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Olá, Alunos!
Sejam bem-vindos!
Esse material foi elaborado com muito carinho para que você
possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se
preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma
complementar junto com as aulas.
Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma
“pergunte ao professor”.
Lembre-se: o seu sonho também é o nosso!
Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação!
Com carinho,
Equipe Ceisc ♥
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2ª FASE OAB | PENAL | 4 2º EXAME
Direito Penal
SUMÁRIO
Razões de Apelação
1.1. Introdução ......................................................................................................5
1.2. Identificação ...................................................................................................5
1.3. Base legal.......................................................................................................6
1.4. Prazo ..............................................................................................................6
1.5. Conteúdo ........................................................................................................6
1.6. Pedido ............................................................................................................6
1.7. Estrutura .........................................................................................................8
1.8. Peça resolvida ..............................................................................................12
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório
para a 2ª Fase do 42º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas
aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação
pertinente.
Bons estudos, Equipe Ceisc.
Atualizado em dezembro de 2024.
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Para dar o soco missioneiro, leia os principais artigos sobre Razões de Apelação
• Art. 107, IV, CP;
• Art. 386, CPP;
• Art. 593, CPP;
• Art. 600, CPP;
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Razões de Apelação
1.1. Introdução
Em todas as oportunidades em que cobrou a peça recurso apelação, a FGV exigiu que
o candidato fizesse a interposição e, de forma concomitante, já apresentasse as razões de
apelação.
Todavia, se considerado o procedimento previsto para interposição do recurso de
apelação, pode-se aventar a possibilidade de a FGV cobrar do candidato a peça RAZÕES DE
APELAÇÃO.
Isso porque, conforme dispõe o artigo 593 do CPP, se não concordar com a sentença
proferida, a parte irresignada deverá apresentar a petição de interposição da apelação no prazo
de 05 dias, perante o juízo de 1º grau, que fará o primeiro juízo de admissibilidade, recebendo
ou não a apelação. Na sequência, conforme dispõe o artigo 600 do CPP, se recebida a
apelação, intima-se o apelante para apresentar suas RAZÕES DO RECURSO DE APELAÇÃO,
visando à reforma da decisão recorrida.
Ou seja, poderá constar no enunciado que o juiz proferiu sentença e que a parte já
interpôs recurso de apelação, exigindo, após, que o candidato apresente a peça
correspondente, qual seja, RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO.
E, nas razões de apelação, deve-se apresentar, no caso, a petição de juntada e depois
as razões de apelação propriamente dita.
1.2. Identificação
O Recurso de apelação é interposto pelo apelante, sendo, na sequência, o apelante
intimado para oferecer as razões de apelação.
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PEDIU PRA PARAR
Expressão mágica:
“Interposição do recurso e Peça:
intimação para apresentar Razões de Apelação
a peça...”
PAROU!
1.3. Base legal
Art. 600 do CPP
1.4. Prazo
Conforme o artigo 600 do CPP, o prazo para razões de apelação é de 08 dias.
1.5. Do Direito/Teses
O(A) candidato(a) deverá buscar no enunciado teses relacionadas a preliminares e/ou
matérias de mérito, além das teses subsidiárias, conforme visto no capítulo que trata do recurso
de apelação, ao qual remetemos o leitor.
1.6. Pedido
No campo destinado aos pedidos, deve-se formular pedido específico para cada uma
das teses desenvolvidas ao longo da peça.
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Exemplo:
Se sustentou a tese da nulidade da sentença, deve-se, ao final, formular pedido
expresso de que seja declarada a nulidade da sentença. Se desenvolveu tese acerca da
prescrição, ao final deve formular pedido expresso de extinção da punibilidade, com base no
artigo 107, IV, do Código Penal.
Isso vale também para as matérias de mérito e teses subsidiárias.
