (Figura 8). Figura 10 - Situação crítica de reabilita-
ção posterior em elemento unitário. Po-
tencial de formação da força momento
nos sentidos tanto vestíbulo-lingual
quanto mesiodistal22.

Esta força-momento costuma atuar na interface im-


plante-abutment e pode ser traduzida em fratura e afrouxa-
B mento de parafuso de retenção, fato este mais comum em
Figuras 8a - Vista oclusal de prótese implantes de conexão hexagonal externa7. A razão para este
sobreimplante em sistema de hexágono
externo. Nota-se a mesa oclusal mais
tipo de implante apresentar maior fragilidade nesta área está
A
estreita e as cúspides oclusais mais na necessidade paradoxal de as sobreestruturas apresenta-
baixas; 8b - Vista vestibular.
rem assentamento passivo e função anti-rotacional simul-
Na instalação cirúrgica dos implantes, a ligeira dife- taneamente. Por outro lado, Möllersten et al21 (1997) obser-
rença da inclinação dos implantes faz-se benéfica, uma vez varam que a capacidade de suportar cargas horizontais está

PRÓTESE SOBREIMPLANTE
que um polígono poderá ser originado para uma melhor diretamente relacionada com o tipo de conexão implante-
estabilidade (Figuras 9a, 9b e 9c). abutment; de forma que, quanto maior a sobreposição das
suas superfícies internas, maior será sua resistência a car-
A gas horizontais e, conseqüentemente, menor a transferên-
cia destas sobre o parafuso de retenção.
Deste modo, a fim de controlar o efeito das forças
oclusais sobre as conexões protéticas, características restau-
B radoras específicas foram estabelecidas para cada tipo de
C conexão. Assim, em elementos unitários, o protesista po-
derá optar também por outros sistemas, aproveitando as
vantagens e limitações inerentes a cada um deles.

CONEXÃO TIPO FITTING-JOINT


Figuras 9a - Vista anterior de três implantes no momento da instalação. Nota-se a
ligeira divergência vestíbulo-lingual benéfica. (Caso clínico do curso de Especializa- Originalmente criada por marcas conhecidas no mer-
ção em Implantodontia – EAP - Aorp); 9b - Desenho esquemático da inclinação
vestíbulo-lingual; 9c - Formação de um polígono a partir de três implantes. cado internacional (Astra, Dentsply-Friadent e Straumann),
este tipo de conexão, também conhecida como Cone-Mor-
ELEMENTO UNITÁRIO EM SEGMENTO POSTERIOR se, apresenta maior capacidade de suportar cargas horizon-
tais, pois possuem uma maior sobreposição de superfícies
A reabilitação sobreimplante em elemento unitário entre o implante e o abutment, confirmando os achados de
posterior mostra características oclusais bem criteriosas. Os Möllersten et al21 (1997) Figuras 11a e 11b.
implantes respondem favoravelmente às cargas axiais, in- Corriqueiramente, este tipo de conexão é uma das
dependente do tipo de conexão implante-abutment. Este tipo mais utilizadas e preferidas na engenharia industrial, espe-
de carga é transferido para a região intra-óssea, sendo dis- cialmente onde transferências de grandes esforços são re-
tribuída homogeneamente sobre suas espiras sem prejuí- quisitadas. Alguns exemplos são vistos em arquitetura, au-
zos ao sistema de prótese. Porém, devido ao fato da área de tomóveis e aviões. A conexão cônica tem um design preciso
superfície do dente perdido ser maior do que o implante a que, durante a instalação do abutment junto ao implante,
ser instalado - principalmente em sua plataforma de as- promove uma íntima adaptação entre as superfícies sobre-
sentamento – a possibilidade de originar força-momento postas. Como nenhum microgap existe entre os dois com-
no sentido tanto mesiodistal quanto vestíbulo-lingual é ponentes, o abutment apresenta uma maior resistência aos
muito grande22 (Figura 10). movimentos rotacionais. Soma-se a isto a diminuição de

