Protesesobreimplante Capitulo3
Protesesobreimplante Capitulo3
* ITI speaker, mestre e doutor em Reabilitação Oral e professor do curso de Especialização de Implantes da Aorp - Associação Odontológica de Ribeirão Preto.
PRÓTESE SOBREIMPLANTE
A B
terior planejamento da prótese sobreimplante.
Figura 2 - Vista
anterior de um caso
clínico que necessita C D
do restabelecimento Figuras 3a - Guia radiográfica para avaliação da inclinação mesiodistal que deve-
de parâmetros oclu- rá ser instalado o implante; 3b - Tomada radiográfica periapical mostrando a traje-
sais básicos que tória em estudo; 3c - Modificação da trajetória para desviar da raiz inclinada; 3d -
servirão de referên- Implantes posicionados de acordo com a guia radiográfica/cirúrgica. (Caso clínico
cia para o planeja- realizado no curso de Especialização de Implantodontia)
mento da prótese
sobreimplante.
Esta mesma guia poderá servir de parâmetros vestíbulo-
lingual ao ser utilizada em exames de tomografia computadori-
Nesta etapa – a cargo do protesista – devem-se recu- zada. A sua localização, em cortes coronais, dará informações
perar os referenciais oclusais e parâmetros neuromuscula- precisas ao cirurgião sobre a inclinação vestíbulo-lingual do
res, restabelecer a dimensão vertical e a posição maxiloman- implante planejado pelo protesista, as dimensões ósseas deste
dibular de referência (relação cêntrica) e promover o ence- local (possibilitando o cálculo do diâmetro ideal do implante)
ramento de diagnóstico nestas novas condições. A substi- bem como indicar a presença de acidentes anatômicos e re-
tuição por próteses temporárias pré-implantes darão no- giões nobres do ponto de vista cirúrgico (Figuras 4a e 4b).
vos parâmetros neuromusculares ao paciente e ter-se-á mais
A
tempo para uma resposta adaptativa a esta nova condição.
Também neste estágio, através do enceramento de diag-
nóstico, o protesista deve definir os sítios potenciais para a
colocação de implantes, preparando a guia radiográfica/to-
mográfica e a guia cirúrgica. O posicionamento dos implan-
tes deve respeitar as limitações anatômicas (a serem estu-
dadas posteriormente junto com o cirurgião) de ordem ge-
Figuras 4a - Guia tomográfico com material radio-
ral - como a densidade óssea - e de ordem específica - loca- gráfico em posição, reproduzindo a inclinação dese-
jada do implante para estudo tomográfico; 4b -
lização do canal mandibular e loja da glândula submandi- Corte coronal localizando o material radiopaco.
bular, no caso da mandíbula e a parede do seio maxilar no Nota-se que a posição planejada inicialmente deve-
B
rá ser modificada no ato de instalação do implante.
caso de implantes em maxila.
Figura 6 - Esquema
mostrando os con-
HEXÁGONO EXTERNO
tatos oclusais pri-
mários ao longo
eixo do implante. Originalmente, o hexágono externo foi concebido
O deslocamento para adaptar o monta-implante e inserir o implante no al-
deste contato primá-
rio para as cúspides véolo cirúrgico. Constitui-se em um sistema de sucesso e
de contenção cêntri-
ca promoverá o de- mundialmente consagrado. As próteses confeccionadas so-
senvolvimento da bre este sistema devem, obrigatoriamente, apresentar duas
força-momento20.
características: passividade e elementos unidos3,12,18. Em pró-
PRÓTESE SOBREIMPLANTE
que um polígono poderá ser originado para uma melhor diretamente relacionada com o tipo de conexão implante-
estabilidade (Figuras 9a, 9b e 9c). abutment; de forma que, quanto maior a sobreposição das
suas superfícies internas, maior será sua resistência a car-
A gas horizontais e, conseqüentemente, menor a transferên-
cia destas sobre o parafuso de retenção.
Deste modo, a fim de controlar o efeito das forças
oclusais sobre as conexões protéticas, características restau-
B radoras específicas foram estabelecidas para cada tipo de
C conexão. Assim, em elementos unitários, o protesista po-
derá optar também por outros sistemas, aproveitando as
vantagens e limitações inerentes a cada um deles.
rio de elementos unidos em polígono27. dagem após sua remoção da boca e da sua montagem jun-
Esta possibilidade de restaurações individuais permite to à réplica do implante.
altura e inclinações cuspídeas naturais limitadas apenas
pelos determinantes mandibulares e alinhamento estético A Figuras 13a - Transferentes indiretos
(Figuras 12a e 12b). posicionados sobre a cabeça do implan-
te; 13b - Radiografia periapical mos-
trando desadaptação de um dos transfe-
rentes; 13c - Radiografia periapical
A B mostrando os transferentes adaptados
corretamete. (Caso clínico do curso de
Aperfeiçoamento Profissional em Reabi-
litação Oral - Aorp)
O efeito da força-momento sobre o parafuso de re- Recomenda-se, antes de vazar o gesso pedra me-
tenção é nulo, face à já citada sobreposição interna dos com- lhorado, a colocação de silicone apropriado para con-
ponentes. fecção da gengiva elástica, elemento este que facilita so-
Em caso de elemento unitário em região de canino, o bremaneira a visualização dos bordos do implante e a
guia canino pode ser restabelecido sobre o implante, face remoção do transferente após sacar o modelo. Este mo-
às características deste tipo de conexão. delo preliminar tem funções importantes. Pode-se se-
Basicamente, seguindo o rigoroso critério de oclusão, lecionar o componente protético transmucoso adequa-
observam-se características comuns entre implantes de alta do (evitando a necessidade de manter em estoque estes
estabilidade mecânica e dentes naturais27: elementos), visualizar o espaço protético, confirmar o
• Superfície oclusal com dimensões naturais ou próximas tipo de prótese anteriormente planejado, servir de base
destas. para união dos transferentes diretos em duralay (aten-
• Contornos cuspídeos naturais que garantam contatos ção a este item!) e confecção de moldeira individual com
oclusais estáticos dos tipos A, B e C. alívio adequado e uniforme do material de moldagem.