Exemplo:
Se sustentou, por exemplo, princípio da insignificância, deve-se formular pedido
expresso de absolvição, com base no artigo 386, inciso III, do CPP. Se sustentou,
subsidiariamente, que o réu não é reincidente, deve-se, ao final, formular pedido expresso para
afastar a reincidência, com a consequente diminuição da pena... e assim por diante...
O pedido de absolvição tem como base uma das hipóteses do artigo 386 do CPP.
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1.7. Estrutura
A peça razões de recurso de apelação é bipartida, havendo: a) petição de juntada; b)
as razões de recurso de apelação.
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a) Petição de juntada
A) AO JUÍZO DA ...VARA CRIMINAL DA COMARCA... (SE CRIME DA COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA ESTADUAL)
B) AO JUÍZO DA ...VARA CRIMINAL DA SECÇÃO JUDICIÁRIA DE... (SE CRIME DA
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL)
Processo nº ...
FULANO DE TAL (não inventar dados), já qualificado nos autos, por seu
procurador infra-assinado, com procuração em anexo, vem, respeitosamente, à presença de
Vossa Excelência, apresentar as presentes RAZÕES DE APELAÇÃO, com base no artigo
600 do Código de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa
dos autos ao Tribunal de Justiça do Estado... (ou Tribunal Regional Federal).
As presentes razões de recurso de apelação são tempestivas, pois
oferecidas dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.
Nestes termos,
Pede deferimento
Local..., data...
Advogado...
OAB...
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b) Razões de recurso de apelação:
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ... (se da competência da Justiça
Estadual);
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA ... REGIÃO (se da competência da
Justiça Federal).
Apelante: Fulano de Tal
Apelado: Ministério Público
Processo nº
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO
Egrégio Tribunal de Justiça ou Egrégio Tribunal Regional Federal
Colenda Câmara (Justiça Estadual) ou Colenda Turma (Justiça Federal)
I) DOS FATOS1
II) DO DIREITO2
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja CONHECIDO e PROVIDO o recurso, com a reforma
da decisão, a fim de que ...:
I) preliminares (nulidades, incompetência, prescrição etc. – acompanhar a ordem das
preliminares)
II) absolvição, com base no artigo 386, inciso ..., do CPP
III) diminuição da pena, regime carcerário, substituição da pena privativa de liberdade
por restritiva de direitos, “sursis” (se não cabível a restritiva de direitos),
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Fazer breve relato dos fatos ocorridos, conforme os dados do enunciado (não inventar nada nem simplesmente transcrever o
enunciado).
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Buscar no enunciado preliminares e mérito. No mérito, busca-se afastar a materialidade e autoria do delito, bem como arguir
uma das causas excludentes do crime: exclusão da tipicidade, ilicitude e culpabilidade. MATICS, além das teses subsidiárias.
Dica: para lembrar dos pedidos voltados a melhorar a situação do réu, sugere-se seguir a sequência dos incisos do art. 59 do
CP. Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos,
às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja
necessário e sufi ciente para reprovação e prevenção do crime: I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; II - a quantidade
de pena aplicável, dentro dos limites previstos [buscar atenuantes (arts. 65 e 66 CP) e causas de diminuição da pena - tentativa,
por exemplo, art. 14, II CP); b) afastar causas de aumento da pena e qualificadoras]; III - o regime inicial de cumprimento da
pena privativa de liberdade (art. 33 CP); IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena,
se cabível (art. 44 CP). ART. 77 CP (SURSIS)
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Nestes termos,
Pede deferimento.
Local... e data...
ADVOGADO...
OAB...
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1.8. Peça resolvida
Peça adaptada do XXII Exame OAB
Desejando comprar um novo carro, Leonardo, jovem com 19 anos, decidiu praticar um crime
de roubo em um estabelecimento comercial, com a intenção de subtrair o dinheiro constante do
caixa. Narrou o plano criminoso para Roberto, seu vizinho, mas este se recusou a contribuir.