V. 3 | No 4 | Julho • Agosto | 2006 339 |


pontos de tensão, especialmente sobre o parafuso de re- • Nenhum tipo de infra-oclusão.
tenção, cuja função fica restrita a produzir um apertamento • Possibilidade de guia canino.
final adequado entre o implante e o abutment. • Próteses preferencialmente cimentadas, como em dentes
naturais.
A
MOLDAGEM EM PRÓTESE SOBREIMPLANTE
EM SEGMENTO POSTERIOR

A moldagem em prótese sobreimplante é o tipo de


B
moldagem mais precisa que existe, face aos elementos dispo-
níveis para este procedimento e pelo implante permanecer cli-
nicamente imóvel. A característica da passividade das sobre-
estruturas protéticas é influenciada sobremaneira por detalhes
Figura 11a - Componente SynOcta (Straumann CO) para prótese parafusada em posi- envolvidos na moldagem e nos elementos a ela relacionados.
ção; 11b - Vista esquemática deste componente. Nota-se a inclinação do Cone-Morse.
Existem dois tipos de moldagem na prótese sobre-
A alta estabilidade mecânica obtida por este tipo de implante – preliminar e de trabalho. Na moldagem preli-
conexão implante-abutment permite reproduzir, de uma minar, transfere-se o posicionamento do implante ao mo-
maneira mais próxima possível, as características naturais delo de estudo por meio de transferentes indiretos. Estes
inerentes à anatomia e à oclusão de um dente natural. Não transferentes possuem o formato cônico, são expulsivos e
existe a necessidade de emprego de modificações oclusais apresentam uma face biselada (Figuras 13a, 13b e 13c) o
específicas da superfície oclusal, tampouco o uso obrigató- que permite o seu correto posicionamento dentro da mol-
PRÓTESE SOBREIMPLANTE

rio de elementos unidos em polígono27. dagem após sua remoção da boca e da sua montagem jun-
Esta possibilidade de restaurações individuais permite to à réplica do implante.
altura e inclinações cuspídeas naturais limitadas apenas
pelos determinantes mandibulares e alinhamento estético A Figuras 13a - Transferentes indiretos
(Figuras 12a e 12b). posicionados sobre a cabeça do implan-
te; 13b - Radiografia periapical mos-
trando desadaptação de um dos transfe-
rentes; 13c - Radiografia periapical
A B mostrando os transferentes adaptados
corretamete. (Caso clínico do curso de
Aperfeiçoamento Profissional em Reabi-
litação Oral - Aorp)

Figuras 12a - Vista vestibular de prótese unitária sobreimplante (elemento 26);


12b - Vista oclusal – Nota-se a morfologia oclusal muito próxima daquela apresen-
tada por um dente natural, resultado este possível face à estabilidade deste tipo de
interface implante-abutment. (TPD Daniela Moro) B C

O efeito da força-momento sobre o parafuso de re- Recomenda-se, antes de vazar o gesso pedra me-
tenção é nulo, face à já citada sobreposição interna dos com- lhorado, a colocação de silicone apropriado para con-
ponentes. fecção da gengiva elástica, elemento este que facilita so-
Em caso de elemento unitário em região de canino, o bremaneira a visualização dos bordos do implante e a
guia canino pode ser restabelecido sobre o implante, face remoção do transferente após sacar o modelo. Este mo-
às características deste tipo de conexão. delo preliminar tem funções importantes. Pode-se se-
Basicamente, seguindo o rigoroso critério de oclusão, lecionar o componente protético transmucoso adequa-
observam-se características comuns entre implantes de alta do (evitando a necessidade de manter em estoque estes
estabilidade mecânica e dentes naturais27: elementos), visualizar o espaço protético, confirmar o
• Superfície oclusal com dimensões naturais ou próximas tipo de prótese anteriormente planejado, servir de base
destas. para união dos transferentes diretos em duralay (aten-
• Contornos cuspídeos naturais que garantam contatos ção a este item!) e confecção de moldeira individual com
oclusais estáticos dos tipos A, B e C. alívio adequado e uniforme do material de moldagem.
• Cúspides com angulações normais, respeitando aos de-
terminantes da oclusão.

