SIBO e SIFO:
quais as melhores estratégias
na prática clínica?
Índice
01. Introdução..............................................................................................3
02. Conceito de Síndrome do Intestino Irritável..................4
03. Conceito de SIBO e bactérias relacionadas....................5
04. Como acontece e quais as consequências
da SIBO....................................................................................................7
05. Fatores de risco a serem evitados na SIBO.....................9
06. Diverticulite e SIBO..........................................................................11
07. SIBO e a inflamação intestinal................................................12
08. Sintomas gastrointestinais, sistêmicos e
diagnóstico...........................................................................................14
09. Tratamento dietético, fitoterápicos e
suplementação..................................................................................16
10. SIBO e SIFO..........................................................................................18
11. Estratégias nutricionais para a SIFO.................................20
12. Chás e Shots para auxiliarem no tratamento.............22
Introdução
SII e SIBO
Os distúrbios associados ao sistema gastrointestinal estão cada vez
mais presentes na população do mundo inteiro e apesar de
estarem relacionados ao mesmo sistema fisiológico e possuírem
sintomas semelhantes dos quais: dor e distensão abdominal,
diarreia e constipação, eles são condições clínicas distintas.
E dentre os distúrbios mais comuns estão a síndrome do intestino
irritável (SII) e o supercrescimento bacteriano no intestino delgado
(SIBO), lembrando que são condições diferentes, mas uma pode
levar a outra.
Além disso, é importante ressaltar que a microbiota intestinal é um
fator extremamente importante para a saúde do individuo como
um todo e seus efeitos no metabolismo humano abrangem muito
mais do que somente a região intestinal.
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Conceito de Síndrome
do Intestino Irritável
A síndrome do intestino irritável é caracterizada como um distúrbio
funcional, pois se enquadra dentre os critérios de Roma IV e não
tem uma patologia em si diagnosticada como causadora desta
síndrome, ela pode ocasionar no paciente episódios de diarreia, dor
e distensão abdominal, constipação e gases.
Além disso a SII está presente em cerca de 15% da população
mundial sendo 17,5% na América do Sul, mas isso pode estar
relacionado ao maior nível de estresse apresentado pela população
dessa região ou também pelo maior consumo de FODMAPS por
esses indivíduos.
Dentre as causas da SII estão incluídas a hipersensibilidade visceral,
eixo intestino cérebro, alterações na microbiota intestinal, estresse,
ansiedade e outros.
A SII promove um grande impacto na vida do paciente pois pode
afetar o sono, estimular ansiedade e depressão, medo de
descolamento devido a um possível quadro de diarreia, prejudicar a
relação sexual e a vida social como um todo, reduzir a produtividade
e concentração, além de alterar também a estética por conta da
distensão abdominal
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Conceito de SIBO e
bactérias relacionadas
O supercrescimento bacteriano no intestino delgado é conceituado
como uma condição onde existe um elevado número de bactérias
comensais presentes no intestino delgado.
Porém essa condição pode ser muito prejudicial para o indivíduo,
visto que, o intestino delgado é a porção que está mais próxima do
estômago e possui o PH mais ácido, e devido a isso não existe
normalmente essa elevada quantidade de bactéria presentes ali, ao
contrário do cólon intestinal, que comumente é habitado por
trilhões de bactérias. Além disso, a prevalência da SIBO atualmente
ocorre em cerca de 20% da população saudável.
De acordo com a literatura científica, o intestino com SIBO
apresenta maior quantidade de bactérias patogênicas do filo
Proteobacteria, baixa quantidade de bactérias probióticas como os
lactobacilos e as bifidobactérias, além de apresentar também alta
instabilidade e baixa diversidade alfa da microbiota, contando com
uma menor quantidade das bactérias firmicutes e actinobacteria,
comprovando um quadro intestinal de disbiose.