Leonardo decidiu, então, praticar o delito sozinho. Dirigiu-se ao estabelecimento comercial, nele
ingressou e, no momento em que restava apenas um cliente, simulou portar arma de fogo e o
ameaçou de morte, o que fez com ele saísse, já que a intenção de Leonardo era apenas a de
subtrair bens do estabelecimento. Leonardo, em seguida, consegue acesso ao caixa onde fica
guardado o dinheiro, mas, antes de subtrair qualquer quantia, verifica que o único funcionário
que estava trabalhando no horário era um senhor que utilizava cadeiras de rodas. Arrependido,
antes mesmo de ser notada sua presença pelo funcionário, deixa o local sem nada subtrair,
mas, já do lado de fora da loja, é surpreendido por policiais militares. Estes realizam a
abordagem, verificam que não havia qualquer arma com Leonardo e esclarecem que Roberto
narrara o plano criminoso do vizinho para a Polícia. Tomando conhecimento dos fatos, o
Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em preventiva e denunciou
Leonardo como incurso nas sanções penais do art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II,
ambos do Código Penal. Após decisão do magistrado competente, qual seja, o da 1ª Vara
Criminal de Belo Horizonte/MG, de conversão da prisão e recebimento da denúncia, o processo
teve seu prosseguimento regular. O homem que fora ameaçado nunca foi ouvido em juízo, pois
não foi localizado, e, na data dos fatos, demonstrou não ter interesse em ver Leonardo
responsabilizado. Em seu interrogatório, Leonardo confirma integralmente os fatos, inclusive
destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar. Constavam no processo a
Folha de Antecedentes Criminais do acusado sem qualquer anotação e a Folha de
Antecedentes Infracionais, ostentando uma representação pela prática de ato infracional
análogo ao crime de tráfico, com decisão definitiva de procedência da ação socioeducativa. O
magistrado concedeu prazo para as partes se manifestarem em alegações finais por memoriais.
O Ministério Público requereu a condenação nos termos da denúncia. O advogado de
Leonardo, contudo, renunciou aos poderes, razão pela qual, de imediato, o magistrado abriu
vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais. Em sentença, o juiz julgou
procedente a pretensão punitiva estatal. No momento de fixar a pena-base, reconheceu a
existência de maus antecedentes em razão da representação julgada procedente em face de
Leonardo enquanto era inimputável, aumentando a pena em 06 (seis) meses de reclusão. Não
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foram reconhecidas agravantes ou atenuantes. Na terceira fase, incrementou o magistrado em
2/3 (dois terços) a pena, justificando ser desnecessária a apreensão de arma de fogo, bastando
a simulação de porte do material diante do temor causado à vítima. Com a redução de 1/3 (um
terço) pela modalidade tentada, a pena final ficou acomodada em 5 (cinco) anos de reclusão.
O regime inicial de cumprimento de pena foi o fechado, justificando o magistrado que o crime
de roubo é extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias.
Intimado, o Ministério Público apenas tomou ciência da decisão. A irmã de Leonardo o procura
para, na condição de advogado, adotar as medidas cabíveis. Constituída nos autos, a defesa
interpôs o recurso cabível. O Magistrado recebeu o recurso, sendo a defesa intimada no dia 06
de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país.
Com base nas informações expostas acima e naquelas que podem ser inferidas do caso
concreto, redija a peça cabível, excluída a possibilidade de habeas corpus, no último dia
do prazo, sustentando todas as teses jurídicas pertinentes.
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AO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE/MG
Processo nº
LEONARDO, já qualificado nos autos, por seu procurador infra-assinado, com
procuração em anexo, vem, respeitosamente, a presença de Vossa Excelência, oferecer
as presentes RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO, com base no art. 600 do Código
de Processo Penal, requerendo sejam recebidas, com posterior remessa dos autos ao
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais.