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MATERIAIS DE MOLDAGEM – CARACTERÍSTICAS A técnica para esta segunda moldagem, conforme
DE INTERESSE CLÍNICO será descrito logo abaixo, permite a união destes transfe-
rentes com resina acrílica do tipo duralay ou pattern resin.
Até hoje, nenhum material de moldagem foi consi- Esta união, teoricamente, reforçaria a imobilização dos
derado completamente acurado23,2,10,16,15. Existem quatro ca- transferentes diretos. Porém, deve-se prestar atenção para
tegorias de material de moldagem elástico – polissulfeto, que a contração da resina não faça com que os implantes
silicona de condensação, silicona de adição e poliéter – dis- ou os componentes se movam tanto na boca quanto no in-
poníveis para os procedimentos de moldagem em prótese terior do material de moldagem antes de se vazar o gesso.
sobreimplante. O conhecimento de duas propriedades es-
pecíficas dos materiais de moldagem – quantidade de de- ALTERAÇÕES DIMENSIONAIS
formação permanente e alterações dimensionais são fun-
damentais para a execução clínica da prótese sobreimplan- Todos os materiais elásticos para moldagem se con-
te e a obtenção de fundições de estruturas passivas19. traem uma vez removidos da boca e este índice de contra-
ção não é uniforme. Como aproximadamente metade da
DEFORMAÇÃO PERMANENTE contração ocorre durante a primeira hora após a remoção
da boca, como regra geral, deve-se procurar vazar as mol-
A Tabela 2 aponta para uma deformação perma- dagens logo de imediato. A exceção a esta regra são as sili-
nente de 3% para os materiais a base de polissulfeto e conas de adição, muito estáveis, não apresentando altera-
de 0,07% para a silicona de adição 13,26,8. Esta proprieda- ções dimensionais por vários meses9 . Em relação ao polié-
de é muito importante em prótese sobreimplante, pois ter, convém lembrar que são hidrófilos e não devem ser ar-
um índice de 60% de deformação pode ocorrer quando mazenados neste meio. O estudo da tabela mostra que as

PRÓTESE SOBREIMPLANTE
uma moldagem elastomérica é removida de estruturas siliconas de condensação apresentam uma alteração dimen-
que tenham retenções de 1 mm de altura e profundida- sional superior a 0,5%, podendo originar supra-estruturas
de 14. O material se distorce e se afasta da retenção, mas menos acuradas, o que corresponde maior trabalho clínico

TABELA 2 - PROPRIEDADES DOS MATERIAIS DE MOLDAGEM

pode não retornar a sua posição original próximo ao para sua adaptação. Desta maneira deve-se evitar o uso deste
pino do transferente indireto. Os transferentes indire- tipo de material nas próteses sobreimplantes.
tos permanecem na boca após a remoção da moldagem, Apesar de os polissulfetos apresentarem valores que
e são repostos na moldagem após conectá-los aos res- são a metade das siliconas de condensação (0,22%), estes
pectivos análogos dos implantes. Desta forma, o orifí- valores permitem sua utilização neste tipo de trabalho. Po-
cio receptor para o conjunto transferente indireto-aná- rém, este material continua a se contrair dramaticamente
logo do implante pode ser maior que a dimensão origi- após 24 horas – recomenda-se, veementemente, que se vaze
nal, gerando um fator de erro no posicionamento da o modelo logo após a moldagem. A menor quantidade de
réplica neste modelo inicial. Além disso, a possibilidade alteração dimensional fica registrada para as siliconas de
da presença de bolhas no interior deste orifício e a vibra- adição (0,06%) e o poliéter (0,1%), sugerindo-se a eleição
ção ao vazar o gesso podem influenciar sobremaneira na por estes tipos de material para a moldagem de trabalho de
obtenção de um modelo que reproduza fielmente a po- prótese sobreimplante9,17. A técnica da moldagem única com
sição do implante. Justifica-se, nesta propriedade, a ne- silicona de adição mostra bons resultados para sistemas de
cessidade de um refino com a moldagem de trabalho, implantes cujos componentes não precisam ser unidos com
empregando transferentes diretos e sacando-os junto resina acrílica e são encaixados no ombro do implante
com a moldagem. Estes permanecem em posição até a (exemplo: Straumann Dental Implant System) Figuras 14a
obtenção do modelo de trabalho, eliminando assim, dois e 14b. Já o poliéter, face a sua viscosidade, se enquadra bem
fatores que podem influenciar na alteração do correto na moldagem de sistemas de implantes que necessitam unir
posicionamento do implante 5,1,4,6,11. seus transferentes diretos com resina acrílica.