O aumento de proteobacteria que os indivíduos com SIBO
apresentam, acontece principalmente devido à classe Gamma-
proteobacteria que está correlacionada com a expiração de um
hidrogênio H2 durante o teste de lactulose, que é uma forma de
diagnosticar a SIBO. Ainda, a família enterobacteriaceae que está
dentro da classe das proteobacterias, também está elevada em
pacientes com SIBO e possui correlação positiva com os sintomas
da doença como por exemplo o inchaço.
5
Com isso, o intestino com SIBO possui características contrárias às
de um intestino saudável, no qual é recomendável que a
microbiota presente seja estável e diversa, rica em bactérias
probióticas das quais podem ser citadas as Bifidobactérias e
lactobacilos, e também com elevada quantidade de bactérias que
atuam como imunomoduladoras como a Faecalibacterium
prausnitzii e a Akkremansia muciniphila.
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Como acontece e quais as
consequências da SIBO
Quando ocorre o supercrescimento bacteriano no indivíduo,
algumas bactérias irão promover diversas ações diferentes no
intestino sendo a primeira delas a desconjugação da bile.
Com isso a digestão de gorduras ficará prejudicada, resultando em
possíveis episódios de esteatorreia (gordura nas fezes) que vão
acarretar na diminuição da absorção de vitaminas lipossolúveis,
especialmente das vitaminas A, D e E. Apesar de a vitamina K ser
lipossolúvel, ela também é produzida pelas bactérias intestinais e
devido à abundância de bactérias nessa condição clínica sua
deficiência em casos de SIBO é rara.
Por conta da grande quantidade de bactérias presentes no
intestino, elas entram em contato com as células do sistema
imunológico provocando aumento da produção de citocinas
inflamatórias e consequentemente a isso, ocorrem danos à mucosa
intestinal e alterações da permeabilidade do intestino.
E ao mesmo tempo em que ocorrem essas modificações, a
secreção das enzimas dissacaridases também reduz e elas são
responsáveis por degradar a lactose e a sacarose principalmente,
logo, através da redução na degradação dessas moléculas as
bactérias irão promover grande processo de fermentação desses
carboidratos não digeridos, resultando no aumento da produção de
hidrogênio e gás metano no intestino.
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Essa maior produção de gases irá causar no indivíduo sintomas
como: distensão abdominal, flatulência e dor abdominal. Ainda, o
gás metano também é capaz de lentificar o peristaltismo intestinal
e por consequência gerar constipação, através disso é possível
compreender que em indivíduos com SIBO pode ocorrer tanto os
episódios de diarreia como de constipação. E a partir da grande
fermentação de carboidratos o crescimento bacteriano aumenta
ainda mais, provocando o ciclo vicioso da SIBO que deve tentar ser
controlado com o auxilio da alimentação.
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Fatores de risco a serem
evitados na SIBO
A anatomia alterada é considerada um dos fatores de risco para a
SIBO, pois ela está relacionada com qualquer modificação que
promova a estase (estagnação) ou exposição do intestino a
conteúdos colônicos, como ocorre por exemplo em doença
diverticular, anormalidades estruturais que envolvam a válvula
ileocecal (válvula que separa o intestino delgado do cólon), cirurgia
bariátrica, colectomia e colecistectomia.
Além disso, as alterações de motilidade intestinal como a
dismotilidade (motilidade desordenada) e a hipomotilidade (menor
motilidade) também são fatores de risco para a SIBO, e podem
ocorrer nas seguintes doenças: esclerodermia por promover
hipomotilidade e neuropatia diabética devido a episódios de
gastroparesia (redução na digestão e sensação de empachamento).
As deficiências imunológicas em indivíduos que fazem tratamentos
com imunossupressores, HIV e hipogamaglobulinemia (baixos
níveis de anticorpos) também estão mais propensos a
desenvolverem SIBO, assim como indivíduos que apresentam
hipocloridria (baixa secreção ácida do estômago) que pode
acontecer devido ao próprio envelhecimento, uso indiscriminado
de inibidores de bombas de prótons (antiácidos) e gastrite atrófica
seja por [Link] ou alguma reação autoimune.