As presentes razões de recurso de apelação são tempestivas, pois oferecidas
dentro do prazo de 8 dias, previsto no artigo 600 do Código de Processo Penal.
Nestes termos,
Pede deferimento
Local..., 14 de maio de 2019.
Advogado...
OAB...
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Apelante: Leonardo
Apelado: Ministério Público
Processo nº ...
RAZÕES DE RECURSO DE APELAÇÃO
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Colenda Câmara Criminal
I) DOS FATOS
O réu foi denunciado pela prática do crime de roubo majorado tentado,
previsto no art. 157, § 2º-A, inciso I, c/c o art. 14, inciso II, ambos do Código Penal.
O réu foi interrogado. Encerrada a instrução, o Ministério Público requereu a
condenação.
Em sentença, o juiz julgou procedente a pretensão punitiva estatal, fixando a
pena de 05 (cinco) anos de reclusão, em regime fechado.
Intimada da sentença, a defesa interpôs o recurso cabível, que foi recebido
pelo Magistrado. Após, a defesa foi intimada para apresentar a peça correspondente no
dia 06 de maio de 2019, segunda-feira, sendo terça-feira dia útil em todo o país.
II) DO DIREITO
A) DA NULIDADE
O advogado do réu renunciou aos poderes, tendo o Magistrado, de imediato,
concedido vista para a Defensoria Pública apresentar alegações finais.
Todavia, o processo deve ser anulado a partir da apresentação das alegações
finais pela Defensoria Pública, uma vez que deveria o Magistrado intimar o réu, que estava
preso, para se manifestar acerca do interesse de constituir novo advogado ou ser
defendido pela Defensoria Pública. A abertura, de imediato, de vista dos autos à
Defensoria Pública violou princípio da ampla defesa, previsto no art. 5º, inciso LV, da
Constituição Federal/1988, uma vez que as alegações finais foram apresentadas sem
nenhum contato com o réu, acarretando-lhe prejuízo, já que restou condenado.
B) DA DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA
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O réu foi denunciado pela prática de crime de roubo majorado tentado.
Todavia, ao verificar que o único funcionário que estava trabalhando no local era um senhor
que utilizava cadeiras de rodas, o réu, mesmo antes de ser notado, desistiu de prosseguir a
subtração, deixando o local sem nada subtrair.
Logo, não poderia ter sido imputado ao réu a prática de roubo na modalidade
tentada, uma vez que, incidindo hipótese de desistência voluntária, o agente responde pelos
atos praticados, nos termos do artigo 15 do Código Penal, afastando a possibilidade de
tentativa, sendo o fato atípico, já que os atos praticados não constituem crime.
Em relação à ameaça, crime de ação penal pública condicionada à
representação, como o cliente ameaçado demonstrou não ter interesse em ver o réu
responsabilizado, operou-se, no caso, a decadência do direito de representação.
Logo, os fatos até então praticados não constituem crime, ensejando a
absolvição, com base no artigo 386, III, do Código de Processo Penal.
C) DOS MAUS ANTECEDENTES
O Juiz aumentou a pena-base em razão da representação julgada
procedente em face do réu enquanto era inimputável. Todavia, não poderia o Magistrado
elevar a pena-base, porque a existência de representação pela prática de ato infracional,
ainda que com decisão definitiva, não enseja maus antecedentes, já que decisão
reconhecendo a prática de ato infracional não constitui fundamento idôneo a elevar a pena-
base. Logo, na eventualidade de ser mantida a condenação, deve ser afastado o aumento
da pena pelos maus antecedentes, devendo a pena-base ficar no mínimo legal.
D) DA ATENUANTE DA MENORIDADE
O Juiz não reconheceu a atenuante da menoridade. Todavia, o réu era
menor de 21 (vinte e um) anos na data dos fatos. Logo, incide a atenuante da menoridade
relativa, prevista no art. 65, inciso I, do Código Penal. Assim, requer seja reconhecida a
atenuante da menoridade relativa.
E) DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA
Ao ser interrogado, o réu confessou os fatos, confirmando integralmente os
fatos, inclusive destacando que se arrependeu do crime que pretendia praticar.
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Logo, incide a atenuante da confissão espontânea, prevista no art. 65, inciso
III, alínea d, do Código Penal.
F) DO AFASTAMENTO DO AUMENTO DE PENA PELO EMPREGO DE
ARMA
O magistrado aplicou o aumento de 2/3 (dois terços) da pena, sob o
fundamento de ser desnecessária a apreensão da arma de fogo, sendo suficiente a
simulação do porte da arma para ensejar a causa de aumento de pena.
Todavia, nos termos do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código Penal, a pena do
delito de roubo aumenta-se até 2/3 (dois terços) se a violência ou ameaça é exercida com
emprego de arma. No caso, não há provas do emprego de arma de fogo, já que nenhuma
arma foi apreendida. Além disso, a simulação do uso de arma de fogo, por si só, não
autoriza a incidência da causa de aumento de pena, uma vez que não gera risco à
integridade física da vítima.
Assim, deve ser afastada a majorante do art. 157, § 2º-A, inciso I, do Código
Penal.
G) DA DIMINUIÇÃO DA PENA PELA TENTATIVA E SURSIS
O Magistrado reduziu a pena em 1/3 (um terço), restando a pena definitiva
em cinco anos. Todavia, o réu ficou distante da consumação do delito, tanto que desistiu
da empreitada delituosa antes mesmo de ser visto pelo funcionário do estabelecimento
comercial.
Logo, a diminuição da pena pela tentativa deveria ser considerada pela
redução máxima, ou seja, em 2/3 (dois terços), o que levaria a pena definitiva a ficar abaixo
de 02 (dois) anos. Assim, considerando a pena abaixo de 02 (dois) anos, bem como o fato
de o réu ser primário e não ser cabível a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos, cabe, no caso, o sursis, ou seja a suspensão condicional da pena,
nos termos do art. 77 do Código Penal.
H) DO REGIME CARCERÁRIO
O Juiz fixou o regime inicial fechado, justificando que o crime de roubo é
extremamente grave e que atemoriza os cidadãos de Belo Horizonte todos os dias.
Todavia, a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do delito não
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que permitia a
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pena aplicada, nos termos das Súmula nº 718 e 719, ambas do Supremo Tribunal Federal,
e Súmula nº 440 do Superior Tribunal de Justiça. Assim, considerando que a pena não
supera 04 anos, deveria ser fixado o regime carcerário aberto, nos termos do art. 33, § 2º,
alínea c, do Código Penal.
III) DO PEDIDO
Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o recurso, com a reforma
da decisão recorrida, para o fim de que:
a) Seja declarada a nulidade do processo a partir das alegações finais pela
Defensoria Pública;
b) Seja o réu absolvido, com base no art. 386, inciso III, do Código de Processo
Penal;
c) Seja afastado o aumento pelos maus antecedentes, fixando a pena-base no
mínimo legal;
d) Seja reconhecida a atenuante da menoridade relativa, nos termos do art.
65, inciso I, do Código Penal;
e) Seja reconhecida a atenuante da confissão espontânea, nos termos do art.
65, inciso III, alínea d, do Código Penal;
f) Seja afastado o aumento da pena pelo emprego de arma de fogo, fixando a
pena no mínimo legal;
g) Seja considerada a redução máxima pela tentativa, ou seja, em 2/3 (dois
terços) da pena;
h) Seja concedido o sursis, nos termos do art. 77 do Código Penal;
i) Seja fixado o regime inicial aberto de cumprimento de pena, nos termos do
art. 33, § 2º, alínea c, do Código Penal;
j) Seja expedido o alvará de soltura do réu.
Nestes termos, pede deferimento.
Local..., 14 de maio de 2019.
Advogado....
OAB.
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