O SISTEMA DE COTAS RACIAIS NO BRASIL
Cotas raciais
As cotas raciais são ações afirmativas aplicadas em alguns países, como o
Brasil, a fim de diminuir as disparidades econômicas, sociais e educacionais entre
pessoas de diferentes etnias raciais, essas ações afirmativas podem existir em
diversos meios, mas a sua obrigatoriedade é mais notada no setor público, como
no ingresso nas universidades, concursos públicos e bancos.
As cotas raciais são uma medida de ação contra a desigualdade num sistema
que privilegia um grupo racial em detrimento de outros oprimidos perante a sociedade,
ao contrário do que diz o senso comum, cotas raciais não se aplicam somente a
pessoas negras, em várias universidades, por exemplo, existem cotas
para indígenas e seus descendentes, que visam abarcar as demandas educacionais
dessas populações.
Há, em alguns lugares, cotas diferenciadas para pessoas pardas, também caso
contrário, estão inclusas nas cotas para negros, as cotas podem ser raciais, no caso
de pessoas negras ou indígenas; sociais, no caso de pessoas de classes sociais mais
baixas; para pessoas com deficiência, para mulheres, quilombolas, dentre outras.
Elas funcionam a partir da reserva de um número mínimo de vagas a serem
preenchidas por cada uma das categorias mencionadas acima.
Cotas raciais no Brasil
O sistema de cotas no Brasil surgiu com a Constituição de 1988 que contém
uma lei que garantia uma reserva de vagas para pessoas portadoras de deficiências
físicas em empresas privadas e públicas, a partir de então, a sociedade civil passa a
demandar que outros grupos marginalizados no Brasil deveriam ter acesso à
educação superior através do sistema de cotas.
No final dos anos 90, houve uma mobilização para dar mais condições às
pessoas que não conseguiam entrar na universidade por motivos econômicos. Em
2000, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei
que reservava metade das vagas das universidades estaduais para estudantes de
escolas públicas, um ano depois, uma nova lei determinou que 40% dessas vagas
tinham que ser destinadas à autodeclarados negros e pardos.
Em 2003, essas duas leis foram substituídas pela legislação vigente, o
vestibular 2004 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), primeira do país
a adotar um sistema de cotas, já reservava vagas para estudantes de escolas públicas
fluminenses, negros e pardos, depois da UERJ, foi a vez da Universidade de Brasília
(UnB) implantar uma política de ações afirmativas para negros em seu vestibular de
2004, em meio a muita discussão e dúvidas dos próprios vestibulandos.
A instituição foi a primeira federal a implantar cotas e a primeira do Brasil a
utilizar o sistema de cotas raciais, logo depois da UnB, várias outras universidades
federais passaram a reservar vagas para estudantes de escolas públicas e candidatos
negros, pardos e indígenas, no entanto, não existia uma padronização e cada
instituição definia seu critério, por conta disso, iniciaram discussões sobre a criação
de uma lei federal de cotas.
Assim, vários vestibulares populares foram criados por igrejas, associações e
entidades civis, a fim de ajudar estudantes das escolas públicas a conseguirem a
aprovação. Existem diferentes tipos de cotas, que buscam garantir o acesso de grupos
historicamente marginalizados a oportunidades educacionais e de emprego.
• Cotas raciais: reservam uma porcentagem das vagas para estudantes
autodeclarados pretos, pardos (pretos de pele clara) e indígenas, com o
objetivo de combater o racismo e a discriminação racial;
• Cotas sociais: reservam uma porcentagem das vagas para estudantes
oriundos de escolas públicas e com renda familiar per capita abaixo de
determinado valor, com o objetivo de garantir o acesso à educação para
estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica;
• Cotas para pessoas com deficiência: reservam uma porcentagem das vagas
para pessoas com deficiência, com o objetivo de garantir a inclusão na
educação e no mercado de trabalho;
• Cotas para quilombolas: reservam uma porcentagem das vagas para
estudantes provenientes de comunidades quilombolas, com o objetivo de
garantir o acesso dessas comunidades à educação e promover sua inclusão
social;
• Cotas para LGBTQIA+: reservam uma porcentagem das vagas para
estudantes LGBT+, com o objetivo de combater a discriminação e a exclusão
dessas pessoas na sociedade;
• Cotas para mulheres: apesar de serem menos comuns no serviço público e
nas universidades, muitas empresas adotam políticas de cotas com o objetivo
de aumentar o número de mulheres em postos de alta liderança, por exemplo.
A Lei de Cotas
A chamada Lei de Cotas, conhecida também como Lei 12.711, só foi aprovada
em 2012, com ela, todas as instituições de ensino superior federais do país
precisaram, obrigatoriamente, reservar parte de suas vagas para alunos oriundos de
escolas públicas, de baixa renda, e negros, pardos e índios. Dentre os objetivos da
criação da Lei está o de introduzir e diminuir a desigualdade entre brancos e negros
no país, realizando o que é chamado de reparação histórica, principalmente devido à
escravidão.
Ou seja, ela seria uma forma de realizar a reparação das desigualdades
práticas da vida cidadã e das instituições, permitindo a atuação democrática das
partes da sociedade, em completo respeito às suas diferenças. Regulamentada
pelo Decreto nº 7.824/2012, essa lei propõe que metade das vagas para cotistas seja
reservada para estudantes de escolas públicas com renda familiar mensal de até 1,5
salário mínimo por pessoa, dividindo os cotistas em dois grupos de renda.
Além disso, em cada grupo de renda são reservadas vagas para negros, pardos
e indígenas em quantidade correspondente à porcentagem que esses grupos
representam no estado, segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). No início, em 2013, a lei obrigava as instituições a
reservarem 12,5% das vagas a estudantes de escolas públicas, essa porcentagem foi
aumentando gradativamente, até chegar aos 50% em 2016.