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Dentre todos os fatores de risco abordados o mais comum e que
deve ser evitado é o uso de inibidores de bomba de prótons, pois
eles induzem a acloridria gástrica profunda e alteram o microbioma
em toda a extensão do tratogastrointestinal trazendo diversas
consequências para a saúde humana.
Estudos demonstram que o uso desses inibidores por mais de um
ano consecutivo eleva de 20% para 60% o risco de SIBO nesses
indivíduos e cerca de 50% das causas de SIBO são decorrentes da
sua utilização.
Além disso, a dieta estilo ocidental também pode ser um fator de
risco importante para a SIBO, pois uma das características dessas
dietas é a presença de alta quantidade de carboidratos simples e
farinhas refinadas, que são um gatilho para a disbiose do intestino
delgado e sintomas da SIBO, visto que, reduzem a diversidade da
microbiota e a produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC)
que possuem ação anti-inflamatória e impedem o aumento da
permeabilidade intestinal.
Ainda, o uso de alguns medicamentos como narcóticos e opioides,
o consumo excessivo de álcool, a presença de doenças intestinais
com a SII, doenças inflamatórias intestinais e doença celíaca,
doenças sistêmicas como a pancreatite, diabetes mellitus,
obesidade, Parkinson, psoríase, rosácea, artrite reumatoide,
esclerose múltipla, e doenças hepáticas podem levar ao
desenvolvimento de SIBO.
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Diverticulite e SIBO
A diverticulite é uma doença provocada pela inflamação da parede
interna do intestino, e uma de suas principais características é a
formação de bolsas na parede intestinal (divertículos) que quando
inflamados dão origem a diverticulite.
Eles podem ocorrem em qualquer região ao longo de todo
percurso intestinal, desde o delgado ao cólon retal, no entanto a
prevalência da doença no cólon é maior. Essa inflamação intestinal
pode apresentar diversos sintomas no individuo, dos quais podem
ser citados o inchaço, falta de apetite, peristaltismo reverso,
flatulência, diarreia e dor abdominal.
Essa doença pode ser muito agravada quando o ambiente
intestinal apresenta supercrescimento bacteriano no cólon ou no
intestino delgado (SIBO) e estudos também apontam que a SIBO
pode ser um fator causal para a diverticulite, pois a alteração da
microbiota intestinal é capaz de desencadear a inflamação do
intestino, contribuindo para um pior prognóstico da doença
juntamente com o agravamento dos sintomas gastrointestinais.
Ainda, indivíduos com diverticulite que apresentam
supercrescimento bacteriano no cólon e peristaltismo reverso,
podem favorecer a ocorrência de SIBO. Sendo assim, a diverticulite
e a SIBO podem ser fatores causais uma para a outra.
Além disso, evidências científicas apontam que a diverticulite
associada a SIBO desencadeiam uma perturbação na parede do
intestino delgado, resultando na função prejudicada de algumas
enzimas como por exemplo a lactase, fazendo com que a digestão
de lactose fique prejudicada e o indivíduo apresente piora dos
sintomas indesejáveis.
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SIBO e a inflamação
intestinal
Em indivíduos com o intestino saudável há uma grande expressão
das tight junctions (proteínas que unem uma célula intestinal na
outra) diminuindo a permeabilidade intestinal, além disso também
existe boa produção de muco, peptídeos antimicrobianos e IgA
secretora e todos esses aspectos controlam o crescimento
bacteriano e trazem tolerância imunológica diminuindo a resposta
inflamatória.
No entanto, no intestino delgado que apresenta a SIBO tudo ocorre
ao contrário do intestino saudável, pois a expressão de tigh
junctions é muito menor ou ausente, com isso ocorre aumento da
permeabilidade intestinal, além de menor produção de muco,
peptídeos antimicrobianos e IgA secretora, permitindo um grande
crescimento e desenvolvimento bacteriano que conseguem obter
maior contato com o epitélio intestinal.