• Cúspides com angulações normais, respeitando aos de-
terminantes da oclusão.
PRÓTESE SOBREIMPLANTE
uma moldagem elastomérica é removida de estruturas siliconas de condensação apresentam uma alteração dimen-
que tenham retenções de 1 mm de altura e profundida- sional superior a 0,5%, podendo originar supra-estruturas
de 14. O material se distorce e se afasta da retenção, mas menos acuradas, o que corresponde maior trabalho clínico
pode não retornar a sua posição original próximo ao para sua adaptação. Desta maneira deve-se evitar o uso deste
pino do transferente indireto. Os transferentes indire- tipo de material nas próteses sobreimplantes.
tos permanecem na boca após a remoção da moldagem, Apesar de os polissulfetos apresentarem valores que
e são repostos na moldagem após conectá-los aos res- são a metade das siliconas de condensação (0,22%), estes
pectivos análogos dos implantes. Desta forma, o orifí- valores permitem sua utilização neste tipo de trabalho. Po-
cio receptor para o conjunto transferente indireto-aná- rém, este material continua a se contrair dramaticamente
logo do implante pode ser maior que a dimensão origi- após 24 horas – recomenda-se, veementemente, que se vaze
nal, gerando um fator de erro no posicionamento da o modelo logo após a moldagem. A menor quantidade de
réplica neste modelo inicial. Além disso, a possibilidade alteração dimensional fica registrada para as siliconas de
da presença de bolhas no interior deste orifício e a vibra- adição (0,06%) e o poliéter (0,1%), sugerindo-se a eleição
ção ao vazar o gesso podem influenciar sobremaneira na por estes tipos de material para a moldagem de trabalho de
obtenção de um modelo que reproduza fielmente a po- prótese sobreimplante9,17. A técnica da moldagem única com
sição do implante. Justifica-se, nesta propriedade, a ne- silicona de adição mostra bons resultados para sistemas de
cessidade de um refino com a moldagem de trabalho, implantes cujos componentes não precisam ser unidos com
empregando transferentes diretos e sacando-os junto resina acrílica e são encaixados no ombro do implante
com a moldagem. Estes permanecem em posição até a (exemplo: Straumann Dental Implant System) Figuras 14a
obtenção do modelo de trabalho, eliminando assim, dois e 14b. Já o poliéter, face a sua viscosidade, se enquadra bem
fatores que podem influenciar na alteração do correto na moldagem de sistemas de implantes que necessitam unir
posicionamento do implante 5,1,4,6,11. seus transferentes diretos com resina acrílica.
lo de trabalho. Clinicamente podem ser unidos diretamen- tos de ajuste oclusal. Descreve-se, no sentido vertical, dois
te nos implantes, mas face à contração do acrílico (sempre tipos de mobilidade: clínica e fisiológica20.
manipulado com excesso de líqüido), recomenda-se sua Dentes:
união no modelo preliminar25. Após polimerizado, separa- • Mobilidade clínica: nula
se com disco esta união e para então uni-los de novo, dire- • Mobilidade fisiológica: 28 µm
tamente na boca, fato este que reduz a quantidade de acrí- Implantes:
lico e, por suposto, a sua interferência na posição dos im- • Mobilidade clínica: nula
plantes (Figuras 15a e 15b). • Mobilidade fisiológica: 5 a 7 µm
A B
A
Figuras 16a - Vista oclusal do modelo, onde um implante em dente posterior está
Figuras 15a - Vista vestibular de trans-
cercado por dentes naturais; 16b - Contatos oclusais no refinamento, mostrando
ferentes indiretos a serem novamente
contatos mais acentuados em dentes e menos acentuados sobre o implante. (TPD
unidos com menor quantidade de resina
César Simões Azenha)
acrílica; 15b - União dos transferentes
diretamente na boca. Nota-se a pouca
quantidade de resina acrílica utilizada
nesta segunda união. Devido à ausência de qualquer mobilidade nos mo-
B delos de gesso, as peças protéticas nele esculpidas e ajus-
tadas devem sofrer modificações finais diretamente na
Ainda em relação às propriedades da resina acrí- boca do paciente, sob o risco de as peças protéticas fica-
lica, a confecção da moldeira individual deve obedecer rem ligeiramente mais “altas”. A mobilidade fisiológica
a um tempo para sua distorção antes de ser utilizada dos dentes seria responsável por este quadro clínico, pro-
para a moldagem. A utilização de moldeira de plástico movendo desconforto ao paciente e sobrecarga nas pe-
e a sua perfuração no local dos transferentes diretos ças sobreimplantes. Desta forma, o ajuste oclusal das
pode ser uma opção em casos emergenciais, pois a mol- peças sobreimplantes exige este refinamento diretamente
deira individual permite uma maior uniformidade na na boca do paciente. Descrevem-se, a seguir, os procedi-
espessura do material de moldagem, bem como maior mentos de ajuste e refinamento oclusal em peças sobre-
controle sobre os bordos da moldeira. implantes em segmento posterior.
PRÓTESE SOBREIMPLANTE
te para a camada em contato com os dentes – o que resulta em tor um estudo detalhado de livros e a interação com bases de
contatos de duas cores. Já na prótese sobreimplante, deve-se sua experiência e tópicos de disciplinas interligadas.
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