V. 3 | No 4 | Julho • Agosto | 2006 341 |


A B Esta uniformidade de espessura é muito importan-
te, pois a contração volumétrica após a remoção da mol-
dagem não é uniforme. Muito importante também é a
aferição radiográfica dos transferentes antes da molda-
gem, quando houver dúvida do seu correto assentamen-
to. Fatores outros não menos importantes deverão ser
Figuras 14a - Transferentes diretos que não necessitam união de resina acrílica; considerados e respeitados: proporção água-pó correta
14b - Moldagem com silicona de adição pela técnica de fase única. Nota-se o trans-
ferente sacado junto à moldagem e o uso de moldeira convencional. do gesso, manipulação da cera e desenho das sobrees-
truturas, fundição, união de soldagem e aplicação da por-
MOLDAGEM DE TRABALHO celana. Estes fatores são muito importantes e as literatu-
ras pertinentes ao assunto são recomendadas19,20.
Uma vez definido os pilares protéticos e instalados
na boca, dá-se início aos procedimentos de moldagem de AJUSTE OCLUSAL
trabalho. Nesta fase, utilizar-se-ão componentes de trans-
ferência direta que, como o próprio nome diz, serão saca- Para o assentamento final das peças protéticas em
dos diretamente com a moldagem. Estes transferentes são segmento posterior, pode-se imaginar uma situação muito
também conhecidos como transfers quadrado ou de mol- corriqueira – peças posteriores sobreimplantes junto com
deira aberta. Eles permitem a união entre si com resina acrí- elementos dentários naturais (Figuras 16a e 16b). O com-
lica tipo duralay ou patern resin, por sobre uma malha en- portamento clínico diferente dos implantes e dos dentes
trelaçada de fio dental, de forma que permaneçam unidos e naturais frente às cargas oclusais remete o protesista aos
transfiram fielmente a posição dos implantes para o mode- fundamentos de fisiologia oral e oclusão nos procedimen-
PRÓTESE SOBREIMPLANTE

lo de trabalho. Clinicamente podem ser unidos diretamen- tos de ajuste oclusal. Descreve-se, no sentido vertical, dois
te nos implantes, mas face à contração do acrílico (sempre tipos de mobilidade: clínica e fisiológica20.
manipulado com excesso de líqüido), recomenda-se sua Dentes:
união no modelo preliminar25. Após polimerizado, separa- • Mobilidade clínica: nula
se com disco esta união e para então uni-los de novo, dire- • Mobilidade fisiológica: 28 µm
tamente na boca, fato este que reduz a quantidade de acrí- Implantes:
lico e, por suposto, a sua interferência na posição dos im- • Mobilidade clínica: nula
plantes (Figuras 15a e 15b). • Mobilidade fisiológica: 5 a 7 µm