Através disso, ocorrerá uma imunoativação com atividade da
resposta inflamatória especialmente de Th1, Th17 e macrófagos M1
(macrófagos inflamatórios), resultando em um intestino inflamado.
12
Em consequência disso, a inflamação junto a alta permeabilidade
intestinal pode proporcionar o aumento da passagem de
lipopolissacarídeos (LPS) do lúmen intestinal para a corrente
sanguínea e ao chegar aos tecidos do corpo o LPS pode se ligar a
receptores do sistema imune inato e ativar dentro da célula a
produção e também translocação do NF-KB para o núcleo celular,
mas vale ressaltar que o NF-KB é um importante fator para
estimular a produção de citocinas inflamatórias.
Com isso, a inflamação que era antes localizada somente no
intestino pode desencadear uma inflamação sistêmica (no corpo
todo) pois agora está presente nos tecidos, resultando
possivelmente em doenças dermatológicas como psoríase e
rosácea, doenças do SNC como Parkinson e depressão, doenças
metabólicas das quais diabetes mellitus e obesidade e doenças
autoimunes como esclerose múltipla e artrite reumatoide.
E-book
SIBO e SIFO: quais as melhores estratégias na prática clínica?
Karina Al Assal
13
Sintomas gastrointestinais,
sistêmicos e diagnóstico
Alguns fatores devem ser considerados para a suspeita da SIBO
como por exemplo os sintomas gerais, dos quais podem ser
incluídos a frequência de flatulência fora do horário de evacuação,
eructação (excesso de gases no estômago ou na parte superior do
intestino), distensão abdominal, diarreia, constipação, dores
abdominais, cólica intestinal, borborigmo (barulhos no intestino),
melhora dos sintomas gastrointestinais após o uso de antibióticos e
esteatorreia.
Em relação aos sintomas sistêmicos da SIBO, eles podem se
apresentar como dor de cabeça, fadiga, mialgia (dores musculares),
artralgia (dores articulares), hipotireoidismo, menor presença de
vitaminas lipossolúveis na corrente sanguínea e anemia
macrocítica devido a deficiência de vitamina B12 que comumente
esses pacientes apresentam.
O método padrão ouro para diagnóstico de SIBO é através da
cultura de aspirado de jejuno, que consiste na realização de uma
endoscopia onde será aspirado o líquido do jejuno e depois
colocado em meio de cultura.
De acordo com um consenso recente baseado em evidências
científicas, quando o meio de cultura apresenta >103 UFC/ mL
(unidade formadora de colônia) com base em controles normais o
indivíduo possui SIBO.
14
Entretanto, esse teste é invasivo e caro para ser realizado, possui
risco de contaminação da flora orofaríngea e pode ser que o
conteúdo aspirado seja da região errada, apresentando um falso
negativo.
Por conta disso, outro método alternativo de diagnóstico é através
do teste de hidrogênio e/ou metano expirados a partir da ingestão
de glicose ou lactulose.
Para a realização desse teste o paciente faz a ingestão de glicose ou
lactulose e durante 90 minutos ele realiza várias expirações para
avaliar a concentração de hidrogênio e/ou metano.
Ao final do teste as concentrações de hidrogênio ou metano devem
estar superiores ao recomendado para então confirmar a SIBO.
Esse teste é de fácil realização, não invasivo e de baixo custo, porém
fatores como o uso de antibióticos, laxantes, consumo de laticínios
e uso de tabaco podem alterar os resultados.
Outros dados que podem auxiliar o diagnóstico de SIBO são:
deficiência de vitamina B12 pois as bactérias são grandes
consumidoras dessa vitamina, elevação de ácido fólico sanguíneo
devido a sua grande produção pelas bactérias, redução de vitamina
A,D e E decorrentes da má digestão de gorduras, menor densidade
óssea, osteoporose e neuropatia pela deficiência de B12 e presença
de substâncias toxicas no sangue
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Tratamento dietético,
fitoterápicos e suplementação
O tratamento natural é muito indicado para a SIBO pois ele possui
inúmeras vantagens para o indivíduo e deve ter como base reduzir
os sintomas e prejuízos provocados pela doença.
Com isso, deve ter como objetivo promover a otimização das
funções digestivas, redução da inflamação intestinal, recuperação
da barreira intestinal, melhora na composição da microbiota, maior
secreção de IgAs, melhora da motilidade intestinal e especialmente
menor crescimento bacteriano e aumento de bifidobactérias.
O tratamento fitoterápico é imprescindível e bastante eficiente
para a SIBO, e evidências científicas demonstram que indivíduos
que fizeram uso de fitoterápicos dos quais: berberina, tomilho,
cavalinha e outros, obtiveram melhor resultado para os testes de
lactulose em comparação aos indivíduos que utilizaram
antibióticos.
Além disso, os fitoterápicos promovem menores efeitos adversos e
são tão eficientes quanto os antibióticos.
Em relação ao tratamento dietético, as especiarias são elementos
muito significativos para serem usados pois promovem o aumento
das bifidobactérias e lactobacilos e reduzem o clostridium e a
fusobacterium.
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Para a recuperação de barreira intestinal é recomendado a
utilização de goma Acácia e malto resistente pois são dois
prebióticos que provocam pouca fermentação e também a
L-glutamina, L glicina, zinco-carnosina e nucleotídeos. Todos esses
elementos juntos vão levar a redução da inflamação e menor
permeabilidade da barreira intestinal.
O própolis verde, óleo de coco, óleo de orégano ou o óleo de
cominho podem ser utilizados para ação antimicrobiana, antiviral e
antifúngica. Além disso, vale ressaltar que a suplementação de
micronutrientes e probióticos só deve ser realizada após um
período de 6-8 semanas do inicio do tratamento.
Os probióticos também podem ser usados no tratamento da SIBO
pois auxiliam na melhora da função da barreira intestinal, na maior
secreção de IgAs, eliminação das bactérias ruins, maior produção
de produtos antimicrobianos e na imunorregulação.
Porém, alguns pacientes podem ter efeitos como gases,
estufamento e brain foggieness (confusão mental) durante o
tratamento de pacientes com SIBO.
Ainda, também pode predispor o crescimento de bactérias
metanogênicas, aumentando o risco de uma variante da SIBO
(metanogênica), que está muito associada com a constipação.
Com isso, é melhor iniciar o tratamento para SIBO com outras
estratégias e depois adicionar o probiótico se for o caso.
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SIBO e SIFO
A região intestinal saudável é habitualmente colonizada por
microrganismos bacterianos e fúngicos, sendo as bactérias mais
presentes no intestino delgado e os fungos mais presentes no
cólon.
Mas em algumas situações assim como na SIBO, pode ocorrer o
supercrescimento fúngico no intestino delgado dando origem a
SIFO. Nesse contexto, a utilização de antiácidos tem se mostrado
um grande fator de risco para esse crescimento fúngico
exacerbado.
A microbiota intestinal saudável quando colonizada por bactérias
da espécie Lactobacilos pode ter ação profilática contra a SIFO, pois
os lactobacilos vão interagir e inibir a virulência e o crescimento de
espécies de Candida no intestino, que é um dos fungos mais
presentes em indivíduos com SIFO.
Sendo assim, vale ressaltar que os lactobacilos se encontram em
menor quantidade na SIBO, favorecendo então a piorar o quadro
de SIFO ou a ocorrência da doença.
A SIFO provoca no indivíduo sintomas sistêmicos muito
semelhantes a SIBO, dos quais é possível citar a depressão, inchaço,
enxaqueca, fadiga e a dismotilidade intestinal.
Além disso, ela acomete muitos pacientes com diabetes mellitus,
câncer e que fazem uso de antibióticos e hormônios esteroides.
Porém, recentemente indivíduos ditos como saudáveis e que não
apresentavam nenhuma doença de base, com sintomas de diarreia
ou dor abdominal foram diagnosticados com SIFO.