A B

A
Figuras 16a - Vista oclusal do modelo, onde um implante em dente posterior está
Figuras 15a - Vista vestibular de trans-
cercado por dentes naturais; 16b - Contatos oclusais no refinamento, mostrando
ferentes indiretos a serem novamente
contatos mais acentuados em dentes e menos acentuados sobre o implante. (TPD
unidos com menor quantidade de resina
César Simões Azenha)
acrílica; 15b - União dos transferentes
diretamente na boca. Nota-se a pouca
quantidade de resina acrílica utilizada
nesta segunda união. Devido à ausência de qualquer mobilidade nos mo-
B delos de gesso, as peças protéticas nele esculpidas e ajus-
tadas devem sofrer modificações finais diretamente na
Ainda em relação às propriedades da resina acrí- boca do paciente, sob o risco de as peças protéticas fica-
lica, a confecção da moldeira individual deve obedecer rem ligeiramente mais “altas”. A mobilidade fisiológica
a um tempo para sua distorção antes de ser utilizada dos dentes seria responsável por este quadro clínico, pro-
para a moldagem. A utilização de moldeira de plástico movendo desconforto ao paciente e sobrecarga nas pe-
e a sua perfuração no local dos transferentes diretos ças sobreimplantes. Desta forma, o ajuste oclusal das
pode ser uma opção em casos emergenciais, pois a mol- peças sobreimplantes exige este refinamento diretamente
deira individual permite uma maior uniformidade na na boca do paciente. Descrevem-se, a seguir, os procedi-
espessura do material de moldagem, bem como maior mentos de ajuste e refinamento oclusal em peças sobre-
controle sobre os bordos da moldeira. implantes em segmento posterior.

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REFINAMENTO OCLUSAL EM FECHAMENTO CÊNTRICO prezar por obter contatos de uma cor apenas, caracterizando
contatos regulares obtidos após a intrusão ligeira e momentâ-
Parte 1. No ato de fechamento cêntrico leve, apenas os dentes nea dos dentes naturais adjacentes.
naturais devem contactar. Percebe-se isto com o uso de uma
folha de carbono accu-film (Parkel) e o deslizamento passivo DISCUSSÕES E CONCLUSÕES
desta nas próteses sobreimplantes. Qualquer contato nas pró-
teses sobreimplantes nesta fase inicial deve ser removido. O uso de implantes osseointegrados na reabilitação de
segmentos posteriores é a grande opção de tratamento, quan-
Parte 2. Uma vez concluída a análise dos contatos em fecha- do comparado às alternativas de próteses convencionais, es-
mento leve, inicia-se a parte 2 do ajuste oclusal, que se constitui pecialmente no aspecto das próteses mucossuportadas e tam-
em pedir para o paciente ocluir os dentes e apertá-los vertical- bém na prevenção de atrofias ósseas decorrentes da ausência
mente (mordida pesada). Face à mobilidade vertical fisiológica dos elementos dentais e da ação do fator tempo. Porém, trata-
dos dentes naturais, este estágio buscará contatos tanto em den- se de um plano de tratamento complexo, no qual envolve uma
tes naturais quanto na prótese sobreimplante. Diferenças de série de disciplinas clínicas e de matérias básicas; exigindo do
cores serão os guias de interpretação – como este tipo de carbo- profissional uma formação interdisciplinar. O conhecimento
no possui dupla face em cores diferentes, os dentes naturais da oclusão em dentes naturais e da diferença de resposta dos
apresentarão, normalmente, contatos em duas cores e a prótese implantes frente a cargas oclusais em excesso aumenta a res-
sobreimplante, contatos em uma cor. A razão desta composição ponsabilidade de quem a pratica. A perfeita simbiose protesis-
de cores está na intensidade de mordida, sendo que na mordida ta-cirurgião é uma condição sine qua non na obtenção de re-
pesada (sobre os dentes naturais), haverá, por suposto, a perfu- sultados de excelência. Não se pode esgotar o assunto, nem
ração da folha de carbono, passando a cor da camada subjacen- tampouco era a premissa deste capítulo, sugerindo-se ao lei-

PRÓTESE SOBREIMPLANTE
te para a camada em contato com os dentes – o que resulta em tor um estudo detalhado de livros e a interação com bases de
contatos de duas cores. Já na prótese sobreimplante, deve-se sua experiência e tópicos de disciplinas interligadas.

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