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No que diz respeito ao tratamento, a SIFO apresenta em maior
parte dos casos a presença da Candida albicanis, onde será
utilizada a terapia antifúngica para redução dos sintomas e do
crescimento fúngico juntamente a algumas estratégias
nutricionais, que visam a restauração da microbiota do intestino
delgado e o controle do crescimento exacerbado.
Devido aos sintomas semelhantes entre a SIBO e SIFO o
diagnóstico desses quadros de disbiose se tornam complicados.
Ainda, de acordo com a literatura cientifica os hábitos alimentares
inadequados juntamente com o consumo excessivo de álcool,
estresse e a ausência de atividade física são fatores significativos
para elevar as chances de SIBO e SIFO.
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Estratégias nutricionais
para a SIFO
A intervenção dietética é um dos fatores mais importantes para o
tratamento da SIFO e estudos apontam que indivíduos que
associam o uso de antifúngicos as mudanças alimentares, após um
período médio de 3 meses apresentam melhora nos sintomas de
85 a 90%, enquanto que os indivíduos que usaram somente os
antifúngicos demostram cerca de 45% da redução dos sintomas.
Já é sabido que a estrutura e a atividade dos fungos podem ser
alteradas em resposta aos alimentos, como por exemplo o excesso
do consumo de carboidratos pode favorecer a abundância de
Candida.
Além disso, a literatura demonstra que a abundância de Candida
está negativamente relacionada com uma dieta rica em proteínas,
aminoácidos, ácidos graxos. Ainda, o consumo de amêndoas,
pistache e óleo de coco também demonstrou reduzir o
crescimento fúngico.
E alguns componentes como o resveratrol, extrato de alho, extrato
de goldenseal (Hydrastis canadesnsis. L.) e a lactoferrina também
tem se mostrado significativos para auxiliar na redução do
supercrescimento desses agentes patogênicos.
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Estudos demonstram que algumas modificações no padrão
alimentar das quais: redução no consumo de álcool, açúcares
simples, carboidratos refinados e muito fermentáveis, carnes
processadas e gordurosas, leite e derivados lácteos em conjunto
com maior ingestão de alimentos integrais e com baixo teor de
gorduras, peixes, frutos do mar e carnes brancas, são práticas
excelentes para auxiliar o tratamento da SIFO e reduzir os sintomas
da doença.
Dentre as estratégias nutricionais para diminuir o crescimento
fúngico, a inserção de alimentos que auxiliam na redução da
inflamação intestinal e que atuem para a melhora dos sintomas
também são muito efetivas para o tratamento.
Mas vale ressaltar que até o momento ainda não existem diretrizes
baseadas em evidências cientifica para classificar uma dieta
especifica para o tratamento da SIFO.
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Chás e Shots para
auxiliarem no tratamento
Os shots antioxidantes podem ser ótimos aliados para tratamento
da SIBO, devendo ser consumidos pelo paciente ao acordar e
fazendo a primeira refeição após 40 a 50 minutos após o consumo
do shot.
Como exemplo é possível citar os shots de glutamina e goma
acácia; espirulina, folhas verdes e clorela; limão, berries e camu-
camu e por fim gengibre, cúrcuma, canela e própolis.
No entanto, eles sempre devem ser alterados após algumas
semanas de consumo.
Os chás também são fortes aliados ao tratamento do
supercrescimento bacteriano e devem ser usados de forma
alternada.
Dentre os mais comuns a serem utilizados é possível citar:
Erva cidreira Ipê roxo Canela
Dente de leão Cavalinha Alecrim
Hortelã Alcachofra Gengibre
Guaçatonga Tomilho Orégano
E-book
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Os chás podem ser consumidos em forma de mix, contando com 2
a 3 tipos de especiarias em uma mesma preparação.
Além disso, eles contêm ação antiviral, fungicida, bactericida, anti-
inflamatória, antioxidante, regenerador de barreira intestinal e
outros.
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